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Residências Artísticas 2017 - Estação Cultural Mosteiro Zen Morro da Vargem

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RESIDÊNCIAS ARTÍSTICAS ESTAÇÃO CULTURAL

2017

MOSTEIRO ZEN MORRO DA VARGEM


apoio

realização


2017

MOSTEIRO ZEN MORRO DA VARGEM

RESIDÊNCIAS ARTÍSTICAS ESTAÇÃO CULTURAL

CLÁUDIA FRANÇA DULCE OSINSKI ERNESTO BONATO FERNANDO AUGUSTO MARCELO SILVEIRA MARINA FARIA

Ibiraçu 2018


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SUMÁRIO

APRESENTAÇÃO 09 HORIZONTES. CLÁUDIA FRANÇA 10 COM VERSO. MARCELO SILVEIRA 22 ZAZEN. ERNESTO BONATO DIÁRIO DO MORRO DA NUVEM BRANCA. MARINA FARIA 34 PAISAGEM ATLÂNTICA. FERNANDO AUGUSTO E DULCE OSINSKI 48 FICHAS TÉCNICAS DAS OBRAS EXPOSTAS 60


APRESENTAÇÃO

Fundado em 1974 no município de Ibiraçu, Espírito Santo, e conhecido como um centro relevante de prática e difusão do budismo Soto Zen na América do Sul, o Mosteiro Zen Morro da Vargem incorporou diversas atribuições à sua missão original. Entre elas, destacam-se a proteção de importantes remanescentes de Mata Atlântica e a recuperação de áreas degradadas em seu entorno, além da manutenção de um programa contínuo de educação ambiental dedicado sobretudo aos jovens. Igualmente relevante é sua aproximação da arte, compreendida como alta manifestação do ser e bem social compartilhável. Acompanhando a consolidação de suas metas, em 1995 o Mosteiro passou a dedicar uma área privilegiada de seu terreno para abrigar manifestações artísticas em diferentes linguagens, ao inaugurar a Estação Cultural, projeto pioneiro que reunia em um só lugar ateliê, residência e espaço expositivo. Com uma visão panorâmica dos vales e montanhas locais, inúmeros artistas de várias regiões do Brasil e do exterior puderam, desde então, desenvolver seus projetos em contato direto com a natureza e o cotidiano do Mosteiro. Ao longo de 2017, sob a orientação curatorial de Fernando Augusto dos Santos, artista e professor da Universidade Federal do Espírito Santo, um grupo de seis artistas apresentou ao público nesse espaço um conjunto de resultados oriundos, direta ou indiretamente, de residências artísticas realizadas ali. Mais do que apenas retomar as ideias em sua originalidade, a intenção era ampará-las em pressupostos educativos capazes de ressignificá-las; para isso, contamos com a contribuição da professora Adriana Magro, também da UFES, responsável pelas ações educativas do projeto. Esta publicação registra não somente os esforços desprendidos e os êxitos obtidos neste processo, como sinaliza, por meio da objetividade e da dedicação de todos os envolvidos, o compromisso original assumido pelo Mosteiro, superando com alegria antigos obstáculos que, de toda forma, não foram menos encorajadores que seus resultados. Mosteiro Zen Morro da Vargem

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HORIZONTES

CLÁUDIA FRANÇA


HORIZONTES 3 a 5 de junho – residência 11 de junho a 8 de julho – exposição

Horizontes nasceu de uma breve vivência de três horas, em solidão, no interior da sede da Estação Cultural. Era um dia ensolarado. Voltada para a parte frontal da casa, eu contemplava a paisagem, considerada o cartão postal da Estação: o encadeamento de montanhas, uma pequena cidade, vestígios de uma estrada, a predominância de verdes e azuis. Se a panorâmica é considerada, inconteste, o fenômeno visual do lugar, havia outro, tão cotidiano e belo quanto ela: a luz solar que invade o salão da casa. Todos os dias, o Sol desenha no chão da sala linhas diagonais, perspectivadas, com gradientes tonais e de espessuras diversas. Linhas de sombra em lento movimento, desenhos pulsantes, conformes aos movimentos das nuvens. No entanto, o desenho solar só se dava graças a outro desenho silencioso – o jogo simétrico e ortogonal das esquadrias de madeira –, desenho sempre indiferente ao olhar que se dirige à imponente paisagem montanhosa. Ficar ali, sentada no salão vazio, fez-me perceber esses desenhos, para além do que era distante. Queria uma forma que aproximasse o plano longínquo deste o o de acontecimentos ráficos

esse modo, a solução para uma proposta

de intervenção artística resolveu-se na simplicidade de desejar erigir o desenho solar ofertado pelo tempo e pela luz. Construindo em madeira aquelas diagonais de sombra, talvez conseguisse aproximar realidades distintas: o desenho ortodoxo da grade das esquadrias, o desenho movente do chão e as diagonais naturais das montanhas longínquas. Horizontes, um desenho tridimensional, é constituído pela trama de três conjuntos de ripas articuladas de madeira reaproveitada – paraju, angelim e peroba rosa As ripas t m perfil uadrado, de dois ou tr s cent metros de lado, em di ersas e tens es

uas e tremidades recebem c anfros e furos;

por meio de parafusos e porcas, compõem-se grandes linhas dobráveis. Os con untos estendem-se pelo ão do salão, de mais de seis metros; afi ados nas paredes laterais com sapatas de madeira, ainda têm o chão como apoio

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em alguns pontos. A distância entre os conjuntos permite o uso de algumas travessas transversais às linhas, que dão mais leveza ao todo, em contraponto

a ressi idade da an ulação dos filetes

uso das direç es erticais,

horizontais e transversais gerou, em alguns momentos, formas poliédricas, ue nomeei poliedros sem peles ; por serem transparentes, eles permitiam que, ao se deslocar, o espectador percebesse outras nuances do desenho tridimensionalizado. A partir de Horizontes, a grade de madeira perde sua passividade visual e se reativa, em um diálogo que se estende à trama tríplice das ripas articuladas. Como as esquadrias, Horizontes tornou-se também um anteparo para os desenhos do Sol. No entanto, em função da complexidade da trama construída, os desenhos de chão pareciam “enlouquecidos”: agora, faziam seu caminho diário e inexorável pelo chão e pelas paredes acima carregando linhas novas, para além das sombras das esquadrias. Enlouquecidos por a uela desmaterialidade ráfica; enlou uecidos por ue pulsa am em função da intensidade de lu ; enlou uecidos por ue desapareciam nos dias de chuva. O entardecer também contribuía: ia revelando o desaparecimento do desenho, que ressurgia no dia seguinte não se sabe como, se intenso ou suave. Chegaria o dia em que Horizontes desabitaria a Estação Cultural do Mosteiro. Poderão as linhas de sombra, em sua futura solidão, evocar aquele encontro? (C.F.)

CLÁUDIA FRANÇA (Belo Horizonte-MG, 1965) Artista visual, é doutora em artes pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), mestre em artes visuais pela Universidade Federal do io

rande do ul

e bac arel em artes plásticas

esen o e scultura pela

ni-

versidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Sua formação acadêmica, que abrange o período de 1984 a 2010, foi intercalada por cursos, residências e seminários em áreas como arquitetura e filosofia contempor nea, ue se estendem continuamente isuais da

ni ersidade ederal de

berl ndia

entre

ecionou na raduação em Artes e

; atualmente, leciona

na graduação em Artes Visuais da UFES. Atuou no Programa de Pós-Graduação em Artes da UFU, de 2010 a 2017. Participa regularmente de bancas de mestrado e doutorado. Membro da A

A , participa de reuni es cient ficas re ularmente

eus interesses nas áreas de pes uisa e

orientação abrangem dinâmica dos processos de criação, desenho contemporâneo e expressão tridimensional. Currículo Lattes disponível em: http://lattes.cnpq.br/3462886315780014.

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COM VERSO

MARCELO SILVEIRA


COM VERSO 3 a 23 de julho – residência 23 de julho a 28 de agosto – exposição

O desenho da casa

O mirante, uma casa de madeira e vidro, transparente na maioria de suas paredes. A surpresa de estar dentro e fora ao mesmo tempo. entro, com as lu es apa adas, esta a prote ido

ora, inte rado

paisa-

gem, via estrelas, ouvia os sons dos caules das árvores ao se tocarem e o chocalhar das folhas. O vento contribuía para o espetáculo. A mesma luz que me protegia deixava-me vulnerável. Vi nascer o Sol todos os dias. Na ausência da luz natural, as sombras feitas pela iluminação das lâmpadas, num primeiro momento, assustavam-me. Para facilitar o deslocamento, cordões, uma bengala, estruturas de um antigo armário e poucas roupas compunham minha bagagem de chegada. Fui recebido por uma mesa-árvore, duas camas-tatame, várias almofadas cansadas pelo uso das cores e um banco voador. Aos poucos, os elementos familiares trazidos encontrariam o desconhecido e estabeleceriam uma conversa. Quem habitou esta casa? Como vou habitar esta casa? Como será o desenho da casa? Toda casa precisa de um pré-desenho e de muitos outros pós-desenhos. Como seria o desenho da minha casa? A casa seria um C com asa?

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Ao lado da casa transparente existiam outras. Chamou-me atenção a do tatu e a das formigas. Fiquei na expectativa de presenciar a saída do tatu, mas ele não desejava conhecer o vizinho. as formi as, usei parte do material, sem pr

ia autori ação, para inter ir

no espaço interno da casa de vidro. ormia uando da a sono

omia uando da a fome Assim eram o dia e a

noite na residência. Próximo à vidraça estendia meu colchão, para sentir a movimentação das estrelas... Internamente, a conversa resultou em um alinhamento dos objetos. Externamente, os fragmentos das árvores foram amarrados com cordões, de forma que a continuidade dessa linha estabelecia uma ligação entre um espelho d á ua, na parte posterior e inferior do ardim, uma ár ore, ue fica a na lateral da casa de vidro, e a primeira construção do Mosteiro. Por favor, “O desenho da casa!” (M.S.)

(Gravatá-PE, 1962). Escultor, gradou-se em educação artística na Uni-

MARCELO SILVEIRA

versidade Federal de Pernambuco (UFPE), que cursou de 1985 a 1990, período em que abre ateliê em Gravatá. Seu trabalho foi visto em exposições individuais e coletivas, como a 1ª Bienal nternacional de Artes lásticas de uenos Aires ; teis,

ienal de al ncia A A

aulo,

ecife, ; ra essias , adri,

;

ienal do

ienal de ão aulo

ercosul

;

alpão ela

ar

io de aneiro,

io de aneiro e ão aulo, eração da irada

orto Ale re,

; O Guardião das Coisas Inú-

; oleção ta de oto rafia rasileira, nstituto omie

ultural anco do rasil tradit rio

;

o a Arte

ão

o a,

entro

; anorama da Arte rasileira

on-

, nstituto omie

;

ta e

ta e

ão aulo,

Chronos, Galeria Nara Roesler (São Paulo, 2012). Vive e trabalha em Recife (PE).

;e

33


DIÁRIO DO MORRO DA NUVEM BRANCA

MARINA FARIA


ZAZEN

ERNESTO BONATO


38


39


ZAZEN

DIÁRIO DO MORRO DA NUVEM BRANCA 5 a 20 de setembro – residência 17 de setembro a 2 de novembro – exposição

Estes escritos, entre tantos tecidos por mãos entrelaçadas, talvez comuniquem o sabor (não o fato) de algo que foi vivido ali e não só ali.

1. rá eis e loucos, utuam sem resist ncia, mas não se iludem

em posses,

não podem ser roubados; sem ob eti o, á c e aram antes mesmo de partir; não sabendo, compartilham dos mistérios. Errando sempre, são abençoados. Sua bênção não vem do que sabem, mas do que sentem, e do que sentem nascem todas as suas ações. Vagabundos, não buscam respeito ou consideração. Como crianças, desfrutam o momento. No sol da tarde, aquecem suas peles de pergaminho. Sobre eles, o Sol escreve histórias de séculos atrás e dos segundos atuais. Palimpsestos maltrapilhos, carregam a história do mundo inteiro, mas comportam-se como bobos. Seu falar é obscuro. Em seus mistérios, não há nada para ser descoberto. Apenas ornamentos não lineares. São vistos sempre de longe, a certa distância. Toda a sua beleza reside nisso.

2. No ar quente em que circulam as folhas, o cheiro macio de chá liquefaz ventos e concreto. O cheiro branco do jasmim, o aroma verde da camélia, misturam-se nas narinas, enquanto os lábios sorvem a bebida ainda quente.

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A boca engole para fora todos os perfumes. Num instante o calor escorre até o pé. Sentado, no centro do jardim, acende um foguinho acolhedor ao lado de uma fonte de água pura, feita de um mármore mais branco e delicado que a plumagem de uma coruja polar. A noite vem com um vento que é ar outra vez e carrega tudo. Resta uma xícara branca sobre o chão de pedra. No azul noturno, lobos cinzentos enfeitiçados habitam o local. Buscam os homens que já foram. Não é dessa vez que irão encontrar. Nem da próxima. Sob a xícara, um bilhete de despedida. (E.B. e M.F.)

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ERNESTO BONATO ( ão aulo- ,

rabal a com pintura, desen o, ra ura, foto rafia,

vídeo, instalação e intervenção urbana. Expôs em mais de 200 mostras individuais e coletivas no Brasil e em 28 países. Suas obras integram importantes coleções públicas e particulares. Graduado e mestre pela Escola de Comunicação e Arte da Universidade de São Paulo (ECA-USP), participou da criação do serviço educativo do MASP, em 1997. Ensinou gravura em metal na Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP) e desenho e gravura no Centro Universitário SENAC-SP. Membro fundador e coordenador do Atelier Piratininga, em São Paulo, de 1993 a 2013, recebeu o Prêmio Unesco do 14º Salão Nacional e o Proac Obra e Exposição em 2015 e 2017. Participou da criação de projetos coletivos, organizou e participou de intercâmbios, simpósios e palestras sobre arte, e atuou como curador no Brasil e no exterior. Convidado para o programa de residência artística da UNICAMP, muda-se para Campinas (SP) em 2011. MARINA FARIA critora

a - ,

Artista isual, trabal a principalmente como ilustradora e es-

ormada em desi n ráfico pelo entro

ni ersitário

A - , ilustrou li ros como

Quando Blufs ficou em silêncio e O Silêncio em apuros, ambos finalistas do r mio abuti de Literatura. Recebeu o prêmio Proac em 2015 para desenvolvimento de texto literário (literatura infantil). É autora de diversos livros de artista, e de murais públicos para as unidades do SESC São Paulo em Taubaté, Araraquara e Campinas. Vive e trabalha em Campinas (SP).


PAISAGEM ATLÂNTICA

FERNANDO AUGUSTO

DULCE OSINSKI


PAISAGEM ATLÂNTICA 2 a 10 de dezembro – residência 10 a 17 de dezembro – exposição

VER

A PAISAGEM. Este foi primeiro passo. Antes mesmo de nos encon-

trarmos na Estação Cultural, buscamos conhecer as paisagens do mosteiro por meio de re istros foto ráficos e descriç es erbais e escritas Assim, a oresta se imp s como ima em a ser trabal ada na resid ncia A partir da , construímos um pensamento de desenho e paisagem. Criou-se então, entre Vitória e Curitiba, uma linha de comunicação permanente para troca de ideias e impressões e tomadas de decisão.

O ENTORNO. A Mata Atlântica que se dá à vista no Mosteiro é exuberante. Um simples passeio por suas trilhas nos mostra isso. Ao chegar à Estação, o que se vê, inicialmente, à distância, é um panorama de vales e montanhas admirável. No entanto, abrimos mão da vista frontal do mirante, ponto mais visitado e fotografado da Estação, para focar a paisagem às costas do observador que passa distraidamente. A paisagem de perto dali, e não a de longe, é que seria desenhada. O conceito foi construído a partir de alguns pressupostos. Primeiro, o ponto de vista aparentemente desinteressante, aquele ue fica s costas do mirante, coloca a o desen o como elemento definidor do que seria de interesse, desviando o olhar do espectador do mirante para as ár ores de trás, e en iando-o de olta, assim, numa tarefa re e i a sobre o caminho percorrido. Segundo porque, estando o desenho exposto perto do lugar retratado, este poderia ser visto, visitado, experienciado. Terceiro, a escala: o desenho seria um detalhe em escala real da paisagem, e poderia ser visto e comparado à escala verdadeira.

A

ESCALA

esen ar uma paisa em em escala real

neste caso, um

detalhe da Mata Atlântica em suas verdadeiras dimensões. Como a parede central da Estação tem um pé-direito de 4,30 metros e 0,70 metro de largura, a paisagem “transportada” para sua superfície teria, também, essa medida. Estamos acostumados a ver paisagens em escala reduzida, repre-

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sentaç es pict ricas, ráficas ou foto ráficas; mas uma ár ore, por e emplo, mede facilmente cinco, dez, quinze metros ou mais. Como representar essas dimensões reais em pintura ou desenho? O que essa escala pode nos dizer? if cil c e ar a uma conclusão; mas, assumindo estas dimens es, pensamos poder dizer algo da grandeza do mundo, do nosso olhar, e também do nosso corpo. A beleza é que, ao deixar de criar paisagens pequenas, descobrimos ue mesmo em randes dimens es não damos conta delas; assim, ao nos deparar com um desenho de paisagem de 24 metros quadrados, é como se imergíssemos na natureza.

O

MATERIAL. Após decidir o que seria feito e em qual linguagem – o

desen o , re etimos sobre o material

preto e branco nos pareceu mais

adequado para falar da diferença e da semelhança entre desenho e objeto, e por possibilitar maior contraste entre os múltiplos tons verdes e azuis da paisagem. Assim, materiais como carvão e pastel seco em tons de cinza se impuseram em nossas escol as, pela uide na construção da lin a e pelas m ltiplas nuances ue oferecem

ora a eludada e difusa, ora fina e precisa

Utilizado desde tempos imemoriais, o carvão esteve sempre ligado ao ofício do artista, frequentemente auxiliando-o em etapas preparatórias ou estudos. Aqui, assumiu o papel de protagonista.

TRABALHAR

JUNTOS. Contrariando a ênfase individual, muito presente

na arte contemporânea, sobretudo no desenho, escolhemos trabalhar uma modalidade pouco experimentada: a quatro mãos. A proposta de um trabalho colaborativo e a ideia de imersão para sua produção estavam implícitas no projeto. Assim, durante dez dias, habitamos o mesmo espaço, onde trabalho e convivência pessoal andaram juntos. Compartilhamos atividades rotineiras – refeições, caminhadas, silêncios. Conversamos sobre arte e sobre a vida, e reforçamos nossos laços de amizade. No ato de desenhar untos, fi emos com ue nossos traços se confundissem, num diálo o ue exigiu negociações e, por vezes, renúncias. A divisão do grande painel em 24 módulos de um por um metro cada impôs um ritmo de trabalho em que dois desenhos eram sempre desenvolvidos simultaneamente. Trabalhamos lado a lado e também, frequentemente, trocando de lado, para que cada fra mento ti esse a presença dos dois

os inter alos, tec amos re e

es e

nos exercitávamos em trabalhos menores, desenhos e aquarelas que surgiam

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– motivados, da mesma forma, pela paisagem circundante. Aos poucos, o trabalho tomou corpo. A montagem foi feita no chão, o que nos encantou e nos revelou, inicialmente, uma nova possibilidade de expor. Neste ponto, entretanto, acabamos optando pela verticalidade do projeto original. A cada módulo instalado e ajustes feitos, o espanto e a emoção com o resultado alcançado. Onde estava cada um de nós? O que era um e o que era o outro? Com o trabalho concluído, já não era mais possível distinguir quaisquer diferenças. O desenho era um sinal de que, de certa forma, tínhamos alcançado nossos objetivos.

e A

59 DULCE OSINSKI (Irati-PR, 1962). Formada em pintura pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná, com pós-graduação na Academia de Belas Artes de Cracóvia, Polônia, tem mestrado e doutorado em educação pela Universidade Federal do Paraná, onde atua como docente. Realizou exposições individuais e coletivas em museus e centros culturais no Brasil e no exterior, em pa ses como ol ia, stados slo nia

nidos, Aleman a, ol nia, apão, ortu al, u cia, rança e

ntre os principais pr mios ue recebeu, estão os da

ostra do

esen o ra-

sileiro, 47° Salão Paranaense, X Mostra da Gravura – Cidade de Curitiba e 1ª Bienal Nacional de

ra uras de ão os dos ampos

rasil e no e terior, como Australian

uas obras inte ram acer os de museus e instituiç es no ational

aller , amberra,

useu de

a dane , ol nia,

e Museu Oscar Niemeyer e Museu de Arte Contemporânea do Paraná, ambos em Curitiba. FERNANDO AUGUSTO tan

m- A,

esen ista, fot

rafo, pintor, desen ista e profes-

sor. Graduado em artes plásticas pela UFMG em 1987, recebeu bolsa de viagem do Instituto Goethe e viveu em Mannheim, Alemanha, em 1989. Tem mestrado e doutorado em comunicação e semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), 1997-2000, e ipl me d tudes Approfundies

A da

ni esrit

aris

orbonne,

professor da

UFES. Participou de exposições coletivas como a V Bienal Internacional de Pintura de Cuenca (Equador, 1996), Coleção Pirelli MASP – Museu de Arte de São Paulo (2004), Projet Trip à 3 Presse Papier, Tois Rivière (Québec, 2012), e p s indi idualmente em

ialo ue

ifficile,

(Vitória, 2015). Vive e trabalha em Vitória (ES).

as id o dos aleria

apas, MON (Curitiba, 2017). Ex-

ebret aris,

, e na

aleria ia

ore


FICHA TÉCNICA DE OBRAS EXPOSTAS

Cláudia França Belo Horizonte, MG, 1965

dulCe osisnki Irati, PR, 1962

Fernando augusto Itanhém, BA, 1960

Horizontes, 2017 Instalação 700 x 700 x 200 cm (aprox.)

paisagem atlântiCa, 2017 Carvão s/ papel 500 x 800 cm

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ernesto Bonato São Paulo, SP, 1968

ernesto Bonato São Paulo, SP, 1968

ernesto Bonato São Paulo, SP, 1968

maré i, 2016 Xilogravura impressa em voal sobre zafus e tatames 294 x 398 cm

deamBulatório ii, 2006 ilo ra ura s papel e is u 66 x 66 cm

deamBulatório iii, 2007 ilo ra ura s papel e is u 66 x 66 cm

ernesto Bonato São Paulo, SP, 1968

ernesto Bonato São Paulo, SP, 1968

ernesto Bonato São Paulo, SP, 1968

deamBulatório iV, 2007 ilo ra ura s papel e is u 66 x 66 cm

deamBulatório i, 2006 ilo ra ura s papel e is u 66 x 66 cm

deamBulatório Vi, 2014 ilo ra ura s papel e is u 66 x 66 cm


ernesto Bonato São Paulo, SP, 1968

ernesto Bonato São Paulo, SP, 1968

ernesto Bonato São Paulo, SP, 1968

nuVem (tríptiCo), 2017 Xilogravura s/ papel japonês 136,5 x 34 cm cada

marina, 2017 Pintura a óleo s/ tela de algodão 40 x 40 cm

sem título, 2017 desen os cem tinta cali ráfica s papel 29,9 x 42 cm cada

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marCelo silVeira Gravatá, PE, 1962

marCelo silVeira Gravatá, PE, 1962

Com Verso, 2017 Instalação (área interna) 1400 x 700 x 700 cm (aprox.)

Com Verso, 2017 Instalação (área externa) imens es ariá eis

marina Faria a , ,

marina Faria a , ,

diário do morro da nuVem BranCa, 2017 Livro de Artista. Papel, recorte e cola 27 x 21 cm

diário do morro da nuVem BranCa, 2017 Caderno de desenhos. Materiais variados s/ papel 20 x 15 cm


CRÉDITOS Curadoria do programa de residência Fernando Augusto dos Santos Educativo do programa de residência Adriana Rosely Magro Equipe de monitores Camila Maria Grijo de Almeida, ose enri ue odri ues e ou a, Kamilla Kelly Alves Pereira, Kennia Karla Alves Pereira Edição Mosteiro Zen Morro da Vargem Projeto editorial e organização Ernesto Bonato e Fernando Augusto Textos láudia rança, ulce sisn i, Ernesto Bonato, Fernando Augusto, Marcelo Silveira, Marina Faria

Agradecimentos Agradecemos especialmente a Arcelor Mittal e OÁ galeria por apoiar esta publicação; aos artistas participantes, pela cessão de te tos e ima ens de suas obras; a aulo ortella il o, pelas muitas e enerosas contribuiç es ao pro eto; ao NAVEES - Núcleo de Artes Visuais e Educação do sp rito anto, pelo apoio s aç es educati as; e a todos os envolvidos na realização desse catálogo.

Contato Mosteiro Zen Morro da Vargem BR-101,Km 217, Ibiraçu/ES CEP:29670-000 Tel/fax (27) 3257-3030 9 9743-6285 e-mail mosteirozen.retiro@gmail.com

Obra para distribuição gratuíta

Preparação de texto Teté Martinho

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Fotografias Cláudia França p. 16, 17, 18, 60 (foto 1) Ernesto Bonato p. 1, 2, 4, 34, 35, 36, 37, 38, 39, 40, 41, 42, 43, 44, 46, 60 (fotos 3, 9, 10, 11, 14, 15), 63, 64 Fernando Augusto p. 8, 12, 13, 20, 25, 30, 32, 48, 49, 50, 52, 53, 54, 55, 56, 58, 60 (foto 2) or e a rillo p. 6, 7 o e a undes p. 10, 11, 22, 23, 26, 27, 28, 29, 60 (fotos 12, 13) Sérgio Guerini p. 60 (fotos 4, 5, 6, 7, 8) Projeto gráfico e composição Ernesto Bonato e Marina Faria

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Mosteiro Zen Morro da Vargem : residências artísticas 2017: stação ultural te tos láudia rança et al ; [curadoria Fernando Augusto dos Santos]. - Ibiraçu, ES : Mosteiro Zen Morro da Vargem, 2018. utros autores ulce sins i, rnesto onato, ernando Augusto, Marcelo Silveira, Marina faria. iblio rafia ISBN 978-85-53098-01-9 1. Arte - Brasil 2. Arte contemporânea 3. Artes visuais Exposições - Catálogos 4. Budismo 5. Escultura 6. Exposição - Mosteiro Zen Morro da Vargem (2017: Estação Cultura, Ibiraçu - ES) 7. Gravuras 8. Pinturas 9. Programa Residência Art stica rança, láudia sins i, ulce onato, rnesto IV. Santos, Fernando Augusto dos. V. Silveira, Marcelo. VI. Faria, Marina. -

Índices para catálogo sistemático:

Tratamento de imagem Bruno Melo e Rogério Veiga

1. Arte contemporânea : Exposições : Catálogos 700.74

Produção Gráfica Stilgraf e Ernesto Bonato Impressão Stilgraf

©Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução total ou parcial desta obra, por qualquer meio e para ual uer fim, sem autori ação pr ia por escrito


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