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Partituras Publicitárias - Antes do Rádio

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Partituras Publicitárias Antes do Rádio por Amilton Godoy

Paulo Cezar Alves Goulart ·


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Partituras Publicitรกrias Antes do Rรกdio por Amilton Godoy

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Partitura Armandina. Acervo da Fundação Biblioteca Nacional - Brasil


Partituras Publicitárias Antes do Rádio por Amilton Godoy

Paulo Cezar Alves Goulart ·

2013


As imagens reproduzidas neste livro atendem a algum dos requisitos seguintes: – partitura (ou detalhe de partitura) de domínio público. Documento integrante do acervo de instituição pública, cujo crédito acompanha a imagem; – partitura e outros gêneros documentais de acervo institucional ou particular, reproduzidos mediante autorização específica para esta publicação, cujo crédito acompanha a imagem; – partitura e outros gêneros documentais dos quais se procedeu à busca de herdeiros ou detentores de direitos autorais, sem ter sido localizados sucessores ou equivalentes. Assim, há reproduções iconográficas que foram inseridas no livro e, mesmo após diligente busca, pesquisa e recuperação de informações sobre essas imagens, não foi possível localizar qualquer indício que pudesse levar aos responsáveis pelos direitos relativos ao documento, a fim de obter as autorizações para a publicação das imagens. Esta obra tem fins exclusivamente institucionais.

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País sem memória? Uma das críticas que costumeiramente fazemos à nossa “pátria, mãe gentil”, refere-se à falta de memória do seu povo. Memória para fatos históricos, que mudaram a vida do País; memória para malfeitos de maus dirigentes, que, graças ao esquecimento, voltam a nos governar como se nada houvesse acontecido. Essa relação pode ser infinda, mas cabe a pergunta: O Brasil é mesmo assim? Não será exagero nosso considerá-lo sem memória, quando tanta coisa boa vem à tona, devido ao esforço e à pesquisa de memória desenvolvidos por considerável parte da população? Diante disso, fica difícil – senão impossível – confirmarmos ou cancelarmos o rótulo. Resta-nos então separar o joio do trigo e destacar as coisas valiosas que surgem no dia a dia da vida brasileira, anulando ainda que temporariamente a ideia de uma nação sem memória. Por exemplo, este trabalho de pesquisa patrocinado pelo Instituto Cultural ESPM recuperou o que hoje chamamos de jingles ou fonogramas de fins do século XIX e início do século XX, quando ainda não havia emissoras de rádio no território nacional. São partituras publicitárias vendendo produtos e serviços, entoadas ou interpretadas no interior das residências, nos cafés, clubes, teatros, circos e cinemas, as quais convenciam o consumidor de então a prestigiar os anunciantes. Quem poderia supor que o jingle em nosso país tivesse nascido antes do rádio? Os créditos deste valioso resgate devem ser conferidos ao pesquisador Paulo Cezar Goulart e ao maestro Amilton Godoy, o qual introduziu novos arranjos musicais ao conjunto de trabalhos que compõe Partituras Publicitárias Antes do Rádio. Méritos ainda para Geraldo Alonso Filho, diretor do Instituto Cultural ESPM, e à sua valiosa equipe. Voltar ao passado, retrocedendo mais de 100 anos na linha do tempo, é tarefa de fôlego para idealistas que não se conformam em ouvir que o Brasil não tem memória. Tem, sim. Basta resgatá-la, como aqui se demonstra. Armando Ferrentini Presidente do Conselho Deliberativo da ESPM

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Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Godoy, Amilton Partituras publicitárias antes do rádio – por Amilton Godoy, Paulo Cezar Alves Goulart. – 1. ed. – Vargem Grande Paulista, SP : A9 Editora, 2012. Bibliografia. 1. Harmonia (Música) 2. Música 3. Música popular - Brasil - História 4. Partituras 5. Publicidade 6. Rádio 7. Rádio (Canções na publicidade) I. Goulart, Paulo Cezar Alves. II. Título. 12-14490 CDD-780.07 Índices para catálogo sistemático: 1. Partituras : Música : Estudo e ensino 780.07

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Instituto Cultural ESPM

Quando idealizei, em 2002, o Instituto Cultural ESPM, pensei na criação de um centro de pesquisa, gerador de conteúdo e conhecimento, que tivesse como objetivo a realização de projetos culturais de alta qualidade que não só adicionassem valor à percepção da marca ESPM, mas ao mesmo tempo pudessem contribuir para estabelecer um acervo histórico voltado à propaganda e ao marketing brasileiros. Ao trazer a público Partituras Publicitárias Antes do Rádio - por Amilton Godoy, um projeto que recuperou preciosas partituras (para piano) compostas com objetivos comerciais, no século XIX e início do XX, o Instituto mais do que cumpre seu papel, criando e inovando. Atrás de cada partitura, explicada pelo pesquisador Paulo Cezar Alves Goulart, a releitura e os novos arranjos musicais, feitos pelo maestro Amilton Godoy, produziram uma seleção de rara felicidade, harmonia e até de modernidade. É com satisfação que vejo o Instituto Cultural ESPM cumprindo, de maneira inequívoca, aquilo que idealizei há mais de dez anos. J. Roberto Whitaker Penteado Diretor-presidente ESPM

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Sumário A música nas histórias da Publicidade 11 Origem das partituras Publicitárias 13 Odeon 22 Casa Miranda 24 Pyrilampo 26 Formicida Guanabara 28 A Fonte do Lambary 30 Oh! Phelia!!! 32 Attrahente 34 Lembrança do Cotia 36 Mikanol 38 Café do Commercio 40 Tem Sorte 42 Perfume (Feno de Atkinsons) 44 Café de São Paulo 46 Café da Imprensa 48 The Paradise of the Ladies 50 (Au Paradis des Dames)

A música: das danças às apresentações ao Piano 52

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PARA PIANO Eram polkas, walsas, quadrilhas, schottischs, mazurkas e outros gêneros musicais compostos especialmente para serem utilizados como partitura publicitária, para execução ao piano. Essas partituras publicitárias – muitas delas distribuídas como sedutores brindes – eram uma espécie de gentil convite dos compositores e dos empresários para que aprendizes do piano, pianeiros e pianistas fossem os intérpretes, principais divulgadores e multiplicadores das marcas – nomes de produtos, de estabelecimentos comerciais – que se desejava propagar por meio de músicas. E o piano estava lá: acompanhando o nascimento e a expansão de um novo gênero publicitário que foi se modernizando e até hoje está aí: o jingle.

Partitura Frotzmac. Acervo da Fundação Biblioteca Nacional - Brasil

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A música nas histórias da PUBLICIDADE Ao conceber Partituras Publicitárias Antes do Rádio - por Amilton Godoy, o Instituto Cultural ESPM cumpre um de seus objetivos mais importantes: resgatar documentos históricos brasileiros, dar-lhes vida e publicá-los. A curiosidade do pesquisador Paulo Goulart permitiu que se encontrassem cerca de 40 partituras para piano guardadas na Biblioteca Nacional, cidade do Rio de Janeiro. Partituras com uma característica comum: todas comissionadas, ou quase isso, por empresas da época, com objetivos comerciais. Músicas criadas entre 1883, como Attrahente, de J. J. Lopes Jr., até 1914, com Mikanol, de Álvaro de Souza – do Império até a recente República, dominada pelo romantismo artístico-musical. São polcas, valsas, mazurcas, tangos brasileiros e quadrilhas, ritmos influenciados pelo exterior mas compostos aqui por compositores brasileiros. Nomes como Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazareth e alguns menos conhecidos, casos de Luiza Leonardo Bocanera, Miguel A. de Vasconcellos, entre outros. As partituras recolhidas pelo pesquisador precisavam de uma leitura habilitada. O maestro Amilton Godoy, com seu conhecimento e sensibilidade, leu o material coletado e selecionou 15 partituras mais representativas para compor o presente projeto. Contudo, o trabalho não parou aí. Interpretar as músicas como foram escritas originalmente era uma tarefa simples, porém distante do valor que queríamos agregar à descoberta. Godoy criou arranjos aos quais, respeitando as melodias originais, acrescentou sua visão musical e enriqueceu as partituras originais para piano com uma instrumentação diversificada, trazendo assim uma modernidade ao repertório da época. Gravadas as músicas, faltavam agregar os dados pesquisados por Goulart, contextualizando a época, cada partitura e cada patrocinador. Assim é Partituras Publicitárias Antes do Rádio – por Amilton Godoy. Estou certo de que a obra será apreciada por todos aqueles que gostam da boa música e se encantam em conhecer histórias publicitárias escondidas de nosso país. Geraldo Alonso Filho Diretor Instituto Cultural ESPM

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POLKA CABRIÃO Documento singular registra, em litografia de Angelo Agostini, a mais antiga referência iconográfica sobre partitura publicitária. No precioso registro, vê-se o momento exato da entrega, pelo autor Emilio do Lago, da partitura Cabrião para o editor do homônimo jornal – o próprio Agostini.

Cabrião - ed. fac-similar, Imesp/Daesp, 1982. Litografia originalmente publicada no jornal Cabrião, no 24, de 17/3/1867

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Origem das partituras PUBLICITÁRIAS

Estamos no período imperial. Em muitos lugares dança-se e ouve-se tocar e cantar lundus, schottischs, romances, modinhas, quadrilhas, polcas, valsas, mazurcas, habaneras, entre outros gêneros populares reinantes em meados do século XIX. Títulos como Cândida, O amor perfeito, O anjo dos meus sonhos, Os laços de Hymeneo e A moreninha embalavam os modos de ouvir a música brasileira. A partir desse período, começaram a ser compostas, editadas, vendidas, distribuídas como brinde e interpretadas partituras de composições que traziam uma particularidade no seu título, em relação às convencionais. Em vez de expressarem (des)afetos, alegorias, situações, nomes de mulheres, eventos, homenagens, lugares,

objetos, humor, etc. característicos dos títulos convencionais, passaram a ser editadas partituras cujos títulos correspondiam a nomes de produtos, empresas, sociedades culturais/assistenciais e eventos artísticos (peças de teatro). E qual a singularidade desses nomes? Eram marcas ou nomes comerciais que ganhavam evidência ao ser-lhes conferido status de título de música. Os compositores, por iniciativa própria, no anseio de homenagear ou exaltar determinados produtos ou organizações comerciais ou sociais, ou mesmo por encomenda direta dos interessados, passaram a criar obras cujo título da música impresso na partitura estava relacionado ao nome de uma marca comercial: nomes de jornais, clubes carnavalescos,

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Partitura Diário de Notícias. Fonte: www.chiquinhagonzaga.com

O Espelho, n.1, 4/9/1859; Lucchesi, 2008

Oferecida à ilustrada redação deste jornal

DIÁRIO DE NOTÍCIAS Polca

Francisca Gonzaga (1847-1935)

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1/3 ©2011 Acervo Digital Chiquinha Gonzaga | www.ChiquinhaGonzaga.com/acervo Editoração: Douglas Passoni | Revisão: Alexandre Dias

medicamentos, peças de teatro, lojas, etc. Compositores e negociantes entendiam-se com o objetivo de fazer da música um instrumento de divulgação de marcas comerciais. E assim surgiram as partituras publicitárias. Inicialmente somente instrumentais, tinham no título a única forma de identificar o propósito publicitário – involuntário, discreto, dissimulado ou declarado – da composição. As mais antigas no Brasil foram editadas na década de 1850: SaccaRolhas – Brilhante polka para piano, composta por Joaquim Ferreira e “Dedicada ao Club Carnavalesco Sacca-Rolha”, em 1858; e O Espelho – Polka Fascinante, de 1859, distribuída, juntamente com a revista O Espelho, aos seus assinantes.

Outras composições desses segmentos seguiram o modelo: as polcas Cabrião, de 1867; Outeiro Democrático, cerca de 1870; e Diário de Notícias, por volta de 1886, essa composta por Chiquinha Gonzaga – todas homônimas dos respectivos jornais. E as quadrilhas Club dos Fenianos, Tenentes do Diabo, Os Girondinos e Club X – alusivas às homônimas sociedades carnavalescas, editadas entre as décadas de 1870 e 1880.

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Partitura Odontina. Acervo da Fundação Biblioteca Nacional - Brasil

Almanak da Flora Brazileira para 1882. Acervo do Museu Histórico de Londrina

MEDICAMENTOS, ALMANAKS E PARTITURAS Os medicamentos transformaram-se no mais expressivo produto a ter músicas destinadas a enaltecer suas marcas. O schottisch Prompto Allivio e a habanera Hesperidina, ambas possivelmente da década de 1870, inauguraram uma série de partituras com títulos alusivos a preparados farmacêuticos. Os almanaks da Flora Brazileira, do farmacêutico Eugenio Marques de Hollanda, tornaram-se o principal veículo de divulgação de partituras publicitárias. Além de publicada nas páginas do almanaque, a partitura era também editada avulsa, ampliando tiragem, circulação e potencial de maior número de interpretações da música por pianistas ou pianeiros –

situação almejada por empresários e compositores. Desde sua primeira edição, em 1881, o almanaque veiculou, talvez por mais de uma década, uma partitura por ano: Salsa, Caroba e Manacá; Imberibina; Panlicorina; Odontina; Valsa de Ananaz, entre outras tantas polcas, títulos correspondentes às denominações dos preparados de Eugenio de Hollanda. Teatros de revista, cafés, lojas de moda e tecidos, formicidas, hipódromos, cigarros e perfumes também recorreram às partituras publicitárias para dar maior visibilidade às suas marcas e aos seus nomes. E todas ainda instrumentais. Até que...

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Partitura Formicida Guanabara. Acervo Tadeu Santinho. Detalhe do trecho inicial

O maestro Enrico Borgongino, por iniciativa própria ou solicitação do fabricante do Formicida Guanabara, o qual dava título a uma polca para piano, introduziu logo no começo da música o bordão: “Viva o Formicida Guanabara”. Pronto. As partituras publicitárias ganhavam, no ano 1888, novo, eficaz e irreversível aliado: as palavras. Da mesma forma foi feito em Tem sorte e É barato! Barato! – bordões correspondentes ao título das músicas. Às palavras seguiram-se os versos. Era inevitável. Afinal, era muito mais provável memorizar o nome do produto se ele fosse cantado juntamente com a música. Com esse propósito, Eduardo França, criador de Lugolina, medicamento de grande destaque entre fins do século XIX e início do XX –

e um dos primeiros a ganhar espaço internacional –, compôs, em 1894, Lugolina, com “versos para ser cantados com a polka”, conforme está na partitura: “Acabaram-se as pomadas/ O unguento, e sabonete./ Porque veio a Lugolina (...)”. Tornou-se também a primeira partitura publicitária a ser editada para outros países da América do Sul, aos quais Eduardo França exportava o medicamento.

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Oferecida à Empresa das Águas do Lambary

A Fonte do Lambari

Partitura A Fonte do Lambary. Fonte: www.ernestonazareth150.com.br

Partitura Oh! Phelia!!!. Revista O Malho, 1902 Acervo da Fundação Biblioteca Nacional - Brasil

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Natura apresenta Nazareth - Edição: Luciana Requião e Monica Leme - Revisão: Alexandre Dias - www.ernestonazareth.com.br

FONÓGRAFO, NAZARETH E CARNAVAL No começo do século XX uma singular novidade vai se somar às partituras publicitárias somente instrumentais e às músicas compostas já com versos: é o fonógrafo ou similares, que passaram a ser comercializados no Brasil na década de 1890. De 1902, data dos primeiros discos gravados no País, é a cançoneta Oh! Phelia!!!, referência ao sabonete Ophelia, com partitura impressa na revista O Malho, que também seria gravada em disco.Vieram depois, em disco, as gravações de Antisezônico (1904-1907), medicamento, e Café de São Paulo, 1913, de Chiquinha Gonzaga, para o teatro de revista Cá e Lá, de Tito Martins.

Ernesto Nazareth, que já em 1888 compusera a polca A Fonte do Lambary, para a empresa Águas do Lambary, é quem melhor ilustra o propósito dos empresários em buscar aprimoramentos do gênero música publicitária desde o fim do século XIX. Além da inclusão de versos nas composições, da veiculação de partituras também em jornais e revistas, da gravação de discos com músicas publicitárias e da apresentação dessas músicas em cafés, teatros, clubes, circos e cinemas, cobiçavam a participação de compositores de grande reconhecimento para conferir maior credibilidade e presumida eficácia às músicas.

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Partitura Seu amaro quer... . Acervo Discoteca Oneyda Alvarenga

PARA MULTIDÕES OUVIREM Se o propósito era a ressonância que a música pudesse causar e um maior número de pessoas pudesse ouvir e, quem sabe, memorizar nomes e marcas, as campanhas políticas promoveram esse objetivo. Com o samba Eu Ouço Falar, apelidado de Seu Julinho, Sinhô compôs e cantou para multidões, em 1929, na campanha de Júlio Prestes à presidência da República, da agência Pettinati. Só faltava a música publicitária irradiar-se simultaneamente para muitos lugares. Só faltava chegar ao rádio. Então, com o Pão Bragança, de Nássara e Luiz Peixoto, cantada ao vivo no Programa do Casé, em 1932, pela Rádio Philips, e, por fim, com Chopp em Garrafa, de Bastos Tigre e Ary Barroso, na voz de Orlando Silva, que se tornou o primeiro disco produzido especialmente para tocar nas emissoras de rádio, inaugura-se aquele que seria o formato moderno da música publicitária: o jingle.

Nesse contexto, Ernesto Nazareth compôs 13 músicas com teor publicitário: Pyrilampo (lâmpadas), Ideal (café), Cardosina (xarope), Odeon (cine), entre outras. Nessa busca de soluções para a música publicitária – ora partitura, ora gravação em disco –, uma das iniciativas mais originais foi de Eduardo França, aquele mesmo da Lugolina. Idealizou um concurso de carnaval, no ano 1918, para premiar a melhor composição sobre seu produto Vermutin, com prêmio conferido ao tango carnavalesco Seu amaro quer... Apesar de o evento não ter tido a repercussão desejada, França demonstrou que o carnaval era um período singularmente apropriado para o lançamento de músicas publicitárias.

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Fonte: http://javierbarreiro.files.wordpress.com/2011/11/le-pica-lugolina.jpg


Partituras 20


Publicitárias Antes do Rádio Nas partituras que se seguem foi mantida a grafia original dos títulos das partituras e das citações. 21


Partitura Odeon. Fonte: www.ernestonazareth150.com.br

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ODEON (Tango brasileiro, 3’16’’)

A sala de espera do Cine Odeon, então o mais luxuoso cinema do Rio de Janeiro, inaugurado em 1909, era muito concorrida. Enquanto as sessões de cinema não começavam, recitais de pianistas e pequenas orquestras, como a do maestro Andreozzi, na qual o violoncelista era Heitor Villa-Lobos, entretinham o público. Entre os músicos, também por lá passou Ernesto Nazareth, contratado em 1910 para essas apresentações, em razão de seu repertório e virtuosismo. E muitas pessoas, que chegavam com uma hora de antecedência, iam até o Cine Odeon somente para ouvir as composições do próprio Nazareth e de compositores clássicos, nem ficando para assistir aos filmes. No mesmo ano em que começaram suas apresentações, as quais prosseguiram até 1914, em reconhecimento à “distincta empresa [de Raul] Zambelli & Cia.”, proprietária do Cine Odeon, Nazareth compôs no próprio cinema o tango brasileiro Odeon, edição por ele custeada e publicada, também em 1910, pela Casa Mozart (E. Bevilacqua & Cia.). A composição foi gravada, pelo próprio autor, somente no ano 1912. Mas Odeon viria mostrar uma longevidade singular: até 2012 foram feitas, em distintos países, 325 gravações comerciais, tornando-se um dos choros mais representativos do autor.

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Sou a Casa Miranda Que lindas mobilias Fornece as famílias Sem mais propaganda Cabides cadeiras Armarios e mesas Commodas marquezas De boas madeiras rato O Antonio vende muito ba Se em conta vende Sempre o Renato E assim de hora em hora E assim de dia a dia Cresce a freguezia E a casa melhora Vão já visitar A mais linda Casa Que a Maria Maza Eis a figurar

Partitura Casa Miranda. Revista da Semana, 1910. Acervo da Fundação Biblioteca Nacional - Brasil

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Casa MIRANDA (Valsa, 4’07’’)

“Sou a Casa Miranda Que lindas mobilias Fornece as famílias Sem mais propaganda”

Com esse verso se inicia a valsa Casa Miranda, composta em 1910 por Francisco Lucas Duchesne, cuja partitura foi veiculada na Revista da Semana, dia 10 de julho daquele ano. Impressa na revista, a música poderia chegar a possíveis milhares de leitores. Quem sabe alguns se dispusessem a interpretá-la em casa e lembrar-se, em momento oportuno, dos produtos da Casa Miranda: “Cabides cadeiras Armarios e mesas Commodas marquezas De boas madeiras”

O compositor, Francisco Lucas Duchesne, maestro cubano que chegou ao Brasil em 1896, teve grande influência na formação de Patápio Silva, primeiro flautista a fazer gravações solo no País.

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Anúncio O Pyrilampo, 1903. Coleção Aloyzio de Alencar Pinto

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PYRILAMPO (Tango brasileiro, 3’01’’)

Produto cuja fabricação no Brasil foi iniciada em fins do século XIX, a lâmpada incandescente passou a fazer parte, gradualmente, da cena doméstica e urbana. Para suprir esse nascente mercado, empresas começam a se organizar. No ano 1897 é solicitado pedido de patente para uma tal marca Pyrilampo aplicada a “todos os artigos que se referem á luz incandescente”. Para o mesmo nome é requerida patente em 1901, a uma empresa de artigos similares. O nome vai se tornando um sucesso por sua adequação à função (iluminação). Assim, a empresa Lima Júnior & Cia. dá a mesma denominação à sua fábrica: Lâmpadas Pyrilampo. E, proporcionando maior visibilidade à marca, tem o nome da empresa associado a um tango composto por Ernesto Nazareth. “Dedicado aos laboriosos industriaes proprietários da importante fabrica de lâmpadas Pyrilampo”, o tango é impresso com o título grafado como Pyrilampago, originalmente na revista A Avenida, de 12 de setembro de 1903. Entre todas as composições de Nazareth, é uma das poucas que não foram editadas como partitura avulsa.

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A Folha da Victoria. Acervo da Fundação Biblioteca Nacional - Brasil

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Formicida GUANABARA (Polka, 3’13’’)

“Viva o formicida Guanabara!”

Quatro palavras que inovaram a música publicitária na década de 1880. Até 1888, quando o maestro Enrico Borgongino compôs uma polca cujo nome correspondia a esse bordão, as músicas do gênero eram apenas instrumentais, identificáveis somente pelo título, que continha o nome do produto ou da empresa. Esse simples bordão – cantado no início e no fim da música – abriu caminho para que, pouco tempo depois, versos comerciais passassem a ser incorporados à composição, criados especialmente para ser cantados com as músicas. Nesse período, ainda reinava absoluto nos campos o principal personagem da frase do naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire: “Ou o Brasil acaba com a saúva, ou a saúva acaba com o Brasil.” E aí entravam em ação os fabricantes de formicida, não apenas com produtos, mas também com a comunicação up to date que a publicidade permitia. Desde anúncios – como o publicado na Folha Nova de 19/8/1883, com um enfático desafio: “Temei, saúvas!” – a partituras como Formicida Guanabara, impressa por Isidoro Bevilacqua especialmente para ser “Offerecida aos Illustríssimos Senhores Fazendeiros” pela Fábrica Guanabara de Sulphoreto, de Cunha Sá & Cia., instalada na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro (RJ).

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Capa da partitura Formicida Guanabara. Acervo Tadeu Santinho


Anúncio na revista Fon-Fon, 1909. Acervo da Fundação Biblioteca Nacional - Brasil

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A Fonte do LAMBARY (Tango brasileiro, 3’23’’)

Parte privilegiada da população carioca, em fins do século XIX, matava a sede comprando águas minerais estrangeiras ou marcas nacionais engarrafadas. Além dos depósitos específicos onde poderiam ser encontradas, curiosamente, essas águas eram também comercializadas em estabelecimentos musicais (venda de pianos, partituras, etc.). Entre esses, estava a Imperial Imprensa de Música de Viúva Filipone, responsável pela edição, na década de 1880, de algumas das composições de Ernesto Nazareth. Como a Imperial Imprensa era, na cidade do Rio de Janeiro, o “único depósito das Águas Virtuosas de Lambary”, possivelmente houve uma encomenda dessa empresa à Viúva Filipone ou então uma solicitação dessa, como forma de agradar ao fornecedor – já que ela mesma poderia editar a partitura em sua Imprensa de Música –, para que Nazareth fizesse uma composição destinada a divulgar a empresa. Daí nasceu a polca A Fonte do Lambary, editada em 1888, primeira música dele a trazer em seu título a citação de uma marca comercial, e “Offerecida a Empresa Águas do Lambary”. A partir disso, Ernesto Nazareth – um dos mais importantes nomes na história da música brasileira – seria o mais prolífico compositor de músicas publicitárias no Brasil, antes do surgimento do rádio.

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OH! PHELIA!!! Don’ Amelia, Dona Clelia, Don’ Aurelia, Don’ Adelia

Don’ Amelia, Dona Clelia, Don’ Aurelia, Don’ Adelia

Trazem perolas na bocca Só devido aos Pós Ophelia

Trazem perolas na bocca Só devido aos Pós Ophelia

Exige a moda que uma senhorita Para julgada ser como bonita Á flor da bocca no sorrir com graça Mostre um collar de perolas sem jaça

Si desejais um halito de rosas, Para tornar-vos inda mais formosas, Esse e mais outros perennaes proventos, Tereis apenas por mil e quinhentos.

Pois se quereis senhoras d’alta roda O dote ter que tanto exije a moda Usai somente Ophelia, o dentifricio Que vos fará completo beneficio

É fácil, pois, provar que o dentifricio Em pouco tempo ha de mudar-se em vicio Se me esqueceis, eu vos farei lembradas: Oitenta e cinco - Rua dos Andradas.

Don’ Amelia, Dona Clelia, Don’ Aurelia, Don’ Adelia

Don’ Amelia, Dona Clelia, Don’ Aurelia, Don’ Adelia

Trazem perolas na bocca Só devido aos Pós Ophelia

Trazem perolas na bocca Só devido aos Pós Ophelia

Dona Miloca recusára um dia, Dos pós Ophelia a prenda de valia Tornou-lhe alguem: - Depois que não se queixe E ella, troçando, disse: - ‘Stá bom, deixe... Mas, quando viu que a coisa era um portento, Comprou dez caixas sem abatimento; E hoje, quem tinha os cácos amarelos, Mostra uns dentinhos simplesmente bellos.

Letra da composição Oh! Phelia!!!. Acervo da Fundação Biblioteca Nacional - Brasil

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Oh! PHELIA!!! (Cançoneta, 2’51’’)

“Don’ Amelia, Dona Clelia, Don’ Aurelia, Don’ Adelia, Trazem perolas na bocca Só devido aos Pós Ophelia”

Com esse verso começa a letra que acompanha a cançoneta Oh! Phelia!!!, composta por Lingua de Mel [?], pseudônimo de compositor não identificado. A partitura, impressa na revista O Malho, de 20/12/1902, é antecedida pela chamada publicitária: “Quereis um hálito de rosas e os dentes brancos e limpos? Usai o pó dentifricio Ophelia” – o qual podia ser adquirido por 1$500 (mil e quinhentos réis) na Rua dos Andradas no 85 e na Rua do Ouvidor nos 142 e 148. Naquele ano citado acima, a mesma cançoneta é gravada em chapa, segundo o jornalista e pesquisador Nelson Varón Cadena, para ser reproduzida em fonógrafo, tornando-se, provavelmente, a mais antiga música publicitária gravada no Brasil. Eis seus versos: “Dona Miloca recusara um dia / dos pós Ophelia a prenda de valia… / se desejais um hálito de rosas / para tornar-vos inda mais formosas / esse e mais outros perenais proventos / tereis apenas por mil e quinhentos… / É fácil pois provar que o dentifrício / em pouco tempo há de mudar-se em vício / se me esqueceis eu vos fareis lembradas / oitenta e cinco / rua dos Andradas”. A partitura deixava de ser o suporte exclusivo na divulgação de marcas comerciais. O empenho dos fabricantes do dentifrício, convém ressaltar, não se restringia às músicas: os desenhos de K-lixto (ou K. Lixto), uma das mais importantes referências na criação de anúncios, também ilustraram a publicidade de Ophelia em jornais e revistas.

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Partitura Attrahente. Acervo da Fundação Biblioteca Nacional - Brasil

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ATTRAHENTE (Quadrilha, 6’02’’)

A apresentação gráfica das partituras publicitárias do século XIX resumia-se a duas possibilidades: ora se iniciava diretamente com a pauta, ora trazia uma capa com ilustrações (às vezes padrão, de uma determinada coleção; às vezes específica daquela partitura, que podia ser uma composição tipográfica ou com ilustrações reproduzindo imagens alusivas a locais, pessoas, objetos). Uma capa de partitura fugiu à regra: todos os desenhos ali impressos representavam pessoas com cara de relógio ou pulseira. O proprietário da loja da Rua do Ouvidor no 55, no Rio de Janeiro, sinalizava, dessa forma, ao seu público o que tinha a oferecer: venda e conserto de artigos de relojoaria e joalheria. Ao Regulador Attrahente – esse era o nome da loja e Attrahente, o nome da quadrilha, composta por J. J. Lopes Júnior, em 1883, e distribuída como brinde aos clientes. Em cada página, para reforçar a mensagem, a citação de um produto: pulseiras, medalhas, correntes, alfinetes ou despertadores.

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Partitura Lembrança do Cotia. Acervo da Fundação Biblioteca Nacional - Brasil

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Lembrança do COTIA (Polka, 4’09’’)

Na Rua Gonçalves Dias no 74, entre as ruas do Ouvidor e do Rosário, também Rio de Janeiro, podia se encontrar um “rico e variado sortimento de fazendas e modas de apurado gosto a preços baratíssimos e especialidade em roupa branca para homens, senhoras e crianças”. Mas José Alves Guimarães Cotia (18571916), proprietário da Casa do Cotia, queria oferecer algo mais à sua clientela. Encomendou, então, a Miguel A. de Vasconcellos uma música exclusiva para sua loja. Assim, foi composta e impressa, pela Imperial Lithographia de Narciso e Arthur Napoleão, em algum ano da década de 1880, a polca Lembrança do Cotia, à qual o compositor acrescentou: Opus 39. Exemplar encontra-se na Biblioteca Nacional. Miguel Apolinário de Vasconcellos (?-?), que também assinava com o pseudônimo V. Leugim, além de Lembrança do Cotia, fez os arranjos para: quadrilha Rio Nu, de 1896; La Camargo, ópera de Charles Lecocq; e composições como a habanera Amor Tem Gelo, a polca Fifina – em resposta à polca Zizinha, de Ernesto Nazareth, 1895 – e a quadrilha militar Quinze de Novembro.

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Partitura Mikanol. Revista O Malho, 1914. Acervo da Fundação Biblioteca Nacional - Brasil

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MIKANOL (Polka, 3’20’’)

A pandemia causada pelo vírus da influenza, conhecida como gripe espanhola, teve os primeiros casos no Brasil em 1918. Mas o País já convivia com a influenza desde há muito. Anúncios de medicamentos para combatê-la continuamente eram publicados em jornais. “Tosse, Influenza, Coqueluxe – Cura-se somente tomando Mikanol” era a mensagem de rodapé da revista O Malho, de 17/10/1914. O apelo de cura estendia-se, no âmbito da publicidade, aos testemunhos dos inúmeros benefícios daqueles que tomaram o produto. O farmacêutico Altamiro Oliveira – fabricante de Alopilol (para queda de cabelo) e do creme de beleza Royal – tinha em Mikanol seu principal produto, que acabou se tornando também o título de uma polca, composta pelo catarinense Alvaro Souza (1879-1939), flautista, compositor e autor de publicações sobre música. Mikanol, “offerecida ao pharmaceutico Altamiro Oliveira”, veiculou sob a forma de partitura avulsa (exemplar integrante do acervo da Biblioteca Nacional), para distribuição gratuita, e também impressa em O Malho, de 17/10/1914.

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Partitura Café do Commercio. Acervo da Fundação Biblioteca Nacional - Brasil

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Café do COMMERCIO (Mazurka, 3’26’’)

Esteve o maestro Luigi Della Rocca, de Torino (Itália), talvez da década de 1880, no Café do Commercio, localizado no Rio de Janeiro? Ou apenas uma admiração, a distância, do café ou de pessoas que tinham algo a ver com o local? Teria o maestro conhecido J. F. Serpa Júnior – que, alguns anos depois, entre 1893 e 1895, foi proprietário do Correio da Tarde, jornal carioca? Perguntas que talvez não encontrem resposta. Entretanto, ajudariam a compreender melhor o motivo de o maestro ter composto e dedicado a Serpa Júnior a mazurca Café do Commercio, editada em 1887 por Buschmann & Guimarães, sob o no 1.757, atualmente integrante do acervo da Biblioteca Nacional.

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Partitura Tem Sorte. Acervo da Fundação Biblioteca Nacional - Brasil

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O

Tem SORTE (Tango, 2’58’’)

O capitão Mario Novaes Guimarães era um homem de sorte. Homenageado por Ernesto Nazareth, em 1914, o qual dedicou sua “polca militar” Alerta! ao amigo, também teve o tango Tem Sorte a ele “offerecido” pelo compositor Carlos T. de Carvalho (1878-1922). Homem de sorte pelas amizades e homenagens musicais, qual teria sido o motivo de ter sido dedicada ao capitão uma música com o nome Tem sorte? Estaria Carlos de Carvalho, o Corujinha – também compositor da polca Flavinho e das valsas Só Tu Me Prendes e Teus Sonhos –, referindo-se a alguma característica ou fato particular de Mario Novaes? Ou, para além de questões pessoais, Tem sorte estaria vinculada a alguma atividade comercial como, por exemplo, a loteria do período? Editada por E. Bevilacqua & Cia., a música – que apesar de instrumental, traz a expressão “Tem sorte!” para ser cantada logo em seu início – faz parte de um conjunto de composições que, por não trazerem versos nem outras referências explícitas associadas a marcas comerciais (nomes de produtos ou lojas, proprietários de estabelecimentos), não podem ser caracterizadas, necessariamente, como músicas publicitárias, mas cuja possibilidade de constituir obra do gênero não pode ser descartada.

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PERFUME (Feno de Atkinsons) Valsa de Salão

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1/4 ©2011 Acervo Digital Chiquinha Gonzaga | www.ChiquinhaGonzaga.com/acervo Editoração: Douglas Passoni | Revisão: Alexandre Dias

Partitura Perfume (Feno de Atkinsons). Fonte: www.chiquinhagonzaga.com

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C

Perfume (Feno de ATKINSONS) (Valsa, 5’08”)

Como qualquer música, a publicitária tinha como objetivo chegar a muitas pessoas, multiplicando-se em interpretações e audições. Apenas acrescentava aspecto inerente à sua função: fazer lembrar a marca que lhe era intrínseca, explícita no título – e, depois, nos versos – da composição. Se pudesse agregar qualidade musical, melhor ainda. A maestrina Chiquinha Gonzaga (1847-1935), já personalidade atuante no ambiente musical e social oitocentista, pôde dedicar seu talento a uma obra do gênero: Perfume, tendo como subtítulo Feno de Atkinsons, por possível solicitação do fabricante ou de depositário do produto. Era 1892, Chiquinha havia anotado a música unicamente em documento manuscrito, que não chegou a ser impresso. Somente no ano 2011, foi editada. Por que Perfume, uma valsa de salão, não circulou à época? Se foi a Atkinsons – fundada em 1799 na Inglaterra, produzindo somente perfumes masculinos – quem a contratou, por que a empresa não teve interesse em veicular? Não teria cumprido contrato com a compositora? Que motivos teria Chiquinha Gonzaga – também sempre atenta à questão dos direitos autorais e uma das fundadoras da Sbat (Sociedade Brasileira de Autores Teatrais) – para sua composição não ir além daquele manuscrito registrado nas três páginas de partitura?

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CAFÉ DE SÃO PAULO da revista de costumes e fatos nacionais e estrangeiros CÁ E LÁ

Letra de Tito Martins

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Café ideal... o nacional É sem rival e sem engano! lhor or ‘inda O seu sab œ é me œ œ . SeR for do sul, for paulistano da go zo nal œ al.œ.. œo na œ cio Caœ fé ide œ œ œ œ œœ É sem rival e sem engano! œœ œœ œœ‘inda 霜 melhor œ œ >œ œ >œ Oœ seu >œsabor ! Se for do sul, for paulistano

1/5 ©2011 Acervo Digital Chiquinha Gonzaga | www.ChiquinhaGonzaga.com/acervo Editoração: Douglas Passoni | Revisão: Alexandre Dias

Partitura Café de São Paulo. Fonte: www.chiquinhagonzaga.com

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E

Café de SÃO PAULO (Tango, 2’57’’)

“Não há [café] Moka que me vença...”

Era a primeira vez que um produto – Café de São Paulo – desafiava explicitamente, por meio de verso zombeteiro, um concorrente. Paralelamente a esse tom mais incisivo, o “Café puro e saboroso/ que todos querem provar”, na letra de Tito Martins, trazia também outra novidade. Até início do século XX, as partituras publicitárias destinavam-se a ser interpretadas em ambiente doméstico. Com essa composição, a música publicitária invadia o palco. Estreando no Teatro Recreio Dramático, Rio de Janeiro, dia 15 de março de 1904, a revista musical de costumes e fatos nacionais e estrangeiros Cá e lá, grande sucesso de Tito Martins e Bandeira Gouveia, apresentou-se também no Teatro Carlos Alberto, cidade do Porto (Portugal), em novembro de 1908. Chiquinha Gonzaga, que na época ali residia, participou da primeira montagem com algumas composições e escreveu as 41 partituras para a montagem portuguesa. Entre elas, lá estava o tango Café de São Paulo, música publicitária que levava o gênero pela primeira vez ao palco. Por fim, além disso foi uma das primeiras composições a sair de uma partitura publicitária e ser gravada em disco. Com uma gravação para o Selo Odeon, de Pepa Delgado (1887-1945), primeira atriz a gravar discos no Brasil, em data igual ou posterior a 1912 – quando surge o Café Moka –, a música publicitária ganhava um importante registro sonoro.

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Partitura Café da Imprensa. Acervo da Fundação Biblioteca Nacional - Brasil

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Café da IMPRENSA (Polka, 3’02’’)

Locais privilegiados de reuniões e encontros de políticos, escritores e jornalistas, os cafés cariocas eram, no fim do século XIX e início do XX, um misto de família, grêmio, escritório, segundo o jornalista e cronista Luís Edmundo. Os cafés iam se espalhando pela capital fluminense, conforme o século XX se aproximava. Um deles, cujo nome estava em fina sintonia com seu público, tornou-se possivelmente o primeiro do gênero a utilizar música para fins publicitários. Era o Café da Imprensa. Já tradicional reduto de jornalistas, tem seu nome dado como título a uma polca composta por Belizario D’America Pinheiro de Andrade, que foi “Offerecida ao Ilm° Snr. Luiz de Andrade Monteiro”. A partitura foi impressa pelo Imperial Estabelecimento de Piano e Músicas Buschmann & Guimarães/Fornecedores da Casa Imperial, provavelmente em 1886. Exemplar encontra-se na Biblioteca Nacional.

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Acervo da Fundação Biblioteca Nacional - Brasil

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The Paradise of the LADIES (Au Paradis des Dames) (Valsa, 4’33’’)

Lojas com nomes franceses, especialmente as de moda, eram comuns em cidades brasileiras no século XIX: Notre Dame, Au Bon Marché, Au Printemps, Au Petit Paris, entre tantas. Outras, simplesmente copiavam nomes já existentes – é o caso de Au Paradis des Dames, famoso magazine parisiense de meados dos anos 1800. O correspondente estabelecimento no Brasil (possivelmente no Rio de Janeiro) tinha, porém, lá sua peculiaridade: loja de “chapéos para Senhôras”. No fim daquele século, a loja encomendou uma música a Luiza Leonardo Boccanera (1859-1926) – pianista consagrada como virtuose e compositora, além de atriz dramática e escritora, a qual contribuiu com a divulgação da música brasileira no exterior – com o explícito fim de agraciar a clientela. Assim, “Offerecida pela casa ‘Au Paradis des Dames’”, ela compôs uma valsa para piano com título em inglês: The Paradise of the Ladies, impressa pela Lithographia V. Oliveira & Cia., Salvador, Bahia. Exemplar da partitura encontra-se na Biblioteca Nacional.

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Revista Brasileira de Música. Rio de Janeiro, no 5, abril - junho, 1963. Acervo da Fundação Biblioteca Nacional - Brasil

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A música: das danças às apresentações ao PIANO Colaboração especial Paulo Castagna

Os gêneros musicais das partituras publicitárias no Brasil foram introduzidos e ganharam destaque primeiramente vinculados às danças. Eram danças provenientes predominantemente da Europa, as quais chegaram em distintas décadas do século XIX, com o objetivo de integrarem apresentações teatrais musicadas. Assim, tinham as danças a função essencial de espetáculo coreográfico para plateias. Em decorrência, as músicas de determinado gênero estavam associadas e davam suporte às danças do mesmo gênero: a polca, dança que era o motivo do espetáculo teatral; e este possuía como base a música do gênero polca, à qual a dança estava intrinsecamente associada. Essa função – música para “servir” à dança – estendeu-se a outros espaços, desde locais de eventos sociais (salões, sedes de clubes, espaços públicos, etc.) a saraus domésticos. Somente a partir de 1880 configura-se um outro panorama destinado à música popular. O gradual incremento na produção e venda de partituras para piano, do número de peças direcionadas ao teatro de revista – substancialmente apoiado em músicas – e, já no início do século XX, os fonógrafos, entre outros fatores, contribuíram para que a música popular se fortalecesse como artigo autônomo. Talvez já não se comentasse unicamente “que dança é essa?”, mas também – a partir de certo momento – que “tipo de música é essa?”. É nessa passagem da música associada à dança para a gradual autonomia da música como expressão artística específica que surgem as partituras publicitárias, em seus distintos gêneros musicais.

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CANÇONETA Do francês chansonnete, proveniente de sonet (no francês antigo, diminutivo de son, som; e também termo provençal designativo de espécie de canção), cançoneta refere-se a uma curta peça musical, pequena canção com letra/versos alusivos a assuntos leves ou temas chistosos. Não se trata propriamente de gênero musical, mas de canção composta a partir de outros gêneros – no Brasil, a partir do lundu, maxixe, tango, modinha ou tango. No Rio de Janeiro, a cançoneta foi inserida nas apresentações dos teatros de revista, nos palcos de cafés-cantantes, casas de chope e circos, de modo mais visível a partir da década de 1880. É o caso de Há alguma novidade?, cançoneta cômica (para canto e piano) de 1886, autoria de Chiquinha Gonzaga, para cena da peça de teatro O Bilontra. Compostas para ser encenadas inicialmente para padrões populares, as cançonetas levam ao surgimento de inúmeros cançonetistas no fim do século XIX. No entanto, perduram por algumas poucas décadas do século XX. MAZURCA Dança de origem polonesa, conhecida desde o século XVI, a mazurca tornou-se especialmente popular, inclusive no País, somente no século XIX, quando passou a integrar os espetáculos teatrais da capital Rio de Janeiro. Posteriormente, difundiu-se como dança de salão. Apresentava como característica musical o compasso ternário, era mais lenta e singela do que a valsa.

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Com o século XX, vai decrescendo sua presença. Mas há registros de composições do gênero até cerca de 1950. Derivada da mazurca, a rancheira – que teve maior difusão com o advento do rádio – é a versão gaúcha para essa tradicional dança. POLCA Quando apareceu no Rio de Janeiro (1845-1846), pouco depois de ser introduzida em Paris (1840), a polca tornou-se, em pouco tempo, concorrente da valsa e a preferida dos brasileiros, com um ritmo alegre e contagiante. Dança em compasso binário, originou-se na Boêmia (região da atual República Tcheca), tendo seu nome derivado da palavra tcheca pulka (meio). Inicialmente uma dança de salão, a polca posteriormente chega aos teatros e ruas, transformando-se em música popular. A gradual ambientação ao meio brasileiro fez com que a polca se mesclasse a outros gêneros de dança, constituindo diversas variantes locais – e isso foi um dos fatores que contribuíram para que ela predominasse entre as danças de salão até o começo do século XX. QUADRILHA Introduzida na Paris do início do século XIX, essa dança de salão surge no Brasil por volta da década de 1830, trazida por mestres de orquestra. Composta em compasso predominantemente binário, foi adquirindo características locais, passando a ser dançada ao ar livre, especialmente nas festas juninas. Entre o fim do século XIX e início do XX, transformou-se em dança de honra com a qual eram abertos os bailes oficiais. Compunha-se, originalmente, de um conjunto de cinco números de músicas e (contra)danças (de modo similar à suíte, nos séculos XVII e XVIII), com quatro pares de participantes – daí que deriva o nome da dança. Em gravações de discos da Casa Edison do início do século XX, é possível ouvir-se uma voz de um organizador da dança ditando as marcas aos participantes. A sanfona, que se tornou o instrumento tradicional das quadrilhas, tem na composição Festa na roça, de Mario Zan (1951), provavelmente, um dos mais importantes símbolos do gênero, e ainda presente nas festas juninas.

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TANGO O tango, ou tango brasileiro, surgiu como variante do maxixe, segundo alguns estudiosos. As mais antigas manifestações remontam a 1871, quando a denominação passou a indicar um gênero musical de teatro (ligeiro) derivado da habanera, a qual aportou no Brasil através das companhias de teatro musicado. Chiquinha Gonzaga, a partir de 1880, compõe vários tangos. Desde o fim do século XIX, tango e choro vão revelando uma interface em suas características. Possivelmente, a principal referência dessa simbiose é a música Brejeiro, composta por Ernesto Nazareth em 1893, a quem coube a definitiva consagração do gênero. Nesse período é instituída uma nova denominação para o gênero, o qual passou a ser designado tango brasileiro. Com a ascensão da moda do tango argentino, na década de 1930, a denominação tango (ou tango brasileiro) ao gênero foi desaparecendo, com outros nomes surgindo em seu lugar. VALSA Walzer, em sua grafia original, oriunda do alemão walzen (girar) – apesar de constar também a origem francesa ou austríaca – e adaptada para walsa em terras brasileiras, a dança de compasso ternário, primeiramente lenta e, por volta de 1870, com andamento mais rápido, tornou-se muito popular ao longo do século XIX. Duas pessoas executando volteios sobre si mesmas, em graciosos movimentos, num girar contínuo a formar um grande círculo. A valsa (comum) – depois, valsa vienense – estava presente no País como dança de salão, desde a primeira metade do século XIX, tendo sido muito executada. Com o tempo, ocorre uma fusão com outros gêneros, como a modinha, abrasileirando-se, passando assim a ter o ritmo ternário no fim do século XIX. Com os conjuntos de choro, a valsa é incorporada ao repertório seresteiro. Gênero fartamente acolhido, a valsa estava presente em lições ao piano, composições de inúmeros músicos, locais de encontros sociais e nas mais antigas gravações de disco no Brasil.

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BIBLIOGRAFIA ALMEIDA, Luiz Antonio de. Ernesto Nazareth – Vida e Obra. Rio de Janeiro: manuscrito não publicado, consultado com permissão do autor, s.d.[a]. ALMEIDA, Luiz Antonio de. Ernesto Nazareth na Publicidade. Rio de Janeiro: 2010[b]. CASTAGNA, Paulo. A Música Urbana de Salão no Século XIX. Apostila do curso História da Música Brasileira. São Paulo: Instituto de Artes da Unesp, s.d. Disponível em: http://www.academia.edu/1082767/A_MUSICA_URBANA_ DE_SALAO_NO_SECULO_XIX. FRANCESCHI, Humberto M. Registro Sonoro por Meios Mecânicos no Brasil. Rio de Janeiro: Studio HMF, 1984. FRYDMAN, Claudio. Música em Revista – Rio de Janeiro, 1900-1920. Rio de Janeiro: Escola de Música UFRJ, 2008. GOULART, Paulo C. A. O Brinde no Brasil: Coletânea de anúncios e notas em jornais 1830-1900. São Paulo: Idart, 1995. – . Música e Propaganda. Vargem Grande Paulista: A9 Editora, 2011. – . Partituras de Propaganda: Brasil, século XIX. Vargem Grande Paulista: A9 Editora, 2011. Digitado. LUCCHESI, Marco (org.). O Espelho: Revista Semanal de Literatura, Modas, Indústria e Artes. Ed. fac-similar. Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional, 2008. MANHANELLI, Carlos Augusto Bonacorso. Os Jingles Eleitorais nas Campanhas Presidenciais Brasileiras. São Bernardo do Campo: Univ. Metodista, 2009. NORI, M. Elisabeth Corrêa; VASCONCELOS, Paulo Alexandre C. A Arte da Música Impressa. São Paulo: Centro Cultural São Paulo, 1987. SERGL, Marcos Júlio. A Peça Publicitária no Contexto da Paisagem Sonora Brasileira: dos Primórdios ao “Pão de Bragança”. In: V Congresso Nacional de História da Mídia. Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação. São Paulo, 2007. Disponível em: <http://paginas.ufrgs.br/alcar/ encontros-nacionais-1/5o-encontro-2007-1/A%20peca%20publicitaria%20 no%20contexto%20da%20paisagem%20sonora%20brasileira.pdf. Acesso em: maio/2010. SIMÕES, R. “Do Pregão ao Jingle”. In: CASTELO BRANCO, R.; MARTENSEN, R. L.; REIS, F. (orgs.). História da Propaganda no Brasil. São Paulo: Queiroz, 1990. TINHORÃO, José Ramos. Os Sons que Vêm da Rua. São Paulo: Editora 34, 2005.

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Idealização Instituto Cultural ESPM

Coordenação geral Geraldo Alonso Filho Equipe de apoio do Instituto Cultural ESPM Alfredo Maeoca Anibal Palhais da Silva Jr. João Marcelo Bueno Rocha Monique Miranda Nunes Nayara Dornelles Paula Semidamore de Bem

Coordenação editorial A9 Editora Ltda. Pesquisa, texto e seleção de imagens Paulo Cezar Alves Goulart Assistente de pesquisa e editorial Marisa de Paula Souza Design gráfico, tratamento de imagens e diagramação Pedro Caetano de Paula e Goulart Revisão de texto Cleusa Conte Machado José Nelson Forcacin Colaboradores Alexandre Dias Gustavo Varela Larissa da Paz Paulo Castagna Apresentação do projeto (PPT) Projeto de criação - Agência IGS Direção de arte - Eduardo Amorim Editoração - Sandro Junqueira Creative Planner

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Coordenação musical Amilton Godoy Produção artística Tudo Bem Produções e Apresentações Artísticas Direção musical Amilton Godoy Arranjo e orquestração Amilton Godoy Participação

Produção executiva

Piano e teclados Amilton Godoy

Partituras digitalizadas Debora de Aquino

Contrabaixo Marinho Andreotti

Efeitos especiais Amilton Godoy Debora de Aquino

Bateria Percio Sapia

Gravado em setembro e outubro de 2012 Estúdio BRC, São Paulo (SP)

Flauta e sax soprano Debora de Aquino

Engenheiro de gravação Bruno Cardozo

Sax alto Tico d’Godoy

Mixagem Bruno Cardozo Amilton Godoy

Clarinete Gerson Galante

Masterização Homero Lotito Bruno Cardozo

Voz Adriana Godoy Orquestra de cordas

Assistente de estúdio Ruben Cabrera

Violinos Marcos Scheffel Adriano Mello Flávio Meyer Dorin Tudoras Fábio Brucoli Alex Braga

Edição digital (voz) Enrico Romano Técnico de piano Olívio Valarini Jr. Produtora-executiva Ana Luiza D’Andretta / Tudo Bem Produções e Apresentações Artísticas

Violas Newton Carneiro Alexandre de Leon

Produção fonográfica DG Produções

Violoncelo Marisa Silveira

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Paulo Cezar Alves GOULART Paulo Cezar Alves Goulart é arquiteto formado pela FAU-USP e pós-graduado em Ciências da Comunicação pela ECA-USP. Diretor e editor da A9 Editora, empresa que fundou juntamente com Marisa de Paula Souza, em 1994, lançou revistas e jornais bem como tem realizado diversas pesquisas e publicações, exemplo a coleção de livros “Em Cotia”, no ano 2000. Sua atividade textual iniciou-se com trabalhos literários (Até: o ponto; Caçca; Transparência das Pedras) que fizeram parte da exposição “Poucos e Raros”, em 1978, migrando, posteriormente, para pesquisas históricas. O interesse por diversificada temática gerou estudos como: A Venda de Jornais no Século XIX, A Bula de Nossos Avós (1985); Figurinhas: Histórias para Colecionar e Algo de Figurinhas (1986) – esses, a partir da dissertação de mestrado Álbum de Figurinhas: Configurações e História. No âmbito da história empresarial, empreendeu, entre 1995 e 1997, pesquisas sobre as empresas Probus Ind. Gráfica, Editora FTD e A. Rela (Palitos Gina). Entre as pesquisas publicadas, como autor ou organizador, estão: Imagens do Território Paulista (1993); Inundações – São Paulo, de Piratininga a 1900 (1993); Municípios e Distritos do Estado de São Paulo e Quadro Demonstrativo do Desmembramento de Municípios Paulistas (1994); A Rede de Águas Pluviais em São Paulo (1994); História da Papelaria no Brasil (1995); e O Mascate e a Figurinha (2006). Com o livro Noticiário Geral da Photographia Paulistana: 1839-1900 (com Ricardo Mendes), uma coedição do Centro Cultural São Paulo e Museu Paulista, de 2007, obteve o 1o lugar na categoria Arquitetura e Urbanismo, Fotografia, Comunicação e Artes na 50a edição do Prêmio Jabuti (2008), bem como recebeu o Prêmio Literário José Celestino Bourroul, 3a edição (2008), como Melhor Livro do Ano sobre São Paulo. O livro Música e Propaganda (2011) foi selecionado como um dos dez finalistas do Prêmio Jabuti (2012), na categoria Comunicação. Desenvolve, desde 2010, estudos sistemáticos sobre o tema partituras publicitárias, realizando, em 2012, a pesquisa Partituras de Propaganda. Atualmente, ao lado de atividades de catalogação de partituras bem como informações e documentos relacionados ao tema, seus estudos concentram-se na série de partituras publicadas no Almanak Flora Brazileira (1881-1896?), primeiro conjunto articulado de partituras publicitárias e as relações entre clubes carnavalescos e a expansão da música publicitária no Brasil.

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Amilton GODOY Amilton Godoy nasceu em Bauru (SP), onde iniciou seus estudos musicais. Completou sua formação em São Paulo com Nellie Braga, na Escola Magda Tagliaferro, e a partir daí, foi premiado em importantes concursos, tais como: – 3o Prêmio no Concurso Nacional de Piano da Bahia (1962); – 3o Prêmio no Concurso Nacional de Piano do Rio de Janeiro (1963); – vencedor do IV Concurso Nacional de Piano Eldorado (1964); – medalha de Ouro Prêmio Governador do Estado de São Paulo (1964); – vencedor do Concurso Nacional Hora de Arte como Melhor Intérprete de Villa-Lobos (1964). No ano 1964, com Rubens Barsotti e Luiz Chaves, formou o grupo instrumental Zimbo Trio, desenvolvendo importante trabalho no cenário artístico brasileiro, com 51 discos gravados e editados em mais de 22 países. O grupo apresentou-se em todo o Brasil, a América Latina inteira, Estados Unidos, Europa, África, Japão e China. Em 1973, juntamente com Rubens Barsotti, Luiz Chaves e João Ariza, fundou uma das mais importantes escolas de música do País: Clam (Centro Livre de Aprendizagem Musical), responsável pela formação de vários músicos no âmbito nacional e internacional. Coordenou o Departamento de Piano em Campos do Jordão (SP), no Festival de Inverno. Atuou como diretor por dois anos do evento Semana Guiomar Novaes, na cidade de São João da Boa Vista (SP). No ano 2011, Godoy foi o solista da Orquestra Jazz Sinfônica, da cidade de São Paulo, sob a regência do maestro italiano Nino Lepore, em uma homenagem a Nino Rota. Como pianista do Zimbo Trio, ganhou todos os prêmios nacionais de melhor grupo instrumental, inclusive o Prêmio de Melhor Grupo Instrumental no 23o Prêmio da Música Brasileira (2012), com o CD Zimbo Trio Autoral, que possui apenas músicas de sua autoria. Num projeto inédito juntamente com a compositora Dulce Auriemo, produziu dois álbuns da coleção Piano Solo Compositores Brasileiros. Ganharam o Prêmio Jabuti com o trabalho Meu Primeiro Álbum de Piano Solo (2009). A convite do primeiro flautista da Orquestra Filarmonie de Berlim, Michael Hasel, transcreveu algumas músicas dessa coleção para flauta e piano. Ainda em 2012, o músico paulista arranjou e gravou, juntamente com o gaitista Gabriel Grossi, um CD intitulado Villa-Lobos Popular. Amilton Godoy participou também da Comissão de Música da Secretaria de Estado da Cultura e do Conselho Estadual de Cultura (SP) por oito anos. Como solista – considerado um dos maiores pianistas do mundo –, foi convidado de orquestras regidas por grandes maestros, por exemplo: Cyro Pereira, Julio Medaglia, Chico de Moraes, Simon Bleche, Roberto Sion, Maurício Galindo e Wagner Tiso.

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ESPM Conselheiros associados

Conselho Deliberativo

Adriana Cury Alex Periscinoto Altino João de Barros Andrea Salgueiro Cruz Lima Antonio Jacinto Matias Antonio Martins Fadiga Armando Ferrentini Armando Strozenberg Claudio de Moura Castro Dalton Pastore Jr. Décio Clemente Francisco Gracioso Francisco Mesquita Neto Jayme Sirotsky João Batista Simon Ciaco João Carlos Saad João De Simoni Soderini Ferracciù João Roberto Marinho João Vinícius Prianti José Bonifácio de Oliveira Sobrinho José Carlos de Salles Gomes Neto José Heitor Attilio Gracioso Judith Brito Luiz Carlos Brandão Cavalcanti Jr. Luiz Carlos Dutra Luiz Lara Luiz Sales Marcello Serpa Octávio Florisbal Orlando dos Santos Marques Percival Caropreso Petrônio Cunha Corrêa Roberto Duailibi Roberto Martensen Saïd Farhat Sérgio Reis Waltely de Oliveira Longo

Armando Ferrentini - presidente Luiz Sales - 1o vice-presidente Roberto Duailibi - 2o vice-presidente Sérgio Reis - 3o vice-presidente Alex Periscinoto Armando Strozenberg Dalton Pastore Jr. Décio Clemente João Vinícius Prianti José Carlos de Salles Gomes Neto Luiz Lara

Conselho Fiscal Titulares Luiz Carlos Brandão Cavalcanti Jr. - presidente José Heitor Attilio Gracioso Percival Caropreso Suplente Adriana Cury

Diretoria Executiva da ESPM Diretor-presidente J. Roberto Whitaker Penteado Vice-presidente acadêmico Alexandre Gracioso Vice-presidente administrativo-financeira Elisabeth Dau Corrêa Vice-presidente corporativo Emmanuel Publio Dias Vice-presidente de operações Hiran Castello Branco Diretor nacional de marketing e expansão José Francisco Queiroz

Idealização Instituto Cultural ESPM Diretor Geraldo Alonso Filho Rua Dr. Álvaro Alvim, 123 - Vila Mariana - 04018-010 - São Paulo - SP Tel.: (11) 5085-4500 / www.espm.br Copyright © 2013 Instituto Cultural ESPM

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Partituras Publicitárias Antes do Rádio - por Amilton Godoy foi editado em São Paulo (SP), primavera de 2013, utilizando as fontes Adobe Caslon e Swis e impresso em papel couché fosco 120 g, na Ipsis Gráfica e Editora.

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... fregueses e clientes. Eram partituras compostas, editadas e distribuídas gratuitamente – algumas, até vendidas – para um público específico: o consumidor daquele produto, daquele estabelecimento comercial cujo nome vinha expresso no título da partitura. Eram partituras publicitárias. A música, como quase todas do período, também podia ter sido composta em “homenagem a” ou “dedicada a” fulano (empresário) ou a determinada empresa, mas a partitura tinha endereço certo: as mãos do consumidor e, se possível, das mãos para o piano, às vezes com versos para se cantar junto. Todas, na esperança de atrair, pela música, uma clientela especial, convidando-a a lembrar-se do nome do produto, da loja, do clube, do teatro pela partitura sedutoramente publicitária.


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