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A VELHA BÍBLIA E A NOVA HOMOSSEXUALIDADE

José Ernesto S. Conti (joeconti@uol.com.br)


A VELHA BÍBLIA E A NOVA HOMOSSEXUALIDADE ÍNDICE Prólogo

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Momento Gay

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Preconceito

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1ª Razão: Nem na Antiguidade

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2ª Razão: É uma Abominação

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3ª Razão: Biológica

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4ª Razão: Anatomia

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5ª Razão: Deturpação da Raça

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6ª Razão: Uma Exegese Duvidosa

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7ª Razão: Necessidade de Cura?

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Novos Velhos Tempos

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Conclusão

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PRÓLOGO

"Os lugares mais sombrios do inferno são reservados àqueles que se mantiveram neutros em tempos de crise moral". Dante

Por mais que este assunto seja polêmico, não há neste livro, qualquer interesse em apagar o “fogo com álcool”. Pelo contrário, o principal objetivo aqui é esclarecer os motivos pelos quais a prática do homossexualismo é condenada pelas pessoas que acreditam que a Bíblia é a Palavra de Deus. Deixando bem claro: queremos abordar a PRÁTICA do homossexualismo e NÃO o indivíduo homossexual, o ato e não a pessoa. Reconhecemos a escolha de cada um em ser o que quiser, tanto quanto, por exemplo, uma pessoa pode escolher roubar ou um marido escolher trair sua esposa, um ser humano pode escolher ser homossexual. O que precisa ficar claro e evidente é o fato de, tanto o ladrão quando o adúltero precisem assumir as consequências de seus atos e escolhas diante de Deus e dos homens e o homossexual não. Porque esta diferenciação? Porque esse privilégio? Então, de início, eu já gostaria de deixar claro: Deus condena claramente o homossexualismo, e nós cristãos estamos apenas sendo coerentes com nossa fé neste assunto. Se o fato de sermos coerentes com nossa fé não te agrada, não sei qual deveria ser sua atitude. Mas se quiser saber porque não podemos ir contra nossa fé nem contra nossa consciência, então lhe proponho a continuar a ler este livro e repensar suas posições. Qualquer que seja a sua escolha, é certo que terão consequências na sua vida.

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MOMENTO GAY Cada um tenha opinião bem definida em sua própria mente. Romanos 14:5b Antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós. (1 Pedro 3:15)

A história registra que o mundo sempre passou por momentos que mudaram a direção, o caminhar da humanidade. Muitos destes momentos foram traumáticos, outros passageiros, alguns foram contestadores que desafiaram a própria sociedade a pensar ou agir diferente. O que sabemos é que todos eles trouxeram rupturas com a maneira que a sociedade vivia. Acredito que são esses momentos e todas as suas consequências que acabam sendo o fator de transformação de nossas vidas, mudando paradigmas, alterando rumos. O próprio cristianismo foi (e continua sendo) um movimento que trouxe ao mundo grandes mudanças na maneira de agir. Os princípios pregados por Cristo são universalmente aceitos e considerados do bem, mesmo por aqueles que não são cristãos. Momentos e movimentos desde a antiguidade vêm causando mudanças e imprimindo na nossa sociedade novos níveis de relacionamento. Movimentos como a revolução francesa, o renascimento, as navegações marítimas, as descobertas, o feminismo, o avanço tecnológico e outros têm sido responsáveis pelo estágio de civilização que atualmente estamos. E as mudanças não pararam nem vão parar. De certa forma são elas que acrescentam razões e motivos para sair da inércia ou do conformismo.

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Apesar de estarmos na era digital em que a tecnologia tem proporcionado mudanças incríveis, estou convencido de que a vida continua fazendo da mesma maneira como há milênios. Por isso, estamos atravessando hoje o Momento Gay da História. Chamo de Momento Gay o fato da sociedade, como um todo, estar levantando a bandeira em favor da aceitação e da aprovação dos direitos que homens e mulheres têm de serem gays, expressarem seus sentimentos e emoções sem que isso cause qualquer constrangimento no meio em que vivem. Logo, momento é uma ação coletiva ou de um grupo que desafia o status quo da sociedade em busca de uma mudança. E hoje, por que estamos no Momento Gay? Por tudo que temos visto e ouvido, seja na mídia escrita, falada, televisada, nas manifestações de milhares de pessoas inconformadas com o preconceito contra os gays, inconformadas com o Pastor Marco Feliciano na presidência da Comissão dos Direitos Humanos, inconformados com o posicionamento dos pastores evangélicos, entre eles, Malafaia, contra as práticas homossexuais, inconformados com a “visão estreita” da religião evangélica contra o “amor de todas as formas”, do surgimento das igrejas evangélicas inclusivistas ou também chamadas de “Contemporâneas” voltada para o público LGBT, para que o relacionamento homossexual seja algo normal e aceitável pela sociedade assim como é o relacionamento heterossexual. Que cada uma dessas coisas sejam algo tão natural de forma que nossas leis e cortes judiciais garantam o direito de uma união estável ou mesmo o casamento homossexual em todo o território brasileiro sem qualquer susto. É impressionante os resultados práticos que as ONGs e entidades que lutam pelos direitos dos homossexuais estão conseguindo, seja em tribunais, evitando abusos e preconceitos (crime que deve ser punido), sejam as vitórias sociais no nosso dia a dia. Os órgãos de imprensa têm sido um grande aliado na causa gay, dando grande visibilidade e divulgação a essas mudanças e direitos adquiridos. 5


Contudo, para uma boa parte de nossa população essas vitórias e toda esta divulgação midiática ainda causa, digamos, alguma curiosidade. Mais do que isso, percebemos que os grupos que defendem as causas gays querem hoje muito mais privilégios do que direitos. Esses eles e todos os brasileiros já possuem. Talvez o ritmo em que as mudanças estão acontecendo é que assusta um pouco. Está tão rápido que o Jornalista Bruno Astuto da Revista Época informa, em um recente artigo do NYT1, que até o novo Papa, que sempre foi contrário a união homossexual, já defende essa possibilidade visando a unidade da Igreja. Na verdade, a Igreja Católica tem atravessado uma crise sem precedentes nesta área cuja solução, creio eu, ainda está muito longe. Há uma ala formada por padres, bispos e outras autoridades católicas que são reconhecidamente homossexuais mas que possui voz ativa nas esferas administrativas da igreja e ainda participam das decisões, inclusive de ordem teológicas em contraponto a um bom número de clérigos que são fortemente contrários. Esta luta interna fragiliza a Igreja Católica, uma vez que ainda não sabe de que lado deve ficar, fazendo com que, de forma geral, a igreja católica acolha indistintamente tanto o hétero como o homossexual.

SER HOMOSSEXUAL Qual foi a grande virada que criou o momento gay? A grande jogada foi mudar a direção da discussão. Desde os primórdios da história, o homossexualismo sempre foi um desvio de conduta, algo anormal ou antinatural, combatido e não aceito. A partir da década de 90, a homossexualidade foi rapidamente deixando de ser um desvio de conduta e torna-se uma nova identidade, ou seja, algo

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Jornal New York Times

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como um direito inalienável de proclamar que sou “Maria”, uma nova criatura, mesmo tendo nascido “João”. Qual a consequência? Que esta nova criatura, criada por mim mesmo, adquire todos os direitos civis que qualquer criatura possui. A não aceitação desta nova identidade torna-se uma agressão direta aos direitos de qualquer cidadão, ou seja, criminaliza quem não aceita e torna a homossexualidade um direito. Esta é a nova homossexualidade. Talvez por essa razão e pela velocidade com que as mudanças estão acontecendo, seja necessário questionar um pouco sobre este assunto. Além de questionar se ser homossexual é certo ou errado (vamos ver mais a frente), é necessário analisar se isso é bom ou ruim para a sociedade ou para o ser humano (do ponto de vista sociológico e antropológico). Como a homossexualidade, em princípio, não é coisa nova, será que podemos analisar como eram praticadas nas sociedades antigas, ou se em tempos antigos era aceita e praticada sem nenhum preconceito? Nos grandes impérios da antiguidade, seja, babilônico, persa, grego ou romano era normal a prática da homossexualidade? Com o término da era antiga e a entrada da sociedade na idade medieval ou mesmo na moderna, há registros ou informações de grupos que praticavam um relacionamento homossexual sem restrições e este era aceito ou apoiado pela sociedade daquela época? Apenas como adendo inicial, percebemos nos relatos históricos sobre a homossexualidade, quando existiram, em sua maioria, as perversões ou os abusos eram basicamente cometidos pela alta Corte ou nos palácios (muitas vezes até nas igrejas). Logo, nos registros que temos se percebe que a maioria dos historiadores não estavam primariamente preocupados com o homossexualismo, mas com a degradação moral das Cortes e governantes. Ao entrarmos na era moderna, com a revolução dos costumes e a liberdade das classes, a prática homossexual passou a ser vista com 7


mais frequência no meio do povo, porém sempre com muita resistência, principalmente por parte da igreja católica (apesar de um passado negro e um presente não menos negro nesta área). Como em nossos dias esse comportamento tem sido cada vez mais tolerado e aceito, cabe aqui mais uma pergunta para ser analisada: Essa tolerância é um avanço ou um retrocesso da nossa sociedade? De certa forma este é o propósito do nosso estudo. Analisar sobre diversas óticas se, de fato, o comportamento homossexual veio como resgate de direitos perdidos ao longo da história ou como uma continuada degradação do próprio gênero humano que iniciou no Éden, com a queda da raça humana. O atual momento Gay, vai conduzir a humanidade a um patamar mais elevado? O resultado, quando analisado daqui a 100 anos, mostrará uma sociedade mais justa, mais harmoniosa, mais elevada moralmente, mais consciente de suas responsabilidades? Aliada às nossas dúvidas, os defensores do momento Gay questionam: porque os homossexuais, à semelhança dos héteros, não têm direito a usufruir do maior e melhor sentimento existente no homem, o amor? Sendo o amor um sentimento que aproxima, que preserva, que cuida, teria ele limites, divisões, restrições? Se tem, quem e por quê os colocou? Porque colocar limites em algo tão belo e saudável? Conversando com uma sobrinha que possui alguns amigos gays, ela me informou que o maior desejo dos homossexuais é viver o cotidiano sem se preocupar em ficar se justificando, explicando, ou até se escondendo. Boa parte dos homossexuais ainda está "dentro do armário", e o medo é causado basicamente pelo preconceito. Ela percebe que eles querem apenas ser aceitos pela parte da nossa sociedade ainda "machista e patriarcal" e poder publicamente expressar seus afetos e romances sem serem julgados, ou taxados como “doentes”.

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Por mais direitos que os homossexuais tenham de expressar seus sentimentos, nem eles nem nós podemos ignorar que existe uma parcela da sociedade que não considera este comportamento normal, seja por opinião pessoal seja por questões religiosas, e essas vozes por questões óbvias não podem ser caladas ou mesmo ignoradas. A atual onda para que os grupos LGBT sejam respeitados tem provocado uma distorção no direito de opinião, de forma que, os que querem mais respeito e dignidade, não se mostram assim tão respeitosos ou dignos quando encontram opiniões divergentes. E o pior é que está difícil de achar um ponto convergente ou conciliatório nesta discussão, ou seja, não importa de qual lado estamos, mas falar ou tratar de homossexualismo é dividir pessoas e opiniões em lados irreconciliáveis, e a coisa complica ainda mais quando envolve igreja cristã, seja ela evangélica ou católica. Já que o assunto geralmente não tem produzido uma discussão sensata, o que fazer? Nesta abordagem, já deixamos claro que o analisaremos usando a própria Bíblia como padrão, mesmo consciente de que neste campo as coisas esquentam e não há unanimidade, mas para nós a Bíblia é a VERDADE, por isso não há como excluí-la da discussão. Talvez pelo desconhecimento ou mesmo pela tentativa de conciliar coisas irreconciliáveis como: aquilo que queremos com aquilo que a Bíblia fala, muita besteira tem sido dita em nome da religião e da própria Bíblia. A honestidade em abordar o que é certo de forma certa, deve nortear nossa posição e não o que acho ou o que quero. Definitivamente não somos os donos da verdade. Ela existe, e temos que buscá-la.

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GERAÇÃO GAY Uma outra questão que tem trazido muita polêmica é a adoção de crianças por parte dos casais homossexuais e suas consequências futuras, para a própria sociedade. Temos que ser honestos e reconhecer que essa é uma questão muito recente e ainda não temos muitos relatos das consequências morais, educacionais e até sociais dessas crianças. Por esta razão vamos restringir este assunto apenas a este comentário, deixando claro que isso também nos preocupa mas que temos que aguardar um pouco mais para ver qual lado de fato está com a razão. A Revista Veja3, publicou uma reportagem onde o grupo gay Homovox da França, que junto dos católicos, mulçumanos e judeus no “La Manif pour Tous” (A Manifestação para Todos), cujo slogan é “Tous nés d´un home et d´une femme” (Todos nascidos de um homem e de uma mulher), sustentam o argumento de que crianças “geradas” por casais gays podem sofrer transtornos psicológicos e que a adoção não deveria ser imposta pela força das leis. Na verdade existe muita especulação de ambos os lados, ou seja, os favoráveis a adoção não conseguem enxergar qualquer prejuízo para a formação da personalidade desta criança por ser criado por 2 homens ou 2 mulheres, já os contrários, assumem uma postura de medo e apreensão nas consequências. O certo é que alguma influência essas crianças terão e isso moldará seu caráter bem como seus valores por toda a vida. Aqueles que acreditam que as consequências para as crianças não são prejudiciais citam a pesquisa dos cientistas sociais Judith Stacey e Timothy Biblarz feita em 2010, onde mostra que:

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Ed 2304 de 16/Jan/2013 – pág 62

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“baseado estritamente em publicações científicas, pode-se argumentar que duas mulheres criam uma criança melhor do que uma mulher e um homem, ou pelo menos uma mulher e um homem com uma divisão tradicional de papéis familiares”. Esse argumento – de que pais homossexuais são iguais ou melhores do que as estruturas familiares tradicionais – encontrou seu caminho em nosso diálogo acadêmico, legal e cultural, e raramente é questionado. Daí a declaração da Nona Corte de Apelação: “Crianças educadas por pais gays ou lésbicas podem ser tão saudáveis, bem-sucedidas e bem-ajustadas quanto crianças educadas por pais heterossexuais. Pesquisas que apontam para essa conclusão são indubitavelmente aceitas no campo da psicologia do desenvolvimento.”4

Um outro estudo realizado na Universidade de Melbourne, na Austrália, demonstrou que filhos de casais do mesmo sexo têm uma saúde melhor do que a de crianças da população geral. Segundo o pesquisador chefe, Simon Crouch, os resultados sugerem que crianças australianas criadas por casais do mesmo sexo estão se desenvolvendo bem. “Essas crianças estão crescendo em uma variedade de contextos e se saem bem em medidas de saúde e bem-estar em face à discriminação”, afirma. Ao que nos parece, esta pesquisa focou, diferente da pesquisa feita por Mark Regnerus (que comentaremos abaixo), mais a questão saúde do que a questão comportamental. Na outra ponta temos aqueles que estão pesquisando sobre o assunto e tem encontrado resultados divergentes aos acima indicados. Um estudo publicado pela Social Science Journal, por Mark Regnerus, faz uma pergunta: “Quão diferentes são os adultos criados por pais que possuem relacionamentos homossexuais?”. Os resultados não foram nada animadores.

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http://www.origemedestino.org.br/blog/johannesjanzen/?post=409 em 20/06/13

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Regnerus entrevistou 15.088 pessoas. Destas, os pesquisadores encontraram 175 pessoas que foram criadas por mães que estavam em um relacionamento lésbico, e 73 pessoas que foram criadas por pais que tiveram relacionamentos gays – ainda assim, um grupo relativamente pequeno. Mark Regnerus buscou responder se as crianças com pais em relacionamentos homossexuais experimentaram desvantagens quando comparadas com crianças criadas por seus pais biológicos. A resposta, contra o Zeitgeist5, parece ser um retumbante sim. Crianças com pais em relacionamentos homossexuais possuem baixo desempenho em quase todos os quesitos. Algumas dessas diferenças podem ser relativamente inofensivas – como em qual presidente votaram na última eleição, por exemplo –, mas a maioria não é. Um déficit é particularmente preocupante: menos de 2% das crianças de famílias biológicas intactas sofreram algum tipo de abuso sexual, mas o número correspondente às crianças de casais homossexuais é de 23%. Igualmente perturbador é que 14% das crianças de casais homossexuais passaram algum tempo em abrigos temporários, comparado com 2% do total da população americana. Índices de prisão, contato com drogas e desemprego são bem maiores dentre filhos de casais homossexuais.

Um dos depoimentos que mais nos chama a atenção é o da canadense Dawn Stefanowicz que publicou o livro “Out from Under: The Impact of Homossexual Parenting” (Fora da escuridão: O impacto da paternidade homossexual), onde narra sua experiência de crescer em um lar com um pai gay. Dawn entra em uma espiral de confusão e vergonha alimentada pela exposição direta e precoce a práticas de natureza explicitamente sexual”. O texto difundido através da página na Web (familyandmedia.eu), narra que logo depois de cair em “um estado de destruição da personalidade e da dignidade humana”, ela conseguiu na vida adulta reconciliar-se com seu passado “complicado e traumático” graças a anos de terapia “e a profunda fé em Deus”. Somente depois da morte do pai (derrotado 5

Significa espírito da época, espírito do tempo ou sinal dos tempos. O Zeitgeist significa, em suma, o conjunto do clima intelectual e cultural do mundo, numa certa época, ou as características genéricas de um determinado período de tempo.

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pela AIDS como muitos dos seus companheiros sexuais) e logo após a morte da mãe ela se casa e tem um casal de filhos e teve coragem de tornar pública sua terrível experiência, com o fim de ‘mostrar a todos como as estruturas familiares podem incidir negativamente no desenvolvimento das crianças’”, acrescentou ela no site.6 Somente nos EUA, segundo estimativa da Escola de Direito da Universidade da Califórnia, 1 milhão de lésbicas, gays, bissexuais e transexuais criam atualmente cerca de 2 milhões de crianças. E cada vez mais casais gays optam por criar seus próprios filhos. Segundo o mesmo instituto, em 2009, 21.740 casais homossexuais adotaram crianças - quase o triplo do número de 2000. A estimativa é que cerca de 14 milhões de crianças, em todo o mundo, convivam com um dos pais gays. No Brasil, onde mais de 60 mil casais gays vivem numa união estável (reconhecida perante a lei apenas no ano passado), a história é mais recente. Desta forma ainda é muito cedo para chegar a conclusões sobre a influência que pais homossexuais têm ou terão sobre as crianças em nosso país. Como já disse, temos que aguardar mais luzes sobre esta questão, ou seja, o desenvolvimento de uma criança depende ou não do tipo de família em que vive? Quais são as consequências na personalidade de uma criança quando criada por pais gays? Teria a orientação sexual dos pais influência nas crianças? Estas e muitas outras perguntas ainda necessitam ser respondidas pelos pesquisadores de maneira séria e isenta. Por enquanto ficamos com aquilo que Salomão disse: “ensina a criança no caminho que deve andar, e, ainda quando for velho não se desviará dele” (Provérbios 22:6). Se o pensador inglês John Locke (1632-1704), estiver certo, como acreditam muitos de nossos atuais pedagogos, a mente da criança é uma 6

http://www.acidigital.com/noticia.php?id=24604 em 20/06/13

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tela em branco que o professor deveria preencher, fornecendo informações e vivências. Por certo, com base na Bíblia, as consequências naquelas crianças criadas por casais gays não serão boas, nem edificadoras. Na minha opinião, este tipo de experiência ou de direito dado aos gays por nossas Cortes, pode trazer graves consequências a nossa sociedade dentro de 20 ou 30 anos. Por esta razão, este assunto deveria ser mais analisado e as decisões quanto a adoção de crianças por casais homossexuais deveriam ter mais critérios e cuidados.

A DUALIDADE GREGA Desde os primórdios da humanidade, qualquer assunto podia ser analisado sob duas ópticas: ou era certo ou errado. Os gregos aprenderam desde cedo sobre este dualismo com seus filósofos Platão, Aristóteles e tantos outros. Até a Bíblia nos informa que os Estóicos e Epicureus, viviam dentro deste dualismo existencial. A própria sociedade Judaica também sempre viveu dentro do dualismo: o bem era de Deus e o mal era do Diabo. Este dualismo trás em si uma grande questão: quem seria o definidor do que era bem ou mal? Uma determinada ação hoje, sob determinada circunstância poderia ser certa e amanhã, sob outra circunstância ser errada, por exemplo, o aborto sempre foi um mal, mas hoje, sob determinadas circunstâncias ele é aceito e praticado. Não ter um definidor absoluto ou não aceitar Deus como este definidor, faz com que o próprio homem tenha a responsabilidade de dizer o que é certo ou errado para seu semelhante. Isso elimina a necessidade de um deus ou de um outro definidor independente, porém as implicações que isso trás são graves pois quem garante que a pessoa escolhida para definir o que é certo ou errado é justa 14


o suficiente que possa definir sem que esteja agindo em causa própria? A grande tragédia do dualismo foi tornar o homem uma vítima da própria circunstância, ou seja, um fator totalmente externo e fora de nosso controle muitas vezes impede que o certo seja de fato o certo ou o errado, o errado. Entretanto, mesmo com toda possibilidade de criar uma injustiça, esta situação é tremendamente cômoda para o homem, já que podemos colocar um fator externo que muitas vezes não temos qualquer controle, como responsável pelos nossos erros e tirar qualquer consequência sobre nós pois elas (as circunstâncias) podem alterar de uma hora para outra. Logo o máximo que posso fazer é tentar uma reação ou uma tentativa em acertar. Porém a Bíblia veio definir quem é este absoluto e para isso mostra que o homem está debaixo de uma ordem superior. O Capítulo 1 de Gênesis mostra que a desobediência a esta ordem superior foi a causa da tragédia humana e coloca sob nossos ombros a responsabilidade por este erro. Como consequência toda a humanidade está pagando um preço caro por causa desta desobediência em “comer da árvore da ciência do bem e do mal”. Logo o dualismo grego, que na verdade poderíamos chamar de dualismo humano desde o Éden, nada mais é do que uma fuga da própria realidade na tentativa desesperada de continuar a desobedecer a ordem, quebrar o vínculo com a divindade e continuar a fazer o que Adão fez. O orgulho do homem impede que reconheça seu erro e o traga de volta ao lugar de onde nunca deveria ter saído, ou seja, lugar onde Deus governa e diz o que é certo ou errado. Com a insatisfação humana na direção, com o passar dos anos, os parâmetros ficaram cada vez mais amplos e específicos e como consequência, a sociedade foi perdendo gradualmente a noção dualista do: certo ou errado, bom ou ruim, claro ou escuro, etc., tornando-se mais tolerante, seja com seus próprios erros, seja com o 15


erro dos outros, encontrando alternativas, ou seja, entre o branco e o preto, criou-se os "50 tons de cinza". Com o passar dos tempos e as mudanças culturais, o erro passou a ser uma coisa subjetiva e para defini-lo era necessário consenso de todos. Em muitas sociedades, o que era considerado um erro, poderia não ser para outras comunidades. Consequentemente, as instituições que ainda adotam o conceito da dualidade (certo ou errado), como por exemplo as religiões, têm ou tiveram sua credibilidade abalada, a não ser que por vontade de seus líderes este conceito tenha se tornado mais amplo, uma vez que agora todas as questões precisam ser analisadas muito mais por uma óptica relativa do que tomando por base pontos absolutos. Consciente ou não, mesmo com toda essa amplitude nos conceitos, todas as nossas decisões são orientadas por valores, assim como nossas ações são determinadas pelas nossas crenças. Por esta razão, via de regra, queremos que nossas crenças sejam respeitadas e por isso até lutamos por elas. Entretanto percebemos que hoje muitas comunidades estão colocando em cheque seus próprios valores (conceitos). Em nome da tolerância e do politicamente correto, estamos até dispostos a colocar em discussão aquilo que cremos, desde que esta discussão não me obrigue a mudar, mesmo que o outro esteja certo, já que cada lado se compromete a respeitar o outro, seus valores e suas crenças.

A NECESSIDADE DE UMA BASE Uma coisa que tem me chamado à atenção é que com tantos “livros sagrados” no mercado, os homossexuais insistem em usar a Bíblia, para afiançar seu direito de ser. Porque não usam a Torá, Mahabharata, Bagavadguitá, Kitáb-i-Aqdas, Alcorão, ou quem sabe o livro de receitas de Dona Benta. Fico por um lado alegre, 16


pois se tantos líderes e simpatizantes dos movimentos gays querem porque querem encontrar uma base bíblica para justificar suas posições, deve ter alguma razão, nem que seja subjetiva. Por outro lado fico triste, pois estes mesmos líderes e simpatizantes dos movimentos gays têm desfigurado a Bíblia, tem tentado fazer este parto sem anestesia, ferindo e machucando a Palavra de Deus, reescrevendo textos, deturpando sentidos, alterando significados e tentando achar nas suas páginas algo que não se encontra. Talvez pelo fato da Bíblia, entre todos os textos sagrados seja o mais tolerante. Poucos teriam coragem de mudar a interpretação do Alcorão. Logo, as instituições, que têm por base os absolutos inegociáveis que estão na Bíblia com seu sistema fechado e lacrado onde o próprio Deus estabeleceu o que é certo e errado, têm sido continuamente atacadas como se fossem a 11ª praga do Egito ou o 5º cavaleiro do Apocalipse. Quando o assunto é homossexualismo, o sistema religioso (entenda igrejas evangélicas tradicionais e até parte da Igreja Católica) tem sofrido seriamente um processo de desprezo por parte da sociedade, como se suas posições fossem retrógradas ou descontextualizadas ou como se aquilo que anunciam fosse algo terrivelmente preconceituoso. Importante que se registre que até bem pouco tempo, os evangélicos brasileiros sofriam grave preconceito da nossa sociedade. Os órgãos de imprensa de maior audiência de nosso país faziam questão de estereotipar o comportamento e as atitudes dos diversos ramos evangélicos. Ainda hoje, ser evangélico no Brasil é quase sinônimo de antiquado, retrógrado, cabeça feita, ignorante, etc. O propósito do homem em acabar com todos os absolutos, finalmente está sendo conquistado. Em breve não haverá mais “verdade”, mas apenas a verdade de cada um, a qual todos terão que aceitar. Um exemplo disso é que alguns dias atrás recebi uma cópia de um livreto editado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro 17


sobre a Diversidade Sexual na Escola. Este livreto está sendo utilizado pela Prefeitura Municipal de Vitória para orientar os professores sobre como deverão agir quando tiverem em sua sala um menino ou menina homossexual. Entendemos e aplaudimos a atitude de nossa prefeitura em orientar os professores neste assunto tão atual. Há no livro, muitas considerações pertinentes e necessárias. Há pontos que precisam ser levados a sério.

Entretanto, o que não podemos concordar, como cristãos, é a visão unilateral da questão. O livro deixa claro desde o princípio que ser homossexual (ativo ou passivo) é um direito inalienável do ser humano, assim como é a vida, o trabalho, o lazer, a educação, etc. Por mais que a sociedade diga que em nossos dias, definir gênero é uma questão de opção, não podemos de forma nenhuma nortear nossos padrões pelo que a sociedade define que está certo ou errado (já deixamos isso claro acima). Para os cristãos, este norte continua e continuará sempre sendo a Bíblia e não a sociedade, nem o estado, tão pouco a própria religião institucionalizada. É verdade que a religião deveria seguir os princípios bíblicos, porém todos sabem que a religião, por ser conduzida por homens, comete erros, que precisam ser confrontados com o “canon”7. Logo, não é nem a religião quem tem a palavra final e sim a Bíblia. Inverter ou desprezar esta

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A palavra “Canon” significa vara de medir.

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regra básica, significa alterar toda a base verdadeira que deve reger nossas vidas e colocar no lugar de decisão algo falso. É submeter a Verdade à minha verdade, o maior servindo o menor. A opinião definida naquele livreto da PMV, me deixou preocupado e por isso resolvi informar as razões pelas quais não concordo com ele, já que seu autor não se baseou em valores absolutos, mas simplesmente naquilo que o autor (Alexandre Bortolini) acha que deve ser verdade. Na minha visão, este livreto já nasceu com seu propósito corrompido, já que ele foi escrito no âmbito da “Formação de Profissionais da Educação para a Promoção da Cultura de Reconhecimento da Diversidade Sexual e da Igualdade de Gênero” em cumprimento ao Programa Brasil Sem Homofobia, ou seja, aquilo que deveria promover a diversidade de opinião (inclusive as contrárias), trás na verdade uma visão limitada e unilateral do autor. Ele parte do princípio que TODOS devem, como ele, acreditar que diversidade sexual e igualdade de gênero são algo natural, normal e certo, e que qualquer voz contrária deve ser calada. É importante que se informe que o Programa Brasil Sem Homofobia, foi feito com verba do Ministério da Saúde, sendo que apenas e exclusivamente entidades que defendem os movimentos LGBT participaram na sua elaboração. Tenho certeza de que se a Igreja Católica ou mesmo a evangélica usasse verba federal para fazer um programa de informação para seus adeptos, seria algo inaceitável pela mídia brasileira, mas como foi para a diversidade sexual, não há voz discordante, e se houver, é imediatamente rotulada de preconceituosa. Deixo claro que minha posição contrária à boa parte do que foi escrito se dá pelo fato de afrontar a Verdade bíblica, e pelo fato do texto ser unilateral, radical e heterofóbico. Abro mão do protesto do livreto ter sido publicado com verbas públicas para defender um movimento segregacionista. Para que entendam claramente como 19


o livreto é unilateral, transcrevemos abaixo o capítulo em que aborda o tema: Religião e a Escola Pública. Um educador cuja religião nega ou condena a homossexualidade não pode simplesmente negar ou condenar um aluno homossexual8. Esse educador precisa ter claro para si que os seus valores são, antes de tudo, seus. Que o aluno diante dele pode ter outros. E que tem direito de tê-los, assim como ele próprio9. O que é difícil nessas horas é que os valores religiosos falam sobre coisas que vão muito além da materialidade, do sistema escolar ou da lei. Eles falam sobre valores que muitas vezes se pretendem universais. “Deus é um só e o que ele disse vale para todos”. O problema é que cada povo, cada grupo, cada ser humano, tem uma percepção e entendimento diferente sobre a religião. Qual Deus é um só? O Deus católico? O evangélico? O judeu? O mulçumano? O umbandista? O kardecista? Sem esquecer que há muitos que nem sequer acreditam em um Deus. Se não entendermos que a religião é uma escolha, e não uma imposição, não vamos nunca conseguir estabelecer uma relação de respeito com o outro10. Ao longo de nossa história muito já se destruiu em nome de um Deus. Nações indígenas tiveram sua cultura destruída em nome de uma salvação religiosa, cientistas foram perseguidos e

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Em outras palavras o autor do livreto começa firmando e definindo que a homossexualidade está acima das religiões e o direito de ser homossexual é legítimo. Partir deste pressuposto significa condenar qualquer voz contrária. 9 Calma lá cara-pálida! Não fui eu quem escreveu a Bíblia. Vamos lá, que o autor ou os alunos tenham direito de ter seus valores, não vemos problemas, mas se os valores de um cristão são “seus”, logo nem a Bíblia nem Deus é assim tão importante ou necessário para definir o que é certo ou errado. Esta definição coloca a Bíblia sujeita ao que eu quero e não ao que Deus estabelece. Isso é total ignorância ou parcialidade do autor. 10 Não quero fazer juízo de valor, mas pela maneira que aborda o assunto o autor deste livro não sabe ou está confundindo o que é uma religião, colocando-a como algo pessoal e humanista. Quando diz que religião é uma escolha pessoal, coloca a religião no mesmo patamar, por exemplo, de um clube de futebol que optamos por torcer por ele. Se ele sabe o que é uma religião, então este parágrafo é tendencioso e preconceituoso.

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mortos, mulheres queimadas em fogueiras, se fizeram e ainda fazem centenas de guerras em nome da fé, por mais paradoxal que isso pareça. Precisamos aprender com a nossa própria história e descobrir uma nova forma de viver as nossas crenças, sem isso significar que temos de impor aquilo que acreditamos aos outros11. Além disso, aos educadores de escolas públicas, vale sempre lembrar que a escola pública é laica e que, portanto, não pode impor nenhuma religião, nem como crença, nem como prática, aos seus alunos12. Por outro lado, também não basta simplesmente dizer que a escola é laica e que, portanto, é contra “as regras” que um professor deixe sua crença interferir nas atitudes que ele terá diante de um aluno ou de determinada situação. Quantos educadores, em nome de belas ideologias, também não se rebelam em algum momento contra a regra oficial? Quantas vezes nós mesmos não enfrentamos a “regra estabelecida” em nome de algo que acreditávamos ser maior do que isso, mais certo, mais justo?13 Assim, o argumento de que a escola pública é laica vale, mais do que como uma regra ou uma norma, como valor, um princípio de que uma escola, se é pública, deve respeitar todas as manifestações religiosas, sem hierarquias, imposições ou exclusões. Vale como princípio de respeito, democracia e liberdade14.

Mesmo reconhecendo que nossa sociedade está cada vez mais impregnada por este sentimento de “liberdade” (ou seria libertina-

11 O

Autor está julgando as religiões pelo que os homens fazem e não por aquilo que ela é. Mais uma vez erra ao supervalorizar o homem e desvalorizar Deus, por mais que ele não creia. 12 Mais uma vez o Autor confunde tudo. Religião não é para se impor, mas para se viver. Se esconder atrás da laicidade das escolas para proibir que um cristão viva sua fé, é o mesmo que pedir para que as pessoas deixem suas diferenças (raça, cor, etc) de fora e entre na escola totalmente neutro. 13 Agora é que não entendi mesmo! Devemos ou não enfrentar e se rebelar contra as regras estabelecidas quando cremos em algo maior, mais certo e mais justo? 14 Por mais belo que seja este discurso ele coloca no mesmo saco coisas que não se misturam. A escola não é e nunca foi um valor. Nós é que levamos para a escola nossos valores. Inverter essa questão é transformar a escola em uma religião. Talvez seja isso o objetivo do autor.

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gem) dos padrões absolutos, assumindo uma clara posição antropocêntrica e humanista, substituindo os antigos padrões por aquilo que o homem acredita ser o certo, quero deixar claro que vou resistir, como o último dos “moicanos”, e continuarei a basear minhas posições na velha e imprescindível Bíblia, mesmo que seja contrária a esta nova homossexualidade que está saindo do armário. Temos um padrão absoluto, sempre. Tive acesso através do YouTube15 de uma palestra da Dra. Damaris Alves, que apesar de alguns deslizes em sua palestra, como por exemplo a falta de citações ou o estilo “armagedônico” de sua fala, mostra que há por parte de algumas autoridades de nosso governo uma certa tendência em apoiar os movimentos LGBT e suas políticas de divulgação. A maioria destas divulgações, a título de esclarecimento ou treinamento, vem carregada de uma visão unilateral e preconceituosa contra aqueles que pensam diferentemente. O problema é que fazem isto com verbas públicas e muitas vezes sem um controle cuidadoso dos órgãos federais. Por essa razão, o presente livro não expõe minhas opiniões ou experiências pessoais, tampouco princípios emanados de uma religião comandada por homens sujeitos às suas imperfeições, mas, são padrões e instruções baseadas na Bíblia, que em última instância é a Palavra de Deus (mesmo que você não creia nisso e, com todo respeito, a existência de Deus ou a veracidade da Bíblia não depende da sua opinião ou do que você acredita ou não) Ou seja, mesmo que aquilo que informarmos a seguir seja contrário ao que você acredita ou mesmo contrário ao autor do livreto que a prefeitura publicou, essa informação não é simplesmente a posição deste autor, mas é a verdade de Deus.

15

https://www.youtube.com/watch?v=pAFpdpyz3lo

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Posso até imaginar que, se você é daqueles que não aceitam a Bíblia como Palavra de Deus, terá alguma dificuldade de acatar algum ponto, mas gostaria que não usasse estereótipos tipo: homofóbico, radical, descontextualizado, etc., uma vez que os fundamentos daquilo que está escrito na Bíblia foram registrados há mais de 3.500 anos, logo, não é algo moderno ou escrito para provocar as tendências atuais, mas vem sendo experimentado e comprovado por todas as gerações que vieram antes, bem antes, de nós. Além disso, a alegação de que a sociedade evoluiu ou que os costumes são outros não serve para a Bíblia pois por ter sido escrita por Deus, ela é um livro “atemporal”, ou seja, serve para TODAS as épocas, eras, culturas e povos. Ela é o absoluto de Deus, onde qualquer sociedade, em qualquer lugar, em qualquer tempo, precisa pautar suas ações. Na sequência, você vai ler alguns motivos pelos quais não há compatibilidade em ser cristão e homossexual. Jesus disse que ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar o outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro (Mt 6:24). Sabemos que não existem duas verdades. Não existem duas posições que estão simultaneamente corretas. Por mais que isso pareça uma imposição, esta é a base sólida que temos para apresentar abaixo as razões bíblicas pelas quais não aceitamos o novo contexto homossexual para nossa sociedade atual.

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PRECONCEITO "No mundo sempre existirão pessoas que vão te amar pelo que você é,.. e outras,... que vão te odiar pelo mesmo motivo ! Acostume-se !" Ediane Wunderlich Antigamente o homossexualismo era proibido no Brasil. Depois passou a ser tolerado. Hoje é aceito como coisa normal. Eu vou-me embora antes que passe a ser obrigatório.

Arnaldo Jabor

Qualquer tipo de preconceito é inaceitável. Não há justificativa para qualquer pessoa, por qualquer razão, separar, dividir ou impedir um outro semelhante de ter a plenitude de seus direitos. Uma pesquisa da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (SP) com quase 19 mil pessoas mostrou que 99,3% dos estudantes brasileiros têm algum tipo de preconceito17. Entre as ações de bullying, a maioria atinge alunos negros e pobres. Em seguida vêm os preconceitos contra homossexuais. É importante ressaltar que os evangélicos são 17% da população, logo percebe-se este resultado não se limita a apenas uma única “faixa” da sociedade, mas externa a opinião da sociedade como um todo. Está em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF) um Mandado de Injunção (MI) 4733, de autoria da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT). O objetivo dos ativistas gays é impor que a homofobia e a transfo-

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Revista Superinteressante – Abril/2012

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bia (repulsa ou preconceito contra o transexualismo ou os transexuais) sejam interpretadas como crime de racismo, que é inafiançável e imprescritível. Eles recorreram ao Supremo na suposição de que no Congresso seria recusado. O relator desse processo é o ministro Ricardo Lewandowski. Há 2 fatos que me surpreendem neste processo: Primeiro, de não fazer diferenciação entre homossexual e homossexualismo. Enquanto o primeiro (ser homossexual) é uma opção pessoal, o segundo é uma prática e como toda prática, ela está sujeita as consequências naturais. Quebrar esse entendimento prejudicará toda uma norma jurídica com consequências tremendas para nossa sociedade. Segundo, é o fato de que este Mandato estabelece que será o Juiz que definirá se a maneira como uma pessoa fala contra o homossexualismo pode ou não ser um “discurso de ódio”. Neste caso, o Juiz reconhece que a homofobia e a transfobia se enquadram no conceito ontológico-constitucional de racismo ou, subsidiariamente, que sejam entendidas como “discriminações atentatórias a direitos e liberdades fundamentais”. Em ambos os casos, serão crimes passíveis de punição, ou seja, a punição passará a ser uma questão subjetiva e de entendimento pessoal. (Penso que a aplicação da lei não pode ficar sujeita ao humor do juiz de plantão). Já dissemos que não podemos de forma alguma confundir as coisas, mas todas as vezes que o assunto é abordado ou reclamado por entidades que apoiam a causa gay, não sei se proposital ou não, mas a questão é sempre misturada. Uma consequência pior é quando algum homossexual tem a oportunidade de tocar neste assunto, como por exemplo a entrevista dada pelo cartunista Laerte Coutinho ao jornalista Marcelo Tas. Laerte repete o mantra de que os crentes querem privatizar o sagrado, privando “os outros” do acesso a Deus – como se Deus fosse objeto da propriedade de poucos em detrimento de muitos. Ele conclui dizendo que evangélicos 25


são um malefício a sociedade, “gente nefasta”. A palavra nefasta significa: mau agouro, que causa desgraça. Seria isso os evangélicos? Ué, não seria isso um preconceito? Com toda a certeza, as pessoas não aprenderam o preconceito na Bíblia. Pelo contrário, Deus sempre deixou claro que todos os homens são iguais. “Pois o SENHOR, vosso Deus, é o Deus dos deuses e o Senhor dos senhores, o Deus grande, poderoso e temível, que não faz acepção de pessoas, nem aceita suborno” (Deuteronômio 10:17). Tanto que Pedro confirma esta verdade dizendo “... Deus não faz acepção de pessoas” (Atos 10:34), ou quanto Paulo garante que “para com Deus não há acepção de pessoas” (Romanos 2:11). É importante verificar que Paulo falando para os homens da igreja avisa que eles, os “senhores, de igual modo procedei para com eles (os servos), deixando as ameaças, sabendo que o Senhor, tanto deles como vosso, está nos céus e que para com ele não há acepção de pessoas.” (Efésios 6:9). Deus é tão severo com pessoas que fazem acepção de pessoas que diz que “aquele que faz injustiça receberá em troca a injustiça feita; e nisto não há acepção de pessoas” (Colossenses 3:25). Tiago vai mais adiante e garante que “se, todavia, fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado, sendo arguidos pela lei como transgressores” (Tiago 2:9). Desta maneira, fica claro que não estamos confrontando o homossexual – a pessoa, mas o homossexualismo – o pecado. Assim, entendemos que o homossexual pode vir a Deus da maneira como está. Mas, certamente, não vai permanecer como está. Nosso discurso não gira em torno da pessoa, mas da prática do pecado. Não há nem uma explicação plausível para a atitude desproporcional de rejeitar ou subjugar um semelhante, seja por causa de sua raça, cor, religião, ou um defeito genético. A partir do momento em que temos um relacionamento mais sério com Deus, passamos a ver nossos semelhantes da mesma forma como Deus nos vê. Isso 26


faz com que o preconceito vá perdendo espaço na nossa vida. É obvio que qualquer erro, praticado por evangélico ou não, precisa ser punido mas, percebemos que existe uma atenuante quando o adultério é praticado por uma pessoa não-cristã, assim como o roubo ou a corrupção deve ser menos importante ou mais tolerada quando cometido por um líder de um partido político. Nesta questão de preconceito, a primeira coisa que temos que trabalhar é contra os dois pesos e duas medidas como sempre existe. Não sei afirmar se já estamos preparados para viver sem preconceito. Se nossa sociedade já alcançou um estágio de desenvolvimento social e cultural que permita uma convivência saudável entre tribos e grupos. Pode até ser que, hoje e dia, o nível de preconceitos tenha diminuído significativamente, mas ainda estamos longe de uma sociedade igualitária ou no mínimo tolerante. Não devemos parar de lutar para que um dia alcancemos este patamar ideal de nossa sociedade, até porque, sendo os evangélicos minoria, fazemos parte do problema. Recentemente nosso país tem assistido a manifestações generalizadas de grupos de jovens em quase todas as capitais e grandes cidades. Uma coisa que nos chama a atenção é a unanimidade da opinião pública, inclusive das autoridades municipais, estaduais e federais, ressaltando o direito que cada brasileiro tem de expor sua opinião, mesmo que para isso ruas fiquem intransitáveis e pessoas percam o direito de ir e vir. O preconceito é um assunto não resolvido em nossa humanidade. Logo, é necessário muito cuidado por parte de nossos legisladores em condenar alguém por crime de preconceito, sem levar em consideração que muito ainda precisa ser feito para que o preconceito seja eliminado da nossa vida.

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RAZÃO 01 – NEM NA ANTIGUIDADE

"Cada um faz o que quer da vida, mas achar que o casamento gay é normal é começar a crer no fim do mundo" Horacio Cartes (Presidente do Paraguai)

Uma boa discussão tem sido encontrar evidências se a homossexualidade é algo normal e se acontecia com naturalidade em todas as sociedades antigas. Ou seja, como as sociedades antigas encaravam a homossexualidade? Se a homossexualidade fosse algo normal e natural na antiguidade, o que teria acontecido para que nos nossos dias ela se tornasse algo condenável, ou na pior das hipóteses em algo que ainda causa desconforto? O termo homossexualidade foi cunhado em 1869 pelo jornalista e advogado húngaro Karol Maria Kertbeny, após a criação, em 1862, do termo Uranismo – em referência ao discurso de Pusânias no Banquete de Platão – pelo jurista alemão Karl Heirnrich Ulrichs. Os dois autores entendiam a homossexualidade como “uma condição inata, que se manifestava através de impulsos e desejos” (Nunan18). A nova concepção trazida por estes autores e seus conceitos se colocava em oposição à ideia de “invertido”.

18

NUNAN, Adriana. Homossexualidade: do preconceito aos padrões de consumo. Ed. Ca-

ravansarai, Rio de Janeiro, 2003

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Ao pesquisar, percebe-se que há poucas referências sobre este assunto. Poucos historiadores se dedicaram a analisar este aspecto comportamental em outras épocas, exceto por interesses próprios. De acordo com John Boswell, autor de Cristianismo, Tolerância Social e Homossexualidade19 houve comunidades monásticas cristãs de pessoas do mesmo sexo e de outras ordens religiosas, em que a homossexualidade prosperou. De acordo com alguns criticos como Chauncey ou Richard William Southern, que refutam os achados de Boswell com pouco rigor academico. O seu trabalho atraiu grande controvérsia, pois foi visto por muitos como apenas uma tentativa de Boswell justificar a sua homossexualidade e a fé católica romana. Por exemplo, aponta RW Southern, que o homossexualismo tinha sido condenado extensivamente por líderes religiosos e estudiosos medievais bem antes do século XII, apontando para os livros de punições que eram comuns na sociedade medieval, muitos dos quais incluem a homossexualidade como um dos pecados graves.

Percebe-se uma tendência dos historiadores em mostrar que a homossexualidade é algo natural principalmente nos fatos acontecidos nos impérios grego e romano. Um estudo produzido por Francisco Carlos Moreira Filho e Daniela Martins Madrid20 mostra que uma pesquisa realizada por antropólogos a respeito da homossexualidade, detectou uma prática de rituais homossexuais há mais ou menos 10.000 anos atrás. Segundo estes estudos relatados na obra de Spencer21, o homossexualismo 19

New Haven: Yale University Press (1980) http://intertemas.unitoledo.br/revista/index.php/ETIC/article/viewFile/1646/1569 no site em 08 Abr 2013 21 SPENCER. Colin (1999). Homossexualidade: uma história. Rio de Janeiro: Record, 1999. 20

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ritual era exercitado com fim de iniciação, ou seja, os jovens destas tribos, com idade de 12 e 13 anos, eram penetrados por seus tios maternos. Acreditavam que o esperma de seu tio seria essencial para se tornarem fortes, e assim passar da infância para a fase adulta. No estudo de Moreira Filho e Madrid, eles garantem que “A verdade é que, a homossexualidade não é algo novo no comportamento humano, não se trata de uma forma moderna de viver”. Os autores insistem em afirmar que a homossexualidade é algo que já existe há muito tempo, ou seja, mesmo antes de Cristo já se verificava a existência de relações homossexuais. Na Grécia Antiga, onde as mulheres eram tratadas como seres inferiores aos homens (tanto que somente os homens é que recebiam educação, cabendo as mulheres aprenderem somente os tratos domésticos e serem mães), era de costume que os homens se reunissem para discursos intelectuais e culto ao belo. Dentre os escritos dos pensadores gregos neste culto ao belo é que verificamos com mais ênfase a homossexualidade na Grécia Antiga, pois muitos dos gregos, principalmente os mais velhos, se reuniam nos ginásios para apreciar a beleza física dos jovens, que nestes ginásios se mantinham nus. Segundo Maria Berenice Dias22 “na cultura grega existiam manifestações homossexuais nas representações teatrais, em que os papéis femininos eram representados por homens transvestidos de mulheres ou usando mascaras com feições femininas”. Considerando que as mulheres não ocupavam nenhum papel relevante nesta sociedade, a não ser as da realeza ou da nobreza que se rela-

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DIAS, Maria Berenice (2000). União homossexual: o preconceito & a justiça. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2000

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cionavam de igual para igual com os homens, não tinham elas nenhuma base para educar os seus filhos homens, sendo que quando a criança entrava na adolescência, era de costume que a família deste adolescente elegesse um homem mais velho, ao qual era passado a obrigação de educar este adolescente. Segundo estudos, em razão desta relação de um educador e um educando é que deu surgimento a pederastia, que acabou por se difundir pelas demais ilhas gregas. É importante frisar, que esta relação pederástica era aprovada pela família, porém não era qualquer um que seria o Erastes (homem mais velho), já que o candidato passava pelo crivo de aprovação da família e também dependia de aceitação do Erômenos (adolescente), para que então o Erastes viesse a servir como amigo e educador deste adolescente, que neste processo de aprendizado, o Erômenos se submetia como uma mulher, a esta relação. Alguns autores informam que essa iniciação acontecia através de um rapto. Nele, os amigos daquele iniciado auxiliavam o pederasta naquilo que resultaria um ato sexual, com complacências passivas. Na Grécia, os rapazes que não eram raptados e, portanto não possuíam uma iniciação por um pederasta eram considerados pobres coitados, vítimas dessa desgraça - a de não possuir um amante e assim não passar por um ritual de iniciação. Bremmer23 afirma que a contrapartida mítica desses rapazes era a história de Ganimedes, filho de um rei troiano, raptado por Zeus para tornar-se seu copeiro e seu amado. Assim, com esse registro observa-se que no contexto da Grécia Antiga era vergonhoso e desonrado não possuir um amante mais velho do mesmo sexo.

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BEMMER, J. Pederastia Grega e Homossexualismo Moderno. In: Bremmer, J. (org) De Safo a Sade – Momentos na história da sexualidade, Tradução: Cid knipel Moreira - Editora Papirus, Campinas-SP, 1995.

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Equiparar as relações homossexuais da Grécia antiga onde o relacionamento mestre/aluno era visto como fator pedagógico com o relacionamento atual é inverter e distorcer o entendimento. Em uma sociedade em que as mulheres não ocupavam qualquer papel relevante, onde elas serviam apenas para serem mães, ou seja, procriadoras ou prostitutas e estavam no mesmo nível dos escravos, sendo tradição e cultura que os jovens tivessem seus “erastes” para educá-los, não podemos de forma alguma equiparar o homossexualismo de hoje com a do império grego. Qualquer historiador isento, verificaria que há diferenças significativas entre os atos homossexuais praticados na antiguidade e os relacionamentos homossexuais praticados hoje. O que os homossexuais querem hoje é uma nova homossexualidade com todas as liberdades. O estudo também chama a atenção para o fato de que a “relação homossexual entre um jovem e um homem mais velho era abertamente aceita e tida como natural, porém as relações entre homens da mesma idade não eram aceitas; acreditava-se que o homem que assumia postura passiva, não era tido como verdadeiro homem, pois o homem só assumia a postura ativa, ou seja, qualidade de “macho”, sendo que os passivos eram as mulheres, os jovens e os escravos, já que estes estavam em um plano inferior na sociedade”. Em outras palavras havia uma cultura que era seguida, uma prática que não era quebrada pela sociedade daquela época. Sem exagero podemos afirmar que uma relação exclusivamente homossexual com sujeito passivo e outro ativo, levava a exclusão do homossexual dentro da própria sociedade grega. Além de não serem aceitos, também não eram considerados como “machos”, por isso, perdiam seus direitos como cidadãos e a sociedade os segregavam. Insistimos, a cultura grega aceitava o relacionamento homossexual apenas como fator cultural e de aprendizado. Em sua análise nos costumes do império romano afirma que em Roma as coisas eram diferentes, 32


“apesar de muitos escritores afirmarem que Roma tinha sofrido influências gregas, e assim, demonstrar que as práticas homossexuais eram as mesmas, porém muitos estudos demonstram que não era verdade e que em determinados pontos existia uma diferença drástica a cerca do tema. O amor entre um romano e um jovem livre não era bem aceita, ainda que popular, sendo que este tipo de relação era punido com multa, contudo, o amor de um romano e um escravo não sofria nenhum tipo de restrição. Nesta sociedade também existia uma repulsa com relação ao homem romano que adotava a condição de passivo, ou seja, mantinha-se a mesma concepção que os gregos tinham a respeito da passividade, que esta só deveria ser típica de mulheres, jovens e escravos”.

No Império romano, segundo Veyne24, o comportamento homossexual era reprovado de modo similar à reprovação das cortesãs que praticavam relações extraconjugais, bem como quando se tratava de homossexualidade passiva. Sua obra relata ainda que um romano era inocente se penetrasse um escravo, entretanto era monstruoso da parte de um cidadão ser penetrado por um escravo. Como dissemos acima, se na Grécia o relacionamento homossexual não era aceito, exceto no caso do aprendizado por questões meramente culturais, o mesmo, ou seja, no império romano, não havia tolerância por parte da sociedade, que inclusive aplicava multas aos que insistiam praticar atividades homossexuais. Isso mostra de maneira clara de que forma era aceita a relação homossexual na antiguidade. Chamamos a atenção ao fato de Veyne afirmar que “não só nestas duas grandes civilizações, Grécia Antiga e Roma, que se verificavam as relações homossexuais de forma natural, o

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VEYNE, P. A homossexualidade em Roma. In: Sexualidades Ocidentais, ÁRIES, P. & BEJIN A. (org.) Ed. Brasiliense, São Paulo, 1995

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mesmo também ocorria no Oriente”, entretanto seus estudos provam que as relações homossexuais nas civilizações antigas a coisa não era assim tão normal no seio da sociedade. Querer encontrar traços de homossexualidade no hinduísmo com seus deuses bissexuais ou mesmo no confucionismo ou no budismo misturando com a escolha dos imperadores por guerreiros especiais, é o mesmo que buscar na Bíblia razão para justificar a homossexualidade na sociedade judaica. Apesar de apenas nos escritos judaicos (Torá) encontramos ordens claras contra o relacionamento homossexual (veremos isso quando analisarmos a 6ª Razão), percebemos que o código da própria sociedade tanto grega quanto romana, não aceitava o homossexualismo de forma natural e não podemos nem afirmar que a sociedade ou a cultura hebraica tenha influenciado a cultura helênica ou romana. Entretanto, do ponto de vista histórico, vemos que uma das mais antigas referencias da homossexualidade está registrado no livro de Gênesis capítulos 18 e 19, onde a cidade de Sodoma foi destruída em decorrência do alto grau de promiscuidade em que vivia a sua população, tendo como característica fundamental o conflito entre Ló e alguns homens que buscavam ter relações sexuais com os anjos enviados por Deus. É importante que se diga que nós sabemos que eram anjos, mas para Ló eles eram homens enviados por Abraão, seu tio. Mesmo que se questione sobre a veracidade desses fatos, pode-se perceber que as sociedades hebraicas já convivam com a ideia de homossexualidade muito antes dos próprios gregos ou romanos. Mas a regra era a mesma, ou seja, os homens não deveriam relacionar-se uns com outros. É importante que se mencione que nas demais culturas antigas tanto quanto nas mitologias, como a nórdica por exemplo, este assunto sequer é tratado. Nessas mitologias o assunto principal são 34


as guerras e a violência. Freud foi um dos primeiros a tratar do assunto de forma atual quando escreve os 3 ensaios sobre a sexualidade (1905). Mesmo Freud, seus escritos mostram todo o peso da cultura judaico-cristã tentando discutir a questão sexual de sua época tanto que nos Três Ensaios, Freud (p.146) afirma que “o interesse sexual exclusivo de homens por mulheres também constitui um problema que precisa ser elucidado, pois não é fato evidente em si mesmo, baseado em uma atração afinal de natureza química”. Outra coisa importante é analisar a questão pela óptica do feminismo. Algumas autoras feministas como a historiadora Joan Scott citada por Fonseca25 consideram o gênero como “forma primária de dar significado às relações de poder”, revelando-se como elemento constitutivo das relações sociais. Sua posição diante da construção de gênero aponta para uma forma simbólica de hierarquizar e ordenar o universo em termos de um princípio de valor. É exatamente este o princípio criado por Deus e dado a Moisés, em contraponto a desobediência humana, ou seja, no momento em que o homem destrói a hierarquia criada por Deus (homem e mulher), não há mais ordem, tornando-se confuso qualquer relacionamento de gênero, abrindo as possibilidades de aceitar qualquer tipo de alteração comportamental. Ninguém está no comando, por mais que isto seja a única possibilidade de sobrevivência da humanidade. Na óptica feminina, quando um homem faz o papel de uma mulher em um relacionamento sexual, está de certa forma destruindo a forma primária da relação de uma sociedade, tornando-a completamente confusa e sem direção. Em outras palavras, o homossexualismo é

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FONSECA, T.M.G.. Psicologia e Relações de Gênero: O gênero da ciência psicológica. In: ZANELLA & SIQUEIRA & LHULLIER & MALON, Psicologia e práticas sociais, 19 ed. Ed. ABRAPSOSUL, Porto Alegre, 1997.

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uma forma de destruir o próprio feminismo e o relacionamento da humanidade. Verifica-se que o movimento feminista, exceto a 1ª onda, girou sobre tópicos onde a questão sexual estava em evidência, principalmente a terceira onda do feminismo, a partir de 1990, quando a psicóloga Carl Gillian ousou desafiar os paradigmas da segunda onda, tentando eliminar as grandes diferenças entre sexos, defendendo que cada gênero possui seu papel dentro de nossa sociedade. A partir de então, estava aberta a discussão sobre a homossexualidade e sua influência no feminismo moderno.

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RAZÃO 02: É UMA ABOMINAÇÃO Mas os perversos são como o mar agitado, que não se pode aquietar, cujas águas lançam de si lama e lodo.

(Isaías 57: 20)

Abominação (toēvāh) é aquilo que causa repulsa em Deus. Deus deixa claro quais são essas coisas que ele abomina. A Bíblia, que é o livro de Deus, diz o que ele repulsa, para que seus seguidores não o façam (sob o risco de sofrerem consequências). Várias coisas como, por exemplo: o simples ato de um hebreu comer com um egípcio (Gn 43:32), oferecer sacrifícios humanos (Dt 12:31), comer animais ritualmente impuros (Dt 7:25), sacrificar animais defeituosos (Dt 17:1), envolver-se com ocultismo (Dt 18:9-14), realizar transações desonestas (Dt 25:13-16), e também a prática do homossexualismo (Lv 18:22-30; 20:13) estão na lista de Deus, consideradas abominações. Salomão dá uma lista de outras 7 abominações (Pv 6:16-19). Talvez você até possa dizer que esta lista é absurda ou sem sentido, ou até mesmo fora de contexto para nossos dias. Insistimos no “ponto zero”: o que Deus (criador) falou, não cabe ao homem (criatura) questionar. Isso não é fanatismo ou “cabeça feita”, mas obediência. Isso não é algo que só acontece no Cristianismo mas, em todas as culturas em todas as épocas e em todas as religiões é a divindade que deve ter a palavra final. Somos chamados para obedecer, pois Deus sempre faz o melhor para a criatura, mesmo quando não conseguimos enxergar com nossas lentes limitadas pelo tempo. Se o homossexualismo é uma das abominações, então não podemos aceitá-lo por uma questão de princípios. Assim como não aceitamos a mentira, o roubo, o adultério, o homicídio, etc., ou a quebra 37


de qualquer princípio da lei, não podemos aceitar o homossexualismo. Não se trata de preconceito, mas aceitar o homossexualismo tem a mesma gravidade que quebrar um mandamento ou uma ordem direta de Deus. A mesma Bíblia que define como pecador uma pessoa que adultera, que rouba, que mata o seu próximo, que não “santifica o sábado” ou que tem outros deuses, etc., define que a homossexualidade é uma abominação. Em nossos dias até parece que Deus só é contra os homossexuais, mas a Bíblia nos mostra, com todas as evidências, que há uma grande lista de coisas que deixa Deus chateado. Este é o ponto de vista de Deus, por isso, o homossexualismo é uma das abominações. É importante lembrar as admoestações que Deus faz ao seu povo com respeito a quebra de uma abominação. Ele diz em Lv 18:29 “Todo que fizer alguma destas abominações, sim, aqueles que as cometerem serão eliminados do meu povo”. Em Dt 7:26, Deus vai além e diz: “Não meterás, pois, coisa abominável em tua casa, para que não sejas amaldiçoado, semelhante a ela; de todo, a detestarás e, de todo, a abominarás, pois é amaldiçoada”. Logo, a segunda razão para não aceitar a homossexualidade é porque para Deus isso é uma abominação. E se nós fomos criados para a glória de Deus, optar por uma abominação é contrariar a ordem do nosso Deus. É agredi-lo naquilo que Ele é mais zeloso: com sua palavra. Você pode achar um absurdo Deus agir assim, porém a “regra do jogo é clara” e como criaturas não devemos desobedecêlo. Por toda a Bíblia Deus mostra como age contra aqueles que quebram seus estatutos. Ao Acã (Josué 7) desobedecer a Deus, tomando para si coisa condenada, levou o exército de Israel a sofrer sua única derrota contra os homens de Ai. Quando Davi, já velho resolve desobedecer a Deus e fazer um censo para, com orgulho, mostrar o tamanho de seu reino, Deus resolve castigá-lo. Por Davi 38


ser um homem segundo o coração de Deus, o profeta chega a ele com três castigos para que Davi escolhesse um. Sete anos nas mãos do inimigo (essa seria fácil pois Davi já havia derrotados todos os inimigos), três meses de fome (essa seria mais fácil ainda, pois ele era o homem mais rico de toda aquela região), ou três dias na mão do Senhor. Davi escolhe três dias na mão do Senhor e Ele envia a peste, onde mais de 70.000 homens morreram. Deus perdoa, Deus abençoa, mas Deus não aceita que desobedeçamos suas ordens. Muitos outros grandes homens e até lideres fundamentais como Moises, Abraão, Salomão, Jonas, etc. foram castigados por desobedecer a Deus. O Salmista (Sl 94:12) nos diz que feliz é o homem a quem Deus repreende (castiga). Salomão aprendeu que Deus castiga a quem ama (Pv 3:12). Deus é um Pai que cuida dos seus filhos e quando necessário até os castiga. É melhor castigá-los e salvá-los do que não corrigi-los e perdê-los. A ordem de Deus, não é um assunto o qual o homem pode decidir se aceita ou não, se Deus está sendo severo ou ditador, se em nossos dias tem ou não espaço para uma atitude deste tipo. Por mais que nos pareça absurda ou que contrarie o desejo da maioria, uma vez estabelecida por Deus, cumpre-nos obedecer. Logo, não é prudente quebrar uma lei de Deus, mesmo que toda a sociedade diga o contrário e aceitando ou não, logo a homossexualidade é contrária ao que Deus determinou para o homem.

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RAZÃO 03: BIOLÓGICA

Os príncipes de Judá são como os que mudam os limites; derramarei, pois, o meu furor sobre eles como água.

(Oséias 5:10)

A pergunta aqui é: A pessoa nasce homossexual ou não? Uma terceira razão pela qual não aceitamos o homossexualismo como algo normal é pelo fato da Bíblia nos informar que Deus criou homem e mulher, ou macho e fêmea (Gn 1:27). Há muito tempo a ciência já descobriu que o homem tem 23 pares de cromossomos (isso não quer dizer muita coisa, pois uma simples borboleta possui 190 pares de cromossomos). Para identificar o sexo basta verificar o cromossomo 23. Onde há XY sabe-se que é um homem. Onde há XX, sabe-se que é uma mulher. Por quê questionamos a razão biológica? Fiquei um pouco assustado no momento em que li na publicação sobre a homossexualidade na escola, editado pela Prefeitura Municipal de Vitória, no capítulo em que o autor levanta as razões pelas quais uma pessoa se torna homossexual ou heterossexual. Seria o destino? seria um gene? seria uma opção? ... ele então informa: O que leva uma pessoa a ser homossexual ou heterossexual. Há quem atribua a características biológicas, mesmo genéticas; há quem defenda que toda a sexualidade é uma construção social; há os que juntem um pouco de tudo. Seja como for, todas essas

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questões estão ligadas a processos (físicos ou psicológicos) que estão para além da simples vontade26”.

A forma como o autor diz que “há quem atribua a características biológicas, mesmo genéticas; há quem defenda que a sexualidade é uma construção social” leva fatalmente seus leitores, na sua maioria pessoas sem uma sólida base científica ou mesmo religiosa, a acreditar que isso é uma verdade, mesmo que o sujeito da frase seja indeterminado ou que não cite as tais fontes. Então conclui que TODAS essas questões ... estão para além da simples vontade. Aqueles que estão em fase de definição tomam essa informação como verdade e passam a nortear sua posição a partir dela, afinal foi um livro feito pela Universidade Federal do Rio, publicado pela PMV e que faz parte de um projeto do Governo Federal. Não há necessidade de se provar mais nada. A credibilidade vem por tabela. Recentemente, em resposta a entrevista que o Pastor Malafaia deu à Marilia Gabriela, o Biólogo Eli Vieira27, Mestre em genética, citando estudos de Bailey & Pillard (1991), mostra que de fato há muitos estudos que comprovam, no caso de gêmeos monozigóticos que, se um é homossexual, a possibilidade do outro também ser é muito grande. Entretanto um outro biólogo, chamado Filipe Magnum28, mostra que esta não é a realidade, através de uma tabela onde os pesquisadores, com o passar do tempo vão melhorando 26

Se está além da simples vontade, fica estabelecido que está fora completamente de nosso controle ser ou não homossexual. Voltamos a insistir que o autor do livro em referência é tendencioso, pois nenhum estudos científico sérios, usando uma metodologia isenta, já feito até hoje, não atribui a homossexualidade características biológicas. Ao mencionar este fato sem as devidas referencias, tenta tornar o que escreveu uma verdade para aqueles que não conhecem a verdade cientifica sejam influenciados erroneamente. 27

http://www.youtube.com/watch?v=hsTsb0zMAzE

28

https://www.youtube.com/watch?v=4im2MUkM5AY

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suas bases de pesquisa e chegando a resultados bem diferentes que os iniciais publicados. Este procedimento é muito normal no meio acadêmico, onde em cada nova geração de pesquisadores, os protocolos vão se tornando mais apurados e consequentemente os resultados vão se aproximando da realidade. Os novos resultados apontaram para uma redução substancial que o Biólogo Eli Vieira não menciona. Talvez até por desconhecimento.

Pesquisador Bailey & Pillard (1991) Bailey et al Kendler et al (2000) Bailey et al (2000)

Gêmeos Idênticos (Um sendo homossexual o outro também pode ser) 52% 48% 32% Homens - 20% Mulheres - 24%

Gêmeos Não Idênticos (Um sendo homossexual o outro também pode ser) 22% 16% 13% Homens - 10,5% Mulheres - 18,2%

Percebe-se na tabela acima, que com as novas pesquisas e a melhoria dos protocolos científicos, as probabilidades vão diminuindo, quando deveriam aumentar, já que a população aumenta e os costume são mais tolerantes. Outra questão abordada pelo Eli Vieira é a questão “herdabilidade”. A pesquisa de Bailey (2000), mostrou que apenas 26% dos homossexuais poderiam apresentar alguma contribuição genética em sua formação, enquanto 74% mostra uma contribuição ambiental, ou seja, a homossexualidade é algo predominantemente ambiental (comportamental) e não genética. Comparando, no mesmo estudo outras questões, como por exemplo a inteligência, ficou comprovado neste estudo que 75% é resultado da contribuição genética e só 25% é contribuição ambiental ou de fatores externos, como por exemplo a influência de um professor.

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VARIAÇÕES Porque a homossexualidade não é uma questão biológica? Vamos ver que o argumento “eu nasci gay” não tem qualquer base científica/genética. Notamos que pode até haver pequenas variações nos cromossomos sexuais, porém a própria ciência se encarrega de chamá-las de “síndrome”, ou seja, uma síndrome pode ser considerada como um ou mais sintomas da mesma patologia ou da mesma condição médica, como é o caso, por exemplo, da síndrome XYY ou síndrome de Jacobs que é uma aneuploidia dos cromossomos sexuais, onde um humano do sexo masculino recebe um cromossomo Y extra em cada célula, também designada como trissomia XYY ou síndrome do “super-macho”, que apesar disto, suas características sexuais permanecem inalteradas. O oposto também existe, ou seja, uma pessoa do sexo masculino recebe um cromossomo extra X (que define o sexo feminino). Logo ele terá na estrutura do cromossomo 23 o XXY. Esta síndrome é conhecida como Sindrome de Klinefelter. À primeira vista poderíamos imaginar que um homem com essa estrutura sexual poderia muito bem ser “dominado” pelo lado feminino e quem sabe até tornar-se um homossexual, já que há um predomínio de cromossomos femininos. Acontece que, nos homens que apresentam esta síndrome, a maior evidência é o desenvolvimento levemente acentuado dos tecidos mamários e uma propensão a ter testículos menores que a média dos homens XY, porém as pessoas portadoras desta síndrome não apresentam ou mostram qualquer alteração comportamental que pudesse ser identificado como um homossexual. A ciência descobriu que há muitos registros de homens com essa trissomia que mantém relacionamento heterossexual com todas as características que um homem XY possui. 43


Infelizmente a ciência também tem mostrado que homens com esta síndrome apresentam alta incidência de câncer, dificuldades na fala, atraso motor, comportamentos antissociais e psiquiátricos, deficiência auditiva bem como infecções respiratórias, ou seja, mais do que estar relacionado à sexualidade, a inclusão de mais um “X”, acaba por fragilizar sua saúde como um todo, deixando-o a mercê de várias doenças. Há outras patologias como por exemplo a trissomia do “X” também chamado de “triplo X” ou da “super fêmea”. Como tantas outras variações nestes cromossomos, o que vemos, como regra geral, é que elas provocam debilidades ou deficiências de ordem física (defeitos congênitos) ou psicológica em seus portadores, porém não há nenhum caso em que essas mutações ou síndromes tenham causado inversão sexual. Apenas como exemplo de que um gene a mais não significa necessariamente o fortalecimento ou benefício em prol de alguma característica, um caso muito conhecido de trissomia é a Síndrome de Down, onde ocorre a presença de uma terceira cópia do cromossomo 21 nas células dos indivíduos afetados. Neste caso, o que poderia ser uma vantagem extra (3 cópia do mesmo gene) acaba levando o indivíduo a ser portador de algumas necessidades especiais. Há outra questão quando o assunto são os genes. A genética nos informa que dois animais de espécies diferentes não se cruzam, ou melhor, até podem se cruzar por razões meramente sexuais, porém o resultado é estéril. O cruzamento de 2 espécies não formam uma nova espécie, como supunha Darwin.

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Primeiro esboço de uma árvore evolutiva feito por Charles Darwin no seu livro First Notebook on Transmutation of Species (1837)

É verdade que hoje a genética consegue criar, por exemplo, vacas mais produtivas de leite ou bois com mais carne que outros. Porém, tem se verificado que boa parte destes animais são híbridos e não conseguem se reproduzir com outros da espécie do qual serviu de base, como é o caso, por exemplo, da ovelha doméstica (Ovis aris) que foi criada através de hibridação e já não produz descendentes férteis com o muflão (Ovis orientalis), que é uma das espécies que lhe deu origem29. Um caso interessantíssimo é o da tentativa de criação de novas espécies em laboratório por William Rice e G.W. Salt. Estes cientistas partiram de uma única espécie, a mosquinha-da-fruta (Drosophila melanogaster) e usando fatores ambientais para fazer a seleção entre as descendentes. Cada geração era colocada em um labirinto, e o grupo de moscas que saía em duas das oito possíveis saídas eram separadas para procriar dentro do seu próprio grupo. Após trinta e cinco gerações, os dois grupos e os seus descendentes não conseguiam procriar entre eles, mesmo quando essa era a única

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Hiendleder S., et al. (2002) "Molecular analysis of wild and domestic sheep questions current nomenclature and provides evidence for domestication from two different subspecies"

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oportunidade de se reproduzir30. Em outras palavras, a incapacidade de procriar pode ocorrer até dentro da mesma espécie, quando outros fatores, que não só a natureza, interfere em seu processo de geração. Até aqui, podemos adimitir que o homossexualismo não é algo inato, mas adquirido. Porém, dizer simplesmente que esta pessoa adquiriu uma condição, faz desta situação um reducionismo gritante, além de não olhar para o mesmo com uma lente mais cuidadosa. Por trás de um homossexual existe um ser humano, com seus conflitos e lutas. Tenho lido alguns testemunhos de pessoas que trocaram de sexo e é comum a afirmação de que se sentiam presos dentro de um corpo que não era o seu. É importante que se reconheça que eles precisam de ajuda, mesmo que eles não percebam ou entendam que tipo de ajuda temos que dar. Não podemos tapar o sol com uma peneira, ou simplesmente jogar a poeira para debaixo do tapete. Como ajudá-los? Creio que temos que partir do que conhecemos. E o que a ciência conhece, pelo menos até agora, é que uma pessoa não nasce com um 3º sexo ou sexo intermediário. Como então classificar a homossexualidade? Podemos concluir (até que a ciência nos dê mais luzes), que a homossexualidade pode ser caracterizada como uma maior probabilidade de ser uma doença ou distúrbio comportamental (behavioral disorders), como, por exemplo, o é o uso de drogas ou álcool, a ansiedade, as síndromes do pânico, da solidão, os transtornos compulsivos, etc., e tantas outras doenças que têm um fundo psicossomático e não apenas biológico.

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Rice, W.R. and G.W. Salt. (1988). "Speciation via disruptive selection on habitat preference: experimental evidence". The American Naturalist

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Sabemos que o Conselho Federal de Psicologia (CFP), através da resolução 001/99, proíbe profissionais desta área de proporem tratamentos para a homossexualidade. Por outro lado, tramita no Congresso Nacional o Projeto de Decreto Legislativo 234/11, do deputado João Campos (PSDB-GO), que susta a vigência da resolução do CFP. Várias reuniões com autoridades e interessados no assunto já foram realizadas, porém, apesar da aprovação na Comissão de Direitos Humanos, ainda não há um consenso com respeito a aprovação ou rejeição deste decreto. É verdade que a Organização PanAmericana de Saúde (OPAS), desde 1990, excluiu a homossexualidade da lista de doenças adotada pela entidade, entretanto é importante que se esclareça que só faz parte da OPAS as doenças com uma causa conhecida. O alcoolismo ou o tabagismo também não são doenças, segundo a OPAS. O cientista Qazi Rahman, da Universidade de East London não nega que fatores ambientais possam entrar na equação da formação da sexualidade nos seres humanos. O problema é que ninguém sabe exatamente quais são eles. Não há provas, por exemplo, de que o abuso sexual na infância resulta em homossexualidade. O número de gays não é maior em lares chefiados por mulheres nem entre filhos criados por casais gays. Tampouco há mais casos de homossexualidade após períodos de guerra, quando os pais se ausentam de casa, o que enfraquece as hipóteses sobre dinâmicas familiares. Nem mesmo a teoria de Sigmund Freud encontra sustentação científica. O pai da psicanálise dizia que mães superprotetoras e pais ausentes poderiam levar o filho a ser gay. Mas ao invés de encontrar a causa, Freud possivelmente enxergou a consequência: a superproteção da mãe não seria a origem da homossexualidade, mas um ato de defesa para um filho que é rejeitado pelo pai por se comportar, desde cedo, de maneira feminina.

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Importante notar que Robert Spitzer, o psiquiatra que encorajou a Associação Psiquiátrica Americana a retirar a homossexualidade da lista de transtornos mentais, causou espanto ao afirmar, em 2001, que sessões de terapia podem mudar a orientação sexual de um gay. Ele chegou a essa conclusão ao entrevistar pessoas que diziam ter deixado a homossexualidade após o tratamento. Finalmente, é interessante notar que as entidades que defendem o movimento gay, não aceitam que a homossexualidade seja considerada uma doença social, entretanto acusam aqueles que pensam diferentes de homofóbicos, ou seja, de doentes, como foi tema da parada gay de 2012 em SP, "Homofobia tem Cura: Educação e Criminalização".

Não podemos usar dois pesos ou duas medidas para a mesma questão! Faça-me o favor... Logo, do ponto de vista científico não há como explicar a homossexualidade como consequência de uma alteração genética. Como isso nunca foi provado, confirmamos o que a Bíblia diz - e comprovado até o momento pela ciência - que a homossexualidade não é uma anomalia ou mutação da qual já se nasce com ela. Genetica48


mente, ninguém nasce gay. Sendo assim, precisamos então enquadrar a homossexualidade em outra classificação que não a genética, pois nesta não coube. Se é opção, a pessoa tem que ser responsável pelas escolhas, e não culpar a natureza, as pessoas ou a Bíblia pelas consequências.

RAZÃO 04: ANATOMIA Se todo o corpo fosse olho, onde estaria o ouvido? Se todo fosse ouvido, onde, o olfato? Mas Deus dispôs os membros, colocando cada um deles no corpo, como lhe aprouve. (1 Co 12:17-18)

Na natureza tudo foi criado com todo equilíbrio. Ainda no Jardim do Éden, Deus percebeu que depois que Adão deu nome a todas as espécies, ele estava triste pois não havia achado uma auxiliadora que lhe fosse idônea. É importante notar duas coisas aqui. Primeiro, a palavra idônea não tem apenas o sentido de integridade, mas de 49


“completar”. Ou seja, Adão não encontrou em toda a criação algo que lhe completasse. Segundo, é a própria ciência quem garante não haver possibilidade genética no cruzamento de duas espécies diferentes, mesmo sendo do mesmo ramo genético. Por exemplo, mesmo o homem sendo um mamífero, não tem como cruzar com um outro primata e desta forma surgir um ser meio homem meio primata. Logo Adão não encontrou nenhum outro animal compatível consigo. Esta foi a tristeza de Adão. De toda a criação, Adão era o único que estava em desvantagem. Deus então lhe faz uma auxiliadora e assim Adão pode ser totalmente feliz e completo. Por mais que existam as fantasias, e elas existem tanto em homo quanto heterossexuais (nesta área não há diferenças), mas elas (as fantasias) não são o meio normal e natural com que o ser humano se relaciona entre si quando o assunto é sexo. Deus criou o corpo humano de forma completa. Não temos nenhum órgão sem função e na verdade a vida é exatamente a somatória de todos os órgãos funcionando em perfeita harmonia. Nesta perspectiva, o ânus definitivamente não foi feito para ser penetrado, sua função, como a parte final do intestino grosso, é para ser a descarga daquilo que ingerimos, ou seja, descartar tudo aquilo que não tem mais utilidade em nosso corpo depois que o sistema digestivo transformar todo alimento que ingerimos em energia e nutriente para as células (carboidratos, lipídeos, proteínas e vitaminas). O resíduo precisa ser descartado. A questão aqui não é a fantasia largamente mostrada nos filmes eróticos como se o sexo anal se resumisse no maior dos todos os prazeres sexuais do ser humano. Tampouco queremos questionar se é pecado ou não, ou mesmo que alguns digam ser

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possível ter orgasmo com sexo anal32, mas questionamos a utilização deturpada de um órgão (anus) que não foi criado para dar prazer ao homem (ou a mulher). Mal comparando, é o mesmo que utilizar as mãos para caminhar e a boca para escrever. Insistimos que no corpo humano cada parte tem sua função e o mais incrível, suas proteções. Todas as vezes que utilizamos alguma parte do corpo fora daquilo para o que foi criado, por mais excitante que sejam as fantasias, estamos deturpando sua função e consequentemente isso fatalmente acarretará algum problema na saúde adiante. Quais seriam as consequências do sexo anal para quem o pratica? As autoridades de saúde pública têm mostrado que há basicamente dois tipos de riscos na prática do sexo anal: 1. Infecções: Devido à altíssima concentração de micro-organismos, inclusive alguns que não são encontrados em outras partes do corpo. 2. Dano físico: O ânus e o reto são estruturas que, apesar de apresentaram alta resistência a micro-organismos, estruturalmente são bem frágeis. Apesar de todos os avanços dos tratamentos contra a AIDS, inclusive na possibilidade largamente anunciada que dentro de 15 anos a ciência encontrará a cura para esta terrível doença, tudo isso não exclui a dor e o sofrimento de tantos que foram contaminados por este vírus, causado basicamente pela prática do sexo anal, já que a transmissão deste vírus para os hemofílicos tem reduzido ao longo dos anos de forma drástica.

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Acreditamos que até seja possível ter algum tipo de prazer com o sexo anal, porém como é possível um homossexual passivo ter um orgasmo se esta sensação é especifica dos órgãos genitais?

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Não é só pela possibilidade maior de sangramentos que o sexo anal aumenta a chance de transmissão do HIV. Como o reto é a área mais infectada do corpo (leia-se: cheia de micro-organismos), ela necessita de uma ampla defesa, que não permita uma invasão por esses patógenos em outras partes do corpo humano. Assim, é natural que o reto possua uma concentração maior de glóbulos brancos. E no meio deles, estão os linfócitos T, que albergam muitos vírus, inclusive o HIV. A medicina já descobriu que, além do HIV (considerado o mais grave porque não há cura), muitos outros patógenos podem ser transmitidos através do sexo anal, como o papilomavírus humano, hepatites A, B e C, amebíase, clamídia, Criptosporidíase, infecções de escherichia coli, gonorréia, herpes, vírus do papiloma humano, herpesvirus humano (HHV-8); linfogranuloma venéreo, Mycoplasma hominis, Mycoplasma genitalium, piolho do púbis, salmonelose, shigella, sífilis, tuberculose e Ureaplasma urealyticum. A tênia (Taenia solium), verme que parasita o ser humano, pode causar uma grave consequência, quando junto com as fezes. A maioria dos casos de câncer anal ocorre por conta do HPV (papilomavírus humano). Segundo as últimas pesquisas, nos últimos 30 anos, a incidência cresceu 160% nos homens e 78% nas mulheres. Mas também o uso de cigarros está associado, aumentando em 4 vezes os riscos de doenças nesta área. Apesar de algumas discordâncias por parte dos médicos especializados nesta área do corpo, tem se constatado que o dano físico, muitas vezes aliado ao uso de álcool ou outras drogas, pode se manifestar de algumas formas, como trauma ano-retal generalizado, hemorroidas, fissuras anais e prolapso retal (a mucosa do reto acaba se exteriorizando pelo ânus) e tem como causa principal a penetração (forçada) já que esta área do corpo não possui lubrificação suficiente aliada a sensibilidade diminuída. 52


Verifica-se que tanto no homossexual ativo quanto no passivo, as doenças acima indicadas os atingem igualmente. Nos homossexuais masculinos, em caso de rompimento da proteção (camisinha), a abertura do canal da uretra fica diretamente em contato com as fezes, predispondo de maneira direta às graves doenças acima citadas. Nas mulheres os riscos acima indicados também são graves, pois devido a menor distância entre o ânus e a vagina, o risco de infecção desta e outras patologias decorrentes da área urinária é muito maior quanto maior a incidência de sexo anal.

Deus criou nosso corpo de forma perfeita, nada fora do lugar, nada sem função. As doenças só aparecem no momento em que algum órgão deixa de funcionar ou quando o utilizamos fora daquilo para o qual foi criado. É verdade que para isso temos remédios e toda a farmacologia a nossa disposição, mas as consequências tanto para o corpo quanto os efeitos colaterais nos tratamentos médicos muitas vezes são dolorosos quando não nos deixam sequelas difíceis de serem curadas. A Bíblia nos garante que nosso corpo é a morada ou a habitação do Espírito Santo (Rm 8:11)33. Como faríamos algo, conscientemente, 33

Se habita em vós o Espírito daquele que ressuscitou a Jesus dentre os mortos, esse mesmo que ressuscitou a Cristo Jesus dentre os mortos vivificará também o vosso corpo mortal, por meio do seu Espírito, que em vós habita.

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que agride nossa natureza, para destruir ou contaminar nosso corpo? A não ser que queiramos destruir a possibilidade de Deus habitar em nosso corpo.

RAZÃO 05: DETURPAÇÃO DA RAÇA

Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor. Agora, porém, libertados do pecado, transformados em servos de Deus, tendes o vosso fruto para a santificação e, por fim, a vida eterna. (Rm 6: 23,22)

Deus criou o homem para viver e não para morrer. Deus criou o homem perfeito e não para sofrer. Depois de ter criado todas as coisas, diz a Bíblia que o próprio Deus deu o veredito final: tudo era muito bom (ou perfeito). Se tudo era assim tão perfeito, o que aconteceu para acabar com toda essa perfeição? O pecado. O que na verdade é um pecado?

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Muitos teólogos renomados não tem aceito essa questão de forma pacífica e tem se criado muito barulho a respeito da queda do homem. A teologia básica nos apresenta que a desobediência do homem à ordem de Deus, causou a maior tragédia de toda a criação. A Bíblia vai adiante e nos informa que o pecado deturpou toda a criação. E quando fala da criação, precisamos entender que aqui envolve “todas as coisas”, inclusive a natureza e até o cosmo. O estrago foi tão grave e profundo que Paulo nos diz que para ela, a natureza, só resta a esperança de um dia ser restaurada ou redimida deste cativeiro da corrupção para a liberdade (Rm 8:21)34. Quando Salomão estava consagrando o Templo ao Senhor, este lhe apareceu a noite e lhe disse: “se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e me buscar, e se converter dos seus maus caminhos, então, eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra”. (2 Cr 7:14). Muitas ONGs preocupadas com a destruição do meio-ambiente pregam a necessidade de salvarmos a natureza para que o homem seja salvo (nada contra este apelo ecológico), mas na verdade, o que Deus está dizendo a Salomão é exatamente o oposto, ou seja, no momento em que o homem busca a Deus, Ele não apenas salvará sua vida, como sarará (rāpā = tornar saudável) a sua a terra. Assim como não resolveremos o problema da natureza invertendo aquilo que Deus afirma, o mesmo acontece com a homossexualidade que é um dos resultados do pecado que deturpou toda a criação de Deus. Por isso, precisamos analisar com mais cuidado essa questão reconhecendo-o como uma das consequências causadas pelo pecado no ser humano. Logo, a homossexualidade não terá solução enquanto não encararmos a questão sob este ponto de vista, ou seja, algo deturpado e que precisa ser restaurado (assim como outros desvios). 34

Na esperança de que a própria criação será redimida do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus.

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Creio na definição acima para o pecado, mas dentro de um contexto mais amplo e obviamente com o tudo aquilo que a humanidade já experimentou e estamos vivendo, podemos também ver no ato de Adão e Eva ali no paraíso, que também foi um ato consciente (se antes ou depois da sugestão de Satanás a Eva, creio que não importa muito) por independência do criador. Na verdade este tem sido o ponto central da humanidade: querer viver livre do seu criador e determinar seu próprio caminho. Podemos ver essa decisão na consequência imediata depois que “pecaram”. Qual seria a solução mais lógica de Adão e Eva para o que fizeram? Procurar Deus, dizer que pisaram na bola e pedirem desculpa pelo erro. Ninguém melhor do que eles para saber que Deus é amor e misericórdia e que os perdoariam. E foi isso que fizeram? Não. Na verdade fizeram justamente o contrário. Fugiram de Deus, quando este o procurou, e buscaram uma solução pessoal. Mais do que isso, confiaram em sua própria capacidade de encontrar uma saída, de prover uma solução final. Acharam que eram autossuficientes para resolver aquela situação e por isso cobriram-se com folhas de figueiras como se isso resolvesse todo o problema e não precisariam explicar nada para Deus. Este procedimento, na verdade cria um novo “protocolo”, um princípio de que o pecado é algo que nos ilude, mas que temos plenas condições de superá-lo com nossos próprios esforços ou na pior das opções, a culpa sempre é do outro. Foi isso que Adão e Eva disseram para Deus. Aqui está na verdade o centro da questão sobre o homossexualismo. Um erro que o homem quer solucionar com seus próprios esforços sem que tenhamos culpa por esta situação. O jeito então é voltar à Bíblia para analisar alguns textos que encaram a questão homossexual não apenas como uma abominação, mas como uma deturpação da raça humana. É isso que Paulo procura mostrar quando inicia sua carta aos Romanos. 56


Paulo mostra aos cristãos de Roma que “os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis” (Rm 1:20). A palavra “indesculpável” aqui significa que os homens não terão argumentos para justificar seu desconhecimento de Deus. O que leva o homem a fugir de Deus ou evitar conhecer a Deus? O desconhecimento é resultado do pecado que por sua vez acarretou a separação entre o homem e Deus. Paulo diz neste texto que esta fuga levou o homem por 2 caminhos que correm paralelos: a) Não glorificaram a Deus e fizeram isso “obscurecendo” o coração, ou seja, não reconhecem quem é Deus, “apagando” da memória qualquer ideia de Deus; b) acharam que eram sábios, mas na verdade são loucos (Rm 1:21c,22). A partir do pecado, os homens se digladiam contra sua própria consciência para dizer que Deus não existe, ou que Deus é uma mera invenção e quanto mais gritam que Deus não existe, mais loucos se tornam. Mas toda esta rejeição tem um preço. O homem já pagou e está pagando um preço muito alto por toda esta rejeição a Deus. Paulo afirma que como consequência desta fuga da presença do criador, Deus “entregou tais homens à imundícia, pelas concupiscências de seu próprio coração, para desonrarem o seu corpo entre si” (Rm 1:24). E Paulo acrescenta que Deus “os entregou a paixões infames; porque até as mulheres mudaram o modo natural de suas relações íntimas por outro, contrário à natureza; semelhantemente, os homens também, deixando o contato natural da mulher, se inflamaram mutuamente em sua sensualidade, cometendo torpeza, homens com homens, e recebendo, em si mesmos, a merecida punição do seu erro” (Rm 1:26-27). Devemos entender a expressão “Deus os entregou” como aquele pai que está avisando ao filho que 57


se ele andar na beira do precipício pode cair. Mas o filho teima e anda, e o pai volta avisar do perigo. Até que um dia o pai, cansado de avisar, diz ao filho: já lhe avisei inúmeras vezes do risco de andar na beira do precipício. Se você quiser continuar a correr o risco, eu não posso fazer mais nada. Porém, depois que cair, não venha me dizer que não lhe avisei. Na verdade caímos porque, como filhos, não queremos ouvir o pai. Voltando a passagem, é impossível depois de lê-la achar que o relacionamento homossexual é algo natural, bom e que Deus aprova. Impossível defender o homossexualismo alegando que “o que vale é o amor”. Fica evidente no texto acima que a imundícia, o desonrarem seus corpos, as paixões infames, a mudança do modo natural de suas relações intimas por outro, as torpezas, etc., são consequências da depravação do homem, ou do pecado, ou seja, algo que Deus não aceita, pois é uma deturpação da criação, um desejo animalesco que afronta ao próprio Deus. Talvez você esteja pensando que se é consequência do pecado e quem pecou foi Adão, logo o homem de hoje não tem responsabilidade por este estado de depravação. A culpa foi de Adão e Eva, eles que paguem pelo que fizeram. Infelizmente não podemos usar essa desculpa. O pecado de Adão e Eva, levou o homem para um outro lugar (longe de Deus). É como se seus pais morassem em Fortaleza e tivessem uma grande e bela casa por lá, mas devido a alguma circunstância adversa mudaram para Porto Alegre, para uma casa muito menor e sem quintal. Logo que chegaram à Porto Alegre você nasceu. A casa de Porto Alegre é pequena e apertada bem diferente da casa de Fortaleza, que era grande e espaçosa. Você é cidadão de Porto Alegre, não por escolha pessoal, mas circunstancial e não de Fortaleza, logo na sua certidão de nascimento diz que você é gaúcho e não há como mudar 58


essa realidade, por mais que você ame a praia de Iracema e a comida cearense. E o pior, a ligação que havia entre Fortaleza e Porto Alegre foi destruída. Não há como voltar de Porto Alegre para Fortaleza. Por mais que você e seus pais sonhem com Fortaleza, não tem como retornar para lá. Precisamos entender que o pecado é um estado e não um sentimento. O Salmista diz que “eu nasci na iniquidade, e em pecado me concebeu minha mãe” (Sl 51:5). O homem, por si só não tem como reverter esta situação, ou seja, mudar sua cidadania. Estamos longe da casa do Pai e não há como voltar. Por esta razão foi necessário Cristo vir aqui, morrer em nosso lugar, para que pudéssemos, por adoção, mudar nosso estado. Cristo, na sua morte e ressurreição reconstruiu a ponte que pode nos levar de volta para a casa do Pai. É por esta razão que ele é a porta e o caminho. É por isso que Pedro, cheio do Espírito Santo, disse diante do Sinédrio, a mais alta corte judaica que “não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu ao existe nenhum outro nome dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos” (At 8:12). Agora o pior. Não podemos confiar em nossas obras, ou nas coisas boas que faço. Diante de Deus, todas as nossas boas obras são como algo muito sujo e que não convence Ele de que somos bonzinhos, porque nossa natureza, ou seja, nossa suposta bondade é um poço de sujeira. Pode algo limpo sair do meio da sujeira? É como se um mecânico depois de mexer com graxa e sujasse totalmente dos pés à cabeça, simplesmente lavasse sua mão achando que está limpo. Mesmo que a mão esteja limpa, todo o restante do seu corpo está sujo. Sabemos que não é simples entender a questão da nossa impossibilidade de agradar a Deus na nossa atual situação, mas o Apóstolo Pedro nos ajuda a esclarecer. Quando estava na cidade de Lida e uma mulher por nome Tabita que morava em Jope adoece e morre. Souberam as pessoas que Pedro estava em Lida e, como Jope era 59


perto, mandam chamá-lo. Ele vem, ora e Tabita ressuscita. Pedro resolve ficar alguns dias naquela cidade. Neste meio tempo Pedro tem uma visão onde há um lençol contendo toda a sorte de animais imundos, e ele ouve uma ordem: mata e come! Pedro então responde: jamais comi coisa alguma comum ou imunda. Ao que o Senhor lhe respondeu: “ao que Deus purificou não consideres comum” (At 9;10). Para um judeu, a divisão do que era imundo e o que era puro estava muito clara, e obviamente ele nunca faria algo que fosse impuro. Sabia das consequências. A questão que quero ressaltar aqui é que, muitas vezes, o pecado torna a barreira entre o imundo e o puro muito larga, impossível de avistar. Isaías entende isso e declara que “todos nós somos como o imundo e todas as nossas justiças são como trapo da imundícia” (Is 64:6). João, vai mais adiante e nos informa que o pecado era pior do que a imundície pois nossa procedência é do Diabo (1Jo 3:8)36, ou seja, depois que Adão pecou, perdemos nosso senso crítico até entre o que é puro e o que é imundo. Por esta razão é com muita facilidade que invertemos os valores e ao mal, chamamos de bem, chamamos a escuridade de luz e luz de escuridade, e doce o que é amargo e amargo o que é doce (Is 5:20). Aqui está a chave de toda esta confusão: o pecado nos leva a inversão de valores e padrões. É exatamente essa a principal questão quando a homossexualidade é discutida. O homem ser mulher e a mulher ser homem. O homem é considerado a obra prima da criação e ao deturpá-la estamos atingindo o ápice da inversão das coisas que Deus criou. O pecado também deturpou e inverteu nosso senso de orientação. Como passamos a chamar o bem de mal, o doce de amargo e o certo de errado, nosso desejo natural passou a ser de se afastar o máximo possível de Deus, ou seja, ir na direção contrária, fugir da 36

Aquele que pratica o pecado procede do diabo, porque o diabo vive pecando desde o princípio.

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presença de Deus. João diz que a luz veio ao mundo, mas os homens amaram mais as trevas (Jo 3:19). Este é o nosso estado atual, logo o que é natural é se afastar daquilo que Deus fez. Daí a razão pela qual na sociedade de hoje o sexo deixou de ser uma criação para ser uma opção. O leito (ato sexual) deixou de ser sem mácula, para ser o palco iluminado das maiores torpezas do homem onde não há mais limite para a maldade humana. Ser homem ou mulher deixou de ser uma realidade, para ser uma personalidade, logo, se aceitamos tantas excentricidades das celebridades na mídia, por que não aceitamos naturalmente que homem seja mulher ou mulher seja homem? Contudo, por mais que achem isso normal, ele continua a ser uma deturpação causada pelo pecado. Quando Cristo nos liberta desta prisão, ou na linguagem de Paulo, nos transporta das trevas para a luz, passamos a enxergar a verdade, e a verdade nos liberta. Mesmo ainda neste corpo corrompido pelo pecado, depois que Cristo nos libertou, conseguimos diferenciar a luz das trevas, o pecado da obediência, aquilo que Deus gosta de aquilo que minha carne gosta. Não teria qualquer problema se este estado de rebeldia não trouxesse consequências. É por isso que Paulo conclui sua admoestação aos romanos dizendo que não só “são passíveis de morte os que tais coisas praticam” como também “aqueles que aprovam os que assim procedem” (Rm 1:32). Percebe que não há neutralidade nesta questão? Considerando as consequências, verificamos em nossa sociedade atual 3 tipos de pessoas: a) as que são; b) as que não são, mas aprovam; c) as que não são nem aprovam. Para os dois primeiros tipos, há severa condenação. É por esta razão que não podemos aceitar passivamente a homossexualidade, mesmo que em nossos dias, ela esteja cada vez mais tolerada e até incentivada em nosso meio social, inclusive religioso. 61


É verdade que a “igreja inclusiva”, tem uma exegese diferente dos textos acima mencionados. Utilizando-se de uma interpretação totalmente dissociada da exegese verdadeira, procura, o que é muito lógico, adaptá-la a suas convicções, levando seus seguidores a, no mínimo, terem dúvidas quanto a interpretação literal bíblica. Lutero disse que a Bíblia é a mãe de todas as heresias. Se você busca um texto já tendo ideias pré-concebidas, certamente achará e interpretará os textos da forma que melhor lhe agrade. Mas não é assim que devemos ler a Bíblia. Um dos textos mais debatidos pelo teólogos inclusivistas é quando Paulo diz à igreja de Corinto “não vos enganeis: nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas,... não herdarão o reino de Deus” (1 Co 6:9), pois, como alegam, este texto não traz em si a ideia de homossexualismo, pois nem existia essa palavra no tempo de Paulo. Primeiramente, as palavras usadas para efeminados e sodomitas (malakoi e arsenokoitai) não são usadas exclusivamente nestas passagens. Outras passagens como em 1 Timóteo 1:10 e Apocalipse 22:15, as usam também com o mesmo sentido. Para a palavra malakoi, não há dúvida de que a tradução para efeminado ou uma pessoa suave, um devasso, não esteja tão fora do seu sentido real. Já para o significado da palavra arsenokoitai (traduzida por sodomita) não há um consenso e é mais provável tratar-se de um neologismo criado por Paulo, uma vez que não aparece na literatura da época, e é formada das palavras arsen, que significa “homem” e koiten, que significa “cama”, ou seja, Paulo estava querendo expor mais uma ideia do que uma palavra: homens juntos na cama. A ideia do pecado de Sodoma ajuda a entender o que Paulo queria dizer. Voltamos ao mesmo princípio acima onde mais importante que a palavra, é exatamente o contexto em que ela está empregada, ou seja, esta palavra está dentro de um contexto de exclusão ou 62


uma série de defeitos morais que impede a entrada do homem na eternidade. Sabemos, por textos correlatos, que um ladrão ou um bêbado ou um maldizente não vai para o céu. Tampouco dois homens dormindo e relacionando-se juntos na cama. Claramente, isso é fator impeditivo de alcançar a eternidade. Percebe-se que a maioria dos teólogos da igreja inclusiva, entre eles Philip Yancey, Desmond Tutu, Leonardo Boff, Caio Fábio, Revdª Dra. Mona West, etc, baseiam seus argumentos na mudança da cultura e/ou na suposição de entendimentos de como era no passado, sem que tenhamos nada mais do que alguma evidência, para assim interpretar a escritura. É desta maneira que interpretam textos claros do Velho Testamento como por exemplo em Levíticos 18:22 (com homem não te deitarás, como se fosse mulher; é abominação), ou Levíticos 20:13 (se também um homem se deitar com outro homem, como se fosse mulher, ambos praticam cousa abominável; serão mortos; o seu sangue cairá sobre eles), fazendo com que venha em primeiro lugar a cultura e só depois a ordem de Deus. Estas premissas são totalmente falsas pelo fato de tirar de Deus sua onisciência, ou seja, partem do pressuposto de que, ao escrever a Torá, Deus se deixou influenciar pela cultura da época e esqueceu de que os tempos poderiam mudar, que as culturas evoluem, que os costumes se adaptam ou se ajustam às circunstâncias, logo o que está escrito na Bíblia deve passar por uma crítica cuja base é o momento atual, ou seja a Bíblia é um livro sujeito às mudanças e variações e a sua interpretação depende do momento e de quem está definindo o que é certo. Se aceitarmos isso, estaremos subjugando e acorrentando Deus à nossa interpretação. É exatamente isso que a teologia relacional de nossos dias tenta mostrar, ou seja, Deus tem sido “pego de surpresa” em muitas coisas que Ele não sabia. Ideia semelhante vem sendo anunciada pelos adeptos da teologia 63


aberta. Em ambas teologias, a base que as sustenta é a mesma, ou seja, colocar limites na ação e no poder de Deus. Limitando Deus, ampliamos nosso poder, logo, nada de mais em “consertar” muitas partes da Bíblia, ajustando-as às mudanças atuais. Ou aceitamos que a Bíblia é atemporal e que suas palavras servem para hoje do mesmo jeito que serviram no passado e servirão no futuro de igual modo, não estando sujeita a culturas nem a circunstâncias, ou não teremos mais absolutos divinos, tampouco creremos no Deus todo poderoso que é onisciente e onipotente. Qualquer alegação de que durante milênios tenha ocorrido erros de copistas, mudanças ou ajustes no texto sagrado para justificar mudanças no presente, é o mesmo que dizer que a Bíblia é um livro como qualquer outro ou que Deus está sujeito a erros ou no mínimo a limites na sua visão e no seu poder, daí esses novos teólogos concluírem que “ainda bem que Deus tem a nós para ajudar a ampliar seus limites de visão”. Duvidar da infalibilidade da Bíblia é jogar por terra toda a crença de que Deus é Deus. Isso é tudo que o diabo tem tentado colocar na cabeça do homem desde que foi expulso do céu. Sendo assim, a Bíblia não se ajusta ao que cada geração acha ou quer, pois é ela quem define os parâmetros absolutos que devem nortear todas as sociedades e culturas em todos os tempos.

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RAZÃO 06: UMA EXEGESE DUVIDOSA

"Chegará um dia em que no lugar dos pastores alimentando as ovelhas haverá palhaços entretendo os bodes." C. H. Spurgeon ... escondi a face e indignei-me, mas, rebelde, seguiu ele o caminho da sua escolha. Isaías 57:17b

Aqueles que defendem a igreja inclusiva, não se cansam de utilizar algumas passagens que, depois de uma exegese tendenciosa e parcial, querem nos dar a entender que a Bíblia não condena o ato homossexual desde que este seja praticado entre duas pessoas que se amam verdadeiramente. A maioria dos teólogos inclusivistas, afirmam que o que Deus proíbe no Velho Testamento é o ato homossexual praticado pelos judeus contra outros povos quando este ato ocorresse apenas para mostrar domínio ou superioridade contra outros povos. Fazer esta interpretação de textos como Levíticos 18:22, é distorcer totalmente aquilo que está escrito. Esta exegese não resiste à mais simples das análises. Se eles tivessem razão, então todas as demais 65


ordens dentro desta mesma passagem precisariam se enquadrar nesta regra, como por exemplo, no versículo 19, diz que os homens não poderiam ter relações sexuais com mulheres durante seu período menstrual. Aplicando a interpretação acima, os judeus, para mostrar superioridade e domínio, teriam relações sexuais com suas escravas só durante sua menstruação. Isso é ridículo! No versículo 20, a coisa piora, pois diz que o judeu não poderia deitar-se com a mulher do seu próximo. E agora? Um judeu, só para mostrar domínio e superioridade, teria um relacionamento sexual com a mulher de seu amigo? Foge ao raciocínio natural imaginar uma coisa dessas. Estes mesmos teólogos se utilizam de passagens como a declaração de Rute para sua sogra “Não me instes para que te deixe e me obrigue a não seguir-te; porque, aonde quer que fores, irei eu e, onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus. Onde quer que morreres, morrerei eu e aí serei sepultada; faça-me o SENHOR o que bem lhe aprouver, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti” (Rt 1:16-17), para afirmar que o amor entre elas era um amor homossexual. Para entender isso neste texto é necessário usar de parcialidade e torcer seriamente todo o restante do livro e da história de Noemi. Isso sim é fazer uma leitura preconceituosa e limitada daquilo que Deus pode fazer, quando não há pão na casa do pão. Não consigo ver no encontro de Rute com Boaz na eira, orientada por Noemi, algum resquício de homossexualidade (Rute 3). Pelo contrário, a história de Rute mostra e define claramente o favor e a bênção de Deus quando um homem justo e bom, como Boaz, decide casar com Rute.

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Outro texto muito explorado pelos inclusivistas é o relacionamento entre Jônatas e Davi, principalmente quando Davi soube da morte de Jônatas, lançou um lamento que dizia no final: “Angustiado estou por ti, meu irmão Jônatas; tu eras amabilíssimo para comigo! Excepcional era o teu amor, ultrapassando o amor de mulheres” (2 Sm 1:26) Algumas considerações são pertinentes: a) A Bíblia nos diz que Davi era um homem segundo o coração de Deus (Atos 13:22) e que foi o próprio Deus quem o escolhera para ser rei de Israel. Ora, poderia Deus escolher um homossexual para rei, quando Ele mesmo chama essa prática de abominação e a proíbe? b) A Bíblia também fala que Saul amou muito a Davi e ainda mandou um recado a seu pai para deixá-lo com ele (assim, Davi foi a Saul e esteve perante ele; este o amou muito e o fez seu escudeiro. Saul mandou dizer a Jessé: Deixa estar Davi perante mim, pois me caiu em graça. – 1 Sm 16:21,22), e nem por isso os inclusivistas afirmam que Saul era homossexual. c) Davi casou com pelo menos 8 esposas (Ainoã, Abigail, Maaca, Hagite, Abital, Eglá, Bate-Seba, na Bíblia não consta o nome da 8ª esposa, afora as concubinas) e teve 19 filhos, sem contar com os filhos das concubinas. Será que todo este verdadeiro harém a sua inteira disposição, ele ainda preferiria um relacionamento homossexual com Jônatas? Talvez até podemos imaginar que Davi pudesse ser bissexual, mas ainda assim conhecendo a história de Davi que passou todo o tempo em que Saul era rei, fugindo de ser morto, morando em cavernas e longe de sua terra e até ajudando os inimigos de Israel, como manteria um relacionamento homossexual com Jonatas? Precisamos de muita imaginação para conceber toda esta 67


história, a partir da frase com que Davi se despede do seu companheiro que por inúmeras vezes o livrou da loucura de seu pai. Outra passagem que costumam usar é o texto de Daniel que diz que “Deus concedeu a Daniel misericórdia e compreensão da parte do chefe dos eunucos” (Dn 1:9) Dizem os inclusivistas que a palavra “misericórdia” pode ter um sentido de “carinho e compreensão”. Fazer isso é adulterar o texto bíblico. A palavra rahămîm frequentemente está combinada com hesed (amor, bondade) ou hn (graça). Nestes casos realmente têm o sentido de terna misericórdia, compaixão, porém sempre está relacionado a uma ação ou ato de Deus e não entre homens, muito menos com um eunuco estrangeiro. A regra n° 1 da exegese nos diz que um texto mais obscuro precisa ser interpretado com base nos textos mais claros, ou seja, a Bíblia é a fonte de toda a interpretação. Reconhecemos que há textos cujo entendimento ainda necessita de maiores esclarecimentos, entretanto o que não podemos fazer é pegar um texto e reinterpretá-lo sem a ajuda do restante da Bíblia. Logo, qualquer texto hoje reinterpretado pelos teólogos inclusivistas precisam, para ter autenticidade, passar pelo crivo da própria Bíblia. E, pelo que me parece, nenhuma das interpretações inclusivistas consegue respaldo no contexto global da Palavra de Deus. Não temos dúvidas de que a maior luta, hoje, da comunidade LGBT tem sido descaracterizar os textos bíblicos que durante milênios têm sido interpretados harmonicamente condenando a homossexualidade. Um exegeta honesto, mesmo sendo homossexual, nunca poderá contradizer os textos em que Deus deixa claro que o ser humano não foi criado para ter um relacionamento homossexual. Logo, qual é a alternativa bíblica para a “comunidade cristã 68


LGBT” que apoia o movimento homossexual? Ou, ignora os textos, ou os mudam. Recentemente, por exemplo, foi lançada a bíblia (com “b” minúsculo) chamada de “rainha tiago” em que os textos bíblicos que condenam as relações homossexuais são reinterpretados à luz da nova realidade social.

http://queenjamesbible.com/

Esta é a atitude de quem não tem argumentos. Muitos já fizeram isso no passado. A própria igreja com sede em Roma, tem promovido ao longo dos séculos mudanças, alterações, aberrações, etc., todas com um único objetivo: ajustar a Bíblia às suas necessidades teológicas para justificar suas heresias. O mais incrível é que todas as vezes que Roma fez isso, o “mal feito” veio a tona, o erro foi escancarado e a mudança foi descoberta. Se esqueceram que a Bíblia não é um livro qualquer, e apesar de ter sido escrito por homens, todos eles foram inspirados pelo próprio Espírito Santo de Deus. Destruir as heresias, combater o erro, mostrar o verdadeiro caminho aos homens, sempre foi e continuará a ser a razão da Bíblia por mais que ela seja atacada. Ela é soberana quando o assunto é a Verdade. Nada (religião) nem ninguém (ser humano) por mais poderoso que seja, está acima da autoridade da Bíblia. Apesar dos ataques, das tentativas de mutilações e alterações, de tentar escondê-la dos homens, de confiná-la 69


nos muros dos conventos e igrejas ou mesmo a mais simples tentativa em destruí-la, seja queimando, rasgando-a ou ignorando-a ao longo de milênios, Ela não se dobra e continua a mesma, sem erros. Assim como a lei serviu de aio para nos conduzir a Cristo, a Bíblia é o nosso aio para nos conduzir à verdade (Gl 3:24)37. Tudo que o homem fizer para destruí-la, será usado como argumento por Deus, para enviá-los para o inferno, por mais duro que seja. Mas este julgamento será consequência dos atos do homem e não da “maldade de Deus”. No Livro “A Poderosa Voz de Deus”38, o Pr Hernandes informa que a “Bíblia é o livro dos paradoxos: é o livro mais lido e o mais desconhecido. É o livro mais amado e o mais odiado. É o livro mais obedecido e o mais escarnecido. É o mais pregado e o mais combatido. A Bíblia é o livro mais publicado, mais distribuído, mais lido e mais comentado do mundo. A Bíblia tem sido o farol de Deus na escuridão da história ... é o mapa que norteia o caminhante”. A própria Bíblia possui advertências contra os que querem modificá-la. O Apóstolo Pedro, falando do futuro, nos avisa que apareceriam falsos mestres em nosso meio que introduziriam, dissimuladamente, heresias destruidoras. Qual a consequência destas heresias? É que elas trariam repentina destruição (1 Pe 2:1) para eles. Percebe-se que a sociedade e até parte da igreja de hoje, tem tentado de todas as formas destruir as bases da escritura solidamente construídas ao longo dos séculos. A desculpa para essa nova repaginada na igreja é que ela precisa amoldar sua mensagem a nossa

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De maneira que a lei nos serviu de aio para nos conduzir a Cristo, a fim de que fôssemos justificados por fé. 38 A Poderosa Voz de Deus; Hernandes Dias Lopes, Ed. Hagnos - 2002

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era. Fatos e circunstâncias do passado precisam ser relidos e adaptados de acordo com aquilo que estamos vivendo. Ou seja, dizem que a Bíblia precisa se amoldar, ajustar ao nosso século, à nova realidade de nossa sociedade plural e diversificada! Não há dúvidas de que este discurso é tentador, mas não é novo. Este foi exatamente o discurso do Diabo com Eva, quando disse: está na hora de mudar ou na pior das hipóteses de ajustar o que Deus disse. Se Deus lhes falou que se comer morreriam, eu vos digo: por certo não morrerão, pelo contrário, vocês terão “um up grade” e serão como Deus, conhecedores do bem e do mal. Deu no que deu com o homem expulso do paraíso e impedido de usufruir tudo o que Deus havia preparado para ele! Mudar a palavra de Deus é um tremendo risco. Foi por isso que o Espírito Santo inspirou Paulo a avisar a Timóteo que no futuro, seria mais fácil achar pessoas blasfemadoras, ingratas, irreverente, sem domínio de si, inimigos do bem, mais amigo dos prazeres do que de Deus (2 Tm 3:2ss). E nesta relação a respeito da personalidade do “homem do futuro” (talvez com poucas diferenças para o homem de qualquer época) é que ele diz a Timóteo, que essas pessoas teriam aparência de piedade, mas não seriam capazes de ajustar a sua fé àquilo que Deus estabeleceu. É por isso (e só por isso) que eram rebeldes. Judas define esses homens como “rochas submersas ... nuvens sem água, impelidas pelo vendo, árvores em plena estação dos frutos, destes desprovidas, duplamente mortas, desarraigadas” (Judas 12), em outras palavras, vazios das coisas que fazem diferença. É possível que boa parte daqueles que aceitam e estão ajustando a Bíblia ao nosso tempo para que a igreja seja inclusiva e abrace a todos, estejam fazendo isto com a melhor de todas as intenções, mas não é isso que Deus quer. Nós somos criaturas de Deus e não 71


o criador. Não podemos, como criaturas caídas, melhorar aquilo que Deus criou ou fez. Para nosso próprio bem, cabe-nos aceitar e obedecer. Sei que isto nos trará consequências do tipo, ser chamado de fundamentalista, de incapaz de ver a evolução da humanidade, ou outras coisas semelhantes, mas a igreja fiel, a despeito de todos os ataques, manter-se-á na mesma direção. Não recuará. Enfrentará os desafios de frente, pois as melhores recompensas não são para aqui e agora. A própria Bíblia nos garante que nem mesmo as ameaças de morte podem nos tirar de nossa direção ou nos fazer abrir mão de nossa fé (Ap 12:11). A Bíblia é o livro daqueles que testemunham, daqueles que estão dispostos a, se necessário, morrer por suas verdades. Daqueles que sabem que nada poderá nos afastar do amor de Deus que está em Cristo Jesus. Fazemos isto porque sabemos que Jesus está na frente, montado em seu cavalo branco “que se chama Fiel e Verdadeiro e julga e peleja com justiça. Os seus olhos são chama de fogo; na sua cabeça, há muitos diademas; tem um nome escrito que ninguém conhece, senão ele mesmo. Está vestido com um manto tinto de sangue, e o seu nome se chama o Verbo de Deus; e seguiam-no os exércitos que há no céu, montando cavalos brancos, com vestiduras de linho finíssimo, branco e puro. Sai da sua boca uma espada afiada, para com ela ferir as nações; e ele mesmo as regerá com cetro de ferro e, pessoalmente, pisa o lagar do vinho do furor da ira do Deus Todo-Poderoso. Tem no seu manto e na sua coxa um nome inscrito: REI DOS REIS E SENHOR DOS SENHORES” (Ap 19:11-16). Não há como voltar as costas para tão grande verdade. Esta é a igreja que Paulo chama de mais que vencedora. A igreja daqueles que estão dispostos a pagar o preço de negar-se a si mesmo e carregar, todo dia, a sua cruz. Mesmo sabendo que somos como ovelhas indo para o matadouro, podemos dizer que sabemos

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em quem temos crido e estamos bem certos de que Ele é poderoso para guardar o nosso tesouro até o dia final.

RAZÃO 07: NECESSIDADE DE CURA?

As pessoas estão tão acostumadas a ouvir mentiras, que sinceridade demais choca e faz com que você pareça arrogante. Jô

Soares Percorria Jesus toda a Galiléia, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades entre o povo. Mateus 4:23

Por tudo que já abordamos acima, desde a primeira razão onde a homossexualidade de hoje é bem diferente daquela que a maioria dos historiadores mostram em seus livros e que, do ponto de vista bíblico (que é nosso foco) ela é uma abominação diante de Deus, que biologicamente não fomos confusamente criados, nem partes de nosso corpo aceita, sem sofrimento, trocas de funções, mas o pecado do homem é que nos conduz a um estado de luta contra Deus, fazendo com que muitos, para ajustar a nova homossexualidade com a velha Bíblia, corajosamente deturpam o que a ela ensina adaptando o texto às novas realidades sociais, tornando-a sujeita às circunstancias é que precisamos abordar essa questão de forma direta e realista. Sabemos que a Gestalt conspira de forma 73


que nossa nova sociedade não aceite ou sequer entenda que é necessário mudar a direção. É necessário se sujeitar à autoridade das Escrituras, mas isso o homem não quer. Mas quem disse que os padrões bíblicos são fáceis de serem seguidos? Mahatma Gandhi ao tomar conhecimento do Sermão do monte (Mateus 5 a 7), afirmou que eram os mais sublimes princípios que deveriam nortear o ser humano, entretanto pra colocá-los em prática seria necessário ser um deus. Inicialmente, é preciso deixar claro que a palavra “CURA” pode parecer em nossos dias como uma provocação ou até uma aberração. A sociedade de hoje acredita e define ser a homossexualidade uma opção. Contudo, nós entendemos que as causas do homossexualismo podem estar além da simples opção, ou da simples escolha feita pela pessoa. Como já vimos acima, a homossexualidade pode ser classificada como um distúrbio comportamental que pode surgir como consequência de uma série de fatores externos e emocionais. Sendo assim, PARA TODOS OS QUE QUISEREM por livre e espontânea vontade mudar sua orientação sexual, ou seja, todos aqueles que querem evitar viver com este distúrbio, por que impedir que tenham assistência psicológica para superar esta situação? Impedir que, por opção pessoal e livre, uma pessoa queira ajuda psicológica, aí sim é cercear seu direito pessoal, assim como o é uma pessoa que queira ver-se livre do álcool ser impedida de receber ajuda psicossocial. O que mais me chama a atenção é o fato de que quem mais grita contra a “cura gay” não são os gays e sim os órgãos de imprensa e o pessoal do governo, como se tivesse retirando dos gays um direito semelhante ao respirar. Logo, qualquer argumento, inclusive agredir o direito de ser curado, parece estar valendo para justificar sua posição. 74


Uma outra questão tem me deixado preocupado com respeito a “cura gay”. Por que tanta gritaria em torno do tema? Pelo que ouço na mídia, toda vez que o Deputado Marco Feliciano cita a “cura gay”, é como se tivesse falando de uma praga pior do que AIDS ou um vírus como o ebola (FHE). Não há um único órgão de imprensa que não trate o assunto de forma equilibrada, respeitando o direito tanto dos que não querem mudar, quanto dos que querem mudar sua orientação sexual. Não tem eles o direito de mudar? Somos assim tão imbecis que precisamos da imprensa para definir o que pode ou não fazer? Se a imprensa é assim tão poderosa, porque não soluciona com o mesmo rigor, a corrupção, a vergonha que é nosso sistema de saúde e o ensino público. Porque não se angustiam com o transporte público que trata nosso povo como “sardinhas enlatadas”. Por que? Talvez você pense que é para vender mais ou para agradar o público. Nada disto. Não é por razões econômicas nem simpáticas, mas exclusivamente para desnortear o povo. Povo desnorteado não sabe o que quer, aceita qualquer porcaria de ônibus, qualquer safado para ser político, qualquer corrupto para idolatrar. Por mais que a imprensa seja parcial, existem exemplos interessantes, como as manifestações em Paris contra o casamento homossexual que têm alcançado proporções tais que ela tem sido obrigada a noticiar. E é importante que se diga, ser a França um país onde a homossexualidade sempre foi tolerada, mas o outro lado, aqueles que não concordam, precisam ser ouvidos sob risco de criarmos um “grupo com direitos especiais” em nossa sociedade. A questão que queremos abordar aqui é: tem ou não direito a uma ajuda psicológica uma pessoa que não quer ser mais homossexual? A humanidade tem, ao longo dos séculos, envidado todos os esforços para encontrar cura para todos os males; por que não encontrar uma solução para este mal comportamental que ofende a Deus e impede o homem de alcançar a eternidade? 75


Um estudo publicado inicialmente no The Journal of Sex and Marital Therapy e reproduzido no Jornal “Christian Post”, edição de 30/09/2011- no qual participaram 98 pessoas que procuravam mudar sua orientação sexual - mostra que os psicólogos Stanton L. Jones (Wheaton College, IL) e Mark A. Yarhouse (Regent University) encontraram mudança real em 61 pessoas. Destes, 30% relataram que resolveram adotar a castidade enquanto o restante passou a ter uma vida sexual heterossexual. O estudo constatou que no final apenas 20% adotaram a identidade gay. Segundo o comunicado, os resultados mostram mudanças estatisticamente significativas da reorientação sexual. Mas, afirmam que as descobertas não provam que a mudança na orientação sexual é possível para todos, mas eles mostram que mudanças reais parecem possíveis para um grupo significativo. O Jornal também informa que os resultados do estudo não convenceram alguns críticos. Candace Chellew-Hodge, fundador do Whosoever, uma revista GLBT Online, afirma que a pesquisa foi "suspeita", porque os pesquisadores são de faculdades cristãs conservadoras39. Ele mostrou ainda sua preocupação também com as conclusões dos autores serem "excessivamente otimistas". Chellew-Hodge criticou a metodologia, mencionando que o tamanho da amostra era pequena e que os resultados vieram de medo dos pesquisados. "A maior motivação para estes 98 indivíduos, no entanto, certamente foi baseada no medo. Em resumo, eles viviam todos sob a ameaça do inferno ..." mas o Dr. Stanton Jones defendeu a metodologia, dizendo que "quanto mais rigoroso você ficar, mais longe você fica da vida real" e "cientificamente qualquer me-

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Esta é uma mera opinião pessoal, carente de qualquer base real. O fato dos pesquisadores pertencerem a faculdades conservadoras ou não, não altera o resultado pesquisado. Esta é uma argumentação meramente sentimental e passional.

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todologia tem suas falhas bem como suas desvantagens". "Seguimos um modelo da vida real, ou seja, um modelo hiper-experimental controlado", acrescentou ele, segundo a mesma publicação. Jones respondeu àqueles, incluindo a American Psychological Association (APA), que afirmam que a orientação sexual não pode ser mudada, alegando que não existe nenhuma pesquisa nesse sentido. Esta pesquisa no entanto quer trazer à tona que a mudança é possível. "Acreditamos que os resultados desafiam a mentalidade reinante de que a mudança é impossível ou é extraordinariamente rara. Nós estávamos tentando descobrir uma questão básica ‘a mudança é possível?’ o fato é que um número significativamente alto (62%) mudou. Este é o resultado deste estudo", disse ele. A semelhança de qualquer outro distúrbio, quando encarado com seriedade e com metodologia, os resultados de mudança, são bem próximos a qualquer outra doença, seja somática ou psicossomática. Quando afirmamos que temos como base aquilo que a Bíblia informa, temos algo definido e substancial. Temos algo que foi escrito e validado pela história e confirmado ao longo dos séculos onde todos os ataques sofridos não diminuiu ou mesmo arranhou a sua credibilidade. Pelo contrário, tudo que a Bíblia menciona têm sido especificamente cumprido, todas as informações, têm sido confirmadas. A história tem sido testemunha ocular dos fatos ali narrados. Os inimigos da Bíblia tem feito um grande esforço ao longo de séculos para encontrar contradições ou falhas que levem ao descrédito daquilo que está escrito sem qualquer resultado positivo. Por esta razão, a nova homossexualidade tem desprezado aquilo que a Bíblia fala, para colocar em seu lugar a escolha pessoal, como se isso fosse maior ou melhor que a Bíblia. Logo, o que 77


temos é real e sendo a homossexualidade condenada veementemente por Deus, a única alternativa para o erro é o conserto; em outras palavras, a solução para o pecado é o arrependimento (mudança de atitude). Não buscar a correção para o erro é manter-se em estado de rebeldia contra Deus. Sabemos com base na Resolução 001/99 do Conselho Federal de Psicologia (CFP) que os psicólogos estão proibidos de oferecer terapias de “reorientação” sexual. A resolução em questão determina que os profissionais de psicologia não podem exercer "qualquer ação que favoreça a patologização de comportamentos ou práticas homoeróticas", nem adotar "ação coercitiva tendente a orientar homossexuais para tratamentos não solicitados". A resolução veta ainda qualquer manifestação pública de psicólogos no sentido de "reforçar preconceitos sociais existentes em relação aos homossexuais como portadores de qualquer desordem psíquica". O Dep João Campos (PSDB-GO) apresentou um projeto de lei que está sendo discutido no âmbito do Congresso, de forma a diminuir o alcance desta resolução, usando como argumento aquilo que o CFP quer eliminar, ou seja, que um homossexual “maior de 18 anos, que queira buscar esse auxílio de reorientação (sexual) deve ter esse direito”. Há um ditado que diz que “pimenta nos olhos dos outros é refresco”, ou seja, onde está a liberdade das pessoas que querem ajuda? É o CFP quem definine “democráticamente” aquilo que uma pessoa pode ou não fazer? Nenhum profissional que estudou e está qualificado pode ou deve negar ajuda a quem precisa; nenhum órgão, por mais autoridade que tenha, pode impedir que alguém defina o que é melhor para os outros. Chamase a esta prática de ditadura ou autoritarismo. Sabemos que este projeto de lei já foi aprovado na Comissão de Direitos Humanos, entretanto não há dúvidas de que não será aprovado em plenário, 78


uma vez que o lobby das ONGs LGBT e a imprensa impedirão qualquer ação neste sentido. Normal, e natural, é quando uma pessoa entende que a homossexualidade é algo que desagrada a Deus e por isso resolve mudar, evitando esta prática pecaminosa. Isso não acontece apenas com a prática homossexual, mas semelhantemente aos vícios e aos demais distúrbios comportamentais, como por exemplo, quando Paulo recomenda que “aquele que furtava não furte mais; antes, trabalhe, fazendo com as próprias mãos o que é bom, para que tenha com que acudir ao necessitado” (Ef 4:28). Imagina se amanhã o CFP, fizesse uma resolução que impediria os psicólogos tratarem os que furtam, de forma que não pudesse mudar sua orientação volitiva, ou mudar essa orientação seria uma agressão a personalidade do ladrão, logo sujeita às sansões da lei. É óbvio que isso seria considerado um absurdo. Por que não considerar um absurdo obrigar aqueles que querem mudar sua orientação sexual a não mudar? Isto é autoritarismo ou má fé. Qual a maior agressão: proibir a reorientação sexual de quem crê que precisa fazer isso, ou deixar uma pessoa se angustiar sabendo que está em rebeldia contra Deus? Estamos vivendo hoje a ditadura das ONGs que defendem os direitos dos homossexuais como se só pelo fato de serem homossexuais têm mais direitos, e necessitam de proteção e cuidados especiais diferente dos demais brasileiros. Estas ONGs tem recebido verbas federais, estaduais e municipais para fazerem suas manifestações, algumas apenas para mídia, como por exemplo quando afirmam que o índice de violência contra homossexuais está aumentando. Apesar de um relatório produzido pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República informar que entre 2011 e 2012, houve um aumento de quase 300% na violência 79


contra homossexuais, sendo que, só em 2012, 310 foram assassinados por conta da opção sexual, o Secretário de Defesa Social de Pernambuco, Wilson Damázio40, fez um balanço sobre os índices atuais da violência em Pernambuco, contrariando a avaliação do movimento LGBT no que diz respeito aos crimes contra homossexuais. Em nota oficial divulgada à imprensa, a SDS disse que os 30 homicídios de homossexuais registrados em 2012 não ocorreram por homofobia, mas a mídia insiste em anunciar o contrário. Qual seria então o objetivo de tanta divulgação de um dado que ainda não está confirmado? Apenas um. “De acordo com Gustavo Bernardes, presidente do Conselho Nacional Contra a Discriminação LGBT, o relatório apresentado nesta quinta-feira vai servir como base para o alinhamento das prioridades do sistema 41”. Em outras palavras, anunciar o aumento da violência contra homossexuais, mesmo quando ainda não há confirmação dos dados, propiciará que as entidades ligadas aos movimentos LGBT, sejam contempladas com mais verbas federais, a fundo perdido, ou seja, sem qualquer necessidade de comprovar despesa. Recentemente o Psiquiatra americano Dale Archer, autor do livro “Quem disse que é bom ser normal? (Sextante, 224 págs), em entrevista a Folha42 afirmou que a “caixa de normalidade” está cada

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http://ne10.uol.com.br/canal/cotidiano/grande-recife/noticia/2012/12/07/sds-dizque-mortes-de-homossexuais-em-2012-nao-foram-por-homofobia-385818.php 41

http://www.pbagora.com.br/conteudo.php?id=20130627124540&cat=policial&keys=casos-violencia-contra-homossexuais-crescem 42

http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2013/11/1366864-psiquiatra-diz-que-

a-medicina-transformou-comportamentos-normais-em-doenca.shtml (em 05/11/2013)

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vez menor e a culpa é do excesso de diagnósticos de doenças mentais. Ele afirmou que é mais cômodo para o médico dar remédio pois estamos ‘patologizando’ comportamentos normais. No livreto que a Prefeitura de Vitória publicou para ensinar os professores da rede municipal (ensino fundamental, crianças de 7 a 15 anos) como se comportar diante de um questionamento por parte dos alunos. Logo nas primeiras páginas o livro argumenta: Ao mesmo tempo que vemos e convivemos cada dia mais com uma diversidade sexual cada vez mais rica e menos rotulada, se mantêm e até se reforçam atitudes preconceituosas, discriminatórias e violentas de pessoas, grupos e instituições conservadoras. Em outras palavras, um professor que não aceita a posição do livro, sentir-se-á intimidado em expor suas ideias seja com colegas, seja em sua área de ação por receio de ser rotulado de conservador, como se ser conservador fosse uma praga contagiosa, além de reforçar que atitude contrária é algo preconceituoso e fatalmente violento por parte das instituições conservadoras. Isso é atitude discriminatória. Logo, a questão vai além da cura porque envolve o direito que cada cidadão, com base no que acredita, tenha direito de fazer o que acha ser o melhor para si e para sua sociedade. Por isso, não é retrocesso, não é um absurdo oferecer tratamento para quem livremente quer mudar. Negar a possibilidade da cura a quem livremente deseja, é obrigar um cidadão livre a manter-se preso a algo em que o agride e o destrói. Onde está a liberdade?

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NOVOS VELHOS TEMPOS

Prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. Filipenses 3:14

Sabemos que a igreja de Cristo está, semelhante a nossa sociedade, passando por momentos de transformação e mudanças drásticas. A mensagem da igreja está enfraquecendo. À semelhança de Paulo quando escreveu aos crentes da Galácia, estamos assustados de como e tão rápido a igreja de hoje está passando para "outro”43 evangelho. Ou mais crítico quando escreve a Timóteo informando que o havia deixado em Éfeso para admoestar aqueles que estavam ensinando “outra” doutrina. A primeira pergunta é, se, a igreja que estamos vendo e até participando não é fruto de uma evolução, ou mesmo uma contextualização para que a mensagem seja, de certa forma, mais clara para o homem do século 21? Será que os milagres e as bênçãos pregados hoje com muita ênfase são tão ou mais importantes quanto a própria mensagem de salvação da Palavra de Deus? Será que quando cantamos que “vou receber meu milagre hoje” é mais importante do que confessar e se arrepender dos meus pecados? Como dizem minhas sobrinhas, será que eu estou ficando “bolado” ou o culto virou um verdadeiro show da fé?

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Há 2 palavras para "outro" no original: Allos e hetero. Allos = outro da mesma espécie. Heteros = outro de espécie diferente. O que os crentes da Galácia estavam era passando rapidamente para heteros evangelho.

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A coisa está tão devastadora que igrejas até então consideradas tradicionais já se renderam às mudanças. Culto com danças, música com ritmos semelhantes àqueles que se tocam em boates ou shows de cantores profanos dizendo que “sou filhinho do papai”, pregadores com “pontos” no ouvido pregando muito mais para entreter a plateia com sermões de autoajuda, show de luzes e sons criando ambientes propícios em aumentar a emoção e por fim o levantamento de ofertas cada vez mais apelativo para sustentar toda esta parafernália cúltica. Conheço muitos pastores e igrejas que, por várias razões, já se renderam ao “novo” evangelho e a “nova” doutrina. Minha percepção é só uma: não há alternativa para a igreja. Em outras palavras, finalmente estamos em rota de colisão com a apostasia. Por mais que a sociedade se assuste com o avanço da homossexualidade, ou por mais que acreditemos que ela seja uma abominação a Deus, tanto a sociedade quanto as igrejas serão, dentro de poucos anos, uma sociedade totalmente tolerante com o relacionamento gay, podendo inclusive ser aceito pela maioria das igrejas ao ponto de termos na mesma igreja homos e heteros dirigindo e orientando os membros. Como prova, basta ver que boa parte das “conquistas” dos momentos hippie, da jovem guarda ou mesmo do feminismo (apenas para ficar entre os últimos momentos de nossa sociedade atual), estão hoje dentro de nossas igrejas e a maioria dos membros o aceitam sem qualquer problema, como por exemplo, as músicas com ritmos pesados ou mundanos44, as roupas provocantes e sensuais para as

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Quando falamos mundano, estamos referindo a músicas típicas de carnaval ou mesmo aquelas tocadas em ambientes onde até bem pouco tempo eram incompatíveis com a fé cristã, ou seja estamos preocupados com aquilo que Paulo pede a igreja que ela não tome a forma do mundo, mas que o transforme. A igreja está trocando seu poder de transformar o mundo pelas “riquezas” deste mundo.

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irmãzinhas da igreja, as pastoras, bispas e apóstolas (sic) como conquista feminista, etc. É possível que a igreja de hoje esteja aceitando a terceira oferta que o Diabo fez a Jesus: teria todos os reinos do mundo. Mas em troca está se ajoelhando diante do inimigo. Aceitar todas essas mudanças, alterar sua mensagem, negociar os absolutos de Deus é o mesmo que arrancar cada página da Bíblia que nos indica a missão da igreja e jogá-la no lixo. E isso não está causando nenhum trauma ou indignação na igreja. Por outro lado, nada será capaz de destruir a verdadeira igreja, o corpo de Cristo, e por mais que ela esteja se corrompendo, à semelhança do tempo de Elias no monte Horebe onde Deus conservou 7.000 que não haviam dobrado os joelhos diante de Baal, hoje há uma parte da igreja que se mantém pura e verdadeira. Há uma parte que está disposta a pagar o preço de ser discípulo. A noiva de Cristo vai continuar sua caminhada na direção de sua vocação (chamado). Continuará a ser a voz profética, a trombeta de Deus para anunciar ao mundo que os seus juízos serão derramados. É certo que essa missão provoca consequências para a própria igreja, que definitivamente não é a conquista deste mundo, nem a liberdade através dos descarregos, tampouco a vitória aqui e agora. A consequência é a cruz que temos que carregar todos os dias, é sofrer pelo nome de Cristo. Este sofrimento é unicamente o resultado da mensagem que ela prega. Quanto mais a igreja é fiel à mensagem da cruz, maior será seu sofrimento. Ou seja, a mensagem de hoje tem sido o oposto do que a Bíblia fala. Esta é a razão pela qual todas as vezes que a igreja diz que a homossexualidade é pecado (assim como qualquer outro pecado ou ação contra aquilo que a Bíblia nos mostra que devemos evitar) e proclama como devemos agir para agradar a Deus, o mundo vai 84


lutar contra esta mensagem e buscará todos os meios para impedir, atrapalhar, contrariar que ela seja pregada. Não é uma questão de direito de fazer ou não fazer, de obedecer ou desobedecer, pois todo homem tem todo direito fazer o que bem entende, inclusive de chamar os cristãos de homofóbicos, intolerantes, intransigentes etc. A própria lei brasileira garante a qualquer cidadão de expressar sua opinião. A prova disto são todas essas passeatas que eclodiram de norte a sul do país e todos os atos pacíficos foram e serão tolerados por nossas autoridades. Cercear este direito é crime. Inclusive é por isso que não entendemos os motivos pelos quais os grupos LGBT querem punir aqueles que não aceitam suas posições. Onde está o direito de expressar nossa opinião? Voltando para o assunto igreja, vemos que daqui para frente seremos simplesmente agredidos não só pelo que cremos, pois estamos na contramão do mundo por não abrir mão das verdades bíblicas, mas também por causa de nossa opinião. Assim, cada vez mais a sociedade e até parte dos próprios membros da igreja, estarão decididos a aceitar qualquer mudança, em nome da tolerância. Na verdade, a Palavra de Deus afirma com todas as letras que estas coisas aconteceriam, afinal ninguém gosta de ser confrontado com a verdade. Ao longo de toda a história, vemos a igreja sendo perseguida, ao ponto de Tertuliano (160 – 220 dC) afirmar que “o sangue dos mártires é o adubo do crescimento da igreja”. É importante notar que todas as vezes que a igreja deixou de ser perseguida, ela enfraqueceu. Podemos afirmar também que quanto mais a igreja foi perseguida, mais ela cresceu, mais ela tornou-se influente no meio da sociedade. Recentemente estive em uma viagem à Coréia com um grupo de pastores e conhecemos a história da igreja naquele país e de como foram perseguidos e mortos por causa do evangelho. Histórias 85


como a da igreja Cheanri, onde os japoneses que ocupavam a Coréia, queimaram 29 cristãos vivos junto com a igreja no dia 15 de Abril de 1919. É impressionante ver como o sacrifício de todos aqueles milhares de cristãos que foram mortos transformaram a Coréia de nossos dias e de como os cristãos de hoje, continuam com a mesma vontade de dar suas vidas para que o evangelho seja pregado em todo o mundo. Este propósito está tão impregnado na fé desta igreja que exemplos como a Igreja Presbiteriana de Jeonju, que trocou a construção de seu templo pelo envio de mais de 450 missionários e suas famílias por todo o mundo e isso a 30 anos ininterruptos. Uma única igreja tem feito muito mais do que grandes denominações em nosso país. Considerando esta realidade, não deveríamos nos assustar quando estamos sendo perseguidos. Principalmente se esta perseguição é resultado da pregação da verdade. Essa perseguição não deveria ser vista pela igreja como algo terrível ou inaceitável, mas como uma confirmação de que estamos realizando nossa missão. Recentemente vi o Deputado Pastor Feliciano na internet45 onde ele desabafa diante da igreja todo sofrimento que tem vivido depois que tomou posse como Presidente da Comissão de Direitos Humanos. Por mais que nos cause indignação toda a perseguição que o Marco Feliciano tem sofrido por falar aquilo que a Bíblia informa (exceto algumas baboseiras tipo: os africanos são pretos porque são malditos), isso é a coisa mais normal do mundo! O anormal seria falarmos a verdade e o mundo aplaudir. A palavra de ordem no mundo continua a ser desobediência às coisas de Deus. Creio que nesta “altura do campeonato” é muito difícil a humanidade voltar-se para Deus. Por outro lado, parte da igreja 45

https://www.youtube.com/watch?v=l8fD9TjzPFs em 01/06/2013

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tem trocado seu direito de primogenitura por pratos de lentilhas, ou seja, suavizando a mensagem, diluindo a palavra, tornando desnecessário o arrependimento, desmistificando o inferno e o Diabo, não mais transformando, mas se conformando com o mundo. A verdadeira Igreja continuará a sofrer por causa da sua mensagem e por causa da sua missão. Insistimos que é exatamente esta perseguição que dará a autenticidade de que estamos no caminho, que prosseguimos para o alvo, que estamos na direção certa. Não estamos fazendo apologia de que o cristão precisa sofrer, ou que todo sofrimento é consequência de nossa mensagem. Muitos cristãos e igrejas estão sofrendo pelas burradas cometidas e pelo desprezo a própria Palavra de Deus. Desta forma, muitos sofrimentos são consequência da disciplina de Deus. Jó disse que “Bemaventurado (feliz) é o homem a quem Deus disciplina” (Jó 5:17). Tem se tornado praxe em nosso país afirmar quando uma igreja, ou liderança ou mesmo um cristão sofre algum ataque ou provação, que isso é sinal de que estamos fazendo a vontade de Deus e por isso o Diabo está nos fazendo sofrer. Isso é muito mais uma desculpa do que uma verdade. Temos que ter muito cuidado quando um cristão faz uma besteira (como qualquer outro cidadão) e se esconde atrás do fato de ser cristão para se dizer perseguido. A igreja não pode nem deve se intimidar com as ameaças do mundo. Na verdade, temos que ter muito mais preocupação com quem tem poder para lançar no inferno do que os que só têm poder para matar o corpo46. É muito importante que a igreja de hoje (e de sempre) entenda que, como o autor de Hebreus informa, que depois de iluminados, sustentamos grande luta e sofrimentos, sendo expostos como espetáculo, tanto de opróbrio quanto de tribulações ... como também aceitamos com alegria o espólio dos vossos bens. 46

Lucas 12:4-5

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Ele acrescenta que não devemos abandonar nossa confiança, porque ela nos dará grande galardão, e que não somos dos que retrocedem para a perdição47. Esta é a realidade da igreja, ou seja, em constante conflito com o mundo, mas nunca fugindo da luta, nem buscando alívio ou um jeitinho para não sofrer, ou encarar o sofrimento no tempo presente como algo maléfico ou mesmo diabólico. Pedro nos garante que deveríamos ficar alegres com as provações do tempo presente, porque uma vez confirmado o valor da nossa fé, seria isto muito mais precioso do que ouro puro, além de redundar em glória e honra na volta de Cristo48. Precisamos decididamente fazer com que a mensagem principal do evangelho seja pregada com a mesma ênfase que antigamente, mesmo que, possivelmente como consequência do Momento Gay, a igreja esteja também entrando em seu momento de apostasia (desvio da verdade) com todas suas consequências acima descritas e já profetizada suficientemente nas escrituras.

47 48

Hebreus 10: 32-39 1 Pedro 1:6-7

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CONCLUSÃO:

Digo isto, não por causa da pobreza, porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Filipenses 4:11

O arcebispo sul-africano Desmond Tutu, um dos mais importantes líderes anti-apartheid, quando ganhou o Prêmio Nobel da Paz, em 1984, declarou também que o ódio contra gays é tão condenável quanto o racismo. “Penalizar alguém por sua orientação sexual é o mesmo que penalizar alguém por algo que a pessoa nada pode fazer a respeito, como a cor da pele. Ao fazer isso, a Igreja persegue um grupo que já é perseguido”.

Leonardo Boff, por sua vez disse que, “é fundamental reconhecer a criação do amor de Deus e dizer que onde há amor entre casais, ou entre homossexuais, seja mulher ou homem, onde há amor há ato de Deus, porque Deus é amor”.

São declarações como estas, que mesmo partindo de homens que se dizem teólogos (logo aqueles que deveriam ser os guardiões da verdade que emana da Bíblia) é que tem confundido duramente as pessoas quanto ao homossexualismo ser ou não um erro. Vejo nestas declarações, e em tantas outras semelhantes de outros líderes ditos evangélicos, uma busca para justificar ou aceitar como normal aquilo que a Bíblia condena, ou seja, querem que a Palavra de 89


Deus seja subjugada às suas opiniões, fazendo do relacionamento homossexual algo natural, muitas vezes motivados unicamente pela necessidade de agradar as multidões. São testemunhos como estes, que infelizmente têm aparecido nos meios de divulgação com certa regularidade, que têm levado a comunidade gay a rotular todos que são contrários de: fundamentalista, radical e exclusivista, portadores de homofobia. Sabemos que não podemos negociar valores tão pouco a verdade. Princípios foram estabelecidos para serem cumpridos e obedecidos. Entretanto, parte da igreja evangélica não tem se expressado de forma correta, ou talvez a nossa pedagogia em apresentar o assunto, em lugar de mostrar o erro, temos acirrado os ânimos, o que não é bom para nenhum dos lados da questão. Pelo contrário são nestas falhas que a imprensa vem jogando pesado e com isso permitindo levantar barreiras intransponíveis entre o que falamos e o que o mundo precisa ouvir. Temos que construir pontes e não vales. Temos que aglutinar e não repelir. Não mudaremos o mundo se não mudarmos primeiro. Não mudaremos o mundo se não formos o exemplo, mesmo que para isso tenhamos que sofrer. O que tem que falar mais alto não é nossa voz, mas nossa vida, nosso testemunho. Por isso creio que é preciso, em algumas vezes, dar a "mão a palmatória" pois percebemos que parte da liderança evangélica de nosso país, principalmente aqueles que tem mais exposição midiática, seja através de seus programas, seja através das tribunas das casas legislativas evitar em abordar este tema de forma rancorosa e às vezes dura, contrariando o que Salomão sugere que a "resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira49". Uma

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Provérbios 15:1

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coisa não podemos negar: no que se refere à sexualidade, todo homem tem direito de ser o que quiser. Uma pessoa pode ser um ladrão ou um assassino, mas, mesmo infringindo a lei, essa mesma garante que ele tem todo direito de ser o que quiser, obviamente sabendo que será responsabilizado pelo que fez. O fato de que ele errou não lhe tira seus direitos elementares. Creio que nossa abordagem sempre deve ser semelhante ao que Paulo nos diz quanto aos fracos na fé: acolhei, não para discutir opiniões (Rm 14:1). Paulo diz mais, que não devemos em hipótese alguma, desprezar esses irmãos (Rm 14:3). O confronto só é vantagem para os órgãos de imprensa. Não estamos aqui para criticar, reclamar, denegrir, difamar, etc., aqueles que são homossexuais, mas sim para dizer-lhes que Deus condena o ato e que agir desta forma o afasta da Sua presença e ficar longe de Deus é o maior castigo para o homem. Quando a igreja usa palavras duras elas não ajudam ao diálogo e pelo contrário, só trazem mais discórdia e dúvidas. São essas palavras duras que favorecem aos grupos de apoio às comunidades gays junto a mídia, para que reforcem a necessidade de ter mais direitos do que cidadãos normais, mesmo que agrida a nossa Constituição e seja imposto por força da lei como é o caso, por exemplo, da PL 122. Com toda certeza precisamos pregar a mensagem bíblica. Temos que mostrar ao mundo o que Deus estabeleceu e o que é melhor para o homem, mesmo que ele acredite no contrário. Calar neste momento é sinal de fraqueza e de desobediência ao que Deus estabeleceu. A igreja precisa ser a voz profética no meio do povo. Quero terminar repetindo a mesma frase que os discípulos Pedro e João disseram para o Sinédrio que depois de prendê-los, açoitá-los, 91


ameaçar matá-los e ordenar que ficassem calados, Pedro responde com toda a autoridade: importa obedecer a Deus do que aos homens (Atos 5: 29). Não conheço nenhuma comunidade evangélica que impeça a presença ou participação dos homossexuais, só pelo fato deles serem homossexuais, entretanto por mais que pareça justo e bom que os homossexuais façam parte de nossas comunidades, a prática homossexual agride a Palavra de Deus. O que as igrejas cristãs não aceitam são pessoas que agridem frontalmente aquilo que Deus condena, como por exemplo, adúlteros, feiticeiros, impuros, assassinos, idólatras, etc. Ir contra esta Palavra, não é prudente nem aconselhável. O único caminho é a volta para aquilo que a Bíblia diz. Que Deus o esclareça.

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Homossexualismo - José Ernesto Conti