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V4. Do Virtual ao Real

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EDUCAÇÃO PATRIMONIAL

V4 – DO VIRTUAL PARA O REAL


Um roteiro histĂłrico-cultural pela fronteira (terrestre e marĂ­tima) do Brasil Prof. Dr. Elcio Secomandi Autor Prof. Dr. Cesar Bargo Perez Coautor Profa. Cristiane Carbone Coautora abril /2020


Prosseguindo a “viagem ao longo da História”, vamos passar do virtual (um pequeno e-book) para o real (reconstituição, com “cinco caravelas dos nossos dias”, da epopeia marítima que resultou na fundação da Cidade do Rio de Janeiro.


AMBIENTAÇÃO Inspirado no poema épico de Luís de Camões, 1572 “No mar tanta tormenta e tanto dano (...) Na terra, tanta guerra, tanto engano” Os Lusíadas

A projeção do poder colonial português, com sua Armada singrando mares nunca dantes navegados e (...)

(...) prosseguindo por terras nunca dantes exploradas nos inspirou a buscar fundamentos no maior poema épico da língua portuguesa, na época em que tudo isto acontecia no Brasil.


Apenas duas capitanias hereditárias prosperaram na América de origem portuguesa, graças à cana-de-açúcar: São Vicente, com Martim Afonso, e Pernambuco, com Duarte Coelho.

Esse fato levou Dom João III a criar o Governo-Geral do Brasil. Tomé de Souza, primeiro Governador-Geral, chegou em 1549, com sua corte e os primeiros jesuítas, chefiados pelo Padre Manoel de Nóbrega.


Tomé de Souza fundou a cidade de Salvador: primeira capital e primeiro bispado.

O segundo governador, Duarte da Costa, chegou em 1553, trazendo consigo o noviço José de Anchieta. Fundou o Colégio São Paulo (25/01/1554).

O terceiro Governador-Geral, Mem de Sá, chegou em 1557, com a missão de expulsar os invasores franceses da Baía de Guanabara.


A França Antártica surgiu na Baia de Guanabara por conta da reforma protestante, dando origem às guerras internas na França e o surgimento da doutrina religiosa de João Calvino (calvinismo), seguida pelos huguenotes (protestantes franceses). Este novo pensamento religioso, levou os calvinistas a aprovarem o plano de Nicolau Duran de Villegagnon para fundar no Brasil uma colônia que os abrigasse.


A expedição de Villegagnon ao Rio de Janeiro em 1555 deu início à chamada “França Antártica”, por meio de uma colônia implantada na Baía de Guanabara. Tal fato provocou a reação portuguesa, com o ataque de Mem de Sá ao Forte Coligny (Ilha de Villegagnon), onde hoje encontra-se a Escola Naval. Esta reação teve início em 15/03/1560.


Os invasores fugiram para o continente (200 franceses e 800 tamoios). Mem de Sá determinou que a fortificação francesa fosse arrasada, mas abandonou a área sem ocupar e defender a região.

Tal imprudência permitiu o retorno dos invasores e motivou as implacáveis incursões dos tamoios, aliados dos franceses, contra a Capitania de São Vicente.


Em 1563, Estácio de Sá, sobrinho de Mem de Sá, veio de Portugal com navios de guerra e ordens expressas para expulsar definitivamente os franceses da Baía de Guanabara. Com apoio de Governador-Geral, Mem de Sá, Estácio de Sá partiu de Salvador para o Rio de Janeiro em princípio de 1564.


Estácio de Sá, hostilizado pelos tamoios na Baía de Guanabara, prosseguiu para São Vicente, já sabendo que os índios tamoios haviam quebrado o tratado de paz (Iperoig) firmado com os portugueses.

Cunhambebe, cacique dos tamoios, tornou-se aliado do portugueses, após manter o Padre José de Anchieta preso por cinco meses em Iperoig (hoje Ubatuba).


Neste contexto histórico, no dia 22 de janeiro de 1565, a expedição de Estácio de Sá, com apoio de Nóbrega e Anchieta, partiu do Forte de Santiago, hoje Forte de São João de Bertioga, com cinco navios, rumo à Baía de Guanabara.


A 1º de março de 1565, a expedição aportou na península que liga os morros Pão de Açúcar e Cara-de-Cão, local de origem da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro e hoje ocupada pela Fortaleza de São João.

Baía de Guanabara, c 1754.


Mas, não foi tão fácil assim, combater os franceses calvinistas que ocupavam a Baía de Guanabara por dez anos (1555 / 1565). Dois anos depois (1567), com apoio da Metrópole, iniciaram-se os ataques contra Uruçu-Mirim (hoje, bairro do Flamengo) e o Forte de Paranapuã (hoje, Ilha do Governador).

E, assim, após dois anos de lutas, os franceses foram expulsos. Tal epopeia garantiu a unidade territorial do Brasil.


Dois anos de operações militares (1565/1567) FUNDAÇÃO DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO

BERTIOGA, SP Estácio de Sá, 22 janeiro 1565

Ataque Janeiro de 1567

3

2

1

1º de março de 1565 Cabeça de praia 1565 / 1567

(+/-) 300 Milhas

Projeção do poder pelo mar


Conclui o texto extraído do compêndio História do Exército Brasileiro, EME, 1972: “Foi inestimável o auxílio tanto da gente de São Vicente e Itanhaém quanto dos jesuítas, para o desfecho feliz das operações que culminaram com a expulsão dos franceses da Baia de Guanabara (...). Estácio de Sá, ferido por uma flechada, veio a falecer cerca de um mês depois”.


RECONSTRUÇÃO DA HISTÓRIA 450 ANOS DEPOIS ...

Para comemorar os 450 anos da fundação da Cidade do Rio de Janeiro (2015), a Associação Brasileira dos Velejadores de Cruzeiro (ABVC), com “cinco caravelas dos nossos dias” realizou o mesmo percurso marítimo empreendido por Estácio de Sá em 1565.


Iremos rever esta epopeia, com “cinco caravelas dos nosso dias”, apresentando-a como um excelente exemplo de turismo histórico vivificado e que se iniciou com a produção de um livrete, com a capa reproduzida abaixo.


BERTIOGA / RIO DE JANEIRO _ 450 ANOS DEPOIS ... Reconstrução de uma epopeia Elcio Rogerio Secomandi Clotilde Paul (in memoriam)

Cidade maravilhosa. Cheia de encantos mil... André Filho


O Cruzeiro Bertioga-Rio: 450 anos depois... teve por finalidade reproduzir a epopeia da fundação do Rio de Janeiro, ocorrida nos idos de 1º de março de 1565, abrilhantando as comemorações realizadas na Fortaleza de São João, Urca, Rio de Janeiro.


Foi promovido pela ABVC (Associação Brasileira dos Velejadores de Cruzeiro), com apoio da Prefeitura Municipal de Bertioga, do Comitê Rio 450 Anos, do Exército Brasileiro - por meio da Diretoria do Patrimônio Histórico e Cultural e do Centro de Capacitação Física do Exército.

Baía de Guanabara

Angra dos Reis

Ilhabela Ilha Anchieta

Baía de Santos


Teve apoio também, da Marinha do Brasil, das universidades federais do Rio de Janeiro, coordenadas pela UFRJ/COPPE/LTDS, do Iate Clube de Santos, da Marina Piratas de Angra dos Reis, do Iate Clube do Rio de Janeiro, da FUNCEB (Fundação Cultural Exército Brasileiro), (...)


(...) do ICOFORT (International Committe on Fortifications and Military Heritage), da SOAMAR (Sociedade Amigos da Marinha), do IHGS (Instituto Histรณrico e Geogrรกfico de Santos) e da ASL (Academia Santista de Letras).


Após solenidade cívico-militar em Bertioga, no dia 20 de fevereiro de 2015, cinco “caravelas dos nossos dias” - mesmo número de caravelas de Estácio de Sá, 450 anos passados partiram de Bertioga, ao sabor das ondas e dos ventos, para singrar as águas do Atlântico Sul a caminho da Baía de Guanabara. (1ª etapa, 20/21 Fevereiro Bertioga / Angra dos Reis)


As cinco “caravelas dos nossos dias”, capitaneados pelo Navio Escola Cisne Branco, desfilaram diante da histórica Fortaleza de São João de Guanabara, sob os acordes da Banda Marcial do Batalhão do Imperador e da Orquestra Violões do Forte, tendo como “pano de fundo” uma salva de tiros de Artilharia, respondida pela Cisne Branco.


As comemorações dos 450 anos da fundação da cidade do Rio de Janeiro constaram de uma cerimônia cívico-militar, encenação das operações terrestres por atores vestidos de navegantes e índios, soerguimento de uma

cópia do padrão português (marco de posse da terra), ato religioso, bênção e entrega da chave da cidade ao Prefeito Eduardo Paes.


Na parte cultural, no dia 28/02, a Profa. Dra. Marisa Iglesias, do LTDS/COPPE/UFRJ, o Presidente da ABVC, el Prof. Dr. Volnys Bernal e o C Art. Rfm. Elcio Rogerio Secomandi proferiram palestra na Casa Histórica de Deodoro, Campo de Santana. Foi um ato solene de entrega formal do projeto Roteiros dos Fortes à DPHCEx (Diretoria do Patrimônio Histórico e Cultural do Exército).


Partida de Bertioga 20/02/2015


Chegada ao Rio de Janeiro 01/03/2015 FUNDAÇÃO DA CIDADE DO

RIO DE JANEIRO

Ataque Janeiro de 1567

3

2 1 Bertioga, SP Estácio de Sá, 22 janeiro

1/03/1615 Cabeça de praia 1565 / 1567

(+/-) 300 Milhas


FUNDAÇÃO DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO “CARAVELAS DOS NOSSOS DIAS” BERTIOGA / RIO DE JANEIRO _ 450 ANOS DEPOIS … Baía de Guanabara

2ª Navegação _ 28 Fev a 01 Mar

Angra dos Reis

Ilhabela Ilha Anchieta

1ª Navegação _ 20 a 23 Fev

Bahía de Santos

Reprodução da epopeia vivida pela gente brasileira, sob comando de Estácio de Sá, garantiu a unidade nacional que desfrutamos até os dias de hoje.


OBRIGADO por chegar até aqui.

Você pode agora, mais tarde ou outro dia qualquer, consultar o vídeo sequencial

V5 – UM TOUR ESPECIAL PARA VOCÊ Resumo do livrete BERTIOGA – RIO 450 ANOS DEPOIS... Os créditos das ilustrações estão disponível em: www.secomandi.com.br – Forte São João de Bertioga

© 2020 One Knee Up Produções Créditos Adicionais: Trilha: Youtube Library Edição e Pesquisa de Imagens: Cesar Bargo Perez


FIM


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