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nerdofobia

2013 - Ano I - Maio - #6

a revista do nerd que so teme outro nerd

EntrevistaFobia: com Von Dews o administrador gente fina do site VertigemHQ PipocaFobia: E os filmes que inovam sem renovar se é que isso é possível Relatório Gamer: Guild Wars 2 e um novo jeito de jogar os games MMO's


nerdofobia editoriaL

U

fa! É tudo que esse editor pode nhos (scans) da net e gente finíssima. dizer ao público nerd e não nerd crescente desse periódico voltado A seção FotoFobia que foi eloa grandes tendências do mundo pop. giada no mês passado segue firme com as seleções da Tininha de lu Esta edição teve milhares de en- gares fantásticos, esse mês temos treveiros para poder sair, mas como os lugares com iluminações noturtudo que é bom vem marcar um gol nas que fazem o nosso queixo cair. de placa aos 45 do segundo tempo. E ainda temos Guild Wars 2 mos Na seção Entrevistafobia tem um trando que nem todo MMO é uma cópapo bacaníssimo com o Von Dews ad- pia de World of Warcraft. Viajamos nos ministrador do site VertigemHQ, um dos passos de um papo sobre “A Casa dos melhores compartilhadores de quadri- Budas Ditosos”, de João Ubaldo Ribei-

ro, com suas passagens apimentadas de luxúria e mostramos onde foi parar o Mundo das trevas da White Wolf. Além de tudo isso, temos uma matéria especial sobre o mundo de Berserk, o mangá de kentaro Miura que já é uma lenda entre quem curte a arte oriental. Com destaque para entrevista que fizemos com os caras do Band Of The Hawk. Esperamos que gostem e se não gostarem já sabem o que fazer...

Jefferson Lobo

Um tweet na REDAÇÃO Quer ser um colaborador da Nerdofobia, mande seu texto pra gente: nerdofobiacolabore@hotmail.com

E não deixe de seguir o twitter da revista Nerdofobia @nerdofobia

Tininha Magalhães

Dizem que sou louca..Mas prefiro ser louca a não ter amado...Ser louca a não ter sonhado... No fim sou mais normal que vc... :/

@tininhaloira21

Anderson Veiga "A.K.A. Bobby, raposeiro de coração, jornalista, publicitário wannabe e nerd de plantão."

@andersonbobby

Cleriston Costa

Paulistano radicado na Paraíba, nerd admirador de HQ's e de boa música.

@cleristoncosta

Alan Rocha

Sou um cara simples dividido entre jornalismo e arquitetura. Antes de tudo gosto de escrever... Ah e sou Nerd!!

@alan_mancrazy


The MotherFuckers Say Hello! _ Politicamente correto. Políticamente correto?! Isso é tudo que essa revista não é. Vir mandar email enchendo o saco de plíticamente correto não vai adiantar. Para provar vou mostrar o email de uma jovem que manda muito bem em me cantar e cagar e andar pro políticamente correto.

_ Estou em reforma! Acho que vou largar o crime. _ Qualé irmãozinho já vem você com esse papo de novo. _ Tive uma sincope e acho que devo parar de matar. Isso não são os designios do senhor. _ Qualé Jules, vamos comer uns sandubas e deixar disso. _ Como eu posso comer uma vez que o senhor é quem nutre meu corpo com sua divina misericórdia. _ Cara você precisa relaxar. Vamos fumar unzinho que isso logo passa.

Caramba que seção foda vocês criaram, a FotoFobia ficou show. Que paisagens abandonadas da hora! Achei muito foda ainda mais com o link pra a lista completa. Valeu msm! Italo Rossini

_ Cara você captou a coisa, apesar de eu estar em fase de transição entre o meu eu interior e o meu modo alucinado assassino, fotografias sempre me relaxaram, em ambos os modos. Veja só seu elógio até me fez pensar em não te encher de bala e espalhar seus miolos por ai. Ou quem sabe isso seja um fato determinante da minha mudança. Ah vou é comer um Quarteirão com queijo do Big Carruna e matar uns filhos da puta e depois decido.

Oh Clint seu lindo! Esse seu charuto de dinamite me atiça e me faz pensar loucuras. kkk! Queria parabenizá-los por lançar essa revista que dialoga com o público nerd, mesmo aos trancos e barrancos como vocês dizem, vale o esforço e a competência dos editores. Bjuus Clintinho!

Do Caralho! Isso é só o que eu posso dizer! Do Caralho! A parada do cinema francês ficou foda demais, vou procurar Ferrugem e Osso e Até a Eternidade agora pra baixar. E a entrevista com o Mike... Porra! Sem palavras! Fabiano Santos

_ Até que enfim hein irmãozinho! Alguém que sabe elogiar sem essa frescurada de sempre, com essas merdas de pliticamente correto. Concordo com você irmão que enche a boca para falar Do Caralho! E essa porra é Do Caralho mesmo, só falta as drogas e umas prostitutas nuas para me fazerem feliz e ficarem Do Caralhooo!.

nerdofobiacontato@hotmail.com ou dê um curtir na nossa fanpage do facebook: facebook/Nerdofobia

Leila Nunes

_ Eu agora poderia dizer que você fez o meu dia mais minha dor nas costas, minha visão embaçada e meu dedo coçando para atirar em alguém não permitem me dar a esse luxo. Agora sou um velho durão e tenho uma reputação que me precede. Não pega bem você ficar me chamando de "Clintinho" por aí. Soa como se eu fosse um garoto e não respeita meus cabelos brancos. Se você entender isso quem sabe eu lhe pague uma xicara de café com pouco açúcar.


Diretório SeasonFobia Arrow e suas viradas com bons roteiros

DadoRolado Que fim levou o mundo das trevas?

Entrevistafobia Von Dews e um mundo de compartilhamento

Nos Passos de Um Papo

A casa dos budas ditosos no compasso da Luxúria

Quadrinhos Berserk!!!

PipocaFobia Filmes que inovam

Relatório Gamer Guild Wars 2 e sua interação nos MMO's


NERD! ca The Lands of Ice and Fire Já está nas livrarias a compilação oficial de mapas da série, feita pelo próprio George R. R. Martin e pelo renomado cartógrafo Jonathan Roberts (responsável pela confecção dos mapas de Dungeons and Dragons), chamada de The Lands of Ice and Fire (Bantam Books, R$ 110, importado). A obra traz 12 mapas com tamanho de 90 x 60 cm, retratando todas as terras descritas pelo autor no decorrer dos cinco livros já lançados: desde um mapa geral do mundo conhecido (The Known World), passando por mapas como o do continente de Westeros. Onde achar: Livraria Cultura


Apagão - Cidade Sem Lei/Luz Nos anos 2010, a cidade de São Paulo foi desligada da tomada após uma misteriosa queda no abastecimento de energia elétrica. Essa situação se agravou quando, após alguns dias, todos perceberam que a eletricidade não voltaria tão cedo. O caos e o desespero se espalharam como uma praga de gafanhotos por toda parte. Algumas gangues dominaram regiões da cidade e Sampa virou uma cidade sem lei, onde os mais fortes dominam os mais fracos. Entres essas gangues estão os Macacos Urbanos, um grupo de jovens que decide lutar para proteger as pessoas e garantir a dignidade da população. Procure aqui: Catarse-me


entrevistafobia Olá Nerds, e na EntrevistaFobia dessa semana temos um dos caras mais gente boa da internet. Von Dews é o administrador do VertigemHQ, na opinião dos editores dessa humilde revista, um dos melhores sites de compartilhamentos de quadrinhos (scans)da net, e o melhor que disponibiliza os mais variados titulos de forma gratuita e com uma excelente tradução. Sem mais delongas vamos ao assunto. Como foi que vocês descobriu esse mundo dos scans? E como surgiu o VertigemHQ?

Com Von Dews O administrador do site Vertigem, um dos maiores compartilhadores de quadrinhos da internet

“ ...prefiro fazer algo bem feito que demore, do que traduzir a “toque de caixa” só pra ter quantidade, como vejo por aí ” Von Dews: Sendo colecionador de quadrinhos desde os 9 anos de idade, sempre fui ligado em tudo que se relacionasse a isso, com o surgimento da internet e este formato de leitura, foi questão de tempo até eu conhecer e adentrar no meio. O Vertigem HQ, na verdade, foi fundado por outras três pessoas que hoje não participam mais do grupo, o Felipe C., o Diego, e o Donibk, este último me convidou para revisar uma revista(“Demo” do Brian Wood e Becky Cloon) para o recém-formado grupo, depois de uma famigerada resposta que dei a uma postagem no “falecido” Orkut. Foi aí que entrei, no segundo mês de vida do grupo! Administrar um blog voltado para um

tema tão especifico quanto quadrinhos deve dar trabalho... Qual as principais dificuldades? Von Dews: A maior mesmo é a falta de tempo, por ser um trabalho minucioso (e prefiro fazer algo bem feito que demore do que traduzir a “toque de caixa” só pra ter quantidade, como vejo por aí), às vezes, não dá pra manter as postagens com a frequência que gostaria. No mais, é bem tranquilo. O que muitos leitores se perguntam é se ter um site de compartilhamento de quadrinhos dá dinheiro? Von Dews: Nenhum, haha. Conheço gente que até ganha, colocando propaganda, pop-ups e redicionadores de links... mas no Vertigem a gente não tem nada disso, é tudo limpo e sem frecura pra baixar, links diretos e links para as edições originais, para compra. Claro que gostaria de algum lucro com isso, mas até hoje não achei uma forma viável, infelizmente... Por tratar de quadrinhos de várias editoras, você ja teve alguma problema judicial relacionado a divulgação de material de terceiros? Von Dews: Judicial propriamente dito, nunca... O Ben Templesmith já foi nos comentários do blog pra postar links


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Sei que não mexemos com os quadrinhos “mainstream”, mas ver como as pessoas gostam de verdade de certas séries e nos acompanham é muito bom.


de compra das revistas deles, e uma vez o Jamie McKelvie disse no Twitter que éramos “audazes” por citar o nome dele nos post do Twiiter, haha, fora isso nada.. se não contarmos “denúncias” que invalidam alguns links nos servidores de download. O que não significa nada, hoje em dia temos em média 6 opções de servidores por postagem, se cair os os 6 ainda existem outros mil sites para hospedar os arquivos!

Von Dews: Atualmente, acho que Saga do Brian K. Vaughan e Fiona Staples... tudo que o BKV faz acho incrível (vide Y, O Último Homem e Ex Machina)! Mas Preacher, The Walking Dead, The Boys, e coisas do Peter David sempre me atraem!

desculpa por alguns atrasos nas postagens e agradeço a “lealdade” e as mensagens de muitos. Sei que não mexemos com os quadrinhos “mainstream”, mas ver como as pessoas gostam de verdade de certas séries e nos acompanham é muito bom. E prometo que sempre manteremos a qualidade, sempre visando E para finalizar agradecemos a entrevis- melhorar, tentando agir da forma mais ta e gostariamos que você deixasse uma próxima de uma editora de verdade! mensagem para quem curte o Vertigem Obrigado mesmo! e esse mundo de compartilhamentos Uma pergunta que não podia faltar..Qual gratuitos. VertigemHQ: o seu quadrinho predileto? http://vertigemhq.blogspot.com.br Von Dews: Bom, primeiramente peço


Quadrinhofobia

Esquadrinhamos o mangĂĄ de Kentaro Miura, entrevistamos os administradores da Ăşnica pĂĄgina especializada no brasil sobre a obra e ainda falamos do anime e dos filmes.


Dois caras, uma entrevista e

um behelit P

ois bem caros aficcionados por Berserk, a obra de Kentaro Miura, responsável por trazer um dos personagens mais casca grossa de todos os tempos e um mundo medieval fantástico/terror mais acachapantes jamais vistos. E claro no Brasil os fãs são inúmeros. Dois entre eles resolveram fazer mais e criaram uma das paginas sobre o mundo de Berserk mais legais da net e única no Brasil sob este contexto.

Os administradores do site thebandoofthehawk, Jonathan Muller e Caio Parreira nos falam sobre como conheceram a obra e como tiveram a iniciativa de adentrar nesse mundo de tripas e sangue do Gatts.

Como vocês tiveram a idéia de criar o blog? R: A princípio, a idéia surgiu de uma iniciativa inesperada, como fã do cânone sempre senti a necessidade da existência de um “portal” ou afim relaciona-

do a obra, já que “Berserk” é uma série cultuada por diversos fatores e que conta com mais de 20 anos de publicação no Japão. Sem mencionar a existência dos diversos grandes fóruns reconhecidos ao redor do mundo, como o “Skullknight.net”, “BlackSwordsman”, “Matadragones”, “Berserk World”, “Berserk Chronicles”, dentre outros. Estava faltando um representante “brasileiro” aí ou pelo menos, com conteúdo em português, visto que muitos fãs ainda possuem dificuldades em superar a barreira idiomática para obter informações de significância da obra. Minha parceira com o Caio teve início na comunidade de “Berserk” no Orkut juntamente com todo o pessoal da “velha guarda”, foi tudo muito rápido e inusitado, pois ao conversar com o Caio e compartilhar minhas idéias ele simplesmente me disse: “Então vamos criar um blog” e foi assim que o “The Band of the Hawk” começou...


Como foi que vocês descobriram Berserk? qual o primeiro contato de vocês com a obra do Miura? Jonathan: Meu primeiro contato com a série foi através do anime 98 por recomendação de um amigo. Como o anime é inconclusivo e subjetivo na descrição dos elementos chave da trama, a leitura do mangá foi mais que uma necessidade, foi uma obrigação para sanar tantas dúvidas e curiosidades. Caio: Meu primeiro contato com Berserk foi com o anime de 98 (Já havia sido apresentado para mim o jogo de PS2 por um amigo, o jogo não me fez ficar interessado pois achava que o personagem principal apenas matava tudo e só, o que me fez cair do cavalo após conhecer Berserk de verdade), logo em seguida também já peguei o mangá desde o começo para poder acom-

panhar e ver tudo aquilo que num foi apresentado no anime. Administrar um blog voltado para um tema tão especifico é trabalhoso? R: De certa forma sim, especialmente quando falamos de Berserk que possui uma gama de fãs altíssima e pela representatividade da série, que é considerada um “masterpiece” atemporal. A periodicidade da obra é extremamente irregular o que nos gera um desafio contínuo sobre como manter o blog “vivo” mesmo durante os longos períodos sem novidades. Principalmente quando nosso objetivo é produzir posts tão interessantes e desafiadores quanto a obra que está nos servindo de base. Recentemente foram lançados os filmes de berserk. O que vocês acharam?

R: Este é um assunto delicado que está dividindo fãs de uma maneira evidente, obviamente é impossível transcrever de maneira fidedigna as toneladas de referências e material implícito que o mangaká Kentaro Miura vem esculpindo e inserindo em sua obra a pinceladas durante todos esses anos. Afinal de contas estamos falando de uma “mídia” diferente, com um propósito diferente. Fãs do cânone podem se sentir desapontados pela “omissão” de material na adaptação, bem como na “adaptação livre” empregada pelo diretor Toshiyuki Kubooka que norteia a adaptação a um rumo diferente do do mangá. Entre os pós e contras, creio que a iniciativa de animar Berserk é positiva, pois além de fazer fluir “sangue novo” na franquia, estimula a divulgação do cânone, como vimos durante os leilões virtuais do site “Yahoo Japan” aonde o


preço dos exemplares do mangá praticamente duplicou, além de ser uma forma de apresentar a obra a uma nova geração.

temos recebido por parte dos fãs e de muitos outros portais, E nossa sugestão se você não conhece Berserk é veja os filmes, bem como a antiga adaptação animada como uma experiência, uma expansão do universo mítico do cânone, aproveite a animação mas sempre busque a fonte, o mangá, pois é lá onde reside toda a riqueza atemporal da obra.

Kentaro Miura é um mangaká lento que demora a lançar os capitulos de Berserk, vocês acham que ele pode deixar a obra inconclusiva? R: Essa é uma pergunta recorrente, principalmente quando falamos sobre Berserk, mas, eu creio que temos muitos pontos “favoráveis”, Kentaro Miura é um mangaká jovem, na casa dos 40 e considerando a perspectiva de vida oriental, é de se esperar uma longevidade do trabalho de nosso senpai. Claro que não é possível afirmar com certeza o que o futuro nos trará com relação a finalização da obra, mas tendo em mente o estilo metódico de Miura acho pouco provável que sua obra seja inconcluída, para ser sincero, eu estou mais preocupado com a longevidade da obra do que com sua conclusão em si, que Berserk dure o m��ximo possível, ainda é muito cedo para dizer adeus! Uma pergunta que não podia faltar..Qual o personagem predileto de vocês dentre todos de Berserk? Jonathan: É difícil escolher apenas uma personagem dentre tantas, mas tenho um carinho especial pela personagem “Skull Knight”, inclusive sou associado a ele, sendo carinhosamente mencionado pelo diminutivo não menos carinhoso

https://www.facebook.com/TheBandOfTheHawkBlog?fref=ts A galera do band of the hawk está precisando de um domínio para colocar o site de volta a ativa. Quem quiser ajudar segue os dados para depósito: “Skully”. Caio: Realmente é difícil escolher um dentre todos que Berserk aborda, mas de certo e de longe meu personagem predileto é o Gatts, tanto por sua personalidade e toda a trama que o envolve e o emerge em tantos conflitos psicológicos e durante sua vida. E para finalizar agradecemos a entrevista e gostariamos que vocês deixassem uma mensagem para quem nunca leu o mangá de berserk e não assistiu os filmes e anime... R: Nós do “The Band of the Hawk” agradecemos a atenção e o incentivo que

» Caixa Econômica Federal Agencia 0051 Operação 013 Conta 00024657-3 (conta poupança) Titular: Anderson Ricardo de Lima Silva O DEPÓSITO PODE SER FEITO EM CASAS LOTÉRICAS! Para aqueles que não podem doar na conta da Caixa, podem fazer a doação na conta do PagSeguro: andersonnacopa@yahoo.com.br


Não é mangá,

é Berserk Por Leonardo Berman Se Death Note é o melhor mangá que já li então Berserk é o segundo melhor. Não quero ficar comparando mangás (mesmo que esses dois tenham MUITO a ser comparados), mas o critério que utilizo para construir meu ranking são compará-los com outros mangás que já li. E, por algum motivo, os primeiros parecem ser sempre os melhores. Talvez porque a ordem em que você os lê faça toda a diferença. Então se eu tivesse lido Berserk primeiro, eu provavelmente o acharia melhor ou o preferiria mais do que Death Note. Aliás, pra mim, os dois são praticamente do mesmo nível em questão de qualidade, só que Death Note é um pouquinho melhor. Mas vamos deixar esse mangá de lado e nos concentrar no foco desta resenha. Berserk definitivamente é o melhor mangá do gênero e eu acho que nunca lerei outro mangá que seja tão bom quanto ele ou que se iguale em níveis de qualidade. Com certeza é a melhor história já criada de todos os tempos. Criativa, envolvente, original,

inovadora, interessante, fantástica, surpreendente e todos esses adjetivos positivos que se encaixam em narrativas. Primeiro de tudo, devo dizer que as cenas de luta e ação são estupendas. Não há nada mais impressionante do que uma batalha sangrenta saída deste mangá. Sim, a primeira coisa que atrai os leitores de Berserk é a violência. E põe violência nisso. Se você está louco para ver as mais impressionantes e alucinantes cenas de lutas violentas e sanguinolentas jamais vistas em um mangá, então este aqui é um prato cheio para você. Mas violência não é tudo. Este mangá é capaz de agradar o outro lado também, pois contêm cenas mais profundas, um enredo incrivelmente rico e diversas analogias e críticas à maneira do ser humano de viver. Berserk consegue tocar no ponto certo, no âmago daquilo que seria a alma da humanidade desde a épo-


você faz parte. Conseguir juntar boas cenas de ação com um enredo interessante, uma história fantástica, críticas à sociedade humana, assuntos difíceis de serem discutidos e ainda por cima um traço de qualidade impecável é algo alcançado por poucos. Junte isso a um nível cultural absurdo e inúmeras referências extremamente fiéis à época em questão e você terá Berserk. Mas vá se preparando, pois o ca medieval (que é quando se passa o roteiro é forte e algumas cenas podem mangá) até os dias de hoje. E ele o faz ser perturbadoras para pessoas de nercom tamanha perfeição e maestria que você sentirá que o foco mudou das lutas vos e estômago fracos. Essa é a explipara discussões humanistas. Então é um cação para o fato de ser um mangá tão pouco conhecido em relação a outros mangá para ser lido sem preconceitos, já que não se trata de violência gratuita, mangás inferiores: Berserk é um mangá para poucos. Mas merece uma medalha ao contrário do que muitos acreditam. de honra por ter conseguido um nível O melhor de tudo é que as cenas de de detalhamento tão impressionante em adrenalina, além de excelentes, não são cuspidas na nossa cara de qualquer questão de traços, roteiro, narrativa e em todo o resto. jeito, como muito lixo que se vê por aí. Toda luta tem uma boa razão para acontecer. Tudo faz sentido, por mais Outro fator que o faz especial é que caótico e surreal que possa parecer. É é um mangá que já está sendo escrium mangá para te deixar entorpecido, to a mais de vinte anos, o que faz com maravilhado e empolgado, além de te que ler os primeiros capítulos seja uma fazer pensar mais sobre a raça da qual

viagem no tempo. E ainda não acabou. Continua sendo escrito até hoje, sem uma noção exata de quando terminará e, o que é mais incrível, manteve o mesmo nível de qualidade durante esse tempo todo. Como o preconceito deve ser descartado enquanto se lê Berserk, não se importe se de início você achar o mangá com um tom um tanto clichê. Com um começo que já é interessante por si só, Berserk vai melhorando gradativamente à medida que o autor aperfeiçoa suas habilidades como mangaká, o que faz com que os dois evoluam juntos. Roteiro, traços, personagens, tudo é aperfeiçoado com o tempo até tomar um rumo completamente absurdo que levará até o desfecho mais esperado (ou inesperado) de todos os tempos. Tudo começa com o protagonista, Gatts (pronuncia-se “Gatsu”) chegando a uma cidade que está sendo controlada por um demônio. Gatts é um sujeito grande, mal encarado, não possui o olho direito, tem uma prótese mecânica com um canhão embutido no lugar do braço


esquerdo e uma espécie de besta automática que pode ser acoplada a esse braço, sem falar de uma espada tamanho família que carrega nas costas, uma arma tão grande que só um indivíduo de força espantosa poderia ser capaz de manejá-la. Gatts possui a alcunha de Espadachim Negro, graças à capa preta que gosta de usar para se camuflar à noite. Ele também tem uma marca estranha na nuca da qual chama de estigma do sacrifício, que atrai seres do mundo etéreo, como espíritos e fantasmas, que tentam se apoderar de seu corpo, e começa a doer e a sangrar quando está na presença de algum demônio. Logo é um fardo terrível, apesar de ser útil para detectar seus inimigos. Ele é um caçador de demônios e seu objetivo é exterminar todos eles da face da terra, embora suas motivações permaneçam ocultas nesta primeira parte do mangá. Apesar da aparência de vilão, Gatts é o grande herói (ou anti-herói, chame como preferir) desta história. Com ele, nós já podemos reparar como os sentimentos humanos são retratados no mangá e analisados de forma profunda, vistos de todos os pontos de vista possíveis. Embora possua todas as características de homem bruto e truculento, nós podemos ver em seu rosto, marcado por cicatrizes e ferimentos, todo o sofrimento pelo qual ele já passou. Só então a postura violenta de Gatts torna-se compreensível. Gatts é um personagem que sofre e sofreu desde sempre. E foi por cau-

sa desde sofrimento que ele se tornou o que é no presente. Por outro lado, se não fosse por isso, em um mundo cruel como o de Berserk, ele já estaria morto. Mas há outro fator nesta fórmula, um fator que ninguém sabe ao certo de onde veio e que é o principal responsável por Gatts ser tão especial em relação aos outros. Esse fator é o espírito berserker, um espírito que floresceu no peito do protagonista em sua infância e que está se tornando cada vez mais forte, à medida que se apodera dele. Na mitologia nórdica (principal mitologia inspiradora do universo de Berserk) os berserkers eram guerreiros vikings que, durante as batalhas, atingiam tamanho nível de fúria que se tornavam incontroláveis e invencíveis, anulando o sentimento da dor e perdendo a noção de amigos e inimigos. E é isso o que acontece com o protagonista algumas vezes (apesar de não ter muitos amigos). Logo no primeiro capítulo, vemos Gatts salvando, acidentalmente, um elfo chamado Puck. Como agradecimento por ter salvado sua vida, o elfo começa a seguir o espadachim no intuito de ajudá-lo, mas acaba atrapalhando-o com sua personalidade extrovertida, o que deixa Gatts extremamente aborrecido. O elfo serve como uma balança no mangá para quebrar o clima de tensão. Enquanto Gatts representa o lado mais pesado, Puck simboliza o lado mais leve. E seu lado cômico nunca fará com que o mangá perca seu clima sério e naturalmente


pesado. Além disso, os elfos possuem poder de cura, o que será bem útil para Gatts no futuro, e empatia, o que o torna capaz de sentir os sentimentos daqueles que estão à sua volta. Então Puck, uma criatura tão frágil e inocente, começará a entrar em contato com coisas que ele não compreende após seguir o caminho de Gatts, cercado de crueldade e frieza. Por isso, Puck é um contraste na série, quase como um indivíduo que não era para estar lá, um ser puro no meio de tanto caos e violência. É interessante ressaltar que Berserk se passa no período medieval da história humana, exatamente na época da Santa Inquisição. Sendo um mangá com teor cultural e extremamente crítico com questões do ser humano, junte isto ao personagem principal, dotado de uma personalidade irreverente, e teremos

as críticas mais fabulosas e engenhosas que um mangá poderia ter. Outro fator que caracteriza o medievalismo é o próprio visual criado pelo autor, imitando ilustrações antigas com um estilo de sombreamento feito com linhas paralelas, típico da Idade Média. Mesmo com a evolução visual do mangá, este estilo o acompanha até hoje e assim será até o final. Ou, pelo menos, é o que os fãs esperam. Nos capítulos finais do primeiro arco, enquanto Gatts lutava com um demônio poderosíssimo, ele deixa cair o Behelit que estava carregando. Depois de derrotar o demônio, este utiliza o Behelit para invocar a Mão de Deus e virar o jogo. O Behelit abre um portal que suga todos os que estão à volta para uma dimensão alternativa. Pouco tempo depois, os cinco membros da Mão

de Deus aparecem, parecendo-se mais com demônios do que com qualquer outra coisa. Tratam-se de reis demônios (comumente confundidos com anjos por aqueles que os invocam) e são os seres mais fortes e poderosos em Berserk. Seu objetivo principal é aplicar a vontade de Deus na terra. Os nomes dos reis demônios são Ubik, Conrad, Slan, Void (que aparenta ser o líder) e Femto, que Gatts chama de Griffith. O Espadachim parece nutrir de um ódio profundo por Femto. Durante a cerimônia do sacrifício (como é chamada a invocação), Gatts tenta se aproximar de Femto ou Griffith para abatê-lo, mas fracassa miseravelmente. O Espadachim Negro, mesmo sendo um homem com habilidades sobre humanas, capaz de derrotar demônios muito maiores e mais fortes do que ele mesmo não consegue nem tocar um dedo em uma entidade como Femto. Até


mesmo a presença dessas entidades é capaz de abalar Gatts, já que eles influenciam na dor causada pelo estigma.

mes contra os três do arco anterior. E não é pra menos, pois ele vai contar sobre a vida do Espadachim Negro, desde seu nascimento até o momento que se Durante esta cerimônia, é mostrado encaixa no começo da saga. Ou seja, o como os apóstolos (que são os demôsegundo arco não passa de um flashbanios deste mangá) nascem. Eles, na ck gigante, se passando antes do priverdade, são seres humanos normais, meiro. ou não, que ativaram um Behelit e inEle começa com a infância de Gatts, vocaram a Mão de Deus. Para ativar que já era muito sofrida. O futuro espaum Behelit, é preciso fazê-lo entrar em dachim comeu o pão que o diabo amascontato com seu próprio sangue mistusou quase que literalmente. Começando rado com algum desejo humano muito por seu próprio nascimento, que foi algo profundo, como a vingança, a paixão ou horrível, quando um bando de mercesimplesmente a vontade de viver. Em nários estava passando por uma árvore seguida você precisará sacrificar uma cheia de pessoas enforcadas e uma das parte do seu coração (daí o nome da mulheres do bando, traumatizada por cerimônia). O sacrifício será marcado ter perdido o bebê, salva um recém nascom o estigma capaz de atrair demônios cido quase morto debaixo do corpo de e outros seres fantásticos. Mas há ousua mãe enforcada. Shizu, a mulher que tro fator nesta jogada. O destino, que é salvou o bebê, dá o nome da criança de quase como um personagem secundáGatts. rio presente a todo o momento, é quem rege o mundo de Berserk. Então, para Os principais temas abordados neste se tornar um apóstolo, você precisa es- arco são temas polêmicos, como estutar predestinado para tal. pro, pedofilia e incesto e é importante Tudo isso se torna muito confuso ao ressaltar a naturalidade com que esleitor, pois ainda não nos é revelado ses assuntos são mostrados no mangá, como o protagonista adquiriu o estigcomo se fossem coisas normais. Cenas ma. Mas tudo será explicado no segunfortes como essas nunca serão tratadas do arco, que é consideravelmente maior como algo para chocar. Elas já são choque o primeiro, sendo um dos maiores, cantes por si só e não precisam de uma senão o maior de todos. São dez voluênfase. Desse jeito podemos ver o ou-


"Gente fraca me irrita. dá vontade de esmagar." (Gatts) tro lado do ser humano de forma nua e crua. Esse tipo de visão sobre a humanidade, seus podres e suas ambições, começará a ser cada vez mais discutido daqui pra frente.

Em criaturas fantásticas podemos citar apenas Nosferatu Zodd, também conhecido como O Imortal, que foi o primeiro demônio que Gatts enfrentou, ganhando a ajuda de Griffith na batalha, o que não foi o suficiente para derrotar o apóstolo. Nosferatu é um guerreiro praticamente invencível, famoso por suas aparições misteriosas em certas guerras, apenas para sumir e reaparecer intacto anos depois. Antes de ir embora após sua luta com Gatts e Griffith, Zodd vê o Behelit do Falcão e faz uma profecia assustadora para Gatts, onde Griffith seria o responsável por sua morte, uma morte da qual ele não poderia escapar. Existe também o Skull Knight, nêmeses de Nosferatu e a personagem mais enigmática de Berserk. É um cavaleiro cuja verdadeira identidade ninguém conhece, que anda por aí vestindo uma armadura de esqueleto e demonstra ser o único até agora com capacidade para

enfrentar de igual para igual o demônio Nosferatu Zodd. Em sua primeira aparição, Skull Knight também faz uma profecia para Gatts, na qual ele participaria de um grande desastre e sobreviveria para contar a história, o que deixa o espadachim extremamente confuso. Especula-se que a verdadeira personalidade por trás do Cavaleiro Caveira seja o rei Gaiseric, rei que viveu há muitos séculos e que se tornou lendário por usar um elmo em forma de uma caveira, assim como o que o Skull Knight usa. Uma cena interessante é quando Caska passa mal durante uma das batalhas por estar menstruada e acaba caindo de um abismo, sendo salva por Gatts. Porém, os dois acabam perdidos, tendo que se esconder das tropas inimigas durante um dia e uma noite. Nesse meio tempo, eles acabam tendo uma conversa, onde Caska explica a Gatts como se tornou a guerreira mais habilidosa ao entrar para o Bando do Falcão e como Griffith a salvou durante a infância. BEm eu poderia falar por paginas e mais páginas mas já deu para notar que o mangá é forte e passa por diversos temas que fogem com a temática da maioria das obras do oriente próspero. Enfim Berserk é um mangá para

se ler de preferência escutando uma sonzeira pesada e com a mente aberta para um dos melhores mangás já produzidos, apesar é claro dos atrasos do querido Kentaro Miura, o mangaká mais lento da história do japão.


O anime clássico e os filmes

B

erserk é um clássico dos mangás criado pelo mangaká Kentaro Miura em 1988. MAis o negócio é tão bom que também virou anime. Lançado no Japão em 1997, possui 25 episódios que mostram a saga que no mangá é chamada de “Era de Ouro”, que corresponde à juventude de Gatts e sua vida junto ao Bando do Falcão. O Anime tem um nível de violência muito menor do que o Mangá, além de que muitos personagens e eventos também não aparecem. Uma curiosidade que poucos sabem é que Berserk tem um 26º episódio que nada mais é do que um tipo de resumo do anime junto com os clipes das músicas de abertura e de fechamento, não se sabe ao certo o porque desse episódio mas existem boatos que dizem que fizeram esse episódio porque no contrato dizia que eles teriam que fazer 26 episódios, mas como a historia termina no episódio 25, tiveram que fazer esse episódio extra.

A

tualmente foram feitos 3 Filmes de Berserk também resumindo o Arco da Era de Ouro, após o lançamento do terceiro filme agora em 2013 ainda não se sabe se o anime terá uma nova série, apesar do diretor dos filmes (Takahashi Naohito ) afirmar que eles estão transformando Berserk em uma saga. Apesar de ter sido licenciado para 16 países o filme não incluiu o Brasil na lista e o grande acesso do público ainda acaba sendo os fansubs que disponibilizam o arquivo para download ou esperar o dvd original sair. O primeiro filme, Berserk Era de Ouro Arco I: Ovo do Rei Conquistador (Berserk Ōgon Jidai-Hen I: Haō no Tamago), estreou nos cinemas japoneses

no dia 04 de Fevereiro e teve seu Blu -ray e DVD lançado em 23 de Maio de 2012. O segundo filme, Berserk Era de Ouro Arco II: A Batalha de Doldrey (Berserk Ōgon Jidai-Hen II: Doldrey Kōryaku), foi lançado em junho de 2012 nos cinemas japoneses. E o terceiro filme, Berserk Era de Ouro Arco III: Decaída (Berserk Ogon Jidai-Hen III: Korin), teve seu lançamento em 1º de fevereiro deste ano, com previsão do DVD e Blu-ray para outubro. No Brasil o manga é publicado pela PANINI e esta no número 72 que praticamente já alcançou a Edição japonesa.


P a r c e i r o s


fotoFobia

As iluminações Noturnas mais fantásticas do Mundo Bem com o sucesso do lançamento da seção FotoFobia tentamos manter o nível alto e desa vez mostramos algumas imagens dos locais com iluminação noturna mais fantásticos do mundo. As fotos noturnas foram feitas em diversas partes do mundo e trazem paisagens de tirar o folego e o balanço entre artificial e natural que denota o quanto o hmem muda o espaço em que vive, qualificando o avanço desenfreado ou a harmonia entre a expansão e a comodidade das grandes metrópoles.

Para a lista completa veja: http://blogof.francescomugnai.com/2013/03/40-mesmerizing -photography-of-glistening-city-lights/

por

Tininha Magalhães


A partir do Arco do Triunfo para o 2ยบ marco por Helen Sotiriadis

Twinkle Little Moon por helen sotiriadis


Star-burst Reflection by AtomicZen

City of Blinding Lights by Andrea Barsacchi


The Purple City by Yoshihiko Wada


PIPOCAFOBIA

Só mais uma de filmes

É

interessante ver que o cinema tem o grande dom de se reinventar. E não é a toa que entre a biografia de um dos ídolos maiores da nossa música, um terror que repete clichês com uma nova roupagem e Soderbergh mandando um romance policial disfarçado de filme cabeça temos uma característica em comum: a inovação. E com essa arma o cinema se recria em uma profusão de idéias, sons e serras mas sem nunca perder o que tem de melhor, a capacidade de divertir e entreter nós telespectadores.


Somos Tão Jovens A falta de ritmo acelerado na vibe de curta a vida adoidado não é algo que vamos ver no bom Somos Tão Jovens que narra o inicio da carreira de um dos ícones se não o maior do cenário musical nacional. A história traça os começos e a formação do Aborto elétrico liderado por Renato e sua descoberta da música como um dom libertador e ao mesmo tempo escravizante.

entre eles Laila Zaid que faz a melhor amiga de Renato e apesar de ter sido invenção do filme dá um tom de carga emocional e dramática ao filme, criando um laço de amizade que fica tão verossímil que assusta em alguns momentos. Ponto pra a escalação da atriz.

Aliás interpretação é a palavra de ordem no set de Somos Tão Jovens. Além da própria Laila, que dá um show, Com uma pegada menos forte do Thiago Mendonça realmente surpreende. Eu particulamente estava com um que outros filmes do genero como por exemplo “Cazuza”, que tinha uma abor- pé atrás por achar que fisicamente ele dagem mais seca e bem mais contunnão tinha muita semelhança com o Redente. No longa que retrata os inicios nato, até mesmo pela questão da altura, musicais de Renato Russo vemos a mas depois de 10 minutos de filme isso criação o desenvolvimento e amadurejá havia sido esquecido e os trejeitos e cimento da cena rockeira, e porque não maneirismos que ele incorporou do Rusdizer underground de Brasília da decada so estão lá fazendo a memória funcionar de 70 a 80. Isso foi ótimo para alguns e trazendo personificado o líder da lenfâs e péssimo para utros que desejavam dária legião urbana e suas caras inconuma cinebiografia mais apurada da vida fundíveis. de Renato e se decepcionaram com o recorte histórico do filme. Alguns momentos o longa meio que foge de características que se viam pre Isso pode ser relegado a segundo sente em Renato como o temperamento plano visto a boa atuação dos atores, forte, mas em apenas um deles chega a


incomodar, o momento em que Renato revela seu homossexualismo a sua mãe em uma passividade que quase chega a ser monotona para algo tão importante na vida do ídolo. Segundo entrevistas do diretor Antonio Carlos de Fontoura, naquela fase Renato ainda estava se descobrindo e, por isso não havia motivos para escancarar a preferência sexual do ídolo. Bem salvo alguns deslizes como a forçada introdução do personagem

“O tom suave é bem-vindo no filme, mas há momentos – como o ponto em que a preferência homossexual de Renato Russo é apontada – que pode parecer leve até demais.” Carlinhos para do nada encontrar Renato depois de um show e ir passear na periferia criando rapidamente um laço afetivo me pareceu um tanto fora de propósito, mais eu posso estar falando besteira visto que não sou um conhecedor tão apurado da vida e obra de Renato e suas particularidades. Quem sabe ele fosse assim. No fim o que temos é um grande obra do cinema nacional que retrata com muito bom senso a amizade entre Renato e sua trupe do barulho na inconfundível Brasília, a afetividade dele com a família e com a irmâ Carminha e

o seu avanço musical, de um cantor em alguns momentos inseguro para alguém que sobe para cantar no circo voador lotado no Rio de Janeiro e encanta com maestria uma geração de rockeiros rebeldes e sem causa. Pode não ser um blockbuster que vai fazer milhões mais

com certeza emocinará os que viveram aquela época e os que não viveram pelo menos escutarão boa música, algo que está meio em falta nos dias atuais em que Somos Tão Jovens mas ao meu ver parecemos tão velhos musical e romanticamente. por Jefferson Lobo


U

m instantâneo da flagrante dependência química da sociedade norte-americana alimenta a trama do thriller Terapia de Risco, novo filme do prolífico cineasta Steven Soderbergh, autor de obras bem díspares como Sexo, Mentiras e Videotape (1989), Traffic (2000) e a série Onze Homens e um Segredo, iniciada em 2001. Desta vez, a partir do roteiro de Scott Z. Burns, Soderbergh impregna sua trama com

pelo contrário, o enredo se constrói nos moldes dos thrillers de suspense e investigação, com muitas e criativas surpresas espalhadas pela história. Em primeiro plano aparece a jovem Emily (Rooney Mara), que passa por dias de ansiedade ao receber de volta o marido Martin (Channing Tatum), que regressa da cadeia, onde foi parar por conta de um estranho caso de quebra de sigilo na companhia em que

anúncios de remédios, exibe vorazes agentes da indústria farmacêutica e médicos que recebem benesses para prescrever drogas novas e monitorar resultados. Tudo isto em meio a um consenso tácito sobre como “sentir-se melhor” depende de auxílio químico. A melhor coisa desta fita está no fato de que a narrativa não fica refém de uma mensagem, muito menos se presta à condição de panfleto em prol de uma denúncia. Muito

trabalhava. Depressão - Foram quatro anos longe de casa, o que só intensificaria a felicidade deste retorno ao lar. O problema é que Emily não parece bem com esta retomada em sua vida. Está deprimida e acaba indo parar nas mãos do psiquiatra Jonathan Banks (Jude Law), que passa a acompanhá-la, prescrevendo pílulas para melhorar seu humor. O prólogo traz uma cena de crime, uma casa

Por jonathan Gomes


com manchas de sangue pelo chão, que mais tarde, a partir de um flashback, o espectador descobre que tem a ver com este estado desequilibrado da personagem. São as ações de Emily que vão colocar o médico – e ela própria – em situação delicada. Em busca de respostas, Banks vai chegar até a antiga psiquiatra de Emily, a Dra. Victoria Siebert, encarnada por Catherine Zeta-Jones. Ela pode ser a chave para entender um quebra-cabeças que vai cada vez mais se complicando à medida que a narrativa avança. Soderbergh faz arranjos que lembram o cinema de Alfred Hitchcock, especialmente na maneira como vai revelando ao espectador pistas que, somente mais à frente, são

encontradas pelos personagens. Percepção -? Jogando com as variantes do estado de percepção alterado pelas drogas de farmácia, o enredo cria uma instabilidade que põe em dúvida até mesmo o que parece ser óbvio na trama. A construção de personagem é um dos grandes méritos da fita, que sabe dar vazão a tipos complexos, capazes de exibir facetas inesperadas, que nunca se enquadram numa caricatura superficial, achatada de modo a se constituir numa articulação apenas funcional à história. A riqueza de possibilidades, o trabalho de confrontar paciente e médico, com tudo de poroso e complexo que esta relação pode trazer, dá grande força aos elementos poli-

ciais de Terapia de Risco. Eis uma fita que instiga a percepção do público e o desafia o tempo todo, das primeiras imagens até o desfecho, alcançado a partir de terrenos movediços e os caminhos menos prováveis.

“A riqueza de possibilidades, o trabalho de confrontar paciente e médico, com tudo de poroso e complexo que esta relação pode trazer, dá grande força aos elementos policiais de Terapia de Risco.”


P

oucos personagens do terror contemporâneo conseguiram tanta notoriedade quanto Leatherface, o assassino psicótico do clássico de Tobe Hooper, “O Massacre da Serra Elétrica” (1973). Membro de uma família doentia, que canibalizava azarados que chegassem perto de suas propriedades, Jed (nome de infância) tinha também o requinte de costurar a pele de suas vítimas no rosto para disfarçar suas imperfeições. Apesar de irregular, a produção foi um sucesso estrondoso na década de 1970 pela competência de Hooper. Ele trouxe recursos mais experimentais ao gênero, criando uma ambientação e efeitos que seriam amplamente copiados

por outros cineastas, em especial, a tensão narrativa desde os créditos iniciais. Além disso, o diretor apresentou toda a história como verídica, causando um frenesi no público. O sucesso trouxe, claro, a oportunidade de transformar a produção em uma rentável franquia. Porém, sem a essência de inovação ou mesmo o charme do limite orçamentário, as sequências lançadas ao longo das décadas seguintes foram, no fim, grandes equívocos. Mesmo os filmes que apenas aproveitaram descaradamente a fama de Leatherface, como “O Massacre da Serra Elétrica - O Retorno” (com Renée

Zellweger e Matthew McConaughey), em 1994, caíram no esquecimento pela falta de qualidade. Não seria o caso de acreditar na exaustão do argumento e do seu personagem principal? Não para Tobe Hooper, que a partir de 2003 dá início a uma nova franquia literalmente do zero. Além da refilmagem do original (2003), produz também “O Massacre da Serra Elétrica: O Início” (2006), sobre a gênese de Leatherface, e agora “O Massacre da Serra Eletrica 3D: A Lenda Continua”. Como o título indica, trata-se da continuação exata do primeiro filme, a partir dos acontecimentos seguintes à fuga da única sobrevivente. Curiosamente, Hooper utiliza no início os trechos do


filme original e não de sua refilmagem, para situar o espectador no espaço e no tempo. Fato que torna tudo um tanto saudosista, apesar de estar em 3D. Depois dos incidentes, a polícia cerca a casa da família Sawyer e pede para que entreguem Leatherface. A população local, no entanto, prefere a justiça imediata: queima a casa e atira nos moradores. Apenas um bebê é poupado do linchamento, ao ser levado secretamente por um casal que fazia parte do bando caipira.

D

uas décadas se passam, até Heather (Alexandra Daddario, de “Percy Jackson e o Ladrão de Raios”) receber uma carta sobre a herança de uma avó, da qual nunca ouvira falar. Criada em outro Estado, jamais foi informada de sua verdadeira família, ou dos acontecimentos da década de 1970. Após confrontar os pais, agora sabidamente adotivos, parte para o Texas com um grupo de amigos para investigar sua ascendência. Ao chegar ao local, Heather recebe do advogado Farnsworth (Richard Riehle) os papéis e a chave da mansão da família, sem saber que a avó escondia um segredo “de sangue” no porão da casa. A trama então segue um duplo conflito: se de um lado deve lidar com a insanidade de Leatherface, de outro, deverá vingar sua família dos outros monstros que a assassinaram.

Como são contratados por projeto,

os diretores que assumem cada uma das partes da franquia têm muito pouco a fazer com os roteiros que chegam às suas mãos. O que parece importar aqui é fazer a série ir para frente, mesmo que a história seja um tanto pobre e a emoção fique à frente da lógica. Tobe Hooper já anunciou o quarto volume do novo “Massacre da Serra Elétrica”, a partir do desfecho desta produção. A produção partirá de um pressuposto um tanto absurdo, poderá comprovar o esgotamento da fórmula e acampa equivocadamente uma imagem de que o gênero de terror vale tudo. O erro de Hopper, enfim, lembra o do recruta que se imaginava o único a marchar no passo certo.


Seasonfobia

Um Arco, Uma ilha, Uma missão e muitas reviravoltas em uma série que de muito criticada passou a ser adorada pelos fãs do arqueiro verde


A

pós 23 episódios, “Arrow” chega ao fim honrando e recompensando os fãs do Arqueiro Verde, deixando para trás qualquer fantasma de “Smallville” e mostrando que sim, existe caminho (com potencial) para os heróis da DC na televisão. O “season finale” foi épico! Cheio de ação, tensão e de emocionar os fãs de Oliver Queen. Mesmo com todas as liberdades artísticas e numa clara inspiração do universo criado por Christopher Nolan na sua trilogia do Batman, “Arrow” aos poucos foi ganhando sua própria cara.

Arrow é uma grata surpresa e se iguala em alguns pontos com a primeira temporada de smallville, só que melhor.

Episódios memoráveis como o da Gangue Royal Flush mostraram que vários elementos dos quadrinhos podiam ganhar uma nova roupagem sem desagradar os fãs. Da metade ao final, a primeira temporada ficou ótima e cheia de referencias aos heróis da DC e dessa forma expandindo o universo da editora na série. A temporada, de uma forma geral, não


foi aquela coisa espetacular, extremamente épica, etc. Foi muito divertida, muito bem feita e em nenhum momento foi ruim, mas nada que arranque suspiros ou lágrimas. Na minha opinião o que prejudicou a série foram alguns atores que não convenceram em muitos aspectos. Stephen Amell esteve muito bem, com um semblante austero que encaixou perfeitamente com o personagem. Mas outros como a sua provável par romântica deixaram a desejar na minha humilde opinião. E vários outros que não vou citar para não ficar chato. As cenas de ação se mostraram bem aceitáveis, Algumas meio que deixaram a desejar no aspecto verossimilidade, mas é uma série de heróis que beiram o

sobrehumano então é passável. Apesar de que algumas cenas poderiam ter sido melhores com um pouco mais de empenhos das partes envolvidas.

Série peca no número de episódios mas se supera nos bons roteiros E para brindar todo o empenho dos produtores veio o Season Finale que para muitos valeu a temporada inteira, que salvou o que na realidade nem precisava ser salvo. As tramas desenvolvidas foram otimamente exploradas e os

roteiristas não foram covardes em mostrar o desenvolvimento dos personagens e suas trilhas que rumaram para caminhos diferentes daqueles que pareciam sugerir. Ponto positivo para uma série que parecia não ter muita pretensão e agora desponta como uma provável serie predileta dos fãs de quadrinhos e do arqueiro verde. A única ressalva para a próxima temporada seria o número de episódios que dá a impressão de alongamento desnecessário para uma boa surpresa como foi Arrow. Esperamos que a série continue e continue bem, porque “Oliver Queen is alive”.


Dadorolado

Que Fim levou...

Nostalgias a parte o mundo das trevas foi e ainda é visitado pelo imáginário de milhares de jogadores de rpg por todo o globo e nada melhor que uma reflexão de como isso marcou o nosso hobbye para o bem ou para o mal...


O

RPG foi um dos meus hobbies favoritos na adolescência. Vale lembrar que boa parte da minha bagagem cultural se deve a esse hábito, com inúmeras pesquisas e referências paralelas que eu busquei para construir boas aventuras. Sempre gostei dos títulos de horror, em especial aqueles da White Wolf e seu “World of Darkness”. Bastante popular na década de noventa, o “World of Darkness” representava uma linha de títulos protagonizada por criaturas sobrenaturais. Longe do heroísmo fantasioso tão comum nesses jogos, os role playing games da White Wolf tinham uma proposta mais adulta. Os jogadores encarnavam criaturas atormentadas em um mundo decadente imerso em intriga e corrupção. Embora poderosas, esses seres sobrenaturais eram reféns de vícios e medos internos. O charme em jogos como “Vampiro: A Máscara” ou “Lobisomem: O Apocalipse” sempre foi encontrar o equilíbrio entre intrigas políticas e horror psicológico. O mundo do World of Darkness é assustadoramente similar ao nosso. Compartilhando nossas cidades e referências histórias, o World of Darkness é um lugar imerso em corrupção e decadência. Escândalos sexuais e episódios de violência são um pouco mais comuns que em sua contraparte real. Pessoas normais vivem em espaços urbanos decadentes, alheios as inúmeras conspirações envolvendo seres sobrenaturais e megacorporações.


Para onde foi o Horror? As criaturas que protagonizam os horrores do World of Darkness sempre tiveram um apelo a mais. Longe da abordagem genérica, elas costumavam ser divididas em estereótipos e tipos urbanos. Vampiros aristocráticos ou anarquistas? Lobisomens feministas ou ameríndios? Magos hackers ou herméticos? As escolhas sempre foram extensas, charmosas, adicionando uma rara profundidade em um universo de RPG. O aspecto de horror psicológico se dava ao constante dilema interno de seus protagonistas. Todos lutavam para reter uma noção de “humanidade”. A escolhe entre sucumbir ou resistir era algo recorrente nos jogos da White Wolf. Vampiros lutavam constantemente para manter (ou perder…) sua humanidade, Lobisomens contra a fúria interior de sua condição selvagem e até mesmos os Magos ficavam constantemente em cheque com seus poderes que desafiavam a realidade. A ambientação do World of Darkness sempre foi definida por seus autores como “Gothic Punk“. Longe de ser um oximoro, ela representava bem o clima e a estética decadente de seus jogos. O “gothic” nos lembra o romantismo fatalista da literatura clássica, com suas personagens decadentes que inevitavelmente vão sucumbir as suas próprias

paixões e vícios. O “punk” complementa com a rebeldia e o esteticamente agressivo, temas como conflito entre gerações e hierarquias são temas comuns nesses jogos. A “maldade” evidenciada nesses jogos também era algo mais táctil, longe dos necromantes ou bárbaros saqueadores da fantasia medieval, aqui o mau era uma referência próxima. Empresas que deliberadamente prejudicam o meio ambiente, fanáticos religiosos, maníacos sexuais, autoridades corruptas, os antagonistas desse mundo costumam adotar facetas mais próximas a realidade do jogador, que muitas vezes era obrigado a navegar nas áreas cinzentas da moralidade.

M

as como algo tão trágico e terrível se popularizou? Jogos como “Vampiro: A Máscara”, ofereceram um passo além nos RPGs. Uma alternativa de comprometimento emocional e estético que ultrapassava a escalação de forças de jogos como Dungeons & Dragons. Mais do que ficarem fortes e possuírem equipamentos poderosos, o World of Darkness oferecia uma gama de personagens profundos, onde a empatia do jogador podia ir além de critérios engessados como “raça” ou “classe”. No Brasil, os RPGs da White Wolf foram bastante populares durante a década


de noventa e o início dos anos 2000. Publicados pela Devir, a editora lançou boa parte do material básico, possibilitando que os jogadores desfrutassem do charme inegável do World of Darkness. Mesmo com jogos tipo “Vampiro: A Máscara” e “Mago: A Ascenção” sendo best-sellers entre os rpgistas brasileiros, a editora foi negligente em publicar material adicional. Tivemos alguns materiais relevantes e até mesmo romances inspirados nos jogos, mas muita coisa interessante passou batido. Coisas como “Rage Across New York” ou “Subsidiaries: A Guide to Pentex” nunca chegaram por aqui. Sem contar os suplementos da “Black Dog Games”, a linha da White Wolf considerada “proibidona”, que fez infâmia ao publicar conteúdo considerado pesado até mesmo para os padrões do World of Darkness.

Outro lance que cativou os jogadores brasileiros foi o “live -action“. Desde o lançamento do título “Mind’s Eye Theatre”, a White Wolf desenvolveu mecânicas para partidas encenadas. Jogadores abriam mão de suas fichas e dados e passavam a interpretar seus personagens ativamente em sessões fechadas, inclusive com figurino. Essa modalidade foi bastante famosa no país, inclusive em eventos de RPG como o saudoso EIRPG, que costumavam atrair diversos grupos de todo o país.

N

a metade da década passada a White Wolf promoveu uma reformulação pesada em seus títulos. Após o lançamento da linha “Time of Judgment”, que narrava as crônicas finais de seus jogos, todas os títulos da editora foram revisados e relançadas. Embora a inspiração no sobrenatural ainda fosse presente, muita coisa mudou. A ambientação gothic punk do World of Darkness saiu de pauta, assim como o sistema de divisão entre “tribos/ clãs/tradições”. Alguns títulos chegaram a ser lançados no Brasil, como “Vampiro: Réquiem”. As mudanças na ambientação e regras não agradaram a todos, virando um verdadeiro divisor de águas entre os fãs da White Wolf.


O Nwod e suas introduções


S

imilar aos jogos de Dungeons & Dragons, o universo da White Wolf também explorou o potencial dos videogames. Dois títulos foram lançados para computador, “Vampire: Redemption” e “Vampire: Bloodlines”, sendo este último mais famoso por capturar bem o clima de terror e mistério do World of Darkness. Recentemente foi anunciado um MMO inspirado no universo da editora, mas os detalhes ainda são poucos e muitos duvidam se o jogo um dia será lançado.

World of Darkness e seus títulos foram um marco na cena mundial. Muitos ainda lembram com saudades seus personagens e jogos favoritos. Eu, mesmo depois de velho, sempre pensei em tirar a poeira dos meus livros e revisitar um universo tão fascinante assim. E vocês, leitores? Não deixem de compartilhar suas memórias, casos e curiosidades sobre esse clássico dos RPGs. Por Roberto Maia

http://contraversao.com/


Por Alan Rocha

NosP assos de um Papo


Luxúria O

livro que compõe a sessão da luxuria na coleção “Plenos Pecados” da editora Objetiva cumpre muito bem a missão, trazendo-nos uma história que mescla um enredo sobre este tentador pecado e também reflexões que servem para desestabilizar o leitor, e forçá-lo a pensar de forma mais ampla. Sem dúvidas que este não é um livro para pessoas sensíveis demais, ou tradicionais demais. Ou talvez seja, vai saber. Um belo dia, nosso autor recebe uma pacote com fitas de uma mulher desconhecida. As fitas contam a história da vida dessa mulher mas, de maneira nenhuma, dentro do clichê que esperamos quando uma senhora decide dividir o que aprendeu e toda sua sabedoria de como a vida é bela e tudo o mais. Aliás, aos poucos, o autor vai desmistificando que a sabedoria da velhice tem a ver apenas com “não se arrepender do que não fez” e coisas do tipo. Até porque, nossa narradora fez

tudo o que lhe deu na telha. O resultado, no entanto, é um tipo de auto-biografia sexual. Nossa querida senhora nos apresenta todas as loucuras sexuais que cometeu na vida em nome da diversão pura e da satisfação, longe dos preconceitos impostos pela sociedade e sem se importar nem um pingo com eles. Ela nos conta, por exemplo, como se roçava no tio, como adorava ficar com o irmão e desde criança já sabia que era boa no sexo. Não há nenhum tipo de censura nas páginas, assim como não haveria se você estivesse contando para alguém que não conhece tudo o que já fez na vida (porque, às vezes, é mais fácil contar para quem você não conhece se as coisas têm o nível de loucura que essas aqui têm). De maneira chocante e divertida, ela nos leva a passear por uma vida de auto indulgência sem qualquer restrição mostrando que os limites que temos podem ser ultrapassados a qualquer momento. Basta querer e abrir mão de se importar com as opiniões alheias – algo que todo mundo no facebook diz que faz, mas a gente sabe que, no fim, não coloca isso na prática. No centro do livro, ela explica diversas vezes que seu desejo é que suas histórias façam com que as mulheres sin-


tam-se mais a vontade para falar e fazer sexo, sem se restringir ao que ouvem que é certo ou aceitável. Muito claramente, ela explica como o sexo serve como equalizador na “guerra dos sexos” já que o homem tem um estigma muito forte de ser sempre o provedor de orgasmos e não pode brochar, errar, falhar e nem chorar. Enquanto isso, a mulher faz o que quer e coordena a situação dentro de sua zona de conforto ou até onde ela se permite ir. O sexo resume, por fim, o poder feminino fatal – para os meninos: seria a lança enfiada no cora-

ção do inimigo. A leitura desse livro é realmente divertida e intrigante e nos faz repensar alguns dos conceitos que conhecemos sobre o que é certo e errado entre quatro paredes ou até onde se pode ir para se conseguir o que quer. E ela vai além do poder sexual feminino, ela analisa a sociedade como um todo de maneira tão clara que chega a doer os olhos. É impressionante o que uma pessoa que se libertou de certas convenções consegue enxergar. É um bom livro, flui bem e mesmo as

partes mais chocantes são forradas de comentários tão absurdos que chegam a ser hilários. Vale a pena conferir para irmos além do debate 50 tons de blábláblá: em A casa dos Budas Ditosos temos uma mulher que mal cita nomes de homens e mal os descreve. Ela quer o que quer e quando quer e se você acha ruim…bom, o problema é seu, não é mesmo?


Relat贸rio Gamer

Guild wars 2 Autor: Yuri

www.coletivocult.com


Não é a toa que desde o lançamento do jogo produzido pela Blizzard Entertainment, os games do gênero acabaram seguindo um certo padrão Warcraftiano. Mas isso acabou com a releitura do gênero trazida pelo título da ArenaNet.

S

ou assinante e leitor da revista PCGAMER já há alguns anos. Em todas suas edições (que são mensais) existe uma tabela onde eles colocam os jogos mais legais do momento em várias categorias como “Atirar em alguma coisa” ou “Ter uma aventura”. Uma delas chama-se “Ter uma vida online” e há muito tempo o único jogo que aparecia alí era World of Warcraft. Em agosto do ano passado o jogo MMO escolhido pelos editores mudou para Guild Wars 2, e tem se mantido assim desde então. E isso é praticamente uma revolução. Tirando de lado o ódio que fãs hardcore de um e outro jogo sentem um pelo outro, o fato é que Guild Wars 2 foi um marco na história dos Massive Multiplayer Online Role-Playing ga-

mes, assim como WoW foi na sua época. Não é a toa que desde o lançamento do jogo produzido pela Blizzard Entertainment, os games do gênero acabaram seguindo um certo padrão Warcraftiano. Mas isso acabou com a releitura do gênero trazida pelo título da ArenaNet.

G

W2 veio com uma proposta totalmente diferente para o gênero do MMO. Começaram banindo completamente a conhecida “Santíssima Trindade” do Tanker/Healer/DPS, ou seja, os papéis muito específicos – agora todo mundo consegue curar, mitigar dano ou dar dano. Essa atitude foi extensamente discutida ao longo da espera até seu primeiro beta aberto, e ainda hoje o resultado é questionado por muitos. Pessoalmente, senti que pela primeira vez joguei


A verdade é que o jogo é simplesmente extremamente divertido. Desde o início até a hora que você cansar, os produtores conseguiram manter um senso de diversão, risco/recompensa e tudo isso misturado com muita interação.


um MMORPG de verdade. Como diria um amigo australiano: “É a mesma coisa que ler Senhor dos Anéis e esperar que todos os Orcs só ataquem o Boromir, que o Aragorn não atraia a atenção de ninguém ficando girando a espada contra um inimigo. Enquanto isso o Galdalf fica atrás jogando magias repetidamente. Isso não faz sentido.” A santíssima trindade é exatamente isso, acaba com qualquer senso de realidade: o jogo que seria um RPG torna-se um amontoado de números de aggro e acionamento de botões em momentos específicos. Perde-se então aquela sensação de viver na pele de um personagem em um mundo distante, o velho Role-playing, que os designers de GW2 insistiram

em priorizar na experiência de jogo. “Na maioria dos jogos você sai por aí e ocasionalmente tem tarefas divertidas, que você pode optar em fazer. Mas o resto do jogo é esse grind chato até chegar na parte divertida. “Eu ataquei com a espada, eu ataquei com a espada novamente, HEY eu ataquei novamente!” Isso é ótimo [tom irônico]. Nós não queremos os jogadores fazendo grind em Guild Wars 2, ninguém gosta disso, ninguém acha isso divertido. Nós queremos mudar a forma que as pessoas enxergam o combate.” Colin Johanson (Game Designer)

A

lém do seu sentido revolucionário em termos de experiência de um MMO, Guild Wars 2 faz o possível para que ela se torne o mais social possível. Eventos Dinâmicos são como grandes missões que aparecem no seu mapa (e de todos a sua volta) como um grande chefão, uma invasão de centauros ou uma festa regada a vinho, que todos podem participar ao mesmo tempo. Se você acha que isso só começa no level 80 está muito enganado: tudo começa desde o level 1. E falando nisso, você pode ter um personagem de nível alto e ainda assim jogar com seu amigo que acabou de começar: o sistema de nivelamento de level faz você ficar mais-ou-menos no nível dele


para jogarem juntos sem você se tornar um rolo-compressor de creeps novatos.

O

título da ArenaNet tem muitas outras características, como a história principal linear como num livro, cheia de diálogos com voz e arte magnífica – é realmente uma experiência à parte no gênero. Mas uma das informações técnicas que não pode faltar é que não há mensalidade: você compra o jogo e automaticamente tem acesso ilimitado, inclusive a vários add-ons futuros. Se você é uma daquelas pessoas que tomou asco pela política pública das empresas de games modernas, realmente deveria experimentar Guild Wars 2. A verdade é que o jogo é simplesmente extremamente divertido. Desde o início até a hora que você cansar, os produtores conseguiram manter um senso de diversão, risco/recompensa e tudo isso misturado com muita interação. Lembro do primeiro beta semi-aberto ao qual fui con-

vidado e que, lá pela terceira hora de jogo, cruzei com um grupo de jogadores que estavam sentados em algumas termas num território gelado. Todos estavam de roupa de baixo e eu (com um elementalista) ao cruzar com eles fui prontamente chamado:

“Hey elementalista” disse um deles “jogue uma parede de fogo para aquecer essa água, tá esfriando”. E esse foi o início de uma proveitosa jornada com um grupo de desconhecidos por todo o final-desemana de beta, onde representei um Elementalista Norn que servia mais para aquecer as pessoas em uma montanha gelada do que pra matar inimigos!


Mas uma das informações técnicas que não pode faltar é que não há mensalidade: você compra o jogo e automaticamente tem acesso ilimitado, inclusive a vários add-ons futuros. Se você é uma daquelas pessoas que tomou asco pela política pública das empresas de games modernas, realmente deveria experimentar Guild Wars 2. Acredito que essa seja a grande mensagem que a ArenaNet tenta trazer: interpretar um personagem junto com outras pessoas, simplesmente para aproveitar umas duas horas e desestressar depois do trabalho possa talvez ser mais divertido do que ter um personagem fodão cheio de itens destruidores fruto de muito esforço e horas de jogo. Talvez. A única pessoa que pode ter certeza é você!


nerdofobia expediente EDITORES Jefferson Lobo Cleriston Costa

COLABORADORES Anderson Veiga Tininha Magalhães Jonathan Gomes Alan Rocha

DIAGRAMAÇÃO Jefferson Lobo

REVISÃO Alan Rocha

IMAGENS DC Comics / Vertigo Mick Holinworth Open images Game open images Warner/ MgM / Universal Marvel

Os textos utilizados na revista foram enviados por colaboradores. As imagens foram usadas apenas com fim de mera ilustração. O conteúdo da revista é feito de nerd para nerd. Todo projeto gráfico e de diagramação saiu da mente confusa dos editores. Toda e qualquer ofensa, insulto, ataque ou obstrução da ordem é de total (ir)responsabilidade da equipe Nerdofobia.

PARCERIAS Rock & Anime Deposito do Calvin Coletivo Cult

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Revista digital nerdofobia ed #6