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Cinco anos após o fim do projeto Porto Brasil Nesta edição especial de aniversário, a reportagem procurou fazer um retrospecto do que foi o projeto, que mexeu com a cidade nos anos de 2007 e 2008. Como estaria o município caso o Porto Brasil tivesse saído do papel?
ESPECIAL PORTO BRASIL - PÁGS. 03 - 04 e 08
MEU MUNDO CAIU...
Em 2008, quando era o oitavo homem mais rico do mundo e queria implantar o maior complexo portuário da América Latina, em Peruíbe, Eike Batista não imaginava que cinco anos depois, correria o risco de perder toda a sua fortuna, segundo revista americana .
02 Guia de Negócios
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Entrevistas
Especial Porto Brasil 03
Desistência do Porto Brasil completa cinco anos
Com a desistência, há exatos cinco anos da cosntrução do Porto Brasil pelo grupo EBX e com atual crise financeira do empresário Eike Batista, como estaria Peruíbe caso o projeto tivesse saído do papel?
O REPÓRTER REGIONAL
Entrevistamos três pessoas envolvidas direta ou indiretamente nas discussões sobre a sua implantação em Peruíbe.
Geraldo Bomvechio, ex-presidente da Associação Comercial e Empresarial de Peruíbe (ACEP). Bom, em primeiro lugar, eu tenho certeza absoluta que ele [Eike] queria fazer [um porto aqui] sim. E ele tinha o
O REPÓRTER REGIONAL
Você acredita que a LLX e o Eike Batista realmente queriam fazer um porto em Peruíbe?
Alexsandro Betarelli, presidente da Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Peruíbe (AEAP). que se preparar. As pessoas têm que se preparar para recepcionar um projeto em grande escala.
O REPÓRTER REGIONAL
Na minha opinião, todo grande projeto que vier para Peruíbe, antes de ser implantado, a cidade tem
Plínio Mello secretário executivo da ONG MONGUE (Proteção ao Sistema Costeiro). Você acredita que realmente eles queriam fazer um porto aqui ou a cidade foi apenas "usada"
para valorizar as ações da empresa?
É impossível afirmar que a valorização das ações tenha sido o único
Eu fui lá. A gente tem acompanhado. Ainda não “aconteceu” o porto. O
que acontece é o seguinte: esse porto (em São João da Barra) está sendo hoje disputado a compra do controle acionário dele por China, por empresas do Canadá e da Europa. E hoje existem grandes grupos brasileiros que querem evitar que isso acontece para o maior porto do Brasil não estar nas mãos de estrangeiros. Mas se hoje Peruíbe estivesse com o porto pela metade, tenha certeza disso, nós teríamos outros investidores de grande porte para vir aqui, pegar e terminar. Teríamos uma crise momentânea de alguns meses até um novo grupo assumir a obra.
ticalização, que existe o esgoto. Você imagina se não existisse o esgoto. Isso aí é um fator muito interessante. Só que nós temos problema viário, hoje. E aí, como é que fica? A gente, fora de temporada, já sente. Você pega a [avenida] Padre Anchieta, você morador, tem hora que “enche o saco” você pegar a Padre Anchieta. Eu vou pela orla da praia. Primeiro, que você está admirando uma bela paisagem, não estressa tanto. Segundo, que você não corre o risco de pegar um motoqueiro, pessoas atravessando o tempo todo nessa Padre Anchieta. E isso aí, você vê a indução do trânsito. O trânsito já
está sendo induzido para a praia. Nós temos três vias estruturadoras na cidade: a Padre Anchieta, a orla da praia e a Luciano de Bona. São paralelas. E aí, o que você resolve? Tem que resolver o trânsito. Tem que fazer projeto de trânsito. Nós não temos engenheiro de tráfego [municipal]. Precisa ter. Precisa começar a pensar no desenvolvimento da cidade, com pessoas capazes. Com pessoas com profissionalização desses setores. Porque as pessoas precisam entender melhor a cidade. Então o Porto Brasil, continuo achando, não adianta. Podia ter vindo há cinco anos, como podia chegar
hoje e explodir também aquele “zum-zum-zum”. E outra coisa: não é só um Porto Brasil vir e se instalar. E a mão-de obra especializada, como é que fica? A população se ilude que vai acontecer emprego para todo mundo. Que vai acabar o problema de emprego em Peruíbe. Precisa ter qualificação. Como estaria a cidade com as obras praticamente paradas do Porto Brasil? O que ia acontecer com Peruíbe? Essa mão-de-obra iria ficar tudo aqui. A gente iria inchar a região periférica da cidade, criando mais problema.
número de empregos que demandaria a construção de mais de 4 mil residências, o número de indústrias que se instalariam no município... Sem contar que a LLX pretendia usar uma terra indígena que, constitucionalmente é indisponível. Quanto as ações não restam dúvidas que era uma castelo de carta e que muitos “peruibanos” perderam dinheiro... A comprovação da fraude poderá vir das investigações que a CVM, Comissão de Valores Mobiliários da BOVESPA está realizando. É importante salientar que todas as empresas do Grupo eram interligadas, isto é, uma prestava serviços para outra, em uma
operação arriscada, complicada e "frágil"...
gião". Os únicos ganhadores foram os indígenas da etnia Tupi-Guarani que, liderados pelo Cacique Pitotó e a Cacique Dora, tiveram sua terra reconhecida e demarcada em tempo recorde. E também as advogadas Drª. Rosangela Barbosa e Drª. Marie Madeleine Hutyra que acreditaram no trabalho de preservação socioambiental de nossa região. desenvolvido pela ONG MONGUE. O maior perdedor foi a população da cidade de Peruíbe que mais uma vez se curvou diante meia dúzia de especuladores que parecem ter como único objetivo "morrerem ricos, muito ricos..."
projeto de fazer três portos: São João da Barra (RJ), Itaguaí (no Litoral Sul do RJ) e Peruíbe. Aí como houve essa crise em 2007, a crise das bolsas, que o Lula falou que aquilo era uma marola, que era uma coisa leve, suave. Mas na verdade não foi. Foi uma coisa bem pesada. Então, como aqui, entre os três portos, a área que eles iam ocupar - mais atrasadas em termos de licenciamento, eles pegaram o dinheiro que estava previsto para ser colocado aqui e dobraram o projeto de São João da Barra. Ou seja, eles pegaram todo o aporte financeiro deles e resol-
veram jogar em São João da Barra, porque aqui, na verdade, eles viram grandes dificuldades para se aprovar aqui na cidade. Porque eles não receberam aqui no nosso município, uma recepção política necessária. Não houve vontade política na época. Principalmente em 2006, 2007, quando eles começaram a mexer com as coisas aqui. A única entidade que eles tinham, de verdade, a favor deles aqui, era a Associação Comercial [e Empresarial de Peruíbe] (ACEP). E a política em si tentou vender dificuldades, para depois colher facilidades. Então quando eu digo vender difi-
A cidade não está preparada, o público não está preparado e a população, em geral, não está preparada. E a cidade não tem infraestrutura para recepcionar uma grande estrutura. Eu estou há 33 anos aqui. Sempre escutei “zum-zum-zum” que vai vir isso, vai vir aquilo. Hoje, eu só acredito, vendo. E as pessoas têm que cair “na real”, no seguinte: que a cidade tem de se preparar. Eu sempre falo isso. Eu sou repetitivo. A cidade tem que se preparar para o desenvolvimento. Ela não está preparada. Dê graças a Deus hoje, com essa política de verobjetivo. Posso afirmar que um conjunto de indicativos mostravam, àquela época, que o projeto era inviável. O principal indicador de que o Porto não seria construído (pelo menos nos moldes propostos) era a profundidade necessária. Nossa costa apresenta 20 metros de profundidade apenas na Ilha Queimada Pequena. Isto demandaria a dragagem de um canal, em mar aberto, de aproximadamente 20 km. Tecnicamente impossível. Outros indicadores que mostravam a fragilidade do projeto eram os números absurdos de grãos de soja, álcool e minério que seriam exportados, o
culdades, para colher facilidades, é que o projeto Porto Brasil foi muito mais usado pela a Julieta Omuro, ex-Prefeita de Peruíbe na época, e pelo Carlinhos [ex-Chefe de Gabinete), como uma propaganda eleitoral, do que para realmente desenvolver Peruíbe e trazer o porto para cá. Essa é a minha ideia. É o que eu penso. Em São João da Barra, as obras estão devagar, quase parando. Como estaria o porto aqui hoje?
Na sua opinião, como estaria a cidade hoje se o Porto Brasil tivesse "acontecido", considerando a crise de Eike Batista?
Como parto do princípio que o Porto não aconteceria, imagino que Peruíbe estaria tal como a cidade de São João da Barra, no Rio de Janeiro onde o Ministério Público Federal está se manifestando assim: "A situação social na região está tão ruim que estamos, até, pensando em entrar com ação civil indenizatória coletiva contra a pessoa de Eike Batista, que prometeu um progresso único para a re-
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O projeto Porto Brasil
ILUSTRAÇÃO
Porto do Açu (RJ) passa por dificuldades
Demissões atingem vários segmentos da cidade de São João da Barra (RJ)
Especial Porto Brasil 05 Eike Batista já pode ter perdido tudo (mesmo), diz revista americana. DIVULGAÇÃO
Setores hoteleiro, de alimentação e imobiliário registraram grandes prejuízos. O movimento caiu mais de 70%, em alguns estabelecimentos comerciais.
O Porto Brasil, empreendimento do empresário Eike Batista, com investimento previsto de US$ 3 bilhões, o porto de Peruíbe pretendia ser o maior e mais moderno da América Latina. Projetado com capacidade para movimentar 50 milhões de toneladas de vários produtos por ano e com obras avaliadas entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões. A área de 53 milhões de metros quadrados fica em Peruíbe, junto a divisa com Itanhaém, nas proximidades da Rodovia Padre Manoel da Nóbrega. No projeto constava uma ilha artificial de 500 mil metros quadrados, em alto-mar, o que permitiria um respeitável calado de 18,5m de pro-
fundidade, e uma área de 6 milhões de metros quadrados, que seriam conectadas por uma larga ponte sobre o mar com quatro pistas, divididas para os dois sentidos de fluxo. Atrás da região portuária, um condomínio industrial com 13 milhões de metros quadrados. Em 2008, a EBX anunciou a suspensão do projeto por tempo indeterminado, motivada por dificuldades de financiamento decorrentes da crise mundial. Antes de sofrer uma crise financeira pessoal, o empresário Eike Batista, disse não ter desistido do projeto, e que aguardava novo marco regulatório, com a licitação de portos na costa brasileira.
O setor hoteleiro de São João da Barra, Norte Fluminense, passa por crise após demissões de funcionários da construção do Porto do Açu, que está com suas obras atrasadas, uma vez que a inauguração estava prevista para acontecer até 2012. Porém, com a crise financeira do grupo EBX, obras seguem em ritmo lento e empresa aguarda definição de quem assumirá obras. Donos de hotéis e pousadas fizeram investimentos pensando em atrair trabalhadores vindos de outras cidades para a obra do complexo portuário, mas as últimas demissões causaram prejuízos. Quando se fala em alimentação, o movimento nos estabelecimentos caiu 70%. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores da Constru-
ção Civil, nos últimos três meses, pelo menos 1.600 pessoas que atuavam nas obras do superporto do Açu foram demitidas. O setor imobiliário também foi atingido. Das 120 casas alugadas por uma imobiliária para funcionários que atuavam no porto, 20 já foram entregues. Além disso, afetou também outros empreendimentos que estavam previstos, como novos condomínios e loteamentos, e que agora não têm mais prazo para sair do papel. A LLX, empresa responsável pelas obras do Porto do Açu, informou que é normal a mobilização e desmobilização de frentes de trabalho por causa da evolução de cada etapa da construção e que o cronograma da obra não foi alterado. O início da operação está previsto para este ano.
O empresário Eike Batista ainda rende notícias e piadas. A capa da revista Bloomberg Businessweek, com a chamada “como Eike Batista perdeu seus 34,5 bilhões de dólares de sua fortuna em 18 meses e deixou o status de bilionário”. Há 5 anos, o empresário foi considerado o oitavo mais rico do mundo. Segundo a revista, a medida usada por Eike nos últimos meses de vender ativos em uma companhia para saldar dívidas de outra, pode ter liquidado todos os seus recursos. Atualmente, publicações da Bloomberg estimam
que o empresário possua uma fortuna de 70 milhões de dólares. No entanto, a reportagem afirma que há grandes chances dele já estar com todo o seu patrimônio comprometido, além do fato de que, com esse valor, ele não conseguirá fazer um aporte de 1 bilhão de dólares na OGX nos próximos meses, conforme a empresa exige. No último dia 1º, Eilke protagonizou um calote histórico de quase 45 milhões de dólares, em juros que deveriam ser pagos sobre títulos da OGX. O jornalista lembra a faraônica entrada em cena da OGX em 2007. O investimento de 1,3 bilhão de dólares em 21 blocos para exploração de petróleo assustou muita gente. Mas era só o começo. Naqueles dias, Eike era mesmo um homem de sorte. A Bloomberg lembra que, em junho de 2008, o preço recorde de 145 dólares por barril de petróleo animou os investidores.
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Impostos fazem carros brasileiros custar mais de 90%
Os preços dos carros no Brasil estão entre os mais elevados do mundo, e isso decorre, principalmente dos exorbitantes impostos que são aplicados aos automóveis no Brasil. Para constatar o quanto os consumidores brasileiros são extorquidos pelos impostos, o Corolla fabricado no Brasil, por exemplo é vendido na Argentina por R$ 46.780 reais, e também o Honda Civic 2013, que, fabricado no Brasil, chega aos
ILUSTRAÇÃO
nossos hermanos por R$ 48.300 reais. O que pensar, então, do VW Gol Trendline 1.6 básico, que no Brasil custa a partir de R$ 34.250 reais, e o mesmo carro fabricado no Brasil é vendido no México pelo equivalente a R$ 17.700 reais (121.900 pesos mexicanos)? Ou seja, o consumidor brasileiro paga mais de 90% mais caro que um mexicano pelo mesmo Gol produzido no Brasil.
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ORAÇÕES E AGRADECIMENTOS Oração a Santo Expedito - Meu Santo Expedito das causas justas e urgentes interceda por mim junto ao Nosso Senhor Jesus Cristo, socorra-me nesta hora de aflição e desespero, meu Santo Expedito Vós que sois um Santo guerreiro, Vós que sois o Santo dos aflitos, Vós que sois o Santo dos desesperados, Vós que sois o Santo das causas urgentes, proteja-me. Ajuda-me, Dai-me força, coragem e serenidade. Atenda meu pedido (Fazer o pedido). Meu Santo Expedito! Ajuda-me a superar estas horas difíceis, proteja de todos que possam me prejudicar, proteja minha família, atenda ao meu pedido com urgência. Devolva-me a paz e a tranquilidade. Meu Santo Expedito! Serei grato pelo resto de minha vida e levarei seu nome a todos que têm fé. Muito obrigado. (Rezar 1 Pai Nosso, 1 Ave Maria e fazer o sinal da cruz).
08 Especial Porto Brasil
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Funai acelera demarcação de Terra Indígena em Peruíbe para evitar construção de empreendimentos O REPÓRTER REGIONAL
Fonte: Questão Indígena
Desde o dia 29 de agosto deste ano, funcionários da Funai trabalham às pressas para concluir a demarcação física da Terra Indígena Piaçaguera com 2.795 ha, no município de Peruíbe. A Funai acelerou a demarcação da Terra Indígena para evitar a construção de empreendimentos no local, como, por exemplo, o Porto Brasil, que foi pro-
jetado para movimentar 50 milhões de toneladas de vários produtos por ano e representaria um investimento de R$ 5 bilhões. A Identificação e Delimitação da terra indígena Piaçaguera foi oficializada com a constituição de Grupo Técnico pela Portaria n.º 867/PRES. Os técnicos da Funai definiram e identificaram como terra indígena
duas áreas descontínuas para evitar a inclusão da Rodovia Padre Manoel de Nóbrega como Terra Indígena. Uma das áreas abarca parte do litoral de São Paulo e tem 643 hectares, enquanto outra abarca 2.152 hectares separados da primeira área pela faixa de domínio da Rodovia. Nos últimos 30 dias técnicos da Funai correm para colocar nos locais
indicados pela cartografia os marcos e das placas indicativas, segundo eles "obedecendo critérios como os pontos limites dos polígonos e locais estratégicos para indicação dos limites visando intimidar as invasões." Um grupo de indígenas participou na execução do serviço de demarcação, junto com a empresa Seta, que presta serviço aos órgão, e um outro grupo participou da fiscalização junto com a Funai. Com a intenção de intimidar os invasores e os ocupantes não-indígenas da área demarcada a Funai e os índios acionaram uma equipe da Polícia Federal no dia 24 de setembro e percorreram os locais das ocorrências ameaçando alguns moradores não-índios. Os funcionários da Funai querem agora a expulsão dos ocupantes não índios e a destruição das construções existentes no local.
O Repórter
Regional
Sobre a Terra Indígena
Próxima às Ruínas do Abarebebê, a mais conhecida atração turística de Peruíbe, está situada a última aldeia Tupi-Guarani na orla do Oceano Atlântico: a aldeia de Piaçaguera. Nas Ruínas do Abarebebê, antigo aldeamento jesuítico de São João Batista de Peruíbe que se estendia de uma faixa de 11,5 km entre a Serra do Mar e a praia, encontra-se hoje, ao longo do percurso aberto à visitação pública, painéis exibindo as transcrições de documentos históricos sobre o secular missionamento dos índios na região. Segundo o antropólogo Paulo Santilli, Coordenador-Geral de Identificação e Delimitação da Funai, pode-se ler nos documentos estampados nos painéis, que o vasto aldeamento foi extinto em 1802 com o argumento de libertar os índios do mando e dos trabalhos forçados a que eram submetidos desde o século XVI. “Apregoava-se então, à época da extinção do aldeamento, que os índios, uma vez “livres”, poderiam se misturar em meio à população regional, e assim “civilizar-se”, ilustra Santilli. Documentos diversos atestam a utilização generalizada de mão-de-obra indígena em áreas do aldeamento extinto, explica o antropólogo. Das várias aldeias formadas pelos Tupi-Guarani na região litorânea, Piaçaguera é a última remanescente à beira-mar, onde ainda permanece a vegetação nativa de restinga estendida até a areia da praia. Às famílias Tupi-Guarani que viviam na aldeia Piaçaguera juntaram-se, nos últimos anos, parentes que se encontravam espalhados por bairros periféricos das cidades próximas, formadas, em parte, por descendentes dos habitantes do antigo aldeamento de São João Batista, e, em parte, por famílias aparentadas vindas da aldeia do Bananal.
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