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O que há de modelo hoje na agricultura do sistema sucroenergético - OpAA60

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Opiniões www.RevistaOpinioes.com.br

ISSN: 2177-6504

SUCROENERGÉTICO: cana, açúcar, etanol & bioeletricidade ano 16 • número 60 • Divisão C • Mai-Jul 2019

o que há de moderno hoje na área agrícola do sistema sucroenergético


o que é moderno hoje no setor agrícola do sistema sucroenergético

índice

Editorial:

6

Sizuo Matsuoka Cientista da Vignis

Produtor rural:

28

Ismael Perina Produtor Rural

Centros de P&D:

31 34

Heitor Cantarella

Diretor do Centro de Solos e RA do IAC

Edelclaiton Daros

Professor Titular da UF-PR

Produtores:

8 11 14 16 18

Carlos Daniel Berro Filho

20 22 25

José Antonio Bressiani

Diretor Agrícola da Biosev

José Olavo Bueno Vendramini

Gerente de Desvmto e Tecnologia Agrícola da Tereos

Rodrigo Rodrigues Vinchi

Diretor de Tecnologia Agrícola da ATVOS

Abel de Miranda Uchôa

Consultores:

36 38 40

Gerente Agrícola e Diretor de Op Agroindustriais da Cerradinho Bioenergia, respectivamente

Diretor da Datagro Alta Performance

João Paulo Pivetta

Consultor Independente do sistema sucroenergético

Marcelo de Almeida Pierossi

Consultor da Lidera Consultoria e Projetos

Fornecedores do sistema:

Diretor Geral da SJC Bioenergia

Murilo Naves Ferreira e Luiz Augusto Resende Nascimento

Paulo Zancaner Castilho

43 45

Adriano Terra Fernandes

Gerente de Desv de Produto da Sergomel

Artur Eduardo Monassi

Presidente da Tracan Máq e Sistemas para Agricultura

Diretor de Tecnologia Agrícola da GranBio

Luis Augusto Contin Silva, Guto

Gerente de Prod Agrícola da Usina Alta Mogiana

Cassio Manin Paggiaro

Superintendente da Usina Atena

Editora WDS Ltda e Editora VRDS Brasil Ltda: Rua Jerônimo Panazollo, 350 - 14096-430, Ribeirão Preto, SP, Brasil - Pabx: +55 16 3965-4600 - e-Mail Geral: Opinioes@RevistaOpinioes.com.br n Diretor Geral de Operações e Editor Chefe: William Domingues de Souza - 16 3965-4660 - WDS@RevistaOpinioes.com.br nCoordenadora Nacional de Marketing: Valdirene Ribeiro Souza - Fone: 16 3965-4606 - VRDS@RevistaOpinioes.com.br nVendas: Lilian Restino - 16 3965-4696 - LR@RevistaOpinioes.com.br • Priscila Boniceli de Souza Rolo - Fone: 16 99132-9231 - boniceli@globo.com nJornalista Responsável: William Domingues de Souza - MTb35088 - jornalismo@RevistaOpinioes.com.br nProjetos Futuros: Julia Boniceli Rolo - 2604-2006 - JuliaBR@RevistaOpinioes.com.br nProjetos Avançados: Luisa Boniceli Rolo - 2304-2012 - LuisaBR@RevistaOpinioes.com.br nConsultoria Juridica: Priscilla Araujo Rocha nCorrespondente na Europa (Augsburg Alemanha): Sonia Liepold-Mai Fone: +49 821 48-7507 - sl-mai@T-online.de nExpedição: Donizete Souza Mendonça - DSM@RevistaOpinioes.com.br nCopydesk: Roseli Aparecida de Sousa - RAS@RevistaOpinioes.com.br nEdição Fotográfica: Priscila Boniceli de Souza Rolo - Fone: 16 99132-9231 - boniceli@globo.com nTratamento das Imagens: Luis Carlos Rodrigues, Careca - LuisCar.rodrigues@gmail.com - 16 98821-3220 n Finalização: Douglas José de Almeira nArtigos: Os artigos refletem individualmente as opiniões pessoais sob a responsabilidade de seus próprios autores nFoto da Capa: Acervo da Biosev nFoto do Índice: Acervo da Biosev nFotos das Ilustrações: Paulo Alfafin Fotografia - 19 3422-2502 - 19 98111-8887- paulo@pauloaltafin.com.br • Ary Diesendruck Photografer - 11 3814-4644 - 11 99604-5244 - ad@arydiesendruck.com.br • Tadeu Fessel Fotografias - 11 3262-2360 - 11 95606-9777 - tadeu.fessel@gmail.com • Acervo Revista Opiniões e dos específicos articulistas nFotos dos Articulistas: Acervo Pessoal dos Articulistas e de seus fotógrafos pessoais ou corporativos nVeiculação Comprovada: Através da apresentação dos documentos fiscais e comprovantes de pagamento dos serviços de Gráfica e de Postagem dos Correios nTiragem Revista Impressa: 5.000 exemplares nExpedição Revista eletrônica: 23.400 e-mails cadastrados - Cadastre-se no Site da Revista Opiniões e receba diretamente em seu computador a edição eletrônica, imagemn fiel da revista impressa nPortal: Estão disponíveis em nosso Site todos os artigos, de todos os articulistas, de todas as edições, de todas as divisões das publicações da Editora WDS, desde os seus respectivos lançamentos nAuditoria de Veiculação e de Sistemas de controle: Liberada aos anunciantes a qualquer hora ou dia, sem prévio aviso nHome-Page: www.RevistaOpinioes.com.br

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Conselho Editorial da Revista Opiniões: ISSN - International Standard Serial Number: 2177-6504 Divisão Florestal: • Amantino Ramos de Freitas • Antonio Paulo Mendes Galvão • Celso Edmundo Bochetti Foelkel • Edimar de Melo Cardoso • João Fernando Borges • Joésio Deoclécio Pierin Siqueira • Jorge Roberto Malinovski • Luiz Ernesto George Barrichelo • Maria José Brito Zakia • Mario Sant'Anna Junior • Mauro Valdir Schumacher • Moacir José Sales Medrado • Nairam Félix de Barros • Nelson Barboza Leite • Roosevelt de Paula Almado • Rubens Cristiano Damas Garlipp • Sebastião Renato Valverde • Walter de Paula Lima Divisão Sucroenergética: • Carlos Eduardo Cavalcanti • Eduardo Pereira de Carvalho • Evaristo Eduardo de Miranda • Jaime Finguerut • Jairo Menesis Balbo • José Geraldo Eugênio de França • Manoel Carlos de Azevedo Ortolan • Manoel Vicente Fernandes Bertone • Marcos Guimarães Andrade Landell • Marcos Silveira Bernardes • Nilson Zaramella Boeta • Paulo Adalberto Zanetti • Pedro Robério de Melo Nogueira • Plinio Mário Nastari • Raffaella Rossetto • Tadeu Luiz Colucci de Andrade • Xico Graziano


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editorial de abertura

um sério olhar para o futuro Terminada mais uma safra, vem a decepcionante constatação: produziu-se menos do que na safra anterior. Mas, qual safra? Já há várias safras que se repete tal fato. Essa regressão ocorre não apenas no total de cana moída, mas também na produtividade. Nesse quesito, lembrou um analista, estamos ao nível do início do Proálcool, ou seja, de 40 anos atrás. E o pior é que o custo de produção vem aumentando ano a ano. E os analistas apontam que, para que a atividade seja remunerada positivamente nesse atual patamar de custo, seria preciso aumentar a produtividade em 12 t a 14 t por hectare, pelo menos. Mesmo assim, se estará abaixo da meta de produtividade de três dígitos almejado por muitos. O que fazer? Obviamente que todos estão dando o melhor de si para suplantar esse óbice e sempre esbarram num obstáculo comum: a variedade. Sem ela não há melhoria agronômica que possa resolver. E, então, muitos esperam pela variedade milagrosa que possa trazer o tão almejado salto em produtividade. Pragmaticamente, os milagres não acontecem.

Criou-se a ideia de que a cana energia tem muito baixo teor de sacarose, imprestável mesmo para se fazer etanol. Isso não é verdade. "

Fernando

Cerradinho Bionergia

Sizuo Matsuoka Cientista da Vignis

No caso, a questão é genética, como tivemos oportunidade de analisar nesta mesma revista há cinco anos (nº 40, de abr-jun de 2014, p. 48-49) e, para não ser repetitivo, vamos desenvolver o tema mais genericamente, enfocando o princípio que rege a produtividade das variedades. Então, as variedades de cana são as reais culpadas? Absolutamente. Elas são boas. Os especialistas em irrigação que o digam.

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Quando adequadamente irrigadas, sob condições de solo e irradiação apropriadas, elas produzem mais do que o triplo da média em situação de sequeiro, este que é a maioria da cana produzida no Brasil, ou seja, chegam muito próximo ao potencial teórico da espécie. Eureca! Então a culpada é a seca. Sim, mas a seca é apenas uma delas, ainda que possa ser a mais significativa, na maioria das vezes. Porém há outros culpados, como sempre os analistas reconhecem. Todos esses réus atuam, na verdade, integrados e não isoladamente e se constituem os chamados estressores, aqueles que causam estresse. Sim, as variedades, como qualquer ser vivo, sofrem estresses. Todo agrônomo aprende nos bancos escolares que, no processo de melhoramento genético, os candidatos à variedade são submetidos a testes em variados ambientes, e anos, para se determinar sua adaptabilidade aos ambientes específicos e sua estabilidade em diferentes anos, justamente porque os fatores ambientais mudam de local para local e de ano para ano no mesmo local, ou seja, essas variações causam estresses em diferentes níveis. Aqueles que mostrarem melhor desempenho naquelas condições são os que têm melhor adaptabilidade e melhor estabilidade, ou seja, maior resiliência. Resiliência significa a capacidade que tem um ser, ou material, ou sistema, em retornar total ou parcialmente ao seu estado anterior após sofrer um estresse qualquer, a seca sendo um caso recorrente e chamativo; em casos extremos, não há volta.


Opiniões No caso da seca, todos sabem que as variedades se diferenciam entre si quanto ao seu efeito, tanto em duração como em intensidade e, ainda, se diferenciam na capacidade de recuperação. Em suma, elas se diferenciam em níveis de resiliência. Em um século de melhoramento genético, se estabeleceu um paradigma de dualidade de características: baixo teor de fibra e alto conteúdo de sacarose. Em grande medida, essas duas características são antagônicas, ou seja, a fibra é necessária para dar maior resiliência, contrariamente à sacarose, que traz consigo os genes de menor resiliência. No equilíbrio entre fibra e sacarose que se quer das variedades (entre 10% e 12% de fibra e mais de 14% se sacarose, a grosso modo), limita-se muito a resiliência e, consequentemente, a produtividade em condições de sequeiro. Tirando-se a trava da fibra, ou seja, aceitando-se teores de fibra acima de 15%, é possível se ter variedades com maior resiliência, maior teor, maior resiliência, genericamente falando, podendo-se chegar acima de 25% de fibra; nesse caso, com teor de sacarose insignificante. Intrinsicamente, o que regula o teor de fibra é a participação do genoma de espécies selvagens de Saccharum, especialmente de S. spontaneum, uma espécie que, na natureza, evoluiu enfrentando todo tipo de estresse, tanto de regime hídrico, de clima, de solo, etc. Nas variedades de cana-de-açúcar, a participação relativa é de cerca de 80% de genoma de S. officinarum, a espécie sacarina, de baixa fibra, e 20% de S. spontaneum, a espécie fibrosa, mais rústica, ou seja, mais resiliente. Em variedades de cana, pequenas variações nesses teores, dentro daqueles limites estabelecidos, é que conduz às variações de resiliência que se observa na prática. Porém, para romper o patamar de produtividade a que se chegou nas variedades convencionais (não apenas no Brasil, mas no mundo todo), não basta aquelas pequenas variações, é preciso aumentar significativamente a resiliência. Não há outro recurso. E fazer isso é relativamente fácil: não é promessa para futuros 10 ou mais anos, a tecnologia já está disponível no melhoramento genético convencional. E, porque ele é corriqueiro, não se dá o devido valor. Em qualquer sociedade, quebrar um paradigma centenário é sempre muito difícil. Arraigou-se o conceito de que o bom é o baixo teor de fibra, e quebrar esse paradigma requer banir o conservadorismo, ou seja, requer um espírito revolucionário, inovador. Embora a cana-de-açúcar, como a própria denominação aponta, sempre foi explorada pela sacarose que ela produz, não é de hoje que a fibra tem mostrado seu valor como gerador de energia, tornando as indústrias sucroalcooleiras autossuficientes em energia térmica e elétrica e até gerando excedente elétrico para injetar na rede pública.

Aliás, o setor tem dado exemplar contribuição ao esforço nacional e internacional de mitigação dos gases de efeito estufa com a geração de energia através do bagaço como suplemento à energia renovável, o etanol. Mas pode dar muito mais. Com variedades de mais alto teor de fibra, será possível mais do que duplicar a capacidade geradora de eletricidade e, ainda, contribuir para, definitivamente, viabilizar a produção de etanol de segunda geração (E2G), porque haverá muito mais bagaço à disposição e, inclusive, folhas, com esse novo tipo de cana. Convencionou-se chamar esse novo tipo de cana de cana energia, justamente porque, energeticamente falando, se tem mais energia final por unidade de área, considerando todas as diferentes formas de energia que ela fornece, além da energia alimentar. Em verdade, é uma cana multiuso, como também se tem nomeado. Aqui, há necessidade de se fazer uma ressalva. Criou-se a ideia de que a cana energia tem muito baixo teor de sacarose, imprestável mesmo para se fazer etanol. Isso não é verdade. Através do melhoramento genético, tem sido possível criar variedades que têm, no mínimo, 100 de ATR, mantendo as outras características conhecidas da cana energia. Essas variedades permitem rendimento de etanol de primeira geração (E1G) por área até maior do que as variedades convencionais, além da já mencionada maior produção de bagaço. Melhor ainda, e isso é surpresa para todos, já foram criadas novas gerações que têm ATR comparável ao das variedades convencionais, com teor de fibra relativamente elevado. Estas certamente serão as primeiras variedades desse novo tipo de cana a abrirem a cancela dessa grande avenida da inovação que está para acontecer. Se a cana-de-açúcar é considerada uma grande contribuinte ao esforço mundial de mudança de paradigma da civilização do petróleo para uma ambientalmente mais sustentável, a cana energia pode aumentar ainda mais essa contribuição. Nessa nova forma, ela acrescentará não somente mais combustível líquido renovável e mais energia térmica e elétrica, como também inúmeros outros produtos e subprodutos a partir de outras substâncias químicas produzidas diretamente pela planta, ou indiretamente por transformações laboratoriais dos produtos básicos, como o exemplo concreto do plástico biodegradável, o biogás, enfim, abrir a porta da alcoolquímica, sem falar em produtos para a química fina, em fármacos, etc. Enfim, a grande revolução será mesmo as indústrias sucroalcooleiras se transformarem em biorrefinarias, tão grandiosas como são as petrolíferas, porém descentralizadas, o que traz vantagens econômica, estratégica e social. É um sério olhar para o futuro, como me expressei naquele artigo. A decisão está com o setor − e urge. n

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produtores

Opiniões

evolução do modelo de produção da cana-de-açúcar O sistema sucroenergético tem passado, nos últimos anos, por muitas mudanças e atualizações no modo de produção agrícola, e de maneira rápida. Não muito tempo atrás, utilizávamos sistemas operacionais estritamente relacionados ao uso da mão de obra manual, enquanto, hoje, temos a mecanização em todas as etapas do processo. O plantio, que sempre foi realizado com corte de muda e de forma manual, deu lugar às plantadoras; a colheita, que antes era de cana queimada, que assim permitia a colheita manual, deu lugar à colheita mecânica de cana crua.

Somada às mudanças de sistemas operacionais, a produção de cana-de-açúcar adentrou no cerrado, em terras de menor fertilidade, exigindo, assim, práticas agronômicas mais intensivas e adoção de variedades com maior adaptabilidade a essa condição. Nessa virada de modelo de produção, alguns componentes se mostraram favoráveis ao incremento de produtividade e acompanharam a evolução da agricultura. Dessa forma, segue um breve resumo do que temos de moderno na área agrícola atualmente: Preparo de solo: nos dias atuais, tem-se buscado preparos de solo com o mínimo de interferência possível. Via de regra, devemos garantir que o solo não esteja compactado e que esteja quimicamente corrigido, com o mínimo de interferência (entenda quantidade de operações) possível, preservando, assim, sua matéria orgânica e condição original de agregação, reduzindo erosões e, também, o custo de preparo. Importante destacar, neste ponto, a contribuição importante conseguida com o aumento de rotação de culturas, seja utilizando soja, amendoim, crotalária ou demais, com incrementos substanciais, tanto do aspecto técnico quanto do aspecto econômico.

Impossível não dar lugar de destaque para a maior inovação para o aumento de produtividade e redução de custos nos tratos culturais: o uso da vinhaça aplicada localizada na linha de cana-de-açúcar na forma de adubo "

Carlos Daniel Berro Filho Diretor Agrícola da Biosev


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produtores Plantio: o plantio de cana vem sendo amplamente discutido em praticamente todos os fóruns técnicos do setor. Se, por um lado, o plantio manual trazia uma operação passível de falhas e todos os seus problemas relacionados, por outro, os sistemas mecanizados com sua proposta tecnológica, de plantio de toletes, não conseguiu garantir a mesma produtividade agrícola. A operação mecanizada ainda possui dois problemas básicos: os danos causados aos toletes e às gemas, visuais ou não, pelo sistema de colheita com colhedoras e transbordamentos seguidos de esteiras nas plantadoras, seja pelo seu sistema pouco preciso de dosagem na quantidade de mudas no sulco. Como solução, desenvolvemos os programas de produção de MPB (Mudas Pré-Brotadas), que consistem em sistema de plantio via meiosi com o uso de MPBs intercaladas com soja, amendoim ou crotalária, e sua desdobra, de forma manual. Desde então, conseguimos taxas de multiplicação ultrapassando 1x10, e hoje tem-se mostrado o sistema de melhor resultado técnico e econômico. Tratos culturais: passando pelos tratos culturais, o que se observa é que, com o advento das novas variedades a cana-de-açúcar, passou-se a produzir mais e, dessa forma, exigir mais nutricionalmente. Devido a seu novo perfil de perfilhamento, o canavial, hoje, tem melhor fechamento, a brotação do plantio e da soqueira é melhor e, dessa forma, o controle de plantas daninhas, ainda importante, foi facilitado. O controle de pragas continua tendo uma importância significativa, mas as soluções existentes para controle são efetivas e, assim, garantem bons resultados. O que temos hoje de mais moderno no assunto de tratos culturais invariavelmente passará por uso dos resíduos do processo produtivo, ou seja, a aplicação de torta de filtro, fuligem e vinhaça ao máximo possível nas áreas de cana, nutrindo o canavial por meio de fontes com matéria-orgânica, reduzindo custos na aquisição de fertilizantes e corretivos e balanceando, assim, a produção. Os micronutrientes e a adubação foliar ganharam força, pois o canavial tem genética para responder aos ganhos por esses proporcionados, e, mais recentemente, os ganhos relacionados ao uso de fungicidas e bioestimulantes têm ganhado destaque. Impossível não dar lugar de destaque para aquela que hoje seja talvez a maior inovação para o aumento de produtividade e redução de custos nos tratos culturais: o uso da vinhaça aplicada localizada na linha de cana-de-açúcar na forma de adubo, concentrada ou não, reduzindo custos com fertilizantes e trazendo inúmeros benefícios que se traduzem em aumento de produtividade agrícola.

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Colheita: a operação de colheita desde sua concepção da forma mecanizada teve inúmeras inovações que conferiram maior eficiência, ano após ano. Em um primeiro momento, é importante destacar que o inimigo número um dos sistemas de colheita mecanizados, o pisoteio, hoje é um problema facilmente solucionável com as tecnologias existentes, usando equipamentos com “bitolas” ajustadas e embarcados de sistemas de GPS. Assim, a colheita mecânica não pisa mais sobre as soqueiras e deixa de afetar a produtividade nos próximos cortes. Associado a estes, atualmente a colheita conta com computadores de bordo e uma clara sistemática de checklist e procedimentos operacionais padrão que convergem para uma colheita de baixo custo, alto rendimento e muito baixo impacto na produtividade agrícola do canavial. Importante aqui destacar a grande contribuição dos programas de melhoramento de variedades, que conseguiram trazer um perfil varietal adaptado a essa condição de colheita mecânica, tendo no perfilhamento sua maior virtude, seguido pela busca de materiais eretos, ou seja, de mais fácil colheita e limpeza, não levando impurezas para a indústria. Por fim, de mais moderno, estamos vivendo a entrada da internet no campo, transformando gradativamente a operação agrícola do setor sucroenergético automatizada e controlada por sistemas centralizados que mensuram e retornam para as frentes de trabalho o status atual em tempo real, de forma a obter o máximo rendimento de cada operação. Os avanços no desenvolvimento de novas variedades trouxeram a cana-de-açúcar novamente com fitotecnia apropriada para esses novos modelos mecanizados de produção industrial, garantindo alta produtividade e longevidade. A adoção de sistemas de preparo reduzido, com meiosi rotacionada com leguminosas e linhas mãe e viveiros através de MPBs, tem garantido que a produtividade da cana planta seja elevada e o custo de formação, reduzido. O uso dos resíduos, aumento da matéria orgânica e entrada dos micronutrientes, fungicidas e bioestimulantes, somados às práticas existentes, têm elevado a produtividade agrícola da lavoura. A colheita embarcada com sistemas GPS e com computadores de bordo e automação, somada a programas de reciclagem e formação de operadores, tem garantido que o custo logístico dessa operação reduza significativamente, e seu impacto na produtividade agrícola do canavial seja mínima, assim como as impurezas. n


Opiniões

o que é e o que será O conceito de agricultura moderna nos leva a uma viagem no tempo. Estamos no final do século XVIII e no começo do século XIX, em meio à primeira Revolução Industrial proporcionada pelo uso da energia a vapor e da eletricidade. Esses novos elementos descobertos pelo homem deram início ao processo de mecanização, legado de um primeiro grande movimento fabril. Mais do que a era que uniu mecanização e novas práticas, a Revolução Industrial foi o embrião de processos disruptivos, que beneficiaram não apenas a indústria, mas também a agricultura. O legado dessa fase permitiu a chegada de novos implementos agrícolas e o aumento da produção, que foram intensificados pelo uso de tratores, colheitadeiras e semeadeiras. De lá para cá, muita coisa mudou, muito se aperfeiçoou. Agora, vivemos a era do 4.0, da linha de produção, da automação, do Big Data. E, novamente, a agricultura se transforma, trazendo a necessidade de um novo olhar.

Agora, vivemos a era do 4.0, da linha de produção, da automação, do Big Data. E, novamente, a agricultura se transforma, trazendo a necessidade de um novo olhar. "

José Olavo Bueno Vendramini Gerente de Desenvolvimento e Tecnologia Agrícola da Tereos

moderno

O desenvolvimento, a utilização da tecnologia e a inovação nos levam a uma outra fase, com foco em sustentabilidade e meio ambiente. Como a agricultura pode contribuir para reduzir o uso de recursos naturais ao mesmo passo em que a demanda por alimentação em todo o mundo cresce? A resposta é a Revolução Verde. Nesse cenário, o setor sucroenergético pode delinear algumas tendências. E não apenas para a cana-de-açúcar, mas também para diversas outras culturas. O desafio está em consolidar a produção sob alguns aspectos: uso intensivo de tecnologia, agricultura de precisão, pesquisa e desenvolvimento e qualidade na operação agrícola para a máxima exploração do potencial de cada ambiente produtivo.


produtores Tecnologia e mecanização Novas tecnologias que ajudam a garantir aumento de produtividade são frequentemente incorporadas aos sistemas produtivos. E aquelas que atualmente são empregadas pela área agrícola são consideradas de ponta, em especial as utilizadas na região Centro-Sul do País, onde está concentrada a maior parte da produção sucroenergética. A intensa mecanização das operações dos canaviais também se apresenta de forma consolidada. O uso de piloto automático e a adequação de bitola dos equipamentos, por exemplo, permitem reduzir significativamente o pisoteio e o tráfego, ajudando a preservar e a aumentar a longevidade dos canaviais. Na mesma linha, a associação da qualidade do solo, das condições climáticas e do uso de tecnologia de ponta colocam a cana-de-açúcar como uma das mais promissoras fontes de biomassa. A cogeração a partir do bagaço da cana tem importância estratégica para o País, uma vez que a produção é realizada no período de estiagem, favorecendo o maior nível de água nos reservatórios das hidroelétricas durante uma época do ano em que a economia de água se torna ainda mais necessária. Em outras palavras, energia a partir de uma fonte renovável traz vantagens ambientais. Para se ter uma ideia de o quanto essa fonte é importante e está em consonância com os programas de preservação ambiental, em 2018 a bioeletricidade se consolidou como a terceira fonte mais importante na Oferta Interna de Energia Elétrica (OIEE) no País, conforme dados apresentados pelo Ministério de Minas e Energia (MME), atrás da geração hídrica (67%) e do gás natural (8,5%). A fonte biomassa gerou 52,5 TWh, incluindo a geração destinada ao autoconsumo, representando 8,3% de toda a oferta interna. Com a perspectiva do início do programa RenovaBio, em 2020, o cenário é ainda mais promissor, e a cogeração deve aumentar, já que a prerrogativa do projeto é fazer com que o Brasil reduza as emissões de gases de efeito estufa. Agricultura de precisão A aplicação de agricultura de precisão está diretamente ligada à evolução tecnológica. Cada vez mais recorrentes, soluções e ferramentas de tecnologia são determinantes para avaliar de maneira precisa as mais diversas condições relacionadas ao ciclo produtivo. E isso acontece graças a equipamentos sofisticados que, a partir de dados específicos de áreas georreferenciadas, proporcionam uma aplicação mais direta de soluções, que diminuem prejuízos, ampliam a produtividade e potencializam ganhos. O desenvolvimento e a utilização de sensores nos processos agrícolas permitem mensurar e acompanhar, em tempo real, uma série de parâmetros operacionais e de qualidade, como produtividade, profundidade e velocidade de trabalho,

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Opiniões elementares para que tenhamos uma visão representativa das áreas de produção e dos processos, permitindo, assim, a tomada de decisões. Um exemplo dessa agricultura mais assertiva é a aplicação de fertilizantes em taxa variada. Isso permite posicionar de maneira correta os nutrientes, colocando a quantidade necessária em cada ponto, sem excessos ou faltas, garantindo um uso racional e sustentável. Quando se fala em agricultura de precisão, o uso de drones e VANTs (veículo aéreo não tripulado) faz parte do “pacote” tecnologia. É mais barato, mais preciso e mais rápido. A utilização desses equipamentos e de imagens de satélite já é uma realidade e considerados fundamentais para visualização de falhas e estimativas de produção, além de gerar assertividade e eficiência em correções localizadas, dentre elas a pulverização via drone para controle de plantas daninhas e a liberação de agentes de controle biológico. Dados e informações dão subsídio para avaliar quando o replantio é necessário, além de termos um indicador da qualidade que permite elevar a produtividade nos sucessivos ciclos. Em resumo, quanto maior a capacidade de encontrar uma falha, maior é a produtividade. Pesquisa & Desenvolvimento Outro alicerce para aumento de produtividade está na adoção de variedades modernas, fruto dos programas de melhoramento genético que apresentam um ganho de 8% em relação às variedades tradicionais, uma vez que, desde o momento inicial do processo de seleção, são buscadas características para o novo cenário de produção, como a intensa mecanização, mudanças climáticas e maior pressão de doenças e pragas. A inovação nos programas de melhoramento genético também proporciona a utilização de variedades selecionadas em ambientes restritivos de produção, fornecendo materiais aptos para os ambientes limitantes no que diz respeito a solo, clima, pragas e doenças. Aqui, vale a pena também destacar o desenvolvimento e a utilização de plantas geneticamente modificadas, resistentes à broca-da-cana, uma das principais pragas do setor, e, possivelmente, o surgimento de variedades resistentes à seca e à molécula de herbicida em um futuro próximo, similar com o que aconteceu com outras culturas no passado. Estamos certos de que não haverá tempos de produção fácil. Sabemos que a demanda por alimentos no mundo aumenta proporcionalmente à necessidade de preservação de recursos naturais que sustente esse crescimento. Porém, certamente, com apoio da tecnologia e da inovação, estamos no caminho certo, não apenas no que tange ao setor sucroenergético, mas em toda a cadeia agrícola produtiva do Brasil. n


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produtores

modernidade na prática A revolução tecnológica no setor sucroenergético chegou! Nos últimos 10 anos, uma série de inovações foram implementadas e muitas outras vêm surgindo a cada dia, sempre no intuito de melhorar o desempenho técnico/operacional dos processos e, consequentemente, reduzir os custos. O marco divisório desse processo de modernização foi a introdução da mecanização das operações de colheita e plantio. Junto dessa mecanização, o aporte de tecnologias de ponta nos equipamentos agrícolas usados em cana se tornou mais frequente. Um exemplo clássico disso é a integração do GPS nas mais diversas operações agrícolas atuais. Estamos cada vez mais próximos de conviver com tratores semiautônomos, que se comunicam em tempo real com centrais de monitoramento, localizadas a quilômetros de distância das fazendas onde estão ocorrendo as operações. Essa comunicação nos fornecerá informações, em tempo real, a respeito da performance dos sistemas mecânicos/eletrônicos dos equipamentos, além de toda a telemetria da operação. Também será possível transmitir para as maquinas, de maneira automática, as diretrizes técnicas do que deve ser feito talhão a talhão. Essa nova realidade vem se tornando possível através do investimento em infraestrutura nas usinas, infraestrutura essa composta por torres que suportam uma sofisticada rede interna de telecomunicações e que fazem o milagre da conectividade nas nossas fazendas passar de sonho a realidade.

A modernização da área agrícola também vem promovendo melhorias significativas nos implementos agrícolas responsáveis pelos tratos no canavial. Já faz parte da nossa realidade o uso de equipamentos capazes de controlar, com alto nível de precisão, a dosagem dos insumos que aplicamos em nossas lavouras. Esses mesmos equipamentos também nos permitem lançar mão da tão almejada “agricultura de precisão”, em que o insumo é colocado somente onde há demanda por ele, sob um viés de sustentabilidade e economicidade. Hoje, também é usual convivermos com veículos aéreos não tripulados (VANTs e drones) sobrevoando nossas lavouras, fazendo o trabalho que, por anos, foi feito por topógrafos, com um nível de precisão infinitamente superior ao que estávamos acostumados. Esses mesmos aviõezinhos monitoram a qualidade dos nossos plantios, nos mostrando onde erramos e nos dando uma ideia do quanto fomos eficazes. Além disso, esses equipamentos também nos vêm auxiliando no meticuloso processo de liberação de inimigos naturais da broca-da-cana, como a Cotesia e o Tricograma, que, por anos e anos feito de maneira artesanal, com mão de obra rurícola. Tudo isso com ganho em agilidade e qualidade. Em termos de monitoramento do canavial, o acesso a imagens de satélites de alta resolução e numa frequência praticamente diária, vem proporcionando seu uso de maneira pratica e rotineira. Por meio dessas imagens, é possível observarmos com bom nível de precisão quaisquer anomalias (pragas, doenças, impactos de eventos climáticos extremos, etc...) que, por ventura, atinjam as lavouras.

não podemos nos esquecer do quão atual e moderno continua sendo todo conhecimento desenvolvido por grandes mestres do setor, como Demattê, Novareti, Vitti e tantos outros "

Rodrigo Rodrigues Vinchi Diretor de Tecnologia Agrícola da ATVOS

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Opiniões Essa imagens, quando tratadas, geram o índice de vegetação da cultura (índice NDVI) e são frequentemente usadas como ferramenta de apoio para estimativa de produção. Também faz parte desse processo de modernização do Planejamento Agrícola o correto entendimento do clima interagindo com os solos e com a fisiologia da cultura. Sofisticados sistemas de monitoramento agrometeorológico, que concatenados a robustas bases de dados, possibilitam um entendimento mais preciso da dinâmica de crescimento da cultura da cana, possibilitando antever problemas e, assim, estabelecer um planejamento de safra mais assertivo. Esses mesmos sistemas de monitoramento do clima também servem de base para alimentar modelos matemáticos que direcionam monitoramento de importantes pragas (broca e cigarrinha) que afetam a cultura e fazem com que as ferramentas de controle dessas pragas sejam usadas de forma mais sustentável e efetiva. Além disso, no processo de planejamento, é cada vez mais comum o uso de ferramentas de análise de dados (Big Data), aliadas a modelagens matemáticas que buscam otimizar a influência das variáveis e, consequentemente, alcançar soluções mais eficientes.

Essa modernização no âmbito agrícola não se resume somente aos avanços tecnológicos que vêm ocorrendo nas operações e nos equipamentos. Uma boa performance da área agrícola começa por um bom entendimento a respeito das regiões onde operamos e com o uso de práticas agronômicas sabidamente eficazes. Portanto é fundamental e moderno que boas práticas de viveiro (mudas sadias), uso de meiosi, rotação de culturas e uso de variedades adequadas aos ambientes de produção que se tem, estejam no topo do ranking das prioridades das equipes agrícolas. Além disso, não podemos nos esquecer do quão atual e moderno continua sendo todo conhecimento desenvolvido por grandes mestres do setor, como Demattê, Novareti, Vitti e tantos outros. A aplicação desse conhecimento, fundamentado em pesquisa cientifica de alta qualidade, ainda é, nos dias de hoje, a principal alavanca para melhorarmos nosso resultado em termos produtividade agrícola. Cabe a nós, técnicos do setor, ser eficientes em conectar todo conhecimento já existente com as novas tecnologias que vêm surgindo. n


produtores

Opiniões

a SJC Bioenergia

e o desenvolvimento regional

A SJC Bioenergia é jovem e moderna. Ela é a primeira usina flex, processando grãos e cana, com tecnologia inovadora no País, operando praticamente os 365 dias do ano. Por isso já tem muito a contar e, principalmente, a se orgulhar no que se refere à inovação e ao desenvolvimento do território em que se encontra. Em oito anos, a empresa é parte fundamental de uma história robusta do desenvolvimento de Quirinópolis, no sudoeste do estado de Goiás. O último ranking do Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM) coloca o município, sede de uma de suas duas operações, como o quarto melhor no estado. O índice da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), uma referência no País quanto ao desenvolvimento socioeconômico brasileiro, acompanha três áreas: Emprego & Renda, Educação e Saúde e utiliza-se exclusivamente de estatísticas públicas oficiais. O crescimento da cidade, acompanhando a linha histórica do IFDM, está correlacionado com as etapas da instalação e da evolução da empresa, desde quando foi criada a Usina São Francisco - USF, em 2005, uma das unidades do Grupo São João de Araras, embrião da SJC Bioenergia, uma joint venture com a Cargil, em 2011. Também fica evidente quando se verifica com outros marcos de nossa operação na região, como a

Somos a primeira usina flex, processando grãos e cana, com tecnologia inovadora no País, operando praticamente os 365 dias do ano. "

Fernando Cerradinho Bionergia Abel de Miranda Uchôa Diretor Geral da SJC Bioenergia

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inauguração do segundo difusor (2008), início da operação da Usina Rio Dourado (2013), no município vizinho de Cachoeira Dourada, e da Unidade Processadora de Grãos – UPG (2015) na USF. Veja o quadro: IFDM

POS

ÍNDICE

FATO OCORRIDO

2005

39º

0,6713

Fundação da USF

2008

23º

0,7375

Inauguração do segundo difusor

2011

10º

0,7984

Criação da SJC Bioenergia com a joint venture do Grupo São João e Cargil

2013

16º

0,8136

Início das operações da URD

2015

9º

0,7960

Início das operações da UPG

2016

4º

0,8387

Referência do último ranking do IFDM

Abrindo os valores do IFDM de Quirinópolis (0,8387), pode-se verificar os valores de cada item que o compõe: Emprego e Renda (0,6936), Educação (0,9180) e Saúde (0,9043). Ou seja, elementos que caracterizam o que a população mais valoriza no que se refere ao bem-estar. De forma clara, os dados mostram a influência direta da SJC Bioenergia no crescimento e desenvolvimento de Quirinópolis e da região sudoeste de Goiás. Não é por acaso que o município, de acordo com dados do setor, é o maior produtor de cana-de-açúcar do estado e o segundo no Brasil. Um retrato estatístico que encontra sua base em três fortes elementos presentes em nossa história, característicos de nossa empresa: pessoas, inovação e resultados. É evidente que a fixação da empresa nesse território contou, além da visão estratégica dos sócios fundadores, com a decisão de incentivos públicos visando ao desenvolvimento de um polo agroindustrial na região.


Houve incentivos oriundos da União, do governo do estado e do poder municipal, que tornaram possível a transformação do projeto dos acionistas da SJC Bioenergia em um catalizador do desenvolvimento local e regional. A evolução dos indicadores socioecomômicos de Quirinópolis, de 2002 até 2018 (projeção), não deixa dúvida da influência direta da chegada da empresa com a melhora da economia e da arrecadação de tributos e emprego e renda das pessoas. Modernamente, se entende que o desenvolvimento territorial é uma combinação desses fatores que incluem políticas governamentais, iniciativas do setor privado e participação da sociedade civil e que vão dinamizar a economia local e estimular outros atores regionais. Trata-se de um de desenvolvimento gerado por meio de política de planejamento regional envolvendo diversos atores. A SJC Bioenergia tem clareza de sua contribuição nessa realidade de crescimento e desenvolvimento e acredita que irá continuar sendo parte dessa evolução regional, pois há muito por crescer e evoluir ainda. Com investimento na qualificação dos funcionários, novas tecnologias e expansão orgânica, será possível manter a rampa evolutiva de nossa produção e, por consequência, continuar impactando positivamente no progresso e no desenvolvimento locais.

Essa projeção tem respaldo pelo nosso histórico de crescimento e também quando se analisam melhor os dados do ranking da IFDM para Goiás. Dos quatro melhores municípios, o agronegócio tem uma forte relevância em sua economia. Precedem Quirinópolis nesse quadro, pela ordem, os municípios de Chapadão do Céu, Itumbiara e Ceres. A modernidade e a inovação aliadas à continuidade dos esforços da iniciativa privada e do poder público tornam possível acreditar que a região poderá desenvolver uma cadeia produtiva derivada do negócio sucroenergético, ampliando para o surgimento de oportunidades para desenvolvimento de um nicho da indústria de produção e processamento de proteína animal. Com a real chance de tornar Quirinópolis, além de maior produtor de cana-de-açúcar do estado de Goiás, em o maior produto de proteína animal. Essa será, seguramente, uma nova etapa do crescimento do município que, com certeza, conta com nossa influência direta. De nossa parte, continuaremos fazendo a diferença, desenvolvendo pessoas, cumprindo metas e construindo o que não foi construído ainda. n

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produtores

Opiniões

manejo 3 dígitos A busca constante do refinamento das práticas, promovendo ajustes em manejos consolidados, e a aplicação de novas tecnologias e equipamentos têm nos proporcionado uma produtividade média (TCH) de 3 dígitos, sustentada ao longo do tempo, e possibilitando uma maior longevidade do canavial, conforme podemos observar nos quadros em destaque. PRODUTIVIDADE MÉDIA ton/ha 106

108

102

96

14/15 15/16 16/17 17/18

102

18/19

NÚMERO DE CORTES anos 3,4

3,5

3,7

4,1

14/15 15/16 16/17 17/18

4,4

18/19

Nessa jornada, entendemos que não existe uma fórmula mágica que sirva para todos, pois cada área de produção requer um manejo específico a ser realizado, daí surge a necessidade de transformar em um processo contínuo de aprendizado pesquisa e desenvolvimento de novas técnicas e práticas no manejo, fertilização, irrigação, cultivo e colheita. Dentre as práticas agronômicas já adotadas, iremos abordar algumas das quais nos trouxeram maior retorno econômico, entendendo esse resultado como um fator de equilíbrio entre produtividade e custo de produção. No preparo de solo, a subsolagem localizada definida via projeto de linhas formando o “canteirão” de 2,3 metros de largura resulta em melhor desenvolvimento do sistema radicular, o que proporciona uma cana mais forte e saudável.

Além disso, possibilita também as linhas de tráfego para os equipamentos realizarem as operações com maior eficiência. Devido aos tipos de solo que abrangem a nossa região, é possível, ao longo do tempo, a eliminação de terraços em algumas áreas de produção, gerando maior aproveitamento das terras e maior rendimento operacional devido à redução de manobras e maior proporção de linhas retas e longas. Tudo isso com muita responsabilidade e olhando o manejo como um todo, associando relevo e topografia, práticas de cobertura do solo e época ideal de plantio em cada local. O uso adequado do pacote tecnológico embutido nas plantadoras proporciona aplicações de maior eficiência e reduz as perdas de insumos no plantio mecanizado. Controle de todo equipamento associado a plantios de áreas planejadas previamente, otimização da mão de obra e eliminação de possíveis falhas que ocorrem durante o processo de plantio mecanizado. Viveiros de mudas livre de pragas, doenças e deficiências nutricionais aumentam o vigor da cana-planta e a sua produtividade na colheita. A fase de implantação tem aspectos essenciais em todo o ciclo do canavial, que possibilitam a busca pela longevidade. Expansões em áreas de pastagens degradadas é uma realidade bastante presente no nosso contexto, sendo necessário um desenvolvimento de manejo específico que proporcione produtividade e seja sustentável. A busca constante do refinamento das práticas, promovendo ajustes em manejos consolidados, e a aplicação de novas tecnologias e equipamentos têm nos proporcionado uma produtividade média de 3 dígitos "

Murilo Naves Ferreira e Luiz Augusto Resende Nascimento Gerente Agrícola e Diretor de Operações Agroindustriais da Cerradinho Bioenergia, respectivamente


Aplicar Calpar dá trabalho... Dá trabalho porque, na natureza, a cada ação segue-se uma reação imediata. Após o produtor corrigir o solo com Calpar, desencadeia-se um círculo virtuoso, desde a germinação da semente até o alimento ser servido, que gera empregos, produz riquezas e traz prosperidade a cada segmento da sociedade e do país.

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APLICOU CALPAR...

TODOS VÃO GANHAR.

Um ponto de atenção encontrado nessas áreas é a baixa fertilidade dos solos, o que exige um bom controle de aplicações de corretivos em taxas variáveis, rotação de culturas com gramíneas e leguminosas, aplicação de fertilizantes organominerais e a compostagem produzida com resíduos do nosso próprio processo produtivo. A grande diferença ocorre quando começamos a olhar o perfil do solo em maiores profundidades e respeitamos o tempo ideal de construção de fertilidade, tanto pelo aspecto químico, como pela parte física e microbiológica do ambiente. Temperaturas e o alto índice pluviométrico são fatores primordiais para o desenvolvimento rápido do canavial e mais rápido ainda para pragas, doenças e plantas daninhas que causam grandes prejuízos para a produtividade do canavial. O monitoramento constante e preciso desses problemas proporciona maior assertividade nas tomadas de decisões e ações a serem realizadas, minimizando o impacto na produção de cana. Programas de combate ao mato e controle de pragas são importantes para buscar mais informações e conscientizar todos sobre os prejuízos que as plantas daninhas trazem para o rendimento do canavial e também para o rendimento operacional, principalmente durante o processo de colheita mecanizada.

O desenvolvimento de uma cultura preventiva se torna fundamental em todos os processos, para conviver minimamente com pragas, doenças e plantas daninhas. O monitoramento online do processo de colheita, transbordo e transporte proporciona maior controle e assertividade nas tomadas de decisões, trazendo ganhos em rendimento e redução de custos em tempo real. Com a implantação desse sistema, investimento em capacitação da equipe e sistematização de talhões, foi possível otimizar o uso dos equipamentos, permitindo inclusive a redução do número total de equipamentos necessários para essas operações. Por fim e não menos importante, é preciso desenvolver uma cultura na organização que seja aberta à inovação e promova a melhoria contínua, que permita estar atentos às novas tecnologias emergentes como Big Data, internet das coisas, machine learning, processamento de imagens, robotização de processos, dentre outros, e que estimule, ao mesmo tempo, a adaptação e a renovação dos seus processos de gestão. Somente assim será uma organização que tem como propósito a superação e a expansão dos seus próprios limites. n

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produtores

variedades rústicas Com o advento da mecanização da colheita integral da cana-de-açúcar e da expansão canavieira para ambientes mais restritivos, observou-se uma grande estagnação nos incrementos de produtividade da cultura nos últimos 15 anos, fazendo com que custos com a produção aumentassem significativamente, a ponto de colocar em xeque a competitividade no setor sucroenergético nacional. O preço de remuneração do etanol e do açúcar tem dificultado investimentos em aumento de produtividade, seja na mecanização da colheita, nutrição, formação de viveiros, controle de pragas e doenças, renovação dos canaviais, entre outros. Mas, sem sombra de dúvidas, o genético está entre os principais impactos dessa falta de investimento em produtividade, isso se não for o principal deles.

Desde a sua origem, o melhoramento genético buscou aumentar a produtividade de sacarose. Isso levou os melhoristas a buscarem variedades com alta pureza e alto teor de açúcares no caldo, o que, por outro lado, levou a um baixo teor de fibras na cana. Com esse biótipo, foram obtidos diversos híbridos modernos que, em sua maioria, são responsivos e com alto potencial produtivo. Porém, devido ao baixo teor de fibras e à elevada responsividade, esses híbridos são exigentes em manejo agronômico e em fertilidade, ou seja, não suportam o pisoteio. São comumente sensíveis ao arranquio de soqueira e pouco estáveis, perdendo muito do potencial produtivo quando cultivados em ambientes restritivos que possuem menor fertilidade e/ou maior déficit hídrico. Além disso, a busca por um teor de açúcar maior nas novas variedades tem sido cada vez mais difícil. Acredita-se que estamos muito próximos de um patamar de produção difícil de ser suplantado geneticamente, o que demanda grande esforço e investimento em pesquisa para pouco ganho genético. Assim, uma mudança de paradigma se fez necessária, e um novo conceito de variedade está em formação. São as variedades rústicas, nas quais o teor de sacarose é menor, o teor de fibras é maior, a produtividade, muito maior e a variedade é muito mais robusta. Isso confere maior longevidade ao canavial e maior tolerância a estresses bióticos e abióticos, quer seja pela fertilidade, quer seja pelo maior déficit hídrico e maior resistência ao pisoteio, dada pelo maior teor de fibras e pela presença de rizomas. Esse tipo de variedade mais rústica tem o potencial de aumentar a produção de açúcar por hectare e reduzir significativamente os custos, viabilizando a produção econômica em ambientes restritivos.

um novo conceito de variedade está em formação. São as variedades rústicas, nas quais o teor de sacarose é menor, o teor de fibras é maior, a produtividade, muito maior e a variedade é muito mais robusta. "

José Antonio Bressiani Diretor de Tecnologia Agrícola da GranBio


Opiniões Adicionalmente, por ter um teor maior de fibras, essas variedades irão gerar um excedente considerável de bagaço, que poderá ser utilizado na geração de energia, na fabricação de etanol 2G, na produção de biometano e para equilibrar o balanço energético na fabricação de etanol de milho. Conceitualmente, as variedades rústicas possuem uma participação maior de genes do ancestral selvagem da cana, o Saccharum spontaneum, permitindo que sejam muito mais produtivas, menos exigentes em solo, clima, água e nutrientes e mais resistentes a pragas e doenças. O que resulta em uma maior eficiência energética no seu cultivo, ou seja, maior unidade de energia produzida por energia gasta, se considerada toda a cadeia (output/input). Esse é um parâmetro essencial e finalista que determinará as opções energéticas a serem consideradas, muito em linha com o programa nacional de energias renováveis, o RenovaBio. Com esse novo enfoque, a GranBio iniciou, em 2012, através de sua subsidiária BioVertis, o desenvolvimento de variedades rústicas de cana-de-açúcar – a cana-energia Tipo 1 – e, em 2017, lançou comercialmente a cultivar Vertix 3 (vide quadro). A Vertix 3 apresenta um teor de fibras de 20% (quando a RB92579 está com 15%) e um teor de açúcares redutores totais (ART) de 115 kg/t (quando a RB92579 está com 145 kg/t). O teor de fibras e a presença de rizomas estão diretamente correlacionados com a longevidade do canavial. Embora tenha um teor menor de ART, a produtividade de ART por hectare foi 20% (2,4 t/ha) a do padrão comercial, e a produtividade de fibras mais que dobrou (13,7 t/ha). O quadro mostra a Produtividade de biomassa verde (TMVH), fibras (TFH) e açúcares (TAH) da Vertix 3 e do padrão comercial RB92579 em experimentação conduzida em ambientes restritivos no estado de Alagoas, entre os anos de 2014 e 2018. TMVH - Tonelada de Biomassa Verde por Hectare Cultivar

Corte 1

Corte 2

Corte 3

Corte 4

Média

Vertix 3

124,2

127,1

131,7

110,1

123,3

RB92579

116,4

73,8

64,3

47,4

75,5

TFH - Tonelada de Fibra por Hectare Cultivar

Corte 1

Corte 2

Corte 3

Corte 4

Média

Vertix 3

24,9

27,2

26,1

23,1

25,3

17,1

12,9

9,4

7,2

11,6

RB92579

TAH - Tonelada de Açúcares por Hectare Cultivar

Corte 1

Corte 2

Corte 3

Corte 4

Média

Vertix 3

13,4

15,2

13,2

12,4

13,5

RB92579

17,3

10,9

9,0

7,2

11,1

Essas 13,7 t/ha adicionais de fibra são suficientes para produzirmos aproximadamente 13 MWh adicionais de energia elétrica ou 3,5 mil litros de etanol de segunda geração. Isso sem falar nos 1,5 mil litros de etanol produzidos com os açúcares do caldo adicional produzido no hectare. Importante destacar que o custo com a produção dessas cultivares rústicas, dado a maior produtividade e longevidade das soqueiras, é cerca de 30% a 50% menor que o de uma variedade convencional cultivada no mesmo ambiente. Posto isso, resta destacar que as cultivares rústicas, pela presença de rizomas e pelo maior teor de fibras, são adaptadas à colheita mecanizada, dado que os rizomas impedem o arranquio das soqueiras e o maior teor de fibras suportam o pisoteio que acontece na colheita mecanizada. Adicionalmente, esse tipo de variedade pode ser colhido com maior umidade do solo, permitindo que a usina possa iniciar/terminar a safra colhendo esse tipo de material. Existe até a possibilidade de a usina ampliar o período de moagem, otimizando os ativos agrícola e industrial. O bagaço adicional gerado, se a usina ainda não possui a fabrica de etanol 2G, pode ser utilizado para acertar o balanço térmico da usina durante a safra e exportar energia elétrica na entressafra, permitindo que o ativo de geração de energia possa rodar 11 meses no ano. Adicionalmente às cultivares de cana-energia do Tipo 1, temos também as cultivares do Tipo 2, que são ainda mais produtivas, mais fibrosas e com maior longevidade do canavial. A média de produtividade da Vertix 2 em cinco cortes foi 2,3 vezes a produtividade da variedade convencional utilizada como padrão nos experimentos (175 vs 77t/ha). Foram 40 t/ha de fibras e 14 t/ha de ART. Variedades do Tipo 2 podem ser cultivadas em ambientes ainda mais restritivos; o açúcar presente no caldo pode ser destinado à produção de açúcar, etanol e biogás/biometano, cobrindo boa parte dos custos da produção, e as fibras podem ser destinadas para a produção de energia, etanol de milho, etanol 2G e biometano. Um novo mercado, dentro e fora do Brasil, está surgindo para esse tipo de biomassa. Para finalizar, gostaria de destacar que estamos vivendo um momento de transformação em nossa matriz energética global. Nós temos o melhor combustível renovável do mundo, o etanol. Mas precisamos deixá-lo mais competitivo. É imperativo que as produtividades aumentem e que os custos de produção reduzam. O etanol de segunda geração será determinante para essa redução de custo, mas a utilização de variedades mais rústicas, como a Vertix 3 e a Vertix 2, será determinante para o aumento da produtividade nos ambientes restritivos. Precisamos verticalizar a produção, capturar mais CO2, reduzir as emissões de N2O, substituir o consumo de diesel por biometano e expandir para áreas que não compitam com a produção de alimentos, recuperando solos degradados e trazendo desenvolvimento regional. n

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produtores

Opiniões

tudo junto e misturado Com certa frequência, ouvimos que o cultivo da cana-de-açúcar pouco mudou desde sua chegada ao Brasil nos idos de 1532. Só como referência, a soja, cultura também importante no nosso país, tem chegada registrada em 1882, ou seja, 350 anos depois. Intervalo bem razoável. Velho? Novo? Moderno? Por definição, moderno é atual, é novo, que tem pouco tempo, é recente e sofisticado. É oposição ao velho. Como, então, traçar um paralelo entre moderno e o cultivo da cana no Brasil? A princípio, pode parecer até um contrassenso... E quando o moderno se torna a retomada do antigo? É retrocesso? Nesse jogo de palavras, aparecem formas de conduzir, hoje, a cultura da cana-de-açúcar. Em alguns aspectos, o setor parece preferir voltar no tempo a mergulhar nas formas “mais atuais”. O plantio é o tema que mais descreve esse antagonismo.

Plantio manual, de novo? Teremos pessoas suficientes e dispostas a fazer o plantio manual em maiores escalas? Mesmo com a baixa qualidade no ensino do País, cada vez menos, existirão rurícolas. Teremos, então, que convencer outros profissionais a colaborar num projeto mais amplo, no qual terão que plantar cana manual. É um bom desafio para os recursos humanos das empresas enquanto o mercado no País estiver desaquecido. Depois... Entremos, então, no trato de gestão. É descabida, nos dias de hoje, que não tenhamos uma ótima relação entre as áreas agrícola e industrial. É proveitoso que os envolvidos tenham conhecimento das situações que cada área enfrenta hora a hora para que se possa antecipar e aproveitar melhor as paradas ou mesmo as reduções, seja de entrega, seja de moagem. O resultado global tem que ser o mais importante. E é! Uma outra abordagem é a facilidade na geração de dados, mas ela precisa ser tratada com cuidado. Uma enxurrada delas chega a todo instante até nós, e é preciso saber priorizá-las. O que é dado e o que é informação? Nesse caso, gosto da objetividade que ouvi de um gestor de usina americana numa visita que fizemos lá. Num dado momento, alguém perguntou a ele o que ele fazia com tantos dados disponíveis. Ele, objetivamente, disse: Centro de Inteligência Agrícola e Centro de Controle Operacional integrado têm a visão holística do que é mais importante a cada instante e dão as diretrizes para um setor que trabalha em várias frentes de serviços "

Fernando Luis Augusto Cerradinho Bionergia Contin Silva, Guto

Gerente de Produção Agrícola da Usina Alta Mogiana

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produtores se não for realmente relevante e importante, se não agregar valor, melhor não perder tempo em ficar olhando. Simples assim. Isso não quer dizer que informações geradas das tecnologias móveis, como sensores, câmeras, celulares, tablets, drones e vants devam ser relegadas, pois elas nos dão agilidade e precisão na informação. Localização de onde, como, extensão e a intensidade do fato. Imagens, fotos e vídeos mostram, além das coisas boas, falhas, ervas daninhas e reboleiras de pragas e doenças. Uma vez visualizada, fica muito mais fácil atacar o problema de forma mais cirúrgica. Quantas vezes não se perdeu tempo, e muito dinheiro, em intervir onde não era tão relevante a sua necessidade? Com essas tecnologias, as estratégias são facilitadas. Ah, só cuide para que somente as pessoas que realmente precisem da informação as recebam, senão é um tal de mandar tudo pra todo mundo, e isso mais atrapalha do que ajuda. Centro de Inteligência Agrícola e Centro de Controle Operacional integrado têm a visão holística do que é mais importante a cada instante e dão as diretrizes para um setor que trabalha em várias frentes de serviços, e tudo acontece ao mesmo tempo. Como se diz nos modernos dias de hoje, tudo junto e misturado. Importante também é envolver fornecedores de cana, de produtos e de serviços na busca da excelência em cada tarefa, em cada detalhe, pois é a soma do todo que faz a diferença na produção, na produtividade, no custo e, portanto, no resultado final. Cada um tem que fazer a sua parte, como verdadeiro dono do negócio. No relacionamento com o externo, precisamos dar visibilidade maior a tudo que a agroindústria sucroenergética faz, e não é pouco. Não demonstramos para a sociedade em geral que a cultura é muito boa para o ambiente. Ela é importante na conservação do solo, gera energia limpa, via combustível ou energia elétrica da cogeração, além de fazer uso agronômico racional dos produtos derivados, como a vinhaça, a torta de filtro, o bagaço e por aí vai. Devemos usar as mídias disponíveis para mostrar melhor essas atuações. No que tange à preparação do solo, nós utilizamos em larga escala a rotação de cultura, que, no nosso caso, é basicamente com soja, no modelo plantio direto. A particularidade é que nós mesmos plantamos, cuidamos e colhemos. A destruição da cultura anterior é feita de maneira química, e isso facilita e, ao mesmo tempo, dificulta etapas posteriores, dependendo do ponto de vista e das tarefas por vir. Julgamos moderno o conceito de exploração em faixa, seja para cultura, seja para o tráfego das frotas. Como dizem na linguagem de hoje, cada um “no seu quadrado” (nesse caso, cada um na sua faixa de exploração).

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Utilizamos o preparo de solo reduzido, canteirizado e fazemos todos os planejamentos via geoagricultura, incluindo conceitos de agricultura de precisão e piloto automático, projetos de linhas paralelas, talhonamentos e vias internas, de modo a melhorar a logística e diminuir manobras, circunstâncias que aumentam os rendimentos operacionais de plantio, de tratos culturais e colheita que virão e diminuem as chances de pisotear o canavial, pecado capital que tanto atrapalha a busca por melhores produtividades. No plantio propriamente dito, há anos utilizamos mudas de meristemas e mudas pré-brotadas, e hoje nossos canaviais têm boa parte deles com o que chamamos de seiva PB correndo em “suas veias”. No nosso entendimento, isso é garantia de sanidade e possibilidade de ampliação na longevidade dos nossos canaviais. Aliado a isso, o plantel varietal é diversificado e adequado à mecanização, seja no plantio ou na colheita. O plantio via meiosi voltou com força. Método moderno ou antigo? Não importa. Seja meiosi ou mesmo cantose, o que importa é ter muda perto, de qualidade, seja no porte, seja na origem, na facilidade de expandir novas variedades e na redução do custo que esses conceitos propiciam a quem os utiliza. Em relação aos tratos culturais, julgo que o setor está mais atualizado. Algumas ações estão mais alinhadas com as práticas utilizadas em outras culturas. Nutrição mais elaborada, formulações especiais e pontuais, aplicação de micronutrientes, aplicação de vinhaça localizada e corretivos em soqueira são práticas adotadas mais recentemente. Prática comum em soja, o uso de fungicidas com o conceito de deixar as folhas limpas e em condições ótimas de produzir estão sendo ampliadas. Com o ambiente da cana crua, além da seleção de certas ervas daninhas, as condições para as pragas foram favorecidas. Não releguemos a importância no monitoramento e controle de pragas, senão a produção vai apresentar sua conta. E salgada. Por fim, e não menos importante, comentemos sobre a colheita, etapa muito importante e que, se não bem executada, pode deixar marcas, literalmente. É fundamental que respeitemos a cultura e que também o solo, o clima e a época façam parte dessa complexa equação chamada colheitabilidade. Nos últimos tempos, vimos o setor buscar ganhos na operação e na logística “passando por cima” do que é o mais importante, a cana. Temos, sim, que buscar mais eficácias pontuais e globais, mas com racionalidade técnica e operacional. Faça bons planejamentos, execute-os, utilize das tecnologias embarcadas do tipo “guiai por nós” e colha bons resultados. Ah, e lembre-se de não pisar em quem, há quase 500 anos, gera riquezas. n


Opiniões

moderno é conquistar resultados Moderno, hoje e sempre, em qualquer atividade produtiva, é conseguir resultados que propiciem a continuidade da atividade. Nesse contexto, o questionamento passa a ser o que deve ser feito para se conseguirem resultados na área agrícola do sistema sucroenergético e consequentemente ser viável. Moderno não deve ser considerado aquele que utiliza as últimas tecnologias lançadas, mas sim aquele que se utiliza de tecnologias existentes e apropriadas ao seu ambiente de produção. A área agrícola do setor sucroenergético gerou e tem gerado, nas últimas décadas, muitos dados que, transformados em informação, viram fonte do conhecimento. Nesse período, o sistema de produção agrícola do setor sucroenergético passou por grandes transformações de manejo, como a eliminação da queimada da cana como método despalhador para a colheita e a mecanização completa, ou quase, do plantio e da colheita da cana-de-açúcar. A área agrícola do sistema sucroenergético convive hoje com uma situação difícil, por ter produtividades, tonelada de cana por hectare, na média inferiores ao conseguido há 30 anos, diferentemente das culturas de grãos mais especificamente onde as produtividades cresceram. Uma série de fatores setoriais e conjunturais podem ser elencados para a compreensão desse fato, embora nosso intuito, agora, é elencar soluções para a retomada do crescimento da produtividade agrícola, ou seja, a aplicação do conhecimento. Moderno não deve ser considerado aquele que utiliza as últimas tecnologias lançadas, mas sim aquele que se utiliza de tecnologias existentes e apropriadas ao seu ambiente de produção. "

Fernando CerradinhoCassio Bionergia Manin Paggiaro Superintendente da Usina Atena

Quando citamos a utilização de tecnologias existentes e apropriadas ao ambiente de produção, devemos incluir nessa análise os fatores humanos disponíveis nas diferentes regiões onde a cultura da cana-de-açúcar está instalada. A formação de mão de obra especializada, capacitando os colaboradores diretos, e a promoção de iniciativas de desenvolvimento profissional por meio de parcerias com instituições públicas e privadas, possibilitam a implantação de tecnologias avançadas com resultados promissores. A cana-de-açúcar ocupa uma área aproximada de 9.000.000 de hectares no Brasil, em diferentes regiões de solo e clima e, por isso mesmo, replicar situações de manejo de uma região para outra pode ser um erro. O conhecimento das condições climáticas, do tipo de solo, do balanço hídrico, da disponibilidade de recursos materiais e humanos capacitados e suficientes para as operações são precursores de um planejamento agrícola, fundamental para o manejo integrado dos processos operacionais. A simples definição da época do plantio de cana em função do clima e ambiente de produção regional é um fator de sucesso ou, consequentemente, de fracasso, o manejo de colheita também é muito influenciado pelo ambiente de produção e clima local. Uma das situações cuja solução devemos considerar como “moderna” na área agrícola do sistema sucroenergético é a do pisoteio sobre as linhas de cana-de-açúcar pelos caminhões e máquinas agrícolas que transitam nos talhões. Deveria ser inconcebível essa situação de agressão ao maior bem da empresa, a cana-de-açúcar. O atingimento dessa premissa, não pisotear as linhas de cana-de-açúcar, depende de uma série de práticas interdependentes, existentes e atuais e que são, por conseguinte, “modernas”.


produtores A sistematização do solo e o seu preparo para receber a operação de plantio são fundamentais para a qualidade da sulcação e do paralelismo dos sulcos. Há muita tecnologia que pode ser adotada para a realização do preparo do solo, a saber, preparo convencional, reduzido, canteirizado, mais ou menos profundo, sendo a escolha de um ou mix deles deve vir do conhecimento integrado. A conservação e a sistematização do solo também não podem ser generalizadas; sulcar reto e sem terraços não é manejo recomendável para todas as regiões. Se perdermos a camada superficial e fértil do solo, impactaremos o sucesso da lavoura. O espaçamento utilizado para plantio pode contribuir para a diminuição do pisoteio e também para o ganho de produtividade. Hoje, os principais espaçamentos utilizados são o simples, principalmente de 1,50 m de distância entre linhas de cana, e o alternado, combinando 1,50 m por 0,90 m de distância entre linhas. A prática ou não do uso da irrigação pode influenciar na escolha do espaçamento entre linhas de cana, podendo viabilizar o espaçamento “abacaxi”, alternando 1,50 m ou 1,40 m por 0,40 m de distância entre linhas de cana. A definição do espaçamento também é relacionada com custo de colheita em função da possibilidade de colheita mecânica de uma ou duas linhas consecutivas de cana-de-açúcar. O plantio das áreas sendo feito com mapeamento das linhas de cana possibilitará que todas as operações subsequentes de colheita e tratos culturais possam ser realizadas com equipamentos contendo GPS, direcionando o tráfego nos talhões de cana-de-açúcar, evitando o pisoteio das mesmas. Também “moderno” na área agrícola do sistema sucroenergético deve ser a utilização dos insumos, fator de sucesso na produção agrícola. O principal insumo da cultura da cana são as cultivares, primordial para o sucesso da lavoura. A escolha da variedade correta é, com certeza, fator de sucesso para todo processo. Anualmente, estamos recebendo lançamentos de novas variedades de cana-de-açúcar por meio das principais instituições que as desenvolvem, que estão conseguindo liberações em menor tempo, porém também com menos informações práticas, necessitando maior cuidado na escolha da cultivar para implantação dos canaviais. A utilização da meiosi (método inter-rotacional ocorrendo simultaneamente) devolveu a possibilidade de utilização de mudas sadias no plantio da cana, principalmente por meio de mudas pré-brotadas (MPB), interrompendo um ciclo de que qualquer cana planta é um viveiro. Na parte nutricional da cana-de-açúcar contamos, hoje, com fertilizantes com mais tecnologia agregada, oferecendo um complexo de nutrientes, macros e micros, no grão, beneficiando sua distribuição homogênea. O parcelamento das doses de nitrogênio e potássio no plantio vem

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Opiniões propiciando oportunidade de ganhos de produtividade. A relação de nutrientes na formulação de soqueira está mais ajustada para cada ambiente de produção, podendo ainda considerar ganhos com restos da cultura advindos da colheita da cana, sem emprego do fogo como método despalhador. O emprego de ácidos húmicos e fúlvicos, tanto em cana planta como cana soca, são sinérgicos à nutrição adotada. Uma cana bem plantada e nutrida terá maior resistência aos ataques de pragas e doenças. O monitoramento periódico da lavoura identificando eventos de controle contribuem para eliminação do problema ou para o não agravamento do mesmo, por meio biológico e ou químico. Assim como se faz na cultura de grãos, a cana-de- açúcar também começa a evoluir para a manutenção das folhas com máximo de sanidade, mesmo que sejam manchas consideradas secundárias, aproveitando toda capacidade fotossintética da planta para crescimento e acúmulo de energia, por meio de aplicações de produtos preventivamente. No manejo de colheita, muito se fala hoje da “Matriz de 3° Eixo”, que busca conseguir maior idade cronológica (em meses) aos canaviais a serem colhidos e, consequentemente, maior produtividade agrícola pelo maior tempo de crescimento da planta. Esse manejo deve ser ponderado com outros fatores, como características varietais do plantel, maturação e sensibilidade ao florescimento, liberação de área durante a safra para aplicação de vinhaça e preparo de solo, meiosi, rotação de cultura, uma vez que a mesma área será colhida, a cada ano, mais tarde. A aplicação in natura da vinhaça é um processo com muito potencial para produção de cana e também para redução de custo, podendo fornecer 100% do potássio necessário para a empresa juntamente com matéria orgânica e umidade, em aplicação localizada. Temos, hoje, uma série de tecnologias desenvolvidas durante anos na “prateleira” cana-de-açúcar de nossa biblioteca, que podem e devem ser utilizadas conforme as necessidades. Muito se fala em agricultura de precisão, monitoramento remoto do canavial e da frota como fatores essenciais para uma boa lavoura, até criou-se um paradigma de quem não tem essa tecnologia, não é “moderno”. Todas essas ferramentas são importantíssimas, porém não devem preceder, na falta de recursos amplos de investimentos, o famoso “arroz com feijão” feito com critério e, principalmente com presença técnica no campo, visualizando as situações e corrigindo desvios, diariamente. Moderno não deve ser considerado aquele que utiliza as últimas tecnologias lançadas, mas sim aquele que se utiliza de tecnologias existentes e apropriadas ao seu ambiente de produção. Moderno, hoje e sempre, em qualquer atividade produtiva é conseguir resultados que propiciem a continuidade da atividade. n


produtor rural

breve relato

Mais uma vez convidado para escrever nesta conceituada revista, confesso que a apreensão é grande, pois, nos vários artigos escritos no passado, esses temas foram abordados de uma forma dispersa e que, neste artigo, tentarei agregá-los falando um pouco da trajetória dos últimos quarenta anos. E me permitam, com isso, fazer um retrospecto do meu histórico de vida na produção de cana-de-açúcar, vivenciado diretamente desde a minha formatura em agronomia, em julho de 1980, até os dias de hoje. Parece pouco tempo, mas veremos o tamanho da evolução e o que esperar de inovações nesses próximos períodos.

Opiniões

Um breve relato do início onde tínhamos poucas planilhas eletrônicas e muita gente no campo. Período esse, em que as informações, conceitos e inovações eram tratados em seminários e cursos promovidos principalmente pelo Planalsucar, com ênfase no estudo e nas distintas fases de produção agrícola, sempre buscando cuidados na formação e ganhos de produtividade. Praticamente toda empresa prezava por uma atenção muito grande ao canavial. Época em que o crescimento de área plantada foi praticamente exponencial, devido aos incentivos criados pelo Proálcool. O nosso parque varietal era bastante restrito, onde utilizávamos ainda muitas variedades oriundas de outros países, e a Coopersucar iniciava grandes investimentos na área de pesquisa e desenvolvimento, principalmente na obtenção de variedades nacionais se somando ao Planalsucar, e, a partir de então, inicia-se todo um processo de substituições de variedades importadas pelas nacionais, e os reflexos começam a aparecer nos ganhos de produtividade. Relatar esse período e verificar o quanto tínhamos de dificuldades com relação a máquinas e equipamentos, insumos de uma maneira geral, colheita manual quase em 100% da área com algumas poucas iniciativas de mecanização, enfim, uma condição muito mais complexa do que temos nos dias de hoje. Ao longo de todos esses anos, os investimentos em P&D foram se tornando muito escassos, principalmente após a extinção do Instituto do Açúcar e do Álcool e, mais adiante, com a desregulamentação dos preços, muitas dificuldades de ordem econômica são suficientes para explicar um pouco a situação da produtividade agrícola atual.

muito mais coisas estarão disponíveis num curto espaço de tempo e entendo que o grande desafio para o produtor se voltará para o de como fazer o uso de todas estas tecnologias "

Ismael Perina Produtor Rural


produtor rural Lembramos que, no início da década de 1980, com a implantação do Pagamento de Cana por Teor de Sacarose, passamos a ter um grande avanço na qualidade da produção e, a partir daí até o advento da mecanização quase plena, fomos deixando um pouco de lado os aspectos qualitativos pela necessidade da mecanização, de maneira abrupta. Mas, na verdade, as coisas caminharam, e chegamos aos dias de hoje com a certeza de que, com o que temos em mãos, dá para virar o jogo quando falamos em produzir mais e melhor. Avaliando alguns pontos separadamente, podemos verificar tranquilamente que a oferta de modernidade para a produção é muito grande. Começando pelo parque de máquinas para uso no preparo do solo, cultivos, tratos culturais e colheitas, ultramodernos, com piloto automático que praticamente elimina todos os problemas de operação que se encontravam na mão do operador, cuja maior dificuldade, no momento, seja talvez o de capacitação para a operação. Os implementos acoplados a essas máquinas, cada vez mais precisos e permitindo realizar as operações e controles de uma forma mais efetiva, com mapeamentos de solos para melhor utilização das inúmeras variedades de cana que temos, chegando até as colhedoras, que também são equipadas com piloto automático, permite uma colheita que, cada vez menos, danifica as soqueiras, permitindo melhorar a longevidade dos canaviais e finalizando com todo o aparato de transporte que temos em todas as fases, com suas variantes, também com equipamentos acoplados e muito modernos e eficazes. Creio que, com todo esse aparato de máquinas e equipamentos, nossa grande tarefa está em capacitar pessoas para uma operação mais eficiente. Citaria à parte o imenso avanço que tivemos a partir do desenvolvimento de pulverizadores com altíssima tecnologia, que também nos permite efetuar as pulverizações de uma maneira muito mais eficiente, com aplicações dirigidas nos permitindo melhor uso e maiores controles. Sob a ótica dos insumos, aqui sim uma evolução extraordinária. Não dá para comparar os fertilizantes que utilizávamos na década de 1980 (Nossa, como empedravam! Sacos de 50 kg, “chapa” e entrega complicada) com os produtos que temos hoje. Formulações muito mais específicas, nas quais os nutrientes estão juntos, num mesmo grânulo agregado a micronutrientes específicos para cada situação e com uma grande agilidade para ser produzido e chegar ao campo. Uma facilidade muito grande para se trabalhar. O que nos falta nesse quesito, no meu entendimento, são mais pesquisas para que as recomendações sejam mais bem elaboradas. Quando avaliamos os produtos e as formulações disponíveis hoje para complementações foliares, atestamos a sua ótima qualidade e eficiência comprovada.

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Ainda com relação a insumos, mas olhando agora para os agroquímicos, um diferencial monstruoso ao que tínhamos décadas passadas. Produtos muito mais eficazes, muito menos tóxicos e muito mais específicos, permitindo que, mesmo com uma grande mudança na operação de colheita de cana de queimada para cana crua, com aparecimento de novas pragas e doenças, tivéssemos a oportunidade de controlá-las também com eficiência. Apenas um parêntese para lembrar que só não caminhou mais rápido o desenvolvimento e a liberação de novas moléculas e produtos por conta da burocracia e da ideologia dos responsáveis pela avaliação e pela liberação dos mesmos nos organismos públicos (ressaltaria aqui o brilhante trabalho da atual ministra Tereza Cristina, ainda na Câmara Federal, por tratar esse tema de maneira técnica e isenta nas discussões, para que esse problema seja resolvido). Agregado ao que falei anteriormente, sobre a qualidade dos pulverizadores, conseguimos avançar muito nesses aspectos que dizem respeito ao controle de pragas, doenças e ervas daninhas e, logicamente também, com a utilização de produtos que aceleram a maturação da cana-de-açúcar. De forma que, como vemos, temos um grande aparato moderno que nos permitirá trabalhar e evoluir de maneira satisfatória. Gostaria, ainda, de comentar alguns pontos que imagino ser trabalhado para modernizar, de forma mais efetiva, daqui para frente. Sem dúvida nenhuma, os produtos de origem biológica que vêm sendo desenvolvidos e já têm sua utilização iniciando na produção de cana-de-açúcar, com resultados bastante expressivos, deverão estar no foco de nossos trabalhos. Um olhar mais atento à microbiologia do solo permitirá avanços significativos nessa área, trazendo, com certeza, ganhos de produtividade. O monitoramento através de VANTs, drones e satélites já é uma realidade e certamente serão usados em grande escala, permitindo um acompanhamento mais preciso e dinâmico de nossas lavouras. Os centros de pesquisa e desenvolvimento de novas variedades de cana, com o uso de tecnologias mais recentes, como transgenia, colocará para uso comercial variedades resistentes a pragas, a doenças, a seca e com maior teor de sacarose, além de muito mais. Melhorar o aproveitamento dos resíduos de nossa produção já passou por inúmeras mudanças, e certamente é um tema a ser trabalhado constantemente. Claro que muito mais coisas estarão disponíveis num curto intervalo de tempo, e entendo que o grande desafio para o produtor se voltará para o como fazer uso de todas essas tecnologias, buscando sempre os ganhos de qualidade e produtividade. O desafio é enorme e está lançado. Mãos à obra. n


desenvolvimento do conhecimento

Opiniões

moderno

é não esquecer o básico

As produtividades agrícolas do setor sucroenergético decresceram nos últimos anos e estão estagnadas em patamares muito abaixo do real potencial da cultura no País. Entre as causas, estão fatores climáticos (anos com chuvas irregulares) e mudanças tecnológicas adotadas para acomodar as exigências do sistema de colheita mecânica, que colocaram novos desafios para o manejo da cultura e que, aos poucos, vão sendo vencidos. Acrescem-se a isso os problemas econômicos recentes e a necessidade de redução de custos, e a consequência foi a redução nos investimentos na lavoura.

Cortar custos, porém, precisa ser feito seletivamente. A fábrica de açúcar não é a planta industrial, mas a planta que cresce no campo. Geralmente, o cuidado com a planta industrial é maior do que aquele com a verdadeira fonte de açúcar. É interessante traçar um paralelo entre ambas. Para o bom funcionamento da fábrica de açúcar, o suprimento de matérias-primas e componentes (nutrientes, água) e o gerenciamento do estoque (o solo) precisam ser adequadamente planejados e monitorados. Assim, a fertilidade do solo no seu conceito mais amplo (químico, físico e biológico) deve merecer atenção. É mais fácil diagnosticar os aspectos químicos por meio da análise do solo, mas, embora essencial, isso não é suficiente. A degradação física por erosão, o tráfego descontrolado de máquinas em solos muito úmidos, o pisoteio de soqueiras comprometem tanto a produtividade quanto a falta de potássio, por exemplo. Do mesmo modo, a baixa atividade biológica no solo afeta o crescimento das raízes e facilita a proliferação de pragas e doenças.

Muitas empresas adotam agricultura de precisão, mas esquecem de usar precisão na agricultura. "

Heitor Cantarella

Diretor do Centro de Solos e Recursos Ambientais do Instituto Agronômico, Campinas Coautora: Raffaella Rossetto, Pesquisadora Científica da APTA

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desenvolvimento do conhecimento Assim, um solo ácido, compactado, com baixo estoque de nutrientes, reduzida profundidade de enraizamento e microbiota pobre equivale a uma destilaria em que falta eletricidade e vapor, o suprimento de caldo é irregular e o estoque de ácido sulfúrico se esgotou. A cana mais cara é de áreas com baixos rendimentos, uma vez que vários custos fixos que não podem ser comprimidos. Não se deve esquecer, por exemplo, que nutrientes são fatores de produção, pois são componentes insubstituíveis das plantas. Aqui não há atalho possível: mais biomassa, mais nutrientes. A cana de três dígitos, meta do setor, exporta, aproximadamente, 100 kg de N, 35 kg de P2O5 e 130 kg de K2O por cada 100 toneladas de colmo colhido. Se a palha for computada, esses números sobem para 150 kg de N, 45 de P2O5 e 180 kg de K2O. Essas são quantidades mínimas que devem ser repostas se o solo não contiver níveis altos desses nutrientes. É importante não esquecer que as plantas também precisam de nutrientes secundários e micronutrientes. O manejo inadequado da adubação pode levar à degradação do solo a médio prazo e comprometer o potencial produtivo e a longevidade das soqueiras, levando a reformas precoces e a aumento de custos. É relativamente comum o uso de umas poucas formulações de fertilizantes para toda a área plantada, às vezes de dezenas de milhares de hectares. Isso simplifica o processo de compra e as operações no campo, mas não leva em conta as peculiaridades dos diferentes tipos de solo e da fertilidade, que pode ser alterada de modo distinto em diferentes unidades de solo. Muitas empresas adotam agricultura de precisão, mas se esquecem de usar precisão na agricultura. Pesquisas recentes têm evidenciado aumentos substanciais de produtividade com aplicações de micronutrientes em cana, em especial o zinco, o qual vinha sendo negligenciado em programas de adubação devido a pesquisas mais antigas, quando os solos eram de exploração recente e não tão esgotados. O emprego adequado de micronutrientes é essencial para a cana de três dígitos. As recomendações modernas de adubação também apregoam práticas para evitar que o solo chegue exaurido à época da reforma, acelerando a queda de produtividade a cada soqueira. Um exemplo é a aplicação periódica de calcário e gesso – e não somente na reforma - para contornar o excesso de acidificação e perda gradual de bases que ocorre ao longo do ciclo. Igualmente importante é a aplicação de fósforo em soqueiras. A tradicional aplicação somente de NK em soqueiras já não é mais aceitável na maior parte das situações. As exportações de fósforo ao longo do ciclo, em lavouras com alta produtividade, não são compensadas mesmo com as altas quantidades aplicadas no plantio.

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Opiniões

Se não houver reposição, o estoque do solo se esgota, e as soqueiras se degradam. O mesmo vale para outros nutrientes. Assim, a contabilidade simples de entradas de suprimentos (adubação mineral, uso de subprodutos como vinhaça, torta), de saída de produtos (as exportações pela colheita) e de conferência do estoque (análise de solo) traz informações essenciais para a tomada de decisões no manejo nutricional da cana-de-açúcar. Do mesmo modo que é necessário manter as correias transportadoras de cana limpas e lubrificadas na indústria, é preciso evitar danificar a boca da planta (a raiz) com excesso de sais e doses altas de alguns elementos tóxicos em altas quantidades: a prática comum de colocar no sulco de plantio muito potássio, às vezes N e altas doses de fontes solúveis de boro, pode ser substituída pela aplicação de parte desses elementos em cobertura após a brotação. O aumento do custo da operação deve ser medido frente ao benefício do melhor aproveitamento dos nutrientes e menor dano à cana. As modernas tecnologias, tais como agricultura de precisão e eletrônica embarcada, são cada vez mais presentes no setor sucroenergético. Diagnósticos em tempo real, controle de tráfego, mapas de colheita, operações georreferenciadas são ferramentas que facilitam e permitem otimizar o manejo nutricional. Essa é uma área emergente nas pesquisas em cana-de-açúcar e tem muito a oferecer para o aumento da produtividade e da redução de custos. Porém é importante manter sempre a aderência aos conceitos básicos de nutrição. Por fim, moderno, e primordial, é prestar atenção aos aspectos ambientais relacionados ao manejo da adubação da cana-de-açúcar. As emissões de gases de efeito estufa (GEE) oriundas das operações de campo e do uso de insumos agrícolas estão na pauta das discussões internacionais e podem servir de barreiras não tarifárias para os produtos do setor sucroenergético. Pesquisas recentes mostram que os fatores de emissão associados ao uso de fertilizantes nitrogenados – um dos maiores responsáveis pelas emissões de GEE –, no cultivo de cana no Brasil, são inferiores aos valores médios usados pelo IPCC, o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas. Essa é uma boa notícia, mas algumas práticas comuns, como a adubação feita próximo à aplicação de vinhaça e áreas com muita palha, podem reverter esses bons resultados. Estudos estão sendo conduzidos para obter dados mais precisos e procurar soluções para contornar esse problema, para garantir que essa indústria seja cada vez mais um modelo de produção sustentável. n


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desenvolvimento do conhecimento

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a modernidade está agora nos anos 1970 O título de um artigo deve chamar atenção, caso contrário todo o seu esforço pode não valer nada. Isto é o que, nos 22 anos de orientações de mestrado e doutorado, meus orientados sabiam que seriam cobrados. Inicialmente, procurei o significado da palavra “moderno”. O dicionário diz que é o que pertence ao tempo presente, atual, que tem pouco tempo. O sinônimo cita: novo, recente, atual e sofisticado. Para fazer o contraponto, cito o antônimo que diz que é o velho, conservador, antigo e antiquado. A partir dessas contestações, confesso que fiquei confuso, pois, quando recebi o convite para escrever sobre o que é moderno na área agrícola do sistema sucroenergético, tinha em mente uma linha de pensamento, no que estava se fazendo de moderno, na produção de cana-de-açúcar, dentro das diferentes etapas, desde o seu plantio até a sua colheita, identificando o que de moderno foi aplicado no aumento da produção e como consequência na redução de custos. Comecei a listar o que de moderno estava sendo feito nas lavouras de cana-de-açúcar e verifiquei que o cenário para a palavra moderno, estava mais representativo, de fato, para o seu antônimo, ou seja, o velho, o antigo. Muito bem, para se ser atual e recente, é necessária muita pesquisa, conhecimento e comprovação adequada, que é exatamente o que nós não temos hoje na cultura da cana-de-açúcar.

Gostaria de lembrar que o grande avanço da cultura da cana-de-açúcar, no País se deve grandemente a duas instituições, a Copersucar e o Planalsucar, que, nas décadas de 1970, 1980 e 1990, consolidaram a pesquisa com a cultura no Brasil e com grande contribuição mundial, consolidando o setor no País. Infelizmente, este País com memória curta e sem reconhecimento, deixou que elas fossem extintas na década de 1990 (Planalsucar), e a Copersucar, com grande dificuldade financeira, transforma em CTC, em 2003. Os prejuízos não foram maiores devido à abnegação de alguns pesquisadores e, no caso específico do Planalsucar, à absorção de todo o seu acervo pelas universidades federais, criando a Ridesa. Portanto, em nível de País, não temos mais uma instituição com a responsabilidade de gerar pesquisa com a cultura da cana-de-açúcar, extremamente representativa com relação ao aporte de divisas, alternando entre o terceiro e o quarto lugar de importância. O que temos de pesquisa são trabalhos esparsos por instituições e universidades, pontuais e específicos, dentro de uma determinada região, com artigos, teses e dissertações. “O que se ouve muito no setor e ouvi em vários momentos a expressão:” o setor precisa ter juízo”. Notem que, até o presente momento, ainda não entrei no “moderno”, como ação para aumento da produtividade e diminuição de custo. Os ganhos que se conseguiram com o moderno, na realidade é uma implantação de ações e técnicas, que, pelo conceito, é, de fato, velho e antiquado. Vamos ao “moderno” plantio de mudas e não de cana-de-açúcar, portanto a volta do tratamento térmico, o uso de técnicas de propagação gema a gema, hoje denominado no mercado de MPB (mudas pré-brotadas); a racionalidade do plantio de

por que não reunir todas as instituições de pesquisa e de produção e fazer um programa nacional de pesquisa com a cultura da cana-de-açúcar, preservando as suas competências? "

Edelclaiton Daros Fernando

Professor Titular doBionergia Dpto de Fitotecnia e Fitossanidade da UF-PR, Cerradinho Ex-Coordenador do PMGCA/UFPR/RIDESA e da RIDESA


Opiniões meiosi, amplamente estudado, está de volta como novas técnicas de plantio, enfim, poderia ficar citando uma série de coisas “modernas”, que estão sendo implantadas. Na realidade, o que está faltando é leitura, lembrem que as duas instituições citadas deixaram muito material escrito, basta ir buscar a informação e adaptá-la a sua situação ou talvez promover modificações, aí talvez pode ser que você se aproxime do “moderno”. Merece uma reflexão os porquês de deixarem todo esse acervo para trás, sabendo que, para frente, não teremos mais instituições com aquele porte para realizar a pesquisa que o setor precisa e merece. Neste momento, está havendo no setor muito ruído com relação às técnicas de manejo, novas nomenclaturas sendo usadas, uma nova roupagem; se isso é “moderno”, como dizia um personagem deitado em uma cama de hospital, ”por favor, tire o tubo”, do grande humorista Jô Soares. Reparem em tudo isso que estão dizendo que é “moderno”; ainda estamos com dificuldade de aumento de produtividade, e agora merece nova reflexão o porquê de não estamos conseguindo aumentos de produtividade. Tem-se à disposição das unidades do setor um grande elenco de variedades e, portanto não é falta, nos parece que todas têm grande potencial, que não tem sido expresso a campo nas unidades, é agora, é motivo de nova reflexão para o setor. O grande investimento que o setor faz nas instituições pública federal (Ridesa) e estadual (IAC) e na obtenção de variedades, como se o problema da baixa produtividade fosse causado pela variedade. Nesse aspecto, gostaria de comentar a nomenclatura de variedades “modernas” e variedades “antigas”, ao cúmulo de influenciar até no financiamento agrícola menor nas variedades “antigas”, para uso maior das variedades “modernas” mais produtivas; só no papel, não no campo. Justifica-se sem conhecimento da região, por meio de um censo varietal, cuja baixa produtividade no estado do Paraná é causada pelo uso de variedades antigas, sem conhecer os problemas do estado. A que ponto se chegou, meus amigos, precisamos ter um pouco de modernidade até para falar. Com relação à questão de variedades, estou também sugerindo uma nova nomenclatura para ser analisada pelo setor. Prefiro classificar e sugerir a nomenclatura de "variedade funcional". Ao verificarmos a teoria geral dos sistemas, veio quebrando paradigmas de simplicidade, estabilidade e objetividade, colocando pressupostos de complexidade, instabilidade e intersubjetividade, constituindo em uma visão sistêmica. O conceito de sistema se refere ao modo como acontecem as relações ou as conexões entre os diversos componentes de produção

e as relações dentro deles. Não existe variedade moderna ou antiga. Existe, sim, um ambiente e um manejo adequado para que a variedade possa se desenvolver funcionalmente, isto é, cumpra a sua função, de se adaptar, ser estável, resistir às doenças e pragas, aos estresses ambientais presentes todos os anos e ainda ser produtiva. Cabe às unidades e ao seus corpos técnicos perceberem se a variedade é funcional e aprender o manejo dentro da unidade, nos seus ambientes de solo, de clima e de produção. Com certeza, cada unidade produtora tem e terá as suas variedades funcionais, que é o que tem garantido a sustentabilidade da unidade. O desafio proposto é que cada unidade, dentro do seu manejo, identifique, conheça e execute o plantio e o manejo de suas variedades funcionais, trazendo segurança e estabilidade a essa produção agrícola da unidade. Observem como pega essas “modernas” invenções, mais de palavras do que de resposta no campo, influencia-se todo um setor, com qual finalidade, para quem, quem tem ganho, quem leva vantagem. Não poderia, como professor, ficar só no contraditório do que estou vendo no setor, portanto novamente insisto em uma proposta para o setor, que, com certeza, depois de alguns anos, poderá escrever sobre a modernidade do setor. Volto a insistir, precisamos ter juízo e rever a pesquisa no País, com programas em todas as áreas de conhecimento, com instituições trabalhando junto em suas competências, para tentarmos resolver os problemas do setor e não das instituições. Se começarmos agora, talvez, em dez anos, tenhamos alguma resposta. Precisamos urgentemente estabelecer um programa a nível nacional em todas as áreas de pesquisa, para que possamos dar segurança a esse setor e ao País. Esse é o nosso desafio, nas universidades e nas instituições de pesquisa, há competência para encaminhar uma solução dos problemas e auxiliar a consolidação efetiva do setor sucroalcooleiro no País, produzindo mais, melhor e, como consequência, com menor custo. Porém quem financia a pesquisa é o setor sucroenergético, e este também precisa repensar as suas prioridades e seus investimentos em pesquisas, pois só variedade não resolve o problema de produzir mais, melhor e com menor custo. Assim, com esse espírito, por que não reunir todas as instituições de pesquisa e de produção e fazer um programa nacional de pesquisa com a cultura da cana-de-açúcar, preservando as suas competências? O desafio está lançado. Gosto muito de uma frase de uma música de Chico Anísio, que diz “Não há considerações gerais a fazer, está tudo aí para quem quiser ver”. n

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Opiniões

o que é moderno hoje? A meu ver, a modernidade no setor sucroenergético, assim como em outras áreas empresariais, está basicamente ligada ao recebimento e tratamento on line das informações de campo e suas interações com as máquinas e sistemas de controles das operações e custos, e nos dá, por exemplo, através de ferramentas de georreferenciamento de informações, bancos de dados totalmente disponíveis num click, o acesso a históricos de tratos acumulados, com visões multifacetadas para que, nós, técnicos do setor, os analisemos da forma que mais nos convenha. Rendimentos de máquinas cada vez m‑ais eficientes e completas que, por si só, já inserem mais e mais dados nesse enorme banco de informações e que agregam camadas sobre camadas de análises, produzindo relatórios, ajustes, correções, mapas “quentes” com produções lançadas por metro quadrado avaliado. A qualidade desses dados aumenta exponencialmente a cada ano com seu uso. Moderno também é ter um maquinário já atualizado com automações de aplicações em taxa variável e direção controlada por piloto automático, lançando automaticamente os insumos utilizados para um sistema gerencial integrado. Os traçados e os talhonamentos já chegam prontos da área de planejamento das empresas para o campo e são automaticamente implantados no momento da instalação dos campos, visando aos melhores rendimentos de plantio e colheita. Nos anos seguintes, aquele mesmo plano de traçado irá proteger suas linhas de soqueiras do pisoteio e, novamente, as máquinas seguem seu curso de forma automática, ano após ano. Um ambiente protegido e apto a elevadas produtividades. Supermoderno.

Insumos modernos, com efeitos fitotônicos e de proteção aos cultivos, além de micronutrientes aplicados na época correta, compõem um quadro de elevado potencial produtivo, e quando possível, aliado a algum processo de irrigação, podem proporcionar ganhos excepcionais conforme a região. A reciclagem de nutrientes via vinhaça e torta de filtro compostada com fuligem, uso de rotação de culturas na meiosi com soja ou amendoim, ocupando e protegendo o solo ao longo de todo ano e a todo momento, é a busca que uma boa área técnica da empresa sucroenergética tem que seguir. Incrível que ainda hoje, há quem não faça o uso correto desses insumos e técnicas. A sustentabilidade do nosso setor é um dos pilares de nossa existência e isso é moderno. Novas formas de engajamento das pessoas nos resultados das empresas, torná-las donas do negócio que gerem, envolvê-las de fato no atingimento das metas consensadas é o que há de mais moderno, pois os motores da produtividade são acionados pelo interesse de todos remando para o mesmo lado. A evolução que se apresenta para o setor canavieiro, se, por um lado, nos anima por suas potencialidades, por outro, mostra que o campo ainda não está conseguindo provar em números essa eficiência da modernidade. Estamos, ao mesmo tempo, num momento de explosiva adoção de novas técnicas produtivas e de estagnação na produção de cana por hectare. Num rápido diagnóstico, nos damos conta de que algumas oficinas agrícolas ainda pecam na conferência das bitolas dos tratores e transbordos, pecam também na pressão dos pneus de transbordo e caminhões e nas rotinas básicas de manutenção, afetando a disponibilidade das máquinas e a qualidade do serviço. Absurdos são comumente vistos nas velocidades de colheita, provocando arranquio de soqueiras e operações de manobras inadequadas e ineficientes. Pilotos automáticos instalados, mas desligados, computadores de bordo, idem.

Para a empresa crescer, as variáveis têm que ser todas bem avaliadas, pois os atos decididos hoje terão reflexos por longos anos, para o bem e para o mal. Então, ser uma empresa sucroalcooleira moderna, para mim, está no equilíbrio entre todas essas equações. "

Fernando PauloCerradinho Zancaner Castilho Bionergia Diretor da Datagro Alta Performance


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A pressa impõe uma perda de valor, que é cumulativa e não se recompõe ao longo do ano. Costumo dizer que ninguém obriga uma mãe a conceber seu filho antes dos 9 meses, somente por querer ter o filho, aos 7, 8 meses, por não poder esperar. O filho está lá, mas não está disponível! É o mesmo para uma cana imatura, que não completou seu ciclo. Há que se dar o tempo correto a ela, senão haverá sequelas. Da mesma forma, não se fica 10 meses com um filho na barriga somente para diluir o custo fixo da roupa larga adquirida. Somos uma agroindústria e temos ciclos de vida envolvidos na produção. O ciclo de consolidações que ocorreu após 2008 trouxe muitas novas ideias e conceitos gerenciais para o setor e chacoalhou um sistema que estava há muito estabilizado. Independente do acerto ou erro das gestões que se instalaram, uma nova forma de gerir as usinas surgiu desse movimento, com uma cobrança mais centrada em resultados (às vezes imediatos) cuja entrega não depende exclusivamente da gestão, mas ela está aí, e temos que ter a capacidade de, com números, mostrar as melhores opções disponíveis para a empresa e também, com números, quantificar os reflexos dessas opções no resultado de longo prazo da empresa. Para a empresa crescer, as variáveis têm que ser todas bem avaliadas, pois os atos decididos hoje terão reflexos por longos anos, para o bem e para o mal. Então, ser uma empresa sucroalcooleira moderna, para mim, está no equilíbrio entre todas essas equações. n

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agricultura digital: um caminho sem volta O plantio de cana-de-açúcar data de 1532, época da colonização do Brasil pelos portugueses, que trouxeram as primeiras mudas, tendo como objetivo único produzir açúcar para o consumo e também os escambos com outras mercadorias, principalmente da Europa. Depois de muitos anos, por volta de 2006, houve um avanço no plantio e na colheita mecanizada, que trouxe grandes conquistas ao setor, e, naquele momento, a mudança tecnológica também trouxe uma demanda muito intensa nos processos agrícolas, na gestão dos recursos humanos e financeiros e, também, uma mudança de mindset, ou seja, o modo diferente de fazer as coisas, de tal forma que estivessem adaptadas ao novo mundo do setor sucroenergético. Ao mesmo tempo que acontecia a escalada do avanço tecnológico, vários fatores bióticos e abióticos que compõem a equação da produtividade dos canaviais passaram a ter uma interação maior entre si impactando de forma muito direta na construção do retorno esperado que, sob a ótica da área agrícola, são as toneladas de cana por hectare. De modo geral, houve uma evolução dos processos de manejo agrícola, como preparo do solo para o plantio mecanizado, manejo varietal adequado, manejo das soqueiras em ambiente de colheita mecanizada, e muita tecnologia foi gerada em busca da melhor assertividade no uso dos recursos disponíveis para a produção de cana. Em seguida, por volta de 2007, chega ao mercado uma tecnologia “disruptiva” com o plantio de “Mudas Pré-Brotadas” (MPB), com diversos sistemas de uso, quebrando toda uma tradição de altos volumes de muda por hectare, trazendo, assim, um método mais sustentável, com material sadio, A era digital será um divisor de águas entre o novo e o velho no que diz respeito à modernidade em produzir cana, independentemente do tamanho do produtor ou da área cultivada. "

João Paulo Pivetta Consultor Independente do sistema sucroenergético

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menor quantidade de material por hectare, redução de mão de obra, maior controle da operação e que, novamente, trouxe a necessidade de adaptação de processos agrícolas operacionais, no sentido de acolher e ter assertividade na nova tecnologia. Recentemente, um método da década de 1980, a “Meiosi” (Método Intercalar-rotacional Ocorrendo Simultaneamente), voltou com força total como opção de sistema de plantio, congregando o método em si com material genético sadio proveniente de MPB ou de materiais de qualidade produzidos pela própria usina. Um fator chave para o retorno dessa modalidade, proporcionando maior assertividade no campo, foi, sem sombra de dúvidas, a evolução da agricultura de precisão, tornando, assim, o método uma verdadeira “obra de arte”. Entretanto, nesse período de avanço dos modelos de produção de cana, associados às novas técnicas de manejo fitossanitário, nutricional e fisiológico da cana-de-açúcar, visando a incrementos na produtividade, a evolução quanto ao uso das ferramentas digitais foi muito interessante, porém, aquém daquilo que se faz necessário para o momento atual, face à grande disponibilidade das mesmas no mercado, para serem utilizadas em benefício do setor. Por outro lado, temos uma produtividade média dos canaviais em queda nas últimas 4 safras, ficando em torno de 73 ton/ha, muito longe dos tão desejados 3 dígitos. Projeções apontam para a safra 2019/2020 uma tendência de aumento de plantio de ano e meio, em torno de 2%, que impactará di-


Opiniões retamente na diminuição de aproximadamente 1% na área colhida, com pequena redução no envelhecimento do canavial, o que manterá a produtividade com pequenos ganhos se levar em consideração o mesmo nível de investimento tecnológico atual, podendo ser revertido positivamente pelas boas perspectivas de clima. A literatura mostra, em vários trabalhos, que o potencial de produtividade da cana pode chegar a 370 ton/ha. Nesse contexto quanto à evolução dos processos agrícolas de manejo da cana-de-açúcar, preparo de solo, plantio, tratos culturais da cana planta, colheita e tratos culturais da cana-soca ainda estão sendo realizados muitas vezes de forma tradicional, orientados pela percepção de cada produtor ou decisor que esteja à frente de cada processo. Felizmente, caminha-se para uma rápida evolução quanto ao uso de ferramentas modernas, que vêm ao encontro da grande disponibilidade de insumos modernos para nutrição, aceleradores de germinação e enraizamento, inseticidas para sulco de plantio e aplicações tópicas, herbicidas seletivos modernos, fungicidas com efeito fisiológicos, maturadores e inibidores de florescimento e isoporização, insumos estes que nunca foram tão abundantes como nos dias atuais, possibilitando aos gestores das usinas e fornecedores a melhor decisão para cada caso em suas áreas produtivas. Mas a receita é simples assim? Obviamente que não! A tomada de decisão pelo uso de insumos modernos requer um diagnóstico de cada situação embasado em dados confiáveis, cruzados com todos os parâmetros que interferem na produtividade para que a escolha possa ser a mais assertiva, de tal forma que possa capturar toda a potencialidade de cada tecnologia em prol do ganho de produtividade com sustentabilidade. Hoje, não bastam apenas conhecimentos empíricos, recomendações empacotadas, levantamentos de rotina no campo que não são devidamente analisados e interpretados, trabalhar com percepções ou escolhas pela emoção, mas, sim, entrar na era do que é de mais moderno no agro, ou seja, lançar mão da “agricultura digital”, em que as tomadas de decisões poderão ser mais pela razão, usando a tecnologia digital como aliada e fundamental na interpretação dos dados, fazendo, assim, o uso da “internet das coisas” e não mais somente para as pessoas. Para cada momento do ciclo da cana-de-açúcar, existem ferramentas digitais para suportar as maiores tomadas de decisões, entre as quais podemos citar alguns exemplos mais usuais: • Análise de dados meteorológicos: o clima tem impacto em todas as fases da cultura, bem como sobre a maioria dos fatores que equacionam a produtividade. Como forma de mitigação dessa variável, existem, hoje, ferramentas disponíveis na versão

web e outros aplicativos instalados em dispositivos móveis; • Uso de drones ou VANT (veículos aéreos não tripulados): equipamentos dotados de um computador, um GPS e uma câmera fotográfica que possibilitam fotos e filmagens em alta resolução. Essas imagens podem ser usadas na identificação de problemas como: falhas no canavial, incidência de doenças, plantas daninhas, presença de reboleias com ataque de pragas, entre outros; • GPS: Dispositivo que mensura informações de latitude e longitude das áreas cultivadas. Quando embarcadas nas máquinas de campo, possibilitam diversidade de automação e análises gerenciais das operações. Dentre algumas aplicabilidades do GPS no campo, tem-se o piloto automático, a telemetria, o modo automático nas pulverizações terrestres e aéreas e o uso de sensores que mensuram condições climáticas e também aqueles de altura que auxiliam na avaliação da topografia, ajustando as barras de pulverização ao longo da aplicação; • Softwares: programas que coletam informações geográficas e que, integrados com os dados de campo, possibilitam a confecção de mapas e relatórios, facilitando as tomadas de decisões; • Rede 4G no campo: essa tecnologia realmente será o grande sonho de consumo do agro, onde todo o campo, seja o ambiente, a topografia, a planta, as máquinas, o clima e as outras variáveis estarão conectadas entre si e centralizadas em uma plataforma de dados a qual possibilitará o processamento por ferramentas digitais baseadas em Big Data e inteligência artificial. Empresas produtoras de insumos e as startups buscam ampliar o acesso do produtor, independente do seu tamanho, às tecnologias digitais impulsionadas por uma agricultura mais sustentável. Estima-se um investimento em internet das coisas no meio rural em torno de R$ 100 milhões na safra de 2018/2019, segundo a Associação Brasileira da Internet das Coisas - Abinc. A agricultura digital será o que há de mais moderno na área agrícola do setor sucroenergético, por meio de um monitoramento confiável das condições climáticas que interferem no processo produtivo; no monitoramento de pragas, doenças, plantas daninhas, equilíbrio nutricional e eventos fisiológicos da cana, como florescimento e isoporização; no controle detalhado no uso de insumos e na redução de custos com mão de obra; assim, será possível elevar os níveis de produtividade com sustentabilidade, pela otimização dos processos e dos custos. A era digital será um divisor de águas entre o novo e o velho no que diz respeito à modernidade em produzir cana, independentemente do tamanho do produtor ou da área cultivada. n

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palha de cana:

quando aproveitaremos o seu potencial?

Com o avançar da colheita mecanizada, o setor sucroenergético começou a ver a palha remanescente no campo com outros olhos. Estudos de seu potencial começaram a ser realizados em universidades e centros de tecnologias, deixando muito claro que a quantidade de biomassa adicional disponibilizada ao setor poderia ser uma fonte interessante de receita. Entretanto, anos passaram-se, e o setor ainda engatinha em sua utilização, apresentando até uma diminuição na taxa de adoção dessas tecnologias. A quantidade total de palha produzida no Brasil em cada safra é de cerca de 100 milhões de toneladas, sendo que entre 30 a 40 milhões de toneladas são transportadas às usinas junto com a cana picada, na forma de impurezas vegetais. Das 60 a 70 milhões de toneladas restantes, estima-se que, no máximo, entre a 1 e 3 milhões estejam sendo aproveitados como combustível adicional através do enfardamento ou da colheita com limpeza parcial no campo e separadas em estações de limpeza a seco na indústria. Considerando-se as recomendações agronômicas para a manutenção parcial da palha no campo, temos,

então, disponíveis, cerca de 30 milhões de toneladas de palha por safra que poderiam gerar 20 TWh de energia elétrica por safra, dobrando a geração realizada com bagaço na safra 2018. Qual então é a razão que impede tal utilização? Será que a tecnologia de recolhimento e aproveitamento disponível atualmente não apresenta o desenvolvimento técnico adequado, não trazendo confiança às usinas? Ou será que sua aplicação em geração de energia elétrica tem um mercado que trava o seu crescimento através de problemas de regulação e inadequação de preços? Na minha opinião, fica claro que o motivo não é tecnológico, mas sim de adequação ao mercado de energia elétrica. Atualmente, o mercado elétrico não remunera de forma adequada e possui regulações que não reconhecem as características únicas do setor e os seus benefícios à sociedade; além disso, o outro mercado potencial para a palha, etanol de segunda geração, encontra-se ainda em fase de escalonamento das tecnologias industriais, impedindo um aumento da demanda no curto prazo da palha para a substituição do bagaço, matéria-prima fundamental da indústria do etanol celulósico. Temos disponíveis cerca de 30 milhões de toneladas de palha por safra que poderiam gerar 20 TWh de energia elétrica por safra, dobrando a geração realizada com bagaço na safra 2018. "

Marcelo de Almeida Pierossi Consultor da Lidera Consultoria e Projetos


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consultores As tecnologias de recolhimento e aproveitamento da palha vêm sendo estudadas por universidades e centros de tecnologia desde os meados da década de 1990, e ocorreram evoluções significativas na cadeia de suprimento. A correta quantificação da palha, que pode ser recolhida de forma a garantir a sustentabilidade da produção canavieira, a forma mais economicamente viável dentre as rotas de recolhimento para cada unidade industrial e a forma de processamento e limpeza da palha para uma queima sem causar danos às caldeiras encontram-se testadas à exaustão e disponibilizadas comercialmente para os empreendedores que queiram entrar no negócio da bioeletricidade movida a palha de cana. O desenvolvimento mais recente do aproveitamento da palha coincidiu com o início do desenvolvimento dos projetos de etanol de 2ª geração (E2G), e muito do que foi realizado considerava a palha como combustível substituto ao bagaço na geração de energia elétrica, visto que parte do bagaço seria direcionado à produção de etanol. Entretanto os projetos não apresentaram a velocidade anteriormente projetada, e a palha voltou-se exclusivamente para a geração adicional de energia elétrica, complementar à energia gerada pelo bagaço. Isso fez com que grande parte da energia fosse comercializada no ambiente de mercado de curto prazo, mercado volátil regido pelo valor do PLD (Preço de Liquidação das Diferenças), valor calculado semanalmente e com grande variação, visto que depende de fatores climáticos, entre outros. Essa variação impede o planejamento de investimentos para o recolhimento da palha, uma vez que a compra de equipamentos agrícolas e industriais precisam de escala para viabilizar o investimento. Torna-se difícil o investimento de altos montantes, baseado em janelas de oportunidade no curto prazo.

Somado a essa dinâmica, o mercado de curto prazo vem passando por um sério problema de inadimplência, em que liminares, devido ao risco hidrológico, estão sendo deferidas, ocasionando dívidas na faixa de R$ 7 bilhões, diminuindo ainda mais o interesse na venda de energia elétrica para esse mercado. O tema biogás tem estado em destaque no setor sucroenergético nos últimos tempos, através da construção da primeira termoelétrica de biogás produzido a partir da vinhaça. A palha tem um grande potencial de produção de biogás a partir da biodigestão. De acordo com dados de Elia Neto (2014), 49% do potencial total de produção de biogás dos resíduos canavieiros (palha, bagaço, vinhaça e torta de filtro) viria da palha. Esse potencial é cerca de 10 a 12 vezes maior do que o da vinhaça e representaria cerca de 20 bilhões de m3 de biometano por ano, equivalente a 20 bilhões de litros de óleo diesel. A utilização da palha nos biodigestores solucionaria um dos gargalos atuais na sua utilização: a remoção das impurezas vegetais (teores que variam de 5% a 10%) e a trituração da palha. Entretanto essa aplicação encontra-se em desenvolvimento inicial, necessitando maiores estudos técnicos e econômicos. Além da utilização na produção de biogás, outro fator que pode trazer alento à utilização da palha é o RenovaBio. Esse programa governamental visa incentivar a produção de biocombustíveis por meio da comercialização de créditos de descarbonização (CBIOs), que serão comprados pelas distribuidoras de combustíveis como forma de atender o compromisso do Brasil com o Acordo de Paris para a redução dos gases de efeito estufa. Os CBIOs são gerados pelas empresas produtoras de biocombustíveis e são calculados a partir da eficiência na sua produção. Sua quantificação é realizada através da ferramenta RenovaCalc, que considera as emissões na produção agrícola e industrial, transporte e uso dos biocombustíveis. O aproveitamento da palha na geração de energia elétrica contribui na fase agrícola, pois a palha deixada no campo é responsável por aumentar as emissões de N2O, e na fase industrial, com o aumento da energia elétrica, comercializada. Dessa forma, o aproveitamento da palha trará incremento na quantidade de CBios que a usina poderá vender ao mercado. Com base no cenário descrito, as tecnologias para quantificação da palha a ser recolhida, as rotas de recolhimento e as formas pelas quais a palha é processada nas unidades industriais estão bem definidas e sendo utilizadas por algumas usinas, entretanto a complexidade regulatória, a instabilidade dos preços no mercado de curto prazo, entre outros fatores, estão impedindo o maior aproveitamento do potencial energético da palha. Cabe ao setor divulgar o potencial da palha e lutar por um ambiente mais favorável, onde todo o potencial seja aproveitado pela sociedade. n


fornecedores de tecnologia

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a moderna

logística de transporte

A logística é foco de atenção constante no setor sucroenergético, pois o aumento da produtividade está diretamente relacionado à redução de custos e à gestão eficiente dos processos agrícolas. A tecnologia é, portanto, uma grande aliada para reduções efetivas de custo. Sabe-se que grande parcela dos custos do sistema sucroenergético provém da logística e do transporte, ou seja, do caminho entre a lavoura e a usina, onde componentes como combustível, pneus e manutenção são fatores relevantes na obtenção de uma maior produtividade.

Sabe-se que grande parcela dos custos do sistema sucroenergético provém da logística e do transporte, ou seja, do caminho entre a lavoura e a usina "

Fernando Adriano Terra Fernandes Gerente de Desenvolvimento de Produto da Sergomel Cerradinho Bionergia

Nesse cenário, surgiu a procura por componentes, que fossem ainda mais leves e resistentes, com tecnologia mais adequada. Um dos itens principais na área de transporte foi a adoção no projeto do aço de alta dureza (superior em resistência ao aço estrutural comum), proporcionando, com sua utilização, produtos mais fortes, leves, seguros, competitivos e sustentáveis, agregando dessa forma, desempenho com tecnologia. Produzidos na Suécia, o aço Strenx chegou ao Brasil em 2004 denominado Domex. Pelo seu pioneirismo, acabou tornando-se uma marca de referência e sinônimo dos aços de alta resistência (acima de 700 Mpa de limite de escoamento).


fornecedores de tecnologia Os equipamentos produzidos com esse material são utilizados pela nossa indústria desde 2005, quando o sistema canavieira sentiu a necessidade de adequação à legislação vigente. No Decreto 4.771, de 29/05/2003, o Contran fez publicar a Resolução nº 258 com a seguinte disposição expressa: Art. 3º. Nenhum veículo ou combinação de veículos poderá transitar com peso bruto total (PBT) ou com peso bruto total combinado (PBTC) com peso por eixo superior ao fixado pelo fabricante nem ultrapassar a capacidade máxima de tração (CMT) da unidade tratora. Até então, não havia controle rígido das autoridades quando ao peso que os caminhões transportavam pelas estradas, o que mudou a partir de 2008. Essa nova realidade causou impacto enorme para as empresas que dependiam do transporte rodoviário, porque passou a fiscalizar o peso máximo permitido para as composições, seguidas de multas para quem descumprisse os limites. Foi então que a denominada Linha Leve (equipamentos com aço de alta resistência) passou a ser requisitada. Estrategicamente falando, inúmeras ações paralelas para redução de peso foram adotadas, pois o ganho estava sendo relevante com essa nova proposta. Dentre esses ganhos, podemos citar o menor desgaste dos pneus, economia de combustível, tempo maior entre as manutenções, segurança e agilidade, entre outros. Existem, atualmente, no mercado, várias opções que contribuem para uma maior eficiência no transporte, das quais podemos citar: Calibragem de pneu automática/Rodoar: a calibragem inadequada é a maior responsável pelo desgaste e descarte prematuro de pneus. Com esse componente, há ganho de tempo e produção, sem haver a necessidade de parar para calibrar os pneus, gerando economia, segurança e conforto. Suspensão pneumática: com uma grande absorção de torções e sobrecargas, a suspensão a ar evita ainda mais a transferência de trepidações e impactos ao chassi, proporcionando, consequentemente, maior proteção à carga e ao veículo. Dessa forma, optar por esse tipo de suspensão trará muitos benefícios, além de estabilidade, baixo custo da manutenção, maior vida útil para a estrutura do veículo. Seus elementos de desgaste são de fácil reposição. Rodas de alumínio: chegam a ser mais de 40% mais leves que as rodas de aço. Essa redução de peso proporciona menor consumo de combustível, aumenta a vida útil dos freios e amortecedores, resultando em um desgaste menor dos pneus. Pneu single: Os pneus single são encontrados ape-

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nas em equipamentos com suspensão pneumática. A vantagem deles são muitas, a começar pela aquisição e inventário, em que se utiliza a metade quando comparados aos pneus duplos; economia de combustível, devido a menor área em contato com o piso, diminuindo a resistência ao rolamento; menor tara comparada a um rodado duplo, proporcionando maior carga útil e, consequentemente, melhor rentabilidade nos negócios. Com a bitola maior, a estabilidade melhora consideravelmente. Sistema de freio EBS: EBS (Electronic Brake System) é um sistema eletrônico de frenagem que combina diferentes componentes, como freios de serviço e freios das rodas. É um sistema de segurança ativa que monitora a estabilidade rotatória e direcional dos veículos. O sistema pode intervir automaticamente, independentemente do motorista, quando um alto risco de instabilidade é detectado, contribuindo, assim, para reduzir a probabilidade de acidentes, particularmente aqueles que envolvem capotamento, tombamento ou derrapagem. Dentre os benefícios desse programa inteligente, podem-se citar alguns que, com certeza, garantirão uma melhor eficiência operacional, descritas a seguir: • Ajuda a evitar a sobrecarga, levantando automaticamente o último eixo do semirreboque; • Melhora a estabilidade do semirreboque durante a condução; • Mede a carga nos seus eixos e fornece um aviso em caso de sobrecarga, evitando impactos e desgaste do fole pneumático, aumentando a vida útil do componente; • Sistema integrado de monitoramento da pressão dos pneus, aviso de alta e baixa pressão, aumentando a segurança e a economia de combustível; • O eixo elevável é levantado automaticamente, sem a intervenção do condutor, quando o semirreboque está vazio; • Controla automaticamente a altura do chassi durante a condução, aumentando a segurança e a economia de combustível; • Curto tempo de resposta e menor distância de parada, resultando em uma elevada segurança nas estradas; • Regulam a pressão do ar conduzida aos cilindros de freio; •Indicador de desgaste das pastilhas de freio. A efetiva produção de veículos com esse tipo de controle de estabilidade começa em 2022, sendo que, a partir de 2024, todos os veículos novos (saídos de fábrica, nacionais e importados) deverão contar com essa solução, enquanto os implementos rodoviários (semirreboques) deverão ter o controle de rolagem ou capotamento. n


Opiniões

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75 anos da colheita mecanizada O ano de 2019 marca os 75 anos da mecanização da colheita de cana-de-açúcar no mundo. Em 1944, em plena Segunda Guerra Mundial, a Austrália sofria com a escassez de mão de obra em suas lavouras de cana-de-açúcar. Da necessidade nasceu a solução. A família Toft, com os irmãos Harold e Collin, baseada em um projeto criado dois anos antes por Joseph Toft Junior, cria uma máquina para os agricultores locais colherem sua cana. Três anos depois, as colhedoras mecânicas já são uma realidade. A busca pela evolução não para. Em 1956, Harald Toft cria a primeira carregadeira hidráulica. Em 1960, a máquina já colhia 10 toneladas por hora, ainda com a cana colhida inteira. A colhedora de cana picada, que reduziu a quantidade de terra no processamento, foi criada em 1965.

Enquanto isso, em Ribeirão Preto, uma indústria nascia da percepção de um dono de usina, que sentia na pele a dificuldade em gerir a mão de obra em seu negócio. Em 1960, a empresa criou uma linha de carregadora e, 10 anos depois, lançou uma colhedora de cana picada, a primeira da categoria produzida no Brasil e fabricada sob licença de uma indústria australiana. A Austrália foi o berço da mecanização, mas foi no Brasil que as máquinas evoluíram. Em meados da década de 1970, a indústria dos irmãos Toft, a Austoft, enviou um representante ao Brasil que teve papel importante e decisivo no processo e desenvolvimento da mecanização dos nossos campos plantados com cana, Stanley John Pearce. John Pearce atiçou o mercado e foi fundamental para a evolução da motomecanização do canaviais brasileiros. Ele rodou todas as regiões brasileiras para mostrar as vantagens da colheita mecanizada e levou muitos brasileiros para conhecer os canaviais australianos e suas máquinas.

Em 2013, o Brasil bateu o recorde de vendas de colhedoras de cana, quase 1.500 unidades. A legislação que proibia a queima, a falta de mão de obra e a demanda reprimida levaram a esse boom. "

Fernando Eduardo Monassi CerradinhoArtur Bionergia Presidente da Tracan Máquinas e Sistemas para Agricultura

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fornecedores de tecnologia John sempre dizia que “um bom plantio é que determina a eficiência da colheita”. Custou-nos entender e, quando o fizemos, mudamos a história dos nossos canaviais. A história é longa e merece ser contada, pois a indústria brasileira evoluiu tanto que a plataforma mundial de fabricação da precursora Austoft está no Brasil desde 2004. Todas as empresas trouxeram suas plataformas para o Brasil, e a indústria de Ribeirão Preto foi incorporada por uma multinacional. A colheita mecanizada da cana não era uma opção, era uma imposição legal com o fim da queima e a impossibilidade de colheita manual. Quando as usinas paulistas aderiram em massa ao "protocolo agroambiental", era 2007, e apenas 34% da área de cana-de-açúcar de São Paulo era colhida por máquinas. Foi uma corrida dos fabricantes de máquinas para atender à crescente demanda e acompanhar as mudanças na sistematização dos canaviais. Cada usina e cada produtor estava em busca de mais produtividade; as variedades de cana e as novas configurações de plantio desafiavam os fabricantes. O pacote tecnológico para maior capacidade de colheita não parava de evoluir e ainda está em evolução. De um ano para outro, algumas máquinas receberam mais de uma centena de melhorias, sempre em busca de mais produtividade, com menor custo operacional e melhor qualidade de colheita. As novas tecnologias das colhedoras diminuíram cada vez mais o trabalho do operador. Elas gerenciam o funcionamento do motor, para proporcionar redução do consumo do diesel. Facilitam a operação e simplificam as manobras e até proporcionam o arrefecimento inteligente. O sistema ainda é capaz de “copiar o solo” para melhorar a qualidade da colheita. Em 2013, o Brasil bateu o recorde de vendas de colhedoras de cana, quase 1.500 unidades. A legislação que proibia a queima, a falta de mão de obra e a demanda reprimida levaram a esse boom. Além disso, os juros naquela época estavam deflacionados, estavam menores do que a inflação. Muita gente comprou máquina com sobra. Haveria a renovação, mas ela foi antecipada em praticamente dois anos, tanto que, em 2014 e em 2015, as vendas caíram drasticamente. Havia muita máquina no campo e muito ainda o que evoluir nas indústrias. De lá pra cá, a quantidade anual de vendas caiu, em compensação a eficácia da colheita aumentou. Segundo a Anfavea, em 2018 as vendas no mercado interno de colhedoras de cana recuaram 10,8%, para 643 unidades, bem abaixo de projeções iniciais, que sinalizavam 750 unidades. Foi o menor volume da série estatística, que começou em 2013 e que contabiliza as vendas de todas as montadoras.

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Opiniões A pergunta recorrente para nós que trabalhamos com a mecanização da cana é se o mercado vai voltar ao patamar de 2013? A resposta é não. E não vai voltar por “culpa” das próprias montadoras, que melhoram tanto seus produtos que o parque de máquinas tende a ser menor, pois, com a melhor performance em campo, a consequência é de uma demanda menor por colhedoras na frota. Isso é ruim para a montadora e seus concessionários? A evolução ininterrupta, mesmo com a crise que assolou o setor, me dá tranquilidade para afirmar que, com o que temos, é possível quase dobrar a produtividade das colhedoras de cana. O que é fundamental hoje é a qualidade da manutenção das máquinas, um processo constante. Atualmente, pouquíssimas usinas fazem o que faziam antigamente: parar na entressafra todas as máquinas para a manutenção. Não mais, agora a manutenção é feita a todo tempo, em todo período de safra. Todo mês tem máquina fazendo uma manutenção geral. Indústria e concessionários têm participação ativa nesse processo. A operação contínua durante a safra traz um desgaste grande para esses equipamentos. Por isso a qualidade da manutenção aumentou bastante e, consequentemente, a disponibilidade da máquina também, o que importa é o TCH, a quantidade de tonelada de cana por hectare. Se tem máquina disponível, ela rende mais no campo. Muitas tecnologias surgiram para prevenir a possível parada de uma máquina no campo, colhedora ou trator. As máquinas ganham eficiência a cada ano e suprem as necessidades das usinas pelo uso contínuo dos equipamentos, porém as pesquisas em relação a novas variedades mais produtivas ou voltadas para produtos específicos continuam desafiando as engenharias das montadoras. Como, na média, o mercado faz a reposição das colhedoras a cada cinco anos de utilização, a tomada de decisão para a escolha de uma máquina é feita em cima de cálculos contínuos de quanto essas novas tecnologias podem trazer de vantagem. Além disso, o Brasil não é só Centro-Sul, na região Nordeste a mecanização ainda está em 25%, e os desafios quanto à topografia e à área restrita dos canaviais devem gerar também novas demandas. E, com toda essa evolução, termino falando do John Pearce, que nos deixou um enorme legado. Nos ensinou, lá atrás, que todas as etapas que envolvem o ciclo da cana são importantes, desde os tratos do solo, passando pelo plantio, até chegar à colheita mecanizada, que é apenas parte da evolução que invadiu os canaviais do Brasil. n


A Case IH comemora globalmente 75 anos de Austoft, uma revolução que marcou definitivamente a cultura da cana-de-açúcar: a criação da primeira colhedora de cana, desenvolvida pelos irmãos Toft. Essa tecnologia resultou em máquinas de máxima excelência e produtividade, tornando a marca líder e referência mundial na colheita mecanizada.


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