F A G R I C O O P Cooperativa Agrícola e dos Produtores de Leite de Vila Nova de Famalicão
Manuel Loureiro presidente da Fagricoop, Cooperativa Agrícola e dos Produtores de Leite de Famalicão
“Só com a crise é que os políticos se lembraram da agricultura” Manuel Loureiro, presidente da Fagricoop, Cooperativa Agrícola e dos Produtores de Leite de Famalicão, é alguém que conhece bem a agricultura do país e não esquece que durante muitos anos a agricultura foi esquecida por muitos, nomeadamente pelos políticos. Depois da banca e da construção terem sido altamente abalada pela crise, o país começou a virar-se, novamente, para a agricultura. O certo é que falta fazer muito pelo setor primário.
feito esse trabalho e, provavelmente, ter-se-á de fazer esse caminho. Mas, temos a eterna questão do preço do litro de leite, em que os produtores acham que recebem pouco…. Na verdade a questão do preço é do dia-a-dia. A Agros, por exemplo, é a empresa que paga melhor o leite nesta zona do país, com 8 cêntimos acima do que pagam os outros. Porém, creio que tudo estaria melhor se houvesse outros modelos de comercialização de leite e este é o desafio para a Lactogal. Eu penso que o modelo de gestão da Lactogal terá que mudar, quer ao nível do modelo de administração, quer na sua política comercial, apostando mais na criação de novos produtos de valor acrescentado. E com isto fazer chegar aos produtores de leite maiores fatias dos lucros, promovendo a revitalização do setor leiteiro.
Sofia Abreu Silva Manuel Loureiro: Comecemos pelas estatísticas, Portugal perde 3070 produtores de leite por ano, como vê este decréscimo? Com alguma preocupação por um lado, mas por outro lado sem grande preocupação, porque realmente perdemos muitos produtores de leite, mas o número de litros mantém-se, isto quer dizer que as produções dos agricultores que fecharam foram absorvidas por outros e a produção total mantém-se. Em termos de números, até estaremos, este ano, a ter uma das maiores produções de leite dos últimos dez anos, em média com mais 35 mil litros de leite por dia, recolhidos pela Agros, num total de 1.606.000 litros por dia. A minha grande preocupação prende-se com o facto de verificar que se um produtor de leite deixa a sua produção, terá de trabalhar noutra área e, neste caso, temos estabelecido setores na cooperativa para dar apoio logístico na criação de projetos em novas áreas de atividade. No caso concreto da Cooperativa, há menos produtores? Temos perdido agricultores quase todos os anos, uns porque fecham a atividade, por questões financeiras, outros porque não têm quem dê continuidade ao seu trabalho, contudo os números não são relevantes, à exceção de há três anos em que registámos a perda de 10 produtores de leite,
mas a produção não diminuiu. Está a terminar o regime de quotas leiteiras, que existia desde 1985 na Europa comunitária. Agora, os produtores terão de concorrer em mercado livre e totalmente aberto à concorrência. Os produtores estão preparados? Nunca se está preparado para isso. São medidas que terão implicações diretas na vida das pessoas, nomeadamente de quem produz leite. Até à data, os agricultores não procuraram muitas soluções alternativas, acabando por confiar nas instituições que gerem tudo o que diz respeito ao leite para que estas minimizem o problema. Contudo, para compensar a questão das quotas, criou-se um modelo de contrato tripartido, entre a cooperativa, a Agros e o
“Sabemos que o leite é um produto de consumo garantido e que a exportação pode ser também a solução, porque este é um produto que se aguenta bem. Não se tem feito esse trabalho e, provavelmente, ter-se-á de fazer esse caminho.” As minhas maiores preocupações são o facto de haver explorações que querem aumentar e não podem, terão de manter-se assim. Depois, há sempre o risco do preço do leite cair abruptamente. Sabemos que o leite é um produto de consumo garantido e que a exportação pode ser também a soMas, quais as consequências no lução, porque este é um produto que respeita às quotas? que se aguenta bem. Não se tem
produtor, em que é estabelecido a média de produção de leite. Ou seja, a Agros garante que recebe e paga por essa quantidade de produto. Portanto, deixa de haver a questão de se produzir a mais ou a menos, dado que os produtores produzem a quantidade acordada.
Está aí um novo quadro comunitário, de que forma os produtores de leite podem aproveitá-lo? Temos sempre pessoas que apresentam os seus projetos e que conseguem algum financiamento. Pessoalmente, acho bem que se façam projetos, mas, como todos sabem, os fundos comunitários dão-nos uma percentagem e depois é necessário conseguir o restante valor. Ou seja, os fundos comunitários são excelentes quando existem condições para se concretizar um projeto, mas as pessoas devem saber que vão receber 20 a 40% da verbas comunitárias, ficando, na maioria das vezes, a dever ao banco o restante valor do investimento. O que acontece é que muitas vezes não conseguem gerar receitas para amortizar o capital em dívida. Portanto, todos devem ponderar muito bem a decisão, porque, por vezes, mais vale ter a dimensão adequada do que um projeto sobredimensionado em que a rentabilidade não seja suficiente. »»»»»
II
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especial »»»»» Concretamente quanto aos fundos, continuamos a ter agricultores que não trabalham a terra, mas recebem dinheiro… Temos um problema sério nesse aspeto e eu defendo a criação de riqueza. Só quem criasse riqueza para o país é que devia receber fundos comunitários, ou seja, se não houvesse fatura, não havia subsídio. Ao vender o produto é sinal que o produziu e ao passar fatura está a pagar impostos e acabava-se com esta situação. Mas, é claro que isso ninguém quer, porque no Norte do país não podemos fazer pousio, não temos condições para isso. Já os proprietários do Sul podem, pois possuem centenas e milhares de hectares. A nossa solução é fazer um corte na área para tentar fugir aos pousios, porque obrigam os agricultores com 11 hectares a fazer 3 de pousio. Se com 11 hectares já não temos pasto suficiente para as vacas, como pode existir a obrigação do pousio? Enquanto tivermos interesses políticos instalados no Norte e no Sul, as leis vão continuar a sair com essas diretrizes, correspondendo aos interesses de dois ou três indivíduos, enquanto o resto do país morre seco.
Instalações da Fagricoop
Norte e Sul são realidades diferentes? Exatamente, são realidades distintas e até se justificava, talvez, uma reforma para o Norte e para o Sul, mas não queiram meter tudo dentro do mesmo saco, porque aquilo que é o bom para o Sul pode não ser bom para o Norte e vice-versa. Não faz sentido e é necessário encontrar um consenso e não legislar apenas para o
Sul. Qual a sua opinião sobre a atuação do atual Ministério da Agricultura? A minha opinião não é favorável em relação aos políticos em geral, sobretudo porque nos últimos anos toda a gente desprezou a agricultura. Agora como estamos em crise e como os agricultores, as cooperativas e as associações agrícolas se foram aguentando, toda a gente se lembrou dos agricultores como salvadores da pátria. Até agora só se falava na banca e na construção e a agricultura foi esquecida. Só com a crise é que os políticos se lembraram da agricultura e viram que esta poderia ser uma das soluções para a crise, andando agora à volta dela. O Ministério da Agricultura não se pode limitar a chamar apenas a CAP, deve convocar outras associações e entidades para que haja diversos pareceres de vários pontos do país e não apenas o Sul. Temos de tentar ser o mais abrangentes e justos possível, em que todos recebem e todos pagam. Os políticos sabem disto, mas subsistem as questões de subserviência, porque, às vezes, quem está de fora manda mais. Qual o futuro da Fagricoop e dos agricultores? Temos hoje uma situação financeira mais estável do que aquela que tínhamos em 2009. Hoje, vemos com bons olhos o futuro e temos condições para conseguirmos ultrapassar algumas dificuldades e criarmos um projeto maior, eventualmente com a fusão da Fagricoop com a Frutivinhos, como já foi falado. Mas, para já, ainda nada está decidido. pub
especial
20 de março
Dia Mundial da Agricultura
Amanhã, dia 20 de março, comemora-se o Dia Mundial da Agricultura. Para além dos alimentos produzidos para uso dos seres humanos e dos animais, a agricultura produz também mercadorias tão diferentes como flores e plantas ornamentais, fertilizantes orgânicos, produtos químicos industriais, fibras, combustíveis e outros. É, deste modo, importante que a nossa agricultura seja encarada como “o nosso petróleo” e não como uma atividade económica marginal e sem interesse, onde basta ir aos supermercados para se obter batatas, fruta e outros produtos alimentares. Atualmente, são inúmeros os benefícios das práticas agrícolas em meio urbano, com destaque para o papel que poderão representar na economia familiar e na qualidade da alimentação, para além de permitirem também, a redução da matéria orgânica no lixo indiferenciado e de funcionarem como recurso lúdico, terapêutico e de recreio. Não sendo um fenómeno recente em Portugal, as hortas urbanas, enquanto parte integrante da paisagem nas imediações das grandes cidades, começam agora a ganhar novos e entusiásticos adeptos deste conceito.
Fagricoop: passado, presente e futuro A Fagricoop tem criadas 6 secções distintas, mas não desconectas, que pretendem abranger todo o panorama agrícola do concelho de Famalicão. Ao longo dos anos, a sua estrutura teve e tem como finalidade principal servir os agricultores e a agricultura do concelho. Em termos de registos de constituição, a Fagricoop apresenta a data de 26 de outubro de 1977. Mas, parte da sua origem é muito anterior a essa época, até porque a Fagricoop que hoje conhecemos como Fagricoop-Cooperativa Agrícola e dos Produtores de Leite de Vila Nova de Famalicão, C.R.L. é o resultado de duas fusões, por incorporação de estruturas cooperativas existentes em Famalicão com ligação à agricultura. Primeiro a fusão da antiga Cooperativa Agrícola Famalicense com a Cooperativa dos Produtores de Leite de Famalicão, nos anos de 1990/91 e depois a fusão na mesma Cooperativa dos Produtores de Leite do Centro de Gestão de Empresários Agrícolas de V. N. Famalicão no ano de 1998. Quem não se lembra do “Grémio da Lavoura”? Aliás, ainda hoje existem pessoas que se dirigem à Fagricoop como “o grémio”. Efetivamente, uma das secções da Fagricoop, mais propriamente a secção de compra e venda, teve origem nos grémios da lavoura, extinto por volta dos anos de 1974/75 e que deu origem à Cooperativa Agrícola Famalicense. Estes dados históricos, a criação das secções de Agrupamento de Defesa Sanitária, Proteção Integrada das Culturas, Contabilidade e Gestão Agrícola, e de Agricultura Biológica, são a prova que esta estrutura criada por causa da agricultura e para servir a agricultura está, constantemente, em processos de transformação e mutação, adaptando-se e moldando-se aos processos económicos, de mercado, questões legais, e de adaptação da própria agricultura ao meio ambiente. O certo é que a Fagricoop continuará a ser uma presença para o futuro. Carlos Santos (Fagricoop)
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especial
Edema mamário do peri-parto
No caso de edema mamário, a utilização de AINEs permite melhorar o conforto do animal, preservando o seu potencial de produção e assegurar um melhor desenvolvimento da lactação.
O edema mamário do peri-parto, frequente num efetivo leiteiro, em particular no caso das novilhas, pode também aparecer num efectivo aleitante (vacas de carne). É uma fonte de desconforto para o animal e de perdas financeiras para o produtor. Uma glândula mamária congestionada e dolorosa não poderá ser esvaziada correctamente nem pelo tratador nem pelo vitelo. Estes edemas, frequentes na altura do parto, podem penalizar o desenvolvimento da lactação ou da ingestão precoce de colostro por parte dos vitelos. Embora a incidência dos edemas mamários possa ser fortemente diminuída por uma boa gestão nutricional durante a secagem, são ainda acima de
tudo um fenómeno fisiológico ligado ao aumento da pressão sanguínea na veia mamária pela altura do parto. Este fenómeno pode ser amplificado nos indivíduos mais sensíveis, tornando-se necessária a instituição de um tratamento para aliviar o animal, surgindo os anti-inflamatórios não esteróides (AINEs) na primeira linha de opções. Avaliação do desconforto com base em informações clínicas Em vacas que sofriam de edema mamário pós-parto, avaliando diariamente os sintomas clínicos (edema do úbere, dor e congestão) e após a administração de um AINE, verificou-se
uma rápida redução do desconforto associado à dimensão do edema mamário (80% dos animais em 3 dias) e uma redução ainda mais rápida do desconforto ligado à dor (80% dos animais em 2 dias). Avaliação do desconforto com base na produção leiteira Os tratamentos à base de corticosteróides e diuréticos classicamente utilizados no tratamento do edema permitem um alívio rápido do animal mas penalizam a produção leiteira imediata. No caso de vacas atingidas pelo edema mamário no parto, está demonstrado que a
quantidade de leite recolhido durante os quarenta dias seguintes foi idêntico para as vacas que receberam corticosteróides e para as que receberam um placebo. Estes tratamentos podem evitar rapidamente o desconforto do animal, mas não permitem evitar o défice de produção. Novilhas tratadas com AINE apresentam um melhor desenvolvimento da lactação que as que receberam um corticosteróide e um diurético (lote testemunha); a sua produção média foi superior em 2,8 kg no dia 0 e de 7,5 kg no dia 10 (Gráfico 1). José Miguel Lopes Jorge Médico veterinário Merial Portuguesa Saúde Animal, Lda. pub
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especial
Equipamentos de proteção individual
na aplicação de produtos fitofarmacêuticos Quando manuseamos produtos fitofarmacêuticos é essencial o uso de equipamentos de proteção individual. Existem três vias de penetração destes produtos no corpo humano: boca, através da pele e vias respiratórias. O contacto com a pele é causa mais frequente da entrada no corpo humano. A intoxicação pode resultar da contaminação direta no humano como pode ser através da roupa contaminada. Assim, é essencial alertar para a importância da utilização dos Equipamentos de Proteção Individual (EPI), durante a manipulação e aplicação de produtos fitofarmacêuticos. Os EPI são composto por luvas, fato, botas, máscara, filtro, óculos ou viseiras e a sua utilização, total ou parcial, depende do momento da manipulação do produtos e da sua perigosidade. pub
Luvas: são fundamentais para nos proteger em todas as fases de trabalho. O material de que devem ser feitas é de butilo, nitrilo ou neoprene ou mistura deste tipo de borrachas. As luvas não deverão ser do tipo luvas de cozinha, porque estas normalmente são feitas em látex e este tipo de material não é resistente a determinados adjuvantes. É recomendável o uso de luvas de algodão fino por dentro das luvas de borracha, uma vez que o conforto aumenta, porque o algodão absorve a transpiração e dessa forma estamos menos vulneráveis à contaminação. Fato: este é um componente fundamental. Deverá ser de algodão ou então de polipropileno que tenha a referência “tipo 4” ou “tipo 6” (ver etiqueta); ou de preferência o fato indicado pela ANIPLA (plataforma cultivar a segurança), de acordo com a norma ISO 27065. Não se recomenda a utilização de fato de oleado porque promove a transpiração excessiva o que se torna muito desconfortável e tornase vulnerável à contaminação provocada pelos produtos fitofarmacêuticos. O fato deverá ser vestido por cima de roupa leve e de preferência de algodão. As mangas e as pernas do fato deverão ter elásticos e os fechos deverão ser tipo fecho éclair e nunca botões. Ao sentir alguma parte do fato molhado, o mesmo deverá ser substituído de imediato para que o nível de proteção se mantenha. Botas: estas deverão ser de cano alto tipo galocha (borracha). Devem ser calçadas meias de algodão e as pernas do fato deverão ser colocadas por fora da bota. Óculos ou viseira: Importantes e fundamentais em determinado tipo de preparação de calda e aplicações, principalmente em ramadas e árvores. Máscaras: a proteção das vias respiratórias faz-¬se com máscaras ou semi-máscaras que apenas cobrem a boca e o nariz. Avental: deverá ser utilizado a
quando da preparação da calda, uma vez que é uma situação em que as probabilidades de molharmos o fato são elevadas. O material deverá ser em borracha ou PVC. Filtros: existem filtros para partículas e filtros para vapores. Os filtros para partículas podem ser definidos quanto à eficácia. Significa que um filtro da classe 3 cumpre durante mais tempo a sua função. Se a peça facial é ao mesmo tempo filtro, antecede as letras FF (filtro facial) e passa a referência a ser FFP1 ou FFP2 ou FFP3. Na classe P2 e P3, a letra S só tem capacidade para filtrar partículas sólidas em base aquosa, Portanto, o ideal seria usar filtros faciais com a referência FFP3S. No mínimo deve ser usado um FFP2S. Tratando-se de vapores e gases os filtros são classificados em função do tipo de contaminante. Também aqui poderemos associar letras que significam exatamente baixa eficácia (1), média (2) e alta (3). Quando a seguir à letra vem um número 1,2 ou 3 quer dizer que a capacidade é respetivamente baixa, média ou alta. Ex. A1, A2, A3, B1, B2, B3, E1, etc. Pode haver filtros combinados por exemplo A2B1, E3K1, entre outros. A máscara filtro para pulverizações com produtos fitofarmacêuticos deve ser utilizado um filtro que tenha pelo menos a cor castanha (letra A). Salienta-se o facto que este tipo de filtros têm carvão ativado e que com o decorrer do tempo o carvão vai perdendo a sua atividade ou pelo uso que tem ou por questões associadas às condições climáticas (humidade). Assim, este tipo de filtros têm validade, mesmo que nunca tenham sido utilizados. Findo esse prazo deverão ser substituídos ou, caso se sinta ao respirar que existe um cheiro ativo deveremos substitui-lo porque o carvão perdeu a sua atividade e o filtro não está a cumprir a sua função. No final de uma aplicação, e só depois do equipamento de aplicação ter sido lavado é que poderemos retirar o Equipamento de Proteção Individual. Eng. Fernando Alves
O procedimento correto será: 1º Lavar as botas por fora antes de as tirar; 2º Lavar as luvas por fora antes de as tirar; 3º Retirar as botas, o fato e depois a máscara; 4º Retirar as luvas e lavá-las por dentro; 5º Retirar a restante roupa e tomar um duche.
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especial
Agricultura Biológica:
produtos de qualidade e saudáveis A agricultura convencional anda muitas vezes a par com práticas que são menos benéficas para o meio ambiente. A contaminação de solos, cursos de água e a progressiva resistência a pragas faz com que a agricultura intensiva seja um problema ambiental. As alterações climáticas e a perda de biodiversidade alertaram o mundo para que as práticas sobre o ambiente teriam que ter em atenção a mitigação dos seus efeitos nefastos, pois a repercussão sobre o Homem será sempre inevitável. O exemplo paradigmático da diminuição da população das abelhas reflete bem as consequências do uso intensivo dos pesticidas. Vivemos numa época de acesso fácil à informação e nunca houve um empenho tão grande por parte dos consumidores em saber a origem daquilo que consomem. Embora noutros países do mundo ocidental seja mais expressivo, em Portugal existe um nicho de consumidores que estão dispostos a pagar mais, desde que seja garantida à partida, que os alimentos tenham uma origem sustentável. Através de estudos toxicológicos é conhecida a relação existente entre os pesticidas e certas patologias como o cancro, alergias, asma, entre outros. A agricultura biológica é um modo de produção que visa produzir alimentos e fibras têxteis de elevada qualidade e saudáveis. Através do uso adequado de métodos preventivos e culturais, tais como rotações, adubos verdes, compostagem,
consociações e instalação de sebes vivas, entre outros, fomenta a melhoria da fertilidade do solo e a biodiversidade. Na agricultura biológica não se recorre à aplicação de pesticidas, nem adubos químicos de síntese, nem ao uso de organismos geneticamente modificados. A produção animal biológica pauta-se por normas de ética e respeito pelo bem-estar animal, praticando uma alimentação adequada à sua fisiologia e facultando condições ambientais que permitem aos animais expressar os seus comportamentos naturais e não recorre ao uso de hormonas nem antibióticos como promotores de crescimento. Fomenta a biodiversidade global dos ecossistemas agrícolas, favorecendo a relação entre as espécies. A produção em agricultura biológica assume-se cada vez mais como uma oportunidade para a agricultura portuguesa. Por um lado, porque produz produtos diferenciados, com um valor acrescentado, que tem registado um aumento na procura por parte do consumidor. Por outro, este modo de produção faz uso de métodos e práticas respeitadoras do ambiente, permitindo uma gestão sustentável do ambiente e da paisagem. Esta forma de fazer agricultura enquadra-se no espírito da atual política agrícola europeia que aponta no sentido de uma agricultura em harmonia com o ambiente e não como fonte desestabilizadora do equilíbrio natural dos ecossistemas. Estes dois vetores fizeram com que a agricultura biológica
fosse encarada como um dos instrumentos para um desenvolvimento rural sustentável. A agricultura na Europa tem vindo a ser financiada há 50 anos através da Política Agrícola Comum (PAC) e o recente quadro comunitário estabelece objetivos para o desenvolvimento da Agricultura biológica até 2020. Muitos países adotaram políticas nacionais que incentivavam a prática da agricultura biológica, com alguns objetivos concretos, como seja, aumentar a área de cultivo em modo de produção biológico, o número de agricultores em modo de produção biológico e aumentar a quantidade e variedade de produtos de origem biológica nas cantinas públicas. Embora tenha havido nos anos recentes um rápido desenvolvimento da agricultura biológica na Comunidade Europeia, com um aumento de cerca de 500 mil ha/ano na última década, em 2012 a área total de cultivo em agricultura biológica representava cerca de 5,7% do total da área de cultivo de toda a União Europeia a 28. Em termos absolutos, os países com maiores áreas de cultivo nesta prática são Espanha, Itália e França. No entanto países que aderiram mais recente estão a ter uma taxa de adesão para MPB de 13% ao ano, desde 2003 a 2011. A importância que a agricultura biológica tem num dado país, percebe-se através da relação entre a sua área e a área total de cultivo desse mesmo país. Em 2012, os países com
maior percentagem eram a Áustria (18,6%), Suécia (15,8%) e Estónia (14,9%). No concelho de Famalicão existe ainda pouca expressão de produtores certificados em agricultura biológica. Parte significativa dos novos agricultores sentem-se atraídos pelo modo de produção biológico. Estes jovens agricultores têm, na sua grande maioria, uma formação de base que não é de agronomia, necessitando por isso um grande apoio para levar a cabo a sua nova forma de vida. A Fagricoop, desde sempre, esteve atenta às necessidades ambientais, criando por isso uma secção de agricultura biológica e tendo, inclusive, feito parte de um projeto pioneiro em Portugal em colaboração com a Universidade de Évora, que visava a promoção da sementeira direta do milho e azevéns, prática essa que tem como objetivo principal a preservação do solo. A Fagricoop está também atenta às necessidades deste novo grupo de produtores, tendo desenvolvido por isso serviços na implementação do GlobalGap (fundamental para a exportação dos produtos frutícolas) e produção integrada, estandose a preparar para responder às necessidades de acompanhamento no modo de produção biológico e no uso eficiente da água. Marta Moniz, Engenheira do Ambiente da Fagricoop pub
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pública: 19 de março de 2015
especial
Paulo Cunha
presidente da Câmara de Famalicão
“A cooperativa presta um apoio insubstituível aos agricultores” Sofia Abreu Silva rativo a encontrar soluções para o regresso de muitos agricultores ao A Fagricoop é uma instituição com cultivo das terras famalicenses”. O presidente da Câmara subliuma importância vital no nosso concelho. Esta é a crença do presi- nha que o novo quadro comunitádente da Câmara de Famalicão, rio, Portugal 2020, reserva apoios Paulo Cunha. Segundo o edil, a financeiros à agricultura que as cooperativa famalicense presta um empresas e os próprios agricultoapoio insubstituível aos agriculto- res famalicenses não devem desres famalicenses, em particular os perdiçar. No âmbito do Programa produtores de leite, através do seu de Desenvolvimento Rural, os joknow-how de muitos anos e da sua vens agricultores podem candidacapacidade instalada. “Um papel tar-se aos fundos do novo quadro. que todos desejamos que seja re- A Câmara, através do Famalicão forçado no futuro, num momento Made IN, “quer desempenhar o paem que traçamos um novo rumo pel de facilitadora no processo de para o setor agroalimentar e a Fa- aproveitamento dos fundos comugricoop pode e deverá desempe- nitários, com a clara ambição de nhar aqui um importante papel”, ampliar o número de empresas e refere, sustentando que Famalicão empresários que a eles recorrem”, tem uma forte tradição agrícola aponta Paulo Cunha. O setor agrícola e o setor cooque importa manter e ajudar a reperativo enfrentam, atualmente, vitalizar. Para Paulo Cunha é primordial inúmeros desafios e para Paulo Cudotar o concelho das condições nha o caminho passa por uma necessárias ao estímulo e desen- aposta forte na reconversão e na volvimento da agricultura famali- competitividade, “que garanta a cense, nomeadamente “ao nível sustentabilidade dos agricultores, do planeamento do território e de nomeadamente os produtores de ajuda à captação de fundos comu- leite, que têm uma importância nitários, ajudando o setor coope- muito significativa no nosso con-
celho, sendo os principais fornecedores de leite à Agros”. De resto, a Câmara Municipal de Famalicão entende que a relação de proximidade com o setor cooperativo é extremamente posi-
tiva porque permite, por exemplo, favorecer o fornecimento de produtos agrícolas produzidos por agricultores locais e comercializados pelas duas cooperativas existentes no concelho. “Estou certo
que a importância da Fagricoop será reforçada no futuro e que a sua direção será capaz de responder aos grandes desafios que estão reservados para este setor tão decisivo para a vida humana”. pub
pública: 19 de março de 2015 XI
especial
O leite faz bem! - O leite faz mal. - O quê? - O leite faz bem. Ninguém se entende. Pois não, nem pode. Tudo tem características positivas e negativas. Qualquer alimento em exagero é prejudicial à saúde, e inexistente também o será porque falta. A maravilha do equilíbrio é o sonho de qualquer um de nós: é saber precisamente que chegamos ao apuro do exato, do perfeito. Infelizmente, em relação aos alimentos, o equilíbrio de cada é diferente para cada um nós: o que para si é perfeito, para mim pode ser o pender de um dos pratos da balança. Acho sinceramente que vinha tarde o aviso de que deveria ter cuidado com o consumo de leite, porque é conhecido há bastante tempo que o leite de vaca induz o aparecimento de alergias e que muitos adultos perdem a capacidade de digerir corretamente o leite. O que me parece errado e totalmente desproporcionado é o “barulho” à volta do leite. De superalimento, quase parece proibido do dia para a noite. Parece! A Universidade de Harvard não retira o leite da roda dos alimentos, apenas limita o seu consumo a 2 porções por dia, que a considerar sendo dois copos, perfazem cerca de 400ml ao dia. Defende ainda que o consumo de leite e lacticínios deve ser regular até aos vinte anos de idade, altura em que o crescimento/ desenvolvimento está completo. Também chama a atenção para as carnes vermelhas (vaca e porco) e queijo aconselhando a reduzir o seu consumo. A alimentação será tanto mais saudável, quanto mais alimentos próximos do seu estado puro tiver, ou seja, também se deve dar preferência a cereais integrais, por exemplo.
Quer queiramos ou não, o leite é um alimento, a par do pão, democrático: acessível a todos. É um alimento com proteínas de elevado valor biológico, com benefícios reconhecidos no crescimento, desenvolvimento e manutenção da saúde em todas as idades. E leite é a produção da glândula mamária de qualquer espécie mamífera; não é o produto de dez ou mais aditivos e composições químicas presentes num pacote TetraPak. Não sei se os “leites” de aveia, trigo, amêndoas serão indicação na roda de alimentos, pelo processamento extenso de que são fruto. Estes devem estar reservados a quem deles necessita, por razões de saúde: doença celíaca, doença de Crohn, alergia a lactose. E será que estaremos protegidos de sementes transgénicas? Dificilmente. São mais resistentes a doenças e prolíficas, aumentando a rentabilidade do produtor. Veja o processamento do leite de pacote UHT: o leite é ordenhado, é refrigerado, transportado num camião até à fábrica, nova-
mente filtrado enquanto aquecido a 65ºC 15s, feita a desnatagem total do leite, realizada a normalização (reinjeção de gordura consoante o tipo de leite – 0,3% no magro, 1,6% no meio gordo, 3,5% no gordo), homogeneização, arrefecimento brusco e, finalmente o enchimento assético. O processo é rápido, e versa sobre apenas um ingrediente, o leite e os próprios constituintes. Num leite de arroz ou amêndoas, com vários ingredientes, imagine só o processamento industrial; é complexo e resulta numa bebida artificial. A designação “leite” é errónea, pois não é fruto de nenhuma glândula mamária. Devia chamarse bebida de arroz, soja, amêndoa, porque até o sabor é fruto de aditivos apetentes, que mascaram o verdadeiro sabor destas bebidas vegetais. Não está em causa que seja saudável. Em causa está a comparação de alhos e bugalhos. Deveríamos comparar leites: vaca, ovelha, cabra, búfala, burra, camela. Uns mais gordos, outros mais proteicos, outros mais digestíveis. Todos são consumidos numa ou outra parte do mundo. A qualidade dos alimentos inicia-se na forma de os criar. A colheita e o processamento fazem o resto. O leite dos agricultores portugueses é dos melhores da Europa. Porquê? Os padrões de qualidade estão legislados, mas as indústrias são ainda mais exigentes que a lei, pagando de acordo com os parâmetros avaliados. À entrada da fábrica, o leite é testado para a presença/ ausência de inibidores (antibióticos), presença/ ausência de água, contagem de células somáticas (CCS), quantidade de proteína e gordura, presença/ ausência de coágulos sanguíneos. Entre todos, deve destacar-se a pesquisa de inibidores, pelo facto de zelar a saúde pública, no sentido de não contribuir para a disseminação das multirresistências aos antibióticos, e a CCS, por ser um indicador de saúde em geral da vaca. Uma baixa CCS garante o bom sabor do leite e o bom desempenho na transformação em iogurte e queijo.
A CCS elevada acusa uma reação inflamatória, local (do úbere) ou geral, e leva alteração dos constituintes do leite. Até o sabor é mais ácido! A medição do índice crioscópico (água) garante a autenticidade do produto, protegendo o consumidor de um ato fraudulento. A Europa Comunitária está a fazer valer cada vez mais os princípios de proteção ao planeta, com regras apertadas nas técnicas agrícolas. As vacas que dão origem ao leite que a Fagricoop comercializa inserem-se em explorações que respeitam as diretrizes da agricultura sustentável e bem-estar-animal. Vacas saudáveis produzem leite de qualidade. Quanto às hormonas utilizadas na prática clínica diária da vaca leiteira e que tem suscitado tanta desconfiança devido à relação que foi estabelecida por um estudo americano sobre a incidência de cancros ginecológicos, a Europa tem regras duras e muito mais apertadas que os EEUU. A hormona suspeita é a hormona de crescimento, que nem sequer existe disponível por cá, e de aplicação estritamente proibida. Existem, inclusive, programas de monitorização por entidades responsáveis (Direção Geral de Alimentação e Veterinária) em explorações de leite e engordas. Como vê, o leite é um produto de confiança. A razoabilidade, a sensatez deve ser uma orientação. Nem devemos tomar dois litros de leite por dia, nem tomar nenhum. Se o leite nos faz sentir desconfortáveis, tentamos iogurtes, queijo magro. Se nos é inteiramente impossível consumir… bom, é pena perder um consolo, porque beber leite é sempre voltar um bocadinho à infância. Tenham paciência, não estou preparada para abandonar leite creme, aletria, pastéis de nata, tigeladas…. Andreia Santos, Veterinária da Fagricoop pub
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pública: 19 de março de 2015
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