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OPEN ARENA 23

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PONTUALIDADES ESTÁGIO À LUPA EU, JOVEM, POLÍTICO CONFERÊNCIAS AGENDA REVIEW

Capa por: Projeto Ruído


Direção do Observatório Político Cristina Montalvão Sarmento Patrícia Oliveira Suzano Costa Editorial Cristina Montalvão Sarmento Colaboradores Carolina Querido Carina Fernandes Helena Batalha Leonor Santos Costa Pedro Frutuoso Edição Carolina Querido Carina Fernandes Helena Batalha Leonor Santos Costa Pedro Frutuoso Patrícia Oliveira Capa Projeto Ruído (2023) Contactos Rua D. João de Castro, nº 32-A Ajuda 1300-193 Lisboa PORTUGAL Telf.21 363 05 77 geral@observatoriopolitico.pt www.observatoriopolitico.pt

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Editorial Cristina Montalvão Sarmento Pontualidades Sabrina Medeiros Estágio à Lupa Carolina Querido Joana Silva Eu, Jovem, Político Salvador Varges II Colóquio - Os Açores da Europa e do Atlântico Eleições europeias e norte-americanas: dinâmicas e impactos nas relações transatlânticas 3 & 4 de outubro de 2024 I Colóquio LusoGlobe “Desafios Globais” 20 de novembro 2024 | Universidade Lusófona por Carina Fernandes Livros Visual Storytelling in the 21st Century. The Age of the Long Fragment - David Callahan (Ed.) Conferência: “IAgora? Uma nova era tecnológica" 13 de dezembro 2024 | Biblioteca de Alcântara por Laura Ramos XII Congresso da APCP 7, 8 e 9 de março 2025 | ISCTE Working Papers Duarte Perdigão | Joana Silva | Carolina Querido | Cristina Montalvão Sarmento | Carina Fernandes | Kamile Moreira Castro; Fernando Mendonça Costa Agenda | Review (outubro‘24 - março´25) 3


“Future is coming”, por Ricardo Romero (2021)


EDITORIAL Professora Doutora Cristina Montalvão Sarmento Diretora do Observatório Político (ISCSP- ULisboa) Para o Observatório Político, a marca do ano de 2024, foi a resiliência institucional. Obrigados a deslocalizar a sede pelos motivos expostos no Working Paper#130, foi necessário não descurar as publicações, tarefa exigente do ponto de vista da periocidade e animar as atividades científicas que tiveram prioridade sobre as administrativas, que estão em curso. Assim, mais uma vez esta OpenArena visa informar os nossos associados cujo número aumentou significativamente, e permite que todos sigam a agenda criativa, intelectual e publicista. Como sabem podem solicitar o apoio do Observatório Político para atividades científicas.

firmar a morada de envio, as mesmas serão enviadas gratuitamente apenas com o custo dos portes de envio, ou em alternativa podem ser levantadas na sede, desde que previamente solicitadas. Quanto às atividades, estivemos presentes, em parceria, em varias ações que são aqui descritas, com especial destaque para a conferência dos 15 anos do OP cujo cartaz é agora a capa. À saída desta newsletter informativa, nas atividades previstas da nossa agenda para 2025, marcamos presença com quatro painéis no XII Congresso da Associação Portuguesa de Ciência Política, estivemos presentes no Fórum da empregabilidade e organizámos um Laboratório de Políticas Culturais em parceria com a Universidade de Otava, com o apoio do Instituto Diplomático. Estes eventos serão alvo de análise crítica e descrição na próxima OpenArena.

Referimos antes demais a Political Observer – Revista Portuguesa de Ciência Política, que manteve o rumo e está em dia, prevendo-se que o primeiro número de 2025, em fase de finalização, permita manter o ritmo e facultar aos nossos associados um privilegiado acesso à publicação na área dos estudos políticos. Lembramos a todos que nos leiam, que a citação da própria Revista ou dos seus artigos, nos artigos ou textos que os nossos associados publicam noutros fóruns, jornais internacionais ou outros indexados, aumenta exponencialmente o seu nível circular de indexação secundária, pelo que apelamos a que o façam, porquanto é de interesse coletivo. Podem encontrar todos os artigos da Political Observer em acesso aberto na plataforma da revista. Os que tenham em atraso números da versão impressa e queiram acertar a sua coleção devem solicitar os mesmos ao secretariado e con-

Finalmente, constatamos que a nossa atividade formativa se manteve intensa, em particular com a realização permanente de estágios que permitem a integração dos estudantes na vida ativa e lhes dão uma primeira experiência intermédia entre a saída da Universidade e a integração no mercado de trabalho.

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Todavia a resiliência demonstrada, também permitiu diagnosticar algumas fragilidades que no ano de 2025 terão que ser ultrapassadas. Alguns dos novos associados não conseguiram levar a bom termo a sua associação e pagamento de quotas, por questões informáticas ou falta de res-


EDITORIAL Professora Doutora Cristina Montalvão Sarmento Diretora do Observatório Político (ISCSP- ULisboa) posta associativa, quotas, por questões informáticas ou falta de resposta associativa, o que dado a escassez de recursos e ausência de financiamento, é de manifesta importância e retomaremos em breve. O espaço de arquivo documental é relativamente restrito e publicação da Political Observer, em suporte de papel pode ter de ser descontinuada, o que será colocada à decisão dos associados, provavelmente a partir do número 25 (2026) ou 30 (2028) conforme for a decisão colegial, o que obrigará também a prever um modelo que garanta o arquivo informático. Entre a resiliência institucional e a consciência das fragilidades a vida do Observatório Político prossegue mantendo o espírito e o carácter que distingue a associação, agradecendo a todos os associados o ânimo demonstrado e a interajuda e colaboração que se fez sentir ao longo e no final de 2024.

Cristina Montalvão Sarmento Diretora do Observatório Político

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PROGRAMA DE ESTÁGIOS CURRICULARES E EXTRACURRICULARES MAIS INFORMAÇÕES EM OBSERVATORIOPOLITICO.PT


PONTUALIDADES Entrevista à Professora Doutora Sabrina Evangelista Medeiros

Nesta edição do Pontualidades, contactámos a professora Sabrina Medeiros a quem lançamos o desafio de escrever um pequeno comentário sobre Inteligência Artificial, considerando as seguintes perguntas como ponto de partida: Que desafios pode a presença de armas autónomas letais em conflitos internacionais representar para o direito internacional humanitário? O que pode ser feito para garantir que o uso de IA em armas autónomas respeite os direitos humanos e minimize danos a civis?

Professora Doutora Sabrina Medeiros

Como é que os dilemas éticos do uso de IA em armas autónomas influenciam o discurso político sobre a guerra e a paz?

citando debates fundamentais sobre a aplicação do direito internacional humanitário (DIH), os dilemas éticos e os impactos no discurso político manifestado na arena internacional. Por outro lado, a digitalização promoveu interações mais rápidas e profundas, ao mesmo tempo em que expôs Estados e atores não-estatais a novas vulnerabilidades e tensões regulatórias.

* Armas Autônomas Letais e Inteligência Artificial: Desafios Regulatórios, Éticos e Estratégicos, por Sabrina Medeiros A interação entre a inteligência artificial (IA) e armas autónomas letais (Lethal Autonomous Weapons Systems - LAWS) revela dinâmicas complexas que desafiam estruturas normativas, éticas e de cooperação internacional. A delegação de decisões de vida ou morte a máquinas marca uma nova fronteira na condução de conflitos, sus-

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Nesse contexto, o uso de LAWS desafia princípios centrais do DIH, como distinção, proporcionalidade e necessidade militar, uma vez que armas que operam de forma autônoma carecem de habilidades


“A integração da IA na guerra, portanto, obriga uma reavaliação dos padrões éticos e estruturas legais, destacando o equilíbrio crítico entre eficácia militar e responsabilidade moral.”

humanas para interpretar nuances contextuais, comprometendo a distinção entre combatentes e civis e ampliando os riscos de danos colaterais. De outro modo, a proporcionalidade visa limitar a intensidade e os efeitos de ataques, mas uma vez que algoritmos não compreendem as implicações humanas de suas ações, não é possível garantir tal proporcionalidade. Essas dificuldades tornam imperativo o reforço de revisões legais prévias e a adoção de mecanismos que assegurem controle humano significativo em decisões críticas onde há dilemas éticos associados às noções fundamentais de dignidade humana e responsabilidade moral. Enquanto alguns Estados e atores veem essas tecnologias como inevitáveis e potencialmente vantajosas para reduzir baixas humanas, outros defendem uma proibição total, apontando os riscos de desumanização e escaladas incontroláveis. Como participante dessa cena na qualidade de sociedade civil organizada na forma de coalizão, a campanha nomeada Stop Killer Robots exemplifica o esforço para regulamentar essas armas, enfatizando a necessidade de manter a abordagem centrada no homem no centro dos debates entre os usos de IA em segurança e defesa. Essas tecnologias também intensificam debates entre frameworks colaborativos e de segurança, que buscam proteger interesses nacionais frente a vulnerabilidades digitais, como é o caso do Paris

Peace Forum ou quanto aos avanços no âmbito da European Union Fundamental Rights Agency (FRA). Nesse sentido, o debate reúne preocupações sobre a responsabilidade internacional, o potencial para violência sistemática e a erosão do controle humano em conflitos armados. No nível internacional, a ausência de marcos regulatórios específicos que controlem o uso de LAWS sublinha a necessidade urgente de regulamentação, mesmo a questão tendo transitado entre o CCW e o Primeiro Comitê da Assembleia Geral (First Committee Disarmament and International Security), de onde saiu uma primeira resolução em 2023[1]. A integração da IA na guerra, portanto, obriga uma reavaliação dos padrões éticos e estruturas legais, destacando o equilíbrio crítico entre eficácia militar e responsabilidade moral.

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O desenvolvimento de sistemas de armas autónomas letais (LAWS) está intimamente ligado a mudanças históricas na guerra e na tecnologia, porque conforme os conflitos militares evoluíram,os meios e métodos de engajamento também se transformaram, levando à necessidade de novos mecanismos regulatórios. Notavelmente, o Protocolo Adicional I de 1977 às Convenções de Genebra foi estabelecido em resposta aos avanços na guerra, particularmente no que diz respeito ao bombardeio aéreo, que não existia no momento das


Entrevista à Professora Doutora Sabrina Evangelista Medeiros

Regulações de Haia de 1907.

futuro próximo onde a autonomia total será realidade.

Já no século XX, a introdução de sistemas semiautónomos, como mísseis guiados, preparou o terreno para o desenvolvimento posterior de armas totalmente autónomas. Esses sistemas iniciais frequentemente envolviam uma abordagem humana no circuito, o que representa uma salvaguarda crucial para mitigar os riscos de engajamento autónomo. No entanto, a evolução em direção a sistemas totalmente autónomos amplia as condições operacionais significativamente particularmente no que diz respeito à responsabilidade e ao potencial de violência sistemática. Na guerra da Ucrânia, o uso de drones kamikaze, como o Shahed-136 e o Switchblade, evidencia a crescente automação no campo de batalha. Esses sistemas combinam tecnologias de inteligência artificial (IA) para aprimorar o reconhecimento de alvos e a execução de ataques, muitas vezes sem supervisão humana contínua. No entanto, a automação em sistemas como o Harpy, um drone de combate israelense, opera de forma a detectar e atacar sistemas de radar inimigos de forma autônoma, sem intervenção humana após o lançamento, mas não possui adaptabilidade avançada baseada em IA. Protótipos, como o SGR-A1 da Coreia do Sul, que pode identificar e atacar alvos sem intervenção humana, sugerem um

Essa evolução tecnológica ocorre em um contexto histórico marcado pela violência sistemática em operações militares, como nos períodos coloniais, onde a desumanização de indivíduos justificou o uso de força esmagadora contra populações inteiras. Esse legado levanta preocupações sobre a aplicação de LAWS, especialmente quando há riscos de viés no direcionamento de alvos, potencialmente exacerbando tendências de discriminação étnica e racial. O Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, e a Presidente do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, Mirjana Spoljaric, pediram um novo tratado internacional destinado a definir proibições e restrições ao uso de LAWS, defendendo que as negociações sejam concluídas até o final de 2026. A proibição total de LAWS é improvável face à os debates nos últimos dez anos no âmbito da Convenção Convenção da ONU sobre Armas Convencionais (CCW). Contudo, um texto em evolução do Grupo de Experts (GGE) do CCW destaca várias medidas regulatórias para as LAWS, enfatizando a necessidade de que esses sistemas sejam previsíveis, confiáveis, rastreáveis e explicáveis para garantir a conformidade com o direito internacional humanitário (DIH). 10


“À medida que a tecnologia continua a evoluir, há um imperativo de ampliar o debate sobre as implicações éticas do uso da IA na guerra, generalização.”

Além disso, ressalta a supervisão humana em decisões moralmente significativas, como a identificação e o engajamento de alvos, com limitações específicas sugeridas como restrições aos tipos de alvos, duração das operações, escopo geográfico e a exigência de que operadores humanos possam desativar as LAWS uma vez ativadas. À medida que a tecnologia continua a evoluir, há um imperativo de ampliar o debate sobre as implicações éticas do uso da IA na guerra, garantindo que a integridade moral seja mantida mesmo enquanto as capacidades operacionais se expandem. *A entrevistada Sabrina Medeiros é doutorada em Ciência Política pelo IUPERJ e pósdoutorada em International Flows and Cooperation - Compative History pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Atualmente leciona na Universidade Lusófona, Lisboa, onde lidera o GIRI_hub (Gamification and International Relationships Investigation Hub). Email: sabrina.medeiros@ulusofona.pt

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ESTÁGIO À LUPA

Carolina Querido Membro Associado do OP Fui estagiária no Observatório Político no XIII Programa de Estágios, de maio a julho de 2024. Já mestre em European Studies and Governance, Leadership and Democracy Studies pela Universidade Católica Portuguesa e pela Jagiellonian University, a minha experiência no OP foi um retornar a um ambiente mais académico e particularmente relacionado com a Ciência Política. De facto, foi com grande felicidade que recebi a notícia de que fui selecionada para este programa, onde todo o trabalho que desenvolvi enriqueceu-me pessoal e profissionalmente.

poderia deixar de mencionar também o meu envolvimento com a realização da Spring Research School 2024, que coincidiu com o início do meu período de estágio.

Durante o meu estágio, tive a oportunidade de desenvolver funções não só em termos de secretariado e administração, contribuindo para a gestão diária do Observatório Político, mas também na assistência à tradução, revisão e atualização de conteúdos do website do Observatório Político e da POLITIPÉDIA, na preparação de Newsletters (OPen Arena) e publicação de e-Working Papers. Claro está, não 12

Termino dizendo que recomendo vivamente esta experiência a todos os que sejam interessados em Ciência Política: isto foi e é uma experiência na área, com uma forte ligação à academia, em que os jovens são parte integrante do projeto Observatório Político.

Agradeço aos meus colegas de estágio, dado que o trabalho colaborativo e a entreajuda foram cruciais para atingir os objetivos e levar a bom porto este projeto. Por fim, e não menos importante, agradeço também à Professora Cristina Montalvão Sarmento e à Professora Patrícia Oliveira, pela orientação, apoio e confiança no meu trabalho.


ESTÁGIO À LUPA

Joana Fialho Silva Membro Associado do OP Em Abril de 2024, no meu primeiro ano de Mestrado em Ciência Política e Relações Internacionais da Universidade NOVA de Lisboa, candidatei-me ao estágio curricular do Observatório Político. Felizmente, após a entrevista onde consegui perceber o tipo de trabalho que seria feito, fui selecionada para fazer parte do XIII programa de estágios do Observatório Político para jovens estudantes e recém licenciados. O programa começou no princípio de maio, para mim e para os meus colegas estagiários. Aproveitando esta oportunidade para agradecer por serem excelentes colegas com quem gostei de trabalhar e conhecer durante o tempo em que trabalhámos juntos no OP. Tivemos a sorte de fazer parte do programa de estágio que recebeu a 6.ª edição da Spring Research School, que teve lugar nos dias 15, 20 e 22 de maio de 2024, organizada pelo grupo de estagiários precedentes. A Edição é titulada 13 «Regarding a

restless world (Un)sustainability and (non)sense». O programa recebe estudantes da Sam Nunn School for International Affairs da Georgia Institute of Technology, e dá aos estudantes a oportunidade de fazer parte do sistema académico português, e conhecimento do sistema político português. Como ainda era época de aulas e uma altura com bastantes avaliações, não tive a oportunidade de participar no programa inteiro, mas adorei as atividades nas quais pude participar. No dia 15, eu e o meu colega, Duarte, fomos à Universidade Lusófona de manhã ajudar com a sessão de acolhimento. Foi muito interessante termos a oportunidade de conhecer e falar com os estudantes, um detalhe que todos notámos, foi que os estudantes Americanos estavam sempre interessados e a fazer perguntas, tanto com os acadêmicos convidados durantes as suas sessões, como com os estagiários, o que tornou a experiência bastante interessante e enriquecedora.


Joana Fialho Silva Membro Associado do OP No dia 20, tivemos a oportunidade de visitar o Ministério de Negócios Estrangeiros, que para mim foi muito interessante como estudante de relações internacionais. De seguida, fomos para o Aquário Vasco da Gama, onde almoçamos todos juntos na cantina e depois tivemos uma visita guiada pelo Aquário, foi uma experiência muito divertida e bastante interessante. No dia 22, o último dia do programa, só pude participar na sessão da manhã outra vez que foi a visita ao Museu da Marinha e ao Padrão de Descobrimentos, onde infelizmente não pudemos subir ao topo porque o elevador estava avariado. A Spring Research School foi uma experiência muito enriquecedora para mim, portanto imagino que tenha sido excelente para os nossos colegas Americanos, que nos agradeceram pela hospitalidade. Gostei muito da oportunidade de conhecê-los e partilhar ideias com eles. Estou muito grata pela oportunidade de participar e ajudar na concretização da Spring Research 14

School. Quando a Spring Research School terminou, começamos então as nossas funções no novo escritório do Observatório Político na Ajuda, onde estávamos das 10h às 16h de segunda a quinta-feira, divididos em dois turnos, dois estagiários durante o horário da manhã e dois durante o horário da tarde. Nos primeiros dias a nossa principal tarefa foi de nos familiarizarmos com o website, os serviços e os programas do OP. Tivemos também uma reunião com as Professoras que nos indicaram o que tinha de ser feito durante o nosso estágio, e ajudámos também com as mudanças do antigo escritório na ISCSP para no novo escritório do OP. O grande foco da nossa equipa durante o estágio foi, completar o website da Politipédia. Acabar a Open Arena XXI Newsletter, titulada «P´ro que der


Joana Fialho Silva Membro Associado do OP e vier» começada pela equipa de estagiários anteriores. Começar a nossa própria edição, a Open Arena XXII Newsletter, titulada, «O voto é a arma do povo», o tema escolhido para esta Newslette foi as várias eleições que aconteceram no ano 2024 em vários países do mundo e na União Europeia. Finalmente, tive a oportunidade de escrever um Working Paper, para ser publicado no fim do meu estágio, intitulado «O fim do fenómeno do Excepcionalismo Ibérico». Por fim gostaria de agradecer às Professoras Dra. Cristina Sarmento e Dra. Patrícia Oliveira, pela oportunidade e pelo apoio, e por serem tão incríveis connosco. Foi uma experiência muito enriquecedora que levo comigo para a vida. Obtive competências relevantes para a minha área de estudo e também algumas fora da minha área, que para mim é sempre muito divertido, porque nem sempre há oportunidade para tal. Muito obrigada.

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Eu, Jovem, Político

Salvador Varges Estudante do 2º ano de Licenciatura em Ciência Política do ISCSP - ULisboa Ser Jovem é ser Político. Até que ponto te revês nesta afirmação. Ao refletir sobre o estado atual da política e da sociedade, torna-se cada vez mais difícil aplicar à nossa realidade a ideia de que a juventude é sinónimo de vigor político e transformação social. Se ser jovem implica ser ativo e ambicionar um país mais justo e desenvolvido do que o legado pelas gerações precedentes, então ser jovem deveria significar, necessariamente, ser político. Contudo, observamos uma crescente apatia em relação à análise crítica da realidade que nos envolve. Embora seja verdade que nem todos os jovens demonstram interesse pela política, é igualmente inegável que os incentivos para a sua participação em organizações políticas têm diminuído significativamente. O atual "estado de graça" da política parece, na verdade, traduzir-se numa banalização das suas práticas. O sistema político, entendido à luz da conceção de David Easton como uma dinâmica de inputs e outputs, revela uma preocupante erosão na qualidade e quantidade dos inputs provenientes da sociedade. 16

Em paralelo, os outputs — ou seja, as respostas do sistema político ao feedback dos cidadãos — apresentam-se cada vez mais débeis e insatisfatórios. Por outro lado, analisando a composição etária do parlamento, nota-se um envelhecimento progressivo dos representantes, com a idade média dos deputados fixada nos 49 anos, sendo a maioria situada entre os 50 e os 64 anos. Este cenário contrasta com o desinteresse manifesto por parte das gerações mais jovens, sobretudo no que concerne às denominadas "formas de participação não convencional", como entendidas na Ciência Política. Em síntese, se é verdade que ser jovem deveria significar ser político, a política, tal como se apresenta, raramente parece ser inclusiva para os jovens. As estruturas partidárias, em grande parte, não estão preparadas para acolher as aspirações e exigências da minha geração. Tal resistência deve-se, em primeiro lugar, ao facto de muitos jovens rejeitarem os mecanismos de controlo associados às máquinas partidárias tradicionais;


em segundo lugar, porque os próprios partidos têm revelado uma incapacidade estrutural para responder de forma eficaz às novas demandas sociais. Essa desconexão entre os jovens e a política institucional constitui, sem dúvida, um dos maiores desafios do sistema democrático contemporâneo. Acreditas que as redes sociais têm influência no processo de formação da opinião pública? Defendes que as redes sociais ajudam ou prejudicam a democracia? As redes sociais e as novas tecnologias são, indiscutivelmente, uma parte integral do quotidiano de jovens e adultos. Contudo, o atraso estrutural da política portuguesa, tanto nas práticas políticas como nas instituições do Estado, manifesta-se, entre outros aspetos, na sua insuficiente presença e eficácia nas redes sociais. No contexto do século XXI, é essencial que o Estado, o Parlamento, os partidos e os principais atores políticos utilizem as redes sociais não apenas como um veículo de comunicação, mas também como uma ferramenta de transparência e aproximação. Através destas plataformas, podem divulgar a sua atividade, dar a conhecer os bastidores do dia-a-dia político e criar um diálogo direto com os cidadãos. Aqueles que dominam esta capacidade de comunicação têm uma vantagem significativa no que diz respeito à captação do voto jovem.

Isto deve-se, em parte, ao desejo dos jovens por respostas políticas imediatas aos seus problemas, mas também à necessidade de sentirem uma ligação mais próxima às instituições, percebendo que o seu futuro não está comprometido por falta de coragem política ou pela perpetuação de uma elite política encerrada nas quatro paredes do plenário — um espaço onde muito se debate, mas pouco se avança. Isto deve-se, em parte, ao desejo dos jovens por respostas políticas imediatas aos seus problemas, mas também à necessidade de sentirem uma ligação mais próxima às instituições, percebendo que o seu futuro não está comprometido por falta de coragem política ou pela perpetuação de uma elite política encerrada nas quatro paredes do plenário — um espaço onde muito se debate, mas pouco se avança. As redes sociais, se bem utilizadas, têm o potencial de fortalecer a democracia, contribuindo para a aproximação entre os cidadãos e as instituições. O verdadeiro obstáculo, porém, reside frequentemente na incapacidade dos atores políticos e das instituições de compreenderem e explorarem o potencial destas plataformas para benefício próprio e, sobretudo, para benefício do regime democrático. O seu uso eficaz pode, sem dúvida, constituir uma mais-valia, aproximando os jovens da esfera política e reforçando a legitimidade democrática das instituições.

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Considerando o tema desta edição da OPenArena “IAgora”, como perspetivas a substituição do julgamento humano pela inteligência artificial, na tomada de decisões políticas? O Ensino Superior, para além de assegurar a equidade de oportunidades e a promoção do conhecimento, tem a responsabilidade essencial de fomentar o espírito crítico. Contudo, sinto que, cada vez mais, parte da academia persiste em ignorar ou rejeitar a utilização de ferramentas como a inteligência artificial (IA). Importa sublinhar que a presença dessas tecnologias não torna as pessoas mais ou menos críticas em relação à realidade. A "indiferença" ou a ausência de pensamento crítico não é uma consequência da IA, mas antes o resultado de décadas de comodismo e falta de ambição coletiva. É inegável que muitos recorrem a estas ferramentas para acilitar tarefas, como a submissão de trabalhos académicos, a redação de um artigo ou até para organizar uma lista de compras. No entanto, essa prática reflete um traço histórico da nossa sociedade: a cultura do facilitismo e a preferência pela solução mais simples. Assim, torna-se incoerente criticar os vícios de facilitismo na classe política, quando a sociedade em geral adota comportamentos semelhantes.

Longe de ser um obstáculo, a inteligência artificial pode ser um motor impulsionador de eficiência, seja em organismos da administração pública, seja no setor privado, apoiando empresas na gestão e expansão dos seus negócios. A IA representa um universo de possibilidades por explorar, mas jamais deve ser vista como uma ameaça ao espírito crítico. Este último permanece uma característica intrínseca e inalienável da natureza humana, fundamental para a evolução individual e coletiva.

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II Colóquio “Os Açores da Europa e do Atlântico” 3 & 4 de outubro 2024 | Ponta Delgada & Angra do Heroísmo

Eleições europeias e norte-americanas: dinâmicas e impactos nas relações transatlânticas Nos dias 3 e 4 de outubro decorreu o II Colóquio: Os Açores da Europa e do Atlântico, um evento organizado pelo Observatório Político (OP), pelo Centro de Estudos Humanísticos (CEHu) e pela Universidade dos Açores (UAc). Com patrocínio da Vice-Presidência do Governo dos Açores e da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD), este evento de dois dias é aberto ao público em geral, com o objetivo de debater a problemática das eleições europeias e norte-americanas e os seus reflexos nas relações transatlânticas.

Para a moderação do painel contou-se com Prof. Dra. Cristina Montalvão Sarmento, do ISCSP da Universidade de Lisboa e do Observatório Político. Após a exposição dos temas, decorreu um debate aberto entre os participantes o que incentivou a troca de ideias e uma reflexão aprofundada sobre os desafios e oportunidades no contexto atual das eleições, bem como as suas repercussões para ambos os continentes.

O primeiro painel ocorreu em Ponta Delgada no dia 3 de outubro, no Museu Militar dos Açores (Forte de São Brás). O debate teve como foco o tópico central do colóquio: as eleições europeias e norte-americanas e suas implicações nas relações transatlânticas. A discussão girou em torno de questões relevantes como o possível ponto de viragem das eleições americanas de 2024 (Prof. Dr. Miguel Estanqueiro Rocha, CEIS20 e CEHuUAc) e a participação dos Açores nas eleições europeias (Prof. Dra. Teresa Ruel, LusoGlobe/ Universidade Lusófona).

No dia 4 de outubro, o local do evento mudou-se para a Fortaleza de São João Batista, em Angra do Heroísmo, onde assim como no primeiro dia, os participantes foram recebidos às 17h.

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ficou a cargo de Prof. Dra. Patrícia Oliveira, por parte do LusoGlobe, Universidade Lusófona e Observatório Político. Após o debate houve um novo espaço para debate que contou com os inputs da Prof. Dra. Berta Pimentel (UAc) e Prof. Dra. Cristina Montalvão Sarmento, além do Dr. Nuno Santos Lopes (IPRINOVA), que deram uma visão abrangente das discussões e destacaram a importância de iniciativas como este colóquio para reforçar o entendimento das relações entre a Europa e os Estados Unidos.

No segundo dia, o painel continuou a explorar a temática das relações transatlânticas, desta vez com foco no impacto da política económica e na identidade territorial. O Prof. Dr. Nuno Martins, da Universidade Católica analisou o impacto da política económica nas relações transatlânticas, ao passo que Prof. Dra. Teresa Ruel, discutiu a identidade territorial e suas implicações para a pesquisa e o entendimento das relações entre a Europa e os Estados Unidos. A moderação deste último painel 20


ASS

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I Colóquio LusoGlobe “Desafios Globais” I II Colóquio LusoGlobe “Desafios Globais” 20 de novembro 2024 | Universidade Lusófona Colóquio “Os Açores da Europa e do Atlântico”

20 de novembro 2024 | Universidade Lusófona por Carina Fernandes (Estágios @ OP)

3 & 4 de outubro 2024 | Ponta Delgada & Angra do Heroísmo por Carina Fernandes (Estágios @ OP)

No dia 20 de novembro de 2024, realizou-se o I Colóquio LusoGlobe – Desafios Globais, um encontro que reuniu investigadores e especialistas para debater as complexas questões do mundo contemporâneo. O evento contou com dois painéis repletos de reflexões sobre globalização, cidadania, direitos humanos, extremismos políticos e terrorismo e no final de cada painel houve espaço para um momento Q&A. A sessão de abertura ficou a cargo do diretor do LusoGlobe Professor Dr. António Costa Pinto, que apresentou a missão do núcleo de investigação de promover debates e investigações sobre questões globais. Primeiro Painel - Globalização, Cidadania e Direitos Humanos Com moderação de Teresa Nogueira Pinto (FCSEA/ Lusoglobe), o primeiro painel trouxe as contribuições de Hermano Carmo e Ana Luiza da Gama e Souza. Para abrir o primeiro painel, contou-se com a intervenção do Professor Dr. Hermano Carmo (ISCSP-ULisboa) abordou o desafio da reconciliação como fulcro para a construção de uma paz sustentável, enfatizando a importância de uma "paz positiva". Segundo o Professor, não basta a ausência de conflitos (paz negativa); é necessário criar condições para uma convivência estável e coesa.

Segundo o Professor, não basta a ausência de conflitos (paz negativa); é necessário criar condições para uma convivência estável e coesa. Carmo destacou que a globalização tem intensificado interdependências, mas também gerado novos desafios. Em particular, mencionou a “sociedade da informação”, que transforma cada indivíduo em um meio de comunicação, mas também fomenta o que chamou de “autismo social”. Ele apresentou ainda as ameaças à paz, como a destribalização planetária, o nevoeiro informacional, e o aumento da desigualdade social, que alimentam ressentimento e populismos.

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II Colóquio “Os Açores da Europa e do Atlântico” 3 & 4 de outubro 2024 | Ponta Delgada & Angra do Heroísmo

A coexistência entre empresas estatais e privadas no país revela uma governança estratégica que, segundo ela, precisa ser desvendada para compreender o papel da China no mercado global.

Segundo Painel: Extremismos Políticos e Terrorismo Contemporâneo Moderado pela Professora Dra. Sílvia Mangerona (FCSEA/ Lusoglobe), o segundo painel trouxe à tona as questões de polarização, extremismos e terrorismo, com participações de Filipe Pathé Duarte, Lara Denise Góes da Costa e João Resende-Santos. O Professor Filipe Duarte (Nova School of Law) destacou que a radicalização, o extremismo violento e o terrorismo, embora interligados, têm modelos de análise distintos. Ele apresentou dois tipos de radicalização: a cognitiva, que ocorre em sociedades democráticas sem necessariamente levar à violência, e a comportamental, que pode culminar em atos violentos.

Na segunda metade do primeiro painel a Professora Ana Luiza da Gama e Souza abordou os impactos das megafusões no mercado de insumos agrícolas, analisando os efeitos da concentração de mercado sobre os direitos humanos. Num cenário onde grandes empresas químicas dominam, a competitividade diminui, reduzindo os incentivos à inovação e colocando em risco a saúde pública e o meio ambiente. Segundo Ana Luiza, a concentração de poder econômico e a falta de regulação eficaz violam princípios fundamentais dos direitos humanos, como o direito à saúde e à segurança alimentar. Além disso, ela apresentou uma análise sobre a China que é o atual foco da sua investigação, que lidera as finanças verdes, mas cuja economia apresenta contradições no discurso e na prática.

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IIIColóquio Globais” ColóquioLusoGlobe “Os Açores“Desafios da Europa e do Atlântico” 20 2024 | Universidade Lusófona 20 de denovembro novembro 2024 | Universidade Lusófona

3 & 4 de outubro 2024 | Ponta Delgada & Angra do Heroísmo por Carina Fernandes (Estágios @ OP)

A Professora Lara da Costa (Escola Superior de Guerra/ Ministério da Defesa) abordou o papel das redes sociais na radicalização, que cria “bolhas” de pensamento, alimentadas por manipulação ideológica e fake news. Segundo a própria, a regulação dessas práticas é fundamental, mas deve ser equilibrada para não comprometer a liberdade de expressão.

A sessão foi encerrada pela Professora Dra. Sabrina Evangelista Medeiros (FCSEA/ Lusoglobe), que agradeceu aos participantes e organizadores, destacando a importância de eventos como o Colóquio LusoGlobe. A vicediretora do LusoGlobe reforçou que enfrentar os desafios globais exige reflexão, cooperação e a promoção de debates informados à semelhança da interação que decorreu na conferência.

Na fase final do segundo painel, o Professor João Resende-Santos (Fullbright Visiting Fellow, Bentley University) concentrou sua análise no terrorismo doméstico nos Estados Unidos, destacando que essa forma de extremismo supera grandemente as ameaças externas. Ele apontou que o acesso fácil às armas, combinado com uma cultura de violência e sentimentos anti-governo, sustenta o crescimento de grupos paramilitares da extrema-direita. Resende-Santos alertou que a normalização de discursos extremistas, sobretudo no cenário político, legitima essas ações e dificulta o combate à polarização. Ele defendeu maior coordenação nacional para enfrentar o problema e destacou que os Estados Unidos, como sociedade, ainda não estão preparados para lidar com a crescente ameaça.

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Livros

Publicações recentes em destaque

Nesta secção encontram-se alguns dos últimos livros editados e publicados com o apoio do Observatório Político, tal como algumas das obras mais recentes da autoria dos membros e investigadores da associação.

Public spaces in urban settings were taken at this critical juncture and marked in many streets by graffiti as an output of protest democracy and as evidence of frustration with conventional discursive sites. This chapter aims accordingly to analyze an example of the political dimensions of graffiti in this period, embedded not only as a cultural practice but mostly as a political urban setting for contestation. Methodologically, this chapter focuses on a set of photographs of several graffiti taken in the city of Lisbon between July 2012 and April 2014 (therefore many of them no longer exist), simultaneously as a record and as a catalogue of the historical and political momentum of a time of dissent.

Visual Storytelling in the 21st Century. The Age of the Long Fragment, David Callahan (Ed.) Voices of Graffiti in Urban Settings: Symbolic Contestation and Political Narratives, Patrícia Oliveira, Carlos Vargas, Cristina Montalvão Sarmento (pp. 131-152). Palgrave Macmillan Cham (2024) Abstract: Graffiti is one of the most powerful visual expressions of symbolic contestation in urban settings. The 2008–9 financial crisis in Europe, and resultant austerity measures, gave voice to renewed public protests with specific cultural responses and political narratives. In this process, graffiti is clearly eminently political. The occupy movement as a transnational and urban attitude of political activism became vital to support alternative visions to dominant politics and at the same time to debate national pathways for coping with the crisis and to participate beyond the traditional mechanisms of representative democracy.

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Da República dos Portugueses – Crónica geral da política, José Adelino Maltez Lisboa: Âncora Editora (2024)

Quem, nestes sobressaltos, quiser detectar a ideia e a estratégia de Portugal, entre os século XII e o século XXI, recorra aos poetas que as imaginaram, de Luís de Camões a Fernando Pessoa, ou, então, que se torne fiel de religiões reveladas, ou de sociedades iniciáticas que com elas concorrem. O autor, pelo menos, não consegue desfazer o mistério e, porque não tem contactos directos com uma divindade, apenas reconhece que tanto há Milagre de Ourique como Aparições de Fátima e que, de vez em quando, nos julgamos uma nação mítica.

Nesta obra procura-se a genealogia das circunstâncias que transformaram Portugal, e os Portugueses, numa simples consequência de um paralelogramo de forças. Eles não são passíveis de uma biografia superiormente autorizada por um qualquer destino manifesto, justificando certa vida em comum, mas onde também não é aconselhável qualquer interpretação retroativa que assuma a verdade de explicar-nos quem somos. Seria estúpido fazê-lo com preconceitos de esquerda ou fantasmas de direita, não detectando o essencial daquilo a que retroactivamente podemos dizer de sucessivas construções do Estado, acompanhadas por uma série de reconstruções.

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Conferência IA.GORA - Uma nova era tecnológica 13 de dezembro de 2024 | Biblioteca de Alcântara - José Dias Coelho

por Laura Ramos (Colaboradora IA.AGORA)

No passado dia 13 de Dezembro de 2024 realizou-se na Biblioteca de Alcântara a conferência “IA.GORA? Uma nova era tecnológica” em celebração dos 15 anos do Observatório Político. A conferência contou com a presença de convidados do OP, ex-estagiários e uma mesa redonda com especialistas da área da Inteligência Artificial: João Caetano da Universidade Aberta, João Couvaneiro da Egas Moniz School of Health and Science e João Paulo Carvalho da Quidgest. A conferência arrancou com uma introdução da Professora Cristina Montalvão Sarmento, onde foi discutida a legislação da UE “The EU Artificial Intelligence Act”, assim como a crescente necessidade para uma maior transparência sobre a utilização da inteligência artificial.

universitários, mas também a utilização destas ferramentas por cerca de 1/3 dos alunos na Universidade de Coimbra. Também a divergência de opiniões que advém do uso das IA para, por exemplo, fazer as atas das reuniões, é algo que este diz observar, assim como as profundas alterações que estes novos mecanismos trazem para a investigação e ensino.

A mesa redonda, que contou com a moderação da professora Patrícia Oliveira, teve como objetivo a discussão de diferentes aspetos da Inteligência Artificial e da sua utilização, com especial enfâse no mundo académico.

A dimensão ética do problema que as IA trazem para os dias de hoje foi o assunto em que os três oradores também se focaram, trazendo cada um diferentes pontos de vista: O professor João Caetano falou sobre a falta de preparação que os docentes e corpo estudantil dos espaços académicos têm para que possam fazer uma boa utilização das novas tecnologias (2/3 dos estudantes da Universidade de Coimbra não têm formação na área das Inteligências Artificiais).

Dos assuntos que foram discutidos por cada participante, os dois que ecoaram mais foram o papel crescente que estas tecnologias representam em espaços académicos, e as implicações éticas da utilização das Inteligências Artificiais. Mencionado pelo professor João Caetano foi o uso incipiente das IA pela parte dos estudantes 27


que segundo o mesmo não é um problema atual, mas algo que deve ser mantido em mente quando utilizamos estas ferramentas (“A IA não é inimiga quando bem utilizada em prol dos valores democráticos”). Para terminar, contámos com um momento musical proporcionado por um membro do Grupo Coral da Biblioteca de Alcântara, que visou celebrar os 50 anos do 25 de Abril, seguido de uma mesa de Reencontro onde se deu a passagem de testemunhos dos estagiários e ex-estagiários presentes quanto ao seu percurso no OP. Houve também um momento de convívio que contou com a distribuição dos números 15, 16, 17 e 18 da Political Observer (RPCP) aos associados e exestagiários do OP.

Já o professor João Couvaneiro falou da importância de continuarmos a “centrar-nos naquilo que é humano”, apesar de ser essencial promover a literacia tecnológica, para combater aquilo que tinha sido anteriormente referido. Este refere que “não usar as ferramentas dispostas para uso no tempo em que estamos inseridos é um desrespeito ao presente e ao futuro”. São também mencionados os riscos que as IA trazem com a produção de conteúdo falso e enganador, tendo sido mostradas várias imagens produzidas por ferramentas IA para ilustrar este ponto. O parceiro do OP, João Paulo Carvalho, marcou a sua presença por parte da Quidgest, e apresentou os diferentes tipos de IA: discriminativa, generativa e simbólica, que tentam replicar o pensamento humano, e também a neuronal, que tentam reproduzir os nossos neurónios. Todas estas, quando combinadas, resultam em respostas e explicações. No campo das implicações éticas foi referido o possível enviesamento dos “GPTs”,

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A conferência teve apoio e patrocínio de diferentes entidades, os Pastéis de Belém ofereceram 30 pastéis de Belém, a Vini Portugal proporcionou 6 garrafas de vinho do Porto e finalmente a Padaria Pastelaria Papa Fina disponibilizou bolo-rei, bolo-rainha e 3 garrafas de vinho do Porto. O apoio destes elementos foi essencial para garantir um convívio agradável para terminar a noite, assim como o apoio da Biblioteca de Alcântara na disponibilização do espaço e de materiais para realizar a conferência.

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XII Congresso da Associação Portuguesa de Ciência Política 6, 7 & 8 de março de 2025 | ISCTE

Nos dias 6, 7 e 8 de março, realizou-se o XII Congresso da APCP (Associação Portuguesa de Ciência Política), no ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa. Estiveram presentes membros do Observatório Político (OP) nos vários painéis deste Congresso, dando-se destaque para os quatro painéis organizados pelo OP. A 6 de março, o OP apresentou o seu primeiro painel: (1) A Governança Global da OIT na proteção dos imigrantes, com a Professora Doutora Cristina Montalvão Sarmento (ISCSPULisboa; Observatório Político) na posição de Chair, e a Professora Doutora Patrícia Oliveira (Lusoglobe, Universidade Lusófona; Observatório Político) na posição de Discussant. Contou com os contributos: “A geopolítica das migrações: refugiados políticos ou deslocados económicos?”, por António Manuel Lopes Tavares (Universidade Lusófona, Centro Universitário do Porto, CEAD); “Será que a OIT já conseguiu cumprir o seu objetivo dentro da Governança Global? Análise aos fluxos migratórios portugueses”, por Ana Cláudia Carvalho Campina (Universidade Fernando Pessoa) e Carlos Rodrigues (Universidade Fernando Pessoa); “A Organização Internacional do Trabalho e as Migrações Laborais: factos e reflexões”, por Paulo Afonso B. Duarte (Universidade Lusófona, Centro Universitário do Porto); “Migration crisis in normative perspective as a crisis of European

values”, por Arkadiusz Modrzejewski (University of Gdansk, Poland); “Tecendo Redes de Proteção: A OIT e os Desafios da Governança Migratória na América Latina”, por Cassius Guimarães Chai (Universidade Federal do Maranhão). No dia seguinte, o OP contou com os contributos: “Os partidos populistas de direita radical e os direitos reprodutivos”, por Carolina Querido (NOVA FCSH, Observatório Político); “Cinema e revolução, cinema e democratização – a geração do cinema novo português na transição para a democracia”, por Patrícia Oliveira (LusoGlobe, Universidade Lusófona; Observatório Político); “A cultura portuguesa entre a ditadura e a demo30


blemáticas teóricas do Séc. XXI”, por Cristina Montalvão Sarmento (ISCSP-ULisboa, Observatório Político); “O Coronelismo no Brasil e a sua Dimensão Política nos Movimentos Sociais”, por Beatriz Ribeiro (Universidade da Beira Interior); “As Contribuições do Institucionalismo Feminista para a Compreensão da Nova Arquitetura Financeira Global”, por Natália Sant Anna Torres (ISCSP-ULisboa) e “On the Political and Economic Condition of Africa: The Thoughts of Kwame Nkrumah and Claude Ake”, por Babiro Duro Djassi (ISCSP-ULisboa)

cracia: representação, abertura e adaptação”, por Carlos Vargas (HTC-CFE NOVA FCSH e Observatório Político); “Grandes Homens e políticas de memória(s) no Portugal democrático”, por Frederico Pereira Martins (HTC-CFE NOVA FCSH) – num painel intitulado: (2) Os Caminhos da Política através da Cultura Portuguesa, com Professora Doutora Cristina Montalvão Sarmento (Chair) e Professora Doutora Maria João Cabrita (Práxis – UBI; Observatório Político) (Discussant). Além deste, o OP apresentou também um outro painel: (3) Novas Arquiteturas Políticas: teoria, conceitos e problemáticas – com a Professora Doutora Patrícia Oliveira (Chair) e o Professor Doutor Carlos Vargas (Discussant). Neste painel estiveram presentes as seguintes comunicações: “Do que estamos falando sobre resistência na contemporaneidade?”, por Izabela Cavalcanti (ISCSP-ULisboa); “A emergência das novas pro-

No dia de encerramento do Congresso (8 de março), o OP dinamizou um último painel, intitu-

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lado, (4) Um olhar para o mundo pela lente dos Açores, com as exposições seguintes: “A relevância geoestratégica dos Açores no diálogo entre Portugal e a França durante a Guerra Fria”, por Miguel de Oliveira Estanqueiro Rocha (Universidade dos Açores); “Diplomacia insular: os Açores como palco diplomático”, por Tomé Ribeiro Gomes (CEI-IUL); “Desafios da diplomacia científica e novas centralidades da Região Autónoma dos Açores”, por Paulo Vitorino Fontes (Universidade dos Açores e Centro de Investigação em Ciência Política, Universidade de Évora); “Entre o Atlântico e a Europa: a relevância geoestratégica dos Açores”, por Nuno Tiago dos Santos Lopes (Centro de Estudos Humanísticos-UAc; IPRI-NOVA; Observatório Político) e “O Papel das Regiões Ultraperiféricas na Expansão da Política Europeia de Vizinhança: Potencial Geopolítico e Cooperação Regional”, por Henrique Cordeiro Fonseca (Centro de Estudos Humanísticos da Universidade dos Açores). Aqui a coordenação do painel ficou a cargo da Professora Doutora Cristina Montalvão Sarmento (ISCSP-ULisboa; Observatório Político) no papel de Chair e o papel de Discussant foi assegurado pela Professora Doutora Teresa Ruel (ULusófona). A presença do Observatório Político no XII Congresso da APCP não se esgotou nos quatro painéis destacados, coordenados e organizados pelo OP. De facto, a presença alargada de mem-

bros e associados do OP foi divulgada nas nossas redes sociais, permitindo ao máximo o acompanhamento por toda a comunidade OPiana e interessados na atividade do Observatório Político.

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WORKING PAPERS

WP #127 O Movimento Woke, um Espartilho à Expressão Artística e Cultural | da autoria de Duarte Perdigão

WP #129 How PPV/CDC fused with and infused CHEGA | da autoria de Carolina Querido

WP #128 The phenomenon of Iberian Exceptionalism and its recent downfall: the EU’s role in the end of the Iberian Exceptionalism | da autoria de Joana Silva

WP #130 Itinerários do Observatório Político | Manifesto dos 15 Anos | da autoria de Cristina Montalvão Sarmento

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WORKING PAPERS

WP #131 Belt and Road Initiative e a ligação com o Corno de África: o caso do Djibouti | da autoria de Carina Fernandes

WP #132 A Constitucionalização como Dupla Operação | da autoria de Fernando Mendonça Costa; Kamile Moreira Castro

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AGENDA | REVIEW outubro 2024

dezembro 2024

3 & 4 Decorreu o II Colóquio: Os Açores da Europa e do Atlântico, um evento organizado pelo Observatório Político, pelo Centro de Estudos Humanísticos da Universidade dos Açores, com o objetivo de debater a problemática das eleições europeias e norte-americanas e os seus reflexos nas relações transatlânticas.

13 A conferência: “IAgora? Uma nova era tecnológica", celebrou os 15 anos do Observatório Político, uma iniciativa que parte do debate contemporâneo sobre o impacto da Inteligência Artificial para colocar os jovens como agentes ativos da discussão. | Imagem: “Como será Bragança no futuro?”, por Projeto Ruído (2023)

dezembro 2024

março 2025

2 A Universidade Fernando Pessoa (UFP) e a Universidade Lusófona (Centro Universitário do Porto) apresentaram a Conferência Internacional “Os 50 anos do 25 de abril: tempo de interpretações políticas”, no Salão Nobre da UFP, Porto. Uma iniciativa com parceria do Observatório Político.

6, 7 & 8 Decorreu o XII Congresso da APCP, no ISCTE-IUL. O Observatório Político organizou quatro painéis, nomeadamente: “A Governança Global da OIT na proteção dos imigrantes”, “Os Caminhos da Política através da Cultura Portuguesa”, “Novas Arquiteturas Políticas: teoria, conceitos e problemáticas” e “Um olhar para o mundo pela lente dos Açores”. 34


AGENDA | PREVIEW abril 2025

outubro 2025

9 Irá decorrer o Fórum de Empregabilidade do ISCTE-IUL, e como já é regular o Observatório Político vai estar presente, em contacto com os jovens e com a prevista abertura das candidaturas para a terceira fase do XIV programa de estágios, que decorrerá entre maio e julho de 2025.

Está prevista a realização da Conferência “A Bruma na Geopolítica do Médio Oriente”, com a coordenação da Investigadora Corina Lozovan, Membro Associado do Observatório Político.

abril 2025

julho 2025

11 O Observatório Político apresentará o Laboratório de Políticas Culturais: “Entre Lusofonia e Francofonia: A Cultura em Ação”. Terá lugar no Instituto Diplomático, Ministério dos Negócios Estrangeiros – Biblioteca da Rainha, Lisboa. Esta é uma iniciativa em parceria com a Universidade de Otava, contando também com o apoio do Instituto Diplomático (Ministério dos Negócios Estrangeiros).

12, 13, 14, 15 & 16 Terá lugar o 28º Congresso Mundial da IPSA em Seul, sob o tema Resistindo à Autocratização em Sociedades Polarizadas. A vibrante cidade de Seul, com uma população de cerca de 10 milhões de habitantes é a capital económica, cultural e política da Coreia do Sul. O Congresso será organizado em colaboração com a Associação Coreana de Ciência Política (KPSA). 35


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