3ª Edição | Dezembro 2019 4ª edição F3E Entrevista especial com Miguel Gonçalves, CEO da Spark Agency À conversa com Sérgio Cruz
Investigando com: Mahmoud Tavakoli e Cristina Leal Gabriel Falcão Carlos Henggeler Antunes Pitch BootCamp X
Editorial Caros leitores, É com enorme alegria e orgulho que vos exibimos a 3ª Edição do Zener, a revista do Núcleo de Estudantes de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores da Associação Académica de Coimbra. O Zener é uma revista do Núcleo de Estudantes de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores da Associação Académica de Coimbra.
Direção Editorial Guilherme Carvalho Paginação Guilherme Carvalho Grafismo Martin Estorninho Redação André Teixeira, Bruno Daniel, Daniel Matias, Guilherme Carvalho e João Filipe
Tiragem 200 exemplares Distribuição Gratuita Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra Departamento de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores, Polo II, Pinhal de Marrocos 3030-290 Coimbra
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Esta edição apresenta uma continuidade das atividades efetuadas pelo passado mandato deste Núcleo, tentando valorizar e honrar o trabalho feito pelas entidades sediadas no nosso departamento. Apresentamos uma entrevista externa que conta com a presença do CEO da Spark, Miguel Gonçalves. Este artigo foge ao domínio de engenharia, mas destaca a visão profissional de um perito na área de gestão de talentos. Das demais abordagens feitas pela nossa equipa, contamos também com a comemoração do 50º aniversário da Crise Académica, a forte componente desportiva presente na nossa Universidade e a finalização de um dos projetos de Sustentabilidade no Polo II. Desta forma, deixamos uma palavra de agradecimento aos institutos sediados no DEEC, pelo apoio prestado para a continuidade deste projeto. A todos os investigadores intervenientes nas entrevistas, que disponibilizaram do seu tempo e cortesia. Ao Miguel Gonçalves pelo entusiasmo de fazer parte da nossa revista. Ao João Albuquerque e ao João Bento pela clarificação dos eventos comemorativos do aniversário da Crise Académica. Ao Gabinete de Desporto da Universidade de Coimbra e ao Hugo Figueiras pelo apoio fornecido. Sem esquecer, agradecemos a ajuda incansável de elementos representantes da nossa casa, que não fazendo parte da equipa do Zener, colaboraram para o sucesso da mesma, nomeadamente coordenadores do Pelouro das Saídas Profissionais e Formação, Marta Nunes e João Duarte, coordenadores do Pelouro do Recreativo, Ricardo Serra e Diogo Cardoso e aos nossos representantes, Ana Margarida, Ana Calhau, Daniel Palaio e Rui Nunes. Desejamos a todos uma magnífica leitura! Da vossa equipa do Zener
Mensagem da Presidente do NEEEC/AAC No início do mandato corrente, apresentámos através do nosso plano de mandato a continuação deste projeto, o Zener, que, semestralmente, pretende a divulgação de atividades maioritariamente científicas, que se desenvolvem no nosso Departamento. Dar a conhecer os projetos de investigação desenvolvidos no DEEC continuará a ser um dos pontos chave desta revista, uma vez que a valorização do trabalho realizado nesta casa continua a ser fundamental do nosso ponto de vista. O lema “Fortalecer Electro” surge por forma a consolidar o bom trabalho realizado nos mandatos transatos, tentando trazer sempre um pequeno toque de inovação, criatividade e proximidade com todos aqueles que representamos. A realização da quarta edição da F3E, trouxe, ao DEEC, 21 empresas de prestígio com as quais os alunos de todas as engenharias puderam contactar, fortalecendo a ligação com o mundo empresarial e encurtando a distância entre os profissionais e os estudantes. É dando continuidade a esta proximidade com empresas, que o NEEEC/AAC realiza uma parceria com a Spark Agency, na dinamização de mais edições do Pitch Bootcamp X, por forma a trazer dezenas de profissionais, com quem os Bootcampers podem contactar, de modo informal, durante um dia repleto de formações, networking e troca de experiências. A componente pedagógica é também uma das bandeiras do mandato 2019/2020, pelo que contamos com a ajuda e participação de todos em identificar problemas, mas, acima de tudo, conseguir uma solução prática e concisa para os mesmos. O preenchimento dos inquéritos pedagógicos é uma boa iniciativa, para nas Jornadas Pedagógicas, todas as adversidades e perturbações serem debatidas em conjunto com a equipa docente do Departamento. Termino, dizendo-vos que pretendemos dar continuidade a um NEEEC/AAC com as portas abertas, próximo de todos e desenvolvendo as mais variadas atividades, para que não falte nem entretenimento nem uma visão no futuro.
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Índice 5 8 9 12 15 18 20 22 25 28 30
50 Anos Crise Académica Desporto na Universidade de Coimbra
F3E - Feira de Emprego e Empreendedorismo para a Engenharia Pitch Bootcamp X Entrevista especial com Miguel Gonçalves, CEO da Spark Agency À conversa com Sérgio Cruz Sustentabilidade energética no Polo II
ISR - Investigando com Mahmoud Tavakoli e Cristina Leal IT - Investigando com Gabriel Falcão INESC - Investigando com Carlos Hengeller Antunes ERW - Robotics in our Lives II
Patrocinadores:
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50 ANOS
CRISE
ACADÉMICA
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Durante a opressão do Estado Novo, os estudantes e principalmente a académica foram responsáveis por trazer uma luz de esperança a Portugal, tornaram-se num farol de liberdade ao iniciarem uma luta pela liberdade de expressão. Tudo começou quando a PIDE proibiu a comemoração do Dia do Estudante. Indignados, os estudantes protestaram contra tão ultrajante atitude. A força dos estudantes era uma ameaça ao governo que reprimia a liberdade e foram tomadas medidas. A Direção Geral da Académica foi demitida. Para sua substituição foi criada uma comissão por parte do Governo para manter toda aquela revolta sob controlo. Como retaliação, foi proposto pelos estudantes que a Académica não comparecesse no próximo jogo, contra o Sporting. Mas, os jogadores, quando confrontados por parte da Direção criada pelo Governo, sabendo que dependendo da resposta, represálias se sucederiam, principalmente para os jogadores das colónias, que provavelmente seriam deportados e outros que dependiam do salário para sustentarem a família ou para poderem estudar, decidiram não levar a cabo tal protesto. A revolta continuava e, mais tarde, na inauguração do Departamento de Matemática, ainda num ambiente de repressão, foi pedida, por parte do Presidente da AAC, a palavra. O pedido foi iludido por parte do Presidente da República, por uma promessa, que após o Ministro das Obras Públicas falar, lhe seria dada a palavra. Obviamente, a promessa não foi cumprida. Os membros do governo, com a PIDE na frente, saem sem dar qualquer tipo de explicação. Foram vaiados por parte dos estudantes pela falta de cumprimento da promessa. Com tal atitude por parte do governo, o presidente da AAC falou na mesma, apenas para os estudantes e nessa mesma noite foi preso pela PIDE. 6
Evidentemente, os estudantes não se deram por vencidos e com membros da Direção Geral da AAC e uns quantos apoiantes desta causa, manifestaramse, exigindo a libertação de Alberto Martins, à frente da sede da PIDE. A polícia de choque entreviu espancando os protestantes. Apesar do acontecido, o presidente da AAC foi libertado na mesma noite. Num Governo de opressão e domínio, os estudantes começavam a ser uma ameaça ao regime. Poucos dias depois, a 22 de abril de 1969, decretou-se o luto académico, até que os estatutos e seus direitos fossem repostos. Até lá, por vontade e decreto dos estudantes em Assembleia Magna, não haveria aulas e os professores só podiam discutir sobre a reforma do ensino ou a crise académica. Vendo isto, o ministro das obras públicas transmitiu à mídia que a ordem iria ser reposta na Universidade de Coimbra. A atitude tomada pelo Governo foi de enviar uma grande unidade de polícias para controlar as manifestações. Todavia, os protestos continuaram tornando Coimbra o farol de liberdade do país. Mesmo coberto de tensão, repressão e controlo, Coimbra lutava por liberdade, melhor ensino e melhor qualificação. O futebol teve uma grande participação nesta luta. Nesse ano de 1969, a Académica chegou à final da Taça de Portugal, onde jogou contra o Benfica, e apesar da PIDE calcular que os estudantes, que naquele dia estavam em massa a ver o jogo, fariam alguma coisa, nada podiam fazer visto que não podiam impedir a final e conceder que uma revolta estava a existir. Pela primeira vez, o chefe de estado não foi assistir ao jogo, pois se algo acontecesse, seria uma vergonha ainda maior para o Governo, que prezava pelo domínio comportamental típico de uma ditadura.
Durante este ano, e a partir do dia 8 de abril, várias foram as iniciativas realizadas pela Associação Académica de Coimbra para a Celebração dos 50 Anos da Crise Académica. Lembrando o pedido da Palavra por parte de Alberto Martins, na sala 17 de abril, todos os membros da Direção Geral da Associação Académica de Coimbra no ano de 1969 foram nomeados Associados Honorários, numa das maiores Assembleias Magnas dos últimos anos, por unanimidade. Após a Abertura Oficial das Celebrações, no dia 12 de abril, no Convento de São Francisco, com a Universidade de Coimbra e a Câmara Municipal de Coimbra, desenrolaram-se atividades até ao mês de outubro. No dia 17 de abril, na Sala que acolheu o próprio evento, Alberto Martins e Celso Cruzeiro, Presidente da Direção Geral e da Mesa da Assembleia Magna da AAC em 1969, respetivamente, puderam lembrar os eventos que ocorreram. Houve lugar ao descerramento de uma placa no Edifício da AAC e de uma Estátua evocativa. Houve também lugar a uma especial celebração no jogo Académica OAF – Mafra, no dia 20 de abril, entrando os jogadores em capa e batina, e com o empunhar de faixas à semelhança do jogo da Final da Taça de Portugal de 1969. Existiu também uma atividade de Recriação da Crise Académica no Praça Dom Dinis, desde o seu despoletar à invasão da cidade de Coimbra pela Guarda Nacional Republicana. As Celebrações dos 50 Anos da Crise Académica terminaram com a Festa das Latas e Imposição de Insígnias, sendo tema principal da mesma, com barracas dos núcleos alusivas, bem como o lema “Há 50 anos pedimos a palavra. Agora é a tua vez.”
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DESPORTO NA UC POR GUILHERME CARVALHO
Na Gala do 20º aniversário da Associação Europeia do Desporto Universitário (EUSA), a Universidade de Coimbra foi premiada como Melhor Universidade, Universidade Mais Ativa e ainda com a Ordem de Mérito da Associação Europeia do Desporto Universitário (EUSA). Pela forte ligação ao desporto, a Universidade de Coimbra tem as suas próprias ligas de competição que originam os Jogos Universidade de Coimbra (JUC). Os JUC têm como objetivo promover o desporto e a atividade física entre os estudantes, antigos estudantes, docentes, não docentes e investigadores da Universidade de Coimbra, promovendo a socialização e a aquisição de hábitos regulares de prática de atividade física e desportiva. A organização é dividida em 10 modalidades para ambos os géneros e cada liga é destinada a um público alvo específico.
MODALIDADES Andebol Badminton Basquetebol 3x3 Canoagem Futebol 7 Futsal Remo Ténis Ténis de Mesa Voleibol Algumas modalidades foram divididas por fases de modo a selecionar as equipas concorrentes para a fase final da Liga Académica. Relacionada à modalidade de futsal, foi organizada pelo NEEEC/AAC a “Liga DEEC” (fase intra-nucleo), que originou o apuramento das equipas Flamenguh e Ultimate Team para a Liga Polo II (fase Intra-faculdade). No decorrer da Liga Polo II, o finalista desta liga qualifica-se para a fase inter-faculdades, Liga Académica de Futsal. Para o Basquetebol 3x3 foi criado o NEEEC 3x3, que terminou com o apuramento da equipa Prodígio Perdidos para a Liga Polo II.
GABINETE DO DESPORTO DA UC uc.pt/gduc
gduc@uc.pt
/desportouc
@desportouc
LIGAS Liga Académica Estudantes
Liga Inter-Residências
Estudantes das Residências dos Sasuc
Liga Alumni Antigos Estudantes
Liga Minerva
Docentes, Não Docentes e Investigadores
Liga 2 I’s
Empresas que colaboram/parceiras da UC
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F3E Por BRUNO DANIEL
Organizada pelo Núcleo de Estudantes de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores da Associação Académica de Coimbra (NEEEC/AAC), a F3E abrange todas as engenharias e inclui várias iniciativas que visam preparar melhor os estudantes para a entrada no mercado de trabalho após a conclusão dos seus estudos. O evento foi dividido em dois dias: “Primeiros Passos” - dedicado a workshops de CV e Simulação de Entrevistas; “Selar o Negócio” - dedicado a sessões de recrutamento e palestras. Nesta edição, o número de empresas presentes aumentou de 13 para 21, o que revela o enorme crescimento da feira de emprego. Além disso, o sucesso não fica por aqui, tendo sido observável a grande afluência de alunos nos corredores do DEEC, características que muito orgulham o NEEEC/ AAC. Com o piso 4 do Departamento de Engenharia Eletrotécnica e Computadores completamente cheio durante a F3E, contando com mais de 60 profissionais envolvidos e com a realização de 7 workshops, a F3E quer cada vez mais ser um marco para os recém-formados na área da engenharia. Contou com um número de 6 palestras e a presença de empresas como a Visteon, Deloitte, Critical Software, agap2IT e Altice Labs. Motivando os visitantes da feira a interagir com as bancas das empresas, o NEEEC/AAC criou um sorteio, patrocinado pela Critical Software, que dava prémios a elementos habilitados a sorteio, sendo esse um ponto positivo dado em feedback pelas empresas presentes, numa relação de proximidade entre quem está à procura de emprego e quem quer mostrar o que faz e tem para oferecer.
PALESTRAS
WORKSHOPS
Deloite
“A journey using DevOps”
Visteon
“Do produto à produção”
Critical Software
by Blip
LinkedIn by Ubiwhere
Altice Labs
Simulação de Entrevistas
Ordem dos Engenheiros
Machine Learning
Programa GENIUS “O engenheiro e o seu papel na sociedade”
agap2IT 10
CV
Bitcoin, Blockchain e BlockBase
by Bresimar by Deloitte
O concurso foi uma ótima maneira de interagir com as empresas. Para fazer parte do concurso, o participante teria de adquirir o cartão de recolha de assinaturas e, para se habilitar ao sorteio, simplesmente falar com as empresas para obter no mínimo 15 assinaturas. Este ano, os prémios, patrocinados pela Critical Software, foram distribuídos por 3 elementos aleatórios do sorteio:
1 PRÉMIO Kit Arduino Mega Intermédio
2 PRÉMIO Build & Code Plus EBotics Kit de Eletrónica e Programação
3 PRÉMIO Kit Básico Raspberry Pi Zero W
Estivemos em conversa com o vencedor do 1º Prémio do concurso, Felipe Ferreira, que mostra o seu geral agrado com o evento.
O que achaste da organização da feira de emprego na generalidade? “Eu gostei bastante da organização. Para um evento de dois dias exatamente no início do ano letivo, penso que foi uma ideia certa de o terem estruturado curto e para a comunidade estudantil do DEEC. Achei também bem pensada, a ideia do concurso, como forma de “quebrar o gelo” na comunicação com as empresas.” A comunicação entre empresas e estudantes foi fácil? “Sim, a comunicação foi bem fácil, muito mais informal e direta do que em feiras similares que eu participei. Como tinha dito, o concurso, ajudou que a interação fosse muito mais agradável e descomplicada. Além disso, ajudou que conhecêssemos empresas de áreas, que à primeira vista, atuam em setores bem distintos dos que nós imaginamos especializar (como numa empresa com atuação na área de biotecnologia, por exemplo).” O que achaste do prémio que recebeste do concurso? “Foi um ótimo prémio. Eu gosto muito de fazer pequenas experiências com Arduinos, desde que tive uma cadeira que os utilizava (Projeto I). Eu já tinha dois Arduinos Nanos, mas realmente pensava em comprar um Kit similar num futuro próximo. Infelizmente, agora não disponho de muito tempo para explorar todos os seus acessórios, mas será certamente, algo que farei durante a pausa do Natal.” Entraste em mais alguma atividade deste evento? “Infelizmente não pude comparecer em muitas atividades, devido a ter o horário muito ocupado às segundas e terças. Durante o 2º dia eu fui à palestra da Visteon, se não estou em erro. Logo de seguida fui falar com os responsáveis das empresas e adquirir os carimbos para o sorteio. A única sugestão quanto à F3E é que, quanto aos workshops, alguns sejam feitos em horários após as 16h. As justificações de faltas não são totalmente justificativas para faltar às aulas. Eventos como esse são ótimos não só para os estudantes do DEEC como os do Polo II em geral, mas infelizmente nem todos têm horários de aula compatíveis.”
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PITCH BOOTCAMP X
13 DE NOVEMBRO O NEEEC/AAC juntou-se mais uma vez numa parceria com a Spark Agency para trazer ao DEEC a 162ª edição do Pitch Bootcamp, na qual participaram 100 estudantes.
Da parte da tarde, contámos com a presença de 70 profissionais com os quais os bootcampers puderam contactar, de uma maneira mais informal. Este foi o momento certo para errar, pois é com os erros que se aprende e assim, no futuro, perante uma entrevista de emprego, o nervosismo vai ser muito menor e a capacidade de abordar um profissional vai ser melhor. A tarde dividiu-se em vários momentos: o pitch, onde os participantes foram colocados à prova perante um painel de profissionais, das mais variadas empresas onde puderam obter contactos, mentores e também receber o feedback da sua apresentação; a formação, na qual aprenderam técnicas de comunicação, de como melhorar o CV, entre outras; e o networking, no qual puderam comunicar com os mais diversos profissionais que se encontravam presentes.
O Pitch Bootcamp X é um programa de um dia, que proporciona o contacto entre algumas das mais competitivas empresas em Portugal e estudantes universitários ou recém-graduados. Pela segunda vez, o DEEC encheu-se de jovens talentos que colocaram à prova todas as suas capacidades. Após o check-in, deslocaram-se até à sala de formação, onde durante toda a manhã foram acompanhados em diversos exercícios, como por exemplo numa introspeção sobre eles mesmos, listando as competências que têm e que adquiriram em experiências vivenciadas. Decorreram ainda formações como técnicas de abordagem a profissionais, assim como a preparação do pitch que iriam realizar posteriormente.
O evento terminou com um painel de interlocução com a Ana Rosado – Senior Partner da Ask Blue - e o Jorge Rodrigues – Delivery Director da Critical Software.
Curiosidade! Querias mesmo participar no Pitch Bootcamp e infelizmente perdeste a oportunidade? Não te preocupes, no próximo semestre temos mais uma edição para ti! 12
ENTREVISTA A TIAGO OLIVEIRA PARTICIPANTE DO PITCH BOOTCAMP X Quais foram as tuas aprendizagens e o que mais te marcou?
O que te levou a participar no Pitch Bootcamp X? “O que me levou a participar no Pitch Bootcamp, em primeiro foi a divulgação que o NEEEC disponibilizou no departamento, fez-me ter curiosidade em relação ao que o evento era. Posteriormente, fui procurar informações e vi que era vocacionado não só para alunos que estão numa fase terminal do curso, mas para qualquer aluno do ensino superior e que, neste momento, atravessa uma fase de curiosidade sobre o ingresso no mercado de trabalho, sobre o que pudemos valorizar nas nossas competências, melhorar o CV, como criar uma boa primeira impressão perante a empresa. Acima de tudo, foi uma necessidade de, enquanto aluno finalista, adequar o meu currículo, o meu perfil e a forma como abordar uma empresa e assim, ter uma consciência do mercado atual de trabalho.”
“Durante a manhã de formação, ter consciência de que todas as nossas vivências, curriculares ou extracurriculares, nos influenciam e servem para valorizar no nosso CV. A presença da Spark, através dos seus colaboradores, foi também importante pela partilha de experiências, pelas correções ao longo das sessões de trabalho. O networking com os profissionais das empresas e o pitch possibilitaram perceber um pouco sobre as exigências e rotinas no mercado de trabalho. Estas foram das grandes aprendizagens, porque ajudam a preparar-nos para a vida pós faculdade. A troca de testemunhos com os outros participantes, o facto de os grupos de trabalho serem criados de forma aleatória e o facto de termos de nos apresentar a essas pessoas que nos são desconhecidas por completo, é já de forma indireta um pôr à prova das capacidades, quer de relacionamento, quer de dinâmica de trabalho em grupo; e também pode-se sempre aprender com a experiência de vida dos colegas, ver qual o percurso que traçaram e comparar o nosso, porque, na competitiva realidade de mercado, podem ser potenciais concorrentes.“ Achas que a tua forma de abordar outras pessoas mudou depois de ires ao PBX? “Não mudou muito, porque no meu percurso pessoal estive envolvido em alguns projetos, que me obrigaram a contactar com diversos grupos de trabalho, de diferentes faixas etárias e áreas de formação. Acima de tudo, serviu para fazer uma análise ao meu modus operandi e auscultar a sua eficácia. Como balanço, sinto que o caminho por mim traçado é positivo.”
O que achaste da organização do evento?
Numa pequena frase, como defines o Pitch Bootcamp?
“Sobre a organização, ao que consegui perceber, colaboraram duas estruturas no projeto: a Spark, principal dinamizadora e o Núcleo de Estudantes, ao captar este evento aqui para o DEEC e ao conseguir auxiliar, a meu ver da melhor forma, a parte logística. Do ponto de vista de inscrição no evento, não obtive qualquer tipo de problema; a divulgação, feita pelo NEEEC, é da salutar, foi bastante eficaz. No evento em si, as coisas correram sempre dentro do horário e as condições logísticas nunca foram um obstáculo para a qualidade do conteúdo das sessões, para o networking, ou para os pitches. Foi um trabalho de sucesso!“
“Diria que é uma experiência aliciante e quase que obrigatória. Recomendo às pessoas que este ano não participaram, por algum motivo, que se inscrevam numa próxima edição, porque somos acompanhados por profissionais habituados a relacionarem-se com as principais empresas do país, que estão lá, fundamentalmente, para nos ouvir. Oportunidades como esta, numa altura em que falamos da competitividade da UC, em relação a Lisboa, Porto e outras, acho que temos de ser nós próprios, quando existem este tipo de eventos, a ser os primeiros a aderir e a fazer com que se torne cada vez mais forte e valorizar assim também a nossa formação nesta instituição.” 13
A MAIOR COMPETIÇÃO DE ROBÓTICA ESTÁ DE VOLTA!
PROVA FCTUC
PROVA BOT’N ROLL
PROVA ISR
13 | 14 | 15 | 16 FEVEREIRO INSCRIÇÕES ABERTAS (PARTICIPANTES E VOLUNTÁRIOS)
ENTREVISTA ESPECIAL MIGUEL GONÇALVES CEO DA SPARK AGENCY
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Nesta edição, o Zener fugiu um pouco à área da eletrotecnia e apresenta-vos Miguel Gonçalves, CEO da Spark Agency. O NEEEC conheceu o Miguel na parceria do Bootcamp, um profissional com características únicas e inspiradoras, bem como uma visão disruptiva. Disfrutem desta entrevista! De onde surgiu a ideia de criar a Spark? “A Spark foi criada por mim e pela Tânia Delalande após termos estado dois anos a viajar pelo mundo. A nossa ideia era trabalhar em territórios que envolvessem educação e transferência de conhecimento Academia/Mercado e acabamos por ir construindo, ao longo dos anos, uma consultora especializada em Gestão de Talento, com uma tónica particularmente forte em Young Talent.”
enormemente as nossas expetativas iniciais... é impossível prever uma história de êxito e apesar de termos grandes expectativas desde a nossa fundação, a Spark foi para locais que nos era impossível prever.”
Qual é o principal objetivo da Spark? “A Spark é uma Talent Boutique que se encontra na interseção de duas grandes disciplinas: Gestão de Talento e Comunicação/ Marca/Design. A nossa missão é ajudar algumas das mais inteligentes empresas do planeta a atraírem, reterem e gerirem bem o seu talento.”
Quais a áreas de intervenção da empresa?
Qual o maior desafio em estar à frente de uma empresa?
“Trabalhamos em dois grandes eixos: por um lado ajudamos os nossos clientes a desenvolverem sistemas e mecanismos de comunicação para atraírem Top Talent; os mais frequentes modelos a este nível são os Programas de Trainees, Programas de Embaixadores e Campanhas de Employer Branding. Nestes programas desenvolvemos os formatos de comunicação do Programa, como por exemplo, site e materiais de comunicação online, desenvolvemos a campanha de ativação e comunicação, especialmente junto de alunos universitários, e por fim conduzimos todas as fases do processo de recrutamento, das candidaturas às entrevistas finais. Adicionalmente trabalhamos no cliente, com as suas equipas e pessoas, no desenvolvimento de Programas de Aceleração de Competências que pretendem resolver problemas específicos dos clientes, sejam engagement, novos mecanismos de comunicação, introdução de Agilidade nas Operações, capacitação de primeiras linhas em Programas de Mentoria e Feedback, etc; no limite ajudamos os nossos clientes a tornarem-se Talent Friendly Organizations.”
“Estar sistematicamente rodeado de pessoas mais inteligentes e capazes, talvez seja esse, ou devesse ser, o maior desafio de qualquer empresário. Somos uma empresa com um perfil de recrutamento atípico: na Spark trabalham pessoas muitíssimo inteligentes e que são simultaneamente irrepreensíveis do ponto de vista ético e relacional. Trabalhamos com grandes corporações, o que aumenta enormemente o perfil de exigência do nosso trabalho, e temos concorrentes que em volume de negócio e força de trabalho são 10, 20 e 30 vezes maiores do que nós. Isto obriga-nos a estarmos sistematicamente a reinventar o negócio, as nossas operações, as soluções que entregamos e a conduzirmos relações de longo prazo com os nossos clientes. Habitualmente invisto o meu tempo em 4 grandes verticais: cash flow, entrega e desenvolvimento de produto, desenvolvimento de equipa e satisfação de cliente; e estes são os grandes desafios que eu e a minha sócia Tânia Delalande temos pela frente todos os dias: garantir que temos uma equipa generosamente preparada e com vontade de atacar os problemas dos nossos clientes; cash flow e saúde financeira para pagarmos ótimos salários aos nossos colaboradores; garantir que entregamos serviços incríveis aos nossos clientes e que estamos perto deles para medir a satisfação, mas também para identificar oportunidades de negócio – parte do desafio no trabalho de uma consultora é precisamente antecipar as necessidades dos clientes, mesmo até antes deles terem conhecimento disso.”
A empresa é aquilo que imaginaste quando a criaste? “A Spark é um organismo que ao longo dos últimos 9 anos tem vindo a transformar-se bastante; sendo nós uma consultora, está no nosso ADN adaptarmo-nos rapidamente ao mercado e ao que vai preocupando os nossos clientes. Adicionalmente, somos uma empresa muito democrática onde a voz de todos conta e importa; por estes motivos, temos vindo sistematicamente a introduzir muita inovação nas nossas operações e na própria cultura da empresa. A verdade é que, após quase uma década em funcionamento, o que hoje fazemos e o impacto que temos vindo a imprimir no nosso mercado tem vindo a ultrapassar
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Acerca do livro “O Mercado Grita Talento”, qual o principal propósito do mesmo? “É uma obra que foi escrita com o apoio de vários dos meus colegas com o conhecimento que ao longo dos anos fomos
desenvolvendo no Pitch Bootcamp, com mais de 10.000 jovens. A abordagem do livro é profundamente pragmática e centrada nos drivers do mercado, leia-se: valor, conveniência e diferenciação. O livro pretende ajudar alunos universitários e jovens recém-graduados a descobrirem como encontrar o seu espaço no mercado e percorrem um percurso de relevância; é bastante técnico e mais do que uma obra teórica, é um manual de exemplos e referenciais sobre como abordar o mercado de trabalho, como diferenciar e segmentar indústrias e empresas, como perceber a proposta de valor e também como comunicar com os potenciais empregadores de uma forma eficaz e eficiente.” Como speaker, qual o “segredo” para inspirar e motivar pessoas? “No meu caso, esta dimensão da minha carreira foi totalmente imprevista e não deliberada; não posso dizer que era um objetivo que estava a perseguir; foi simplesmente uma oportunidade que apareceu e decidi navegá-la da forma mais profissional e eficiente que tenho conseguido. Ao longo dos últimos 9 anos fiz mais de 500 palestras em empresas e outras tantas em Universidades. Não sei se existem segredos para inspirar pessoas, porém, o feedback que vou recebendo relativamente ao impacto das palestras prende-se com a genuinidade da narrativa pessoal que apresento, e na forma pragmática e realista com que apresento os meus pontos de vista.”
Onde é que se encontra motivação para motivar outras pessoas? “Há pessoas que escolhem um trabalho, outras uma carreira e outras uma vocação. Sempre invejei as últimas, deve ser sensacional, a partir dos 3, 4 ou 5 anos, saber o que se nasceu para fazer, e fazê-lo a partir dessa idade. Comigo isto não aconteceu, em parte porque raras são as coisas que não me interessam, em parte porque o meu objetivo foi ganhar dinheiro e não construir uma carreira, desde miúdo que queria ser rico; e foi precisamente com isto em mente que trabalhei, sobretudo durante os meus primeiros 15 anos de vida profissional - foi aqui que procurei a motivação nos momentos duros e mais exigentes. Na minha equipa nunca tenho como objetivo motivar ninguém, quanto muito, o meu trabalho é perceber o que desmotiva as nossas pessoas e remover obstáculos do caminho, porém, a motivação tem que vir de dentro de cada qual; nas apresentações que faço, parto precisamente com o mesmo princípio – não é o meu trabalho motivá-las, no limite, digo às
pessoas o que digo a mim próprio para me manter motivado.” Num mercado tão vasto, em que pontos é que a Spark se destaca? “Somos uma equipa rápida e particularmente ágil; acreditamos que o melhor marketing é serviço e colocamos uma tónica muito forte na retenção dos clientes ao longo dos anos; este é claramente um ponto de destaque com os nossos clientes somos bons a ultrapassar expectativas e, quando cometemos erros, mais do que nos tentarmos proteger, trabalhamos para resolver o mais depressa possível. Parece-me também que trazemos um legado muito forte connosco que temos vindo a desenvolver através do Pitch Bootcamp e que nos permite compreender as gerações milenares com bastante profundidade, o que acaba por se refletir no trabalho de employer branding que desenvolvemos. Por fim, somos uma empresa de fronteira e vivemos obsessivamente a inovação e o desenvolvimento de produtos/ serviços novos e sem precedentes em Portugal – não raras vezes, em alguns projetos, é a primeira vez que a Spark e o cliente estão a desenvolver aquele tipo de experiência, e também a primeira vez que é feito no nosso país.” Gostarias de deixar alguma mensagem aos nossos colegas? “O que atingimos na vida é fortemente condicionado pelo nosso património genético e pelo que recebemos das pessoas que nos rodeiam. Para além disto, a forma como lidamos e aprendemos com os fracassos e os erros; como gerimos as expetativas e alimentamos esperança; como nos penalizamos e praticamos diálogos internos negativos; como sofremos por antecipação; e como estabelecemos objetivos ou metas, tem um impacto considerável no output global daquilo que consideramos vida, e também carreira. A maioria das pessoas que te vão dar conselhos e sugestões de carreira, vão-te dizer coisas como “segue os teus sonhos”, “segue as tuas paixões”, “sê tu próprio”; eu não o farei; não apenas porque não foi o que fiz, mas também porque em retrospetiva não me parecem, claramente, boas sugestões, diria que, para a maioria das pessoas, são inclusivamente más sugestões. Dizer a uma galinha “voa, tu tens asas”, pode apenas conduzir a uma vida de miséria e frustração, pelo menos para a galinha. Para além de muitos jovens ainda não conhecerem as suas paixões, os que as conhecem, no curto prazo, não as vão conseguir monetizar. A incontornável verdade é que há imensos caminhos para a realização pessoal, e cada carreira bem-sucedida e bem-vivida, no limite, é um desses caminhos. No início da tua carreira, tens tempo e energia, mas não tens dinheiro; a partir dos 40/45 terás dinheiro (esperemos) e tempo, mas menos energia. A ironia da vida é que raramente temos tudo o que precisamos e frequentemente sofremos pelo que ainda não temos – Platão dizia-nos que o amor existe enquanto não se consuma. Há imensas pessoas que, não respeitando a vida e as suas características, sofrem por não entenderem que podemos ter tudo na vida, mas não tudo ao mesmo tempo. A vida não é injusta, as nossas expectativas é que são. Se dos 20 aos 30 a tua missão e propósito for aprender, experimentar, aumentar a tua rede de contactos, descobrir o que gostas de fazer e o que és bom a fazer, descobrir as tuas mais profundas fragilidades e como as contornar, estarás a criar as condições para alavancar o futuro e consolidar um grupo de competências sólido que te preparam para qualquer mundo.”
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À conversa com
Sérgio Cruz Por João Filipe Como nasceu o gosto pela área de energia? “O gosto pela engenharia nasceu comigo! Quando era pequeno, ofereciam-me brinquedos e 3 dias era o tempo suficiente para eu os desmontar e ver o que estava no seu interior. Claro que a minha mãe não gostava muito, porque os brinquedos depois já não podiam voltar a ser montados. Recordo-me de andar na Escola Secundária de Cantanhede, de os meus pais me darem a semanada e com o dinheiro que sobrava eu comprar todo o tipo de componentes eletrónicos para fazer pequenas montagens, desde emissores FM, detetores de chuva, órgãos eletrónicos, e uma série de outras coisas que ainda hoje estão em casa dos meus pais. Depois segui a área de eletrotecnia nessa escola e também muito por causa de visitas de estudo a barragens e subestações, ganhei o gosto pela energia. Como já sabia que ramo queria seguir, a minha escolha de universidade foi condicionada por isso, contrariamente ao que acontece com a maioria das pessoas. O meu gosto pelas máquinas elétricas talvez me tenha sido incutido por um professor aqui do departamento, com o qual eu simpatizei e que me ofereceu, naquela altura, um projeto de licenciatura, equivalente a uma dissertação de mestrado hoje em dia, na área do diagnóstico de avarias em máquinas elétricas, algo que achei muito útil para o mundo industrial.” Fale-nos do seu percurso profissional.
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“Começo por dizer uma coisa curiosa: quando era estudante nunca pensei ser professor Universitário. Esta carreira não era algo que eu tivesse planeado. Como disse anteriormente, acabei por ficar na Universidade a fazer o mestrado e a dar aulas. Como tinha o “bichinho” das empresas, criei a minha primeira empresa com outros 3 sócios. Na altura estava incubada no Instituto Pedro Nunes, hoje em dia tem outro nome (CWJ) e está sediada na Figueira da Foz. Ao longo da minha carreira académica desenvolvi um conjunto variado de técnicas de diagnóstico de avarias em motores eléctricos que são usadas atualmente. Por exemplo, umas das técnicas que desenvolvi na altura do meu mestrado é usada atualmente por 4 empresas, duas em Portugal, uma na Bélgica e outra no Brasil. Durante o meu doutoramento continuei a desenvolver novas estratégias para acionamentos elétricos. No âmbito de projetos europeus em que participei, desenvolvi, por exemplo, um sistema de diagnóstico de avarias para comboios de alta velocidade, na Alstom que é o fabricante do TGV. Mais recentemente participei em alguns projetos com a EDP e com centrais nucleares, onde ajudei a desenvolver sistemas do mesmo tipo que estão atualmente em funcionamento quer na
EDP quer em centrais nucleares em Espanha, através da estreita colaboração que tenho mantido com algumas empresas criadas por ex-alunos meus. Desde sempre gostei de fazer investigação com aplicação prática; a minha carreira de investigação esteve sempre muito ligada ao diagnóstico de avarias e tolerância a falhas em máquinas elétricas, acionamentos elétricos, conversores de eletrónica de potência e transformadores de potência. Terminei o mestrado, e cheguei à conclusão que gosto muito de investigação; acabei por enveredar pelo doutoramento, período durante o qual ainda estive algum tempo nos Estados Unidos. Após terminar o doutoramento, decidi ficar na universidade pois cheguei à conclusão que este é o local ideal para eu desenvolver as minhas ideias.” Quais foram as suas maiores dificuldades enquanto estudante? “Enquanto estudante da Universidade de Coimbra, as maiores dificuldades que senti tinham a ver com os recursos materiais existentes. A realidade era bastante diferente daquela que existe hoje em dia, havia uma carência de alguns recursos materiais, os laboratórios não estavam tão bem equipados, o departamento era relativamente recente, não havia docentes em número suficiente. Por vezes as aulas começavam e, em algumas disciplinas, não tínhamos professores para nos dar as aulas práticas. Recordo-me de ver horários em que aparecia lá: assistente x, y e z, eram pessoas que ainda não estavam contratadas pela universidade. Portanto foi uma realidade um pouco mais dura do que aquela que os estudantes hoje em dia encontram. Acima de tudo, recordo-me das fracas infraestruturas que foram colmatadas com a criação do Polo II e da carência de recursos humanos que hoje em dia está mais ou menos resolvida. Nesse aspeto o departamento evoluiu bastante. Conheço a realidade de outras escolas portuguesas e no estrangeiro, as condições oferecidas hoje em dia aos nossos alunos são muito boas, significativamente melhores do que aquelas que nós tínhamos no passado, a par da tecnologia, que hoje em dia ajuda bastante. Recordo-me que o nosso departamento tinha, na altura, aquela que era considerada a melhor biblioteca de engenharia eletrotécnica do país. Faltava apenas a internet, que apareceu já estava eu a terminar a Licenciatura.” Dos projetos que desenvolveu ou foi orientador qual lhe deu mais gosto realizar? “Tenho dificuldade em identificar assim um grande projeto, dado já ter participado em vários que, de uma forma ou de outra, me marcaram bastante. Posso talvez referir o meu primei-
ro projeto de investigação enquanto investigador responsável, que era na área da eletrónica de potência, mais concretamente no diagnóstico de avarias e tolerância a falhas em conversores matriciais. Gostei particularmente desse projeto por ser o meu primeiro projeto de investigação depois de obter o meu doutoramento. Era uma área na qual eu não me sentia tão à vontade como na área dos motores elétricos, por isso deu para eu me especializar mais nessa área, para adquirir mais conhecimentos. Recordo-me por exemplo de usar fibra ótica no protótipo laboratorial, algo que nunca tinha usado até então, porque achava que isso era uma coisa mais da área das telecomunicações. Tive a oportunidade de aprofundar os conhecimentos de processamento de sinal, área da qual também gosto, e tive a oportunidade de trabalhar com jovens espetaculares, exatamente esses que depois de saírem da Universidade viriam a criar mais tarde uma empresa atualmente sediada no IPN. Por várias razões esse projeto ficou na minha memória. Ainda hoje tenho o protótipo no laboratório e seguramente que nunca o vou tirar de lá porque é um projeto que me diz muito.” Quais são as suas parcerias e colaborações neste momento? “Tenho parcerias com várias universidades no Irão, onde tenho ajudado a criar equipas de investigação, nomeadamente na capital – Teerão, numa universidade com a qual colaboro bastante. Temos feito um trabalho de grande relevo em termos de publicações de alto nível e está a ser criada ali uma equipa de investigação de grande valor; tenho também colaborações com a Bélgica, com a Espanha, e já tive com os Estados Unidos. Em paralelo, continuo a apoiar como consultor várias empresas não só da região, mas também de fora. Estou neste momento a tentar estabelecer uma parceria com uma empresa multinacional americana, que está a criar um centro de I&D no Porto e eu estou a procurar que, na área dos acionamentos elétricos, nós sejamos o parceiro privilegiado deles. Em pareceria com os colegas iranianos, estamos a desenvolver novas estratégias de diagnóstico viradas para os fabricantes das grandes máquinas, grandes alternadores. Ao invés de nós irmos a uma central e usarmos os equipamentos e sensores que lá estão instalados para realizar o diagnóstico, o fabricante desse alternador poderá dotar a máquina logo na fase de fabrico de um conjunto de sensores que permita resolver muitos dos problemas ainda existentes. Cerca de 70% do meu tempo hoje em dia é dedicado aos acionamentos para aplicações críticas, aviação (aviões de transporte de passageiros com propulsão elétrica), veículos elétricos tolerantes a falhas, geradores eólicos tolerantes a falhas, e tudo o que seja acionamentos para grandes potências. É a área de investigação de que eu mais gosto e é aquela que as empresas agora estão a valorizar. Como tudo vai ficar elétrico num futuro não muito longínquo, a eletrificação vai ser total, é importante o diagnóstico e o autodiagnóstico dos equipamentos. O desenvolvimento de sistemas que detetem as falhas, sinalizem-nas, e depois digam: “ok eu tenho esta situação, mas o sistema ainda pode continuar a funcionar, mas com um bocadinho de menos potência, menos velocidade”. Isso é tolerância a falhas, é nessa área que eu trabalho e continuarei a trabalhar. Como temos vindo a desenvolver algoritmos de diagnóstico para as máquinas elétricas, para os conversores de eletrónica de potência, e ainda novos sistemas de controlo digital para os acionamentos elétricos, reunimos todas as condições para dotar esses equipamentos desta nova tecnologia.
No que diz respeito ao controlo, estamos a trabalhar naquilo que eu prevejo que vai ser a próxima geração de sistemas de controlo (controlo preditivo) de todos os acionamentos elétricos a nível industrial. Já começámos há cerca de 4/5 anos atrás e estamos a obter resultados muito interessantes.” Vai continuar a ser professor? “Sim, vou, sem dúvida alguma! Depois do doutoramento tinha de tomar uma decisão: regressar aos Estados Unidos para onde queriam muito que eu fosse, ou ficar em Portugal e dar o meu contributo para o desenvolvimento do país e da engenharia portuguesa. Optei pela segunda hipótese. Decidi ficar em Portugal e, atendendo ao meu contacto com as grandes empresas, tentei perspetivar o que seria o meu dia-a-dia numa grande empresa ou aqui na Universidade e cheguei à conclusão que de facto nasci para ficar na Universidade. Hoje em dia é com muito gosto que eu digo que sou professor universitário, dou aulas com gosto e vou para uma sala de aulas com o intuito de motivar os alunos e fazer com que eles também gostem de engenharia. Tenho criado cadeiras opcionais no sentido de mostrar aos alunos as temáticas mais recentes na área em que trabalho. Propus no passado uma cadeira opcional de acionamentos elétricos onde falamos de acionamentos para navios, submarinos, porta-aviões, catapultas, túneis de vento, etc. Vamos agora encerrar essa cadeira e criar uma vocacionada para os aspetos mais tecnológicos da energia eólica e fotovoltaica porque me parece que estas áreas são bastante importantes e atualmente não temos nenhuma cadeira com uma forte componente técnica especificamente dirigida para essas áreas. Como os meus colegas de outras universidades, nomeadamente de Lisboa e Porto, não apostam tanto na formação nesta área, eu quero distinguir Coimbra. Um aluno que vem tirar o ramo de Energia a Coimbra deve poder sair daqui e ser classificado como muito bom nesta área. Tenho feito a proposição de cadeiras de mestrado e de doutoramento nesse sentido, para dotar os nossos alunos de ferramentas fortes para que sejam os preferidos nessas empresas.” Deseja acrescentar alguma coisa a esta entrevista? “A minha tónica tem sido sempre a de adquirir formação, transmitir o conhecimento e fazer engenharia, ou seja, não me limitar apenas a ser um professor, mas a ser também um engenheiro. Antes de ser professor sou um engenheiro! Tenho um mestrado e um doutoramento, mas acima de tudo faço engenharia, ando pelo mundo das empresas para compreender os problemas reais das mesmas e trago esse “know-how” para dentro da universidade. Essa era uma coisa que eu notava que faltava bastante quando era aluno, havia uma desconexão e uma separação muito grande entre a Universidade e as empresas. Procuro diluir essa barreira e tento aproximar os alunos do mundo que vão encontrar quando terminarem o seu curso. Por intermédio de ex-alunos e de outros contactos que eu e outros colegas professores fazemos, temos vindo a melhorar o ensino da engenharia aqui na Universidade através dessas ligações que são fundamentais, não só para a universidade, mas também para as próprias empresas. Procuramos atrair financiamento necessário não só às nossas atividades de investigação, mas também para motivar os alunos durante o curso e para os ajudar na sua colocação após a conclusão do mesmo. Não é pouco frequente que alguns dos nossos alunos estejam a terminar o seu curso e tenham já em cima da mesa algumas propostas de trabalho.”
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SUSTENTABILIDADE ENERGÉTICA NO POLO II Por Guilherme Carvalho
“Um percurso para a sustentabilidade” é o nome de um conjunto de medidas que visa dotar a Universidade de Coimbra com soluções eficientes e sustentáveis. Foi concluída no passado mês de outubro, a instalação de sistemas de energia “verde” em todos os edifícios do polo II da Universidade de Coimbra. Ao todo são 1812 painéis fotovoltaicos, correspondentes a uma potência combinada de 432 kW. O número foi distribuído pelo edifício central da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra/Departamento de Ciências da Terra, pelo Departamento de Engenharia Civil, Departamento de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores, Departamento de Engenharia Informática, Departamento de Engenharia Mecânica e Departamento de Engenharia Química. Espera-se uma produção de 678 mil kWh que servem de autoconsumo e para injetar na rede. Para além da produção de energia “limpa”, tem um impacto significativo na fatura e ainda se estima uma redução da emissão de 182 toneladas de CO2 por ano.
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ÁREAS DE INTERVENÇÃO Perceção Visual Robótica Médica Robots de Busca e Resgate Sistemas de Energia Inteligentes Perceção e Reconhecimento Artificial Inteligência Computacional e Controlo Robótica Móvel com caraterísticas Humanoides
O Instituto de Sistemas e Robótica é uma instituição privada portuguesa sem fins lucrativos. Fundada em 1992, com o objetivo de criar uma equipa de investigação multidisciplinar de topo, capaz de realizar investigação de ponta em várias áreas importantes da ciência e da tecnologia, com especial ênfase em sistemas e robótica. O ISR desenvolveu também fortes ligações com a indústria, tanto com empresas nacionais e internacionais existentes, como na criação de spin-offs.
Neste momento, o instituto promove investigação e desenvolvimento multidisciplinar nas áreas de robótica móvel autónoma, sistemas inteligentes de transporte, robótica de busca e salvamento, manipulação robótica, visão computacional, robótica médica, nas tecnologias de apoio, na Engenharia Biomédica, nas tecnologias de automação industriais avançadas e nos sistemas inteligentes de energia.
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Investigando com
Mahmoud Tavakoli e Cristina Leal Por Guilherme Carvalho
Projeto Stretchable Printed Battery O laboratório de Soft and Printed Microelectronics (SPM), tem como objetivo desenvolver interfaces homem-máquina maleáveis e extensíveis, de modo a que sejam usadas para a monitorização de sinais fisiológicos. Isto abrange o coração, cérebro, sinais musculares, movimentos e emoções. O Professor Doutor Mahmoud Tavakoli, diretor do SPM, criou uma equipa que está a trabalhar em vários dispositivos maleáveis eletrónicos, estes adaptam-se à pele humana de modo a facilitar a obtenção de dados. O desenvolvimento deste projeto passou por várias questões como, imprimir circuitos elétricos em formato de tatuagem que sejam maleáveis e compactos, sem que apresentem perda de condutividade e como fazê-los interagir com microships. Uma das adversidades do projeto é a necessidade de ter fontes de alimentação para que os dispositivos possam funcionar durante algum tempo. No entanto, não existem baterias maleáveis no mercado, o que levou esta equipa de investigadores a criarem uma solução, iniciando assim o projeto Stretchable Printed Battery.
O objetivo segundo o Professor Doutor Mahmoud Tavakoli: “Para um sistema de biomonitorização funcionar durante dias, é necessário adicionar baterias, uma vez que as pilhas em forma de moeda não vão ao encontro das especificidades dos nossos projetos, foi necessário encontrar uma alternativa, de modo a obter uma bateria fina, maleável e de fácil fabrico em qualquer das formas que quisermos.” As baterias são produzidas por camadas e o método de produção consiste em imprimir os circuitos a toner (com uma impressora comum) que são posteriormente cobertos com materiais condutores. Estivemos em conversa com Cristina Leal, investigadora do ISR, que nos explicou melhor o funcionamento e as características destas baterias.
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“Primeiro, imprime-se um circuito baseado em metal líquido. O resultado é uma estrutura que conduz como um metal-líquido, mas que está sólida e agarrada ao substrato. Temos então uma dualidade de propriedades: um circuito maleável, mas com propriedades metálicas. A esta primeira camada chamamos um “coletor de corrente” - uma camada que em termos de condutividade é a mais eficiente. As outras camadas podem deixar de funcionar, mas esta irá sempre conduzir. Devido à sua funcionalidade (e por ser uma camada tão fina) é preciso protegê-la do fenómeno de oxidação. Portanto, por cima, cobrimos com uma camada de carbono, que impede a interação do eletrólito com o coletor de corrente. Por fim aplicamos uma camada com bastante prata e outra com bastante zinco, que são os ingredientes base da nossa bateria.” Foram realizados testes para avaliar a capacidade de armazenamento de energia da bateria e os resultados foram muito positivos. Para além disso, também foi avaliada a elasticidade das baterias e a sua resposta a este tipo de stress. “As baterias são bastante esticáveis. Para os testes de extensão, as baterias foram esticadas até 30% (valor escolhido com base na extensão natural da pele humana, que é 25%) e os resultados foram muito bonsUm resultado interessante que foi retirado destes testes é que as baterias aumentam a capacidade depois de serem esticadas.” Os resultados falam por si e antecipa-se um futuro com aposta nestas baterias. O Professor Doutor Mahmoud Tavakoli faz a sua própria previsão: “Estas baterias podem ser usadas para adesivos de biomonitorização, que podem ser usados por cima do corpo humano para monitorizar a saúde humana. Também podem ser integradas/imprimidas em superfícies de sistemas IoT (Internet of Things) ou de sistemas IoMT (Internet of Medical Things), de modo a reduzir o tamanho dos mesmos.”
This work has been supported by OE - national funds of FCT/MCTES (PIDDAC) under project UID/EEA/00048/2019
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O Instituto de Telecomunicações (IT) é uma organização privada e sem fins lucrativos, composta por nove institutos espalhados pelo país. Tem como principais funções, criar e estender o conhecimento científico na área de telecomunicações. Está estruturado em torno de três polos: Universidade de Aveiro, Universidade de Coimbra e Instituto Superior Técnico de Lisboa. Em Coimbra, mais concretamente no Departamento de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores, possui 5 laboratórios devidamente equipados, destinados à pesquisa e educação.
ÁREAS DE INTERVENÇÃO Comunicação sem fios Comunicação ótica Redes e Multimédia Ciências básicas e tecnologias de suporte
Laboratórios: •Propagação e Antenas •Comunicação de Imagem •Comunicações óticas •Sistemas de energia •Processamento de Sinal O IT promove ativamente um nível avançado de investigação científica através de uma “Política de Qualidade” publicada em 2011, presente no site da instituição. Anualmente, o IT, estima uma produção científica de aproximadamente 40 livros e capítulos, mais de 350 artigos em revistas científicas internacionais, mais de 450 artigos em conferências internacionais e mais de 10 patentes registadas. 24
Investigando com
Gabriel Falcão Por Guilherme Carvalho
Projeto HAnDLE Hardware Accelerated Deeep Learning Framework
Palavras Chave •FPGAS FIELD-PROGRAMMABLE GATE ARRAY é uma tecnologia poderosa e flexível, que permite implementar uma arquitetura em hardware de forma reprogramável. Com vista a solucionar muitos problemas enfrentados pelo setor da tecnologia, é um caminho para resolver o alto consumo de energia. •DEEP LEARNING é uma área proveniente de Machine
Learning que estuda e simula as redes neuronais. Em 2018, Yann LeCun, Yoshua Bengio e Geoffrey Hinton, observaram que, com algumas alterações algorítmicas, nomeadamente através da criação de mais camadas/redes, se obtinham melhores resultados, “a forma como olhamos para o problema mudou (…) elas reinventaram a área de Deep Learning, os resultados são incríveis”. Esta revolução permitiu-lhes ganhar o Turing Award nesse ano.
Em que consiste o Projeto HAnDLE? “O projeto “HAnDLE” (“Sistema de Processamento Dedicado para Aprendizagem Profunda”), é uma colaboração entre o Instituto de Telecomunicações do Polo II (IT Coimbra) e o Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores (INESC-ID Lisboa). O Orçamento está dividido pelos dois polos e é responsabilizado pelo Professor Nuno Roma (PI) do Instituto Superior Técnico e o Professor Gabriel Falcão (Co-PI) da FCTUC. Tem como objetivo implementar arquiteturas para Deep Learning de modo a reduzir o consumo energético, mantendo elevada
capacidade de cálculo computacional. O foco do projeto é implementar uma rede de Deep Learning e criar arquiteturas em FPGA, de modo a minimizar o consumo energético. A implementação desta rede é produzida em dois passos: Treinar a rede Deep Learning e implementar o hardware para operar em situações comuns. O primeiro objetivo passa por treinar a rede, ou seja, fornecendo-lhe um conjunto de estimuladores distintos, mas correspondentes à mesma interpretação e atribuindo o significado desse estímulo, de modo a que a rede consiga aperfeiçoar o seu reconhecimento num processo “back-and-forward”. 25
Se quero reconhecer sinais rodoviários, dou-lhe milhares de sinais de estrada, como por exemplo milhares de STOPs, fotografados de ângulos diferentes, com luminosidades diferentes, dimensões diferentes... Vou treinar a rede e vou dizer: “Isto é um STOP”. E a rede, por um mecanismo de convolução/filtragem e “back and forward propagation” vai afinando os filtros com autoaprendizagem a cada iteração, ao longo de milhares de iterações, para detetar formas, cores e outras features de um STOP. Comparando a saída obtida com a saída correta, sou capaz de calcular o erro e a partir daí aplicar um gradiente para corrigir os filtros. A partir do momento em que um STOP está bem treinado, eu treino o sinal seguinte. No final, vou ser capaz de classificar vários sinais distintos. Ou seja, o processo de treino é muito exigente a nível computacional e entramos no primeiro problema que queremos resolver, o problema da computação pesada/ intensiva que deve ser processada o mais rapidamente possível. Normalmente, usa-se muitos clusters de GPUs, que possuem uma capacidade de cálculo enorme. O segundo objetivo implica usar a rede, já treinada, em situações do quotidiano que envolvem a utilização de processadores com acesso limitado a energia (e.g., sistemas móveis). Ou seja, neste momento, o objetivo passa por, no processo de utilização de rede, usar a menor quantidade de energia possível, sendo capaz de produzir os cálculos desejados em tempo-real.”
Model B CONVOLUTION NEURAL NETWORK Input/L1
L2
L3
L4
L5
Output
Outro fator determinante é a precisão de dados. Tipicamente, neste contexto, os dados representam-se por vírgula flutuante (floating-point, 32bits). Um aspeto que queremos abordar com o projeto HAnDLE é que não precisamos de dados com tanta precisão. Com menos bits, apesar de a exatidão não ser necessariamente a mesma, conseguimos obter resultados quase tão bons (em muitos casos essa diferença é desprezável). Logo, o consumo energético e o consumo de memória (outro bottleneck das arquiteturas de computadores modernos) seriam muito mais baixos. Qual é a diferença entre o throughput de uma arquitetura mapeada em FPGA e o desempenho de um cluster de GPUs? FPGA é um dispositivo eletrónico reconfigurável, que não apresenta potencial de cálculo computacional tão elevado como o de uma GPU. Uma GPU tem uma capacidade de cálculo enorme devido à grande quantidade de processadores (milhares) e à elevada largura de banda que suporta. A quantidade e variedade de instruções que consegue processar, por segundo, é muito superior. Por outro lado, a arquitetura que eu mapeio na FPGA simplesmente faz o que eu a instruo para fazer, isto é, executa apenas as operações de que eu necessito para a aplicação em causa. É como um alfaiate, faz os fatos à medida. A FPGA permiteme assim construir a arquitetura da minha rede neuronal à medida. Isso significa que o circuito gerado pela arquitetura é muito mais simples que o core de uma GPU, logo permite introduzir paralelismo e, portanto, o desempenho da FPGA melhora substancialmente, mas com um consumo energético muito mais reduzido.”
Model B INPUT SAMPLE + L1 & L2 OUTPUTS BEFORE RELU 32-BIT
8-BIT 0.80
Convolution Layer
Convolution Layer
Fully-Connected Layer
Fully-Connected Layer
Output
(5x5) nx28x28
(5x5x4) nx28x28x4
(4x4x8) nx14x14x8
nx7x7x12 nx588
nx200
nx10
SAMPLE INPUT
0.60 Convolution Layer
Estrutura simplificada de uma rede de convolução (convolutional neural network ou CNN)
0.20 0.00 2.00 1.00
O projeto HAnDLE tenta resolver essas duas questões? L1 OUTPUT
0.00 -1.00 -2.00
2.00 1.75 1.50 1.25 1.00 0.75 0.50 0.25 0.00 1.00
L2 OUTPUT
“Neste contexto de classificação de imagem, designa-se por inferência o processo de identificar automaticamente a entrada. O problema de processamento pesado não se verifica de forma tão intensa, quando comparado com o processo de treino, mas ainda assim, preciso de fazer o reconhecimento em dispositivos limitados em energia (carros, telemóveis, ...). Portanto o “throughput” (capacidade de cálculo) e o consumo energético são as duas questões de fundo que o projeto HAnDLE tenta resolver. O objetivo é implementar uma arquitetura que faça só a rede. Faz sentido fazer o treino na GPU, com um cluster de GPUs, e depois fazer a inferência na FPGA, que pode ser facilmente implementada num dispositivo móvel. O consumo energético assim baixaria. 26
0.40
4.00
0.75
2.00
0.50
-0.00
0.25
-2.00
0.00 -0.25
-4.00
-0.50 -0.75
Comparação de uma imagem processada em 32 bits e 8 bits e diferentes filtros, à saída das respetivas camada
Em termos de resultados, foram os pretendidos? “Nós já validámos os algoritmos de redes binárias, em que a representação de dados (pesos e entradas), baixa de 32 bits para 1 bit! Estaremos, talvez dentro do próximo mês, preparados para começar a implementação em FPGA. O processo de treino já está concluído.”
Nas páginas seguintes, é aprofundado um projeto de investigação do INESC Coimbra
O Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores de Coimbra (INESC Coimbra) é um Instituto de pesquisa e desenvolvimento afiliada à Universidade de Coimbra (UC), ao Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores de Coimbra (INESC) e o Politécnico Instituto de Leiria (IPL), sem fins lucrativos. Existe praticamente desde 1986, mas em 2002 começou o seu trabalho de forma independente. A missão principal do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores de Coimbra é a realização de atividades de investigação científica, desenvolvimento tecnológico, transferência e integração de conhecimento, tendo por base disciplinas das Ciências de Engenharia e das Ciências de Gestão / Investigação Operacional, visando contribuir para a melhoria do desempenho global de empresas e instituições e para o progresso do conhecimento.
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F
M
Investigando com
Carlos Henggeler Por André Teixeira
T F E
C
P E
Carlos Henggeler Antunes holds a Ph from the University of Coimbra in 1992 Engineering, Faculty of Sciences and of de theenergia Energypara for Sustainability Modelos e algoritmos para sistemas automatizados de gestão otimizar a res-Initiative posta dinâmica da procura nos setores PME e residencial optimization using meta-heuristics, mu on energy efficiency and demand resp specialized consulting for companies. Existe atualmente em todo mundo a preocupação sobre o desenvolvimento sustenconference proceedings. He is ao-aut
Projeto MAnAGER
tável, para o qual a gestão eficiente de energia deve contribuir. Como gerir de forma eficiente todos os recursos energéticos? Como podemos aumentar a participação das energias renováveis?
O projeto MAnAGER tem como objetivo o desenvolvimento de modelos e algoritmos a incluir em sistemas automatizados de gestão de energia para otimizar a resposta dinâmica da procura nos sectores PME e residencial. A gestão integrada de todos os recursos energéticos (rede, cargas que prestam serviços de energia, microgeração local e armazenamento) pode contribuir para tornar mais eficiente toda a cadeia de valor do setor elétrico, com vantagens para todos os atores do sistema, incluindo os operadores de rede, os comercializadores e os consumidores. O projeto está a ser realizado por uma equipa de investigadores do INESC Coimbra, que conta como coordenador o Prof. Carlos Henggeler, docente no DEEC – FCTUC, e como cocoordenadora a Dra. Marta Lopes (ESAC-IPC). 28
Course Description: In most real-world problems, multiple a which should be explicitly taken into a Segundo o Prof. multiple Carlos Henggeler, o objetivo destesanalysis, modelos in w criteria decision e algoritmos é fazer uma otimização integrada de todos os which aregestão generally conflicting and inc recursos energéticos – rede, das cargas, microgeração local, armazenamento em baterias estáticas ou baterias de veículos elétricos. Os alvos principais são as PME (Pequenas e Médias Empresas) e a área residencial. Topics covered
■ Introduction motivation and “O contexto do projeto é a necessidade-de descarbonização da intere economia e o aumento da participação das fontes renováveis na Problemdos formulation, an matriz de geração.■A participação recursos do ladodefinitions, da procura permitirá contribuir para um paradigma gestão do sistema ■ Techniques to de compute non domin em que a “carga segue a geração”, em vez de, por exemplo, recorrer a centrais de rápido, methods que são mais caras e mais ■ arranque Interactive in Multiobjectiv poluentes, apenas para servir as pontas do diagrama de carga de TheeiMOLPe - otimização interactive MOLP ex curta duração. Os ■ modelos algoritmos de desenvolvidos no projeto MAnAGER podem ser implementados num pro■ Multiobjective Integerdeand cessador de baixo custo em sistemas automatizados gestãoMixed-In de energia. Esta gestão integrada dos recursos energéticos permitirá adaptar a carga às disponibilidades da geração e às condições da rede, possibilitando um aumento da componente renovável. Contribui também para o adiamento de investimentos no reforço de capacidade, quer na geração, quer nas redes de transporte e
distribuição, para além de permitir que os comercializadores e os consumidores possam tirar partido de tarifas dinâmicas.” Os resultados do projeto poderão trazer, ao consumidor e ao comercializador, a capacidade de uma melhor gestão dos esquemas tarifários, com benefícios mútuos. “Uma das tarefas do projeto é o desenvolvimento de modelos e algoritmos para a otimização de tarifas dinâmicas do tipo time-of-use. É o contexto de um comercializador que pretende oferecer um tarifário com preços diferenciados no tempo para maximizar os seus lucros, mas está sujeito a ações de resposta dinâmica da procura, ou seja, o consumidor ajusta depois o funcionamento das suas cargas de acordo com os preços time-of-use. Este tipo de decisões sequenciais é modelado por modelos de programação matemática em dois níveis, em que para cada instanciação de preços especificado pelo comercializador para maximizar os seus lucros, o consumidor reage reajustando a operação dos seus equipamentos para minimizar a sua conta de eletricidade. A obtenção de soluções ótimas nestes modelos é teórica, metodológica e computacionalmente muito difícil, e a equipa de investigação tem obtidos novos resultados.”
Apesar da existência de tarifas com preços variáveis no tempo, tarifas bi/tri/tetra-horárias, estas são, em geral, estabelecidas para longos períodos de tempo, com variações não muito grandes. “O trabalho que estamos a desenvolver situa-se num contexto previsível de evolução das redes elétricas para as chamadas redes inteligentes (smart grids), onde os consumidores assumirão um papel relevante na eficiência global do sistema. Uma tendência expectável é a oferta de tarifas dinâmicas, i.e., anunciadas com pouco tempo de antecedência (por exemplo, um ou dois dias). A ERSE (Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos) tem em curso um projeto piloto de tarifas dinâmicas para grandes consumidores, embora só aplicadas à componente das tarifas de acesso às redes. O consumidor deve adaptar-se e tirar partido dos preços variáveis através da flexibilidade que, em geral, tem na utilização dos serviços energéticos. Este processo de reação deve ser automatizado, incorporando nos algoritmos de otimização dos sistemas de gestão de energia as preferências e requisitos do consumidor. No âmbito do projeto, esta “inteligência computacional” parametrizada pelas preferências e hábitos dos consumidores foi já implementada num Raspberry Pi, para otimizar a operação de diferentes tipos de carga, como as cargas deslocáveis, as quais têm um ciclo de operação que não pode ser interrompido, cargas interrompíveis e cargas termostáticas. Há depois outro nível, que é o de usar a flexibilidade temporal que tipicamente os consumidores têm na operação das suas cargas para a prestação de serviços ao operador de rede. Ou seja, o consumidor pode fazer funcionar o equipamento mais cedo ou mais tarde em relação ao que é habitual se os preços forem mais favoráveis. Como não se trata de serviços críticos, existe alguma flexibilidade na operação do equipamento, possivelmente pre-
judicando um pouco o conforto para poupar um pouco na conta de eletricidade. Do lado da rede, a exploração desta flexibilidade pode também ser benéfica, podendo contribuir com os sinais de preços para tornar o diagrama de carga mais plano. A exploração da flexibilidade do consumidor é absolutamente essencial nas soluções que podem ser oferecidas no contexto das smart grids, nas quais os consumidores terão um papel cada vez mais ativo. Assim, em vez da geração seguir a carga, a carga adapta-se, na medida do possível, à geração disponível e ao estado da rede.”
A implementação dos modelos e algoritmos desenvolvidos no projeto MAnAGER para a gestão energética poderão contribuir positivamente para a eficiência do sistema, com vantagens para todos os intervenientes - operadores de rede, comercializadores e consumidores. A implementação das preferências e dos requisitos de qualidade de serviço do consumidor nos modelos de otimização num processo automático, a gestão integrada dos recursos energéticos incluindo a microgeração e o armazenamento local, quer em baterias estáticas, quer em baterias dos veículos elétricos, são potenciais vantagens. Sobre a implementação, o diálogo com o coordenador do projeto diz que a inteligência artificial e a inspiração de processos físicos e biológicos são grandes fatores no desenvolvimento dos modelos e algoritmos. “Há três vias metodológicas principais em que temos estado a trabalhar: - o desenvolvimento de modelos de programação matemática, modelos exatos, que são mais exigentes quer do ponto de vista metodológico, quer do ponto de vista computacional; - o desenvolvimento de abordagens meta-heurísticas, em geral baseadas em analogias de processos físicos ou biológicos, por exemplo algoritmos genéticos, para ter soluções não garantidamente ótimas mas de boa qualidade, com um esforço computacional mais pequeno; o desenvolvimento de modelos baseados em agentes que interagem entre si. Umas das componentes essenciais na evolução para as smart grids é a inteligência computacional distribuída por toda a rede, utilizando técnicas de otimização, de inteligência artificial, de data mining. Os enormes volumes de dados que estarão disponíveis, em particular dos smart meters, permitirão extrair conhecimento para o desenho de estratégias de gestão dos recursos energéticos, incluindo ofertas comerciais mais adaptadas para o perfil de cada consumidor, bem como aspetos relacionados com a gestão das redes, resiliência, previsão da procura e da geração.”
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A European Robotics Week é um evento espalhado por toda a Europa, onde é dado destaque à robótica em todas as suas áreas de aplicação. Foi neste âmbito que no ano passado surgiu uma parceria entre o Instituto de Sistemas e Robótica, o NEEEC/AAC e o Clube de Robótica, no sentido de dinamizar eventos durante esta semana no DEEC, local de excelência para expor estes temas. Este ano não foi diferente e como tal a Robotics in Our Lives II ganhou forma e ocorreu entre os passados dias 18 e 25 de novembro. O foco principal deste evento foi mostrar à comunidade do DEEC o que é desenvolvido no Departamento, num ambiente de partilha e networking com os diversos docentes e alunos envolvidos. O programa foi rico e contou com palestras, workshops, demonstrações de projetos e uma visita aos laboratórios do ISR. No primeiro dia, o professor Lino Marques apresentou “Push button agriculture: Robotics for Precision Farming” onde foi abordada a utilização de agentes robóticos para desempenhar tarefas agrícolas, melhorando assim a sua eficiência. O dia terminou com um workshop de Arduino.
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Ao início da tarde de terça-feira houve uma demonstração de projetos no corredor do piso 4, dinamizada pelo Clube de Robótica. “Challanges of Medical Robotics” apresentada pelo professor Rui Cortesão explorou o envolvimento da robótica na medicina, especialmente como ferramenta de apoio a procedimentos cirúrgicos. Durante a tarde, foram ministrados workshops de IOT e de ROS, com foco na aplicação prática destas tecnologias. Quinta-feira, foi apresentada uma abordagem inovadora que se apresenta como solução para algumas das limitações das arquiteturas de computadores atuais: “Probabilistic Machines for a Uncertain Robotic World” apresentada pelo professor Jorge Lobo deu a conhecer máquinas que realizam processamento com base na forma de pensar do ser humano. “Emotional Robotics” apresentada por Bruno Patrão revelou projetos de robótica desenhada para interagir com pessoas, dando ênfase nos métodos de reconhecimento emocional que estão a ser desenvolvidos e expondo todas as dificuldades e cuidados necessários nesta interação. Os laboratórios do ISR receberam na segunda-feira, dia 25, os alunos interessados em conhecer o palco onde docentes, alunos e investigadores desenvolvem os mais diversos projetos, muitos deles apresentados nos eventos ao longo da semana, terminando assim a Robotics in Our Lives II.
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28 e 29 jan
BUILDING THE FUTURE
ENE3 13 a 16 fev
Bot Olympics 2020
TecStorm 20
31 mar
11 a 15 fev
28 fev a 1 mar
Aniversário do NEEEC/AAC
Sabias que a Câmara Municipal de Coimbra iniciou a implementação de mais de 14,5km de ciclovias que visam conectar Coimbra B à Portela e Vale das Flores? Com esta obra, poderás conjugar o projeto “Ucicletas” do Gabinete de Desporto da Universidade de Coimbra. Este projeto consiste na cedência e utilização temporária de bicicletas na Universidade de Coimbra que promove hábitos de atividade física e ajuda a alcançar os objetivos para o desenvolvimento sustentável. Para mais informações consulta a página do Gabinete de Desporto da UC.
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