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Basta - Dengue aqui não , sáb 19/03/2016

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FOTOS: LEO FONTES

Belo Horizonte, SÁBADO, 19 DE MARÇO DE 2016

Projeto especial

O Aedes aegypti está mais forte e agora transmite as doenças dengue, chikungunya e zika vírus. Por isso, o combate ao mosquito precisa ser reforçado diariamente: limpe e elimine qualquer foco que acumule água parada em sua casa ou em sua região.


ESPECIAL SAÚDE - AEDES AEGYPTI

LEO FONTES

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Belo Horizonte, SÁBADO, 19 DE MARÇO DE 2016

De onde veio o

Aedes aegypti? !"#$%&'()*+, ____ Pequeno no tamanho, mas gerador de grandes problemas na sociedade, o Aedes aegypti mede menos de um centímetro e é capaz de transmitir doenças que se tornaram epidemias no Brasil: dengue, zika vírus e chikungunya. Ele também é o responsável pelo contágio da febre amarela, porém, segundo o diretor do Departamento de Vigilância de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Cláudio Maierovitch, o Brasil não tem registros dessa doença há cerca de 70 anos. Rajado de branco e preto, o mosquito não é nativo do Brasil. De acordo com Maierovitch, pela tradução, Aedes significa odioso, detestável, e “aegypti”, que vem do Egito país de onde é originário. Sua disseminação pelo mundo ocorreu justamente a partir do continente africano, e a dificuldade de combate enfrentada atualmente se dá, entre inúmeros outros fatores, pela rápida capacidade de adaptação do mosquito ao meio urbano. “Essa adaptação ocorre com todas as espécies biológicas, mas em algumas mais rápido do que em outras, como é o caso do Aedes aegypti”, menciona Maierovitch. DESCRIÇÃO. O mosquito se prolifera de maneira acelerada. Conforme explica o infectologista Rodney Martins, com as condições climáticas do Brasil e o excesso de criadouros, ele se reproduz facilmente e tem se adaptado tanto às condições urbanas que tem conseguido procriar não só em água limpa, mas também nas que possuem grau de poluição. Segundo Martins, o ciclo de vida do Aedes aegypti compreende quatro fases (ovo, larva, pupa e adulto) e, normalmente, ocorre entre sete e dez dias, variando conforme as condições ambientais. “Na fase adulta há o mosquito macho e o mosquito fêmea. A fêmea é quem pica e transmite as patologias associadas ao Aedes aegypti. Ela pica para produzir, para amadurecer seus ovos”, esclarece. “Normalmente, os machos sobre-

vivem cerca de dez dias. As fêmeas chegam a 30 dias, podendo atingir 40 em laboratório. Nesse período, elas são capazes de botar diversos ovos próximos à superfície da água. Estes podem resistir a longos períodos, eclodindo ao entrar em contato com a água, mesmo mais de um ano após terem sido botados”, complementa Maierovitch. De acordo com ele, outra característica do Aedes aegypti é não voar muito alto. “Em decorrência disso, as partes humanas mais picadas são as pernas e os pés, mas isso não impede que outras também sejam alcançadas”, comenta. TRANSMISSÃO. Para quem tem dúvida quanto à transmissão das doenças, especialistas explicam que ela ocorre pelo ciclo homem/ Aedes aegypti/homem, ou seja, o mosquito pica uma pessoa infectada e fica com o vírus encubado no organismo. Após alguns dias, esse vírus invade as glândulas salivares do mosquito e é retransmitido durante a picada. Com base nisso, pesquisadores afirmam que nem todo Aedes Aegypti transmite patologias, apenas os infectados. Esses, por sua vez, podem fazer transmissões para

várias pessoas, daí a importância de combatê-los. “O envolvimento da população é uma forma eficaz de combate. A maioria dos criadouros está na casa das pessoas. Eliminá-los já é uma forma de contribuir para o controle das epidemias”, frisa Martins. “A proteção individual também é muito importante. Quanto menos pessoas infectadas, menores as chances de transmissão dos vírus”, ressalta Maierovitch. PESQUISAS. Segundo os especialistas, para se prevenir do mosquito, são recomendados instalação de telas em janelas e vãos, uso de repelente, de inseticidas, entre outras medidas. Atualmente, todas as doenças transmitidas pelo Aedes aegypti estão sendo estudadas. Elas podem levar à morte, e ainda não existe um tratamento específico para elas. As pessoas infectadas são orientadas a fazer repouso e hidratação. De acordo com a médica Marilene Lucinda, especialista em vacinas do Grupo Hermes Pardini, uma vacina contra a dengue, produzida pela empresa Sanofi-Aventis, já teve registro concedido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária

(Anvisa) e agora aguarda definição de valor para ser comercializada. “Ela será comercializada somente em clínicas privadas de vacinação, com previsão para junho/julho deste ano, mas sem valor definido ainda. Serão três doses, com intervalo de seis meses. A vacina será destinada a pessoas de 9 a 45 anos, pois não apresentou eficácia adequada para outros grupos”, menciona. Segundo a médica, uma vacina desenvolvida pelo Instituto Butantã também está sendo testada. Vacinas e soros relacionados ao zika vírus e à chikungunya também estão sendo elaborados e testados.

MITOS E VERDADES Quem já teve dengue uma vez não terá mais a doença? Todas as pessoas precisam fazer exames de sangue para identificar a doença?

Ao identificar sintomas como fortes dores no corpo, de cabeça, vômitos e náuseas constantes, é necessário procurar atendimento em uma unidade de saúde? É possível evitar a dengue?

Só é preciso se preocupar com a proliferação do mosquito durante o período de chuvas? O uso do fumacê é suficiente para evitar a dengue?

Se não for diagnosticada a tempo, a doença pode levar a pessoa à morte? O tratamento consiste basicamente na hidratação e no uso de sintomáticos?

O mosquito da dengue só se reproduz em água limpa?

EXPEDIENTE GERENTE COMERCIAL ALESSANDRA SOARES COORDENADOR DE PROJETOS ESPECIAIS TADEU CAMPOS EDITORA DE PROJETOS ESPECIAIS DAYSE RESENDE TEXTOS JULIANA SIQUEIRA MÁRCIA XAVIER DIAGRAMAÇÃO E ARTE ANDRÉ LUIZ BARROS SILVA MATEUS SANTANA

Qualquer picada do mosquito transmite a doença?

REVISÃO NAÍSA GÉCIDA PAULIANE COELHO

Ar-condicionado e ventiladores matam o mosquito?

Este caderno é parte integrante do jornal O TEMPO e não pode ser vendido separadamente.

Velas de citronela ou andiroba ajudam no combate ao mosquito? EDITORIA DE ARTE / O TEMPO


LEO FONTES

Cenário

desafiador !"#$%&'(#)*+,-&

Febre, dores, manchas no corpo. Quando esses elementos são citados, tendo em vista o cenário atual, não é difícil visualizar um possível quadro de alguma doença causada pelo Aedes aegypti. Em um primeiro momento, pode ser que a definição de zika, dengue ou chikungunya não surja sem os exames específicos, graças às suas semelhanças. Mas especialistas alertam que o diagnóstico precoce é muito importante, já que ele será o responsável por uma atenção maior ao enfermo e pode agir até para salvar vidas da maior vilã de todos: a dengue, potencialmente mais letal. Dados da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES) mostram o quanto é necessário estar vigilante: somente neste ano, até o último dia 14, já haviam sido registrados 193.541 casos prováveis de dengue no Estado. Na capital, de acordo com os números divulgados pela Prefeitura Municipal de Belo Horizonte (PBH), eram 31.121 casos notificados até o dia 11, sendo a região do Barreiro a que mais tem casos confirmados, com 1.501 (veja mais no infográfico ao lado). “Há muito lixo e entulho espalhados pelo bairro, que servem de criadouro para o mosquito. Na minha rua, a maior parte dos moradores já foi picada pelo Aedes aegypti. Os lotes vagos também contribuem para a proliferação das larvas. Com a chuva dos últimos dias, há muita água parada em garrafas pet e pneus abandonados. É uma situação desesperadora”, diz a dona de casa Maria Francisca de Oliveira, 71, moradora do Barreiro. E, quando tudo isso relatado por Maria Francisca resulta em doenças, como identificá-las? Conforme res-

“

Há muito lixo e entulho espalhados pelo bairro, que servem de criadouro para o mosquito. Na minha rua, a maior parte dos moradores já foi picada pelo Aedes aegypti.” Maria Francisca Dona de casa

salta Marise Fonseca, infectologista e professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), nem sempre as pessoas apresentarão todos os sintomas. Além disso, alguns, como a febre, podem variar de intensidade, de acordo com a enfermidade. “No caso da dengue, a febre é mais intensa. Já o zika, caso provoque febre, esta costuma ser mais baixa e com duração menor. Pacientes com chikungunya, geralmente, também apresentam febre mais baixa em comparação à dengue”, diz. Ela ainda explica que as manchas pelo corpo, por exemplo, são mais comuns nos casos de zika; já as dores musculares se fazem mais presentes nos quadros de dengue; as dores arti-

culares, por sua vez, são mais características da chikungunya. Para saber com mais exatidão, os exames revelam sua eficácia. Conforme ressalta Mariana Cerqueira, médica e diretora-técnica do Laboratório São Marcos, hoje já é possível ter resultados mais ágeis. “No caso da dengue, há o chamado teste rápido, cujo resultado sai em poucas horas. Não é necessário esperar o sistema de defesa do corpo agir, como antigamente, para fechar o diagnóstico, o que durava alguns dias. Com isso, quanto antes a pessoa souber, mais atenção poderá dar à doença”, diz. O teste para chikungunya é feito após alguns dias de sintomas, mas os resultados podem sair depois de algumas horas. Já o exame para detectar o zika vírus é mais complexo.

ESPECIAL SAÚDE - AEDES AEGYPTI

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Belo Horizonte, SÁBADO, 19 DE MARÇO DE 2016


4 ESPECIAL SAÚDE - AEDES AEGYPTI 4 O TEMPO · Especial Belo Horizonte, SÁBADO, 19 DE MARÇO DE 2016 Belo Horizonte, SÁBADO, 19 DE MARÇO DE 2016

SAIBA MAIS SOBRE O AEDES AEGYPTI ORIGINÁRIO DA ÁFRICA, O MOSQUITO CHEGOU AO PAÍS NO SÉCULO XVI Ciclo de vida

Ovos

Pupa

ECLODEM EM ATÉ QUATRO DIAS

ÚLTIMA ETAPA DA FASE AQUÁTICA E PODE DURAR DE 1 A 2 DIAS

Cor de café ou preta

Larva FICA NA ÁGUA POR ATÉ DEZ DIAS

Tem seis músculos em cada pata tubular para flexionar suas articulações

Saco de ovos Média de vida

30 dias Listras brancas no corpo e nas pernas

PELE Canal digestivo

CAPILAR SANGUÍNEO

Horários de maior atividade

Tubo digestivo É o canal por onde o sangue passa ao ser sugado

TAMANHO REAL T

Início da manhã ou fim da tarde

0,5 cm

Detalhe do aparelho bucal

A PICADA

Mandíbulas São responsáveis pela abertura da pele

Lábio Cobre a mandíbula quando ela não é usada Maxilar Tem bordas serrilhadas para cortar a pele

Ao pousar sobre a pele, o mosquito mostra o seu aparelho bucal deslizando seu lábio

Pode aumentar de 2 a 4 vezes seu tamanho depois de uma picada

A mandíbula é injetada na pele até encontrar sangue

Voa a cerca de 1,5 m do chão, a uma velocidade média de 1,6 a 2,4 km/h

A saliva contém um anticoagulante que pode provocar reação alérgica

O QUE É O ZUMBIDO?

A fêmea do Aedes aegypti está apta para a reprodução após 24 horas de nascida; cerca de 40 a 50 ovos são postos de uma vez. Para isso ela necessita se alimentar de sangue. Ao longo da vida, ela pode depositar 1.500 ovos, que resistem por até um ano em locais secos

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Em seguida, o inseto se alimenta sugando sangue

Ele é produzido pelo inseto ao bater suas asas entre 500 e 600 vezes por segundo


5 5 Belo Horizonte, SÁBADO, 19 DE MARÇO DE 2016 ESPECIAL SAÚDE - AEDES AEGYPTI

TEMPO19·DE Especial Belo Horizonte,OSÁBADO, MARÇO DE 2016

EDITORIA DE ARTE/OTEMPO

CHIKUNGUNYA

30%

DENGUE NO BRASIL São as pessoas infectadas que não desenvolvem os sintomas

ZIKA

80%

São as pessoas infectadas que não desenvolvem os sintomas

PARA FUGIR DO MOSQUITO

1955

Antigo transmissor da febre amarela, o mosquito chegou a ser erradicado do Brasil

1960

No fim da década de 60, o afrouxamento das medidas de saúde fez com que ele fosse reintroduzido no país

1973

Nova erradicação chegou a ser anunciada, mas durou menos de três anos

1981

Apesar de existirem relatos de dengue no Brasil desde o fim do século XIX, a doença só foi documentada clinicamente em 1981, em Boa Vista, em Roraima

1986

O Rio de Janeiro e algumas capitais do Nordeste tiveram epidemias da doença, que se espalhou pelo país

1996

Ano em que começou a ser feita a medição histórica em Belo Horizonte

2015

O Brasil registrou recorde de contaminações por dengue, com 1,6 milhão de casos registrados

2016

Atualmente, o mosquito está presente em todos os Estados brasileiros

COMO USAR

REPELENTES

IR 3535 Quem pode usar Adultos, gestantes e crianças de 6 meses a 2 anos Tempo de proteção Duas horas Nome comercial Loção antimosquito Johnson's

Cuidado ao aplicar em crianças. Como elas costumam levar as mãos à boca, é melhor não passar o produto nas mãos delas. Não aplique o produto próximo a áreas sensíveis, como olhos, nariz, boca e genitais. Aplique o repelente no máximo três vezes ao dia e sempre lave as mãos após utilizar o produto. Um médico deve ser procurado no caso de suspeita de reação alérgica, ou adversa ou intoxicação.

DEET Quem pode usar Adultos, gestantes e crianças a partir de 2 anos Tempo de proteção Seis horas (adultos) e duas horas (crianças) Nome comercial Off, Autan, Repelex ICARIDINA Quem pode usar Adultos, gestantes e crianças a partir de 2 anos Tempo de proteção Dez horas Nome comercial Exposis

Elimine recipientes com água parada

Limpe bem as calhas do telhado

Mantenha bem fechados tonéis, caixas d'água, barris e outros recipientes

Jogue no lixo objetos que possam acumular água, como garrafas e pneus velhos.

Fique atento para os bebedouros de cães e gatos. Troque a água deles diariamente e lave-os pelo menos uma vez por semana

Use repelentes, instale telas em portas e janelas

DENGUE Dor atrás dos olhos

Dor de cabeça

Sede excesssiva

Febre alta, 39ºC a 40ºC

O TRATAMENTO Ainda não existe vacina para nenhuma das três doenças. O único meio de evitar a transmissão do vírus é não tendo contato com o mosquito Aedes aegypti. O tratamento para as

três doenças é o mesmo, atacando os sintomas, com uso de medicação para febre e para as dores articulares, além de repouso absoluto e ingestão de líquidos em abundância.

Coceiras e manchas na pele

ZIKA VÍRUS RISCOS DA DENGUE HEMORRÁGICA

Náuseas e vômitos

Dores abdominais

Dores nos ossos e nas articulações

Pode acontecer com pessoas que já tiveram dengue e contraíram o vírus pela segunda vez. Também está sujeito quem usa ácido acetilsalicílico ou o paciente que demora a buscar ajuda médica.

Sintomas: Febre, coceira, manchas vermelhas no corpo e dor atrás dos olhos, na cabeça, no corpo e nas juntas. Em gestantes, os vírus podem causar uma malformação cerebral no feto – microcefalia, em que o perímetro de cabeça é menor do que 32 cm.

CHIKUNGUNYA Sintomas: Febre acima de 39°C de início repentino, dores intensas nas articulações dos pés e das mãos – nos dedos, nos tornozelos e nos pulsos. Pode ocorrer dor de cabeça, dores nos músculos e manchas vermelhas na pele.


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ESPECIAL SAÚDE - AEDES AEGYPTI 6 Belo Horizonte, SÁBADO, 19 DE MARÇO DE 2016 Belo Horizonte, SÁBADO, 19 DE MARÇO DE 2016 O TEMPO · Especial

FOTOS LEO FONTES

Educação. No Colégio Dona Clara, alunos aprendem desde cedo a combater os focos do mosquito

Todos contra o mosquito !"#$%&'(#)*+,-& ____ Quando se fala em ações contra o Aedes aegypti, quase todo mundo já tem a resposta na ponta da língua: para evitar que o inseto se reproduza, são necessárias atitudes que podem ser tomadas por todos, sem qualquer tipo de sacrifício ou de dificuldade. Mas se isso é uma realidade, outra também pode ser vista diariamente entre a vizinhança ou mesmo na própria casa: os criadouros do mosquito são mais comuns do que se pensa e podem estar bem mais próximos de nós do que imaginamos. Se na teoria todo mundo sabe o que fazer para manter esse inimigo longe, a prática mostra que, às vezes, a atenção dada a ele nem sempre é a melhor. Lugares que parecem inofensivos ou que não recebem muitas visitas podem estar servindo

para criar mais insetos e propagar doenças, afetando um grande número de pessoas. Mas a boa notícia é que se a luta contra o Aedes aegypti está em alta, também está a vontade de cuidar de si mesmo e do próximo. Marília Faria, professora, é um exemplo disso. Sempre preocupada em saber mais a respeito do assunto e em procurar formas de ajudar a combater o mosquito, ela se mantém bem atenta ao que acontece ao redor dela. “Vigiar os focos em nossa casa e na casa de vizinhos, sem invadir a privacidade deles, é supernecessário. No meu bairro, por exemplo, muitos imóveis construídos nem sempre têm telhado e, da minha casa, observei um dia que a lage do vizinho, talvez pela inclinação ou mesmo pelo entupimento das calhas, estava empossando água. Alertei a ele sobre o problema e a situação foi resolvida”, conta. DESDE CEDO. E não são somente os adultos que têm se mobilizado para enfrentar o mosquito: as crianças também já têm feito a sua parte e, inclusive, ensinado muitas pessoas. Prova dis-

so são os alunos do Colégio Dona Clara, localizado na região Pampulha, em Belo Horizonte. Os pequenos recebem, de maneira lúdica, ensinamentos de como eliminar o mosquito e acabam reproduzindo o que aprenderam por onde eles vão. “As crianças precisam entender e trabalhar com a saúde delas e dos outros. Fazemos um trabalho de conscientização e ensinamos que todos devem contribuir”, destaca Márcia Amaral, coordenadora pedagógica da educação infantil ao primeiro ano da instituição. “Elas ouvem muitas notícias a respeito do assunto e trazem questionamentos, que são todos sanados”, diz.

Manter o “inimigo” longe é uma das melhores formas de evitar a proliferação de doenças

“

É muito importante a verificação diária da casa, dos locais de trabalho. Também devemos conscientizar outras pessoas.” Marilia Faria professora

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Construímos mosquitos com garrafas pet para as crianças visualizarem melhor. Trabalhamos tudo relacionado ao Aedes: reprodução, sintomas da doença, entre outros.” Márcia Amaral, coordenadora pedagógica da educação infantil ao primeiro ano do Colégio Dona Clara


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TEMPO · Especial Belo Horizonte,O SÁBADO, 19 DE MARÇO DE 2016

Governos

Belo Horizonte, SÁBADO, 19 DE MARÇO DE 2016

!"#$%&'()*+, ____ Mutirões, campanhas, formação de equipes. Com a propagação do Aedes aegypti, diferentes ações e mobilizações estão sendo realizadas no país, unindo todas as esferas da sociedade. Essa união em prol do combate ao mosquito tem ganhado tanta visibilidade que foi, inclusive, elogiada pela diretora-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Margareth Chan, em recente visita ao Brasil. Na ocasião, Margareth disse que nunca tinha visto uma liderança atacar o problema com tamanha rapidez e seriedade. A diretora-geral também afirmou ter ficado impressionada com o envolvimento da comunidade civil e política, dos setores religiosos e da classe empresarial. De acordo com o subsecretário executivo substituto do Ministério da Saúde, Neilton Oliveira, para o alcance de resultados positivos é realmente necessária a colaboração de todos, pois é preciso manter a regularidade da inspeção para a eficácia no combate. “O ciclo de vida do Aedes aegypti dura cerca de sete a dez dias, do ovo à fase adulta. Precisamos manter a regularidade para não deixá-lo nem nascer”, comenta. Oliveira diz ainda que entre as medidas adotadas estão a criação de salas para controle e coordenação de ações de combate e visitas domiciliares para eliminar focos do Aedes aegypti e orientar a população sobre as precauções necessárias, uma vez que a maioria dos criadouros se encontra nas residências. “Mais de 88% dos imóveis do país já foram visitados. A meta é vistoriar todos. Já há até um decreto para acesso aos imóveis fechados”, afirma. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), agindo uma vez por semana na limpeza de criadouros, a população impede que ovos, larvas e pupas do mosquito cheguem à fase adulta, freando assim a transmissão das doenças causadas pelo Aedes aegypti. Visando fazer com que as pessoas separem ao menos dez minutos de sua semana para limpar os locais em suas casas nos quais o mosquito possa se desenvolver, está sendo feita no Estado a Campanha “10 minutos contra a dengue”. “Os ovos do mosquito podem ficar viáveis até um ano. Então é muito importante que a população se una para combater essa epidemia”, frisa Rodrigo Said, superintendente de Vigilância Epidemiológica, Ambien-

intensificam ações LEO FONTES

Proteção. Em BH, a prefeitura instala telas de proteção com inseticida em janelas de casas onde residem gestantes ALEX DE JESUS/ARQUIVO

“

Mais de 88% dos imóveis do país já foram visitados. A meta é vistoriar todos. Já há até um decreto para acesso aos imóveis fechados.”

Belo-horizontinos também contam com o apoio do Exército para combater as larvas do Aedes aegypti

tal e Saúde do Trabalhador da SES-MG. Segundo ele, para o ano de 2016 o orçamento aprovado para as ações que envolvem vigilância epidemiológica e ambiental nos municípios mineiros soma R$ 82 milhões. Também já foram distribuídos folders com orientações à população mineira; comitês foram criados para articular, coordenar e avaliar ações destinadas ao controle do Aedes

NEILTON OLIVEIRA SUBSECRETÁRIO EXECUTIVO SUBSTITUTO DO MINISTÉRIO DA SAÚDE

aegypti, e oficinas foram realizadas em escolas. Além disso, salas de hidratação, com distribuição de kits, estão sendo instaladas no Estado. Mutirões em residências e em prédios públicos também estão sendo realizados. Em Belo Horizonte, entre as inúmeras ações, a prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMSA), está instalando, desde a semana passada, telas de proteção com

inseticida em janelas de casas onde residem gestantes. A prioridade é para grávidas que moram em locais de confirmação de circulação do zika vírus e que estejam no primeiro ou no segundo trimestre de gestação. “Estamos desenvolvendo um conjunto enorme de ações consistentes para mobilizar instituições e pessoas. Acredito que por isso haja tanto engajamento”, conclui o subsecretário Oliveira.


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8 ESPECIAL SAÚDE - AEDES AEGYPTI 8 O TEMPO · Especial Belo Horizonte, SÁBADO, 19 DE MARÇO DE 2016 Belo Horizonte, SÁBADO, 19 DE MARÇO DE 2016

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No momento ainda estamos identificando as possíveis complicações da infecção pelo zika vírus, mas já é conhecida a possibilidade de transmissão da dengue durante a gestação.” SIVANA DINIZ GINECOLOGISTA E OBSTETRA

Gestantes reforçam

cuidados !"#$%&'()*+, ____ Repelentes, mosquiteiros, vestuário adequado. Com o surto de Aedes aegypti, muitas gestantes têm adotado medidas para afastar o mosquito e tentar evitar a contração das doenças transmitidas por ele. “Procuro usar roupas compridas, sapatos fechados e repelente, até mesmo por cima das vestimentas. Também comprei inseticidas elétricos para usar em casa e na sala onde trabalho”, revela a analista de qualidade Juliana Pevidor, 30. Grávida de uma menina, ela, que está no quinto mês de gestação, diz que tem recebido alertas de várias pessoas. “O tempo todo me perguntam: ‘você está tomando banho de repelente, não é?!’. Normalmente eu acho graça e digo que estou me cuidando, sim”, comenta a analista. CAUTELA. Segundo o obstetra Bruno Alencar, todas essas ações são realmente recomendadas. “É muito importante ter um cuidado direcionado. Isso também vale para as pessoas que convivem com as grávidas. Quanto mais distante o mosquito ficar, menor a chance de contrair as doenças transmitidas por ele”, frisa. De acordo com o obstetra,

em relação aos repelentes, os mais indicados são à base de Icaridina, que tem maior tempo de duração, e também os à base de DEET. “Ambos são eficazes e seguros para a gravidez”, garante o especialista. Segundo a médica ginecologista e obstetra Sivana Santos Assreuy Diniz, entre as iniciativas recomendadas também está evitar locais onde exista grande concentração de Aedes aegypti ou casos das doenças transmitidas por ele. “Vale lembrar que no momento ainda estamos identificando as possíveis complicações da infecção pelo zika vírus, mas já é conhecida a possibilidade de transmissão da dengue durante a gestação, e essa associa-se a abortamento, parto prematuro, baixo peso no nascimento e quadros de hemorragia na mãe”, ressalta. INSEGURANÇA. Por falar em zika vírus, os obstetras contam que algumas mulheres estão evitando a gravidez por conta dele. “Tenho pacientes que estão adiando os planos, outras que estão grávidas e foram passar uma temporada em países com menor incidência e só retornarão ao Brasil para o parto”, comenta Alencar, que diz não ver necessidade de adiar a gestação ou de morar fora do país, embora frise a importância das medidas de proteção contra o mosquito. ESTUDOS. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu a relação entre a microcefalia e o zika vírus, mas diversos estudos ainda

estão sendo realizados a respeito do assunto. A princípio, segundo Alencar e Sivana, vale ressaltar que, ao que tudo indica, nem toda gestante infectada transmite o vírus para o bebê. “Quando uma gestante é infectada por um vírus, ele pode ficar restrito à placenta ou atravessá-la e alcançar o bebê. Entretanto, o contato do feto com o vírus nem sempre resultará em infecção ou acarretará o desenvolvimento de complicações na criança. Esse parece ser, também, o comportamento do vírus zika”, explica Sivana. Mãe de três meninas, sendo duas com microcefalia, Viviane Lima diz que o diagnóstico da doença não precisa ser sinônimo de desespero. “A microcefalia das minhas filhas foi uma questão de genética. As duas têm dislexia, mas andam e falam. Sempre as estimulei e as socializei”, relata Viviane, que tem um grupo no WhatsApp e outro no Facebook nos quais divide experiências com outras mães.

Proteção. Grávida de cinco meses, Juliana Pevidor usa roupas compridas, além de inseticidas elétricos


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