Opiniões on i t di E al u g in l i t ul M
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ISSN: 2177-6504
BIOENERGÉTICA: cana, milho, açúcar, etanol, biogás, bioeletricidade, CBio, biohidrogênio, SAF e SMF ano 23 • número 89 • Divisão C • Ago-Out 2026
O mundo, as oportunidades, os conflitos e as bioenergias
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Marcos e Vinícius Harven
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Índice
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Q Geopolítica, conflitos e as bioenergias As consequências para as bioenergias
Índice
“As tensões geopolíticas, as interrupções no fornecimento com o aumento da demanda de combustíveis estão impulsionando a fragmentação e retardando o progresso no cenário energético global.” Fórum Econômico Global 2026
O Estreito de Ormuz no Oriente Médio expôs vulnerabilidades dos sistemas energéticos que já vinham pressionados pelo aumento da demanda, gargalos de infraestrutura e a competição dos investimentos. A pesquisa realizada pelo Fórum Econômico Global (com a colaboração da Accenture) concluiu que a transição energética global estagnou, apesar do investimento recorde, face ao desalinhamento crescente entre a alocação de capital e a prontidão para a transição, que caiu pela primeira vez em mais de 10 anos. O Índice de Transição Energética (que tem mais de 16 anos de benchmarking, utilizando 44 indicadores em 120 países) de 2026 permaneceu estável em relação a 2025, refletindo essa desaceleração. Entre os países, o Brasil ficou no 17º lugar.
Uma importante consequência na geopolítica global foi a mudança de prioridade ocorrida onde a segurança energética, custos e resiliência passaram à frente da velocidade do processo estabelecido desde o Acordo de Paris para a descarbonização. No último Fórum (janeiro/26), a afirmação nas conclusões foi que a “Segurança Energética emergiu como uma força definidora”. Em um mundo com risco soberano, inflação crescente e juros altos, a IRENA – Agência Internacional de Energia Renovável afirma que projetos de combustíveis de baixa emissão são particularmente vulneráveis à incerteza política, qualificando-os como totalmente dependentes de suporte regulatório e de políticas públicas. Seria mais ou menos como sintetizar rudemente isso para algo como “a bioenergia nasceu para valorizar o carbono mitigado, mas, antes, precisa sobreviver aos juros, à inflação e às geopolíticas”! Enquanto a previsibilidade atrai o capital, o Brasil, mesmo tendo a mais competitiva biomassa do mundo, seguirá dominado pela geopolítica em primeiro lugar e pela sua capacidade de alinhavar políticas macroeconômicas e foco no que é prioritário em segundo lugar. O resto virá! Quando os EUA (pós 2025) passou a operar globalmente o processo de morte ao multilateralismo, a geopolítica assumiu o volante e o unilateralismo saiu do “acostamento” onde trafegava e retornou à pista principal, à frente de todos. Essa imagem traz consequências claras e já sentidas por todos, nos conflitos, na macroeconomia, frenando a velocidade da transição energética e, claramente, fazendo a bioenergia sentir os impactos. Com isso, emergem protecionismos, subsídios, em um novo caminho, ou pista, que a geopolítica definirá.
No Brasil, têm-se políticas de governo, entre a esquerda (longos períodos) e a direita (raros e curtos períodos), que se alternam e não há continuidade. Isso é um grave problema e requer grandeza e compromisso com a Nação. "
Luiz Carlos Corrêa Carvalho, Caio Diretor da Canaplan
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Opiniões Multilingual Edition
Durante a COP 30, no Brasil (Belém-PA), pôde-se apresentar (Brasil) a lógica dos três grandes mapas globais: o Mapa da Transição Energética; o do Desmatamento; o do Financiamento. Foi brilhante e oportuno, mas, claro, a sua sequência dependerá do que virá nas COPs seguintes. Afinal, a geopolítica na forma dos discursos dos países líderes mostra que a transição energética segue inevitável, sem, no entanto, viabilizar maior velocidade ao processo, que tenderá a ser longo. Há uma série de consequências ao nível global e nacional que merecem reflexão. Enquanto globalmente não se têm produtos como o etanol ou o biodiesel como commodities (no conceito mundial), as questões fundamentais de acessibilidade (volumes, disponibilidade e preços) no tempo, diga-se curto prazo (oferta maior que a demanda) e longo prazo (modais de transporte como o SAF e SMF, combustíveis sustentáveis aéreo e marítimo, respectivamente) haverá ganhos de valor estratégico nos ativos existentes e novos projetos serão mais difíceis (greenfields) de uma forma geral. Afinal, petróleo com preços altos convida a bioenergia, e o contrário leva à luta por sobrevivência. Outros aspectos relevantes são a regionalização, segurança de suprimento e o que se sintetiza como “friendshoring”, que levam a outras tendências. Qualquer que seja o caminho, para trafegá-lo será preciso ter biocompetitividade. A escolha dessa palavra foi muito pensada e reflete o peso ou a relevância dos temas que ela engloba. Como um país rico em biomassa (carboidratos, proteínas e fibras), em hidrocarbonetos e com potencial enorme de recuperação de grandes áreas de terras em diferentes estágios de degradação, o Brasil, além de estar muito à frente da enorme maioria dos países em suas matrizes energética e elétrica, precisa estar focado em suas escolhas. A cada escolha, assumem-se as consequências! Capital caro, mercado volátil, fertilizante importado, máquinas e insumos com financiamentos a juros altos, sofrendo a falta de uma política de seguro rural, sugerem, obviamente, política de Estado. No Brasil, têm-se políticas de governo, entre a esquerda (longos períodos) e a direita (raros e curtos períodos), que se alternam e não há continuidade. Isso é um grave problema e requer grandeza e compromisso com a Nação. Do lado privado, a resposta é produtividade elevada, produtos com qualidade e mitigação das emissões de carbono.
Para cada agroindústria, diferentes respostas e mercados, mas, óbvio, com previsibilidade alicerçada nos compromissos que sejam assumidos em políticas de Estado. Para as cadeias produtivas da cana, milho, soja, carnes e florestas plantadas, entre outras, algumas consequências merecem comentários adicionais: • Todas deverão ser plataformas bioindustriais, derivadas de diferentes matérias-primas, certificadas e globais. Isso requererá governança e acesso a capitais. • Todas deverão utilizar toda a biomassa produzida (integral) e diversificar, via tecnologias, seus produtos e subprodutos para reduzir os tipos variados de dependências, ampliando os seus mercados (interno e externos), atraindo capital e parcerias estratégicas. • Contínua busca de integração entre as diversas culturas e cadeias produtivas, buscando redução de custos e mercados, no País e alhures, confirmando em escala o protagonismo do Brasil no agronegócio global. A bioenergia continua sendo uma das maiores oportunidades estratégicas do Brasil neste século XXI da Bioeconomia e da Inteligência Artificial, mas sua evolução deixou de depender apenas de argumentos ambientais ou mesmo de capacidade competitiva. Como dito pelo Prêmio Nobel de Economia Paul Krugman, "a produtividade é quase tudo". Hoje, o avanço da bioenergia está condicionado à realidade geopolítica, à segurança energética, à competitividade econômica e à capacidade dos países de construir políticas de Estado consistentes. Em um mundo marcado por guerras, protecionismo, disputas comerciais e restrições fiscais, além de argumentos de proteção como o “food versus fuel”, deveriam prevalecer soluções que conciliassem descarbonização, soberania energética e custos. Nesse contexto, a bioenergia brasileira destaca-se por reunir disponibilidade de biomassa, tecnologia consolidada e elevada eficiência, mas seu pleno potencial somente será alcançado com estabilidade regulatória, investimentos contínuos e uma visão estratégica de longo prazo. Para um país protagonista como o Brasil nos temas prioritários à humanidade como a segurança alimentar e a transição energética, na corrida contra as mudanças climáticas, estar firmemente lastreado em posições de Estado nas relações internas e externas é fundamental.
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Q Geopolítica, conflitos e as bioenergias Geopolítica e Bioenergia:
Índice
por que o mundo voltou a olhar para o Brasil A geopolítica voltou a determinar o ritmo da transição energética, e isso muda profundamente o papel das bioenergias. Por muitos anos, acreditou-se que a transição energética seria conduzida quase exclusivamente por critérios ambientais: metas climáticas e acordos internacionais pareciam suficientes para orientar investimentos e políticas públicas. Os últimos cinco anos mostraram que essa leitura era incompleta. A pandemia revelou a fragilidade das cadeias globais de suprimentos. A guerra entre Rússia e Ucrânia expôs a dependência energética da Europa. As tensões entre Estados Unidos e China deixaram claro que minerais críticos, tecnologia e energia
se tornaram ativos estratégicos, não apenas insumos de mercado. Mais recentemente, os conflitos no Oriente Médio voltaram a colocar o petróleo e a segurança do abastecimento no centro das decisões políticas. Nesse cenário, a transição energética deixou de ser apenas uma agenda ambiental para se tornar também uma agenda de segurança nacional, competitividade econômica e soberania. É nesse contexto que as bioenergias recuperam protagonismo. Uma pergunta simples resume o desafio que a política energética global ainda não respondeu bem: como reduzir a dependência de combustíveis fósseis sem uma alternativa renovável que já exista em escala hoje, e não em um horizonte de décadas? O que o Brasil já construiu O Brasil tem uma resposta concreta para essa pergunta, construída ao longo de meio século de investimento em biocombustíveis. O País é hoje o segundo maior produtor mundial de etanol e o terceiro maior de biodiesel, com infraestrutura instalada e arcabouço regulatório consolidado em leis como o RenovaBio e a Lei do Combustível do Futuro — raramente discutido como ativo de segurança
Cada bilhão de litros de etanol produzidos substituem cerca de 700 milhões de litros de gasolina, amortecendo choques externos tanto para o consumidor quanto para as contas públicas. "
Eduardo Bastos
CEO do Instituto Equilíbrio e Presidente da Câmara do AgroCarbono no MAPA
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Q Geopolítica, conflitos e as bioenergias
Índice
energética, mas é exatamente isso que representa diante de choques de oferta originados em zonas de conflito. Os biocombustíveis evitam, hoje, a emissão de quase 100 milhões de toneladas de CO₂ equivalente por ano no Brasil, com tendência de crescimento à medida que avançam os mandatos de etanol e biodiesel e a adoção de combustível sustentável de aviação. Saúde pública: um argumento além do clima Há também uma dimensão de saúde pública que costuma receber menos atenção do que merece. A poluição do ar figura entre as principais causas de morte prematura no mundo, associada a doenças respiratórias e cardiovasculares. Biocombustíveis emitem menos monóxido de carbono, material particulado e enxofre do que seus equivalentes fósseis, um efeito direto sobre o ar que se respira nas cidades brasileiras hoje, não apenas sobre metas climáticas de longo prazo.
Impactos econômicos e climáticos dos Biocombustíveis SOBRE O ESTUDO Estudo conduzido pelo Observatório de Bioeconomia da FGV Agro, viabilizado pelo Instituto Equilíbrio e Agni, e apoio institucional da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) e Sociedade Rural Brasileira (SRB). Apresenta uma avaliação integrada dos impactos socioeconômicos e ambientais de sete tecnologias do Plano ABC+, bem como sinergias e trade-offs. Neste documento, destacamos os resultados consolidados do uso de biocombustíveis. O que são biocombustíveis? Produzidos a partir de biomassa de origem renovável e utilizados para substituir combustíveis fósseis: etanol (2G e milho); biodiesel avançado; bioquerosene de aviação (SAF). Metas do Plano ABC+ (2021-2030) Mitigar a emissão de 1,1 bilhão de toneladas de CO₂e no período por meio da ampliação da adoção de tecnologias sustentáveis em 72,68 milhões de hectares. Metodologia Brasil-AGRO (2025-2030) Modelo de equilíbrio geral de análise dos impactos na adoção de tecnologias integradas, em médio e longo prazo, para determinar os efeitos em termos de renda, produção, custo de implementação, mudança no uso da terra e emissões de gases de efeito estufa
GERAÇÃO DE EMPREGOS Os biocombustíveis podem gerar
225,5 mil novas ocupações (+1,1%) • A criação de empregos ocorre principalmente na agropecuária e na agroindústria
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• Além dos empregos diretos, a expansão do setor dinamiza comércio, serviços e economias locais, especialmente no interior do País
Os números por trás da liderança Estudo conduzido pelo Observatório de Bioeconomia da FGV Agro, viabilizado pelo Instituto Equilíbrio e pela Agni, com apoio institucional da Abag e da SRB, estima que a expansão dos biocombustíveis pode adicionar R$ 403,2 bilhões ao PIB brasileiro frente ao patamar de 2024, um incremento de 3,4%, com 225,5 mil novas ocupações até 2030, concentradas na agropecuária e na agroindústria. Já vemos isso no Centro-Oeste, onde plantas de etanol de milho absorveram um excedente de produção sem destino claro, e começa a se repetir em outras regiões, sinal de que a expansão também favorece a interiorização do desenvolvimento e a inclusão de pequenos e médios produtores em cadeias de valor sustentáveis. Cada real investido em biocombustíveis tem potencial de gerar R$ 62 em retorno direto, entre os índices mais eficientes do País em custo por tonelada de carbono evitada. Há ainda um efeito menos comentado: os coprodutos da produção, como farelo e DDG, ampliam a oferta de proteína animal e ajudam a conter pressões inflacionárias sobre o custo de vida da população. Uma indústria que já pesa na matriz energética A bioenergia ligada ao agronegócio já responde por 29% de toda a oferta interna de energia do Brasil, e a biomassa de cana-de-açúcar sozinha representa 17% da matriz energética nacional. Esse peso explica por que o País, mesmo tendo importado mais de um quarto do diesel que consumiu em 2022, reagiu de forma diferente aos choques recentes no mercado de petróleo: cada bilhão de litros de etanol produzidos substituem cerca de 700 milhões de litros de gasolina, amortecendo choques externos tanto para o consumidor quanto para as contas públicas. Um artigo da revista britânica The Economist, de março de 2026, comparou os preços desde o início da guerra: a gasolina brasileira subiu 10% e o diesel, 20%, ante 30% e 40% nos Estados Unidos, mesmo com a Petrobras absorvendo parte dos custos adicionais — diferença atribuída à competitividade da indústria brasileira, que já desperta interesse de Índia e Japão por sua expertise técnica.
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Comida e energia na mesma área Vale desfazer um argumento recorrente contra os biocombustíveis, o de que expandir sua produção significa competir com a de alimentos. No caso brasileiro, essa lógica não se sustenta: o aproveitamento integral da planta permite que cana gere açúcar, eletricidade e etanol; milho gere etanol e DDG para ração animal; e soja gere biodiesel e farelo. Ao menos três quartos do potencial de expansão até 2035 devem vir de ganho de produtividade, segunda safra, uso de resíduos e recuperação de áreas degradadas — o chamado efeito poupa-terra —, não de novas fronteiras agrícolas. A FGV Agro estima que essa trajetória pode evitar 480 mil hectares de desmatamento no Cerrado e na Amazônia. Produção de energia e de alimento, no Brasil, caminham na mesma área. Os desafios continuam relevantes Liderança potencial, porém, não garante liderança efetiva. Previsibilidade regulatória continua fundamental para atrair investimento de longo prazo, inclusive para diversificar a base de matérias-primas, como macaúba ou sorgo, e para viabilizar contratos de compra de longo prazo em mercados como o de combustível sustentável de aviação. Infraestrutura logística, certificações internacionais, rastreabilidade e harmonização regulatória serão cada vez mais determinantes para acessar mercados premium: o mundo exigirá cada vez menos narrativas e cada vez mais evidências mensuráveis de sustentabilidade. O papel da diplomacia do agro A geopolítica também amplia a importância das relações institucionais. As disputas comerciais deixam de se limitar a tarifas e passam a envolver padrões ambientais, certificações e critérios de carbono. Nesse ambiente, governo, empresas, academia e entidades setoriais precisam atuar de forma coordenada: a competitividade das bioenergias brasileiras dependerá tanto da excelência produtiva quanto da capacidade de construir confiança internacional. É por isso que o Brasil segue apostando em acordos multilaterais como instrumento de estabilidade, mesmo num mundo que caminha, com força crescente, para o
bilateralismo e as disputas de blocos. Um país capaz de aliar energia renovável em escala a histórico de cooperação internacional tem algo raro a oferecer: previsibilidade. Uma janela histórica Talvez o maior aprendizado dos últimos anos seja que segurança alimentar, energética e climática deixaram de ser agendas independentes e passaram a formar um único sistema. E poucos países estão tão bem-posicionados quanto o Brasil para responder às três simultaneamente. A bioenergia deixa de ser apenas uma alternativa energética para se tornar um ativo geopolítico. A oportunidade é real, mas exigirá visão estratégica, estabilidade institucional e capacidade de diálogo entre todos os atores envolvidos. O futuro da bioenergia brasileira dependerá menos da quantidade de biomassa disponível — que o País já possui — e muito mais da qualidade das decisões que tomarmos nos próximos anos. IMPACTOS ECONÔMICOS
IMPACTOS ECONÔMICOS
403,2 bilhões
A produção estimada é de 64 bilhões de litros, incluindo
403,2
podem ser adicionados bilhões ao PIB (+3,4%)* por meio podem ser adicionados dos biocombustíveis
A produção estimada é de 64 bilhões de litros, incluindo
ao PIB (+3,4%)* por meio dos biocombustíveis
• O impacto expressivo no PIB•decorre daexpressivo produção no O impacto prevista no PDEda2030-2035 PIB decorre produção (Plano Decenal de Expansão prevista no PDE 2030-2035 de Energia) (Plano Decenal de Expansão de Energia)
31,7 bi Etanol 31,7 bi deEtanol cana
14,3 bi Etanol de milho 14,3 bi Etanol de milho
17 bi Biodiesel
17 bi Biodiesel
de cana
0,9 bi Etanol de
2ª geração 0,9 bi Etanol(importado) de 2ª geração (importado) A expansão pode tornar o setor quase 70% maior, A expansão pode com tornarefeitos o setorem: quase 70% maior, com efeitos em:
31,34%
Transportes: 8,1%
31,34%
Transportes: 8,1% Indústria de transformação: 6,4%
A expansão impulsiona a A expansão impulsiona a produção de cana-de-açúcar
Indústria Agropecuária: 3,5% de transformação: 6,4% Agropecuária: 3,5% Agroindústria: 1,2%
produção de cana-de-açúcar
* Referência: PIB nominal de R$ 11,74 trilhões em 2024
Agroindústria: 1,2%
* Referência: PIB nominal de R$ 11,74 trilhões em 2024
USO DA USO DATERRA TERRA
480 milmil hectares dede 480 hectares
Desmatamento Desmatamentoevitado evitado Em Emhectares hectares
desmatamento podem desmatamento podem ser ser evitados com o uso evitados com o uso de biocombustíveis* de biocombustíveis*
Cerrado: Cerrado:207 207 mil mil Amazônia: Amazônia:199 199 mil mil
Tecnologiasde debaixo baixocarbono carbono Tecnologias permitemexpandir expandiralimentos alimentos permitem ee bioenergia simultaneamente, bioenergia simultaneamente, com maior maiorprodutividade produtividadee euso uso com maiseficiente eficienteda daterra terra mais
*A metodologia utilizada considera a dinâmica recente dede expansão sobreáreas *A metodologia utilizada considera a dinâmica recente expansãodas dasáreas áreasde desoja sojaee de de cana-de-açúcar cana-de-açúcar sobreáreas de pastagens de baixo vigor parapara refletir os os principais vetores recentes no Brasil. Brasil. de pastagens de baixo vigor refletir principais vetores recentesde demudança mudançano no uso uso da terra, no
EFICIÊNCIAECONÔMICA ECONÔMICA** EFICIÊNCIA Os biocombustíveis podem Os biocombustíveis podem gerar retorno para gerar R$ R$ 62 62 de de retorno para cada R$ 1 investido.** cada R$ 1 investido.** R$ 1
R$ 1
R$ 62
R$ 62
R$6,5 6,5bilhões bilhões por por ano ano R$ R$ R$ 236 236porportCO2e tCO2e necessários em investimentos em custo por tonelada necessários em investimentos paraexpansão expansãodo dosetor, setor, com com para avanço dependente de crédito, avanço dependente de crédito, financiamento e mitigação financiamento e mitigação de riscos de riscos
em custo por tonelada
evitada, evitada,colocando colocandoaa tecnologia entre as mais tecnologia entre as mais eficientes em eficientes em custo-efetividade climática
custo-efetividade climática
*Relação benefício-custo calculada apenas com impactos econômicos diretos, sem contabilizar os cobenefícios ambientais e sociais.
** Retorno por R$ investido (PIB apenas gerado/custo) *Relação benefício-custo calculada com impactos econômicos diretos, sem contabilizar os cobenefícios ambientais e sociais. ** Retorno por R$ investido (PIB gerado/custo)
IMPACTOS CLIMÁTICOS
IMPACTOS CLIMÁTICOS
27,6 Mt CO2e podem ser
PDE 2030–2035 projeta
reduzidos substituição crescimento expressivo 27,6 Mt com CO2eapodem ser PDE 2030–2035 projeta dos de combustíveis fósseis por biocombustíveis, com potencial
reduzidos com a substituição crescimento expressivo dos biocombustíveis, conforme de substituir parcialmente os de combustíveis fósseis por biocombustíveis, com potencial metas do PDE 2030–2035.* fósseis biocombustíveis, conforme decombustíveis substituir parcialmente os metas dodePDE 2030–2035.* *Milhões toneladas de Carbono Equivalente combustíveis fósseis
*Milhões de toneladas de Carbono Equivalente
Estudos mostram que o etanol de mostram cana podeque reduzir Estudos o 70–90% emissões em etanol dedas cana pode reduzir comparação à gasolina 70–90% das emissões em
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Q Geopolítica, conflitos e as bioenergias
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Como a geopolítica global está redefinindo o papel do agronegócio e das bioenergias no Brasil O cenário geopolítico global atravessa um dos períodos de maior incerteza das últimas décadas, o que torna o ambiente do agronegócio cada vez mais desafiador e competitivo; é o que costumamos chamar de período dos “3Vs”: as Variáveis, Variando Violentamente”. A sobreposição de tensões comerciais, guerras no Leste Europeu e no Oriente Médio e a crescente frequência de eventos climáticos extremos transformaram a matriz de risco do agronegócio e do setor de energia. Em meio a esse ambiente de elevada volatilidade, a bioenergia brasileira — representada pelo etanol (de cana e de milho), pelo biodiesel, pelo biogás/biometano e pelas novas rotas de combustíveis sustentáveis — deixa de ser meramente uma alternativa ambiental e consolida-se como um vetor estratégico de segurança energética, previsibilidade econômica e soberania nacional. Recentemente, as pressões sobre a pauta exportadora brasileira ganharam novos capítulos com o anúncio de tarifas adicionais de importação pelos Estados Unidos sobre diversos produtos nacionais, sob argumentos comerciais da “Seção 301”.
Embora parte expressiva da pauta do agronegócio mantenha isenções estratégicas decorrentes da própria dependência industrial norte-americana, a inclusão do etanol e as barreiras protecionistas acendem um alerta claro: o protecionismo e as disputas bilaterais reforçam a urgência de o Brasil não apenas diversificar seus parceiros comerciais, mas também acelerar o consumo interno e a agregação de valor às suas matérias-primas energéticas. Paralelamente, a escalada das tensões no Oriente Médio, envolvendo atores geopolíticos centrais e o risco recorrente no Estreito de Ormuz, mantém o mercado internacional do petróleo sob forte instabilidade. As cotações oscilantes do barril repercutem diretamente nos preços do óleo diesel e no custo do frete rodoviário no Brasil, o que em alguns momentos até favorece a competitividade do nosso etanol, mas também eleva os custos para produtores e indústria. A região é também crucial para o fornecimento de insumos, em especial dos fertilizantes, que chegam a representar até 40% do custo de produção das lavouras; associados ao diesel mais caro, encarecem a operação no campo e comprimem as margens do produtor.
Valorizar a matriz bioenergética brasileira não é uma pauta setorial, mas uma diretriz de estado; é assegurar a autonomia econômica e posicionar o Brasil como a grande potência global em soluções sustentáveis de energia e alimentos. "
Vinícius Cambaúva e Marcos Fava Neves
Professores da Harven Agribusiness School
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Opiniões Multilingual Edition
Nesse contexto, o etanol e o biodiesel atuam como um hedge energético natural para o País: quanto maior a oferta doméstica de renováveis, menor é a vulnerabilidade da nossa economia aos choques externos do barril de petróleo. No Leste Europeu, a manutenção do conflito entre Rússia e Ucrânia continua impondo desafios de longo prazo às cadeias globais de suprimento. O reordenamento do comércio de gás natural, do cloreto de potássio e de grãos alterou de forma permanente a estrutura de custos do agronegócio global. Com custos de insumos sintéticos permanentemente mais elevados, ganham eficiência os sistemas de produção integrados e o aproveitamento de biomassa e resíduos orgânicos para a geração de biogás, biometano e biofertilizantes, criando uma economia circular dentro das próprias usinas e propriedades rurais. A dimensão desses gargalos fica evidente ao analisarmos os números recentes do comércio exterior e das cadeias de insumos. A aplicação da tarifa adicional de 25% pelos Estados Unidos atinge diretamente cerca de 23,5% do volume total de etanol exportado pelo Brasil, mercado que absorveu mais de 65 mil m³ apenas nos primeiros cinco meses de 2026. Simultaneamente, no ambiente de choques geopolíticos no Oriente Médio — região que responde por mais de 40% das exportações globais de ureia e 35% do suprimento externo consumido no país —, as cotações do insumo superaram os US$ 437/t CFR Brasil. Essa alta de custos operacionais ganha amplitude com o petróleo Brent negociado acima dos US$ 90 por barril, encarecendo o frete e a logística. Diante da vulnerabilidade de importar mais de 80% dos fertilizantes, a competitividade do setor exige a ampliação do processamento de bioenergia para amortecer o efeito da inflação de custos. Para somar complexidade ao quadro geopolítico, os choques climáticos voltam a exercer forte pressão sobre a oferta agrícola com o alerta emitido pela NOAA para a formação de um Super El Niño. Com anomalias térmicas previstas no Oceano Pacífico
entre 1,8ºC e 2,5ºC acima da média, o fenômeno ameaça repetir os piores cenários observados em episódios históricos (como 1982, 1997 e 2015), desregulando o regime pluviométrico no País. A combinação de secas severas e calor extremo no Centro-Norte e Leste com o excesso de chuvas no Sul afeta diretamente as janelas de plantio da soja e do milho — cujas perdas de produtividade em eventos passados chegaram a ultrapassar 50% —, além de prejudicar o TCH (toneladas de cana por hectare) e a taxa de ATR nos canaviais. Essa quebra de safra impacta duplamente o setor bioenergético: além de comprimir a oferta de matéria-prima, acentua os custos industriais e a inflação de insumos, fragilizando financeiramente as usinas sucroenergéticas. A resiliência bioenergética exige investimentos urgentes em eficiência operacional e no fortalecimento da integração para amortecer os impactos climáticos. Mesmo diante de fricções comerciais e desafios climáticos, as "novas fronteiras" do setor avançam em ritmo acelerado. Regulamentações impulsionadas pela Lei do Combustível do Futuro, a demanda por SAF (Sustainable Aviation Fuel) e a busca por soluções de descarbonização para o transporte marítimo global colocam os biocombustíveis no centro das atenções internacionais. O Brasil possui condições únicas para liderar a rota Alcohol-to-Jet (AtJ), transformando sua vantagem comparativa no campo em vantagem competitiva industrial. Historicamente, o debate energético global oscilou entre a busca por menores custos e a urgência da sustentabilidade. Hoje, contudo, a geopolítica impôs um terceiro pilar inegociável: a segurança de suprimento. Países dependentes de importações fósseis ou de rotas logísticas vulneráveis enfrentam constantes ameaças de inflação energética e desabastecimento. Valorizar a matriz bioenergética brasileira não é uma pauta setorial, mas uma diretriz de estado; é assegurar a autonomia econômica e posicionar o Brasil como a grande potência global em soluções sustentáveis de energia e alimentos.
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Q Bioenergia 2050
Índice
Opiniões Multilingual Edition
O Brasil tem capacidade para exportar muito mais do que biocombustíveis Quando se discute o futuro da bioenergia, a atenção costuma se concentrar em novos combustíveis, metas de descarbonização ou avanços regulatórios. Embora essenciais, esses temas, às vezes, encobrem um fator ainda mais decisivo: a necessidade de estruturar a base industrial e tecnológica capaz de sustentar a próxima fase da transição energética. Nesse cenário, a expertise brasileira de projetar, fabricar e integrar sistemas assume um lugar central na consolidação da nova geração de biorrefinarias.
Pensar o setor para as próximas décadas exige ir além da simples expansão de volume no campo. O verdadeiro desafio é construir uma lógica produtiva focada no aproveitamento integral da biomassa e no desenvolvimento de derivados de maior valor agregado. Mais do que abundância de recursos agrícolas, esse progresso requer automação de processos, eficiência operacional, digitalização e inteligência técnica para transformar insumos naturais em alternativas altamente competitivas no mercado internacional. É justamente nesse aspecto que o Brasil demonstra uma de suas principais fortalezas. Essa transição parte de uma vantagem edificada ao longo de décadas: o País não desenvolveu apenas uma indústria de biocombustíveis potente, mas um conjunto de competências capaz de traduzir conhecimento em projetos complexos.
O cluster CPL Bioenergia CEISE Br reúne um dos mais relevantes ecossistemas produtivos do País, conectando 16 municípios e aproximadamente 18,6 mil empresas que movimentam cerca de R$ 41,2 bilhões por ano e geram mais de 109 mil empregos. "
Rosana Amadeu
Presidente do CEISE Br Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis
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Q Bioenergia 2050
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Esse aprendizado, construído inicialmente a partir da cadeia sucroenergética, hoje contempla um universo muito maior. O alcance do etanol de milho, por exemplo, representa a evolução natural dessa bagagem e não uma ruptura no legado do setor. Assim, diferentes rotas produtivas passam a coexistir e fortalecem o conceito de biorrefinaria, criando novas oportunidades de inovação. Da mesma forma, o crescimento do biometano, do SAF, do etanol de segunda geração, da captura e armazenamento de carbono (BECCS) e de outros bioprodutos amplia o horizonte da bioeconomia brasileira. Embora tenham características próprias, todas essas frentes possuem um ponto em comum: dependem de conhecimento, integração tecnológica e capacidade de transformar pesquisa e experiência em aplicações industriais escaláveis e competitivas. Ainda existem tecnologias proprietárias e determinados componentes que demandam cooperação internacional. O obstáculo, porém, não está em substituir essa interação, mas em ampliar continuamente o conteúdo tecnológico nacional, fortalecer a engenharia brasileira e valorizar os projetos desenvolvidos no País. Nesse cenário, o CEISE Br atua como articulador de uma rede de fabricantes, empresas de engenharia, integradores de sistemas, instituições de pesquisa, universidades, entidades setoriais afins e poder público. Afinal, a inovação acontece de forma colaborativa. Nenhuma organização constrói, isoladamente, o futuro da bioenergia. Essa mesma perspectiva orienta o trabalho da CPL Bioenergia, reconhecida pelo programa SP Produz, do Governo do Estado de São Paulo. O cluster reúne um dos mais relevantes ecossistemas produtivos do País, conectando 16 municípios e aproximadamente 18,6 mil empresas que movimentam cerca de R$ 41,2 bilhões por ano e geram mais de 109 mil empregos. É um ambiente em que conhecimento técnico, capacidade produtiva e inovação convergem para gerar soluções capazes de atender a projetos turn-key para plataformas bioindustriais de nova geração, tanto no
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Mailson Pignata
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mercado nacional quanto internacional. A relevância dessa estrutura se reflete diretamente nos indicadores. Com um volume de aproximadamente 36 bilhões de litros de etanol na safra 2025/2026, segundo dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia – UNICA, o País reafirma sua posição de destaque no suprimento global de energia renovável. Esse dinamismo ganha novo impulso com a determinação do Conselho Nacional de Política Energética – CNPE, de elevar para 32% (E32) a mistura obrigatória do anidro à gasolina. A medida deve adicionar cerca de 1 bilhão de litros por ano à demanda interna, reduzindo substancialmente a dependência de combustíveis fósseis importados, conforme apontam as projeções do Ministério de Minas e Energia. Somam-se a esse cenário marcos regulatórios, como a Lei do Combustível do Futuro, que ampliam a previsibilidade para investimentos de longo prazo e estimulam a implantação de novas unidades, a modernização das existentes e a diversificação das rotas produtivas. Para a cadeia fornecedora, esse movimento representa mais do que crescimento de mercado: reforça seu papel como parceira estratégica na construção de uma bioenergia mais eficiente, competitiva e sustentável. A visão da Bioenergia 2050 abre uma oportunidade histórica para o Brasil elevar seu patamar na diplomacia econômica e energética global. O País reúne vantagens que poucos concorrentes possuem: disponibilidade de matéria-prima, know-how técnico e operacional e um ecossistema produtivo maduro. O desafio, agora, é converter esses ativos em liderança efetiva. Por meio de um esforço coletivo – suportado por políticas públicas assertivas, compatíveis com a realidade do nosso setor –, que vise fortalecer a inovação e ampliar a competitividade nacional, o Brasil terá condições para se firmar não apenas como um grande produtor e exportador de energia limpa, mas como a principal referência em tecnologia, engenharia e soluções completas para a bioeconomia mundial.
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Q Perspectivas mundiais para a indústria do etanol
Índice
Uma liderança que o Brasil precisa consolidar Durante muito tempo, o etanol foi visto como uma solução regional, fortemente associada à experiência brasileira e, em menor escala, aos Estados Unidos. Hoje, esse cenário mudou. A transição energética transformou o biocombustível em um dos principais instrumentos para a descarbonização da economia global, ampliando seu papel muito além da substituição parcial da gasolina. A discussão internacional deixou de ser apenas sobre segurança energética e passou a incorporar, de forma definitiva, as metas climáticas assumidas por governos, empresas e consumidores. Nesse contexto, o etanol ocupa posição estratégica por reunir características que poucos energéticos conseguem combinar simultaneamente: produção em larga escala, tecnologia consolidada, competitividade econômica e significativa redução das emissões de gases de efeito estufa, para citar apenas algumas. O crescimento da demanda mundial por combustíveis renováveis não representa uma tendência passageira. Trata-se de uma transformação estrutural impulsionada por compromissos internacionais de neutralidade de carbono, pela necessidade de diversificação
da matriz energética e pelo avanço de políticas públicas voltadas à economia de baixo carbono, muito embora ainda haja resistência de algumas das principais economias do planeta. Diversos países ampliam seus programas de mistura obrigatória de etanol à gasolina. Outros iniciam seus primeiros projetos de produção. Ao mesmo tempo, setores tradicionalmente difíceis de descarbonizar, como a aviação, o transporte marítimo e a indústria química, passam a enxergar o etanol como matéria-prima para uma nova geração de combustíveis sustentáveis e produtos renováveis. Não se trata apenas de um movimento observado nos tradicionais produtores de biocombustíveis. Países como Índia e Indonésia aceleram seus programas de mistura de etanol aos combustíveis fósseis, enquanto diversas nações da Ásia, da África e da América Latina estruturam políticas para desenvolver suas próprias cadeias produtivas. Paralelamente, mercados mais maduros, como a União Europeia, ampliam o interesse pelo etanol não apenas como combustível, mas também como matéria-prima para combustíveis sustentáveis de aviação (SAF), produtos químicos renováveis e outras soluções alinhadas à economia de baixo carbono. Esse novo cenário evidencia que a competição global será cada vez mais intensa. O Brasil parte de uma posição privilegiada, construída ao longo de décadas de investimentos e desenvolvimento tecnológico. Mas liderança não é uma condição permanente; ela precisa ser continuamente conquistada por meio de inovação, produtividade, segurança regulatória e capacidade de atender às novas demandas de um mercado cada vez mais exigente.
A questão agora não é saber se haverá mercado para o etanol, mas se estaremos preparados para ocupar o espaço que se abre diante de nós. "
Hugo Cagno Filho
Presidente da UDOP e Presidente de Honra da Fenasucro & Agrocana 2026
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Q Perspectivas mundiais para a indústria do etanol
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O Brasil reúne atributos que poucos concorrentes conseguem combinar. Temos disponibilidade de terras agricultáveis, clima favorável, elevada produtividade, décadas de conhecimento técnico acumulado, um parque industrial moderno e profissionais altamente qualificados. São vantagens construídas ao longo do tempo e que precisam ser transformadas em liderança efetiva. A cadeia sucroenergética brasileira evoluiu muito além da produção de açúcar e etanol. Hoje, as usinas são verdadeiras biorrefinarias, capazes de produzir energia elétrica renovável, biogás, biometano, biofertilizantes, leveduras, produtos químicos de origem renovável e, em um futuro cada vez mais próximo, combustíveis sustentáveis para a aviação (SAF) e outras moléculas estratégicas para a transição energética. Essa transformação faz com que as usinas deixem de depender exclusivamente da produção de açúcar ou etanol. Quanto maior a diversificação, maior também sua capacidade de enfrentar oscilações de mercado, agregar valor à produção e atrair investimentos de longo prazo. Se a revolução tecnológica já transformou o campo, ela agora acelera dentro das indústrias. A mecanização da colheita, os avanços no melhoramento genético da cana-de-açúcar, a agricultura digital, a automação industrial e o desenvolvimento do etanol de segunda geração demonstram que o setor sucroenergético brasileiro nunca deixou de investir em eficiência. Agora, novas tecnologias, como inteligência artificial, análise de dados, automação avançada e agricultura de precisão, abrem uma nova fronteira de ganhos em produtividade, eficiência operacional e sustentabilidade. Entretanto, transformar potencial em liderança exige visão estratégica. A crescente demanda mundial por etanol não garante, por si só, que o Brasil ocupará naturalmente esse espaço. Será necessário ampliar investimentos, fortalecer a infraestrutura logística, assegurar previsibilidade regulatória, estimular a inovação e continuar formando profissionais preparados para operar uma indústria cada vez mais tecnológica. O setor sucroenergético trabalha com investimentos de longo prazo. Por isso, segurança jurídica, estabilidade regulatória e planejamento são tão importantes quanto inovação e tecnologia. Sem esse ambiente favorável, perde-se competitividade justamente quando o mundo amplia sua demanda por soluções renováveis. Outro desafio igualmente importante é o capital humano.
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Nenhuma inovação produz resultado sozinha. Ela depende de pessoas preparadas para utilizá-la, aperfeiçoá-la e transformá-la em ganhos reais de produtividade. Isso se torna ainda mais relevante diante do verdadeiro apagão de mão de obra qualificada que já afeta diversos segmentos da economia. É justamente nesse ponto que instituições voltadas ao desenvolvimento do setor ganham ainda mais relevância. A UDOP – União Nacional da Bioenergia acredita que a capacitação profissional, a disseminação do conhecimento e o intercâmbio de experiências são pilares fundamentais para fortalecer toda a cadeia produtiva. Ao longo de sua trajetória, a entidade tem investido continuamente na formação de profissionais, na realização de eventos técnicos, na promoção da inovação e na aproximação entre indústria, academia e fornecedores de tecnologia. Essa missão ganha ainda mais importância diante da velocidade com que o setor se transforma. Não por acaso, a Fenasucro & Agrocana consolidou-se como muito mais que uma feira de negócios. Tornou-se no principal ponto de encontro da bioenergia mundial, reunindo empresas, pesquisadores, investidores, lideranças e especialistas que ajudam a construir os caminhos futuros do setor. É nesse ambiente que tecnologias são apresentadas, parcerias são estabelecidas e tendências globais passam a fazer parte da realidade das usinas brasileiras. Mais do que uma vitrine de equipamentos e soluções, a feira demonstra a capacidade de inovação de uma indústria que continua se reinventando. O mundo já reconhece o potencial da bioenergia brasileira. A questão agora não é saber se haverá mercado para o etanol, mas se estaremos preparados para ocupar o espaço que se abre diante de nós. Temos recursos naturais, conhecimento, tecnologia, capacidade industrial e uma cadeia produtiva madura. O desafio é transformar essas vantagens em liderança global, ampliando mercados, agregando valor aos nossos produtos e consolidando o Brasil como referência mundial em energia renovável. Oportunidades históricas não esperam indefinidamente. E o etanol tem tudo para ser um dos grandes protagonistas dessa nova economia de baixo carbono. Então, mãos à obra!
Q Transição energética lobal O papel do etanol
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O mercado mundial de energia atravessa um raro momento de convergência. Três forças, normalmente independentes, caminham agora na mesma direção: a necessidade de descarbonização ganha metas concretas para esta década; novos marcos regulatórios avançam simultaneamente na aviação internacional e no transporte marítimo; e países importadores de energia voltam a priorizar a segurança energética em um cenário de crescente instabilidade geopolítica. Não é comum que esses três vetores se alinhem ao mesmo tempo. Quando isso ocorre, surgem oportunidades capazes de redefinir mercados por décadas. O etanol chega a esse momento em posição singular. Diferentemente de soluções que ainda dependem de novas tecnologias, da renovação de frotas ou de investimentos massivos em infraestrutura, trata-se de uma alternativa imediatamente disponível, capaz de reduzir emissões utilizando motores, postos de abastecimento e sistemas logísticos já existentes. É uma tecnologia madura, escalável, economicamente competitiva e amplamente comprovada.
Sua expansão depende muito menos de avanços tecnológicos do que da criação de ambientes regulatórios adequados. Poucos países reúnem vantagens comparáveis às do Brasil para aproveitar esse cenário. Além de ser o segundo maior produtor mundial de etanol, o País dispõe de uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, elevada disponibilidade de biomassa, tecnologia consolidada e mais de cinco décadas de experiência na implementação de políticas públicas para biocombustíveis. Essa combinação confere ao Brasil credibilidade técnica, escala produtiva e condições únicas para exercer um papel de liderança na expansão global do etanol. As projeções da Agência Internacional de Energia – IEA, confirmam a dimensão dessa oportunidade. Segundo a instituição, o consumo global de combustíveis sustentáveis deverá praticamente dobrar até 2030 e quadruplicar até 2035, considerando apenas as políticas já anunciadas. Nesse cenário, projeções conservadoras apontam para um mercado mundial de aproximadamente 240 bilhões de litros de etanol em 2035. Mais importante do que o crescimento do mercado é compreender quais países estarão posicionados para capturá-lo. A própria IEA identifica os fatores decisivos: estratégias nacionais claras, metas obrigatórias acompanhadas de políticas públicas consistentes, critérios internacionalmente reconhecidos de sustentabilidade, metodologias robustas de contabilização de carbono e inovação voltada à redução contínua de custos.
Se o Brasil não participar ativamente do processo regulatório, outros atores definirão padrões técnicos, metodologias e critérios de sustentabilidade que orientarão os mercados internacionais sem incorporar a experiência do Brasil de mais de cinquenta anos de liderança em bioenergia. "
Eduardo Leão de Sousa Diretor de Estratégia e Novos Negócios da UNICA
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Nesse contexto, a questão deixa de ser “se” o etanol crescerá e passa a ser “quem” ajudará a definir as regras que orientarão essa expansão. Essa talvez seja a principal disputa em curso. As negociações conduzidas pela Organização Marítima Internacional (IMO), pela Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO), pela União Europeia e por diversas autoridades regulatórias nacionais definirão critérios de intensidade de carbono, rastreabilidade, certificação e elegibilidade que moldarão os mercados das próximas décadas. Os próximos vinte e quatro meses concentram decisões particularmente relevantes em todos esses fóruns. Cada uma delas poderá ampliar ou restringir mercados para o etanol brasileiro. Para o Brasil, essa é uma oportunidade estratégica que vai muito além da ampliação das exportações. Se o País não participar ativamente desse processo regulatório, outros atores definirão padrões técnicos, metodologias e critérios de sustentabilidade que orientarão os mercados internacionais sem incorporar plenamente a experiência acumulada pelo Brasil ao longo de mais de cinquenta anos de liderança em bioenergia. Do lado da demanda, o cenário é igualmente promissor. Diversos países combinam elevada dependência de combustíveis fósseis importados, metas de redução de emissões, programas de mistura obrigatória em expansão e crescente preocupação com segurança energética. Em muitos deles, o etanol representa uma das poucas soluções capazes de produzir resultados imediatos sem exigir transformações profundas na infraestrutura existente. Embora exista potencial de expansão em praticamente todos os continentes, a Ásia desponta, neste momento, como a região com maior perspectiva de crescimento no curto e médio prazo. Países como Japão, Vietnã, Filipinas, Coreia do Sul e Indonésia, dentre outros, revisam atualmente suas políticas de mistura obrigatória de etanol, abrindo espaço para uma nova etapa de expansão do mercado internacional. A Índia talvez seja o exemplo mais emblemático dessa transformação. Em pouco mais de uma década, o país elevou sua mistura obrigatória de etanol de cerca de 2% para aproximadamente 20%, reduzindo significativamente sua dependência de combustíveis importados, fortalecendo a renda agrícola, diminuindo emissões e aumentando a flexibilidade de seu setor sucroenergético. Essa experiência demonstra como políticas públicas consistentes podem
transformar rapidamente a escala de um mercado e oferece importantes referências para diversos outros países que hoje estudam programas semelhantes. Entretanto, a mistura de etanol à gasolina representa apenas uma das frentes de expansão. O etanol brasileiro também desponta como uma das principais matérias-primas para a produção de combustível sustentável de aviação (SAF), especialmente pela rota Alcohol-to-Jet (ATJ), além de surgir como alternativa promissora para a descarbonização do transporte marítimo, por meio do chamado biobunker. Esses mercados apresentam elevado potencial de crescimento, mas dependerão diretamente das regras internacionais relativas à intensidade de carbono, sustentabilidade e rastreabilidade da biomassa. Por essa razão, a produção de evidências técnicas robustas, especialmente análises de ciclo de vida, metodologias de contabilização de carbono e avaliações científicas independentes, torna-se elemento central da estratégia brasileira. Mais do que produzir conhecimento, será necessário submetê-lo tempestivamente aos processos regulatórios internacionais, onde essas decisões efetivamente serão tomadas. É essa lógica que orienta a atuação internacional do setor sucroenergético brasileiro para os próximos anos: presença ativa nos principais fóruns multilaterais; articulação direta com governos e autoridades regulatórias de mercados estratégicos; produção de evidências técnicas capazes de sustentar as posições brasileiras; e demonstração prática, por meio de missões técnicas e visitas de alto nível, da sustentabilidade, rastreabilidade e eficiência da cadeia produtiva nacional. O objetivo vai além da ampliação das exportações de etanol, embora essa seja uma consequência natural e desejável. Trata-se de consolidar o Brasil como protagonista na construção da governança internacional dos combustíveis de baixo carbono, contribuindo para que os futuros padrões globais reflitam critérios científicos, neutralidade tecnológica e o reconhecimento de soluções que já demonstraram resultados em escala. A oportunidade existe, mas seu horizonte é limitado. As decisões tomadas nos próximos anos definirão os parâmetros que orientarão os mercados internacionais por décadas. Mais do que acompanhar esse processo, o Brasil precisa ajudar a construí-lo.
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Q Bioinsumos e bioenergias
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A nova fronteira do
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O agronegócio brasileiro sempre foi reconhecido por sua capacidade de produzir alimentos em larga escala, incorporar tecnologia e responder rapidamente às demandas dos mercados nacional e internacional. Agora, um novo ciclo de transformação começa a ganhar força e promete reposicionar o Brasil entre as maiores referências mundiais em inovação sustentável. Esse movimento atende pelo nome de bioeconomia, e seus principais protagonistas são os bioinsumos e as bioenergias, dois conceitos que caminham lado a lado e que representam uma mudança profunda na forma de produzir, preservar e gerar riqueza. Durante décadas, a agricultura evoluiu por meio da mecanização, do melhoramento genético, da agricultura de precisão e da conectividade. Cada uma dessas revoluções elevou a produtividade e tornou o produtor rural mais eficiente. Entretanto, o século 21 apresenta um novo desafio: aumentar a produção de alimentos, fibras e energia sem ampliar a pressão sobre os recursos naturais. É justamente nesse cenário que os bioinsumos assumem um papel estratégico.
Um novo ciclo de transformação começa a ganhar força e promete reposicionar o Brasil entre as maiores referências mundiais em inovação sustentável. Esse movimento atende pelo nome de bioeconomia. "
Tirso de Salles Meirelles
Presidente da Faesp - Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo
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Muito além de substituir defensivos ou fertilizantes convencionais, eles representam uma nova filosofia de produção. São tecnologias desenvolvidas a partir de organismos vivos, microrganismos, extratos vegetais e processos biológicos capazes de promover o controle de pragas, melhorar a fertilidade do solo, estimular o desenvolvimento das plantas e aumentar a eficiência produtiva de forma ambientalmente responsável. Os resultados já aparecem em diversas cadeias produtivas brasileiras. O uso crescente de inoculantes, biofertilizantes, biodefensivos e agentes biológicos demonstra que é possível reduzir custos, melhorar a saúde do solo, preservar a biodiversidade e aumentar a resiliência das lavouras diante das mudanças climáticas.
Opiniões Multilingual Edition
Trata-se de uma transformação silenciosa, mas extremamente profunda, que coloca a ciência brasileira em posição de destaque no cenário mundial. Ao mesmo tempo, os bioinsumos dialogam diretamente com outro dos grandes pilares do futuro: as bioenergias. O Brasil possui uma das matrizes energéticas mais limpas do planeta justamente porque aprendeu, há décadas, a transformar biomassa em energia. Cana-de-açúcar, etanol, bioeletricidade, biogás, biometano, biomassa florestal, resíduos agroindustriais e novas rotas tecnológicas ampliam continuamente as possibilidades de geração energética sustentável. A conexão entre bioinsumos e bioenergia é natural. Ambos utilizam os recursos biológicos como matéria-prima para produzir riqueza, reduzir emissões de carbono, estimular a economia circular e agregar valor às cadeias produtivas. O resíduo de uma atividade torna-se insumo para outra. A vinhaça transforma-se em fertilizante. Os dejetos da pecuária produzem biogás. A palha da cana gera eletricidade. Microrganismos aumentam a eficiência das culturas que, posteriormente, abastecem usinas produtoras de energia renovável. Forma-se, assim, um sistema produtivo muito mais inteligente e sustentável. O mercado brasileiro de insumos de matriz biológica está em plena consolidação e aceleração. Atualmente, o setor movimenta entre R$ 5,5 bilhões e R$ 6 bilhões por ano. Esse montante já equivale a cerca de 10% de todo o mercado de proteção de cultivos do País. A taxa de crescimento anual média no Brasil tem ficado na casa dos 22%, o que representa um ritmo quatro vezes maior do que a média global de crescimento desse setor. Já a bioenergia consolidou-se como uma força gigantesca na matriz energética nacional, respondendo por quase 30% de toda a oferta total de energia do Brasil (segundo o Observatório de Bioeconomia da FGV). O mercado brasileiro de bioenergia tem projeção de movimentar entre US$ 8 bilhões e US$ 12 bilhões até 2030.
São Paulo ocupa posição privilegiada nessa transformação. Líder nacional na produção de cana-de-açúcar, etanol e açúcar, o estado reúne universidades, centros de pesquisa, empresas de tecnologia, cooperativas e produtores capazes de acelerar a consolidação dessa nova economia verde. Não por acaso, o Sistema Faesp/Senar decidiu investir em uma estrutura inédita de formação e inovação por meio da criação de seus Centros de Excelência. Em Ribeirão Preto, está em fase de implantação o Centro de Excelência em Cana-de-Açúcar e Bioenergia, um empreendimento que nasce com vocação para ser referência nacional na formação profissional, na pesquisa aplicada e na difusão de tecnologias ligadas à cadeia sucroenergética. O objetivo vai muito além da qualificação de mão de obra. A proposta é criar um ambiente de integração entre universidades, setor produtivo, startups, pesquisadores e empresas, promovendo inovação contínua em um segmento responsável por grande parte da energia renovável produzida no País. A cana-de-açúcar deixou há muito tempo de ser apenas matéria-prima para açúcar e etanol. Hoje, ela participa da produção de bioeletricidade, etanol de segunda geração, biometano, combustíveis sustentáveis para aviação, bioplásticos, bioquímicos e uma série de novos produtos de alto valor agregado. O Centro de Ribeirão Preto nasce exatamente para preparar profissionais capazes de atuar nesse novo ambiente tecnológico e impulsionar uma cadeia que continuará sendo estratégica para o desenvolvimento nacional. Os novos biocombustíveis destinados à aviação e ao transporte marítimo representam uma das principais fronteiras da transição energética mundial. Combustíveis sustentáveis de aviação (SAF) e alternativas renováveis para navios (SMF), como o biometanol, o diesel verde (HVO) e outros combustíveis de baixa emissão, têm potencial para reduzir significativamente as emissões de gases de efeito estufa em setores onde a eletrificação ainda enfrenta grandes limitações técnicas.
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Q Bioinsumos e Bioenergias
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Para o Brasil, que possui uma das matrizes energéticas mais renováveis do mundo e ampla disponibilidade de biomassa proveniente da cana-de-açúcar, do milho, de resíduos agrícolas e de florestas plantadas, essa nova demanda abre oportunidades para ampliar investimentos, gerar empregos, agregar valor à produção agropecuária e consolidar o País como fornecedor estratégico de energia limpa para o mercado internacional. Trata-se de um avanço que alia competitividade econômica, inovação tecnológica e sustentabilidade ambiental, fortalecendo o protagonismo brasileiro na descarbonização do transporte global. Complementando essa visão, São Roque abrigará outro projeto igualmente inovador: o Centro de Excelência voltado para Big Data, Inteligência Artificial, Turismo Rural e um ecossistema dedicado às startups de bioinsumos. Trata-se de um conceito moderno de inovação aberta, no qual empreendedores, pesquisadores, estudantes e produtores poderão desenvolver soluções capazes de acelerar a adoção de tecnologias biológicas no campo. As startups representam um componente fundamental desse novo ciclo econômico. São elas que frequentemente transformam descobertas científicas em soluções práticas para o produtor rural. Muitas das tecnologias hoje utilizadas na agricultura nasceram em pequenas empresas inovadoras que encontraram ambiente favorável para crescer. Criar um espaço dedicado ao desenvolvimento desses negócios significa fortalecer a capacidade brasileira de gerar conhecimento, atrair investimentos e criar empregos altamente qualificados. Mais do que produzir bioinsumos, o desafio passa a ser construir um ecossistema completo de inovação. Isso envolve pesquisa científica, empreendedorismo, financiamento, transferência de tecnologia, formação profissional e conexão permanente entre o conhecimento acadêmico e as necessidades reais do produtor rural. É exatamente esse ambiente que os Centros de Excelência pretendem fomentar. O impacto dessa estratégia ultrapassa os limites da agropecuária. Bioinsumos e bioenergias dialogam diretamente com os
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compromissos internacionais de redução das emissões de gases de efeito estufa, conservação dos recursos naturais e promoção do desenvolvimento sustentável. Em um mundo que exige cadeias produtivas cada vez mais transparentes, rastreáveis e ambientalmente responsáveis, investir nessas áreas significa ampliar a competitividade do agronegócio brasileiro nos mercados mais exigentes. Os números mais seguros sobre o a redução de emissões de gases do efeito estufa (GEE) são 23,4 milhões de toneladas de CO₂ equivalente como potencial da expansão dos bioinsumos até 2030 e 705 milhões de toneladas de CO₂ potencialmente evitadas pelo conjunto de políticas do Combustível do Futuro até 2037. A concretização dessas projeções dependerá da adoção das tecnologias, da disponibilidade de crédito, da infraestrutura, da certificação das reduções e da expansão das unidades produtoras. O produtor rural também será um dos principais beneficiados. Sistemas produtivos mais equilibrados reduzem custos, diminuem a dependência de insumos importados, aumentam a eficiência no uso dos recursos naturais e tornam as propriedades mais resilientes diante das oscilações climáticas e econômicas. Sustentabilidade deixa de ser apenas uma exigência regulatória para se transformar em vantagem competitiva. A construção dos Centros de Excelência do Sistema Faesp/Senar simboliza exatamente essa visão de futuro. Eles não serão apenas espaços de ensino, mas ambientes vivos de inovação, pesquisa, empreendedorismo e desenvolvimento tecnológico. Lugares onde jovens, produtores, pesquisadores e empresas trabalharão juntos para desenhar a próxima geração do agronegócio brasileiro. O Brasil reúne clima, biodiversidade, capacidade científica e um setor produtivo altamente profissionalizado. Poucos países possuem condições tão favoráveis para liderar a bioeconomia mundial. Transformar esse potencial em realidade depende da capacidade de investir em conhecimento, formar pessoas e incentivar a inovação.
Q Do engenho à biorrefinaria A próxima fronteira da bioenergia brasileira
Índice
Há mais de três décadas acompanho de perto as transformações da cadeia sucroenergética brasileira. Nesse período, vi a cana-de-açúcar ampliar seu papel na economia nacional, atravessar diferentes ciclos e demonstrar uma capacidade singular de se adaptar às novas demandas do mercado e da sociedade. Primeiro, o setor consolidou sua relevância na produção de açúcar. Depois, o etanol ganhou escala e passou a ocupar uma posição estratégica na matriz de transportes. Na sequência, avançaram a cogeração de energia elétrica, o aproveitamento do bagaço e da palha, o biogás e, mais recentemente, SAF e BioBunker. Hoje, estamos diante de uma nova etapa. A usina que conhecemos está se transformando em uma biorrefinaria capaz de utilizar praticamente todos os componentes da matéria-prima para produzir energia, combustíveis, insumos químicos, alimentos, proteínas e outros produtos de maior valor agregado. Essa mudança não aconteceu de forma repentina. Ela foi resultado de décadas de investimentos em pesquisa, engenharia, processos industriais, qualificação profissional e desenvolvimento tecnológico. O Brasil não precisa começar do zero. Já temos matéria-prima, conhecimento acumulado, infraestrutura produtiva e uma indústria fornecedora preparada para apoiar essa transformação. O desafio agora é combinar esses ativos para ampliar a eficiência e diversificar as fontes de receita.
A usina continuará produzindo açúcar e etanol, mas poderá entregar também energia, gases renováveis, combustíveis avançados, proteínas, insumos químicos e ativos ambientais. Essa evolução já começou. "
Paulo Montabone
Diretor da Fenasucro & Agrocana
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Plataforma de moléculas Durante muito tempo, o etanol foi visto essencialmente como um combustível para veículos leves. Essa aplicação continuará sendo fundamental para a descarbonização do transporte, mas a molécula também pode assumir outras funções. O etanol pode ser utilizado como matéria-prima para a produção de combustível sustentável de aviação, insumos químicos e hidrogênio de baixo carbono. Pode ainda servir de base para a obtenção de álcoois de cadeia mais longa, como butanol e hexanol, que apresentam diferentes possibilidades de uso energético e industrial. O butanol, por exemplo, possui maior densidade energética e menor afinidade com a água quando comparado ao etanol. Essas características ampliam suas possibilidades de utilização em misturas com combustíveis, na indústria química e em mercados que ainda não desenvolveram uma estrutura logística tão ampla para o etanol. O hexanol representa uma fronteira ainda mais recente. Suas rotas de produção continuam em desenvolvimento e precisam avançar em escala, custos e viabilidade comercial. Ainda assim, as pesquisas apontam para uma possibilidade relevante:
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transformar o etanol em uma plataforma química para a obtenção de produtos que atualmente dependem, em grande parte, de matérias-primas fósseis. Esse é um ponto central para o futuro da bioenergia brasileira. O valor da cana não está concentrado em um único produto, mas na variedade de soluções que pode originar. Hidrogênio e novas rotas A mesma lógica aparece nas discussões sobre hidrogênio. O Brasil já desenvolve projetos que utilizam o etanol como matéria-prima para a produção de hidrogênio. Essa rota pode facilitar o transporte e a distribuição do combustível, aproveitando uma cadeia já estruturada no País. Álcoois como butanol e hexanol também podem, no futuro, integrar esse conjunto de alternativas. Por terem cadeias moleculares maiores, apresentam potencial para fornecer hidrogênio em processos de conversão, embora ainda sejam necessários estudos e avanços tecnológicos para determinar sua viabilidade em escala industrial. A transição energética exigirá diferentes soluções, adaptadas às características de cada região, mercado e aplicação. Etanol, biometano, biodiesel, SAF, bioeletricidade, hidrogênio e moléculas renováveis podem coexistir dentro de uma estratégia integrada. É essa diversidade que coloca o Brasil em uma posição diferenciada. Temos território, capacidade agrícola, indústria, centros de pesquisa e experiência na produção de biocombustíveis. Também contamos com uma cadeia que aprendeu a aproveitar resíduos e subprodutos, transformando passivos em novas fontes de energia e renda. O bagaço passou a gerar eletricidade. A vinhaça avança como matéria-prima para o biogás e o biometano. O dióxido de carbono de origem biogênica pode ser capturado e utilizado em diferentes aplicações. A levedura encontra espaço na produção de alimentos e proteínas. A palha amplia a disponibilidade de biomassa para novas rotas industriais. Cada componente pode ter uma destinação produtiva. Essa é a essência da biorrefinaria circular. Tecnologia, escala e mercado Apesar do potencial, a transformação das usinas em biorrefinarias depende de condições objetivas. É preciso reduzir custos tecnológicos, viabilizar investimentos, criar mercados consumidores, estabelecer segurança regulatória e aproximar a pesquisa das necessidades industriais. O desafio raramente está apenas na capacidade de desenvolver uma solução. Ele também envolve produzir em escala, garantir regularidade, atender aos padrões de qualidade e construir uma demanda capaz de sustentar novos projetos.
Nesse processo, a integração da cadeia será decisiva. Produtores, usinas, indústria fornecedora, universidades, centros de pesquisa, investidores e poder público precisam atuar de forma coordenada. É essa conexão que acompanho todos os anos na Fenasucro & Agrocana. A feira nasceu em Sertãozinho em um período no qual as discussões estavam concentradas em moagem, produtividade e equipamentos industriais. Com o passar do tempo, passou a incorporar automação, digitalização, eficiência energética, gestão ambiental e novas rotas de biocombustíveis na mobilidade de baixo carbono. Ao longo dessas décadas, a evolução da Fenasucro & Agrocana acompanhou a própria evolução da bioenergia brasileira. Em 2026, a feira volta a reunir empresas, especialistas e profissionais para discutir como a bioeconomia pode avançar em escala. Temas como SAF, biometano, hidrogênio, captura de carbono e eficiência industrial deixaram de ocupar apenas os ambientes acadêmicos e já fazem parte das decisões de investimento das empresas. A Fenasucro & Agrocana permite observar essa transição de forma concreta. De um lado, estão as tecnologias em desenvolvimento e os debates sobre o futuro. Do outro, encontram-se equipamentos, processos e soluções que já podem ser incorporados às operações. Próxima etapa O Brasil construiu uma das cadeias de bioenergia mais completas do mundo. Esse resultado não veio de uma única decisão, mas de uma combinação de políticas públicas, investimento privado, pesquisa e capacidade industrial. O legado do Proálcool mostra que o País consegue transformar desafios energéticos em desenvolvimento tecnológico. Agora, precisamos aplicar essa experiência a uma agenda mais ampla. A Junção das Américas em prol dos biocombustíveis transformando o Etanol em uma commodity global. Butanol e hexanol podem fazer parte dessa trajetória. Assim como SAF, biometano, hidrogênio e outras moléculas renováveis, eles representam possibilidades de expansão para uma indústria que já possui base produtiva e conhecimento técnico. A usina continuará produzindo açúcar e etanol, mas poderá entregar também energia, gases renováveis, combustíveis avançados, proteínas, insumos químicos e ativos ambientais. Essa evolução já começou. O próximo passo é dar escala, competitividade e mercado às soluções que estão sendo desenvolvidas.
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Como reduzir custos operacionais e ampliar a disponibilidade das caldeiras nas usinas sucroenergéticas Desenvolvido pela Vallourec, o VBRMo4 prolonga a vida útil da tubulação dos pré-aquecedores de ar e contribui para maior eficiência operacional por meio de uma solução criada a partir das necessidades do setor. Em um mercado onde açúcar, etanol e energia são commodities, a competitividade das usinas depende cada vez mais da eficiência operacional. Reduzir custos, aumentar a disponibilidade dos equipamentos e minimizar paradas para manutenção tornaram-se fatores decisivos para a rentabilidade do negócio. Um dos pontos críticos desse processo está no pré-aquecedor de ar (pré-ar) das caldeiras. Responsável por aumentar a eficiência da combustão, esse equipamento impacta diretamente o consumo de bagaço, a geração de vapor, a cogeração de energia e a produtividade industrial. Quando sua tubulação apresenta desgaste prematuro, os efeitos vão além da manutenção, comprometendo a eficiência térmica, elevando o consumo de combustível, reduzindo a disponibilidade da caldeira e aumentando os custos operacionais. Para enfrentar esse desafio, a Vallourec desenvolveu o VBRMo4, solução criada especificamente para aplicações em pré-aquecedores de ar de caldeiras do setor sucroenergético.
Uma solução desenvolvida a partir das necessidades do cliente O projeto nasceu durante uma visita técnica a uma usina da Raízen. Ao identificar um desafio recorrente relacionado ao desgaste da tubulação do pré-ar, a Vallourec iniciou um programa de pesquisa que durou 12 anos, envolvendo desenvolvimento metalúrgico, testes laboratoriais e validação em campo ao longo de nove safras consecutivas. O resultado foi uma nova liga metálica, associada à tecnologia de fabricação de tubos sem costura da companhia, desenvolvida para suportar condições severas de corrosão e abrasão. Os resultados comprovam a eficiência da solução. Enquanto tubos convencionais em aço carbono 1010 apresentam vida útil entre um e três anos e materiais em aço inoxidável chegam a quatro ou cinco anos, o VBRMo4 alcança oito a nove anos de operação, reduzindo significativamente a necessidade de substituições e de intervenções de manutenção.
Resultados que vão além da durabilidade Os benefícios do VBRMo4 não se limitam ao aumento da vida útil da tubulação. Sua condutividade térmica é cerca de 50% superior à do aço inoxidável, o que favorece a troca térmica e contribui para reduzir entre 5% e 10% o consumo de bagaço ao longo da safra. Em um cenário em que esse insumo possui elevado valor econômico e, também, pode ser destinado à cogeração de energia, essa eficiência representa ganhos relevantes para as usinas. A solução também reduz custos com aquisição de materiais, mão de obra e paradas para manutenção. Estudos realizados pela Vallourec indicam que uma usina equipada com aproximadamente 6.500 tubos no sistema de pré-ar pode reduzir em cerca de 60% o custo total da tubulação ao longo de dez anos, gerando uma economia estimada de R$ 3 milhões. Quando considerado também o ganho proporcionado pela maior eficiência térmica, esse benefício pode ser ainda maior, pois haverá grande economia de bagaço na safra. Atualmente, o VBRMo4 já está presente em importantes grupos do setor sucroenergético, como Raízen, Atvos, BP Bioenergy e Zilor, consolidando-se como uma solução reconhecida pelo mercado.
"Maior durabilidade, menor consumo de bagaço e redução de custos: desenvolvido ao longo de 12 anos de pesquisa, o VBRMo4 aumenta a vida útil da tubulação do pré-aquecedor de ar, reduz em até 10% o consumo de bagaço e em cerca de 60% os custos da tubulação".
Inovação aplicada à competitividade Mais do que desenvolver um novo produto, a Vallourec transformou um desafio recorrente do setor em uma solução e demonstra como a inovação aplicada à metalurgia pode gerar valor para toda a operação industrial. Desenvolvido a partir de uma demanda real do setor sucroenergético, o VBRMo4 combina resistência à corrosão e à abrasão com ganhos de eficiência térmica, resultado de um processo contínuo de pesquisa, engenharia e validação em campo. Esse resultado mostra como soluções tecnológicas direcionadas podem contribuir para o melhor aproveitamento dos recursos, maior confiabilidade operacional e sustentabilidade econômica das usinas, fortalecendo sua posição em um mercado cada vez mais exigente.
Q Q A corrida pelo SAF O diferencial competitivo do Brasil Índice
Índice
O setor de aviação civil global enfrenta um dos seus maiores desafios históricos: alcançar a neutralidade de carbono até 2050. No centro dessa transição energética está o Combustível Sustentável de Aviação (SAF, sigla em inglês para Sustainable Aviation Fuel), uma alternativa capaz de revolucionar o setor ao substituir o querosene fóssil. Em um cenário urgente de descarbonização, o Brasil, que desponta como um dos principais potenciais exportadores desse biocombustível no mundo, tem as credenciais para ser o grande protagonista. O SAF é um biocombustível de alta tecnologia desenvolvido a partir de fontes renováveis, como resíduos agrícolas, óleos vegetais (óleo de soja, por exemplo), biomassa de cana-de-açúcar, milho e gases capturados, além das matérias-primas em desenvolvimento, tais como macaúba e canola. Quimicamente, ele é idêntico ao querosene de aviação convencional. Essa semelhança permite que ele seja misturado diretamente ao combustível tradicional e utilizado nas aeronaves e infraestruturas aeroportuárias atuais, sem a necessidade de grandes modificações estruturais. A transição para o SAF é fundamental porque a aviação civil responde por menos de 3% das emissões globais de GEE – Gases de Efeito Estufa – e é um dos segmentos mais difíceis de descarbonizar.
O Brasil tem capacidade técnica para produzir cerca de 60 milhões de ton de SAF até 2050, devendo concentrar aproximadamente 75% da capacidade produtiva de biocombustíveis de aviação de toda a América do Sul nos próximos anos. "
Gilberto Peralta
Presidente da Airbus Brasil
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Enquanto carros e trens avançam rapidamente para a eletrificação, a aviação ainda levará vários anos para que novas tecnologias — como, por exemplo, propulsão a hidrogênio — sejam desenvolvidas e empregadas. Como o SAF reduz as emissões de CO₂ em até 80% ao longo de todo o seu ciclo de vida, ele se tornou a principal e mais viável ferramenta para o setor aéreo cumprir as metas globais de sustentabilidade. A vantagem competitiva do Brasil está na nossa maturidade industrial, robusta agroindústria e inteligência no uso do solo. Esse diferencial é sustentado pelo nosso domínio em tecnologias avançadas de irrigação e agricultura tropical de precisão. Além disso, o País já conta com uma infraestrutura de biocombustíveis altamente desenvolvida. Sendo um dos maiores produtores de etanol do planeta — e líder indiscutível na eficiência da matriz de cana-de-açúcar —, o Brasil apresenta uma capacidade de expansão ímpar. O crescimento contínuo e recorde da produção de insumos complementares, como o milho de segunda safra, fortalece ainda mais essa
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cadeia, oferecendo matérias-primas abundantes e já consolidadas para suprir a demanda em escala pelo SAF. Estimativas da Associação Internacional de Transportes Aéreos (IATA) apontam que o País tem capacidade técnica para produzir cerca de 60 milhões de toneladas de SAF até 2050, devendo concentrar aproximadamente 75% da capacidade produtiva de biocombustíveis de aviação de toda a América do Sul nos próximos anos. A infraestrutura e os marcos regulatórios nacionais já começaram a se mover para transformar esse potencial em realidade. A Lei 14.993/2024, conhecida como Lei do Combustível do Futuro, é um marco moderno e de impacto global que integra a transição energética nos setores aéreo, marítimo e terrestre. Com metas progressivas para o SAF, o texto traz a segurança jurídica necessária para atrair investimentos internacionais. Para que esse potencial se converta em liderança nas exportações, a cadeia produtiva nacional já deve nascer alinhada aos
rigorosos critérios internacionais de sustentabilidade e rastreabilidade. O cumprimento de padrões globais, como o CORSIA (Esquema de Compensação e Redução de Carbono para a Aviação Internacional) da OACI, não é apenas uma formalidade ambiental, mas um verdadeiro passaporte comercial. É a garantia destas certificações que assegurará o acesso do nosso biocombustível a mercados altamente regulados e exigentes, como a União Europeia, chancelando a qualidade e a integridade do produto brasileiro perante o capital estrangeiro. Paralelamente, a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) já autorizou sete rotas tecnológicas de produção, atraindo aportes robustos de gigantes da energia e novos players. Somado a esse ecossistema em evolução, estudos conjuntos da Airbus e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) reconhecem formalmente o Brasil como a nação com a maior capacidade global de ampliar sua eficiência produtiva por meio da recuperação de territórios já explorados.
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Q Q A corrida pelo SAF Índice
Índice
O País possui cerca de 177 milhões de hectares de áreas degradadas. Desse total, um mapeamento detalhado da Embrapa comprova que aproximadamente 28 milhões de hectares apresentam alto potencial para a produtividade agrícola. Na prática, essa extensão viabiliza o cultivo de fontes de biomassa altamente eficientes, como a palmeira de macaúba, funcionando como a plataforma física perfeita para abastecer nossa infraestrutura sem gerar desmatamento e sem competir com a produção de alimentos. No entanto, o caminho para consolidar essa liderança global e abastecer o mercado interno envolve superar complexos gargalos econômicos. Atualmente, o maior obstáculo imediato do SAF é o preço: ele custa entre duas e quatro vezes mais do que o querosene de aviação tradicional (QAV). O sucesso desta transição dependerá da capacidade do poder público e da iniciativa privada em coordenar investimentos estruturais, baratear os custos logísticos e garantir que as refinarias projetadas saiam do papel. A consolidação do Brasil como a futura potência do SAF depende da diversificação e da inovação em suas fontes de matéria-prima. Embora o País já possua cadeias de biocombustíveis consolidadas, a introdução de novas culturas perenes, como o uso de terras degradadas, surge como uma alternativa promissora e de alta densidade energética para o bioquerosene.
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A viabilidade técnica e comercial do ecossistema brasileiro ultrapassa a fase de testes e se reflete em decisões finais de investimento (FID) bilionárias. O mercado nacional registra agora movimentos executivos decisivos, como a recente aprovação do aporte de US$ 1,5 bilhão pela Acelen para a construção de sua biorrefinaria. Paralelamente, a Petrobras não apenas já avançou na produção de SAF coprocessado em diversas de suas unidades, como também anunciou investimentos de US$ 1,2 bilhão para converter a refinaria de Cubatão em uma unidade de biorrefino e, assim, produzir o SAF. Somam-se a esse cenário projetos estruturais de peso, como a transição do parque industrial da Refinaria Riograndense, comprovando que o Brasil possui os atores corporativos e o capital engatilhados para transformar seu potencial na produção de SAF em escala comercial. A construção dessa nova cadeia de valor exige, fundamentalmente, uma união prática de soluções e sinergia entre empresas, políticas públicas e instituições de pesquisa científica. Um exemplo claro dessa colaboração foi a parceria firmada em 2025 entre a Airbus e a Roundtable on Sustainable Biomaterials (RSB). Juntos, promovemos workshops em Brasília e São Paulo para aprofundar o desenvolvimento do sistema Book & Claim no País — uma ferramenta vital de contabilidade ambiental que elimina gargalos logísticos ao permitir a negociação de créditos de SAF onde a infraestrutura física ainda está em desenvolvimento. Os impactos projetados para essa indústria são profundos e multifacetados, englobando a criação de empregos de alta qualificação técnica, ganhos de produtividade no campo, atração de investimento estrangeiro direto e a diversificação da pauta de exportações brasileiras. Diante de um planeta que demanda soluções imediatas e escaláveis, o Brasil reúne as condições ideais para liderar essa transição. O País possui o território, detém a tecnologia e domina o conhecimento prático necessário para responder ao clamor global pelo SAF, consolidando-se como o principal líder ambiental do século.
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Q A corrida pelo SAF
Índice
Por que o Brasil pode liderar o próximo capítulo da expansão global da energia Poucos países estão tão bem-posicionados quanto o Brasil para moldar uma das oportunidades mais relevantes para o futuro da energia global: a expansão do combustível sustentável de aviação (SAF). Com abundância de recursos agrícolas, décadas de experiência em biocombustíveis, uma matriz energética diversificada e uma sólida base industrial, o Brasil reúne todos os elementos para se tornar um líder global na produção de SAF. Mas transformar esse potencial em realidade exige olhar além da disponibilidade de matérias-primas. A verdadeira oportunidade está na construção de um ecossistema que integre tecnologia, inovação e políticas públicas para fortalecer a segurança energética, ampliar a competitividade e acelerar o crescimento econômico. Hoje, a discussão sobre aviação já não se limita à redução de emissões. Ela também diz respeito à resposta a um mundo marcado pelo aumento da demanda por energia, pela crescente incerteza geopolítica e pela necessidade de cadeias de suprimentos mais resilientes. A aviação representa um dos maiores desafios energéticos da atualidade. Diferentemente de outros modais de transporte, a aviação comercial possui poucas alternativas viáveis, no curto prazo, aos combustíveis líquidos, tornando o SAF uma das soluções mais práticas disponíveis atualmente, ao mesmo tempo em que aproveita a infraestrutura já existente de aeronaves e aeroportos.
O Brasil já demonstrou repetidas vezes sua capacidade de transformar vantagens naturais em liderança global. O SAF representa a próxima oportunidade para fazer exatamente isso. "
José Magalhães Fernandes
Presidente da Honeywell Technologies para a América Latina
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Ao redor do mundo, governos vêm estabelecendo políticas para ampliar a adoção do SAF e diversificar seus portfólios energéticos. À medida que a demanda acelera, os países capazes de combinar matérias-primas competitivas, tecnologias avançadas e escala industrial estarão mais bem posicionados para liderar esse mercado. O Brasil já reúne muitas dessas vantagens. Sua trajetória de sucesso com etanol e biodiesel demonstra a capacidade do País de desenvolver indústrias de biocombustíveis competitivas em escala global. Aliado à vasta disponibilidade de recursos agrícolas e florestais, o Brasil conta com acesso a uma ampla variedade de matérias-primas renováveis capazes de sustentar múltiplas rotas de produção de SAF. No entanto, a liderança de longo prazo não será determinada apenas pela disponibilidade de matérias-primas. O futuro do SAF dependerá de tecnologias capazes de converter um portfólio cada vez mais diversificado de insumos em combustível de aviação, aumentando continuamente a eficiência e reduzindo os custos de produção. As primeiras unidades comerciais da indústria dependeram, em grande parte, de óleos vegetais e gorduras residuais. Embora essas matérias-primas continuem sendo importantes, sua disponibilidade, por si só, não será suficiente para atender à demanda global futura.
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Novas rotas tecnológicas - incluindo ethanol-to-jet (etanol para combustível de aviação), methanol-to-jet (metanol para combustível de aviação), processos Fischer-Tropsch, upgrading de biopetróleo (biocrude) e, futuramente, eletrocombustíveis (electrofuels) — ampliarão significativamente o potencial de produção ao permitir o aproveitamento de uma gama muito mais ampla de matérias-primas, incluindo biomassa residual, resíduos urbanos, gases industriais, carbono capturado e hidrogênio renovável. Essa diversificação tecnológica traz benefícios que fortalecem a segurança energética ao reduzir a dependência de uma única matéria-prima, aumentam a resiliência das cadeias de suprimentos e permitem que cada região aproveite os recursos de que dispõe. A tecnologia também desempenha um papel igualmente importante dentro das próprias plantas de produção. Automação avançada, digitalização, inteligência artificial e análise de dados ajudam os produtores a otimizar operações, aumentar a confiabilidade, elevar a produtividade e reduzir os custos de produção. À medida que as plantas amadurecem e o aprendizado operacional se acelera, a economia da produção continua evoluindo, tornando o SAF cada vez mais competitivo ao longo do tempo. Modelagens recentes do MIT Center for Sustainability Science and Strategy demonstram como a inovação tecnológica pode reduzir significativamente os custos de produção em diferentes rotas de SAF, conforme as plantas evoluem de instalações pioneiras para operações comerciais maduras. Por exemplo, o custo de produção de combustível de aviação a partir do etanol de cana-de-açúcar pode cair para US$ 1,11 por litro, enquanto rotas baseadas em milho podem atingir US$ 1,41 por litro à medida que as tecnologias amadurecem e ganham escala. Essa evolução é especialmente relevante porque o sistema energético do futuro exigirá o acréscimo de capacidade — e não apenas a substituição das fontes existentes. Atender de forma responsável ao rápido crescimento da demanda por energia exigirá um portfólio mais amplo de tecnologias e combustíveis atuando de maneira complementar. É justamente nessa direção que a Honeywell Technologies continua investindo. Em todo o mundo, a Honeywell Technologies demonstra sua experiência em apoiar produtores na ampliação da produção de combustíveis renováveis.
Ao possibilitar flexibilidade entre matérias-primas convencionais, matérias-primas de nova geração e rotas de combustíveis sintéticos, essas tecnologias ajudam os clientes a construir instalações preparadas não apenas para as necessidades atuais do mercado, mas também para as demandas energéticas do futuro. Ainda assim, somente a tecnologia não será suficiente para desbloquear todo o potencial do Brasil. O sucesso de longo prazo exigirá políticas públicas estáveis e previsíveis, capazes de estimular investimentos sem privilegiar tecnologias específicas. Marcos regulatórios que recompensem o desempenho ambiental mensurável – em vez de prescrever rotas de produção específicas – criam incentivos mais fortes para a inovação, ampliam a competitividade e permitem que o próprio mercado determine, ao longo do tempo, as soluções mais eficientes. Igualmente importante será o fortalecimento da colaboração entre indústria, governo, academia e setor financeiro. O Brasil já possui expertise de classe mundial em agricultura, engenharia e inovação industrial. Reunir essas competências pode acelerar a comercialização de novas tecnologias, atrair investimentos e construir uma cadeia de valor do SAF globalmente competitiva. E essa oportunidade vai muito além da aviação. O desenvolvimento de uma indústria robusta de SAF pode fortalecer a base industrial brasileira, gerar empregos altamente qualificados, criar novas oportunidades de exportação e consolidar a posição do País como líder global em energia. Também permitirá que o Brasil contribua para um sistema energético mundial mais seguro, diversificado e resiliente, em um momento em que diversos países buscam parceiros confiáveis para atender às suas necessidades energéticas de longo prazo. O Brasil já demonstrou repetidas vezes sua capacidade de transformar vantagens naturais em liderança global. O SAF representa a próxima oportunidade para fazer exatamente isso. Os fundamentos já existem. O desafio agora é combinar tecnologia, investimentos e políticas públicas em uma estratégia de longo prazo que posicione o Brasil não apenas como fornecedor de matérias-primas renováveis, mas como líder global em tecnologias, inovação e capacidades industriais que definirão o futuro da aviação de menor intensidade de carbono e da expansão responsável da oferta de energia.
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Q Cana-de-açúcar e milho
Opiniões
Índice
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Complementaridade ou rivalidade Há mais de dois mil anos, Aristóteles escreveu que "o todo é maior do que a soma de suas partes". A frase atravessou séculos porque continua descrevendo uma verdade simples: quando diferentes capacidades trabalham em conjunto, nasce algo maior do que cada uma poderia produzir isoladamente. Não é apenas uma soma. É uma combinação que cria um valor. Sempre me chama a atenção quando alguém pergunta se cana-de-açúcar e milho são concorrentes. A própria pergunta revela um equívoco. Ela parte da premissa de que uma cultura precisa ocupar o espaço da outra para que o setor avance. Mas o Brasil não se tornou uma potência agrícola escolhendo entre alternativas. Tornou-se líder porque aprendeu a integrar competências, diversificar sua produção e transformar desafios em oportunidades. É exatamente isso que estamos vivendo na bioenergia. Durante décadas, a cana-de-açúcar construiu uma história exitosa na agroindústria brasileira. Com ela, o País se tornou referência mundial na produção de açúcar e etanol, desenvolveu tecnologia, reduziu emissões de carbono, gerou empregos e levou desenvolvimento ao interior do Brasil. Essa história continua sendo escrita. A cana permanece protagonista e continuará ocupando um papel estratégico na matriz energética nacional. Essa flexibilidade torna o setor mais resiliente, amplia a capacidade de geração de receitas e reforça a competitividade da agroindústria brasileira diante das oscilações dos mercados nacional e internacional.
A cana fornece o bagaço, que gera a energia para movimentar a usina, permitindo manter em funcionamento a produção de etanol de cana e a de etanol de grãos. "
André Rocha
Presidente do SIFAEG e da FIEG - Federação das Indústrias do Estado de Goiás
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Ao mesmo tempo, o avanço do etanol de milho inaugurou uma nova etapa para o setor. E é justamente aí que muitos cometem o erro de enxergar competição onde existe complementaridade. Não estamos diante de uma disputa. Estamos diante da evolução de um modelo de produção. Nas usinas flex, essa transformação é visível. Durante a safra, a cana abastece a indústria. Na entressafra, quando parte da capacidade produtiva permaneceria ociosa, o milho pode manter as operações em funcionamento (ele pode ser processado também durante todo o ano e, ao contrário da cana, pode ser armazenado). O resultado é mais eficiência, melhor aproveitamento dos investimentos, maior estabilidade para os trabalhadores e uma produção de biocombustíveis distribuída ao longo de praticamente todo o ano. Essa integração vai além da produção de etanol. A cana fornece o bagaço, uma biomassa renovável que gera a energia necessária para movimentar as próprias usinas. Em muitas plantas industriais, é justamente essa energia que permite manter em funcionamento tanto a produção de etanol de cana quanto a de etanol de grãos, demonstrando que uma cadeia fortalece a outra em vez de competir com ela. Quem ganha com isso? Todos. Ganha o produtor de cana, que vê sua cadeia fortalecida. Ganha o produtor de milho, que passa
Cana e milho: integração que amplia oportunidades para a bioenergia. A expansão da produção de etanol de milho no Brasil reforça um movimento importante para a bioenergia: a diversificação de matérias-primas como estratégia para ampliar a eficiência industrial, fortalecer a produção de biocombustíveis e aumentar a competitividade do setor. Com histórica tradição na construção de usinas para a produção de etanol de cana-de-açúcar, a Dedini trata esse cenário como uma oportunidade de integração industrial, e não como uma disputa. O avanço da indústria do etanol de milho amplia a disponibilidade de matéria-prima, aumenta o aproveitamento industrial e contribui para dar mais estabilidade ao negócio. Esse olhar para as demandas do mercado orienta a atuação da Dedini, que desenvolve soluções integradas, desde estudos de viabilidade e engenharia até a fabricação, supervisão da montagem, instalação e otimização de plantas, com forte atuação nos segmentos de açúcar, etanol, bioenergia e valorização energética de resíduos. Essa atuação reforça o papel da empresa como fornecedora de tecnologia para diferentes etapas do processo industrial. No universo da cana, a Dedini mantém soluções voltadas à eficiência, à sustentabilidade e ao aproveitamento integral da produção. Entre as tecnologias desenvolvidas e aplicadas pela empresa estão o Difusor Modular, o Dedini Refinado Direto (DRD), o conceito de Usina Sustentável Dedini (USD), a destilação a vácuo e sistemas ligados ao uso racional da água, à concentração de vinhaça e ao reaproveitamento de resíduos, como o BIOFOM. Além disso, a empresa também oferece ferramentas de simulação e otimização de processos, com modelos para fermentação, evaporação e destilação, buscando elevar o desempenho operacional das usinas. No processamento de milho, a Dedini vem ampliando sua presença com o conceito de Usina Flex Modular – Cana & Milho, desenvolvido para proporcionar maior versatilidade à produção de etanol. A solução prevê plantas com capacidades mínimas de viabilidade para produção, já preparadas para expansão modular, produção de DDGS como coproduto e uso compartilhado de equipamentos entre as rotas de cana e milho ao longo da safra e da entressafra, com potencial de operação durante todo o ano. A empresa também trabalha com plantas completas para a produção de etanol a partir de diversos cereais, além do milho, com know-how próprio e também em associação com empresas nacionais e internacionais de engenharia e tecnologia. Esse movimento demonstra que a complementaridade entre cana e milho amplia as possibilidades de desenvolvimento da bioenergia no Brasil. Enquanto a cana permanece como base histórica e estratégica da produção nacional, o milho contribui para diversificar a oferta de matéria-prima, ampliar a utilização dos ativos industriais e expandir a produção em diferentes regiões do país. Nesse contexto, a Dedini mantém seu compromisso de desenvolver soluções que combinem eficiência, flexibilidade e tecnologia para atender às necessidades atuais e futuras da indústria da bioenergia.
A força de um ideal
Q Cana-de-açúcar e milho
Índice
a contar com um mercado consumidor sólido e crescente. Ganham as indústrias, que elevam sua competitividade e eficiência pois diminuem a ociosidade. Ganham os municípios, com mais atividade econômica, empregos e arrecadação. Ganha o consumidor, que passa a contar com uma oferta maior de combustíveis e de energia renováveis. E ganha o Brasil, que amplia sua segurança energética e reforça sua liderança na transição para uma economia de baixo carbono. Por isso, considero um erro insistir na narrativa da rivalidade. Ela ignora uma característica histórica do agronegócio brasileiro: nossa capacidade de produzir diferentes culturas com eficiência, inovação e sustentabilidade, seja por termos a capacidade de fazer até três safras por ano em determinadas regiões, seja pelas integrações de agricultura e pecuária, e produção de alimento e energia. O crescimento do etanol de milho não aconteceu porque a cana perdeu espaço. Aconteceu porque o Brasil ampliou sua produção agrícola, incorporou tecnologia, aumentou a produtividade no campo, expandiu sua produção em áreas até então degradadas e passou a enxergar novas oportunidades de agregar valor às matérias-primas que produz. Também é importante lembrar que o etanol de milho não produz apenas combustível. Sua cadeia gera coprodutos de alto valor agregado, como DDG, DDGS e óleo de milho, fortalecendo a pecuária e ampliando a integração entre diferentes segmentos do agronegócio. Mas essa lógica da diversificação não se limita ao milho. Outras matérias-primas, como o sorgo, também podem abastecer as usinas, ampliando a flexibilidade industrial e permitindo que diferentes regiões aproveitem suas vocações agrícolas. A integração também potencializa novas soluções para a economia circular. A combinação da vinhaça com a torta de filtro amplia as possibilidades de produção de biogás e biometano, transformando resíduos em energia renovável, reduzindo desperdícios e aumentando a eficiência econômica e ambiental das usinas. É um exemplo claro de como diferentes cadeias produtivas podem gerar valor adicional quando trabalham de forma integrada. Esse movimento nos leva a outra reflexão. É hora de atualizarmos a própria forma de definir esse setor. Durante muitos anos falamos em setor sucroenergético. Hoje, essa expressão já não traduz sua verdadeira dimensão. As usinas produzem açúcar, etanol de cana, etanol de milho, bioeletricidade, biogás, biometano, ingredientes para nutrição animal, óleo de milho e créditos de carbono.
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Amanhã, poderão ampliar ainda mais esse portfólio com produtos da alcoolquímica e combustíveis renováveis destinados a segmentos estratégicos, como o transporte marítimo, ampliando a contribuição brasileira para a descarbonização da economia mundial. Estamos diante de um setor bioenergético, diversificado, inovador e preparado para responder aos desafios da segurança energética e da transição para uma economia de baixo carbono. Goiás simboliza essa transformação como poucos lugares no Brasil. Reunimos uma produção robusta de cana e de milho, um parque industrial moderno, capacidade de inovação e um ambiente favorável aos investimentos. Não por acaso, o Estado consolidou-se como uma das maiores referências nacionais na produção de biocombustíveis e mostra, na prática, que integração produz resultados muito superiores à competição. O desafio daqui para frente não é escolher entre cana ou milho. É criar as condições para que ambas continuem crescendo. Isso exige segurança jurídica, infraestrutura, investimentos em pesquisa, políticas públicas consistentes e uma visão estratégica capaz de compreender que a bioenergia será cada vez mais importante para o desenvolvimento do País. O mundo busca fontes renováveis, combustíveis de baixa emissão e soluções capazes de conciliar crescimento econômico com responsabilidade ambiental. Nós já temos conhecimento, tecnologia, capacidade produtiva e experiência para liderar esse processo. Precisamos, acima de tudo, acreditar em nosso próprio potencial. Enquanto alguns ainda insistem em perguntar quem vencerá essa disputa, a realidade já respondeu. O campo respondeu. As usinas responderam. Os produtores responderam. Os investimentos realizados nos últimos anos responderam. Não existem vencedores e vencidos. Existem duas grandes cadeias produtivas que, trabalhando lado a lado, tornam o Brasil mais competitivo, mais sustentável e mais preparado para o futuro. O Brasil não precisa decidir entre cana e milho. Precisa decidir se quer liderar a economia de baixo carbono. Se a resposta for sim, a integração entre essas cadeias não é apenas uma vantagem competitiva. É uma estratégia poderosa para transformar a riqueza agrícola brasileira em liderança energética, inovação industrial e desenvolvimento sustentável nas próximas décadas.
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Q Cana-de-açúcar e milho
Índice
Integração entre cana e milho e a falsa rivalidade na bioenergia brasileira Ao longo da história da agroenergia nacional, poucas discussões foram tão recorrentes quanto a suposta disputa entre cana-de-açúcar e milho pela produção de etanol. A expansão acelerada do etanol de milho nos últimos anos alimentou a percepção de que ambas as cadeias competiriam pelo mesmo mercado. No entanto, uma análise mais atenta dos fatos demonstra um movimento distinto: cana e milho são matérias-primas complementares que fortalecem a segurança energética, ampliam a força do agronegócio brasileiro e conferem ao País centralidade na transição energética global.
O Brasil construiu, ao longo dos últimos 50 anos, uma trajetória singular no desenvolvimento de biocombustíveis. Desde a criação do Proálcool, em 1975, a cadeia sucroenergética desenvolveu um dos sistemas mais eficientes do mundo, ao combinar produtividade agrícola, inovação industrial e sustentabilidade. Esse legado criou as bases institucionais, regulatórias e tecnológicas que permitiram, décadas depois, o surgimento de uma nova fronteira de crescimento capitaneada pelo etanol de milho. Longe de substituir a cana, o milho passou a ocupar espaços onde existiam oportunidades pouco exploradas. O avanço da segunda safra e a disponibilidade de excedentes produtivos permitiram transformar parte desse grão em energia renovável, sem comprometer o abastecimento alimentar. O resultado foi o início de uma nova indústria, que impulsionou investimentos em regiões antes pouco inseridas na cadeia dos biocombustíveis. Essa expansão ocorreu sem promover uma substituição sistemática da cana-de-açúcar. As duas culturas possuem vocações agronômicas, logísticas e econômicas distintas.
A expansão do milho ocorreu sem promover uma substituição sistemática da cana-de-açúcar. As duas culturas possuem vocações agronômicas, logísticas e econômicas distintas. "
Amaury Pekelman
Presidente Executivo da UNEM União Nacional do Etanol de Milho
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Enquanto a cana concentra seu cultivo principalmente nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste, o etanol de milho ergueu-se sobre uma base agrícola consolidada no Centro-Oeste e agora cresce em direção ao Nordeste. Em vez de disputar áreas, o milho acrescentou novos produtores rurais à cena da industrialização regional. O resultado foi um novo e célere ciclo de expansão dos biocombustíveis, aumentando a oferta nacional sem comprometer a competitividade do setor sucroenergético. Seus impactos, porém, vão muito além da produção de etanol. O modelo brasileiro de etanol de milho é estruturado sobre os princípios da economia circular, por meio da qual todo o grão é aproveitado no processo. O amido é convertido em combustível renovável, enquanto proteínas, fibras e óleos são transformados em produtos de elevado valor nutricional (DDG/DDGS/HPDDG/WDG/WDGS), destinados à alimentação de bovinos, aves, suínos, peixes e pets. Some-se ainda o óleo técnico de milho, utilizado pela indústria alimentícia e como insumo para biodiesel e combustíveis sustentáveis de aviação (SAF). Trata-se de um sistema que conecta agricultura, pecuária, energia e indústria em um modelo de aproveitamento integral do milho. Ao mesmo tempo, a complementaridade entre cana e milho oferece uma vantagem distintiva no cenário mundial: a produção contínua de etanol ao longo de todo o ano. Enquanto a cana apresenta maior concentração de moagem em determinados períodos, o milho permite manter as usinas em operação durante a entressafra, especialmente nas biorrefinarias flex. Essa característica reduz a sazonalidade da oferta e aumenta a previsibilidade do abastecimento nacional. As duas lavouras também projetam seus efeitos sobre a próxima geração de combustíveis renováveis. Tanto a cana quanto o milho despontam como plataformas estratégicas para a entrega de Sustainable Aviation Fuel, o SAF. O etanol proveniente dessas culturas é utilizado pela rota Alcohol-to-Jet (ATJ), enquanto o óleo técnico de milho serve de insumo para a rota HEFA (Hydroprocessed Esters and Fatty Acids). No início de maio, a Organização Marítima Internacional (IMO) reconheceu oficialmente os parâmetros de intensidade de carbono do etanol de milho brasileiro para uso no transporte marítimo.
O irmão sucroalcooleiro também avança para conseguir essa certificação oficial. Em um momento em que novos modais de transporte buscam alternativas menos poluentes, contar com duas culturas prontamente disponíveis em larga escala representa um diferencial estratégico para nossa nação. Sob a ótica ambiental, essa complementaridade ganha ainda mais relevância. O Brasil possui uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, com políticas públicas como o RenovaBio e a Lei do Combustível do Futuro bem definidas e executadas. Nesse contexto, tanto a cana quanto o milho desempenham papéis fundamentais como plataformas para novas rotas tecnológicas de geração de energia de baixo carbono. Vale destacar que a diversificação das matérias-primas favorece a resiliência do sistema frente às mudanças climáticas. Eventos extremos tendem a afetar culturas de maneiras distintas, e a existência de duas cadeias robustas reduz riscos de desabastecimento tanto para o mercado interno quanto para a crescente demanda externa por combustíveis renováveis. Na experiência internacional, é raro encontrar países capazes de produzir biocombustíveis, em grandes volumes, a partir de plataformas agrícolas distintas. O Brasil reúne condições climáticas, disponibilidade de terras, conhecimento tecnológico, arcabouço regulatório e capacidade industrial que fazem dessa combinação uma vantagem estrutural dificilmente replicável em outras partes do mundo. Mais do que escolher entre recursos agrícolas, nosso País optou por um ambiente de negócios que estimula investimentos, inovação, previsibilidade regulatória e harmonia entre as diferentes cadeias da bioenergia. Cana e milho representam pilares de um mesmo projeto nacional de desenvolvimento sustentável, capaz de gerar empregos, agregar valor à produção agropecuária, promover a interiorização da indústria e colocar o País no radar dos mercados globais. No contexto da bioenergia, quanto maior for a integração entre essas duas cadeias, maior será o potencial do Brasil de liderar mundialmente a redução da emissão de gases de efeito estufa (GEE), abastecer novos vetores de demanda e transformar sua vocação agrícola em uma vantagem geopolítica duradoura.
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Q Cana-de-açúcar e milho
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Etanol de milho:
uma oportunidade para o Estado de São Paulo A introdução da produção de etanol de milho no Centro-Oeste brasileiro foi um grande sucesso. Atualmente, o novo setor caminha para se consolidar e agregar mais valor em outros estados brasileiros, expandindo suas fronteiras. Indiscutivelmente, o etanol de milho tem contribuído em muito para uma melhor oferta de etanol hidratado no País, levando mais desenvolvimento, e ajudado a aumentar a sustentabilidade da produção de proteína animal no Brasil, principalmente do gado de corte. O setor sucroalcooleiro paulista observa com muita atenção esta novidade, que também tem chegado ao Mato Grosso do Sul e ao triângulo mineiro. O etanol de milho está chegando perto de São Paulo, e isso nos leva à pergunta: por que ainda não temos uma destilaria de etanol de milho no Estado de São Paulo? O novo Centro FAPESP de Ciência para o Desenvolvimento – CCD Etanol: A criação de um Centro de Ciência para o Desenvolvimento – CCD no tema Etanol com apoio da FAPESP tem como seu objetivo principal colaborar com o setor sucroalcooleiro paulista. O Estado de São Paulo (SP) é um tradicional produtor de etanol, com
cerca de 5 milhões de hectares de cana-de-açúcar e uma produção de cerca de 16 bilhões de litros de etanol por ano. Nestes 50 anos do Proálcool, criou-se um modelo vencedor de produção sustentável de etanol, açúcar e bioeletricidade. No entanto, nos últimos anos o setor produtor de etanol vem diversificando suas ações usando, com sucesso, o milho, sobretudo nos estados de MT, GO e MS. Esta inovação tem ampliado as oportunidades da produção de combustíveis avançados de baixo carbono e pode significar um grande estímulo econômico para o Estado de SP e para o Brasil. Além disso, a produção de etanol de milho pode contribuir para aumentar a resiliência econômica do setor. Nesse sentido, as atividades do CCD Etanol da FAPESP são justamente para facilitar e ajudar estas oportunidades a se concretizarem. Os eixos de atuação do CCD Etanol são os seguintes: • Produção de Etanol de Cana+Milho em SP; • Uso do DDG do Etanol de Milho; • Análise de Ciclo de Vida do Etanol; • Novos Produtos a partir do Etanol e Derivados; e • Mais Empregos e Mais Desenvolvimento para SP e Brasil.
SP tem um enorme potencial de intensificar a pecuária de corte e, também, de aumentar significativamente o número de confinamentos se tornando um 'Texas brasileiro'. Também o mercado de aves tem grande potencial em território paulista. "
Luís Augusto Barbosa Cortez Professor da UNICAMP
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Q Cana-de-açúcar e milho
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Exemplos dos novos produtos são a produção de combustíveis sustentáveis para a aviação (SAF), biometano de vinhaça sobretudo para substituir o diesel e etanol para o transporte marítimo. Estes mercados irão garantir a demanda por volumes significativos de etanol, mas dependem da produção de biocombustíveis de baixo teor de carbono. A atuação do CCD Etanol está sendo no sentido de trabalhar com empresas, como usinas e outras, institutos de pesquisas, universidades, municípios e secretarias do Estado de SP, a fim de realizar este potencial. Trata-se de um projeto multidisciplinar que envolve duas secretarias do Governo do Estado (Secretaria de Energia e Meio Ambiente – SEMIL e institutos ligados à Secretaria da Agricultura e Abastecimento – SAA). Entre os produtos a serem gerados pelo CCD Etanol encontram-se a criação de novos modelos de produção integrando energia e pecuária, a geração de estudos e metodologias visando aumentar os benefícios econômicos, e políticas públicas que ofereçam mais clareza possibilitando maior investimento, empregos e geração de renda. Para melhor responder a esta importante pergunta, vamos analisar o que o Estado de SP tem de diferente de outros estados brasileiros. A oferta de bagaço de cana nas usinas paulistas: O Estado de São Paulo conta com cerca de 160 usinas de açúcar e etanol de cana-de-açúcar que produzem bagaço e utilizam parte dele para suprir suas demandas energéticas. As usinas paulistas geram, portanto, um excedente de bagaço que pode ser utilizado como fonte energética, sem a necessidade do plantio de eucalipto, como acontece nas destilarias autônomas de etanol de milho, usando o modelo flex ou flex full, operando o ano todo. No workshop realizado em 26 de junho na Faculdade de Engenharia Química da Unicamp, o Centro de Ciências para o Desenvolvimento do Etanol – CCD Etanol trouxe diversos especialistas no tema para uma discussão. As conclusões do workshop foram as seguintes: • sim, existe hoje uma quantidade significativa de bagaço excedente nas usinas paulistas, equivalente a cerca de 10-15% do bagaço produzido; • o excedente de bagaço pode ser maior desde que seja tomada alguma das seguintes ações: - o bagaço pode ser seco (hoje a umidade do bagaço é de ~ 50% b.u.); - o consumo de vapor pode ser reduzido no processo, por exemplo colocando mais efeitos na evaporação do caldo ou reduzindo o consumo na destilação.
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Há usinas muito eficientes com baixo consumo de vapor no setor sucroalcooleiro, e estas podem servir de referência para estimar uma elevação do bagaço excedente. No website do CCD Etanol, pode-se encontrar os contatos com os palestrantes, caso exista interesse em definir uma estratégia. No entanto, com o excedente atual é possível se instalar, por exemplo, destilarias de etanol de milho flex full de cerca de 400 mil litros de etanol/dia. De onde viria o milho para as destilarias paulistas? O Estado de São Paulo não é um grande produtor de milho. Isso quer dizer que para se produzir grandes quantidades de etanol haveria a necessidade de se trazer o milho dos estados produtores de excedentes, principalmente MT, GO, MS e (por que não?) PR. Segundo estimativas realizadas por grandes empresas do setor, o custo do frete do milho pode ser grandemente atenuado pela vantagem de aqui se ter bagaço excedente de cana-de-açúcar. O modelo proposto, portanto, é de usinas flex ou flex full de modo a combinar as vantagens da cana e do milho no mesmo projeto. Os mercados de etanol no Estado de SP: Além de ser o maior mercado consumidor de etanol anidro e hidratado do País, SP tem ainda as melhores condições para entrar nos novos mercados de biocombustíveis avançados como SAF e transporte marítimo. A propósito, isso já está acontecendo. A demanda paulista por DDGS: Ainda não se tem bem dimensionada a demanda paulista de DDGS. Sabemos que SP tem um enorme potencial de intensificar a pecuária de corte e, também, de aumentar significativamente o número de confinamentos se tornando um “Texas brasileiro”. Também o mercado de aves tem grande potencial em território paulista. O uso do DDGS na pecuária de corte possibilitará a tão esperada intensificação, sobretudo de pastagens degradadas ou com baixa capacidade de suporte. A intensificação da pastagem levará aos benefícios ambientais associados como a liberação de mais terras para a agricultura e recomposição de biomas, com benefícios inclusive para a redução de emissões ligadas ao uso do solo. Portanto, o que se propõe é um projeto com benefícios econômicos, energéticos e ambientais. Isso pode ser conseguido com a introdução da produção de etanol de milho no Estado de SP, que possibilitará, inclusive, uma expansão da oferta de empregos e renda para o interior paulista.
Q Biodiesel
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Uma oportunidade que o Brasil não pode desperdiçar Durante muito tempo, o biodiesel foi tratado primordialmente como uma alternativa ambiental aos combustíveis fósseis. Hoje, essa visão simplificada já não traduz sua real importância. Em um mundo que busca conciliar segurança energética, competitividade e redução de emissões, o biodiesel consolidou-se como um componente estratégico da transição energética e uma alavanca de desenvolvimento para países de forte vocação agrícola, como o Brasil. Poucos países reúnem condições tão favoráveis para liderar essa transformação. O Brasil dispõe de uma agricultura altamente produtiva, tecnologia reconhecida e ampla disponibilidade de matérias-primas, o que assegura ao País a oportunidade de desenvolver uma indústria de biocombustíveis robusta e ocupar uma posição de liderança na transição energética global. Essa liderança, contudo, depende de um fator determinante: a previsibilidade. Os investimentos necessários para ampliar a capacidade produtiva, desenvolver novas tecnologias e fortalecer a cadeia de suprimentos são estruturados para horizontes de décadas. Mudanças frequentes em políticas públicas ou interrupções em cronogramas previamente definidos abalam a confiança dos investidores e impedem que a expansão dos biocombustíveis avance.
O Brasil tem a oportunidade histórica de deixar de ser apenas um grande exportador de commodities agrícolas para consolidar-se como uma potência exportadora de energia renovável, tecnologia e soluções sustentáveis. "
João Marcelo Dumoncel CEO da 3tentos
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Desde a criação do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB), em 2005, construiu-se uma cadeia de produção sólida, integrada e tecnologicamente avançada. A evolução da mistura obrigatória ao diesel permitiu que produtores rurais, cooperativas, indústrias e distribuidoras investissem continuamente em eficiência, inovação e expansão de capacidade. Os resultados são expressivos. O Brasil figura entre os maiores produtores e consumidores mundiais de biodiesel, com uma indústria capaz de abastecer o mercado interno utilizando matérias-primas nacionais. A soja responde pela maior fatia da produção, mas o setor também incorpora outras fontes, fortalecendo uma economia circular que gera valor ao longo de toda a cadeia agroindustrial. Cada litro de biodiesel produzido movimenta a indústria nacional, gera empregos qualificados, estimula a produção agrícola, atrai investimentos em infraestrutura e reduz a necessidade de importação de combustíveis fósseis.
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Trata-se de uma política energética, ambiental, industrial e social. Em um cenário internacional de tensões geopolíticas e volatilidade no mercado de petróleo, elevar a participação de combustíveis renováveis na matriz reforça a segurança energética do País. Quanto maior a utilização de energia produzida internamente, menor a exposição a oscilações externas e maior a previsibilidade para empresas e consumidores. O biodiesel representa também uma das soluções mais imediatas para descarbonizar o transporte pesado. Diferentemente de tecnologias que exigem elevados investimentos em infraestrutura ou dependem de maturação tecnológica, o biodiesel já está disponível, utiliza a logística existente e pode ser incorporado à frota sem alterações significativas nos motores em operação. Essa viabilidade torna o biodiesel um aliado crucial para que o Brasil cumpra suas metas climáticas preservando a competitividade econômica. O setor demonstra que desenvolvimento e sustentabilidade podem caminhar juntos de forma equilibrada. A experiência internacional reforça essa visão. Países como Indonésia e Malásia adotam misturas obrigatórias superiores às brasileiras, impulsionando suas cadeias produtivas e reduzindo a dependência de fósseis. Outros mercados, como Estados Unidos e União Europeia, ampliam incentivos a renováveis, reconhecendo que a descarbonização exige múltiplas soluções, com destaque para os biocombustíveis. A aprovação da Lei do Combustível do Futuro representou um passo importante ao estabelecer um horizonte de crescimento para a expansão dos biocombustíveis, oferecendo sinalização de longo prazo para quem investe, produz e gera empregos. Essa previsibilidade é indispensável porque a transição energética não ocorre por decreto. Ela depende de decisões empresariais tomadas hoje para gerar resultados ao longo dos próximos anos. Cada nova planta industrial e cada investimento em inovação pressupõem confiança na estabilidade das regras do jogo. O País tem a oportunidade histórica de deixar de ser apenas um grande exportador de commodities agrícolas para consolidar-se como uma potência exportadora de energia
renovável, tecnologia e soluções sustentáveis. No entanto, eventuais interrupções ou adiamentos no cronograma da mistura obrigatória podem colocar a confiança em risco, criando incertezas que afetam toda a cadeia, do campo à indústria. O biodiesel brasileiro disputa investimentos em um mercado global dinâmico, onde diversos países aceleram programas de combustíveis renováveis, como diesel verde (HVO) e combustível sustentável de aviação (SAF). O capital buscará naturalmente ambientes regulatórios mais estáveis e seguros. O diferencial brasileiro reside na capacidade de integrar alimentos e geração de energia. Na 3tentos, vivenciamos essa integração diariamente. Nossa atuação conecta o produtor rural à indústria. O óleo de soja dá origem ao biodiesel; o farelo retorna como insumo para produção de proteína; e o milho é transformado em etanol, DDG e óleo. Operamos uma usina de biodiesel no Rio Grande do Sul, em Ijuí, com capacidade de 1.500 m³/ dia, e outra no Mato Grosso, em Vera, que produz 1.500 m³/dia. Expandimos a presença no Mato Grosso com uma nova planta de etanol de milho em Porto Alegre do Norte, com capacidade instalada para produzir 428 milhões de litros de etanol por ano. A transição energética global dar-se-á pela complementaridade entre diferentes soluções, e os biocombustíveis continuarão exercendo papel decisivo por décadas. Seus benefícios vão além das emissões: movimentam economias locais, fortalecem cooperativas, geram renda e impulsionam o desenvolvimento regional. Sustentabilidade deixou de ser custo para se tornar vantagem competitiva. O Brasil já provou sua capacidade de liderança com o etanol e pode ter sucesso ainda maior com o biodiesel. O que precisamos preservar é a coerência entre discurso e ação. A transição exige investimentos contínuos, e investimentos exigem confiança. A pergunta central não é se o biodiesel fará parte do futuro energético, mas qual será o papel do Brasil nessa transformação. Cabe a nós garantir que essa oportunidade seja aproveitada com visão estratégica, responsabilidade e estabilidade institucional.
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Q Biogás
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Da vinhaça ao biometano liquefeito O Brasil tem em mãos um ativo energético que ainda observa de longe: o biogás. O País pode produzir cerca de 84 bilhões de Nm³ de biogás por ano — volume que, convertido em biometano (44 bilhões de Nm3/ano), equivaleria a aproximadamente 40% do consumo nacional de diesel. Projeções da ABiogás chegam a estimar a substituição de até 70% da demanda de diesel, cerca de 39 bilhões de litros, em um cenário de frota plenamente adaptada. As estimativas variam conforme a metodologia, mas convergem em um ponto: há aqui uma fronteira de descarbonização de escala continental. O setor já saiu do papel. O Brasil contabiliza mais de 1.725 plantas de biogás e 52 plantas de biometano, com capacidade instalada superior a 5 bilhões de Nm³ de biogás por ano, sendo 1 bilhão de Nm3/ano de biometano. Hoje, 37% do biogás nacional é produzido pela biodigestão de resíduos da agroindústria e 63% a partir de aterros sanitários — mas 92% do potencial do biogás e biometano virão a partir da biodigestão de resíduos da agroindústria. A cana-de-açúcar como protagonista O epicentro desse potencial está no campo. Estima-se que o setor sucroenergético concentra cerca de 48% de todo o potencial nacional de biogás, com aproximadamente
O Brasil pode produzir cerca de 84 bilhões de Nm³ de biogás por ano — volume que, convertido em biometano (44 bilhões de Nm3/ano), equivaleria a aproximadamente 40% do consumo nacional de diesel. "
Yuri Schmitke
Presidente executivo da ABREN Associação Brasileira de Energia de Resíduos
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39,8 bilhões de Nm³ por ano somando vinhaça, torta de filtro, bagaço e palha da cana. Considerando apenas vinhaça e torta de filtro — substratos de digestão anaeróbia mais imediata —, o potencial fica em torno de 6,4 a 6,5 bilhões de Nm³ de biogás, equivalentes a cerca de 3,5 a 3,9 bilhões de Nm³ de biometano, volume que atenderia entre 10% e 17% da demanda nacional de gás natural conforme o ano de referência. Cada tonelada de cana processada gera entre 50 e 60 m³ de biogás, e cerca de metade da massa colhida vira resíduo aproveitável. Nem todo CO₂ equivalente é igual Aqui está o ponto mais negligenciado da agenda: o biometano não tem uma pegada de carbono única — ela depende, fundamentalmente, da rota tecnológica que o origina, e essa diferença é enorme. O metano é um gás de efeito estufa cuja potência, em horizonte de 20 anos, é cerca de 80 vezes a do CO₂ e responde por aproximadamente 0,5 °C do 1,1 °C de aquecimento global já observado. A referência mundial nesse cálculo é o Low Carbon Fuel Standard (LCFS) da Califórnia, que diferencia explicitamente as rotas por intensidade de carbono (IC).
COLOMBIA 2026
Decisões estratégicas em tempos desafiadores A terceira edição do Seminário Internacional Agrotech Colômbia 2026 se consolida como um espaço estratégico para a transferência de conhecimento no setor agroindustrial, integrando ciência, tecnologia e experiência aplicada aos processos agrícolas e industriais.
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Uma abordagem transversal que fortalece o aprendizado coletivo e a adaptação tecnológica.
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Q Biogás
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O biometano de aterro recebe IC positiva (+45 a +70 gCO₂eq/MJ), pois substitui o fóssil mas captura apenas parte de um metano que já vazaria de toda forma. O de digestão anaeróbia de resíduos orgânicos urbanos recebe IC negativa (−80 gCO₂eq/MJ), por evitar a própria formação do passivo de metano no aterro. E o de dejetos animais chega a IC fortemente negativa (−250 a −400 gCO₂eq/MJ), ao eliminar as emissões contínuas das lagoas abertas. O ICCT estimou redução de até 181% das emissões frente ao gás natural fóssil para o biometano de esterco. No Brasil, o estudo BEP/UK calculou que a biodigestão com produção de biometano pode evitar até 1.999,75 kg de CO₂ equivalente por tonelada de resíduo tratado — desempenho que supera com folga o aterro, mesmo com aproveitamento energético do biogás. Tratar todas as rotas como equivalentes nivela por baixo o crédito ambiental e desestimula as soluções de maior benefício climático. Diferenciar o CO₂eq por rota não é refinamento técnico: é a condição para que o incentivo econômico aponte na direção certa e o Brasil possa internacionalizar seu atributo ambiental no mercado internacional de carbono. A precificação do carbono como motor E é exatamente aqui que a precificação do carbono se torna decisiva. Um Crédito de Descarbonização (CBio) equivale a uma tonelada de CO₂ evitada, mas seu preço tem sido volátil e, sobretudo, baixo. Depois de abrir 2025 perto de R$ 75, o CBIO encerrou o ano em torno de R$ 35 e chegou a ser negociado a cerca de R$ 24 em dezembro. Para efeito de comparação, a permissão europeia (EU ETS) operava acima de € 80 por tonelada em meados de 2026. Enquanto a tonelada de carbono valer poucas dezenas de reais no Brasil e o sistema não remunerar de forma diferenciada quem entrega mais benefício climático, o sinal de preço seguirá fraco demais para mobilizar o capital que o setor exige. Da frota urbana aos corredores verdes O elo entre esse gás e a descarbonização concreta está no transporte. O biometano é, hoje, a rota de menor Capex para descarbonizar frotas: um ônibus a biometano custa cerca de 1,5 vez o equivalente a diesel, contra 2,5 a 3 vezes no caso do elétrico. Tomando um ônibus urbano a diesel entre R$ 900 mil e R$ 1,2 milhão, a versão a biometano ficaria entre R$ 1,35 milhão e R$ 1,8 milhão. Substituir 20 mil ônibus nas cerca de
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50 cidades brasileiras com mais de 500 mil habitantes exigiria de R$ 27 bilhões a R$ 36 bilhões em veículos; 30 mil unidades elevariam o mercado a R$ 40,5 bilhões a R$ 54 bilhões. Somada a infraestrutura de produção — estimada em R$ 8,5 bilhões em novas usinas nos próximos cinco anos, com mais de 2,8 milhões de m³/dia a partir de resíduos urbanos —, o programa nacional pode mobilizar de R$ 37 bilhões a R$ 69 bilhões. Estima-se que um caminhão que rode 14,5 mil km por mês movido a biometano evite cerca de 231 toneladas de CO₂ por ano frente ao diesel, com redução de até 95% nas emissões de gases de efeito estufa. Para a carga pesada de longa distância — num país onde cerca de 60% da movimentação de mercadorias é rodoviária e o transporte é o terceiro maior emissor —, a solução é o Bio-GNL: o biometano liquefeito, que multiplica a autonomia dos veículos (de 300 para 1.500km) e viabiliza os chamados "corredores verdes". Já há projetos concretos. A Virtu GNL, em parceria com Eneva e Scania, anunciou um corredor ligando o Norte ao Sul do Brasil, com investimento previsto de R$ 5,7 bilhões, 39 centrais de descarbonização e 5,3 mil cavalos mecânicos até 2030, começando pela rota do Matopiba rumo ao Porto de Itaqui. A Gás Verde, maior produtora de biometano da América Latina, projeta saltar de 160 mil para 650 mil m³/dia até 2028. O GNL fóssil já reduz emissões e poluentes locais e abre a porta para o Bio-GNL — etapa em que o Brasil reúne condições de liderança mundial. O Brasil tem tudo, menos tempo a perder O biogás reúne, como poucas fontes, três agendas em um só ativo: destinação adequada de resíduos, segurança energética e descarbonização do transporte. O País tem a matéria-prima — da vinhaça ao lixo urbano —, a tecnologia e o mercado consumidor. Falta a coragem regulatória para precificar corretamente a pegada de carbono de cada rota e transformar resíduo em vetor de transição. Quando o cálculo do carbono refletir a realidade de cada caminho tecnológico, o investimento virá atrás. O biometano não é promessa de futuro: é decisão do presente.
Q Comunicação com o consumidor sobre as bioenergias
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Eliminando mitos que sobrevivem há décadas A recente decisão do governo federal de elevar a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina para 32% – o E32 – é um passo firme na consolidação da transição energética brasileira. Amparada pelas diretrizes da Lei do Combustível do Futuro, a medida fortalece a segurança energética, reduz a necessidade de importação de combustíveis fósseis e retira milhões de toneladas de dióxido de carbono da atmosfera. Trata-se de uma vitória incontestável da engenharia nacional e dos produtores de alternativas energéticas sustentáveis. No entanto, o anúncio foi acompanhado pelo inevitável reaparecimento de um velho e conhecido fantasma: a "ladainha" de que o aumento do teor de etanol na gasolina corrói motores, destrói componentes de borracha e arruína a mecânica dos automóveis. Esse ruído repetitivo não é uma novidade técnica, mas sim um fenômeno de desinformação persistente. Há décadas, a cada avanço no percentual do biocombustível — desde as misturas estabelecidas na década de 1970 com o Proálcool —, setores conservadores do meio automotivo e analistas de ocasião ressuscitam as mesmas teses catastróficas. Alega-se que o etanol resseca mangueiras, enferruja tanques de combustível e reduz dramaticamente a durabilidade do motor. O problema é que tais argumentos nunca se sustentaram diante dos fatos científicos, das validações da engenharia automobilística
O anúncio do E32 foi acompanhado pelo inevitável fantasma: a "ladainha" de que o aumento do teor de etanol na gasolina corrói motores, destrói componentes de borracha e arruína a mecânica dos automóveis. "
Adhemar Altieri
Diretor da MediaLink Comunicação e Curador da FenaBio
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e do histórico de uso do próprio combustível no Brasil. Entre outros fatores, o mito do "etanol vilão" ignora que a frota brasileira de veículos passou e continua passando por profundas transformações tecnológicas. Desde a introdução dos veículos flex em 2003, motores e sistemas de alimentação vêm sendo projetados com materiais perfeitamente compatíveis com o biocombustível. Ligas metálicas anticorrosivas, elastômeros sintéticos de alta resistência e vedações de polímeros avançados tornaram obsoletos os problemas de oxidação observados em carros carburados dos anos 1980. Mais do que isso: o etanol anidro utilizado na mistura passa por rigorosos processos de controle de qualidade, apresentando teores insignificantes de água, o que anula a tese de corrosão interna em veículos modernos. Além da perfeita compatibilidade dos materiais, o acréscimo de etanol traz benefícios diretos à dinâmica de combustão dos motores modernos. O etanol possui uma taxa de octanagem substancialmente superior à da gasolina pura. Quando misturado ao combustível fóssil, ele atua como um antidetonante natural e de altíssima eficiência. Isso permite que os sistemas eletrônicos de injeção e ignição otimizem o ponto de funcionamento do motor, prevenindo a pré-detonação – a famosa "batida de pino", melhorando o rendimento termodinâmico, sobretudo em motores turbinados e de injeção direta. Para além das questões estritamente mecânicas, os testes laboratoriais e de rodagem que antecederam
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a implementação da gasolina E32 — assim como os ensaios conduzidos para as projeções do E35 — foram executados por institutos de pesquisa independentes de primeiro nível, com a participação ativa das próprias montadoras. O veredito técnico foi categórico: dentro das margens estabelecidas, o impacto na durabilidade dos componentes é nulo e a variação no consumo de combustível é imperceptível para o condutor no uso diário. Se a ciência, a engenharia e os dados operacionais comprovam a eficiência e a segurança do etanol, por que o preconceito persiste na mente de parcela significativa dos motoristas e até de mecânicos? A resposta reside em uma falha histórica de comunicação de massa. Por anos, o setor produtivo de etanol focou seus esforços de comunicação na esfera Business-to-Business (B2B), no diálogo regulatório com o setor público (Business-to-Government) ou na comunicação restrita ao universo do agronegócio. Deixou-se um vácuo no diálogo direto, pedagógico e contínuo com o consumidor final — o motorista que está na ponta da bomba de combustível. Excetuando-se um período de cinco anos, de 2009 a 2014, em que as principais associações de produtores de etanol do País se uniram a grandes empresas fornecedoras do setor sucroenergético, entre elas Basf, Syngenta, Bayer e FMC, o que se tem é a ausência de uma narrativa forte, acessível e dirigida ao consumidor. Durante aqueles anos, vigorou o Projeto Agora, desenvolvido sob a liderança da Unica. Entre outras ações, o Agora realizou iniciativas educacionais atingindo anualmente mais de 120 mil estudantes em escolas públicas de nove estados, produziu materiais didáticos e explicativos para o público e organizou o Prêmio Top Etanol, para reconhecer boas matérias jornalísticas sobre o setor sucroenergético. O Top Etanol foi incluído na lista dos melhores prêmios disponíveis para jornalistas, criada pela bíblia da Comunicação, o “Jornalistas&Cia”, e o Projeto Agora conquistou o principal reconhecimento para projetos de Comunicação do País, o Prêmio Aberje, da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial. Foi a primeira vez em mais de 30 anos de existência da premiação em que um projeto criado por entidades e não por uma empresa foi agraciado. Fora dessa fase, encerrada devido à crise que impactou severamente os produtores durante o governo Dilma, a ausência de um trabalho consistente, educativo e acessível permitiu que o conhecimento popular sobre mecânica continuasse alimentado por dogmas de oficinas desatualizadas, fóruns de internet e sensacionalismo de redes sociais.
O consumidor médio ainda confunde a perda de rendimento volumétrico, característica física do etanol hidratado devido ao seu menor poder calorífico, com "defeito" ou "prejuízo", e frequentemente atribui falhas decorrentes de combustível adulterado ou falta de manutenção preventiva à simples presença do etanol anidro na gasolina. Com a persistência desses mitos recorrentes, é questão de tempo para que as diversas novas vertentes de bioenergias que vêm crescendo a olhos vistos no País também sofram os efeitos da informação tosca que continua circulando. O biodiesel já segue a mesma rotina do etanol, com críticas e questionamentos sobre qualidade e desempenho a cada avanço na mistura. O leque bioenergético é cada vez mais amplo, e não será surpreendente se surgirem dúvidas também sobre o biogás, SAFs, biobunkers, que poderão, na pior hipótese, atrasar a adesão e o crescimento dessas alternativas. Diante disso, torna-se urgente que os produtores de bioenergia e suas entidades representativas assumam o protagonismo da conversa com o público. Não basta produzir o combustível mais limpo, renovável e competitivo do planeta; é preciso defender sua reputação no imaginário popular. A comunicação associativa precisa transcender as notas técnicas e os balanços institucionais para investir em ações e campanhas de conscientização massivas, dinâmicas, de fácil assimilação e, principalmente, permanentes. É necessário explicar, em linguagem simples, por que o etanol limpa o motor em vez de sujá-lo; como a octanagem do biocombustível protege a mecânica moderna; e como a escala de uso do etanol protege o bolso do cidadão contra os choques de preço do petróleo no cenário geopolítico internacional. O consumidor precisa entender que a adição de etanol à gasolina não é um "batismo" ou um empobrecimento do combustível, mas sim uma evolução tecnológica e ambiental que coloca o Brasil na vanguarda da transição energética global. A transição para a gasolina E32 oferece uma oportunidade exemplar para que o setor sucroenergético inaugure uma nova era na sua relação com a sociedade. Romper com a passividade comunicacional é o único caminho para desarmar a engrenagem de mitos que se arrasta há quatro décadas. Quando o produtor de etanol conversa de forma transparente e direta com o motorista, ele não apenas protege o mercado do biocombustível, mas fortalece o orgulho nacional por uma tecnologia limpa, eficiente e indiscutivelmente vitoriosa.
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Ensaio especial: o
13 Congresso Latinoamer Brasil
Raffaella Rossetto
Colômbia Caio
Nicolás Javier Gil
Canaplan
Guatemala
Gustavo Guillermo Sagastume Matta
México
Angélica Guerra Gutierrez
Venezuela Eligio Silva
ricano José Paulo Stupiello
13
º
Congresso Latinoamericano
“José Paulo Stupiello” Cana de Açúcar: A Bioenergia que Conecta os Países
Q Especial ATALAC-2026 - Brasil
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A união latino-americana em prol da
Por que a transição energética é urgente? Esta é pergunta que todos deveriamos fazer. E a resposta é: porque o tempo climático é limitado. Porque estamos próximos do ponto de não retorno. As emissões de CO2 na atmosfera são cumulativas. Cada ano de atraso exige cortes mais expressivos, caros e mais difíceis no futuro. Além da questão climática, a transição é urgente porque: • eventos extremos, como secas, ondas de calor, enchentes e incêndios, estão produzindo prejuízos crescentes; • a volatilidade dos combustíveis fósseis ameaça a segurança energética e a estabilidade dos preços; • países e empresas precisam cumprir metas de descarbonização e preservar sua competitividade; • algumas grandes potências estão de olhos fechados; • mercados internacionais começam a exigir produtos com menor pegada de carbono, rastreabilidade e comprovação de sustentabilidade; • decisões tomadas hoje sobre usinas, veículos e infraestrutura permanecerão por décadas, podendo criar uma dependência prolongada dos combustíveis fósseis. Portanto, a transição energética não é somente uma pauta ambiental. É também uma necessidade econômica, tecnológica, estratégica e social.
Por que a bioenergia é uma grande solução? A bioenergia é particularmente importante porque transforma recursos biológicos renováveis – como cana-de-açúcar, resíduos agrícolas, bagaço, palha, vinhaça e resíduos urbanos – em diferentes formas de energia. O uso da biomassa é quase infinito. Ela pode ser transformada em etanol e outros biocombustíveis; biogás e biometano; bioeletricidade; combustível sustentável de aviação, o SAF; combustíveis renováveis para transporte marítimo, o SMF; calor renovável para processos industriais; hidrogênio e moléculas renováveis; produtos químicos e biomateriais de origem biológica. O açúcar abre uma nova cadeia chamada de sucroquímica, e o etanol a alcoolquímica, com inúmeros processos industriais gerando inúmeros produtos. Os resíduos – bagaço, palha, vinhaça, torta de filtro – também podem gerar outros produtos de valor, de modo que a cadeia se expande, e aquele "engenho" dos tempos da colonização brasileira transformou-se em biorrefinaria. Referindo-se aos combustíveis renováveis, a oportunidade de a bioenergia descarbonizar transportes que a eletrificação
O futuro da energia não será decidido apenas pelos países que consomem mais energia, mas também por aqueles que conseguem produzi-la de forma sustentável. "
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transição energética não consegue atingir, como aviação, navegação e transporte pesado, dá aos biocombustíveis uma vantagem incomparável. A bioenergia também apresenta outros benefícios: é armazenável e despachável; integra diferentes setores: conecta agricultura, indústria, transporte, energia elétrica e gestão de resíduos; gera desenvolvimento regional: cria empregos, renda, inovação e oportunidades industriais no interior; fortalece a segurança energética: reduz a dependência de combustíveis fósseis importados e diversifica a matriz; pode produzir emissões negativas: quando associada à captura e ao armazenamento permanente do CO2 biogênico – BECCS, a bioenergia pode contribuir para remover carbono da atmosfera; abre caminho para impulsionar outras culturas, como o milho, o eucalipto, a macaúba, o agave. O papel estratégico da cana-de-açúcar: No Brasil, a cana-de-açúcar é um exemplo concreto de bioeconomia circular. Da mesma matéria-prima podem ser obtidos açúcar, etanol, bioeletricidade, biogás, biometano, fertilizantes organominerais, SAF, bioplásticos e outros produtos de maior valor agregado. A usina, portanto, deixa de ser apenas uma produtora de açúcar e etanol e passa a funcionar como uma biorrefinaria integrada, capaz de produzir alimentos, fibras, energia, combustíveis renováveis, moléculas e materiais sustentáveis.
Raffaella Rossetto
Pesquisadora do IAC e Presidente da STAB - Sociedade dos Técnicos Açucareiros e Alcooleiros do Brasil
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Q Especial ATALAC-2026 - Brasil
Índice
A importância da união da América Latina e Caribe A transição energética não será construída por países isolados ou por soluções individuais. Ela passa por blocos de nações que compartilham recursos naturais similares, conhecimento científico e políticas públicas que, unidas, são mais fortes. A proposta de uma “Cumbre” Latino-Americana em prol da transição energética não é apenas uma estratégia de cooperação regional; é uma necessidade para que nossos países tenham protagonismo na economia de baixo carbono. Isoladamente, cada país possui vantagens específicas. Juntos, representamos a maior plataforma tropical de produção sustentável de bioenergia do mundo. Brasil reúne todas as condições para liderar esse movimento, mas a América Latina reúne condições únicas para fortalecer a iniciativa, a exemplo: clima tropical favorável; disponibilidade de terras agrícolas já consolidadas; experiência de décadas em cana-de-açúcar, etanol, bioeletricidade e biomassa. No caso do Brasil, ainda temos: produção crescente de biogás, biometano, combustível aéreo e marítimo e hidrogênio renovável. A transição energética exige cooperação para estabelecer padrões internacionais de sustentabilidade, criar mercados globais para biocombustíveis, atrair grandes investimentos e influenciar organismos internacionais. A integração regional torna a América Latina mais competitiva e fortalece sua posição nas negociações internacionais. Estudos recentes da CEPAL mostram que uma maior integração energética pode reduzir custos e acelerar a descarbonização da região. O programa do etanol brasileiro é um exemplo para essa união. Não é necessário desenvolver políticas isoladas e seria possível trabalhar conjuntamente para desenvolver certificações comuns, estimular comércio regional e defender etanol como combustível estratégico para o transporte terrestre, marítimo e aviação.
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Mailson Pignata
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A importância de fortalecer a ATALAC: ATALAC é a sigla da Associação de Técnicos Açucareiros de América Latina e Caribe, fundada em 1987 pelo Presidente da STAB na época, Dr. José Paulo Stupiello. Pelo estatuto, a cada três anos a Associação deve se reunir e realizar um congresso em um dos países membros. Pois bem, estamos às portas do 13o Congresso ATALAC, que pela primeira vez será realizado no Brasil, em Ribeirão Preto e Sertãozinho, SP, promovido pela STAB, Ceise-Br e Fenasucro&Agrocana. Durante o Congresso, teremos uma oportunidade única: o momento em que o mundo discute a transição energética, fundamental será posicionar as Américas como importante polo produtor de biocombustíveis e ampliar mercado. Como principal vocação de um congresso científico, a socialização do conhecimento é primordial. E a integração entre os países latino-americanos também significa compartilhar tecnologia. Teremos desde toda a área agrícola do plantio à colheita da cana, como as áreas mais tecnológicas de inteligência artificial, automação industrial, produção de biocombustíveis avançados, captura de carbono, biorrefinarias. Ao longo dos anos, a ATALAC tem-se destacado por aproximar e promover a união dos técnicos do setor em nível internacional. Ao formar uma vasta comunidade, a associação possibilita a oportunidade de fortalecer a participação e a liderança de seus membros na indústria sucroenergética latino-americana. A experiência coletiva, o conhecimento e a expertise técnica representam uma contribuição valiosa para o desenvolvimento e a inovação, impulsionando o crescimento sustentável. .A América Latina pode deixar de ser apenas exportadora de commodities agrícolas para tornar-se exportadora e exemplo de: energia renovável, tecnologia, conhecimento, créditos de carbono, economia circular verde, soluções climáticas e ambientais, políticas públicas incentivadoras e aceleradoras da transição energética. A transição energética mundial precisa de soluções que sejam sustentáveis, escaláveis e socialmente inclusivas. A América Latina reúne essas condições. Se unirmos nossas capacidades científicas, tecnológicas e produtivas, poderemos transformar nossa região na maior potência mundial em bioenergia renovável, contribuindo para a segurança energética, a descarbonização e o desenvolvimento econômico de nossos países. O futuro da energia não será decidido apenas pelos países que consomem mais energia, mas também por aqueles que conseguem produzi-la de forma sustentável. A América Latina tem todas as condições para liderar essa transformação — desde que atue unida, e a ATALAC pode ser o vetor dessa iniciativa.
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Q Especial ATALAC-2026 - Colômbia
Índice
A estratégia para a diversificação energética Na transição global para fontes de energia sustentáveis, o setor sucroenergético se posiciona como um pilar fundamental. Em nível mundial, a matriz energética depende em 86,3% de fontes não renováveis e apenas 13,7% de renováveis. A Colômbia se posiciona com uma vantagem competitiva ao possuir uma matriz mais limpa: as fontes não renováveis constituem 78,8% da oferta interna, deixando destacáveis 21,2% para as renováveis. Da mesma forma, o País supera a média global no uso de bioenergia (10,8% contra 6,8% mundial) e mais que dobraria a participação global em biocombustíveis – 1,6% em nível nacional contra 0,7% mundial. O setor agroindustrial da cana-de-açúcar, concentrado no cluster sucroenergético do Valle del Cauca, contribui com a maior parte da vantagem competitiva bioenergética do País. Nesta região, o aproveitamento do bagaço por meio da cogeração representa 17% da matriz energética estadual – em contraste com os 5% da média nacional –, o que permite o autoabastecimento das usinas e a injeção de excedentes no Sistema Interconectado Nacional (SIN). Por outro lado, a região concentra mais de 60% da produção nacional de bioetanol a partir de melaço e caldo de cana. Este biocombustível é um componente-chave para o alcance das metas de descarbonização do transporte por meio de sua mistura obrigatória de 10% v/v com a gasolina.
Maximizar o potencial bioenergético da agroindústria canavieira exige modificar a concepção operacional das plantas de processamento atuais. A estratégia: complexos de biorrefinaria. Neste novo modelo industrial, a integração de novas tecnologias de aproveitamento avançado da biomassa disponível permitirá diversificar a oferta de energia limpa e de produtos substitutos de fontes fósseis. Embora o aproveitamento energético tenha dependido historicamente da combustão convencional do bagaço, avançar rumo ao conceito de biorrefinaria exige, entre outras coisas, otimizar a eficiência termodinâmica. Para tanto, é necessário transformar as centrais térmicas e aproveitar ao máximo a energia da biomassa, incrementando os excedentes de eletricidade injetados na rede elétrica por meio de duas frentes tecnológicas: • Altas pressões em caldeiras e tecnologias avançadas de combustão: Consiste na implementação de ciclos regenerativos de alta pressão (106 bar e mais de 500 °C) combinados com a tecnologia de Leito Fluidizado Borbulhante (BFB). Este esquema incrementa o trabalho mecânico extraído nos turbogeradores e melhora a eficiência de combustão, fornecendo também a flexibilidade operacional necessária para processar biomassas heterogêneas;
Maximizar o potencial bioenergético da agroindústria canavieira exige modificar a concepção operacional das plantas de processamento atuais. A estratégia: complexos de biorrefinaria. "
Nicolás Javier Gil
Presidente da Associação Colombiana de Técnicos da Cana-de-Açúcar (Tecnicaña) e Diretor do Programa de Processos Industriais do Cenicaña
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Coautores: Andrés Felipe Ospina (Cenicaña) e Julián Esteban Lucuara (Asocaña)
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• Integração e densificação dos Resíduos Agrícolas da Colheita (RAC) na combustão: Aproveitamento de folhas e ponteiros derivados da colheita mecanizada crua. A densificação e o enfardamento do RAC facilitam sua logística e combustão, o que maximiza a geração elétrica ou libera bagaço para projetos de maior valor agregado. Por outro lado, a biotecnologia permite aproveitar o potencial bioenergético de coprodutos líquidos ou úmidos, como a vinhaça e a torta de filtro. A codigestão anaeróbia gera entre 20 e 40 metros cúbicos de biogás por metro cúbico de vinhaça, e entre 90 e 110 metros cúbicos por tonelada de torta de filtro. Mediante processos de purificação (upgrading), o dióxido de carbono é separado para obter biometano com pureza superior a 95%. As rotas potenciais deste biocombustível abrangem: • Injeção na rede de gasodutos: Por possuir características equivalentes às do gás natural de origem fóssil, o biometano pode ser injetado diretamente na rede de distribuição pública para abastecer de maneira sustentável os setores residencial, comercial e industrial; • Mobilidade sustentável (Biometano comprimido): O gás pode ser comprimido para uso como combustível veicular (Bio-GNV), descarbonizando a cadeia de suprimentos e abastecendo tanto as frotas próprias dedicadas à logística e transporte da cana-de-açúcar quanto veículos convencionais que operam com gás natural; • Geração elétrica: Com motogeradores especializados a biogás/biometano para a geração de eletricidade. Esta rota permite elevar ainda mais a injeção de excedentes de energia elétrica limpa na rede pública. A longo prazo, a consolidação integral das biorrefinarias incorporará a gaseificação termoquímica da biomassa, transformando o bagaço e o RAC em gás de síntese (syngas) composto por monóxido de carbono, hidrogênio molecular e metano. O aproveitamento deste gás de síntese abrirá novas fronteiras comerciais e operacionais para o cluster sucroenergético. No curto prazo, o syngas purificado – com poder calorífico próximo a 4 MJ/Nm³ – permite seu uso direto em motores de combustão ou microturbinas para geração elétrica. Da mesma forma, seu rendimento pode ser otimizado por meio de esquemas de cogaseificação, misturando o bagaço com outras biomassas para gerar sinergias que elevem ainda mais a qualidade do gás produzido. A longo prazo, a capacidade de gerar grandes volumes de syngas rico em hidrogênio capacitará as usinas a incursionar na petroquímica verde.
Por meio de processos catalíticos como Fischer-Tropsch, este gás poderá ser condensado para formar diesel sintético e olefinas, consolidando o papel do setor na descarbonização do transporte pesado e desvinculando progressivamente a indústria da dependência do petróleo. As exigências da transição energética global impuseram desafios importantes a setores de difícil eletrificação, como a aviação comercial e o transporte marítimo. Esses modais de transporte requerem vetores energéticos de altíssima densidade, impossíveis de suprir com tecnologias de baterias convencionais. Para a aviação, a fronteira tecnológica se consolida na produção de Combustíveis Sustentáveis de Aviação (SAF) por meio da rota química Alcohol-to-Jet (ATJ). Este processo avançado transforma o bioetanol anidro mediante etapas consecutivas: inicia-se com uma desidratação catalítica para formar etileno, seguida de uma oligomerização que monta cadeias de carbono mais longas, e conclui-se com a hidrogenação e o fracionamento para obter uma parafina sintética internacionalmente certificada. Paralelamente, a substituição do diesel marítimo viabiliza-se por duas rotas derivadas do bioetanol: sua aplicação direta em sistemas de propulsão naval adaptados para álcoois, ou sua transformação por meio da rota catalítica Alcohol-to-Diesel. Esta última ajusta os processos de desidratação e oligomerização para sintetizar hidrocarbonetos de cadeia longa, gerando um destilado marítimo totalmente compatível com as tecnologias de combustão e infraestrutura logística atuais. A evolução da bioenergia na agroindústria canavieira se desdobra rumo a um modelo de biorrefinaria avançada em três etapas. Embora o cenário atual se baseie na bioeletricidade do bagaço e no bioetanol para mistura, o médio prazo escala substancialmente a capacidade total ao integrar a bioeletricidade a partir do RAC e do biometano derivado da vinhaça e da torta de filtro. Rumo ao longo prazo, esta oferta diversifica seu alto valor agregado: a energia do RAC é canalizada para a geração de biohidrogênio, enquanto o bioetanol evolui para a síntese de combustíveis para a aviação e mobilidade marítima. Esta transição otimizada consolida o setor como um pilar na descarbonização de modais de transporte de difícil abatimento.
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Q Especial ATALAC-2026 - Guatemala
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ATALAC:
Integrando conhecimento, tecnologia e amizade A indústria latino-americana da cana-de-açúcar ocupa uma posição estratégica na produção mundial de açúcar, etanol e bioenergia. Em um cenário marcado pela busca por segurança energética, redução de emissões e crescente demanda por combustíveis renováveis, a América Latina possui vantagens competitivas únicas para consolidar sua liderança. A combinação de recursos naturais, experiência industrial e inovação tecnológica tem permitido a evolução para modernas biorrefinarias capazes de produzir açúcar, etanol, energia elétrica, biogás, biometano e outros produtos de alto valor agregado. Como profissional guatemalteco ligado há mais de três décadas à agroindústria açucareira latino-americana, fui testemunha da extraordinária evolução tecnológica e humana vivida pelo nosso setor. Essa experiência demonstrou que o sucesso sustentável depende tanto da inovação quanto da cooperação entre países, empresas e profissionais.
A evolução da agroindústria canavieira: O setor sucroenergético deixou de estar focado exclusivamente na produção de açúcar. Atualmente, os modernos engenhos e usinas operam como centros integrados de transformação de biomassa, contribuindo para a segurança alimentar, energética e ambiental de nossos países. O etanol continua sendo um dos principais motores dessa transformação. Além de seu uso consolidado no transporte terrestre, seu crescente potencial em combustíveis sustentáveis para aviação e transporte marítimo o posiciona como um dos biocombustíveis mais importantes para a transição energética global. Guatemala: um caso de sucesso: A Guatemala constitui um exemplo destacado do potencial da agroindústria sucroenergética na região. O País produz aproximadamente 65 milhões de galões de álcool por ano, exportando cerca de 80% de sua produção para mercados internacionais que exigem elevados padrões de qualidade e sustentabilidade. A produção inclui álcool potável e industrial com pureza de 96%, além de etanol desidratado para uso automotivo. Um passo histórico para o País foi a implementação da
O futuro da indústria sucroenergética dependerá cada vez mais de nossa capacidade de integrar conhecimento, inovação, sustentabilidade e cooperação internacional. "
Gustavo Guillermo Sagastume Matta Secretário da ATALAC - Guatemala
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gasolina com 10% de etanol (E10), estabelecida por Acordo Governamental, cuja comercialização obrigatória teve início em 2026. Os engenhos Magdalena, Pantaleón, Palo Gordo e Tululá lideram a produção nacional de álcool e etanol, contribuindo significativamente para a diversificação energética, a redução das emissões e o desenvolvimento econômico do País. A experiência guatemalteca demonstra que a integração entre açúcar, álcool, etanol e energia renovável gera valor agregado e fortalece a competitividade internacional. A importância estratégica da ATALAC: Diante dos desafios atuais e futuros, a cooperação técnica entre os países produtores é fundamental. Nesse contexto, a Associação dos Técnicos Açucareiros Latino-Americanos desempenha um papel estratégico no fortalecimento da indústria regional. Ao longo de décadas, a ATALAC consolidou-se como um espaço permanente de intercâmbio técnico e profissional entre especialistas, pesquisadores, executivos e empresas de toda a América Latina. Por meio de congressos, seminários, publicações e atividades de capacitação, a associação promove a difusão do conhecimento e a transferência de tecnologias que contribuem para o desenvolvimento sustentável e para a competitividade do setor. O valor humano e técnico dos congressos da ATALAC: Além da atualização tecnológica, os congressos da ATALAC oferecem algo igualmente valioso: a integração e a amizade entre os profissionais da agroindústria sucroenergética latino-americana. Participar desses eventos representa uma experiência enriquecedora tanto do ponto de vista técnico quanto humano. Os participantes compartilham experiências nas áreas de agricultura, indústria, manutenção, energia, etanol, recursos humanos e gestão empresarial, fortalecendo seus conhecimentos e criando novas oportunidades de colaboração. As conferências técnicas permitem conhecer as últimas tendências e inovações do setor, enquanto os dias de campo e as visitas a engenhos e destilarias proporcionam a oportunidade de observar novas tecnologias e realizar benchmarking com empresas líderes da região. Como profissional guatemalteco, participante ativo dos congressos da ATALAC há
mais de 30 anos e sócio da ATALAC e da ATAGUA por mais de três décadas, posso afirmar que muitas das relações construídas durante esses encontros perduram por toda a vida. As amizades geradas entre técnicos, empresários e suas famílias ultrapassam o âmbito profissional e tornam-se uma rede permanente de confiança, cooperação e apoio mútuo. Essa interação beneficia não apenas os profissionais, mas também as empresas e os países que representamos. Além disso, os congressos permitem conhecer diferentes culturas e formas de trabalho, fortalecendo a integração latino-americana e ampliando nossa visão sobre o futuro da indústria. Congresso ATALAC 2026: construindo o futuro: O Congresso ATALAC 2026, realizado em agosto, em Ribeirão Preto, Brasil, representa uma nova oportunidade para fortalecer os laços de cooperação, amizade e intercâmbio tecnológico que caracterizam nossa associação. Em um momento de profundas transformações para a bioenergia mundial, esse encontro permitirá compartilhar experiências, analisar tendências e fortalecer a liderança da América Latina na produção sustentável de açúcar, etanol e energia renovável. O futuro da indústria sucroenergética dependerá cada vez mais de nossa capacidade de integrar conhecimento, inovação, sustentabilidade e cooperação internacional. A ATALAC continuará desempenhando um papel fundamental como ponto de encontro dos profissionais da agroindústria latino-americana, conectando pessoas, compartilhando experiências e promovendo o desenvolvimento de novas tecnologias. Como guatemalteco, sinto-me orgulhoso de ter feito parte desta grande comunidade técnica durante mais de trinta anos e de ter contribuído para o intercâmbio de conhecimentos e experiências ao lado de profissionais de toda a América Latina. A história demonstra que os maiores avanços não nascem apenas da tecnologia, mas também da amizade, da confiança e da capacidade de trabalhar unidos em torno de objetivos comuns. Esse tem sido o verdadeiro legado e visão de líderes como José Paulo Stupiello, cuja contribuição para o desenvolvimento técnico e humano do setor permanece como uma referência para as atuais e futuras gerações. Esse espírito de cooperação continuará sendo a base da contribuição da ATALAC para o desenvolvimento da indústria açucareira, alcooleira e bioenergética da América Latina nas próximas décadas.
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Q Especial ATALAC-2026 - México
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Unidos transformando um futuro melhor Ao longo de sua trajetória, a Associação de Técnicos Açucareiros da América Latina e do Caribe (ATALAC) tem-se destacado por promover a unidade profissional e a colaboração entre técnicos, pesquisadores e especialistas industriais ligados ao setor sucroenergético de cada país. Ao formar uma vasta comunidade, a associação cria uma oportunidade estratégica para fortalecer a participação e a liderança de seus membros na indústria açucareira latino-americana. A experiência coletiva, o conhecimento e a expertise técnica representam uma contribuição valiosa para o desenvolvimento e a inovação, impulsionando o crescimento sustentável. A realização do evento da ATALAC em 2010 permitiu ao México estabelecer laços profissionais e técnicos com outros países, fomentando o intercâmbio de experiências e pesquisas, bem como o desenvolvimento de novas tecnologias e inovações – lançando as bases para as conquistas observadas atualmente. A indústria açucareira e derivados é um setor de grande importância no México, devido ao seu impacto econômico, industrial e social em toda a cadeia de valor – uma cadeia fortalecida pelo forte interesse e pelas contribuições de diversas nações.
A indústria açucareira e derivados tem grande importância no México, devido ao impacto econômico, industrial e social em toda a cadeia de valor – fortalecida pelo forte interesse e pelas contribuições de diversas nações "
Angélica Guerra Gutiérrez Comitê Organizador ATALAC 2026 pelo México
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Consequentemente, a participação ativa do México na ATALAC contribui não apenas para o fortalecimento de sua própria indústria, mas também para o desenvolvimento abrangente do setor sucroenergético em toda a América Latina e no Caribe. O México demonstrou sua capacidade de atuar como um polo de colaboração na comunidade global do setor sucroenergético. A realização de congressos da ATALAC – sendo o mais recente em 2010 – reflete a relevância do País e o reconhecimento que ele conquistou nessa comunidade técnica e profissional. Esses encontros fortaleceram os relacionamentos entre especialistas, instituições, empresas e organizações, criando oportunidades de colaboração em áreas como pesquisa, inovação tecnológica, eficiência de processos, manutenção industrial, sustentabilidade e aproveitamento de bioenergia.
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A participação do México ajuda a construir pontes entre a expertise nacional e as melhores práticas internacionais, promovendo o crescimento compartilhado e a melhoria contínua dos processos e tecnologias aplicados no setor. Por meio dessa colaboração internacional, o México pode continuar consolidando sua posição como um ator-chave na indústria sucroenergética, contribuindo com conhecimento, experiência e inovação, e ajudando a construir uma comunidade latino-americana cada vez mais integrada, competitiva e comprometida com o desenvolvimento sustentável. Atualmente, existem diversas iniciativas em todo o mundo voltadas para um mesmo propósito: proteger o meio ambiente por meio do uso responsável e sustentável dos recursos naturais. Essas ações buscam preservar a riqueza do nosso planeta e garantir um futuro melhor para as próximas gerações. Hoje, mais do que nunca, temos o compromisso de cuidar da vida e contribuir para o bem-estar da humanidade. Esse compromisso também impulsionou um universo de oportunidades, no qual a inovação, a educação, o conhecimento e a colaboração têm possibilitado o desenvolvimento de soluções que, há alguns anos, pareciam impossíveis. Um exemplo claro disso é o aproveitamento integral do bagaço da cana-de-açúcar. Tradicionalmente, o bagaço tem sido utilizado como biomassa para a geração de energia nas usinas sucroenergéticas, permitindo que elas sejam praticamente autossuficientes no abastecimento energético. Além disso, graças aos avanços tecnológicos, muitas usinas produzem excedentes de eletricidade que podem ser injetados na rede elétrica, contribuindo para o fornecimento de energia a residências, estabelecimentos comerciais e indústrias. Essa produção de energia limpa representa um importante benefício ambiental, ao reduzir a dependência de combustíveis fósseis e diminuir as emissões de gases de efeito estufa. Entretanto, as aplicações do bagaço vão muito além.
Atualmente, empresas de referência em todo o mundo produzem embalagens ecológicas e biodegradáveis fabricadas com fibras de bagaço, utilizadas na produção de copos, recipientes para bebidas e alimentos, embalagens para refeições e diversos outros produtos descartáveis. Esses materiais são compostáveis, resistentes e ambientalmente responsáveis, tornando-se uma alternativa sustentável aos plásticos convencionais. A cana-de-açúcar também nos deixa uma importante lição. Trata-se de uma planta resiliente, capaz de se adaptar, crescer e se transformar para oferecer inúmeros benefícios à sociedade. Ela nos lembra que sempre existe esperança e que, por meio da inovação, da pesquisa e do trabalho conjunto, é possível transformar desafios em oportunidades. Hoje, a indústria sucroenergética não produz apenas açúcar; também gera energia renovável, desenvolve biomateriais, impulsiona a economia circular e contribui para a construção de um futuro mais sustentável. A evolução desse setor demonstra que compromisso, eficiência, produtividade e responsabilidade ambiental podem caminhar juntos na construção de um mundo melhor para todos. Para concluir, gostaria de expressar meu mais sincero agradecimento pela oportunidade de fazer parte deste extraordinário e desafiador setor, que demonstra, dia após dia, que a inovação, a sustentabilidade e o compromisso constituem os pilares para a construção de um futuro melhor. É para mim uma verdadeira honra e uma grande distinção integrar o Comitê Organizador da ATALAC 2026, um espaço que reúne profissionais, pesquisadores, empresários e líderes comprometidos com o fortalecimento da indústria sucroenergética da América Latina e do Caribe. Sigamos trabalhando unidos, compartilhando conhecimento, promovendo a inovação e construindo um legado capaz de inspirar as futuras gerações. Afinal, cada ação que realizamos hoje representa uma semente para um mundo mais sustentável, mais próspero e repleto de esperança.
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Q Especial ATALAC-2026 - Venezuela Perspectiva na Venezuela sobre a viabilidade da bioenergia
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Após uma notável recuperação produtiva, o setor açucareiro venezuelano projeta o autoabastecimento a médio prazo e analisa as variáveis técnicas, genéticas e econômicas para diversificar sua matriz para a produção de bioetanol e a cogeração elétrica excedente. Para comprender o potencial bioenergético da Venezuela, é essencial revisar a evolução recente do setor açucareiro nacional. Durante o período 2005-2006, a indústria local alcançou um marco ao cobrir 80% do consumo interno, registrando uma produção de 744.247 toneladas de açúcar. Posteriormente, uma profunda recessão econômica afetou severamente a atividade, provocando uma contração na área cultivada e uma redução nos níveis de produtividade no campo. No entanto, os últimos quatro anos marcaram um ponto de inflexão. Graças a um processo sustentado de recuperação, projeta-se que, para este ano de 2026, a produção nacional consiga abastecer 50% da demanda interna. A Venezuela possui condições edafoclimáticas excepcionais para alcançar a soberania agroalimentar neste setor; um objetivo que, estimamos, poderia se consolidar nos próximos 4 anos. d
Em 2005, a indústria local cobriu 80% do consumo interno, com a produção de 744.247 ton de açúcar. Em 2026 deveremos atingir 50% da demanda interna. "
Eligio Silva
Presidente da Fesoca Federación Nacional de Asociaciones de Cañicultores de Venezuela
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Atualmente, 100% da matéria-prima processada nas usinas é destinada exclusivamente para garantir o suprimento de açúcar para a população. Uma vez consolidado o autoabastecimento, o próximo passo natural e histórico será a incursão formal na produção de biocombustíveis. Embora a frota veicular venezuelana esteja tecnicamente capacitada para absorver imediatamente misturas de gasolina entre 5% e 10% de etanol, a transição para energias limpas requer um planejamento estratégico. O País deve se preparar para modernizar a infraestrutura industrial existente sob um esquema dual (açúcar e álcool). Essa transformação exigirá investimentos significativos, tanto de financiamento nacional quanto internacional, para diversificar a produção sob um modelo plenamente bioenergético. Historicamente, a condição da Venezuela como país petrolífero com vastas reservas gerou um cenário de combustíveis altamente subsidiados, o que representava uma concorrência assimétrica e desfavorável para as alternativas renováveis.
Opiniões Multilingual Edition
No entanto, a progressiva redução desses subsídios em tempos recentes está devolvendo a atratividade e a competitividade econômica ao mercado de biocombustíveis. Isso demonstra que a produção de bioetanol em escala comercial na Venezuela é não apenas viável, mas necessária a médio e longo prazos. Este processo de transição pode começar de forma escalonada utilizando melaço nas usinas de maior capacidade instalada, como o Central Azucarero Portuguesa, para destilar álcool industrial ou combustível em pequena escala. Dessa forma, resguarda-se a produção de açúcar enquanto o setor agrícola se expande, diversifica e prepara o campo com áreas dedicadas exclusivamente ao plantio de cana para fins energéticos. Sob a visão da economia circular, o bagaço resultante da moagem representa outro ativo de alto valor. Na atualidade, as usinas venezuelanas já cogeram energia a partir do bagaço para cobrir o autoconsumo de suas instalações de maneira eficiente. Embora a venda de excedentes para a rede pública esteja regulamentada, a possibilidade de injetar energia no Sistema Elétrico Nacional constitui uma opção latente e estratégica que poderia se materializar mediante investimentos específicos em turbinas e caldeiras.
O suporte científico deste avanço repousa na Fundación Azucarera para el Desarrollo, la Productividad y la Investigación – Fundacaña, um centro de pesquisa que acumula 27 anos de trajetória no País. Através de seu Programa de Melhoramento Genético (PMG), a Fundacaña desenvolve as variedades de cana convencionais "FV" (Fundacaña-Venezuela). Atualmente, o principal critério de seleção destas variedades é o Açúcar Total Recuperável (ATR), com o objetivo de maximizar a rentabilidade financeira por hectare para o produtor. Paralelamente, estão sendo reativadas as trocas de germoplasma e variedades com instituições aliadas da América Latina, impulsionando a transferência tecnológica regional. No momento em que se formalizar a produção de etanol e a comercialização de energia para a rede elétrica, o programa genético adaptará suas linhas de pesquisa para incluir novos descritores de seleção, tais como o incremento no conteúdo de fibra. A produção de bioetanol e a diversificação energética na Venezuela são metas completamente factíveis e urgentes a médio prazo. Com o apoio do investimento, da ciência e do manejo sustentável, o setor açucareiro venezuelano está destinado a ser um ator chave na preservação ambiental e na transição energética da região.
PRODUÇÃO DE AÇÚCAR NA VENEZUELA DE 1998 A 2025 (EM TONELADAS) 800.000 700.000 600.000 500.000 400.000 300.000
593.834
642.259
577.394
597.766
610.962
676.304
697.841
744.247
722.815
676.852
611.648
466.805
461.091
472.140
523.349
514.156
402.373
253.070
295.531
250.616
168.295
162.032
195.971
229.599
307.384
335.554
376.843
359.708
2000-01
2001-02
2002-03
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no r a i c n u An o de Anuári abilidade t Susten 6992 2 2 1 8 16 9
Se sua empresa é fornecedora do sistema bioenergético, ainda dá tempo. O Anuário de Sustentabilidade do sistema Sucroenergético da Revista Opiniões tem o objetivo de registrar as centenas de ações sociais e ambientais, diariamente realizadas pelas empresas produtora de etanol, açúcar, bioeletricidade, biogás, biometano, biohidrogênio, por todo o Brasil.
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Fechamento: 23 Set 2026
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ISSN: 2177-6504
2024
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2014
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ISSN: 2177-6504
2015
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Fechamento: 23 Jun 2027
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Revista Opiniões: a revista mundial do agronegócio brasileiro. Opiniões Magazine: The world magazine of Brazilian agribusiness.
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Free Continuing Educa Imagine if you found out that the doctor you're going to have heart surgery with the next morning graduated 20 years ago as the top student in his class at the best medical school in the country. Pretty good, right? However, in the last 20 years, he hasn't read any books, attended any conferences, or regularly read specialized magazines in his medical field. Would you have the surgery done in peace?
ation In our field, how many technologies have been developed and implemented in these two decades as state-of-the-art, only to be replaced after some time by a new, much more effective and efficient option, which would take the place of the previous one, until it too was replaced by an even newer one? How many pests and diseases have appeared, disappeared, and some have even returned? How many techniques have been replaced in the last 20 years? No knowledge is truly eternal. University is always up-to-date, but only until the day you graduate. Books, likewise, are up-to-date until the day they are published. The options that are continuously updated are conferences and regular publications in the fields. Knowing this scenario and what it has come to represent in these 23 years of operation for universities, research centers, and companies in the agricultural and forestry sectors, Opinions Magazine decided to open free registration so that all students, professors, and scientists from all agricultural knowledge courses from anywhere in the world can receive all of our publications.
Expanding the Continuing Education project, we have also decided to open free registration to all employees in the technical, agricultural, industrial, and administrative areas of companies that produce and supply forestry and bioenergy systems from anywhere in Brazil and the world. Access to targeted information is the most efficient way to unify and update knowledge among all employees in management positions, as well as to prepare employees on the rise to assume these positions. This is the most natural way to generate Continuing Education. To start receiving regular, free issues of our magazines, simply send an email with the information below:
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All articles in Opinions Magazine are published in 7 languages: Portuguese, Spanish, English, French, Chinese, Arabic, and Hindi, covering the languages spoken by an incredible number of over 4 billion people. The goal is for the student, from the very first day of class, to participate in the business world into which they will integrate in a few years, already possessing up-to-date knowledge of what is being discussed, evaluated, and implemented in companies. Many of the executives and scientists who write for Opinions Magazine today have stated that they have been reading our editions since they were still students at universities.
William Domingues de Souza Editor-in-Chief of Opiniões Magazines WDS@RevistaOpinioes.com.br WhatsApp (only): +55 16 99777-7799
Educação Continuada Imagine se você descobrisse que o médico com o qual você vai fazer uma cirurgia cardíaca na manhã seguinte se formou há 20 anos como o melhor aluno da sua classe, na melhor faculdade de medicina do País. Muito bom, não? Entretanto, nos últimos 20 anos, ele não leu nenhum livro, nem participou de nenhum congresso, nem teve por costume ler regularmente revistas especializadas da sua área médica. Você faria a cirurgia em paz?
Gratuíta No que se refere a nossa área, quantas tecnologias foram desenvolvidas e implantadas nessas duas décadas como o estado da arte e, depois de algum tempo, substituídas por uma nova opção, muito mais eficaz e eficiente, que tomaria o lugar da anterior, até ser igualmente substituída por uma mais nova ainda.
Ampliando o projeto de Educação Continuada, decidimos também abrir as inscrições gratuitas para todos os funcionários das áreas técnicas, agrícolas, industriais e administrativas das empresas produtoras e fornecedoras dos sistemas florestal e bioenergético de qualquer parte do Brasil e do mundo.
Quantas pragas e doenças apareceram, desapareceram, e algumas até voltaram? Quantas técnicas foram substituídas nesses últimos 20 anos?
O acesso à informação dirigida é a mais eficiente forma de unificar e atualizar o conhecimento entre todos os funcionários em cargos de comando, bem como preparar os funcionários em ascensão para assumir estes cargos. Esta é a mais natural forma de gerar a Educação Continuada.
Nenhum conhecimento é definitivamente eterno. A faculdade está sempre atualizada, mas tão somente até o dia da sua formatura. Os livros, igualmente, até o dia da sua publicação. As opções que são continuadamente atualizadas são os congressos e as publicações regulares das áreas. Conhecendo esse cenário e o que passou a representar nesses 23 anos de operação para as universidades, centros de pesquisa e empresas do sistema agrícola e florestal, a Revista Opiniões decidiu abrir inscrições gratuitas para que todos os estudantes, professores e cientistas de todos os cursos de agroconhecimento de qualquer parte do mundo, passem a receber todas as nossas publicações.
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