O selo João Ubaldo Ribeiro é um prêmio que vai muito além da publicação de livros, visa abertura de caminhos, de oportunidade, de afirmação de talentos e carreiras. É incentivo à leitura e valorização dos escritores baianos. A cada dois anos são lançados oito novos livros que são doados para bibliotecas públicas de Salvador e da Bahia. Esse prêmio faz parte do Programa Caminhos da Leitura, e é promovido pela Prefeitura da Cidade de Salvador, desenvolvido pela Gerência de Biblioteca Livro e Leitura da Fundação Gregório de Matos.
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EPP Publicações e Publicidade Ltda. Salvador - Bahia 2022 1ª Edição
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Coordenação geral: Claudijane Palma Comissão de avaliação Ano III Cássia Dolores Costa Lopes - gênero: Dramaturgia. Fernanda Maria Brito Gonçalves Almeida - gênero: Categoria livre. Hugo Brito Canuto Oliveira - gênero: Literatura infantil. Lindinalva Amaro Barbosa - gênero: Conto. Luciany Aparecida Alves Santos - gênero: Poesia. Marcus Vinicius Couto Rodrigues - gênero: Crônica. Victor Uchoa Firmo - gênero: Romance. Títulos participantes do Selo João Ubaldo Ribeiro Ano III A história do Bicho-Folhagem – Stael Mamed (Literatura infantil) Alimentando as Feras – Aícha Marques (Dramaturgia) As Fotos Roubadas – Breno Fernandes (Romance) A travessia do grão profundo – Paulo Atto (Dramaturgia) Efemérides – Márcia Monteiro (Categoria livre) Fuxico, resenha, mexerico nas esquinas e buzus de Salvador – Daiana Soares (Crônica) Sobre quatro patas há um lugar seguro – Aruane Garzedin (Conto) Soprando o vento – Tiago D. Oliveira (Poesia)
Tiago D. Oliveira 1ª Edição
Edição e organização: Fernando Oberlaender Ilustrações internas e capa: Justino Marinho Projeto Gráfico: Fernando Oberlaender Diagramação: Neilton Oliveira Revisão: Rita Canário Produção Editorial: EPP Publicações e Publicidade Ltda. Impressão e acabamento: Gráfica JB Ltda. Esta é uma obra de ficção. Quaisquer semelhanças com personagens ou situações da vida real é pura coincidência.
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Para Ana e Lara
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The answer, my friend, is blowin' in the wind. The answer is blowin' in the wind. Blowin' In the Wind Bob Dylan
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lançamento da coleção do Selo Literário João Ubaldo Ribeiro – Ano III reafirma a importância do investimento na produção literária de Salvador e consolida esse programa como referência de incentivo à leitura e como política de inclusão e promoção dos nossos escritores e escritoras. São oito obras escritas por soteropolitanos, editadas por uma editora soteropolitana, abarcando gêneros como romance, poesia, crônica, conto, literatura infantil, dramaturgia e gênero livre, distribuídas gratuitamente ao público e às principais bibliotecas de Salvador. Será lançada também uma versão digital no site da Fundação Gregório de Mattos. Essa ação fortalece a identidade do nosso povo e movimenta a economia local, abrindo espaço para nossos criadores literários. Lançado em 2014, o edital Selo Literário João Ubaldo Ribeiro já selecionou e publicou, em suas três edições, 24 obras, todas escolhidas por comissões de profissionais consagrados na área. A Coleção cumpre o disposto no Decreto Municipal 24.883 de 02 de abril de 2014, que instituiu o Selo, e dispõe que “incumbe ao poder público garantir a todos o acesso às fontes de cultura, apoiando e incentivando a produção, valorização e difusão das manifestações culturais”, consoante com o art. 262 da Carta Orgânica Municipal e as diretrizes da Lei 8.551/2014, que instituiu o Sistema Municipal de Cultura. Quero agradecer a todos os envolvidos na criação, no fortalecimento e na continuidade desse projeto, com destaque para a equipe da Gerência de Bibliotecas e Promoção do Livro e Leitura da Fundação, coordenada por Jane Palma, e à Comissão de Avaliação, que selecionou as obras. Boa leitura! Fernando Guerreiro Presidente da Fundação Gregório de Mattos
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Prefeito Bruno Soares Reis Secretária Municipal de Cultura e Turismo Andrea Almeida Mendonça Presidente da FGM Fernando Guerreiro Chefe de Gabinete Patricia Lins Assessora Chefe Viviane Vergasta Ramos Assessor Técnico Plutarco Drummond de Magalhães Neto Gestor do Núcleo de Tecnologia da Informação Clidério Evangelista Bastos Assessora Jurídica Kaiale Santos Araújo Gerente Administrativo-Financeiro Gildete Nascimento Ferreira Diretora de Planejamento e Projetos Culturais Silvia Maria Russo de Oliveira Gerente de Promoção Cultural Felipe Dias Rêgo Gerente de Equipamentos Culturais Chicco Assis Diretora de Patrimônio e Humanidades Milena Luisa da Silva Tavares Gerente de Patrimônio Cultural Vagner José Rocha Santos Gerente de Bibliotecas e Promoção do Livro e Leitura Claudijane Pereira Palma
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Sumário Nota do autor..................................................................... 13 Respiração.......................................................................... 15 II........................................................................................ 17 III...................................................................................... 19 Lufada I............................................................................. 21 Sopro no coração................................................................ 23 Assim, feito corrente........................................................... 25 Resposta 64........................................................................ 27 Arúspice............................................................................. 29 11h59min.......................................................................... 31 12h00min.......................................................................... 33 12h01min.......................................................................... 35 A[r]ssobio........................................................................... 37 Poema de regresso............................................................... 39 i......................................................................................... 39 ii........................................................................................ 41 iii....................................................................................... 43 iv........................................................................................ 45 Observatório de ventos....................................................... 47 Monções............................................................................ 49 Ventos alísios...................................................................... 51 Diálogos inacabados ao vento............................................. 53 I......................................................................................... 53 II........................................................................................ 55 III...................................................................................... 57 IV...................................................................................... 59 V........................................................................................ 61 VI...................................................................................... 63
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VII..................................................................................... 65 VIII.................................................................................... 67 Barrufada quase como ar.................................................... 69 A chuva.............................................................................. 71 As ruas............................................................................... 73 Entre cigarras..................................................................... 75 Artículo um: sobre.............................................................. 77 Artículo dois: os dias.......................................................... 79 Artículo três: de fé.............................................................. 81 Artículo quatro: entendo.................................................... 83 Artículo cinco: o caminho.................................................. 85 Pão..................................................................................... 87 Chão.................................................................................. 91 Cão.................................................................................... 93 Depois de tantas palavras.................................................... 95 I......................................................................................... 95 II ....................................................................................... 97 III...................................................................................... 99 IV.................................................................................... 101 Quando entreguei ao mar a vírgula................................... 103 A isca e o anzol................................................................. 105 Vários minutos para um ponto fixo.................................. 109 Sobre cavalos na ponta do lápis........................................ 111
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fé como passo primeiro para a resistência. Estes poemas nasceram de um movimento natural, da digestão das horas no final do dia, de um desabafo, quando soprava o ar quente, sem palavras, para o mundo frio. A poesia é a consciência dessa entrega. Soprando o vento desenhou-se em reação de resistência. São 47 poemas transformados em espaço crítico para pensar os dias em suas necessidades, dores, alegrias, quase como um caminho des/feito pela força e pelo segredo dos silêncios. Escrevi estes versos para transformar as experiências em palavra, e pouco a pouco a própria palavra fez-se saída. A escrita reúne constatações para realizar novos capítulos de um tempo particionado em poesias. Ao passo que organizava o livro, entendia que resistir não era fugir dos arranjos do mundo lá fora. Os poemas foram sendo personificados aos poucos em ações, conceitos, planos, filosofias e geografias ⸺ tipos de ventos diversos. Entre sopros, alísios, monções, os títulos sugerem des/ caminhos em temas das ruas, de nós, com releituras de versos de poetas contemporâneos ou não, um conjunto que também dialoga com os tempos. Com formas livres e dentro de um ritmo particular, a estética dos poemas se faz folha ao vento, alheia e parte de algo maior. Um livro que foi escrito para ser sentido como o vento. A alegria em ver este trabalho publicado mora justamente na partilha do “resistir”. Ter sido contemplado com este livro é uma prova a mais de que a poesia existe como função e com ela estaremos sempre prontos. Tiago D. Oliveira
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Respiração nada é somente o que o pássaro sente neste mar aberto. há de pedras certezas tão fecundas, quanto, na face, um tapa. a voz, de um tom muscular [a imagem de um prédio a desmoronar diante do peito, dos olhos] disse que o coração é um disfarce. nada é somente o que o pássaro sente neste mar aberto: de suas asas, sabido, voa. que voar é para quem vive.
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II desse sopro carrego o ar seguinte a localização exata deste contínuo ó: angular de águas desde mim, deste sopro.
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III seis da manhã, há uma janela, estou nela. pessoas apressadas, os trabalhadores, confundidos com a caminhada dos nativos dali, do Jardim de Alah. depois os pombos voam assustados. não há flores na manhã, uma chuva rala cai. deixo a janela aberta.
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Lufada I quem ganha quando o tempo não passa? quem passa neste tempo sem a febre, a regar o sonho, quem? das mãos dadas, num círculo, assim, como se a solidão fosse a cura para os gritos a reinventar a própria solidão: ó, idiossincrasia maldita a revelar o riso, enquanto carrega pelas ruas mundo, do Rio Estige de Janeiro, ano inteiro, as almas, aquelas: Nísia Floresta Augusta, Bertha Maria Júlia Lutz, Celina Guimarães Viana, Patrícia Rehder Galvão, Rose Marie Muraro, Maria da Penha, Juliana de Faria, Anita Garibaldi, Hipólita Jacinta Teixeira de Mello, Bárbara Alencar, Maria Quitéria de Jesus, Maria da Glória Sacramento, Maria Firmina dos Reis, Maria Amélia de Queiroz, Leolinda Daltro, Maria Lacerda de Moura, Dorothy Stang, Patrícia Acioli, Marielle Franco. quem ganha quando o tempo não passa? quem passa
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neste tempo sem o medo de pagar com sangue o que se respira? sorte dos que resistem longe de Sirius a reinventar lanças e escudos, dentro do eco a doer, um lugar que tentam ferir, aprisionar: Ei ê lambá, quero me acabá no sumidô quero me acabá no sumidô lamba de 20 dia ei lambá, quero me cabá no sumidô – Ei ererê que a morte maior neste lugar é viver. e viver sem cantar a vida é manilha, é libambo: o nosso vissungo é lutar dentro de um sol em gradação, quando palavra e suor são um só enfrentamento contra os carontes no tempo.
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Sopro no coração carrego do carrasco a paz. não sinto o tempo, não sei olhar para trás. sou feito daquele vento, náfego e fim. não entendo o arrepio. não sei de onde vim. não vejo o fio que o cão carrega na distância entre o uivo e o latido, mas guardo vivo, ventre. do carrasco, a paz marinha, o querer linear e ferido, dentes felizes sobre a rinha.
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Assim, feito corrente deitaram ao chão a moça vendada de espada na mão. deitaram-na ainda incrédula nos braços dados, cédula, entregues na correnteza – ó: não houve canção nem corações abertos, só o silêncio a espreitar antes do golpe final. deitada ainda, a arfar, como quem quisesse perdoar o mal, [maniqueísmo quase ficcional] rompante, seu grito teceu o véu da liberdade – E agora, José?
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Resposta 64 para o não sentir, o inverso de sua bulha, quando os braços são cruzados afinamo-nos a eles, confessamos o ódio como traço primeiro: veja que a nossa peleja é gota de chuva, seja. para o não sentir, apenas. que nunca lhes falte tempo: ainda assim estamos falando sobre o amor.
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Arúspice Sous le pont Mirabeau coule la Seine Guillaume Apollinaire
lá vai sem nós o ar de outra hora, sem a vã ideia agora, acordar. o sol esquentando a nudez que já não há. pobres corpos sem água, sem este rio fluindo feito de alcance e eternidade. vai sem mim a vida (x) [ verdade, pensou e banhou-se o mesto, a força raiz ] vinda do vento sobre a pele, ainda molhada, rés, adivinha a sua vida inteira no instante, tez.
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11h59min um saveiro zarpou devagar lembro um cisco de cores no peito do tempo movido pelas folhas verdes ainda a erigir o não dizer assim perdendo-se lento no vento naquela paisagem que a mnemônica para o existir são as marcas na pele o sono interrompido na madrugada
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12h00min carrego a luz dos carros cortando a avenida. sou feito de curvas indecisas que se integram para achar uma saída. o corpo não se importa. com o corpo, os poros. existo a tentar deter a água da chuva com os dedos unidos à frente dos olhos. carrego a luz dos carros antes de colidirem sem chance para a brisa. e porque me distraio com a lua transpassando uma vida inteira, ameaço em fim este agora. carrego a própria manhã sobre a pele e o momento em que a água cai na terra. escrevodesanoiteço. a sombra do edifício sobre a árvore, sobre as folhas, sobre mim, sobre a formiga recolhe biografemas
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12h01min nada pulsa tão vivo como um coração pulsa na mão
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A[r]ssobio entenda me n i n o que o CORação vem pa r t i n d o a RAZão e oquerealmenteimporta é veja SÓlembra da MÁQUINAdoMUNDO VEJA$ó@gora oquerealmenteimporta é não deixar o caFÉ esfriar
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Poema de regresso i para as primaveras coleciono águas em um fiar lento enquanto sigo lembro mesmo sem nunca ter vivido
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ii ando lendo: como éramos felizes, não sabíamos - por que não rir disso também, do paradoxo a espreitar?
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iii carrego um álbum desbotado. a cada imagem que o toque descobre reencontro a razão das amálgamas diluindo nas ondas as amarras, além da própria razão desconhecida. revelo os pixels ao vento lento, tardo pensando na face do android processando-o diante do véu, que em céu, nem por aquele breviário é tocado como este cavalo quando recebe o ar do mar e fica a mastigar a grama. tardo e não me tomo por outras fotografias. ela, por desleixo do dedo, sob o desejo de reentabular a vida, é que me faz, no balançar da crina, do barco, neste mar reinaugurado.
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iv olho para a página e a vida chama, longe: a cada passo inverso, o regresso é em verso, na eternidade da folha em branco.
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Observatório de ventos mariana azevedo, casa oito, fim de linha, sete de abril: os telhados da rua feitos de um quando dirimido, vivo. todas as manhãs a vida é no centro, a cidade abrindo-se como um cu, de dentro para fora, repelindo a insistência, os corpos sem peso, todos os dias: roda-gigante, a saga, a sina de um supositório a tentar estancar a natureza. às 04h30min levanta da cama. às 05h00min bebe o café. às 05h30min entra no ônibus. soldieroftimesoldieroftime a voz que acalma saindo dos fones no ouvido, um grito afeto oração: descer e caminhar com os iguais, na dor e no suor respiramos com as mãos dadas, caminhemos com o sangue ressequido sob os pés. às 07h30min, o prédio, o trabalho começa, não há tarefa maior do que a de igualar as batidas do relógio
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às do coração, não há outra condução para a lua: só o tiro das 17h00min pode salvar: mariana azevedo, casa oito, fim de linha, sete de abril.
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Monções a sua voz esticada a porta do elevador fechando e a palavra açúcar – não se esqueça do açúcar – entre o 9º e o PG lembro das ondas e do duplo do mar daquele que entende diante do poema que é preciso aprender a ficar submerso volto para o açúcar e o elevador sacode abre a porta – bom dia seu zé – será será um duplo de beleza despercebida açúcar e o sinal quebrado os carros abrindo e fechando a luz e não chove e não há uma folha solta voando só os prédios percebem o som da nossa voz sob nós é preciso aprender a ficar submerso é um poema de Alberto Pucheu submerso no mar no trânsito das ondas até que sejas lançado de volta para a superfície quando era menino mergulhávamos no tanque da laje de Duda um minuto um e trinta um e cinquenta dois o ar nunca foi igual: vivemos para respirar entre o açúcar a folha
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e o poema de Pucheu caminho em silêncio entre escrever é ter acesso é aceitar a diferença que há no peso dos corpos sobre a terra
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Ventos alísios a piaçava empurrando os confetes molhados sobre o azulejo no movimento dos braços a alegria de ontem inofensiva como as bitucas de cigarro você me disse certa vez que o amor é reconhecido como uma voz no escuro os pés de lá para cá não dançam perseguem os restos da comemoração que não importa não chega o que há de ser comemorado amanhecido no domingo eu que nunca quis vender a razão para o coração ainda temo a banalização do amor na sala de estar depois do lixo reunido cadeiras e mesas sobrepostas as janelas e portas fechadas na noite sempre anterior a vida também é uma festa tal como nas pedreiras o suor e o canto temperam este fio de sol que rasga o céu dias em que o sorriso existia enquanto aceitávamos
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as curvas das imperfeições maturávamos o abraço e o olhar para a casa simples aos pés de um rio que não cessa para o que se coloca a sobrar: que observasse as borboletas
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Diálogos inacabados ao vento I você precisa aprender a lutar mas como é isso de lutar lutar é sair daqui e ir mas ir para onde ir somente ir e nada mais ir apenas assim ir
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II o que devo fazer quando faltar o ar quando faltar o ar nada nada nada
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III escolha bem o dia em que vai parar de reparar o tempo não há ponto maior do que este agora no crochê anil ora mar ora céu em suas mãos
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IV no final pode parecer que nada deu certo não caia nessa menino início e fim são palavras feitas de água corrente ou estrelas sob o céu
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V esperar e não saber do que se espera servir calmo ao ferrão do mundo quando no peito cresce mais e mais vontade de abraçar o fundo de tudo e saudade do que ainda se espera sperai grita o olvido como um antídoto continua é o que eu me sonhei que eterno dura ainda calmo é esse que regressarei sirvo ao espelho como chance para a poesia
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VI confie no sol quando seus raios aquecerem a pele o abraço do indizível vai aplacar confie nos pelos tesos reais feitos de luz confie na beleza que há nisso mesmo longe confie no sol
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VII içamos as velas sem a vida lá fora seguindo a lua a estrada outrora feitos de céu nuvens de março céu sobre céu içamos as velas ar e pele des / conhecido rei sobre nós que nos revele apenas os sóis logo nada mais
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VIII vou contar um segredo não deixar o intento arrotar no vento um mar
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Barrufada quase como ar somos a vaga ideia do que poderíamos ser. do mesmo sono, apneia dentro de um querer. jamais, nunca, não, diluídas perdidas, como balas. somos as faltas moídas nas faces, carnes cruas.
e sonhamos e rondamos a noite com faróis baixos sob a sorte que criamos. não saber é visível aqui, não gestar a palavra certa, não ter medo deste fim.
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A chuva tenho a palavra voltada para os olhos do cavalo refletindo segredos minados pelo vento parte de fora para dentro a maçã avermelhada no rosto esquecido a vã nuvem alada a lutar sozinha nesta manhã de chuva
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As ruas as ruas anunciam a geografia da minha sorte e porque abro a janela e porque sinto sou assim como são os que continuam a olhar pelos assombros da pele e porque deitado ao chão culmino sempre com o sol a trespassar a vida a morte calcanhar mitológico do que não é canção mesmo entoada com lágrima com suor canção nas ruas as ruas que desejam de mim um nós em trânsito como pai a segurar a mão do filho
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reescrevendo lição antiga as ruas da cidade
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Entre cigarras o descalabro é pensar e um dia esquecer. pior, ser forçado a não pensar, devagar, como os olhos acolhem a noite depois de um dia a mais de trabalho. a imutável face do vento, lento, lendo na pele de quem teime piscar. assim suamos arpejos de um sonho inaugural, numa noite quente em que ninguém consegue sonhar. suamos a razão da vida, enquanto o áporo vacila entre cigarras
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Artículo um: sobre longe, manhã de sábado, é outubro início no quarto. coleção invisível, a que nos resta, ao vento, à poeira, anunciando o fim de tarde. metrificar a abertura dos olhos, metade repelindo e a outra ancorando a subjetividade versos arqueados passos sob o incerto e inverso que nos defende homens dos redemoinhos repentinos ou não, que se formam ribeirinhos ao fruto, chão
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Artículo dois: os dias gargarejo com romã o que me atravessa a garganta. já não há rumores doutras ossadas sob a pele. armo da razão da terra folhas verdes para defesa. da coleção invisível, em condução das horas, do que nos candeia como resposta ao tempo. o que já não completa o ângulo de um abraço, quedando sobre o sangue a disritmia da beleza, a que devemos a poesia
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Artículo três: de fé a luz que vejo vem da fímbria de um dia, no distrato do contrato com o sol a iluminar. feita de um clarão pasmado pelo brilho infindável, vindo dos olhos, vindo do olhar. voz de painho, pele de mainha, aplacartranspassar feitofimfeitofinal
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Artículo quatro: entendo guardar do mundo o ar momento exato do que não chegou, âncora de movimentos dentro do peito, nortes vagos: hoje, que ainda chove no mar
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Artículo cinco: o caminho estrangeiro, venho de uma manhã extinta. do que guardo, ar, nada mais. cais. meu lugar desenha no mundo cheiro de alfazema, para os carros atravessarem. nada ainda é tão fecundo quanto o que estão a soprar. estrangeiro. do que re/verso entrego-me sem medo: as margens do Paraguaçu ainda entregam saveiros
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Pão o instante, apenas ele, de quem se vai para quem fica. apenas o instante, ou uma série dele, desconexos, tentando ainda algum abraço possível: 500g de farinha de trigo 400g de água morna, 1 colher de chá de sal, 10g de fermento. também uma metade de pipoca doce e a outra salgada, as canções sem razão, que já não há vontade, somente a dança das cadeiras a vigiar o acordo com a brisa. um. coloque a farinha em um recipiente grande o suficiente para misturar todos os ingredientes. pensava em um Deus possível com as mãos grandes a mover o trigo, a água, lento formulando os contornos, preenchendo os espaços com uma massa bíblica. dois. em outro recipiente adicione a água morna, o sal e o fermento. mexa bem até diluir todo o fermento e o sal. o sal que conserva a carne.
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o sal que retira a umidade. o sal que inibe o crescimento dos microrganismos [de ação bacteriostática e bactericida: o sal despejado aos poucos sobre a rã: vós sois o sal da terra. três. acrescente o preparado anterior ao recipiente que contém a farinha. como acrescentar ao que se foi o que fica e pulsa, e salta, recebe o sol de toda manhã? quatro. misture bem todos os ingredientes com o auxílio de uma colher grande. [não é necessário amassar com as mãos, basta mexer bem, até que a farinha esteja diluída na água sêmen sangue suor lágrima a compor o rio da minha aldeia. cinco. cubra a massa com um pano, deixe levedar por cerca de uma a duas horas. morrer é não aceitar a espera, não entender o silêncio que a forma dispersa, cobrir com um pano e não saber o porquê. seis. entretanto preaqueça o forno e um tacho de ferro ou barro que vai cozer o pão a 200°C [esse passo é bastante importante antes de colocar a massa. de quem se foi guardou-se conselhos, os tons da fala em uma manhã de domingo.
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de quem ficou imagina-se o afeto da falta, se é sentido por quem partiu: um fim dado a um lapso metafísico descuidado, acenando, sorrindo. sete. no tacho coloque um pouco de farinha antes de pôr a massa para que não agarre.talvez tenha sido na juventude um amador, tão bom que não soube perceber o limite a separar o perder e o deixar ir, agarrado a um dos lados da ponte ameaçou jogar-se no rio inculto daquele dia, ou não, talvez as palavras ganharam volume e forma distintos nos anos, talvez a falta faça folhas secas saltarem. oito. faça um corte na parte superior da massa.que há uma forma simples de vencer a dor, que há um tom normal de acolher o grito, que há uma didática natural para aceitar o não estar do outro agora. abraço. abraço os cortes, os talhos, a vaga ideia do que seria a paz. nove. acrescente a massa, feche o tacho e deixe cozer durante meia hora.passado esse tempo retire a tampa e cozinhe por mais quinze minutos.depois deixe arrefecer
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Chão quem sabe deixe de calcular pedras para colher voos de pássaros pequenos no mar. quem sabe consiga dizer quando a fotografia, aquela em Arembepe, extraviar o pôr do sol, repentinamente: não tente aguentar. quem sabe a urina a respingar-me os pés possa então, as defesas das pausas do mundo, ensinar. quem sabe o que vai comer amanhã, o que comeu há minutos atrás. quem sabe o que pode ou não vomitar? quem sabe sobre sombras mais do que o fardo empírico a enganar, limitar, iludir, quem vai se importar?
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Cão não entendo a razão que toma os homens como a mão balança devagar depois da urina. tudo o que sei é medido por poemas, esse jeito de desagradar o mundo, os números, as confabulações geométricas dos caminhos mapeados. a razão, não entendo. sei dos versos que arremedo biblicamente e de nossos avanços juntos nestes ou noutros carnavais. sei do assombro com a falta, o desejo de não ter, a negação como um corte entre a mão e a moeda, a mão e outra mão. do que sugere o sol, replicar, com o mais fino suor, refutar, com a esperança. não entendo a razão, já que de homens somos feitos. inação ou não, versos campesinos: sobre a razão, sobre este sonho louco de não poder desistir. Tiago D. Oliveira
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Depois de tantas palavras I há dias recolho os restos daquela noite enquanto observo do 10° andar os sóis que não nasceram imoderados tons dos arroubos e se me pego também dentro céu veranil de ressignificados anoiteço delinquente em palavras pedaços em pedaços na constante reformulação das horas a procurar pelo fio de Ariadne
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II dissera que foram atropelados pelas palavras foram encobertos salvos pelo que não foi dito na tentativa de encontrar a palavra certa dissera um verso de Adília sobre gerânios nada sei da palavra certa ainda eis que me sonho na vida e no poema dar menos um passo ainda leio quando penso ainda leio quando falo palavras na vida e no poema encobertos no tentar a minha varanda velha com quatro gerânios velhos
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III nas palavras habitam todas as partes de mim à ordem do som libertas coagulando após o corte a sorte das palavras em parte em mim donas do próprio ar donas as palavras que calam palavras silêncios e sua sorte palavras quando aprisionadas desaprendem a dança pé após pé sobre a certeza como quem molda seu lugar pé a pé palavra que habita em mins que de uma somos todos feitos pó a pó palavra deitada sob a terra quando não alcançam as palavras que já apertaram os olhos pulsaram os corações até a boca do mundo que já levantaram o sangue derramado e colheram as lágrimas às raízes das jaqueiras ao vento adoradoras às palavras vivemos e morremos depois cantamos cant amoscant amos radicais e invariáveis destinos : cantamos
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IV não tenho palavra alguma apenas este poema agora
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Quando entreguei ao mar a vírgula repito sobre o vagão sua demasia não basta não basta quando a velocidade é o sexo que não gozamos nada vende melhor agora silêncio é segunda-feira entre entre carros entre carros e trens entre carros e trens e aviões verás que um filho teu não teu não ele não ele não foge à luta entre já estava aberta quando vagando os corações todos do mundo amalgamados todos de um fundo encruados corações todos partidos antesdurantedepois verás que a porta repito sobre o vagão enquanto
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cabeças nas janelas ao vento à história quando entreguei ao mar a vírgula aquietei a maré/? percebia nas ondas seu movimento ainda como quem escreve
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A isca e o anzol queria da mentira o movimento para os lados que sobram, estes que se dobram provocando dias dentro das noites. cometê-la sem enganos, sem que percebam a respiração mística sobre as pernas de chumbo em um chão faminto e decíduo. dar ao piau toda a linha em seu desejo de rio, enquanto apreende da alegoria mecanismos do autômato frio. ele queria da mentira, poder. a psicologia que há na vontade de enganar, o controle santeiro compreender. de uma semântica putativa fez a isca de seu anzol. sem muita força, nó. o movimento dos braços, o movimento das palavras, fundiram-se ao dos silêncios posteriores que fundaram nações.
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depois, como em um mosteiro, colocou-se terreno e sagrado em uma manhã de brisa, em seu destino titereiro. um discurso lambrim: deitado, quase sexual, amado, [ e como não? pucumã. chibaria. dado a todos seu animus adjuvandi, vestindo a razão tola dos tolos na praça, a gênese do mundo: de nada me serve esta tolidão. de nada me cura esta impodridão de nada me toca a sua salvação. queria da mentira entender o acolhimento, que com o abraço, prende. que com o beijo, [velhaco rende. agora sou feito da vontade dos ventos [ por todos os lados
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e a lágrima que me define neste momento é um misto de fé e ignorância [ sem perder os brados de fé, além do mundo. unos em matrimônio, suor, lágrima, sangue – onde fores Caio serei Caia. onde fores Caia serei Caio. unos em verdade, e nada mais interessa.
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Vários minutos para um ponto fixo o sol É qualquer coisa POSSÍVEL dentro da geografia da língua é RECOMEÇAR de alguma ficção lenta a luz certa É ilusão POSSÍVEL que nos alimenta veja a lâmpada: RECOMEÇAR o caminho sobre Troxler monda religiosamente repetia ao embalar o sono do menino reluzia é possível recomeçar [combalidas cevadas dias anos vidas cridas no sal da fronte no sal das pálpebras é possível recomeçar [ganido tido tatuagem nas costas dito
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enquanto houver estrada seu único poema à contemplação das primaveras: educado pelos pés descalços destarte descontínuo enquanto houver estrada queria do horário OBRIGATÓRIO poemas infindos resignados sobre PORVIR enquanto jogam-se do alto para o subtrair da terra CONFIAI o sol É qualquer coisa POSSÍVEL dentro da geografia da língua é RECOMEÇAR de alguma ficção lenta a luz certa É ilusão POSSÍVEL que nos alimenta veja a lâmpada: RECOMEÇAR
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Sobre cavalos na ponta do lápis dissera que o sinal da cruz era pela hora torrencial a despertar as entranhas ao mínimo conceito anal de uma gente a morrer. quando sacrificaram a carne, o sangue ornou os caminhos, cartografias do tempo flexionado nos gritos, nas cenas do segundo ato, assim. repetindo o sinal da cruz, o coração bateu na boca quando o gelo do cano da arma encostava e caminhava em sua pele. quase como uma forma de afeto, dada ao riso de seu feitor. uma vida inteira passada a limpo até o desfecho, atravessar a sinaleira sem olhar para trás: assim quereria o poema. saberia sobre o verso sem precisar inventá-lo. imaginando uma primeira lição, deu-lhe um soco, o velho, na força do estômago, dizendo-lhe sensibilidades - vai e agora escreve, não precisa inventar mais nada. nada.
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Impresso no dia 8 de julho de 2022, na Gráfica JB Ltda, com miolo em papel Polen Bold 90g; e editorado com a fonte Adobe Garamond Pro corpo 12. Tiragem: 1000 exemplares.
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