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HUMANIZA-TE N.º3

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HUMA NIZATE Pl a ne t a A SOBREVIVÊNCIA NÃO É UTOPIA


Índi

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Aproxima-te: pg. 8 a 15

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Informa-te: pg. 4 e 7

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Distrai-te: pg. 24 e 25

Manifesta-te: pg. 22 e 23

Esclarece-te: pg. 16 a 21


INFO setembro 28 de setembro de 2021 Um grupo de estudantes da Universidade de Tecnologia de Eindhoven, nos Países Baixos, desenvolveu uma “autocaravana” solar, Stella Vita. Trata-se de um veículo independente energeticamente, por ser movido a energia solar, podendo fazer até 730 quilómetros com a eletricidade que produz, a uma velocidade máxima de 120 km/h. A eletricidade gerada é suficiente para se fazer a viagem, tomar banho, ver televisão, carregar dispositivos eletrónicos e ainda fazer café. Tudo o necessário para acampar. Os alunos esperam que a Stella Vita possa estar no mercado dentro de cinco anos.

20 de outubro de 2021

Gâmbia, país da África Ocidental, é o único Estado que cumpre o Acordo de Paris sobre a redução de emissões de gases com efeito de estufa. O Acordo de Paris foi assinado por praticamente todos os países do mundo, com o objetivo de reduzir emissões, para evitar um aquecimento do planeta superior a 1,5ºC acima dos valores da era pré-industrial.

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27 de outubro de 2021 Num novo relatório publicado pela ONU, qualificado pelo próprio secretáriogeral António Guterres como “um sinal de alarme”, constatou-se que as metas de redução das emissões de gases com efeito de estufa, fixadas pelos vários países, ficam aquém daquilo que é preciso para contrariar as mudanças climáticas No que toca ao combate às alterações climáticas, o documento lançado pela ONU indica uma larga diferença entre aquilo que os cientistas recomendam e aquilo que as lideranças mundiais se comprometeram a cumprir. O atual plano do grupo de 120 países prevê limitar o aquecimento global a um grau e meio, reduzindo as emissões em 7,5% até 2030, mas os cientistas dizem que, para atingir essa meta, os cortes têm de ser de pelos menos 55%.

Tania Malréchauffé


RMA-TE

& novembro 7 de novembro de 2021 No primeiro Domingo deste mês, cerca de mil pessoas manifestaram-se em Lisboa, numa marcha em defesa de uma maior justiça climática e exigindo mais ação aos líderes políticos mundiais para se definirem medidas concretas, para travar o aquecimento global. Num percurso que começou na Praça do Martim Moniz e subiu pela Avenida Almirante Reis até à Alameda, milhares de vozes fizeram-se ouvir. Unidos pela urgência desta causa, largas centenas de manifestantes entoaram cânticos de protesto e ergueram dezenas de cartazes, alertando para a “Precariedade planetária”, que “Não há Planeta B!” e exigindo aos governos responsáveis “Energias renováveis para todos”.

13 de novembro de 2021 O Pacto Climático de Glasgow reafirma o objetivo de limitar o aumento da temperatura a 1,5ºC e diz ser necessário reduzir as emissões de CO2 em 45%, até 2030, em relação aos níveis de 2010, assim como redução para zero, por volta de meados do século.

9 de novembro de 2021 Simon Kofe, ministro dos Negócios Estrangeiros de Tuvalu, fez um discurso para a COP26, de pé no mar, com as calças arregaçadas e a água pelos joelhos: “Nós estamos a afundar-nos, mas o resto do mundo também está.” O vídeo foi gravado numa área que costumava ser terra, para demonstrar bem o impacto da subida do nível da água em Tuvalu, a sua nação insular do Pacífico, que está na linha da frente das alterações climáticas.

Markus Spiske

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Estatísticas importantes Só em 2021: Chuva, em vez de neve, pela primeira vez registada, no pico do manto de gelo da Gronelândia; Death Valley, na California, atingiu os 54,4ºC durante uma das múltiplas ondas de calor no sudoeste dos EUA; Num espaço de horas, choveu o equivalente a um mês de chuva, numa área da China; Em diversas partes da Europa, assistiu-se a cheias significativas que provocaram dezenas de fatalidades e biliões em custos económicos; Ondas de calor extremas provocaram incêndios devastadores no Canadá e na Sibéria; A crise climática global intensificou a seca que se regista em Madagáscar há 5 anos, levando milhares de habitantes à fome. Desde as primeiras medições precisas, feitas por satélite no início de 1990, o nível do mar subiu 2,1 mm por ano entre 1993 e 2002. De 2013 a 2021 o aumento mais do que duplicou para 4,4 mm, principalmente em resultado do degelo acelerado dos glaciares e camadas de gelo. Entre 1999 e 2018, no mundo inteiro, houve cerca de 500,000 fatalidades e cerca de 3 triliões de euros em custos económicos devido a eventos extremos causados pela crise ambiental global.


Contextualizando, como surgiu a Associação ZERO e quais as suas traves-mestras?

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A ZERO, Associação Sistema Terreste Sustentável, foi criada nos finais de 2015 e foi fruto do interesse de centenas de pessoas, pelo desenvolvimento sustentável em Portugal. As traves-mestras da ZERO foram, basicamente, zero combustíveis fósseis, zero poluição, zero desperdício de recursos, zero destruição dos ecossistemas e da biodiversidade e, por último, zero desigualdade social e económica, porque são todos os componentes que fazem parte desta questão da sustentabilidade. São estes os objetivos que a Associação busca alcançar.

A ZERO desenvolve muitas atividades e é uma associação que tem um bom número de especialistas de diversas áreas. Realizamos monitorização das políticas públicas, promoção da participação pública, o envolvimento dos cidadãos através de campanhas de sensibilização e de educação, a disseminação do conhecimento científico (que é muito importante) a colaboração em projetos de investigação, e também o desenvolvimento de projetos demonstrativos de sustentabilidade.

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E como se envolveu Islene neste projeto?

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Eu tenho a licenciatura de Economia e encontrei-me na área Ambiental. Desde que me conheço por gente, que fui voluntária em vários projetos, no Brasil quando era pequena, e também fiz projetos internacionais e fui voluntária da ONU em África. Então, desde pequena, que sempre tive este gosto pela questão ambiental, por influências familiares. Na Economia, encontrei o meu caminho e também o amor pelo ambiente.

Islene Façanha Analista de políticas/Gestora de projetos da ZERO

Decidi continuar os meus estudos. Sempre me dediquei mais à investigação na área ambiental e, depois, tirei o doutoramento em Alterações Climáticas e Políticas de Desenvolvimento Sustentável na Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade Nova de Lisboa. Fui investigadora e colaboradora do CENSE, que é o Centro de Investigação em Ambiente e Sustentabilidade e sempre acompanhei o trabalho da ZERO porque admirava muito o trabalho da equipa e todas as atividades desenvolvidas pela Organização. Às vezes, ouvia o Francisco Ferreira, sempre a falar na televisão, e dizia que um dia iria falar como ele, porque ele sabe tudo. Acontece que, terminei o Doutoramento, e surgiu a oportunidade de colaborar com a ZERO. Não hesitei, enviei o meu currículo e passei na seleção e hoje faço parte da equipa da ZERO com muito orgulho.


Quais são as conquistas de que a Associação ZERO mais se orgulha?

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Não acho que é uma questão de conquistas ou orgulho, acho que é mais uma questão de ver o trabalho a avançar em várias frentes, seja na monitorização das políticas nas quais temos um trabalho de advocacia muito forte, nas candidaturas aos projetos não só internacionais como nacionais, que traz a ação climática a nível nacional, nas campanhas de sensibilização e educação. Ter também uma equipa motivada a trabalhar e avançar com a luta climática é muito importante. Acho que este conjunto de atividades levam mesmo ao "orgulho" da ZERO.

"Ter também uma equipa motivada a trabalhar e avançar com a luta climática é muito importante (...)" Também as ligações internacionais que a ZERO tem, por exemplo, a CAN Europe, Environmental Coalition, são ligações que trazem um crescimento muito grande dentro da associação, para trazer também informação cá a nível nacional. Acho que o maior orgulho mesmo, na verdade será conservar o planeta sustentável e saudável para todos no futuro e que aconteça mesmo uma mudança sistémica, porque precisamos mesmo que isso aconteça. Senão, não temos (como sempre costumam dizer) “Um Planeta B”. No futuro, podermos dizer que contribuímos um bocado com o nosso trabalho para esta área que tanto amamos e para a conservação do planeta. Acho que é basicamente esta a questão do nosso orgulho.

Fonte: Rawpixel

" Acho que o maior orgulho mesmo, na verdade será conservar o planeta sustentável e saudável para todos no futuro e que aconteça mesmo uma mudança sistémica."

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O que se segue? Quais são os objetivos mais próximos? A partir desta COP e de tudo o que já fizemos, acho que a perspetiva é continuar a luta, porque as componentes de comunicação, de advocacy e de educação e mobilização são de extrema importância, então precisamos continuar e exigir o melhor não só do Estado, mas de todos os níveis da sociedade para que Portugal siga um caminho de transição energética e rumo à neutralidade carbônica e que seja uma transição justa para todos e todas. Acho que estes são os próximos objetivos, continuar a lutar. Mobilizar mais pessoas para que continuem a salvar, porque sozinhos não conseguimos. Uma Andorinha não faz um Verão.

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É uma questão de mobilizar as pessoas, porque as pessoas às vezes não agem enquanto o problema não bater à porta. É aquela questão de termos este problema e ser real, temos dados científicos, tanta informação hoje em dia que é impossível não abrir os olhos para a questão ambiental. É mais uma questão de trazer cada vez mais pessoas para o lado verde da força e agirmos, se não vai ser um bocado difícil, o preço da "inação" será muito caro.

Em comparação com os restantes países da Europa, como julga que está a ser a prestação de Portugal no que toca ao assunto da sustentabilidade?

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Em Portugal, embora se encontrem em curso alguns investimentos pontuais nas áreas da recuperação de habitats, de conservação, a política pública tem sido marcada um bocado pela inoperância na fiscalização e regulação das atividades económicas que não degradem e destruam os ecossistemas, por parte dos serviços do Estados por exemplo. Este exemplo pode ser transposto para várias outras áreas não só na área na conservação, mas temos também a área da mobilidade. Os desafios que se colocam a Portugal e à União Europeia são muito exigentes, quer pela urgência quer pela necessidade de alterar a forma estrutural com que produzimos e também consumimos. É preciso que as pessoas nos mais diversos níveis da sociedade, no Estado, na sociedade civil, interiorizem que uma mudança sistémica não é uma solicitação apenas dos especialistas ou dos ambientalistas, é a Sociedade em geral que o exige, em particular os jovens que sentem que a sua qualidade de vida e o futuro estão em causa. Eu acho que está a avançar, mas há muito ainda que deve ser feito.

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Sjoerd van Leeuwen

Que país é um bom exemplo a seguir? Porquê?

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Na minha opinião todos os países têm muito a aprender uns com os outros, tanto com os erros como com os acertos, para não repetirem o que os outros já fizeram. Mas por exemplo, nota-se que a maioria dos bons exemplos são países desenvolvidos como a Dinamarca. Luxemburgo, Suíça, Suécia, Finlândia, são estes países nórdicos que sempre aparecem no topo dos relatórios de boas práticas. Por exemplo, de acordo com o recente Relatório de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, o 1º lugar do bom exemplo, que diz respeito aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, é a Finlândia. Aparecem sempre no topo, já em edições anteriores, os Países Nórdicos, principalmente Finlândia, Suécia e Dinamarca. Estes países apresentam melhor desempenho, por exemplo, nos 17 objetivos do Desenvolvimento Sustentável são os países mais bem colocados. Têm como adoção os compromissos dos 17 objetivos, e programas cuidadosamente elaborados para proteger não só a saúde pública, mas também conservar os recursos e reduzir as emissões de efeitos dos gases de estufa, com eficiência de políticas públicas também o acompanhamento e participação da população. Esta questão da participação da população faz toda a diferença nos programas e mostra muito que estes países seguiram o caminho da participação e chegaram lá. Estão a avançar.


Considera que os portugueses entendem o problema das alterações climáticas ou que continua a ser um assunto menosprezado? Qual a estratégia de ZERO para incentivar a uma maior atenção neste assunto?

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Eu acho que de um modo geral o tema começou a ser muito mais debatido. Discute-se mais e vem sempre na televisão e redes sociais, a questão ambiental. Mas ainda temos um longo caminho a percorrer, porque, no entanto, já não temos muito tempo, uma vez que já se fala nas alterações climáticas e aquecimento global há muitas décadas.

Como já disse, o ser humano só reage quando vê o problema a bater à porta. Mas não podemos ser assim, devemos evitar isto e agir o quanto antes, antes que seja tarde demais, porque só temos este Planeta. Acho que partilhar os casos de pessoas desabitadas pelas alterações climáticas, continuar a comunicar sobre os problemas que perpetuam as alterações climáticas, mobilizar as pessoas e trazer a ideia da mudança que precisamos como sociedade, para ultrapassar o problema das alterações climáticas são algumas das estratégias já adotadas pela ZERO (e continuarão a ser adotadas) pois fazem parte dos nossos mais variados projetos. Porque não há uma fórmula magica para resolver este problema, é um conjunto de medidas que devemos tomar, e de mudanças em diversas áreas, que vão trazer realmente as respostas que procuramos.

Danii Pollehn

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Que medidas é que a ZERO acredita que seriam fundamentais o Estado adotar? Agir. Porque acho que já há muito no papel e pouca ação. Colocar mesmo em prática aquilo que já está no papel porque já temos muitas políticas públicas que poderiam ser menos burocráticas e melhor geridas, para trazer os resultados que nós precisamos. Planear, monitorizar, avaliar e acima de tudo agir, para que possamos alcançar essas metas, que já temos nos horizontes de 2030 e 2050.

Sjoerd van Leeuwen

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Em coletivo, numa escala ainda maior que o nosso país, o que tem de mudar?

Sjoerd van Leeuwen

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O nosso sistema, uma mudança sistémica. A nossa sociedade está inserida nesta cultura do consumismo, como modelo agressivo, da pressa, de uma falta de conexão com a natureza, que é tudo o que temos. Nós, como seres humanos, não entendemos que só no espaço da natureza tudo é possível, e que se ela sofre e nós sofremos também. Já temos tantas pessoas a alterar o seu estilo de vida, para se tornarem mais saudáveis, com atenção à saúde, bem-estar, participação na sociedade. Eu acho que nós, como indivíduos, temos um grande poder trabalharmos juntos. Muitas vezes, as pessoas não acham que não são capazes de colaborar também nesta mudança. Mas, os indivíduos possuem um poder imenso e, se cada um fizer o trabalho de casa, conseguimos alterar o sistema. "A nossa sociedade está inserida nesta cultura do consumismo, como modelo agressivo, da pressa, de uma falta de conexão com a natureza, que é tudo o que temos."

O comportamento individual ainda pode fazer a diferença?

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Sim. Nós como indivíduos temos um grande poder. Estamos todos inseridos no sistema consumista, mas podemos mudar atos e pressionar os políticos, por exemplo. Os exemplos dados não estão associados a menos conforto ou a severas limitações do estilo de vida. As pessoas terão melhor qualidade de vida, mais conforto e menos gastos. É também a questão da motivação até a pessoa alterar o estilo de vida. Eu própria estou num momento de transição, que é, nunca ninguém sabe tudo, nem é perfeito. Todas as pessoas estão a aprender umas com as outras. Muitas vezes dizem-me que já começaram a fazer reciclagem, comem menos carne… e perguntam-me “o que posso fazer mais?” e há muitas alternativas, tais como participar na expressão pública, influenciar políticas públicas, juntar-se às massas, porque, quando várias pessoas falam, transmitem a mensagem, o movimento é maior e a mudança começa a acontecer. Há muitas pessoas que se tornam vegetarianas, mas há também o meio termo, o flexitarianismo (pessoas que consomem 3 pratos de carne na semana). Ou seja, cada pessoa faz a transição de acordo com o seu estilo de vida e rotina. É um processo, que não acontece de um dia para o outro. A pessoa tem de interiorizar a mudança. A transição não é fácil. Para as pessoas, adaptar um ritmo de vida a outro ritmo de vida, é difícil. É uma questão de interiorizar e procurar ser um ser humano melhor. São rotinas e hábitos.

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Quem são as figuras que a inspiram e motivam quanto a esta temática?

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Desde pequena, que tenho muito amor pela natureza. Sou neta de indígenas no Brasil e a minha avó incutiu muito em mim a questão das ervas e da medicina tradicional e os meus pais também. Já cresci com uma ligação muito forte pela natureza, mas segui economia. Nos meus estudos vi que faltava alguma coisa ambiental. A economia é algo que lida com bens escassos e satisfações infinitas e eu tive muito poucas disciplinas relacionadas com a questão ambiental (economia dos recursos naturais…). Para seguir a minha carreira, tive muita inspiração dos meus professores. Passei 15 anos da minha vida só na universidade, o que é muito, e tive muitos exemplos pela academia, até dos meus colegas de trabalho, que sempre mostraram muita dedicação ao tema. São motivações e influências que passam pela vida de uma pessoa e que a fazem ficar mais motivada. Trabalho também com pessoas, diariamente, que me motivam a continuar o trabalho. A questão ambiental é um pouco pesada, é muito trabalho, porque tentamos e, às vezes, achamos que não avançamos. Mas a cada pessoa que fazemos questionar a situação ambiental, é uma vitória. E é por isso que eu continuo a trabalhar nesta área.

Incetivo para as pessoas se tornarem associadas da ZERO

"Os associados e associadas da ZERO são fundamentais para o nosso trabalho. São a base do trabalho da Associação. NA ZERO, podem obter informações, difundir conhecimento científico, colaborar em projetos de investigação na área ambiental, contribuir para a recessão da degradação ambiental e da insustentabilidade do uso dos recursos naturais, para a valorização da biodiversidade e defesa dos serviços prestados pelos ecossistemas, trabalhar na execução de projetos, no acompanhamento e influência de políticas públicas (temos petições, consultas públicas). É sempre bom que as pessoas colaborem não só a nível nacional, mas também a nível europeu e global. A ZERO preza a participação dos cidadãos, é transparente, tem uma equipa de especialistas incríveis, que fazem tanta diferença no nosso dia a dia. Unidos somos melhores. Um bom núcleo de associados, que contribua de forma ativa, é a maior mensagem que posso transmitir, assim como a mensagem de união, participação, conhecimento e transparência dos processos, que são a marca da ZERO. Todos estes benefícios são um pack bem interessante, que eu acho muito importante." - Islene Façanha

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Sustentabilidade Ambiental

escla

14ºC @14_graus

A 14 Graus surgiu do interesse de 5 amigos que cada vez mais começaram a despertar para o tema da crise climática. Começamos a tentar reduzir a nossa pegada, a ler mais sobre o assunto e quando nos juntávamos a conversa rondava este tema. E não, não somos uma seca de uns fundamentalistas. Pelo contrário, sentimos que ninguém, em nenhuma plataforma, abordava este tema com o tom descontraído e simplificado como gostaríamos de ver e ouvir. Foi aí que tivemos a ideia de sermos nós a escrever para os outros, apenas para experimentar, e não é que correu muito bem?! Com a missão de capacitar as pessoas a mudar o futuro do nosso planeta, criamos o Instagram @14_graus. As pessoas estavam muito recetivas à informação transmitida de forma simples, jovem e divertida. Sentimos que estamos a contribuir para um aumento da literacia quanto à crise climática. Mesmo sem que nenhum de nós tenha formação relacionada com o tema... simplesmente aprendemos e ensinamos um público que também não percebe muito disto. Porque não são só os entendidos em áreas como natureza, sustentabilidade ou ambiente que precisam conhecê-lo – este é um assunto para todos.

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rece-te 14º C @14_graus

Ao conversar com os nossos seguidores compreendemos a necessidade e oportunidade de criar uma loja, este foi um dos primeiros passos fora do Instagram que demos. Depois disso, já fizemos vários workshops, criámos uma revista digital e temos participado em mercados e eventos de sustentabilidade. Para além destes projetos, estamos a criar um programa de consultoria para empresas e um software direcionado para a moda sustentável. Passado um ano de existência, mesmo com estas conquistas, continuamos com pressa de que a nossa mensagem chegue a mais pessoas. Há quem diga que falar de sustentabilidade é uma moda, mas não é. Este tema veio para ficar, e estará cada vez mais presente nas nossas vidas. Os problemas que há uns anos ouvíamos como problemas do futuro, já estão a acontecer no presente. E o ponto de irreversibilidade está cada vez mais próximo. Sim, é alarmante, mas podemos ter uma abordagem tranquila e proativa ao invés de ver isto como uma fonte de ansiedade. Se cada um, à sua maneira, aprender a ser mais sustentável já estamos no caminho certo. E a nossa missão é cumprida, não a do 14 Graus, a de todos. Ah! Já agora, sabes como descartar uma caixa de pizza? Envia-nos a tua resposta para o Instagram (@14_graus)

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Crise climática

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Andreia Galvão @a_galvona

A luta pelo clima é a luta do dia-a-dia A agenda climática tem ocupado desde há algum tempo a nossa agenda político-social. Um pouco por todo o lado vemos apelos à sustentabilidade, tal como o desespero provocado pela iminência da irreversibilidade e os gritos ansiosos dos cientistas e dos ativistas. No meio de tudo isto, é possível não sabermos ao certo o que fazer. Somos jovens que cresceram num período em que o tempo conta como uma bomba-relógio. Sabemos que o mundo como o concebemos é uma fundação instável para uma casa que se está a afundar, enquanto em simultâneo arde connosco. O caos da emergência climática agudiza todas as grandes dificuldades das nossas vidas — torna mais difícil viver nas nossas cidades, torna mais difícil estudar, amar quem quisermos. As últimas palavras de vida de George Floyd ecoam a cada passo que damos: não conseguimos respirar. De acordo com os ajustes feitos aos cálculos do IPCC, sabemos que temos somente sete anos para impedir a irreversibilidade das alterações climáticas. Sabemos que isso implica que temos de cortar pelo menos 50% as emissões carbónicas e também temos consciência de que estes cortes devem ter como critério a responsabilidade histórica, por exemplo, em países da UE, que tiveram o seu desenvolvimento industrial mais rápido e precoce, em detrimento dos atrasos em outros países. Assim, os países da Europa devem ser os primeiros a assumir uma iniciativa maior de corte destas emissões. Também sabemos que não serão os nossos políticos a implementar estas transformações por vontade própria. As políticas “verdes” olham para a crise climática como uma oportunidade para novos negócios, para uma indústria e tecnologia “verdes”, contando com a manutenção da organização social atual e a benevolência e inovação de agentes que ainda não existem. No entanto, não queremos uma mudança estrutural na nossa à custa dos mesmos de sempre. Não basta cortar emissões, é preciso uma revolução que garanta igualdade, liberdade, a verdadeira democracia.

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rece-te Andreia Galvão @a_galvona A crise climática já está a ser paga pelas pessoas que vivem na linha da frente especialmente em regiões do Sul Global, predominantemente pessoas racializadas e, especificamente, mulheres. Parece-nos muito evidente que um mundo mais climaticamente sustentável deve ser um mundo mais socialmente justo. Quando falamos de transição climática sustentável falamos de justiça social, nomeadamente, na garantia dos postos de trabalho. Por exemplo, olhámos vitoriosamente para a notícia de que o encerramento das centrais termelétricas de Sines e Pego tinham sido antecipadas, colocando na agenda um discurso sobre energias renováveis. No entanto, também temos cerca de duas centenas de trabalhadores que ficariam sem emprego. Portanto, é preciso um equilíbrio e responsabilização governamental que garanta uma transição socialmente justa. Esta crise assume formas que nos são também próximas no dia-a-dia. Desde a pobreza energética, a falta de opções de mobilidade, as nossas escolhas alimentares à desigualdade do acesso de informação que está a acontecer a nível global- estes são alguns dos motivos que nos levam a ocupar sistematicamente as ruas para reivindicar justiça para todos e todas. Por esse mesmo motivo, a Greve Climática Estudantil, um coletivo que se coordena a nível internacional com o Fridays for Future, mas que luta lado a lado com tantos outros movimentos sociais que dão voz às reivindicações de quem acredita que é possível um planeta diferente. Gostavas de ajudar mas não sabes por onde começar? Há tanto por fazer e há múltiplas formas de o conseguir. E podes começar em qualquer lugar- na tua escola, na tua faculdade, no teu bairro, etc A fomentação do debate público (à semelhança do que a revista “Humaniza-te!” pretende fazer) é crucial, tal como a investigação sobre a realidade da crise climática. A Greve Climática Estudantil está sempre a precisar de novos membros para organizar ações que coloquem o tema cada vez mais na agenda púbica, de modo a criar convergência social de tal forma inescapável. O fosso entre a retórica e a ação torna-se cada vez mais incomportável e impossível. Só juntas poderemos fazer face ao discurso branqueado promovido pelos mesmos agentes da destruição climática. Temos pouco tempo e precisamos de todas as pessoas- porque quando estamos todas juntas temos poder. Vamos à luta.

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Oceans and Flow

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Violeta Lapa @violetalapa

A Oceans and flow nasceu em 2016, é uma comunidade internacional de movimento aquático focada na preservação da água, que tem vindo a pesquisar o movimento aquático através de 4 práticas: a dança subaquática, o mergulho livre, a terapia aquática e o body surf (uma prática havaiana de surf só com o corpo, sem prancha). Criamos Viagens inovadoras, Experiências profundas e Filmes inspiradores que unem ecoturismo, aventura, bem-estar, arte, cultura, com práticas aquáticas em conexão com a Natureza. Ao longo destes cinco anos, realizamos onze viagens e uma expedição em 10 ilhas, nos Açores, Tailândia, Grécia e Brasil. Queremos partilhar os benefícios da água para cultivar o auto-conhecimento, o bem-estar e inspirar ação na comunidade para cuidar dos oceanos. Durante as nossas viagens, organizamos ações de limpeza de praias e florestas, ativando as comunidades locais, como forma de despertar a consciência coletiva ambiental, honrar a natureza que nos acolhe e inspirar à ação pela revitalização do oceano. Desenvolvemos parcerias com ONG’s ambientais locais, para fortalecer a missão. A nossa base é em Sesimbra, onde desenvolvermos sessões de iniciação ao mundo aquático, sessões OCEAN, que são trilhos aquáticos onde ensinamos a prática do mergulho livre, abrindo os sentidos para a contemplação do magnífico parque marinho prof. Luiz Saldanha, na Serra da Arrábida. Desenvolvemos também o Programa Atlantis, o primeiro programa de educação ecológica subaquática para escolas, em Portugal. Acreditando no poder transformador da ligação à Natureza, o Programa Atlantis promove, de uma forma inovadora e pioneira no nosso país, a Literacia do Oceano, a partir da combinação do mergulho livre com a educação ecológica e o desenvolvimento humano.

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rece-te Violeta Lapa @violetalapa A primeira edição do Programa Atlantis foi realizada este ano na vila de Sesimbra, de março a junho, e foi vivenciado por uma turma do 8º ano da Escola Básica Navegador Rodrigues Soromenho. Apostando numa forte componente prática, o programa tem três pilares como base metodológica: o Jogo Oásis, uma ferramenta de desenvolvimento humano e social; o Freediving, a iniciação ao mundo aquático através da prática de mergulho em apneia; e Ecologia Profunda, um conceito e filosofia que está presente em todas as atividades da Oceans and Flow e que traz a visão da interdependência de todos os seres e a noção de que não existe separação entre Natureza e seres humanos. Organizamos projeções de filmes e rodas de conversa, palestras, ações de sensibilização sobre a água e os oceanos. Os participantes têm ficado profundamente sensibilizados com as vivências e informação que partilhamos durante as viagens e experiência, e acabam por se tornar, também eles, uma espécie de guardiões da água. Esperamos, desta forma, inspirar outras comunidades e outras escolas do país, levando cada vez mais participantes a um contacto direto com o oceano. Ao sentirem a água e ao terem a possibilidade de ver animais marinhos no seu habitat natural, estes novos “guardiões do mar” trabalham as suas emoções e capacidade de comunicação, ao mesmo tempo que melhoram a atenção e foco, criatividade e bem-estar. Convido a conhecerem mais sobre o nosso trabalho e ‘movimento aquático’, através do site www.oceansnandflow.com e dos nossos filmes e série aquática no canal YouTube da Oceans and Flow.

Violeta Lapa , Fundadora e Produtora da Oceans and Flow, Terapeuta Aquática e Educadora Subaquática

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MANIFESTA-TE


Com o objetivo de criar um espaço de inclusão e partilha, onde todas as vozes contam, e dar visibilidade a temas fraturantesna nossa sociedade, o Núcleo de Estudos Humanitários convida a todos a participarem numa nova iniciativa, o Contributo Humanitário.

Mensalmente, poderás submeter um texto teu acerca de um tema humanitário, proposto pelo NEH, participando num concurso mental em que o melhor texto será divulgando nas nossas plataformas sociais e publicando no próximo número da revista do núcleo, "Humaniza-te".

Assim que submeteres um texto para o concurso mensal, estarás simultaneamente a participar num concurso anual, em que o fim do ano, de todos os vencedores mensais, será selecionado o melhor Contributo Humanitário do ano.

Esta seleção será feita por um júri, ainda a designar, e o vencedor receberá um prémio monetário, no valor de 40 euros.

Os temas mensais serão divulgados no início de cada mês nas nossas redes sociais, assim como todas as informações acerca do como e até quando deves submeter o teu texto!

CONTRIBUTO HUMANITÁRIO


distra Livro "A Civilização do Espetáculo"

Filme

"Duas Pessoas a conversar"

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ai-te ia o do D ã ç n e "A Inv Claro"

Mú sic a

"Bem Bom"

Série "Glória"

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Queremos a tua opinião! Preenche este formulário anónimo para ficarmos a saber!


Um especial agradecimento a toda a equipa do mandato 2021/2022 do Núcleo de Estudos Humanitários da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, a todos os convidados deste segundo número da revista Humaniza-te e a todos os nossos leitores.

Editoras

Yuliya Kalapuz Mariana Cadaveira

Coordenação de conteúdo Catarina Paiva Yuliya Kalapuz Ana Carolina Varela Mariana Cadaveira Contribuição de conteúdo e Catarina Paiva membros do Núcleo de Yuliya Kalapuz Estudos Humanitários Mariana Cadaveira Duarte Engana João Moutinho Margarida Boieiro Maria Eduarda Franco Maria Margarida Silva Ana Carolina Varela Carolina Patinhas Convidados Islene Façanha Associação ZERO 14 Graus Andreia Galvão Violeta Lapa


@nehumanitarios

nehumanitarios@gmail.com


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