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Piston Novembro 2014

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PROVAVELMENTE A MELHOR REVISTA DO POLO II

NOV 2014

ESTIVEMOS LÁ!

À CONVERSA COM VÍCIOS URBANOS CARPE DIEM CULTURAL

CARLOS CERQUEIRA

CÍRCULO CENTRAL 10 JOVENS DE OURO DO FUTEBOL PORTUGUÊS

UMA AVENTURA EM DELFT WHAT’S HOT? ESTIEM

E MUITO MAIS NO TEU PISTON!


NOVEMBRO’14

9 ESTIEM SERI A iniciativa que incute responsabilidade social e ambiental no engenheiro!

14 STARTUP WEEKEND Estivemos presentes num dos melhores eventos de empreendedorismo e inovação! Fica a saber como foi esta experiência!

16 ERASMUS WORLD Uma Aventura em Delft Queres fazer a tua Dissertação em Erasmus e não sabes se vale a pena? Vê se esta aventura na Holanda te motiva a tal!

19 À CONVERSA COM Carlos Cerqueira, Director de Inovação do IPN Falámos com um dos homens forte da inovação em Coimbra e Portugal. Não percas esta entrevista!

26 VÍCIOS URBANOS Carpe Diem Cultural Falámos com um dos homens forte da inovação em Coimbra e Portugal. Não percas esta entrevista!

34 CÍRCULO CENTRAL 10 Jovens de Ouro no Futebol Português Fica a saber quem são e quais as suas qualidades!

43 WHAT’S HOT? Shadow of Mordor Uma aventura pela Terra Média de JRR Tolkien como nunca viste! 2 http://www2.dem.uc.pt/neemaac/piston-online.html


5 Editorial 6 A Nova Rede Neural da Google e o Chico-Espertismo 9 Hora de Recordar... SERI 12 Festa das Latas e Imposição de Insígnias 13 Beach Volley 14 Coimbra Startup Weekend 16 Uma Aventura em Delft 19 À Conversa Com Carlos Cerqueira 26 Carpe Diem Cultural 28 Jules Bianchi (ou como a F1 não esqueceu Ayrton Senna) 32 Dinastia Fernandina em Era de Duques 34 Círculo de Prospecção: 10 Jovens de Ouro do Futebol Português 38 1ª Liga Portuguesa: 3 Meses Volvidos, Quem Está a Dar Cartas? 39 Planeta Académica: 127 Anos de AAC 41 Almanaque Cultural 43 Shadow of Mordor 45 Shadow of Mordor: Fallen Idol - o Relato de uma Missão 48 Mulheres a Dominar no Campo da Engenharia 49 Badminton 51 Aparvafusando 51 Sudoku

RÚBRICAS 6

ESPAÇO DEM

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MUNDO AUTOMÓVEL

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ENGENHARIA DE TOPO

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CÍRCULO CENTRAL

9 ESTIEM

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ALMANAQUE CULTURAL

12 NOTÍCIAS

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WHAT’S HOT?

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ERASMUS WORLD

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ENGINE GIRL

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À CONVERSA COM...

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SECÇÕES E TU

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VICÍOS URBANOS

51 APARVAFUSANDO Piston NEEMAAC


NOVEMBRO’14 MIGUEL CLEMENTE DIRETOR, EDITOR, PRODUÇÃO GRÁFICA

ANTÓNIO ALMEIDA VICE-DIRETOR

FOTOGRAFIA

Queres colaborar connosco? Encontraste algum erro ou informação errada? Queres agradecer ou elogiar o nosso trabalho? Escreve-nos para piston.neemaac@gmail.com

HUGO MATOS VITOR SANFINS

REDACÇÃO Bernardo da franca RITA SOUSA

CRONISTAS André Portugal DAVID CABRAL Francisco Vieira e Brito INÊS SILVA Joana Marques Ferreira José Miguel Nunes Ricardo Baila Sérgio Almeida Válter Ferreira

PISTON ONLINE MIGUEL CLEMENTE RICARDO BAILA

PROPRIEDADE

NEEMAAC IMPRESSÃO

AAC DISTRIBUIÇÃO

NEEMAAC TIRAGEM

XX EXEMPLARES AGRADECIMENTOS CARLOS CERQUEIRA DANIEL SILVA PETER SANTOS TIAGO NUNES

4 http://www2.dem.uc.pt/neemaac/piston-online.html


Eis que Novembro nos presenteia com a sua mística. Esta altura é especial na nossa Academia. Neste mês tomam-se decisões importantes que te irão guiar durante os próximos 12 meses da tua vivência académica. Encara este processo eleitoral com seriedade, agindo de forma informada. Sempre com a consciência de que, ao contrário do que possas pensar, o teu voto não é só mais um, o teu voto é essencial para demonstrar que o aluno do DEM se preocupa e compreende o seu papel activo no seio desta comunidade. E que, durante e após o processo eleitoral, te lembres sempre que no fundo, somos todos da mesma família, ajustadas as nossas ideologias e crenças devemos sempre respeitar o espírito democrático e os valores por qual esta casa e Coimbra se procura reger. Efectivada a Festa das Latas e Imposição de Insígnias onde o NEEMAAC marcou lugar com a já tão sua característica barraca, cabe-me agradecer-te a ti por não nos teres deixado sozinhos em nenhuma noite. Parte do sucesso deveu-se à tua constante presença e animação, enche-nos de orgulho e satisfação sentir que os estudantes do nosso Departamento estão perto de nós nesta Festa tão especial. Um sincero obrigado e um desejo forte que esta proximidade e afluência se transpareça para as restantes actividades, onde a tua presença é igualmente importante e essencial. Por fim, resta desejar-te boa sorte para todos os momentos de avaliação que vais enfrentar durante este mês e que te mantenhas atento às nossas actividades para que não percas um momento de descontracção, formação e companheirismo vitais na tua vivência académica. Termino, agora sim, com uma frase de um prestigiado político Norte-Americano, Lincoln dizia: “Um boletim de voto tem mais força que um tiro de espingarda.” FILIPE AMARO PRESIDENTE DO NEEMAAC

Mais um mês, mais uma edição. Algo que é visto como uma vitória, porque isto da imprensa tem o que se lhe diga. Os contratempos fazem parte do percurso, uns são como uma pequena poça que saltitamos por cima, outros são mais difíceis de nos desviarmos e o truque é não chapinhar, nem sempre é fácil. Nem sempre é fácil, por exemplo coordenar uma equipa, por vezes é preciso voar ao redor como um abutre e descer ao solo para pressionar a acção. Coisas naturais, até nos melhores mecanismos por vezes há peças que saltam fora. Nesta edição foi algo do género que aconteceu, infelizmente a Catarina Barradas e a Joana Pestana já não fazem parte da equipa, por motivos de força maior. A elas o meu, e da restante equipa, grande obrigado pelo seu contributo e as maiores felicidades em projectos que se envolvam. Fruto disso poderão reparar nesta edição a falta de “Universo UC” e “Espaço DEM”. Quanto ao primeiro não há horizonte à vista, mas o segundo regressará em força na próxima edição. C o n t u d o há algumas novidades, com o surgimento de três novas rúbricas. “Engine Girl” de Inês Silva, dedicada às mulheres na engenharia. “Secções e Tu” de Bernardo da Franca, onde podem ficar a conhecer alguns alunos do DEM que participam nas muitas Secções Culturais e Desportivas da AAC. E a estreia de “aparvafusando”, a strip cómica do PISTON, com ilustração de António Almeida e redacção de Tiago Nunes. Mais um mês, mais uma edição. A nossa missão continua. E o teu entretenimento é o nosso objectivo. MIGUEL CLEMENTE DIRETOR DO PISTON Piston NEEMAAC


A Nova Rede Neural da Google e o Chico-Espertismo A DeepMind, uma start-up de cariz pouco definido (e que neste momento está a aceitar CV’s para investigadores de aprendizagem automática, neurocientistas computacionais ou engenheiros de software), fundada em 2011 e comprada por cerca de 400 milhões pela Google no início do ano, apresentou um paper em que revela um protótipo computacional a que chama de Máquina de Turing Neural. Isto é o concatenar dos conceitos de uma rede neural e de uma máquina de Turing. Começando pela segunda, trata-se de uma máquina computacional teórica capaz de operar sobre uma “fita” potencialmente infinita e dividida em células que armazenam um único caracter.

Uma rede neural é algo já mais definido, ou com uma maior aplicabilidade prática; trata-se de um modelo computacional que tenta imitar a estrutura do sistema nervoso central dos animais ao apresentar um conjunto de parâmetros numéricos regulados por um algoritmo autodidacta capaz de aproximar funções não lineares dos valores das suas variáveis de entrada. Torna-se assim óbvia a sua importância tanto na inteligência artificial como na estatística. Ao juntar estes dois conceitos, a DeepMind pretende obter algo que imite a memória de curto prazo humana. Na década de 50 foi descoberto pelo 6

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psicólogo cognitivo George A. Miller um pouco acerca de como é que este tipo de memória funciona (algo que ainda hoje não é sabido por completo). O que Miller conseguiu entender, é que a memória de curto prazo consegue operar sobre um número limitado de porções de informação. Sete, mais precisamente. Cada uma destas porções poderá ser tão complexa quanto a complexidade da mente a que pertence, e o indivíduo à qual pertencem consegue operar com elas e entre elas. Tanto podem ser um dígito como um conjunto de dígitos, como uma ideia de um ob-

George A. Miller


jecto ou um encadeamento de ideias. Não deixa de ser curioso de notar a semelhança entre a memória de curto prazo e o funcionamento da máquina de Turing, sobretudo depois de se saber que esta última foi concebida por Alan Turing na década de 30, (com as evidentes diferenças de que a máquina de Turing possui uma eventualidade infinidade de porções de informação ao seu dispor, sendo estas no entanto e como contrapartida de uma limitada complexidade). Uma pergunta potencialmente pertinente e que à partida poderia pôr em cheque esta teoria aquando do seu surgimento seria, “Então se apenas dispomos de sete porções de informação para operar, como conseguimos desenvolver planos complexos?” Respondendo a isto, Miller provou também que a mente humana faz aquilo a que se chama de recodificação. Isto é, estando as sete “porções” “ocupadas”, a mente consegue-as relacionar e sobre elas operar aglomerando-as numa porção mais complexa. Esta maneira de ser do raciocínio humano pode explicar a razão inerente ao estabelecimento de muitas regras feitas pelo Homem, por exemplo, na Linguagem Gramatical. A título de exemplo, e para ficar clara como é que esta recodificação se dá, vejamos as seguintes frases: “O livro preto e branco pertence à irmã mais velha do João. Devolvi-lho ontem.” A primeira frase contém pelo menos sete conceitos. A segunda frase junta-os a todos com o “lho”. Que é o mesmo que a nossa memória faz quando recodifica as porções para poder trabalhar com nova informação. Perceber como é que a nossa memória e pensamento funcionam permite-nos de certo modo entender algumas das nossas limitações e os mecanismos com os quais as torneamos. Como por exemplo, números de grandes ou pequenas ordens de grandeza. Se soubermos de uma tragédia ocorrida a uma pessoa, é-nos fácil de sentir empatia por essa pessoa. Se uma pessoa morrer, conseguimos facilmente sentir por essa pessoa e pelas pessoas próximas com as quais a pessoa tinha laços emocionais, mesmo não conhecendo pessoalmente a pessoa em causa. Se ocorrer algo em que muitas pessoas morram, tal já não acontece com tanta facilidade. (“Uma morte, uma tragédia. Milhões de mortes,

Alan Turing uma estatística.”). Pegando no conceito simples de enumeração. Se eu pedir para imaginarem um círculo, não é difícil de o fazer. Se eu pedir para imaginarem quatro em simultâneo, o grau de dificuldade não se altera. Se eu falar de trinta, se calhar já terão de ir buscar uma relação/memória com um qualquer conjunto de trinta elementos com que sejam familiares, como se eu mencionar milhares, já entrámos no abstracto. (Daqui advém o porquê de ser muito mais fácil memorizar números bastante grandes – como números de telefone – em conjuntos de três ou quatro, em vez de tentar memorizar algarismo a algarismo). Passa-se o mesmo com as distâncias. Quando falamos de um nanómetro, todos sabemos que se trata de uma distância igual a 10E-9 metro; ou da distância entre a Terra e o Sol, que são cento e cinquenta mil quilómetro, mas ninguém tem uma genuína noção ou ideia mental do que isso é. Aquilo que fazemos é aplicar a recodificação ao relacionar com distâncias familiares. Conseguimos imaginar uma vara de um metro, e Piston NEEMAAC


conseguimos dividi-la mentalmente em dez. Assim, sabemos o que é um centímetro. Agora a vara que imaginamos, apesar da imagem mental ser precisamente a mesma da anterior, já não tem um metro, mas um centímetro. E repetimos. Mais oito vezes, até chegarmos à ilusão de que entendemos o que é um nanómetro. É o que esta recursiva proporção linear nos permite, permite-nos familiarizar com algo cujas dimensões são de tal modo diferentes das nossas dimensões características que nos ultrapassam. Assim, criamos conceitos de conjuntos dos quais de outro modo não teríamos noção. Ao grande conjunto de pessoas introduzido no mesmo sistema organizacional que nós, damos o nome de sociedade. Dificilmente conseguiremos imaginar os quase dez milhões de pessoas que a compõem sem perdermos algum tempo com recodificações mentais, daí termos um nome para isso. Esse é o conceito de sociedade, de ter uma certa empatia com o outro com o qual temos alguma ligação, ainda que não o conheçamos, que nos impede (ou devia impedir) de termos atitudes para proveito próprio que prejudiquem a sociedade. É isso que nos impede de nos enfiarmos numa fila de trânsito à última da hora antes da nossa faixa acabar. De ultrapassarmos os outros. De prejudicar os outros. Quem o faz, é porque não consegue ver o conjunto de pessoas que forma a nossa sociedade; é o que apelidamos de chico-esperto, e conhecedores do modo de funcionamento do pensamento como somos, podemos sem dúvida dizer que é alguém que, ou não consegue ter porções de pensamento suficientemente complexas para entender no seu âmago o que é a sociedade, ou não consegue sentir empatia por pessoas. RICARDO BAILA

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Hora de Recordar... SERI Na ESTIEM existem eventos que ainda são somente conotados como “iniciatica” e outros que já são “projectos”. Nesta edição do Piston vou falar-vos de uma iniciatica chamada SERI, que significa Social and Environmental Responsibility Initiative. Os membros da ESTIEM são os líderes de amanhã, por isso, é nosso dever garantir que as

boas acções aconteçam. O SERI existe para nos transmitir que só um bom engenheiro não chega, é preciso um bom engenheiro que seja socialmente e ambientalmente responsável. O primeiro evento do SERI foi organizado pelo nosso Local Group, LG Coimbra, nos passados dias 16-22 de Julho de 2013. Teve lugar na famosa vila da Lousã. O evento foi um sucesso!

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Algumas das actividades dinamizadas foram as seguintes: limpeza da floresta com ajuda da Activar, passeio na mata, visita à ARCIL, passeios de bicicleta, separação de lixo para reciclar e visita à Licor Beirão. Para quem não sabe, a Activar é uma associação que pretende promover o desenvolvimento local do Concelho da Lousã de uma forma integrada, sustentável e em cooperação com outras entidades, numa perspectiva de melhoria da qualidade de vida da população; a ARCIL é uma Organização Privada de Solidariedade Social e sem fins lucrativos que procura contribuir para a efectiva inclusão social de pessoas com deficiência e outras necessidades especiais,

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promovendo uma mudança no olhar sobre a incapacidade e a diferença. Contou com participantes de países de toda a Europa como, por exemplo, Polónia, Holanda, Portugal, Bélgica e Espanha. Todos adoraram o “sol português” e acima de tudo valorizaram o espírito de voluntariado. Eventos deste género deixam-nos uma grande saudade!

Joana marques ferreira


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Festa das Latas e Imposição de Insígnias

A Festa das Latas e Imposição de Insígnias realizou-se entre os dias 15 a 19 de Outubro, tendo sido decretada pausa lectiva nos dias 16 e 17 para a felicidade de todos os estudantes. Como sempre o NEEMAAC esteve presente com a sua barraca no recinto, deliciando todos com amêndoa amarga. A sátira este ano centrou-se tanto no típico problema da falta de transportes públicos para o polo II, como no número contrastante de candi12

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datos ao ensino superior em oposição à afluência de candidaturas verificadas para a Casa dos Segredos com muita gente a solicitar bebidas tendo sido a barraca com o segundo maior lucro de todas as presentes. Num esforço de minimizar prejuízos, face ao ocorrido em anos anteriores, com um orçamento mais restrito, o cartaz da festa das latas contou com nomes como Crystal Fighters, Laidback Luke, José Cid, Quim Barreiros, entre outros,


de modo a satisfazer os mais variados gostos musicais. Estiveram presentes um total de 55 mil pessoas, das quais, entre grelados, caloiros, padrinhos e visitantes, experienciaram boémia e diversão da lendária festa das latas como uma assídua presença na barraca do NEEMAAC. BEATRIZ NUNES e RITA SOUSA

Sunset BeachVolley

Foi na tarde de 29 de Outubro que os núcleos dos departamentos de Engenharia Mecânica e Engenharia Civil (NEEMAAC e NEECAAC) se juntaram mais uma vez para cumprir aquilo que já vem sendo tradição nos últimos anos. Nesta última tarde abençoada de sol, a presença dos estudantes foi afectada por compromissos menos divertidos, porém mais sérios, não tendo sido afectada a diversão e convívio de todos aqueles que se juntaram a nós. Mais actividades são esperadas brevemente sempre com uma prespectiva, essencialmente, de convívio e competição saudável entre os estudantes do nosso departamento e não só. ZÉ PEDRO MARTINS Piston NEEMAAC


O Startup Weekend é um dos eventos de empreendedorismo a não perder, em todo o mundo. Tê-lo aqui em Coimbra foi uma oportunidade única de inovar e fazer criar. Gostei da experiência por esse nível de exclusividade, pelo afinco com que se trabalharam ideias, mas sobretudo de saber que em Coimbra existem bastantes ideias com qualidade e pessoas com iniciativa suficiente para as dominar, inclusivamente, no meio universitário. Para além de fazer uma espécie de pitch no início do evento (mesmo à pressão e sem contar para o que ia), tive a oportunidade de conhecer pessoas com excelentes capacidades e aprender conceitos que não se ensinam na universidade, fazendo-o junto dos melhores do empreendedorismo nacional, na melhor incubadora de base tecnológica do mundo e isto resulta em feedback útil sobre a nossa forma de pensar e agir quando o assunto é empreender. Para mim, a par do evento, organizado de forma exemplar, o que distinguiu este concurso de outros eventos semelhantes, foi a maneira como se brincou aos empreendedores de uma forma tão acessível que nem sequer imaginamos que, de facto, é possível fazer tantas coisas naquelas 54 horas! A começar pela equipa, se por um lado é tão complicado encontrarmos alguém com que nos identifiquemos para trabalhar numa ideia, por outro lado, o Startup Weekend ajuda-nos contactar pessoas que estão disponíveis para fazer equipa connosco, não só naquele fim-de-semana, mas num projeto que pode mudar várias vidas! Se se realizar novamente, nos anos seguintes, farei o que puder para participar nas próximas edições e aconselho vivamente a fazerem-no também! DANIEL SILVA

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UMA AVENTURA EM... DELFT “Peter, viajas para a Holanda na 6ª feira para começar a trabalhar na 2ª. Vais trabalhar numa empresa multinacional em balística, mas não sabes o que será o tema. Apenas que é sobre balística”. Foi este o meu pensamento na noite antes de partir. Com muita calma, olhei para o tecto do meu quarto e disse para mim mesmo ”TRANQUILO”. Optei por uma tese de mestrado numa empresa no estrangeiro por duas razões: A primeira, era que estava a terminar o curso com uma média pouco superior aos dedos que tinha nas mãos; a segunda porque precisava de mostrar que tinha qualidades indispensáveis a um engenheiro, as quais não se avaliam com uma caneta e papel. Tive todo o apoio da Prof. Cristina Louro, a quem ficarei eternamente grato, e arranquei em busca da “liberdade responsável” no TNO - Innovation for Life. Cheguei a Delft (terra carregada de canais e bicicletas sem dono) com 2 malas na mão, um casaco de Inverno Siberiano e temperaturas de 28°C! Para colmatar a figura 16

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de turista maluco, perdi-me quando apenas tinha que atravessar uma pequena ponte para me encontrar com o Dr. Erik Carton que seria o meu mentor na empresa. Um homem extremamente simpático que me tratou melhor em 3 meses do que alguns Profissionais Universitários que conheci 6 anos. Facadas à parte. TNO- Innovation for Life era uma empresa muito bem organizada e exigente. Foram-me dadas duas opções para tema de tese: Analisar valores do aparecimento de fracturas numa placa cerâmica durante um impacto balístico, (tema


perfeito para passar 3 meses a dormir pouco em festas Legalize); ou inventar um método prático inexistente no mundo, para determinar a flexão de um colete á prova de bala durante o impacto balístico antes de aparecerem fracturas. Basicamente, manipular tempo e espaço para tentar obter resultados. Decidi em 3 segundos que seria a 2ª opção. O TNO ofereceu-me todas as condições possíveis e imaginárias. Uma secretária com todo material informático possível, um laboratório para ensaios de precisão, uma cantina repleta de sandes e sopas mais criativas que as obras do Picasso e um laboratório prático onde se realizavam os ensaios de tiro e explosivos. O último não poderia ser usado para testes sem nexo, mas apenas pelos meus superiores com ensaios avaliados em milhares de euros. Aí pensei “Seria incrível criar algo que me desse acesso a este material”. Como bom Português aventureiro, pus mãos à obra para atingir o meu objetivo. Li dezenas de teses, artigos científicos, falei com veteranos do TNO, que tinham ideias loucas que juravam que poderia dar certo, etc. Nada parecia prático e exequível para contornar o curto espaço de tempo de µs e as dimensões mínimas na ordem do µm. Decidi começar outro parágrafo para explicar o que se passou de tão incrível! Um dia, em mais uma refeição de sandes com 5 engenheiros a falar holandês, estava a brincar com o papel de alumínio onde a sandes vinha embrulhada e reparei que as grelhas de luz do tecto eram distorcidas conforme

o relevo que eu dava ao alumínio. Então pensei que se à menor deformação que fazia com a mão numa superfície reflectora a luz do tecto se destorcia, talvez poderia usar este método para a minha experiência. Ao final de 2 meses da minha estadia, recebi o convite do Erik Carton para utilizar os laboratórios com ensaios reais de balística com o método que inventei! Trabalhei, estudei, pesquisei, dialoguei com quem sabia mais que eu e consegui atingir o meu objectivo. Não vou falar de pormenores, mas os ensaios correram bem. Os resultados foram apresentados numa empresa americana que trabalha para o exército e o rapaz com a média pouco superior aos dedos das mãos tirou 18 na tese. Podiam estar à espera de grande texto sobre festas e noitadas nas ruas de Amesterdão, óbvio que isso poderia ser o tema de outro artigo com dez páginas, mas acho que o importante a reter para alguém que queira uma aventura no estrangeiro, que queira contrariar avaliações puramente teóricas, que queira desafiar aquilo que nunca foi criado, está acima descrita a fórmula nada mágica para isso. Ganhei experiência profissional numa em-

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presa com 4 mil trabalhadores, experiência pessoal num país extremamente acolhedor e bom para exercitar os glúteos (fazia no mínimo 18km por dia de bicicleta para a empresa), uma avaliação de tese prática para alguém que muito provavelmente terá essa mesma avaliação num emprego de engenharia, uma nota na tese muito superior às notas de curso, um Curriculum mais enriquecido para combater um mercado cada vez mais competitivo e vá, uns euritos para ajudar à festa. Esta última frase seria criticada por muitas pessoas de letras por ser tão comprida, mas por vezes devemos seguir o exemplo de Fernando Pessoa e esquecer pontuações ortográficas para melhor expressar os sentimentos. Um bem-haja actuais e futuros colegas de profissão. Aos professores Cristina Louro e José Baranda, estarão para sempre no meu coração pelo que me deram sem terem sequer dado conta disso. Saudações Académicas. ENG. PETER SANTOS

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Carlos Cerqueira é Director de Inovação do Instituto Pedro Nunes. Coordena o apoio à criação de spin-offs, processos de propriedade industrial e comercialização de tecnologias, bem como candidaturas a projectos de I&D nacionais e comunitários. Nos últimos anos, foi responsável pela coordenação de mais de dez projectos de transferência de tecnologia e apoio ao empreendedorismo de base tecnológica. É também professor convidado na Universidade de Coimbra em Gestão da Inovação no Departamento de Engenharia Informática.

Sendo Director de Inovação do IPN, o que é para si inovação? Eu vejo fundamentalmente a inovação como uma forma de uma organização, seja uma empresa, seja o estado, seja uma organização sem fins lucrativos, fazer melhor aquilo que já anda a fazer, portanto se pensarmos para as empresas estamos a pensar numa novidade que faz a empresa ganhar dinheiro, dito assim de uma maneira muito simples, pronto depois há definições mais sofisticadas mas se formos digamos ao core, ao núcleo do que é a inovação é uma forma de fazer melhor, no caso de uma empresa ter mais lucros, no caso de uma organização sem fins lucrativos atender melhor àquelas pessoas que estão a trabalhar com eles, no caso do estado servir-nos a nós melhores, os cidadãos. Aliás quem disse isto foi a pessoa que inventou a definição de inovação, o economista Joseph Schumpeter. A pessoa pode perguntar a dada altura então porquê a inovação, quer dizer se no fundo estamos só a falar de lucros porque é que não se faz apenas melhor sem ter que digamos investir em inovação e entendendo a inovação como algo que implica grandes investimentos e tecnologia e etc.. Primeiro se calhar talvez separar aqui duas questões, inovação não tem necessariamente a ver com tecnologia e não tem necessariamente a ver com grandes investimentos, às vezes podem ser coisas simples que permitem uma coisa fazer melhor. Se pensarmos no mundo empresarial e atendendo que hoje vivemos em tempos em que o progresso é global e que o consumidor tem à sua disposição uma panóplia de produtos que são imensos, porque é que nós havemos de escolher este produto, sobretudo quando estamos a falar no contexto de startups e empresas que surgem com novos produtos porque é que nós havemos de ir para aquele produto novo quando eu já conheço uma série destes que são digamos familiares e nos quais eu confio? Portanto a única maneira é se este produto novo for verdadeiramente novo no sentido em que faz algo diferente dos outros e isso é que é inovação que permite ganhar quota de mercado e uma empresa sobreviver. Piston NEEMAAC


A inovação é então peça fundamental na actividade que o IPN desenvolve? Sim, sem dúvida. É importante para nós esta noção de inovação sobretudo porque nós entendemo-nos como um parceiro de inovação, o que é que eu quero dizer com isto? O IPN foi feito para trabalhar com as empresas e neste contexto quem faz inovação desta forma como estou a defini-la são as empresas, as empresas é que colocam produtos novos no mercado e é que depois os vão vender. Para as empresas fazerem isso num meio, sobretudo em empresas que concorrem em mercados globais, em que de facto a concorrência é brutal, elas precisam de se munir de todas as armas possíveis e imaginárias, e uma delas é a tecnologia, então o IPN é o parceiro de inovação no sentido em que é o parceiro tecnológico que ajuda as empresas a estarem dotadas de melhor tecnologia para conseguirem ter melhores produtos. Isso é uma das nossas linhas de actuação depois temos outras, como sabem esta que estou a falar é a parte dos laboratórios, os laboratórios são extensões da Universidade de Coimbra que fazem aquela investigação mais próximas do mercado mas depois temos a incubação de empresas. Portanto se nós precisamos destas duas medidas sempre, por um lado algum conhecimento que permita ter produtos melhores, pode ser tecnologia ou outra coisa qualquer, mas depois precisamos do lado do mercado, as empresas que por exemplo estão a fazer inovação na área da tecnologia precisam 20

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À CONVERSA COM de dominar isso mas isso é metade da equação, a outra metade é o conhecimento do mercado, por exemplo melhores modelos de negócio, marketing mais agressivo, o que seja, e então às empresas que estão na incubadora nós entendemos a inovação também dentro deste contexto sobretudo aquelas que vão criar produtos novos, nós temos um produto que é novo porque a tecnologia é nova, metade já foi feito mas sem a outra metade está coxo, não vai a lado nenhum, a outra metade é o quê? É perceber as necessidades dos clientes, ter um modelo de negócio que de facto implique que o valor que é criado é retido na empresa no sentido em que a empresa, obviamente não é, ganha mais que aquilo que gasta e consegue ser sustentável e depois conseguir passar essa mensagem aquilo que se chama marketing nós podemos ter um excelente produto mas se ninguém souber dele não vamos a lado nenhum e portanto para nós a inovação é peça fundamental porque é aquilo que está, digamos, no segredo das empresas que podem vir a triunfar aquelas com que trabalhamos empresas de base tecnológica ou empresas até ditas de sectores tradicionais mas que incluem alguma novidade de tecnologia o que for no que fazem e para conseguir dominar estes ingredientes todos de facto as empresas precisam de parceiros. É muito difícil hoje em dia fazer tudo sozinho, mesmo as grandes empresas que estão naquilo que hoje em dia se chama de inovação aberta e precisam de parceiros e é isso que nós somos, um parceiro de inovação. Desde que foi criado em 1991 já passaram pelo IPN mais de 200 empresas. Qual é a taxa de sucesso? É assim, os nossos cálculos são feitos com informação que as empresas nos vão disponibilizando, aquelas que estão aqui disponibilizam-nos informação financeira que hoje em dia é pública e aquelas que saem e vão mantendo colaboração connosco também nos vão disponibilizando, de algumas não temos informação, o que vamos é tentando perceber, pesquisando na net, se essa empresa ainda está activa ou não está activa. Em função dos nossos últimos cálculos a taxa de sobrevivência é de 75%, o que é que isto quer dizer, dessas 200 empresas que já foram criadas, no final do período de incubação à data, 75% continuaram mais de 4 anos, é claro que entretanto estamos a falar que a primeira empresa foi criada em 1995, chama-se Ciberbit e ainda existe. É claro que outras entretanto foram mudando porque se fundiram umas com as outras, etc.. E o volume de negócios que o IPN ajudou a gerar? Mais uma vez são as contas das empresas que estão associadas connosco, o ano passado foi 75 milhões de euros, ou seja isto quer dizer que estas empresas por ano têm facturado, tem sido mais ou menos consistente temos tido estes períodos de crise, mas tem sido um valo que oscila entre os 70 e os 80 milhões de euros o que é de facto interessante se considerarmos o tamanho da cidade e também o peso que a cidade tem. O dado que nos reconforta mais além deste é o nº de empregos criados, que é mais de 2 mil empregos, sobretudo empregos qualificados, estamos a falar de doutorados, pós-doutorados, mestrados, licenciados. São duas mil pessoas que noutras circunstâncias podiam não estar aqui na cidade, pessoas que passam pela universidade e que ficam, pessoas que são de cá que ficam, se quiserem ficar, é bom que as pessoas saiam por mote próprio não por obrigação mas também muita gente que é de fora e que é atraída para trabalhar. Portanto o empreendedorismo pode ser uma forma de evitar aquela fuga de massa cerebral que tem acontecido no país nos últimos anos? Sem dúvida, agora também é importante perceber que a criação de uma empresa é de facto um acto pessoal, uma decisão de vida, que tem de ser entendida per si, é sempre difícil quando alguém vê isso como uma espécie de última opção por que as condições de partida já estão relativamente inquinadas. É bom que de facto as pessoas tomem essa decisão porque genuinamente acreditam que é isso que querem da vida, embora que enfim a necessidade é mãe do engenho e isso ajuda a temperar as decisões que tomam mas para aqueles que está certo que obviamente que é e sobretudo temos que pensar o seguinte, quando falamos destas 200 empresas falamos de startups que têm duas pessoas e de empresas que já não são PME’s e muitas vezes a solução é quando alguém tem essa visão e consegue criar uma empresa que é sustentável é sobretudo pelo nº de outras pessoas que vai empregar isso é que é importante. Piston NEEMAAC


Tendo em conta a colocação do IPN, aqui perto do ISEC e da estreita relação que tem com a UC, acha que o IPN está mais próximo do mercado de empresas ou do ensino superior? Nós gostamos de pensar que estamos suficientemente próximos dos dois, aliás é para isso que fomos criados. Nós estamos assíduos no Polo II, estes terrenos onde nós estamos é Polo II, são terrenos da UC e de facto o IPN é parte da UC. O IPN não existiria sem a UC, ou seja, se pensarmos na investigação que é feita nos laboratórios, temos staff próprio, funcionários do IPN, mas o conhecimento é bebido da UC e para nós a “equipa perfeita” é aquela que envolve investigadores, envolve engenheiros que são quadros e que se calhar estão mais próximos da indústria e depois envolve gestores profissionais, este será digamos o triângulo “perfeito”. Agora essa equipa que vai beber conhecimento à UC, ela é feita para trabalhar com as empresas, ela só existe porque existem empresas, não faz sentido estas pessoas estarem a trabalhar em investigação per si, a investigação per si deve existir mas dentro do conceito que se chama investigação fundamental, aquela que é feita para lançar conhecimento e isso vale por si, agora quando é feita para ser aplicado as empresas são peça fundamental da equação e portanto se nós vimos da universidade, passo a expressão, o sitio para onde nós vamos é o mundo empresarial e portanto acho que a resposta a essa pergunta é que nós temos de estar no meio dos dois.

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À CONVERSA COM E sente que a população estudantil está ligada ao empreendedorismo? Eu acho que a população estudantil é muito diversa e sobretudo em Coimbra se pensarmos que temos muitas faculdades que praticamente cobrem todas as áreas do saber e que os cursos são cada vez mais multidisciplinares portanto para nós é um bocado difícil falar da população estudantil em geral porque elas são várias e obviamente temos alguns cursos que por natureza estão muito mais próximos do que é, digamos, criar uma empresa como projecto de vida e outros eventualmente não estarão assim tão próximos. As engenharias por natureza tradicionalmente têm estado, posso falar por experiencia própria sou professor no Departamento de Engenharia Informática, não direi que todos os alunos pensam nisso, também sejamos honestos não têm que pensar nisso, quer dizer, não podemos pensar nestas questões das startups e das empresas como uma espécie hoje em dia de obrigação moral senão corremos o risco de passar de uma situação que estávamos no 8 em que isto praticamente não era falado para uma situação do 80 em que é quase uma obrigação moral ter que pensar em fazer uma empresa senão estamos desligados da rede, não pode ser nada disso. Agora o certo é que pensar em fazer uma empresa e sobretudo o que me parece que é a grande diferença aquilo que de facto pode ter um impacto absolutamente notável é os alunos terem possibilidade de pensar e experimentar essa opção durante o curso, isso é que me parece que pode fazer a diferença, durante o curso ser-lhes dado as disciplinas, os projectos que têm, de pensarem essa possibilidade, pensarem e executarem em concreto, e depois chegado o último ano, ou seja, o quinto de Mestrado Integrado ou o que for, têm uma panóplia de decisões muito mais alargada, muito mais rica. Eu passei por este processo no Startup Weekend ou numa cadeira onde tinha que criar um projecto empresarial, mas mão na massa não é tipo só fazer o plano de negócios, portanto testar mesmo com um mercado se aquele produto vale a pena ou não vale, eu chego ao último ano e posso tomar decisões, eu gostei mesmo disto é isto que quero da vida, óptimo, eu achei piada a isto mas de facto prefiro trabalhar para uma grande empresa, óptimo. Agora o que nós gostamos aqui de salientar é quem tomar essa decisão ainda durante o curso não vai depois andar no final do curso a ter a curva de aprendizagem do que é fazer uma empresa já vai preparado então digamos parte com 3 ou 4 anos de avanço. Quem não decidisse seguir essa linha, tão válido como qualquer outra decisão, foi trabalhar para uma grande empresa, Microsoft, Google, PT, SONAE, o que for, pelo facto de andar a testar aquele mercado, o que é que os clientes querem, como é que se vende alguma coisa, como é que se convence alguém a alinhar connosco, vai munido de competências que vão fazer dele um melhor profissional e então junta a sua aprendizagem formal da universidade que é essencial, que é base, com competências não formais que fazem dele um melhor profissional e normalmente é aquilo que as empresas procuram para liderar equipas, alguém que já tenha passado por isso já tenha sofrido as penas o que é que é estar no mundo real a batalhar para vender alguma coisa, já tenha levado alguma “pancada” com coisas que não correm bem quando se está a fazer isso e daí sai um melhor profissional. Portanto este ecossistema, se quiserem chamar, acho que pode ser a grande mais-valia da universidade hoje aliado àquilo que sempre foi, transmissão do conhecimento e ensinar as pessoas a pensar. Tem notado mudanças na faixa etária das pessoas que se envolvem com o IPN? Nós há cerca de um ano, creio eu, apareceram cá dois alunos de 16 anos que queriam criar uma empresa, portanto estas coisas têm mudado muito. Nós temos na incubadora pessoas de 40-50 anos, que é uma faixa que às vezes se acha que está fora destas questões das startups e de empreendedorismo de base tecnológica e não é, os estudos da Kauffman Foundation, que é uma instituição americana que está nestas coisas do empreendedorismo, mostra que o maior número de pessoas que criam empresas são quadros, pessoas que já passaram pelo mundo corporativo, digamos que estes reúnem o melhor dos dois mundos, têm conhecimentos técnicos e têm conhecimentos do mercado, então sentem que dominam as duas áreas e estão apetrechados para criar uma empresa, temos pessoas destas e aliás alguns deles têm criado das empresas com maior sucesso. Temos depois a situação digamos que é mais associada, o aluno finalista que andou a pensar nalguma coisa durante o curso, reúne-se com dois ou três amigos, falaram muito disso e ok, agora é altura para fazer uma empresa vamos fazer isso. E temos depois também, muito e cada vez mais, também um bocado fruto deste investimento que a UC está a fazer de ter cadeiras associadas à criação de empresas e ao empreendedorismo, alunos que ainda durante o curso querem começar a pensar nisso, portanto eu diria que nesta altura temos Piston NEEMAAC


uma panóplia grande de faixas etárias e proveniências académicas, chamemos-lhe assim, já não são só alunos de engenharias, temos gente de história, temos gente de direito, temos gente de letras e humanidades e etc., portanto eu diria que desse ponto de vista a situação é cada vez mais rica e diversa. O senhor coordena a realização de spin-offs, podia falar um pouco sobre isso? Eu devo dizer que esse esforço aqui no IPN é um esforço integrado entre a Incubadora de empresas e o Departamento de Inovação, exactamente por este estar mais próximos das fontes do saber, chamemos-lhe assim, da Universidade. O processo de criação de spin-offs aqui pode ser entendido de duas formas, uma mais formal, quando pegando numa tecnologia que foi desenvolvida na UC que normalmente é objecto de uma patente, a tentativa de levá-la para o mercado que pode ser feita de duas maneiras, uma é o chamado licenciamento, “vender” essa patente a uma empresa e isso é feito em colaboração com UC e com o DITS (Divisão de Inovação e Transferências do Saber), ou então o processo da equipa que está associada à criação dessa investigação ela própria corporizar a criação de uma empresa e aí de facto tem de ser um esforço triangular entre a UC, entre aqui o IPN com o Departamento de Inovação e a Incubadora de empresas, para isso temos processos que podem ser, chamemos-lhes assim, directos portanto a equipa já está com a sua decisão tomada e segue o caminho normal das outras empresas ou então programas que têm feito formação nesta área, como por exemplo o IneoStart que é uma aceleradora de empresas e de startups que nós temos feito com a UC e com a empresa júnior, a jeKnowledge, que durante dois meses pega nesses resultados de investigação e faz digamos uma formação mãos na massa. Por um lado investigadores que não têm tanto contacto com conhecimentos de gestão, criação de empresas, modelos de negócio, etc., recebem essa formação, mas essa formação quando nós dizemos que é mãos na massa é porque ao receberem essa formação eles têm que activamente estar a testar esses conceitos no mercado. No fundo é, antes de se ter o produto no mercado perceber se há clientes interessados e depois em função do feedback que se vai recebendo desses clientes fazer ajustes à ideia que se tem, enfim isto é baseado nas metodologias de Eric Ries do Lean startup e Business Model Canvas de Alexander Osterwalder e o que nós fazemos é aplicar isso com investigadores e mais uma vez a nossa, chamemos-lhe assim, proposta de valor para a comunidade académica é esta, se der certo vocês no final ou têm uma empresa ou têm um produto que pode interessar às outras empresas, se eventualmente se verificar que os resultados de investigação podiam ser excelentes mas o produto de facto não era o tempo dele por um motivo ou outro, temos investigadores que vão ficar com competências acrescidas às que têm e quando fizerem este processo outra vez estão muito melhor apetrechados, quando fizerem projectos de investigação científica já conseguem escrever muito melhor o que é que é a parte do mercado, o que hoje em dia é muito importante e mais uma vez voltando ao ponto inicial, nós estamos sempre a fortalecer o ecossistema com este tipo de actividade. Nos últimos anos tem estado envolvido em vários processos de transferência de tecnologia. Esta partilha é interessante para quem não tem meios para desenvolver tecnologia mas tem meios para a poder usar? Sim, sem dúvida. O que nós cada vez estamos mais é envolvidos com as empresas no que enfim, hoje em dia, se chama a inovação aberta, é muito difícil uma empresa dominar todos os processos desde a criação da tecnologia até ao desenvolvimento, prototipagem, criação do produto, etc.. Portanto todo esse processo de raiz é muito difícil de o fazer, já nem as grandes empresas fazem isso completamente sozinhas, mais para mais imaginem uma PME. Portanto, como é que pode uma PME incorporar tecnologia estado da arte, a mais avançada que houver nos seus processos produtivos e nos seus produtos, tendo obviamente recursos que são mais escassos comparados com uma grande empresa. Então o IPN entra nessa cadeia de valor com várias ferramentas, passo a expressão, à sua disposição, uma é ir buscar tecnologia estado da arte aos centros de saber, normalmente da UC mas eventualmente até podem ser outros, as Universidades portuguesas trabalham em parceria e partilham o que têm a fazer com as várias empresas e nos vários projectos é normal nos projectos de investigação aplicada que nós temos juntarem-se pessoas da Universidade de Lisboa, do Porto, do Minho, de Aveiro, do que for, e vice-versa nós também com projectos com empresas deles. Portanto ir buscar essa tecnologia, depois ter capacidade de fazer protótipos, de se aproximar mais do chamemos assim 24

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À CONVERSA COM tamanho real de peças que já são feitas não apenas em ambiente de laboratório de Universidade mas em escalas que já estão mais próximas do mercado. Depois a parte, chamemos-lhe assim por exemplo, de mercado de apoiar processos de internacionalização também temos competências para isso. E por último eu diria que uma ferramenta essencial sobretudo em Portugal e nos tempos que vivemos, estas coisas têm sempre, digamos dois eixos associados, um é a questão de dinheiro, sempre, muito ou pouco, questão de dinheiro, o segundo é que tem risco associado. Quanto mais disruptiva ou radical a inovação for, maior digamos é a recompensa se resultar mas também maior é o risco se falhar e o risco de falhar implica que a empresa vai perder dinheiro, a empresa vai perder dinheiro e toda a gente vai perder dinheiro, falhar por muito que se aprenda com os falhanços tem sempre esse problema. E portanto estas decisões são decisões sérias, têm de ser tomadas com os pés na terra pelas empresas sobretudo nesta altura em que as empresas não têm muito capital e portanto é fundamental que as empresas tenham capacidade de ir buscar fundos de investigação, sejam eles nacionais ou europeus, para financiar parte desta investigação e é também isso que o IPN tem-se especializado a fazer e portanto muitas vezes o que nós conseguimos apresentar às empresas é aquilo que nós chamamos um “projecto chave na mão”. Em função da necessidade deles temos a tecnologia e conseguimos ir buscar os fundos para financiar essa investigação, portanto isso minimiza o risco e permite ter imaginemos um, dois anos de investigação com alguma capacidade de a empresa, ok vai ter que investir sempre dinheiro mas vai ter parte desse dinheiro assegurado com financiamentos que minimiza o seu risco, isso permite que as empresas possam arriscar mais na inovação. Têm-se estabelecido algumas incubadoras em vários pontos do país. Tendo em conta o ecossistema que é saudável e que está a ser desenvolvido, acredita que estas incubadoras podem ser o motor para o progresso do país? Elas podem fazer a sua parte, também não podemos, digamos colocar, naquelas, enfim que eu conheço melhor, o empreendedorismo de base tecnológico, a esperança que resolva todos os problemas, o desemprego, o que seja. O que me parece é que ainda há espaço de facto para trabalhar a criação de novas empresas dentro do que são os ecossistemas universitários, nós temos, enfim, se pensarmos nas grandes cidades universitárias, Porto, Aveiro, Coimbra, Lisboa e outras mais, temos sempre 25, 30, 40 mil alunos, até mais, e onde estão digamos, passo a expressão, as melhores cabeças, podem ser investigadores, podem ser gestores, são pessoas que algumas delas estão obviamente talhadas para fazer coisas interessantes. E se algumas delas poderem usar essa criatividade e esse talento que têm para criar empresas e para criar produtos novos, sobretudo produtos que sejam, que tenham uma missão global, portanto Portugal é um país pequeno e um mercado pequeno, se conseguirmos que esse talento e essa criatividade seja feito para criar produtos que tenham sucesso além-fronteiras, então de facto nós estamos a conseguir dar a pessoas que têm talento a oportunidade delas criarem valor e criarem bastante valor porque se esses produtos obviamente tiverem sucesso vão gerar emprego, vão gerar retorno e vão gerar algo que neste momento nós achamos que é um digamos, passo a expressão, um tempero fundamental do ecossistema, vão criar o exemplo que vale mais do que qualquer outra forma de motivação. Aquilo que nestes ecossistemas universitários tem motivado muitos dos alunos é verificar que colegas deles, às vezes 4 ou 5 anos mais velhos que ainda há pouco tempo estavam sentados como eles nos bancos da escola e agora estão em Londres ou em Nova Iorque a vender o seu produto e é natural que a pessoa se sinta tentada a pensar o seguinte, bem se ele conseguiu às tantas eu se me esforçar então talvez também consiga, e isto de facto é a melhor forma de motivação. Se nós conseguirmos convencer estas pessoas a arriscar, obviamente faz sentido ter as infra-estruturas das incubadoras, mas as incubadoras só por si não resolvem nada, são edifícios ok, edifícios com paredes, portas e janelas. O que é preciso é de facto identificar onde é que está este talento e conseguir darlhes condições e motivação para eles arriscarem esta vida.

Alguma mensagem a deixar em particular aos alunos da FCTUC? Divirtam-se e tentem criar uma empresa que isso pode resultar bem. MIGUEL CLEMENTE Piston NEEMAAC


Carpe Diem Cultural Quantos de nós alguma vez nos questionamos sobre o que é a cultura e a importância que ela tem nas nossas vidas? Acredito que poucos de nós o tenham feito ignorando, muitas vezes, a importância da mesma nas nossas vidas e na nossa sociedade. E o que é a cultura? A cultura é todo o diverso tipo de conhecimento ou informação que podemos colher à nossa volta que nos permite mudar as nossas mentalidades e formas de pensar, a nossa capacidade de observar o mundo à nossa volta e tornarmo-nos mais ecléticos. Uns preferem o cinema, outros a música, outros a literatura… é muito relativo e depende muito dos nossos gostos, é importante é não viver desprovidos dela. Confesso que me causa alguma estranheza, revoltando-me mesmo, quando oiço alguém dizer “não gosto de ler” ou “Até Hoje, só li o Memorial Do Convento e os Maias e porque fui obrigado”. A verdade é que em Portugal, e especialmente na nossa faixa etária, temos um número médio de livros lidos baixíssimo comparado com a média europeia e não é que não tenhamos pessoas que lêem muito, temos é muitos que lêem pouco, quando um bom livro é das coisas mais sumarentas culturalmente. Quantos de nós “perdemos” tempo a ir a espetáculos ou concertos? E a Latada e a Queima não conta, porque acredito que muitos nós vamos para lá com mente aberta mais para conhecer bebidas e miúdas e rapazes de outros cursos do que propriamente novas bandas ou outras formas de cultura. E a verdade é que museus, espetáculos e concertos são bastante mais abundantes do que 26 NOVEMBRO 2014


podemos pensar. A melhor prova da degradação cultural na nossa sociedade são programas tipo Casa dos Segredos que muitos criticam mas muitos vêem, como se pode ver pelas audiências. Lá dentro o melhor exemplo de falta de cultura, pessoas que o máximo que devem ter lido na vida foram as revistas cor-de-rosa, correio da manhã ou a bola, em música pouco mais conhecem do jajão, Nelson Freitas ou Anselmo Ralph e ao único evento que devem ter ido na vida foi ao salão erótico. Cá fora, a ver esse tipo de programas, pessoas que querem seguir as pisadas dos que estão lá dentro. Basicamente aquilo que vemos lá dentro, pessoas que nos chocam com uma falta de cultura enorme e um desconhecimento total do mundo que as rodeia é um espelho daquilo em que a nossa sociedade se está a transformar silenciosamente. E o grande problema desta recessão cultural é ser um ciclo vicioso, quanto menos cultura absorvermos no nosso dia-a-dia menos cultas serão as gerações que se seguem e assim sucessivamente. E este desinteresse e desprezo pela cultura é quase transversal a toda a sociedade, prova disso é que já nem ministro da cultura temos e os cortes destinados à mesma são cada vez maiores, obrigando por exemplo realizadores portugueses a ir fazer filmes para o estrageiro. Andamos demasiado preocupados com esta crise financeira, que é grave, e esquecemo-nos desta crise cultural que não é menos grave. E a verdade é que o dinheiro vai e vem, vem e vai mas a cultura e os marcos culturais ficam e deixam a sua marca, e um país que agora é rico pode já não o ser daqui a vinte ou trinta anos, mas um país forte culturalmente dificilmente será um país desprovido de cultura daqui a vinte ou trinta anos, para além de que andamos a desperdiçar a oportunidade de divulgar e projetar o nosso país lá fora através da cultura que pode ser uma arma poderosíssima se bem utilizada. Não é por acaso que um dos pilares base das ditaduras é um corte abrupto entre as sociedades e a cultura, porque assim a sociedade fica mais vulnerável, sem armas

para lutar contra um regime pesado que se afirma como única solução e as pessoas que ao não terem um nível cultural suficientemente elevado e não serem capazes de comparar com o mundo à volta e com o passado acreditam, achando também elas que aquilo é o caminho certo. Basicamente a cultura é uma arma poderosa, se bem explorada, capaz de nos revolucionar a nós próprios e à sociedade e eu sei que a vida são dois dias mas também sei que nesses “dois” dias dá para nos sentarmos numa esplanada a ler, ir ao cinema, viajar, visitar museus, ir a espetáculos e concertos em vez de nos sentarmos no sofá a ver os programas mais degradantes que a TV tem para nos oferecer. JOSÉ MIGUEL NUNES

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Jules Bianchi (ou como a F1 não esqueceu Ayrton Senna)

Foi em Maio de 1994. Naquele fatídico fim-de-semana em Imola que o “Circo” da Fórmula 1 deu uma volta de 180°. Passaram 20 anos, passaram pilotos, engenheiros, equipas, adeptos e tantos outros pela F1, e mesmo assim, o estigma do que aconteceu nesse dia parece pairar a toda a hora por cima de tudo e de todos. Na edição do GP do Japão deste ano, esse trauma voltou a tomar conta dos amantes da modalidade. O medo que volte a haver outra fatalidade em plena corrida... Sejamos honestos: alguma vez a F1 foi um desporto 100 por cento seguro? Não! Claro que não! Alguma vez o irá ser?... A resposta parece ser (também) um óbvio “não”. Nos primórdios das corridas de Grande Prémio, os acidentes (maioritariamente graves) eram o dia-a-dia das corridas. Quase não havia evento em que não se registassem problemas desse género. Outra constante desses tempos eram 28 NOVEMBRO 2014


as mortes de pilotos em pista. Um número absurdo de pessoas que perderam a vida no que se viria a tornar o pináculo do desporto automóvel. E esse é o ponto talvez mais sensível de tudo isto. Se por um lado podemos (e devemos) fazer tudo para minimizar as lesões que os pilotos possam contrair nos inevitáveis acidentes, se devemos fazer esforços no sentido em que a segurança seja um parâmetro tão importante como qualquer outro, por outro lado, a F1 é exactamente isto... Risco! Está na sua génese, está no seu crescimento e está certamente na mente de todos. O risco é o que dá o “click” entre ser um desporto e ser “O” desporto. Não precisamos de ir muito longe para encontrar eco desta ideia pelas palavras da maior personificação de talento e risco que a F1 já teve: Senna. “Todos somos feitos de emoções e todos estamos à procura delas, é só uma questão de encontrar uma forma para as sentir. Há muitas formas diferentes de o fazer. Talvez uma sensação diferente que só a F1 possa proporcionar é de que estamos sempre expostos ao perigo. Perigo de nos magoarmos. Perigo de morrermos.” – Ayrton Senna Foi preciso morrer o maior ícone do desporto para que a F1 “acordasse” para a necessidade de prestar (verdadeira) atenção para a segurança. Segurança essa que tem visto uma evolução sem precedentes, e que, mesmo assim, se revela insuficiente.

Posto isto é preciso ver a outra perspectiva. Se por um lado os riscos existem, não é menos verdade que ninguém lá está obrigado, antes pelo contrário, é cada vez mais difícil conseguir um lugar na Fórmula 1 e incrivelmente mais difícil ainda mantê-lo por muitos anos! Há fenómenos que vão para além da compreensão do “comum mortal” e esta é uma delas. O apelo da F1 é simplesmente demasiado grande para dizer que não. Perguntem ao Niki Lauda. Um homem que sai de um inferno de 600°C para voltar a correr à primeira oportunidade, tem com certeza um motivo muito forte para o fazer. O verdadeiro problema da F1 é equilibrar a segurança e a essência do desporto. O “tal” risco que está sempre presente e que veio ao de cima no último GP do Japão. Jules Bianchi, uma das maiores promessas do desporto automóvel em França e no Mundo embatia de forma violentíssima contra um carro de apoio que estava nesse momento a retirar outro F1 de pista. O choque foi uma brutalidade Piston NEEMAAC


como ficou provado pela estado em que ficou o capacete e pelas maleitas que o jovem piloto levou para o hospital. O adeptos não queriam acreditar, uma vez mais, no que estavam a assitir. Pelo acidente percebeu-se que Bianchi não iria sair bem tratado do seu monolugar e passado algumas horas e algumas operações já no hospital o diagnóstico não foi famoso. Até à data Bianchi continua em coma, num estado crítico mas estável. Acreditando que Jules Bianchi pode recuperar e vir a acordar um dia... que vida terá? E se não acordar... como vai ser para a família que sempre apoiou a sua carreira? Será que vale mesmo a pena tudo isto? Nestas situações a resposta não parece tão óbvia assim... Em pleno ano de 2014, não é possível fazer um GP sem que haja o risco de um promissor piloto de 25 anos, com toda uma carreira e, (ainda mais importante que isso) toda uma vida pela frente ficar agarrado a uma cama de hospital, longe de casa e longe de si mesmo. A Jules Bianchi podemos agora apenas acreditar na sua recuperação e dar-lhe forças para que o possamos voltar a ver um dia, quem sabe, num paddock de F1. É nestas alturas, quando sabemos tudo o que a F1 nos proporciona de bom mas também de terrível que o mês de Maio de 1994 não parece assim tão distante FRANCISCO VIEIRA E BRITO

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dinastia fernandina em era de duques Em 1383 Portugal vivia em agonia. De facto, esse é mesmo o sentimento generalizado que é reportado para o nosso quotidiano de modo a exemplificar esse período da história do velho continente. Fostigada pela peste negra, a Europa procurava resistir mas seria mesmo no anciente feudo lusitano que se travaria a verdadeira resistência num período marcado pelas imponentes guerras fernandinas que opunham o reino lusitano ao reino de Castela. Fernando de seu nome, era então rei de Portugal e foi a sua morte que despoletou uma infindade de vissitudes na coroa da Ocidental praia lusitana. Vitima da peste, Fernando não deixou herdeiros masculinos que pudessem tomar o seu trono pelo que um subito conflito de interesses foi gerado até que a Batalha de Aljubarrota, dois anos depois, recolocaria no papel uma espécie de Paz ‘podre’ entre Portugal e Castela Ora, o que tem a crise de 1383-1385 a ver com este número do Círculo Central? À vista desarmada em pouco, ou mesmo nada, se pode ou deve comparar a situação vivida nesse tempo com o que sucede hoje em dia no nosso quotidiano. Mais ainda, parece numa primeira instância audacioso comparar um período histórico com a actual situação do futebol português mas a verdade, nua e crua, é que ao nível das seleções se pode aplicar a expressão “Rei morto rei posto!” pois após inúmeras declarações de fidelidade e ‘amor eterno’, Fernando Gomes deixou cair Paulo Bento. Apenas alguns meses depois do fracasso operado por terras de Vera Cruz no Mundial do Brasil, o conjunto nacional sucumbiu em sua casa perante a congénere Albânia. Na formação dos Balcãs, Portugal tinha um adversário para limpar 32 NOVEMBRO 2014

a má imagem deixada no Brasil mas, no final de contas, o jogo inconsequente da turma lusitana manteve-se intacto num deserto de ideias que acabou por culminar num golo consentido que resultou apenas e só num momento histórico para a turma albanesa que conta pelos dedos das mãos o número de vitórias alcançadas fora de portas em partidas oficiais. Mau, muito mau para um público e para uma selecção habituada a voos mais altos. Portugal perdeu em casa contra a Albânia e, no final da primeira jornada viu-se desde logo com a calculadora na mão a fazer contas apesar de o caminho ainda estar aberto e pronto para ser trilhado rumo ao Europeu de França.

FERNANDO, A SOLUÇÃO PARA A CRISE?

Dos lenços brancos às reações foi só uma questão de dias até a FPF confirmar o adeus a Paulo Bento. Quatro anos depois, Bento reviveu o momento da sua entrada na hora da despedida do comando técnico da seleção das quinas pois foi já com a qualificação para o EURO 2012 em andamento que Carlos Queiroz seria afastado para dar lugar a Paulo Bento.


Assim, depois de semanas de especulação um novo Fernando seria associado a uma determinada peste no pequeno rectângulo inserido na Península Ibérica. Desta vez o nome Fernando surge como um antídoto para a peste, um antídoto para revitalizar o futebol português e, verdade seja dita, o Engenheiro do Penta como foi aclamado em tempos, aquando da sua passagem pelo antigo Estádio das Antas, já começa a operar várias mudanças na génese da seleção principal. Pela mão de Fernando Santos regressam à nata das seleções nacionais jogadores como Ricardo Carvalho, Tiago, Danny e Ricardo Quaresma ao passo que caem habituais nomes tais como Miguel Veloso, Raúl Meireles e João Pereira que eram figuras centrais na lista de Paulo Bento.

que ficou gelado com um cruzamento de régua e esquadro do regressado Quaresma para a cabeça do capitão Ronaldo. O primeiro ensaio da fórmula de Fernando Santos parece ter sido positivo mas ao novo timoneiro nacional resta ainda viver na penumbra de um suposto castigo de 8 jogos que lhe foi aplicado e que em muito pesou na demora no que diz respeito ao anuncio do nome do técnico de 60 anos. Numa primeira instância, o recurso apresentado foi validado pelo Tribunal Arbitral do Desporto (TAS) pelo que Fernando Santos pode para já orientar a turma lusitana a partir do banco de suplentes, situação que os dirigentes federativos estão cientes que pode alterar num piscar de olhos, sabendo-se de antemão que caso Fernando Santos tenha de passar a vêr os jogos da bancada, terá em Ilídio Vale o seu braço direito ao nível do relvado. Os ventos da mudança pelo burgo luso sopram com força e de forma destemida sendo que a boa nova surge pelo punho das seleções jovens num momento em que é apregoada a falta de aposta na formação.

TIAGO, QUARESMA, DANNY E RICARDO CARVALHO ESTÃO DE REGRESSO À SELEÇÃO NACIONAL

Com uma convocatória romedalada e audaz pautada por um misto de juventude e experiência, um novo modelo táctico a ser trabalhado e uma ambição renovada, Portugal regressou às vitórias de forma suada e um tanto ou quanto atarantada assim como inesperada no último minuto da compensação num Parken Stadium em ebulição

UMA NOVA GERAÇÃO PROCURA EMERGIR

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Folha limpa fruto de um registo imaculado é assim transcrito o percurso invicto da seleção sub21 rumo ao Europeu do escalão. O EURO 2015 de sub21 vai assim marcar o regresso da seleção que serve de antecamara para a elite dos conjuntos nacionais. Na República Checa, os jovens portugueses vão ser apontados como uma das seleções favoritas à conquista final do torneio partindo na linha da frente a par de crónicos candidatos como a Alemanha, a Inglaterra e a Itália num campeonato europeu orfão da bicampeã europeia em título, Espanha, e da campeã do mundo de sub20, França. Assim, os comandados de Rui Jorge vão ter de ser cautelosos na abordagem de um torneio no qual Portugal não comparece desde 2007. Contudo, nem tudo são rosas e, um mês depois da última publicação do ‘Círculo Central’, o clima de incerteza que paira sobre a Liga de Clubes mantém-se escandalosamente intocável sendo que, com a elevação de Luís Duque a candidato eleito para representar o desígnio da principal instituição de clubes nacional, o futuro para já padece de um sentimento agridoce pois

Duque encara em si um misto de experiência e de displicência alarmante como ficou provado recentemente pelo clube que representou durante anos, o Sporting Clube de Portugal. Ainda assim, para já os ânimos parecem sanados e o fantasma de Mário Figueiredo dissecado restando para isso que a caravana passe restando esperar pelas cenas dos próximos episódios.

LUÍS DUQUE, O SENHOR QUE SE SEGUE

Círculo de prospecção: 10 joVENS DE OURO DO FUTEBOL PORTUGUÊS Em Portugal ponteficaram as gerações de ouro e platina mas, o que se assiste neste tempo de mudança é, até certo ponto, um ressurgimento da formação de base nacional com a emancipação do jovem futebolista português a atingir níveis sem precedentes na última década. Assim, e para assinalar o apuramento da seleção nacional de sub-21 para o Campeonato da Europa, o Círculo Central evidencia nesta edição 10 jovens de ouro do futebol português que ainda não tiveram minutos no expoente máximo dos conjuntos nacionais, a seleção AA’.

10. IURI MEDEIROS (SPORTING CP B | 20 ANOS) Aos 20 anos, Iuri Medeiros está longe ainda de ser figura de proa do futebol nacional mas a verdade é que, apesar da sua tenra idade, Medeiros é já visto como o próximo jovem proveniente da formação leonina capaz de seguir a peugada de Figo, Cristiano Ronaldo e Nani. Para já, o açoriano tem 34 NOVEMBRO 2014


CÍRCULO CENTRAL ainda alguns obstáculos para ultrapassar mas, com 10 golos na sua época de estreia enquanto sénior na equipa B do emblema de Alvalade o futuro do jovem Iuri Medeiros só pode ser promissor.

9. André silva (FC Porto B | 19 anos) Oriundo do Salgueiros, André Silva cedo chamou à atenção dos responsáveis da formação azul e branca. Com 1,85m e uma notável compleição física, André Silva é um dos nomes mais badalados da formação de base lusitana após ter estado em destaque no Europeu sub-19 deste ano onde com 5 golos apontados desde logo se tornou numa figura de destaque, o que motivou a uma análise mais cuidada por parte de olheiros dos mais variados emblemas do futebol internacional. Contudo, André Silva não é só um finalizador pois apesar da sua frieza na hora de fazer balançar as redes, o jovem de 19 anos mostra pormenores técnicos riquíssimos sendo que é capaz de actuar em qualquer posição na frente de ataque. Desequilibrador e destemido, será André Silva a solução para a crise de homem de referência no ataque da selecção nacional?

8. Carlos mané (Sporting CP | 20 anos) Carlos Manuel Cardoso Mané, ou simplesmente Mané, é um jogador que se notabiliza pelo seu toque fácil adornado pela qualidade de superar os adversários pelo seu recorde técnico e extrema capacidade em mudar de velocidade. Há um ano, Mané surgia como aposta de Leonardo Jardim num Sporting renovado, hoje o extremo português tem tudo para singrar na formação leonina e o seu cartão-de-visita mais recente provém de uma soberba exibição pela selecção nacional sub-21 no duplo confronto frente à Holanda. Deste modo, cabe a Marco Silva dar mais minutos ao jovem extremo na esperança de não parar o crescimento de Carlos Mané.

7. Raphaël Guerreiro (Lorient | 20 anos) Encontrar um lateral-esquerdo capaz de satisfazer as necessidades da selecção principal tem sido, ao longo dos anos, um problema difícil de superar pois torna-se por demais notório que, quando falha Fábio Coentrão desde logo se abre uma lacuna no principal conjunto nacional. Ora, neste particular o futuro pode apenas ser risonho uma vez que Raphaël Guerreiro é certamente um valor seguro no futebol nacional. Titular desde os 18 anos na Ligue 1 ao serviço do Lorient, o luso-francês começou a sua carreira em terrenos mais adiantados até que se estabeleceu no lado esquerdo da defesa um pouco à semelhança do sucedido com Fábio Coentrão. Lateral perspicaz que oferece verticalidade à equipa e que não compromete a defender. Valor seguro para o futuro!

6. paulo oliveira (Sporting CP | 22 anos) Natural de Vila Nova de Famalicão, Paulo Oliveira viu o seu valor reconhecido neste defeso com o ingresso na turma de Alvalade depois de se ter notabilizado na cidade Berço ao serviço do Vitória Piston NEEMAAC


local. Em Guimarães, Paulo Oliveira foi comparado a Ricardo Carvalho pela sua forma de actuar no eixo central da defensiva vimaranense e tem agora a oportunidade de se afirmar ao mais alto nível. A sua rapidez na resposta assim como o seu imponente jogo aéreo fazem do defesa leonino uma aposta com enorme margem de progressão.

5. RúBen Neves (FC Porto | 17 anos) Aos 17 anos Rúben Neves partiu para esta temporada como um ilustre desconhecido. A cumprir a sua primeira época na condição de sénior, Julen Lopetegui confiou no jovem para integrar os trabalhos de pré-época enquanto alguns ‘mundialistas’ ainda gozavam do seu período de descanso. Esperava-se assim que a campanha de Rubén Neves seguisse o seu rumo mais natural e que, assim que fosse possível, acabasse relegado para a equipa B para continuar a evoluir às ordens de Luís Castro. Ora, Lopetegui cedo viu nele a simplicidade necessária para baralhar as contas por um lugar no terreno de jogo em que o FC Porto se via órfão desde a saída de Fernando para o Manchester City e, se nas suas primeiras aparições o jovem dragão deu boa conta de si, logo logo Rubén Neves surgiu como a possibilidade mais forte para suprir a vaga deixada em aberto pelo ‘Polvo’. O camisola 36 azul e branco quebra desde já um recorde que pertencia a Cristiano Ronaldo como o mais jovem português a marcar na Liga dos Campeões sendo que, dias antes, o médio do FC Porto apontou o seu primeiro golo enquanto sénior, um golo muito celebrado e efémero que fez as manchetes em Portugal visto que o jovem se tornava no jogador mais novo a marcar pelo FC Porto num jogo da liga portuguesa e logo na estreia absoluta, com 17 anos e 155 dias, sucedendo ao ‘Bi-bota’, a lenda dos ‘dragões’ Fernando Gomes. A sua facilidade de execução e a forma como, apesar de ser apenas um miúdo de 17 anos, consegue circular o jogo com simplicidade não comprometendo defensivamente, fazem de Rubén Neves um valor aliciante para o futuro do futebol nacional e cujo futuro é aguardado com muita expectativa.

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CÍRCULO CENTRAL 4. Bruno Fernandes (Udinese | 20 anos) Formado no Boavista, Bruno Fernandes teve de emigrar para o Calcio de modo a se notabilizar no futebol mundial sendo nos dias que correm um jogador com um paradigma no mínimo interessante no futebol nacional pois, apesar de ser titular num dos principais emblemas do futebol transalpino, Bruno Fernandes carece ainda de oportunidades nas selecções jovens portuguesas onde apenas por raras ocasiões foi aposta correndo o rumor da possibilidade da selecção italiana ‘roubar’ o jovem à selecção nacional. Para já o que conta é a capacidade de Bruno Fernandes jogador no centro do terreno sendo exímio no transporte de bola ficando o repto para que os responsáveis máximos do futebol nacional seja a nível de clubes seja a nível de selecções coloquem os olhos num jogador que tem tudo para se evidenciar.

3. BERNARDO SILVA (AS Mónaco | 20 anos) Pequeno mas grande jogador, assim se pode definir Bernardo Silva que cumpre aos 20 anos a sua primeira experiência além-fronteiras e logo no exigente Mónaco. Bernardo transpõe para o relvado uma enorme alegria a jogar futebol como uma técnica semelhante à de um jogador de rua, vagabundo nas suas acções e exímio no momento de executar o último passe faltando palavras para descrever o potencial de Bernardo Silva. Na Luz espera-se que o jovem português regresse mais forte e pronto para agarrar o lugar no meio campo dos ‘encarnados’ que tanto tem carecido de unidades capazes de segurar o jogo com a qualidade de Bernardo. De momento, o futuro do médio passa pelo principado e o seu valor vai certamente estar à prova em Junho quando liderar a investida lusitana por terras checas no Europeu de sub-21.

2. Marcos ‘Rony’ lopes (Lille | 18 anos) Aos 18 anos Marcos Lopes, conhecido como ‘Rony’ Lopes no mundo do futebol tamanha é a sua admiração por Ronaldo Nazário - ‘O Fenómeno’ – é, apesar da sua tenra idade uma das mais badaladas promessas do futebol nacional. Com raízes brasileiras, Marcos Lopes vem sendo alvo de uma disputa em surdina nos bastidores sobre qual a escolha que o jovem, pertencente aos quadros do Manchester City, vai tomar aquando da oportunidade de representar uma selecção no mais elevado escalão. Portugal ou Brasil? Eis a questão que apenas Marcos Lopes pode responder mesmo que no imediato o futuro do jogador, que cumpre esta época a sua primeira grande temporada como parte activa de uma equipa sénior, pareça optar pela selecção das quinas. Capaz de actuar em qualquer posição do meio-campo, incluindo nos extremos do terreno, Marcos Lopes rende mais nas costas do avançado, um dez puro que alia ao seu virtuosismo uma maturidade inegável para segurar o jogo e tomar decisões sob pressão. Se o futuro próximo ditar a sua evolução progressiva, Marcos Lopes pode ser surpresa no lote de seleccionáveis já a contar para o Campeonato da Europa de 2016. Piston NEEMAAC


1. BRUMA (Galatasaray | 20 anos) O nome Armindo Tué Na Bangna pode dizer pouco ou muito pouco ao mais fiel leitor mas a verdade nua e crua é se trocarmos um nome que pouco diz pelo nome Bruma tudo fica mais claro. Das brumas da memória de um fantástico ano de 2013, desde cedo caiu a penumbra da noite na carreira de Bruma. Casos atrás de casos, quiçá um mau aconselhamento de quem lhe é mais próximo mas a verdade é que desde que deixou Alvalade, após uma guerra judicial, em Agosto de 2013, nunca mais voltou a ser o mesmo. Sucessivas mudança de treinador no clube que representa fizeram com que nunca agarrasse o lugar como indiscutível nunca pegando de estaca no onze da formação turca do Galatasaray. Assim, a passagem do jogador de 20 anos pelo clube da capital otomana deve ter os dias contados e verdade seja dita não faltam clubes associados a um jogador que já por diversas vezes mostrou que tem o dom. Contudo, Bruma vive fase decisiva na sua carreira e a necessidade imensa de ter minutos para evoluir surge com o caso de Fábio Paim de sobreaviso alarmante para Bruma. Ao contrário de outros nomes apresentados nesta lista, Bruma já goza de algumas convocatórias para representar a selecção principal mas em nenhuma das ocasiões foi chamado ao ‘palco’ para demonstrar o seu talento pelo que permanece ainda sem qualquer internacionalização. Janeiro pode ser um mês decisivo na vida e na carreira de Bruma. Talento de sobra tem, resta saber se aguenta a pressão que incide sobre um jovem que se encontra pelo segundo ano consecutivo nomeado para o prémio Golden Boy, o equivalente à Bola de Ouro para jogadores essencialmente da categoria sub-21.

Primeira liga portuguesa: 3 meses volvidos, quem está a dar cartas? De Agosto a Novembro já muita água correu por baixo da ponte do principal campeonato de clubes em Portugal. Uma época competitiva em todas as frentes onde se denotam algumas surpresas. Assim, o ‘Círculo’ enaltece neste ponto os jogadores que têm estado mais em forma desde o apito inicial da liga. Desde logo do onze seguidamente apresentado, é de notar a presença de apenas seis elementos dos tão aclamados ‘grandes’ do futebol português. Esta opção transparece o equilíbrio que se tem vivido nesta primeira fase da época. Se o onze elaborado é discutível? Com toda a certeza que o é

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CÍRCULO CENTRAL e, num ou outro momento, as escolhas poderiam ser completamente diferentes pois afinal de contas o futebol, tal como qualquer outro desporto, apresenta uma acutilante imprevisibilidade associada dado que jornada a jornada os protagonistas mudam voluptuosamente.

Rui Vitória: Mestre da Táctica ou Táctica de mestre? Rui Vitória é, nos dias que correm, um dos nomes que faz correr muita tinta tendo já merecido honras de destaque no prestigiado periódico transalpino ‘Gazzetta dello Sport’ onde foi apelidado como ‘Mágico da nova geração’. Com 20 pontos somados no primeiro terço do campeonato, adornado pela histórica vitória contra o Sporting por 3-0 no Estádio Dom Afonso Henriques, torna-se de igual modo indiscutível a nomeação de Rui Vitória como treinador da temporada até este ponto. Desde que se mudou da Capital do Móvel para a cidade Berço, em 2011, o binómio Vitória (Rui Vitória e Vitória SC) tem sabido fazer uma gestão imaculada dos seus activos, estabelecendo como prioridade a forte aposta na formação de onde outrora brotou Paulo Oliveira e de onde agora parecem surgir nomes como Hernâni, Cafu e Bernard. A verdade é que a formação sempre foi uma aposta do técnico natural de Vila Franca de Xira pois antes mesmo de se ter destacado enquanto timoneiro do CD Fátima, Rui Vitória havia sido parte integrante da estrutura de formação do Benfica antes de decidir que era tempo de enveredar pelo futebol profissional. A Rui Vitória resta agora provar o seu valor num clube de maior expressão no futebol europeu, seja ele nacional ou internacional de modo a confirmar de vez o nome de Rui Vitória como um nome seguro no périplo de treinadores portugueses pois já não seria a primeira vez que estaríamos perante um treinador capaz de desenvolver um bom trabalho em emblemas de objectivos mais modestos e um caso pródigo nesse aspecto é o de Paulo Fonseca que no regresso a Paços de Ferreira volta a confirmar todo o potencial que lhe permitiu chegar ao FC Porto onde falhou em larga escala. Assim, só o futuro o dirá mas, para já Rui Vitória e o seu Vitória vão de vento em popa rumo aos lugares europeus mas até quando durará este conto de fadas?

Planeta académica 127 anos de associação académica de Coimbra A Associação Académica de Coimbra está de parabéns! Foi a 3 de Novembro de 1887 que da estimulante irreverência dos jovens da academia nasceu uma das mais prestigiadas e emblemáticas instituições do nosso país. Hoje, diferente de um passado distante, a AAC como é em vão invocada, procura manter vivos os padrões que motivaram a sua transversal existência servindo de resposta a todos os que nela procuram um lar. Mais do que um edifício plantado ao largo da Padre António Vieira, a Associação Académica de Coimbra sempre viveu e sobreviveu a crises sejam elas de valores ou de índole monetária mas a verdade, nua e crua, é que da vontade por vezes exacerbada e desmesurada do estudante, no Piston NEEMAAC


127 anos de estórias ímpares

hiato entre a sua adolescência e idade adulta, resultaram ao longo destes 127 algumas das maiores manifestações dos direitos do estudante sendo a Académica um pólo agregador, uma voz dentro e fora de portas com reconhecidos méritos em todas as vertentes que encerra sejam elas do domínio social, cultural ou desportivo, numa palavra, num gesto, o losango negro esteve sempre presente. Ora, o que tem esta a missiva a ver com o portfólio habitualmente apresentado no ‘Planeta Académica’? À vista desarmada são meras palavras mas neste caso não são palavras que vão tilintando ao sabor do vento mas sim palavras que encerram um domínio no qual o Organismo Autónomo de Futebol até 1984 se viu inserido. Durante largos anos a equipa profissional de futebol da Académica foi servida por estudantes desta nobre instituição centenária e por tudo isto é tão audaz quanto verídico afirmar que não existiria Académica sem Associação Académica e como toda a associação é preciso participar nela e a verdade é que nos tempos que correm verifica-se um afastamento bacoco entre a cidade e o clube que a representa no principal escalão do futebol profissional. Ter-se-ão os conimbricenses desligado da sua Académica? Estarão os estudantes pouco fomentados e embebidos nesta causa outrora de outros? Numa análise a frio a resposta politicamente correcta assenta essencialmente no paradigma do tempo pois é um sinal do tempo, sinal da carteira dos novos tempos, sinal da falta de mística e amor próprio deste apregoado novo tempo mas sobretudo, sinal de que quem lidera os desígnios do futebol da Académica faz os possíveis e os impossíveis para que o mais brioso dos briosos não se reveja num projecto pautado pela falta de ambição de outros tempos, um projecto que contempla o preenchimento de 10 a 15% do total da capacidade do Estádio Cidade de Coimbra quando a negra joga no seu reduto. Toda esta descrença faz com que após um terço do campeonato, à semelhança de outras campanhas recentes, a Académica ainda esteja sem vencer dentro de portas, dentro daquela que era suposto ser a sua fortaleza. Assim, desta falta de amor próprio resulta a mais recente queda numa falésia envolta pincelada com humor ou não tivesse sido um pesadelo a precoce eliminação da Taça de Portugal ante o modesto Santa Maria. A senhora da Taça como outrora foi apelidada por ter sido o primeiro emblema a vencer a célebre competição, caiu e não só caiu como bateu estrondosamente no fundo pois viu o sonho do Jamor esfumar-se logo à primeira oportunidade. Pouco, muito pouco para quem tinha pretensões de chegar mais longe. Pouco, muito pouco para uma equipa que somou 8 pontos no primeiro terço do campeonato. Pouco, muito pouco para quem apregoa ventos de mudança e para quem promete uma Académica invencível em todas as frentes.

A ACADÉMICA CAIU NA FALÉSIA CONTRA O SANTA MARIA, APROXIMA-SE UMA FASE DECISIVA

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VÁLTER FERREIRA


Película

Possession (1981) Andrzej Zulawski Duração: 124 min Pais: França / Alemanha Ocidental Com: Sam Neil, Isabelle Adjani, Margit Carstensen, Heinz Bennent Mark (Sam Neil), um burocrata, que após a conclusão de um trabalho apresenta a sua demissão, alegando que precisa de tempo para a família pois atravessa uma profunda crise matrimonial e uma ligação muito remota com o seu filho. O problema é que a sua mulher Anna (Isabelle Adjani) lhe foi infiel, coisa que Mark não consegue digerir bem. As suspeitas já pairavam sobre a cabeça de Mark, contudo o pior verificou-se. O filme foca-se na degradação da saúde mental do protagonista, na busca desesperante de confrontar o amante da sua mulher, da tentativa de recuperar o tempo perdido com o seu filho. Além disso também vemos o lado de Anna, da sua suposta bipolaridade e ninfomania, dos encontros sórdidos com os seus amantes. O filme contanos que muitas vezes os venenos que as nossas almas segregam podem causar enormes transtornos, tanto em nós como nos outros.

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Disco Álbum: Canções de Apartamento Interprete: Cícero Ano: 2011 Edição Independente

Cícero Lins Rosa, nascido no Rio de Janeiro, reúne o seu disco de estreia, canções que compôs em várias alturas da sua vida. Músico autodidata, tal como o nome do álbum indica, todas gravadas no seu apartamento. Cícero além de compor, produz, grava e toca todos os instrumentos presentes nas músicas. Canções de Apartamento é uma lufada de ar fresco na Musica Popular Brasileira que se julgava há muito estagnada, incorporando elementos das mais variadas expressões musicais meticulosamente conjugadas. Este álbum está embebido numa atmosfera etérea e onírica. Os seus dois álbuns estão disponíveis para download gratuito.

Livro O Amor nos Tempos de Cólera Gabriel Garcia Marquez 1985 O Escritor colombiano Gabriel Garcia Marquez, pertencente a uma corrente literária latino-americana chamada “Realismo Mágico” que é caracterizado com várias características entre elas a incorporação de elementos fantásticos numa narrativa dita real, um enfoque na vertente sensorial, o tempo é difuso não sabemos bem se é passado ou presente. Enfim um quotidiano temperado com acontecimentos sobrenaturais. O Amor nos Tempos de Cólera é longíssima história de Amor entre Florentino e Firmina. Florentino, um telegrafista, conhece o amor da sua vida entregando cartas ao pai de Firmina (Lorenzo). Embrenhado numa enorme paixão, escreve poemas que secretamente lhe entrega. Florentino não cai nas boas graças de Lorenzo o que leva a tomar medidas drásticas, sai da cidade com a sua filha. Mesmo assim, continua a saga de correspondências. Após um exilio forçado de cerca de dois anos, Firmina volta a sua cidade natal, o telegrafista, encantado com o seu regresso, tece planos para o futuro só que o seu amor não é correspondido. Firmina casa-se com um homem bastante cobiçado, muito mais por interesse que por amor. A Escrita de Garcia Marquez é caracterizada por um enorme sentido de humor, assim como um profundo sentido de romantismo. ANDRÉ PORTUGAL 42

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Shadow of Mordor está dividido em duas grandes áreas, o primeiro e onde o jogador começa a sua aventura pela Terra Média é The Black Gate of Mordor, onde nos é apresentado Talion, a personagem principal, um Ranger de Gondor. Mais à frente com o decorrer do jogo, o jogador será convidado a passar para Núrn. Enquanto exploramos The Black Gate há sempre uma atmosfera pesada à volta daquilo que fazemos, devido ao ambiente que nos rodeia, sinistro, escuro e selvagem. Quando partimos para Núrn o ambiente torna-se mais alegre, mais feliz e mais verde. Todo o ambiente e todo o mapa de jogo está cheio de uruks, uma classe dos nossos bem conhecidos orcs. No mundo de Shadow of Mordor eles fazem parte do exército de Sauron. Este

é controlado pelos Black Númenóreans, uma raça de Númenóreans, um grupo de homens que habitou a Terra Média e se tornou na raça mortal mais avançada. Estes opunham-se aos Valar e aos Elfos. Mas o seu poder foi corrumpido pela influência de Morgoth e Sauron e agora servem o Dark Lord. Os Black Númenóreans são 3, The Tower of Sauron, The Hammer of Sauron e o seu líder The Black Hand of Sauron. No exército de Sauron, liderado por estas criaturas, podemos encontrar soldados, generais, e os warchefs. Ao longo do jogo, iremos ter missões e missões paralelas em que temos de matar warchefs ou um determinado general, os quais podem não ser fáceis de encontrar pois o mapa é bastante extenso, então podemos procurar por Piston NEEMAAC


worms, que são basicamente intel espalhada pelo mapa que nós dá a localização do elemento do exército de Sauron que queremos matar e ainda as suas fraquezas e forças. Isto é bastante útil pois, ao explorar as fraquezas de um warchef podemos matá-lo de uma maneira muito mais fácil e rápida. Além disso, é através da morte de generais e warchefs que ganhamos powers e pontos que nos permitem prosseguir no jogo, e melhorar as nossas skils. As nossas armas também podem sofrer melhorias através de runas. As runas são adquiridas matando generais e warchefs. Mas nem todas as runas são iguais ou tem a mesma igualdade de poder. Matar um general dá-nos uma runa equivalente ao poder desse general, enquanto que matar um warchef dá-nos uma runa rara, as runas mais poderosas e as que, com certeza, voces vão querer ter na vossa espada, arco ou punhal. Talion é, ao longo de todo o jogo, acompanhado por Celebrimbor, um elfo que esqueceu a sua identidade e com a ajuda de Talion tenta recuperá-la. Celebrimbor tem o poder especial, a certo ponto da aventura, de poder controlar uruks e outras criaturas como os Caragors. Este facto é muito importante pois, em vez de matar os generais e os warchefs podemos controlá-los e obrigalos, sempre que assim nos apetecer, a lutar por nós. O jogo é rico em batalhas, basta virar uma esquina e lá está um uruk, prontinho para ser trespassado pelo gume da espada se assim o quisermos, o que leva a que seja praticamente inevitável que de vez em quando Talion seja derrotado. Se este sucumbir às mãos de um general, este general ganha poder, se for pelas mãos de um uruk comum este é promovido e tornase general. Sempre que Talion é derrotado isto acontece, e se ouver mais lugares liv res no exército de Sauron mais soldados são promovidos para ocupar esses lugares como generais. Todos os uruks que conseguem derrotar Talion tornam-se no seu Nemesis, e u m a vingança poderá ser servida, num prato bem frio. 44

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Como os 2 mapas são muito grandes, os criadores do jogo tornaram as viagem entre o ponto A e o ponto B muito mais rápidas usando fast travel. À medida que vamos explorando o mapa, vamos encontrando Towers of Light que apenas Celebrimbor pode aceder e essas torres funcionam como pontos entre os quais podemos viajar sem ter de percorrer todo o mapa a pé, ou em cima de um Caragor. Graficamente o jogo é muito bom, cheio de detalhe e de realismo. Mas a primeira coisa que salta à vista é um estilo de jogo muito parecido com a série Assassin’s Creed pois podemos trepar tudo e mais alguma coisa, podemos ficar pendurados em beirais, fazer stealth kills, saltando de uma parede para aterrar em cima do nosso inimigo. Já o modo de combate, e quase tudo o resto no jogo, é muito parecido com Batman: Arkham. A história principal, para todos os fãs de Senhor dos Anéis é simplesmente maravilhosa, esplêndida. Apenas queremos fazer mais uma missão para descobrir o que acontece a seguir. Podemos contar também com a companhia de uma personagem bem familiar. Gollum aparece diversas vezes e guia, a certo ponto, a história principal. E este é o ponto alto do jogo, é a história principal e como ela nos deixa ainda mais colados ao mundo criado por J.R.R. Tolkien. Tudo o resto no jogo vem por arrasto e apenas com o intuito de aumentar a longevidade do jogo porque a história principal termina-se em pouco mais de 6h. Existem as missões de caça em que temos de matar determinados animais, missões de sobrevivência em que temos de apanhar certas plantas, missões em que temos de apanhar artefactos pertencentes aos humanos e artefactos pertencentes ao


WHAT’S HOT? elfos, e temos ainda missões relacionadas com cada uma das armas, espada, punhal e arco. Com isto tudo, o jogo pode concluir-se com pouco mais de 24 horas de jogo. Entretanto a Monolith e a Warner Brothers têm lançado DLC gratuitos com novas runas, novas missões paralelas, entre outros. O jogo peca fundamentalmente por não ter uma vertente online. Isto apenas porque, depois de acabarmos o jogo em mais ou menos um dia, um pensamente surge “E agora??”, pois não há mais para fazer a não ser vaguear pelas terrar de Núrn ou Mordor. Ao fim das contas feitas, quem tiver uma carteira abastada é um jogo que definitivamente vão querer comprar e irá proporcionar muitas horas de diversão, mas ao fim disso ficará apenas “encostado” por lá na vossa conta Steam. SÉRGIO ALMEIDA CLASSIFICAÇÃO: 80

Shadow of Mordor: Fallen Idol - Relato de uma Missão O meu nome é Talion, sou um descendente dos homens do Norte de Rhovanion, fui criado em Minas Tirith. Era um Ranger de Gondor, que guardava e mantinha a ordem em Black Gate. Tudo mudou quando Black Gate foi invadida e minha mulher, Ioreth, e meu filho Dirhael, são assassinados por três criaturas, The Hammer, The Tower e The Black Hand, todos eles súbditos de Sauron, que a ele têm obediência cega. Quando fecho os olhos, o último momento com eles assombra-me, eu e a minha mulher de joelhos, o meu filho deitado no chão, The Black Hand desembainha a espada e com um só golpe, degola-o, proferindo palavras que na altura não entendi, numa língua estranha, mas que hoje conheço seu significado: “ Um sacrifício de sangue e osso, uma ponte para tu seguires, surgirás como uma sombra”; Sinto o meu coração nas mãos, lágrimas escorrem pela minha face, sinto-me fraco, sem capacidade de lutar, inútil. Vejo agora a minha mulher ser projectada para o chão, o mesmo acontece, tudo pelas mãos do Black Hand. Sinto que o meu fim também está próximo, agarrado pelo Tower e o Hammer, o Black Hand encosta o aço ainda quente com o sangue dos meus junto ao meu pescoço, sinto a minha carne a ser rasgada, e antes de entrar no mundo dos mortos ouço: “Volta para mim Lord Elfo”. Ao acordar de algo que parecia um pesadelo, aparecebo-me que não estou vivo, mas não me sinto morto, uma voz chama por mim: “Talion”; “Que se esta a passar?”- perguntei. Do meio da escuridão surge um espectro de luz, que toma forma de um elfo, as palavras que saem da boca dele, gelam-me o sangue: “ Estás banido da Morte, preso entre os Mundos de Luz e das Trevas, uma maldição une-nos num só dentro dos Muros de Arda”. Volto à realidade, quando o Espectro me relembra da nossa missão: quebrar a nossa maldição, matando quem a lançou, The Black Hand of Sauron. Pouco sei sobre o Espectro, assim como ele pouco sabe sobre ele, parece que a maldição que nos uniu, afectou-lhe a memória. Tinhamos acabado de salvar a mulher de Hirgon, quando ao entrar no acampamento os interrompo no meio de um plano para enfraquecer o exército de Sauron, de imediato me ofereço para ajudar. Hirgon pede-me então para segui-lo, e conta-me seu plano, destruir uma estátua que os Uruks criaram para venerar Sauron. Nosso objectivo? Destruir esse monumento das Trevas. O plano é simples roubar uma carruagem de grogue que servirá de gatilho para destruir a estátua. Estou a passar por um acampamento Uruk, onde se encontra a carruagem, conto Piston NEEMAAC


9 guardas, decido assassinálos pela calada, sem lhes dar hipóteses de perceber o que lhe aconteceu. Agarro no Azkâr, o arco do Espectro, que tem a capacidade de atrasar o tempo por breves segundos, dandome tempo de matar o primeiro deles com uma seta direita na cabeça. Antes do corpo dele cair ao chão utilizo um poder secundário do arco, Shadow Strike Kill, num arqueiro Uruk que se encontrava no outro lado do acampamento. Subo uma parede e aguardo, escondido, silencioso, quando outro guarda mais robusto, com escudo e uma lança, passa pelo caminho, atingindo ponto de não retorno salto-lhe em cima, mas três guardas viram, fui descuidado, deixei-me ir pela facilidade da missão. Com minha espada ataco e contra ataco, mato um a um num piscar de olhos. Restam-me os guardas que guardam a carruagem, meu pensamento vai logo para o ridículo, porque não passar pelo meio deles, e do cimo da carruagem matar um a um? Assim o faço, esgueio-me pelo meio deles e com três setas, mato os restantes guardas. A carruagem é nossa. A primeira parte do plano acabou. Abandonamos a carruagem e caminhamos até à estátua de Sauron, sinto algo a queimar-me as costas, eram Ghuls a lançar-me ácido, uns vinte, criaturas débeis e fracas para os mais inexperientes, que acabo por matar com um simples golpe do Espectro. Devo agora limpar caminho para a carruagem passar, encontro dois Caragors, são domados com relativa facilidade, agora seguem-me e devem-me obediência, tudo graças ao poder de Subjugar do Espectro. Limpo o terreno facilmente com ajuda dos Caragors, ouço os gritos dos Uruks a serem chacinados pelos meus dois novo reforços, música para os meus ouvidos. O meu objectivo agora é matar os guardas que se encontram na cidade onde foi construído o monumento. Dois deles morrem com o arco do Espectro. Demasiado fácil, pouco a temer, cinco deles encontram-se concentrados junto a uma fogueira, olho para o tecto, vejo carne, uma seta para lá e a carne cai no chão junto da fogueira, viro costas com a certeza que irá atrair Caragors e que eles trataram dos Uruks. Verifico que nas 5 torres da cidade se encontram arqueiros então, escalo os murros até o cimo de uma torre, atraio um dos arqueiros para o sitio onde estou pendurado. A morte 46

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WHAT’S HOT? está próxima, para ele e para os 3 outros arqueiros que mato com o poder do Espectro, Shadow Strike. Caem todos, um a um, sem quase se a p erceb erem do se passou. O local está limpo, a c a r r ua gem pode passar. Chegamos à última parte do plano, protejer a carruagem dos Uruks que protegem a Estátua. Com dificuldade os homens de Hirgon arrastam a carruagem, a terra depressa se transformou em lama com a quantidade de chuva que caía dos céus. Enquanto isso, encontro uma matilha de Caragors que subjugo e ordeno para atacar os guardas. Arqueiros incendeiam a carruagem agora é uma questão de tempo até rebentar, devo-me apressar e empurrar eu a carruagem até à estátua. Entre deslocá-la até o ponto certo e combater os Uruks demoro o meu tempo, mas consigo chegar a tempo. Uma explosão potente atinge o monumento. Um fogo de artifício espectacular, primeiro a cabeça de Sauron cai aos meus pés, seguindo se o resto da estátua. Assim como fui parte da ruína do Monumento de Sauron, serei parte da ruína de Sauron. O meu limbo entre o não vivo e o não morto continua. A minha jornada continua. A minha vingança continua. DAVID CABRAL

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Mulheres a Dominar no Campo da Engenharia Longe estão os tempos em que apenas os homens dominavam o campo da Engenharia. Cada vez mais mulheres estão interessadas nesta área e desenvolvem produtos que revolucionam o mundo. No entanto, o envolvimento das mulheres nesta área já vem muito de trás. Um dos responsáveis pela era industrial foi uma mulher. De seu nome Helen Augusta Blanchard e nascida em 1840, esta mulher foi possuidora de cerca de 30 patentes, 22 delas relativas a invenções relacionadas com máquinas de costura e ainda inventou a agulha cirúrgica. Também Edith Clarke foi um desses casos. A primeira mulher com mestrado em Engenharia Eléctrica do MIT (1918) e também a primeira a apresentar um artigo ao “American Institute of Electrical Engineers”, foi responsável por invenções como a calculadora gráfica (que permitia resolver equações envolvendo corrente eléctrica, voltagem, impedâncias e também equações hiperbólicas). Martha J. Coston, mais ou menos da mesma época que as outras duas mulheres, usou os planos do falecido marido (que nunca chegaram a passar de planos devido a problemas de saúde) para desenvolver e criar foguetes de sinalização e patenteouos, mais tarde sendo a patente comprada pela Marinha Americana. Olive Dennis foi a segunda mulher a licenciar-se na “Cornell University”, em Engenharia Civil, mas foi no desenho que começou a sua carreira (ainda era difícil para uma mulher ser engenheira), trabalhando para a o desenvolvimento dos caminhos-de-ferro de Baltimore e Ohio. Foi a primeira mulher a fazer parte da “American Railway Engineering Association”. Ficou mais conhecida por invenções como o ventilador Dennis (usado nos carros de passageiros e que estes podiam controlar), mas também foi uma parte importante na descoberta de ar condicionado, luzes controláveis, assentos reclináveis e estofos à prova de manchas. É isto que se espera de cada uma de nós, um dia: um lugar na história da Engenharia, para que cada vez menos este seja “o mundo dos homens” e passe a ser dos dois, e para que novas coisas possam ser inventadas que satisfaçam ambos os mundos. INÊS SILVA

Olive Dennis

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Edith Clarke


Miguel Pinto de 21 anos é estudante de LEGI e joga badminton na AAC há oito anos Quando e como foi o primeiro contacto com a modalidade? Jogo badminton à cerca de 12 anos, mas comecei pelo desporto escolar, principalmente por influência do meu pai que na altura era professor da modalidade no agrupamento de escolas da Sertã, pois apesar de ter nascido em Coimbra vivi toda a minha infância/juventude nesta vila. Como foi a entrada na secção? A entrada na AAC e posterior abandono da competição a nível de desporto escolar, deveu-se essencialmente a 2 factores: primeiro a disponibilidade do meu pai para me trazer a Coimbra e esperar que eu todas as sextas-feiras fizesse 2 treinos antes de regressar à Sertã e a minha vontade de começar a competir a um nível mais exigente e que me permitisse evoluir enquanto praticante da modalidade. Como foi a adaptação e o recrutamento por parte da secção? A adaptação em Coimbra foi muito fácil, e acho qualquer pessoa que queira entrar para o badminton aqui na AAC será capaz de sentir isso, as pessoas dentro da secção são uma família, desde atletas, treinadores e dirigentes. Esse foi sem dúvida um ponto essencial para me agarrar desta maneira ao jogo. Piston NEEMAAC


Qual a importância da modalidade no seio da AAC, maiores feitos a nível colectivo? Não é fácil descrever o badminton na AAC e a sua importância assim tão rapidamente, mas usando como exemplo o ano passado, conseguimos ser a secção do ano nos prémios Salgados Zenha e conquistar o campeonato nacional de equipas homens seniores, este último com um sabor especial porque somos das poucas equipas nacionais apenas com atletas da “casa” (malta que é formada no clube) a jogar! Para além disso tivemos uma participação bastante positiva também nos EUSA games em Agosto deste ano na Holanda. Eu e a Ana Moura conseguimos atingir o 5º lugar na variante de pares mistos e a Ana ainda arrecadou um fantástico terceiro lugar no singular senhora e trouxe a medalha para Coimbra... E isto foi apenas um breve resumo do que foi a última época mas não posso deixar de realçar que o que se conquistou, resulta não só do nosso trabalho enquanto atletas mas também de um esforço que já vem sendo feito à muitos anos, por pessoas muito competentes, e com o objectivo de levar a AAC e o badminton em particular mais longe. E prémios a nível pessoal? A nível pessoal, a conquista do título de campeão nacional de par homem quando ainda era sub-15, o titulo de vice-campeão nacional na variante de singulares homens e pares homens em sub19, o titulo de vice-campeões nacionais em par homens seniores à 2 épocas atrás e o tal quinto lugar nos EUSA games que referi à pouco são para mim as mais importantes conquistas até agora, embora o objectivo seja sempre mais e ninguém sai de casa para um torneio sem o objectivo de trazer o caneco para casa. Como são os apoios? Sendo claro que tudo isto é feito com um nível de apoio financeiro muito escasso, esta é a principal dificuldade da secção, arranjar apoios/patrocínios, porque como qualquer atleta sabe, o dinheiro tende a fluir muito mais facilmente para o futebol do que para as outras modalidades todas juntas. Ainda assim penso que se consegue fazer muito com pouco, e certamente se vai continuar a fazer! BERNARDO DA FRANCA

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aparvafusando

redacção: Tiago Nunes ilustração: António Almeida

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