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Ano 1 / N° 221 / Natal, DOMINGO, 8 de agosto de 2010

EMPREENDER

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PÓLO PRODUTOR DE BONÉS, SERIDÓ JÁ CONTA COM 80 EMPRESAS E GERA 2,5 MIL EMPREGOS

RODA VIVA

IBERÊ VAI TER MAIS TEMPO PARA O GOVERNO NA TV E AGRIPINO PARA O SENADO

FOTOS: MAGNUS NASCIMENTO / NJ

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CIDADES

PAIS PARA TODA

Dos dez filhos de Seu Mauro, quatro seguiram sua profissão, a de cabeleireiro, e o ajudam no salão que mantém desde o final dos anos 50 em Natal. O fotógrafo Giovanni Sérgio, que

A OBRA

já tem um filho, Renan, trabalhando na mesma atividade em São Paulo, vê as filhas Giovanna e Geórgia enveredarem pelo mesmo ofício. E Petit da Virgens, jornalista, transmitiu

aos filhos Diogo e Rita o amor pela música. Na reportagem de Débora Sousa, filha do saudoso radialista Souza Silva, três exemplos de como os pais influenciam os filhos.

HUMBERTO SALES / NJ

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POLÍTICA

LAURO

NA ARCA DE NOÉ / ELEIÇÕES / DELEGADO HERÁCLITO NOÉ EXPLICA POR QUE DECIDIU APOIAR LAURO MAIA, O FILHO DE WILMA E LAVOISIER ACUSADO POR PROMOTORES DE COMANDAR ESQUEMA DE CORRUPÇÃO NA SAÚDE

Um dos projetos a que se dedicará o advogado Lauro Maia, 44 anos, caso seja eleito deputado, é o que garantirá vasectomia gratuita. Acusado pelo Ministério Público de comandar um esquema de corrupção na Secretaria de Saúde, chamado de Operação Hígia, o filho da exgovernadora Wilma de Faria e do deputado Lavoisier Maia conta com outro apoio de peso para tentar chegar à Assembléia Legislativa. O delegado Heráclito Noé não vê constrangimento em apoiá-lo. E diz que tomou a decisão porque o candidato se comprometeu a apoiar seus projetos sociais. A candidatura de Lauro Maia foi lançada nesta semana, em meio a festa e muitas promessas.

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ÚLTIMAS

POLÍCIA MANTÉM ATÉ TERÇA 450 POLICIAIS NAS RUAS DA ZONA NORTE 09

IVAN CABRAL

▶ Lauro Maia discursa na Assen, no lançamento da sua candidatura, e é observado por Heraclito Noé e pela mãe, Wilma de Faria

WWW.IVANCABRAL.COM

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ESPORTES NEY DOUGLAS / NJ

CIDADES

MONSENHOR ASSIS, O CAÇADOR DE MILAGRES, QUER BEATIFICAR PADRE JOÃO MARIA

O GRINGO DANILO E A COPA DE 66. ELE DIZ QUE FOI; A FIFA DIZ QUE NÃO


Últimas 2

Editor Marcos Bezerra

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/ NOVO JORNAL / NATAL, DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

/ VOO /

TAM CRIA “BILHETE ÚNICO’’ COM DIREITO A TRÊS PARADAS FOLHAPRESS A TAM ANUNCIOU um novo tipo de bilhete aéreo que permitirá aos passageiros comprar um único tíquete e fazer até três paradas antes de chegar ao destino final. Segundo o novo modelo, batizado de Giro TAM, no momento da compra da passagem, o usuário deverá definir as datas e os pontos de parada desejados. O trecho completo deverá ser feito em até um ano. “Existirão limitações apenas quanto às paradas, que deverão estar alinhadas com a trajetória do voo. Não seria possível fazer o trecho Rio-São Paulo com escala em Manaus’’, exemplificou Klaus Kühnast, diretor de vendas da TAM. O executivo acredita que as passagens para o Nordeste serão as principais opções com escalas dos passageiros. O pacote será vendido a partir de segunda-feira nas lojas da companhia aérea, em agentes de viagem e nas três unidades das Casas Bahia -que fecharam parceria com a TAM. Por enquanto, só o site da companhia não oferecerá o produto em virtude de questões técnicas, segundo Kühnast.

POLÍCIA PRENDE 7 EM DOIS DIAS NA ZONA NORTE / CRIME / OPERAÇÃO DE COMBATE AO TRÁFICO MOBILIZA 450 POLICIAIS E VAI CONTINUAR ATÉ A PRÓXIMA TERÇA-FEIRA A OCUPAÇÃO COM

patrulhamento ostensivo, ação destinada a combater o tráfico de drogas no maior bairro de Natal, só será encerrada na próxima terça-feira. Até lá, mais de 450 policiais militares e agentes da Polícia Civil continuarão pelas principais ruas e avenidas de Nossa Senhora da Apresentação, na Zona Norte, cumprindo mandados expedidos pela Justiça, fiscalizando as principais rotas de comercialização de drogas e vistoriando transportes coletivos. Até o fechamento desta edição, somando com o resultado do trabalho realizado ao longo da sexta-feira, quando foi deflagrada a ‘Operação Zona Norte’, sete adultos foram presos e um adolescente apreendido. Entre os que foram presos por força do cumprimento de ordens judiciais estão: Josivam Silva dos Nascimento, pelo crime de embriaguês ao volante; Marlonci da Silva Ribeiro, por tráfico de drogas; e Iranilson Rodrigues Marcelino e José Iaperi do Nascimento, ambos por assalto a mão armada.

ARGEMIRO LIMA / NJ

▶ Operação Zona Norte: além de barreiras e revistas, mandatos de prisão De acordo com o coronel Raimundo Aribaldo, comandante do policiamento da região, durante a madrugada da sexta para o sábado a polícia efetuou a detenção de outras três pessoas, prontamente encaminhadas à Delegacia de Plantão da Zona Norte. Trata-se do casal José Ribeiro do Nascimento, de 39 anos, e Edione Ribeiro, 38, autuados após serem flagrados com drogas numa boca de fumo. Na residência deles, localizada na Rua Miguel Virgílio do Nascimento, no Golandim, os policiais

encontraram e apreenderam 13 trouxinhas de maconha, 15 pedras de crack, um papelote de cocaína, duas balanças de precisão, R$ 470 em dinheiro fracionado e várias embalagens preparadas para a comercialização das drogas. E ainda foi parar atrás das grades Michael Oliveira da Silva, 26, preso em flagrante na Rua Santo Elias, no Pajuçara. Com ele a polícia apreendeu 15 trouxinhas de maconha, quatro pedras de crack, oito tabletes de maconha, R$ 60 em dinheiro miúdo..

/ CAMPANHA /

/ COLÔMBIA /

ASSOCIAÇÃO PEDE PROJETOS CONTRA HOMOFOBIA AOS CANDIDATOS

ANTES DE SAIR, URIBE PROCESSA CHÁVEZ

FOLHAPRESS

FOLHAPRESS

A ABGLT (ASSOCIAÇÃO

O PRESIDENTE COLOMBIANO

Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) lançou campanha que procura assegurar o compromisso de candidatos com a defesa da causa LGBT. Sob o lema “Voto contra a Homofobia, Defendo a Cidadania”, a campanha visa identificar candidatos que assumem abertamente os interesses das pessoas LGBT. A campanha pede que que os candidatos ao Senado, à Câmara dos Deputados e às Assembleias Legislativas defendam o reconhecimento legal das uniões estáveis entre pessoas do mesmo sexo, o uso do nome social de travestis e transexuais, além do combate à discriminação. A ABGLT também deseja que as decisões das Conferências Nacional e Estaduais LGBT façam parte dos programas dos candidatos aos governos estaduais e à Presidência. “Queremos que os eleitos sejam assumidamente defensores dos direitos humanos da comunidade LGBT. Somos o único grupo social vulnerável que não tem nenhuma lei a nosso favor aprovada pelo Congresso Nacional”, afirmou Toni Reis, presidente da ABGLT. Os candidatos que aderirem à campanha deverão assinar um termo de compromisso, que será publicado no site www.abglt.org.br

Alvaro Uribe, decidiu jogar uma última carta contra o colega venezuelano, Hugo Chávez, antes de deixar o poder ontem. Seu advogado, Jaime Granados, denunciou sexta-feira passada. Chávez por abrigar membros das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), perante a Corte Penal Internacional e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, que é ligada à OEA (Organização dos Estados Americanos). Granados explicou que a denúncia por violação dos direitos humanos é feita contra Chávez, como pessoa, e contra a Venezuela, como Estado. O advogado disse que essas violações têm a ver com a suposta presença de guerrilheiros das Farc e do Exército de Libertação Nacional (ELN) em território venezuelano. Os guerrilheiros, segundo a denúncia, prepararam ações terroristas contra a Colômbia em solo venezuelano. Estas denúncias já haviam sido levadas à OEA, no último dia 22.


Política

Editor Viktor Vidal

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NATAL, DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010 / NOVO JORNAL /

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TIAGO LIMA / NJ

A ARCA DE / ELEIÇÕES / VEREADOR, DELEGADO E PROFESSOR DE DIREITO PENAL, HERÁCLITO NOÉ ATUA NA CAMPANHA DE LAURO MAIA, MAS ADMITE REAVALIAR APOIO CASO O CANDIDATO SEJA CONDENADO RAFAEL DUARTE

DO NOVO JORNAL

PELA EXPERIÊNCIA COMO

delegado de polícia, ex-diretor do Itep e da Academia de Polícia do Rio Grande do Norte, o vereador Heráclito Noé (PPS) admite que tem a vida ligada ao combate à violência e à criminalidade. Tanto é que o foco das ações do primeiro mandato que exerce na Câmara Municipal, revela, é retirar jovens da marginalidade através da inclusão social. Por esse histórico, causou surpresa no meio político o apoio declarado do vereador à candidatura do advogado Lauro Maia (PSB) a deputado estadual. Filho dos ex-governadores Lavoisier Maia e Wilma de Faria, Lauro Maia aguarda julgamento da Justiça nos processos estadual e fe-

deral da Operação Hígia, nos quais é apontado como um dos chefes de uma suposta organização criminosa que superfaturava contratos e pagava propina a funcionários do governo para favorecer empresas de terceirização de mão-de-obra que prestavam serviço para a secretaria estadual de Saúde Pública (Sesap). Como não foi julgado, também não há qualquer condenação, motivo pelo qual a Justiça Eleitoral não viu impedimento em liberar a candidatura do advogado, lançada oficialmente no clube Assen, quarta-feira passada, num evento para mais de 500 pessoas que contou com a participação dos candidatos ao Senado Wilma de Faria e Hugo Manso, além do exgovernador Lavoisier Maia, pai de Lauro. A Justiça Federal, no entanto, aguarda Lauro Maia para prestar depoimento

na 2ª Vara Criminal dia 23 de agosto, data que coincidirá com a primeira semana em que começa a propaganda eleitoral gratuita na TV. Contatado pelo NOVO JORNAL para falar sobre o apoio ao candidato investigado, o vereador Heráclito Noé, que também luta para eleger Iberê Ferreira de Souza (governo), Wilma de Faria (senado) e Wober Júnior (deputado federal) aceitou o convite. De posições firmes, ele disse que não se sente constrangido pelo apoio embora admita que terá que rever sua posição em caso de uma condenação futura. A entrevista ocorreu no gabinete do vereador, na Câmara Municipal, onde Heráclito procurou justificar o apoio e acabou revelando opiniões polêmicas sobre a classe que representa atualmente.

ENTREVISTA HUMBERTO SALES / NJ

NJ: COMO PARTIU O CONVITE, COMO SE DEU O APOIO DO SENHOR AO CANDIDATO LAURO MAIA? HERÁCLITO NOÉ - Meu candidato era Wo-

a palavra empenhada também. Quando me apresento como professor e delegado me respeitam. Quando me apresento como político, a pessoa diz: ‘esse é mais um’. Falar em política é falar na escória da sociedade, quando não deveria ser. O desgaste é imenso.

ber (Jr), que mudou para deputado federal. Eu já estou ajudando na coordenação de Iberê e Wilma, estava muito ligado à ex-governadora e foi um caminho natural. Ele me procurou, eu mostrei os projetos sociais que eu tenho aqui em Natal e ele se prontificou a ser parceiro nesses projetos.

MAS LAURO MAIA NEM POLÍTICO ERA AINDA QUANDO OCORREU A OPERAÇÃO HÍGIA?

Mas se expôs agora quando entrou. E o risco é dele... Mas Lauro não foi condenado. Como ficar especulando se a própria justiça permitiu a candidatura dele? E se você for levantar os podres dos políticos do estado mude de ramo. Mude de ramo porque é complicado. Esse foi um caso mais recente, chegou ao extremo de prisão, enfim, mas já começa pelo patrimônio. Os gastos de campanhas não são reais. Você faz de conta que tem aquilo e a Justiça Eleitoral faz de conta que acredita.

O APOIO A ESSES PROJETOS SERIA UMA CONTRAPARTIDA?

Ele assumiu os compromissos de ajudar os projetos que temos em toda cidade de Natal. QUAIS SÃO?

Projetos na área de inclusão de jovens, projetos nas áreas mais violentas de Natal. Fui eleito por conta dos projetos sociais que desenvolvo desde os 15 anos de idade em Natal. No centro de convivência da Zona Norte estou reunindo trabalhos na redução da criminalidade através da inclusão social de jovens. Como minha vida está ligada à violência e criminalidade, como delegado de polícia, diretor do Itep, diretor da academia de polícia durante dez anos, meu foco não são partidos, candidaturas. O objetivo que tenho em mente, o que fazia desde as pastorais sociais da igreja, é trabalhar na redução da criminalidade com a inclusão de jovens. Mesmo na secretaria de segurança, nos últimos 15 anos, trabalhei o fortalecimento dos grupos sociais.

▶ Lauro e Heráclito durante lançamento de candidatura na Assen MAS EU DISSE POR TELEFONE SOBRE O QUE SERIA A ENTREVISTA...

E NO INTERIOR? ENTÃO, VEREADOR, SÓ PRA NÃO PERDER O FIO DA MEADA, O SENHOR RESOLVEU COORDENAR A CAMPANHA DELE...

São 23 projetos sociais. Só em Natal. Em bairros mais carentes, como José Sarney, na Zona Norte, então preciso de parceiro, não tenho apoio... E ESSA PARCERIA SERIA ATRAVÉS DE DINHEIRO?

O SENHOR SABE QUANTOS APOIOS ELE JÁ CONQUISTOU?

Não. É o respaldo do deputado estadual, de abrir portas para a gente como deputado estadual. E Wober, como deputado federal. Isso auxilia. Hoje eu não tenho esse lastro político. Preciso fortalecer meu mandato com o apoio do deputado estadual e federal. Lutar para que eles sejam eleitos como estou lutando pelas candidaturas de Iberê e Wilma para serem meus cabos eleitorais em 2012.

Não tenho nenhuma idéia da campanha dele, da noção do conjunto. Acho até que a campanha está tímida em Natal.

(Embora tenha sido comunicado do assunto da entrevista por telefone, o vereador parou a conversa para questionar o repórter: ) A razão é a seguinte: Lauro está respondendo a um processo e você quer saber o que me levou, apesar disso, (a apoiá-lo)... é só isso! (risos) Não tem outra história, não... É que você não me perguntou sobre os outros, sobre Wober (risos).

Não está na rua.

Mas é isso aí...

Não! Os coordenadores da campanha de Lauro Maia são Márcia Bilro e Antomar. Eu estou levando os grupos que são ligados a mim para ajudá-lo. Sou nada, homem... Eu sou um dos coordenadores de Natal da campanha majoritária (Iberê e Wilma) junto com Graça Mota e Sérgio Pinheiro. E estou mergulhado de corpo e alma. Para federal meu apoio é para Wober e para estadual meu apoio é para ele (Lauro). Fui duas vezes à coordenação dele só. Apenas fiz uma reunião, apresentei meu grupo, e ele assumiu publicamente o compromisso de apoiar nossas ações.

QUANTOS PROJETOS LAURO MAIA FICOU DE APOIAR?

TÍMIDA EM QUE SENTIDO?

A RAZÃO É A SEGUINTE: LAURO ESTÁ RESPONDENDO A UM PROCESSO E VOCÊ QUER SABER O QUE ME LEVOU, APESAR DISSO, (A APOIÁ-LO)... ”

Não sei. Nunca fui a um evento no interior. Minha base é em Natal. Conheci os coordenadores há 20 dias. Não tenho noção da campanha dele. Conheci Lauro há pouco mais de um mês. Conheci os coordenadores há 15 dias. Não tenho ligação com a estrutura da campanha dele. COMO O SENHOR, QUE É DELEGADO, AVALIA ESSE APOIO ESTANDO O CANDIDATO RESPONDENDO A UM PROCESSO NA JUSTIÇA?

Sou professor de direito penal e todo processo tem o contraditório e a ampla defesa. Ele será submetido a dois julgamentos: da justiça e da população. Então vamos aguardar. Esse foi meu entendimento. O SENHOR NÃO FICA CONSTRANGIDO?

Não. Mandei colocar nos blogs todos, não tenho problema nenhum. Tenho uma vida aqui em Natal de correção, minhas posições são bastante claras. Acho o seguinte: quem não tem posição não tem oposição. Tem que decidir. O homem vive de decisões. Acertadas ou erradas. Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é. Então pronto. Não tive nenhuma dúvida quando foi para fazer a opção. Mostrei, comprou a idéia, achou interessante, abriu espaço, se comprometeu de instalar até outros centros nas quatro regiões administrativas. E ele tem outras amizades, enfim, conseguir como é que nos ajude... NA PRÓXIMA ELEIÇÃO MUNICIPAL, QUANDO O SENHOR TENTARÁ RENOVAR O MANDATO, NÃO TEME QUE POSSAM LIGAR A IMAGEM DELE AO SEU APOIO?

Estou tão preocupado com o foco das minhas ações que essas coisas são aces-

sórias. A candidatura majoritária é que expõem você. Candidatura de vereador é pequena. Campanha de vereador depende do trabalho, da conduta, do compromisso, da palavra empenhada, do caráter que você estabelece, tenho tanta segurança no que faço que não tenho nem um estremecimento em ficar por ali por cima do muro. Então sou tão voltado para os projetos sociais, a governadora tem me dado tanto apoio, que a ligação com Lauro Maia foi por osmose. E O SENHOR ACREDITA NA INOCÊNCIA DE LAURO MAIA?

(O processo) não foi julgado ainda, não acompanhei o processo. Acompanhei pela imprensa. E SE ELE FOR CONDENADO O SENHOR SENTIRIA CONSTRANGIMENTO EM APOIÁ-LO?

Aí é o seguinte: em caso de condenação, temos que fazer outro tipo de avaliação. Condenado, terei um outro tipo de avaliação. Minha postura sempre foi muito clara em relação ao desgaste da classe política, que não é só da corrupção, mas

DIANTE DESSA DESCRENÇA, O SENHOR ACHA QUE O FORO PRIVILEGIADO AJUDA A AUMENTAR O DESCRÉDITO?

Ah, ajuda sim, ajuda. Sou contra isso porque é um tratamento desigual. Uma coisa é você ter prerrogativa. Foro privilegiado é um privilégio, não é prerrogativa. Por exemplo: prisão exclusiva para policiais não é privilégio, é prerrogativa. É você expor alguém a serviço do estado que prendeu muita gente. O foro privilegiado, como a prisão especial, são coisas que a sociedade reclama porque distinguem as pessoas do cidadão comum. O SENHOR É CONTRA O FORO PRIVILEGIADO, MAS SE LAURO MAIA FOR ELEITO TERÁ DIREITO AO PRIVILÉGIO. O QUE O SENHOR ACHA DISSO?

Não sei porque não participei do momento em que foi engendrada a candidatura. Se eu tivesse participado, talvez por conveniência não quisesse lhe dizer, mas não sei. Se teve esse pressuposto, não sei... peguei a candidatura agora há 15 dias. Com três dias a assessoria já colocou no blog de Thaisa Galvão... COMO SERÁ SUA PARTICIPAÇÃO NA CAMPANHA?

EM CASO DE CONDENAÇÃO, TEMOS QUE FAZER OUTRO TIPO DE AVALIAÇÃO. CONDENADO, TEREI UM OUTRO TIPO DE AVALIAÇÃO”

Eu vou levar Lauro para apresentar a meus grupos por bairros e outros de forma coletiva. E farei um grande evento no final de setembro para fechar a campanha do meu povo para ele... QUANTOS VOTOS O SENHOR TEVE NA ELEIÇÃO PARA VEREADOR?

4.166 votos. QUAL CAMPANHA TEM EMPOLGADO MAIS O SENHOR?

É a majoritária. Nessa estou 24 horas, ontem fui dormir 3 horas da manhã...

CONTINUA NA PÁGINA 5 ▶


Opinião 4

Editor Franklin Jorge

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/ NOVO JORNAL / NATAL, DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

Editorial Biografia empobrecida ▶ rodaviva@novojornal.jor.br

QUATRO GIGANTES

ELEIÇÃO LOCAL EM CAMPANHA GLOBAL

Mossoró tornou-se alvo de alguns dos maiores grupos do varejo brasileiro. Quatro deles deverão abrir lojas na cidade até o fim do ano: Americanas, Renner, Marisa e Luiza. O magazine Luiza, que adquiriu as Lojas Maia, vai funcionar no prédio do cine Pax. Lá, serão recebidos pelas Lojas Riachuelo, presente na cidade há quase 20 anos.

A eleição é um assunto local. É por essa visão que as análises sempre são feitas a partir dos fatos mais próximos, como se cada Estado fosse uma ilha. Um dos maiores fenômenos da política norte-rio-grandense - a eleição para Senador de 1974, quando o Rio Grande do Norte elegeu o feirante Agenor Maria derrotando o deputado Djalma Marinho, um dos maiores parlamentares que o Brasil conheceu -, foi estudado em inúmeras análises, quase todas enfocando os aspectos provincianos da disputa. Aspectos reais, importantes, mas não únicos. Em 1986, quando Geraldo Melo elegeu-se Governador do Estado, poucos buscaram explicação para o resultado no contexto nacional, quando o Plano Cruzado, do Presidente Sarney, ajudou a eleger todos os Governadores do PMDB, exceto Sergipe. Nessa eleição, fora a importância do presidente Lula e a presença de sua candidata Dilma Roussef, as análises não passam das nossas fronteiras. E existem aspectos a considerar. Basta examinar o andamento das pesquisas nos estados vizinhos e buscar algum tipo de uniformidade no comportamento do eleitor. Existem dois pontos que são repetidos em – praticamente – todos os Estados e não vêm acontecendo no nosso Rio Grande do Norte: 1 – O governador em exercício lidera a disputa em quase todos os Estados; 2 – O ex-governador que disputa o Senado está disparado na preferência do eleitor, ocupando a primeira posição. Aqui, pelo que dizem todas as pesquisas divulgadas – todas -, não está se registrando nem uma coisa nem outra. Somente com um grande esforço pessoal, o governador Iberê Ferreira de Souza conseguiu ocupar a segunda posição na corrida pelo Governo do Estado e a ex-governadora Wilma de Faria amarga uma terceira posição, distante do segundo colocado, na maioria das pesquisas divulgadas. Vale lembrar que os últimos dias do Governo Wilma foram marcados pelo maior volume de propaganda governamental veiculado em toda a história do nosso Rio Grande do Norte, numa intensidade capaz de dar à sua candidatura gordura suficiente para enfrentar possíveis contratempos naturais de uma disputa. Tendência eleitoral é muito difícil de ser explicada, mas está evidente que o eleitor norte-rio-grandense frustrou-se com o não cumprimento de compromissos assumidos pelos seus governantes e, sobretudo, com a falta de realizações num segundo mandato, marcado por uma série de escândalos de diferentes calibres. Como a campanha está entrando na sua fase decisiva, a oportunidade de reversão desse quadro está no horário de propaganda gratuita. Nos outros estados, quem deixou ou está no governo acumulou gordura para queimar nesse período. Aqui, a luta é tentar engordar em plena corrida eleitoral. Vale a pena acompanhar o quadro local, sem perder a noção do que ocorre nos outros estados. Num mundo globalizado é preciso muita teoria para explicar o local diferente do global. Se ilhas eleitorais existirem é preciso tentar entendê-las.

RUMO À GRÉCIA

O diplomata Otto Agripino Maia embarca, neste domingo, para Atenas. Vai assumir o posto de Embaixador do Brasil na Grécia. Irmão do senador José Agripino, o mossoroense Otto já havia ocupado o posto de embaixador do Brasil junto ao Reino da Suécia, África do Sul e Estado do Vaticano.

ME-ENGANA-QUE-EU-GOSTO

O presidente Lula, que já veio a Natal para assinar o decreto do Aeroporto de São Gonçalo, tão indefinido como antes, planeja uma nova visita administrativa, ainda neste mês, para inspecionar a Refinaria Clara Camarão, também chamada de refinaria “Me-engana-que-eu-gosto”, na verdade um pólo de produção da Petrobrás em Guamaré que vem sendo implantado há quase vinte anos, mas só em 2008 ganhou o nome de “Refinaria”, inaugurada pelo próprio Lula Paulo Lopo Saraiva, advogado e professor, pós-doutor pela Universidade de Coimbra, mestre e doutor pela PUC/SP, foi convocado pelo Instituto dos Advogados do Brasil para integrar a Comissão Permanente de Estudos Constitucionais do IAB Nacional.

TIAGO LIMA / NJ

LETRAS JURÍDICAS

Aqui no Estado a situação ainda é muito precária”

VOLTA ÀS AULAS

A Universidade Federal do RN promove, a partir desta segundafeira, a recepção aos novos alunos que ingressam neste segundo semestre letivo, começando às 16h, na Praça Cívica do Campus, com as boas vindas do reitor Ivonildo Rego aos alunos. Na ocasião, serão entregues camisetas, DVD´S e CD´s do Festival Universitário da Canção e realizados sorteios de brindes. A programação vai até quarta-feira.

DA DELEGADA ROSSANA PINHEIRO SOBRE O 4º ANIVERSARIO DA LEI MARIA DA PENHA, QUE PUNE VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

VOZ DA EXPERIÊNCIA Ex-ministro da Infra-Estrutura e presidente da Petrobrás, Embraer e Varig, Osires Silva confirmou presença em Natal, dia 21 de setembro, para fazer a palestra “Em busca da Excelência” no Fórum Internacional de Gestão e Estratégia que a K&M Consultoria vai realizar, para 2.500 participantes

PODER DE INVESTIGAR Uma fonte da coligação Força da União disse que a opção de provocar o Ministério Público em vez de representar em Juízo contra o chamado “Iberation dos Artesãos” tem uma justificativa: Só o Ministério Público tem poderes para inquirir as testemunhas que, dificilmente, atenderiam a um chamado de qualquer facção política.

SEGUNDA OPÇÃO

O grupo Serhs, que há cerca de dez anos opera um hotel cinco estrelas na Via Costeira em Natal, assume um segundo empreendimento turístico no Rio Grande do Norte, o “Serhs Villas da Pipa Hotel”, localizado no município de Tibau do Sul. O hotel conta com 22 vilas, cada uma delas com duas suítes, sala, cozinha americana, piscina e churrasqueira privativas, e está situado no meio de um recanto arborizado a 300 metros da praia e a 200 metros da Brodway, a rua principal da Pipa.

OUTRA CABEÇA Depois de anos tendo a Intertv/Cabugi e a 96FM como cabeças de rede, a propaganda eleitoral esse ano vai ser gerada pela Band (televisão) e rádio Mix (sistema Tropical). As geradoras não levam nenhuma vantagem pelo trabalho. Ao contrário: a Intertv, no ano passado, chegou a ser punida (tirada do ar por 24 horas) por não ter feito a transmissão de um direito de resposta e por ter exibido a fita recebida de uma coligação sem a informação do tal direito de resposta. A propaganda eleitoral começa dia 17, das 7h às 7h50 e das 13h às 13h50 no rádio; e na TV, das 13h às 13h50 e das 20h30 às 21h20. Terças, quintas e sábados será exibida a propaganda de candidatos a presidente e feputado gederal, enquanto as segundas, quartas e sextas-feiras de governador, senador e deputado estadual.

FESTA DO BOI

As inscrições de animais para argola (eqüídeos, caprinos e ovinos), assim como a aquisição de currais na Festa do Boi, que ocorrerá em Parnamirim entre os dias 9 e 16 de Outubro, começam nesta segunda-feira. Esta é a 48º exposição, que volta a se realizar sem os impedimentos impostos pela condição de área de risco desconhecido de febre aftosa.

ZUM ZUM ZUM ▶

Completa 25 anos, nesta segundafeira, da inauguração do hotel Marsol, na Via Costeira. ▶ Nos próximos dois meses de campanha eleitoral, a Assembléia Legislativa fará suas sessões pela manhã, às 10h, nas terças e quartasfeiras. ▶ O Restaurante do Senac no Hotel Barreira Roxa oferece almoço a R$ 35

por pessoa no Dia dos Pais; criança até cinco anos não paga. ▶ No Versailles Recepções funciona um bufê completo das 12h30 às 16h com música ao vivo em homenagem aos pais. ▶ A Associação dos Professores da UFRN comemora o Dia dos Pais na sede praiana de Pirangi com música ao vivo e sorteio de brindes. ▶ Neste domingo faz 35 anos que era

criada a Federação de Grupos Folclóricos do RN. ▶ Corrigindo: O show de Roberta Sá será dia 29, no Boulevard Recepções. ▶ Nesta segunda-feira, em Santa Cruz, haverá o lançamento da Feira de Negócios do Trairi, programada para a primeira semana de setembro. ▶ O Presidente do TRE, Expedito Ferreira de Souza, distribui a Legislação Eleitoral e

Partidária – anotada. Que editou. ▶ O Cine Sesc abre a programação de agosto, nesta segunda-feira, ao meio-dia com o filme “Milagre em Juazeiro”. ▶ A revista “Playboy” está chegando às bancas com toda a beleza da estrela Cléo Pires. ▶ O Mossoró West Shopping de Mossoró vai ganhar, ainda em outubro, cinco salas de cinema, estilo multiplex.

O secretário de Trabalho, Habitação e Ação Social do estado, Gercino Saraiva, posicionou-se da seguinte forma nesta semana, após procurado por este jornal para uma entrevista: “Ao NOVO JORNAL nós não daremos qualquer informação porque esse é um veículo tendencioso e de interesses políticos. É uma ordem minha”. Ao negar a entrevista e destratar o repórter deste jornal que o procurou, conquanto o jornalista cumprisse uma missão puramente profissional, o responsável pela pasta que mais abarca projetos do governo tripudiou. Não apenas com os leitores deste jornal ou com o repórter que fazia sua tarefa, mas com a opinião pública – e mais ainda com as milhares de pessoas que são atendidas pelos programas por ele dirigidos, ainda que não tenha a elas se reportado diretamente. A posição externada pelo secretário, que é pago pelos cofres públicos para administrar um órgão público que presta atendimento público e que gere inúmeros programas públicos, alimentados por verbas públicas, revela muito. É prática, no mínimo, anti-democrática – que contradiz com o passado de Gercino na luta armada - e, acima de tudo, desrespeitosa com quem oficialmente o remunera, o cidadão pagador de impostos. Este NOVO JORNAL não cobra simpatia pelas posições que adota. Ele nasceu há quase nove meses com o propósito de ampliar o leque de informações levadas aos potiguares, incluindo um ingrediente com o qual alguns segmentos estão pouco acostumados a lidar: o direito de também opinar. O NOVO JORNAL entende que o contraditório faz parte do jogo democrático, assim como o direito à crítica. Vedar ao cidadão o direito à informação é uma trilha que conduz a um passado que não deixou saudades. Antes, pelo contrário. O que este NOVO JORNAL desejava saber – daí procurálo – era o grau de participação de Gercino no almoço oferecido a centenas de artesãos no Hotel Monza para ouvir as palavras de Iberê de Souza, Wilma de Faria, Hugo Manso e Marcia Maia, todos candidatos. Vários artesãos reclamaram ter sido convocados para um encontro de trabalho e não para uma reunião política cujo objetivo era pedir votos. E se surpreenderam com o ambiente que presenciaram, o de regabofe político. Se foi promovida pela pasta dirigida por Gercino, a reunião feriu as regras da disputa eleitoral. Se não foi, quem e com qual objetivo convidou os artesãos? Quem é, de fato, Severino Marcelo de Melo, o senhor que pagou a despesa e que num dia se disse artesão e no outro empresário da carcinicultura? Do ponto de vista jurídico, outra instância, mais credenciada do que a imprensa, questionará, conforme já se anunciou. Este jornal pretendeu, somente, fazer o dever jornalístico, que inclui ouvir todos os personagens da notícia. O veto a informação pública empobrece a democracia e, mais ainda, a biografia de qualquer gestor.

Artigo CARLOS MAGNO ARAÚJO Diretor de Redação ▶ carlosmagno@novojornal.jor.br

Pais e Filhos Vejo-me agora três décadas atrás, diante desse segundo domingo de agosto – que não dizia nada ou dizia muito pouco, além do almoço diferente. Eu, quatorze anos e todo o sentimento do mundo, que era também muito pouco – o enorme vazio junto com a esperança de algo que estava por vir, que é assim quando se é adolescente; a cada dia, uma porta se abrindo chamando para o “que está por vir”. Há dois dias, quase véspera do Dia dos Pais, renovei essa condição. O menor fez treze, quase eu naquele quatorze. Então ele agora tem treze e lembro disso justamente quando me recordo da melancolia da data da hoje. Melancolia sem sentido porque o pai daquele meu tempo dos quatorze ainda está aí, mais velho e grisalho, assim como eu, diante do menino com treze, sou também, agora, o pai – mais velho e mais grisalho. Se tenho o corpo e o coração vividos - com todas as dores e delícias que se agregam, por natureza, no caminho - enquanto lembro agora o menino que fui, me vejo, ainda e apesar de tudo, o mesmo menino, nos olhos e jeitos dos meninos que tenho. Nos olhos e no jeito do pai que tenho. Ao fim desse agosto, um passará a treze e o mais velho, a dezessete. A vida pedindo passagem. O outro engatinha na casa dos setenta. Entre o que sou agora e o que fui no passado há um enorme vão de anos. Há hoje o tempo mais calmo, passando na janela, como se pedisse um pouco de paz e descanso – e como se mostrasse que as portas se abrem agora para eles, apontando o que está por vir; eles que, como eu naquele tempo, têm as mãos vazias e todo o sentimento do mundo. A conclusão, que não chega a ser dolorosa: como todo mundo, caminho, célere, para a regra três. Normal. Ser pai e ter pai, um privilégio que, sei, não é dado a todos. Por isso, notar no cabelo grisalho do velho o meu, em rápido processo de encanecimento, e nos dos filhos meus, os netos do velho, o desalinho natural é lembrar também do caminho percorrido e pensar no quanto ainda faltará para percorrer, eu e eles – daí talvez a melancolia, ou o estado de quase meditação, a contemplação indecifrável, porque não é tristeza, embora pareça. É, acima de tudo, festa. Só há, enfim, uma certeza tangível nos pais de filhos que crescem e já projetam o seu destino: a posse do controle remoto – e posse temporária, fique claro, porque eles voltam e, como ocorreu comigo, trazem os netos. É a vida.


▶ POLÍTICA ◀

NATAL, DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010 / NOVO JORNAL /

Painel RENATA LO PRETE Da Folha de São Paulo

CONTINUAÇÃO DA PÁGINA 3 ▶

painel@uol.com.br

O fiador Companheiro de chapa de Dilma Rousseff, Michel Temer vem tentando se firmar diante do empresariado como elemento garantidor de que ela, se eleita, não ficará refém do PT. Em meses recentes, o presidente da Câmara abriu espaço na agenda para encontros com a cúpula de veículos de comunicação, Rede Globo incluída, além de representantes de empreiteiras, do sistema financeiro e do setor de saúde. Peemedebistas gostam de lembrar que, ao contrário de José Alencar, vice respaldado pelo diminuto PRB, Temer tem atrás de si o maior partido do Brasil.

NÃO VI... Comentário de um grãopetista acerca da movimentação de Temer: ‘Pena que ele chegou tarde. O Palocci já fez tudo isso’.

...E NÃO GOSTEI

Temer fechou a semana algo atritado com o Planalto. Além da encrenca PMDB x PT em torno da pauta de votações na Câmara, não pegou bem o fato de ele ter dito, em almoço com senadores e ministros, que todos ali ‘partilhariam’ o eventual governo Dilma. Temer depois afirmou que se tratara de uma brincadeira.

EM TREINAMENTO

Flagrado no debate da Band chacoalhando seu iPhone na tentativa de mudar o formato da tela de vertical para horizontal, Temer tem tomado aulas para lidar com o aparelho que comprou para operar o Twitter. Ele aderiu ao microblog na semana passada.

VOTO DECLARADO

A um sobrinho que o visitou recentemente d. Paulo Evaristo Arns disse que José Serra (PSDB) ‘é o homem mais preparado de toda a história do Brasil para assumir a Presidência da República’.

CAIXINHA

Para veteranos de campanhas eleitorais, a ausência da imagem de Serra no material de propaganda de aliados nos Estados nem sempre é pura traição, mas tática para obrigar o QG do tucano a comprar e enviar santinhos, cartazes etc.

SEM CHANCE

Foi cancelado o debate que a Band realizaria com os vices dos candi-

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CANDIDATURA EM

NOME DO PAI HUMBERTO SALES / NJ

datos ao governo em Minas Gerais. Quem lamentou foi a campanha de Hélio Costa (PMDB), mais do que interessada em expor o ex-ministro Patrus Ananias (PT) num confronto direto com o desconhecido Alberto Pinto Coelho (PP), companheiro de chapa do governador Antonio Anastasia (PSDB).

PELO RALO 1

O representante do Ministério Público no Tribunal de Contas da União pedirá o bloqueio de R$ 120 milhões que deveriam ser repassados para a VT UM pela Telebras por obra de um acordo fechado quando Hélio Costa era ministro das Comunicações. A empresa pertence a Uadji Menezes Moreira, amigo do peemedebista.

PELO RALO 2

Enquanto a Telebras aceitou pagar R$ 253,9 milhões de indenização à VT UM a título de rompimento de contrato, a Embratel, também acionada pela empresa, encerrou a discussão um ano antes por um sexto do valor: R$ 44 milhões. O procurador do TCU, Marinus Marsico, diz estar próximo de descobrir quem se beneficiou do acordo.

COMO É LÁ FORA

O seminário que a Secom realizará em novembro para discutir a regulação das telecomunicações em ambiente de mídia digital buscará exemplos na experiência internacional na tentativa de rebater a crítica oposicionista de que o governo pretende controlar o setor. Representantes de órgãos reguladores dos Estados Unidos (FCC), Reino Unido (Offcom) e União Europeia serão convidados a tomar parte no evento.

▶ Lauro ao lado do pai Lavoisier no lançamento da candidatura Ao lado do pai e ex-governador do Estado, Lavoisier Maia, o candidato a deputado estadual Lauro Maia chegou ao clube Assem às 20h25 da quarta-feira sob os gritos da Juventude Guerreira do PSB e de uma modesta chuva de papel picado artificial. O salão estava lotado com presença maciça de lideranças, principalmente femininas, de bairros de várias regiões de Natal (com destaque para Zona Oeste e Norte) e municípios do interior potiguar. No espaço, decorado com balões vermelhos e amarelos, banners do candidato sozinho e com os pais, os ex-governadores Lavoisier e Wilma. A ligação com a família, e em especial Lavoisier, foi a tônica de todos os discursos que se sucederam na noite. A organização do evento distribuiu água aos ‘amigos de Lauro’, como eram chamados os que foram até o local. Um vídeo com fotografias do álbum de família do candidato foi apresentado antes dos discursos. Das ausências sentidas, a do governador e candidato à reeleição, Iberê Ferreira de Souza, foi a mais curiosa. A presença dele chegou a ser anunciada mais de uma vez pelo locutor antes do início do evento e a própria candidata ao Senado e mãe de Lauro, Wilma de Faria, última a discursar, disse que Iberê já estava a caminho, o que não ocorreu até o final do evento, às 22h05. Ao NOVO JORNAL, a assessoria da ex-governadora informou que ele estava no lançamento da candidatura a deputado estadual do vereador Júlio Protásio. Outra ausência, que não chega a ser surpresa, foi a da irmã de Lauro e deputada estadual, Márcia Maia. Ela também concorre a uma vaga na Assembleia Legislativa, mesmo posto almejado por Lauro. Se dizendo emocionado com os apoios,

Lauro Maia contou a trajetória como auxiliar parlamentar do pai e ex-senador Lavoisier Maia, em Brasília, e a volta a Natal em 2002 já como advogado para se engajar nos bastidores do governo Wilma, resgatou os principais feitos do pai na política estadual, como a construção da Via Costeira, e disse era candidato estadual para realizar um sonho do pai. “Há três anos Lavô me chamou e disse que tinha um sonho: o de que eu pudesse continuar sua luta. E eu não sou homem de não aceitar desafios. Já Wilma, fez o maior governo que esse estado já viu. Pegou o RN com saneamento zero e fez o que fez! Hoje, conhece o nome de cada pessoa nos bairros. Ela merece ir para o Senado. Obrigado pelo apoio”, disse. Além do próprio candidato, discursaram ainda o presidente da Juventude Guerreira, João Batista, a coordenadora da campanha na Grande Natal, Evani Vilar, a esposa do candidato, Vanessa Cione, o vereador Heráclito Noé, o ex-governador e pai de Lauro, Lavoisier Maia, o candidato ao Senado, Hugo Manso e a ex-governadora, também candidata ao Senado e mãe, Wilma de Faria. Todos, sem exceção, ligaram a trajetória de Lauro Maia à do pai. Um problema no som impediu o público de ouvir o discurso de Lavoisier Maia, que exaltou a determinação do filho. Líder da Juventude Guerreira, João Batista apontou ‘consideração’ e ‘palavra empenhada’ como duas características de Lauro. A esposa do candidato, Vanessa Cione, fez um discurso mais sentimental. E destacou que, embora tenha nascido filho de ex-governadores, “Lauro Maia nunca usou esse poder em sua vida para conquistar nada”, disse.

Postulante ao Senado pelo PT, Hugo Manso aproveitou o evento para reafirmar sua candidatura, pediu votos para Wilma, Iberê e Dilma, disse que tem força e gás para derrotar José Agripino e Garibaldi Alves na corrida para o Senado e disse acreditar que Lauro Maia será eleito deputado apesar de não serem amigos. “Vou ser direto: Lauro, não somos amigos. Nunca fomos. Não tenho relação pessoal com você. Mas sou de um partido político que tem uma trajetória e, hoje, você também representa a trajetória de outro partido, o PSB. Agora, essas trajetórias se encontraram para ajudar o povo brasileiro”, disse. Figura mais aguardada do evento, Wilma de Faria se derramou em elogios ao filho, enalteceu a trajetória política dele iniciada ao lado do pai e, embora não tenha citado o escândalo da operação Hígia, disse que Lauro vai enfrentar as injustiças com o mandato. “Cometeram muitas injustiças contra você. Mas através do seu mandato vai mostrar que é forte. Me dêem essa oportunidade de reverenciar Lauro maia deputado. Peço humildemente o voto a ele”, encerrou.

LAURO MAIA NUNCA USOU ESSE PODER EM SUA VIDA PARA CONQUISTAR NADA” Vanessa Cione Esposa de Lauro Maia

TIROTEIO Vou arranjar uma passagem para o Plínio conhecer o “ecossocialismo’ em Chernobyl” DO VEREADOR ALFREDO SIRKIS, presidente do PV do Rio de Janeiro, sobre o candidato à Presidência Plínio de Arruda Sampaio (PSOL), que chamou a adversária Marina Silva de ‘ecocapitalista’ no debate da Band.

CONTRAPONTO AFASTA DE MIM No fim dos anos 60, quando era arcebispo de Salvador, dom Eugenio Sales foi procurado pelo general Abdon Sena, que lhe pediu para celebrar um ‘Te Deum’ pelo Ato Institucional 5. Promulgado em dezembro de 1968, o AI-5 consolidou a ditadura ao conceder poderes extraordinários ao presidente da República e suspender uma série de garantias constitucionais. A seu modo austero, d. Eugenio recusou a oferta: Abdon, eu fico muito feliz que você queira agradecer a Deus pelo Ato 5. Mas, por favor, agradeça por intermédio de outra pessoa...

VASECTOMIA GRATUITA É UMA DAS PRINCIPAIS PROPOSTAS HUMBERTO SALES / NJ

Vixi, vão capar os homens!” O espanto foi de uma senhora moradora do Planalto que sentou ao lado do repórter diante do anúncio de uma das propostas de campanha do candidato a deputado estadual, Lauro Maia. A promessa, na verdade, nada tinha a ver com a extinção do pênis dos homens. Tratava-se de um programa gratuito de vasectomia que, segundo o animador de platéia que apresentou as propostas, Ridalvo Felipe, será uma das bandeiras do mandato de Lauro Maia. O locutor, inclusive, anunciou a idéia como ‘inovadora’, embora desde 2007, através da política de planejamento familiar do Governo Federal, o SUS já garanta a gratuidade da cirurgia, desde que programada. Além da vasectomia, caso eleito, o mandato de Lauro tem outras propostas divulgadas como ‘revolucionárias’ por Ridalvo. Outra que chamou a atenção é a criação da Casa da Juventude baseada em experiências cubanas. O espaço, que Lauro vai lutar para ser criado em cada uma das cidades-pólos do Estado, terá cursos gratuitos, dormitórios, refeitórios, teatro, piscina olímpica e campo de futebol entre

▶ Lauro expõe suas propostas outros itens. “Vai ser no estilo cubano. É uma revolução”, discursou sob os aplausos do público que também vibrou quando foi anunciada carteira de estudante gratuita para todos e vestibular de graça para os alunos da rede pública. Antes da chegada do anfitrião ao clube, Ridalvo Felipe ainda anunciou como propos-

tas a luta pelo aumento do número de vagas para estagiários no poder público, criação da lei do patrocínio e do bolsa-atleta na área de esporte; além de saúde 24 horas com postos de atendimento em cada município potiguar.

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▶ OPINIÃO ◀

/ NOVO JORNAL / NATAL, DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

FRANKLIN JORGE Jornalista

O filósofo EM SUA INSTIGANTE

e provocativa exegese de Nietzsche, lembra-nos Georges Bataille que alguém o definiu como o “filósofo do mal”, ao grande solitário da aldeia de Sils Maria; ao pensador que se põe na alma do poderoso, dominado por um “modo de pensar antiigualitário”. Sua prosa aforismática conduz à glorificação da força, à idealização dos heróis e dos seres supremos, o que terá calçado o marketing nazista do genocídio de raças que ainda sob diversos graus e justificativas persiste no mundo de forma recorrente, surda e sanguinária. Filósofo, leitor e critico da filosofia, escreve Nietzsche para espíritos livres coisas primeiras e últimas que respiram uma verdade tão grande que antes ele preferira viver como um inválido ou morrer do que tornar-se escravo e servir à vontade alheia. Nietzsche descreve o movimento violento que compõe a essência do homem. Algo que o reduz a um estado de imperfeição, em desacordo com a natureza aristocrática que o distingue como pensador; um pensador que, se beneficiando do conhecimento posterior, debruça-se sobre uma pletora de questões que desembocam em seu projeto de homem do futuro. Horrorizava-o subordinar seu pensamento a alguma causa, recusando-se a participar de qualquer partido, por ser um homem livre que compreendia que o mal é o contrário da coerção e que toda ação especializa, diminui e reduz. Em sua filosofia do mal, reitera que o exer-

franklinjorge@novojornal.jor.br

DE MORNIDÃO CIVICA

do mal

cício da liberdade está do lado do mal, enquanto a luta pela liberdade seria a conquista de um bem. Nietzsche crê que a vida só permanece inteira não sendo subordinada a nenhum objetivo, pois a causa corta as asas; e encurta o vôo. Ou, assim falou Nietzsche, o homem completo em sua imperfeição guarda uma possibilidade de atuar, com a condição de resumir a ação a princípios e fins que preservem sua totalidade. Este será talvez seu único dogma, a espinha dorsal do seu pensamento filosófico. Viu o leitor emergir de seus livros não sem uma certa reticência, não sem um ar desconfiado ao defrontar-se com a moral, dele dirão seus detratores ou leitores que não o compreenderam ou acharam muito árduas suas lições. A filosofia de Nietzsche contraria, pois, a tradição. Não nos propõe consolo nem consolação. Não constitui instrumento propiciatório de uma arte de viver ou de morrer, mas o oficio polifônico de um vidente que se coloca, entre os pensadores, como o interlocutor do futuro. Um pensador que se veste com a pele da alma e, também, um poderoso mecanismo intelectual. Nietzsche produz uma doutrina lúcida, sem doutrina, ao dispensar a regra que faz todo filósofo. Uma não doutrina que fará perigosa a filosofia, segundo nos adverte em sua inexorável vontade de poder. Não é o filósofo da paz, mas o mestre que procura os seus discípulos entre aqueles aos

Disse o motorista do táxi, após declarar sua repulsa à políticaque uma parte significativa dos cidadãos confunde com os políticos -, não esperar por esse clima de mornidão que caracteriza e vai dando o tom à campanha eleitoral já em curso. Não faltou aviso de que este ano a coisa ia ser diferente, pondera. A prova estaria numa suposta e alarmante abstenção de um milhão de eleitores que em eleição majoritária anterior deixaram de votar para senador. Não me lembro dessa pesquisa, mas ele disse que eu procurasse no Google... Ele se lembrava fielmente de seus votos e confessou-se descrente da classe política. Seu método consiste em votar sempre em candidatos diferentes, até encontrar um que lhe faça o agrado de trabalhar por quem o elegeu. Logo percebo quanto gosta da política. E, ainda citando-o: criaram o projeto Ficha Limpa, que não teria passado se não fosse a força da internet, mas uns magistrados desmancharam, dando crédito a político que ficou enganchado na Justiça Eleitoral. É sempre assim: dão meio quilo e cobram uma arroba... Ninguém de bom senso confia mais em político, arremata, levando-me ao endereço. O povo também cansa de esperar... Hoje o povo não vai mais atrás dos candidatos. Em vez de comício, carreatas. Os automóveis substituíram o povo.

quais deseja o sofrimento, o abandono, a solidão, a enfermidade, os maus tratos, a desonra. Nietzsche não tem piedade deles - e o diz -, confiante de que sejam capazes de experimentar o novo e sobretudo o diverso. Reage Nietzsche à estreiteza de opiniões que se transformam em instinto pelo hábito e impedem as novas aquisições do espírito que, por não serem habituais e conforme o convencionalismo rotineiro, não possuem coesão nem coerência. Nós vacilamos, mas não podemos mais voltar ao antigo, pois, vivendo num tempo que dá a impressão de um estado uterino em meio aos destroços de culturas antigas que ainda existem parcialmente e nos faz pensar no futuro com melancolia; nossa descendência, já sabemos, sofrerá do passado assim como nós sofremos. Como uma grande potencia espiritual, Nietzsche tem exercido mesmo antes de sua morte, em 1900, uma influencia opressora sobre o pensamento ocidental. Afinal, não foi ele mesmo quem disse que todo grande pensador, na crença de possuir a verdade absoluta, torna-se um tirano? Sua obra reserva, portanto, a possibilidade de milhões de comunicações. É por isso que Nietzsche quer que outros continuem a experiência que antes dele outros começaram, entregando-se como ele, como outros antes dele, ao mesmo esforço heróico de ir até o limite do possível, nós que vivemos numa época cuja civilização corre o perigo de ser destruída pelos meios da civilização.

Franklin Jorge escreve nesta coluna aos domingos

Plural

Cartas do Leitor

FRANÇOIS SILVESTRE Escritor ▶ fs.alencar@uol.com.br

▶ cartas@novojornal.jor.br

O animal gratuito A principal conseqüência da abolição da escravatura não foi de natureza social, mas antropológica. Deu ao negro uma condição que era apenas do branco e do índio. Isto é, após a Lei Áurea o negro passou a ser também gratuito. Integrou-se ao conjunto da conceituação de Otto Lara Resende. A partir daí o único animal humano exposto à venda é o eleitor. Procura-se uma lei de lata para ele. Mas há um problema: o eleitor não quer a abolição da sua escravatura. A eleição é a feira onde ele se põe à venda. E esse negócio tem muitas faces ou variadas relações de troca. Há o que se vende por uma passagem, uma receita médica, uma catraca de bicicleta, um terno de time, uma conta de luz, um bujão de gás. Esse é o venal que nem sempre entrega a mercadoria. Isto é, nem sempre vota no comprador. Ou vende várias vezes o mesmo voto. Dizem os próprios que o voto vai para o último que comprar. Por isso é de bom alvitre deixar para comprá-lo na véspera ou no dia. O “líder” municipal é peagadê nesse balcão. As madrugadas da véspera viram uma feira livre, de motos e carros, dentre compradores e fiscais dos já comprados. Há o vendedor de “boiada”. “Líder municipal”, que vende o pacote. Há o que se vende por uma benfeitoria aparentemente de interesse público, porém de utilidade pessoal. O calçamento de uma viela onde há cinco casas e todas pertencentes ao mesmo proprietário. Um poço em terreno público, próximo apenas de um único sítio. Um poste com luminária que clareia somente a mansão da esquina. Esse é o venal nobre. Não há cheiro do zinabre nas mãos. Há o venal por emprego. Esse tem várias faces. O emprego pode ser para ele próprio ou para outrem do seu interesse. O carente de emprego nem sempre tem prestígio suficiente ou acesso ao candidato. Vale-se da força de um padrinho; que pode ser um cabo eleitoral, um “líder” comunitário ou até mesmo um figurão da vida social. Há o leitor barato; que se vende pela simpatia do candidato, pela vaidade de ser lembrado, pelo discurso bonito ou até pela crença das propostas. Tô nesse time. Mas confesso que o meu voto vale tão pouco, que se eu tivesse necessidade, o venderia por um pão doce com caldo de cana. Ou por uma tapioca do Chapinha, com mate gelado, dos tempos da fome na Casa do Estudante. Não tiro a razão dos vendedores de voto. Não. Eles são a cara da nossa democracia cidadã. Da nossa legislação de faz de conta. Dos nossos paladinos públicos e privados. Salvar o que resta das matas, pra quê? Da cultura, pra quê? Da dignidade, pra quê? É preciso manter a patifaria para garantir o emprego dos moralistas. Catedrais da hipocrisia. E quem nada puder fazer de útil pela vida pública, que o faça na privada. Té mais. François Silvestre escreve nesta coluna aos domingos

NEY DOUGLAS / NJ

teve a preocupação de qualificar e reciclar os professores para atuar com a mesma competência e resultado dos institutos federais. Fico imaginando se não tivéssemos tido a sorte ou a má sorte de termos, no comando do estado, uma professora formada, a “professora Wilma” que desprezou a educação e agora disputa um mandato de senadora. Mais uma vez ficamos na contramão. Tércio Dutra Rego, Parnamirim

Manipulação de pesquisas

▶ RN: educação em baixa Fracasso da educação O governo do estado deve estar ressabiado com tanto bombardeio das estatísticas sobre a qualidade da educação, que no Rio Grande do Norte decaiu nesses últimos sete anos, de tal maneira que salta aos olhos e não pode ser maquiada por nenhum artifício: o estado de conservação das escolas já expõe o recheio. Até no ensino profissionalizante a coisa pega e mostra a falta de planejamento, execução e administração de projetos que tinham tudo para dar certo, dando oportunidade aos jovens que continuam sem nenhum respaldo desse governo que perdeu a hora e já não pode dizer a que veio. Parece-me que o RN é o estado que coleciona mais fracassos no ensino técnico, apesar dos recursos investidos, porém o estado não

Só posso considerar um descaramento esse abuso relativo a manipulação de pesquisas eleitorais com o fim de confundir os eleitores. Pelo menos é o que pensam os marqueteiros de candidatos que querem ganhar no tapetão, sem levar em consideração a inteligencia dos cidadãos que hoje estão bem mais informados e procurando fazer com as próprias mãos a reforma eleitoral, repudiando os candidatos que não se enquadram na ficha limpa. Não sou especialista em pesquisas nem entendendo de estatística, mas há o bom senso que não pode ser desconsiderado. Não é possível registrar crescimento de candidaturas estagnadas sem a ocorrência de fatos otimizadores. Seria um verdadeiro milagre: numa época dessas, de profundo descrédito dos gestores, “governistas” crescendo no conceito popular. Mizael Nogueira, Areia Preta

A gravata de Gercino Quero me solidarizar e ao mesmo tempo parabenizar o jornalista Cassiano Arruda Câmara pelo ataque que sofreu e da resposta classuda que deu a esse Sr. Gercino Saraiva, que ocupa cargo público e age como um arrogante ditador. Não esperava que em plena democracia o governo do estado ainda mantenha um nicho autoritário na Sethas, secretaria que por seus objetivos – ação social, trabalho e habitação - devia manter sempre excelentes relações com a sociedade potiguar. Lamentável! Lamentável! Não merecemos um secretário que faz pouco da opinião pública. Teonila Couto, Lagoa Seca

Paradas A Prefeitura precisa ampliar a reforma das paradas de ônibus. Todas precisam ser cobertas, para proteger os usuários do sol e da chuva. Se a prefeita Micarla de Sousa fizer isto, poderá economizar com remédios nos centros de saúde, pois não estaremos mais tão expostos às conseqüências de uma chuvarada inesperada. Aproveito para sugerir que seja feito o rebaixamento das paradas, com a construção de rampas de acesso. Algumas são tão altas que dificultam o ir e vir, especialmente das pessoas mais idosas ou que tem problemas de locomoção. Bernardete Passos, Alecrim

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▶ POLÍTICA ◀

NATAL, DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010 / NOVO JORNAL / REPRODUÇÃO

▶ Ficha de Lauro Maia no TSE

CONTINUAÇÃO DA PÁGINA 5 ▶ O advogado Lauro Maia declarou à Justiça Eleitoral bens materiais no valor total de R$ 249.637,45. Entre os itens estão uma moto Honda no valor de R$

2 mil, um automóvel Honda Civic orçado em R$ 60 mil, um prédio comercial em Lagoa Nova no valor de R$ 75 mil, além de uma conta-corrente no Banco do Brasil com R$ 8.218,74. Confira os bens de Lauro com base no site do Tribunal Superior Eleitoral:

DECLARAÇÃO DE BENS AO TSE

▶ Moto Honda - modelo CG 125 - ano 1998 - PLACA MX I919 Valor: R$ 2 mil

▶ Conta Corrente no Banco do Brasil Nº 44697-1, AG 4847-X Valor: R$ 8.218,74 3

▶ Ouro Cap 200 anos – Banco do Brasil Valor: R$ 1.918,71 4

Floresta-RN Valor: R$ 47.500,00

▶ 1/6 quotas de terreno acrescido de benfeitorias no condomínio residencial solar da Praia, localizada na rua José Inácio, S/N, Pirangi do Norte, Parnamirim. Valor: R$ 55 mil

situado na rua José Gonçalves, Lagoa Nova, Natal/RN Valor: R$ 75.000,00

▶ Veículo Honda Civic, modelo 2008, adquirido em abril de 2008 de David Morais dos Santos Machado, CPF. 916715663-00 ▶ Valor: R$ 60.000,00

▶ 1/8 quotas de terreno na

Valor total:

Lagoa de Papebinha, Nízia

R$ 249.637,45

▶ Prédio Comercial, nº 120,

HUMBERTO SALES / NJ

▶ A mãe, Wilma de Faria, defende o filho

BENS DECLARADOS NÃO PASSAM DE R$ 250 MIL

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/ NOVO JORNAL / NATAL, DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

▶ ECONOMIA ◀


Cidades

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NATAL, DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010 / NOVO JORNAL /

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CAÇADOR DE MILAGRES

/ RELIGIÃO / MONSENHOR ASSIS INVESTIGA A VIDA RELIGIOSA DO PADRE JOÃO MARIA E DO CÔNEGO MONTE PARA POSTULAR A BEATIFICAÇÃO DELES WALLACE ARAÚJO / NJ

MARCELO LIMA

DO NOVO JORNAL

SE O PADRE

João Maria e o cônego Monte forem declarados santos pelo Vaticano, não será somente em razão de milagres a eles atribuídos. Um religioso de voz rouca, mas de discurso coeso e articulado será o principal agente deste processo: monsenhor Assis, o mesmo sacerdote responsável pelo processo em que a Igreja Católica reconheceu como beatos cerca de 30 fiéis que morreram sem negar sua fé. Depois de conseguir a beatificação dos mártires de Cunhaú e Uruaçu, vítimas de massacres pelos holandeses em Canguaretama e São Gonçalo do Amarante, respectivamente, ainda na época do Brasil colonial, monsenhor Assis agora se debruça sobre a história destes dois padres venerados pelos católicos natalenses. A eles, no entanto, faltam ainda o passaporte para o púlpito dos santos: um milagre. Numa manhã de sábado, de clima agradável, o padre Francis-

co de Assis Pereira nos recebeu na sacristia da pequena capela de São Judas Tadeu, em Petrópolis. Na sala pequena, com imagens de santos e do falecido Papa João Paulo II, ele sentou-se em uma das poltronas munido de material sobre o que iria falar: panfletos (mais conhecidos como santinhos) com biografias de padres que estão em processo de beatificação no Nordeste; um resumo da biografia do cônego Monte e do padre João Maria em duas páginas cada e um exemplar da biografia de padre Cícero Romão – que também não é santo perante a Igreja – produzida pelo jornalista Lira Neto (Padre Cícero – Poder, fé e Guerra no Sertão). Monsenhor Assis conduz cinco processos de beatificação e mais um de canonização dos mártires potiguares. Das cinco beatificações, duas são de Natal. O cônego Monte e o padre João Maria estão nessa fila. “A causa do padre João Maria foi aberta em 22 de fevereiro de 2002 e estamos na fase de investigação histórica”, disse. Além de pro-

var ter uma vida pautada nos princípios cristãos, eles precisam ser intercessores de um milagre para serem reconhecidos como beatos. Só depois de serem beatificados, Monsenhor Assis terá de provar que realizaram outro milagre para poderem ser canonizados e finalmente convertidos em santos. A praça Padre João Maria, por trás da catedral antiga, no centro de Natal, prova o quanto o povo da cidade venera o falecido sacerdote. No local, ao redor de seu busto, é possível encontrar velas e exvotos (membros do corpo esculpidos em gesso). Se um fiel deixou uma perna de gesso, por exemplo, significa que pediu a cura de uma doença no membro ou já está agradecendo a graça alcançada. Contudo, essa comoção popular não basta para beatificar ou até mesmo canonizar alguém. Monsenhor Assis protagoniza uma verdadeira investigação policial para que os tramites se efetivem. Quanto ao cônego Monte, ele afirma que o padre não era tão ca-

rismático e conhecido como João Maria. “Ele era mais um intelectual, conhecedor de várias ciências”, pontuou. O padre Monte morreu cedo, vítima de tuberculose. Há cerca de meio século uma escola no bairro de Lagoa Nova leva o seu nome, a Escola Estadual Cônego Monte. O processo do padre teve início em 2005 e ainda não tem tempo para acabar, enquanto um milagre não for comprovado.

NO FINAL DA INVESTIGAÇÃO, ABRIMOS UM TRIBUNAL NA IGREJA” Francisco de Assis Pereira Sacerdote

FOTOS: REPRODUÇÃO / INTERNET

POSTULADOR DO NORDESTE O padre Francisco de Assis Pereira nasceu no município de Santa Cruz há 75 anos. Criado em família genuinamente católica, logo se sentiu atraído pelo sacerdócio. Aos 13 anos, entrou para o Seminário de São Pedro em Natal. Depois de cursar os níveis de ensino que equivalem ao fundamental e médio, partiu para o Seminário de Fortaleza para cursar Filosofia, parte do curso para a formação religiosa. Depois de dois anos na capital cearense, foi para Roma, onde foi ordenado depois de cursar teologia. Ao todo, monsenhor Assis passou sete anos na Itália, conseguindo até finalizar um doutorado. Logo depois, voltou para Natal. Na capital, tornouse professor no Seminário de São Pedro e chegou até a ser vice-reitor. Ele ainda passou por várias paróquias da capital potiguar e até por Nísia Floresta. Para se preparar para conduzir processos de beatificação e canonização, monsenhor Assis fez um curso intensivo de postulador, em Roma, durante seis meses. Hoje ele é o único com essa função nos Estados de Alagoas, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte. Ele trabalhou dez anos no processo dos mártires do Rio Grande do Norte, sem dedicação exclusiva a causa, tampouco com uma equipe. A nova saga de monsenhor Assis não tem data-limite para terminar.

▶ Padre João Maria

▶ Padre Cícero Romão

FIÉIS RELATAM GRAÇAS RECEBIDAS

A ciência também tem um papel decisivo quando se lida com curas de doenças. O médico que cuida do doente curado supostamente por um milagre deve apresentar atestados que comprovem o quadro do paciente antes e depois do “súbito benefício santo”. O postulador também leva em consideração o tratamento médico a qual o abençoado foi submetido na investigação sobre o possível milagre. “No final da investigação, abrimos um tribunal na Igreja, ouvimos as testemunhas, como um tribunal comum”, explicou. Nascido em Jardim de Pirinhas em 1848, o padre João Maria como sacerdote em cinco estados do Nordeste. Foi pároco de Natal (à época a cidade e os arredores constituam apenas uma paróquia) durante 24 anos, de 1881 a 1905, ano de sua morte. Faleceu de varíola, que foi adquirida durante os momentos que passou entre as vítimas da epidemia desta mesma doença. A popularidade do pároco de

Até agora, segundo o monsenhor Assis, nenhuma das graças relatadas por fiéis católicos são suficientes para ganharem o status de milagre. “Aparece alguém curado de uma doença no estômago, mas nada muito grave”. Monsenhor Assis protagoniza uma verdadeira investigação policial para que os tramites possam levar à beatificação e a posterior canonização do padre João Maria e cônego Monte. Conforme o postulador, os milagres geralmente se dão a partir de curas de doenças graves. Essa seria a forma mais simples para a Igreja Católica detectar um milagre com os meios disponíveis para a investigação. “Uma pessoa pode testemunhar os momentos em que outra invoca o santo, seja num grupo de oração ou em casa”, explicou o padre.

Natal foi tanta, que ele conseguiu mobilizar o poder político em seu favor. “Em 1950 houve uma petição da Câmara de Vereadores de Natal que foi levado para Roma por Luis Soares [1º vice-presidente da Casa Legislativa]. Mas como naquela época não havia um processo aberto, certamente [a petição] foi arquivada”, informou o postulador. A missão do monsenhor Assis pode ser ainda mais difícil para a beatificação do cônego Monte. Menos conhecido entre os fieis, consequentemente a invocação de milagres por meio de intercessão é menor. “O padre Monte não era tão carismático quanto padre o João Maria. Ele era um homem intelectual, um autodidata e conhecedor de várias ciências”, comentou Monsenhor Assis. Tanto é que foi classificado pelo maior expoente da intelectualidade potiguar Luís da Câmara Cascudo como “a cultura mais ampla do Estado do Rio Grande do Norte”. Segundo monsenhor Francisco de Assis, ele foi um profundo conhecedor de mineralogia, psicologia, física dentre outras ciências. Outra característica da trajetória de cônego Monte foi a sua morte prematura aos 39 anos de idade. Nesse curto período, ele foi capelão de algumas escolas católicas de Natal e diretor espiritual do Seminário de São Pedro. Além de ser irmão do arcerbispo emérito de Natal Dom Nivaldo Monte, foi membro-fundador da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras.


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▶ CIDADES ◀

/ NOVO JORNAL / NATAL, DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

TIAGO LIMA / NJ

SAUDADES DE SOUZA SILVA

FILHOS DE PEIXE,

PEIXINHOS SÃO DÉBORA SOUSA

DO NOVO JORNAL

INDEPENDENTEMENTE DO ESTILO dos pais, é fato que, desde que o

mundo é mundo, os filhos são influenciados por seus genitores muito mais do que imaginam. Seja de forma discreta, a partir de pequenos gestos ou modo de encarar a vida, ou seja de

maneira completamente explícita, quando, por exemplo, escolhem a mesma profissão e tornam-se a extensão daquele que ajudou a dar-lhe a vida. Petit, Mauro, Olavo e Giovanni são alguns dos pais que, de um jeito ou de outro, tiveram os passos reproduzidos pela prole. A dose certa de semelhanças e diferenças, unida ao sentimento de respeito e admiração, é motivo para muitas comemorações neste Dia dos Pais.

Quando soube que ia escrever uma reportagem especial sobre o Dia dos Pais - data que, durante a vida inteira, fui acostumada a não comemorar - paralisei, para dizer o mínimo. Como eu, que só tive a presença de mãe, poderia redigir um texto sobre a figura paterna, a qual só tinha como exemplo a dos amigos que tenho? Definitivamente eu não era a pessoa mais indicada para a tarefa. Quando meu pai Francisco Souza Silva faleceu em um trágico acidente de carro há mais de 20 anos, eu ainda era um bebê. Então, tudo o que conheço dele até hoje se limita a histórias que já ouvi de colegas, amigos e parentes. Dizem que o que ele passou pra mim de mais forte foi a paixão pela comunicação, já que durante boa parte da vida ele foi radialista da antiga Rádio Cabugi, hoje Globo Natal. De qualquer forma, aonde ele estiver, tenho certeza que estaria orgulhoso de saber que herdei dele a mesma predisposição para lidar com a informação, dentre tantas outras particularidades. A pauta foi me dada por acaso, já que ninguém aqui na redação sabia dessa história toda, mas sabe que fiquei feliz? Poder entrevistar estes quatro pais me fez sentir um pouco o gostinho do que é ter aquele cara bacana que cuida da gente melhor do que qualquer outro. Pai fotógrafo, pai barbeiro, pai artista plástico ou pai músico, não tem diferença. Tenho certeza que, apesar dos defeitos e contratempos, devem ser pais maravilhosos. A verdade é que Petit, Olavo, Giovanni e Mauro facilitaram o meu trabalho por um motivo mais do que simples: só por ser quem eles são. É imprescindível dizer que poder relatar, através dos meus olhos, um pouquinho da história de cada um deles, só me fez pensar, o tempo todo, na sorte grande que os filhos deles têm. Débora Sousa

PAIXÃO PELA MÚSICA VEM DO BERÇO, POIS CRESCEU VENDO O PAI TOCAR O nome dele é Edmo Amorim das Virgens, mas pode chamar de Petit (pequeno, em francês) que ele gosta. Quem o conhece, sabe que, aos 60 anos, o jornalista, músico, professor, colecionador de antiguidades e “paizão” de cinco filhos está mais para gigante do que para qualquer outro adjetivo. O apelido Petit surgiu na infância, mais precisamente em 1961, quando estudava no colégio Marista. Na época, o irmão Luís, um senhor que, segundo ele, cuidava das abelhas, começou a chamá-lo por Mon Petit (meu pequeno, em francês). Como era o mais baixo de uma turma de 55 alunos, o apelido, que acabou virando nome, permanece até hoje. Ele conta que, dos seus cinco filhos, embora todos toquem algum instrumento, apenas seu primogênito, Diogo das Virgens, 29, decidiu trilhar profissionalmente o caminho da música. Petit diz que, antes de uma de suas viagens, o filho, na época com um pouco mais de dois anos, pediu-lhe um violão de presente. Ele achou que se tratava de só mais um desejo efêmero de criança, porém, quando voltou um mês depois, a primeira coisa que Diogo lhe perguntou foi sobre o instrumento. “Então eu tive que lhe dar um violão, que ele veio a quebrar logo depois”, contou. Diogo começou a levar a música a sério aos 15 anos, depois que Margot, esposa do pai, lhe ensinou algumas canções leves no violão. A partir daí, o rapaz, que é fã de Beatles, Stones, Dylan, Do-

ors, Hendrix, dentre outros clássicos do rock – graças ao bom gosto herdado do pai – pegou interesse pela coisa. Ele, além de músico – tocando pela noite com a banda D’Vibe desde 2004 - também é sócio da incorporadora imobiliária Eagle Brazil e proprietário do Juke Box Pub e Bar, em Petrópolis. O empresário diz que embora não trabalhe na área de publicidade e propaganda, curso no qual se formou pela Universidade Potiguar, aplica os conhecimentos que adquiriu nos vários segmentos em que atua. Ele explica que a paixão pela música acabou falando mais alto porque cresceu vendo o pai tocar. “Entre as tantas coisas que admiro nesse cara, fora a música, é claro, está a vontade de viver e a forma como vive”, diz Diogo. “O maior presente de hoje ele já me deu, só por ser quem ele é”, completa o pai. Apaixonado pelas relíquias que guarda em sua casa no Tirol e pelas histórias que cada uma delas lhe remete, Petit exibe o charango de casco de tatu que comprou em 1975 numa viagem aos países andinos, e logo depois desempacota a máquina de escrever que herdou do pai desde meados de 1950, como se mostrasse dois tesouros de valor inestimável. “Eu tenho até o primeiro barbeador elétrico que usei, só não guardo a primeira geladeira porque ocupa espaço demais”, riu. Enquanto toca no seu charango a música Carnavalito, clássica do folclore boliviano, Petit faz uma

pausa para falar que é casado há mais de 18 anos com Margot Ferreira, jornalista, mãe de suas duas filhas e companheira de aventuras. “Em 1997, nós dois saímos de Natal e fomos até a Argentina em um BR 800 Gurgel 93. Foram mais de 13 mil km percorridos”, lembra, contando que já conheceu as três Américas e uma boa parte da Europa. “Pra onde eu quis ir, eu fui. E pretendo continuar viajando por aí até enquanto puder”, diz. Petit foi professor de inglês durante 15 anos e repórter do Diário de Natal, TV Tropical, Dois Pontos e RN Econômico. Para quem ainda acha pouco, nas horas vagas, o pai também de Edmo, 27, Pedro, 24, Rita, 17 e Isabel, 15, aproveita para tocar violão, gaita, fole de oito baixos, charango e flauta transversal. O jornalista diz que durante toda a vida teve sonhos realizáveis e, na medida do possível, pode concretizá-los.“O que eu recebi de meus pais, eu passei para os meus filhos, que são os princípios do bem, da honestidade, humildade. E, graças a Deus, até hoje não me decepcionei com nenhum deles”, fala. No momento, se dedica à coordenação de um livro escrito por vários moradores do Tirol dos anos 60 e 70, intitulado “Amigos do Tirol – Causos e Histórias verídicas do tempo em que, em Natal, quadrilha era apenas uma dança e assalto uma festa de carnaval”. A obra será lançada no dia 8 de novembro, na AABB, aberto para toda a cidade. Ele diz que recebeu convites para trabalhar em

MAGNUS NASCIMENTO / NJ

▶ Petit das Virgens, jornalista e músico, entre os filhos Diogo e Rita outros projetos, mas todos envolviam ambientes fechados e horários fixos. “Aos 60 anos, a última coisa que quero é ficar atrás de um birô”, falou. Petit diz que se considera um homem afortunado pela família maravilhosa que tem, e só almeja que os filhos continuem felizes. “Infelizmente isso não depende de mim, e sim deles. Desde que saibam aproveitar o ‘ir’, sem se importar com o ‘chegar’, e digo isso em todos os aspectos da vida, estou despreocupado”, concluiu.

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ENTRE TANTAS COISAS QUE ADMIRO NESSE CARA, ESTÁ A VONTADE DE VIVER E A FORMA COMO VIVE” Diogo das Virgens Músico


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NATAL, DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010 / NOVO JORNAL /

REALIZAÇÃO ENTRE NAVALHAS E TESOURAS

DEPOIS QUE EU SAÍ DE CASA, ME CASEI E FUI MÃE, TUDO MUDOU. A GENTE SE DEU CONTA DO QUANTO ESTAR PERTO É IMPORTANTE” Milena Oliveira Publicitária

Em meio a navalhas e tesouras, Mauro da Cruz de Oliveira, 66, corta a barba de seus clientes desde o final da década de 1950. Todo ano ele comemora o Dia dos Pais ao lado dos seus 10 filhos, dentre os quais, quatro trilham o mesmo caminho que ele. Seguem a carreira de cortar os fios excedentes de cabeças alheias, habilidade que já corria em suas veias graças aos ensinamentos do pai e mestre Manoel da Cruz de Oliveira - estabelecendo um verdadeiro ciclo do velho ditado: “Tal pai, tal filho”. Enquanto corta o cabelo daqueles que chegam, Mauro conversa com a reportagem com a mesma singeleza com que desliza a lâmina sobre a pele dos clientes, que chegam atualmente a quase 20 por dia. O homem sentado na sua cadeira, o construtor Leandro Santos de Sousa, 36, faz questão de comentar há quanto tempo é freguês do barbeiro. “Corto o cabelo com Seu Mauro desde que nasci”, diz. Mauro diz que mesmo que ganhasse na loteria, não deixaria de exercer a profissão. “Muita gente não acredita, mas é verdade. Eu pretendo trabalhar neste ramo pelo resto da vida, e digo isso porque gosto mesmo do que faço”, falou, confessando que passar essa paixão para os filhos foi uma das melhores coisas que fez na vida. Sua lista de clientes ilus-

tres, como Arnaldo Gaspar, Cesar Alencar e Aluízio Bezerra, o orgulha, mas não lhe sobe a cabeça. Mauro se mantém até hoje com os pés firmes no chão, e ressalta: “Eu atendo a quem aparecer à minha porta”. Ele conta que, embora tenha feito um curso de Tornearia Mecânica, rendeu-se aos 14 anos à profissão de barbeiro, mas lembra que o motivo maior foi pela necessidade. Diz que começou fazendo a barba dos clientes do salão do pai – falecido há 25 anos - e, quando viu, já tinha tomado gosto pelo gume da navalha que se tornou, desde aquela época, seu ganha-pão de cada dia. Desde 1999, encontra-se na Clínica do Cabelo M&M’s Mauro & Mário Cabeleireiros, localizada na Rua Mipibu - Centro, próximo ao Hospital Varela Santiago. O nome ao lado do dele na fachada é de seu filho e companheiro de trabalho, Mário Silva de Oliveira, 33, que deixou o diploma de geólogo - hoje provavelmente empoeirado no fundo do armário - para trabalhar com o pai como cabeleireiro e barbeiro já há mais de 15 anos. “O fato de estar ao lado dele até hoje expressa o quanto gosto do que faço. E mais do que a técnica profissional, herdei do meu pai o comprometimento e a determinação”, diz. Seguindo os mesmos passos do irmão, estão ainda Márcia, re-

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MAGNUS NASCIMENTO / NJ

▶ Marcelo, Mário e Maurício, cortando o cabelo do pai Mauro presentante de salões e professora do Senac, junto com Marcelo e Maurício, ambos com salões próprios. Mauro diz que tenta ser o melhor pai que pode, mesmo apesar dos contratempos do dia-a-dia, só reclama por não poder ver os filhos com a freqüência que gostaria. Mas hoje ele jura que consegue reunir a família inteira. “O bom do Dia dos Pais é isso, né? Eles sempre acabam dando um jeitinho”, brincou.

O FATO DE ESTAR AO LADO DELE ATÉ HOJE EXPRESSA O QUANTO GOSTO DO QUE FAÇO. MAIS DO QUE A TÉCNICA PROFISSIONAL, HERDEI DO MEU PAI O COMPROMETIMENTO E A DETERMINAÇÃO” Mário Silva de Oliveira, Cabeleireiro

DÉBORA SOUSA / NJ

BRINCAVAM DE TIRAR FOTOS E AGORA QUEREM LEVAR A PROFISSÃO A SÉRIO

MAGNUS NASCIMENTO / NJ

▶ Milena, Alice e Olavo Alves: três gerações

AS DIFERENÇAS QUE AFASTAM, AJUDAM NA REAPROXIMAÇÃO A primeira impressão que se tem de Olavo Alves de Oliveira é que ele aparenta qualquer coisa, menos a idade que tem. O eterno boêmio, amante do rock, artista plástico, pai “garotão” e avô apaixonado de 56 anos, diz que tranqüilidade é a palavra que lhe define, além da paixão pela arte, é claro, que surgiu desde criança, quando começou a esculpir. Anos depois ele acabou se formando em Artes Visuais pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e atualmente faz uma pausa dos quadros e exposições para trabalhar como capista, mas diz que não tem pressa de nada. “Lógico que quero voltar a produzir arte, mas tudo tem seu tempo. Eu já pintei o sete, e pretendo desenhar o oito também, mas se ainda não aconteceu, é porque não era pra ser”, fala o pai de Fábio, 29 e Milena, 31. A filha mais velha e mãe de Alice, 5, revela que o pai lhe passou, dentre tantos interesses em comum, a paixão pelo rock. “Eu cresci ouvindo Pink Floyd, Led Zeppelin, Black Sabbath, entre outros grandes nomes da música”, diz. Fala que herdou também os mesmos vícios, temperamento, impulsividade e paixão pela noite. Ela acrescenta que, apesar de sempre ter se interessado por arte, a ponto de ingressar em Artes Visuais na UFRN, conta que trancou o curso logo depois. “Desisti porque acho que ninguém se torna artista, é algo que a pessoa é desde que nasce”, explica Milena. Embora admire a aptidão do pai, acabou caminhando por ou-

tros horizontes. Chegou também a estudar filosofia, mas decidiuse pela publicidade e propaganda. “Foi o curso em que me encontrei profissionalmente”, diz ela, que hoje trabalha com atendimento publicitário na Agência Raf Comunicação e Marketing. Extremamente próximos durante a infância da filha, Olavo lembra da época em que a levava a tiracolo para faculdade quando ainda estudava. “Não tinha pra quem queria. Ela era um sucesso, todo mundo brigava pra ficar com Milena”, contou. A publicitária diz que a convivência com o pai durante a adolescência foi conturbada, mas voltou às boas depois de sua fase adulta. “Nós tivemos nossos conflitos, que é normal entre pais e filhos, principalmente durante a adolescência, mas é engraçado porque as mesmas diferenças que nos afastou, também serviu pra nos reaproximar. Depois que eu saí de casa, me casei e fui mãe, tudo mudou. A gente se deu conta do quanto estar perto é importante”, disse. O “barato” de Milena, segundo Olavo, é que ela por si só achou sua vocação. “Ela me superou e se tornou essa mulher dedicada, responsável, honesta, de sucesso e mais tantas outras qualidades que ela tem, mas que sou suspeito pra falar. Os poucos defeitos que encontro nela foram todos herdados de mim”, brincou. “A única coisa que eu quero pra ela é que não mude absolutamente nada do que é. Dessa forma, tudo que ela alcançou até hoje acaba se multiplicando. É o que todo pai deseja pra um filho”, disse.

Entre os edifícios e casarões da Ribeira, o homem sereno e de fala mansa que recebe a reportagem no prédio amarelo de portas e janelas azuis é Giovanni Sérgio Rego, um dos fotógrafos mais respeitados dentro e fora da província. Seu estúdio na Rua Chile tem proporções adequadas para um profissional de sua estirpe e, como se não bastasse todo o seu reconhecido talento, há três meses o ‘poeta da imagem’ divide o espaço com suas duas filhas, Giovanna, 23, e Geórgia Hackradt, 20, ambas fortemente influenciadas pelo dom do pai - que, por sua vez, herdou o talento da mãe Lolita Rego, pioneira em fotografia no estado. As meninas revelam que, por enquanto, estão trabalhando com ensaios sensuais, books e editoriais de moda, mas deixam claro que isso é só o início, e que pretendem se expandir na área de produção, verdadeira paixão das duas. Elas contam que a idéia de ocupar o primeiro andar do prédio do pai surgiu naturalmente, já que foi onde cresceram. “No início, a gente ficava brincando com os equipamentos, mexíamos nas luzes, câmeras e em tudo o mais que encontrávamos. Perdi as contas das vezes que ficamos até altas horas da noite brincando de tirar fotos até decidirmos levar a profissão a sério”, diz Geórgia, que trocou o curso de jornalismo pelo de psicologia. Ela confessa que apesar da paixão pela escrita, sentiu dificuldade para lidar com os prazos curtos, comum do jornalismo diário. “Eu não abro mão do meu tempo quando se trata de escrever”, frisou. Além da orelha e de testa, diz que herdou do pai, o gosto pela leitura e informação. “O que mais admiro nele, além da inteligência, é o trabalho minucioso que faz. Ele não faz nenhuma foto por acaso, é tudo resultado de muita pesquisa”, fala orgulhosa. Giovanna, a filha mais velha – e mais impulsiva, mais teimosa e mais um bocado de coisas, segundo Geórgia - é formada em ciências sociais pela UFRN, mas

▶ Giovanni Sérgio, fotógrafo, entre as filhas Giovanna e Geórgia diz que sua paixão sempre foi fotografar. “Minha monografia foi sobre fotografia, né? Isso já quer dizer muito”, brinca. Conta que o que mais admira no pai é a liberdade que ele sempre deu a ambas, sem nunca lhes exigir nada, nem muito menos que trabalhassem com fotografia. “Uma das melhores lembranças que tenho dele foram as nossas viagens de fim de semana para o interior do Estado, enquanto ele fotografava para os livros que já publicou”, diz. Giovanni, 56 anos, pai também de Rennan, 22, que trabalha como fotógrafo em São Paulo, diz que, embora os filhos absorvam os princípios dos pais quando ainda crianças, depois de uma certa idade criam os próprios caminhos, muitas vezes mais influenciados pelos amigos do que pela própria família. “Coincidentemente ou não, somos todos fotógrafos. E embora elas ainda estejam buscando uma identidade, são talentosas. Não queria dizer isso na frente delas porque costumo brigar antes de fazer qualquer elogio”, diz o fotógrafo, que também já foi dentista, jornalista e professor. “Hoje eu me escondo na Rua Chile”, brinca. Autor de cinco obras de foto-

grafia documental do Rio Grande do Norte - todas explorando a temática potiguar – ele diz que sua maior paixão, além da fotografia, é a leitura. “É a partir dela que a gente interpreta o mundo”, observa o dono de centenas de livros empilhados em prateleiras que vão do chão ao teto. Quantos aos projetos futuros, ele pretende continuar trabalhando na história potiguar. “O RN ainda tem muita coisa boa pra ser registrada. Ao contrário de estados como Pernambuco, por exemplo, aqui praticamente não tem documento fotográfico algum”, lamenta. As irmãs dizem que, com o tempo, esperam encontrar a identidade própria que o pai fala, mas não estão preocupadas com isso agora. “A gente só espera levar o estúdio de forma independente algum dia, mas não existe pressa”, diz Giovanna. Sobre o presente que irão dar de presente para o pai, Giovanna e Geórgia respondem quase simultaneamente: “Um livro”. Segundo as jovens fotógrafas, falar não vai estragar a surpresa porque é o que costumam dar ao pai todo ano, em todas as datas. “É a única coisa que a gente tem certeza de que ele vai adorar”, disseram.

O QUE MAIS ADMIRO NELE, ALÉM DA INTELIGÊNCIA, É O TRABALHO MINUCIOSO QUE FAZ. É TUDO RESULTADO DE MUITA PESQUISA” Geórgia Hackradt Estudante


Espaço Empreendedor 12

Editor Franklin Jorge

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AGORA, UMA MARCA

/ EXPANSÃO / BONELEIROS DO SERIDÓ COMEMORAM APORTE EM NOVELA DA GLOBO

MAGNUS NASCIMENTO / NJ

ALEXIS PEIXOTO

DO NOVO JORNAL

DEPENDENDO DE QUEM

usa, o boné pode ser entendido como um acessório informal, adereço de luxo, brinde simpático ou assinatura de estilo. Para os produtores da indústria boneleira do Seridó potiguar, o boné é tudo isso e mais uma grande oportunidade de bons negócios. Gozando do status de segundo maior pólo produtor do Brasil ( ficando atrás apenas da região de Apucarana, no Paraná), a região seridoense, que compreende as cidades de Caicó, Serra Negra do Norte e São José, conta hoje com 80 empresas consolidadas, além de aproximadamente 100 pequenos empreendimentos relacionados à produção de bonés, que fornecem partes para a confecção final das peças. Ao todo, estima-se que o setor atinja a marca de 3 milhões de bonés por mês gere em torno de 2,5 mil empregos. A origem da produção boneleria no Seridó remonta ao final da década de 80, quando a partir de uma grande crise na indústria da tecelagem da região, os produtores do setor se viram obrigados a encontrar meios de diversificar a produção para não sair no prejuízo. Na época, a produção de bonés surgiu como uma alternativa econômica viável para vários pequenos produtores, que logo passaram a experimentar grandes aumentos no faturamento e na produção durante os períodos de campanha eleitoral, quando os bonés eram dados de brinde aos eleitores pelos candidatos. Apesar de a Justiça Eleitoral ter coibido essa prática, a experiência serviu para dar o estímulo inicial aos produtores e mostrar que a atividade tinha potencial lucrativo. Como a demanda na produção era grande no período de campanha, os empresários precisavam investir na capacitação de mão de obra o que semeou o cami-

MARCA NA TELA DA GLOBO Uma das ações mais importantes geradas pela APL do Sebrae é a criação da marca “Bonés de Caicó” que, apesar do nome, a partir de 2011 vai identificar a produção das três cidades que compõem o pólo produtivo da região. No momento, já existem 10 empresas associadas e a intenção é que esse número aumente no próximo ano, quando os critérios de qualificação para o uso da marca já estiverem bem definidos. Enquanto isso, os empresários já se empenham na divulgação da marca, que será assunto de uma matéria a ser veiculada no programa Pequenas Empresas, Grandes Negócios, da Rede Globo. “A ideia é que a marca possa ser associada a toda a produção boneleira da região, de modo a criar uma identidade do boné produzido no Se-

nho para o surgimento de novas empresas que procuraram romper a dependência com a época eleitoral. Segundo o gerente do Sebrae de Caicó, Pedro Medeiros, que coordena o Arranjo Produtivo Local dos Bonés (APL), o setor foi beneficiado pela decisão da Justiça Eleitoral. “De certa forma, foi bom essa prática de distribuição de brindes ter acabado porque isso estimulou os empresários a não se confiarem na sazonalidade da campanha e produzirem o ano inteiro”, acredita o gestor. “A indústria de bonés do Seridó era mais sazonal, só lucrava de dois em dois anos, quando tinha eleição. Agora a produção é constante e o setor está consolidado”, diz. Para alavancar ainda mais a produção, o Sebrae, em parceria com prefeituras, Federação das Indústrias (Fiern), Governo do Estado e os bancos públicos que trabalham no financiamento e desenvolvimento dos negócios, investe em capacitação tecnológica, melhorando o lay out dos produtos, o corte e a modelagem, oferece cursos de gestão dos produtores e também trabalha no acesso ao mercado, buscando compradores através da participação em feiras e eventos e capacitando as empresas para a participação em licitações. Graças a capacitação do Sebrae, a Bonelaria Dantas, de Caicó, ganhou recentemente dois lotes da licitação do Ministério da Educação e vai fornecer 517 mil unidades de bonés para serem incorporadas no fardamento dos estudantes da rede pública dos estados do Rio Grande do Norte, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Paraíba e Ceará. “Para nós, é um salto para o futuro com a contratação de novos funcionários ampliação de infra-estrutura e divulgação pra todos os municípios dos estados participantes que iremos atender”, diz a diretora da empresa, Maria de Fátima Dantas.

ridó”, explica Pedro Medeiros. O diretor da Bonelaria Caicó, Ciro Claudio da Costa, enfatiza que o setor ainda tem muito que crescer na região, mas vê a criação da marca com bons olhos. “Acredito que na medida em que as empresas buscarem se associar e adequar seus produtos à marca “Boné de Caicó” pode ajudar no crescimento, devido à atenção da mídia em torno de uma marca de qualidade e o que esta sendo feita em torno da marca”, pondera. Além da criação da marca “Boné do Seridó”, o Pedro Medeiros também elenca outras ações que estão sendo articuladas pela APL, como as articulações, junto ao setor produtor têxtil e a Secretaria Estadual do Desenvolvimento Econômico (SEDEC) para a criação de um centro tecnológico têxtil em Caicó. De acordo com ele, também existem discussões com o IFRN da cidade para a criação do curso de Técnica Têxtil. “É uma oportunidade para que

roteiro@novojornal.jor.br

CINEMA

ECLIPSE - 14 Anos. Cinemark: 21h30 (LEG).

ENCONTRO EXPLOSIVO – 14 anos. Cinemark: 18h45 - 21h15 (LEG). Moviecom: 16:40 - 21:15 (LEG). INSOLAÇÃO – Livre. Cinemark: 14h.

SAZONAL, SÓ LUCRAVA DE DOIS EM DOIS ANOS, QUANDO TINHA ELEIÇÃO. AGORA A PRODUÇÃO É CONSTANTE E O SETOR ESTÁ CONSOLIDADO” Pedro Alexandre de Medeiros Gerente do Sebrae de Caicó

possamos suprir uma deficiência enorme que temos nesse setor técnico. E isso certamente vai levar ao crescimento do setor na região”, aponta. O presidente da Associação Seridoense dos Fabricantes de Bonés (ASFAB), Jaedson Dantas, destaca a importância dos cursos de capacitação promovidos pelo Sebrae por meio da APL. Dantas, que também é diretor da Companhia do Boné, em São José, destaca como o grande ganho para as empresas é o acúmulo de conhecimento, que pode ser revertido em crescimento prático para os negócios. “Uma empresa sem conhecimento de qualificação, de gestão financeira, não tem condições de crescer. E isso vale para todos os envolvidos na produção, desde os gestores até os trabalhadores, vendedores”, destaca. Uma boa oportunidade para os empresários colocarem em prática o conhecimento adquirido será a oportunidade de participar da novela Ti-Ti-Ti, da rede Glo-

bo. No ar desde o mês de julho, o folhetim conta com dois personagens em seu elenco que são verdadeiros aficionados por bonés e boinas. Por meio de um acordo com a Associação Nacional de Associação Nacional das Indústrias de Bonés, Camisetas, Brindes e Similares (ANIBB) negociado entre a agência de publicidade Moda no Figurino Agência de Publicidade e Propaganda Ltda., ligada ao canal de TV, as empresas seridoenses, junto aos produtores do pólo de Apucarana, vão fornecer peças que serão usadas pelos atores Murilo Benicio, David Lucas e Clara Tiezzi na novela, que deve ficar no ar por oito meses. Ao todo, a viabilização da iniciativa está orçada em R$ 1 milhão, cabendo às empresas seridoenses um investimento de R$ 50 mil. “O que dita a moda dos jovens hoje são as novelas da televisão. Acredito que essa oportunidade é muito boa para que o Seridó possa divulgar seus produtos, em rede nacional”, destaca Jaedson Dantas.

MEU MALVADO FAVORITO 3D – Livre. 17h55 – 19h50 – 21h45 (DUB). 11h00 - 13h10 - 15h20 - 17h30 - 19h40 TOY STORY 3 – Livre. Cinemark: - 21h50 (DUB). 12h20 - 15h00 (DUB). MEU MALVADO FAVORITO – Moviecom: 13h55 – 15h50 – 17h45 – 19h40 – 21h35 (DUB).

ROTEIRO A ORIGEM – 14 anos. Cinemark: 12h00 - 15h10 - 18h15 - 21h20 (DUB) 13h00 - 16h05 - 19h10 - 22h15 (LEG). Moviecom: 15h10 – 18h10 – 21h10.

A INDÚSTRIA DE BONÉS DO SERIDÓ ERA MAIS

PREDADORES – 14 anos. Moviecom: 14h30 – 19h00 (LEG). O BEM AMADO – 12 anos. Cinemark: 12h05 - 14h30 - 17h05 - 19h30 22h05. Moviecom: 15h10 – 17h20 – 19h30 – 21h40.

SALT – 14 anos. Cinemark: 11h20 13h40 - 16h10 - 18h30 - 20h50 (LEG). Moviecom: 14h00 – 16h00 – 18h00 – 20h00 – 22h00 (LEG).

KICK-ASS QUEBRANDO TUDO – 18 SHREK PARA SEMPRE – Livre. Cineanos. Moviecom: 14h30 – 16h50 – mark: 12h10 - 15h00 - 17h10 - 19h20 (DUB) Moviecom: 14:05 - 16h00 – 19h10 – 21h30 (LEG).

MÚSICA A programação do Pitts Baar fica por conta do músico Helder Gomes tocando clássicos da MPB. Início às 20h. Às 20h, o bar Preto no Branco recebe os grupos Auto Estima e Black Samba pelo projeto Samba da Gente. No Centro Cultural DoSol, se apresentam as bandas D. Carnage, Sweet Vanilla, Alone, Underneath, Irados, Tesla Orquestra e Hey Apple. Às 16h.


Social

Edito Editor Franklin Jorge Frank

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NATAL, DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010 / NOVO JORNAL /

Marcos

Sadepaula

É preciso fazer a escolha certa. Se alguém tem talento para o exercício das letras, não o desperdice lavando pratos” Franklin Jorge

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Um novo conceito de bar FOTOS: D’LUCA

Vingança inglesa

Pais professores

As noites de Natal estarão mais animadas. No próximo dia 17 será inaugurado o Rusto Music Bar, empreendimento que traz o conceito de um pub com dois ambientes distintos e isolados: um no térreo e um espaço dançante, com música ao vivo, no primeiro andar. O Rusto Music Bar, dirigido pelo empresário Augusto Vaz, funcionará no cruzamento da rua Mossoró com a Rodrigues Alves, em Petrópolis. O empreendimento foi todo concebido com o foco no público acima dos 30 anos. Outra atração da casa será o cardápio, elaborado pelo chef Pedro Arthur.

John e Mary era um casal de ingleses que morava numa granja aqui no Brasil. Certo dia, depois de uma briga, John disse: - Mary, quando você morrer eu cavar buraco, enterrar você, nascer capim, vaca comer, vaca defecar e eu dizer: Mary estar diferente! - Non John, você morrer primeiro, eu cavar buraco, enterrar você, nascer capim, vaca comer, vaca defecar e eu dizer: John não mudou nada!

A Associação dos Professores da UFRN vai promover um evento festivo em torno do Dia dos Pais, hoje, em sua sede social na praia de Pirangi do Norte, com música ao vivo e sorteio de brindes, aberto para seu quadro associativo. A festa da Apurn vai ter início às 11h.

/ NJ

Pegadinha

ndo em seu atelier

prestigiando ▶ A atriz Titina Mesdeinarosinauguração das os amigos músico Catita, na s do Buraco da novas instalaçõe velha Ribeira

▶ Flávio Freitassarecebe

“Troque sua gravata por um chinelo”. Com esta frase, o Spa Urbano Revivare lança um regalo de dia dos pais, especial e inusitado. No lugar de presentes típicos como meias, perfumes ou cremes de barbear, o filho ou a filha dará ao pai apenas um pé de chinelo. A surpresa consiste na busca do outro pé da sandália que estará no Revivare, quando o pai for buscá-lo fará uma sessão de massagem relaxante já agendada por quem o presenteou. A brincadeira será válida durante todo o mês de agosto. Informações no 3211.6769.

al a prefeita de Nat

Micarla de Sou

No Praia O mestre Alexandre Moreira está no Praia Shopping Musical apresentando seu show instrumental de Bandolin e Cavaquinho a partir das 20h.

Furtado, que ▶ Sonia Barreto e Téo Forever, orar no Beatles começaram a nam o a no extinto Min nist colu te des projeto tos até hoje ça das Flores: jun Gourmet na Pra

rea Cariello rília Bezerra, And

e Flávia Freire no a

Ideias sustentáveis

a, Ma ari, Lagoa Nov ▶ Natália Lagrecugu Caffe, na Jaguar ração do Vanilla coquetel de ina

O designer Tommaso Colia criou uma solução para aqueles que adoram passar um tempão tomando uma ducha relaxante (é, você mesmo!). O chuveiro Eco Drop possui círculos concêntricos como tapetes no chão, que vão crescendo enquanto o chuveiro está ligado. Após um tempo, a sensação fica tão incômoda que te força a sair do banho e, consequentemente, economizar água. Cerca de 20% de toda energia gasta no lar vem da água quente utilizada no banho – seis vezes mais do que a iluminação doméstica, por exemplo.

Marcelo sidente da FCDL é Janio Vidal, o pre

, em rante Dos Mares encourt no Restau

e Bitt do RN ▶ Ricardo e Cristian ção Gastronômica jantar da Associa Ponta negra, no

Maria Isabel Tinoco Barreto. Falando assim parece se tratar de mais uma das gatas que circulam pelo high society natalense, mas a referência para por aí. Bebel é uma jovem arquiteta que atualmente está trabalhando no novo projeto do escritório de Mário Barreto, seu pai. A partir de agosto, vai dividir

al o senador Jos ▶ O diretor da Tropic rae Zeca Melo e tendente do Seb a a Rox Rosado, o superin io no Hotel Barreir oço da Fecomerc Agripino no alm

D’LUCA / NJ

de Maria Isabel Tinoco Barreto turnos entre o escritório e a loja da mãe, Maison Teresa Tinoco, onde vai fazer algumas algumas mudanças na ambientação, além de ficar responsável pela ala jovem no espaço superior da loja. A coluna pediu a Bebel que enumerasse as 10 coisas mais chatas que ela acha, e sua lista segue à direita.

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1 2

Fazer a lista dos “10 mais”

3 4 5 6 7 8

telemarketing;

9 10

chamar alguém pelo nome errado; chamar atenção no MSN; DR (discutir relação); DR na frente dos amigos; Faustão; usar o twitter inapropriadamente;

Cinema A Marvel prepara a invasão dos Vingadores para 2012 e a DC não quer ficar atrás. Segundo o site Comic Book Movie, A Warner – dona da DC – já teria dado sinal verde para a produção do longa-metragem da Liga da Justiça. O longa, embora ainda sem roteiro, já iniciou a busca por atores para a formação da equipe que contará com Lantena Verde, Flash, Mulher Maravilha, Aquaman e o O Caçador de Marte (Ajax), enquanto Super-Homem e Batmam ficarão de fora. Quem chama isso de justiça?

Cesta básica digital A grande novidade no mercado de informática de Natal é a cesta básica digital, um kit básico para quem quer comprar um notebook. A ideia é fazer o lançamento do Notebook Miranda, peça principal da cesta, com assistência técnica garantida pela própria empresa. O novo portátil 14.1 está disponível em duas versões, com processador Intel Core 2 Duo ou Intel Pentium Dual Core, ambos com HD de 320GB, memória de 2GB, gravador de DVD, leitor de cartão de memória e webcam acoplada. A Cesta Básica Digital também é composta por uma Multifunção Wireless HP, um mouse, maleta e pen-drive.

Dica Se você ainda não decidiu onde almoçar com seu pai ou seus filhos hoje, uma dica é o Real Botequim no Cidade Jardim. O boteco conhecido pelas empadas de queijo do reino, das coxinhas de caranguejo, dos quibes, além dos grelhados traz como dica especial para comemorar o Dia dos Pais uma Picanha Real e o Camarão no Vapor. Os frequentadores do Real que não dispensam o serviço de boteco podem ficar despreocupados já que a partir das 11h30 o serviço de petiscos, chope e todas as delícias também serão servidos. Em Mossoró, as dicas do chef e os horários de funcionamento seguem a mesma linha de Natal.

Doido é doido Um louco cai na piscina e começa a se afogar. Outro interno se atira e o salva da morte. No dia seguinte, o diretor vai ao quarto do louco salva-vidas e diz: - Parabéns! Vim pessoalmente para lhe dar duas notícias. A primeira é ótima: você está de alta! Depois de seu gesto heróico de salvar um interno, nossa equipe concluiu que você está curado e provou isso ao ter essa atitude digna de um verdadeiro herói. A segunda notícia não é boa: aquele interno que você salvou ontem acho que queria se suicidar mesmo. Morreu hoje se enforcando num cinto. - Não, senhor diretor, ele não se enforcou. Fui eu que pendurei ele para secar.

limpar cocôs de cachorro; fazer a lista dos “10 mais”.

▶ Colaboração de Dominique Sá


Cultura 14

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FOTOS: NEY DOUGLAS / NJ

RAYANNE AZEVEDO DO NOVO JORNAL

SE VOCÊ É espectador do

Jornal do Dia, telejornal veiculado de segunda a sextafeira pela TV Ponta Negra, provavelmente já deve ter visto Luiz Henrique Silva. É ele quem comanda a bancada – dividida com a jornalista Geórgia Nery – e, há três anos, tem sido o responsável por levar ao telespectador os acontecimentos mais relevantes do dia. Vendo-o através do televisor, pouca gente suspeitaria que ele, um dia, já traçou – e ainda traça – para si caminhos bem diferentes do telejornalismo. Não fosse o dedo do destino, Luiz Henrique provavelmente só teria fama no meio jurídico – poderia ser encontrado dentro de algum escritório de advocacia, exercendo a profissão para a qual se licenciou no final dos anos 90. Mas o desvio de percurso que o colocou na TV foi, na verdade, um processo natural. “Estive diante das câmeras desde os 17 anos. A primeira vez foi fazendo uma propaganda de Dia dos Namorados para o Natal Shopping”, relembra Luiz, hoje com o dobro da idade, 34 anos. Desde que se entende por gente, Luiz sempre foi do tipo que adora comunicar e se envolver em tudo. Foi assim na adolescência, quando presidiu o grêmio estudantil e a rádio no Colégio Marista. Ou quando se envolveu na comissão de formatura da turma de direito da UFRN. “Foi o que acabou fazendo com que eu não abandonasse o curso, concluído até antes do tempo. Cheguei a pensar em desistir, mas na comissão só havia gente estudiosa e eu acabei me contagiando e estudando também”, conta. Enquanto ainda era estudante do ensino médio, Luiz partilhou da dúvida que acomete boa parcela dos jovens que dependem de um formulário para definir seu futuro. Prestes a tentar o primeiro vestibular, ele ainda alimentava uma dúvida. Ou melhor: três. “Não sabia se queria psicologia, jornalismo ou direito. Acabei optando pelo último”. Embora estivesse mergulhado nos estudos do Direito, Luiz ainda encontrava tempo para se dedicar a projetos paralelos, que pouco tinham a ver com as leis. Foi um dos donos da casa de eventos Mon Jardin e participou do programa de rádio Oficina Musical, na Tropical, junto com o produtor musical e proprietário do Centro Cultural DoSol, Anderson Foca, e o publicitário George Wilde, que hoje trabalha na campanha da candidata à presidência pelo PT, Dilma Roussef. “O programa era veiculado no horário das 12h às 13h e só tocava rock”. Nessa mesma época, Luiz passou a trabalhar como mestre de cerimônias e garoto propaganda para políticos como Garibaldi e Fernando Bezerra. Trabalhou ainda no extinto “Sabadão Caceteiro”, programa da Band que tinha à frente o comediante potiguar Mução, colega dos tempos do Marista, e apresentou duas transmissões do Carnatal. “Fiz muitas coisas, mas tinha flexibilidade de horários e sempre tive muitos parceiros”, explica.

▶ Luiz Henrique, entre o jornalismo, a tv e o direito

UM APRESENTADOR DE FINO TRATO Depois que se formou em Direito, Luiz prestou exame para a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Dedicado que só ele, passou de primeira e advogou ao longo de dois anos. Nesse período, juntou dinheiro, arrumou as malas e partiu rumo à Europa para fazer intercâmbio. Tinha 24 anos. Era a concretização de um sonho que trazia consigo desde a adolescência. Depois da temporada de oito meses na Inglaterra e na Espanha, Luiz Henrique retornou ao Brasil e ocupou cargo comissionado na Urbana, trabalhando também na assessoria do então deputado estadual Cláudio Porpino. Não quis voltar para a advocacia, ofício que o havia decepcionado. Preferiu os cerimoniais, ramo no qual atua até hoje, e continuou fazendo a locução de eventos – de inaugurações de obras públicas a formaturas. Tudo, garante ele, na base da “euquipe”. “Digo euquipe porque sou eu quem redige e apresenta a locução”, brinca. Foi há três anos que o faz-tudo Luiz Henrique recebeu convite para apresentar o Jornal do Dia. Deixou o cargo que ocupava na Assembleia Legislativa para ir para a frente das câmeras assumir o lugar deixado por Miguel Weber. A motivação? “Foi no ano de 1987 que eu vi Boris Casoy apresentar um telejornal e aquilo me impressionou, era diferente de tudo que eu já tinha visto. E no telejornalismo potiguar também faltavam figuras masculinas, o nicho era muito dominado por mulheres”, afirma. A dúvida da adolescência estava desfeita. Luiz Henrique descobriu que se realizava na condição de comunicador. “Até tinha começado a cursar jornalismo na UFRN, mas isso já faz tanto tempo que eu nem sei dizer em que ano entrei. Acabei suspendendo o curso por falta de tempo, mas pretendo retomar porque acho que vale a pena. Acredito no diploma, sou a favor dele”, co-

/ PERFIL / DE PRODUTOR DE EVENTOS A MESTRE DE CERIMONIA E ÂNCORA DE TV, LUIZ HENRIQUE DA SILVA

menta. De fato, traçar a cronologia da vida do apresentador não é tarefa fácil – foram tantas atividades, projetos e datas que o próprio Luiz não saberia ordená-las de imediato. “A gente tem tanta segurança na hora de ser o entrevistador e só agora eu vejo como é difícil estar do outro lado”. Coincidentemente, Luiz começou na jornalismo na mesma época que sua mulher, Helga Oliveira, largava o ofício. Ela trabalhava na TV Cabugi quando começou a atuar como distribuidora independente de produtos da Herbalife. Luiz foi junto, mas sem deixar de lado a TV, os cerimoniais ou a assessoria parlamentar que presta desde março ao deputado estadual e presidente da AL, Robinson Faria. “Não sou jornalista tradicional, daqueles que passa o dia na emissora. Preparo-me, chego uma hora, uma hora e meia antes, elaboro perguntas. Depois vou para a AL, e em noites alternadas faço cerimonial. O trabalho com a Herbalife eu conduzo aqui de casa mesmo”, conta. Hoje, Luiz Henrique diz acreditar conseguir conciliar muito bem seus vários ofícios. O mais recompensador veio há 11 meses, com a chegada do filho Pedro, o primeiro dos dois ou três filhos que o casal deseja ter. Enquanto a família não aumenta, Luiz gosta de investir o tempo livre na companhia de amigos e parentes, tomando um vinho, “porque tomando vinho discutemse ideias e não pessoas”. No futuro, o apresentador de telejornal diz que pretende deixar o ramo da comunicação um pouco de lado e se dedicar à vida empresarial. Só assim ele crê ser possível dar andamento aos planos de residir em dois países. “Nossa ideia é morar fora, aqui e nos EUA. Acho que a ideia é incrível e casa muito bem com o nosso ritmo”.

NÃO SOU JORNALISTA TRADICIONAL, DAQUELES QUE PASSA O DIA NA EMISSORA”

▶ Luiz Henrique em sua casa, e com o filho Pedro num dos raros momentos em que não está trabalhando

Luiz Henrique Jornalista


Esportes

Editor Marcos Bezerra

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ARGEMIRO LIMA / NJ

PEREGRINAÇÃO

ALVINEGRA / SÉRIE C / ABC ENCAROU VIAGEM CANSATIVA, MAS TEM A CHANCE DE, DIANTE DO SALGUEIRO, ROUBAR A LIDERANÇA DO GRUPO B DO ALECRIM BRUNO ARAÚJO

DO NOVO JORNAL

SERTÃO

NORDESTINO

ADENTRO

são 667 quilômetros de viagem, numa verdadeira peregrinação em busca de um objetivo: três pontos. Uma vitória hoje sobre o Salgueiro, no interior pernambucano, coloca o ABC dois pontos à frente do Alecrim, atual líder do grupo B da Terceira Divisão do Campeonato Brasileiro. As 24 horas de viagem, divididas entre cochilos no ônibus, treino e ansiedade pela primeira partida fora de casa, serviram para que o técnico Leandro Campos pudesse estudar a melhor formação, já que não poderá contar como o meia Claudemir – com problemas no joelho – e seu substituto imediato Juliano com um estiramento na coxa. Se não quiser alterar o posicionamento da equipe, que tem atuado com dois zagueiros, o treinador gaúcho deverá optar pela entrada do volante Ewerton Cézar no setor de criação. O

ex-americano já atuou na posição em outras oportunidades, inclusive pelo arqui-rival. A outra opção de Campos é a entrada de Diego Padilha para formar a defesa junto a Tiago Garça e Leonardo e a equipe passando a atuar com apenas um jogador na ligação: Cascata. O ídolo alvinegro, que teve seu desempenho contra o Alecrim questionado por parte da torcida, confessa sua preferência por jogar com um companheiro na armação das jogadas. “Gosto de jogar com alguém do lado. Com um meia apenas, perdemos um homem no meio campo, mas o professor Leandro [Campos] sabe como armar a equipe e sei que vai fazer o melhor”, apontou. O atacante João Paulo, que chegou a ser dúvida entre os relacionados para o jogo deste domingo, devido a uma fratura no dedo da mão esquerda, se diz recuperado e promete estar em campo contra os pernambucanos. “Não sinto dores e acredito que não será problema”, garantiu.

BOM APROVEITAMENTO FORA HUMBERTO SALES / NJ

Vencer fora de casa pode ser o diferencial para alcançar a classificação à próxima fase da Série C, por isso, o técnico Leandro Campos espera fazer valer o bom retrospecto longe do Frasqueirão para chegar à fase do mata-mata da Terceirona. Na atual temporada, em 16 jogos longe de sua torcida, o ABC venceu oito, empatou quatro e perdeu quatro; um aproveitamento de 58,3%. “Temos nos comportado bem fora de casa e sabemos da importância de conquistar pontos fora para nos aproximarmos do nosso objetivo que é a classificação”, avaliou Campos. Para João Paulo e Cascata, integrantes do desfalcado quadrado alvinegro, conquistar três pontos é o objetivo alvinegro no jogo de hoje. “A gente tem planos e objetivos a serem conquistados e vencer fora pode facilitar nossa vida, mas se não for possível, um ponto que trouxermos já será bom”, disse o dono da camisa 10 abecedista aprovando um possível empate. “O campo lá é pequeno, o adversário desconhecido, mas vamos superar as dificuldades para tentar trazer a vitória”, finalizou o artilheiro do ABC na temporada 2010

TÉCNICO NOVO MOTIVA SALGUEIRO Três jogos, dois empates e uma derrota colocam o Carcará do Sertão em situação difícil na Série C. Com apenas dois pontos conquistados e um jogo a mais que seus concorrentes, uma derrota no jogo de hoje pode selar o fim das esperanças do time pernambucano, que tem novo técnico, em alçar vôos mais altos. Sob o comando de Cícero Monteiro – Pedro Manta foi demitido após a derrota para o Campinense na rodada passa-

A GENTE TEM PLANOS E OBJETIVOS A SEREM CONQUISTADOS E VENCER FORA PODE FACILITAR NOSSA VIDA” Cascata Meia do ABC

da –, o Salgueiro poderá ter novidades em campo. No último coletivo, o time passou a atuar com dois zagueiros ao invés de três. Mas outras mudanças podem ser necessárias para que os pernambucanos possam chegar à sua primeira vitória na competição. O jogador Edu Chiquita, com uma virose, poderá dar lugar a Pio no time titular. Já Léo Gama que se machucou contra o Campinense, pode ficar de fora abrindo vaga para Eridon. Quem também pode perder a vaga na equipe principal é Júnior Maranhão para a entrada de Beá.

▶ Leandro Campos conversa com o elenco no gramado do Frasqueirão: adversário desconhecido e campo pequeno


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▶ ESPORTES ◀

/ NOVO JORNAL / NATAL, DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

RAFAEL DUARTE

CRAQUE RECONHECE AUSÊNCIA NA FIFA

DO NOVO JORNAL

NA INFÂNCIA DOS anos

— Você quer jogar no Oriental? — Quero, mas minha mãe não deixa. — E ela faz o quê? — É lavadeira e faz faxina na casa de um homem rico — Quem é o homem? — É o seu Bittencourt... — Aquele da padaria? — Ele mesmo. — Então está tudo certo. — Bittencourt é o dono do Oriental. Vou pedir para ele falar com a sua mãe. As palavras do treinador soaram como uma ameaça aos ouvidos do garoto. Se a mãe não queria saber de Danilo batendo bola no meio da rua que dirá jogando num time profissional. O dia da tal conversa ainda está presente na cabeça do craque. “Quando aquele carrão chegou ao bairro pobre que a gente morava e vi que ia parar na frente da minha casa saí correndo e me escondi no vizinho. Depois de um tempo me chamaram, fui com cara de choro. Aí o Bittencourt disse que tinha falado com minha mãe, ela tinha deixado, e comecei a carreira”, recorda.

QUE PERDEU A COPA / GRINGO / A HISTÓRIA DE DANILO MENEZES, O EX-CRAQUE DO ABC QUE COMEÇOU COMO GANDULA E GARANTE TER DISPUTADO A COPA DE 66; ARQUIVOS DA FIFA NÃO TÊM REGISTRO

NEY DOUGLAS / NJ

50, Danilo jogava de pés descalços como todo moleque do subúrbio de Rivera. Faltava dinheiro na família Menezes de oito irmãos sustentada pela mãe, a faxineira e lavadeira Dorotéa. O cenário humilde e as dificuldades na década do Maracanazzo (como ficou conhecida a derrota brasileira para o Uruguai em pleno Maracanã, na Copa de 1950) endureceram a matriarca: não queria saber de futebol dentro de casa. Naquele tempo, lembra o ex-craque do ABC, não havia como comprar um chinelo novo caso o futebol se encarregasse de arrebentá-lo. Dorotéa queria mesmo era o filho estudando, o que explica o fato de que, até começar a jogar profissionalmente, Danilo foi o único da prole a freqüentar a escola. “Mas ir à escola é diferente de estudar”, brinca o bem-humorado uruguaio e ex-ídolo do ABC, Danilo Menezes, 65, hoje funcionário da secretaria municipal de Esporte e Lazer. Ouvindo as histórias do ‘Último Maestro’, apelido que ganhou do jornalista e biógrafo Rubens Lemos Filho é impossível dizer que o uruguaio que acredita que o destino dos homens depende mais da sorte que da competência encontrou o futebol por acaso. Em Rivera, cidade vizinha ao município gaúcho de Santana do Livramento, o garoto morava com a família numa casa de taipa por trás do estádio do Esporte Clube Oriental e, nos treinos do time, se posicionava atrás do gol para buscar as bolas que os jogadores chutavam para fora. No dia em que faltou um atleta, o treinador perguntou se o garoto prestativo não queria completar a equipe. Danilo entrou no campo, jogou e agradou. Ao fim do treino, após ouvir a pergunta do técnico sobre a possibilidade de seguir com o time, viu remontada, bem na frente, a primeira barreira da carreira: Dorotéa. E, durante um curto diálogo com o técnico, teve a primeira prova na vida de que a sorte seguiria com ele:

▶ O “Maestro” no gramado do Machadão; onde tantas vezes brilhou como atleta e técnico e onde ainda trabalha

DANILO ‘AMARELOU’ NA PRIMEIRA PARTIDA O trauma, no entanto, ainda não tinha terminado ali. Até entrar para o time, o mundo do garoto Danilo era o meio da rua. E a estreia com torcida, no fim de semana seguinte, novidade. A emoção era nova. “Na minha primeira partida, o bairro todo foi ao estádio para ver. Quando cheguei ao campo, a arquibancada estava lotada, todo mundo que eu conhe-

cia estava lá. Aí um pouco antes de começar o jogo, deixei tudo e fui correndo para casa com medo”, conta. O repórter foi direto na pergunta: “Você amarelou, Danilo?”. O craque não renegou o passado. “Amarelei. Fiquei com medo na hora. Aquele povo todo me olhando... Aí uma semana depois o técnico foi lá em casa perguntar o que tinha acontecido. Disse que fiquei com medo, que nunca tinha visto aquela gente toda. E ele me pegou, disse que eu ia vencer na vida e, no jogo seguinte, antes da partida, ficou do meu lado, me puxando para todo canto, e foi tranqüilo. Ganhamos o jogo com uma canelada minha que foi gol”, lembra.

A partir dali, a carreira de Danilo Menezes deslanchou. Na mesma temporada, o Oriental disputou uma espécie de ‘matutão’ com times do interior do Uruguai. A final, conquistada pelo time de Danilo, foi realizada na capital, Montevidéu. “Tinha um pessoal do Nacional vendo e, depois do jogo, vieram perguntar se eu não queria me mudar para lá”, conta. A resposta, como no primeiro convite, estava na ponta da língua do craque. “Querer eu quero, mas tem que perguntar para minha mãe”, disse na época, antes de Bittencourt entrar novamente na jogada, convencer dona Dorotéa e assinar o contrato pelo futuro ponta esquerda da seleção azul celeste.

REPRODUÇÃO

REPRODUÇÃO

UM PRÍNCIPE ENTRE GLÓRIAS E UMA POLÊMICA Começou na periferia de Rivera e terminou em Natal a trajetória de títulos de Danilo Menezes no Uruguai – Nacional (campeão uruguaio em 63 e vice da Libertadores em 64) - e no Brasil - Vasco da Gama e ABC (estaduais em 1972, 1973, 1976, 1978, 1983, 1984). Uma carreira vitoriosa pontuada pela idolatria nos dois países, reverenciado que foi pela imprensa e as torcidas por onde passou. A participação dele pelo Uruguai na Copa do Mundo de 1966, realizada na Inglaterra, também faz parte do currículo de Danilo. No entanto, uma polêmica poder vir à tona agora. Em duas entrevistas ao NOVO JORNAL, concedidas antes e depois da Copa da África, o ex-jogador contou detalhes da estada uruguaia no Mundial de 66. “Como era o mais novo, os jogadores mandavam eu ficar no quarto para vigiar enquanto eles saíam para a noite”, lembra rindo de um dos episódios de que se recorda. O problema é que o nome de Danilo não aparece na lista oficial da FIFA como um dos 22 integrantes do escrete Celeste que jogou

Depois do Mundial da África, a reportagem voltou a procurar o ex-jogador com as informações oficiais dando conta da ausência dele na Copa de 66. Menezes reconheceu que, de fato, seu nome não aparece na lista oficial da FIFA, o que só descobriu, alertado por um filho, dias depois do primeiro contato com o NOVO JORNAL, antes do Mundial africano. “Rapaz, foi mesmo. Meu filho gosta de mexer nessas coisas de internet, entrou no site da Fifa e gritou: ‘painho, seu nome não aparece na seleção de 66 do Uruguai! Fui ver e era verdade! Acho que foi um erro, me confundiram com um jogador que tem um nome russo. Fui à Copa de 66, mas fiquei na reserva”, disse. Na biografia ‘O Último Maestro’, que conta a história de Danilo Menezes, o jornalista potiguar Rubens Lemos Filho conta que o jogador, embora titular do Uruguai nas eliminatórias para o Mundial de 66, foi barrado por Ondino Vieira na preparação para a Copa. “Notou que o ambiente não era igual ao das eliminatórias, quando tornara-se unanimidade. Sob o argumento de priorizar os jogadores que disputavam o campeonato local, Ondino tirou a camisa 11 de Danilo Menezes e a entregou a Domingo Perez, jogador de fibra, mas de técnica tosca”, escreve o biógrafo. Na época, entre as eliminatórias disputadas em 1965, onde marcou o primeiro gol com a camisa celeste na goleada de 6 a 0 contra a Venezuela, em Caracas, e o Mundial de 66, Danilo Menezes, então craque do tradicional Nacional se transferiu para o Vasco da Gama, no Brasil. A transação ocorreu por 53 mil dólares, à pedido do consagrado técnico brasileiro Zezé Moreira, que dobrou o truculento presidente vascaíno Manoel Joaquim Lopes, avesso, de início, à contratação do futuro ídolo cruzmaltino. Sobre a participação dele no Mundial, Rubens Lemos escreve que Danilo conheceu a Inglaterra apenas como turista. “Danilo Menezes, porém, viu a Copa como um sisudo e compenetrado turista. Conheceu Londres, quando os Beatles estouravam, treinou e não sofreu nenhuma falta áspera. Ondino Vieira, como um teimoso, nem cogitou escalá-lo”, diz.

▶ Danilo no Vasco dos anos 1960 e depois com o ABC, na década seguinte: meia cliássico e ídolo em Londres. O site inglês http://www.planetworldcup.com/CUPS/1966, que traz o registro de todas as equipes que disputaram uma Copa do Mundo, também não faz referência a ele no selecionado uruguaio. Algumas informações passadas por Menezes também não batem com os dados oficiais, como as próprias seleções que formaram o grupo A ao lado do Uruguai (Danilo disse que o time jogou contra Inglaterra, Argentina e Suécia, quando na verdade o grupo era Inglaterra, França e México) e a fase em que a Celeste foi eliminada (o Uruguai caiu nas quartasde-final, mas o ex-craque informou que a seleção saiu na primeira fase sem marcar nenhum gol embora tenha vencido a França por 2 a 1). A reportagem chegou a enviar um email para a Federação Uruguaia de Futebol em busca de informações que confirmassem

a participação do ex-camisa 10 do ABC na Copa, mas a entidade não respondeu. O NOVO JORNAL também entrou em contato com o pesquisador e jornalista da ESPN Brasil, Paulo Vinícius Coelho, para tirar a dúvida. PVC, como é conhecido no meio, afirmou que Danilo Menezes não foi à Inglaterra baseado em informações do livro “Mondiale”, uma publicação sobre Copas do Mundo lançada em série pelo jornal italiano Corriere delo Sport. “Não foi. Estou com o livro aqui, ‘Mondiale’, e o nome dele não consta. Mas ligue para o El País que eles também podem confirmar e me ligue depois”, disse por telefone. A reportagem chegou a falar com um repórter da editoria de esportes do jornal uruguaio que disse lembrar de Danilo como jogador, mas não confirmou se ele esteve na Inglaterra em 1966.

ACHO QUE FOI UM ERRO, ME CONFUNDIRAM COM UM JOGADOR QUE TEM UM NOME RUSSO. FUI À COPA DE 66”

08-08-2010  

08-08-2010

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