edição 3 - ano 3 setmbro de 2011 distribuição gratuita
PONTO E VÍRGULA
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Olha a gente aqui de novo! Depois de cerca de três anos após o lançamento das duas primeiras edições, a Klep volta no sapatinho, como antes, mas com fôlego renovado. Nesse entretempo, nosso país já mudou de presidente para presidenta, o Tocantins já está no terceiro governador e Palmas... bom, Palmas chove e seca como sempre, ano após ano, tanto no clima quanto no cenário cultural. Nos arriscamos a dizer que, de 2008 para cá, a perspectiva é otimista, com festivais culturais criando ramos extensos e raízes fortes, bandas tocantinenses seguindo o caminho da profissionalização e abrindo caminho para uma nova leva de talentos e... como não citar?! Editais públicos de apoio à arte e a cultura surgindo das cinzas, em duros testes às esperanças de quem produz ou assiste. Sobre esta edição, que finalmente entregamos ao leitor, temos o seguinte a dizer: mais páginas, maior tiragem e novos espaços. Estamos lançando o espaço “Klep nas cidades”, onde trazemos crônicas de correspondentes das principais cidades do Estado, olhemos mais longe, pois. Quem manda seu recado lá de Miracema é o Cássio, produtor do Agosto de Rock e do festival de audiovisual, Miragem. A veia poética se faz representar pelo que consideramos a nata da poesia marginália palmense, em textos que exalam o cheiro das ruas e o clima de nosso tempo. No mais, atentem-se ao trabalho de Álvaro Maia, 21 anos, desenhista/pintor de garagem que já vem chamando a atenção com sua recente obra, é o artista convidado para ilustrar esta edição na íntegra. Além, é claro, de nossos estimados colaboradores, que são a essência da Klep, dignos de todo mérito e agradecimento. Mãos às páginas e boa leitura! Revista Klep
EXPEDIENTE
Editor_
Colaboradores_
Correspondentes_
Tácio Pimenta
Ana Keyla Franco
Fernando Rios
Ciro Gonçalves
Thássio Fontes
Jornalistas_ Responsáveis
Daniel Silva
Agradecimentos_ Rita de Cássia Ferraciolli
Flávia Quirino (DRT-TO 442)
Flávio Herculano
Natália Ferraciolli (DRT-TO 513)
Thiago Ramos Hoger Renato Brasil
revistaklepcultural@ gmail.com
Diagramação_
Capa e ilustrações_
Tiragem_
Pablo P. C. Santos
Álvaro Tavares Maia
2000 exemplares
Gilson Cavalcante Thiago Piccoli
A revista Klep é uma produção coletiva com uma pegada artísticocultural que foi criada em 2008, idealizada pelo jornalista Renato Brasil e que nesta edição foi contemplada pelo Programa Mais Cultura Microprojetos Amazônia Legal.
BISCOITO FINO
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só consigo ser na rua onde trago no cigarro o consolo e na calçada o repouso entro onde não se pode ficar e só passo por onde caibam meus braços abertos porque gosto de estar lá fora onde se acha loucura de primeira sem muros de hospício e sem camisas de força no riso com som de desespero no desespero com cheiro de bebida na verdade disfarçada de embriaguez estão lá os insanos conscientes nos peitoris dos botecos e os sãos inconscientes nas escadarias dos palácios todos tapetes humanos sem placa de ‘proibido pisar’ e mesmo que já não hajam flores sem os jardins de inverno é no mundo que quero ser e o mundo é lá fora com estrelas sobre a cabeça e merda sob os pés mia, é boê nse, dem. ie u pia ssa or om o, 23, ne pot.c Franc ta, assim, a l y blogs e . s K o li c a i a l n i An a e jor apaf papip poetis
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RELATOS
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O mundo do Led Zeppelin em forma de fábula
Em seu livro “Led Zeppelin - Quando os gigantes caminhavam sobre a terra” (Larousse, 2009), o jornalista inglês Mick Wall nos faz viajar pela história dos quatro cavaleiros - Plant, Page, Jones e Bonham - com belíssimos flashbacks, e nos convidando a virar personagens da própria história. Contada a partir de muito antes do estouro do grande Zeppelin de Chumbo, o livro traz histórias desde a infância dos músicos, seus sonhos musicais, trabalhos anteriores em estúdio com outros grandes nomes, como John Paul Jones e Jimmy Page, a bandas anteriores de John Bonham e Robert Plant. A cada capítulo, o leitor tem a ideia da dimensão que tomou a banda a partir do trabalho árduo do desacreditado Page, que com o fim dos Yardbirds, em 1968, ficou sozinho e com um contrato de cinco shows a cumprir na Escandinávia. Dentre várias alternativas possíveis, Page e o lendário produtor Peter Grant acabaram encontrando Plant e Bonham na Band of Joy, já Jones acabou vindo até eles através de um anúncio visto por sua esposa. Pronto! Como um passe de mágica (ou Magicka, como prefere Page, adepto e estudioso do ocultismo e da obra do polêmico mago Aleister Crowley) estava formado o The New Yardbirs. Este foi o pontapé inicial da trajetória inacreditável e tortuosa da maior banda do mundo, título unânime conseguido por eles com o sucesso estrondoso do histórico Led Zeppelin IV - chamado assim inicialmente pelos fãs, por ser um álbum sem nome - em 1971. O livro conta também a polêmica relação da banda com o álcool e as drogas, fatores determinantes para que o sonho acabasse em 1980, assim como a morte do incrível John Bonham - afogado no próprio vômito após 40 doses de vodka com suco de laranja - e as tentativas de retorno sem sucesso por parte de Jimmy Page, que nunca conseguiu convencer o teimoso Robert Plant a voltar a reinar no mundo do rock. Para fãs legítimos do melhor rock’n roll do mundo, fica a dica. O livro de Mick Wall vale muito a pena. Muito bem escrito e detalhado, o livro conta ainda as influências e preferências musicais de cada membro da banda, mistura que os fez serem os maiores do seu tempo. Thiago Piccoli, 25, catarinense, é estudante de
comunicação, roqueiro e produtor audiovisual.
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MATÉRIA
Em novo filme, Sílvio Tendler retrata histórias das trabalhadoras rurais brasileiras crédito: Flávia Quirino
Uma lente captura a imagem de 100 mil mulheres, de diferentes raças, etnias, estados, sotaques e bandeiras, que se reuniram no último mês de agosto, em Brasília, durante a 4ª edição da Marcha das Margaridas. A lente é do renomado e premiado Sílvio Tendler, conhecido como o cineasta dos “sonhos interrompidos”. Este é o primeiro filme do cineasta com o foco específico sobre o universo feminino, que irá abordar a trajetória de lutas das trabalhadoras rurais brasileiras. “Estou muito emocionado em fazer esse filme. Nunca tinha feito um filme tendo como personagem principal uma mulher e, de cara, eu trabalho 100 mil, que na verdade não são 100 mil, pois representam milhões”, disse o cineasta, durante pausa nas filmagens. Na multidão de “margaridas”, Tendler, acompanhado de produtores, captava nos rostos suados os anseios das trabalhadoras que marchavam na Esplanada dos Ministérios. “Estamos muito acostumados a ver imagens reproduzidas pela classe média das grandes cidades, e aqui estou captando imagens de trabalhadoras rurais, que tem uma sensibilidade incrível, imagens bonitas. Estou muito emocionado com a Marcha”, finalizou Sílvio Tendler, que lançará o documentário em dezembro deste ano.
Marcha das Margaridas A quarta edição da Marcha das Margaridas aconteceu nos dias 16 e 17 de agosto de 2011 em Brasília. Organizada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais na Agricultura (Contag), a Marcha reuniu mulheres de todos os estados do país para reivindicarem melhores condições de vida no campo e na floresta. Do Tocantins, participaram mais de 600 trabalhadoras rurais.
Silvio Tendler é carioca, já produziu 31 filmes, entre curtas, médias e longas-metragens. É diretor e roteirista da Caliban Produções Cinematográficas, direcionada para biografias históricas de cunho social. Entre seus principais filmes destacam-se Os Anos JK, Jango, Glauber - O Filme, Encontro com Milton Santos, Utopia e Barbárie e O Veneno está na mesa. Saiba mais sobre as obras de Tendler no site: www.caliban.com.br
ENTRE-VISTAS
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com Cássio Cerqueira
Desde o encanto com os projetores de cinema em sua infância no interior do Tocantins, até os dias de hoje, a frente de dois dos mais tradicionais eventos culturais do Estado, Cássio conversou com a Klep e revelou algumas de suas influências e opiniões sobre o cenário cultural
Miracemense nato desde 1972, este sujeito já é carimbado (e carimbador) nos anais da cultura tocantinense. Organizador do festival de música “Agosto de Rock” e do festival e mostra audiovisual “Miragem” – ambos em Miracema – TO, Cássio Renato Cerqueira é reconhecível tanto por sua figura franzina, de cabelo comprido e loiro, quanto pelo seu método guerrilheiro (entenda como quiser) de fazer produção cultural. Cineasta e cineclubista, músico e roqueiro. Cássio já percorre os pedregulhos da cultura tocantinense há mais de dez anos, e é com este gabarito – de quem tem boas histórias a contar e a noção de quem faz o que faz pelo sentimento de “missão” com sua cidade – que nesta edição apresentamos ao leitor este controverso realizador cultural. Antes de começar a entrevista, nosso personagem relata sobre o problema com a divulgação espontânea do festival. “Daqui uns dias vamos ter que usar uma lupa para ler sobre o Agosto de Rock nos jornais. O Agosto de Rock já foi capa! Várias e várias capas”, conta ele. Confira a entrevista: Klep – Este ano, pela primeira vez, o Agosto de Rock foi produzido com patrocínio de recursos públicos. Para quem já fazia este trabalho de forma independente há tanto tempo e produz o festival com tantas dificuldades, o trabalho desta vez foi mais fácil? Cássio - A gente fazia um trabalho independente e dependendo de migalhas. O pessoal até questionou se conseguiríamos
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ENTRE-VISTAS
lidar com o dinheiro, mas o edital foi muito simples, tanto que muitos também foram contemplados aqui no Estado. A maior burocracia que tivemos foi com a liberação da verba. Para mim, o trabalho não foi menor, pelo contrário, a responsabilidade aumentou ainda mais, uma vez que a gente precisa prestar contas. Só que também facilita, porque você tem uma verba para préprodução, o que é muito bom. Os custos com este festival ultrapassaram a verba repassada pelo edital, mas ser contemplado por um edital do Ministério da Cultura abriu portas para que conseguíssemos mais parceiros. Klep – Como avalia a participação das bandas no Festival? Você acredita que as bandas daqui estão se limitando a eventos do Estado? Cássio - Tem muita banda aqui do Estado que tem potencial para tocar em qualquer lugar, a qualidade do som é impecável. Asteróide 66, Maquinários... Fiquei assustado com aqueles caras, são ótimos! Quando acabou o show do Asteróide eu cheguei para o Tom (Asteróide 66) e falei: “Velho, sabe qual é o problema nosso aqui? Circulação, maluco...Circulação! Vocês precisam tocar em outro Estado”. Todo mundo aqui tinha que juntar dez, cinco bandas, e partir pra estrada e mostrar a cara! As bandas daqui querem turnê. A Mata Burro e mais umas três bandas, por exemplo, chegaram a fazer uma, com patrocínio de uma agência de turismo, que arrumou uma van e pelo que falaram foi bem bacana. Mas nem para o Estado tem turnê, poderia ter e os caras estarem ganhando pra isso. Que todos toquem e recebam como profissionais, e só dá para fazer isso com o incentivo do poder público. Klep – Como idealizador, que balanço faz desta edição do Agosto de Rock? Cássio - Na verdade para ter esse balanço eu ainda teria que andar na rua, ver as pessoas, falar com as autoridades e as empresas que patrocinaram. Tive muito agradecimento. Parece que foi um dia mágico, no meio daquela confusão - queda de energia, correria de produção -, saber que o pessoal que estava lá estava curtindo. Foi a primeira vez que a gente recebeu aquele tanto de gente de Palmas. Foi impressionante. Mas foi porque quando você traz bandas de fora atrai. Normalmente, os festivais daqui estão trazendo bandas mais pesadas, não pensam em bandas mais “leves ou populares”. Nossa proposta continuará desse jeito: fazer um festival aberto numa cidade de interior. Klep – Em relação ao audiovisual, como estão as produções para exibições em Miracema? Cássio - Fomos contemplados através de um edital do Programa Cine Mais Cultura, em 2010. Existem limitações do próprio projeto. Por exemplo, você não tem o direito de exibir filmes comerciais brasileiros. Deveríamos ter o direito de exibir produções nacionais. Não temos grandes lançamentos, então ficamos limitados aos filmes da Programadora Brasil. Ainda bem que temos o acervo do Festival de Cinema de Miracema, a Mostra Miragem. Nosso maior problema é a sala de cinema. Se tivéssemos uma sala de cinema reformada, com poltronas, ar condicionado, acabou! Se tivéssemos “aquela” sala funcionando resolveria tudo! Iríamos ter muito público ali. O povo de Miracema foi praticamente enganado, pois foi inaugurada uma
ENTRE-VISTAS
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sala sem estrutura alguma. Quando a gente tira foto de algum evento lá é de assustar, não tem nada! Esse é o nosso cinema e não temos mais condições de realizar. E ainda tem um agravante, pois quando qualquer autoridade morre na cidade ela é velada lá. Já aconteceu! No lançamento do “Terra Deu, Terra Come”, por exemplo. É ruim você cancelar uma estréia, que é nacional, em função de um velório. Já é difícil vender um produto nacional e ainda te jogam numa situação dessas... Klep – Você acha que, embora seja uma cidade do interior, Miracema tem mais acesso às produções “não-comerciais” de música e audiovisual que Palmas? Cássio - Se for falar em cotação de público, Miracema consegue movimentar muito mais que Palmas. Porque não colocar um festival em vários pontos espalhados pela cidade? Um no Taquari, outro em Taquaralto... Esses lugares são carentes de eventos! Faz uma rede, um circuito, cinco dias de evento. Agora o pessoal faz tudo no mesmo lugar! Por que não colocam uma apresentação de Hip Hop ali, duas bandas de rock aqui, uma apresentação de teatro e palestras espalhados em cada canto da cidade? Aí sim você integra esses 200 mil habitantes. Acredito que falta essa visão de integração. Aqui ninguém parece querer formar público não. Todo mundo tem medo disso. Da mesma forma que é complicado você ir para o interior e querer formar público. Todo mundo já condena: ‘Ah, isso não vai dar certo’. Mas dá sim, o caminho para dar certo é só adaptar! Existem muitos mecanismos pra tornar uma coisa atrativa. Klep – Com todas as dificuldades, o que te fez ser produtor cultural? Cássio - É que se eu não fizesse ninguém ia fazer. Foi necessidade mesmo, brother. Eu adoraria estar fazendo meus filmes. Se eu não tivesse largado as oficinas da Kinoforum lá em São Paulo, já no pique, meu amigo, já estaria em festivais há muito tempo! Tu sai de São Paulo, naquele universo onde os artistas não tem essa briga de ego, um querendo engolir o outro. Os artistas estão ali discutindo a obra, todo mundo ama fazer arte e valoriza isso, se discute qualidade daquilo, espaço de exibição, e lá tem tudo isso! Aí eu aqui, num desertão... saí da Avenida Paulista direto para a 1005 Sul, que na época não tinha nem asfalto, quase morri de depressão! Klep – Então, vamos falar de influências? Cássio - Eu não consigo pensar em outra coisa a não ser o Cine Operário. Eu era muito novo e meu pai me levava para o cinema. Na época não tínhamos televisão, não tínhamos nada na cidade, tínhamos apenas uma sala de cinema comercial em Miracema. Funcionou da década de 60 até final de 80, aliás, até 1984, quando ainda tinham exibições lá. Era massa quando tinha cinema em Miracema. Tem cada história lá que eu fui descobrindo depois que quis fazer o documentário sobre o Cine Operário. Todas essas pessoas com essas histórias particulares, eles seguiram o mesmo rumo devido a isso, a essa relação que tinham com o cinema. Quero muito fazer esse documentário. Mas para fazer filme você tem que ter tempo. É algo importante para minha cidade e para a história do cinema aqui do Estado. Naquela época o cinema era muito popular, né. No Cine Operário eram filas e filas para entrar e assistir um filme. E eu
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vivi isso aí, cara. O lance do audiovisual naquela época era tão raro que qualquer coisa que fosse projetada na parede todos paravam pra ver. Hoje em dia o audiovisual é algo tão comum, está em todo lugar e é extremamente necessário. É impressionante, pois quem vivenciou essa coisa do audiovisual, mesmo que de forma “primitiva”, hoje trabalha com cinema. Virou projecionista, cineasta, montou sua própria produtora ou até sua locadora. Poucos, de fato, viraram cineastas e estão correndo atrás aí até hoje, que é muito mais difícil que montar uma locadora, né. É esse o nosso destino aqui no Tocantins. Parece que a gente tem que sofrer mesmo para alcançar alguma coisa. Klep – Hoje em dia, com relação a tua cidade ou ao Estado, você sente mais orgulho do que conseguiu fazer ou um pouco de frustração por não ter feito tudo o que realmente queria? Cássio - Os dois né. Porque porra, isso que a gente tá fazendo é pouco demais. Eu fico puto porque é muito pouco. Não é uma questão de limite. Dá para criar coisas absurdas e que nunca foram feitas! Mas para fazer precisa de apoio. Infelizmente é isso, a falta de recursos nos limita demais e a gente não quer se vender para político. Poderia ter feito tudo isso há muito tempo. Mas não estou aqui por isso não. Klep – Que recado você deixaria pra quem tá lendo essa revista, tendo em vista sua atuação na cultura do Estado há tanto tempo? Cássio - A minha relação com isso é tão natural, que eu não consigo ver por essa ótica da maioria: de que não dá grana e é trabalheira demais. Se eu fosse converter em valores tudo isso que faço eu seria um cara muito rico. Acho tudo isso valiosíssimo. É igual eu falo, se você encontrar algum cara da tua cidade que queira produzir alguma coisa, se não puder ajudar, não atrapalhe. É muito difícil fazer tudo isso nas condições que temos hoje aqui no Estado. É gostar mesmo do que faz. É saber que você pode mudar uma comunidade, e eu sei que pode. Sinto isso, intuição talvez. Sou um cara movido a intuição, não tem jeito. Eu ando a pé. E pode ter certeza que se eu andasse de carro não teria toda essa visibilidade. Tem gente que se incomoda de eu fazer tudo o que faço a pé. Mas essa é a minha mensagem, de que é possível fazer mesmo com poucos recursos. Uma questão de boa vontade, de querer fazer, colocar a cabeça para funcionar, buscar meios. Qualquer um é capaz de fazer. O primeiro passo é ter essa iniciativa de fazer, se apresentar ou apresentar sua ideia. A partir do momento que você faz isso as portas se abrem. Mesmo que seja uma ajudinha ali ou aqui. Não adianta pensar que vai ganhar dinheiro e ser reconhecido de primeira. É questão de insistir no que sonha. É possível mudar o mundo, mas tem os caras que não querem que o mundo mude, por isso que as coisas não progridem. Isso é fortíssimo na minha cidade, tudo é política. Se eu pegar isso tudo e direcionar voto pra um candidato, é perigosíssimo! É uma ameaça política, cara. É foda ter gente burra que não sabe reconhecer os benefícios que a cultura traz. A cultura é tão importante para o desenvolvimento de tudo, até para as escolas. A molecada que nasce nesse berço da boa música, do cinema. Hoje em dia não dá pra trabalhar com gente adulta não, você tem que trabalhar é na formação dessa geração que está aí. O problema não é só a droga, é a falta de perspectiva, cara.
POEMA
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ela finalmente veio tocou a campainha e disse que foi mais fácil encontrar o endereço contando as ruas paralelas do que subtraindo as emoções perdidas
aperitivosoblog.blogspot.com Thiago Ramos, de Cristalândia, é escritor, cantor, ator, showman e, enfim, jornalista por formação. Já publicou inúmeros de fanzines e afins.
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KLEP NAS CIDADES
Fernando Rios, paraisense, é estudante de comunicação e guitarrista da banda Poetas do Caos.
créditos: Fernando Rios
Em Paraíso, depois de algum tempo de hibernação cultural, parece que uma nova luz é vista com esperança por artistas locais. É que a Prefeitura, por meio de suas diretorias de Cultura (que tem que virar secretaria o mais rápido possível) e Turismo lançou, no mês de agosto, o projeto Quinta Cultural. A iniciativa tem por objetivo reunir na Praça José Torres (centro da cidade), semanalmente, artistas e pessoas interessadas em consumir cultura. A primeira edição contou com feira de artesanato, exposição de artes plásticas, além de uma praça de alimentação, que serviu para movimentar o comércio informal. A parte musical ficou a cargo de um velho conhecido local, o cantor Domingos de Assis, sempre acompanhado de seu violão e executando um repertório conhecido da Música Popular Brasileira. Domingos é uma figura que sempre lembra Raul Seixas, não só por sua barba ou seu cabelo, mas pelo seu passado à frente da banda Sociedade Alternativa, que prestava tributo ao roqueiro baiano ainda nos já longínquos anos 80 e 90. A MPB foi representada por O evento teve bom público, Domingo de Assis e seu violão com boa circulação de pessoas pela área de exposição, que por sinal ficou um pouco distante de onde realmente aconteciam as coisas, o centro da praça. Uma escola até liberou seus alunos para prestigiarem artes expressas de forma informal em praça pública. A promessa da Diretoria de Cultura é de que teremos a Quinta Cultural semanalmente, e que esta sempre prezará pela qualidade e diversidade. Já o diretor de Turismo da cidade afirma que o evento vem atender a uma demanda crescente por lazer, com boa música, teatro e gastronomia, e que além do entretenimento visa o fomento à economia local, gerando emprego e renda para os expositores e artistas. A classe artística olha com louvor e ao mesmo tempo com certa desconfiança para a iniciativa. Alguns expositores que confirmaram presença acabaram não comparecendo, talvez fruto dos anos de ausência de ações públicas para a cultura na cidade. O artista multimídia Cláudio Macagi disse ser louvável a iniciativa, porém, ressalta que a Quinta Cultural é apenas um dia e a cultura necessita permear todos os dias da semana. Cláudio também afirma que a formação e a conscientização de público é uma das principais medidas a serem tomadas, e que a praça é o melhor lugar para isso. Enquanto não temos certeza do que vai virar o evento - se terá frutos ou se é apenas uma jogada política, já que as eleições estão chegando - o jeito é esperar e acompanhar de perto sua progressão, além de comparecer e conhecer mais sobre os artistas que ali se apresentam.
MATÉRIA
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O rapper que virou fenômeno nacional fala nesta entrevista sobre o novo CD, inspiração e mídia Milhares de cd’s vendidos, patrocínio de grandes marcas, shows internacionais, programa na tv, vencedor do 7º Prêmio da Bravo como melhor cd popular com Emicídio e mais, em outubro recebeu dois prêmios no VMB 2011 - Artista do Ano e Clipe do Ano com “Então Toma”. Parece muito? Ele está apenas começando. A cada dia Emicida quebra novas barreiras e chega ainda mais longe com sua inovação e audácia. E já que falamos em longe, o rapper paulistano veio a Palmas participar da 8ª edição do PMW Rock Festival 2011, realizado em agosto, para lançar sua terceira mixtape Doozicabraba e a Revolução Silenciosa. Para Emicida, o planejamento e a organização na produção do novo álbum são as principais diferenças para as mixtapes anteriores - Pra quem já mordeu um cachorro por comida até que eu cheguei longe e Emicídio. “Acho que a gente conseguiu superar tudo que a gente já tinha feito”, sentencia.
“A superação artística é mais interessante pra mim do que o discurso socialmente correto” Leandro Roque de Oliveira estourou na cena musical disputando batalhas de mc’s. Mandando muito bem nas rimas, principalmente pela sagacidade, o jovem paulista despontou. Na internet, seus vídeos viraram febre com milhões de acessos. Além do talento indiscutível, eis uma das ferramentas que auxiliaram o rapper a propagar suas músicas, a Internet. Para ele, a ferramenta não tem poder de criar os artistas, mas de distribuir a produção. “É fundamental ainda trabalhar na rua, tem que tá na rua. Acredito muito nisso, no material físico correndo nas ruas, até porque temos um país muito grande e nem todo mundo está na internet”, pondera.
Inspiração Emicida popularizou a expressão periférica: “A Rua É Nóiz!”. E é com esse lema, que o rapper de 26 anos encontra inspiração para compor suas músicas que na maioria das vezes contrapõem o viés de contestação social que o rap brasileiro carrega tradicionalmente consigo.
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MATÉRIA crédito: Tácio Pimenta
Emicida se apresentou em Palmas na 8ª edição do PMW Rock Festival
Às vezes tido como “marrento”, o rapper não nega o comportamento. “Me dou a liberdade de soar arrogante várias vezes. Não tenho obrigação de ser a pessoa mais humilde do mundo”, confirma ele, que justifica em seguida. “Antes de tudo, eu venho de batalha de mc’s, venho de uma atmosfera que eu batalho contra outra pessoa, então me sinto muito livre para simular isso dentro de um rap”.
Mídia Anunciado pelos grandes veículos de comunicação, como o “nome do momento” ou ainda “o novo ícone do rap nacional”, Emicida contesta os rótulos e diz que não liga para as nomenclaturas da mídia. “Não ligo muito pra essas p#**@ de nome do momento, porque o nome do momento é bizarro, e quando o momento passar eu viro nome do quê? Eu não me pego nisso”, enfatiza.
Rap Questionado sobre sua missão no rap, Emicida é categórico ao afirmar que deseja propagar a liberdade e que essa liberdade envolve, sobretudo, sua superação enquanto artista. “A superação artística é muito mais interessante pra mim do que o discurso socialmente correto”. Muitas vezes criticado pelo não engajamento social em suas letras, o rapper defende o discurso livre, espontâneo. “Tenho que ser é livre e só. Meu corre é em busca desse desenvolvimento da evolução da arte e não de agradar certas pessoas que esperam que o meu discurso seja sempre vinculado ao social, periferia. Sou livre, nasci com o mundo e o mundo é grande demais pra eu ficar preso na favela, tem que fazer as coisas andar e levar as pessoas de lá pra fora e as pessoas de fora pra dentro, tá ligado?”.
E.M.I.C.I.D.A é a sigla de Enquanto Minha Imaginação Compor Insanidades Domino a Arte. www.emicida.com.br
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Ciro Gonรงalves, ludovicense, jornalista e ilustrador
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KLEP NAS CIDADES
Entre defuntos e detentos, o rock é na raça na capital do Boi Gordo O que trago a você, caro leitor da Klep, é uma pauta requentada, mas que até hoje ainda atormenta o sono de todos os sete sócios fundadores do Coletivo Musical Jacuba (CMJ): a realização do Pequi Rock Festival, que ocorreu nos dias 17 e 18 de junho do corrente ano, na quadra do CCABA, em Araguaína. No setlist, bandas como Poetas do Caos, Thunder Rage, Dona Quitéria, Bebadolls, Prenúncia e Lopes. Das apresentações não poderei emitir juízo de valor algum, pois fiquei de costas viradas para o palco na maior parte do tempo, trabalhando na bilheteria. O Festival transcorreu sem maiores perturbações: a única ocorrência em que acionou-se a polícia foi a reclamação dos detentos da Casa de Custódia Provisória (CPPA) por conta do som alto. A opinião geral que se encontra em fóruns de Orkut e zines é de que o Pequi Rock Festival foi um sucesso. No entanto, as dificuldades para se levar o festival a cabo foram enormes, e a consequência financeira foi desastrosa. Nada muito diferente de muitos outros festivais independentes realizados em outros lugares do Brasil, principalmente aqueles que estão na primeira (que muitas vezes pode ser a única) edição. Dificuldades essas que estão concentradas principalmente nos seguintes itens: elaboração de projeto, captação de recurso, apoio do poder público e gestão de projeto. Essas deficiências poderiam ter impedido a realização do festival, além dos fatores internos e externos, que não me cabe aqui discorrer sobre eles, mas que foram importantíssimos para o que o Coletivo Jacuba tirasse lições para o planejamento e execução de projetos culturais. O Pequi Rock Festival foi a realização de um projeto ambicioso, tendo em vista que a cena cultural da cidade ainda é incipiente. A maioria dos eventos ocorrem no Espaço Cultural Siriguelas Restaurante, um local que apesar de ser bem localizado, não atende às exigências de segurança que tais eventos precisam para sua realização. O público que compareceu a quadra do CCABA (que também é “bem localizada”: fica atrás do CPPA, perto do IML e do cemitério) foi o mesmo que frequenta o Siriguelas, tanto quantitativamente quanto qualitativamente. Mesmo com a legitimidade do desejo de diversificação do público com um festival de dois dias com atrações que fogem do trinômio thrash/hardcore/ gospel, o CMJ deu um passo maior que as pernas com a realização do festival, porém um passo importante. Como consequência, o Coletivo pode ser parabenizado pela coragem e ousadia em levar adiante um evento de tamanha envergadura, e/ou criticado pela imprudência (que poderia ter sido evitada tempestivamente) de ter levado um fumo maratá sem precedentes na história do underground araguainense. O Pequi nos marcou pelo seu cheiro e sabor exótico, mas também pelos espinhos na garganta. Thassio Fontes é bancário e sócio fundador do Coletivo Musical Jacuba (texto com contribuição de Pamylla Rodrigues)
RELATOS
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Se por vezes você foi àquele showzinho de pagode, de tecnobrega ou mesmo de rock and roll, e a cerveja estava quente, o som a mais pura distorção, e, quando finalmente uma das bandas sobe ao palco e toca “aquele som”, você instiga pra hora do bate cabeça e o segurança começa a apartar a galera pensando que é briga, putz! Provavelmente, você pensou estar no pior show de sua vida com vontade de socar alguém, mas se você também já passou por tudo isso e ao invés da lamúria de roqueiro rebelde, falou: “Pô! Eu faço algo melhor que isso!” Daí na semana seguinte juntou a galera pra tocar, arrumou um som, foi lá e fez a mesma coisa. É, parabéns, você tem atitude, mas não é um produtor cultural. Pode não parecer, mas existe um mundo bem maior por trás da existência desse showzinho, que só quem perde os cabelos com isso é quem se propõem a fazer. E, por favor, caro leitor, não pense em socar justo o realizador do evento, pois todo produtor ou agitador cultural sempre sonha em fazer tudo com a melhor das intenções, seja ele um profissional ou não. A verdade está nos inúmeros detalhes existentes para produzir um bom evento, e por mais que você siga um manual sobre o assunto - se é que existe - pode ter certeza: as dificuldades e surpresas de última hora vão surgir. O gestor e produtor cultural do Grupo Galpão de Teatro, Rômulo Avelar, em seu livro “O Avesso da Cena” descreve bem essa mensagem. Seja qual for o gênero da produção, para se obter um bom resultado na realização de um evento o segredo está na seriedade e profissionalismo, dedicando algumas horas no trabalho de pré-produção, execução e pós-produção. Com a prática é possível suprir essa falta de conhecimento. Portanto, é preciso produzir mais e aprender com os erros, pois quem se dedica à produção cultural sempre enfrentará dificuldades na execução do projeto. O que para o público é entretenimento, para o organizador do evento é - e sempre deverá ser - um trabalho sério como em qualquer profissão. Se um dia você já tentou organizar um evento e nada deu certo, não desista! Procure lidar com as dificuldades e seja dedicado, busque entender o segmento cultural como mercado a ser explorado, aprendendo a lidar com as etapas de produção e necessidades do público consumidor e patrocinador. O trabalho é árduo e a recompensa nem sempre é das melhores, mas se há paixão, com a prática as recompensas virão. Muitos dos grandes festivais e prêmios começaram pequenos, para só depois se tornarem grandes sucessos. crédito: Tácio Pimenta
Renato Brasil, paraibano, jornalista e idealizador desta revista
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RELATOS
# Os álbuns citados foram disponibilizados para download por seus autores no site 4shared.com
Como revela o nome do primeiro cd demo Cerveja, maminha e rock’ n roll, Centavos é uma banda formada por amigos reunidos em churrascos na cidade de Araguaína, terra de onde já vieram as ótimas Clamor e Territorial. O primeiro lançamento apresentava uma proposta de fazer um rock genuinamente tocantinense com letras regionalistas semelhante ao que fez o Raimundos na mistura de forró com rock nos anos 90. Mas é com este Terapia Frege que os integrantes da Centavos contribuem para o rock tocantinense de forma significativa. Com uma estética mais punk rock, o álbum apresenta canções de letras reflexivas, bons arranjos, muitos solos de guitarra e riffs roqueiros como em Consumo, Ferrado e Florbela. Ainda assim não deixa as diversas influências de lado, como a ramônica Cão Vadio, a acústica instrumental Laranja no Verde e uma que lembra o primeiro álbum, Me Roubaram os Meus Piqui. Terapia Frege foi gravado no Edivan Estúdio em janeiro de 2011, em Araguaína, e a qualidade de produção não compromete, mas essas canções merecem uma regravação mais definitiva. A notícia ruim é que desde o fim de 2009, o guitarrista Fernando Pagliarine, o baterista Fábio Pagliarine e o baixista Agmar Fernandes mudaram de cidade para cursar faculdades, restando apenas o vocalista gaúcho Marcelo TM. Isso inviabiliza a realização de shows, mas nas férias eles se reúnem novamente para compor novas músicas e eventualmente gravá-las, como fizeram com este álbum. Que venham mais churrascos!
O grupo de reggae La Cecilia é referência neste estilo pelo Tocantins há mais de cinco anos. Seus shows em Palmas e principalmente em Taquaruçu, onde tem público cativo, são certeza de casa cheia há pelos menos dois anos, quando o grupo iniciou uma nova fase musical em que se desprendeu das fórmulas do reggae e expandiu seus horizontes pelo universo da black music. Com a experiência de vários shows cada vez mais sustentados em músicas autorais cheias de energia ao vivo, a evolução natural foi a gravação profissional do primeiro álbum Homem Invisível, lançado no dia 17 de junho de 2011 em show promovido pela própria banda. De cara, pelo que se pode ouvir no álbum, gravado em Goiânia, é que a produção foi minuciosa, à altura da qualidade dos arranjos. Além da qualidade da produção do álbum, chama a atenção a inclusão de teclados e metais em praticamente todas as faixas, que faz com que as músicas remetam além do ska ao soul americano. A banda tem se esforçado para manter nos palcos a mesma formação e energia presente no álbum (com metais e teclado). As letras são carregadas de mensagens positivas, e o vocalista Glauber Benfica demonstrou versatilidade com variações de tom como em Mundo Invisível e Soldados e Generais. Os músicos Rafael Batista (guitarra), Rafael Berthuol (baixo) e Rodolfo Carvalho (bateria) deixaram claro a maturidade crescente da banda em seus diversos nuances. Só pelo instrumental, já seria um álbum maravilhoso de se ouvir. Destaque para Tardo Falho, Escute-me e Eu não ignoro (Pânico). Enfim, um álbum definitivo. Daniel dos Santos é vascaíno, estudante de Comunicação e entusiasta do rock-jornalismo
CONTUDO
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Um dos aspectos que caracterizam uma cidade são suas lendas acerca do sobrenatural, passadas pelos anciãos, recontadas às crianças pelos irmãos mais velhos e relembradas a cada noite de lua cheia. Tornam-se a verdade de um povo pela repetição. Em Palmas, ouvi diversas vezes aquela que, talvez, seja a única lenda de nossa jovem cidade. Diz respeito a seres que agem em altas horas das madrugadas, de marretas em punho. Entre os que me relataram a estória, ninguém os viu. Mas todos disseram conhecer alguém que presenciou a aparição de, pelo menos, um desses seres. Fala-se, são figuras robustas, de quase três metros de altura, corpo curvado, vestidas de negro e sempre solitárias. Surgem no extremo das ruas ou nos canteiros das vias públicas. Com poucos golpes de marreta, lascam o meio-fio, abrindo espaço para que, por aquela brecha, possa vir a passar um pneu de bicicleta, uma moto ou, até mesmo, que ali sirva de acesso para carros. E o fazem sem causar barulho ou deixar resquícios do concreto arrebentado. Simplesmente agem e somem, rápidos e sorrateiros. Não há nenhuma quadra em Palmas, nenhuma avenida, onde não haja resultado da ação desses seres. Até mesmo nas regiões centrais de cidade, em lugares onde o fluxo de pessoas nunca para, lá está a obra dos marreteiros, sem que jamais eles tenham se deixado fotografar ou filmar em plena era da hiperconectividade. Como não sou eu quem vai rever a história e julgar se Lampião e seu bando de cangaceiros foram heróis ou bandidos, também não sou eu quem vai apontar se esses seres são malignos ou iluminados. Sim, caso existam, eles depredam o bem público, mas os motoristas que moram em quadras com somente duas entradas bem que fazem uso das gambiarras abertas pelos marreteiros, alegando que, com isso, ganham tempo e economizam combustível. Em algumas quadras até já se estabeleceu fluxo de mão, contramão e preferência de passagem de veículos nessas gambiarras. Um colega, pessoa até esclarecida a quem admiro pela lucidez, afirmou não somente ter certeza da existência dos marreteiros, como inclusive chegou a dizer que admira o trabalho deles e defendeu que deveriam ampliar seus serviços, passando a abrir, também, acesso nas calçadas para os cadeirantes. Eu prefiro me isentar de opinião, até porque não creio em marreteiros. Mas que eles existem, existem! Flávio Herculano, paraibano, é jornalista e redator publicitário, além de ser do mesmo signo de Jesus Cristo.
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POEMA
Ctrl A pra abrir o poema. Ctrl B pra salvar a valsa nas costelas do piano que tudo drena. Ctrl C pra copiar o corpo do texto em caixa oculta. Ctrl P pra imprimir as digitais de sangue do plágio de minhas mãos vazias. Ctrl O pra tentar o novo. Ctrl V pra vê se cola. O poema na lixeira cheira mal o cadáver das palavras ocas jogadas às moscas. Ctrl Alt Del tarefa finaliza. Deleta tudo reinicia que a vida é renúncia rascunho que se avalia. armazemdeversos.blogspot.com Gilson Cavalcante, goiano, é Jornalista, compositor e poeta, com seis livros de poesia publicados.
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Editais, marketing cultural e elaboração de projetos – não é impossível conseguir dinheiro, basta dominar alguns macetes e ter paciência de sobra Vasculhar tudo e não perder oportunidades. Duas dicas essenciais para aqueles que desejam apostar nos incentivos culturais de instituições públicas e privadas para terem suas ideias enfim, para além dos rascunhos. Apoios, editais, prêmios, programas e outros incentivos à produção estão aí a todo instante, esperando muitas vezes apenas uma forcinha dos interessados. Escrever um projeto não é tarefa muito fácil. Afinal, cada edital possui particularidades, principalmente quanto aos critérios de avaliação e seleção. “Responsabilidade social” e “desenvolvimento” são palavras-chave para quem deseja executar um projeto. Atualmente, tanto Governo quanto instituições privadas buscam inovações e criatividade, de forma a agregar valor a sua marca/imagem pelo ganho de reputação e não apenas pela simples exibição de seus logotipos. Pensar em responsabilidade social, ambiental ou cultural faz parte do planejamento estratégico de grandes empresas, variando de acordo com as necessidades e contextos locais específicos.
“Dificilmente uma instituição apóia projeto ‘A’ ou ‘B’ apenas por solidariedade ou altruísmo” Normalmente, os projetos contemplados primam pela valorização, fomento e difusão da cultura, seja ela em nível regional ou nacional. Isso porque, quando uma instituição opta por patrocinar sua ideia, ela analisa pontos negativos e positivos ao associar sua marca. Uma coisa é certa: para seu projeto ser aprovado, ele deve oferecer algum retorno. Que ele seja bom [muito bom]. Entrando em questão a tal “contrapartida”. Dificilmente uma instituição apóia projeto “A” ou “B” apenas por solidariedade ou altruísmo. Como dito anteriormente, a qualidade de elaboração de um projeto passa, obrigatoriamente, pelas contrapartidas que serão oferecidas pelo proponente, ou seja, o retorno do investimento através da relevância estimada do projeto. Mais conhecido como “marketing cultural”. O fato é que, o patrocínio cultural está cada vez mais presente no planejamento estratégico dos setores público e privado. É ferramenta importante não só para o desenvolvimento de negócios e da sociedade, como também serve como forma de ampliar sua comunicação.
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Enquanto isso, no Tocantins... Para quem não sabe, o Tocantins conta com uma lei de incentivo a cultural, a Lei nº 1.402, de 30 de setembro de 2003, que cria o Programa de Incentivo à Cultura. A partir deste programa, produtores culturais de todas as regiões do Estado poderiam ficar tranquilos, pois suas ideias sairiam do campo da imaginação [papel, pc ou gaveta] e tomariam forma, certo? Não, não foi bem isso o que aconteceu. Foram anos difíceis para a cultura tocantinense, um dos cenários culturais mais incipientes do país. Mas parece que este cenário começará a mudar: há alguns meses a Secretaria de Cultura lançou os editais que finalmente efetivariam a lei do Fundo Pró-Cultura [cuja ordem orçamentária atingiria seus R$ 7,5 milhões]. A expectativa é que agora o Estado comece a engatinhar [isso mesmo, engatinhar] com as próprias pernas. Para constar, foram mais de 400 projetos inscritos. Desses, 187 foram contemplados em 26 modalidades, que ofereceu apoio praticamente a todas as áreas de expressão artística, cultural e intelectual, numa iniciativa que começa a tirar o Tocantins do atraso, depois de anos e anos de “equívocos” e abandono. O que podemos esperar disso? Que os prazos sejam cumpridos, tanto por parte da Secretaria da Cultura, em repassar a verba, quanto pelos proponentes, em nos contemplar com sua arte. Essa novela vale a pena acompanhar.
Fundo Municipal de Cultura Alguns municípios possuem leis de incentivo a atividades culturais, possibilitando a dedução dos valores investidos nos impostos. Em Palmas, por exemplo, existe a Lei Complementar nº 137, de 18 de junho de 2007, que institui a criação da Fundação Cultural de Palmas e do Fundo Municipal de Apoio à Cultura – FMC, mantido com recursos vindos de dotação orçamentária própria de até 20% (vinte por cento) do orçamento anual destinado à Fundação Cultural de Palmas, doações e contribuições, convênios, contratos e acordos firmados com instituições públicas ou privadas. Como funciona O contribuinte pode destinar até 20% do valor devido, por exemplo, do Imposto sobre Serviço – ISS, para projetos culturais aprovados pela prefeitura, por meio de doação, patrocínio ou investimento. Nisso, o contribuinte receberá um “certificado de investimento” emitido pela Secretaria Municipal da Fazenda no valor do incentivo. Deste valor, até 70% serão utilizados como abatimento do ISS quando o contribuinte apresentar o certificado.
Saiba mais http://cultura.to.gov.br http://mais.cultura.gov.br http://www.cultura.gov.br/site/categoria/editais-ministerio-da-cultura http://www.leidepatrocinio.com.br/incentivo_cultural http://www.blogacesso.com.br http://cultura-to.blogspot.com/p/lei-13707-fcp-fundo-municipal-deapoio.html
TIRINHA
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KLEP INDICA
Uma cidade, quatro amigos e uma vontade: mudar a realidade da comunidade por meio de projetos sociais. A cidade é Porto Nacional, os amigos: Eduardo Maia, Luiz Fernando Silva, Shirlene Lopes e Suzanne Matos e da vontade nasceu a Associação Arco do Pontal. A Associação, sem fins lucrativos, atua há quatro anos com projetos sociais e culturais com foco na juventude e prevenção ao uso de drogas. Para alcançar o público-alvo, a instituição desenvolve projetos nas áreas da educação, cinema, comunicação, cidadania e promoção da cultura. É nas escolas que a Arco do Pontal desenvolve a grande maioria de suas atividades, como oficinas de fotografia, cinema, escultura em argila e teatro. O contato direto e permanente entre esses jovens permite a aproximação com outras realidades e o contato com a cultura e a produção cultural. As atividades da Arco do Pontal contam, em sua maioria, com a parceria de uma rede de associações de Porto Nacional. “Nós acreditamos que uma pessoa só não faz movimento. Precisa de uma associação e uma associação só não faz movimento suficiente pra fazer a diferença em sua comunidade, ela precisa de outras associações”, ressalta Eduardo Maia. Idealismo, paixão e equilíbrio. Estas são as palavras que resumem o que levou esses quatro jovens a abrirem mão de suas carreiras promissoras para se tornarem ativistas sociais. E entre tantas dificuldades que um trabalho social envolve, eles ressaltam que as possibilidades de alçar novos desafios é o que move cada um para continuar adiante. Ponto de Cultura Coordenado em conjunto, entre Arco do Pontal e ACAP Associação Comunitária dos Amigos de Porto, o Ponto de Cultura Cinefilela Ciliodibiloca trabalha há dois anos, com foco para o fomento do cinema por meio da formação de público e da prática cinematográfica. Para mais informações acesse: www.arcodopontal.org.br Entre os trabalhos desenvolvidos pela ONG, estão aulas de fotografia e escultura em argila
crédito: Arquivo - Arco do Pontal
Este novo espaço é dedicado à divulgação de iniciativas socioculturais desenvolvidas por associações, ong’s ou coletivos independentes do Tocantins.
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