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Sexta-feira: 09 de Fevereiro de 2018

Onde Mora a Chama da Esperança

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Periodicidade Semanal Director Editorial: Gervásio de Jesus Ano II Edição nº 30 Fevereiro 2018 Rua da Concórdia nº 49 – 2º Andar Contactos +258 82 31 00 980; +258 84 55 27 437 Email revistaidolo@idolo.co.mz www.idolo.co.mz

MATANÇAS E AGRESSÕES NAS INTERVENÇÕES DA PRM

Pag. 02

Política

Diáspora encoraja “diálogo sem mediadores”

Pag. 05

Economia

BM divulga novas Normas Cambiais

Pag. 12

Desporto

Quem vai levar um milhão de meticais?


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Sexta-feira: 23 de Fevereiro de 2018

POLÍTICA

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Diáspora encoraja “diálogo sem mediadores”

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ovas abordagens no processo da reconquista da paz efectiva é o que se fala e se vive na esfera pública. E fora de portas os países, que têm laços de cooperação com Moçambique, não estão alheios aos novos ventos da política nacional. Os passos alcançados nas negociações sobre a descentralização e desmilitarização, entre o Governo e a Renamo, após a quebra das tradicionais e improdutivas rondas de diálogo para uma surpreendente mediação cara-a-cara entre Filipe Nyusi e Afonso Dhlakama, foi para a comunidade internacional um sinal de que os moçambicanos podem “per si” reconstruir a atmosfera da estabilidade. Segundo o Embaixador da Palestina, Fayez Abdul Jawat, que falava em representação do corpo diplomático durante a saudação ao Presidente da República em Janeiro, a realização do diálogo directo sem recurso a medidores foi, sem dúvida, um passo gigantesco rumo à pacificação social e consolidação da paz e estabilização política. “E como reflexo desta iniciativa, criou-se um clima de paz e estabilidade política no País, que, sem dúvida, são as duas componentes fundamentais para o desenvolvimento económico”, secundou. Para o diplomata, este clima, por sua vez,

propiciou a tomada de uma série de medidas bem-sucedidas, na esfera política e económica que se traduziram no aumento do investimento interno e externo e numa franca recuperação económica. “E este cenário revela a materialização das vossas aspirações com vista o desenvolvimento do povo e da nação, o que é de louvar, e merece toda a nossa consideração, apoio e assistência da comunidade internacional e todas instituições económicas e financeiras. Analisando o pretérito ano de 2017, a comunidade vê como um ano de grandes desafios para o governo, mas entende que, apesar desses desafios, o Executivo soube

superar através de um desempenho equilibrado e estável, que teve como referência uma visão clara e rigorosa na resolução dos assuntos da nação, baseadas em três principais componentes, que são: a Unidade Nacional, Paz e Desenvolvimento Sustentável. No domínio da cooperação, a comunidade internacional caracterizou 2017 como ano da continuidade no alargamento das relações diplomáticas e diversificação de parceiras com vários países, através de uma diplomacia de harmonia, serenidade e equilíbrio. “Com certeza irão abrir novos horizontes no que tange as opções de investimento e crescimento económico”, acrescentou

​​Nampula volta as urnas a 14 de Março Depois do Conselho Constitucional deliberar a realização da segunda volta da eleição intercalar na autarquia de Nampula, o Conselho de Ministros, nas suas competência legais, marcou para 14 de Março o embate eleitoral entre o primeiro e segundo candidatos mais votados na primeira volta. O anúncio foi dado esta terça-feira, no fim de mais uma sessão daquele órgão. Assim, o escrutínio colocará a medir forças a Frelimo e a Renamo, através de seus candidatos, Amisse Cololo e Paulo Vahanle, respectivamente. A questão é que nenhum dos dois candidatos conseguiu atingir os 51% necessários para ser proclamado vencedor do escrutínio, realizado a 24 de Janeiro. Para além da ligeira margem de diferença de votos entre os dois candidatos, o processo foi marcado pela fraca afluência dos eleitores na primeira volta

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LIMAK CIMENTOS JÁ A OPERAR

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Mais 700 mil toneladas de cimento no mercado

nstalada no Parque Industrial da Matola, Província de Maputo, Limak Cimentos, SA, é a décima terceira fábrica de cimentos a operar no país e prevê colocar, anualmente, cerca de 700 mil toneladas daquele produto no mercado nacional. O investimento de 50 milhões de dólares norte-americanos, capital maioritariamente turco, emprega 141 trabalhadores moçambicanos, isto é, 96% do capital humano da firma. Parte significativa destes funcionários foi levada a Turquia para formação técnica em matérias de produção de cimento, para além de que, periodicamente, a firma recebe engenheiros turcos para aperfeiçoar o “Know How” dos nacionais. É um dos investimentos mais relevantes do grupo Limak, a nível de África, e foi inaugurada pelo Presidente da República, Filipe Nyusi, esta quarta-feira (21.02.18). O estadista descreve de forma optimista a entrada em funcionamento do empreendimento, primeiramente olhando para o aumento da disponibilidade do cimento para a construção civil num país que assiste um acelerar na edificação de infra-estruturas públicas e privadas. Concretamente, segundo o presidente, a disponibilidade será de mais de quatro milhões de toneladas por ano, contra três milhões de toneladas anteriormente. Por outro lado, Nyusi encoraja o crescimento da indústria de cimento, que tem registado evolução de cinco a dez por cento nos últimos cinco anos. Aliás, porque Moçambique é detentor de recursos minerais cruciais para a indústria de cimento, calcário e gesso, o dirigente exortou a Limak para usar matéria-prima do solo moçambicano, pois este feito poderá agregar valor a exploração de recursos minerais não metálicos e reduzir a importação de matéria-prima. Numa breve avaliação ao circuito da demanda e oferta daquele produto, Filipe Nyusi disse esperar que a Limak contribua para a estabilização de preço do ci-

mento no mercado. “Preocupa-nos a qualidade e a quantidade deste produto para abastecer o mercado... continuamos esperançados na entrada de mais unidades de fabrico de cimento”, disse. Na sua intervenção, o Director Geral e membro do Conselho de Administração da Limak Cimentos, Gültekin Aksüyek, disse acreditar que a fábrica, construída de raiz numa área de 80 mil metros quadrados, irá emprestar ao país uma nova visão e servir de exemplo para investimentos industriais na região com o seu estado de arte tecnológica, laboratórios de Investigação e Desenvolvimento, padrões de qualidade e de segurança ocupacional e abordagem de produção ami-

ga do ambiente. Para Aksüyek, este investimento irá desempenhar um grande papel no crescimento do volume de negócios entre a Turquia e Moçambique, até porque o Grupo Limak objectiva continuar os seus investimentos no país. Refira-se que os investimentos turcos em Moçambique atingiram cerca de USD 270 milhões, segundo avançou a embaixadora da República da Turquia, Zeynep Kiziltan. O Grupo Limak é o segundo maior produtor de cimento na Turquia, e com a fábrica aberta em Moçambique, situada entre as mais relevantes a nível de África, aumenta o escopo de acção e negócio da marca


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“100 Melhores PME de Moçambique” faz recorde

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6ª Edição do Prémio das 100 Melhores PME de Moçambique bateu, uma vez mais, o recorde de participação com um total de 622 empresas inscritas no evento que distingue as melhores entre as melhores do tecido empresarial de pequena e média dimensão, em Moçambique. Como habitual, os vencedores da edição referente ao ano de 2017 foram conhecidos durante a Gala de premiação. Vamos por categoria; O prémio BCI - Melhor PME do Ano – 2017 foi arrecadado pela INCALA, Indústria de Plásticos e Calçados. O prémio PME INOVAÇÃO – 2017 foi atribuído à Xava Lda e o prémio de PME INCLUSÃO – 2017distinguiu a Bindzu Agrobusiness & Consultoria, Lda. A 6ª edição distinguiu as melhores PME noutras dez categorias: PME Jovem Empreendedor para a SOS_Smart Office Solution, Lda; PME Mulher Empreendedora para a Ilulifemo, Construções, Lda; PME Gestão e Fiscalidade para a Malacha Construções, Lda; PME Exportação para a Saboeira de Inhambane; PME Produto Nacional para a

Winua, Lda; PME Agro Negócio para a WinResources; PME Turismo para a Diamonds Mequfi Beach Resort; PME Indústria para a Fábrica de Cofres de Moçambique e Serviços, Lda; Melhor PME para Trabalhar para a Ferro & Ferro Comunicações; e, finalmente, PME Higiene e Segurança no Trabalho para a Politérmica Moçambique, Lda.

Refira-se que o Prémio 100 Melhores PME de Moçambique é uma iniciativa do Grupo Soico e do Ministério da Indústria e Comércio, através do Instituto para Promoção das Pequenas e Médias Empresas (IPEME), e existe para incentivar a excelência e reconhecer as boas práticas empresariais em todo o território nacional

USD 14 milhões para agricultura e seca O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) vai apoiar, financeiramente, a implementação de dois projectos ligados a Recuperação da Seca e Resiliência Agrícola e Desenvolvimento de Habilidades para a Agricultura e Indústria. A intenção foi cristalizada a luz da assinatura de um acordo entre o governo e o BAD, na quarta-feira última em Maputo. Os projectos visam combater a pobreza rural, insegurança alimentar e degradação da terra, bem como o fortalecimento da capacidade das comunidades rurais para enfrentar as mudanças climáticas. O ministro da Economia e Finanças, Adriano Maleiane, assegurou, depois de rubricar o acordo, que o governo fará uma gestão criteriosa dos recursos concedidos pelo BAD, na perspectiva de lograr os resultados esperados pela população, tendo em vista o desenvolvimento do país. Maleiane sublinhou ainda que o apoio se alicerça nas relações de cooperação económica multilateral entre Moçambique e o BAD nos sectores da agricultura, transportes, energia e educação. A mobilização de recursos para suprir as necessidades financeiras para o desenvolvimento de infra-estruturas de produção e distribuição de energia, transportes, comunicação, abastecimento de água e saneamento é, segundo o Executivo, o principal desafio que se coloca na actualidade.

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ECONOMIA

Da contraparte, Pietro Toigo, representante do BAD, renovou o compromisso de apoio à Moçambique e esclareceu que para os próximos cinco anos, a intervenção do BAD poderá centrar-se no sector agrícola, por ser um sector que rapidamente aumenta o rendimento das populações carenciadas e cria mais postos de emprego


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BM divulga novas Normas Cambiais

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Banco de Moçambique (BM) reuniu esta sextafeira seus parceiros estratégicos para divulgar as Normas e Procedimentos Cambiais, recentemente aprovadas. Com base nas referidas Normas, os pedidos de licenciamento de operações cambiais passam a ser submetidos junto dos bancos intermediários das operações, atribuindo a estes o papel cada vez mais relevante neste processo, refere um comunicado do Banco Central enviado à nossa redacção. Segundo o documento, o Normativo aprovado pelo BM, no ponto sobre as receitas de exportação repatriada, preconiza uma actualização, na medida em que deixou de haver a obrigatoriedade da conversão imediata de 50% para a moeda nacional, conferindo aos exportadores e investidores maior protecção cambial. Foi igualmente reforçado o dever de utilização do sistema bancário nacional nas operações de recebimentos e pagamentos sobre o exterior. No que respeita às operações de capitais, destaca-se um relaxamento gradual de requisito de prévia autorização, nomeadamente em operações de investimento directo estrangeiro que passam a ser realizadas livremente junto dos bancos e a permissão para a recepção de empréstimos externos concedidos por não-residentes dentro de determinadas condições

APIEX e CBS firmam cooperação de competências que as organizações têm necessidade de preencher lacunas com base numa parceria estratégica de capacitação estruturalmente sustentável

A Agência para a Promoção do Investimento e Exportação (APIEX), e a Corporate Business School (CBS) – Escola Superior de Gestão Corporativa e Social - assinaram recentemente um memorando de entendimento com maior enfoque para a área de formação e troca de informações. Os documentos foram assinados pelo Director Geral da APIEX, Lourenço Sambo, e por Lourenço Dias, Director do CBS, que se comprometeram a pôr em marcha as linhas

constantes no acordo. Os signatários do protocolo estão convictos de que o Modelo Parceria Estratégica de Capacitação Estruturalmente Sustentável (PECES) é inovador permitindo e contribuindo para criar valor e reputação a todos aqueles que se engajam em gerar e aplicar os resultados da Sensibilidade como Fonte de Conhecimento Cientifico. A CBS surge para dar resposta a demanda do mercado a escala global relativa a soma


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Sexta-feira: 23 de Fevereiro de 2018

REPORTAGEM

EM CLARA VIOLAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS

Matanças e agressões nas intervenções da PRM

Corpos ensanguentados e crivados de balas, um cenário típico de uma chacina. Este é o espelho actual que é apresentado ao público como um mero resultado das operações da Polícia da República de Moçambique (PRM), aliado aos casos de agressões a civis indefesos protagonizados por agentes da Lei e Ordem. O fenómeno despoleta atenção e crítica dos diversos segmentos da sociedade, em especial ao judiciário e defensores dos Direitos Humanos, que questionam a legalidade das acções da Polícia, enquanto entidade que deve proteger a vida humana.

I Por: Mustafá Leonardo

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brutal violência, conheceu maior rubro em 2017, com os casos de perseguição a ladrões de estabelecimentos comerciais, que culminaram com baleamentos sucessivos de pelo menos dezasseis (16) jovens supostamente envolvidos. A estes, junta-se uma dose de casos de agressão de civis indefesos. Os dados representam o estrato dos casos ocorridos na cidade e província de Maputo, nos últimos seis meses do ano 2017. Vamos por partes O primeiro dos sinistros, deu-se no dia 13 de Agosto, na Estrada Nacional nº4, precisamente no bairro Trevo (zona da Frigo), no Município da Matola, no qual a Polícia crivou de balas sete jovens, integrantes de uma comitiva de supostos malfeitores, no interior de uma viatura mini-bus que alegadamente orquestravam um assalto nas imediações do local onde a troca de tiros ocorreu. Na noite de 14 de Novembro, mais um

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banho de sangue, em cenário similar, deu-se no bairro de Khongolote, onde seis indivíduos, supostamente criminosos, foram alvejados mortalmente. A Polícia, autora da “chacina”, alegou tratar-se de um grupo que, supostamente, tentava assaltar um estabelecimento comercial nas proximidades do Estádio Nacional do Zimpeto. Já no dia 15 de Novembro, três indivíduos foram abatidos na baixa da Cidade de Maputo, suspeitos de raptar um menor de oito anos de idade. A 04 de Dezembro, lê-se nas páginas do Jornal Público, a história de um adolescente de 17 anos, alvejado, sem precedentes, por um agente da Unidade de Intervenção Rápida (UIR), no bairro do Xipamanine. O baleamento, que causou a morte instantânea do jovem, foi autuado na 9ª Esquadra da Polícia, no bairro indígena. Narra-se que o agente que efectuou o disparo estava na companhia de outros dois agentes fardados e teriam abordado o jovem, António Borracha, na via pública, sem ter cometido qualquer acto de desordem.

REPORTAGEM por agentes da lei e ordem.

Alegações da Polícia Na sequência, o porta-voz da PRM na província de Maputo, Juarce Martins, reagindo ao caso do Trevo, disse, na data dos factos, que grupo alvejado vinha aterrorizando várias zonas no Município da Matola e que os presumíveis malfeitores foram seguidos pela Polícia, que se viu obrigada a disparar depois de estes desobedecerem uma ordem de paragem por via de um ataque com armas de fogo. “Uma unidade da PRM vinha seguindo o grupo, que se fazia transportar numa carrinha mini-bus, e deu ordem para que parassem, porque sabia quem eles eram. Ao invés de obedecerem à ordem abriram fogo contra a Polícia, ao que esta, em legítima defesa, e a tentar deter os criminosos, respondeu, acabando por atingir

O que está em questão? A actuação desta autoridade é colocada em causa por violar todos os dispositivos legais vigentes no país, bem como a convenção Internacional dos Direitos Humanos de que Moçambique é signatário, por quebrar um dos princípios fundamentais, o direito a vida. De acordo com o plasmado na lei, à polícia cabe garantir a ordem e segurança pública, isto pressupõe em primeira instância proteger a vida. Sabe-se, é competência da Polícia, neutralizar e encaminhar os supostos criminosos à barra da justiça acompanhado dos elementos comprovativos da prática do crime, cabendo às instâncias judiciais o julgamento e condenação dos transgressores nos ditames do Código Penal. A atitude torna-se ainda mais gritante pelo facto do Código Penal não prever pena de morte, independentemente do crime cometido, e juntando-se ao facto de nos últimos tempos o país assistir a bárbaros assassinatos e sequestros de individualidades dos quais a Polícia não consegue explicar, mas brinda o público com baleamentos a meros assaltantes de estabelecimentos comerciais. O mesmo acontece na esfera da agressão, onde civis indefesos são espancados

mortalmente sete daqueles indivíduos”, sustentou. Do lado da cidade de Maputo, o porta-voz, Orlando Modumane, disse que o grupo alvejado na jurisdição da cidade de Maputo, era uma quadrilha que, para além de assaltos a estabelecimentos comerciais, se dedicava ao roubo de viaturas. No rescaldo semanal do Comando Geral, depois dos incidentes dos dias 14 e 15 de Novembro, o porta-voz, Inácio Dina, veio a público autenticar os dizeres dos comandos da província e cidade, a tese de que a Polícia só disparou porque os criminosos abriram fogo primeiro, mostrando resistência e que não havia intenção de matar. “Ao olhar para a proporção do meio usado, em conformidade com a lei, a Polícia respondeu na medida certa recorrendo à arma de fogo. Infelizmente, do lado dos bandidos houve vítimas mortais. No caso em que se deu, observando a lei, a

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Polícia teve de abrir fogo e responder’’, referiu o porta-voz da PRM, Inácio Dina. Aliás, as alegações da polícia e os baleamentos são similares ao caso ocorrido em Outubro de 2015, no qual quatro presumíveis assaltantes foram alvejados a queima-roupa por agentes da Polícia, na zona da Matola-Rio, província de Maputo.

Juristas recomendam responsabilização dos agentes

Para analistas, actores da justiça e organizações não-governamentais, a actuação dos agentes da PRM contrasta com qualquer norma de conduta e lei vigente no país e nos Estados signatários da Convenção Internacional dos Direitos Humanos. Chamado a analisar o fenómeno, o antigo Bastonário da Ordem dos Advogados, Tomás Timbane, disse tratar-se de uma actuação absolutamente incorrecta. Para Timbane, os baleamentos deixam claro que a Polícia não respeita os direitos humanos no exercício do seu trabalho. Nesta esfera, o antigo Bastonário julga ser necessário fazer um trabalho de base para que situações deste género não ocorram, a começar pela responsabilização dos autores destes baleamentos. Outro factor, que a ser implementado poderá ajudar a minimizar a situação, tem a ver com a educação da Polícia, porque, segundo Timbane, um dos grandes problemas é o desconhecimento dos direitos humanos. Por ser um fenómeno recorrente, Timbane considera que o ministério de tutela e as instâncias da justiça, nomadamente, Ministério do Interior e Procuradoria-Geral da República, deveriam tomar uma posição em relação a isso. Assim, o interlocutor propõe que casos do género passem a ser investigados pela justiça para se chegar a verdade dos factos, porque “a actuação da lei e ordem


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Sexta-feira: 23 de Fevereiro de 2018

REPORTAGEM

não deve atentar a vida humana”.

POLÍCIA DE GUARDA PÚBLICA E O USO DE ARMAS DE GUERRA

Na mesma linha de análise, o jurista Rodrigo Rocha caracterizou como acto de brutalidade a forma como a Polícia agiu nos casos em apreço, e entende que o país está a viver um período de viragem da forma como as várias forças policiais e de investigação reagem a assuntos de natureza jurídica. “Temos visto assaltos e a taxa de criminalidade a subir aos quais muitas vezes a Polícia não consegue reagir e agora reagem a bruta, disparando”, criticou. Aliás, para o nosso entrevistado, a Polícia não tem formação sobre a forma de agir, e é-lhes dada uma importância acima do normal, por exemplo, as armas que a Polícia de guarda pública porta são armas de guerra (AK47), só este facto

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mostra o excesso de importância que é dada. Rocha julga que, pela descrição de como aconteceram os baleamentos, não houve resistência e conclui que havia espaço para evitar o banho de sangue e neutralizar com vida os presumíveis larápios para conduzi-los à barra da justiça. “O facto de termos um carro da Polícia atrás de meliantes, atacando e matando com tiros e não haver um único tiro sofrido no carro da polícia, revela que não houve resistência, isso mostra que o uso da força foi excessivo, o que coloca em causa o discurso de que “ a Polícia matou para se defender”, disse. Além disso, Rocha lembrou que há várias formas de neutralizar os meliantes, por exemplo, disparando para os pneus da viatura para bloquear os supostos criminosos. A terminar frisou que o ataque à vida humana é o último ponto que a Polícia deve pensar.

O GRAVE SILÊNCIO DAS INSTITUIÇÕES DE JUSTIÇA Os casos citados são de domínio público e fizeram correr tinta nos jornais, porém as instituições de justiça continuaram serenas e impávidas, enquanto os casos sucediam dia após dia. A Ídolo, procurou a reacção do ministério de tutela da Polícia, o do Interior, e em breve entrevista,

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o titular da pasta, Jaime Basílio Monteiro, fez jus as alegações do Comando Geral, vincando que é de lei agentes abrirem fogo para se defender dos criminosos. Porém, Monteiro admite que o fenómeno não é de agrado e deve ser revertido.

Assim, o ministro olha com bons olhos a ideia de ser necessário dotar os agentes da lei e ordem de conhecimentos sobre matérias de Direitos Humanos para que haja uma separação clara entre a reposição da ordem pública e desrespeito a vida e dignidade humana. Recorde-se que em meio a este momento atípico, o Presidente da República nomeou a magistrada Maria Helena Kida para o cargo de vice-ministra do interior. Pelo facto de ser uma figura que vem do judiciário, os juristas acreditam que sua nomeação pode ajudar a combater esta falha das instituições tuteladas


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António Barros lança “A Cabeça do Velho”

Auditório do edifíciosede do BCI foi palco do lançamento do livro “Na Cabeça do Velho”, da autoria do jornalista e radialista António Barros. A obra é uma compilação das crónicas escritas por Barros desde 1978, quando era correspondente da Rádio Moçambique em Chimoio, até aos dias de hoje, que se encontravam dispersas por várias publicações como “Diário de Moçambique”, “Notícias”, “Domingo”, “Tempo” e “Rádio Moçambique”. Almiro Lobo, a quem coube apresentar “Na Cabeça do Velho”, congratulou o autor por finalmente ter colocado à disposição do público este livro. “Publicar um livro é assumir riscos, é sair da zona de conforto. Há muito tempo que se justifica a publicação de textos sobre as pequenas coisas da nossa vida. Tenho vindo a insistir, com o António Barros e outros amigos, para começarmos a publicar aquilo que nos lembramos, antes que a amnésia nos convença que não vivemos, tendo em conta que a maioria dos aqui presentes tem mais passado do que futuro”, explicou. O académico referiu depois as várias dimensões da obra: “Os textos revelam uma atitude interventiva, uma espécie de

cidadania activa. Os temas são múltiplos. António Barros não se limita a fotografar, a diagnosticar. Sugere soluções, aponta caminhos. Interpela o presente com os olhos postos no futuro. Por coincidência, ou não, algumas dessas soluções tornaram-se realidades. Dois exemplos: a reversão da HCB e a ponte sobre o rio Zambeze em Caia. Estes textos foram es-

critos para serem lidos em voz alta e para agirem sobre o ouvinte. Reconhecerão em quase todos o tom de quem pretende mudar hábitos, provocar o debate de ideias, induzir a reflexão. Mas é também a importante reflexão que faz sobre o ofício de ser jornalista. Deixa recados úteis aos que, em início de carreira, se comportam como se nada tivesse a aprender com os mais velhos.” Após a leitura de algumas crónicas do livro e de momentos musicais interpretados por Fernando Luís, António Barros subiu ao palco. E foi visivelmente emocionado que agradeceu a todos os presentes. “O meu pai dizia que maior fortuna de um homem é ter amigos. Confesso: eu sou um homem rico”, começou por dizer o autor. Eu, de acordo com aquela trilogia já posso morrer. Já plantei árvores, tive filhos e agora escrevi este livro. A terminar, destacou o apoio da família e das pessoas que mais o influenciaram na vida profissional, nomeadamente: António Júlio Botelho Moniz, Rafael Benedito Maguni, Manuel Jorge Tomé, Manuel Fernando Veterano


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Bob Marley Reggae Festival em Maputo Durante o concerto, haverá espaço para workshop, exibição de documentário, feira de gastronomia e artesanato. Mais do que música, pretende-se um evento transversal dirigido a todas as classes sociais e idades, em que, claramente, juntará amantes e admiradores de música reggae e dance hall, mas também empreendedores artesanais e investigadores ou os interessados em aprofundar a cultura rastafári, um modo de vida que vai ganhando seu espaço em Maputo.

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acontecer pelo terceiro ano consecutivo, o Bob Marley Reggae Festival terá lugar no Parque Marginal, em Maputo, no dia 3 de Março, a partir das 12h00. O evento irá considerar dois momentos: das 12h00 às 18h00 haverá workshop sobre as origens e a essência do rastafári com a coordenação da Comunidade Nyabingh, projecção de um documentário sobre vida e obra de Bob Marley, bem como algumas apresentações culturais. Das 18h00 para frente, será o momento do espectáculo com mais de 20 artistas em palco. O evento pretende promover o conhecimento do rastafári e desmistificar sua associação ao tráfico de drogas. Estará em palco uma grande nata de fazedores de reggae nacional: as bandas Colectivo Reggae, Nyambigh Drums e Axicunda. Quanto a performances individuais, o palco vai receber nomes como Bug Shagan, Might Vibration, Rodhalia, Roots, Ras Tosh, Ras Tony, Ras Ito, Ras Pacifico, Pika, Ducha Lichucha, Red Eye e Ras Soto.

Sobre Bob Marley Bob Marley tido como o ícone e difusor principal da música reggae no mundo, antes da sua morte em Maio de 1981, nas suas músicas, que hoje continuam fonte de inspiração para muitos seguidores do rítmo, difundia mensagens de paz, amor, compaixão e almejava um mundo melhor onde a justiça reinasse para todos. Este cantor, guitarrista e compositor jamaicano de todos os tempos, famoso por popularizar o género, já vendeu mais de 75 milhões de discos em todo o mundo A sua dedicação por protestar contra os problemas que afligem a sociedade, le-

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vou através de sua música, o movimento rastafari e suas ideias de paz, irmandade, preservação ambiental, libertação, resistência e amor universal. A sua música foi fortemente influenciada pelas questões sociais e políticas de sua terra natal, o que lhe deu a categoria de a voz do povo negro, pobre e oprimido da Jamaica. Para além de falar sobre os problemas sociais de sua terra de origem, o músico debruçava-se sobre a África e seus problemas como a miséria, guerras e domínio europeu O seu álbum mais famoso na história, a “colectaria legend”, lançada três anos depois de sua morte, foi o mais vendido


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FINAL TOP 8 MAVILA BOY

Quem vai levar um milhão de meticais?

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ito equipas da cidade de Maputo entraram na corrida, show de bola, com algumas goleadas e adeptos aptos para celebrar as vitórias. Foi assim, o ambiente futebolistico durante as jornadas do torneio Top 8 Mavila Boy. E agora, suspense! Depois das meias-finais que resultaram na transição dos colossos Costa do Sol e Liga Desportiva de Maputo, a questão que impera no seio dos adeptos do desporto-rei é quem vai levar o gigantesco prémio de um milhão de meticais e deixar sua indelével marca na primeira edição do Top8 Mavila Boy? Prognóstico pode haver mas a verdade será sabida no derradeiro embate, final do torneio, agendado para este domingo, no relvado do Estádio Nacional do Zimpeto, a partir das 15 horas. O Costa do Sol chega a final depois de ter derrotado o Ferroviário de Maputo, nas meias-finais, por 1-0. E o seu adversário, Liga Desportiva de Maputo, derrotou o Maxaquene, também por uma bola sem resposta. Desta partida sairá o primeiro e segundo classificados


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Fundação Sidat apoia escolinhas de futebol

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Fundação Sidat, uma organização filantrópica em formação no país, está a proceder a oferta de bolas de futebol a clubes e escolinhas de formação espalhados por diferentes províncias da República de Moçambique. Trata-se de um projecto ambicioso e que tem merecido um forte regozijo por parte dos beneficiários, em particular, e a sociedade, em geral. A iniciativa, que iniciou com a disponibilização de 110 bolas a 12 escolinhas de formação e às equipas de formação de cinco clubes da cidade de Maputo, encerra essencialmente no apoio directo a formação e a massificação do futebol nacional, através da oferta de mil bolas a instituições que trabalham com crianças e jovens. Para além de Maputo, o programa de distribuição gratuita de bolas já alcançou as províncias de Inhambane e Nampula. Feizal Sidat, presidente da fundação, manifestou, outrossim, o desejo de ver minimizadas as dificuldades, em termos de disponibilidade de bolas, que as escolinhas e os escalões de formação dos clubes beneficiários enfrentam. A Fundação Sidat é uma organização de cariz solidário, portanto sem fins lucrativos, tendo a sua acção virada ao apoio ao desporto, ao sector da educação e a outros grupos socialmente desfavorecidos ao longo do País

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