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edição por casa · março 2020 · obomfimjornal@gmail.com

Papel

Nesta edição não há papel. Também não vamos estar na rua, nem nos cafés.

Ficamos a ler jornais em casa. Vamos proteger-nos e vamos proteger os outros.


Nos primeiros dias de março de 2020 registavam-se os primeiros casos de pessoas infetadas pelo novo coronavírus em Portugal. No espaço de uma semana, a epidemia, já calculada, e já alertada por tantos, começava por aqui, no Porto. Estamos agora, muitos, em casa, num esforço conjunto para travar o que já sabemos ser uma pandemia. Mas outros, muitos, continuam a trabalhar, num esforço maior para cuidar e salvar vidas, ou garantir os bens essenciais de quem está em isolamento social ou quarentena. Obrigada. Ainda outros, e que não sejam muitos, estão na rua à mercê de outros isolamentos sociais. Quando hoje nos cruzamos na rua, afastamo-nos um pouco, em reconhecimento do problema que nos separa, em reconhecimento da vida de cada um. Este vírus, esta coisa que não conseguimos ver e sobre a qual ainda muito desconhecemos, é agora o que nos afasta mas, também, o que nos pode juntar. Tal como com outros “agentes infecciosos”, é pelo que não vemos e pelo que ignoramos que nos afastamos, que tantas vezes nos isolamos e segregamos o outro. Até tudo passar, esperamos por dias de abraços e de braços no ar, noutras lutas, para e por quem está noutras “quarentenas”. Para já, a luta é por casa, por todos. Rita Ferreira 2

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In bocca al lupo*

RAQUEL BILTES

Li os Astérix e Obélix dele e, mais tarde, a minha cunhada ofereceu-me gramáticas e livros — A Letra Escarlate e A Casa dos Espíritos, em italiano. Receberam-me de férias muitas vezes e passeavam comigo pelo país. Eu era uma adolescente e eles eram os meus ídolos. Os reencontros nos aeroportos eram uma emoção muito forte. As partidas também. Os anos passaram. O amor fraterno, a admiração, o orgulho cresceram mais e mais. E a saudade é rotina porque o organismo mental habitou-se à ausência física. Mas continuo a olhar para as fotografias antigas e a comover-me.

Escrevo este testemunho, por duas razões: • Porque depois de a Rita me ter lançado o repto, fiquei com os olhos a brilhar; • Porque tenho um irmão em Bergamo, há quase 25 anos.

Hoje, o meu irmão tem 50 anos e três filhas, a última do segundo casamento. No momento em que fecho este texto é Dia do Pai, e nasceu a Eva.

O meu irmão tinha 16 anos quando eu nasci. Ensinou-me muita coisa. Quando eu era bébé, adormecia nos braços dele porque ele era alto e estudava de madrugada. Quando eu tinha três anos, fazia-me correr a casa atrás dele ao dizer «Vai ver se eu estou na sala…» e eu, desconfiada, entrava na brincadeira. Eu ia e voltava as vezes que ele me pedisse. Saiu cedo de casa, quis ser “independente”. Aos 19 foi viver para a Rua do Miradouro, numa espécie de “República” de estudantes de Arquitectura. Mas vinha jantar algumas vezes, trazia a roupa para lavar e fazíamos sempre uma festa quando nos víamos. Lembro-me de termos ido a casa dele num São João: as escadas do prédio onde ele morava nunca mais acabavam e a ponte D. Luís I tremia.

… Face às notícias da COVID -19 em Itália, preocupo-me. O país estará em quarentena até dia 3 de Abril. Itália é o país da Europa mais envelhecido. Com 60,59 milhões de habitantes, 21,37% têm mais de 65 anos. No momento em que escrevo, são 41.035 mil casos oficiais em toda a Itália. ne Em Bergamo são mais de 4.000. O país regista 3.405 mortes, 2.168 só na Lombardia, região a que Bergamo pertence. A taxa de mortalidade da doença causada pelo vírus, a COVID -19, chegou na segunda-feira (16/03) a 7,7%, enquanto o índice médio chinês é de 2,3%. Numa amostra de 2.003 mortes, de um total de 2.503 falecimentos até 17/03, sabe-se: • 707 estavam na faixa etária de 70 a 79 anos; • 852 na faixa de 80 a 89 anos; • 198 têm mais de 90 anos; • 17 têm menos de 50 anos.

Eu era uma miúda e o meu irmão era o meu ídolo. Em 1992, apaixonou-se perdidamente por uma estudante de Erasmus italiana e quando foram viver para Itália, partiram num Renault 5 e levaram o gato Sebastião.

Por isto tudo, tenho o coração na boca, claro. E só desejo «In bocca al lupo».

Eu era uma miúda e o meu irmão era o meu ídolo. * Expressão usada no sentido de «Boa Sorte», entre outros

Aprendi a falar italiano porque quando os visitava, comecei a atender o telefone e a dar recados. E porque ele também me ofereceu K7’s do Eros Ramazzotti e do Jovanotti. O Bomfim · edição por casa · março 2020

significados.

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Este texto usa as contagens disponíveis até 19/03/2020. À data de fecho da edição, 22/03/2020, os números são consideravelmente diferentes.


Vem à janela! Fomos dar a volta ao quarteirão, passámos em casa dos amigos, mas ficámos cá fora. Conversámos à janela, para não tocarmos em nada. Alguns retratos do isolamento, a poucos metros de distância.

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Kiki Está na casa que partilha com amigos e com gatos, a Anis e o Açafrão. O Bomfim · edição por casa · março 2020

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Adélia Está em casa com o irmão, Abel, e com o gato Miu. 6

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Joana Está em casa na companhia do gato Miso. 8

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Eduarda A contar a última do Alfredo, a tartaruga com quem está em casa.

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Só veio a Diana à janela, mas aqui moram sete pessoas. A quarentena ditou que duas estivessem de um lado da casa, e cinco do outro.

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Francisco Lá em cima, não está sozinho em casa, está com os gatos Timoshka, Tico e Teco. Leonel Está à janela, na casa que partilha com os amigos, Tiago e João. O Bomfim · edição por casa · março 2020

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Sara Veio às escadas. Tem passado os dias com a namorada e com a gata, a Friday. 12

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E nós estamos ali em cima, eu e a gata Joaquina. Estamos bem, temos casa. Mas ainda há gente na rua. Pelo Porto, a Legião da Boa Vontade, o Centro de Apoio aos Sem-Abrigo, os Serviços de Assistência Organizações de Maria, o Centro de Acolhimento Temporário Joaquim Urbano, entre outros, precisam sempre de voluntários e de comida, ou de donativos. O Bomfim · edição por casa · março 2020

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Ecrã indiscreto ou ecossistema das janelas «I’m not much on rear window ethics.», Lisa Fremont em Janela Indiscreta (Rear Window) de Alfred Hitchcock.

o incrível secreto traseiras

ler no sofá e a minha mãe vem e diz que tenho de arrumar a louça toda. Pá, não podia esperar um bocado até que eu o fizesse? Não era urgente, de todo! Mas pronto, estou em casa deles, são as regras deles.

Algures nas varandas traseiras de um prédio: ——Estou na varanda. Não me consegues ver? ——Não te estava a ver. Desculpa. Sim, tudo bem.

——É lixado; esperemos que esta quarentena acabe depressa.

——Que tens feito? ——Estava a trabalhar em Londres mas voltei para estar com a minha família.

——Mesmo. E tu? Continuas a trabalhar como professor na Soares?

——Os teus pais estão bem? Manda-lhes um abraço. Não sei se me conseguem ouvir daqui, mas espero que esteja tudo bem.

——Sim, sim. Aliás, tenho de continuar a ir lá e a preparar material de estudo. ——Não vão os teus alunos perder alguma parte importante da História da Arte.

——Sim, sim, está tudo. Ouviram sim, e mandam cumprimentos de volta. Não é fácil este período, mas acho que estamos a conseguir lidar com tudo.

——Hahahahahahaha. Isso é que não. É preciso manter a mente destes jovens activa. ——E tens visto estas mensagens áudio no Whatsapp completamente alarmistas e fraudulentas? Não há paciência para estas fakes news. Já não havia paciência para essa merda mas agora muito menos.

——E estás de volta permanentemente ou vais voltar? ——Não sei muito bem o que está a acontecer, dado esta história do Brexit e agora do Corona. Não tenho um futuro muito definido. Estava a trabalhar para uma companhia de dança e com todos os cancelamentos que tive, fiquei sem trabalho. Também não quis ficar por lá sozinho e sem poder ver ou estar com a minha família no caso de as fronteiras fecharem.

——Mesmo. Vão ao site da DGS ou da WHO e deixem de ser sacanas que só se divertem com isto. E os posts no Facebook? Era declarar quarentena ao Facebook. ——Cuidado, estás a ficar autoritário!

——Percebo perfeitamente. Eu estou aqui com o meu namorado e os meus pais estão na terrinha. Estou a uma hora de viagem deles. Isso tranquiliza-me.

——Hahahahaha. Sabes bem o que quis dizer. Num momento destes é importante não pôr as pessoas mais ansiosas do que o que já estão. O vírus está aí, mas também não é o Ébola. Uma das razões por estarmos de quarentena é para não sobrecarregar o SNS e deixar que quem precisa mais dele o possa continuar a utilizar.

——Pois, foi isso mesmo que pensei quando saí de lá. Agora estou a morar com os meus pais temporariamente.

——Aquele Manel que andou connosco lá na escola é que não há paciência. Sempre a “postar” umas tretas todas alarmistas e xenófobas. É todo enamorado destes partidos populistas de direita. Sabias?

——E como está a ser? ——Está a ser tranquilo, apesar de termos tido alguns atritos. Tipo, no outro dia estava aqui a

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TEXTO JP BURGAL ILUSTRAÇÃO FRANCISCO FERREIRA

——Já nem vejo nada desse tipo que deixei de o seguir; nem sei porque ainda sou amigo dele, na verdade.

para além disto? De uma forma bizarra lá acabamos nós, inevitavelmente, a falar do vírus e das medidas que foram tomadas… ou que ficaram por tomar.

——Agora tens tempo para fazer aquela limpeza básica na lista de amigos. Sabes, aqueles amigos que na verdade já nem sabemos mais porque somos amigos… se é que alguma vez fomos. Tem vezes que só adiciono alguém por que acho interessante. Tipo o Tinder.

——Mesmo! Nunca na vida lavei tanto as mãos. Até já tenho os nós das mãos todos secos e alguns em ferida.

——Hahahaha. Tu não existes! Tens tido sorte com isso do Tinder?

——Olha, desculpa lá, mas tenho de ir ao supermercado fazer as compras aqui para a casa e a minha mãe “stressa” logo com esta actividade. Tenho mesmo de ir.

——Fogo! Nesta altura, achas mesmo? Nem que pusesse COVID -19 negativo na minha bio que me safava. E a morar em casa dos meus pais também não é propriamente o ideal para trazer um gajo, ou vários, cá a casa.

——Vai, vai. Foi mesmo bom ver-te, nem que seja aqui pelo telemóvel. Não consigo parar de imaginar o momento em que nos abraçamos de novo e vamos beber uma cerveja.

——Hahahahah. Só tu para andares a pensar em safadezas nesta altura. Por falar em distracções, tens alguma coisa que recomendes de filmes, séries ou livros?

——Está prometido! Também quero, que isto de falar por vídeo-chamada não é a mesma coisa. ——Um beijo e cuida-te! Nada de andares aí a ver se “sacas” uns dates.

——Devias ver o Better Call Saul, ou então Os Sopranos ou o Mad Men. Aquele binge-watching básico. Para leitura, A Montanha Mágica do Thomas Mann não poderia ser o livro mais adequado, pois fala de isolamento num sanatório.

——Hahahahahaha. Não, não. Tu também! Grande abraço. ——Vá, tchau-tchau. As janelas e as varandas passaram a ser o ponto de contacto com uma realidade que se alterou, que se transfigurou para algo que nos ainda é desconhecido, e que de alguma forma ainda mantém parte da sua essência inicial. Os ecrãs que nos permitem ver o mundo mais próximo são diferentes daqueles que nos deixam vislumbrar as grandes distâncias que nos separam e que apaziguam as saudades. No entanto, não substituem o caloroso abraço que todos queremos sentir quando este período, que certamente será de reflexão e de descoberta, acabar.

——Boa, boa. Obrigado pelas dicas. A vizinhança também agradece que acho que todos ouviram. ——Epá, o que é que disseste? A rede ficou fraca e deixei de te ouvir; ficaste parado. Há problemas aí com a rede no Porto? Achas que há discriminação de qualidade de rede entre Lisboa e Porto? ——Sempre a fazer piadas acerca da centralização, não é? ——O COVID -19 não fez nada disso, que os primeiros casos foram aí no Porto… já viste que agora não conseguimos falar de outra coisa

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I’m all lost in the supermarket*

* Estou todo perdido no supermercado. Tradução livre de um verso da canção Lost in the Supermarket, da banda britânica The Clash.

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Durante anos, o Francisco colecionou listas de compras perdidas em supermercados. Falhadas ao cesto, abandonadas nas cestas, pelo chão, junto às caixas, de carrinho, juntou a lista das listas. E a curiosidade mantém-se: O que vão comprar na próxima ida ao super?

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FRANCISCO FERREIRA


Porto, 21 de Março de 2020 Caro Bomfim:

Escrevo desde a sala do décimo andar em que desafogo a vista sobre uma cidade mais silenciosa que o costume e não estou certa de se os pássaros desataram a gritar por clemência ou se a liberdade do petróleo se cegou. O sol destes dias tem a forma de uma esfera ouriçada de vírus e tudo se alumia sob essa luz incandescente de um rastilho a fazer caminho por entre as palhas das nossas relações sociais. Pouco de toa tem a distância exigida ao outro. Troa a guerra ao invisível, ao ofegante síndrome respiratório, agudo, individual, global, totalizante. Dos jornais mono-temáticos sobram olhos de juízo à presença do outro, à escolha que se faz em crise, à fatalidade do dia. Manter a distância social tornou qualquer transeunte um ser que caminha, com o qual nos cruzamos e evitamos a bem da nossa saúde, aquele que mexe em coisas com as mãos e não pode mexer na cara, aquele que devemos identificar para manter ao largo — porém, identificar. É com as mãos que tapamos o encandeamento solar e fazemos bolas de sabão, recolhidos aos nossos bunkers e à companhia do fim de mundo, animados num lar que se revela na alvorada do apocalipse. Por estas bandas, os dias têm incluído a habitual bicicleta e um dia de trabalho ao computador. Sorte esta de a emergência me apanhar com a casa separada do trabalho e continuar a degustar a mobilidade entre espaços, de fazer rodar matéria e apanhar um bocado de vento na tromba. Difere a paz na estrada, purgada dos seus demasiados automobilistas e correrias, desatenções e perigos. Esta cidade é bonita, assim, sem vós das quatro rodas. Agora que sou uma presença ameaçadora para aquele que comigo se cruza, há também uma admissão de existência que, antes da pandemia, estava por criar. Estudava-se sociedades líquidas associadas a sociedade sem liquidez. Tenho viajado pelas Caraíbas e pelo Índico nas histórias à mesa com o meu pai. Deveria ter partido em dia de S. José para a Ilha da Reunião mas quis o grande corona que ele e a mulher se quedassem pela casa onde vivo com o namorado. A coabitação com um homem que pouco vi nos últimos quinze anos permite que apanhe o fio das suas aventuras em paraísos na terra por infernos terrestres. Sem data marcada de regresso à ilha francesa vizinha de Madagáscar, o tempo faz-nos conhecidos. Parar diferencia o tempo e a gente remete-se, remede-se, remedeia-se. 18

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VIRGÍNIA VALENTE

Noutras viagens insulares, dou por mim em Lesbos, a acordar numa tenda enlameada entre corpos e entre tantas, como uma de 42.000 refugiados num campo fechado sem casa para lavar mãos. 42.000 de quase quatro milhões de pessoas que esbarram nos folhos da Europa. As fronteiras fecharam ao testemunho da travessia desses migrantes entre linhas de betão e de exército. Fora eu uma das 5.500 crianças, sem acompanhante de fuga, nesse campo de Lesbos e talvez não compreendesse a acumulação dos castigos em tão pouco tempo para pecar. Quem dorme sobre esta gente? Numa rua vazia, o que é público? Suspensão de direitos, fake golfinhos nos canais de Veneza, orquestras de janela, arco-íris que nascem num coração de ouro, bailes de varanda, filas dispostas num cordel imaginário com a métrica das bolas de pompoarismo. A escolha, a eminente escolha que corresponde à crise do que fazer com o tempo quando reduzido a nós, na talhada fina à condição de rompante, translúcida, paralisante em todos a impressão da explosão da máquina, do eco do rechaço das porcas no cimento. Olha-se o vírus como quem lê uma radiografia, como quem conduz um interrogatório, como quem conta a cotação, como quem se apanha num engarrafamento de auto-estrada, como um grão de visita à engrenagem. Então que não há a fazer que não aproveitar para olhar em volta, saber do sítio pelo qual se passa: pára-se na paisagem, um ponto de paragem, desacelera-se, silencia-se, barafusta-se e recolhe-se. Talvez os pássaros não cantem por clemência mas já entoem o genérico da nossa ficção enquanto as gaivotas, desnorteadas, se apercebem da falta de desperdício para enfardar. Os hóspedes que não vieram e não ficaram. As torneiras fechadas, em greve de ensaboadela de freguês do best European destination. O ar está leve, é Primavera e Nowruz, e um pássaro disse que «há sempre amanhãs que cantam, pá».

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Do remember they can’t cancel the spring.*

* Lembra-te de que nĂŁo podem cancelar a primavera.

David Hockney


Fizeram O Bomfim a Raquel Biltes, o JP Burgal, o Francisco Ferreira e a Virgínia Valente. A fotografia e a composição gráfica é da Rita Ferreira, que também coordenou a edição. Ajudou na revisão de texto a Adélia Abreu. Ajudou com a coragem a Kiki Pimentel. Até ao dia, piscamos o olho.

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