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ESPECIAL
8 DE MARÇO
DIA INTERNACIONAL DA
Macaé, quarta-feira, 8 de março de 2017. Ano XLI, Nº 9260
Fundador/Diretor: Oscar Pires
MULHER
O DEBATE DIÁRIO DE MACAÉ
FOTOS: DIVULGAÇÃO
AVANÇOS E CONQUISTAS DAS MULHERES A mulher simboliza a luta da humanidade.
LUTANDO PELO DIREITO DE IGUALDADE ENTRE OS GÊNEROS
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CONCILIANDO A VIDA PESSOAL E A PROFISSIONAL Sugestões para te ajudar a equilibrar a vida pessoal e a vida profissional. PÁG.4
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Feliz Dia da Mulher A delicadeza das flores, a força de ser Mãe, o carinho de ser esposa, a reciprocidade de ser amiga e o amor por ser Mulher!
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HISTÓRIA
Dia Internacional da Mulher Dia 8 de março é a data símbolo das conquistas que as mulheres efetivaram no século XX
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esde meados da década de 1960, convencionouse comemorar o Dia Internacional da Mulher em 8 de março. Essa data é tida como símbolo de uma série de reivindicações e conquistas de direitos, sobretudo no âmbito trabalhista. Entretanto, a escolha dessa data para tal comemoração frequentemente está associada a equívocos ou a invenções históricas que precisam ser elucidadas. Conta-se que, em 8 de março de 1857, 129 operárias morreram carbonizadas em um incêndio que ocorrera nas instalações de uma fábrica têxtil na cidade de Nova York. Esse incêndio teria, supostamente, sido intencional. O proprietário da fábrica, como forma de repressão extrema às greves e levantes das operárias, teria trancado suas funcionárias na fábrica e nelas ateado fogo. Essa história, contudo, é falsa e, obviamente, o 8 de março não está ligado a ela. Entretanto, houve, sim, um incêndio em uma fábrica de tecidos em Nova York, mas ele aconteceu no dia 25 de março de 1911, às 17h da tarde, na Triangle Shirtwaist Company, e vitimou 146 pessoas, sendo 125 mulheres e 21 homens. A maior parte dos mortos era constituída de judeus. As causas desse incêndio foram as péssimas instalações elétricas da fábrica associadas à composição do solo e das repartições da fábrica e, também, à grande quantidade de tecido presente no recinto, o que serviu de acelerador para o fogo. A esse cenário trágico somou-se o agravante de alguns proprietários de fábricas da época, incluindo o da Triangle, usarem como forma de contenção de motins e greves o artifício de trancar os funcionários na hora do expediente. No momento em que a Triangle pegou fogo, as portas estavam trancadas. Um ano antes dessa tragédia,
em 1910, na cidade de Copenhague, ocorreu o II Congresso Internacional de Mulheres Socialistas, que foi apoiado pela Internacional Comunista. Nesse evento, a então membro do Partido Comunista Alemão, Clara Zetkin, propôs a criação de um Dia Internacional da Mulher, sem, entretanto, estipular uma data específica. Essa proposta era fruto tanto do feminismo, que ascendia naquela época, quanto das correntes revolucionárias de Esquerda, como o comunismo e o anarquismo – inclusive, a anarquista lituana Emma Goldman foi um dos nomes mais importantes da época. O incêndio de 1911 viria a ser sugerido, nos EUA, como dia simbólico das mulheres (tal como sugerido por Clara Zetkin). A maioria dos movimentos reivindicava melhorias nas condições de trabalho nas fábricas e, por conseguinte, a concessão de direitos trabalhistas e eleitorais (entre outros) para as mulheres. Vários protestos e greves já ocorriam na Europa e nos Estados Unidos desde a segunda metade do século XIX. O movimento feminista e as demais associações de mulheres capitalizaram essas manifestações, de modo a enquadrá-las, por vezes, à agenda revolucionária. Foi o que aconteceu em 8 de março de 1917, na Rússia. Sabemos que a Revolução Russa ocorreu em 1917, ou melhor, completou-se em outubro de 1917. Pois bem, no dia 8 de março desse ano, as mulheres trabalhadoras do setor de tecelagem entraram em greve e reivindicaram a ajuda dos operários do setor de metalurgia. Essa data entrou para a história como um grande feito de mulheres operárias e também como prenúncio da Revolução Bolchevique, como acentuou a pesquisadora Eva Alterman Blay em seu artigo intitulado 8 de março: conquistas e controvérsias:
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A maioria dos movimentos reivindicava melhorias nas condições de trabalho nas fábricas e, por conseguinte, a concessão de direitos trabalhistas e eleitorais (entre outros) para as mulheres DOMíNIO PúBLICO - EUA
8 de março: conquistas e controvérsias
“No século XX, as mulheres trabalhadoras continuaram a se manifestar em várias partes do mundo: Nova Iorque, Berlim, Viena (1911); São Petersburgo (1913). Causas e datas variavam. Em 1915, Alexandra Kollontai organizou uma reunião em Cristiana, perto de Oslo, contra a guerra. Nesse mesmo ano, Clara Zetkin faz uma conferência sobre a mulher. Em 8 de março de 1917 (23 de fevereiro no Calendário Juliano), trabalhadoras russas do setor de tecelagem entraram em greve e pediram apoio aos metalúrgicos. Para Trotski esta teria sido uma greve espontânea, não organizada, e teria sido o primeiro momento da Revolução de Outubro.” [1]
Após a Segunda Guerra Mundial, o dia 08 de março (em virtude da greve das mulheres russas) começou a tornar-se aos poucos o símbolo principal de homenagens às mulheres. Ao mês de março também foi, a partir de então, associado o evento do incêndio em Nova York, ocorrido no dia 25. A partir dos anos 1960, a data já estava praticamente consolidada, como apontou Eva Blay:
Incêndio em Nova York “Na década de 60, o 8 de Março foi sendo constantemente escolhido como o dia comemorativo da mulher e se consagrou nas décadas seguintes. Certamente esta escolha não ocorreu em consequência
do incêndio na Triangle, embora este fato tenha se somado à sucessão de enormes problemas das trabalhadoras em seus locais de trabalho, na vida sindical e nas perseguições decorrentes de justas reivindicações.” [2]
NOTAS: [1]: BLAY, Eva Alterman. 8 de março: conquistas e controvérsias. Rev. Estud. Fem., Florianópolis , v. 9,n. 2, 2001. pp. 604-605. [2]: Idem. pp. 605.
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CIDADANIA
Avanços e conquistas das mulheres
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A mulher simboliza a luta da humanidade
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sociedade contemporânea confere às mulheres um novo papel no Brasil e no mundo. As últimas décadas foram marcadas por profundas transformações que impactaram nas vidas das mulheres. Há 81 anos registrouse a conquista do direito do voto feminino. A revolução sexual a partir dos anos 60 permitiu às mulheres uma progressiva e forte inserção no mercado de trabalho. Mas há uma longa caminhada a percorrer. Os salários ainda são desiguais. As mulheres brasileiras, embora sejam mais da metade da população, ocupam apenas 9% das cadeiras na Câmara dos Deputados. A luta pelos direitos
da mulher é permanente. Há aspectos econômicos, sociais e culturais. A mulher simboliza a luta da humanidade. Ela batalhou por muito tempo, silenciosa, pela estruturação da sociedade civilizada. Antes era mãe, dona do lar. Agora também é mulher independente, dona de si e de seu destino. Chegou a hora dela resplandecer e dividir o protagonismo nesta mesma sociedade que ela ergueu. O Dia Internacional da Mulher é uma data para avaliações e reflexões. Para além da questão de valorização do gênero, trata-se de um momento importante não somente para se fazer homenagens, mas também para discutir a con-
dição feminina, de maneira aberta e propositiva, no Brasil e no mundo. Tornou-se uma verdade incontestável que o fator fundamental para que as mulheres estejam ampliando seus espaços é o aprimoramento da democracia. Países autoritários e ditatoriais, como se sabe, restringem as ações que possibilitam o debate em torno do papel da mulher e de sua participação nas decisões que influenciam a cidadania. Não podemos nos esquecer que ainda precisam ser superados problemas como a violência doméstica, as diferenciações salariais e o preconceito. Por isso, há que se manter forte o simbolismo
O Dia Internacional da Mulher é uma data para avaliações e reflexões
que envolve a luta das mulheres por mudanças estruturais, estabelecendo políticas de
auto-afirmação que garantam uma sincronia mais ajustada entre o discurso e a prática.
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DICAS
Conciliando a vida pessoal e a profissional
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Sugestões para te ajudar a equilibrar a vida pessoal e a vida profissional
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er uma mulher trabalhadora exige de você a habilidade de conciliar a vida pessoal e a profissional sem deixar nenhuma das duas de lado. Em vista disso, nós sugerimos algumas dicas para te ajudar a equilibrar estes dois lados da vida e ter mais tempo para gastar consigo mesma. Confira.
DIVIDA AS TAREFAS COM SEU COMPANHEIRO
Se você é casada ou mora com o seu companheiro, uma das maneiras de conseguir aliviar um pouco sua rotina para sobrar mais tempo do seu dia para a vida pessoal é dividir as tarefas. Se você e ele trabalham, nada mais justo que dividir igualmente as tarefas entre os dois. Afinal, nenhuma mulher merece ter que trabalhar fora de casa, chegar à noite e ainda ter que fazer tudo sozinha. A mesma regra vale para mães que trabalham: os filhos também podem contribuir com as tarefas do lar – desde que sejam leves e não ocupem muito o tempo de estudo e lazer deles. Por isso, converse com seu companheiro e dividam as tarefas para que cada um fique com uma parte das atividades. Vocês não precisam ser extremamente rígidos na divisão, podem até fazer uma “rota” e toda semana mudar o que cada um faz. Podem também fazer
os serviços juntos, por exemplo, enquanto um lava a louça o outro seca a louça. E assim por diante. TRABALHE APENAS DURANTE O EXPEDIENTE
Especialmente durante os primeiros anos de um relacionamento ou durante a infância do seu filho ou filha é primordial que você trabalhe apenas no trabalho. O ideal seria seguir esta regra todo tempo, mas nem sempre isso é possível. Então para respeitar o seu tempo pessoal, desligue o seu celular de trabalho e não acesse o seu e-mail de trabalho após o expediente, durante fins de semana e muito menos nas férias. Assim como você deve apenas trabalhar no seu trabalho, deve apenas viver a vida quando estiver fora dele. Desta forma, é mais fácil ter harmonia na vida pessoal e manter a sanidade. TENHA UM HORÁRIO FIXO PARA GASTAR COM A FAMÍLIA
Seja para visitar a avó ou para passar tempo com os filhos ou o marido, é importante reservar tempo para a família na sua agenda. Você pode estipular um mínimo de horas ou vezes por semana ou até marcar um horário fixo para os momentos em família. Assim você se disciplina para manter a conexão com as familiares e não se perder no meio de tanto
O trabalho é importante, mas a família também merece sua atenção e tempo
trabalho. O trabalho é importante, mas a família também merece sua atenção e tempo. Então nada mais justo do que dividir um pouco deste bem tão precioso com quem mais te ama e merece seu carinho e atenção. TENHA PACIÊNCIA COM VOCÊ MESMA E SAIBA ESPERAR
Existem momentos na vida que é preciso se acalmar. Não é todo ano que você precisa se matar no trabalho para conseguir uma promoção. Tire algum tempo para “manter”
o seu trabalho, sem querer se desdobrar em mil para conseguir ir adiante. Passar um tempo tranquila na posição que está pode te garantir mais qualidade de vida e um pouco mais de paz de espírito. Assim você terá mais energia para investir na sua vida pessoal, pois ela também precisa de investimento. COMPARTILHE SUA EXPERIÊNCIA COM OUTRAS MULHERES QUE TRABALHAM
Se coisas estranhas passam por sua cabeça e você se per-
gunta sempre “Será que só eu sinto isso? Por que parece tão fácil para outras mulheres conciliar o pessoal e o profissional?” é interessante que você compartilhe esses questionamentos e o que você sente com suas amigas que também trabalham. Dividindo essas experiências vocês podem aprender uma com a outra como lidar com cada situação, como a chegada de um bebê, o início de um novo relacionamento e até com momentos tristes como o fim de um relacionamento.
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DIREITOS
Lutando pelo direito de igualdade entre os gêneros Você pode ajudar a construir a igualdade entre homens e mulheres para um mundo mais justo
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or mais que as mulheres tenham conquistado direitos, é fato que a sociedade ainda precisa caminhar muito para, de fato, alcançarmos a igualdade entre os gêneros. Quer um exemplo recente? Mesmo estando em março de 2017, o eurodeputado polonês Janusz Korwin-Mikke, que já fez declarações racistas e antissemitas, não hesitou em destilar seu machismo no Parlamento Europeu no último dia 2. De acordo com Korwin-Mikke, as mulheres deveriam ganhar menos do que os homens porque são “mais fracas, menores e menos inteligentes”. Mesmo soando ultrapassado, esse é um discurso que, infelizmente, ainda está presente no nosso dia a dia, nas rodas de conversa e nas redes sociais, provando que ainda precisamos para vivermos em igualdade de gênero. Veja algumas atitudes que você pode tomar para lutar por esta causa: AJUDE ONGS DE COMBATE À VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER
A maior parte das ONGs que se destinam a combater a violência contra a mulher está continuamente em dificuldades financeiras, embora seu trabalho seja essencial para a luta pela igualdade entre os gêneros. Se você não puder contribuir financeiramente, verifique com as ONGs da sua cidade se você pode ajudar fazendo algum tipo de trabalho voluntário, como dando palestras ou organizando eventos de apoio. INTERESSE-SE POR POLÍTICA
Textão no Facebook tem efeito entre os seus amigos e pode até atingir uma grande quantidade de pessoas, mas, na prática, é nas instituições políticas que se decidem os direitos dos gêneros. Porém, como garantir nossos
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direitos se estamos até mesmo abaixo do Afeganistão em relação à proporção de mulheres na Câmara e no Senado Federal? Em um ranking de 190 posições, o Brasil ocupa apenas a 154ª em relação à participação feminina nos parlamentos nacionais. Por isso, é fundamental que as mulheres se engajem mais na política, acompanhem as decisões dos políticos e filiemse a partidos que se propõem a defender a igualdade entre os gêneros. ASSINE PETIÇÕES E RESPONDA A ENQUETES DO SENADO FEDERAL
Esta é uma atitude que você pode tomar sem sair de casa: assinar petições e participar de pesquisas do Senado Federal sobre projetos de lei. As petições costumam ser organizadas por grupos de defesa aos direitos dos gêneros e entregues a representantes do Congresso. Se você concorda com a proposta, assine e compartilhe com o maior número de pessoas para que elas façam o mesmo. Além disso, não deixe de participar das consultas públicas promovidas pelo Senado Federal, as quais pesquisam a opinião da população sobre projetos de lei. Um exemplo é esta consulta pública sobre o reconhecimento da união estável entre pessoas do mesmo sexo como entidade familiar. DENUNCIE ATOS DE VIOLÊNCIA
Ao presenciar atitudes de violência, não se cale – mas faça isso com segurança para não correr riscos. Já se foi o tempo em que “em briga de marido e mulher não se mete a colher”. Agora, violência doméstica é caso de polícia. Se você souber de uma situação agressão contra mulheres, faça uma denúncia no Ligue 180.
COMBATA A DIFERENÇA SALARIAL
Infelizmente, ainda é muito comum que as mulheres ganhem menos do que os homens para realizar o mesmo serviço. Se você é empresária, garanta que suas funcionárias recebam o mesmo salário que seus colegas do sexo masculino que executam a mesma função. Além disso, é importante abrir caminho para que as mulheres ocupem cargos de gerência e diretoria, que ainda hoje são dominados pelos homens. INVISTA NA EDUCAÇÃO DAS CRIANÇAS
Se queremos que as próximas gerações de meninas e mulheres tenham paz ao andar nas ruas, sem serem vítimas de assédio e abuso sexual, precisamos investir na educação das nossas crianças. O respeito, a noção de consentimento e a igualdade de gêneros devem ser trabalhados
na escola, tanto para que as meninas conheçam seus direitos quanto para que os meninos aprendam novas atitudes desde cedo. SEJA UMA CONSUMIDORA CONSCIENTE
Experimente assistir ao intervalo comercial da televisão e observe quantas propagandas se utilizam da objetificação da mulher para divulgar seus produtos. Infelizmente, apelar para a exposição do corpo feminino como mero veículo para chamar atenção é uma técnica comum no meio publicitário. Ao se sentir ofendida por uma propaganda, você pode entrar em contato com a própria empresa ou com o Conar, o Conselho Nacional da Autorregulamentação Publicitária, para fazer uma denúncia. Ainda, é claro, procure dar preferência a marcas que se posicionem a favor da igualdade dos gêneros.
CONSCIENTIZE O SEU MICROUNIVERSO
Promover uma mudança no mundo inteiro é uma tarefa praticamente impossível de ser realizada por apenas uma pessoa, mas você pode começar promovendo uma mudança de atitude nas pessoas ao seu redor. Sabe aquele primo que adora contar piada machista? E aquele amigo que repassa fotos íntimas de mulheres divulgadas sem autorização? Você não precisa brigar com eles, mas vale a pena conversar e explicar que essas atitudes, aparentemente inocentes, colaboram para a perpetuação da inferioridade feminina. Todas nós temos nossa rotina e nossas responsabilidades, porém, se agirmos juntas, será possível alcançar avanços em relação à igualdade dos gêneros. Faça a sua parte e incentive seus amigos a fazer o mesmo!
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ARTE
Com três indicações ao Oscar “Estrelas Além do Tempo” conta a história de mulheres negras decisivas na corrida espacial
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O grande atrativo de Estrelas Além do Tempo, para além da força e da pertinência do episódio histórico que recupera, é sem dúvida sua trinca de protagonistas
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história de Estrelas Além do Tempo (2016) é tão inspiradora quando surpreendente: no começo dos anos 1960, quando os Estados Unidos testemunhavam a ebulição da luta pelos direitos civis dos afro-americanos e a expansão do movimento feminista, um grupo de mulheres negras matemáticas foi fundamental para que a Nasa alcançasse os soviéticos na corrida espacial. A produção conta a trajetória real de três dessas brilhantes pioneiras, interpretadas por um talentoso e premiado trio: Taraji P. Henson, Octavia Spencer e Janelle Monáe. As atrizes e seus colegas ganharam o troféu de melhor elenco segundo o Sindicato dos Atores de Hollywood (SAG), sendo que Octavia concorreu ainda ao Oscar de atriz coadjuvante — Estrelas Além do Tempo disputou também as estatuetas douradas de melhor filme e roteiro adaptado.
O drama biográfico dirigido por Theodore Melfi (realizador da comédia dramática Um Santo Vizinho) é baseado no livro homônimo de Margot Lee Shetterly, publicado recentemente pela editora Harper Collins Brasil, que traz à luz o incrível episódio das chamadas “computadores humanos”: mulheres afrodescendentes especialistas em cálculos complexos recrutadas pela incipiente indústria aeronáutica norte-americana durante a II Guerra para suprir a falta de mão de obra especializada, que seguiram prestando serviços posteriormente no programa espacial do país. Estrelas Além do Tempo acompanha a chegada de Katherine Johnson (Taraji), Dorothy Vaughn (Octavia) e Mary Jackson (Janelle) à Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço, a Nasa, em um período delicado da disputa entre as superpotências pela
primazia sideral: no começo de 1961, a URSS preparava-se para colocar o primeiro homem no espaço, enquanto os EUA ainda não tinham conseguido lançar nem uma bola de beisebol lá em cima. Em meio a um ambiente machista e segregado, Katherine, Dorothy e Mary vão se destacar e mostrar seu valor graças a sua inteligência, determinação e liderança. O caminho dessa afirmação, porém, será duro: mesmo contando com a compreensão do diretor do programa (interpretado por Kevin Costner), as profissionais enfrentarão o preconceito e o descrédito dos colegas brancos e de superiores como o matemático chefe (Jim Parsons, o Sheldon Cooper do seriado Big Bang Theory) e a supervisora geral das “computadores” (Kirsten Dunst). O grande atrativo de Estrelas Além do Tempo, para além da força e da pertinência do
episódio histórico que recupera, é sem dúvida sua trinca de protagonistas, formada por atrizes que brilham equanimemente na tela e vêm ganhando projeção em Hollywood: Taraji P. Henson foi indicada ao Oscar de coadjuvante por O Curioso Caso de Benjamin Button (2008) e acaba de arrebatar um Globo de Ouro pela série Empire, Octavia Spencer já foi oscarizada como coadjuvante em Histórias Cruzadas (2011)
e a ótima cantora de soul e r&b Janelle Monáe está também no filme Moonlight: Sob a Luz do Luar, vencedor do Globo de Ouro de melhor drama. O diretor e roteirista Theodore Melfi dosa com equilíbrio crítica social, drama, humor, registro documental — mesclando à ficção cenas de filmes de época sobre os lançamentos de foguetes russos e norte-americanos e os protestos contra a segregação racial — e até mesmo romance.