WWW.OPOVO.COM.BR
SÁBADO
ARTE ACIDUM PROJECT / ESPECIAL PARA O POVO
FORTALEZA - CEARÁ - 18 DE ABRIL DE 2026
Antes da cidade, havia o tempo indígena. E esse tempo tinha nome, forma e história. Entre os povos que ocupavam o litoral do atual Ceará, destacavam-se os potiguara, também conhecidos como potiguares, petiguares, pitaguares, pitiguares e pitiguaras, uma das grandes nações do tronco tupi, cuja presença se estendia do atual Pernambuco ao Ceará. No século XVI, não eram um grupo residual, mas uma sociedade numerosa, estimada em dezenas de milhares de pessoas, organizada, guerreira e profundamente adaptada ao território.
www.opovo.com.br
ARTE ACIDUM PROJECT / ESPECIAL PARA O POVO
Sábado
Fortaleza - CeARÁ - 18 de abril de 2026
Eram grandes canoeiros. Dominavam o litoral não como fronteira, mas como eixo de circulação. Navegavam, guerreavam, trocavam. Sua relação com o espaço não era de fixação, mas de mobilidade estratégica. Aldeias podiam se deslocar. Caminhos não eram linhas permanentes, mas trajetórias reativadas. O território não era propriedade: era uso, relação, conhecimento. Falavam a língua tupi antiga, partilhavam ritos e uma cosmologia em que natureza, guerra e vida social formavam uma unidade. A guerra não era exceção. Era sistema. Definia alianças, produzia memória, organizava o mundo. Por isso, foram também um dos povos que mais resistiram à colonização portuguesa. Durante décadas, enfrentaram os invasores em conflitos prolongados, articulando alianças com franceses no comércio do pau-brasil e operando dentro de um campo político mais amplo do que a narrativa colonial costuma admitir. Os potiguara não estavam fora da história. Eles eram a história.
É nesse mundo que a colonização portuguesa fracassa.
Em 1603, o açoriano Pero Coelho de Souza chega ao Ceará com autorização da Coroa, trazendo soldados, armas e aliados indígenas. O projeto era claro: ocupar, catequizar, controlar o território. Avança pelo Jaguaribe, constrói fortim, segue pelo litoral, destrói posições francesas, sonha com riquezas na serra da Ibiapaba. Nada se sustenta. A tropa adoece, a fome se instala, a promessa de ouro se revela ilusão. Vem o motim, vem o recuo. Na barra do rio Ceará, tenta ainda fundar uma povoação: Nova Lisboa. Traz família, colonos, insiste. A terra e o povo originário recusam. Sem abastecimento, sem apoio, sob pressão indígena, a experiência colapsa. Vem a seca de 1606. Na retirada, homens morrem, filhos morrem. Sobrevivem de caranguejos nos mangues. Nova Lisboa desaparece, engolida pelas dunas. O Ceará, Fortaleza: tudo permanece impossível. Poucos anos depois, nova tentativa, agora religiosa. Em 1607, jesuítas atravessam o território, fundam aldeamentos, avançam pelo sertão. Também fracassam. A paisagem impõe limites, mas são sobretudo os povos indígenas que resistem. Aldeias destruídas, outras em fuga, outras em combate. Um dos padres é morto. Nem a espada, nem a cruz bastam. É apenas após esse duplo fracasso que a estratégia muda. Em 1612, retorna ao Ceará Martim Soares Moreno, sobrevivente da expedição anterior. Mas ele retorna diferente. Não como conquistador, mas como mediador. Aprendeu a língua indígena. Conhece os costumes. Sabe que sem os indígenas não há permanência possível. É nesse ponto que surge Jacaúna. Segundo o próprio relato de Martim, e isso é decisivo, ele teria ido “de paz” ao sertão, à casa de Jacaúna, que o recebeu e prometeu aliança.
Mas é preciso insistir: essa é a versão de Martim.
Não possuímos o relato indígena. O que temos é uma narrativa colonial que transforma negociação em prova de lealdade e mediação em conquista antecipada. Ler criticamente esse episódio é inverter o ponto de vista. Usar aqui o conceito de fabulação crítica para enxergar Jacaúna e não só Martins Soares Moreno como foi feito durante muito tempo. A fabulação crítica, conceito desenvolvido pela intelectual Saidiya Hartman, é um método de pesquisa e escrita que combina rigor histórico com imaginação especulativa para preencher lacunas em arquivos oficiais. Ela reescreve histórias de vidas marginalizadas, especialmente escravizadas, contra a lógica dos documentos coloniais, reparando silêncios históricos e dando voz às subjetividades perdidas. A cabeça de Jacaúna não é um lugar de silêncio. É um lugar de vozes. Ali dentro não há um “eu” isolado, como supõe o pensamento europeu. Há um movimento. Um fluxo. Um mundo inteiro em negociação. Parentes, inimigos, espíritos, lembranças de guerras antigas e pressentimentos do que ainda pode acontecer. Pensar, para ele, é alinhar forças. Como diria Eduardo Viveiros de Castro, o social não nasce da identidade, mas da relação. A cabeça de Jacaúna não procura o igual, ela trabalha com o diferente. O outro não é um obstáculo: é uma possibilidade. Por isso, diante dos portugueses, Jacaúna não vê apenas ameaça. Ele vê abertura. Um campo instável onde o inimigo pode se tornar aliado e o aliado pode se desfazer. Nada está dado. Tudo precisa ser construído. Sua inteligência é diplomática. Não no sentido fraco da conciliação, mas no sentido forte da tradução entre mundos. Ele pensa como quem atravessa fronteiras invisíveis. Na cabeça de Jacaúna, viver é fazer alianças. Negociar é existir. O que ocorre não é conquista. É acordo, sob quais condições não sabemos. Didaticamente, o processo é simples: Martim aproxima-se, aprende, negocia. Jacaúna avalia, decide, permite. Autoriza a permanência, viabiliza a instalação. A partir daí, ergue-se o Fortim de São Sebastião, pequeno, precário, mas estável. Pela primeira vez, a presença portuguesa não é imediatamente expulsa. A colonização torna-se possível. Aqui está a ruptura. Durante décadas, o padrão era fracasso. Agora surge uma nova lógica: negociação e permanência. O que mudou não foi a força europeia. Foi a decisão indígena. Mas essa decisão só pode ser compreendida dentro do tempo que a produziu. Jacaúna age em um campo de pressões: conflitos interindígenas, presença francesa, risco de escravização. A aliança com os portugueses não é submissão. É estratégia. O acontecimento não é a chegada europeia. O acontecimento é a decisão indígena de permitir a permanência europeia. E essa decisão inaugura um processo irreversível. Porque o pacto não é simétrico. O que começa como cooperação tende a se converter em dominação. O que começa como convivência abre caminho para a posse. Nada disso estava garantido. A aliança poderia falhar. A terra poderia continuar a expulsar. Mas não foi o que aconteceu. À beira do mar, entre dunas móveis e rios instáveis, dois mundos negociam. Não há síntese. Há apenas um acordo precário que torna o impossível improvável. Este é o Acontecimento 1. Não a fundação de Fortaleza. Mas a fundação de sua possibilidade. Antes da cidade, houve resistência. Antes da colonização, houve fracasso. E no centro de tudo, houve uma decisão indígena, cuja história chegou até nós contada pela voz do outro. A tarefa crítica é reabrir esse momento. E escutar o que ainda não foi dito. Enxergar o que não foi visto. Um mundo inteiro. E uma outra maneira de ver o mundo. E mostrar o líder Jacaúna, no mínimo, ao lado de Martins Soares Moreno como fundador de Fortaleza.
Esqueça a figura idílica do “guerreiro branco” romantizada por José de Alencar. Esqueça, também, a placidez retratada no conjunto escultórico bafejado pela brisa da avenida Beira-Mar. Esqueça, em especial, as imagens edulcoradas na capa das edições escolares do livro “Iracema”. O Martim Soares Moreno histórico é bem diferente do evocado pela lenda.
www.opovo.com.br
Sábado
Fortaleza - CeARÁ - 18 de abril de 2026
ARTE ACIDUM PROJECT / ESPECIAL PARA O POVO
Para entender a gênese de Fortaleza, é preciso substituir a mitologia plácida do “bom colonizador” pelo cheiro acre de pólvora, pela vozearia dos combates, pela visão do sangue derramado na terra na qual hoje pisamos. “Degolei mais de duzentos franceses e flamengos piratas”, comunicou Martim em carta ao rei de Portugal. Natural da vila alentejana de Santiago de Cecém, ainda era um jovem imberbe quando fez a primeira travessia transatlântica. Chegou ao Brasil em 1602, aos 17 anos, trocando a vida europeia pelo bafo quente e úmido do litoral de Pernambuco. No ano seguinte, engajouse na primeira expedição colonizadora enviada ao Siará Grande, comandada pelo açoriano Pero Coelho de Souza. Martim marchou ao lado de meia centena de brancos armados de arcabuz — e à frente de cerca de duzentos flecheiros potiguaras, aliados dos portugueses. A missão inicial era dominar os nativos locais pelo temor à cruz e pela força da espada. Os que se submetiam, eram escravizados e cristianizados. Os insurgentes à invasão, trucidados. Da Paraíba ao Jaguaribe, a tropa seguiu a pé, dizimando e capturando indígenas no laço. Na sequência, o grupo seguiu em três navios até Camocim. A empreitada, que tinha por última finalidade dar combate à França Equinocial — tentativa francesa de erguer uma colônia permanente no Maranhão — terminou em fracasso. Em dois anos de refregas no litoral e mato adentro, o contingente ficou reduzido a um punhado de homens sujos e estropiados. Para evitar inevitável motim, Pero Coelho aceitou recuar da Ibiapaba e, no caminho de volta, na altura da foz do Rio Ceará, mandou erigir precária cidadela de taipa, que batizou hiperbolicamente de Forte de São Tiago. O incipiente arraial em torno dele seria nomeado, com ainda maior pompa, de Nova Lisboa. Na sequência da viagem de regresso à Paraíba, Pero Coelho e seus comandados foram surpreendidos pela seca de 1606, a primeira das grandes estiagens cearenses registrada em documentos oficiais. O acampamento na Barra do Ceará, acossado por indígenas e sob a guarda de poucos sentinelas, terminou devorado pelas dunas móveis do lugar. Nova Lisboa não deixou vestígios. Seis anos depois, Martim Soares Moreno, já forjado na arte da sobrevivência, retornou ao Ceará, na posição de comandante da própria força de guerra. Para não perecer na aridez implacável, percebeu que precisava se fundir à terra. Seu tio, o sargentomor Diogo de Campos Moreno, o havia mandado na nova expedição com propósito tático explícito: “[Que] aprendesse a língua dos índios e seus costumes, dando-se com eles e fazendo-se seu muito familiar e parente ou compadre”. O português embrenhou-se nos costumes nativos e firmou alianças vitais com os chefes potiguaras, incluindo Jacaúna. Forjou a irmandade que definiria o controle europeu sobre o Siará Grande. Para combater corsários e invasores ao lado dos aliados indígenas, despiase de qualquer resquício da identidade lusitana. A imagem clássica do fidalgo cedeu lugar ao cheiro terroso do urucu e ao odor adocicado do jenipapo esfregados na pele nua. O próprio Martim descreveria, anos mais tarde em sua dramática “Relação do Ceará”, o nível extremo dessa assimilação no front: “Me despia nu e me rapava a barba tingindo de negro com um arco e frechas ajudando-me dos índios falando-lhes de contínuo a língua”. A política de alianças era oportunista, baseada no uso do sangue dos nativos para nutrir a sede da guerra. Com tal objetivo, Martim ergueu novo baluarte na Barra do Ceará, o Fortim de São Sebastião. Ao organizar missão de reconhecimento para atacar posições francesas no Maranhão, teve o barco arrastado por correntes marítimas e ventos contrários. A deriva atlântica o empurrou desde Camocim até a ilha de Santo Domingo, nas Antilhas. De lá partiu rumo à Europa em odisseia governada apenas pelo acaso. No trajeto, enfrentou navio pirata francês artilhado com dezoito canhões. A crueza do confronto foi registrada na petição do próprio Martim ao rei, na qual relatou que o inimigo “matou toda a gente, que foram dezenove homens, não ficando mais que três e um menino todos em pedaços”. Ele próprio escapou, mas desfigurado: “Fiquei com 23 feridas, com uma mão cortada e o rosto com uma cutilada”. Capturado e levado à França, Martim amargou as trevas de um calabouço em Dieppe. A luz tropical seria substituída pela escuridão fria e fétida da prisão europeia. Posto em julgamento, foi condenado à morte. Por dez meses, ouviu apenas o tinir de suas próprias correntes, enquanto o corpo ferido lutava contra as infecções e a febre.
É preciso compreender o Martim real por trás do mito fundador. Revelar aquilo que a estátua na Volta da Jurema e as páginas do romance de Alencar não exibem. Nossa formação histórica, na verdade, não foi constituída na beleza, no idílio e na poesia. Foi obra da ferocidade, da opressão e do horror.
O verdadeiro Martim foi figura rústica e visceral. Um homem cuja brutalidade era uma engrenagem da máquina de guerra, elo crucial do projeto de expansão do Império português. Soldado impiedoso, carregava as marcas das batalhas espalhadas pelo corpo, incluindo a mão decepada e o rosto rasgado por enorme cicatriz.
A redenção, no limite das forças, veio pela via diplomática. Salvo pela intervenção do embaixador espanhol, Duque de Monteleon, Martim saiu da cadeia arruinado, coberto de dívidas contraídas para pagar o preço da liberdade. Sem recursos, buscou reconhecimento. A Coroa espanhola (então governando Portugal, no contexto da União Ibérica) o recompensou: uma carta patente assinada em maio de 1619 o nomeou capitão-mor do Ceará por dez anos. A gestão de Martim no Ceará foi marcada pela fragilidade administrativa e pelo estado de penúria. Em cartas à Coroa, ele demonstrava desespero e impotência diante da miséria de seus soldados — “todos despidos e doentes”. Envelhecido e acuado no interior do forte de taipa, confessava o medo de perder o controle da situação. Temia ser assassinado ou abandonado pelos homens famintos: “[Estão] tão desesperados que a cada hora receio um motim; e que me desamparem”. Na década de 1630, mesmo mutilado, Martim foi a Pernambuco dar combate à ocupação holandesa no Recife. Nunca mais retornou ao Ceará. Em 1648, exausto e se dizendo “vencido de idade e trabalhos”, abdicou do posto de mestre de campo e embarcou definitivamente para a Europa. O Martim Soares Moreno histórico morreu pouco depois, por volta de 1650, em Lisboa, na obscuridade. Restou a lenda. A história idealizada de Iracema sempre mascarou, na verdade, um processo brutal de invasão, em que os povos originários e a terra foram subjugados. Repetir o mito do herói de forma acrítica é exaltar um processo que, na realidade, violentou mulheres indígenas, invisibilizou negros e chacinou etnias.
Acidum Project \ É um duo de artistas, Terezadequinta e Robézio Marques, nascido em Fortaleza. Eles produzem as artes que ilustrarão este especial. Seus trabalhos transitam pelos universos da arte contemporânea, streetart e raízes da tradição do Nordeste. O Acidum vem consolidando um trabalho de pintura, com obras icônicas, carregadas de simbolismo, que refletem o poder de sua natureza local e universal. Com o histórico de exposições por galerias em vários países (Canadá, Austrália, EUA, entre outros), o Acidum celebra 20 anos em 2026.
A Relação do Seará é um dos mais importantes documentos sobre o início da colonização europeia no que hoje é o Ceará. Martim Soares Moreno relata os anos de serviço ali prestados. O texto foi publicado pelo Barão de Studart em 1905, em Documentos para a história de Martim Soares Moreno, na revista do Instituto do Ceará. Confira trechos:
1ª expedição ao Ceará
“Sendo de pouca idade passei ao Brazil por soldado, em companhia do governador Diogo Botelho logo que cheguei a Pernambuco fui com o Capitão mór Pero Coelho de Souza a descobrir e conquistar a Provincia de Jaguaribe e Seará e Mel Redondo, servindo de Soldado, onde tivemos muita guerra com aquelles Indios que erão infinitos, e tinhão muitos francezes em sua companhia. O que tudo ficou conquistado, e depois de seis mezes de guerra onde eu recebi muitas feridas com os demais companheiros, e vendo que nos não podiamos sustentar, nos retiramos a Seara para que com mais socorro fossemos a conquista do Maranhão, tão desejada dos Reis passados. Alli houve muitos desassocegos nos Indios por algumas sem razões que se lhe fizerão assim foi forçozo a despovoarse aquelle sitio donde já era feita uma Cidade em muito bom sitio onde eu tenho agora uma fortaleza de maneira que em uma e outra parte se gastarão tres annos onde sempre assisti com muitos trabalhos, sustentando-nos de cobras e lagatos porque naquelle tempo nunca se deu ordem a plantar mantimentos e hoje ha infinitos.”
Aprendizado da língua e amizade com Jacaúna
“Neste discurso de tempo aprendi muita parte da lingoa daquelles Indios e travei com elles particular amizade particularmente com o principal dali chamado Jacauna; logo que este sitio e conquista foi despovoada donde Pero Coelho gastou toda sua fazenda que era muita e alli perdeu seus filhos á fome e sede, forão dous Padres da Companhia de Jesus aquellas ditas partes, e com sias praticas domarem aquelles Indios, e já que havião feito muito hindo em demanda de umas minas que dizem os francezes que estão na serra do Ponare, foi um delles morto que era muito grande Religioso e
muito bom lingoa dos Indios que chamavão Francisco Pinto, e outro companheiro que era o Padre Luiz figueira escapou entre um matto que não foi visto dos Indios tapoyas e se retirou a Pernambuco ficarão aquellas partes outra vez despovoadas como dantes.”
Paulo Linhares \
“Alli no dito anno degollei mais de duzentos francezes e flamengos piratas e lhe tomei 3 embarcações donde uma dellas veio a Sua Magd. a esta Cidade toda a proa e popa douradas e para fazer estes assaltos me despia nú arco e frechas ajudando-me dos Indios fallando-lhes de contino a lingua e perguntando-lhes o que já sabia bem fazer, no dito anno fiz pazes com 3 castas de tapoyas alli vizinhos e por meio delles tive novas do Maranhão e forão Indios delle a fallar comigo donde me derão noticias das boas terras que havia naquellas partes e gastando sempre muita de minha fazenda para fazer estas pazes.”
Jornalista, antropólogo e professor da UFC. Mestre pela Sorbonne, doutor em Antropologia Cultural. Colunista do O POVO. Deputado estadual. Duas vezes Secretário de Cultura. Criou o Centro Dragão do Mar, o MAC, o Porto Iracema das Artes, o Cine Ceará e o festival Maloca. Autor de Cidade de Água e Sal e José de Alencar-O profeta e o Chocolate. Pericêntricos — Crítica da razão sudestina (no prelo).
A terra e o rio
Lira Neto \
Violências
“Seara está 100 legoas da Capitania do Rio Grande para Loeste e em todas estas legoas não ha um palmo de terra que se possa povoar nem que dê mantimento por nenhuma maneira, tudo são areaes desertos, sõ em 3 Rios têm 3 castas de tapoias de guerra, desde alli ao Maranhão tão pouro não ha couza que se possa povoar de que logo direi. “Este dito Seara é um Rio que entrão nelle embarcações de 30 até 40 toneladas está em 2 graus e 2 terços da parte do Sul, tem uma pequena fortaleza de madeira com 4 pedreiras, esta sobre o Rio, e tem junto de si um rio de agua doce muito caudalozo, e bom está dali a 2 legoas a balravento uma grande enseada muito inquieta para Navios de 300 e 500 toneladas que era antigamente porto dos francezes chamada macoripé onde podem estar 4 peças de artelharia que não deixem ancorar alli navio ladrão nenhum. Dali a balravento está outra enseada chamada Yguape que tambem era repouzo de estrangeiros que continuo ha mister vigiada porque de continuo vão alli a concertar seus navios e tomar agua, e alli têm madeira para tudo o que lhe é necessario, a sotavento deste Seará há outra enseada chamada Pará que tem um rio de agua doce caudalozo onde também se vão reformar os ladrões.”
Jornalista. Quatro vezes premiado com o Jabuti. Vencedor do prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA). Autor, entre outras obras, das biografias de Padre Cícero, Getúlio Vargas, Maysa, Castello Branco e Oswald de Andrade, todas publicadas pela Companhia das Letras. No momento trabalha em dois novos projetos: um livro sobre os 300 anos de Fortaleza e a biografia de Luiz Gonzaga.
O POVO
Presidente Institucional & Publisher: Luciana Dummar / Presidente-Executivo: João Dummar Neto / Vice-Presidente de Tecnologia e Negócios: André Filipe Dummar / Diretores de Jornalismo: Ana Naddaf e Erick Guimarães / Diretor de Jornalismo das Rádios: Jocélio Leal / Diretor de Negócios: Alexandre Medina Néri / Diretora de Gente e Gestão: Cecília Eurides / Diretor de Relações Institucionais: Cliff Villar / Diretor de Opinião: Guálter George
FORTALEZA ANOS Curadoria editorial e textos: Lira Neto e Paulo Linhares / Coordenação editorial: Ana Naddaf e Erick Guimarães / Edição: Érico Firmo e Isabel Costa / Projeto gráfico e edição de design: Gil Dicelli / Arte: Acidum Project / Mídias Sociais: Alan Magno e Sarah Costa Concepção do projeto: Lira Neto e Paulo Linhares / Coordenação geral: Paula Lima / Área de Negócios: Adryana Joca, Adriano Matos, Dayvison Álvares, Lela Pinheiro, Marcos Lopes e Ranilce Barbosa / Gestão de Projetos: Valéria Freitas, Adriana Bernardi e Bell Dantas / Marketing: Juliane Pereira, Patrícia Alencar e Renata Viana
O POVO Concepção: Ana Naddaf e Fátima Sudário / Edição: Fátima Sudário / Identidade visual: Cristiane Frota / Textos: Karyne Lane / Recursos digitais: Karyne Lane e Wanderson Trindade / Fotografia: Fernanda Barros, Fabio Lima, Fco Fontenele, Júlio Caesar, Samuel Setubal e Bárbara Moira / Pesquisa: Roberto Araújo/OPOVO.doc / Central de Dados OP+: Ayuri Reis e Wanderson Trindade.
Especial Confira a página Fortaleza 300 anos, com o conteúdo da série