LUXNÁTICOS
ASHRAM GALERIA simboliza a parceria dos fotógrafos Olivier Boëls e João Paulo Barbosa. Viajantes do mundo em busca de uma geografia sentimental de imagens e sonhos, que têm em comum os horizontes distantes de paisagens naturais e humanas. Descobertas com os olhos e capturadas com a alma, suas fotografias mostram sensibilidade e certa devoção.
LUXNÁTICOS Seriam fotógrafos fanáticos pela luz? De certa forma, sim, pois a luz é o principal suporte de seu trabalho, juntamente com outros ingredientes que fazem da fotografia uma arte única, ao mesmo tempo tão simples e tão complexa. A exposição Luxnáticos procura refletir exatamente isso: a busca pela iluminação perfeita, pela luz ideal para que a fotografia nos transporte para um outro plano, para uma outra plataforma, a da obra de arte, que transcende o simples clicar de uma máquina fotográfica ou de um smartphone. A luz é incontornável para tornar a fotografia possível e fundamental para que possamos interagir com a essência da imagem fotográfica. A fotografia é, então, a arte de comunicar imagens através da luz e uma forma de representação da “realidade”. Mas de que realidade estamos falando? Para estes fotógrafos não existe “realidade” do modo como muitas pessoas a enxergam, pois a “realidade” é uma ideia cristalizada, estática e que sugere uma visão única, porém dual - a verdade e seu contrário. Eles mostram que existem pontos de vistas que não podem ser tomados como reais, pois tudo é impermanente: a forma está se esvaziando e o vazio está se formando. Fotografar trata-se, portanto, de uma extensão de nossa capacidade de olhar e observar, de ver e de sentir o mundo a nossa volta. Todavia, embora o ato de fotografar esteja ao alcance de todos nós, sobretudo nesses tempos de selfies e de registros compulsivos de tudo o que se passa a nossa volta, a arte da fotografia é uma linguagem que, de tão corriqueira, nos parece familiar, mas cuja gramática delicada é dominada por poucos, unicamente por esses aficionados pela luz, cujas nuances somente eles percebem completamente, somente eles conseguem captar, fixar, reproduzir e eternizar. Os fotógrafos da Ashram Photo ( ex -Ashram Galeria), João Paulo Barbosa e Olivier Boëls, são praticantes dessa língua, são desses fanáticos pela luz e pela captação dela, a fim de transmitir o inenarrável, o indescritível nas línguas vernáculas. São luxnáticos que mostram que a fotografia vai muito além de algo relacionado apenas à luz externa. Em suas imagens, trazem a luz para nossos universos internos.
Icebergs são esculpidos pelas longas horas de luz do verão Antártica. Port Charcot, Antártica. João Paulo Barbosa
Nas palavras de Olivier Boëls, “A fotografia é uma motivação para estudar, aproximar e descobrir outros povos e horizontes. Mais que uma atividade, ela se transformou ao longo dos anos em ferramenta espiritual para sermos atentos ao mundo no qual vivemos e para explorar o nosso universo interno”. Com seu trabalho minucioso de capturar um momento em frações do segundo – congelando fótons - pelas lentes de suas câmaras fotográficas, ambos nos propõem um diálogo com nosso próprio mundo, uma relação de redescoberta, que nos espanta justamente por ser ao mesmo tempo tão simples e tão complexa. O momento pode ser uma realidade, mas a realidade não pode ser um momento, por estar em um instante impermanente. Como a própria fotografia! Bem-vindos ao mundo da luz capturada pelos fotógrafos Olivier Boëls e João Paulo Barbosa. Gilberto Lacerda Santos
Olivier Boëls/etnofoco
Coordenador do Laboratório Ábaco da Universidade de Brasília, Subsecretário de Educação Cientítica e Tecnológica, SECTI.
O deserto do Atacama é o segundo lugar mais árido do planeta, com uma média de 5% de umidade no ar. Longe da ideia de um deserto monocromático, o Atacama é um lugar extremamente colorido tanto na terra quanto no céu. É também um lugar propício à formação de raras nuvens, como as lenticulares. Salar de Tara, Chile. Olivier Boëls
“ O ceu é o nosso mar!” Esse é o bordão preferido pelos brasilienses quando querem apontar as belezas de sua cidade. Brasília, Brasil. João Paulo Barbosa
A lua cheia surge atrás de um pico pontiagudo mostrando a verticalidade das geleiras. Ilha Anvers, Antártica João Paulo Barbosa
O Bark Europa é a única embarcação da época de Shackleton que ainda frequenta o Oceano Austral. Seus três mastros são manuseados por uma tripulação holandesa que conduz, anualmente, aprendizes na arte de velejar. Baía Dorian, Antártica. João Paulo Barbosa
Localizados na ilha Rapa Nui , como é chamada pelos seus habitantes, os Moais de Tongariki tem mais de 500 anos e são, ainda hoje, um mistério. Não se sabe para que essas estátuas eram usadas. Rapa Nui, Chile. Olivier Boëls
F贸tons se fragmentam durante uma descida de rappel no Toror贸. Distrito Federal, Brasil. Olivier Bo毛ls
Maharaj Amar Bharti é um dos últimos quatro ascetas hindus praticantes da austeridade urdhva-bahu de manter um ou ambos os braço constantemente elevados. A austeridade de Maharaj, que já completou 40 anos, é uma forma de conquista sobre a temporalidade. Seu esforço gera um calor interno chamado tapas, a mesma força motriz que deu origem ao universo. Lena Tosta/ etnofoco/Iogues Dissidentes Himachal Pradesh, Índia. Olivier Boëls
Iano Mac e Collor, da etnia Yawalapiti, tocam as flautas sagradas Uru谩. Elas possuem um lugar central na cultura xinguana por transmitir est贸rias e dar ritmo ao ritual do Kuarup, a cerem么nia que homenageia os mortos. Alto Xingu, Brasil. Olivier Bo毛ls
Luzes em camadas dão brilho ao Monastério Sankar, construído em um Himalaia “desértico”, ha cerca de 500 anos. Ladakh, Índia. João Paulo Barbosa
Arranha-cĂŠus e suas luzes noturnas. Berlin, Alemanha. JoĂŁo Paulo Barbosa
Kerala é um estado do sul da Índia que ostenta o titulo de “Veneza indiana”, pois o transporte coletivo é o barco. Kerala, Índia. Olivier Boëls
Uma luz “mística” envolve o silêncio da floresta de samambaias. Ulleung Do, Coreia. João Paulo Barbosa
Um barqueiro bebe ritualmente água do Ganges. Para os hindus, o Ganges não é um rio, mas uma deidade - a Mãe Ganga - aquela que ajuda a se livrar do ciclo de reencarnação. Varanasi, Índia. Olivier Boëls/etnofoco
No pôr do sol, uma luz mágica entra na caverna de Ana Kai Tangata. Um lugar privilegiado para se proteger das duras tempestades do Pacifico e dos ataques de rivais que também habitavam a ilha. Rapa Nui, Chile. Olivier Boëls
Durante a época da chuva, o Salar de Uyuni transforma-se num espelho gigante. Em poucos dias, a evaporação de água deixará o salar branco novamente, devido ao clima extremamente seco nessa parte do mundo. Salar de Uyuni, Bolivia. Olivier Boëls
As bandeiras que degelam no topo do monte Gokyo, com as primeiras luzes do dia, são impressas com orações. Levadas por elementos climáticos, os praticantes do budismo tibetano acreditam que, uma vez o universo cheio de boas orações, não haverá mais espaço para manifestações negativas. Região do Everest, Nepal. João Paulo Barbosa
Após 20 dias de tempestade, a luz quente da alvorada renova todos os ânimos. Ilha Goumer, Antárica. João Paulo Barbosa
Luzes em camadas dão brilho ao Monastério Sankar, construído em um Himalaia “desértico”, ha cerca de 500 anos. Ladakh, Índia. João Paulo Barbosa
Arranha-cĂŠus e suas luzes noturnas. Berlin, Alemanha. JoĂŁo Paulo Barbosa
A luz ao nascer do sol delineia em sombra o vulcão Rinjani. Ilha Lombok, Indonésia. João Paulo Barbosa
SEMANA NACIONAL DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA 2015 LUZ, CIÊNCIA E VIDA
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