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UTAD (Chaves) – Proverbios de Chaves - Grupo4

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Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro Pólo de Chaves Escola de Ciências Humanas e Sociais Licenciatura em Animação Sociocultural 1º Ano/2º Semestre

TEXTOS, USOS, CONTEXTOS E SIGNIFICADOS DOS PROVÉRBIOS E DITADOS PORTUGUESES: Um estudo de caso em Chaves

Unidade Curricular: Teorias e Métodos de Docentes: Prof.ª Isabel Costa Prof. Xerardo Pereiro Alunos: Andreia Isabel Afonso Carneiro n.º 35591 Catarina da Silva Ferreira n.º 35593 Marina de Jesus Cunha Antunes n.º35602 Renata Filipa Miranda Cachada n.º34752

Chaves Maio 1


Introdução

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Caracterização da Instituição

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Caracterização do Público Estudado

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Provérbios e os seus significados

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Conclusão

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Este trabalho surgiu no âmbito da disciplina de “Métodos de Estudo e de Investigação em Animação Sociocultural”. Com o decorrer do trabalho poderão presenciar os vários provérbios que tendem pertencer à zona do Alto Tâmega podendo ser comum com outras zonas, estes ditos por idosos do lar de Santa Isabel de Vilar de Nantes. A interacção com os idosos começou por ser feita com as questões, como: o seu Nome, Idade, Profissão, Quais os provérbios que sabem de antigamente e que hoje em dia ainda utilizam? O que significam para eles e qual a sua opinião? Perante o significado tradicional os provérbios memorizam-se facilmente e são usados, não só pelo povo que os cria, mas também pelos políticos, literatos, pensadores que a seu modo, os incluem nos seus discursos falados ou escritos.

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Este projecto de investigação acção foi realizado no Lar de Santa Isabel (Vilar de Nantes), sendo uma das mais significativas obras da Santa Casa da Misericórdia, que entrou em funcionamento a 1 de Julho de 1997. A histórica conta o que tem sido a obra da Santa Casa de Chaves ao longo de 483 anos. “A santa Casa da Misericórdia de Chaves”, é uma secular Instituição criada pouco depois da de Lisboa. Esta instituição tem a funcionar uma Obra, de que é pioneira em Portugal, dois Lares de Acamados, onde 70 utentes, incapazes de se locomoverem em cadeiras de rodas, estão confortavelmente instalados e tratados com todo o carinho. Está em funcionamento um Lar e Centro de Dia em Vidago, obra que tem merecido os mais rasgados elogios, pela forma como aquele edifício foi concebido e pela funcionalidade. Também em Vidago, está em, um moderno Jardim Infantil, que comporta 60 crianças. No Hospital Velho de Chaves, foi construído um importante centro de Dia, e o Lar de Acamados e de 3ª Idade. Em Boticas funcionam diversas valências como sejam uma Creche, um Jardimde-infância, e o Lar de Acamados de 3ª Idade. Entrou recentemente em funcionamento um moderno e amplo Lar de 3ª Idade em Vilar de Nantes com capacidade para 80 utentes. A mais antiga obra de assistencial é porém a Escola Agrícola em Chaves que alberga 66 crianças abandonadas ou órfãs. Estão a ser planificadas outras obras em Chaves que igualmente contribuirão para um melhor e mais harmonioso crescimento moral e social das pessoas humana. Dir-se-á que esta Instituição tem sabido acompanhar o crescimento da nossa região. A Santa Casa da Misericórdia de Chaves e de Boticas é a mais antiga e mais importante instituição do Distrito de Vila Real; Trata-se de uma Irmandade polivalente na contribuição ao próximo, nos diversos escalões etários da vida social, infância,

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juventude e terceira Idade; Foi durante quatro séculos e meio o eficiente sustentáculo da saúde nesta região, através do hospital da Santa Casa da Misericórdia de Chaves. Constituiu e constitui um importante factor cultural e religioso que se vem desenvolvendo ao longo dos tempos. A Santa Casa da Misericórdia de Chaves é uma das instituições do género mais antigas do País. Regeu-se inicialmente pelo Compromisso da Misericórdia de Lisboa de 15 de Novembro 1516, outorgado á Misericórdia de Chaves por D. João III em 30 de Julho de 1525, documento este que ainda hoje integra o arquivo da Instituição. Ao longo dos seus quase cinco séculos de existência, a Santa Casa da Misericórdia de Chaves e Boticas tem assumido, com verdadeiro empenho, o desenvolvimento da solidariedade.

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A nossa investigação focou-se numa faixa etária mais elevada, em que cresceram num meio rural e isso reflecte-se nas respostas sobre o significado dos provérbios em que os mesmos disseram. Os nossos idosos têm idades compreendidas entre os 70 e 95 anos e todos pertencem à Região Alto Tâmega.

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A Dona Delfina Rosa tem 83 anos, era doméstica e fazia também alguns trabalhos de costura. Hoje reside no Lar de Santa Isabel. Ao longo da conversa contou-nos um pouco da sua história de vida. Os provérbios ditos foram: 

Calça branca em Janeiro é sinal de pouco dinheiro: “Isto para a Dona Delfina quer dizer que ainda não se arranjou dinheiro para comprar roupa de inverno;”

Março marçagão, de manhã cara de cão, ao meio dia cara de rainha, e à noite corta com a foicinha: “ Isto quer dizer que os dias são inconstantes;”

Abril águas mil: “Isto quer dizer que no mês de Abril cai muita chuva;”

Carnaval na eira, Páscoa à lareira: “Isto significa que quando o carnaval é passado na rua com sol a Páscoa é passada em casa por causa do mau tempo;”

Em Maio comem-se as cerejas ao borralho: “Ora quer dizer que na minha altura, no Maio ainda fazia muito frio e então as primeiras cerejas eram comidas ao lume;”

Depois de Agosto toda a fruta tem gosto: “Porque depois do mês de Agosto a fruta está madura e é mais docinha;”

O Senhor Alberto Carvalho tem 88 anos e era comerciante. Hoje reside no Lar de Santa Isabel. Enquanto fazia as suas palavras cruzadas, mostrou interesse do trabalho 7


que estávamos a fazer e sendo assim foi dos idosos que mais se disponibilizou. Os provérbios ditos foram: 

Filho és, pai serás, conforme o fizeres assim o encontrarás: “Conforme o filho tratar o pai, mais tarde irá também ser pai e vai ser tratado da mesma forma;”

Mês de Março, mês de amargura, mal nasce e já é logo noite escuta: “O mês de Março é um mês de muito frios e os dias são para o miudinho;”

Ferreiros em casa, espeto de pau: “Bem, as pessoas para trabalhos de fora sabem fazer mas quando é para casa deixam andar;”

Água em São João tolhe o vinho, não dá pão e deita o azeite ao chão: “Na altura de desenfornar o azeite, o trigo está quase para cegar e se cair muita chuva estraga tudo;”

Para os ricos até os cães põem ovos: “Quer dizer que não basta já terem dinheiro ainda terem sorte;”

Em Junho foice punho: “Era usado na altura das cegadas;”

A Dona Maria Alice tem 75 anos e trabalhava em hotelaria em Angola. Hoje reside no Lar de Santa Isabel. Com esta senhora foi difícil extrair alguns provérbios porque ela achava que nos deveríamos começar ser nos a começa-los e ela termina-los e deu o exemplo do programa do José António Malato. Os provérbios ditos foram:

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Água em pedra dura tanto bate até que fura: “Se eu insistir com a menina e tornar a insistir com a menina e tornar a insistir, a menina vai acabar por fazer aquilo que eu quero;”

Quem tem saúde e liberdade é bem rico e não o sabe: “Só ligamos ao dinheiro e esquecemo-nos da saúde;”

Em Setembro ardem os montes e secam as fontes: “É por causa que há muitos incêndios e pouca água;”

Chuva de S.Agostinho é como se chovesse vinho: “Em Agosto como faz muito calor, quando chove é como se fosse uma bênção de deus;”

Barriga vazia não conhece alegria: “Quando não temos fome trabalha-se muito melhor menina;”

Quem como salgado bebe dobrado: “O comer quando fica bem puxadinho bebe-se mais uma pinguinha;”

O Senhor João tem 91 anos e faz anos dia 2 de Outubro. Hoje reside no Lar de Santa Isabel. Gosta muito de ler como por exemplo os «Almanaques» e a «Cruzada» e gosta também de escrever poesia. Apesar do avanço da idade mostrou ser um homem cheio de energia e bastante comunicativo e solidário com os restantes idosos do lar. Os provérbios ditos foram: 

O sol de Março queima a dama no Paço: “Ora antigamente dizia-se que o sol de Março era matreiro porque

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Abril abrilente pró mês se alimente: “O mesmo de Abril é mês de muito trabalho e então e a gente tem que comer bem para pegar na força do trabalho;”

Homem que bate muito no peito, velhaco perfeito: “Então menina os homem que se gabam muito são os mais mentirosos deles todos por isso não vão na cantiga deles;”

Quem em novo não trabalho, em velho dorme na palha: “Quem em novo não trabalha depois não tem como governar a vida. Não acha?;”

Depois do Natal, dão os dias salto de pardal: “Como as meninas sabem, durante o ano os dias crescem e mingam consoante a altura do ano. Depois do Natal os dias crescem muito pouquinho como os saltos dos pardais; ”

No tempo do cuco também está molhado como enxuto: “Neste altura o tempo não é certo, está sempre a mudar. Ora está chuva ora sol;”

A Senhora Glória tem 81 anos e trabalhava na sua taberna. Hoje reside no Lar de Santa Isabel. Abordou-nos logo de imediato para ver se o que pretendia-mos era adivinhas. É uma senhora muito divertida e conversadora, pois por ela ficaríamos ali a falar por longas horas. Os provérbios ditos foram: 

Sardinha pelo São João pinga no pão: “Nesta altura é quando as sardinhas são as melhores, as mais saborosas;”

Junho chuvoso, ano perigoso: “Então se chove vai estragar o trabalhinho todo, nesta altura está tudo a rebentar;”

Pelo S.Martinho, prova o teu vinho: “É na altura de S. Martinho que se prova o vinho pela primeira vez, que se abrem os tonéis;”

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Quem como a correr do estômago vem a sofrer: “Não devemos comer com muita pressa porque depois o estômago não aguenta;”

A mulher quer-se como a sardinha: “As sardinhas mais pequeninas são as mais gostosinhas e os homens dizem que as mulheres também são assim, quanto mais pequenina mais arranjadinha;”

Mulher que não dá filhos é como uma parelha de mulas: “ A mulher que não dá filhos são mulheres de mal com a vida, umas invejosas e recebem os homens aos pinotes;”

O Senhor Ernesto tem 77 anos. É reformado do exército. Hoje reside no Lar de Santa Isabel juntamente com a sua mulher. É um idoso muito calmo e teve a particularidade de nos oferecer rebuçados. Os provérbios ditos foram: 

Maio faz o pão e Agosto o milhão: “Em Maio cega-se o trigo para se fazer o pão e semeia-se o milho para ser cegado em Agosto;”

Homem na praça, mulher em casa: “Os homens querem se a cuidar da casa e da família por isso são eles que têm que ir para o negócio e as mulheres ficam em casa a cuidar dos filhos que na nossa altura eram muitos;”

A cantar ganhei dinheiro, a cantar se me acabou, o dinheiro mal ganho água o deu agua o levou: “Ora quando ganhamos o dinheiro facilmente parece que ele vai logo depressa, como não custou a ganhar também não custa a gastar;”

A mulher e a ovelha querem se cedo na cortelha: “As mulheres não são para andarem na rua até muito tarde porque parece mal;”

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Minha ceitoirinha metade com sangue de lesma: “Ora, como as lesmas não andam nada, a ceitoirinha também não tem vontade de trabalhar. Representa que não faz nada;”

Homem velho mulher nova, filhos até à cova: “Ora os homens podem sempre fazer filhos e com uma mulher nova ainda mais, e é até morrer”

Com a realização deste trabalho a forma de avaliar os provérbios ficou diferente. Sentimos grandes dificuldades na realização do mesmo devido à faixa etária escolhida. Fizemos essa opção porque pensamos que devido às experiências de vida eles fossem a opção correcta, isto é uma mais valia, no entanto de uma certa forma deparamo-nos com o oposto pela falta de memória. Vendo que não teríamos assim muita informação tentamos envergar pelo caminho de perguntar às funcionárias do lar mas estas mostraram-se pouco disponíveis e responderam que também só sabiam o que ouviam dizer por ali. Mas mesmo assim com o decorrer da conversa e com o à vontade que se criou conseguimos o pretendido por parte dos idosos. Embora não seja um trabalho extenso e exaustivo, o seu conteúdo tem a informação pedida. Foi engraçado a realização do trabalho porque à medida que íamos ouvindo as filmagens reparávamos nos pormenores como os comentários por parte dos idosos e também vinha-nos à lembrança alguns que se utilizam no contexto do nosso ceio familiar e entre amigos.

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