Política pública. Prefeitura investe em saúde pensando no morador, e também de olho no turista. Página 2
R$ 2,00 (outros Estados R$ 3,00) - www.otempo.com.br - Tiradentes - Ano 23 - Número 8394 -DEZEMBRO DE 2019 FLÁVIO TAVARES
Patrimônio. Serra de São José (ao fundo), que deu origem a Tiradentes e hoje emoldura a cidade, tem processo de tombamento retomado após 40 anos. Reconhecimento pode gerar recursos para preservação, em especial contra exploração imobiliária, pastagem clandestina e turismo predatório. Outros cinco bens podem ser tombados no município. Páginas 6 e 7 NATÁLIA ALVARENGA/DIVULGAÇÃO
Campo das Vertentes. Retomada começaria já no mês de janeiro
TURISMO
Cidades históricas podem voltar a ter voos comerciais
Tiradentes: cenário perfeito para assistir a um filme.
LUIZ CESAR COSTA/DIVULGAÇÃO
Páginas 1 a 8
Rotas são para Belo Horizonte, Campinas (SP) e Rio de Janeiro EMBAIXADOR Chef Felipe Oliveira quer levar Tiradentes para todo o Brasil. Página 6
¬ Tratativas com a empresa Om-
ni Táxi Aéreo estão avançadas, segundo empresários de São João del Rei, cidade que abriga o Termi-
nal Prefeito Octávio de Almeida Neves. A expectativa é que a alternativa de transporte incentive o turismo em toda a região, com nove
pousos semanais. Procurada, a empresa informou que poderá operar no aeroporto “no momento devido, se necessário”. Página 3 FLÁVIO TAVARES
STREAMING Cidade recebe roteiristas de séries para televisão.
Festival vai fazer homenagem a 300 anos de Minas. Página 8
Região abriga fazenda onde nasceu alferes ¬ Local onde inconfidente vi-
veu com os pais, em Ritápolis, tem belas ruínas e notável reserva ambiental, mas convive com danos causados pelo abandono. Páginas 4 e 5
Capa
GASTRONOMIA
Casa de Tiradentes
m.
Pedro e Sino das Almas. Há dez anos, o badalar dos sinos e a profissão de sineiro foram reconhecidos como patrimônio imaterial. Na cidade, eles têm nome próprio e passam até por ritual de batismo. Página 3
COLUNISTA RALPH JUSTINO Não podemos nos acomodar Página 2
2 | O TEMPO TIRADENTES | DEZEMBRO DE 2019
aparte@otempo.com.br
TIRADENTES
A.PARTE
RALPH JUSTINO
Não podemos nos acomodar
Minientrevista
G
FLAVIO TAVARES - 24.6.2019
F
Zé Antônio do Pacu
PREFEITO DE TIRADENTES (PSDB)
Prefeito fala de investimentos para moradores que se refletem também no turismo da cidade. Ele reclama de ajustes no orçamento necessários por causa do atraso nos repasses do governo estadual e se coloca como alternativa para a reeleição no ano que vem.
‘Tiradentes tem saúde. O turista está vindo para um lugar seguro.’ Como é governar uma cidade voltada para o turismo no centro histórico e ao mesmo tempo para a população que mora nos bairros do entorno e precisa de serviços públicos? Se você vai administrar uma cidade turística, primeiro: para a pessoa que mora na cidade receber bem o turista, ela tem que estar feliz. Então como uma pessoa que morava em Tiradentes estaria feliz se ela não tinha saúde para a família dela, se ela não tinha uma rua bem arrumada, um material escolar de qualidade e uniforme para os filhos, uma cidade que não tratava o lixo. Nós tínhamos um lixão a céu aberto. Colocamos atendimento de urgência e emergência. A Casa de Saúde eu praticamente peguei ela fechada, sem luz, equipamento e mobiliário. Nos primeiros meses eu precisei pedir aos prefeitos da região que me emprestassem utensílios e maquinários. Fizemos treinamento com os profissionais de três meses e equipei a Casa de Saúde. Lançamos há dois meses a sala de estabilização, que salva vidas. Foram R$ 200 mil investidos nessa sala. Hoje, o empresário que vende os pacotes das suas pousadas pode vender que Tiradentes tem saúde também. O turista está vindo para um destino seguro. Desde julho, os turistas estão proibidos de estacionar no centro histórico. Cinco meses depois, sua avaliação é positiva? Foi uma determinação do Ministério Público Federal. Nosso centro histórico é muito frágil. A maior parte das edificações é de pau a pique, de
ra que o ministério refaça o mapa.
“Se a população e o partido quiserem, meu nome está à disposição da reeleição” adobe. São estruturas frágeis, inclusive nossas igrejas. A Igreja da Matriz é feita de taipa. É uma construção frágil. A população aceitou bem, e os turistas também. A gente escuta inclusive elogios dos turistas pedindo para preservar esse centro histórico, que é o mais original do país. Recentemente a prefeitura lançou o site chamado “Destino Tiradentes” que reúne informações sobre o turismo na cidade. Mas a cidade também teve a nota reduzida de A para B no Mapa do Turismo, do governo federal. Essa é a primeira vez nos 320 anos de história que o poder público faz um orçamento para o turismo em Tiradentes e investe nessa área. O turismo daqui, na realidade, era tocado pela iniciativa privada. O poder público tem que trabalhar junto com a iniciativa privada. Fizemos uma revista própria de 300 anos da cidade. Tiradentes hoje está sendo divulgada. Sobre o Mapa do Turismo, estamos averiguando e correndo atrás pa-
O Estado tem uma dívida com Tiradentes, já que os repasses obrigatórios de 2018 não foram feitos e devem chegar ao município apenas no ano que vem, conforme acordado. Como a administração do senhor lidou com a falta desse dinheiro? Nós tivemos que fazer uma administração racionando luz e pedindo aos funcionários para economizarem papel e escreverem no verso, porque todas as contas que eram do Estado eu paguei com recursos municipais. Então, esses recursos que seriam usados para fazer obras, não pude fazer. Eu entendo que é no município que mora o cidadão. Ele não mora no Estado, nem no país. É na cidade que ele tem saúde, educação e que usa os serviços públicos. Então, ao meu ver, o (ex-governador Fernando) Pimentel rasgou a Constituição brasileira e o (governador Romeu) Zema começou rasgando também. Ainda bem que viu a tempo e corrigiu o erro dele porque nos seis primeiros meses os repasses devidos não foram feitos. Além disso, eu tive que lidar com a irresponsabilidade de prefeitos anteriores e pagar um precatório de R$ 1,6 milhão (referente a um terreno) no primeiro ano de administração. Ano que vem é ano de eleição municipal. O senhor é candidato à reeleição? Eu estou à disposição do partido. Se a população e o partido quiserem, meu nome está à disposição da reeleição. (Pedro Augusto Figueiredo)
undada tendo como base da economia a exploração do ouro, e sem outra atividade econômica significativa por mais de dois séculos, Tiradentes só começou uma nova operação com uma pequena relevância por volta dos anos 60, com a utilização da prata para a confecção de joias e artesanato. Foi no final do século XX, com o investimento no turismo e com foco na economia criativa, com o lançamento da Mostra de Cinema e do Festival de Gastronomia, em 1998, que Tiradentes se posicionou como uma das mais importantes cidades turísticas do interior do Brasil. Surgiram eventos como Foto em Pauta, Tiradentes em Cena, Festival de Vinho e Jazz, Trembier (cerveja artesanal), Artes Vertentes e, mais recentemente, Semana Criativa, Fórum do Amanhã e Natal Iluminado. Apesar do destaque de Tiradentes no cenário nacional, não podemos nos acomodar. Numa iniciativa do Instituto Vertentes Vale - Indústria da Inteligência foi criado um espaço múltiplo com coworking para compartilhamento de trabalho e incubadora de startups, duas já em desenvolvimento – Whisgo, para redes de viagens, e Doinbook, focada na gestão inteligente para empresas de eventos –, que começa a se destacar nacionalmente. Em parceria com a Universidade Federal de São João del Rei (UFSJ) estamos dando oficinas de robótica e programação, além de histórias em quadrinhos para alunos de uma escola pública de Tiradentes. Dando continuidade aos trabalhos realizados no Vertentes Vale, foi criado em São João del Rei o Grupo de Trabalho de Desenvolvimento e Inovação (GDI), para nossa região que tem as seguintes entidades envolvidas: UFSJ, Instituto Federal Sudeste, Uniptan, ACI Del Rei, Sindjovem, Grupo Roquefort, Vertentes Vale e Sebrae. A colaboração entre grupos é essencial para criar um novo polo de tecnologia e de inovação, que possa beneficiar toda a região e proporcionar para nossos jovens condições melhores de trabalho e de renda.
“Esperamos desenvolver nossa região e ser um exemplo para que outras cidades possam se espelhar na nossa experiência e transformar suas realidades.”
TRANSFORMAÇÕES. O projeto Criar Pontes é mais uma parceria que fortalece nossos esforços para inovação e tecnologia em nossa região. Trata-se de unir Tiradentes e Santa Rita do Sapucaí, conhecida como o Vale da Eletrônica, de um modo que as duas cidades troquem experiências nas áreas de turismo, inovação e educação. Trabalho e vontade de fazer a diferença unem todos esses projetos. Esperamos desenvolver nossa região e ser um exemplo para que outras cidades do interior do Brasil possam se espelhar na nossa experiência e, por meio da economia criativa, transformar suas realidades.
Ralph Justino é coordenador do Fórum do Amanhã e diretor de marketing do Instituto Vertentes Vale. Ele também foi prefeito de Tiradentes, entre os anos de 2013 e 2016, e idealizador dos festivais de Cultura e Gastronomia e de Cinema da cidade, além de ter trabalhado como diretor de cinema, por quase seis anos, até 1984.
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Tiradentes
Campo das Vertentes. Rotas seriam para BH, Rio e Campinas; comerciantes falam em retomada a partir de janeiro
Aeroporto pode voltar a operar voos comerciais no ano que vem FLAVIO TAVARES
TerminalemSãoJoãodelRei temapenaslinhasfretadas eparticularesháseisanos; retornofavoreceeconomia
REPRODUÇÃO/FACEBOOK
Negociações
¬ RAFAELA MANSUR ¬ Após seis anos, o Aeroporto Pre-
feito Octávio de Almeida Neves, de São João del Rei, no Campo das Vertentes, pode voltar a operar voos comerciais. Segundo empresários da cidade, estão avançadas as tratativas com uma empresa aérea para a criação de rotas para Belo Horizonte, Rio de Janeiro (RJ) e Campinas (SP) já a partir do próximo ano. A expectativa é que a nova alternativa de transporte incentive o turismo em toda a região. O terminal recebeu R$ 32 milhões em investimentos do governo mineiro e da Aeronáutica entre os anos de 2005 e 2007, quando foi inaugurado. Em 2008, o aeroporto chegou a atender 16,8 mil passageiros ao ano, mas, desde 2009, esse número começou a cair, e, em janeiro de 2014, a Azul, única empresa que atuava no local, encerrou a operação. Um ano antes, o Estado ainda investiu R$ 1,5 milhão na compra de um caminhão contra incêndio para aumentar a segurança e tentar manter os voos comerciais no aeroporto. Segundo o presidente do Conselho Superior da Associação Comercial de São João del Rei, José Primeiro Teixeira Neto, as conversas com a Omni Táxi Aéreo para a retomada das operações regulares no terminal já estão adiantadas. O retorno deve ocorrer, de forma gradativa, a partir de janeiro, com o uso de uma aeronave ATR 42-500. DEMANDA. O engenheiro de infraestrutura aeronáutica e proprietário
Saiba mais 0 Voe Minas. O aeroporto de São João del Rei fez parte do programa Voe Minas, projeto de integração regional criado pelo Estado em agosto de 2016. O projeto subsidiava voos entre Belo Horizonte e cidades do interior com o objetivo de fomentar negócios e desenvolver o turismo. As viagens eram realizadas em aviões de pequeno porte, com capacidade para até nove passageiros. 0 Encerrado. Em junho deste ano, o Estado anunciou a descontinuidade do programa.
“Apresentamos a proposta de três voos semanais – quarta, sexta e domingo. Fizemos um estudo que mostra que há demanda.”
Mozart Mascarenhas Alemão Funcionamento. Terminal recebeu voos comerciais por sete anos; intenção agora é ter nove pousos semanais no local
de uma pousada em Tiradentes – a apenas 12 km de São João –, Mozart Mascarenhas Alemão, acompanha as negociações e participou da elaboração de um estudo entregue à empresa indicando que há demanda na região. Ele conta que a proposta apresentada a Omni é que sejam realizados três voos partindo de cada cidade – Rio de Janeiro, BH e Campinas – por semana, totalizando nove pousos semanais no aeroporto do Campo das Vertentes. A ideia é que as viagens sejam às quartas e sextas, além de aos domingos, mas os detalhes ainda não foram acertados. A Omni informou que as operações com o ATR 42-500 “são realizadas de acordo com as demandas dos contratantes em diversos aeroportos” e que, “no momento devido, se necessário”, atuará em São João del Rei. A Anac informou que o terminal está aberto ao tráfego aéreo, mas, para receber voos regulares, deve antes haver um pedido da empresa aérea, o que ainda não ocorreu.
“Vai melhorar muito o turismo de lazer e de negócios. Belo Horizonte, São Paulo e Rio são nossos principais públicos, e a viagem de avião é muito mais rápida.” José Primeiro Teixeira Neto ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DE SÃO JOÃO DEL REI
“Pode ampliar o fluxo de turistas de todo país. O pessoal do Nordeste e do Sul, por exemplo, tem muita dificuldade de chegar aqui. Tem que descer em BH e alugar um carro. Pouca empresa faz esse traslado, e isso onera demais o custo da viagem.” Christian Silveira Bastos ASSOCIAÇÃO EMPRESARIAL DE TIRADENTES
EMPRESÁRIO QUE ACOMPANHA AS NEGOCIAÇÕES EDITORIA DE ARTE / O TEMPO
NOVOS VOOS Veja a proposta da retomada de operações comerciais no aeroporto de São João del Rei BA
ROTAS PROPOSTAS Campinas (SP)
GO
Rio de Janeiro (RJ)
MG
Belo Horizonte (MG)
BH
VOOS ÀS QUARTAS-
189 km SP
ES FEIRAS, SEXTAS-FEIRAS SÃO JOÃO DEL REI RJ
E DOMINGOS: NOVE POUSOS POR SEMANA EM SÃO JOÃO DEL REI
Em um raio de 100 km, o aeroporto pode atender os seguintes municípios: Tiradentes Santa Cruz de Minas Coronel Xavier Chaves Ritápolis Barroso São Tiago Carrancas
Conceição da Barra de Minas Nazareno Madre de Deus de Minas Piedade do Rio Grande Barbacena Ibertioga
FONTE: SECRETARIA DE ESTADO DE INFRAESTRUTURA E MOBILIDADE (SEINFRA) E EMPRESÁRIOS LOCAIS
Turismo
Economia
Em sete anos de operação, foram sete rotas diferentes
Retomada beneficia 13 municípios da região
Em sete anos de operação, o Aeroporto Prefeito Octávio de Almeida Neves operou sete rotas: Belo Horizonte, Juiz de Fora, na Zona da Mata, Varginha, no Sul de Minas, Rio de Janeiro (Galeão e Santos Dumont), São Paulo e Campinas (SP), segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). “O aeroporto conectou grandes centros com a região, que é extremamente turística, e facilitou a vinda de eventos. Houve um desenvolvimento muito grande”, avalia Ronildo Assis de Oliveira, secretário de Desenvolvimento Econômico de São João del Rei entre 2005 e 2008, época em que o aeroporto operou comercialmente. Ele salienta que as passagens “não são caras, e o trajeto é muito rápido”. “O turismo injeta recursos diretamente na economia, e as cida-
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des se beneficiam disso”, pontua. O aeroporto é de responsabilidade da Prefeitura de São João del Rei, mas, desde 2011, a empresa Socicam administra o local por meio de um contrato de concessão para operação, manutenção e exploração comercial por 15 anos. A Socicam informou que realizou investimentos no local, como na revitalização da área operacional e do terminal de passageiros, na compra de equipamentos e no combate a incêndio. Hoje, o aeroporto opera, principalmente, voos executivos, táxi aéreo e fretamentos, mas a Socicam busca a retomada das operações comerciais: “Trabalhamos continuamente junto às companhias aéreas com o objetivo de atrair voos compatíveis com a infraestrutura do local”, disse em nota. (RM)
Embora fique em São João del Rei, o aeroporto pode atender, em um raio de 100 km, outros 13 municípios (veja no quadro acima), de acordo com a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Mobilidade. Para o secretário de Administração de Tiradentes, Tomás Oliveira, a retomada das operações regulares no terminal é importante. “Beneficiaria muito o turismo de nossa cidade e da região”, pontua. O prefeito de São João del Rei, Nivaldo Andrade (PSL), diz que vê “com entusiasmo” a reativação: “Vai estimular o crescimento turístico e econômico de toda a região”. (RM)
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TIRADENTES
Ritápolis. Propriedade ‘escondida’ na região do Campo das Vertentes é uma das únicas do inconfidente que restaram FOTOS LEO FONTES
Terreno faz parte da Floresta Nacional de Ritápolis
Fazenda onde Tiradentes nasceu resiste ao tempo e ao abandono Casa e engenho de açúcar viraram ruína, mas história e beleza natural da propriedade permanecem ¬ LETÍCIA FONTES ¬ RITÁPOLIS. Bem pertinho de São
João del Rei, no município de Ritápolis, na região do Campo das Vertentes, uma placa indica: Fazenda do Pombal. Pela estrada de terra, sem muita sinalização, margeando o rio das Mortes, é possível chegar às terras que foram o berço da infância do mais famoso dos inconfidentes: Joaquim José da Silva Xavier. Tiradentes nasceu na propriedade em 1746, mas ninguém sabe o dia exato. O único registro que se tem é de que, naquele ano, ele foi batizado em 12 de novembro, data em que a reportagem de O TEMPO visitou a fazenda. A propriedade onde Tiradentes morou, até os 11 anos, com os pais e os seis irmãos é uma das únicas que restaram dos bens do inconfidente. Quando foi condenado, as autoridades salgaram (jogaram sal para tornar infértil) as terras que eram dele. Atualmente, o local faz parte da Floresta Nacional de Ritápolis, reserva ecológica administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), vinculado ao Ministério do Meio Ambiente (MMA). Diversas espécies de animais – algumas ameaçadas de extinção – vi-
vem na fazenda, cercada por Mata Atlântica e Cerrado. Tatus, raposas, tamanduás, capivaras e lobos-guarás são vistos com frequência. A flora de Ritápolis também tem o mais importante viveiro de mudas da região. São 70 mil de quase 400 espécies, que são vendidas ao público. DESCASO. O pesar, segundo moradores, está no descaso das autoridades com a Fazenda do Pombal. Na década de 70, a propriedade foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Ritápolis O prefeito de Ritápolis, Higino Zacarias (PSDB), quer incluir a fazenda na rota oficial Caminho Religioso da Estrada Real. “Fazemos o que podemos. Em 2016, a fazenda estava quase fechada por falta de funcionários. Desde então, tentamos viabilizar recursos, mesmo com a situação financeira precária. É a primeira vez que a fazenda fica aberta aos fins de semana e tem estagiários”.
Olhando de longe, até parece que está tudo bem, mas da casa e do engenho de açúcar só sobraram ruínas. A fazenda tem apenas dois funcionários, alguns estagiários e terceirizados da prefeitura. Uma ponte suspensa cruzando o rio das Mortes, que, segundo os antigos da região, Tiradentes usava para ir à escola, está fechada por falta de manutenção desde 2012. As trilhas, uma das atrações do local, estão tomadas pelo mato. Em 2016, a fa-
zenda chegou a ficar fechada por alguns meses por falta de porteiro. “Aqui é um sítio histórico da nação, que merecia mais cuidado. A figura de Tiradentes é emblemática, parte da história do país. (Aqui) vem sendo mantido até onde se pode, devido à escassez de recurso e de pessoal, mas é um lugar que merecia mais atenção”, lamentou o historiador José Antônio de Ávila, membro da Academia de Letras de São João del Rei e do Instituto Histórico e Geo-
Casa de apoio ao visitante é única construção ainda de pé na fazenda de Tiradentes
gráfico de Minas Gerais. Com uma média de 500 visitantes por mês, a maioria de excursões de escolas, a fazenda fica aberta ao público todos os dias da semana, das 7h30 às 16h30. O telefone do local não está funcionando, mas mais informações podem ser encontradas no perfil do Facebook Floresta Nacional de Ritápolis. A entrada é gratuita.
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Tiradentes
Transformações
Propriedade tinha 35 escravos em sua sede e produção de açúcar e ouro 7
RITÁPOLIS. A origem da Fazenda
do Pombal remonta ao ano de 1718, quando os bandeirantes a usavam como ponto de parada em suas incursões pelos sertões de Minas. Naquela época, ela era conhecida como “Parada de São Sebastião”. Quando Tiradentes nasceu, em 1746, a propriedade possuía uma área de 900 alqueires, produzia açúcar e ouro e dispunha de 35 escravos em sua sede. A casa, que desapareceu, tinha dois andares: a parte superior era usada como residência; e a inferior, como depósito de ferramentas, oficina de ferreiro, senzala e
engenho de produção de açúcar. Quando completou 11 anos, órfão de pai e mãe, Tiradentes deixou a fazenda e foi morar com seu padrinho, em São José del Rei, hoje Tiradentes. A fazenda, então, foi desmembrada e deu origem a mais três propriedades. Em 1948, foi adquirida pelo Ministério da Agricultura, já com a área reduzida a 89,5 hectares. De 1945 a 1950, a Fazenda do Pombal passou por outra mudança drástica: o terreno foi terraplenado em toda a área onde um dia fora construída a casa de “senhores” para a instalação de um
posto fixo agropecuário, com plantação de peral, mangueiral, criação bovina e suína. Hoje restam apenas alguns alicerces cobertos de vegetação. COMPREENSÃO. ‘Tetraneto’ de Tiradentes, o tenente-coronel reformado Adalberto Guimarães Menezes, 92, vê a história se perder. “Era pior. Antigamente, as pessoas iam com carro de boi para tirar as pedras das ruínas, as pessoas de São João (del Rei) não sabem que lá foi onde ele nasceu, não entendiam o valor”, pontuou Menezes. (LF)
Família
‘Tetraneto’ tenta preservar história RITÁPOLIS. A família de Adalberto Guimarães Menezes, 92, foi reconhecida como parente de Tiradentes. Duas primas do tenente-coronel reformado receberam o título de tetranetas do inconfidente. Menezes não quis ir atrás do reconhecimento e da burocracia, mas garante que também é tetraneto. A linhagem pode garantir uma pensão vitalícia de cerca de dois salários mínimos mensais paga pelo governo. Apesar de não ter se interessado pelo título, o militar dedica a vida a estudar a história do seu antepassado. Visitante frequente da Fazenda do Pombal, onde Tiradentes nasceu, Menezes chegou até a apresentar um projeto para transformar o lugar em um parque nacional dedicado ao mártir, mas as autoridades, segundo ele, não se interessaram pela ideia. “Eu mesmo não sei muitas histórias da família, era importante ter um local assim para a história não se perder”, avaliou o “tetraneto” de Tiradentes.
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aula para o quinto ano do ensino fundamental, levou alunos à fazenda. “É a oportunidade de ver in loco o que estudamos em sala de aula. A educação tem passado por transformações, temos que envolver os alunos, e nada melhor do que mostrar a história. A gente ama aquilo que conhece”, disse. Mas, nos últimos anos, a propriedade ficou fechada por alguns meses, e Vânia perdeu o hábito. “É uma pena o local estar esquecido, turistas vêm à cidade e nem sabem da fazenda”, afirmou.
‘Verba é suficiente’, diz ICMBio Para manutenção da Floresta Nacional de Ritápolis, onde fica a Fazenda do Pombal, há convênios com as prefeituras de Ritápolis e de Tiradentes, além da Universidade Federal de São João del Rei. Segundo o analista ambiental do ICMBio e chefe da unidade, Marco Túlio Simões, os recursos são suficientes. “Temos prioridades, trabalhamos em atividades de proteção ao meio ambiente e educação ambiental”, destacou. O Ministério do Meio Ambiente e o Iphan não se manifestaram.
Ávila mora em São João del Rei há pouco mais de três décadas. Por vários anos, a docente, que dá
FLÁVIO TAVARES
LIÇÃO. A professora Vânia Vilela de
Aos 92 anos, Adalberto Menezes busca saber mais sobre seu antepassado
Casa e engenho de açúcar viraram ruínas
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TIRADENTES
São José. Processo estava parado desde 1979 e agora foi retomado; expectativa é de conclusão até 2021
Serra que deu origem à cidade será tombada como patrimônio FOTOS FLÁVIO TAVARES
Meio ambiente. Bandeirantes paulistas descobriram a serra no século XVII e, interessados em explorar seus recursos minerais, deram origem ao povoado que hoje é Tiradentes; montanha emoldura toda a cidade
XVII, bandeirantes paulistas avistaram de longe um pico, de onde podiam avaliar a região onde queriam explorar ouro. Ao subirem, eles tiveram a visão de uma terra farta em pedras preciosas e recursos minerais e decidiram se instalar na área. Foi aí que teve início a povoação de Santo Antônio do Rio das Mortes, atual Tiradentes, no Campo das Vertentes. Agora, mais de 300 anos depois, o elevado que deu origem à cidade – hoje chamado de serra de São José – emoldura o centro histórico do município e está em vias de ser tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). As tratativas para o tombamento começaram em 1979, a pedido do Instituto Histórico e Geográfico de Tiradentes (IHGT), mas estavam paradas desde então. Somente em agosto deste ano é que o Iphan retomou o processo. A expectativa é que até 2021 o reconhecimento federal seja concluído. O processo é aguardado com ansiedade pela população, segundo o presidente do IHGT, Rogério de Almeida. “Estamos falando de uma área com grande biodiversidade, que precisa ser protegida e receber investimentos para conservação”, diz. Segundo o secretário municipal de Cultura e Turismo, Henrique Rohrmann, é urgente uma proteção maior à serra, que vem sendo vítima de cri-
BOOM. Um possível avanço da mineração e um boom imobiliário em uma área protegida ao redor da serra também amedrontam os moradores. “Uma mineradora já atua lá perto, mas está com a concessão vencendo. Não podemos abrir espaço para outras”, afirma Rohrmann.
Antes mesmo da conclusão do processo de tombamento, as irregularidades já estão no radar do Iphan, segundo a chefe do escritório técnico em Tiradentes, Camila Tangerino. “A gente já discute com o pessoal do IEF (Instituto Estadual de Florestas) a possibilidade de haver um controle no acesso à serra. Já sabemos da necessidade de ter ponto de recepção e até orientação em relação à conservação para quem for fazer trilha”, afirma. Esta não é a primeira iniciativa de preservação. Há 30 anos, a serra se tornou uma Área de Preservação Ambiental (APA) e, desde 2004, tem uma área considerada Refúgio de Vida Silvestre (Revs) de libélulas, o que garante proteção do Estado. Segundo o gerente da APA, Itamar Christófaro Silva, por essa razão, 15 pessoas ficam por conta da gestão do local. “Se não fosse a criação da APA, a serra estaria praticamente toda alterada”.
EDITORIA DE ARTE / O TEMPO
IMPORTÂNCIA HISTÓRICA E AMBIENTAL Conheça a serra de São José
Serra de São José, que pode ser vista de quase toda a cidade, deve ser tombada
PRADOS
CORONEL XAVIER CHAVES
SANTA CRUZ DE MINAS
Estrutura
TIRADENTES
SÃO JOÃO DEL REI
Nas encostas da serra, bandeirantes paulistas encontraram ouro no início do século XVII. Para explorar o metal, eles se fixaram e deram origem ao povoado de Santo Antônio do Rio das Mortes, atual Tiradentes, em 1718.
Vestígios históricos
¬ TATIANA LAGÔA ¬ Nas últimas décadas do século
mes ambientais, como incêndios criminosos e exploração irregular de plantas nativas para comercialização, especialmente orquídeas e bromélias. Há o uso da área para pastagem clandestina de animais, corte de árvores nativas para cercas e realização de trilhas por motoqueiros com a consequente destruição de caminhos históricos. Um exemplo de patrimônio ameaçado é a chamada “Calçada dos Escravos”, construída por escravos no século XVIII. Este era o caminho por onde se desviava ouro para não se pagarem os impostos à Coroa portuguesa.
Biodiversidade
Reconhecimento deve garantir proteção contra crimes ambientais, como pastageme cortede árvores
O bloco rochoso da serra de São José tem aproximadamente 12 km de extensão, com cerca de 1,2 km de largura, com predominância de quartzitos.
Mais tarde, a região sediou diversas reuniões da Inconfidência Mineira. Eles se encontravam ao pé da serra, na fazenda que pertenceu a Hipólita Jacinta de Melo, a única mulher inconfidente. A serra de São José tem resquícios de um tempo histórico, como a Calçada dos Escravos, um caminho de pedras feito por negros vítimas da escravidão no auge da mineração.
Segundo o IEF, a serra abriga cerca de 120 espécies de libélulas, quase 50% de todas as espécies conhecidas em Minas e 18% no Brasil. Também podem ser encontradas no local cerca de 240 espécies de aves, 80 de orquídeas e pelo menos nove espécies de mamíferos ameaçados de extinção, como o lobo-guará. FONTE: PESQUISA DIRETA
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Tiradentes
Patrimônio. Lista de tombamento tem ainda Museu da Liturgia, igreja do Rosário e Jubileu da Santíssima Trindade FLÁVIO TAVARES
Prefeitura quer tombar igreja matriz e chafariz Processodeveserconcluído atéo ano que vem; objetivo é garantir verba para investir em preservação ¬ TATIANA LAGÔA ¬ Uma cidade que parou no passa-
do. Esta é a sensação de quem percorre os becos e ruelas históricos ou visita as igrejas e casarões de Tiradentes. E não é por acaso que o clima colonial permanece vivo por lá: existe uma preocupação em preservar a história com um investimento constante no patrimônio. A prefeitura local até criou um plano de inventário, uma espécie de estudo para definir quais equipamentos devem ser tombados. No mês passado, cinco bens materiais e imateriais foram inventariados e, com isso, poderão ser beneficiados com o ICMS Patrimônio Cultural, um programa estadual de repasse de recursos para manter patrimônios.
Entraram na lista: a matriz de Santo Antônio, o chafariz São José, a igreja de Nossa Senhora do Rosário, o Museu da Liturgia e o Jubileu da Santíssima Trindade – os três primeiros já têm proteção federal. Até o ano que vem, esses bens inventariados deverão ser tombados pelo município. “Esses patrimônios são os que mais estão precisando de proteção. A igreja matriz e a do Rosário estão passando por reformas por conta das paróquias. Estas foram as únicas igrejas que não participaram do programa de restauração do BNDES, de 2009 a 2018, quando foram investidos mais de R$ 40 milhões em patrimônio”, afirma. Até setembro deste ano, quando houve o último repasse, a cidade garantiu R$ 150 mil em ICMS Cultural. A expectativa é fechar o ano com uma arrecadação de R$ 330 mil. O recurso será usado para investir em preservação. “A grande vocação de Tiradentes é o patrimônio
preservado”, afirma o secretário. Além dos bens inventariados, passarão por intervenções no próximo ano a estação de trem de César de Pina, na zona rural da cidade, com aporte de R$ 240 mil, e a Capelinha de Santo Antônio do Canjica, com gastos estimados em R$ 60 mil. A licitação das obras vai ocorrer até janeiro de 2020.
Museu da Liturgia
Igreja matriz de Santo Antônio É o principal templo católico de Tiradentes. A porta central tem uma moldura em pedra entalhada feita pelo Aleijadinho. A matriz tem 482 kg de ouro, sendo a segunda igreja com a maior quantidade do metal no Brasil, atrás da igreja do Convento de São Francisco, na Bahia. Está em um dos locais mais altos da cidade e pode ser vista de quase todos os pontos, para lembrar o destaque da religião, principalmente no período colonial.
O Museu da Liturgia de Tiradentes é o único dedicado ao tema na América Latina. Tem um acervo de mais de 420 peças sacras dos séculos XVIII a XX, completamente restauradas, além de instalações audiovisuais e terminais multimídia. O espaço foi inaugurado em 2012, com patrocínio do BNDES.
FLÁVIO TAVARES
FLÁVIO TAVARES
Chafariz de São José O chafariz foi construído em 1749 para abastecer a população da época com água potável. A estrutura tem três partes: a da frente é usada como bebedouro; a da direita, para a lavagem de roupas; e a da esquerda era utilizada para bebedouro de animais e escravos. A construção tem uma inclinação aproximada de 15º. O objetivo era garantir que, em caso de problema estrutural, a construção desabasse sobre escravos e animais, e não sobre os senhores.
Igreja de Nossa Senhora do Rosário A igreja é a mais antiga de Tiradentes e foi construída por escravos entre 1708 e 1719. O ouro usado para enfeitar o templo era retirado dos garimpos e carregado clandestinamente em cabelos e debaixo de unhas pelos negros escravizados. A meia-lua desenhada no teto do altar faz referência ao fato de a igreja ter sido construída à noite, no tempo livre dos escravos. FLÁVIO TAVARES
EDUARDO GUERRA/REPRODUÇÃO INSTAGRAM - 14.6.2017
Jubileu O Jubileu da Santíssima Trindade é um dos eventos religiosos mais tradicionais de Tiradentes e atrai um grande número de devotos. A festa dura dez dias e tem extensa programação, como procissões, novenas e celebrações de missas a cada hora. Além disso, a festividade conta com apresentações musicais e barracas para comercialização de roupas, comidas típicas, artesanatos e artigos religiosos.
Referências. Conheça quem faz de Tiradentes uma atração cultural. Páginas 4 e 5
VVVV otempo.com.br
O TEMPO TIRADENTES DEZEMBRO DE 2019 Edição: Marina Schettini Edição de fotografia: Mariela Guimarães
Diagramação: Anderson Carvalho
Atendimento ao assinante: (31) 2101-3838 FLÁVIO TAVARES
Diretor executivo: Heron Guimarães Editores executivos: Murilo Rocha e Renata Nunes Coordenação de jornalismo: Flaviane Paixão
¬ RAFAELA MANSUR ¬ A cidade de Tiradentes é berço
do Fórum do Amanhã, projeto criado com a missão de projetar um futuro melhor para o Brasil. Há quatro anos, o evento reúne pensadores e empreendedores nas ladeiras históricas da cidade para debater a melhor direção a ser seguida pelo país. A inspiração para o projeto surgiu de encontros entre intelectuais e artistas na Itália, nos anos 2000, organizados pelo sociólogo Domenico de Masi, com o objetivo de discutir o futuro. Uma das idealizadoras do Fórum do Amanhã, a psicóloga e empresária Cristina Nascimento participou dessa experiência e decidiu importá-la em parceria com o então prefeito da Tiradentes Ralph Justino. “Tiradentes tem o mesmo ambiente de cidade pequena e histórica”, diz Cristina. “O que é mais rico é o encontro de pessoas diferentes. A gente procura levar uma diversidade muito grande de gerações, formações e vivências ao fórum. A ideia é dar visibilidade a iniciativas inovadoras e trazer pessoas visionárias, que possam pensar um futuro diferente”, completa. O livro “Trópicos Utópicos”, escrito em Tiradentes pelo economista Eduardo Giannetti como uma provocação para se pensar o futuro do Brasil, também inspirou o evento. “É muito prazeroso para quem participa (do fórum), em uma cidade encantadora como Tiradentes, com um ambiente tão inspirador. Ter pessoas compartilhando conhecimento é quase uma utopia”, pontua Giannetti. Um dos principais frutos do Fórum do Amanhã é o Instituto Vertentes Vale, iniciativa focada em educação que, atualmente, atende cerca de 80 crianças. A instituição oferece a estudantes oficinas de robótica e programação e de histórias em quadrinhos, além de manter um projeto de extensão do período curricular para alunos da Escola Municipal Padre Lourival de Salvo Rios, em Tiradentes, duas vezes por semana. Por meio de parcerias e doações, o Instituto Vertentes oferece também aulas de caratê e ioga, além de coworking e incubadora de startups. DESAFIO. Para Ralph Justino, a principal missão do encontro é reunir o que há de melhor de diferentes pontos de vista para o bem do país. “Conversar é o desafio que o Brasil tem agora. Os dois lados se tornaram inimigos, não conseguem nem se olhar. Nós precisamos construir juntos, fazer projetos concretos e nos dedicar. Precisamos mudar o Brasil”, conclui.
Futuro do conhecimento passa pelas ruas de Tiradentes Fórum do Amanhã reúne intelectuais e empreendedores anualmente para pensar um Brasil melhor
UAITRIP/DIVULGAÇÃO
Maria-fumaça
Mais verde
O passado e o presente em um percurso de 12 km entre duas cidades
A Tiradentes para os amantes de ecoturismo: cachoeiras e trilhas na serra
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FOTOS LUIZ CÉSAR COSTA/DIVULGAÇÃO
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TIRADENTES
. DEZEMBRO DE 2019
MOSTRA DE CINEMA
BATE À PORTA Tiradentes se prepara para o primeiro grande evento do ano, em janeiro; descubra o destino e suas curiosidades Páginas 4 a 8
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TIRADENTES
PAULO CAMPOS
paulocampos@otempo.com.br ARQUIVO PESSOAL
Fórum do Amanhã
Agende-se
Segurança
Economia criativa
Para o próximo ano
Empreendedorismo. É atrás disso que tem corrido o ex-secretário de Turismo e ex-prefeito Ralph Justino em Tiradentes. Duas iniciativas de Justino têm colhido frutos: o Fórum do Amanhã e o Instituto Vertentes Vale. Desde o ano passado, crianças entre 6 e 7 anos do bairro Vargem de Baixo participam de ações sociais para a educação com foco na aprendizagem criativa. Já o instituto tem levado para a cidade histórica – muito focada no lazer cultural – eventos corporativos de segunda a quinta-feira. Justino, diga-se de passagem, foi quem deu o pontapé inicial para que os eventos pudessem proliferar (e transformar) na cidade.
O Natal Iluminado começou muito bem: já tem engatilhado novas parcerias para o ano que vem. Luiz César Costa, um dos cinco empresários que arregaçaram as mangas e criaram o evento natalino, acredita que em poucos anos Tiradentes será referência como Gramado. Além de chef e empresário, ele é proprietário do Luth Bistrô juntamente com a esposa Elizabeth Cruz – ambos são bemsucedidos promotores de eventos. O TremBier, o festival de cerveja, o Quatro Estações e o Vinho & Jazz, criado em parceria com Ralph Justino, já tem data agendada para 2020: 14 a 17 de maio e 19 a 21 de junho, respectivamente. E olha que vem mais novidades por aí!
Câmeras 24 horas
Gastronomia
Ora e Mia na vanguarda A gastronomia de Tiradentes é um rega-bofe. As duas novidades gastronômicas na cidade têm algo em comum: três letras. No Mia, experimente a costela de boi assada 12 horas, acompanhada de mil-folhas de moranga e queijo canastra, receita do chef Rafael Pires (Pacco & Bacco). O Ora navega na fama proporcionada pela participação do chef Felipe Oliveira no reality global Mestre do Sabor. Se você não acredita nos poderes da boa gastronomia, deguste sua releitura de um dos pratos mais tradicionais da culinária mineira, o frango com quiabo. Oliveira tem passagem pelo Tragaluz, um dos expoentes (e pioneiros) da cozinha contemporânea na cidade.
# ENQUETES DA SEMANA
Luiz César Costa, chef do Luth Bistrô e um dos organizadores do TremBier, do Vinho & Jazz e do Natal Iluminado
ARQUIVO PESSOAL
Para o Natal
Enquanto o restaurante Casaazul não inaugura novo cardápio – com porções e combinados para acostumar locais e turistas com os sabores da cozinha mexicana –, a Associação Empresarial de Tiradentes (Asset), presidida por Rejane Cunha, faz parceria com o Festival Fartura para instalar, até 30 de dezembro, 22 câmeras de monitoramento 24 horas em vários pontos da cidade. Todas as ocorrências então passarão a ser acompanhadas ao vivo pelos celulares da PM.
Novidade
Ceia no Tragaluz
Latas como suvenires
Gabriela Barbosa, proprietária da pousada Pequena Tiradentes – que de pequena só tem o nome –, fará a ceia de Natal deste ano no restaurante Tragaluz. No dia 25, o salão de café da manhã da pousada também terá um brunch natalino. Os pacotes de duas noites para o casal nos finais de semana de dezembro estão com preços promocionais: a partir de R$ 1.440 para apartamento standard, com serviço de transfer nos horários das projeções no largo das Forras.
A ideia foi “importada” de uma viagem à Bélgica e virou febre entre turistas. Aberta há seis meses pelo casal Bruno e Renata Alves, a Casa de Latas é um projeto com a cara (e a identidade) da cidade. A loja no largo das Forras vende latas que servem para guardar de tudo – de balas a sabão em pó. Os recepientes valorizam artistas locais, como Fábio Francino e Silas Vilela. Algumas delas levam imagens do chafariz, da matriz, da maria-fumaça etc. O casal comprou os direitos de uso dessas imagens de Thi Rohrmann, que faleceu há cerca de dois meses. Suas pinturas já decoraram rótulos de cervejas, estamparam tecidos, coloriram telas e pratos de porcelana.
O casal Bruno Alves Sebastião e Renata Santos Alves, latas como suvenires para os turistas
# TOP + NO
@superviagemoficial
27/11 a 02/12
FOTOS INSTAGRAM/REPRODUÇÃO
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No Kennedy Space Center, o parque da Nasa, nos EUA, o visitante pode fazer treinamento que o prepara para uma "missão" no centro ATX. Destino foi tema da última edição de nosso caderno.
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O parque Legoland ganhou em abril nova área inspirada nos filmes da famosa marca. O Turismo foi conferir a atração e, entre os destaques, está o Masters of Flight, que simula um voo espacial.
A última sexta-feira, 29, foi dia de Black Friday. O Turismo ensinou como não cair em armadilhas de falsas promoções de viagens. Em 2018, foram 5.600 queixas registradas na plataforma Reclame Aqui.
LUIZ CÉSAR COSTA/DIVULGAÇÃO
61 % dos seguidores do @superviagemoficial acertaram o nosso quiz. Tiradentes só passou a ser chamada assim em 1889. A cidade histórica foi fundada em 1702 com o nome de Santo Antônio do Rio das Mortes. Posteriormente, ela ficou conhecida como Arraial Velho, já que surgiu o Arraial Novo do Rio das Mortes, hoje São João del Rei.
# FOTO DA SEMANA O Natal Iluminado continua em Tiradentes com uma programação intensa. Na última semana teve apresentação musical em um coreto instalado no largo das Forras e várias outras atividades, como projeções na capela do Senhor Bom Jesus da Pobreza, intervenções circenses e shows com bandas regionais. A cidade está toda decorada com luzes para a primeira edição do evento. Ele termina no dia 25 de dezembro, mas a decoração permanece até 6 de janeiro.
INSTAGRAM/REPRODUÇÃO
# CLICK DO LEITOR A Luiza Nascimento e o Mateus Baranowshi (@blogcasalmil) resolveram repetir, anos depois, a foto da segunda viagem que fizeram juntos. O “Casal Mil” fez o registro em Tiradentes, destino onde descobriram em comum o espírito curioso.
ACESSE WWW.OTEMPO.COM.BR/TURISMO E ENVIE SUA DÚVIDA OU DICA DE PASSEIO PARA SUPERVIAGEM@OTEMPO.COM.BR
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TIRADENTES
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Inconfidentes
Circuito de tradição e poesia Coronel Xavier Chaves, Lagoa Dourada, Resende Costa, São João del Rei e Tiradentes têm algo em comum. Os municípios fazem parte do Circuito Turístico Trilha dos Inconfidentes, que integra a Estrada Real. A exceção é Ritápolis. O nome deve-se ao fato de nove de 23 personagens da Inconfidência Mineira terem residido nessa região. Nesse magnífico circuito, além do patrimônio histórico e cultural, o visitante se depara com um rico artesanato, trilhas centenárias, cachoeiras de águas cristalinas e deliciosa gastronomia. Outro ponto comum é a serra de São José, que abraça as cidades com seus paredões rochosos. LÚCIA SEBE / IMPRENSA-MG/DIVULGAÇÃO
Origem
De São José a Tiradentes As origens de Tiradentes remontam aos primeiros anos do século XVII, época da descoberta de minas de ouro na região da bacia do rio das Mortes. A aglomeração inicial, chamada Arraial Velho, era vinculada à vila de São João delRei. Em 1718, foi elevada à categoria de vila e recebeu o nome de São José. A vila foi elevada a cidade em 1860, primeiramente com o nome de São José, substituído, em 1889, pelo de Tiradentes, em homenagem ao mártir da Inconfidência Mineira, por ser sua terra natal. O conjunto arquitetônico e urbanístico foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 1938. ACERVO SETUR-MG/DIVULGAÇÃO
Tiradentes
Um cenário
perfeito para assistir a um filme Cidade histórica do Campo das Vertentes se prepara para a 23ª Mostra de Cinema; Natal Iluminado já atraiu cerca de 28 mil pessoas Por Paulo Campos paulo.campos@otempo.com.br
A programação ainda não está fechada, mas a Mostra de Cinema de Tiradentes já está na mira de turistas e cinéfilos de todo o país. Em sua 23ª edição, o evento está agendado para ocorrer de 24 de janeiro a 1º de fevereiro e abre oficialmente o calendário audiovisual brasileiro, exibindo tendências e estéticas do cinema nacional para 2020. “O festival foi precursor da vocação turística da cidade”, afirma Raquel Hallak, da Universo Produções, organizadora do evento. “Quando inauguramos a mostra, há 23 anos, a cidade tinha 450 leitos, e, hoje, tem 5.000”, recorda Raquel. Na esteira do cinema – atualmente, são cerca de 17 eventos –, vieram os festivais dedicados à fotografia, à gastronomia, ao vinho, ao jazz e à cerveja, entre outros, que levam à cidade entre 5.000 e 20 mil turistas. “A mostra também trabalha o fluxo turístico nas cidades vizinhas, isso numa época em que o mineiro costuma procurar praia”, acrescenta. A mostra deste ano deve reunir cerca de cem filmes nacionais e internacionais, entre longas e curtas-metragens, mais de 500 convidados, debates, mesas temáticas, oficinais, shows, exposições e cortejos, numa programação gratuita em diversos pontos da cidade. “Esse é um evento democrático, para toda a família”, enfatiza Raquel. ILUMINADA. Até 25 de dezembro, a cidade promove o Natal Iluminado, iniciativa de cinco empresários para movimentar a economia local na baixa estação. Entre os espetáculos estão projeções na Capela do Senhor Bom Jesus da Pobreza, apresentações circenses, shows e concertos. De acordo com a organização, cerca de 28 mil pessoas passaram por Tiradentes desde o início do evento, em 1º novembro. O movimento representa 45%
do público esperado. Entre as atividades estão programados três concertos de música erudita da Sociedade de Cultural Musical de Barbacena e Sociedade Orquestra e Banda Ramalho, de Tiradentes, apresentações do grupo Pastorinhas, mostras de arte da Escola Estadual Basílio da Gama e “Antônio Gomes – O Artista de Tiradentes”, exposição de três presépios e exibição dos filmes “Feliz Natal”, de Christian Carion, e “Lembra-se Daquela Noite?”, de Mitchell Leisen. Ao visitar a cidade histórica – que está na rota da Estrada Real –, o turista tem a oportunidade de conhecer os ícones locais – a Igreja Matriz de Santo Antônio, o Chafariz de São José e os museus da Liturgia e de Sant’Ana –, de descobrir os arredores – o distrito de Bichinho e a serra de São José – e empreender uma volta ao passado em uma autêntica maria-fumaça, num trajeto de 12 km até São João del Rei (leia mais nas páginas de 6 a 8).
A mostra tem quatro espaços de exibição: o Cine-Praça, no largo das Fôrras (foto), o Complexo de Tendas, com o Cine-Tenda e o Cine-Lounge, e o Cine-Teatro, que funciona no Centro Cultural Sesiminas Yves Alves
MARCILONE MESQUITA/DIVULGAÇÃO
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Os eventos costumam levar à cidade histórica mineira entre 5.000 e 20 mil turistas. As fechaduras, um detalhe que pouca gente percebe nas portas LUIZ CÉSAR COSTA/DIVULGAÇÃO
Iluminação no largo das Forras, no centro histórico de Tiradentes, onde acontece os espetáculos do Natal Iluminado até o dia 25
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TIRADENTES LEO LARA/DIVULGAÇÃO
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Como chegar. Para quem vai para Tiradentes de carro, saindo de Belo Horizonte, pegue a BR–040 até o encontro com a BR–383, após Congonhas. O trajeto tem 190 km e dura cerca de três horas. De ônibus é preciso ir até São João del Rei, comprando passagem pela Viação Sandra, ao custo de R$ 60. De São João del Rei até Tiradentes, o turista pode pegar um táxi, ônibus comum ou maria-fumaça. Onde se hospedar: Pequena Tiradentes. Pacotes a partir de R$ 1.440 para duas noites e duas pessoas em acomodação standard no finais de semana de dezembro. (32) 3355-1262 ou pequenatiradentes.com.br Aromas da Montanha. Diárias a partir de R$ 542. (32) 3355-1406 ou aromasdamontanha.com.br Encantos da Serra. Diárias a partir de R$ 380 (standard). (32) 3355-1591 ou encantodaserra.com.br Site. tiradentes.mg.gov.br tiradentesmais.com.br
Outro olhar
Pode-se descobrir a cidade através de suas obras de arte
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O desenho de Tiradentes feito pela artista Tarsila do Amaral, nos anos 20, mostra que essa era uma cidade destinada aos artistas. Além de observar os casarões coloniais e perambular pelas ruas de calçamento de pedra, há muitas outras maneiras de se descobrir o destino mineiro. Uma delas é visitando os ateliês da cidade. A Rota dos Ateliês não existe mais desde julho, mas é possível visitar os espaços da cidade por conta própria e descobrir a arte de ourives, ceramistas, pintores e escultores. São mais de 15 ateliês para visitação permanente. As visitas precisam ser agendadas com antecedência. Ceramistas como Beth Cavalcanti trabalham com diferentes tipos de suporte e também materiais reciclados. Outros, como Paulo Henrique, o PH, fabricam joias inspiradas nas belezas da ci-
dade e na serra de São José. Marco Ajeje cria móveis, esculturas e painéis a partir de materiais reciclados e antigos artefatos de madeira e ferro. “Posso transformar um cocho em um banco, um rack ou uma poltrona”, comenta o artista, proprietário da loja Divinas Gerais. “Tiradentes é um caso único de cidade no Brasil aonde você pode vir com o projeto de sua casa e comprar tudo – portas, janelas, mobiliário e decoração”, afirma Ajeje orgulhoso. Também é possível descobrir o passado da cidade através dos detalhes de suas portas e fechaduras. Curiosas, elas evocam o passado através de um ofício importante no século XVIII: o de ferreiro. Eles produziam o que se chamava na época de “ferragem colonial”, verdadeiras obras de arte. O mais conhecido era Luiz Gonzaga França, o“Mestre Zinho”. LUIZ CÉSAR COSTA/DIVULGAÇÃO
Vista da cidade de Tiradentes ao final do dia com a serra de São José ao fundo, uma imagem sublime
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TIRADENTES LUIZ CÉSAR COSTA/DIVULGAÇÃO
Vertente sul da serra de São José chega a 1.300 m de altura; trilhas como a do Carteiro revelam mirantes naturais e cachoeiras com poços ideais para um mergulho
Ecoturismo
Um lado verde
Por Shirley Pacelli shirley.silva@otempo.com.br
Quem caminha pelas ruas de pedra de Tiradentes em tempos de glamour e flashes dos famosos festivais nem imagina que, longe do burburinho do centro histórico, há uma cidade mais “pé no chão”, conectada à natureza. Emoldurado pela serra de São José, o destino se mostra também como uma excelente opção para amantes de ecoturismo, que podem combinar a programação cultural com um roteiro de trilhas na região. “Nos últimos cinco anos, a demanda de passeios aumentou demais. A princípio, trabalhava apenas com caminhada, cavalgada e rotas de bicicleta. Em 2010, passei a oferecer também a descida de bote no rio Elvas, e depois vieram os quadriciclos”, conta Dalton Cipriani, guia de turismo da agência Uai Trip. O aposentado Ubaldo Pompeu, 58, é um desses turistas que conhecem bem os encantos da “Tiradentes verde”. Mineiro de São João del Rei, mas morador do Rio
de Janeiro desde os 10 anos, ele tem laços afetivos com a região e faz questão de visitá-la ao menos quatro vezes ao ano. “Quando eu tinha uns 8, pegava boia de caminhão e descia o rio das Mortes de Tiradentes até São João del Rei. Quando eu subo a serra, eu revivo um pouco da minha história”, explica. Pompeu já fez diversos passeios subindo a serra de São José. Entre eles está um tour noturno que propôs ao grupo apreciar o pôr do sol lá de cima e depois descer a trilha à noite. “Quando você olha a serra de longe, acha que aquilo é impossível. Aí você começa a fazer a trilha e, a cada hora que passa, ganha mais e mais metros… Quando vê, está no alto”, resume. TOURS. A agência Uai Trip ofe-
rece cinco rotas de trekking na serra de São José. Há desde uma caminhada simples de duas horas até a travessia total Prados/Tiradentes, que tem duração de oito horas e pode incluir uma pernoite com acampamento. O passeio mais longo tem 21 km de percurso total e é indicado para monta-
Passeios Quem leva. Uai Trip Inf.: uaitrip.com.br Todos os passeios incluem guia, carro de apoio, água e seguro de acidentes pessoais. Reservas sob consulta. Preços por pessoa.
a descobrir e explorar na cidade histórica Aos pés da serra de São José, destino oferece roteiros de trilhas com poços para banhos; passeios em 4x4 são a novidade queridinha de casais
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ARQUIVO PESSOAL
Trekking trilha do Carteiro. Passeio de três horas e trinta minutos. Saídas diárias às 9h30. Com piquenique. A partir de R$ 95 (adulto). Trekking pôr do sol. São 6,59 km de caminhada. Com piquenique. Inclui aluguel de mochilas e lanternas de cabeça e transfer. A partir de R$ 125 (adulto). Floating rio Elvas. Descida de 5 km em bote. Saídas diárias. Inclui transporte, técnico de remo, monitoramento, e equipamentos de segurança. A partir de R$ 95 (adulto).
Ubaldo Pompeu, de 58 anos, já fez diferentes passeios pela serra local, entre eles o tour do pôr do sol nhistas mais experientes. Na serra de São José, o trilheiro terá contato com vegetação típica da Mata Atlântica, nascentes de riachos e calçamento feito por escravos no século XVIII. “A trilha tem parte no complexo do Espinhaço e outra na Mantiqueira. É um visual bonito”, descreve Cipriani. Quem se aventura a subir a serra é contemplado ainda com o refresco de cachoeiras com poços ideais para banhos. Entre elas está a do Carteiro, a do Mangue e a que os moradores indecisos ora chamam “do Índio”, ora “Véu de Noiva”, e que dá origem à do Bom Despacho.
Adrenalina e diversão em busca de cachoeiras com carros 4x4
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Uma atividade que vem conquistando adeptos em Tiradentes – especialmente entre os casais – são os passeios com carros 4x4 e UTVs (intermediário entre carro e quadriciclo). Nesse passeio, é possível explorar regiões pouco conhecidas no entorno da cidade, como a Rota das Águas Verdes. O tour, de cerca de seis horas, passa por um belo conjunto de córregos, cachoei-
ras e lagos em propriedades particulares no Vale do rio Elvas. “É preciso fazer agendamento prévio porque o roteiro não é regular. Preparamos piquenique, levamos geleias e queijos”, explica Dalton Cipriani, guia da Uai Trip. Já os cicloturistas têm desde roteiros com 9 km, como a trilha da Caixa d’Água, até o de 35 km (ida e volta) que liga a cidade à antiga estação de trem de Prados.
Cicloturismo - trilha da Caixa D’Água. São 18 km de pedalada em nível baixo de dificuldade. Saídas diárias. Inclui bicicleta 21V, capacete, luvas e chaleira de limonada no Sabor Rural. A partir de R$ 80 (adulto). Rota das Águas Verdes. Passeio em veículo 4x4 pelo vale do rio das Elvas. Duração de seis horas. Saídas diárias. A partir de R$ 175 (adulto). Passeio 4x4 parque das Libélulas. Passeio aos pés da serra de São José. A partir de R$ 150 (adulto).
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TIRADENTES
LUIZ CÉSAR COSTA/DIVULGAÇÃO
Maria-fumaça
Um passeio
de trem para conhecer a vizinhança Maria-fumaça que liga São João del Rei a Tiradentes terá horários extras durante as férias; locomotiva é a mais antiga em operação no país Por Shirley Pacelli shirley.silva@otempo.com.br
Imagine a cena: uma noiva, seu futuro marido e os padrinhos entram vestidos a caráter numa maria-fumaça. Passados os 45 minutos do percurso, eles desembarcam na estação, se encontram com o restante dos convidados e seguem para uma fazenda onde o casório será celebrado. Poderia ser uma história de séculos passados, mas o relato é atual. Quem testemunhou essa cena foi o guia Luiz Antonio Miranda, 53. O caso aconteceu no trem turístico que liga a cidade de São João del Rei a Tiradentes. “A maioria dos turistas bateu palma”, lembra. As três locomotivas que hoje operam na atração são
centenárias – sendo as mais antigas em atividade no Brasil e das poucas máquinas a vapor no mundo que ainda rodam em trilhos de bitola de 76 cm. “A maria-fumaça é o termômetro da região; é um atrativo muito forte. Pessoas de todas as idades, inclusive turistas estrangeiros, querem vivenciar esse passeio num meio de transporte tão antigo”, conta Miranda. O complexo da antiga Estrada de Ferro Oeste de Minas (Efom) foi inaugurado em 1881 por dom Pedro II e ligava São João del Rei à estação do Sítio, atual município de Antônio Carlos. Tiradentes estava na rota do percurso. PARA CURTIR. O trem vai devagar, nos 40 km/h, que é para dar tempo de os passageiros curtirem a paisagem pela ja-
nela nos 12 km que separam as duas cidades históricas. O percurso de 45 minutos margeia o rio das Mortes. No passeio, o turista pode apreciar as serras do complexo de São José e suas belezas naturais, além de avistar antigas fazendas, do século XIX. Há trechos que passam próximo a residências, e é comum que moradores e passageiros conectem-se entre si momentaneamente com aquele tchauzinho, levado, de brincadeira. QUITUTES. Dentro do vagão, é
certo que você vai conhecer a dona Edna Santos e os seus famosos doces de tabuleiro, feitos à moda antiga. Tem cocada, pé de moleque, paçoca, puxa-puxa, quebra-queixo… Mas o mais popular é o pirulito de caramelo, a R$ 3 cada um. A doceira trabalha há mais de 30 anos vendendo quitutes na maria-fumaça e nas ruas de São João del Rei. Ela aprendeu a arte com o pai. Compre um docinho para completar a experiência de viajar no tempo e, quem sabe, relembrar o sabor de sua infância. ACERVO SETUR-MG/DIVULGAÇÃO
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Ida e volta a São João tem preço especial; ingressos podem ser adquiridos também pela internet
Passeios Maria-fumaça Tiradentes/São João del Rei Ingressos a R$ 70 (um trecho) e R$ 80 (ida e volta) a inteira. Entrada gratuita para crianças de até 5 anos. Haverá horários especiais entre 26/12 e 31/12 e de 17/1 a 25/1. Compras também pela internet, no site guichevirtual.com.br. Informações e agenda de dezembro disponíveis em bit.ly/2DJlStH.
Estação São João del Rei Av. Hermílio Alves, 366, centro. Bilheteria aberta das 8h30 às 17h, de quarta a sábado, e das 8h30 às 12h, aos domingos. Reservas de grupos com Marlene Neves: marlene.neves@vli-logistica. com.br. Inf.: (32) 3371-8485. Estação Tiradentes Praça da Estação s/nº. Bilheteria aberta das 8h30 às 17h, de quinta a sábado, e
das 8h30 às 12h, aos domingos. Museu Ferroviário de São João del Rei Av. Hermílio alves, 366, centro. Aberto das 8h30 às 17h de quarta a domingo. Guia Luiz Antonio Miranda. Diária a R$ 310. Informações em (32) 99944-3357 e facebook.com/mirandasjdr. FABIO AKINO/DIVULGAÇÃO
Na rotunda fica guardado o maior acervo de locomotivas a vapor preservadas da marca Baldwin
Rotunda e o vagão que transportou dom Pedro II
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Um dos pontos altos do passeio de mariafumaça é ver o incrível giro da locomotiva na rotunda, que ainda hoje é realizado manualmente nas estações de Tiradentes e São João del Rei. Ou seja, cinco pessoas empurram o trem, que pesa cerca de 60 toneladas, invertendo seu sentido. A estação de São João abriga ainda, em um anexo,
o museu ferroviário. Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), ele preserva raridades, como a máquina número 1 do complexo da antiga Estrada de Ferro Oeste de Minas e a réplica do vagão que transportou dom Pedro II. Além disso, o espaço tem o maior acervo de locomotivas a vapor preservado da marca Baldwin, com 15 exemplares. Há ainda
documentos históricos e peças ferroviárias centenárias. Uma das curiosidades do museu é a locomotiva que servia como carro funerário. O trem, em menor dimensão, transportava o morto em cima de uma mesa. Durante a ida até o destino, era realizado um curto velório. “É uma coisa tenebrosa”, conta o guia Miranda. A entrada no museu é gratuita.
No percurso do trem, passageiros podem conferir antigas fazendas, do século XIX, e belezas naturais
TIRADENTES
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Atrativos
Tire o pé do acelerador, relaxe e desfrute! Charmosinha e compacta, cidade histórica tem atrativos concentrados entre principais ruas – Direita, Padre ToledoeMinistroGabrielPassos Da redação
Esqueça o agito de Ouro Preto ou o clima urbano de São João del Rei. Tiradentes é outra história. É uma mistura de religiosidade, cultura, natureza e gastronomia. Seu charmoso centro histórico tem casinhas singelas, sobrados coloridos e ruelas de pedras irregulares, à noite iluminadas
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pelos lampiões que criam uma atmosfera perfeita para os visitantes. Tiradentes tem um roteiro que não foge à regra: passeie pelas ruas e pelo casario da cidade até descobrir seus atrativos. De hora em hora, dê uma pausa para degustar sua deliciosa gastronomia, visitar os ateliês locais ou se deslumbrar com seus inúmeros antiquários.
Visite a Igreja Matriz de Santo Antônio A igreja pode ser considerada um dos mais belos templos do barroco brasileiro. A imponente matriz que parece proteger do alto toda a cidade tem em seu interior, além de belíssimas pinturas, lustres de prata, altar revestido em ouro e órgão de origem portuguesa em estilo rococó de 1788. Esculturas da porta e da entrada são atribuídas a Aleijadinho. Áudio narra a história do monumento e suas curiosidades. No interior, o espetáculo fica pro conta do concerto de órgão, que acontece ás sextas-feiras, às 20h. Entrada a R$ 5.
Passeio a pé (ou de charrete) pelo centro histórico
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Chafariz de São José
LUIZCCÉSAR COSTA/DIVULGAÇÃO
O centro histórico de Tiradentes é compacto e pode ser conhecido em uma caminhada ou em um passeio de charrete. Você pode partir do largo das Forras e vai descobrir, pelo caminho, um charmoso casario, igrejas como a de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos (com representações de santos negros nos altares laterais) e a da Santíssima Trindade, o Museu Padre Toledo (onde viveu o inconfidente), a Casa da Câmara (1718) e o Centro Cultural Yves Alves. À noite, a cidade acentua seu clima romântico com os lampiões e seus aprazíveis restaurantes à luz de velas.
TURISMO DE TIRADENTES/DIVULGAÇÃO
Não é possível caminhar pela cidade e não se deparar com o mais belo chafariz de Minas Gerais, construído em 1749 com três fontes. O objetivo delas era abastecer Tiradentes de água potável para os escravos lavarem roupa e os animais matarem a sede. Na fachada, há a imagem de terracota de são José de Botas, do século XVIII, e um brasão da coroa portuguesa. Na época, uma lei previa punição a quem utilizasse o chafariz de forma inadequada. Rua Francisco Cândido Barbosa, 34.
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Bichinho
Museu da Liturgia e Museu de Sant’Ana EDUARDO ZUNZA/DIVULGAÇÃO
Com um apelido curioso, o distrito de Vitoriano Veloso, mais conhecido como Bichinho, é uma sequência de casas antigas que servem como residências, oficinas, ateliês e loja de artesanato. Os habitantes se orgulham de formar uma das maiores
concentrações de artesãos da região. O povoado fica a 7 km de Tiradentes, com acesso pela estrada de terra que liga a cidade a Prados. No centrinho, a igreja de Nossa Senhora da Penha revela suas origens setecentistas. O município
mantém, ainda, um trecho da Estrada Real original. Em seu artesanato concentram-se cerca de 70 artistas que trabalham em diversos segmentos como arte em ferro, madeira, papel machê, cabaças e artes plásticas, dentre outros. ACERVO SETUR-MG/DIVULGAÇÃO
Dos museus da cidade, vale muito conhecer o da Liturgia (museudaliturgia.com.br, com entrada a R$ 10 inteira e R$ 5 meia) e o de Sant’Ana (museudesantana.org.br, ingressos a R$ 5 e R$ 2,50 meia). O Museu da Liturgia é o
único dedicado ao tema na América Latina. Com um acervo de mais de 420 peças sacras dos séculos XVIII a XX, conta com quatro ambientes com instalações audiovisuais, terminais multimídia e um amplo programa educativo.
Rua Jogo de Bola, 15. Já o Museu de Sant’Ana está no antigo prédio da cadeia pública e reúne uma coleção de 300 imagens que representam a santa protetora dos lares, da família e dos mineradores. Rua Direita, 93.
Nomes. Pessoas que fazem a cultura em Tiradentes contam suas histórias. Páginas 4 e 5
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TIRADENTES - DEZEMBRO DE 2019
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Luz, câmera e criação Tiradentes recebe evento que busca refletir sobre rumos do audiovisual e também conectar criadores e produtores
Um berçário de séries de TV ¬ ALEX BESSAS ¬ “Tiradentes é uma espécie de centro
energético do nosso país, um lugar onde sempre foi discutido nosso destino histórico e nosso futuro”. É assim que o premiado diretor e roteirista Newton Cannito descreve a cidade mineira. E é essa uma das razões que fizeram do lugar a escolha mais óbvia para sediar, entre 12 e 15 de dezembro, a 4ª Casa do Autor Roteirista – um evento que é, antes de tudo, “um encontro criativo, um espaço onde roteiristas, produtores, diretores, canais de televisão e intelectuais do mercado vão pensar juntos os caminhos da teledramaturgia brasileira”, expõe ele. Ao se fazer do lugar uma ágora da criação, podem surgir, como desdobramentos do encontro, séries e filmes que estarão nas telinhas e também nas telonas anos mais tarde. O timing de realização dessa reunião calcada pelo fazer criativo, aliás, não poderia ser melhor. Embora exista um encolhimento de políticas públicas para o audiovisual, o mercado brasileiro para consumidores de séries vem sendo cortejado por empresas como a Netflix e a Amazon, que demonstram interesse em produzir conteúdo local. Nacionalmente, a Globo também vem anunciando investimento de até R$ 4,2 bilhões anuais em sua plataforma de streaming. “Nosso público está acostumado a assistir à dramaturgia local”, avalia o curador da Casa do Autor Roteirista, que aposta: “Quem conseguir entrar (nesse mercado) agora fará sucesso nos próximos 20 anos tranquilamente”. Mas, ainda que reconheça a importância que o evento tem ao conectar empresas, produtores e roteiristas, Cannito é crítico em relação a uma postura meramente comercial nas discussões acerca da produção audiovisual. “A maioria dos eventos ligados à televisão é muito focada apenas no negócio, o que não deixa de ser fundamental. A Casa do Autor Roteirista vai por outro viés e foca o debate estético e ético”, diz. Nos anos anteriores, o evento aconteceu em Paraty, no Rio de Janeiro, algo que guarda alguma simbologia: “Os primeiros encontros aconteceram na rota final do caminho do ouro, enquanto este último será no ponto inicial do mesmo caminho”. Esse percurso dialoga com a proposta desta edição, pautada por uma reflexão sobre o pensamento anterior à roteirização, sobre como o audiovisual pode aliar-se a
HÉLVIO
causas públicas, revisitar a história e fazer do humor ferramenta de combate ao posicionamento de matriz fascista. Assim, a Casa do Autor Roteirista traz no bojo de sua programação uma intensa reflexão sobre o país. Em uma linha de ação, intelectuais dividem mesas com roteiristas e produtores. A inspiração desse modelo “é o Seminário de Dramaturgia, criado por Augusto Boal, que definiu a linha dramatúrgica dos anos 60 e 70”. “Foi então que surgiu boa parte do teatro do CPC (Centro Popular de Cultura), autores como Dias Gomes, Vianinha, Lauro Cesar Muniz...”, diz. Tendo como lema “Histórias para unir o Brasil”, a Casa do Autor Roteirista busca refletir sobre os desafios e a importância de as séries de televisão dialogarem com um público ampliado, mesmo em um cotidiano de crescente polarização. “Esta é a base do evento. A boa dramaturgia é essencial para a vida democrática – não à toa, o teatro e a democracia surgiram juntos na Grécia Antiga”, considera Cannito. “É na boa ficção dramatúrgica que humanizamos todas as pessoas, todos os lados, o que é fundamental para que haja diálogo”, avalia.
Convidados Julia Priolli. Gerente de conteúdo original no Canal Fox. Assina a supervisão de roteiro da série “#MeChamadeBruna”, indicada ao prêmio APCA. Gustavo Gontijo. Economista, atua como roteirista há 19 anos. Com a série global “Carcereiros”, venceu o Grande Prêmio do Júri do MIPTV de Cannes 2017. Newton Cannito. Já venceu os principais prêmios da TV brasileira e internacional, como APCA, Abra e Emmy. Atuou como supervisor artístico da série “3%” (Netflix). Marcos Nisti. Empreendedor social e produtor de cinema e TV, é um dos criadores da série “Aruanas”, coproduzida com a Rede Globo. André Pellenz. Dirigiu o longa-metragem “Minha Mãe é uma Peça”, maior bilheteria do cinema brasileiro em 2013, e “Detetives do Prédio Azul”, segunda maior bilheteria nacional em 2017.
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TIRADENTES
dolce vita
Site: www.paulonavarro.com.br Instagram: @paulonavarropnc
Paulo Navarro com Luiz César Costa REPRODUÇÃO/FACEBOOK
Momento especial Z
O doutor Jonas Rodrigues e a empresária Imaculada do Nascimento casaram-se numa bela cerimônia, no dia 16 de novembro. A linda celebração foi na matriz de Santo Antônio, em Tiradentes. O casamento contou com a presença de convidados especiais, familiares e diversos amigos e amigas do doutor Jonas e da empresária Imaculada do Nascimento. Os noivos, após a cerimônia, receberam os cumprimentos de todos no Santíssimo Resort, onde foi servido coquetel e jantar oferecido pelo bufê Cecília Resgala, tudo ao som do DJ Zullu. Os pombinhos estão passando a lua de mel em um tour por países da Ásia. Felicidades ao casal!
União. Os noivos Imaculada do Nascimento e Jonas Rodrigues receberam muitos amigos em um dia especial para o casal, que celebrou a união na matriz de Santo Antônio, em Tiradentes
HELENA LEÃO/DIVULGAÇÃO
ARQUIVO PESSOAL
Alegria dos pequenos O projeto Baixinhos na Pequena Tiradentes chega neste domingo (8) à sua terceira edição e reunirá aproximadamente mil crianças. Idealizadora do projeto, Vanilce Barbosa diz que ele nasceu em seu coração e que, a cada ano, sente a emoção de ver a felicidade estampada nas carinhas dos pequenos. Todas as crianças da cidade e de distritos próximos estão convidadas a participar de muitas brincadeiras, com guloseimas e presentes.
Família crescendo para o mundo
Mulheres no batuque A Batucada das Minas surgiu do grupo feminista Mulheres de Tiradentes, a partir de uma ideia genial de Marisol Jotta. Ela é regida por duas fadas, Nara Torres e Maria Amália, fontes de inspiração e motivação, em que a música vibra empoderando mulheres em momentos de descontração e união. É o som da batucada das mulheres ressoando nas montanhas de Minas Gerais. “As mulheres historicamente sempre sofreram com a opressão do machismo e do patriarcado, e a música tem esse poder de libertação”, diz o grupo. A Batucada das Minas é revolução feminista na terra dos alferes. Afinal... lugar de mulher é onde ela quiser!
A chegada de Joãozinho agitou a vida dos pais João Bartolomeo e Jennifer Mazzini. Perto de completar 4 meses, o bebê esbanja saúde e alegria para toda a família. Parabéns aos papais, que não conseguem conter a euforia desde quando João Bosco abriu os olhos pela primeira vez. ARQUIVO PESSOAL
HELENA LEÃO/DIVULGAÇÃO
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Batuque delas. Nascido do grupo Mulheres de Tiradentes, a Batucada das Minas esbanja alegria e empoderamento feminino com percussões fortes e descontraída por onde passa com seus instrumentos
Confraternização Instituição que reúne empresários das mais diversas atividades, a Associação Empresarial de Tiradentes (Asset) convida seus associados para participar da festa de confraternização do órgão, que acontece neste domingo (8), das 14h às 20h, nos jardins da sede da associação (praça Lamounier Júnior, 18, centro). Com a promessa de muita alegria e diversão, a tradicional festa de fim de ano da Asset promove um churrasco de confraternização para as famílias, com atrações musicais, um DJ animando a tarde, além de brinquedos e atividades para as crianças.
Arte expressiva O artista plástico e arquiteto Sérgio Ramos tem em seu currículo cerca de 70 exposições em mais de 28 anos de carreira. Reside atualmente na cidade de Tiradentes, onde possui um ateliê e uma galeria de arte. Suas obras são marcadas por uma característica lúdica, que se evidencia logo no primeiro olhar. Com um pouco mais de atenção, percebemos que, ao aliar o conhecimento acadêmico com a percepção clássica da arte, suas criações flertam com a compreensão individual da realidade, sugerindo universos paralelos com diversas possibilidades de interpretação. ARQUIVO PESSOAL
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Trio ternura. João Mazzini Bartolomeo, João Bosco Fonseca Bartolomeo e Jennifer Mazzini: uma família que é pura alegria ASSET/DIVULGAÇÃO
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Encontro. Tradicional festa da Asset, neste ano, troca o baile de máscaras por um grande churrasco para seus associados e familiares
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Referência. Sérgio Ramos tem uma longa trajetória artística em Tiradentes
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TIRADENTES
Tradição Há uma década o som dos sinos e o ofício de sineiros foram reconhecidos como patrimônio imaterial pelo Iphan FOTOS FLÁVIO TAVARES
¬ ALEX BESSAS ¬ O corpulento e jovial Pe-
dro costuma passar a maior parte do tempo em absoluto silêncio, mas, quando “fala”, se faz ouvir e rouba a atenção. Do alto do campanário da igreja matriz de Santo Antônio, no centro histórico de Tiradentes, ele tem a companhia do Sino das Almas, de porte médio, e de um menor, cujo nome a comunidade desconhece. O trio, é verdade, já gozou de maior importância e foi, por muitos anos, veículo de notícias de vida e de morte, de celebração e do prenúncio de tragédias. Hoje, embora tenham perdido espaço para meios de comunicação mais modernos, são ainda motivo de orgulho para os cidadãos de um município que teima em preservar sua tradição barroca. Por lá, os sinos são até mesmo batizados, com direito ao rito completo: nome próprio, água benta e óleo consagrado. Há dez anos, completados no último dia 3, o badalar dessas estruturas de cobre e o ofício de sineiro foram reconhecidos e ultrapassaram as grossas paredes dos históricos templos católicos, ecoando Brasil afora: a prática foi, afinal, registrada como patrimônio imaterial pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Os sinos têm papel importante para, por exemplo, a construção de identidades regionais. Em Minas, o toque dos sinos constitui linguagem própria há séculos. Se anunciavam a morte de uma criança, o tom era mais de consolo e menos de lamento: “Não chora, não, que eu vou pro céu, não chora, não, que eu vou pro céu...” era uma das formas de os citadinos traduzirem os repiques. Se o rito fúnebre era de alguma família abastada, que pagava para que o maior deles anunciasse o velório, ouvia-se: “Barão, barão...” Mas, se o morto era de origem humilde, o badalo dizia: “Tem nada, não, tem nada, não...” Hoje, essas expressões ficaram para a história, afinal, com a redução da mortalidade infantil e com o fim da prática de se pagar pelas pancadas no sino maior, essas manifestações caíram em desuso. Outras permanecem presentes no cotidiano e se fazem ouvir em pelo menos nove municípios mineiros – como o Iphan inventariou detalhadamente nas 110 páginas do dossiê “O Toque dos Sinos em Minas Gerais”, de 2009. “Depois do reconhecimento, seguimos com traba-
O mais antigo sino de Tiradentes chegou à cidade em 1747, e o mais recente é o Pedro (à esq.), incorporado ao campanário da igreja matriz de Santo Antônio em 2016 – o sineiro Willer Silveira se orgulha de ter participado de seu batismo
Com nome próprio, sinos proseiam com Tiradentes lho corrente pela preservação e salvaguarda dessa tradição, promovendo encontros, debates e outras ações demandadas por essas comunidades”, explica Vanilza Rodrigues, ligada à superintendência do órgão no Estado. A SINEIRA DE TIRADENTES. O cuidado e o manuseio desses instrumentos, que servem à liturgia católica, são predominantemente masculinos. Mas, na cidade da região do Campos das Vertentes, Rosimeire Rosária, 59, se fez popular ao imprimir um estilo mais autoral no ofício de tradição. Hoje zeladora da capela do Senhor Bom Jesus da Pobreza, ela aprendeu com o irmão a fazer chamada para missas, procissões, ocasiões festivas e ritos fúnebres. Animada, batia o pêndulo no cobre pelo menos 120 vezes. “O povo achava graça, já sabia que era eu”, recorda, reconhecendo que até “cansava um pouco”. Por 18 anos, Rosimeire badalou (quando apenas um instrumento é usado) e repicou (quando dois ou três são manuseados), os sinos da matriz. Ela garante: ainda hoje, se alguém erra o toque, há quem reclame! E é só anunciar funeral, que o telefone da paróquia logo dispara. É que o povo quer saber: “Por quem os sinos dobram?”.
Acontecimento Do alto das torres, sinos são associados às celebrações de vida e de morte
Sino Pedro foi batizado em 2016 O professor de violino e sineiro Willer Silveira, 32, celebra a sorte de testemunhado um acontecimento raro: o batismo de um sino – no caso, Pedro, que homenageia o apóstolo de Cristo e foi sacramentado em 2016, quando substituiu outro, fundido no final do século XVIII e que desde 1963 estava rachado. A cerimônia foi realizada pelo padre Álisson Sacramento, 46. “A gente diz que é a voz de Deus que chama a população para as celebrações”, observa. “A minha ligação com o ofício vem desde cedo, aos 10 anos já pedia para ajudar os sineiros”, recorda Silveira. A exemplo dele, é comum que músicos assumam a função de tocar os sinos. “É algo que exige ritmo e até certa habilidade”, diz. “Ao dobrar (fazer que o instrumento dê uma volta completa em torno de seu próprio eixo), por exemplo, devemos estar atentos: é uma estrutura grande, pesada, que pode ferir”, explica.
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TIRADENTES JOAO GODINHO
Signific
A cultu
boas m
Os bonecos animados ¬ Já do Largo das Forras dá para ver. É só subir um bocadinho que se chega a uma casinha branca, sede da Companhia de Inventos e Teatro Casa de Bonecos – espaço em que o grupo, fundado por Nado Rohrmann e Renata Franca, apresenta seus espetáculos com marionetes. A casa, com 54 lugares, é relativamente nova, de 2015. Antes, as sessões, que nunca deixaram de ocorrer em 29 anos, eram na pousada da família. “Eu conheço Tiradentes desde antes de nascer”, brinca Rohrmann. “Minha mãe é de São João del Rei, eu nasci em BH, mas tinha esse sonho de criança de vir morar aqui, acreditando que Tiradentes ia crescer”, explica. Estar em uma cidade turística foi fundamental para o grupo. “Naturalmente, o contato com pessoas de diversos lugares ampliou nosso leque de itinerância, e isso é enriquecedor, conseguimos levar e trazer informação”, conta. “O que a gente colheu de melhor foram as amizades”, diz. Hoje, o grupo está em cartaz com “O Construtor Imaginário” (última apresentação amanhã). No dia 20, reestreia “Marionetes a Fio”, em celebração das três décadas de existência da companhia. Para além do palco, o grupo realiza projetos de educação patrimonial junto a escolas. “É um trabalho de resistência e persistência. Como a gastronomia aqui é forte, as pessoas vêm com esse foco, mas é legal, porque procuram outras coisas”. E tem teatro em Tiradentes sempre.
Dedicados às artes contam suas história ¬ ALINE GONÇALVES ¬ Literatura, artes visuais e cênicas,
Nado Rohrmann é um dos fundadores do Teatro Casa de Bonecos (rua Direita, 288, centro)
gastronomia e artesanato são apenas algumas das áreas que, juntas, formam um setor cultural forte e relevante em Tiradentes. A cidade do Campo das Vertentes não vive apenas de seu passado, de seu casario histórico ou de seus eventos mensais, promovidos por não nativos, mas de gente que está ali diariamente, construindo e reinventando a história. Entre essas pessoas estão os herdeiros do famoso Chico Doceiro, que morreu há dois anos, mas deixou raízes tão fortes, que seus doces – em especial o canudinho recheado – são feitos praticamente da mesma maneira desde o início – com açúcar, com afeto, mas também com os mesmos fornecedores e sem aditivos químicos. Os descendentes do ceramista
Tião Paineira, que m 2018, às vésperas d anos, e era conhecido por sua boa prosa e rústicos, funcionais também trabalham p legado, em uma cas ma da que era dele, jam um museu para e vo a obra de um dos sãos do município a dade fora da cidade.
‘ESTRANGEIROS’. Mine calidades que adotara mo pouso já fazem p gem da cidade, e não se dela. Um exemplo são Companhia de Invento anos, e que mantêm um cos na mais famosa ru apresentações semana
FLÁVIO TAVARES
O pintor Oscar Araripe mantém sua fundação em Tiradentes (rua da Câmara, 98, centro)
As pinturas radiosas Oscar Araripe, 78, nasceu no Rio de Janeiro, mas escolheu Tiradentes como casa há três décadas. “Eu tinha estado aqui nos anos 60, para representar ‘Romanceiro da Inconfidência’, quando era animador cultural do teatro. Muitos anos depois, morava na região de Ouro Preto, mas tive a sorte de encontrar uma casa pequena e me estabeleci aqui. Construí meu estúdio e depois fiz a nossa fundação”, rememora. O pintor autodidata abriu uma galeria no Ponteio Lar Shopping há dois me-
ses e teve sua nova versão do painel “Tiradentes, o Animoso Alferes” ocupando, desde 2017, o hall principal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, em Belo Horizonte (apenas para citar alguns dos seus feitos mais recentes). Ele não sabe explicar, ao certo, como chegou à cidade histórica. “É complexo, porque eu tenho um pouco de intuição. À época, Tiradentes não era o que é hoje, era temerário vir para cá, sendo uma pessoa como eu, que já tinha, digamos, uma reputação nas artes. A Tiradentes que nós conhecemos hoje é uma construção dos anos 90: foram pessoas que vieram para cá com seus talentos, dinheiro, sonhos. A minha contribuição foi a seguinte: minha pintura é alegre, a
maneira como pintei Tiradentes, sem dramaticidade alguma, contribuiu para que as pessoas a vissem com essa ‘radiosidade’”, reflete. “O que eu gosto daqui são as pedras, a serra, a possibilidade de um lugar agradável onde posso ser visitado, e essa convicção de que não vão fazer um edifício na frente da minha casa. Essa perenidade das coisas é importante na psique de um artista”, observa.
O escritor Ivan Alves Filho na cidade que adotou como sua
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TIRADENTES
FLÁVIO TAVARES
cantes
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Família Trindade Javier se reúne para dar continuidade ao trabalho de Chico Doceiro (rua Francisco Pereira Morais, 74, centro)
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as e falam da relação com Tiradentes
morreu no ano de de completar 90 o em todo o país e seus trabalhos ou decorativos, para continuar o inha bem próxienquanto deseexpor em definitis primeiros arteganhar notorie-
eiros de outras loam Tiradentes coparte da engrenae imaginam longe os fundadores da os, no local há 29 m teatro de boneua da cidade, com ais sempre cheias.
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Os “estrangeiros” do Rio de Janeiro também encontraram inspiração entre as casas de janelas e portas de madeira coloridas, que parecem criar um cenário perfeito para a ficção. O pintor Oscar Araripe retrata as cores luminosas, emolduradas pela serra de São José – escolheu a cidade ainda nos anos 90, quando pouca gente apostava nela. Já o escritor Ivan Alves Filho foi atrás do caminho do alferes que dá nome à cidade, mas volta com um livro de viagens coberto por muitas outras conversas dos “tipos mineiros” que encontrou – isso sem falar em suas outras obras redigidas na calmaria da cidade pela qual se apaixonou “sem explicação”. Nestas duas páginas, leia um pouco mais sobre a trajetória de gente que faz a cultura acontecer em Tiradentes diariamente.
Os doces históricos ¬ Não é exagero dizer que a fama gastronômica de Tiradentes fez-se ao redor de Chico Doceiro. Afinal, sua loja está ali desde 1965, bem antes que qualquer um imaginasse que a cidade se tornaria destaque na área. Chico morreu em 2017, aos 86 anos, mas deixou referências que o filho José Trindade Xavier – que hoje trabalha ao lado dos herdeiros, Vítor e Luiz Henrique – segue. “O leite do doce é fornecido por uma mesma senhora há 25 anos. Tudo é feito no fogão à lenha e não uso nada químico”, cita. Xavier é doceiro desde os 8 anos. “Claro, era uma brincadeira na época. Vi
FLÁVIO TAVARES
A literatura sensitiva A cerâmica que canta ¬ A cena se repetiu ao longo de décadas. O turista ia atrás de uma cerâmica rústica, talvez um apito que simulasse o som de passarinhos, e se deparava com histórias extraordinárias contadas pelo autor das peças: Tião Paineira. Depois que ele morreu, aos 89 anos, em abril de
o mesmo gosto quando voltar”, revela. O canudinho é tão citado por ele porque continua sendo o carro-chefe da casa. Durante 20 anos, foi o único doce, e, hoje, são feitos 6.000 por semana. Mas há outras opções, como doce de banana e aqueles que exigem menos força física do doceiro, como brigadeiro e cocada, produzidos pela mãe, Conceição, 82. Para Xavier, estar em Tiradentes é aliar calma e agitação. “O que eu mais gosto é que estamos num interior, mas não naquele lugar pacato, morto. Sempre tem coisa acontecendo, mas sem perder a identidade da cidade”, elogia. Para o futuro, o desejo é que os filhos sigam o caminho que Chico traçou. “Quero deixar para eles o que ele deixou pra mim, não financeiramente, mas de ter alguém que vai dar continuidade, com gosto”, diz.
2018, ficaram as obras, as memórias dos causos e o desafio da continuidade que dois dos dez netos, Marcos Gabriel e Mariana Santana, assumiram. “Um dos meus tios mexe com cerâmica, mas mais na construção de casinhas decorativas. Meu irmão e eu estamos seguindo a linha do nosso avô, rústica, de utilitários (como moringas, vasos e pratos)”, conta Mariana. Os dois começaram a lidar com o material após a morte de Tião. “Estávamos sempre perto, ajudávamos em exposições, mas só depois que ele faleceu sentimos essa necessidade, porque vimos que não ia ter continuidade. Vimos a necessidade de manter o nome dele, um dos primeiros artesãos da cidade, uma pessoa sábia”, comenta a neta.
A dupla produz, expõe e vende as peças em casa, em frente ao antigo ateliê de Tião – uma casa a caminho do distrito de Bichinho. Os próximos passos – eles almejam – são parcerias com lojas no centro da cidade, participações em festivais e exposições. “Temos um acervo e alguns livros. Muitos ‘passarinhos’. A gente pensa em montar um museu, estamos correndo atrás, mas encontramos dificuldade financeira ainda”, explica. Mas, se o desânimo vier, basta a lembrança de algumas das frases de Tião: “Ele falava muito que ofício era benefício, que, se a gente aprendesse uma arte, aquilo nunca era perdido, que tinha que se empenhar para trabalhar para a gente”, rememora Mariana. FLÁVIO TAVARES
¬ Personagem fundamental da história brasileira, Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, já esteve no centro de diferentes obras. Mas ainda há, sim, o que se conhecer. A fim de refazer os caminhos do dentista, o historiador Ivan Alves Filho se debruçou por seus trajetos em um “livro de viagem”, sua obra mais recente. “O Caminho do Alferes Tiradentes: Uma Viagem pela Trilha dos Inconfidentes”, 17º livro de Alves, passeia, assim, por lugares como Ritápolis, Resende Costa e, claro, Tiradentes. “Fui aos lugares onde ele conspirou. Encontrei riquezas extraordinárias, pessoas, artífices, construtores de carro de boi. Essa mescla de presente e passado me fascinou”, comenta o escritor. A ideia é que a obra seja adaptada em filme, dirigido por José Carlos Asbeg, e em série televisiva. “Seriam duas temporadas com 13 episódios cada”, antecipa. Alves nasceu no Rio, filho de mineiros, mas fala com afeto da cidade que o acolheu. “Tenho 67 anos, e foi paixão à primeira vista por Tiradentes. Em 1979, fui à região e fiquei com a ideia de morar aqui, não me pergunte por quê. A rigor, estou aqui há mais ou menos dois anos, mas já passei temporadas, ficava um mês, dois, seis. Morava em Teresópolis, mas escrevi muitos livros aqui”, conta ele, que se sente inspirado na cidade. “O que eu gosto são os tipos mineiros, as pessoas. Nos últimos anos, conheci figuras extraordinárias daqui, pessoas cativantes que parecem sair do fundo da história, que têm uma linguagem saborosa. Pessoas com memórias sensitivas, com sensibilidade. As pessoas são barrocas como as igrejas”, reflete.
meu pai fazendo canudinhos e falei: ‘eu sei fazer isso aí’. No outro dia, ele me deu um avental, uma touca e disse ‘Vou te dar um centavo para cada canudinho que você enrolar antes de ir pra escola’. Naquele dia, fiz 300, e nunca mais parei”, rememora. Mesmo assim, o doceiro hesitou em um momento. “Quando ele faleceu, foi estranho. A gente fica perdido, deu medo”, diz. Hoje, Xavier relembra os ensinamentos que Chico deixou. “Ele sempre falava que é preciso ter sequência, que não somos uma música de verão. A pessoa que come um canudinho precisa sentir
Marcos Gabriel e Mariana Santana seguem o trabalho do avô Tião Paineira (rua Alvarenga Peixoto, 545, estrada para Bichinho)
TIRADENTES MATÁLIA ALVARENGA/DIVULGAÇÃO
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Gastrô Chef Felipe Oliveira quer ser o ‘embaixador’ da região
Pelo terroir do Campo das Vertentes ¬ ALINE GONÇALVES ¬ “Tem coisas na vida da
gente que acontecem de maneira engraçada. Eu queria ir para algum lugar que houvesse um desafio maior, que eu pudesse colocar meu nome, coisas que eu gosto. E minha mãe teve um período meio doente, eu também queria ficar perto dela. Estava pensando nisso, daí o Pedro me liga e, em um mês, resolvo voltar para a região (de Campo das Vertentes)”. Essa é a memória que o chef Felipe Oliveira, 34, tem sobre sua ida de Belo Horizonte para Tiradentes, no fim de 2016, para assumir a cozinha do Tragaluz, a convite do sócio do local Pedro Navarro. A mudança de ares só não foi tão radical porque Oliveira nasceu na cidade vizinha, São João del Rei (a mãe, Silvia Oliveira, que ele cita, continua no local). Mas, tirando isso, tanta coisa é novidade na vida do cozinheiro que nem parece que só se passaram três anos. No período, ele assumiu uma das mais tradicionais cozinhas do Estado (a do citado Tragaluz, que existe desde 2000), onde ficou até abril deste ano, e viu seu nome ganhar mais projeção. Pouco depois, abriu seu primeiro restaurante próprio, o Ora, há apenas oito meses. O projeto, assim como a ida para Tiradentes, onde ele “mora” metade da semana, só foi possível, Oliveira frisa, com o apoio da mulher, Mariana Marri – a alteração no estado civil tam-
“Tiradentes tem uma energia que nenhuma cidade do mundo tem. O barroco, a história, a montanha, o clima, tudo é maravilhoso. Eu me sinto muito bem aqui.” bém é recente. “Decidi ir para Tiradentes em outubro (de 2016), mas já ia me casar em dezembro, daí deu aquela dúvida, mas minha mulher teve um papel fundamental: ela viu que era uma oportunidade assumir um restaurante com tradição”, comenta. “Quando surgiu a chance de ter algo nosso, foi ótimo, porque a gente sempre gostou de receber pessoas, e o Ora é a nossa segunda casa”, completa. Por fim, mas não menos importante, Oliveira foi selecionado para participar, em meados deste ano, do primeiro reality show culinário da Globo, o “Mestre do Sabor”. O programa segue no ar às quintas, mas o chef foi eliminado no dia 28, não sem antes protagonizar um dos momentos mais marcantes da atração, ao levar às lágrimas o jurado Leo Paixão com o prato de costela suína com textura de taioba, quiabo e angu. “A mudança após o programa é gigante. Pare-
ce que fiz um curso de anos de gastronomia de tão intensa que foram as gravações. A palavra que eu uso é ‘evolução’. Eu evolui até na questão de me entender durante o processo de criação, de avaliar no que sou bom, no que preciso melhorar”, analisa o chef.
O Ora Restaurante fica na rua Ministro Gabriel Passos, 131b, no centro de Tiradentes
TRAJETÓRIA. Para chegar a es-
se momento na carreira, o percurso foi longo. A mãe, um dos fatores para Oliveira retornar ao Campo das Vertentes, também é indiretamente responsável por ele aprender a cozinhar. “Quando tinha 14 anos, meus pais se separaram, e nos mudamos para Juiz de Fora. Coube a mim a função de cozinhar para os meus dois irmãos, já que minha mãe passou um tempo trabalhando de dia e estudando à noite. Quando a gente é adolescente, faz as coisas sem saber”, reflete, ao citar a maneira informal como chegou à cozinha. Incentivado pelos irmãos e pela mãe, funcionários públicos, ele tentou seguir carreira militar. “Servi o Exército por um ano e meio, mas desisti”, rememora. Aos 21 anos, buscou, então, a profissionalização pela gastronomia. Estudou no tradicional Senac Grogotó, em Barbacena, foi para São Paulo e viveu no litoral (um desejo antigo), até que sentiu falta de Minas. Foi procurar emprego com o chef Felipe Rameh, que também havia saído de São Paulo e aberto uma casa em Muriaé, na Zona da Mata. “Fiquei lá dois anos como sous chef do Rameh, e, quando ele foi para BH assumir o Dádiva,
Local. Nascido em São João del Rei, Felipe Oliveira abriu seu primeiro restaurante há oito meses
“Minha comida tem tudo que eu vivi nestes anos de cozinha e mais lembranças da adolescência. O cupim que eu faço é uma releitura de uma carne de panela da minha mãe.” em 2011, fui pouco depois. Tenho uma relação superpróxima com Rameh, ele é meu mentor, meu padrinho de casamento”, diz, com afeto. Hoje, os cinco anos em BH inspiram comparações. “O cliente que vai a Tiradentes está de folga, é o momento dele de descansar. Em BH, há uma pressão pela novidade. Em Tiradentes, pelo contrário, o cliente volta para provar o que já comeu”, observa.
A cozinha do Ora ele define como contemporânea mineira. São 30 lugares e um cardápio enxuto. “Hoje, o prato que sai mais é o cupim (braseado, prensado e glaceado com mousseline de baroa, cebola e vagem francesa), com o qual entrei no ‘Mestre do Sabor’, mas tem uma barriga de porco ótima, uma releitura de frango com quiabo, que é a coisa mais gostosa do mundo”, diverte-
se ao citar os pratos. Os próximos planos envolvem tudo que viveu nos últimos anos: nova casa, retorno as raízes, televisão. “Quero começar a ‘levar’ a nossa região do Campo das Vertentes. Ela é muito rica, mas pouco conhecida, tem cada queijo maravilhoso, mas sem a fama da Canastra. Minha intenção como chef é virar embaixador dessa região e poder levar os produtos para frente, dar uma qualidade de vida melhor para quem faz. Também quero aumentar o restaurante em 20 lugares. Não tem nada certo, mas penso em montar um canal no YouTube, começar a ensinar receitas, essas coisas”, projeta.
As indicações do chef “Marcas Mineiras (rua Senhora das Mercês, 49, centro) é pura arte. Lá nos fundos, tem uma cafeteria coberta por um vidro debaixo de uma árvore. Tomar café ali é uma coisa gostosa. Tem um bolo de laranja de chorar. Dá para descascar um bocado.”
“Vou à Q’jaria (rua Direita, 205 A, centro) não só para ir comprar queijo. Vou lá para tomar café, para bater um papo com os donos, que viraram amigos. A loja tem um cheiro muito legal, que eu já espero quando entro. Isso me marca muito.”
“O Empório do Ó (rua Direita, 224, centro) é um lugar ótimo para comprar polenta, geleia, pães. Gosto de comprar um vinho no intervalo do funcionamento do meu restaurante, nas tardes de sábado. Sento lá com minha mulher para batermos papo. É um lugar aonde nós gostamos de ir para contar como foi a semana.” FLÁVIO TAVARES
FLÁVIO TAVARES
O TEMPO TIRADENTES| DEZEMBRO DE 2019 | m. | 7
TIRADENTES
Entrevista Produtora Raquel Hallak revela sensação de dever cumprido e comemora crescimento do município e do festival
Cidade celebra 23 anos de um feliz casamento com o cinema LEONARDO LARA/DIVULGAÇÃO
¬ ALEX BESSAS ¬ À frente daquele que se
tornou um dos principais festivais dedicados à produção cinematográfica do país, a Mostra de Cinema de Tiradentes, que chega à sua 23º edição em janeiro de 2020, Raquel Hallak não esconde: quando o assunto é o fazer cinematográfico brasileiro ou a cidade mineira, ela é tomada por uma sensação de orgulho e de “dever cumprido”. Nada mais justo. Nos primeiros anos, quando a iniciativa começava a ganhar forma, “a proposta era ser uma mostra regional”. O evento, no entanto, cresceu e tornou-se peça importante na vocação turística de Tiradentes. Hoje é um trabalho que exige, pelo menos, seis meses de dedicação. Entre 24 de janeiro e 1º de fevereiro de 2020, a expectativa é que cerca de 35 mil pessoas assistam às exibições de aproximadamente cem filmes brasileiros em pré-estreias, participem de oficinas de formação e experimentem, por meio de performances, passeios, shows e exposições, o conjunto arquitetônico e urbanístico de Tiradentes, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (lphan) em 1938. Assertiva e com números na ponta da língua, Raquel sabe da importância do festival para a cidade. E sabe que o contrário é igualmente verdadeiro. Evento e município, afinal, ganharam nesses 23 anos projeção e relevância nacionais.
Em 2020, a mostra chega à 23º edição. Olhando para trás, como observa o elo entre a cidade e o evento? Acredito que fomos precursores da vocação turística de Tiradentes. E olha que a mostra sempre acontece em janeiro, perto do aniversário da cidade, em um período em que os mineiros buscam principalmente destinos litorâneos. Entendemos que a cidade podia entrar no radar, e deu certo! Em números, para se ter uma ideia, tínhamos 450 leitos em 1998. Hoje, são mais de 5.000. Naturalmente, diante desse potencial turístico e econômico, novas iniciativas foram atraídas.
senvolvimento econômico. Em 2020, vamos gerar mais de 2.500 empregos diretos e indiretos, promovendo o desenvolvimento social e humano de toda região. Só de empresas mineiras, mais de 250 serão contratadas diretamente. Acontecendo há 23 anos, a mostra propicia e atrai novos investimentos, e as pessoas contam anualmente com o evento. E a cidade, que tem uma plasticidade cinematográfica, possui uma rede hoteleira e gastronômica que engrandece o evento. Também por isso, estamos sempre atentos às formas de dialogar com o que Tiradentes oferece.
Quais as expectativas para 2020? Esperamos receber até cinco vezes a população da cidade, um público de cerca de 35 mil pessoas. Estamos falando de um evento que é importante tanto por estabelecer diálogo entre cultura e turismo como por proporcionar de-
A mostra também foi se modificando com o tempo, certo? Neste momento, estamos nos preparando para um evento que, tradicionalmente, abre o calendário do audiovisual no país – o que é motivo de orgulho para nós. Mas, há 23 anos, a proposta era de ser algo mais regional. E, então, a gente cresceu e alçou relevância nacional. Caminhamos junto não só à cidade, mas também junto ao desenvolvimento do audiovisual – que encontrou na mostra imponente palco. Ao mesmo tempo, seguimos dialogando com a produção local. Temos recortes na programação dedicados aos fil-
Programe-se 0 Mostra de Cinema de Tiradentes. Entre 24 de janeiro e 1º de fevereiro de 2020. Cine-Praça, no Largo das Fôrras (espaço para mais de mil espectadores); o Complexo de Tendas, que sedia a instalação do Cine-Tenda (com 600 lugares) e o Cine-Lounge (500 pessoas); e o Cine-Teatro (com plateia de 120 lugares), que funciona no Centro Cultural Sesiminas Yves Alves.
“Esperamos receber até cinco vezes a população da cidade. E mais de 2.500 empregos diretos e indiretos serão criados em função da mostra, promovendo o desenvolvimento social e humano da região.”
Raquel está há 23 anos frente à principal mostra de cinema do país
“Há 23 anos, a proposta era ser algo regional. E, então, a gente cresceu e alçou relevância nacional. Caminhamos junto não só à cidade, mas também junto ao desenvolvimento do audiovisual – que encontrou na mostra imponente palco.” BETO STAINO/DIVULGAÇÃO
História em evidência na telona
mes, às pessoas e aos projetos que valorizam Tiradentes. Qual sua percepção acerca do envolvimento da comunidade com o festival? Desde o começo nos sentimos acolhidos pela população e tivemos o entendimento da importância de ter essas pessoas perto, juntas de nós. O evento está entre os mais democráticos do lugar, envolvendo a comunidade, que se sente pertencente. Além do trabalho duro, a que atribui a conquista de relevância nacional da mostra? Foi mesmo muito trabalho, prezando sempre pela qualidade e pelo acesso democrático. Assim, a mostra foi se consolidando e, hoje, é tida como a maior de cinema brasileiro por várias razões. A programação é sempre bem intensa, contempla todas as classes sociais e todas faixas etárias, enfoca o cinema nacional contemporâneo,
as linguagens, as tendências. Somos também pioneiros em experimentar um formato em que, junto ao festival, há oferta de atividades de formação, tanto para jovens quanto para adultos. A democratização do acesso ao cinema, aliás, foi tema da redação do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio)... Sim! Foi algo que eu comemorei muito, que vai ao gente propõe. Pensar que 5 milhões de jovens precisaram pensar e escrever sobre a democratização do acesso ao cinema... É algo que, minimamente, já gera uma revolução, faz sair do lugar-comum! E esse é um debate importante – em um país em que políticas públicas não são consolidadas e totalmente seguras. O cinema é uma importante janela social e comercial. Sem dúvida, todos ganham com a democratização do acesso, ainda mais quando não se possuem políticas públicas para garantir a exibição da produção nacional em salas comerciais. O que podemos esperar da 23ª Mostra de Cinema de Tiradentes? Ainda estamos definindo a programação, selecionando filmes, decidindo qual vai ser o tema desta edição, quem será o homenageado ou a homenageada. O que já podemos garantir é que vamos apresentar ao público o que vai ser o cinema brasileiro de 2020. A programação será intensa, com média de cem filmes em pré-estreias nacionais projetados em nove dias. Em todas as exibições poderemos contar com a presença da equipe do filme, em algumas sessões teremos debates. Além disso, em média, teremos dez oficinas de formação com mais de 200 vagas. Também haverá atividades interativas, shows, performances… Vamos comemorar o aniversário da cidade com o tradicional cortejo das artes, que acontece desde a primeira edição e reúne grupos diversos, como o pessoal da Folia de Reis, os grupos de Carnaval e os grupos musicais, realizando um passeio musical pela cidade.
wvv
web do dia //Yves Alves Veja a programação cultural do centro no: www7.fiemg.com.br/sesi/centro-de-cultura/tiradentes REPRODUÇÃO
Cinema
LUPA
FestCurtas BH O Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte acontece nos dias 18 e 19 de dezembro, no Centro Cultural Yves Alves, no centro histórico de Tiradentes. Na imagem, a produção paulista NEGRUM3 (2018), de Diego Paulino, vencedor da mostra competitiva Brasil em 2019.
www.otempo.com.br
O TEMPO TIRADENTES DEZEMBRO DE 2019
Expectativa Festival Cultura e Gastronomia Tiradentes, um dos mais tradicionais na cidade, anuncia temática para 2020
Gastronomia vai festejar 300 anos de MG PAULO FILHO/DIVULGAÇÃO
¬ ALINE GONÇALVES ¬ Minas Gerais,
que celebrará 300 anos em 2020, será o mote para um dos principais festivais realizados em Tiradentes, o de gastronomia, que completa 23 anos de existência. O tema foi informado à reportagem de O TEMPO, em primeira mão, pelo organizador da iniciativa, o empresário Rodrigo Ferraz. “O evento nasceu em Minas e inspirou a criação do Plataforma Fartura, que hoje está em todo o Brasil e também em Portugal (com eventos de rua e workshops). Nada mais justo que homenagearmos o Estado onde tudo começou e que tem uma gastronomia tão forte, que se tornou seu símbolo, seu patrimônio”, explica ele. A previsão é que o Festival Cultura e Gastronomia Tiradentes aconteça entre 21 e 30 de agosto e que conte com mais de
200 atrações gastronômicas, como estandes de chefs e produtores, cozinhas ao vivo, aulas, palestras, jantares (que focam tanto os cozinheiros locais como chefs consagrados nacionalmente) e almoços. MONTAGEM. A estrutura, segundo Ferraz, deve seguir a linha já adotada nos últimos anos. Dessa forma, chefs e produtores convidados se dividem em três espaços abertos montados na praça da Rodoviária, no Largo das Forras e também em uma área construída em um terreno na parte central da cidade. Nos locais, eles apresentam petiscos e pratos variados. Por ali também são montadas salas de aula para cursos interativos – ou seja, aqueles nos quais os turistas aprendem a preparar pratos do zero, com o auxílio de especialistas – ou aulas finaliza-
Foto em Pauta chega ao ano 10 ALAN UCHOA/DIVULGAÇÃO
das sempre com degustação. Nos espaços Origem ao Prato e Brasa e Lenha, que ficam nas duas praças principais, chefs convidados de diversas regiões do país preparam receitas ao vivo. A Pousada Escola Senac, por sua vez, recebe aulas e degustações mais detalhadas. Já quem quiser levar ingredientes garimpados dos mais diversos Estados deve procurar o espaço Produtos & Produtores, tradicionalmente ambientado na praça da Rodoviária. A programação artística, com DJs e apresentações de artistas mineiros consagrados, ocorre sobretudo às sextas e sábados durante o evento. Também estão previstas apresentações teatrais e circenses. Assim como nos últimos anos, são esperadas 45 mil pessoas em Tiradentes durante o festival.
Ao vivo. Chefs também cozinham aos olhos do público durante o evento
Cervejeiros, uni-vos! ¬ Evento dedicado às cervejas artesanais que surgiu em 2012, o TremBier consolidou-se como um dos principais encontros cervejeiros de Minas. Em 2020, a sétima edição do festival será realizada entre os dias 14 e 17 de maio. O acesso é gratuito, com exceção das palestras, cursos e circuito gastronômico. O TremBier foi idealizado pelo chef de cozinha Luiz César Costa e batizado em homenagem à charmosa maria-fumaça e ao jeito mineiro de falar.
Em maio, cidade vai respirar teatro MARLON DE PAULA/DIVULGAÇÃO
Da cerâmica, arte e sustento PIXABAY
¬ A décima edição do festival Foto em Pauta já tem data para ocorrer: será entre 18 e 22 de março. O evento busca mostrar a diversidade do Brasil em imagens e propor reflexões a partir da interação entre artistas e público. A última edição teve 19 palestras, 26 exposições, 35 lançamentos de livros, 12 workshops e três sessões de vídeos sobre fotografia. O fotógrafo Alan Uchoa produziu a imagem acima, que esteve na mostra em 2019.
¬ Mirando o desenvolvimento da cerâmica da cidade e da
região, promovendo artistas locais e homenageando ceramistas do Brasil e do mundo, o Festival de Cerâmica de Tiradentes aconteceu pela primeira vez neste ano, e, agora, sua segunda edição já tem data para ocorrer: o evento volta a ganhar o calendário tiradentino entre 8 e 13 de setembro de 2020. A programação conta com palestras, oficinas e exposições ofertadas gratuitamente.
¬ Entre os dias 20 e 24 de maio, a cidade mineira
será palco de espetáculos teatrais, performances, rodas de conversa, oficinas, peças infantis, exposição e shows: é quando acontece a 8ª Mostra de Artes Cênicas Tiradentes em Cena. O evento explora, desde 2013, todos os gêneros teatrais. Na foto, registro de Marlon de Paula da peça “Naquele Bairro Encantado”, do grupo Estranhos Visitantes, de BH, em 2018.