Issuu on Google+

“E tudo o que eu te digo, tecido de palavras, porque te amo tanto, Túlio, disse nada.” [Hilda Hilst]

Infinitude – Galeria de Arte do DMAE – Porto Alegre, 2005


Fotografia Sobre vinil (detalhe de bordado


Bastidor para a participa ção do público


Vista geral da exposição


Fotografia sobre vinil (detalhe de Texto)


in


Fotografia Sobre vinil (detalhe de bordado


Fotografia Sobre vinil (detalhe de bordado)


Três bordados sobre tecido (lenços de bolso de acervo familiar)


Vista geral ala central.


Dois bordados sobre Tecido/voil


Detalhe do bordado que aparece em primeiro plano na coluna (imagem anterior)


Bordado sobre lenรงol


AmbiĂŞncia: cadeira e bordado em camisa


Bordado e serigrafia sobre lenรงo (acervo pessoal)


Detalhe do bordado da imagem anterior


Vista geral ala da esquerda


Fotografia Sobre adesivo (detalhe de bordado sobre camiseta)


Fotografia em vinil (detalhe de bordado em tecido)


Desenho sobre papel e bordado sobre tecido


AmbiĂŞncia: Livro de artista


Desenhos e bordados sobre papel


“E tudo o que eu te digo, tecido de palavras, porque te amo tanto, Túlio, disse nada.” [Hilda Hilst] As palavras são o sentimento. São como aroma de café. São como teu suor. Nenhum dos trabalhos tinha algo visivelmente em comum. Não, não é isso. Não é o tema ou o material, a cor ou o tamanho. É apenas sempre a história. História antes de negação do que de qualquer afirmação. Meus parâmetros estão pendurados nos fios de luz. Diário de viagem. Desenhos de paisagem. Silêncio da procura da espera que se faz fluidez, respiração. Transposição para a experiência carnal da lembrança. Apropriação. Elementos carregados de informação histórica e afetiva. Pequenos achados, pequenos guardados. Pequenos gestos. Gestos largos. Gestos novos. Gestos repetidos, repetitivos. Pequenas falas que buscam o sentido de cada dia do vivido. Gestos de tempo. De tempo lento, bordados. De tempo apressado, desenho. Gestos de sentido. Matéria inerte que esgaça. Matéria móvel que tenciona e destenciona. Alguns suportes tomam corpo: o volume dos pontos e da linha sobre o tecido. Outro suporte perde a rigidez: o papel riscado, enrugado, amaciado. Dominar tanto espaço com um gesto que se pretende repetitivo é tão, tão cansativo. O gesto controlado produz cansaço. Controle produz cansaço. Repetição produz acúmulo de energia que não se recicla. Repetição produz exaustão. Gestos de captura do sentido: palavra. Sentido ainda assim sempre dúbio. Sempre amplo. Sempre desdobrado. Feito camadas de tecido. Camadas de pele. Gestos de localização do sentido: olhar e re-olhar, a fotografia. Olhar congelado. Olhar doado ao outro. Olhar que revela, a cada vez anula ainda mais a distância primária entre os elementos. Gesto de doação: a mão aproxima-se do coração.


Ana Lúcia Beck: analuciabeck@gmail.com

Exposição INFINITUDE ocorrida na Galeria de Arte do DMAE entre 23 de junho e 13 de julho de 2005 Porto Alegre – RS, Brasil.


INFINITUDE