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VINDIMAS A quantidade será menor do que a do ano passado, devido ao excesso de humidade nos meses de primavera e verão

Frutivinhos prevê uma colheita de boa qualidade Carla Alexandra Soares Daqui a duas semanas começa mais uma temporada de vindimas e, em Famalicão, a Frutivinhos – Cooperativa Agrícola de Famalicão, localizada em Ribeirão, acredita numa colheita de boa qualidade, apesar de ter a consciência que a quantidade será menor do que a do ano passado. O excesso de humidade, devido à primavera e verão atipicamente chuvosos, são a principal causa para a diminuição da quantidade prevista na produção de vinho, mas Armindo Oliveira, o presidente da Frutivinhos, tem boas expetativas quanto à qualidade. “Por aquilo que temos constatado no terreno, podemos estar otimistas porque nos parece há qualidade suficiente para termos um ano de boa produção”. O facto de os produtores estarem a ficar mais profissionais, com mais formação, faz com que acompanhem de forma mais atenta as suas propriedades e, logo, obtenham bons frutos. Esta é a razão apontada por Armindo Oliveira para a qualidade do vinho não descer. Não obstante essa atenção e vigilância constante para evitar as doenças na vinha, algumas foram afetadas. “Sofremos oscilações de temperatura muito grandes. Em poucos dias havia diferenças de temperaturas de oito e dez graus, para

além da humidade que teve níveis muito altos”, sublinha o responsável lembrando que as videiras precisam de humidade na raiz, não na folha ou nos cachos. Neste momento a Frutivinhos recebe uvas de cerca de 60 associados, sendo que 90% deles são de Famalicão. Desde logo, a maior vantagem de quem é associado é não se ter que se preocupar com o destino a dar às suas uvas depois da vindima. A partir do momento que as entregam na cooperativa “só temos a preocupação em que as mesmas resultem em vinhos com a qualidade que já é reconhecida”. Na realidade, todos os viticultores associados da Frutivinhos recebem o apoio desejado, sempre que solicitado, dos serviços e técnicos

que a cooperativa dispõe. Mercado passa além fronteiras Com a consciência que os consumidores de vinhos são cada vez mais exigentes na qualidade, a Frutivinhos regozija-se pelo facto de as vendas se manterem e conseguir que os seus vinhos “cheguem a locais onde não chegavam antes”. “Temos mantido, sensivelmente, os clientes que tínhamos e estamos a conseguir novos clientes. Isso para nós é a garantia de que a qualidade é boa”. O vinho “D. Sancho I”, nascido duma parceria com a Câmara Municipal, é exemplo disso mesmo. Para Armindo Oliveira este é o vinho de eleição da cooperativa, sublinhando que, desde o início do percurso, houve um esforço para

criar um vinho de qualidade acima da média, produzido de lotes selecionados. “Muitas vezes, ainda na vinha, já estamos a selecionar as uvas”, explica o presidente, para quem este tem sido um trabalho evolutivo “no sentido de primarmos ao máximo pela qualidade, e não dececionarmos os consumidores e clientes”. Numa perspetiva de chegar mais longe, a Frutivinhos já tem algumas exportações realizadas “e queremos mantê-las”. Mesmo assim, e tendo em vista a consolidação da marca e a conquista de novos mercados, o responsável reconhece que ainda não é o desejado. “Conseguimos fazer, com alguma frequência, exportações para a França, uma ou outra pontual para a Polónia e estamos

agora a tentar outros mercados como o Canadá”. Neste país já existem diversos contactos, avança, para onde já foram também enviadas amostras. “A aceitação foi muito boa, esperamos agora ultrapassar as burocracias”. Os números não mentem e, também em Famalicão, apesar de todas as dificuldades que existem no setor, ainda continuam a surgir jovens produtores, “com vontade de voltar à terra”. “Em grande parte dos casos, passa de geração em geração, é quase uma herança, mas também se verifica situações de pessoas que nada tinham a ver com a agricultura que querem apostar”, revela Armindo Oliveira para quem esta área continua a ser muito interessante e apelativa. pub


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pública: 4 de setembro de 2014

especial

O vinho certo para o seu jantar

A importância do vinho certo num jantar é de tal forma que o sabor de determinado alimento pode elevar-se ou ficar completamente arruinado. É importante ressaltar que em primeiro lugar você deve ter em consideração a sua preferência por vinhos. Se for um novato no assunto, deve comprar o vinho que já está acostumado e servir com o prato que achar conve-

niente. Agora, se está habituado com vinhos, as pesquisas são muito úteis e com certeza vão ajudar a impressionar seus convidados, demonstrando que é uma pessoa de gosto refinado. A regra básica diz: vinho tinto com carne vermelha e vinho branco com carne branca ou peixe. Essa regra vale quando você não tem alternativa nenhuma para consulta, pois é muito genérica. O

recomendado é combinar a textura e o sabor do vinho com o molho (ou o tempero) do prato. Simplificando, quando fizer uma carne vermelha magra com molho leve, você deverá servir um vinho tinto que tenha corpo leve, que não seja carregado. Se for muito pesado matará o sabor do prato, se for servir uma carne vermelha gorda com molho encorpado, o vinho deverá ser encorpado e com taninos bem presentes, se servir um vinho leve, matará o sabor do vinho. No caso dos vinhos brancos a regra é a mesma, um vinho de maior acidez e corpo com um peixe bem temperado, um vinho menos ácido com corpo leve com um peixe leve. Você deve estar a perguntarse, como saberei se um vinho é leve ou encorpado? Só há uma forma: terá que ir procurar ajuda junto dos profissionais do setor, das lojas especializadas e alguns supermercados oferecem o serviço de orientação gratuitamente.

Como provar e servir

Visão, olfato e paladar. Estes são os sentidos que têm de estar bem apurados quando se saboreia um vinho. A prova é utilizada para avaliar o vinho e apesar de parecer um pouco complexa, qualquer um pode realizá-la. Comece por olhar o vinho e re-

pare bem na sua cor. Depois, leve o copo ao seu nariz e sinta os aromas que estão a ser libertados. Se quiser, mexa o copo ligeiramente para estimular a libertação de outros aromas. Leve o copo à boca e beba um gole: o sabor é a combinação entre aquilo que o olfato de-

tetou e aquilo que é sentido pelo paladar. Na boca vai sentir a estrutura do vinho e a sua acidez. Para servir um vinho corretamente, não precisa de ser um expert em vinhos. Já não é nova a ideia defendida por alguns especialistas: os vinhos brancos devem ser servidos em primeiro lugar que os tintos. Por outro lado, os vinhos mais encorpados e doces devem ser degustados no fim da refeição, apesar de poder servir como aperitivo vinhos brancos doces e frescos. Hoje em dia, pode-se afirmar que já não há regras: existem as combinações clássicas, mas também as inovadoras e revolucionárias. O único cuidado a ter será a possível sobreposição ou anulação de sabores e aromas entre os vinhos que serve. É, igualmente, importante que os vinhos sejam servidos em copos adequados ao tipo de vinho.

Escolha o copo certo

Segundo os especialistas, os co- limpo e guarde-os em pé, num arpos devem estar adequados ao mário fechado, longe do pó e dos tipo de vinho que irá servir. Como maus cheiros. nem sempre isso é possível, o ideal é adquirir um conjunto de Copo de vinho tinto: Será um copos de vinho tinto, espumante e corpo redondo que se esde Porto (ver abaixo). treita ligeiramente no topo O vidro do copo deverá ser inpara que os aromas sejam lá color e transparente, sem adorconcentrados. nos ou trabalhados para facilitar a observação do vinho. Deve ter o Copo Vinho Branco: é um bordo e as paredes finas e um copo mais pequeno do que o bom pé para ser possível colocar copo de vinho tinto, pois os os dedos sem tocar no corpo do brancos não precisam de rescopo (parte superior). O tamanho pirar tanto como os tintos e do copo deve permitir mexer o vios aromas do vinho não evonho em redemoinho sem que o líluem consideravelmente. quido vaze do copo e a sua capacidade deve ser a suficiente para Flute de Champanhe: Uma cerca de 6 a 8 centilitros de vinho flute tem um corpo estreito e (que ocuparão cerca de um terço fino, semelhante a uma tudo copo). lipa. Esta forma permite que Quando se serve o vinho, os o gás do espumante circule copos devem estar perfeitamente no copo durante mais tempo. limpos e sem vestígios de detergente. Deve sempre trocar de Copo Vinho do Porto: é sercopo quando serve novos vinhos, vido em pequenas quantidacaso contrário há mistura de sades, por isso o corpo do copo bores. é mais pequeno. O topo do Lave os copos, de preferência, corpo é mais estreito e não à mão e sem detergente. Depois, se deve enchê-lo totalmente coloque-os a escorrer voltados para permitir que os aromas para baixo durante um ou dois mise libertem. nutos. Seque-os com um pano pub.


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Vindimas: a tradição mantém-se!

Região dos Vinhos Verdes prevê boa colheita

A Região dos Vinhos Verdes – que celebra 106 anos a 18 de setembro e cujas vindimas deverão arrancar em meados deste mês - apresenta uma previsão muito favorável à colheita 2014, com valores médios de qualidade e de quantidade a par dos resultados dos anos anteriores. Com uma floração mais precoce do que o habitual - mas também mais lenta devido ao período de temperaturas mínimas baixas ocorrido no final do mês de maio -, a Região registou em julho temperaturas globalmente moderadas com pouca precipitação dispersa, o que indicia uma evolução positiva da maturação. Para o enólogo António Cerdeira, “as condições climatéricas dos meses de agosto e setembro são, nesta fase, os fatores determinantes para o perfil distintivo dos Vinhos Verdes 2014. Apontamos para uma vindima com início geral em meados de Setembro e que revele um bom equilíbrio entre a intensidade aromática, a acidez e o álcool, sendo desejável para a elegância dos Vinhos Verdes um final de período de maturação lento e progressivo”. Segundo a Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV), “uma boa previsão de colheita é fundamental numa altura em que as exportações continuam a crescer, registando um aumento de cerca de 19% em volume e de cerca de 15% em valor, face ao período homólogo, com particular destaque para mercados como a Alemanha, os Estados Unidos, a França ou o Brasil, nos quais se verificam um aumento de exportações entre os 10 e os 40%”, refere Manuel Pinheiro, presidente da CVRVV. pub

Em setembro e inícios de outubro é altura de apanhar as uvas e fazer vinho. Por este país fora, gente de todas as idades agarra um trabalho muitas vezes dura algumas semanas. Da grande herdade à pequena exploração, as vindimas não variam muito - é a qualidade da uva e do processo final que faz a diferença no produto. Na verdade, as vindimas são um verdadeiro marco da etnografia portuguesa. No passado, as vindimas e colheitas eram vistas como uma autêntica festa. Hoje, tal como no passado, familiares e amigos reúnem-se no dia designado para o trabalho e começam bem cedo com os homens a carregar as escadas de madeira às costas para se chegar a todos os cachos. Já mulheres ajudam com os cestos de vime e cozinham deliciosas refeições e petiscos. Às crianças cabe a tarefa de ajudar naquilo que é necessário…e, claro, brincar. Apesar das várias técnicas introduzidas pelos enólogos de hoje, continua a ser perfeitamente possível determinar a melhor altura para se vindimar através de um simples e tradicional método popular: quando os pés das uvas estão murchos e as peles dos bagos começam a contrair. Antigamente, as vindimas, depois de apanhadas as uvas, continuavam lagares onde os homens, de calções ou calças arregaçadas, formavam uma roda, davam os braços e pisavam as uvas colhidas. Hoje, ainda se mantém esta tradição em algumas casas, mas nos grandes campos, os carros de bois deram lugar aos tratores e, depois de colhidas, as uvas seguem agora para as adegas e cooperativas onde, com recurso a equipamentos mecânicos e conhecimentos de especialistas, são transformadas em vinho. pub


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