Onde Mora a Chama da Esperança
Periodicidade Bimestral
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Ano 9 | Fundada em 2009
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150,00 MT R 35
Edição nº 45 | Agosto/Setembro 2017
ALTERNATIVA PARA CAPITALIZAR EMPRESARIADO
Salim Valá
ECONOMIA INCLUSIVA SÓ COM AGROINDÚSTRIA PUJANTE
Ídolo | Edição n⁰ 42 - 2017 | www.idolo.co.mz
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EDITORIAL
OS TOMBOS DE ABEL XAVIER!
O
novo ciclo de trabalho de Abel Xavier à frente dos “Mambas” foi marcado para já por dois tombos consecutivos e com repercussões extremas para a imagem do país futebolístico. A intermitente e histórica vitória, senão mesmo milagrosa, sobre a Zâmbia, nas qualificativas para o CAN-2019, indiciava a retoma da boa fase da selecção nacional. Mas tudo não passou de um sonho, uma vez que independentemente dos jogadores utilizados, Moçambique caiu logo a seguir em duas das três provas internacionais de prestígio previstas para este ano, nomeadamente a Taça Castle COSAFA-2017, realizada na África do Sul, e CHAN-2018 diante de Madagáscar. Confessamos que não estamos espantados com o resultado, porque quem despreza uma competição como a Taça Castle COSAFA não pode estar a preparar o futuro, com os pilares alicerçados, ou melhor não quer acompanhar a evolução numa base devidamente estruturada. Um país que nunca ganhou nada no futebol de alta voltagem não se dá ao luxo de relegar para o terceiro plano uma hipótese dignificante, onde já teve a ocasião de estar numa final, frente a sua congénere da Namíbia em 2015. Os bons projectos partem-se por aí quando pensamos viver de utopias. Qual selecção C, B e A para quem tem um campeonato nacional nivelado por baixo? Julgar
que o Moçambola é uma competição de qualidade excepcional é, no mínimo, cair no vazio emocional. E colocou-se a fasquia muito alta. E porque embandeirar em arco por causa de uma “milagrosa” vitória sobre a Zâmbia? É claro que um dia tínhamos de vencer os zambianos. Diríamos que foi um “acidente” de percurso saboroso ao termos ganho a Zâmbia, uma vez que essa vitória não reflecte o bom estágio do nosso futebol. Mesmo assim, ela deveria servir de catalisador para novas etapas, mas caímos no convencimento de que atingimos a plenitude da perfeição. Iludimo-nos por falta de humildade. Apreciemos o trabalho em curso noutras nações da região, como em Lesotho, Zimbabwe, Suazilândia e Namíbia. A Taça Castle COSAFA é uma competição regional de prestígio, que existe desde 1997, e vence-la deve ser uma prioridade para Moçambique. Para além da visibilidade, porque é transmitida pelo maior canal televisivo de desporto do continente africano - a SuperSport quer em serviço em português, quer em inglês -, tem premiação monetária e conta com o patrocínio oficial da maior cervejeira sul-africana – a CASTLE LAGER. É ridículo quando desprezamos e o reflexo da nossa péssima postura reside justamente aí: envolvemos toda a sociedade e depois brincamos com ela. Basta!
Gervásio de Jesus
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ECONOMIA
Aperto de mãos entre Max Tonela (à direita), Ministro da Indústria e Comércio, e Agostinho Vuma (à esquerda), Presidente da CTA
GOVERNO E CTA EM SINTONIA
O
Governo e o sector privado estão enlaçados na luta pela melhoria do ambiente de negócios, através de pavimentação de reformas impactantes na classe empresarial e na sociedade moçambicana. Com efeito, para dar novo ímpeto ao cenário, que se pretende cada vez mais atractivo e produtivo, as partes reuniram-se recentemente em Maputo e assinaram
um memorando de entendimento para a realização de 17 reformas até ao fim do ano. O compromisso foi assumido no decurso do IV Conselho de Monitoria do Ambiente de Negócios, dirigido pelo Primeiro-Ministro, Carlos Agostinho do Rosário. A plataforma de diálogo público -privado é realizada anualmente e define as acções de cada uma das partes, visando facilitar os negócios. O Conselho foi dirigido pelo
Primeiro-ministro, Carlos Agostinho do Rosário. Ressaltam no conjunto das reformas, medidas para a redução dos procedimentos para a abertura de empresas, o combate à corrupção, a evasão fiscal, a actualização do Código do Registo Predial e a formalização dos agentes económicos. Doze das 17 reformas acordadas serão implementadas pelo Governo, enquanto as restantes cinco estarão sob responsabilidade do sector privado.
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ECONOMIA
Agostinho do Rosário e Agostinho Vuma numa conversa animada
Max Tonela (à esquerda) , Agostinho do Rosário (ao centro) e Agostinho Vuma (à direita)
Ao intervir no acto, o Primeiro-ministro, Carlos Agostinho do Rosário, disse ser crucial trabalhar-se para a identificação de acções concretas que possam dinamizar a agricultura, turismo, energia e infra-estruturas. O governante enumerou alguns desafios que as partes deveriam superar conjuntamente a favor de um bom ambiente de negócios. “Devemos continuar a trabalhar juntos para fazer face aos seguintes desafios: aprimorar os mecanismos de procedimentos e licenciamentos das actividades
económicas, melhorar a qualidade de bens e serviços fornecidos pelo sector privado tornando-os mais competitivos no mercado nacional e internacional, pautar por uma cultura de transparência e cumprimento de prazos na prestação de serviços ao Estado e ao público em geral”, afirmou Carlos do Rosário. Por seu turno, o presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), Agostinho Vuma, aproveitou a ocasião para persuadir o Governo para que transfira as suas participações em empresas
para o sector privado. “Esperamos medidas de redução dos activos do Estado em interesses económicos das quais as acções do Estado possam ser dispensadas. A redução das participações do Estado a favor do sector privado pode ser uma medida que concorra para evitar o risco de colocar o Estado como avalista de interesses que podem ser meramente privados”, disse o presidente da CTA. Agostinho Vuma reclamou ainda da demora do sector público no pagamento às empresas que prestam serviços ao Estado
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TEXTO: MUSTAFÁ LEONARDO
FOTOS DE SALVADOR SIGAÚQUE
ENTREVISTA
- Salim Cripton Valá, em Grande Entrevista
AGROINDÚSTRIA É CRUCIAL PARA ECONOMIA INCLUSIVA Ídolo | Edição n⁰ 45 | Agosto/Setembro 2017 | www.idolo.co.mz
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ENTREVISTA
"Meu sonho é ver erradicada a pobreza em Moçambique", Salim Valá
N
asceu a 28 de Junho de 1969, em Inhambane, mas cresceu e foi socializado numa zona tipicamente agrária, na região de Chókwè, Província de Gaza, próximo do “berço de Samora Machel”, em Chilem-
bene, cognominado nos primeiros anos da independência do país como “O Celeiro da Nação”. Apesar de passar a infância, adolescência e juventude num território onde a agricultura, criação de gado e o trabalho migratório eram actividades fundamentais na economia política da região, cedo
apaixonou-se pela investigação, academia e acção desenvolvimentista, que viria a torná-lo como um cidadão preocupado com os assuntos da agricultura, economia e desenvolvimento rural. Falamos de Salim Cripton Valá (SCV), um homem cuja trajectória revela uma preocupação com as problemáticas da posse da terra, da agricultura sustentável e o desenvolvimento rural, do desenvolvimento económico, dos dilemas do desenvolvimento económico inclusivo e da reflexão permanente em torno do desenvolvimento endógeno. Pontifica, nessa sua paixão, uma atenção especial pelas múltiplas perspectivas sobre o desenvolvimento agrário e rural, até porque o seu percurso profissional fê-lo servir como coordenador de um projecto de desenvolvimento agrário, técnico e gestor de uma instituição de promoção do desenvolvimento rural, promotor e planificador de desenvolvimento económico e social, assessor do Presidente da República para assuntos de economia e desenvolvimento e, gestor de uma entidade financeira ligada ao mercado de capitais, bem como uma paixão pela docência e investigação. Salim Cripton Valá, em entrevista exclusiva à Ídolo, defende que o processo de desenvolvimento nacional deve estar alicerçado na Indústria Transformadora Baseada na Agricultura, e na Inovação Tecnológica. As políticas públicas de desenvolvimento económico inclusivo, crescimento económico orientado para a industrialização agrária e o fortalecimento das PME´s são algumas das questões afloradas na entrevista que se segue.
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FOTOS DE SALVADOR SIGAÚQUE
ENTREVISTA
“Há uma ligação
entre o meu percurso profissional e as minhas origens provincianas
”
I – Dr. Salim Valá, durante o seu percurso estudou e trabalhou sempre na área de desenvolvimento e economia, sobretudo no aspecto da economia rural e agrária. Porque essa paixão? SCV – Eu sou de origem provinciana, por isso identifico-me muito com as pessoas e as grandes problemáticas rurais e agrárias. Cresci no Chókwè, numa altura em que a economia política da região era assente na agricultura de pequena escala, praticada pelo sector familiar e, no pós-independência, assisti a implementação de políticas e estratégias de desenvolvimento rural focalizadas para a socialização do campo, cujos principais eixos da economia política combinavam a agricultura, pecuária e o trabalho migratório. Por isso, há uma certa ligação
entre o meu interesse pelo desenvolvimento rural e economia agrária, e as minhas origens. O meu horizonte visual e os meus sonhos, até aos 17 anos, foram dominados pelas imagens de campos agrícolas, sistema de irrigação, gado a pastar, piscicultura, unidades agro -industriais, máquinas agrícolas, agricultores, criadores de gado, associações e cooperativas agrárias, empresas agrárias, comercialização agrícola, casas agrárias, etc. Ainda hoje, já com os meus 48 anos feitos, quando se fala em desenvolvimento rural e agricultura isso toca-me profundamente. Eu sou dos tempos em que íamos trabalhar na machamba da Escola Secundária de Chókwè durante algumas tardes da semana, e o mesmo aconteceu quando estudei na Escola Pré-Universitária de Nwachicoluane. Estudar e desenvolver actividades produtivas era parte do processo formativo. I - Nas pesquisas académicas e debates, SCV cita Chókwè como exemplo de implementação de políticas agrárias. Porém, a realidade
mostra que o desenvolvimento económico ainda é incipiente na região. Que comentário faz? SCV – Considero Chókwè como um dos laboratórios, em Moçambique, quando se pretende fazer a análise das políticas e estratégias de desenvolvimento agrário e rural. Chókwè foi a região de implantação de um grande empreendimento destinado a dar corpo a várias ideias e mitos do Estado Colonial Português, o Colonato do Limpopo. No Pós-Independência, Chókwè foi considerado “O Celeiro da Nação”, e alvo da implementação de “Políticas de Socialização de Campo” cujas nervuras principais assentavam nas machambas estatais, cooperativas agrárias e aldeias comunais. Chókwè possui o maior regadio do país e um dos maiores da África Austral. A situação prevalecente resulta do fraco capital humano envolvido na agricultura, reduzido uso da tecnologia moderna na produção agrícola, fraco acesso ao financiamento e aos mercados pelos pequenos produtores, assistência
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ENTREVISTA técnica deficiente e ineficácia dos serviços de apoio ao desenvolvimento de negócios agrários. I - Afinal, qual é o sonho individual e colectivo do “menino” que cresceu no “Celeiro da Nação”? SCV - Meu sonho é ver erradicada a pobreza em Moçambique ainda durante a minha geração. A pobreza do país está directamente relacionada com o fraco desempenho da agricultura e da economia rural. A baixa produtividade agrária deve ser invertida com medidas de políticas assentes em inovação tecnológica, (incluindo novos insumos agrícolas, mecanização e irrigação agrícola), estímulo da procura através do agroprocessamento e abertura de novos nichos de mercado mais promissores. Sinto com muita satisfação que, nos últimos anos, o discurso tem sido muito mais pró-agrário e pró -rural, isto é, estamos a saber identificar, claramente, o foco central de priorização das nossas políticas públicas, orientando-as mais para os grupos sociais mais carentes e com elevado potencial de crescimento. Eu acredito, piamente, que a agricultura e as áreas rurais vão estar no centro das mudanças em Moçambique e, apostando nessas áreas e nas políticas públicas compreensivas e de longo prazo, estaremos melhor apetrechados para fazer com que as famílias rurais lutem para eliminar a pobreza com o seu próprio esforço e com dignidade. O importante é fazer com que o crescimento económico contribua para eliminar as bolsas de fome e de pobreza, e reduza drasticamente as desigualdades sociais. O que queremos é que o crescimento económico retire das pessoas
o “fardo da pobreza”, garantindo bem-estar social, ou seja, melhore a saúde, educação, abastecimento de água, segurança social, alimentação e habitação, e também através da melhoria da renda das famílias e criação de empregos dignos.
“
A Agricultura, o agro-negócio e as áreas rurais vão estar no centro das mudanças económicas em Moçambique
”
I - Dr. Salim Valá centra a sua abordagem de desenvolvimento nacional na produção agrícola e sua transformação, até porque é tida como base do desenvolvimento nacional. Todavia, os níveis de produção ainda estão longe de responder às necessidades internas, num contexto em que temos a paisagem rural com terra e mãode-obra em abundância. Sendo alguém que conhece o sector, o que está a falhar? SCV - Aproximadamente 68% dos moçambicanos vivem actualmente nas áreas rurais, e destes cerca de 80% vive dependendo da agricultura ou de outras actividades a ela correlacionadas para a sua sobrevivência. Portanto, deixar de fazer uma aposta nas áreas rurais e na agricultura é uma má opção, pois teremos uma orientação estratégica que não encontra sustentação na realidade do nosso país, que é essencialmente agrário, dominado pelas PME´s, possui ainda cerca de 46% da população a viver numa situação de pobreza e 43% com problemas de subnutrição. O combate à fome, na extensão do território nacional, é um elemento vital para a segurança do País.
Um dos factores constrangedores do desenvolvimento rural é o facto da agricultura praticada ser ainda maioritariamente rudimentar, feita com enxada de cabo curto, com poucos extensionistas à apoiar tecnicamente os produtores, fraca irrigação agrícola e com reduzido uso de insumos modernos como sementes melhoradas e fertilizantes e, por consequência, o nível de produtividade é dos mais baixos entre os países da SADC. Incrementar a agricultura significa libertar as energias dormentes das famílias rurais e do sector privado, reconhecer e valorizar as boas experiências da agricultura por contrato e focalizar e concentrar a atenção nos agricultores progressistas, ligados as principais cadeias de valor e localizados nas áreas de elevado potencial económico e de agroprocessamento. Não temos capacidade para fazer tudo o que tem de ser feito em todos os pontos do país, dai a necessidade de priorizar, focalizar e aprofundar. I - A nossa balança de transações com o exterior pesa mais as importações do que as exportações, dando a entender que somos um país com potencial, mas muito consumista, ao ponto de importar produtos básicos alimentares. Como inverter o cenário? SCV - Os processos de desenvolvimento e de formulação e implementação de políticas públicas não são “pêra-doce” nem são processos lineares e automáticos; não dependem apenas da vontade e das intenções, pois muitas vezes apenas alterar os discursos, por si só, não garante mudanças na realidade. É preciso partir da realidade dos problemas existentes, daquilo que já se faz de positivo, e ver como podemos melhorar a situação eco-
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ENTREVISTA nómica das famílias rurais, tomando medidas indutoras para elas apostarem em novas tecnologias e na inovação. O papel das Universidades, dos institutos, da investigação e da extensão rural é determinante para alterar os paradigmas. Se caminharmos no
mesmo trilho já percorrido no passado, só por sorte vamos obter resultados diferentes e as metas que pretendemos. Temos de introduzir mudanças, ser mais ousados, mais persistentes, melhorando a capacidade de implementação, para atingir metas e indicadores claros e mensuráveis. Trabalhar na agricultura, em toda a sua cadeia de valor, deve deixar de ser sinónimo de uso de tecnologias arcaicas, de pobreza, atraso e analfabetismo. Escolas e Institutos Agrários podem contribuir para formar os filhos dos camponeses e eles produzirem nas terras dos seus avós e pais, mas usando o conhecimento técnico e científico para produzir mais e produtos de melhor qualidade e procurados pelo mercado. É preciso fazer da agricultura um negócio mais atractivo. Temos de ter muito mais ricos ligados a agricultura e ao agro-negócio. É preciso inve s t i r ainda mais n a agric u l tura, dire c ta me nte na produção; temos de ter as famílias a
produzirem culturas como milho, mandioca, feijão, amendoim, batata-reno, tomate, soja, paprica, alho, alface, cebola, repolho, arroz, girassol, cana-de-açúcar, gergelim, tabaco, batata-doce, castanha de caju, macadâmia, pêra-abacate, algodão, chá, entre outros produtos agrícolas. O aumento revolucionário da produção e da produtividade nestas culturas fará com que Moçambique deixe de importar alimentos, e passe a exportar produtos demandados pelo mercado internacional para obter divisas. Não faz sentido, ainda hoje e depois de 42 anos de independência, estarmos a importar arroz, óleo alimentar, carnes vermelhas, batata -reno, tomate, cebola, frango e ovos. Moçambique tem todo o potencial para os produzir, processar internamente e exportar estes produtos. Podemos verificar, por exemplo, que a nível de África Austral, Moçambique é o país com maior potencial de produção de arroz, até para exportar para os países vizinhos, mas continuamos deficitários nessa cultura. É bem verdade que muitos problemas que entravam o desenvolvimento da agricultura não são exclusivamente de índole agrária, como as estradas rurais, a comercialização, a informação e comunicação, o financiamento, as infra -estruturas, a educação, a política de preços e os incentivos. É vital encarar a agricultura de forma holística, como uma actividade estratégica do Governo, onde diversos sectores dão a sua contribuição.
na criação “deApostar pólos agro-indus-
triais sustentáveis e dinamizadores da urbanização
”
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ENTREVISTA
"A viabilidade da agricultura está dependente da forma como a usamos"
I - Há no país algumas zonas rurais que produzem dentro das suas capacidades, mas ao fim e ao cabo, não conseguem mercado para vender os produtos, acabando por deteriorar-se. Como capitalizar essa produção? SCV - Os projectos de agroprocessamento sustentáveis e espalhados por todo o país podem constituir uma alavanca para o desenvolvimento rural, promovendo a emergência de micro e meso núcleos de povoamento, mais densamente distribuídos pelo país e mais sustentáveis. O que quer dizer que, se apostarmos na agricultura nas zonas rurais e criarmos indústrias de agroprocessamento, através de esquemas de produção por contrato, podemos ter empresas fomentadoras no território para que os agricultores possam produzir tabaco, soja, algodão, gergelim, “baby corn” (milho miúdo), paprica, girassol, macadâmia, por exemplo, com uma garantia de que a sua produção vai ser absorvida a um preço compensador. Esta é uma aposta para o de-
senvolvimento rural, a criação de pólos agro-industriais para o desenvolvimento de certas culturas que têm elevado valor no mercado e que são vitais para o aumento do rendimento das famílias e exportação para obtenção de divisas. É continuar a sermos criativos, ou seja, ter serviços financeiros adaptados às condições específicas da produção agrícola, e ter sempre presente as ligações de mercado. Temos de explorar melhor a realidade existente e que funciona na agricultura por contrato, onde o sector privado está já a contribuir para o fomento da agricultura familiar, através de mecanismos de financiamento, assistência técnica, fornecimento de insumos, apoio na preparação da terra e absorção da produção. Temos de encarar com muita seriedade a problemática da falta de meios de conservação da produção, que induz os produtores a venderem o resultado da sua produção ao desbarato. Há estudos que indicam que 25 a 30% da produção do sector familiar perde-se por ques-
tões ligadas a gestão pós-colheita. Isto levanta a necessidade de criação de meios e infraestruturas de apoio ao desenvolvimento de negócios agrários, como armazéns e silos, unidades de conservação e transformação, regadios e represas, estradas adequadas, adequado fluxo de informação sobre mercados e preços, bom sistema de transporte e existência de comerciantes rurais que permitem absorver a produção. Um outro ponto que requer atenção especial é que enxerga-se muito mato pelo país adentro, mas aquela terra está na posse de alguém ou uma empresa. Temos que usar melhor a terra fértil e arável que está sendo ocupada por pessoas que não estão a produzir, conforme preconiza a Lei de Terras, que defende que a terra deve estar na posse de quem a trabalhe. Esses são alguns dos gargalos que entravam o desenvolvimento da agricultura. Na minha óptica, a viabilidade da agricultura está dependente da forma como a usamos para promover a industrialização
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FOTOS DE SALVADOR SIGAÚQUE
ENTREVISTA
"Moçambique não vai-se desenvolver somente com o desenvolvimento agrícola"
do país. De contrário, vamos continuar a assistir o êxodo rural e a ser a actividade através da qual o subdesenvolvimento é estigmatizado.
“
A indústria transformadora e extractiva como motor da economia
”
I - Tanto falamos da agricultura, mas o país dispõe de potencial em outras áreas, é o caso dos recursos minerais. Que estratégia pode ser usada para desenvolver, de forma diversificada, a economia nacional? SCV - Moçambique não vai-se desenvolver somente com o desenvolvimento agrícola, é preciso apostar na indústria extractiva e transformadora. A indústria transformadora permite criar muitos empregos e vai absorver as matérias-primas provenientes da
agricultura e também da indústria extractiva, nomeadamente o carvão, gás natural, ferro e outros minérios, que são fundamentais para tornar robusta a indústria nacional. Moçambique não tem hipóteses de deslanchar a sua economia baseada apenas num sector ou actividade. O seu potencial agrícola, na área florestal e faunística, nas pescas, no turismo, nos recursos minerais e hidrocarbonetos, no comércio interno e transfronteiriço, na indústria transformadora e extractiva e nos corredores de desenvolvimento servindo o “hinterland”, desaconselham a adopção de uma abordagem unidireccional e dominada apenas por uma actividade económica. Temos tudo para pavimentar uma economia multi-sectorial moderna, que pode estar melhor aparelhada para ser menos vulnerável aos choques económi-
cos externos e a volatilidade dos preços no mercado internacional. Com o advento da exploração dos recursos minerais e hidrocarbonetos, temos de tomar medidas de política para fugir a “armadilha da maldição dos recursos” e a “doença holandesa”, fazendo a alteração estrutural da economia e apostando na sua diversificação. Uma questão que parece ser controversa é o papel da indústria extractiva no desenvolvimento da economia nacional. O problema não é a indústria extractiva, que normalmente é de capital intensivo. O ponto importante é como fazer com que os grandes projectos do complexo mineral-energético, florestal, turístico, das infraestruturas, etc, contribuem para reforçar as ligações intersectoriais, tenham fortes ligações com as PME´s e incorporem o conteúdo local? Aqui é que está o busílis do assunto. Temos de ser nós, os moçambicanos, a insistir e persistir em construir uma economia endógena e que contribua para fortalecer o empresariado nacional. Se queremos ter uma economia livre da pobreza, sem desigualdades sociais abismais e sem elevadas taxas de desemprego, temos de fazer uma aposta inequívoca na agricultura, na economia rural, na promoção das PME´s, na densificação da indústria transformadora e fazer do vírus do empreendedorismo um fenómeno de massas em Moçambique.
“
Estamos a investir com base nas poupanças dos outros
”
I - Já agora, que análise faz do actual estágio da economia, olhando para indicadores como PIB, inflação, taxa de câmbio e Relatório
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ENTREVISTA Doing Business? SCV - Os processos de desenvolvimento económico, mesmo quando bem sucedidos numa fase, devem ser devidamente implementados, monitorados e são processos sempre inconclusivos e inacabados. Tivemos mais de 15 anos com um crescimento na ordem de 7.5%, tivemos anos sucessivos de inflação controlada, os indicadores macroeconómicos transmitiam sinais de estabilidade, tínhamos reservas internacionais líquidas em níveis recomendáveis, que davam para sustentar mais de 5-6 meses de importação de bens não factoriais, tínhamos níveis de exportações dos megaprojectos que aumentavam de ano para ano. Conseguimos ser, como país, um grande atractivo de investimento directo estrangeiro a nível de África, fomos uma experiência de sucesso tal que os parceiros de cooperação (G-19), apoiaram na modalidade de apoio directo ao orçamento. Os indicadores macroeconómicos que mantínhamos eram um sinal de que estavam a ser adoptadas políticas macroeconómicas consistentes e prudentes. Mas não podemos esquecer que Moçambique é ainda um país pobre, dependente da ajuda externa, que precisa muito de investimento directo estrangeiro, com necessidade de elevar a sua competitividade económica e com um ambiente de negócios que inspira cuidados. A estrutura económica do país torna-o frágil para enfrentar crises económicas e financeiras internacionais e muito exposto a volatilidade dos preços das matérias-primas no mercado internacional. Não podemos deixar de equacionar a influência que a instabilidade em algumas zonas do centro do
país e a ocorrência cíclica de eventos climáticos extremos, bem como a dita “crise das dívidas ocultas”, que vieram trazer externalidades negativas na gestão económica do país, contrariando a tendência dos últimos anos. De forma clara, temos de deixar de viver com base nas poupanças dos outros. A promoção da poupança doméstica e a capacidade do país viver com base nos seus próprios recursos vai permitir o reforço das reformas orçamentais, fiscais e monetárias, e de toda a política económica do país, em que se dinamiza melhor a actividade económica, torna-se mais pujante a máquina de arrecadação de receitas e promove-se o mercado interno, em vez de olhar apenas para o incremento das exportações. I - Vamos directo ao ponto! SCV – Infelizmente, nos últimos anos, temos estado a ter uma situação económica não boa, em que estes principais indicadores sofreram revés, inclusivamente tivemos um nível de endividamento muito elevado. Hoje estamos na ordem de 120% do nosso PIB, o que é muito pesado para um país ainda pobre como o nosso. Mas, nós podemos ter sofrido uma grande contrariedade como país, mas não perdemos ainda a guerra em prol do desenvolvimento do país. Há alguns países que há 35 anos eram pobres e alguns até considerados “casos perdidos”, mas em menos de quatro décadas ergueram economias fortes, com amplo desenvolvimento industrial e promoção da urbanização, reduzindo drasticamente a pobreza, incrementando o índice de desenvolvimento humano, a competitividade económica e o ambiente de negócios. A história de desenvolvimento de países como Singapura, Coreia
do Sul, Taiwan, Hong Kong (China), Malásia e China é inspiradora. Para o caso africano, vale citar os exemplos de Maurícias, Botswana e Cabo Verde, como países que estão trilhando uma trajectória positiva no desenvolvimento económico. I - Como retornar ao ritmo de crescimento e evitar quedas futuras? SCV - Temos que estar com uma atitude muito avisada para que os ganhos possam ser multiplicados, para que a gestão dos processos económicos e políticos possam ter em conta os vários factores que podem bloquear ou favorecer o processo de desenvolvimento. O segredo reside em identificar os caminhos apropriados a seguir, com flexibilidade e disciplina, para que o desenvolvimento seja rápido, inclusivo e sustentável. Há uma necessidade de reconhecer que o endividamento excessivo para um país pobre como Moçambique é algo negativo, sobretudo quando ultrapassa rácios de sustentabilidade. Temos de fazer investimentos de qualidade na educação e formação de quadros em áreas relevantes para incrementar a economia, pavimentar o país de infra-estruturas, melhorar o clima de negócios, detonar a corrupção, apoiar o fortalecimento do sector privado e fortalecer as instituições. Não existem, obviamente, receitas prescritivas a serem seguidas, mas existem as boas práticas de gestão que podem ser implementadas de forma adaptativa, com criatividade, rigor e consistência. Tendo em conta que possuímos recursos escassos e não podemos fazer tudo, temos a obrigação de fazer investimentos inteligentes e com efeitos multiplicativos. Temos de promover a poupança interna e o investimento produtivo, reduzin-
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ENTREVISTA do drasticamente os gastos com o funcionamento da máquina do Estado. Temos de ter em conta que endividamento excessivo e não sustentável tem custos elevados, incluindo intergeracionais. É preciso mudar de paradigma e incutir ao Povo que pode viver melhor aumentando a produtividade e ter hábitos permanentes de poupança e a sua devida canalização para a esfera produtiva.
tem contas bancárias é cerca de 4,2 milhões num universo de 27,1 milhões de habitantes. Há muito trabalho a fazer para desmistificar a ideia de que os serviços financeiros são só crédito e
poupança, pois temos outros como leasing, Mercado de Capitais, Seguro, transferências financeiras, etc, que são também importantes eixos que tornam o sistema financeiro mais diversificado e pujante.
BVM COMO ALTERNATIVA PARA AS EMPRESAS SE FINANCIAREM
“
FOTOS DE SALVADOR SIGAÚQUE
Uma crise financeira cujos efeitos não foram totalmente debelados
”
I - Como olha para a saúde do sistema financeiro, como uma componente fundamental na economia? - O mundo está a passar por um momento conturbado financeiramente, e é natural que Moçambique não tenha ficado imune. O nosso sistema financeiro, apesar do boom que teve - com aumento do número de bancos e serviços tecnológicos de padrão internacional – o seu nível de bancarização é ainda relativamente baixo, com cifras abaixo de 25%, a taxa de inclusão financeira é de cerca de 15%, a população que já usou algum tipo de seguro não ultrapassa os 7%, a capitalização bolsista não ultrapassa a cifra de 8% do PIB, e o mercado de capitais ainda não está a ser usado devidamente pelos investidores e empresários. Apesar das medidas adoptadas pelo Banco de Moçambique, através da “Estratégia de Bancarização da Economia e Extensão dos Serviços Financeiros para as Zonas Rurais”, o sistema financeiro está muito concentrado nas principais cidades. O número de cidadãos que
I - No dia 02 de Novembro de 2016 foi nomeado para as funções de Presidente do Conselho de Administração da Bolsa de Valores de Moçambique (BVM). Como encara este desafio e que projectos têm para a Bolsa durante o seu manda-
to? SV - A BVM foi criada para servir como alternativa para as empresas e o Estado se financiarem, bem como para ser um instrumento de promoção da poupança e seu direccionamento para investimentos
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ENTREVISTA
"Não estamos satisfeitos com o lugar que a BVM ocupa no sistema financeiro"
produtivos. Eu tinha a consciência que havia muito trabalho já feito, que a instituição tinha alguns resultados obtidos nos últimos 18 anos, mas era vital capitalizar esses ganhos, dar um novo ímpeto e adequar a instituição aos novos desafios que a economia moçambicana enfrenta no presente e para o futuro. Não sendo um profissional ligado ao sistema financeiro, o meu enquadramento na equipa foi ainda mais complexo, pois era preciso conhecer a instituição e, simultaneamente, os seus principais dossiers. A minha sensação era de que vinha me juntar a uma equipa para, em conjunto, acelerarmos a acção da BVM para que ela assuma o seu lugar de relevo no sistema financeiro moçambicano. Portanto, o nosso desejo é estar no mercado para trazer novas valências e novos serviços; queremos ser uma instituição com um papel relevante no desenvolvimento económico do país; queremos ser usados mais pelas empresas e pelos investidores, nacionais e estrangeiros; pretendemos abrir
novas frentes através dos serviços de base tecnológica para ampliar as vantagens dos empresários em usar a BVM e espevitar e oxigenar ainda mais o sistema financeiro nacional. Estamos apostados em fazer da BVM uma alternativa financeira efectiva e abrangente para as empresas moçambicanas. Para tal, termos de ter uma postura muito atenta e avisada para aprender com a realidade nacional e externa, para que a BVM seja um verdadeiro ponto de convergência entre os investidores, empresários e empreendedores. Qualquer Bolsa deve inspirar confiança e ser transparente aos olhos dos agentes económicos, e nós não queremos ser excepção. As Bolsas são os barómetros das economias e a sua dinâmica espelha o ambiente económico do país. Nós estamos focalizados na tarefa de trazer mais empresas para cotarem-se em bolsa, renovar a base tecnológica e trazer novos produtos inovadores para o mercado, vamos acompanhar os sinais de mercado e procurar introduzir mudanças
para incrementar o contributo do mercado de capitais na economia. Estamos a promover um ousado programa de educação financeira, vamos continuar a estabelecer parcerias com instituições nacionais de promoção económica e a aprender com as bolsas de vários quadrantes do mundo. I - A BVM tem a missão de contribuir para o desenvolvimento sustentável da economia através da promoção, mobilização e alocação dos recursos financeiros para satisfazer às necessidades de financiamento dos agentes económicos. Qual é o cenário actual de adesão das empresas a Bolsa para se financiarem? SCV - Não estamos satisfeitos com o lugar que a BVM ocupa no sistema financeiro, pois ainda é um lugar diminuto e marginal. Uma das questões que discutimos ao nível interno é porque a BVM só tem cinco empresas cotadas, só tem uma capitalização bolsista de 8% do PIB, quando há países com 333% de capitalização Bolsista. Queremos inovar, trilhar novos caminhos e ousar. Pretendemos ser mais relevantes para as empresas e trazer uma “lufada de ar fresco” como uma viável alternativa de financiamento das empresas, incluindo as PME´s. A reacção do sector privado e das empresas é positiva. Temos estado a interagir com os empresários de Maputo e de vários pontos do país e sentimos um grande interesse dos agentes económicos em usar os produtos do mercado de capitais e os serviços que a BVM oferece e pode oferecer no futuro. Vamos prosseguir na nossa acção transformativa de injectar nova adrenalina no sistema financeiro e na economia moçambicana
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ENTREVISTA
MOMENTOS MARCANTES Tive alguns momentos marcantes na minha carreira, mas o que mais marcas deixou em mim foi fazer a passagem de técnico / gestor de desenvolvimento rural para ser Secretário Permanente do Ministério da Planificação e Desenvolvimento (MPD), no início de 2010. Não foi fácil para mim, fazer essa transição, e ter que concentrar mais atenção em tarefas relacionadas com a administração e aspectos burocráticos, e não
assuntos técnicos e operacionais. Foi um momento de grande aprendizagem para mim, e contei com o apoio dos dirigentes do Ministério e dos colegas, mas foi entrar para uma área diferente e delicada. Até hoje não sei se consegui responder a expectativa, mas senti que não foi fácil a natureza da nova tarefa e a adaptação, mas simultaneamente foi um exercício aliciante pela oportunidade de aprender
A VIDA DE SALIM VALÁ FORA DO TRABALHO (FAMÍLIA E OCUPAÇÃO NOS TEMPOS LIVRES) Fora do serviço, divido o tempo entre estar com a família, praticar desporto, repousar, ler e escrever e conviver com familiares e amigos. Nos últimos tempos, tenho sido muito atraído pela natação e por cuidar do jardim.
É frequente assistir jogos de futebol com amigos e, regularmente, depois de ler alguns livros, é costume discutir o seu conteúdo com amigos que são docentes e investigadores. Aos fins de semana, costumo assistir filmes
Perfil
Nome completo: Salim Cripton Valá Data de nascimento: 28 de Junho de 1969 Local: Cidade de Inhambane, Província de Inhambane Obras: Autor de quatro livros, nomeadamente: • A Problemática da Posse da Terra no Chókwè; • Desenvolvimento Agrário e Papel da Extensão Rural • Desenvolvimento Rural em Moçambique: Um Desafio ao Nosso Alcance • Desenvolvimento Económico Local: Pontos e Contrapontos Hobby: Ler Ídolo: Papa Francisco Autor predilecto: Robin Sharma Viagem de sonhos: Grécia Desporto favorito: Natação Ídolo | Edição n⁰ 45 | Agosto/Setembro 2017 | www.idolo.co.mz
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ECONOMIA
CONSTRUÇÃO DE CASAS AVANÇA EM SETEMBRO
M
ais um projecto de cinco mil casas deverá nascer em breve na capital do país. O acordo ora assinado, em Abril de 2017, entre o Município de Maputo e a Akay Constructions da Turquia estabelece que os apartamentos, cujo projecto arranca já em Setembro, estejam distribuídos pelos bairros do Zimpeto, Polana Caniço e distrito municipal da Ka-Tembe. A meta é que se construam cinco mil, mas a procura é que vai definir o número definitivo de apartamentos. É que, numa primeira fase, devem haver pelo menos 2 500 can-
didatos, que devem impulsionar, já na segunda fase, a construção da outra metade. Também de acordo com o nível de procura, serão entregues entre 500 e 1000 apartamentos por ano, a partir do próximo ano.
Novas casas para Maputo e Ka -Tembe Os apartamentos, direccionados aos munícipes de Maputo, serão acessíveis a pessoas de pelo menos rendimento médio. O preço deve estar abaixo de 100 mil dólares a serem pagos em 120 prestações mensais, isto é, em 10 anos. Importa referir que, caso custem
70 mil dólares, conforme o desejo manifestado por David Simango, o custo total de cada apartamento será de aproximadamente 4 200 000 meticais ao câmbio actual o que corresponde a prestações 35,000 por cada mês. O representante da Akay Construções, Ertan Olgun, pede redução de encargos fiscais para flexibilizar a iniciativa. De realçar que o vice-presidente da AKAY CONSTRUCTIONS, Ali Goksin, esteve em Moçambique, concretamente em Maputo no primeiro trimestre deste ano, trazendo consigo investidores em busca de oportunidades em projectos de habitação bem como de construção de infraestruturas
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ECONOMIA & NEGÓCIO
Administrador do BCI, José Furtado
DISTINÇÕES MERITÓRIAS PARA
O
BCI foi distinguido este ano pela revista internacional “Global Banking & Finance Review”, Banco Comercial do ano em Moçambique, por se ter destacado como líder na prestação de serviços, consistência, metas alcançadas e o empenho no desenvolvimento da economia nacional. Esta revista internacional, uma das mais prestigiadas referências do mundo financeiro, com sede no
Reino Unido, em 2015 distinguira o BCI, pelo terceiro ano consecutivo, como o “Melhor Banco Comercial – Moçambique 2015” (Best Comercial Bank - Mozambique 2015) e o “Melhor Banco de Retalho – Moçambique 2015” (Best Retail Bank – Mozambique 2015). O BCI tem tido um grande e significativo reconhecimento nacional e internacional, nos últimos anos: já em 2017, o BCI conquistou cinco ‘Diamond Arrow Awards’ (Setas de Diamante) na cerimónia de atribuição dos prémios PMR
Africa de Moçambique, tendo-lhe sido atribuído o galardão de nível máximo nas categorias de o ‘Melhor Banco de Particulares’, o ‘Melhor Banco de Empresas’, o ‘Melhor Banco de Investimento’, o ‘Melhor Banco em Cartões de Crédito’ e a ‘Instituição que demonstrou excepcionais qualidades de Gestão e de Governação Corporativa em Moçambique’; a obra do EdifícioSede do BCI foi distinguida como o “Melhor Empreendimento” nos Mozambique Real Estate Awards. Recentemente, no âmbito dos
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ECONOMIA & NEGÓCIO prémios “VISA Global Service Quality Awards 2016”, que distingue as instituições a operar em Moçambique, o BCI conquistou a categoria “VISA Global Service Quality Awards 2016”, um galardão que privilegia a área de dinamização e campanhas (Brand Activation). A revista “World Finance” distinguiu o BCI como “O Melhor Banco Comercial em Moçambique
(2016)”, pelo sexto ano consecutivo. Conquistou igualmente o prémio ‘O Melhor Banco de Retalho em África’ (Best Retail Bank in Africa) 2016, instituído pela prestigiada revista ‘The African Banker’. Estes prémios representam o reconhecimento internacional do desempenho do BCI no mercado moçambicano, onde, nos últimos anos, tem vindo a assumir um pa-
pel de grande relevância na prestação de serviços bancários. O acerto da estratégia de actuação do BCI está alicerçado no profundo conhecimento das necessidades de serviços bancários dos seus Clientes, ajustados a cada segmento da população, através de uma oferta de produtos e serviços diversificada, integrada e em constante aperfeiçoamento
APADRINHA QUERO SER FORMAL
Noémia Simão, Secretária Executiva Nacional da CCIJM
F
oi formalmente lançada no passado dia 19 de Julho, em Maputo, uma campanha nacional denominada “Quero ser Formal”, numa iniciativa da Câmara de Comércio e Indústria Juvenil de Moçambique (CCIJM) da província de Maputo. O acto teve lugar no quadro da Conferência do Sector Informal sobre o papel fundamental que este exerce no crescimento socioeco-
nómico de Moçambique, que reuniu agentes informais provenientes de diversos pontos de país, no Auditório do Banco Comercial e de Investimentos (BCI), em Maputo. Com o apoio do BCI, o evento contou com a presença do viceministro da Indústria e Comércio, Ragendra de Sousa, com o embaixador da China, e com representantes de instituições públicas e privadas, entre as quais o Conselho Nacional da Juventude, Alfândegas, Actividade Tributária, IPEME,
AEIMO, PIE, Halakavuma e ANJE. Para a mentora da iniciativa, Noémia Simão, Coordenadora Nacional da Campanha “Quero Ser Formal” e Presidente da CCIJM da província de Maputo, “esta cerimónia marca o começo de uma marcha sem fim, que tem como principal objecto o sector informal, coração da economia moçambicana, com cerca de 7 milhões de agentes económicos informais e uma contribuição no PIB em cerca de 60%, e 80% em termos de empregabilidade”. Noémia Simão, que passou a partir desta Conferência a acumular o cargo de Secretária Executiva Nacional da CCIJM, realçou que o informal “é um sector aglutinador onde encontramos pessoas de todas as faixas etárias: crianças, jovens e adultos, de todas as raças e etnias. É ainda um sector acolhedor […] onde encontramos a primeira solução para o combate ao desemprego, criando o auto-emprego. É onde encontramos ainda
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ECONOMIA & NEGÓCIO suporte e a complementaridade dos sectores de actividade, visto que os agentes formais são insuficientes para abastecer o mercado em insumos, serviços e produtos”. Na sua intervenção, o Administrador do BCI, José Furtado, registou com agrado “a oportunidade que nos é concedida de podermos contribuir com a nossa própria perspectiva para o enriquecimento do debate em torno das questões relacionadas com o financiamento das actividades do Sector Informal”. Furtado sublinhou a importância daquele fórum que, segundo afirmou, “tem o condão de reunir relevantes actores
do desenvolvimento do país, para em conjunto buscarem respostas aos desafios que se colocam, e que se resumem no lema desta Confe-
rência: ‘O papel Fundamental que o Sector Informal exerce no crescimento socioeconómico de Moçambique’”
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SOCIEDADE
NÃO HÁ FISCAIS SUFICIENTES PARA CONTER “CAÇA” FURTIVA Moçambique foi, nos últimos anos, um dos países com elevados índices de crime contra a fauna e flora, uma posição influenciada por infracções de tráfico de cornos de rinocerontes e marfim, cuja procura e preço são apetecíveis no mercado internacional. Nesta senda, o combate a este mal continua sendo um dos principais desafios da actualidade e principal agenda dos organismos do sector faunístico e
florestal. Na perspectiva de encontrar estratégias visando reverter o cenário, a Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC) e a Wildlife Conservation Society (WCS), ambicionam ver estabelecida ou criada uma Unidade de Combate ao Crime Contra Fauna em Moçambique. A criação deste organismo foi debatida, em Julho de 2017 em Ma-
puto, num evento que tinha como objectivo melhorar o conhecimento dos participantes sobre o crime contra a fauna, o quadro institucional e legal, comparar experiências e lições aprendidas em outros países, discutir o papel das instituições de fiscalização na monitoria, gestão e redução do crime contra a fauna. O encontro analisou igualmente políticas e estratégias concretas de combate a este fenómeno
POLÍTICA
DANILO TEIXEIRA ELEITO SG DA “CONTINUADORES” Danilo Aly Teixeira, deputado da Assembleia da República pela Frelimo, é o novo Secretário-Geral da Organização Continuadores de Moçambique (OCM), em substituição de Beleza Fernandes Zita, que cumpriu dois mandatos de cinco anos . Com 55 votos a favor, Danilo Aly Teixeira suplantou a concorrência de Iva Carla Chichava, que colectou 53 votos, e de Jacinta Santiago, que obteve apenas 16 votos, no decurso da V Conferência Nacional da organização. Até à data da sua eleição, Danilo Aly Teixeira continuava ligado à esta organização da qual foi membro e acérrimo defensor dos ideais que nortearam a sua criação. A conferência da “Continuadores”, realizada em Julho de 2017, no município da Matola, elegeu também o
novo Conselho Fiscal presidido por Sónia Macuvele, da cidade de Maputo, tendo como vogais Marcelo Dias, de Manica, e Leonel Jamal, de Nampula, respectivamente. Falta eleger quatro elementos que vão compor o secretariado da organização. Entretanto, o Conselho Central da
“Continuadores” será composto por 80 membros, 78 dos quais já foram escolhidos, sendo que os restantes dois serão indicados pelos ministérios da Educação e Desenvolvimento Humano; Género Criança e Acção Social, parceiros da “Continuadores”. A conferência foi convocada para a revitalização dos órgãos sociais da “Continuadores”, revisão dos estatutos para adequá-los à nova realidade do país, reflexão sobre os novos desafios que a organização enfrenta, a sua sustentabilidade, entre outros. A Organização Continuadores de Moçambique foi criada a 25 de Outubro de 1985 pelo Presidente Samora Machel, com o objectivo de transmitir às crianças os valores do patriotismo, respeito, solidariedade, unidade nacional e cultura de trabalho
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POLÍTICA
TEXTO: MUSTAFÁ LEONARDO
A sua luta incide na necessidade de uma independência económica e cultural do país
FRANCISCO CAMPIRA, UM POLÍTICO PLURALISTA
F
rancisco Vasco Campira é um actor político que se notabilizou na luta pela união e inserção de partidos políticos extra-parlamentares na mesa de debate público sobre como são conduzidos os destinos do povo do seu país. Presidiu partidos e coligações de partidos políticos, movido pelo so-
nho de contribuir com suas ideias para o alcance da independência verdadeiramente efectiva em todos os domínios. A trajectória a seguir narrada, leva-nos até a ex-Lourenço Marques, nos anos 70, ao encontro da sua primeira paixão, o desporto que marcou, de forma indelével, grande parte da sua juventude. A posterior, desvendamos que, afi-
nal, Campira é um homem multifacetado, com passagem pela construção civil, pintura, pesca, política e actualmente representa a voz do cidadão na magna Casa do Povo, Assembleia da República, pela segunda maior bancada parlamentar (Renamo), isso sem deixar de lado os amores pela academia e negócios. A conversa aconteceu no belís-
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POLÍTICA
simo Radisson Blue Hotel, na cidade de Maputo, em ambiente de requinte e luxo. O deputado esteve à-vontade e com respostas sobejamente prontas na ponta da língua, à moda dos políticos. A começar, identificou-se como um cidadão comum, nascido na antiga cidade de Lourenço Marques, hoje Maputo, em 1964. No entanto, define-se como um atleta, porque, para além de hobby, o desporto é uma das suas maiores paixões e na juventude deu passos que quase o conduziam ao estrelato. Segundo revelou, praticou várias modalidades desportivas, desde o futebol, basquetebol, andebol até ao hóquei, chegando a ser o melhor da sua equipa no basquetebol, a ponto de ser eleito para treinar a selecção da sua escola rumo aos Jogos Escolares, em 1990. Ainda na infância, foi marcante a sua passagem pelo antigo Instituto Mouzinho de Albuquerque, actualmente Escola Secundária da Namaacha, onde estudou em 1974, e Escola de Artes e Ofícios,
em Massinga, onde fez o curso de pintura. “Na Escola de Artes, tínhamos uma disciplina de orçamentos e agarrei-me muito a ela, e fui-me profissionalizando ao ponto de ter exercido durante algum tempo a profissão de orçamentista na área de construção civil”, contou.
A génese dos amores pela política Filho de peixe sabe nadar, diz um adágio popular e não falhou. Francisco Campira é filho de um político veterano do movimento frelimista e combatente de Luta Armada de Libertação Nacional, daí que desde cedo teve contacto com a epopeia das operações e actores que conduziram a conquista da soberania do Estado em 1975. Os caminhos de Vasco Campira Mamboi são memórias ainda vivas e servem de inspiração para Francisco Campira. “Pelo facto de o meu pai ter sido uma pessoa muito influente no regime colonial
e primeiro pintor moçambicano, Eduardo Mondlane sabendo da sua existência, chamou-lhe para a luta armada. Ao responder positivamente ao convite, decidiu levar também, na altura, minhas duas irmãs mais velhas e foi deixá-las na casa do Rei Lhamine, na Suazilândia. Depois partiu para Dar-es-Salam, onde assumiu o cargo de vicechefe nacional na área de serviços de reconhecimentos, que era uma unidade de Segurança Nacional. Portanto, ele era um quadro da Frelimo”, narrou. Pelo sucedido, o então aspirante a político, passou parte da sua infância sem o colo paterno, por uma razão patriótica. “Comecei a beber isto ainda cedo, porque quando fui crescendo, sem o meu pai por perto, questionava a minha mãe, e ela explicava-me que o meu pai estava na luta armada”.
“
Recordo-me dele ter regressado numa noite com Urias Simango
”
Pelo meio do processo para a Independência, abria-se uma nova etapa marcada por turbulência entre os percursores da Frelimo. Foi nessa esfera que Campira assistiu a prisão do seu pai por causa política, alegadamente porque ele pertencia ao grupo da Frelimo que defendia um processo democrático. Esteve envolvido na turbulência quando muitos quadros abandonaram Dar-es-Salam. “Recordo-me que ele teria regressado numa noite com Urias Simango. E depois da Independência levou-me para o gabinete do senhor Armando Guebuza, na altura ministro do Interior, também
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POLÍTICA
para o gabinete do ex-ministro Mariano Matsinhe e apresentoume. Nessas andanças, ele procurava uma reintegração no partido”, relembrou. Como é evidente, razões houve até de sobra para tornar Campira num adepto, fazedor e amante da vida política.
“
Dos primeiros passos à presidÊncia de partidos e coligações
”
A estreia de Francisco Campira no mundo político, propriamente dito, aconteceu no Partido de Convenção Nacional (PCN), fundado pelo seu pai, onde foi delegado provincial de Maputo. A seguir, o Partido do Congresso Democrático, onde assumiu o cargo de Secretário de Mobilização, a nível nacional, partido este que entrou na corrida à presidência, nas eleições de 1994. Em 1999, fundou o Partido de Ampliação Social de Moçambique
(PASOMO), que concorreu nas segundas eleições gerais. Em 2009, fundou a coligação G-12 e, posteriormente, a Oposição de Mãos Dadas, “que visava criar um fórum onde pudéssemos discutir as nossas preocupações”.
“
Sonho ver um Moçambique independente na sua plenitude
”
Vemos uma caminhada marcada por um forte activismo político, o que o move? Foi em resposta a esta questão, que o deputado desvendou o seu maior sonho, nomeadamente o de ver um Moçambique independente na sua plenitude. Instado a argumentar a sua afirmação, Campira disse sentir que “temos uma independência política, mas falta-nos a independência económica, cultural e social. E olhando para questões culturais, sentimos que hoje bebemos muito da cultura europeia, o trajar, a gas-
tronomia e os demais hábitos. Devíamos dar primazia a tudo que diz respeito a nossa identidade”. O nosso entrevistado é de opinião que deve haver de quem governa e seu elenco (Presidente da República e membros do governo), um maior e melhor trabalho de disseminação dos aspectos culturais, sociais e económicos. Entretanto, Campira não deixou de reconhecer algum esforço em curso nesse sentido, como, por exemplo, “na cultura onde se tenta resgatar o valor da música de raiz, a marrabenta”. Na arena política e governativa, elogiou os passos dados no “dossier” da paz, com a trégua anunciada pelo líder da Renamo, Afonso Dhlakama, em acerto com o actual Presidente da República, Filipe Nyusi. Campira sempre demonstrou preocupação com o cumprimento do Acordo Geral de Paz, tendo feito discursos fervorosos a denunciar violação dos Protocolos 4 e 5 do AGP, relativos a integração dos
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POLÍTICA homens da Renamo nas fileiras da PRM, FADM e SISE.
“Não me conformo em ser um simples deputado, quero sempre fazer mais
”
Arrolamos quase todas as realizações e conquistas, com destaque para a presidência de uma formação partidária, o estatuto de deputado e questionamos ao entrevistado sobre o que mais quer alcançar na arena política, a resposta não tardou: quero ser tudo aquilo que for possível para melhor servir este país. Eu tenho uma veia política, por isso não me conformo em ser um simples deputado, quero sempre fazer mais. Também desejo aspirar a governação. Gostaria de ver alternância e eu quero acompanhar esse processo”.
“Um dirigente
que vai ao pódio precisa de ter
números e domínio de indicadores
”
No cerne da sua estreia nos meandros da academia, o académico e constitucionalista Gilles Cistac, baleado mortalmente no ano transacto em Maputo, foi e continua sendo um ídolo para Francisco Campira. “Fui muito motivado pelo professor Gilles Cistac. Lembro que um dia apresenteilhe os meus filhos e ele disse: ils devraient étudier em francês, o que significa eles devem estudar. Isto marcou-me muito, a necessidade de estudar. E olhando para o background académico de Cistac, comecei a reflectir que algo, realmente, faltava em mim, o lado da academia”. A julgar pela amizade que tinha com o falecido constitucionalista e pela facilidade com que manuseava as leis para argumentação das suas convicções, era de esperar que Campira enveredasse pela área de Direito, mas para a surpresa de todos, escolheu fazer formação superior em estatística. Explica que se apaixonou pela estatís-
tica por julgar essa como uma área transversal, pois é ela que dá os indicadores para instituições públicas, privadas; mostra o desempenho e variações financeiras, bem como o grau de sucesso na implementação dos projectos. “Ela serve mesmo na vida política. Um dirigente que vai ao pódio precisa de ter números e domínio de indicadores como o PIB, a inflação, taxa de câmbio, pois quando falamos de orçamento do Estado são números, a distribuição da renda. Um político precisa de ter este suporte para poder argumentar e ser convincente”.
“AnÁlise estatÍstica
nas suas Ambições empresariais
”
Fundou a sua primeira empresa em Nampula, chamada Casal Construções, que prestou serviços para várias empresas públicas e privadas. A segunda empresa foi uma carpintaria. Chegou a ser madeireiro, em Muecate, na província de Nampula. “Tive muito sucesso nessa área e isto foi amplamente mediatizado, pois era um trabalho muito árduo para vender a madeira aos chineses”. Actualmente abriu uma empresa de análise estatistica que tem como visão ser referência na arena nacional e internacional, com a missão de garantir a eficiência na recolha, processamento e divulgação de dados estatisticos. “Estamos na fase embrionária e de conquista do mercado. Para tal, contamos com um elenco muito forte de técnicos superiores em estatística, matemática, antropólogos, economistas, financeiros, entre outros profissionais”
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APANHADOS
VOZES DOS ALÉRGICOS AO SISTEMA
O
s indisfarçáveis rostos críticos à governação do Presidente Filipe Nyusi. Esses são alguns, dentre vários, que sem papas na língua e com garras aguçadas vão afrontando o Presidente da República e o partido Frelimo, responsabilizando-os pela crise económica e financeira prevalecente no país. Mostramse alérgicos ao sistema instalado que, na sua visão crítica, aprisiona Moçambique, favorecendo a corrupção e uma actividade parlamentar que dificulta a mudança. Consideram que a governação do Presidente Nyusi não tem direcção e o sistema político de hoje, com financiamento compulsivo de campanha, é uma "camisa de força" a impedir transformações mais profundas. O sistema judicial também não escapa a críticas, pois é definido como "lento, elitista, pouco transparente e permeado por interesses privados”. Chegam a afirmar que o Estado está tomado pelo crime organizado, com prejuízos notáveis para a sobrevivência do povo. Este é o primeiro tema da nossa nova Rubrica "Apanhados" que vai espelhar os bastidores da realidade moçambicana
Ivone-Soares
Venâncio Mondlane
João Pereira António Muchanga
Adriano Nuvunga
Salomão Muchanga
Yaqub Sibindy
Roberto Tibana
João Mosca
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DESPORTO
CONQUISTA DA LIGA MOZAL DEIXA CHIVEVE EM EBULIÇÃO Custou mas tudo acabou em beleza. Foram necessários cinco encontros para se apurar o novo campeão nacional de basquetebol sénior masculino, edição 2017, denominado Liga Mozal. Foi no quinto e último jogo do “play-off” que o Ferroviário da Beira fez jus a sua grandeza, conquistando o título em disputa diante do seu homónimo de Maputo. Houve apenas a transferência da coroa para os beirenses, uma vez que o Ferroviário de Maputo era o detentor do troféu. Foram cinco escaldantes jogos vividos de forma entusiástica pelo público, no novel recuperado pavilhão do Clube Ferroviário da Beira. Valeu aos “locomotivas” beirenses garra, disciplina táctica e criatividade das suas “pedras” basilares no momento certo para resolver os jogos a seu a favor, com particular destaque para Timo e Hélder. Na partida de atribuição do título, a equipa orientada por Nazir Salé mostrou muita raça, maturidade competitiva e concentração, terminando o jogo com uma van-
tagem de nove pontos (69-58). Os beirenses nunca perderam o norte do jogo, revelando muita competência nas saídas para o ataque. Dominou o primeiro período (1815) e chegou ao intervalo a vencer, por 30-28, não obstante ter perdido no segundo período, por 12-13. O jogo foi sempre caracterizado por equilíbrio e os jogadores souberam proporcionar momentos agradáveis de básquete ao maravilhoso público que marcou presença em peso no belíssimo pavilhão do Ferroviário da Beira, que “testemunhou” a consagração do campeão numa festa rija feita pelos locais. Seguiram-se depois momentos sublimes do evento com a atribuição de troféus aos protagonistas da competição. Coube ao António Gonçalves, representante da Mozal, patrocinador oficial da prova, proceder a entrega da taça correspondente aos jogadores do Ferroviário da Beira, nomeadamente André Velasco e Armando Baptista. A juntar a taça, o Ferroviário da Beira recebeu um cheque de 200
mil meticais e teve em Ismael Nurmamad e Octávio Magoliço, como melhor jogador e melhor ressaltador respectivamente. O espanhol Álvaro Maso, do Ferroviário de Maputo, ficou com dois troféus individuais, o de melhor marcador e melhor triplista. Os dois finalistas tiveram ainda direito a medalhas. Em termos organizacionais, a Liga Moçambicana de Basquetebol Mozal foi espectacular a todos níveis e com envolvimento magnífico do público quer em Maputo, quer na Beira. A competição disputou-se nas cidades de Maputo e Beira, com oito clubes, nomeadamente Ferroviário de Maputo, Ferroviário da Beira, A Politécnica, Desportivo de Maputo, Costa do Sol, Ferroviário de Nacala, Vaz Basket Team e Maxaquene. O certame compreendeu três fases: a primeira, regular (num sistema de todos contra todos em uma volta), e a segunda, meias-finais, no pavilhão do Maxaquene, cidade de Maputo, e final, na cidade da Beira
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DESPORTO
FERROVIÁRIO DE MAPUTO RENOVA TÍTULO NACIONAL DE BASQUETEBOL
O
Ferroviário de Maputo é novo campeão nacional de basquetebol sénior feminino, depois de vencer o Costa do Sol, por 76-75, no segundo jogo da final da prova, que teve lugar na capital do país com a participação de cinco formações. É pela quarta vez consecutiva que as “locomotivas” ganham o título nacional. O Ferroviário foi forte nos momentos preciosos. Em suma, foram dois jogos equilibrados, sendo que o primeiro terminou em 52-51. O Costa do Sol foi um digno
vencido e soube valorizar a vitória da turma “locomotiva”. As outras equipas que tomaram parte no Campeonato Nacional de Basquetebol sénior feminino foram Maxaquene, A Politécnica e Ferroviário da Beira, que cedo falharam a possibilidade de conquista do título. O Ferroviário de Maputo será assim o representante moçambicano na Taça dos Clubes Campeões Africanos de Basquetebol seniores femininos
MANICA VESTE FAIXAS DE CAMPEÃ DO FESTIVAL ESCOLAR GAZA-2017
Com toda a justeza, a província de Manica subiu ao pódio e ergueu troféus, tornando-se em vencedora absoluta do XIII Festival Nacional dos Jogos Desportivos Escolares Gaza-2017. É a renovação de um
feito que já havia acontecido há dois anos, na província de Cabo Delgado, revelando-se expoente no fomento de talentos não só no atletismo, mas também noutras disciplinas desportivas, como vo-
leibol e basquetebol. E Manica será anfitriã da próxima edição do festival, a ter lugar em 2019, daí a necessidade de começar a organizarse desde já para que nada falhe. O evento de Gaza, que superou
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DESPORTO todas às expectativas em termos organizacionais, decorreu sob lema “Desporto Escolar, Conservando a Natureza”. Os jogos tiveram lugar nas cidades de Xai-Xai, capital provincial, e na vila da Macia, tendo a abertura sido orientada pelo Chefe de Estado, Filipe Jacinto Nyusi, enquanto o encerramento foi declarado pelo Primeiro-Ministro, Carlos Agostinho do Rosário, que se congratulou, por um lado, pelo excelente nível de organização que caracterizou o evento; e,
por outro, pela competitividade que foi apanágio dos 10 dias de provas. No Festival Gaza-2017, Manica sagrou-se campeã, em ambos os sexos, nas modalidades de atletismo e voleibol, e basquetebol masculino, para além de medalhas de prata e de bronze que ganhou e que acabaram, também, por ser determinantes para as contas finais a favor desta província. Os outros campeões foram Maputo-província, que conquistou os
títulos de andebol, em ambos os sexos; Maputo-cidade em basquetebol feminino; Nampula em futebol masculino e Niassa em futebol feminino. A edição 2017 dos Jogos Desportivos Escolares movimentou 1 386 estudantes, que competiram nas modalidades de futebol (masculino e feminino), andebol (masculino e feminino), voleibol (masculino e feminino) e basquetebol (masculino e feminino), atletismo, xadrez, ginástica e jogos tradicionais
FERROVIÁRIO DA BEIRA FIRME NA LIGA DOS CAMPEÕES AFRICANOS O Ferroviário da Beira está qualificado, pela primeira vez na história do futebol moçambicano, para os quartos-de-final da Liga dos Campeões africanos, após ter sido decretado pela FIFA a suspensão do Sudão das competições internacionais. A suspensão das equipas sudanesas das competições africanas de futebol reduziu para apenas duas formações que integravam a série A da fase de grupos da Liga dos Campeões, nomeadamente o Étoile du Sahel da Tunísia e o Ferroviário da Beira. Assim, o Al Hilal e o El Merreikh, outras equipas que faziam parte do grupo, foram desqualificadas, segundo uma comunicação da CAF à direcção do Ferroviário da Beira, o que colocou a equipa moçambicana nos quartos-de-final da maior competição continental de clubes. Os “locomotivas” da Beira vão defrontar na próxima fase da prova o USM da Argélia. A suspensão inicial das equipas sudanesas fora tomada pela FIFA,
organismo que gere o futebol mundial, por causa da interferência do governo sudanês nas actividades da Federação de Futebol do Sudão, facto condenado pelos regulamentos da FIFA. Porém, essa mesma suspen-
são viria posteriormente a ser levantada, mas sem implicações para o Ferroviário da Beira que ganhara o seu jogo de Cartum por via de falta de comparência do adversário – Al Hilal
Ídolo | Edição n⁰ 45 | Agosto/Setembro 2017 | www.idolo.co.mz
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CULTURA
TEXTO: MUSTAFÁ LEONARDO
Castle Lite Unlocks em Maputo MILHÕES DE ESPECTADORES VIBRARAM AO SOM DE FUTURE E CASSPER
L
uz, som, multidão e muita vibração foi o cenário que caracterizou a noite de um espectáculo sem precedentes, no mês passado em Maputo. A razão explica, foi uma noite em que duas vozes sonantes do Hip-Hop americano e sul -africano, nomeadamente Future e Cassper Nyovest brilharam na Pérola do Índico, mais precisamente no recinto do Aquapark, por ocasião da primeira edição da Castle Lite Unlocks, realizado no país. O concerto inovador promovido pela Castle Lite, contou com uma plateia de mais de 8500 pessoas que preencheram o recinto do Aquapark e vibraram com cada um dos artistas até por perto das 04:00 horas da madrugada. Emerson Miranda foi o MC do espectáculo e o grande destaque da noite foi a “performance” do rapper norte Rapper norte-americano, Future -americano, Future, conhecido mundialmente por álbuns de grande sucesso, tais como HNDRXX. Enquanto a multidão de fãs gritava eufórica, Future correspondia com uma das “performances” mais épicas de Rap e Hip-Hop alguma vez presenciadas em Moçambique, tendo-se despedido com “Mask off”, fechando com chave de ouro a sua participação. O rapper sul-africano Cassper Nyovest também não deixou os seus créditos em mãos alheias, ao fazer vibrar a plateia ao som de músicas como “Doc Shebeleza”, “Tito Mboweni”, entre outras. De Moçambique, o rapper Laylizzy cantou algumas das suas músicas mais populares, tais como “Tha Crew”, tendo os espectadores acompanhado do início até ao fim em alto e bom som. O concerto contou ainda com “performances” incríveis trazidas pelos DJs Dilson, Ellex e Tay que apostaram, cada um à sua maneira, nos ritmos certos para animar o público presente com algumas das músicas mais tocadas da actualidade Rapper sul-africano, Cassper Nyovest Ídolo | Edição n⁰ 45 | Agosto/Setembro 2017 | www.idolo.co.mz
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