2 Bacia de Campos
MACAÉ, TERÇA-FEIRA, 13 DE AGOSTO DE 2013
Bacia de Campos potencial que transformou Macaé e o país Berço de mais de 80% da exploração do petróleo nacional, a região marítima sedimentar é responsável por colocar o Brasil, e a Capital Nacional do Petróleo, em evidência no mundo ACERVO MEMÓRIA PETROBRAS/LUIZ ROBERTO PAOLIELLO LEYRAUD
Márcio Siqueira marcio@odebateon.com.br
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uito além do que uma região destinada à realização de uma das atividades mais complexas e fundamentais ao equilíbrio econômico do mundo, a Bacia de Campos é, sem dúvidas, a fonte das riquezas que colocam o Brasil em evidência. Berço desse potencial, o estado do Rio de Janeiro e Macaé viveram uma verdadeira transformação que ainda perdura, mesmo passados 36 anos da descobertas e da extração dos primeiros litros do ouro negro brasileiro. No dia 13 de agosto de 1977 foi iniciado o processo responsável por mudar os rumos da economia nacional, colocando Macaé no centro do turbilhão de atividades, as quais fizeram com que a cidade fosse transformada na Capital Nacional do Petróleo. Há exatamente 35 anos a Petrobras iniciava a exploração na Bacia de Campos, que ainda possui as maiores reservas de petróleo do país, de onde são extraídos mais de 80% de todo óleo bruto e gás natural produzido pelo país. O início das atividades petrolíferas no litoral norte do Estado se deu após a descoberta de acúmulo de óleo em um reservatório marinho nomeado Campo de Garoupa, em 1974. Três anos mais tarde, a Petrobras estabelecia nova sede administrativa em Macaé e iniciava a produção de petróleo na região. Hoje, a Bacia de Campos representa mais de 80% de toda a produção nacional de petróleo. O Sistema de Produção Antecipada de Enchova (SPA) representou, para a Petrobras, o primeiro marco tecnológico
Navio sonda Petrobras II, primeiro navio de propriedade da Petrobras que atuou na busca por petróleo na Bacia de Campos. Em 1977, a Bacia começou a produzir petróleo através do Sistema de Produção Antecipada (SPA), instalado sobre uma plataforma flutuante, no campo de Enchova. da produção de petróleo em mar, num trabalho em direção a águas cada vez mais profundas. Ao tornar possível o início da produção de óleo, enquanto eram construídas as plataformas fixas, que depois seriam instaladas constituindo os sistemas definitivos, o SPA representou grande agilidade, flexibilidade operacional e economia para as operações no mar, já que reduziu o tempo gasto entre a descoberta de petróleo e o início da produção comercial. No mesmo ano em que se iniciava a produção de petróleo na Bacia de Campos, o Governo Federal encontrava,
em Macaé, as condições favoráveis para receber as instalações da base administrativa da Petrobras. A primeira sede instalada é a que liga a Praia Campista à Imbetiba, até hoje em atividade. Depois disso, o crescimento evidenciava a necessidade de novas instalações. Hoje, em Macaé, a Petrobras conta, além da sua primeira sede, com os terminais em Parque de Tubos e em Cabiúnas, além de prédios administrativos como no Viaduto e em Santa Mônica. A partir de 1977, com a chegada da Estatal, a então Princesinha do Atlântico, alcunha
carinhosamente atribuída ao município, cuja base da economia era pesqueira, estava fadada ao rótulo de Capital Nacional do Petróleo, como hoje, após 36 anos, Macaé é conhecida, por causa dos atrativos do ouro negro. Passadas mais de três décadas, desde a descoberta de petróleo na Bacia de Campos, a realidade de Macaé acompanha o desenvolvimento do país, embora esbarre nas ambições de políticos e/ou burocratas de plantão que administram seus recursos. Hoje, estimam-se que mais de 10 mil empresas do ramo de
petróleo e gás do mundo inteiro estejam com base instalada no município, o que coloca Macaé em posição para lá de favorável no que diz respeito à geração de empregos. Além disso, os recursos dos royalties - subsídios repassados aos municípios produtores como compensação aos impactos - representam grande parte da arrecadação total de Macaé: somente neste ano, o município já recebeu mais de R$ 290 milhões em royalties, com expectativa de fechar 2013 com uma receita de R$ 500 milhões, apenas com os recursos oriundos da exploração e da produção do petróleo.
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Exploração em alta mantém curva de produção ascendente Com 100 mil quilômetros quadrados, Bacia de Campos detém a produção de 86% do petróleo nacional, com potencial de crescimento
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onte de números abundantes e berço de atividades e pesquisas que colocam hoje a Petrobras entre as maiores empresas petrolíferas do mundo, a Bacia de Campos surpreende pelo seu potencial de produção já identificado, e cria ainda mais expectativa quanto ao futuro da economia nacional, já que as estimativas de exploração são ainda mais favoráveis, tanto no aproveitamento dos poços já localizados, assim como no alcance das reservas situadas no pré-sal. Segundo dados técnicos, a Bacia de Campos é uma bacia sedimentar com aproximadamente 100 mil quilômetros quadrados. A sua dimensão se
estende do litoral do Estado do Espírito Santo, na área de Vitória, até Arraial do Cabo, abrangendo treze municípios do litoral do Estado do Rio de Janeiro. Estudos geológicos utilizados pela estatal brasileira apontam que a Bacia de Campos foi formada há 100 milhões de anos, a partir do processo de separação dos continentes sul-americano e africano, esta região acabou se tornando um “aterro natural” formado por sedimentos despejados pelo rio Paraíba do Sul no Oceano Atlântico ao longo do tempo que, sob variados níveis de pressão e temperatura, entrariam em processo de decomposição, originando as reservas de pe-
tróleo e gás natural, dentro de rochas porosas no subsolo marinho. Em 1974 então, a Petrobras identificou acúmulo de óleo em um reservatório marinho, o poço 1-RJS-9-A, que deu origem ao Campo de Garoupa, situado em lâmina d’água de 100 metros. O grande marco que transformaria um sonho brasileiro em realidade aconteceu no dia 13 de agosto de 1977, há 36 anos, a 124 metros de lâmina d’água, era iniciada a produção de petróleo na Bacia de Campos. O poço escolhido foi o 3-EM-1-RJS, no Campo de Enchova (terceiro campo descoberto, depois de Garoupa e Namorado), com vazão superior a 10 mil barris diários de
óleo, através do Sistema de Produção Antecipada sobre a plataforma semi-submersível Sedco 135-D. Para se ter uma ideia do potencial da região, em média, são produzidos na Bacia de Campos 1,7 milhão de barris de óleo e 28,5 milhões de metros cúbicos de gás por dia. Segundo a gerência geral da Unidade de Operação de Exploração e Produção da Bacia de Campos, os números observados na BC representam mais de 86% da produção nacional de petróleo e gás. A partir de todo esse processo de evolução, a Bacia de Campos atrai atualmente a maior parte dos investimentos planejados pela Petrobras para os próximos anos, atra-
vés do desenvolvimento do Plano de Negócios para os anos de 2013-2017, onde serão aplicados cerca de US$ 236,5 bilhões em investimentos, dos quais cerca de 60% serão aplicados na atividade de exploração e produção de petróleo realizadas nas unidades situadas na camada do pós-sal. Ao concentrar atualmente a produção de cerca de 80% de todo o petróleo gerado no Brasil atualmente, a Bacia de Campos busca dobrar a sua capacidade de produção de petróleo nos próximos anos, projeção que será alcançada através das atividades de exploração de óleo bruto nas camadas do pré-sal, cujo pico de extração deverá ser alcançado nos próximos quatro anos.
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