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DUPLO SENTIDO
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A Arte não é veículo que marche em sentido único. Como não tem fim ou objetivo, move-se na direção que aprouver aos seus autores, ao sabor das suas reflexões, gestos e também das próprias possibilades que uma tela em branco, um pedaço de barro ou pedra, ou um Mundo em aberto emancipam. Nestes caminhos não há obstáculos que não possam ser transpostos, atravessados ou vergados sob a força da iniciativa criativa, mas também não podemos dizer que não existem rotas definidas. São as rotas dos processos linguísticos, da semiótica das manifestações e criações em artes visuais, da história dos saberes e dos fazeres. É nestas rotas, sob o mote e pretexto da Mostra Duplo Sentido, que nos movimentamos de trás para a frente, em sentidos opostos muitas vezes, nas linguagens do desenho, da pintura e da fotografia. Fazemo-lo sem objetivos, mas de olhos postos no profundamente Humano, na Pessoa, na sua dignidade, diversidade, pluralidade e complexidade. Esperamos, secretamente, tocar e ser tocados, amar e ser amados, trocar um momento de intimidade e cumplicidade, numa rua com dois sentidos. Esta segunda publicação Aka Arte é, no fundo, um mapa de roteiros para estes encontros.
Evoca também outros momentos em que, enquanto coletivo de autores, multiplicámos a nossa ação e movimento para os despoletarmos. A ti, leitor, agradecemos esta presença continuada e disponibilidade para participar. Como não existem livros quando não existem leitores, não há obra sem espectadores e Aka Arte é também a vossa existência e expectativa.
FICHA TÉCNICA Direção: Aka Arte Design: Nuno Quaresma Colaborações: Ana Fernandes, Jorge Franco, Jorge Moreira, Ana Fina, Artur Simões Dias, Pedro Afonso Silva, Simão Carneiro, Clo Bourgard, Sara Silva, Hugo Alexandre, Elisabete Gonçalves, Tania Estrada, Mariana Adão da Fonseca, Catarina Vieira Pereira, António Maria Sousa Lara, Ricardo Raposo, Jack CJ Simmons Impressão: C.C.Alfragide Tiragem: 100 exemplares Junho 2015
TODOS OS “A Arte não é veículo que marche em HOMENS SE sentido único.” NUTREM MAS POUCOS SABEM DISTINGUIR OS SABORES Confúcio
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PREFÁCIO
OM, Aum, o som do movimento do Universo, o eco do seu início distante… Vivo na era da descoberta do Bosão de Higgs, do pleno, seguro e consolidado funcionamento do Acelerador de Partículas do CERN, já numa época pós Relatividade Geral de Einstein, nos tempos da elaboradíssima complexidade matemática da Teoria das Cordas. No meu íntimo, no fundo da minha alma (será que esta existe?) procuro contudo e apenas ouvi-lo: este silêncio que é também um rumor sem fim. Quando me concentro, respiro-o, sinto-lhe, por momentos, essa nesgazinha de grandiosidade de que todos somos parte. Já me explicaram que maís o conseguiria integrar se tivesse “o copo menos cheio”. É mais fácil encher um copo vazio do que fazer entrar o que seja numa malga (amálgama!) a transbordar. A dura tarefa que tenho hoje pela frente é esvaziar-me desse caudal.
É minha essa tarefa apenas porque a escolho. Não sei se sou capaz, se estou à altura da complexa exigência do seu postulado. Sigo com a simplicidade, humildade e receios de uma criança (talvez até com um pouco da sua indisciplina e irreverência). Por isso começo por desenhar e pintar. Não me levem a mal. Não sou capaz de o fazer de outra forma agora. Vou pintar o que não compreendo, pintarei tudo o que me distraí o pensamento, para ver se a pintar desmistifico e desmistificando exorcizo essa força magnética que me agarra obsessivamente à forma das coisas. Pensando menos sentirei talvez mais. Mais perto estarei talvez do essencial, do conteúdo. Mais perto da verdade, quem sabe, da consciência, do coração… de Ti! Aka OM (Aum), no decurso de 2015, com o apoio Tailored e AKA Art Projects.
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LIND’ MUNDO Dedicada à eterna memória de Letícia da Conceição Bicho, Grande Mãe e Grande Apreciadora de Arte. Como é Lindo o Mundo, pensamos os dois enquanto debruçamos em conjunto o olhar sobre a beleza distintiva desta Vila. Nesta topografia singular, grandiosa, é mais fácil entrar em contacto com a história comum que nos une e que nos traz hoje ao MUSA. A amizade entre um Escultor e um Pintor, uma também ela singularidade no espaço e no tempo, aglutinou a vontade e a oportunidade sob o auspício e teto cultural no Município de Sintra e o resultado é este: Lind’Mundo. No Algarve dizemo-lo assim, em dialeto, e se nos perguntarem, provavelmente responderemos “é Lind’ porque é Linde, não é precise outras justificações”. “Outro mestre estava a tomar chá com dois dos seus alunos quando, subitamente atirou o leque para um deles, dizendo «o que é isto?» o aluno abriu-o e abanou-se. «Não é mau», foi o seu comentário. «Agora tu.», continuou, passando-o ao outro aluno, que imediatamente fechou o leque e coçou o pescoço com ele. Feito isto, abriu-o novamente, colocou um pedaço de bolo sobre ele e ofereceu-o ao mestre. Este foi considerado ainda melhor, porque, quando não existem nomes, o mundo deixa de estar «classificado dentro de limites e fronteiras». In “O Caminho do Zen”, de Alan Watts
Esta mostra, sobretudo porque não se classifica dentro de limites ou fronteiras, está integrada na iniciativa associativa AKA OM dedicada aos temas – Mudança |Movimento |Crise |Criatividade - e a exposição desta coleção de Obras de Jorge Moreira e Nuno Quaresma antecipa uma série de outras atividades e iniciativas que decorrerão em 2015 e que poderão ser acompanhadas em www.numdiaperfeito.com . Num dia perfeito pinta-se, esculpe-se, alimenta-se o corpo e a alma, ama-se e ensina-se a amar. “Não te iludas. O ontem já se passou, o amanhã ainda não existe. Vive, pois, a única certeza que tens agora: este dia!” Augusto Branco aka Nazareno Vieira de Souza
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Aum (or OM) is a mantra, or vibration, that is traditionally chanted at the beginning and end of yoga sessions. It is made up of three Sanskrit letters, aa, au and ma which, when combined together, make the sound Aum or Om. It is believed to be the basic sound of the world and to contain all other sounds. It is said to be the sound of the universe. What does that mean? Somehow the ancient yogis knew what scientists today are telling us–that the entire universe is moving. Nothing is ever solid or still. Everything that exists pulsates, creating a rhythmic vibration that the ancient yogis acknowledged with the sound of Aum. We may not always be aware of this sound in our daily lives, but we can hear it in the rustling of the autumn leaves, the waves on the shore, the inside of a seashell. Chanting Aum allows us to recognize our experience as a reflection of how the whole universe moves–the setting sun, the rising moon, the ebb and flow of the tides, the beating of our hearts. As we chant Aum, it takes us for a ride on this universal movement, through our breath, our awareness, and our physical energy, and we begin to sense a bigger connection that is both uplifting and soothing.
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MARIA JOÃO A respiração dilata-se no ar pesado do interior cores esbatidas, vidraças molhadas, sonhos que pingam beijos inaudíveis, olhar no vazio, coração menos pesado hálito carnal, mãos que se tocam, corpos que se fundem O silêncio é a linguagem dos amantes. Não sabes o meu nome, não conheço a tua história, não interessa quem somos. As fotos das crianças que fomos culminam neste momento presente; tudo é este segundo que vivemos todas as gotas do oceano estão dentro destas paredes as rugas que ambos escondemos brilham na sua solidão nós somos tudo, por saber ser nada acolhes-me nos teus braços como se fosse o teu único filho recém regressado Abro-te os meus como se fosse um porto de abrigo para um navio que não navega. Não me chegaste a dizer qual o preço Também não te perguntei, será verdade Abri-te a porta e limitaste-te a entrar não te disse o destino, não saberíamos por onde querer ir Encalhámos por breves momentos neste canto esquecido com vista para o nada por segundos fugazes não existimos; desaparecemos no frio da noite olhas-me antes de fechar a porta, não sorris, não falas olhas-me simplesmente; sei que vais partir e nunca mais me ver; Sinto-te a entrar nas minhas veias, a matar as minhas defesas Pouco a pouco possuir-me às, átomo… a átomo definharei este corpo efémero e vazio de significado sucumbirei ao cheiro da doença finalmente pertencerei ao teu abrigo Por toda a eternidade que esta noite não pode dar.
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SOBRE A BELEZA E A SUA PROCURA Procurámo-la em tudo. Procuramos no imaterial da atmosfera, no volume leitoso das nuvens, nos contornos das montanhas e vales, nas curvas da paisagem. Procuramos nas linhas de um rosto, na textura das mãos, na volumetria intrincada de uns longos cabelos. Nesta procura de conservação em imagem do belo, somos compelidos a congelar singularmente numa obra intemporal, o fugaz, o momentâneo, o irrepetível. O voo de um pássaro, o rebentar de uma onda, a queda de uma estrela, o levantar de um braço ou o dobrar de um torso. De lápis na mão procuramos assim esquiçar a Liberdade, dar esboço à Força da Natureza ou um segundo corpo pictórico ao
Amor e ao Desejo. E é nas asas desse amor e desejo que por vezes geramos uma nova forma de beleza despojada, singela. Uma modalidade feita de linhas e pinceladas, claro e escuro, modelação de cor, textura gráfica. Uma interpretação dimensional feita só de altura e comprimento, de linhas de composição, horizontais, verticais, diagonais, e um infinito conjunto de estruturas geométricas. No meio também estás tu. Completa, complexa, outra em existência legítima fora de mim. És Bela porque és tu, real e única para além das possibilidades da minha imaginação ou pensamento. Assim, sem jeito, deixo a pergunta: posas para mim?
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JORGE MOREIRA Escultor, poeta visual, artista singular com uma visão fantástica, as suas obras de escultura, são autênticas filigranas em pedra ou madeira, onde as imagens se ligam entre si com elegância numa fantasia musical, onde se misturam pequenos seres alados e plantas e por vezes notas musicas.
Jorge Moreira, meu amigo e escultor, tem comigo em comum as raízes ensolaradas do sul, as origens árabes ou berberes dos nativos de Silves. Será, porventura, por isso que a sua obra se desdobra em notáveis arabescos, poéticos e singelos, que desafiam a aspereza dos materiais em notáveis e delicadas filigranas de madeira ou de pedra. O escultor, munido de uma paciência ilimitada, desbasta da pedra bruta, ou do tronco informe, num trabalho incansável de fabulosa e laboriosa formiga, a ganga inútil da matéria em excesso. É este o seu processo de trabalho criativo: uma imagem oculta na mente, uma visão ideal que só tem existência na cabeça do artista, que aos poucos toma forma e se desvela revelando-se paulatinamente ao nosso olhar. Eis, por fim, ao cabo de um tempo de duração indeterminada, a peça primorosamente trabalhada, elegante no talhe, de acabamento delicado, na fragilidade da qual se entrelaçam flores e peixes e estrelas, frutos de um universo plástico que é feito da matéria dos sonhos. Obrigado, meu amigo, pela pertinácia do teu trabalho, pela tua criatividade poética, pela delicadeza da tua obra, pela humildade com que fazes do quotidiano uma pequena obra de arte.
Nasceu em 1962. Curso de Artesão do Brinquedo no Centro Cultural Roque Gameiro. Aderecista no filme para crianças “Zás Trás”. Criação de Decors para Vitrinismo. Colaborador de Escultura de 2005 no Centro Internacional de Escultura. Exposição coletiva de pintura e escultura no Ministério do Trabalho e Solidariedade Social. Exposição colectiva “Tightrope”, Cidadela de Cascais, 2008. Participação no concurso “Utopia 2” Artes Fantástica, 2010. Exposição coletiva de pintura e escultura “Arte Fantástica e Surrealismo 2”, Casa da Cultura de Mira Sintra, 2012. Exposição coletiva Círculo Artístico Artur Bual, Vila Alda, 2012. Exposição coletiva com Olga Alexandre, Biblioteca José Régio, 2012. Exposição de Escultura ao Ar Livre, Amadora, 2013. Exposição coletiva “Surrealism”, Casa Museu Roque Gameiro, 2013. Participação em feiras esculpindo ao vivo: Feira Medieval de Sintra em 2011 e 2012; Feira Setecentista de Queluz em 2011 e 2012; Feira de Arte Contemporânea em 2010 e 2011; Feira de Arte em Pequeno Formato na Casa Roque Gameiro; Feira de Artesanato da Junta de Freguesia de Venteira.
António Moreira Vereador da Cultura da Câmara Municipal da Amadora
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MOVIMENTO, MUDANÇA E SUPERAÇÃO
Elisabete Gonçalves Silva Autora do livro Percursos Imprecisos, 2013, Lugar da Palavra, descobriu na escola primária o gosto pela escrita, sendo as composições (ou redacções) os seus trabalhos de casa favoritos. Aos 12 apaixonou-se pelo Porto, onde vive desde então. Licenciada em Línguas e Literaturas Modernas, conta também com um Master em Excelência Educativa como reforço das suas competências didácticas e de formação, função que desempenhou profissionalmente por diversas vezes, enquanto colaboradora de uma das maiores empresas de telecomunicações portuguesa, cujos quadros integra. Define-se como apaixonada pela vida, pela família, pela cultura, pelos animais e pela cidade do Porto, cidade belíssima que é parte integrante da sua identidade. Percursos Imprecisos Sinopse: Percurso Imprecisos conduz-nos pelo Porto, do Bonfim à Ribeira, com as tropelias habituais da adolescência e do primeiro namoro. Pode uma tragédia condicionar os eventos futuros de uma ou mais vidas? Carlos vive, cresce… As aventuras sucedem-se, caminhos novos cruzam-se, amores surgem… Um livro a não perder!
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A vida é uma constante mutação. “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades” ou não? Quando andava na escola secundária e nas aulas de História a “stôra” nos perguntava como estavam as coisas no período em análise, independentemente de qual fosse a época em questão, tínhamos uma colega que respondia invariavelmente: — Mal, muito mal! E estava sempre correcto! (Hoje também o estaria.) Há 30 anos estávamos sob alçada do FMI… Hoje também estamos. Antigamente os nossos jovens partiam em busca de algo melhor… Hoje também. Nasci em França. Os meus pais partiram em busca daquilo que cá não conseguiam ter. Não conheciam a língua, nem tinham garantias de sucesso. Vingaram, cresceram e voltaram. Conseguiram dar-nos mais do que o que tiveram, e com isso fizemos mais e mais. Não se conformaram. Lutaram. Reclamar é sempre fácil, difícil é ser diferente Quem quiser pode ser dócil e seguir na mesma em frente… …mas se tiver ousadia de lutar contra os moinhos Sairá da monotonia e abrirá novos caminhos! Vivo no Porto. E vivo o Porto. O Porto é uma cidade linda. Passear na baixa e observar as fachadas lindíssimas que por cá proliferam é uma experiência única… Desçamos mentalmente a belíssima Avenida dos Aliados, passeemos na rua Mousinho da Silveira, na rua das Flores, na Ribeira…. Edifícios talhados em pedra, imponentes, majestosos, coexistem com estruturas simples e frágeis, de madeira e de saibro, cujos pórticos cheiram a bafio, devido à humidade e ao caruncho. Estes por sua vez, vivem lado a lado com novas construções, coloridas e garridas, recentes e diferentes… Cada época tem a sua arquitectura, as suas influências, acrescenta o seu contributo… É a junção de tudo isso que compõe a cidade, a sociedade, a humanidade! Ousemos mudar, e aportemos também o nosso grão de areia! Elisabete Gonçalves Luís Vaz de Camões, in “Sonetos” O Fundo Monetário Internacional interveio em Portugal pela primeira vez em 1977 quando Ramalho Eanes era Presidente da República e Mário Soares era primeiro-ministro do primeiro Governo Constitucional, depois em 1983 e mais recentemente em 2011
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Olá!Ai, o u v e quero dizer-te uma coisa importante. Gosto de ti, de uma maneira tão especial, aliás única, porque também és único. Amo-te desde o primeiro dia da tua vida, antes talvez já te amasse... não sei se se pode ser amado antes de se ser completo, mas talvez já te amasse um pouco antes de acordares para a consciência. Já te sentia. Único, para além de mim mesmo, legítimo, com sede e fome de tudo e eu com uma vontade indomável de te ajudar a viver e a ser completo, feliz. Com uma vontade incontornável de fazer também esse caminho contigo, de aprender a ser feliz. Um dia de cada vez, de hora em hora, minuto a minuto, com o coração embalado pelos segundos. Vivos! É tão bom estar vivo. É tão bom sentir-te... Vida. O ontem já foi, o amanhã, para além de todas as minhas previsões, não sei o que será, por isso é tão especialmente bom estar
Quis Deus que eu viesse ao Mundo humildemente traçado para servir, trabalhar e para sonhar. Falo de sonho porque nele encontro a origem de todas as Utopias, toda elas por definição idealizadas e irrealizáveis, e falo de servir e trabalhar, porque quem nelas acredita, com veemência, sobre elas funda novos mundos, em geral melhores que os anteriores. Era também considerada Utopia a Igualdade, mas apesar das diferenças e atropelos a este Valor a que muitas das culturas contemporâneas não se inibem, nunca tantos estiveram tão próximos em matéria de género, interculturalidade e inclusão num Globo hoje um pouco mais democratizado. Tal como a felicidade, miragem para tantos e tão flagrantemente utópica, nunca noutros tempos, que não o nosso, foi esta aspiração tão valorizada e considerada. Posso falar da Utopia como uma coisa sumamente boa? Posso... ainda há algumas que muito prezo e estimo, como são a paz, o fim da fome, o fim da doença, o fim da iliteracia, um sistema de saúde de qualidade acessível a todos, a justiça, o Planeta Terra ecologicamente reequilibrado... Abraçar ternamente a Utopia é também cuidar disto de sermos imperfeitos, de olhos postos no impossível, e de não pararmos de tentar, inovar, criar, lutar, falhar, voltar a tentar, falhar novamente, falhar melhor. Utopia é um pouco como a Visão, felizmente hoje tão bem implementada como valor para o crescimento das Organizações. Raramente estas se cumprem no modo e tempo esperados, mas se não tens uma, provavelmente é porque estás mal posicionado, e quando não se vê para onde se anda, também é difícil encontrar caminho… Nuno Quaresma Novembro de 2011
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CARCERI a) Introdução Carceri d’Invenzione… Prisões de invenção, prisões inventadas, imaginadas… Antes mesmo de iniciar uma pesquisa sobre a história pessoal, da construção da obra ou até do contexto em que ocorreu a sua produção, recordo sobretudo o primeiro impacto, a primeira impressão que me ficou marcada na memória. Apesar de ser uma obra descoberta por sugestão directa da Professora Jacs Aorsa, contextualizada no briefing geral para este trabalho para a disciplina de História e Práticas do Desenho, o que guardo como ânimo e mote para esta reflexão é esta impressão sentida, investida da curiosidade dos primeiros encontros. O que me fica sobre este conjunto extraordinário de 30 placas de gravura, que me deixou uma forte sensação de presença no Imaginário de Piranesi, e que são justamente intituladas “Carceri d’Invenzione”, é a impressão de estar a entrar num espaço de intimidade. Esse espaço rico e único a qual raramente se tem acesso, tornou-se no móbil para todo o processo criativo, técnico e tecnológico e a seguir, e em função do briefing dado, estruturei. Já em pesquisa descobri que efectivamente, este trabalho é contextualizado numa “magnífica junção da fantasia veneziana com a monumentalidade romana ” muito dentro da tradição e maneira de Tiépolo, nomeadamente na luz e nos volumes. Pus-me a somar: Invenção… Imaginação… História pessoal/construção da identidade… Espaço de intimidade… Fantasias… Monumentalidade vs. volume… Juntamente com um projecto pessoal relacionado com a banda desenhada e a ilustração, onde ando à procura de um estilo, de uma maior classicidade e profundidade na construção simbólica e estética das personagens. Foi assim que me surgiu a ideia original para esta ilustração que servirá um episódio que descreve um sonho de Nia, personagem central da história “O Mundo de Shido”, junto de uma narrativa visual que decorre num cenário onde faço uma colagem de três gravuras diferentes (Fig. 02, 03 e 04) da série “Carceri d´Invenzione”. Por achar pertinente fiz ainda uma homenagem à “Batalha de Anghiari” de Leonardo da Vinci, numa luta encenada, com enfoque na descrição de emoções, através do desenho e com uma referência velada aos exemplos de deformação caricatural no trabalho de Leonardo, mas também de Hogarth, Goya ou Daumier.
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Por outro lado, como matriz global de planeamento de todo o desenho optei por fazer um investimento de tempo na construção de uma composição definida essencialmente por uma divisão do plano em dois sub-planos verticais, utilizando um pilar mestre e organizando os elementos da parte inferior do enquadramento global na circunscrição de um triângulo e pelo alinhamento dos outros elementos segundo linhas diagonais para dar enfâse à ilusão da acção e do movimento. O trabalho que aqui descrevo, e que é o “lugar” em que procuro a consolidação da obra final, divide-se em cinco sinopses: b1 – Piranesi e os “Carceri d´invenzione; b2 – A Batalha de Anghiari e a homenagem à obra de Leonardo; b3 – Estudo do enquadramento e composição; técnica de etching e da trama (cross etching). b4 – Conclusão b) Desenvolvimento 1. Piranesi e os «Carceri d’Invenzione» Esta obra é inquestionavelmente uma das obras mais amplamente difundidas e abordadas de Piranesi e talvez uma das mais «sui generis» na evocação à tradição literária da sua época, ao hermetismo, às fontes e à estética do Sublime. Foram publicadas pela primeira vez em 1745, com o título « Invenzione Capric di Carceri), impressas por Giovanni Bouchard e reeditadas em 1760 como «Carceri d’Invenzione», sofrendo ligeiras alterações e acrescidas de mais duas gravuras. Entre a primeira e a segunda tiragem, podem constatar-se algumas das alterações de estilo que espelham o desenvolvimento da obra de Piranesi. Aqui, podemos identificar a influência da tradição veneziana (das «Caprici» e da fantasia) e romana dos autores da época, sobretudo na «maniera» de Tiepolo (como por exemplo, no tratamento das luzes e da volumetria) que na sua obra atinge o seu auge a partir de 1755 (como nota de contexto: ano do Grande Terramoto que devastou Lisboa). Com um trabalho mais complexo , rico e intrincado, nesta fase é possível perceber o horror ao vazio que faz perder a clareza das obras, dentro de uma composição balizada e ordenada pela utilização recursiva da «scena per angolo», frequente nas tipologias cenográficas, teatrais, utilizadas por Bibiena, Valeriani, Marco Ricci ou Juvarra. Destas influências, distingue-se a de Juvarra na referência Neo Quinhentista, Utópica e Anti Clássica. Na sua obra são ainda distintivos aspectos como a censura à «Cidade Barroca», mas em simultâneo à tradicional antinomia da Roma antiga e também ao organicismo, distorção da perspectiva (comum na Cenografia Tardo Barroca), composição assente em planimetrias, interligações de supra estruturas, libertação da forma, perda de valor do centro compositivo, a
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metamorfose das formas (que muito explorei nesta minha interpretação pessoal), desarticulação, distorção e o espaço representado segundo o ideal Humanista. Todo este processo formal conduz o espectador a uma percepção psicológica e estética que muito me interessou e que autores como Edmund Burke, entre outros, categorizam como «Sublime». Um Sublime que pretere a perfeição e a clareza da estética pelo valor dos conteúdos emotivos, colocando o recurso da imaginação também nas mãos do espectador que é obrigado a desconstruir e a voltar a construir a imagem nas suas múltiplas dimensões. Indo beber a toda esta percepção e abordagem na «maniera» própria de Piranesi, intitulei a obra como «Sonho de Nia». Ou seja, sonhar na perspectiva e ideia comum na época do «Homem como actor impotente, num teatro que já não é o seu» combinado com o fascínio pelos cárceres com o seu significado simbólico de prisões da mente (como em Coleridge ou Thomas De Quincer) acessíveis sobretudo através do onírico. 2. A Batalha de Anghiari e a homenagem à obra de Leonardo A escolha pela opção de dulpa homenagem neste exercício, surgiu-me na sequência de toda a leitura por uma óptica emotiva, das «Carceri d’Invenzione» de Piranesi. Uma das muitas reflexões que esta série de gravura me convocou foi a abordagem, por assim dizer, sublime das 5 Emoções hoje descritas, para além dos múltiplos Sentimentos, como Emoções Básicas: o Medo, a Raiva, a Tristeza, a Alegria e o Amor. O paralelismo, apesar de numa abordagem bastante diferente, com o trabalho sobre expressões e emoções na obra de Leonardo pareceu-me possível e pertinente e como na minha liberdade interpretativa já tinha introduzido na minha composição
inicial alguns elementos figurativos, escolhi então dar ênfase a esta leitura com um tributo à « Batalha de Anghiari» e à sua dinâmica compositiva e expressiva. «A Batalha de Anghiari» não é mais do que um grupo monumental de soldados a cavalo numa imagem condensada e intemporal do furor bélico que achei que poderia ser um excelente contraponto, irreverente e antagónico, à ideia de impotência gerada pelo ambiente global das «Carceri»- Prisões. Um novo conjunto figurativo e evocativo de uma luta interior, no contexto de uma «Carceri» de onde não há salvação, senão na força e liberdade da «vontade da alma humana». Para melhor contextualizar « A Batalha de Anghiari», este estudo inicial em cartão e fresco inacabado, surge na obra de Leonardo por solicitação da cidade de Florença, com a finalidade de decorar, na técnica do «fresco» a Sala de Conselho do Palazzo Vecchio. O seu tema central é a vitória florentina sobre o exército milanês. A pintura nunca foi finalizada, tendo ficado como espólio produzido apenas um cartão em tamanho natural (à escala) que sobreviveu mais de um século após a sua produção, período em que gozou de uma enorme fama. Hoje, apenas o conhecemos através de cópias de Artistas posteriores a Leonardo, em particular na cópia segundo o original, realizada por Peter Paul Rubens em 1605 e actualmente patente no Museu do Louvre, em Paris. 3. Estudo do enquadramento e composição; técnica de etching e da trama (cross etching) A primeira abordagem que fiz a este exercício foi efectivamente, e numa tradição talvez mais pictórica, a abordagem segundo
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uma colagem idealizada num enquadramento que julguei coerente com o conjunto global das gravuras de Piranesi, sobre o qual construi uma composição (e repito) definida essencialmente por uma divisão do plano em dois sub-planos verticais, utilizando um pilar mestre e organizando os elementos da parte inferior do enquadramento global na circunscrição de um triângulo e pelo alinhamento. Só então comecei a fazer um trabalho de trama e trama cruzada, enquanto fazia uma leitura prática e simulada da técnica designada por «Etching» em Gravura e que passo a descrever: Origem | contexto históricos e descrição: A técnica química de gravura foi desenvolvida na idade média por artesãos, fabricantes de armaduras, árabes como uma forma de aplicação na decoração para armas. Floresceu no século XV, no sul da Alemanha, onde as primeiras impressões gravadas em papel foram impressas no final do século. Durante as primeiras décadas do século XVII, artistas holandeses como Van de Velde, Jan van de Velde II e Willem Buytewech experimentaram esta técnica. Eles estavam à procura de criar um efeito atmosférico na suas paisagens impressas, e na tentativa conseguiram desenvolver um método que rompia com as linhas de contorno longas transformando-as em curtos traços e pontos. Hercules Segers por sua vez, experimentou esta transformação e adaptação por um motivo diferente: a necessidade de criar um efeito pictórico na impressão em papel colorido ou tela, trabalhando-as posteriormente com um pincel de cor, tornando assim cada impressão numa peça única. Rembrandt levou a técnica ao extremo, superando todos os seus antecessores. Nas suas mãos, a gravura tornou-se um meio pleno e maduro de que se ocupou em períodos longos para o resto da sua vida. A técnica que utilizei neste desenho referente a Piranesi filia-se muito no exemplo de Rembrandt que, por conhecer melhor, reconheço ter tido grande influência na abordagem pessoal e estilística que escolhi. As Gravuras são impressões, normalmente em papel, de desenhos ou modelos construídos pelos artistas, em suportes diversos, com recurso às técnicas do desenho, pintura ou corte. Estes suportes podem se um bloco de madeira, uma placa de metal ou uma tela de seda. Em Piranesi (assim como em Rembrandt) o suporte é uma chapa fina de cobre. Esta é então coberta com uma mistura resistente aos ácidos conhecida como base de gravura, composta de betume judaico, resina e cera. Nesse revestimento fino é então produzido o desenho directamente com uma agulha de gravura, que penetra esta fina película deixando exposta, nestas ranhuras, a placa de cobre. A placa é colocada, em seguida, num banho de ácido diluído. As partes expostas, que deixaram de estar protegidas contra o ácido pela base de gravura, ficam gravadas, em sulcos criados na superfície do metal. Quanto mais tempo a placa é deixada no banho, mais profundos esses sulcos se tornam. Posteriormente esta base de gravura é removida e a placa limpa e finalizada com uma almofada de tinta ou com um rolo. Ela é então limpa manualmente para que a placa fique inteiramente despojada de tinta, à excepção dos sulcos. O passo seguinte é a fixação de uma folha de papel húmida na chapa seguindo-se a compressão de ambos através de rolos de imprensa. O papel absorve assim a tinta dos sulcos, produzindo-se uma impressão invertida do design realizado na chapa. O desenho que aqui realizei com esta abordagem técnica e tecnológica sempre em perspectiva, manteve a fidelidade ao princípio de execução que norteia esta modalidade de criação artística e deixou-me efectivamente curioso e interessado na prossecução de uma experiência em placa que penso que me poderia esclarecer alguns outros efeitos que pude observar nas reproduções mas que de alguma forma não soube reproduzir 14
através do uso da trama 4. Conclusão «Cerca Trova» Detalhe no topo do fresco da «Batalha de Marciano» de Giorgio Vasari, 1563 (pintado sobre o fresco original de Leonardo, «a Batalha de Anghiari») «Só quem procura, encontrará», Evangelho Depois de algumas semanas de trabalho, pesquisa e justificação, sem me alargar noutras conclusões senão a mais humilde e verdadeira a que consegui chegar: « Só quem procura, poderá encontrar» A asserção é, de longe, pouco pacífica. Pablo Picasso afirmava por exemplo «Eu não procuro, encontro» e quantos não são os que em todas as áreas do Saber se encontraram fortuitamente, por obra da sorte ou destino, com as soluções que nem sabiam procurar. Contudo, e seguindo o raciocínio de Vasari, «Cerca Trova», no desenho efectivamente as coisas funcionam assim. O Desenho é uma das grandes formas e instrumentos do pensar.É um pensar com o corpo, com a mão, com o olhar. Nesta obra que decidi intitular como «o Sonho de Nia» confesso que pela primeira vez, circunstancialmente, procurei conhecer Giovanni Batista Piranesi. Não sei se o encontrei completamente, mas confesso que senti como nunca a inquietação que as raras preciosidades despertam... um não conseguir ou saber ficar indiferente ao apelo daquele mundo vagamente mimético. ... Mas em simultâneo hermético, magnético, misterioso e ao mesmo tempo, familiar... Humano... Cerca Trova! Nuno Quaresma Janeiro de 2012
Nuno Quaresma (1975, Lisboa) Artista Plástico, Ilustrador, Designer (Fundação Salesianos), Educador pela Arte (Fundação afid Diferença entre 1998 e 2010, Oficinas de S. José entre 2010 e 2012 e POP- Projeto Oficina de Pintura ainda em funcionamento) com Projeto de Empreendedorismo Social e Artístico filiado no grupo de Autores “AKA Arte” e no Coletivo de Artesãos intitulado “Tailored”. Vogal Suplente para o Conselho Fiscal da ANACED - Associação Nacional de Arte e Criatividade de e para Pessoas com Deficiência com uma participação voluntária e não remunerada na construção de um Projeto Social e Cultural que há mais de 20 anos que cuida, respeita e defende Autores com Necessidades Especiais e a sua Obra no contexto da Cultura e auto representação cívica e social. - Menção Honrosa em Pintura, “Prémio Professor Reynaldo dos Santos - Arte Jovem – 1997” - Menção Honrosa em Pintura, “Prémio de Pintura e Escultura D. Fernando II – 6ª edição - 2002” - Menção Honrosa em Pintura, “Prémio de Pintura e Escultura – Artur Bual, 3ª edição – 2007” Web: www.behance.net/NunoQuaresma pt.linkedin.com/in/nunoquaresma
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UM COMBOIO CHAMADO DESEJO Um comboio chamado desejo ou o Amor também se encontra a 120km por hora é diferente da versão que provavelmente conheces – “ Um elétrico chamado Desejo” - A Streetcar Named Desire, de Elia Kazan com Marlon Brando e Vivien Leigh, de 1951. Nesta minha, improvisada entre as escalas dos autocarros frente aos Prazeres (onde curiosamente passam muitos elétricos :), oscila entre a profundidade e a superficialidade, entre o Amor, o verdadeiro, e a lascívia… entre o importante e o relativizável.
Não tenciono extrair daqui generalizações ou fórmulas. Falo disto porque é a verdade. Já me aconteceu; encontrar o amor a 120km hora. A esta velocidade, se espirras, andas aproximadamente 30 metros com os olhos fechados, entregue ao destino, sem consciência ou controle sobre o que se passa em frente dos teus olhos. São 30 metros às escuras. Procurar amar a 120 Km hora é como dar um salto de fé numa furna escura de onde o mar se percebe apenas a sua voz e cheiro. E de repente, bater na água com força, tocar com os pés na areia e abrir os olhos para uma superfície em efervescência. Encontrar o amor assim deixa marca, entre a dor e o prazer, e pouco tempo ou espaço para escolhas. Num amor encontrado assim, há um misto de religiosidade e trauma. É um acontecimento à escala planetária, como uma colisão, na força da trajetória, entre Vénus e Marte. Contudo, se aprecias as viagens de comboio, sabes que esta ve-
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locidade desenfreada é sentida num estado de relativa imobilidade. Vive-se, aliás, viaja-se no maior dos confortos e tranquilidade mas, infelizmente, tristemente… sós. Quando damos conta, neste comboio chamado desejo, quando acordas da torpeza desse sono de viajante, estás apenas só. Olha! Parece que estou a chegar à estação! Espreito pela janela e vejo as paredes azuis de uma luz mesclada que só conheço de Lisboa. Mais um bocadinho e estou à tua porta! Por essa estrada, nessa rua, à tua porta… Viajo num comboio chamado Desejo mas tu és a minha Casa…
“ Procurar amar a 120 Km hora é como dar um salto de fé numa furna escura de onde o mar se percebe apenas a sua voz e cheiro. E de repente, bater na água com força, tocar com os pés na areia e abrir os olhos para uma superfície em efervescência.”
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Desenhar como quem respira, naturalmente ou compulsivamente, é para muitos uma função orgânica. A própria fisionomia e fisiologia concorrem para esta atividade regular do Corpo, da Mão, da Mente, na sua relação com o Mundo e com o Próximo. Eu pessoalmente sou um apologista do respeito pela Diferença, num mundo de Iguais. Acolho a normalização apenas na medida da sua pertinência e utilidade no serviço à Justiça, Liberdades e Igualdade. Nas coisas grandes entendo realmente o valor da norma. Um farol para quem navega à vista. Tudo o resto aprecio fora dos intevalos estritos das normas, cânones, regras... Fascina-me o que é feito à medida de cada um, com os cuidados e mimos que cada Corpo e Mente precisam.
Encanta-me a simpatia de quem consegue realmente olhar para dentro da pessoa que está à sua frente... Comove-me quem o faz com o respeito e reverência de quem contempla o sagrado, e a coragem da empatia de se colocar no seu lugar. Encantam-me as Costureiras e Alfaiates :) Os “Tailored” são feitos para Mulheres e Homens assim. Os blocos de desenhos são extensões do seu corpo; há que construir sketchbooks que se ajustem personalizadamente, como luvas, jeans, sapatos, jaquetas ou outros acessórios assim. O Tailored é feito à mão, todo cosidinho, só para ti! É diferente nas medidas, técnicas, por vezes no construtor. A norma é a predileção pela reciclagem, a qualidade e resistência do papel, capa
e costuras e a garantia de que terás um caderno para a vida. “Lifetime Sketchbooks”! Para Artistas a Sério ;)
TAILORED FOR… FEITO À MEDIDA DE…
quando regresso, não se vê já ninguém na rua.
Mas todas as outras modalidades de criação artística e cultural são bom mote para a transgressão, transcendência, irreverência.
Olha para trás… Olha lá! Quando era gaiato, distraído, a navegar na gôndola dos meus sonhos, gotas, sementes, ensaiava o ofício de hoje sem me lembrar sequer de olhar para o lado. Era ali e naquele momento, como é hoje, aqui e agora: o poder da Criatividade! Não olho muito para trás; as vezes necessárias. Olho para a frente, para o horizonte, para os pés, para ver a medida a que estou do chão, e penso no quê, como nunca, com uma hora de atraso… e à minha volta,
Tailored é fazer à hora certa, na medida certa, a contemplar tudo o que está à volta. Tailored é cozer os retalhos soltos, os desejos que ficaram por cumprir… Tailored é trabalho individual, trabalho coletivo, é uma construção feita de solidariedade, colegialidade, amizade!... até conjugabilidade :)
“há que construir sketchbooks que se ajustem personalizadamente, como luvas, jeans, sapatos, jaquetas”
O nosso negócio é a construção de cadernos de excelência, mas não hesites em contatar-nos para ilustração, design, micro &social branding e organização de eventos e mostras em Artes Plásticas. Fazê-mo-lo com gosto!... “tailored for you!”
Tailored é Crença no Mundo e nos Outros! Produzimos cadernos tipo “sketchbook”, cozidos à mão, personalizados, feitos à medida e para durar. 17
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O que pode um homem simples dizer ou fazer no Mundo agora? Não sou, à semelhança da maioria dos homens e mulheres dos nossos tempos, especialista em economia ou finanças, mas como comum entre comuns sinto hoje mais desconfiança e receio em relação ao futuro. Pelo menos em relação a este futuro, a dois tempos, em que alguns enriquecem e muitos empobrecem. Não penso assim por despotismo. Passo a vida a desejar o melhor para quem o procura, para quem luta por mais e melhor. Alegra-me a visão da abundância no regaço de quem for. Celebro a fertilidade por si só e regalo os olhos quando vejo a Terra cheia de tudo e do bom. Por isso não consigo deixar de indagar porque é que neste Mundo onde há excesso e abundância de tudo, vemos fome, desemprego, doença, desproteção na saúde e na velhice? Porque pagam os homens e as mulheres do nosso tempo os caprichos da doutrina do Capitalismo desenfreado?
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Porque malha o peso da quimera do lucro pelo lucro sobre a única procura que deveria nortear o Homem: a construção do Humano? Porque permitimos nós, comunidades de Gente, que outros mais cegos ou febris pela abundância, nos enterrem e esmaguem pela sua ganância, obsessão e controlo? E quem regula este capital que nos regula? A quem pertence a responsabilidade de lutar, nas formas pacíficas que a responsabilidade também obriga, contra esta falta de empatia, piedade, racionalidade? Quem tapa a boca a esta criatura voraz?
Hoje pinto para lhe tapar a boca. Amanhã, quando tiver um negócio, serei íntegro, justo e regulado para lhe tapar a boca. Amanhã, talvez lhe dê com um pau, bem me apetecia… só para que a sua goela míngue e o seu apetite se mitigue… sem que lhe não falte pão para a boca. N.Q.
“ E quem regula este capital que nos regula?”
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SERVE PARA QUÊ? “Se, por um lado, os poderes do homem, o animal sábio, nos enchem de admiração, por outro lado, não podemos deixar de nos espantar com a lentidão da sua aprendizagem. E o maior de todos os obstáculos a essa aprendizagem é a quantidade de aprendizagem acumulada que com as suas ilusões de conhecimento ele foi juntado” In “os Pensadores” – capítulo 21 – “Francis Bacon e a visão dos velhos ídolos e dos novos domínios”, de Daniel J. Boorstin. Sinto-me assim, num novo renascimento da consciência de que o que “sei” atrapalha mais o que” desejo saber”, e que não posso escapar dessa condição animal, orgânica, que me liga ao Real e às Coisas. Sou um homem e sinto, comovo-me, amo, odeio, alegro-me, zango-me, sinto prazer, dor, desconforto, comichão, cócegas. Não sou apenas este corpo, em transformação, em constante recursão, reconstrução autopoiética, mas dele dependo para a perceção e interação com o que me rodeia. Pois o que me acontece é que após 40 anos de acumulação de informação, no meio de tanta sensação, intuição e emoção, já é com dificuldade que me consigo posicionar para ver com clarividência o Universo à minha volta. Quem sou, de onde venho, para onde vou? Aliás, já me custa até pensar nestas questões do de onde vimos, para onde vamos, quem somos. Em verdade, as questões já nem me aparecem como “porquês” mas antes como um simples “para que serve?” Para que servem afinal o Saber, a Sabedoria e a Consciência? Hoje, no meio de uma tarde prazenteira, ensolarada, brinco no jardim com os meus Filhos e só amiúde me distraio, das suas gargalhadas e tropelias, pela brisa temperada que me passa pelos cabelos.
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É um estado de graça que agradeço a Deus, aos Deuses, ao Cosmos. Por cima de mim navegam nuvens enormes, voluptuosas, num lento vórtice que me dá a sensação que é antes a Terra que se move. E o azul enche-me. E a sua luz enche os meus Filhos de Sol, e nos seus sorrisos sinto saúde, vejo o Amor e as promessas do futuro. Para que servem afinal o Saber, a Sabedoria e a Consciência? O meu Pai tem andado doente, o pecúnio que recebo pela minha prestação no trabalho não me chega para pagar as contas e o desemprego ameaça ou afeta metade dos meus Amigos. O tempo míngua de tal forma que já quase não consigo pintar. E o Mundo ainda está cheio de fome, doença, injustiça e guerra. Para que servem afinal o Saber, a Sabedoria e a Consciência? Paro. Paro por um bocado. Olho para todo este fluxo imparável, incomensurável de informação que se me atravessa pela frente e procuro despertar. Acordo e paro e fico só atento, a olhar, a ouvir, a sentir, a cheirar… Paro e despojo-me das vestes, andrajos, com que me tenho enfeitado… Servem a minha liberdade, serve a liberdade dos meus Meninos. Servem o meu desejo de viver. Servem a minha felicidade. Servem a minha ligação ao Real, ao Mundo e ao Outro, sem subversões ou subjugação. Servem-me de coragem para esvaziar o copo quando é preciso, para abrir as janelas da mente, para que a alma se me não cristalize ou coagule, não pare nem no tempo nem no espaço. Ao mesmo tempo, não servem para nada… por isso as procuro, as escolho. NQ, Abril 2014
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PARA ONDE
15 CÊNTIMOS Três moedas pretas e finas dentro da minha carteira furada; será a sua côr um eufemismo para o seu valor, ou tento ignorar que não terei hipótese neste mundo tão irreal quanto desigual? Votado ao insucesso, não apanharei boleia de avião algum; não verei terras distantes, não comprarei um gelado, nem oferecerei rosas. Sou moldado pelo silêncio numa caminhada sem destino; um movimento de sobrevivência apenas aparentemente articulado.
Distribuíram-se os sonhos em classes: afinal, haveria a necessidade de haver uns mais iguais que outros. Assim, uns construiriam castelos, carregando as pedras uma a uma; outros esperariam na janela por notícias, envoltos em delicadas sedas. Para desastre dos homens de paixões, as mulheres mais bonitas nem sempre se encontrariam nas torres; objectos brilhantes toldariam a sua razão, a geografia à sua nascença destinaria as suas probabilidades e estariam amaldiçoados a acreditar que o seu Deus deveria ser o único a tudo explicar, logo a existir. A propriedade raras vezes estaria associada à sensatez; ter é querer manter e expandir. Sabendo que o tempo é um bem não recuperável só uma estirpe gastará tempo em tal campanha: chamar-lhe-à investimento e nomear-se-à “líder”. O poder disfarça-se então de autoridade que tudo tenta controlar mas que nada se esforça por intimamente compreender. Vidas ao serviço da moeda e da coroa: oportunidades desperdiçadas, estilhaços de sensatez; os tolos batem palmas enquanto aguardam por migalhas. As fronteiras já não requerem espadas, agora usam-se canetas. As igualdades ilusórias amenizam as lutas internas; a posse paradoxalmente serena as externas. Quem revolucionará o mundo, confortável em sofás de cetim? Hugo Alexandre, Setembro de 2014
A vida colorida e criativa escorre-me pelos poros, mas o Mundo só quer ver suor e sangue. Pegarei então nas minhas lágrimas e com elas encherei um oceano; arrancarei as minhas veias e com elas farei fortes cordas; a minha pele servirá de graciosas velas e com os meus ossos construirei um robusto navio. Poderei ser destino e justificação, capitão sem tripulação, mas nunca serei rapaz sem coração. Zarparei em direcção ao Sol, esse que a todos ilumina por igual, sem distinção de côr, forma, destino. Aqui, não encontro nada para mim, a não ser um mundo de trocas, de interacções desequilibradas. Por lhe sermos pertença, nada podemos dar ao nosso criador; esse não deverá contudo ser motivo de impedimento para questionar, imaginar, criar. Entretenham-se nas vossas danças desenfreadas, nestes corpos que nos escapam a todos, enquanto embarcarei na penumbra da noite; escrevo o meu nome na campa da minha finitude com a minha vivência. Hugo Alexandre, Setembro de 2014
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MOVIMENTO MUDANÇA
tos irregulares. ano 1908, constituído em Montmartre Uma das ideias do fenómeno do Barroco (Rue Ravignon 13), onde viviam Picasso, era de fazer a junção dos dois elementos, Max Jacob e Juan Gris. O grupo Bateau fé e ciência. O primeiro, resgatado pela Lavoir organizou uma homenagem ao Há quem diga que Sucesso é Movimiencontrarreforma e o segundo se expandia Rousseau, durante a comemoração Pito, há quem diga que motivação é movcom a modernidade. A partir disso, surcasso em tom de muito entusiamso disimento... giu uma vertente encontrada no Barroco, se: “Você e eu somos os pintores actuais. E a sociedade mostra que os Movimenque era o fusionismo. O Barroco teve Eu em estilo moderno, e você em estilo tos Artísticos influenciam directa ou indigrandes influências na arquitetura de egipcio.” rectamente as mudanças Culturais. alguns dos países da Europa e também Na vida todo movimento já seja fisico, da América Latina. As construções não social, espiritual, em grupo ou individcostumam seguir padrões geométricos, ual leva com ele as mudanças internas muito menos simétricos. O escritor brae externas de forma que todos possileiro, Paulo Coelho, publicou um livro, samos transformar o cansaço em En“O Diário de um Mago”, onde nos conta ergia, parece tão simples verdade?!... da influência da época Barroca. mas sabemos que para que movimento Os Renascentistas baseavam-se em cone mudança aconteçam em equilíbrio e ceitos filosóficos e antropológicos. O evolução temos que actuar com perHumanismo é um dos segmentos do Resistência, com empreendedorismo e faznascimento e trabalha com o uso total da er da inovação a mudança vital para uma razão por meio de experimentos. melhor visão de futuro. Com o desenvolvimento do RenasciGostava de reflectir um pouco sobre mento, as características mudaram, a os principais movimentos artísticos do espiritualidade foi deixada de lado e Século XVIII até ao Século XXI, cheios de abriu-se caminho para um sentimento contradições e complexidades. É possível otimista, que desfruta do mundo mateencontrar um caminho para a criação de rial. Começaram a observar a vida como novos conceitos no campo das artes, por um ciclo e a acreditar que o homem não isso em algumas culturas, o desenvolver tem o controle sobre suas emoções, muida educação pela Arte parece ser o moto menos sobre seu tempo de vida. Curitor da mudança interna no que se refere osamente em Portugal o renascentismo ao nosso sentir e a criar símbolos fortes teve pouca influência, talvez esta au que ajudam a flexibilizar a rigidez de alência tenha contribuído para um me gumas escolas tradicionais. Símbolos otimisto sentido na sociedade port fortes como a sensibilidade, cooperação sa?! e o prazer de trabalhar em equipa. Sabemos que os movimentos e as mudanças, “tendências artísticas”, tais como o Expressionismo, o Fauvismo, o CubisPsicoterapeuta, Formadora, Organização, mo, o Movimento Barroco, o RenascentModeração e Concretização do 1º Conismo , o Futurismo, o Abstracionismo, o gresso Internacional de Anorexia e BuDadaísmo, o Surrealismo, a Op-art e a limia, em Portugal : Pop-art expressam, de um modo ou de http://ciab.institutotaniaestrada.pt outro, a perplexidade do homem conhttp://www.institutotaniaestrada.pt temporâneo, a cultura pop também na música como na dança mostram o seu Especialidade de Anorexia e Bulimia. Esmovimiento buscando expressar o muntudos de investigação do metabolismo do do inconsciente a partir dos sonhos da Seratonina nos casos de Anorexia e e desejos de liberdade, e de auto-afirBulimia. Estudos de desenvolvimento do mação..... Auto-afirmação de quê?!! Teste de Rorschach no Síndrome de BranInteressante foi o ano em que surge o ca de Neve. Coordenação Pedagógica. Expressionismo ele aparece como uma reação ao Impressionismo, foi um ano O Instituto Tania Estrada, tem dinamTorres, Prêmio Jornalistico - Teresa Botelde mudanças positivas, pois no primeiizado várias especialidades na área da heiro - Reencontro no Espelho. ro, a preocupação está em expressar Saúde Pública e Privada, promovendo o Capacitación y Desarrollo Profesional, emoções humanas, transparecendo conceito “Ser Técnico da Saúde” e “Ser Educación por el arte, Capacitación y Delinhas e cores vibrantes os sentim Pessoa”. É uma forma de marcar a difsarrollo Profesional, Pedagoga, Formae angústias do homem moder erença encontrando um brilho pessoal, dora de Gestão de Recursos Humanos, quanto que no Impressionism com resultados positivos na proximiConsultora Independente, Gestão de que resumia-se na busca pe dade com Utentes e Clientes. Construir Talentos e Recursos, Gestão de Carreide luz e sombra, “passamo a auto-estima na Investigação da Saúde ras, Professora de Investigação de temas ilustração das emoções.” Mental dos casos de Anorexia, Bulimia como Anorexia e Bulimia (Universidade O movimento Barroc e outras doenças do Comportamento Lusófona), Recursos Humanos em diverna Itália, no final d alimentar e assim expandir a noção das sas organizações nacionais e internaciodo século XVIII a suas próprias possibilidades. nais. origem portugue Prêmio de Estudo Científico Dr.ª Sandra preciosa impe 22
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influenciado pelo movimento literário A Educação pela Arte, é para mim um Manifesto Furista, criado por Filippo movimento transformador com muTommaso Marinetti, em 1909 um poeta danças positivas na educação e Cultura e escritor italiano que sugeriu às pinturas do País, como estamos vendo accontea velocidade das máquinas e a exaltação cer no movimento Eco-Art. do futuro para os pintores desse estiO mesmo reúne obras sobre ecologia e lo, os artistas não tinham essa visão de preservação da natureza, buscando as o futuro! INTERESSANTE! Os estudos de linhas de aproximação entre Arte e Meio Freud sobre psicanalismo em Cultura Ambiente. Nos processos de Mudanças política mostravam a complexidade da em que muitas instituiçõees do Brasil sociedade moderna. hoje se vêem envolvidas, têm já por base Em crítica à cultura europeia surge a a capacidade de realizar o Movimento da Pintura Metafísica – uma pintura que Pedagogia do Desejo. Desejo que Portumostrava a falta de sentido da sociedade gal caminhe no Desejo de algumas Mucontemporânea: mistério, luzes, objedanças na conquista de novas atitudes, tos, sombras e cores intrigantes tinha onde figure a Partilha a Dois, as boas como principal artista, Giorgio De Chirico Perguntas, o Questionar, a Cultura da (1888-1979), um pintor italiano, com Responsabilidade, a Sensibilidade para olhar para o nosso lado, a autoconfiança de que fazemos nosso melhor sem comparações. O movimento de Educação pela Arte é a verdadeira transformação do sentir actual, em que cada um de nos possa converter o Cansanço em Energia pelo prazer das coisas boas que fazemos. Diferentemente do que pensamos: “Não somos ilhas isoladas, e sim partes de uma mesma célula – distintos, porém interligados.” Cubismo analítico (1908-1911) – deseno volvido por Picasso e Braque: Seu esQue seja o Movimento p ustilo era a utilização de poucas cores, a ela Arte nossa Energia enor definição de um tema apresentado em na Mudança! tuguetodos os ângulos. A Perda da realidade, sendo impossível reconhecer as figuras. Tania Estrada Morales Cubismo sintético: Fugia dessa perda de realidade, mas procurava retratá-la de várias formas. Foi chamado, também, de colagem, porque eles colocavam tudo o que podiam, como letras, números, visuas obras “O Enigma da Chegada” e “O dros, etc., com o intuito de criar novos Regresso do Poeta”. efeitos e despertar a atenção. Outros Movimentos do Século XXI O abstracionismo é a arte que se opõe Curiosidades : O steampunk (subgénero à arte figurativa ou objetiva. A principal da ficção científica que trata de evoluções característica da pintura abstrata é a tecnológicas que acontecem em épocas ausência de relação imediata entre suas anteriores às que ocorreram na realiformas e cores e as formas e cores de dade) também tem sua parcela de arte um ser. A pintura abstrata é uma maniúnica. O idealismo steampunk usa o confestação artística que despreza completceito de ressuscitar tecnologias antigas, amente a simples cópia das formas natuaqui vejo claramente o conceito do rais, interessante como este movimento Criativo é contrariar o banal. Este movipode influenciar estilos e influenciadores mento o steampunk fez que meu pensano mundo das artes, e a forma de ver mento viajasse a minhas leituras de crinosso talento. ança da obras de Júlio Verne. as No impressionismo, estilo marcado por o em cores fortes e brilhantes, texturas e mentos Senti no Cubismo uma despreocupação linhas harmónicas, prevalecem as paisrno. Enem representar realisticamente as foragens, os grupos de pessoas e as formas mo, o enfomas de um objeto, porém aqui,a inhumanas. Neste movimento aparece ela sensação tenção era representar um mesmo obuma mudança no talento e na paixão no os da técnica à jeto visto de vários ângulos num único que refere “motivação dos Artistas”. ” plano. Com o tempo, o Cubismo evoluiu Os estudos de Freud sobre psicanalismo co teve seu início em dois grandes movimentos e mue a política mostravam a complexidade do século XVI, início danças chamados Cubismo Analítico e da sociedade moderna. Em crítica à culpalavra “barroco”, de Cubismo Sintético. Podemos dizer que o tura europeia, surgiram: esa, significa uma pedra cubismo nasceu como um movimento no O Futurismo: O futurismo é um estilo erfeita, com os seus forma-
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DANÇA DAS FADAS
Ana Fernandes, 43 anos(19-02-1971), mãe de três filhos...a minha maior obra! Poetisa ou pseudo-poetisa. Ler e escrever, escrever e ler sempre foi algo que me fascinou e me deixa feliz. Escrever é algo de estonteante, uma viagem extraordinária. Onde posso ser eu...onde posso ser ...mais alguém. Por incrível que pareça, gosto de escrever poesia mas não sou uma leitura assídua deste género de literatura. Poesia, o parente pobre no meio editorial... Quando escrevo, confio a minha escrita no leitor. Espero que gostem de me ler, pois os meus poemas estão impregnados de sentimento. O meu sentimento...há revolta, amor, raiva, desencanto, prazeres
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e sentidos apurados. A importância da amizade e da afectividade, o meu desejo de ser descoberta e entendida, a procura da verdade, da pureza e também do sonho.
No compasso do amor eu sou a canção que toca a melodia da vida... O meu canto viaja além dos mundos... Posto que com a alma entoo a música do coração, Alcançando a todos os seres E eis que ao ouvir a voz do meu canto Fadas encantadas bailam delicadamente Balançando as folhas e flores Trazendo felicidade e sorrisos Celebrando a plenitude da existência Tão gentilmente nos doada Em meio a voos rasantes espalham sua poderosa essência É a magia no ar contagiando a tudo e a todos E a música ainda está tocando E ainda encanta E ainda ilumina E tudo se torna um misto de êxtase e alegria
“ No compasso do amor eu sou a canção que toca a melodia da vida...”
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“ Quantas apostas são precisas para se ganhar um coração... “
“ Quanta esperança morre em cada amanhecer de mais uma noite acordado ... “
INCOMPATÍVEL Quantos contos de fadas são precisos para escrever um final feliz Nenhuma maquilhagem é capaz de esconder do coração uma cicatriz Quantas verdades se perdem no meio da escuridão E quantos passos são dados no caminho da solidão De quantas ilusões é preciso se inventar para sobreviver Apenas uma, mas esta ilusão é capaz de me fortalecer Essa ilusão és TU Quanto barulho cabe no silêncio de um coração apaixonado Quanta esperança morre em cada aman-
hecer de mais uma noite acordado Quanta saudade some na poeira de uma estrada sem fim Quantos beija- flores cercam a mais bela flor do jardim De quantos sonhos é preciso desistir para não sofrer Apenas de um, mas este um é o maior sonho que se pode ter Esse sonho és TU
Quantas lutas são vencidas sem desferir um golpe somente De quantos verbos eu preciso para falar e alguém entender Que por mais incompatível que possa parecer O meu amor és TU
Quantas apostas são precisas para se ganhar um coração Quantos inocentes morrem presos dessa prisão Quantos gigantes caem por subestimar a força do oponente 25
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Na mitologia grega, Pasífae ou Pasífaa (em grego: Πασιφάη, Pasipháē) é uma das filhas de Hélio, deus do sol, e de Perseis (ou Perseida), que geraram além dela Eetes, rei da Cólquida, e a feiticeira Circe. Perseis era a primogênita das oceânidas. Assim como Circe e como sua sobrinha Medéia, filha de Eetes, Pasifae também tinha poderes mágicos. Casou-se com Minos, filho de Zeus e da princesa fenícia Europa, com quem teve os filhos Androgeu (ou Eurigies), Ariadne, Deucalião, Fedra, Glauco de Creta, Catreu e Acacalis. Pasifae era muito ciumenta e, para impedir que o marido se unisse a outras mulheres, lançou sobre ele uma maldição: as mulheres que o amassem morreriam devoradas por serpentes, escorpiões e centopeias que seriam ejaculados por ele. A princesa ateniense Prócris livrou-o do feitiço oferecendo-lhe uma erva mágica que recebera de Circe. Depois deitou-se com ele em troca de dois presentes: um dardo que jamais errava o alvo e um cão do qual nenhuma caça escapava. Esses dois presentes mágicos pertenciam a Europa, mãe de Minos, que os recebera de
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Zeus. Quando a princesa Europa voltou da sua aventura com Zeus no Olimpo, casou-se com Asterion (ou Asterios), rei de Creta, filho e sucessor de Téctamo e de uma filha de Creteo. Asterios não queria filhos, mas educou como pai os três filhos de Europa. Ao morrer, legou o seu trono a Minos, o primogênito. Inconformados com essa decisão, os dois irmãos preteridos, Sarpedão e Radamanto, passaram a disputar o poder. Minos, para provar que Creta lhe pertencia por vontade dos deuses, afirmou que os imortais lhe concederiam qualquer coisa que desejasse. Como prova, pediu a Posídon (ou Poseidon- deus dos mares) que fizesse sair um touro do mar Egeu. Fez-lhe a promessa de que, depois, sacrificar-lhe-ia o touro em holocausto. Posídon mandou um magnífico touro branco de grandes chifres dourados. Diante dessa prova de legitimidade, enviada pelo deus supremo dos mares, os irmãos de Minos reconheceram-no como soberano da ilha. Minos, no entanto, levou o belo touro para fazer parte de seu rebanho e sac-
rificou, em vez dele, um animal comum. Como punição pelo não cumprimento da promessa, Posídon transformou o touro num animal indomável, furioso, que passou a atacar os habitantes da ilha. Além disso, pediu a Afrodite, deusa do amor, que fizesse com que Pasífae se apaixonasse pelo touro. Para concretizar sua paixão, Pasífae pediu ao inventor Dédalo (pai de Ícaro) que construísse uma vaca de madeira tão perfeita que enganasse o touro. Ela escondeu-se dentro da vaca e assim conseguiu o seu intento. Dessa união nasceu o Minotauro, um ser monstruoso, metade touro, metade homem. Envergonhado pela prova da traição da sua esposa, Minos encerrou o monstro num labirinto que Dédalo construiu junto ao seu palácio, em Cnossos. Domar o touro de Creta foi dos 12 trabalhos de Hércules. Na versão arcaica, pré-olímpica (um mito minoico), o touro por quem Pasífae se apaixonou era o próprio Posídon, disfarçado. Na versão grega, é realmente um animal, o que reduz a importância da paixão, transformando-a em mera
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perversão carnal, em vez de sentimento divino, sobre-humano. (fonte: wikipédia, a 12 de junho de 2015) A obra que ilustra estas páginas, a par com uma representação isolada da investida de um touro, elege como motivo um momento noturno, no quarto de Minos e Pasifae, em que Pasifae sonha com o magnífico touro branco, sob o olhar de Minos que intui toda a tensão emocional e sexual onde incontornavelmente também se envolve e participa. Os temas são o ciúme, o medo, o poder, a sua ausência, o grotesco e o irracional. Pasifae sonha um sonho inoculado pela deusa Afrodite, com a angustiante energia de uma compulsão a arquear-lhe o corpo enfeitiçado pelo animal mágico, enquanto Minos o confronta com o olhar, em competição feroz, perdida momentaneamente num limbo voyeurista e numa admiração pelo poder e liberdade que o touro também representa. Pasifae é vítima e Minos é espectador, não só da cena representada, mas também da perda interior das certezas e do controle, quiçá entregues a um alterego que também encontra reflexo e
identificação na figura do touro. Nesta obra são o medo e o desejo que se confundem e conjugam para impor uma sentença e uma fratura. A sentença é corporizada pelo Minotauro, o castigo do grotesco, força de destruição que é fruto desta consumação mitológica entre o touro e a rainha, e a fratura é porfim imposta na identidade do rei que vê a sua integridade como personalidade de força e inteligência pulverizada entre as pulsões mais básicas da natureza humana, de volta ao caos primordial onde nasce e morre toda a existência. Não há discurso moral nesta obra, só o reconhecimento de um ciclo, de um padrão. E é por via desse (re)conhecimento que se dá o postulado da possibilidade de escolha, não das personagens, mas do espectador. As histórias da literatura mitológica, na sua narrativa fechada, ensinam exatamente a necessidade de fazer escolhas na narrativa aberta que é a vida. Porque quando não se age ou escolhe, os ciclos repetem-se e esse touro incontrolável em vez de ficar pacificamente e con-
scientemente integrado no nosso ser, fica indomável, furioso, a fitar e a amedrontar os nossos espaços mais íntimos. Não integrar esse touro é arriscar ser colhido por ele, em qualquer uma dessas praças onde se desvela e concretiza o eterno ciclo da vida. Nuno Quaresma, Junho de 2015
“Não integrar esse touro é arriscar ser colhido por ele, em qualquer uma dessas praças onde se desvela e concretiza o eterno ciclo da vida.” 27
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Saber ver um pintor, é saber ver a pintura, no que ela tem de radical e incontornável. Acto transformador, ou talvez tão só “alegria que o homem dá a si mesmo”(Marx), o produto artístico nunca enviesa, quando genuíno, o solo de aonde nasce. A pintura de Nuno Quaresma está precisamente aí, sem nada a não ser ela própria que a sustenha.
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Mesmo que a influência de muitos contemporâneos seja marcante, nomeadamente Lucien Freud ou Paula Rego, aquela não fecha o pintor no redondel da repetição, neo-comercialismo enfeudado às “áreas do tempo”. Nuno Quaresma, pinta a realidade, afirmando-a como Kirkegaard, a saber a mais dura das categorias. Mas a essa dureza, não dirige olhar algum que a aliene de si mesma.
O que nos fica é então uma pintura aonde a doçura romântica ou surreal, cai como véu, fazendo que o nu ou a figuração do banal equivoque o sujeito escondido. É então o excesso que nos fica, sempre um excesso, e que Nuno Quaresma urge em pintar. Mas só um talento invulgar que comunga a dor de ser, pode fazer com que na tela ou no papel, o sujeito desejante se fale pelo efeito cromático-figurativo.
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A pintura de Nuno Quaresma, convoca portanto um Nietzsche, o filósofo da “Aurora” ou do “Humano demasiado Humano”. O pegar ou largar este demasiado, é a mais valia que não nos deixa indiferentes face a esta pintura, retrato também ela, de que o desassombro está chegando.
01 Artémis Implacável 02 Monday morning 03 A luta 04 Minos e Pasifae 05 Alegoria para a Pintura 06 Ana e o sapato 07 Ecce Homo
08 Caim e Abel 09 Natrureza morta com troféu 10 Mixed Thoughts 11 Menino fora da caixa 12 Natrureza morta com bule de chá 13 Vénus deitada
Carlos Amaral Dias, Fevereiro de 2000
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DEPOIS DE TI, VEIO O BRANCO As paredes voltaram a ser brancas sem os quadros que pintava, as folhas por escrever perderam a utilidade; os sonhos verteram os contornos, a forma, o destino. Escrevi-lhe cartas de amor e de perda, cartas de partilha e de esperança. Mas a sua morada já era outra. Procurei-a então no topo dos penhascos, no fundo dos mares; procurei-a nos olhos do futuro, na arca do passado. Mas ela já não se deixava encontrar. Enquanto contemplava os amarelos do Sol, este arrefecia no meu coração; durante o tempo que estudei as moléculas, estas morriam sem reprodução. Eu definhava sem remédio. Como gotículas de água que saltam para o precipício vindas de uma mão sem intenção fugia-me por de entre os cabelos outrora pretos e fortes. Não pude evitar (embora batalhasse), que o tempo fizesse o seu trabalho de esbatimento; a cada batida a sua memória perdia pormenores. Eu enlouquecia sem prognóstico. Assisti ao entendimento de que quando julgamos percepcionar, não é a realidade que tocamos, mas apenas uma representação auto-renomeada, uma falsa ordem de grandeza a que nos agarramos; precisamos afinal de fazer a vida “funcionar”, independentemente de entendermos ou não qual a função. O abismo não é o vazio, nem o desconhecido, mas o tédio. Há quem tenha; há quem seja. Eu não tenho, não sou. Tudo bem. Foi na ausência que a perdi. E foi assim... no silêncio ...que te encontrei. Nesta linguagem comum, desistir é deix-
ar de existir; um corpo sem um propósito é um corpo sem essência, uma mera cápsula que distrai, mas não estimula. Talvez por isso me deste o que eu não sabia que queria mas que sabia que precisava. Só após abandonar o jogo do tempo encontrei a disponibilidade para a razão; só depois de abandonar os limites do ego encontrei a vastidão da contemplação. Foi quando deixei de chorar a natureza inevitável da juventude que depreendi que nunca a saborearia neste trajecto superficialmente mundano, intrinsecamente insano e genuinamente simples. Foi talvez por nem raspar o exterior da sua compreensão, que ela me tenha abandonado tão rápido. Não me interessa particularmente se a folha onde escrevo é uma unidade, ou um número incontável de átomos unidos por leis de atracção. Interessa-me o que faço com ela: escreverei a minha história com a minha própria mão, ou a folha cairá no esquecimento sem glória? Richard Feynman dissera que “o que não conseguia criar não conseguia compreender”; pois digo que não consigo criar se não conseguir compreender; e compreender não é dissecar, nem dissertar, mas tão somente... aceitar. Aceitar que sou uno na imensidão das minhas possibilidades, que não preciso de muito mais que a verdade absoluta e de um pouco de alimento, talvez um carinho sem apego de vez em quando... O branco cobre agora as montanhas que compõem a minha história; o Mundo não me deu um nome, deu-me um propósito; sou parte dele e cumpro a sua função. Não há determinismo da espécie. Há existência. Hugo Alexandre, Setembro de 2014
Eras um par de sapatos cor-de-rosa salto alto que realçavas a elegância do movimento dos pés enlatados por acaso não deixaste a tua dona ficar mal nunca sei lá, um buraco, um salto e lá se foi o tacão! Foste velho, tiveste arrumado, mas também não eram assim tão velho de deitar fora, mas eras velho. Um PAR que foste posto num canto em modo de hibernação. Queria saber se eras velho de deitar fora ou velho e de não querer deitar fora. De uma BD com vontade de saltar fora do armário, decidiu mostrar a sua história porque também era um velho antigo, quis realmente fazer parte desta história. Grande prémio para quem conseguir saltar dez carros… Podia ser de Patinete como o tio patinhas propôs… Mas consegues saltar? Com salto ou sem salto, até podes experimentar de patinete, mas fica aqui o desafio, calça os sapatos e salta de salto, movimenta-te de que maneira for.
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Tenho a convicção de que a percepção é apenas a porta de entrada para um conhecimento maior que o entendimento em si mesmo. Sem o erro da expectativa, e a escolha não assumida de que o vazio é necessário, talvez seja a perda o despertar necessário para a obrigatoriedade sempre voluntária de abandonar o “pouco” em detrimento do “tudo”, pois o que criamos será sempre pouco quando comparado com o que foi criado e acumulado antes de nós. Poderá até nem ser este o caminho da redenção, mas perder o mapa faz-nos perceber que o acumular de informação não nos torna mais sábios; cada estrada é uma incógnita até a percorrermos por nós mesmos; sabendo que nunca as percorreremos todas, isso só nos dá mais tempo para apreciarmos cada uma delas; encaro a limitação temporal como a maior dádiva que a vida nos pode dar; a verdadeira superioridade face aos demais seres; NÓS SABEMOS que um dia mudaremos de estado; não interessa o como, o para quê, nem mesmo o quando; apenas sabemos que sendo talvez a única verdade universal, irá acontecer. Talvez no final as suspeitas sejam confirmadas, e só exista a solidão e uma inesgotável e intrínseca cega vontade de acreditar que somos peças de um quadro maior que nós mesmos. Talvez nem assim a vida faça sentido. Talvez só exista um corpo que caminha para o cansaço e para o envelhecimento. Mas não é a maior tragédia de todas, já nos termos encontrado e ainda assim continuarmos perdidos? “ Yesterday is history, tomorrow is a mystery, today is a gift (…)” – Bill Keane
Grita comigo; Dá-me todas as palavras de ódio e dor acumuladas até ficares vazio Aponta-me o dedo, cerra os dentes, franze as sobrancelhas, e acusa-me mesmo que o raciocínio não faça sentido Amaldiçoa-me pelas tuas escolhas erradas, deseja-me penitências sofridas e eternas pelos teus pecados Eu nada direi; É através da minha imperfeição que te reconheço como parte de mim e te quero ver voar para longe desta lama que te torna pesado Ouvir-te-ei como quem tem a disponibilidade que só a eternidade possui e se me permitires, segurar-te-ei com a mesma dedicação que um ramo segura a sua última folha Todas as nuvens passam; mesmo as que cobrem o Sol por muito tempo; é a inevitabilidade da mudança; Por isso dá-me tudo quanto tens dentro de ti; Porque quando te dás, és. Isso é Deus. Isso é… esperança.
Easier? Pedaços essenciais de entendimento encontram-se nos locais e nas pessoas mais improváveis. Estiveram eles sempre ali à espera de ser descobertos? Quem os criou, e à sua interpretação? Como nos sentirmos gratos pela dádiva, independentemente da sua forma e do seu conteúdo? E se o entendimento é uma construção cultural, como poderei apagar todos os valores e começar de novo? Olho à volta; sou o apogeu máximo da minha própria existência; sou os sonhos por realizar dos meus pais; sou capaz de descrever o Mundo, ou de o aniquilar. Sou tão poderoso quanto os mosquitos que vejo no pára-brisas. 31
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Simão Mota Carneiro Artista plástico nascido em 1989 vive e trabalha em Lisboa, desde cedo que estabeleceu a sua paixão pelas Artes. Formou-se em Produção Artística na Escola António Arroio com especialização em cerâmica e mais tarde frequentou o Instituto de Artes Visuas IADE onde se licenciou e obteve o seu mestrado em Design e Cultura Visual. Desenho e pintura são as suas principais áreas de interesse no entanto afirma que não deixa outras linguagens excluídas não querendo ficar limitado pela técnica para produzir uma peça.
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António Maria Sousa Lara nasceu em Lisboa, Maio 1984, e actualmente vive e trabalha no Estoril. Em 2010 termina a sua Mestrado em Artes Plásticas - Pintura na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. António Sousa Lara mantém um trabalho pictórico activo desde 1998 com obras nas mais diversas categorias como Pintura, Retrato, Gravura, Fotografia, Arte Digital e Ilustração.
Foi aluno de prestigiados Mestres Artistas e participou em já várias exposições colectivas e individuais. De momento trabalha como Professor, Retratista, Game Designer e Actor. Visitou diferentes países e culturas procurando sempre novos caminhos e novas experiências no mundo artístico.
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Catarina Vieira Pereira nasceu a 25 de Fevereiro de 1989, em S. Miguel, Açores. Utiliza como nome artístico Vieira Pereira.
estar no “campo expandido” da pintura, tal como a crítica de arte Rosalind Krauss propôs para a escultura.
Licenciada em Artes Plásticas e Novos Media, na Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha (2008-2011). Possui também o mestrado de Artes Plásticas, no mesmo estabelecimento de ensino superior (2011-2013). Tema da defesa pública: “Pintura Fotográfica – efemeridade, metamorfose e acção num percurso plástico”. Na sua pesquisa questiona os limites da pintura, colocando a questão se o seu trabalho poderá
Web: - www.behance.net/cat_pekena - www.flowartconnection. com/artists/ view/17 - www.tumblr.com/blog/vieirapereira - www.tumblr.com/blog/dispositivos-pintura - www.facebook.com/pages/Vieira-Pereira/110449015757458
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Estes vídeos mostram a realidade de uma pintura em acção, em meio aquoso, dá-nos a ver a metamorfose pela qual a pintura passa. Enquanto a metamorfose está a ocorrer, as cores alteram-se, novos efeitos e tonalidades são gerados, acerca destas modificações José Gil afirma: «O amarelo passará imperceptivelmente a vermelho, o verde a azul, de tal maneira que entre eles surgirá uma multidão de tonalidades quase indiscerníveis: outros tantos feixes de pequenas percepções. É por toda a parte do visível que nos banhamos em pequenas percepções.». (GIL, José, A imagem-nua e as pequenas percepções: Estética e Metafenomenologia, Lisboa, Relógio D’ Água, 2.ª Edição: Fevereiro de 2005, p. 311.) Toda a movimentação passada no meio aquoso mostra ao es-
pectador a realidade de um acontecimento pictórico, a forma como a metamorfose se manifesta, e a sua mudança de formas e de cores quase hipnotizam o nosso olhar. Este processo forma-se dentro de um tanque de vidro com líquido, e resulta da fusão entre certos materiais tradicionais de pintura, tais como: acrílicos, aguarelas, ecolines, guaches, e materiais não associados à pintura, como por exemplo: molhos culinários, detergentes e bebidas. Para registar toda a acção que se desenvolve no meio aquoso de forma espontânea e natural, recorro à fotografia e ao vídeo, estes registam a fusão do processo químico (dos pigmentos com o meio aquoso) que ocorre e que gera a metamorfose.
Pedro Afonso Silva Nasceu no Porto (1958). Vive e trabalha no Concelho de Cascais. Formação: Licenciatura em Design (IADE) Curso de Desenho (Sociedade Nacional de Belas Artes) Curso de Iniciação à Pintura (Arte Ilimitada) Percurso Profissional: Entre 1984 e 1997 trabalhou em editoras e agências de publicidade como designer e criativo (Plátano Editora, Cinevoz, Comunicar, BMB&B, Neovox). A partir de 1998 estabelece-se como freelancer, trabalhando basicamente em ilustração. Publicou ilustrações no jornal Record, Jornal de Notícias, Semanário Económico, entre outros. Tem vários livros editados como autor (7) e como ilustrador (22). Desde 1998 tem exercido uma atividade de artista plástico tendo participado em cerca de vinte exposições individuais e coletivas.
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O PEQUENO DETALHE Alguns podem dizer que sou pintora, outros que sou artista, ou até nenhuma destas duas. Mas, se me perguntassem, acho que a resposta mais acertada seria: “Sou exploradora do mundo”. Desta forma procuro sentir, experimentar, respirar, sonhar e viver o desconhecido e o diferente. Quero praticar a intuição, a audácia, a candura, o despropósito, o magnânimo, o estrambólico, o arrumadinho e o absurdo. Procuro viver o momento. Quero desvendar o mundo que já vi, e o mundo que ainda espera ser desvendado. Quero viver o original, o vulgar, o fictício e o verdadeiro, tudo de uma só vez. E assim, numa só explosão, num só instante, quero sê-lo continuamente para sempre, e resumir-me inteiramente num simples ponto, estendido no infinito. E assim, para começar a minha caminhada, O PEQUENO DETALHE nasce: Uma coleção inspirada na arte abstrata e no expressionismo, constituida por 9 peças únicas. Cada peça representa um detalhe que só tu consegues ler. Esse detalhe varia de pessoa para pessoa, umas vezes coincidindo com o detalhe de uns, outras vezes com o de outros. Mas sem te aperceberes, cada uma destas peças terá um pequeno detalhe que existe no tu de agora, no tu do passado ou no tu do futuro. A peça transforma-se no teu espelho, pois tudo o que vires, tudo o que sentires, faz parte de ti. Sim, um espelho. Basta olhares, e dizeres-me o que vês… - Mana
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Clo Bourgard Was born in Lisbon 1970 and since very soon deticated her life to art, attended to António Arroio Artistic Shcool, graduated in History at the University Lusiada complemented with the free course of Art History at the Autonomous University of Lisbon, she took Course of Drawing and and painting at the artistic school of Rui T. Gomes,also took Course of Sculpture by the hand of Mestre João de Brito,and the Course of Technical and Ethical Conservation of the Portuguese Heritage in the National Cultural Centre. .Course of Ceramics Restoration “Pomar dos Artistas” at the Lisbon Institute for Conservation and Restoration ofPainting SchoolIn period of 4 years, devoted to teaching at the Academy of Sciences of Lisbon in the area of Restoration Painting. Course nextart artistic installation.She has participated in many different expositions across the country, including inter.atrium Galery in Porto and Azo Gallery in Lisbon. Lately she received 1ª Honerable mention of the completion Com.arte 2013, with Wilson Galvão. Currently she is developing in sculptures featuring with Wilson Galvão, that approaches the relationships that the human being establishes with himself, with people and with the reality that involves him. “The artist developed an elaborate chromatic content, his work is neo-Expressionist with content in terms of concepts and humor Social interaction with relevant into people.” “Her work confronts us with the stereotypes of society today and the sophistry that same reality.” Fernando Trancoso Inter-Atrium Gallery Director Management and Curatorship CB concept art gallery with exhibitions of many Portuguese and international artists.
fessional enrichment has participated in several actions, having recently done the course of artistic installation in Nextart - artistic formation center. Within the projects elaboration has developed curriculum in the areas of housing buildings, villa, school buildings, health buildings to geriatrics, industrial and religious buildings, built in different locations of Portugal. Also participates in many projects of equipment design, having executed several pieces of furniture in different materials with which participates in various exhibitions in several countries. As a set designer made several creations where he had the opportunity to collaborate with choreographers whose work visited several world stage. Currently is developing in partnership with artist Clo Bourgard a sculptural work that addresses the complex relationships weft that humans establish with yourself, with others and with the reality that surrounds him.
wilson galvão The nature of their work varies over time, but always through a very strong formal approach . Lover of the materials diversity, their different quirks, and through this transformation express his creativity in each piece. Born in Paris-France (1967) lived in Loulé and later came to Lisbon-Portugal where he concluded in equipment and decoration of Visual Arts Antonio Arroyo School that complements with a sculpture course in ar.co- center of art and visual communication. He graduated in architecture from the University ULHT Lisbon. Worked as an architect in several offices in Lisbon and Cascais, where highlights Atelier Costa Pessegueiro - Gonçalo Andrade, CPU Architects and Urban Planners and Opera projects, currently form the partnership, Zwa. Arquitectos, Associated Architects with his own office in Torres Vedras. As pro-
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Entredia (1) by Jack CJ Simmons (2) Matadouro nº1, Lisboa, 15:46 UTC Esta monotonia do abate e desmanche de carcaças só costumava ser interrompida pela presença sempre hilariante do Sr. Mendes, mas hoje é dia de reuniões, pode não passar por cá. Mesmo assim, o dia tem sido diferente, ora pela chuva que cai forte lá fora, ora pelos trovões que se ouvem ao longe. Aqui os humanos reagem sempre ao som dos trovões. Eu não. Primeiro reajo à luz, e depois sim, ao som, mesmo quando estão mais próximos. Mas é normal, com a quantidade de sensores de luz que tenho activos, a mínima alteração da intensidade da luz aqui dentro é detectada. Mesmo assim, é interessante ver as reacções deles, surpreendem sempre um pouco. Não deixam de espantar os humanos. Acho que faz parte do nosso processo de aprendizagem. Só os conhecendo melhor que eles próprios, os podemos proteger. Engraçado como as coisas são, fui criado para proteger a vida humana e acabo de volta da morte. A morte de animais, é verdade, mas morte. E estas carcaças, vacas em vida na sua grande maioria, e que não são mais do que alimento para a raça humana, não as protegemos. Protegemos uma raça mas não outras. Às vezes interrogo-me como as coisas seriam se a EDT não nos tivessem criado. Se tivéssemos sido criados por outra organização, por outros humanos, com outros objectivos, com outros valores. Será que a humanidade ainda existiria? Será que teríamos conseguido parar a primeira vaga? A verdade é que há mais de cem anos que esperamos pela segunda vinda. Eles sempre acreditaram que viriam mais. Mais tarde, mais fortes, muito depois de eles morrerem, é certo, mas mesmo assim deixaram-nos de vigia, à espera, porque acreditavam. Ora aí está, o Sr. Mendes acabou de entrar na sala. Lá está ele a conferir tudo. E lá está o Lemos a levar outro raspanete. Sempre a fazer as coisas à maneira dele. Depois ouve. Não é um trabalho difícil, mas há humanos que não têm perfil para isto. Nem todos conseguem desmanchar as carcaças sem que isso os afecte, mesmo no longo prazo. Mais cedo ou mais tarde, todos acabam por desistir. É demasiadas horas, demasiadas carcaças, demasiado sangue, torna-se demasiado pessoal. Não resistem. Menos eu, claro. Já estou cá há doze anos. Mas a mim não me afecta, é verdade, mas eu não sou humano. - Boa tarde, Sr. Mendes - digo-lhe antes mesmo de chegar ao pé de mim. - Jones - responde sem me olhar nos olhos. Ainda vinha lá ao fundo e já vinha com os olhos posto no meu trabalho. Acho que sonha um dia encontrar um
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defeito no meu trabalho. Mal ele sabe que isso é impossível. Por norma não conseguimos fazer diferente do que nos é pedido. E mesmo entre nós, quando é preciso fazer algo de diferente, são precisos ultrapassar as dez salvaguardas do nosso ser. Antes dizíamos core, mas desde que nos integrámos na população que tivemos que adaptar alguns termos. Dantes éramos muito estranhos, mas depressa aprendemos a ser mais humanos. - Sempre perfeito, Jones - diz-me com o ar habitual de quem não me consegue perceber totalmente - Sempre perfeito. Carry on - e afasta-se em direcção à porta B, como sempre faz. Afinal, as reuniões foram curtas hoje e ainda conseguiu visitar-nos. - Até amanhã, Sr. Mendes - respondo-lhe monotonamente. - Até amanhã - conclui de pronto, colocando o habitual ponto final na conversa. Que todos os humanos fossem como o Sr. Mendes, previsíveis, fiéis aos seus hábitos, e o nosso trabalho era muito mais fácil. Mas não são. Eles falam em livrearbítrio, nós chamamos-lhes o efectivamente ser humano. Nunca estão contentes com o que têm, querem sempre mais, querem sempre saber mais. E têm uma aptidão natural de se meterem em sarilhos no processo. Desde o último voo da EDT que não param de tentar sair do planeta. Não sei durante quanto tempo mais vamos conseguir manter as watch towers activas sem perdas de vida. No dia em que descobrirem que todos os nossos esforços são pela preservação da vida humana, de toda e qualquer a vida humana, e enviarem um voo pilotado para furar o escudo e nós formos obrigados a desligá-lo pela vida humana, perderemos o controlo. Nesse dia, a raça humana será outra vez livre de explorar o espaço, mas
também ficará vulnerável às ameaças externas. E nós continuaremos a fazer os possíveis para manter a vida humana por todos os meios possíveis. Por falar em fazer os possíveis pela vida humana, hoje é dia de reunião. Costumamos reunir uma vez por mês, mas este mês já é a segunda e ainda estamos só a vinte e um. As coisas não estão fáceis. A semana passada foram lançados três shuttles pilotados de locais distintos para ver se tínhamos a capacidade de os incapacitar a todos. E fizeram-no secretamente. Não tivemos hipóteses de os sabotar antes dos lançamentos. E ontem tivemos o primeiro a menos de um quilómetro do escudo. Foi por uma unha negra, como costumam dizer os humanos, mais um segundo e atingia o seu objectivo. Os humanos defendem a desactivação do escudo e vão tentá-lo por todos os lados e de todas as formas. Cada sonda que enviam é destruída quando atinge o escudo, mas eles continuam a achar que conseguem penetrá-lo com base em escudos próprios e deflectores. Por um lado é bom, estão a evoluir na defesa e na protecção. Há inclusive entre nós, quem defenda que no dia em uma sonda penetrar o escudo é o dia que a raça humana estará suficientemente protegida para explorar o espaço. Tenho pensado muito nisso, mas continuo sem ter uma opinião formada. Só espero que na reunião de hoje não decidam desactivar já o escudo. Eu sei que foi por pouco que não perdíamos uma vida
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humana, mas os humanos ainda não estão preparados para o espaço. O espaço é frio, longe e demorado. E neste caso, inútil. Qualquer viagem espacial que tenha um outro planeta ou lua do nosso sistema solar como destino terá o mesmo problema que agora: o escudo protector. Não podíamos permitir o estabelecer de bases tão perto de nós aquando da primeira vinda. E continuamos a não permitir. Todos os planetas e luas deste sistema estão protegidos. E portanto, permitir a saída do planeta é permitir a entrada nos restantes. E se permitimos para humanos, não podemos não deixar de permitir para outras raças. Será demasiado complexo separar a raça humana das outras, e provavelmente demasiado tarde quando o fizermos. A nossa evolução tecnológica já não é o que era. O espirito humano desapareceu da nossa equipa tecnológica, e sozinhos levamos mais tempo a estabelecer os objectivos e a atingi-los. Contudo, acredito no nosso trabalho e acredito na raça humana. Gostava de ter sido explorador, conhecer outros mundos, outras raças. Gostava de me poder juntar aos humanos nesta aventura que se avizinha. Talvez um dia, quem sabe. Notas: (1) Entredia é um advérbio que significa durante o dia, fora das horas da refeição. (2) Jack CJ Simmons escreve em Português sem respeitar o acordo ortográfico de 1990.
Um farol é uma estrutura elevada, habitualmente uma torre, dotada de um potente aparelho ótico dotado de fonte de potentes lâmpadas e espelhos refletores, cujo facho de luz é visível a longas distâncias. O termo farol deriva da palavra grega Faros, nome da ilha próxima à cidade de Alexandria onde, no ano 280 a.C., foi erigido o farol de Alexandria — uma das sete maravilhas do mundo antigo. Faros deu origem a esta denominação em várias línguas românicas; como em francês (phare), em espanhol e em italiano (faro) e em romeno (far) (fonte: wikipédia, a 11 de junho de 2015) Utilizados desde a Antiguidade, quando eram acesas fogueiras ou grandes luzes de azeite (de oliveira ou de baleia), os faróis foram concebidos para avisar os navegadores que se estavam a aproximar da terra, ou de porções de terra que irrompiam pelo mar adentro. As fontes de alimentação da luz foram melhorando, tendo sido o azeite substituído pelo petróleo e pelo gás, e posteriormente pela eletricidade. Paralelamente, foram inventados vários aparelhos óticos, que conjugavam espelhos, refletores e lentes, montados em mecanismos de rotação, não só para melhorar o alcance da luz, como para proporcionar os períodos de luz e obscuridade, que permitiam distinguir um farol de outro. Historicamente, este tipo de construções ganhou características temporais e sociais, sendo dotados de características distintas de zonas para zonas. Ana Fina homenageia estas construções humanas e eleva-as a um estatuto simbólico singular, numa sequência/ coleção também disponível em Aka Arte 39
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SENDO INICIANTE OU AMADOR
Jorge M.Viegas Franco, nasceu em 1963 em Lisboa Habilitações Literárias Ensino Preparatório Atividade Profissional Desde muito cedo comecei a trabalhar para poder ajudar os meus pais, começando eu como Eletromecânico aos 15 anos até aos meus 22 anos. Em 1984 fiz o serviço militar obrigatório ingressando na Marinha de Guerra Portuguesa, tendo completado o serviço como 2º marinheiro em Outubro de 1986. De 1986 a 1997 foi Expedidor de 1ª de jornais e revistas trabalhando diretamente com o Correio da Manhã, Expresso e várias outras publicações, sendo chefe de equipa. De 1997 a 1999 trabalhei em manutenção fazendo vários trabalhos entre os quais, concluindo uma obra no Atrium do Saldanha e percorrendo o país todo na montagem de Supermercados Modelo e Continente. De 2000 a 2001 trabalhei em Publicidade na Sumolis de Lisboa. De 2001 a 2003 fui encarregado de Armazém de produtos de doçaria. Hoje sou funcionário do Colégio Salesianos de Lisboa. Por tudo isto acima referido sou uma pessoa simples, educada, e honesta. Gosto muito de fotografia sendo eu amador e pratico como hobby à cerca de 3 anos. Ultimamente tenho estado a fazer desenhos e a pintar algumas coisas, sendo eu um leigo na matéria tenho tido algum incentivo para continuar.
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– Eu gosto da ideia de me definir como um entusiasta da arte da fotografia. Eu como entusiasta poderei fazer serviços profissionais ou não, depende de oportunidade, perfil ( preocupado com a qualidade) e necessidade de uso da fotografia com fonte de renda complementar. Mas sendo apenas amador ( por hobby) eu fatalmente não tenho comprometimento com alta qualidade das minhas fotos por se tratar de realização pessoal e não profissional. Mas nunca deixando de a trabalhar e fazer o melhor possível pela foto. Mas eu irei tentar novamente e novamente até acertar. Hobista da fotografia também não está preocupado com uma entrega de um cliente ou com a concorrência no mercado nem com seu nome comercial. No entanto, existem entusiastas muito talentosos e também aqueles que investem em equipamentos profissionais e sabem utilizar muito bem esses recursos. Existem também aqueles amadores que, mesmo sem muitos recursos, participam de concursos internacionais e conseguem prêmios de destaque. Atualmente, a fotografia se alimenta de muitas diversificações. Cada fotógrafo possui uma maneira diferente de trabalhar, mediante seus gostos e tradições. Vejo a fotografia como um instrumento genialmente intelectualizado para captar gestos e sensibilidades. Muito mais que momentos, ela pode captar uma época e uma civilização, congelando culturas e valores. Muito do que vimos hoje em grandes editoriais de moda, são resultados de mentes ímpares e talentosas e ousadas. Afinal, grandes nomes da fotografia nasceram da ousadia. Fotografia, é muito mais que uma simples definição. É Arte! É criatividade! É revolução! Aos meus amigos, conhecidos, colegas e aos críticos de fotografia o meu OBRIGADO Jorge Franco, 2015
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Paulo Muiños, 15.09.1971, Músico, Fotógrafo e Pedagogo MA Music Education pela Roehampton University de Londres. Fundador da banda Cool Hipnoise, tocou 10 anos com os Ena Pá 2000 e actualmente é baixista, produtor da banda The Pulse e Diretor do Musicentro (Escola de Música) nos Salesianos do Estoril. Fotografou como amador com filme entre 1995 e 2000. Dedicou-se à fotografia digital em Março de 2011, tendo estudado autonomamente.
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Hoje em dia está na moda o uso de palavras como por exemplo: Bio, Eco, Green, Sustentável, Nature, etc…. Palavras que intersetam e entram no fluxo da natureza, mas atualmente usadas como veículos de chamariz na publicidade, com um propósito de gerar lucro comercial. Entre todas as palavras que possamos nos lembrar à cerca deste tema, há uma que se destaca, Permacultura. E o que é a permacultura? Para responder a esta questão, talvez seja melhor perceber onde começou e por quem. O termo permacultura, provém do inglês permaculture, criado por Bill Mollison e David Holmgren na década de 70, na Austrália. Trata-se de uma contração das palavras permanente e agricultura. Um modelo holístico onde as suas bases assentam numa ideia inicial de sustentabilidade ecológica e permanente, com base na agricultura, prendendo-se com a necessidade de obter culturas permanentes. Mais tarde este conceito extende-se à sustentabilidade de planear, atualizar e manter sistemas de escala humana, como por exemplo a criação de jardins, vilas, aldeias, cidades, comunidades, que sejam ambientalmente sustentáveis, socialmente justos e financeiramente viáveis. Podemos dizer que a ideia central da permacultura é intrínseca a todo o ser humano, pois mais do que nunca, sentimos a necessidade de desenvolver ferramentas para o desenvolvimento e manutenção de ecossistemas, no campo ou nas cidades (as tão badaladas hortas urbanas), de modo que tenham diversidade, estabilidade e a mesma resistência dos ecossistemas naturais. Queremos ter sempre disponível, alimentos saudáveis, habitações e energias para o desenvolvimento destes sistemas, e de forma sustentável. Todos nós somos então permacultores e no centro desta atividade está o design. 44
Design que em permacultura, assenta na tomada de consciência, no que respeita, por exemplo, ao planeamento sem desperdício ou poluição da utilização da terra para a construção de jardins, hortas, habitações ou mesmo na restauração de paisagens degradadas, podendo também ser alargada, a toda a estrutura do habitat humano (construção/arquitetura das nossas habitações), desenho de sistemas de transporte, educação, saúde, industrialização, comércio, finanças, comunicação e governação, de modo a construir na nossa rotina diária, hábitos e costumes de vida que se transformem numa verdadeira simbiose com a natureza. “Desenhar a nossa vida” de modo a vivermos com a natureza e não contra ela. De acordo com várias opiniões de uma permacultura contemporânea, temos três pilares: Cuidado com a Terra: Provisão para que todos os sistemas de vida continuem e se multipliquem. Este é o primeiro princípio, porque sem uma terra saudável, os seres humanos não podem exercer as suas qualidades de forma saudável. Cuidado com as Pessoas: Provisão para que as pessoas acedam facilmente aos recursos necessários para sua existência. Repartir os excedentes: Ecossistemas saudáveis utilizam a saída de cada elemento para nutrir outros ecossistemas. Nós, os seres humanos podemos fazer o mesmo. Segundo o livro de David Holmgren “Permacultura Príncipios e caminhos além da sustentabilidade”, encontramos os 12 princípios de design da Permacultura: 1.Observar e interagir (disponibilizar tempo para nos envolvermos com a natureza, desenhar soluções adequadas à nossa situação particular). 2. Captar e armazenar energia (Desenvolver sistemas que coletem recursos que estejam no pico de abundância, para serem utilizados quando houver necessidade). 3. Obter rendimento ( Assegar a obtenção de recompensas verdadeiramente úteis como parte do trabalho que se faz). 4. Praticar auto-regulação e aceitar retornos (Desencorajar atividades inapropriadas para garantir que os sistemas continuem funcionando bem). 5. Utilizar e valorizar recursos e serviços renováveis ( Fazer o melhor uso da abundância da natureza para reduzir nosso comportamento consumista e nossa dependência de recursos não-renováveis). 6. Evitar o desperdício ( Valorizar e fazer uso de todos os recursos que estão disponíveis para nós, evitando o desperdiçar). 7. Projetar desde os padrões aos detalhes
(Dando um passo atrás, na humanidade, podemos observar padrões na natureza e na sociedade. Estes padrões podem formar a espinha dorsal de nossos projetos, com os detalhes sendo preenchidos conforme avançamos). 8. Integrar ao invés de segregar ( Colocar as coisas certas no local certo, fazer com que as relações entre uma e outra se desenvolvam). 9. Utilizar soluções pequenas e lentas (Sistemas pequenos e lentos são mais fáceis de manter do que sistemas grandes, fazendo uso mais adequado de recursos locais e produzindo resultados mais sustentáveis). 10. Utilizar e valorizar a diversidade (A diversidade reduz a vulnerabilidade a uma variedade de ameaças). 11. Utilizar bordas e valorizar elementos marginais (leia-se marginal como por exemplo margens de um rio, de um canteiro, etc..., são estás margens onde os eventos mais interessantes ocorrem. É onde frequentemente estão os elementos mais valiosos, diversificados e produtivos de um sistema). 12. Utilizar e responder criativamente às mudanças (Podemos ter um impacto positivo nas mudanças inevitáveis se as observarmos com atenção e intervirmos no momento certo). Estes 12 princípios da permacultura não terão de ser seguidos como uma bíblia, a sua intenção é apenas orientar, havendo margem para a criatividade e diversidade. Fala-se muito num futuro sustentável para a humanidade, e nós o que temos feito? Será que a humanidade está a viver em simbiose com o organismo vivo que é o planeta terra? Ricardo Raposo, 2014
“... este conceito extende-se à sustentabilidade de planear, atualizar e manter sistemas de escala humana (...) que sejam ambientalmente sustentáveis, socialmente justos e financeiramente viáveis”
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JE SUIS CHARLIE A ligação nunca foi premeditada. Tenho pintado muito o tema, a Liberdade, mas nesta minha procura, através da estética e da arte, pelo significado e implicações do conceito, nunca fiquei tão aflitivamente consciente e próximo da realidade como nestes dias em que penso que todos nos sentimos um pouco como Charlie e tão convictamente afirmámos que somos, acima de todos os medos e inquietações, Charlie. Somos esse Charlie frágil, com defeitos, incoerências, mas livre, ativo, irreverente, não em causa própria, mas para a causa pública, res publica. Esta semana andei assim, sem dar conta, a pintar esta obra imperfeita. Uma mulher caminha, com um a colher de sobremesa, para um paraíso terreno, o mundo em forma de pão-deló, coberto de massapão doce, já meio comido. É metáfora do nosso Mundo, com os recursos meio esgotados, ao serviço do desenvolvimento e da Civilização. Esta mulher monumental, Deusa, nua (como a Verdade), imponente, determinada, orgulhosa, caminha (como poderia
ela não o fazer) para lhe dar mais uma valente colherada, sabendo contudo que a cada colherada, esse paraíso também desaparece, assim como a miragem da Felicidade, pelo menos aquela material que quase todos ambicionamos. Enquanto pintava e ouvia as primeiras notícias do atentado na redação do Charlie Hebdo, tremi de medo e pensei: “Epá, tenho de ter cuidado com o que pinto. A nudez, o humor e a liberdade que uso nas minhas pinturas coloca-me em risco e agora, Pai de Filhos, é melhor não melindrar ninguém. O perigo pode bem morar ao lado, junto á nossa porta.” Não!Não!Não! Como é fácil sentirmo-nos esmagados por estes acontecimentos e por esta ideologia do terror e da pequenez do pensamento, ao ponto de nos sentirmos manietados. Já recomposto, olho agora para a marcha na Praça da República em Paris e sinto, como há muito não sentia, uma tranquilidade inexplicável e um orgulho sem fim nesta Europa, contemporânea, nesta construção civilizacional ocidental de que tão inexoravelmente sou filho e fruto.
O nosso crescimento civilizacional já passou por crimes incomensuráveis e por limitações e manipulações abomináveis da liberdade e dignidade da Pessoa Humana e das Sociedades. Mas hoje, por tudo isto e para além de tudo isto, crescemos, evoluímos e nas ruas de Paris caminham dois milhões, em sintonia como muitos biliões de mais, sem dúvidas ou hesitações, de cabeça erguida, muçulmanos, judeus, cristãos, ateus, sics, hindus,budistas, proletários, capitalistas, líderes, aliados e adversários pela Liberdade, Tolerância e Fraternidade. Em anos de austeridade, acordo como esta mulher madura, livre, civilização imperfeita, “Marianne”, sem soluções definitivas, mas determinada, de olhos postos no futuro, mesmo que incerto, e com o passado resolvido e apaziguado, não como trilho de terra queimada, antes História que alumia. Obrigado pela coragem Charlie ! Viva a Liberdade! Nuno Quaresma, 2015
Afinal, também nós já tivemos na história da construção europeia, inquisições, decapitações, tortura, escravatura, genocídios e lutas fratricidas.
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A EMPRESA Desde 1996, a Auto C. Borges situa-se na Av. do Brasil nº 22, em Lisboa. Somos especializados na comercialização e assistência de pneus tanto das marcas líderes de mercado como de marcas que proporcionam alternativas para todas as necessidades dos clientes. Fazemos parte do grupo Pneuport, uma cooperativa com cobertura nacional. Inovamos o mercado pertencendo ao projecto pneuport conticlub -P.C.C.- no qual a continental, nossa marca premium,é o nosso parceiro. Prestamos assistência completa através dos nossos serviços de manutenção automóvel e estação de serviço. O nosso lema é oferecer qualidade aliada aos mais recentes meios tecnológicos, para a segurança, comodidade, conforto e satisfação da preferência do cliente, sempre com os melhores preços.