


MENINAS E MULHERES, CORPO E DESENVOLVIMENTO HUMANO: EQUÍVOCOS, AMBIGUIDADES E PARADOXOS

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Edição de Arte
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Analista de Projetos
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O48m

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) de acordo com ISBD
2025-5387
Oliveira, Vitória Monteiro Monte Meninas e mulheres, corpo e desenvolvimento humano [recursoeletrônico]: equívocos, ambiguidades e paradoxos / Vitória Monteiro Monte Oliveira, Rosângela Gomes dos Santos; ilustrado por Carlus Campos. - 2. ed. - Fortaleza: Fundação Demócrito Rocha, 2025. ePUB.
ISBN: 978-65-5383-198-8 (ePUB)
1. Esporte. 2. Educação. 3. Meninas. 4. Mulheres. 5. Inclusão. I. Santos, Rosângela Gomes dos. II. Campos, Carlus. III. Título.
CDD 796
CDU 796
Elaborado por Vagner Rodolfo da Silva - CRB-8/9410
Índice para catálogo sistemático:
1. Esporte 796
2. Esporte 796



Você já parou para pensar no que faz algo ser considerado “vivo”? E o que o diferencia de algo “não vivo”? Além disso, a vida humana passa por diferentes etapas, marcadas pela idade e pelo desenvolvimento do corpo. Mas como isso acontece quando falamos de meninas e mulheres?
Neste módulo, vamos explorar questões como:
5 Quais são as fases do desenvolvimento motor?
5 De que forma a puberdade e os hormônios influenciam esse processo?
5 Como fatores biológicos e hormonais podem impactar na prática de atividades físicas?
Ao longo da leitura, você vai compreender como o corpo das meninas e mulheres se transforma ao longo da vida, especialmente a partir da puberdade, por volta dos 12 anos. Também vai perceber como esses processos se diferenciam do corpo masculino e quais os reflexos disso na prática esportiva.


Ao final deste módulo, você será capaz de:
5 Entender o que caracteriza um ser vivo e suas fases de desenvolvimento humano ao longo da vida;
5 Identificar as etapas do desenvolvimento motor;
5 Reconhecer como a puberdade, o estrógeno e outros fatores biológicos influenciam o corpo de meninas e mulheres;
5 Relacionar essas mudanças ao modo como meninas participam de práticas esportivas organizadas;
5 Valorizar as diferenças entre os sexos no esporte, promovendo respeito, inclusão e equidade.


Optamos por começar este módulo tratando das características que definem o que é estar vivo porque acreditamos que compreender a vida em sua base é fundamental para refletir sobre o corpo, o movimento e o esporte. No curso “Meninas e Mulheres no Esporte: Acesso, Inclusão e Permanência”, essa escolha não é por acaso: ao falar de meninas e mulheres no esporte, precisamos reconhecer que seus corpos são vivos, complexos e em transformação. Por isso, começamos pelo princípio – entender o que diferencia seres vivos dos não vivos – para depois avançar para as fases do desenvolvimento humano e motor, e então discutir os impactos da puberdade, dos hormônios e das desigualdades sociais no esporte.
A partir desse olhar inicial sobre o que caracteriza a vida, conseguimos avançar para compreender melhor como o corpo humano cresce, se desenvolve e se transforma ao longo do tempo.
Os seres vivos têm como características a organização celular, presença de metabolismo próprio, capacidade de reprodução, programa genético (RNA ou DNA) e transformações geradas por processos internos. Já os seres “não vivos” podem ser definidos como aqueles que não têm programa genético, nem metabolismo, não realizam reprodução autônoma e cujas mudanças só acontecem por ação de fatores externos, observe:

Você já reparou como a vida humana passa por muitas fases? Nascemos, crescemos, mudamos de corpo e de jeito, acumulamos experiências. Esse movimento constante pode ser chamado de ciclo da vida. Para organizar melhor esse processo, estudiosos dividiram a trajetória humana em 10 fases, considerando aspectos dentários, comportamentais, fisiológicos, sociais, culturais, de crescimento e de envelhecimento. Cada fase mostra como a vida se transforma, etapa por etapa, ao longo dos anos.

Assim como a vida acontece em etapas, o corpo também passa por transformações que merecem ser observadas com cuidado. Cada fase traz mudanças físicas, emocionais e sociais que influenciam diretamente no modo como nos movemos e interagimos com o mundo. Quando falamos de seres humanos, conhecer esses estágios é essencial para propor estímulos adequados em cada idade. Para isso, é importante diferenciar cresci-
mento, que se refere ao aumento da altura, de desenvolvimento humano, que envolve as transformações psicomotoras. O primeiro cessa na adolescência, enquanto o segundo nos acompanha por toda a vida.
O desenvolvimento motor, por sua vez, não depende apenas de fatores genéticos como crescimento físico e maturação. Ele também é moldado pelo ambiente e pelos contextos socioculturais, que afetam a performance motora em cada idade. Esse processo é dinâmico, cheio de idas e vindas, e marca o percurso do indivíduo ao longo da vida.
Para facilitar a compreensão, veja a seguir uma tabela com os quatro estágios do desenvolvimento motor:
Estágio motor Característica

Reflexiva
Idade
Rudimentar
Nesse período, o recém nascido/bebê está codificando e decodificando informações. Pode-se dizer que ele oferece respostas automáticas aos estímulos e tem a predominância de movimentos reflexos. Essa fase é a base para o início dos movimentos voluntários.
Exemplo: sucção, preensão palmar. do útero a 1 ano
O bebê passa a inibir os movimentos reflexos e dá início aos movimentos voluntários. É o início do controle do seu próprio corpo.
Exemplo: sentar, engatinhar, andar.
Fundamental
Especializada
Espera-se que nessa fase a criança seja capaz de realizar, ainda que de forma grosseira, os variados movimentos básicos (locomoção, estabilização, manipulação), que são a base para os movimentos mais complexos.
Exemplo: saltar, pular, arremessar de forma grosseira.
Nessa fase, há um refinamento e combinação dos movimentos fundamentais para fins específicos, como dança, brincadeiras, esportes propriamente ditos e contextos que envolvem a integração de habilidades.
0 a 2 anos

2 a 7 anos


07 anos adiante

A partir do entendimento dessas fases, você, como profissional, pode realizar o estímulo adequado e favorecer a autonomia e autoconfiança em todas as idades. Assim como compreender que o desenvolvimento das habilidades básicas é ideal para chegar à fase de movimentos especializados com o desempenho esperado.

5 As crianças que não tem estímulos adequados durante as fases anteriores podem demonstrar atrasos no padrão motor esperado.
5 Quando o aluno passa a frequentar a escola, o desenvolvimento integral sofre influência do desenvolvimento motor, principalmente no que diz respeito às habilidades motoras, por isso, é essencial que o professor conheça o tema para trabalhar e estimular de forma adequada cada faixa etária.
Outra observação importante é a ligação entre as habilidades motoras e a atividade física, de forma que uma influencia a outra. Mas como isso acontece? De forma simples: quanto mais habilidades motoras uma criança tem, maiores são as chances dela participar das atividades físicas organizadas. Ao mesmo tempo que quanto mais atividades físicas organizadas participam, mais amplas e aperfeiçoadas ficam suas habilidades motoras, e isso reforça a importância de investir tempo e recursos no desenvolvimento das habilidades motoras, especial -
mente no período pré escolar e nos primeiros anos do ensino fundamental.
Quando se trata de gênero, estudos sugerem que as meninas com menos habilidades motoras tendem a não participar dos esportes durante a adolescência. Por isso, estar atento às questões de gênero mostra como é fundamental incentivar, com motivação extrínseca, a participação de meninas nas atividades físicas organizadas. Essa interação aprimora não só suas habilidades motoras, mas também sua percepção de competência motora, favorecendo que cresçam com sentimento de autoconfiança e se aproximem de um estilo de vida ativo e saudável.



A puberdade é um período de muitas mudanças: o corpo cresce rápido, novas características aparecem e os hormônios entram em ação de forma mais intensa. Para quem trabalha com esporte, compreender esse momento é fundamental, porque ele influencia diretamente a forma como meninas e meninos se desenvolvem e respondem aos treinos.
Saber em que fase essas transformações ocorrem ajuda a planejar estímulos e organizar treinos mais adequados. A maturação, por exemplo, acontece durante toda a vida, mas é na puberdade, fase de transição da infância para a juventude, que se concentram as mudanças mais marcantes. Esse processo é regulado principalmente pela reativação do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal (HPG), responsável pela liberação dos hormônios reprodutivos em ambos os sexos.

Maturação e puberdade não são a mesma coisa, não confunda. O primeiro é o processo que leva a vida inteira, enquanto o segundo trata-se da fase de transição da infância para a juventude/adolescência.
No período da puberdade ocorrem vários fenômenos no corpo humano, como: crescimento, ganho de massa magra, aumento da estatura e da quantidade de hormônios sexuais androgênicos (como a testosterona) e estrógenos (estradiol, estano e estriol), que podem influenciar no desempenho de membros inferiores em meninos e meninas. Vale ressaltar que a quantidade de atividade física e a morfologia também são fatores que impactam nesses resultados.
Além disso, crianças com maturação acelerada têm mais potência muscular do que as com maturação atrasada, desse modo, pode-se dizer que a maturação possui influência no nível de potência muscular e, consequentemente, nos resultados dos movimentos de força explosiva. Por isso, os níveis de maturação são fatores tão importantes na seleção de jovens nas modalidades esportivas.
A testosterona é responsável por desencadear a criação de ossos maiores e mais fortes, aumentar a massa magra, força muscular e hemoglobina circulante. Antes da puberdade, não existem diferenças significativas nos níveis de testosterona entre meninas e meninos, mas, após essa fase, a produção desse hormônio no corpo masculino é até 20 vezes maior do que no feminino, e isso gera desvantagens para as mulheres no que diz respeito a competições que envolvam potência
ou resistência.

Todos os hormônios sexuais liberados na puberdade (estrógenos/estrogênios, progesterona e andrógenos) estão presentes em indivíduos do sexo masculino e feminino. No entanto, nos homens a concentração de testosterona é maior, enquanto nas mulheres, tem-se maiores quantidades de estrógenos e progesterona.
Já no caso das meninas, a partir da puberdade a produção dos estrogênios é impulsionada, influenciando tanto no aparecimento de características femininas quanto no início da menstruação. Embora sua concentração e maiores doses sejam encontradas no corpo feminino, os homens também possuem esses hormônios no organismo, só que em quantidades menores.
5 Estrógeno e estrogênio são sinônimos.
5 Dos estrogenos, o estradiol tem maior concentração no período da puberdade, enquanto o estriol é na gravidez e o estrona na pós-menopausa.

Outro hormônio liberado durante a puberdade, logo após a menarca (primeira menstruação), é a progesterona. Esse hormônio tem como uma de suas influências o acúmulo de gordura no corpo e está associado principalmente à fertilidade feminina e gravidez. Já nos homens, sua presença auxilia na produção e maturação dos espermatozoides, além de participar da biossíntese de testosterona.
O ciclo menstrual faz parte da vida de muitas mulheres e, mais do que um marcador biológico, ele influencia diretamente como cada uma se sente no dia a dia e também nas

práticas esportivas. Em média, ele dura 28 dias e é regulado principalmente pelos hormônios estrógeno e progesterona, que desempenham papel central na saúde reprodutiva. Essas variações hormonais podem afetar energia, força, resistência, humor, fadiga e até o risco de lesões. Ou seja, compreender o ciclo não é apenas uma questão de saúde, mas também de pensar estratégias para potencializar a participação de meninas e mulheres no esporte. Na tabela a seguir, você vai conhecer as quatro fases do ciclo menstrual, os principais impactos de cada uma no desempenho esportivo e algumas orientações práticas para lidar com elas de forma respeitosa e eficiente:
a 5)
Características: Queda de estrógeno e progesterona. Possíveis sintomas: fadiga, cólicas, sensibilidade e baixa disposição.

Impacto no desempenho: Redução de energia, desempenho e recuperação mais lenta.
Estratégias: Treinos leves a moderados; alongamentos; respeitar sinais do corpo e investir em alongamentos e exercícios de menor impacto.
Características: Aumento gradual de estrógeno; mais energia e disposição.
Impacto no desempenho: Melhor adaptação muscular; ganhos de força e velocidade.
Estratégias: Intensificar treinos de força e intervalados de alta intensidade, aproveitando o pico de energia e adaptação muscular.



3. Fase Ovulatória (Dias 14 a 16)
Características: Pico de estrógeno e ovulação; maior potência, explosão muscular e tolerância ao esforço.
Impacto no desempenho: Excelente rendimento em treinos intensos; risco aumentado de lesões ligamentares devido a ação hormonal sobre tecidos conjuntivos.
Estratégias: Treinos intensos com prevenção de lesões (fortalecimento do core).
4. Fase Lútea (Dias 17 a 28)
Características: Predomínio da progesterona; retenção de líquidos; sintomas de tensão pré-menstrual - TPM.
Impacto no desempenho: Queda de performance em alguns casos; melhor uso de gorduras como energia.
Estratégias: Foco em treinos aeróbios moderados; técnicas de relaxamento; sono e hidratação.

O impacto do ciclo menstrual no desempenho esportivo é individual: enquanto algumas mulheres percebem variações marcantes, outras não sentem diferenças significativas. Por isso, o acompanhamento profissional e o autoconhecimento são fundamentais para planejar treinos respeitando cada fase.

1. Use aplicativos ou diários menstruais para monitorar fases e sintomas.
2. Ajuste cargas de treino de acordo com sensações individuais.
3. Professores e treinadores devem considerar o ciclo na planificação esportiva.
4. Esteja atento à pobreza menstrual: falta de absorventes ou de condições adequadas de higiene pode levar à ausência nas aulas e treinos. Promover acesso a materiais de higiene e criar um ambiente de apoio faz diferença para garantir a permanência de meninas



Ao longo deste fascículo vimos que o desenvolvimento humano passa por muitas transformações, especialmente na puberdade. Algumas delas acontecem de forma parecida em meninas e meninos, enquanto outras se diferenciam bastante. Reconhecer essas semelhanças e diferenças é importante não apenas para compreender

como cada corpo responde de maneira única, mas também para entender como interpretações distorcidas dessas diferenças foram usadas para reforçar desigualdades de gênero no esporte.
Na ilustração abaixo, você poderá identificar de forma simples os principais pontos em comum e as diferenças entre o desenvolvimento dos corpos masculinos e femininos.
Fases do desenvolvimento: Ambos são seres vivos e passam pelas mesmas fases do ciclo da vida e do desenvolvimento motor (reflexa, rudimentar, fundamental e especializada);
A estrutura básica do corpo é a mesma: tanto um, como o outro, possuem ossos, músculos, metabolismo, etc; Resposta ao exercício físico: As habilidades motoras de ambos podem ser melhoradas a partir da participação destes em atividades físicas organizadas.

Hormônios predominantes: a produção de testosterona é maior nos meninos, enquanto as meninas, possuem maiores concentrações de estrógenos e progesterona;
Composição corporal: devido a influência da testosterona, os homens geralmente têm , ossos maiores e mais fortes, maior quantidade tanto de massa magra, quanto de hemoglobina circulante;


As diferenças biológicas entre homens e mulheres, que vimos no tópico anterior, deveriam servir apenas para orientar práticas pedagógicas e de treinamento. No entanto, ao longo da história, muitas vezes essas diferenças foram interpretadas de forma distorcida, reforçando desigualdades de gênero.
A participação feminina no esporte sempre esteve atravessada por barreiras culturais, sociais e históricas. O corpo da mulher, em especial, foi alvo de discursos que o classificavam como “frágil”, “incapaz” ou “inadequado” para determinadas práticas. Esses mitos, somados a desigualdades estruturais, continuam presentes no cenário esportivo contemporâneo, influenciando desde a iniciação nas escolas até o alto rendimento.
1. Mito: Mulheres são fisicamente “frágeis” Um dos mitos mais recorrentes é o de que as mulheres seriam fisicamente frágeis e, portanto, incapazes de suportar esforços intensos. Essa concepção afastou, por décadas, meninas e mulheres de modalidades consideradas de “alto risco” ou que demandavam força e resistência. Estudos científicos, entretanto, já comprovaram que as diferenças fisiológicas entre os sexos não significam incapacidade esportiva, mas apenas especificidades que devem ser compreendidas no treinamento.
2. Mito: Exercícios intensos prejudicam a feminilidade ou a saúde reprodutiva
Outro mito amplamente difundido é o de que a prática de exercícios intensos poderia prejudicar a feminilidade ou a saúde reprodutiva. Até meados do século XX, havia resistência em permitir que mulheres corressem longas distâncias, participassem de lutas ou praticassem futebol, sob a justificativa de que isso afetaria sua fertilidade. Hoje, sabe-se que a prática esportiva, quando bem orientada, contribui de maneira significativa para a saúde física, psicológica e social de meninas e mulheres.
3. Mito: Esportes “masculinos” não são adequados para mulheres
Também persiste a ideia de que existem “esportes masculinos” e “esportes femininos”. Modalidades como futebol, levantamento de peso ou artes marciais ainda carregam estigmas, reforçando estereótipos de gênero que desestimulam a participação feminina e limitam suas possibilidades de expressão corporal e esportiva (PRONI, 2000).
4. Desafio: Sexualização e objetificação do corpo feminino
Apesar dos avanços e conquistas, as mulheres ainda enfrentam inúmeros desafios no esporte. Um deles é a sexualização e a objetificação do corpo feminino, especialmente nos meios de comunicação. Muitas vezes, o desempenho das atletas é colocado em segundo plano em relação à sua aparência física, o que reforça padrões estéticos e invisibiliza suas conquistas esportivas.
5. Desafio: Desigualdade de investimento e reconhecimento
Outro desafio é a desigualdade de investimento e reconhecimento. A discrepância entre patrocínios, premiações e visibilidade midiática em relação aos homens ainda é expressiva, limitando o desenvolvimento de carreiras esportivas femininas em diferentes modalidades.
6. Desafio: Dupla jornada: maternidade e carreira esportiva
A conciliação entre maternidade e carreira esportiva é um obstáculo pouco debatido, mas presente na trajetória de muitas atletas. Em alguns casos, contratos de patrocínio são suspensos durante a gestação, e o retorno ao alto rendimento exige enfrentamento de preconceitos e falta de políticas de apoio.
Ao compreender os mitos e desafios que cercam o corpo feminino no esporte, é possível desconstruir visões estereotipadas e abrir espaço para práticas pedagógicas mais inclusivas. A escola, nesse sentido, tem papel decisivo: é ali que meninas podem experimentar diferentes modalidades esportivas sem restrições baseadas em gênero, fortalecendo autonomia, autoestima e cidadania.
Refletir sobre esse tema também é um convite a reconhecer a potência do corpo feminino no esporte, valorizar suas conquistas e ampliar caminhos para que a participação seja equitativa em todos os níveis de prática.

Identidade de Gênero
é como a pessoa se reconhece: mulher, homem ou nenhum deles. Para algumas pessoas, essa identidade corresponde ao sexo biológico: são os cisgêneros.
Para outras, não: são as pessoas transexuais.
Orientação sexual
se refere à sexulidade da pessoa e quem ela sente atração afetivo-sexual. A orientação sexual não é necessariamente relacionada com o gênero. Uma pessoa trans pode ser heterossexual, homossexual ou bissexual.
Sexo biológico
é a classificação como homem, mulher ou intersexual (os hermafroditas) com base na genitália.
Papel de gênero
é o padrão de comportamento masculino e feminino. É como a sociedade espera que homens e mulheres se comportem.
Tratar de corpo, gênero e sexualidade é sempre complexo, porque estamos lidando com dimensões diferentes da experiência humana. O sexo biológico, por exemplo, está relacionado a características físicas, cromossômicas e hormonais. Já a identidade de gênero, a orientação sexual e os papéis de gênero dizem respeito a como a pessoa se reconhece, a quem se sente atraída e às expectativas sociais em torno de comportamentos considerados “masculinos” ou “femininos” (Nexo Jornal, 2015).
Neste fascículo, optamos por concentrar a discussão no sexo biológico porque nosso objetivo neste primeiro momento foi compreender os efeitos da puberdade, dos hormônios e das transformações corporais no desenvolvimento motor e na participação esportiva de meninas e mulheres. Reconhecemos, no entanto, que gênero e sexualidade são dimensões igualmente relevantes quando se fala em diversidade, inclusão, equidade e pertencimento no esporte, e que merecem ser exploradas em outros momentos de formação.
Nos próximos módulos do Esporte Delas, avançaremos para outras dimensões: primeiro, o papel da escola e da Educação Física na inclusão e permanência das meninas no esporte; depois, o desenvolvimento de programas esportivos voltados a elas; e, por fim, estratégias para criar ambientes inclusivos e seguros, que incentivem resiliência, cooperação e gestão das emoções, considerando barreiras históricas e socioculturais.

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Vitória Monteiro
Monte Oliveira
Bacharel em Educação Física (UNIFAMETRO). Licenciada em Educação Física (UECE). Especialista em Docência do Ensino Superior e Metodologias Ativas de Aprendizado (Faculdade Descomplica). Professora efetiva do município de Fortaleza e pesquisadora do Núcleo de Investigação em Atividade Física na Escola (NIAFE-UECE).

Rosângela Gomes dos Santos
Licenciada plena em Educação Física (UECE). Especialista em Educação Física Escolar (UECE). Especialista em carácter de Residência
Multiprofissional em Saúde Mental Coletiva (ESP/CE). Mestra em Saúde Coletiva (UECE). Professora efetiva do município de Fortaleza.

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