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2ª Edição do "Zener"

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2ª Edição | Abril 2019

Entrevista Especial com Engenheiro Pedro Carreira À conversa com Rui Rocha

Investigando com: Fernando Perdigão Álvaro Gomes Paulo Menezes


Editorial Caros leitores, É com um orgulho desmedido que vos exibimos a 2ª edição do Zener, a revista do Núcleo de Estudantes de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores da Associação Académica de Coimbra. O Zener é uma revista do Núcleo de Estudantes de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores da Associação Académica de Coimbra.

Nesta edição, apresentamos uma grande novidade, uma entrevista especial com o Engenheiro Pedro Carreira, que agradecemos desde já toda a disponibilidade, recetibilidade e cortesia.

Direção Editorial

No decorrer destas páginas vão encontrar algumas das atividades desenvolvidas pelo NEEEC/AAC, outras relacionadas com a área de Engenharia e ainda, mais especificamente com a Engenharia Eletrotécnica. Em seguimento das parcerias já realizadas aquando da primeira edição, com os três institutos que residem o DEEC, voltamos a expor projetos de investigação, para incentivar a ligação entre os estudantes e a investigação esplêndida que decorre no nosso departamento. Assim, queremos gratificar todos os docentes que se disponibilizaram para colaborar com o Zener.

Ana Margarida Gonçalves e Joana Dourado Paginação Ana Margarida Gonçalves e Joana Dourado Grafismo Daniel Cruz Redação Ana Margarida Gonçalves, Catarina Martins, Joana Dourado, Margarida Amaro, Nelson Pinto e Ricardo Matias Tiragem 200 exemplares Distribução Gratuita Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra Departamento de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores, Polo II, Pinhal de Marrocos 3030-290 Coimbra

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Não podemos findar sem antes deixar uma nota de reconhecimento a todos aqueles que cooperaram connosco, detalhadamente ao Coordenador Geral do Pelouro da Pedagogia e GAPE, Pedro Cavaleiro, ao Luís Pedro Rosa, Coordenador Geral do Pelouro das Relações Externas, bem como à Coordenadora Geral das Saídas Profissionais, Ana Calhau, ao Daniel Ferreira, presidente do BEST e ao Dylan Denizon, pelo seu testemunho. Gratular também, os colegas que, a par do tema da Semana nos Ramos, nos cederam o seu tempo para uma pequena entrevista, bem como aqueles que ofereceram uns minutos para a elaboração da crónica “Caloiros vs Finalistas”. Em remate final, regraciar o André Duarte, o João Bento, o João Martins e o Matias Correia, pela coadjuvação prestada. Ambicionamos a todos uma excelente leitura! Da vossa equipa do Zener


Mensagem do Presidente do NEEEC/AAC Ao apresentarmos a última edição do Zener para o presente mandato 2018/2019, vejo-me na necessidade de fazer uma retrospectiva de como foram estes últimos meses e o nosso trabalho como equipa. Desde o início, o nosso mote eleitoral foi “Elevar Electro” nas suas diferentes vertentes. Começámos por olhar para as Saídas Profissionais como uma área que necessitava de uma maior ligação representativa entre a nossa comunidade e o mundo “corporate”. Em setembro, realizámos a F3E, onde estiveram envolvidas 14 empresas numa feira que, neste último ano, se verificou como sendo a maior feira de engenharia do Polo 2. Acolhemos o Pitch Bootcamp X que reuniu, num único espaço, 80 alunos e cerca de 60 empresas. No âmbito Pedagógico, abordámos os inquéritos pedagógicos com uma nova perspetiva, pois queríamos uma maior representatividade das respostas e diversidade de queixas e sugestões da parte dos estudantes. Reformulámos os espaços de discussão com a presença e intervenção da Provedora de Estudante e face à Reestruturação de Curso vimos como uma prioridade o apoio prestado a qualquer questão dos nossos colegas. No contexto recreativo, destaca-se a realização da Noite de Fados e o tradicional Magusto. Para as camisolas de curso serem do maior agrado dos nosso colegas demo-lhes a decisão de seleção do melhor design das mesmas. Por último, mais recentemente, a Gala Ohms D’Ouro, onde 140 membros da nossa comunidade reuniram durante uma noite num ambiente descontraído e de convívio. Aumentámos a ligação aos institutos de investigação com a maior divulgação e envolvimento dos mesmos nas nossas atividades. Saliento a adesão na Semana dos Ramos e o interesse dos alunos em ter contacto com os primeiros passos do mestrado e o seu futuro. Durante 4 dias trouxemos vida ao nosso departamento e ao Alma Shopping através do Bot Olympics’19. Meses de dedicação e trabalho levaram ao envolvimento de mais de 200 pessoas, desde participantes, voluntários, mentores, staff, organização e convidados, que tornaram a nossa competição de robótica na melhor edição de sempre. Destaco também os fortes e inteligentes métodos de comunicação para atrairmos e cativar o máximo de interessados para as nossas iniciativas. E os números não mentem. Conseguimos apresentar um excelente relacionamento com o DEEC, FCTUC e Clube de Robótica na divulgação do MiEEC/ UC pelo país, em atividades como a Futurália e Qualifica e no acompanhamento e apresentação do nosso meio académico aos alunos do Ensino Secundário. Uma das chaves do nosso sucesso, deve-se à boa ligação, abertura e diálogo constante com a Direção do DEEC e a Direção Geral da Associação Académica de Coimbra, que mutuamente trabalhamos para o melhor interesse da nossa comunidade. Sabemos do impacto que a nossa instituição tem em qualquer membro do DEEC e por isso, seguimos focados em deixar o nosso compromisso de continuar a assumir um papel preponderante na defesa dos interesses dos nossos colegas.

A todos os que cooperaram no crescimento da nossa instituição, um muito obrigado.

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Índice 5

ENE3 - Encontro Nacional de Estudantes de Engenharia Electrotécnica

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Bot Olympics’19

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Jornadas Pedagógicas

Qualifica Futurália Visita a Lisboa

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EBEC Coimbra 2019 BEST Engineering Week

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Semana dos Ramos Gala Ohms D’Ouro Entrevista Especial com Engenheiro Pedro Carreira À conversa com Rui Rocha Pitch BootCamp X IT – Investigando com Fernando Perdigão INESC – Investigando com Álvaro Gomes ISR – Investigando com Paulo Menezes Tradição Caloiros vs Finalistas

Patrocinadores:

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Encontro Nacional de Estudantes de Engenharia Electrotécnica O Encontro Nacional de Estudantes de Engenharia Eletrotécnica realiza-se anualmente, contando já com 7 edições, por diversas cidades de Portugal. É organizado por estudantes e tem como objetivo juntar alunos de todo o país, bem como várias personalidades influentes, ligadas ao ramo da engenharia eletrotécnica. Este evento é uma oportunidade para trocar experiências e conhecimentos entre alunos do Ensino Superior, com palestras e workshops com inúmeros oradores e várias atividades lúdicas, tanto em horário diurno como noturno, que visam o convívio entre todos. Podem incluir atividades como peddy tascas, peddy paper e febradas.

Dylan Denizon, um dos participantes, contou-nos a sua experiência:

“No primeiro dia, depois de termos feito o check-in e deixado as mochilas no pavilhão, fomos jantar dentro do campus, num convívio, seguido de um espetáculo do Quim Roscas e Zeca Estacionâncio. Na manhã seguinte, tivemos workshops e palestras relacionadas com eletrotécnica, bastante interessantes. Depois de almoço, participamos num pitch e numa feira que incluíram várias empresas como a Delloite, Nokia, Bosch... Acabámos a noite com atividades em grupo. No penúltimo dia tivemos vários workshops na parte da manhã, incluindo como fazer o CV, onde aprendi várias coisas novas e esclareci várias dúvidas. A tarde foi preenchida por palestras. Para terminar, tivemos um jantar de despedida e visita noturna à Praça de Aveiro. O dia seguinte foi para arrumar e ir embora. No geral adorei, conheci pessoal mesmo porreiro e espero ir no próximo ano.” Por Ricardo Matias

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A maior competição de robótica da região centro de Portugal, o Bot Olympics, realizou-se no final do passado mês de fevereiro, no DEEC. O evento que atraiu, pela primeira vez, estudantes desde o quinto ano de escolaridade até ao ensino superior, de Norte a Sul do país, é organizado por uma Comissão Organizadora liderada, em conjunto, pelo NEEEC/AAC e pelo Clube de Robótica da Universidade de Coimbra. Muitos foram os esforços dos membros organizadores para proporcionar um ambiente de estímulo à competição para estudantes, que, durante 72 horas, puderam assistir a palestras, workshops, visitar a cidade, ter momentos de lazer, desafios surpresa, formações e ainda muito tempo para programar os robôs. O pontapé de saída do Bot Olympics’19 deu-se com uma sessão de abertura disruptiva apresentada pela Tânia Covas (DIITS/UC). Num auditório A3 completamente lotado, além das palavras de motivação e congratulação do Presidente do NEEEC/AAC, João Martins, do Presidente do CR/UC, Paulo Almeida, Presidente da DG/AAC, Daniel Azenha, do Diretor do DEEC, Dr. Humberto Jorge e do Vice-Diretor da FCTUC, Dr. Sérgio Seixas de Melo, os participantes foram recebidos pelos coordenadores do evento, João Bento e André Duarte, que, além de lhes darem as boas vindas, explicaram todo o funcionamento do evento e esclareceram eventuais dúvidas. Os coordenadores desvendaram ainda 3 surpresas das competições, garantindo assim um fator de inovação às provas do presente ano, a serem ultrapassados pelos participantes durante o fim de semana. Após as formações que se seguiram à sessão de abertura, numa lógica de ligação à cidade, os participantes foram convidados a participar num Peddy Paper pelos principais pontos históricos de Coimbra para que não viessem à Universidade de Coimbra sem ter contacto com o ambiente único que a cidade dos estudantes proporciona. Os vencedores de cada escalão ganharam acesso direto a um quizz feito na noite de sexta-feira que lhes deu alguns pontos de vantagem para a prova final. A partir das 18 horas de sexta-feira deu-se o tiro de partida para 40 horas de programação non-stop. A competição dividiu-se em três escalões: a prova FCTUC, direcionada a alunos do ensino universitário, a prova Bot’n Roll, para alunos do Ensino Secundário e a prova 6

SPC, estreia absoluta da edição deste ano, para alunos do Ensino Básico. Todas as provas foram limitadas a 10 equipas sendo, cada equipa, composta por 4 alunos e um professor, perfazendo assim um total de 140 participantes, o dobro do ano anterior que já tinha sido um recorde de participantes até à data. Outra das novidades deste ano foi a abertura de inscrições individuais no caso da prova FCTUC, dando assim oportunidade a qualquer pessoa sem equipa de se inscrever e formar assim uma equipa com outras pessoas na mesma condição. Desde a sua criação, em 2015, o Bot Olympics já teve 396 participantes e mais de 100 parceiros diferentes. Na edição de 2019, participaram escolas dos 4 cantos do país, desde o Minho ao Algarve. Desde o início, o Bot Olympics é organizado pelo NEEEC/ AAC e pelo Clube de Robótica. Os robôs da prova FCTUC (Universitária) são feitos pelo Clube de Robótica da UC.

As provas, que diferiram todas entre si, eram compostas por diferentes desafios com vários graus de dificuldade. Enquanto que o objetivo nas provas pré-universitárias era percorrer um labirinto sendo dada primazia à deteção de paredes, linhas e cor, a prova FCTUC exigiu que o robô detetasse um fogo numa divisão de uma casa, simulada na arena de competição, e o apagasse. Todas as provas têm diferentes aspetos em consideração na obtenção da classificação final, sendo importante o tempo que os robôs demoram a executar a prova, os objetos em que embatem, a quantidade de vezes que necessitam de reiniciar o percurso, entre muitos outros. Para além dos requisitos básicos, os participantes dispunham de vários


valores bónus, que podiam ser obtidos quer pela conquista de vários pontos em desafios extra ao longo do evento, como em perícias não obrigatórias pré-definidas para cada uma das provas, como, por exemplo, a capacidade de regressar ao ponto inicial da partida após completar o objetivo. Cada prova teve diferentes robôs que foram disponibilizados pela organização. A prova do escalão mais júnior, dispôs dos robôs Mbot cedidos pela SPC, a prova intermédia utilizou os robôs da Bot’n Roll, enquanto que a prova para o público mais velho fez uso dos robôs produzidos no Clube de Robótica da UC. Os vencedores arrecadaram prémios que correspondem a inúmeros apoios dos parceiros do evento, para além de um investimento superior a dois milhares de euros por parte da organização. Desde bilhetes gerais para a Queima das Fitas 2019, bilhetes gerais para o RFM Somnii, Arduinos, Raspberry PI, colunas portáteis, headphones e ainda dezenas de brindes de empresas patrocinadoras, a lista de prémios teve como objetivo, de acordo com André Duarte, coordenador do Bot Olympics’19, assegurar a cada um dos vencedores um prémio de cariz mais lúdico, e previsivelmente mais atraente, e outro prémio de cariz mais técnico fomentando o carácter pedagógico do evento. André refere ainda que, além dos vencedores, todos receberam uma medalha de participação, dando alento a todos por se terem deslocado ao evento, terem-se esforçado e participado nas provas.

Refere, também, que se encontra “perplexo” com o facto dos participantes da prova SPC, apesar de serem ainda extremamente novos, serem capazes de programar robôs e alcançarem os objetivos propostos com tão ou mais destreza que os colegas mais velhos. No pódio da prova SPC estiveram as equipas “CRFreixo” (1º lugar) do Agrupamento de Escolas de Freixo, “RealBots” (2º lugar) do Real Colégio de Portugal e “Roboyzinhos19” (3º lugar) do Agrupamento de Escolas de Gouveia. Já na prova Bot’n Roll, a equipa “PRODE” da Escola Secundária Avelar Brotero obteve o 1º lugar, seguindo-se da equipa “BotPombal” do Agrupamento de Escolas de Pombal que obteve o 2º lugar e por fim, a equipa “Os Vouzelenses” do Agrupamento de Escolas de Vouzela e Campia que obtiveram o 3º lugar.

2019 foi o ano de estreia do ensino básico no Bot Olympics. As inscrições do Bot Olympics’19 esgotaram com mais de um mês de antecedência. Os vencedores da prova FCTUC são todos estudantes do 2º ano do MiEEC/UC. Os prémios do Bot Olympics’19 ascenderam a um esforço de 2000€ por parte da organização para além de dezenas de prémios oferecidos pelos parceiros do evento.

Na prova FCTUC o 1º lugar foi atribuído à equipa “BOT’o recurso”, alunos de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores da Universidade de Coimbra, o 2º lugar foi para a equipa “botMarley”, constituída também por alunos de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores e por fim o 3º lugar foi para a equipa “Lil Pumps”, alunos da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. No final do evento, Paulo Almeida, coordenador do evento, garante que o balanço é extremamente satisfatório e salienta os números alcançados na presente edição. Refere ainda como essencial consolidar este novo formato do Bot Olympics nas próximas edições, referindo que qualquer aposta não ponderada poderá reduzir a qualidade de futuras edições do evento.

Na ótica de João Bento, coordenador do Bot Olympics’19, esta edição foi um desafio do ponto de vista técnico e logístico. “Ter 140 participantes com níveis etários, necessidades e exigências, em constante movimento por vários pontos da cidade, é uma tarefa árdua”, mas, no entanto, as expetativas foram superadas com sucesso. 7


A 12ª edição da Qualifica, Feira de Educação, Formação, Juventude e Emprego, que decorreu entre 28 de fevereiro e 3 de março, levou à Exponor 40 mil visitantes, assumindo-se assim como a mais concorrida edição de sempre. Contando com a presença de 115 expositores, esta feira teve, ao longo de quatro dias, um animado programa de atividades, que permitiu aos seus visitantes conhecer uma vasta oferta educativa, nacional e internacional. Os milhares de visitantes que passaram pela Qualifica, puderam ainda assistir a vários desfiles de moda, que mostraram a inovação e criatividade das escolas de moda, têxteis e joalharia, e espetáculos artísticos de cabelo, barba e maquilhagem. Os jogos de vídeo, as paredes de escalada ou pequenas aulas de mergulho foram outras das propostas mais populares.

A Futurália que decorreu entre os dias 4 e 6 de abril, dispõe de uma mostra abrangente, oferecendo todas as áreas e níveis de qualificação, como ensino superior, ensino profissional ou pósgraduação. Instituições nacionais e internacionais. De modo simples e personalizado, os estudantes podem conhecer e tirar dúvidas sobre os diferentes cursos, programas académicos nacionais e internacionais e outras questões relevantes para as suas escolhas de futuro. É um evento dedicado à educação, formação e orientação educativa. Cursos universitários, formação profissional, cursos no exterior, mestrados e cursos de pós-graduação dividem espaço com empresas de equipamento escolar e tecnologias educativas, empresas de recrutamento e entidades financiadoras. O evento conta também com uma programação paralela de palestras, workshops e debates com o fim de orientar os jovens e profissionais visitantes, além de atividades lúdicas, concursos e demonstrações.

O Núcleo de Estudantes de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores esteve presente nos dois eventos a representar o curso e o nosso departamento, respondendo às questões dos mais novos.

Por Nelson Pinto

Visita a Lisboa Decorreu no dia 20 de fevereiro, uma visita a Lisboa, para alunos da Universidade de Coimbra, organizada pelo NEEEC.

Pela parte da manhã, foi visitada a empresa Nova Base. Iniciou-se com uma sessão em que foi explicado o dia-a-dia na empresa, seguida de outra sessão com dois recém empregados que partilharam o seu testemunho com os alunos. Após um coffee break foi realizada uma visita guiada pelas instalações da empresa.

Na parte da tarde, foi visitada a Smart-Consulting. Começou com uma sessão sobre dicas necessárias a ter em conta antes e durante uma entrevista de emprego, bem como acerca do currículo. Seguiu-se de uma palestra sobre a empresa, métodos e progressões na carreira dentro da mesma. Via skype, um trabalhador que se encontra no estrangeiro partilhou a sua experiência em regime outsourcing. Para finalizar trocaram-se ideias durante o coffee break. 8

Por Catarina Martins


Perspetiva do Coordenador Geral da Pedagogia e GAPE, - Pedro Cavaleiro O Pelouro da Pedagogia e GAPE é responsável por uma das mais importantes atividades do NEEEC, a representação dos estudantes perante a comunidade, bem como todo o apoio de cariz pedagógico e social. Muito tem sido feito ao longo dos últimos anos para melhorar o nosso curso, com óbvias melhorias à vista de todos, a todos os níveis. No entanto, nem tudo é perfeito. Existem ainda, da parte de alguns docentes, diversos atrasos e incumprimento de regulamentos. Do lado dos alunos, há um grave problema de assiduidade e interesse pelas aulas, o que se reflete no aproveitamento destes na grande maioria das unidades curriculares. Os eventos realizados pelo Pelouro da Pedagogia e GAPE têm como objetivo a discussão Pedagógica e, embora com níveis de participação relativamente baixos, nunca poderão ser descurados. As últimas Jornadas Pedagógicas iniciaram com a palestra da Prof. Drª. Cristina Albuquerque, Provedora do Estudante e de seguida o Fórum Pedagógico, o local indicado para a discussão dos problemas que todos os dias afetam a comunidade estudantil. Ambas as iniciativas tiveram um nível de adesão reduzido, no entanto, é sempre importante referir a discussão saudável dos problemas do MiEEC nestes eventos, que resultam em grandes melhorias no funcionamento do nosso curso. Nunca a Pedagogia poderá ser esquecida na discussão universitária, dado o enorme contributo que tem sido dado pelas discussões entre alunos, professores e funcionários nos variados eventos pedagógicos da nossa universidade.

Entrevista com Provedora do Estudante - Dra Cristina Albuquerque Resumidamente, qual é o papel da provedora do estudante? O principal papel é a defesa dos direitos e dos interesses legítimos dos estudantes. Isso passa quer pela mediação dos órgãos que tomam decisões, desde os serviços académicos à reitoria e às faculdades e professores, até à elaboração de recomendações que possam vir a facilitar a concretização desses mesmos direitos. Quais são os casos que mais regularmente aparecem na provedoria? Atrasos nas respostas a requerimentos, por parte dos serviços académicos, questões ligadas ao pagamento de propinas, nomeadamente de estudantes internacionais, questões ligadas à relação pedagógica, alguns problemas, por exemplo, ao nível das orientações de dissertação ou de tese de doutoramento, como queixas de estudantes relativamente à não implicação dos orientadores no processo de orientação de tese. Essencialmente isto, pois os atrasos nas respostas a requerimentos são relativos a vários pontos, quer atraso de lançamento de notas, quer inscrições, prescrições, etc.

Como provedora de estudante, qual é o maior desafio? Receber mais sugestões, articular-me com os estudantes no sentido de se poderem definir projetos conjuntos, esse é o grande desafio. Porque reclamações existem e queixas também, agora é preciso criar a outra dimensão, ir para além da reclamação. Esse tem sido o grande desafio, o desafio da vossa participação. Gostava de deixar alguma mensagem para os nossos colegas? A grande mensagem é: Acreditem em vocês e naquilo que podem fazer para transformar as vossas próprias vidas e o modo como concebem o ensino superior, acreditem nas vossas reclamações, fundamentem-nas e manifestem-nas.

Por Ana Margarida Gonçalves e Joana Dourado 9


EBEC Coimbra 2019

Realizou-se entre 9 e 10 de março, a fase local da European BEST Engineering Competition Coimbra 2019. A EBEC Coimbra é a maior competição de engenharia da Europa e é completamente gratuita, na qual todos os estudantes da FCTUC podem participar. Teve uma duração de 24 horas e desafiou os participantes a resolver problemas reais propostos por empresas e a desenvolver as suas soft e hard skills. A competição divide-se em duas categorias: Case Study e Team Design, que são, respetivamente, uma prova teórica e outra prática. Na categoria de Case Study, os participantes focam-se em encontrar soluções viáveis, economicamente interessantes e realistas para os problemas propostos pelas empresas APTIV e a Ansell, passando a maioria das 24 horas em brainstorming intenso para provar que têm capacidade de trabalhar ao mais alto nível! Já no Team Design, os participantes constroem um protótipo funcional com recursos limitados durante as mesmas 24 horas! Os melhores modelos serão utilizados pela ESA BIC Portugal nos seus projetos. As equipas vencedoras desta ronda participarão na ronda nacional EBEC Portugal em Lisboa nos dias 26 a 29 de abril no Instituto Superior Técnico e, por sua vez, os vencedores participarão na EBEC Final em Turim, Itália, durante o mês de julho.

BEST Engineering Week De 8 a 11 de abril realizou-se, no Pólo II da Universidade de Coimbra, a 3ª edição da BEW, BEST Engineering Week. O BEST Coimbra é, anualmente, anfitrião deste evento, revendo a sua missão nesta iniciativa, desenvolvendo e cativando todos os estudantes da FCTUC, a partir de atividades mais técnicas e de suporte à carreira. Durante toda a semana, decorreram várias atividades ligadas à tecnologia, desde um caso de estudo até workshops e palestras, terminando com uma feira de emprego. Este ano, quis-se inovar e investir um pouco mais na evolução deste tipo de iniciativa na UC e o BEST Coimbra realizou a sua feira numa tenda no estacionamento superior do DEI. O conceito por trás desta semana é festejar a engenharia. Uma oportunidade única de aprender e de crescer, a nível pessoal e profissional, num ambiente mais descontraído. É também um ótimo pretexto para se fazerem excelentes contactos, desde colegas e professores de cada curso até engenheiros e representantes de empresas de cada área. Os estudantes que participaram na BEW tiveram oportunidade de contactar com os parceiros do evento, tais como: Mercedes-Benz.IO, Bi-silque, OutSystems, BOLD International, BorgWarner, Critical Software, Deloitte, InnoWave, Martifer, Skyline, The Navigator Company, TechnipFMC e Stratio Automotive. 10

Por Nelson Pinto


Semana dos Ramos A Semana dos Ramos é organizada desde 2012, sendo assim, um dos eventos mais antigos organizado pelo NEEEC/AAC. Tem como principal objetivo dar a conhecer os vários ramos de especialização do MiEEC/UC a todos os seus alunos, principalmente ao dos 3° ano, para uma escolha mais acertada. Ao longo dos anos, este evento tem apresentado vários formatos, adaptando-se às diferentes circunstâncias do seu público-alvo. Este ano, decorreu de 8 a 12 de abril, onde os participantes tiveram a oportunidade de assistir a palestras sobre os diferentes ramos e conhecer as investigações e dissertações que estão a ser desenvolvidas no DEEC. O primeiro dia foi dedicado ao ramo de Automação com uma palestra com o professor Urbano Nunes. Na terça-feira, contámos com a presença do professor André Mendes com uma sessão dedicada ao ramo de Energia. Na quinta-feira, o dia foi dedicado ao ramo de Telecomunicações tendo contado com a presença do professor Marco Gomes. A sexta-feira, foi dedicada ao ramo de Computadores com a orientação do professor Paulo Peixoto. No dia 9, terça-feira, decorreu entre as 10h e as 14h, ao longo do corredor do piso 4, uma apresentação de projetos de alunos que estão a terminar o seu curso, investigadores e professores do DEEC. Por Catarina Martins e Joana Dourado

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Agregado ao evento da Semana dos Ramos, o Zener decidiu entrevistar um aluno de cada ramo de mestrado, a fim de puder conhecer as justificações da escolha da área do 2º ciclo, bem como os interesses e partilhar alguns conselhos para aqueles que estiverem interessados num determinado ramo.

Filipe Pinto Ramo de Automação

Filipe Pinto conta-nos que desde que entrou no curso soube que Energia e Telecomunicações não seriam a sua escolha e que, entre os dois ramos sobrantes, deu “um tiro no escuro” ao escolher Automação, visto que ao longo da licenciatura não dá para se aperceber do que cada um trata. Refere que até à data o mestrado está a correr bem, mas que é muito diferente do que estava habituado nos primeiros três anos, uma vez que há uma componente mais práticas e muitas das avaliações são feitas por trabalhos e não por frequências. Para aconselhar os amantes de Automação, diz-nos que devem estar motivados e para começarem a trabalhar desde início, não deixando acumular os trabalhos ou deixar para a última, pois vão ser bastantes. As datas das submissões vão coincidir, “por exemplo, entregar um trabalho e 2 ou 3 horas a seguir entregar outro” e, por isso, “é preciso muita dedicação”. O trabalho que realizou na unidade curricular de Sistemas de Tempo Real foi aquele que achou mais interessante. Trabalhou com ROS, fez análises de nuvens de pontos para identificar o caminho por onde um carro conseguia passar com remoção de ruído. Porém, refere que as cadeiras de Robótica Móvel e Sensores Inteligentes também foram deveras interessantes.

André Santos Ramo de Telecomunicações

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André Santos relata-nos que a escolha por Telecomunicações foi feita por identificar interesse pelo ramo e também por estar em constante evolução. Evidencia que toda a gente utiliza aparelhos que comunicam entre si, que permitem comunicar com outras pessoas e acabam por pagar uma mensalidade para as telecomunicações, mesmo sem se aperceberem. Portanto, “é uma área com muito orçamento para empregar, fazer investigação e evoluir, está em constante movimento”. Comparando com os restantes ramos, afirma que os projetos são mais interessantes em telecomunicações e que os conceitos também são mais difíceis, o que torna mais complexo aprender fora da universidade, “por exemplo, para programar existem muitas coisas na internet, enquanto que modelações não se encontra tão facilmente”. Aconselha a nunca desistirem de algo só porque têm de aprender algo novo, visto que hoje em dia vamos à internet e encontramos sempre alguém a explicar. “Se puderem aprender algo novo não desistam, pode dar jeito no futuro e é mais uma coisa para o currículo”.


André Silva Na conversa com o André Silva, a cadeira de Conversão da Energia Elétrica (antiga Eletrotecnia Aplicada) foi o que o cativou para o ramo de Energia. Apesar de outras especializações, a matéria de máquinas elétricas motivou-o bastante por ser uma parte muito forte da área. Em Portugal, a Energia é bastante vigorosa e daí optou por este ramo, por já ter em mente o fabrico de motores elétricos, otimização do desenho e performance para tentar entrar numa multinacional que tenha produção ou numa empresa de automóveis. Menciona que “ter uma noção do que se vai fazer no futuro cria outra motivação e torna o mestrado muito mais fácil” e que “isso é muito importante para quem tem de escolher um ramo”. Aquando questionado sobre o que difere Energia dos outros ramos, responde que, em engenharia eletrotécnica, “é a área do saber que faz com que todas as outras existam: sem energia elétrica não há Computadores, Telecomunicações ou Automação”. “Mas também é um ramo muito abrangente, tanto dá para motores e máquinas elétricas, como transmissão de energia, gestão de energia elétrica...”. Em suma, tem muita empregabilidade, o que acaba por ser uma característica transversal em todas as áreas.

Ramo de Energia

Gustavo Assunção Por não ter interesse pelas cadeiras de Energia, o Gustavo Assunção, ficou a ponderar nos outros três ramos. No entanto, considerou que Telecomunicações “estava um pouco antiquado relativamente ao que se faz hoje em dia”. Sobravam dois, muito parecidos, mas “tudo o que se pode aprender em Computadores pode ser usado em Automação ou em qualquer outro ramo”. Assim, por ser “mais generalizado” escolheu a área de Computadores. Alega que há um grande número de cadeiras baseadas em projetos, que são sempre realizados em grupo. Por isso, aconselha que é importante juntarem-se a pessoas que tenham boa prática. Além disso, os trabalhos requerem que se passem várias horas, durante vários dias, em frente ao computador, o que pode ser muito produtivo ou desgastante, por exemplo, por passar o dia todo à procura de um bug. Posto isto, “é importante estarem prontos para isso”. Refere ainda que a Arquitetura de Computadores e Sistemas Digitais são o núcleo dos computadores e que gostou bastante dessas unidades curriculares.

Por Ricardo Matias

Ramo de Computadores

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Aniversário do NEEEC/AAC No dia 31 de março, o NEEEC/AAC celebrou 21 anos de história, sucesso e trabalho, sendo este um momento especial para a nossa instituição. De forma a comemorar este marco simbólico, decidimos fazê-lo junto dos nossos colegas, da comunidade docente e não docente do DEEC e da Associação Académica de Coimbra no jardim do bar do DEEC por ser um sítio central e aberto a toda a nossa sociedade. A cerimónia contou com umas breves palavras do Diretor do Departamento, Prof. Dr. Humberto Jorge, do Presidente da Associação Académica de Coimbra, Daniel Azenha e do Presidente do NEEEC/AAC, João Martins. Por fim, contámos com a presença da Quantunna que animou a celebração e a tornou mais acolhedora. Este momento ficou marcado pela recordação das XX direções transatas e do seu importantíssimo trabalho e dedicação de servir e representar todos os estudantes do DEEC. Do passado ficam as experiências, os sucessos e os nossos próprios erros enquanto instituição. Do futuro, podemos esperar um trabalho árduo de toda uma equipa que quer continuar a mostrar um serviço de excelência e tentar unir a nossa comunidade em momentos de discussão, exposição e convívio. Suportamos aos ombros 21 anos de uma instituição que transcende tudo e todos e, por isso, não iremos olhar para os nossos interesses, mas sim para a causa que defendemos. Viva ao NEEEC/AAC e aos seus 21 anos de existência!

Gala ohms D’ouro A VII edição da Gala Ohms d’Ouro decorreu no dia 4 de abril de 2019 na Tertúlia d’Eventos. Nesta edição destaca-se o crescimento e a adesão por parte dos participantes, tendo alcançado 140 inscritos num momento de convívio entre a comunidade. Revê-se este evento como uma importante ferramenta para despertar o espírito de união que se tem no DEEC num ambiente informal, elegante e confortável. Durante o jantar existiram vários momentos de entretenimento, como a atuação do grupo de fados MAIO COIMBRA, a dinamização animada dos apresentadores, Moisés Dias e Tiago Baltazar e as habituais premiações de várias personalidades que se destacaram dentro da comunidade ao longo deste ano letivo. Nesta edição, pela primeira vez, dividiram-se as categorias de Melhor Docente entre Licenciatura e Mestrado e adicionou-se a categoria de Investigação do Ano, com o objetivo de valorizar uma investigação que se distinga pelo seu grau de excelência e impacto na sociedade em geral, promovendo o DEEC/UC como uma unidade de investigação dentro de toda a Universidade de Coimbra. No final, a festa continuou com o habitual “after party”, desta vez no Look Coimbra. 14

Por Ana Margarida Gonçalves


Entrevista especial com

Engenheiro Pedro Carreira

Cronologia

1994 -2000

Licenciou-se em Engenharia Eletrotécnica no Ramo de Telecomunicações, na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra.

1997 -1998

Obteve uma bolsa para execução de trabalhos na área de Visão por Computadores, no Instituto de Sistemas e Robótica.

2001 -2007

Exerceu funções de Engenheiro Eletrotécnico no Grupo de Atividades de Planeamento e Tecnologia do Departamento de Telecomunicações, na EDP – Distribuição Energia.

2003 -2004

Foi formador no Curso de Mestrado de Construção lecionando a cadeira de instalações elétricas da Faculdade de Engenharia Civil da Faculdade de Coimbra Ciências e Tecnologia de Coimbra.

2007 -2013

Exerceu funções de Engenheiro Eletrotécnico no Departamento de Inovação e Desenvolvimento da Direção de Tecnologia e Inovação, na EDP – Distribuição Energia.

2013 -2016

Exerceu funções de Subdiretor no Departamento de Inovação e Desenvolvimento da Direção de Tecnologia e Inovação, na EDP - Distribuição Energia.

2016 -2019

Vogal do Colégio de Engenharia Eletrotécnica da Região Centro.

Desde 2016

Exerce funções de Subdiretor no Departamento Tecnologia e Normalização.

Desde 2017

CIRED officer in charge of the management of WG’s and liaison with partner organizations.

Desde 2018

Membro do Working Group Technology of Eurelectric.

Desde 2019

Coordenador do Colégio de Engenharia Eletrotécnica da Região Centro.

Factos significativos: • Nomeado como utilizador chave do módulo PS; • Gestor dos projetos KEOPS e Videoconferência; • Elemento da equipa de Suporte & Tecnologia do projeto WFM/GME e do projeto IEC 61850; • Elaborou e implementou todos os projetos de telecomunicações das lojas EDP; • Elaborou projetos de ampliação da rede fixa (Transporte e Acesso);

Projetos inovadores em qual esteve envolvido: • Projetos-piloto de VoIP e FoIP na UR de Alcobaça e nas subestações; • Implementação de sistemas ethernet sobre SDH; • Projeto-piloto de sistemas ethernet para as subestações e Centros de Condução; • Implementação de sistemas de trading e sistemas de gravação nos Centros de Condução; • Projeto conjunto com a DSI para concentração de servidores e para as MANs de Lisboa, Coimbra e Porto; • Rede de Backbone, Gestão de Serviços e Segurança da Rede de Acesso e Multiserviços de Ethernet.

Idealizou, implementou e certificou o Sistema de Gestão de Investigação, Desenvolvimento e Inovação (SGIDI) como a primeira utility certificada em Portugal; Realizou a estruturação do curso “Empreendedorismo para a Inovação” da Universidade EDP.

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Zener: Pode falar-nos um pouco do seu percurso? Pedro Carreira: Sou de Coimbra, nasci em Coimbra, fiz todo o meu percurso académico em Coimbra. Muito cedo identifiquei a minha atração pelas engenharias, nomeadamente pela eletricidade e pela engenharia eletrotécnica. Ainda no secundário, na Escola Secundária Avelar Brotero, optei pelas opções de mecanotecnia e eletrotecnia, o que me permitiu definitivamente identificar o meu fascínio e apetências na área da engenharia eletrotécnica. “Achei, efetivamente, que a eletrotecnia era mais limpa e acabei por desenvolver esse tal bichinho…”. A decisão de vir para o curso de Engenharia Eletrotécnica estava tomada. Na altura tínhamos que fazer as provas de aferição e específicas em matemática e física, tendo conseguido entrar na minha primeira opção, que era Engenharia Eletrotécnica em Coimbra. Foi então, em 1994, que começou a minha vida académica na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra. Foi um percurso relativamente simples, mas com algumas perturbações pontuais devido à autoconfiança que, muitas vezes, nos cria a convicção de ser capaz de fazer ou realizar alguma coisa porque tivemos uma boa preparação no secundário ou skills próprias para a temática. Exemplo disto foi a cadeira de desenho: o facto de ter tido uma média alta a geometria descritiva no secundário não significou que a cadeira de desenho estivesse automaticamente garantida. O papel da educação de nível superior extravasa a componente letiva, incluindo o crescimento pessoal do aluno. A vida académica permite desenvolver novas experiências em termos profissionais, pessoais, sociais… permitiu-me um pouco de tudo, desde envolvimentos profissionais até iniciativas de empreendedorismo que, no futuro, vieram marcar profundamente a minha vida profissional. Em temos sociais, tive a oportunidade de estabelecer amizades que ultrapassaram em muito a pura camaradagem académica, tanto ao nível de colegas como de professores. Foi toda esta mistura de iniciativas e vivências académicas que permitiram construir a vida pessoal, familiar e profissional de que hoje me orgulho. Zener: Como nasceu o gosto pelo ramo das Telecomunicações? Pedro Carreira: Na passagem para o 3º ano tínhamos de tomar uma decisão difícil, o ramo. O perfil que tem vindo a marcar o meu percurso, não só académico, mas também a carreira profissional, tem a ver com o tal “bichinho” da curiosidade envolto em “risco controlado”. Na altura, as telecomunicações eram bem mais misteriosas do que a eletricidade e as oportunidades neste setor estavam em franco crescimento. As redes sem fios continuam ainda hoje a surpreender, mas na altura eram um autêntico tabu. Por exemplo, porque é que uma antena tinha aquela estrutura estranha? Eram questões que eu colocava diariamente. Além disso, abriam empresas atrás de empresas nesta área, operadoras de telecomunicações como a Jazztel, a Novis, a ONI e até as próprias Telecel, TMN e Optimus estavam a crescer e isso permitia-me ter o risco controlado na procura de emprego. Portanto, fazendo uma retrospetiva, esses foram os motivos que me levaram a envergar pelas telecomunicações. Foi uma decisão difícil, porque muitos dos meus colegas mais próximos optaram por outros ramos, mas também foi uma oportunidade para sair da minha área de conforto e encontrar novas ligações. Em suma, tomei uma decisão carregada de emoções, mas que me fez começar a identificar que a curiosidade e o risco controlado são efetivamente as minhas características mais diferenciadoras. Foi nesta altura que comecei a desenvolver interna-

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mente a necessidade de complementar a minha vida académica com algo mais construtivo, tendo agarrado a oportunidade de ser bolseiro para execução de trabalhos na área da visão por computador no Instituto de Sistemas e Robótica da Universidade de Coimbra (ISR-UC). Estamos a falar no final do 2º ano do curso, reconhecendo de imediato a perturbação que poderia causar no seu desenvolvimento. No entanto, não hesitei e tentei tirar dessas perturbações oportunidades de aprendizagem e de desenvolvimento do meu networking dentro e fora da Universidade, uma vez que existia uma conexão muito forte deste Instituto com o mundo Empresarial e Científico Internacional. É exemplo a participação na CCAM (Control and Configuration Aspects of Mechatronics) e AMC’98 (5th International Workshop on Advanced Motion Control). A passagem pelo ISR foi uma oportunidade única que a vida académica me proporcionou e ainda hoje reconheço que moldou a minha forma de ser permanentemente. Reconheço que fui eu quem mais ganhou com esta relação na altura, mas criaram-se raízes e elos de ligação que ficaram para sempre. Considero que tive muita sorte neste percurso, mas, como já alguém dizia, a sorte procura-se, e cabe a cada um de nós fazer tudo para que possa acontecer, e eu fiz. Esta experiência também serviu para definir qual era a minha variável de referência. Permitiu-me identificar a necessidade de me realizar ajudando equipas a realizar projetos. Realizar passou a ser a palavra de eleição no meu caminho profissional, que ainda hoje mantenho. Nesta altura, interessei-me pela Domótica residencial, que começava a dar os primeiros passos, tendo mesmo iniciado conversações com a Siemens para abrir uma empresa sobre Instabus-EIB. Não teve seguimento, mas permitiu, também, identificar o meu interesse pelo empreendedorismo. O vosso exemplo de pertencerem ao núcleo (NEEEC) e complementarem a vossa vida com uma participação ativa no núcleo e na sociedade envolvente à Universidade é de louvar. Eu conheço bem a exigência de conjugar a componente letiva com atividades extras e, por isso, todas as pessoas que o conseguirem fazer de uma forma equilibrada estão de parabéns. Ou seja, eu tomei decisões que perturbaram a componente letiva da minha vida académica, mas não estou arrependido pelo desenvolvimento pessoal e profissional que todas as perturbações me deram. Não perdi um único dia, fiz tudo aquilo que gostaria de ter feito e isso para mim é que é importante.

Zener: Como surgiu a oportunidade de trabalhar na EDP e como foi a evolução dentro da empresa? Pedro Carreira: Comecei a enviar currículos e entreguei alguns a vários colegas que já estavam a trabalhar em operadoras ou empresas fabricantes/representantes de equipamentos de telecomunicações. Também enviei muitos CV em resposta a anúncios de jornais. Tudo acontecia muito rápido, até porque havia muitas ofertas de emprego relacionadas com as operadoras


móveis e com a liberalização do setor das telecomunicações. Cheguei a ir a muitas a entrevistas e processos de recrutamento. Foram experiências únicas, que me permitiram conhecer muitas empresas, desde os Estúdios do Nicolau Breyner, a Portugal Space, a Impala e muitas outras empresas de ramos completamente distintos. Sabia que no dia da minha defesa de projeto de fim de curso, a EDP/EDP Distribuição tinha estado numa feira de emprego realizada no departamento, contudo, não lhe dei o devido valor porque, para mim, a EDP/EDP Distribuição era para os colegas do ramo de energia. No entanto, aconselharam-me a ir à EDP Distribuição, em Coimbra, entregar o currículo. Quando disse que era do ramo de telecomunicações, transmitiram-me logo que só se fosse para a ONI, que era a empresa de telecomunicações onde a EDP tinha uma participação. As propostas mais aliciantes de emprego eram da Siemens, em Lisboa, e de uma pequena empresa de cabos, em Coimbra, que estava a preparar um plano estratégico de crescimento e queria contar comigo no desenvolvimento desse plano. Entretanto, convidaram-me para ser formador na disciplina de “Informática e Novas Tecnologias aplicadas às Autarquias” no Centro de Estudos e Formação Autárquica de Coimbra e na área da Multimédia na empresa “PC Formação”, da Lousã. Como resultado, acabei por estar sempre ativo. Em outubro/novembro recebo um telefonema da EDP Distribuição a dizer que tinha aberto uma vaga para engenheiro de telecomunicações em Coimbra e que eu tinha sido selecionado, mas só em fevereiro de 2001 é que se veio a efetivar um estágio na EDP Distribuição. Foi um período complicado porque tinha vários convites e compromissos, mas felizmente consegui gerir e conjugar tudo o que tinha em mãos. O processo de recrutamento na EDP Distribuição foi muito desafiante. Os meus colegas, que tinham estado envolvidos no processo de recrutamento da EDP Distribuição, diziam-me que as perguntas eram todas sobre energia. Fiquei muito inquieto, porque acrescia que não reconhecia necessidades de competências de telecomunicações numa empresa de energia. No entanto, o facto de já ter estado em muitos processos de recrutamento, permitiu-me encarar este processo com alguma tranquilidade. Durante a entrevista, foi marcante a aprendizagem adquirida em algumas iniciativas que, voluntariamente, participei e que eram organizadas pelo departamento ou no âmbito de algumas cadeiras como, por exemplo, uma visita de estudo à barragem de Castelo de Bode. Assim que me lembrei dessa visita, fez-se “click” e, quando me perguntaram porque é que achava que a EDP Distribuição precisava de telecomunicações, lembrei-me que na barragem de Castelo de Bode conseguiam supervisionar todas as barragens através de um sistema de comunicações que as ligava. O júri da entrevista achou muito interessante a associação que fiz, fazendo apenas um comentário, que não estava na empresa da produção, mas sim na empresa de distribuição. No entanto, as necessidades de telecomunicações eram semelhantes. O júri também evidenciou a minha humildade e transparência ao ter respondido que não conhecia a tecnologia TETRA para telecomunicações. A 1 de fevereiro de 2001 comecei a minha carreira na EDP Distribuição no gabinete de telecomunicações da EDP Distribuição, onde tinha responsabilidades de elaboração de estudos, projetos, especificações e estimativas de custos de instalações, redes e/ou equipamentos de telecomunicações. Em 2007, devido a uma reestruturação na empresa, o gabinete de telecomunicações foi fundido com o gabinete de automação e convidaram-me a ingressar na equipa do novo Departamento de Inovação da EDP Distribuição. Foi, até hoje, o

maior desafio da minha carreira profissional. A capacidade de criar um novo departamento numa empresa com as dimensões da EDP Distribuição não seria fácil. Seria necessário criar um ecossistema de promoção da inovação no seio da organização. Em 2015, já responsável deste departamento desde 2013, certificámos o nosso Sistema de Gestão de Investigação, Desenvolvimento e Inovação, associado à Distribuição de Energia Elétrica segundo a NP 4457:2007. A EDP Distribuição passou a ser a primeira utility de energia elétrica em Portugal com esta certificação e este marco passou a ser, efetivamente, muito importante na minha carreira profissional. Em 2016, fui convidado para um novo desafio e passei a responsável do Departamento de Tecnologia e Normalização, onde se implementou o Sistema de Gestão do Conhecimento Tecnológico (SGCT) da Rede Nacional de Distribuição da EDP Distribuição, que foi este ano certificado segundo a norma ISO 9001, passando a ser mais um marco relevante na minha carreira profissional. Hoje, convidaram-me a estar aqui, a dar uma entrevista para a revista Zener. Zener: Há mais alguma coisa que gostaria de acrescentar? Pedro Carreira: É muito importante estarmos atentos a tudo o que se passa no ecossistema profissional e social que nos rodeia. As oportunidades aparecem e nós temos que ser resilientes e saber agarrá-las no momento certo. No entanto, os ecossistemas profissionais e sociais são vivos e nós temos que saber adaptarmo-nos às suas transformações. Como transmiti, a vida académica permitiu-me criar um ecossistema que hoje ainda dá frutos. Muitos dos meus projetos de sucesso na EDP Distribuição envolveram professores ou colegas que fizeram parte da minha vida académica. É muito importante garantirmos esta vida ativa, pois só assim é que a nossa rede profissional e social cresce de uma forma saudável. Mote: Believe that innovation can´t solve all your problems, but you can! Be open-minded and have the courage to tread the less travelled road. (Innov PCarreira) Coworking is the support of my professional career and personal enrichment. My family, friends and colleagues are my team. They all give me the total energy to face new challenges and identify long-terms opportunities. EDP Distribuição mainly impelled my professional career, but teaching activities, at the beginning of my career, and an active intrapreneurship life during academic period gave me skills to look beyond established boundaries, engage team to be open-minded and to foster innovation. As founding member of Innovation Department at EDP Distribuição, I assisted EDP Distribuição to develop and to institutionalize a sustainable innovative and cultural mindset and a pioneer and creative RDIMS (Research, Development and Innovation Management System) to address the transformation of the existing knowledge into value, which leads to technological, process, organizational and marketing innovation. Make part of my team!

pedro.carreira@edp.pt https://twitter.com/PJGCarreira https://www.linkedin.com/in/pedrocarreira

Por Catarina Martins e Nelson Pinto 17


À conversa com

Rui Rocha Zener: Pode-nos falar um pouco do seu percurso académico e profissional? Rui Rocha: Estudei Engenharia Eletrotécnica e de Computadores na FEUP entre 1990 e 1996. Quando era miúdo, de muito tenra idade, com 10 ou 12 anos já dizia convictamente que gostava de ser engenheiro, não fui daqueles jovens que esteve indeciso até à última hora para se candidatar ao ensino superior. Fui para a FEUP porque a minha família é do Norte. Já ia apaixonado pela engenharia e ainda fiquei mais. Nos últimos dois anos da licenciatura, que era de 5 anos naquela altura, especializei-me em automação, controlo e instrumentação. Também havia um pouco aquela filosofia de divisão do curso em ramos como conhecem aqui, com os mesmos 4 ramos. Fiz um projeto de licenciatura na área de eletrónica de potência. Quando acabei o curso, em 1996, inscrevi-me logo no mestrado, na especialização de informática industrial e ao mesmo tempo comecei a colaborar em part-time com a EFACEC. Trabalhei na divisão de automação e robótica, mais especificamente, em sistemas de AGVs. Estive nessa divisão entre 1996 e 2000, ao mesmo tempo que fazia o mestrado, que defendi em 1999 na FEUP também. Durante essa minha experiência na EFACEC acabei por me interessar por robótica. Na primeira parte do mestrado, ainda não sabia bem o que ia estudar na dissertação, mas devido à minha experiência na EFACEC acabei por fazer o trabalho em sistemas de AGVs, mais especificamente em encaminhamento e escalonamento neste tipo de sistemas. Em 1999, quando terminei o mestrado, inscrevi-me no doutoramento, também na FEUP, tendo obtido financiamento através de uma bolsa da FCT. Nessa altura surgiu também um convite da Universidade do Minho para dar umas aulas de microeletrónica como monitor, ou seja, numa área um pouco marginal em relação às minhas áreas de trabalho principais. O convite surgiu em sequência da minha frequência de uma disciplina de Microeletrónica na parte letiva do mestrado, na qual obtive uma excelente classificação. Assim, foi no Departamento de Informática da Universidade do Minho que tive a minha primeira experiência como docente. Entre 1999 e 2000 eu fui monitor em paralelo com a atividade na EFACEC e o desenvolvimento do doutoramento. 18

Um AGV pode ser visto como um robô móvel para funcionar em ambientes industriais, para fazer o transporte de matérias primas ou produtos intermédios ou acabados, de forma automática, muitas vezes determinística, sem intervenção humana.

Em 2000 estava numa fase da minha vida em que começava a sentir-me um pouco entediado por trabalhar na indústria. Achei interessante ter essa experiência no mercado de trabalho, mas rapidamente me apercebi que era um mundo no qual eu não me sentia muito confortável, ou muito realizado, não porque não há empresas interessantes, - a EFACEC era naquela altura (talvez ainda seja) uma empresa interessante no contexto de automação -, mas acabei por sentir que estava a fazer coisas demasiado rotineiras para o meu gosto, que não me permitiam manter atualizado enquanto engenheiro. Comecei a sentir também um certo interesse pela área de investigação; comecei a achar que talvez gostasse de experimentar ser professor e surgiu no ano 2000 um concurso para assistente aqui no DEEC. Concorri e fui um dos candidatos selecionado. Assim, nesse ano, a minha vida deu uma grande volta: assinei o contrato com a Universidade de Coimbra em dedicação exclusiva, portanto tive de abdicar da EFACEC, que já era um bocado a minha vontade e também da bolsa da FCT. Quando me tornei professor aqui foi um desafio, pois não tinha muita experiência pedagógica e foi uma adaptação, tive de me mudar para Coimbra, na altura tornei-me assistente de um professor catedrático que entretanto já se jubilou, que era o professor Sá Furtado. Lecionei uma disciplina que se chamava Fundamentos de Materiais Elétricos, fui também assistente do professor Tozé Ferreira, que também já se aposentou; era professor de Instrumentação e Medidas. Foram, portanto, as primeiras disciplinas que lecionei aqui. Dediquei-me à universidade a tempo inteiro e tentei realizar o doutoramento, que na realidade só começou a avançar a uma velocidade aceitável em 2003, quando tive dispensa de serviço de docente. Nessa altura havia essa possibilidade para os assistentes: durante 3 anos podiam estar dispensados de dar aulas para poderem preparar o doutoramento de forma mais intensa.


Em outubro de 2005, entreguei a tese de doutoramento que defendi em 2006, tornando-me professor auxiliar. No trabalho de doutoramento, fiz investigação em sistemas de múltiplos robôs. É fácil perceber a escolha do tema porque, na verdade, os sistemas de AGVs que já tinha estudado no mestrado podem ser vistos como um caso particular de sistemas de múltiplos robôs. São sistemas que envolvem conjuntos de robôs móveis que, em equipa, procuravam satisfazer as tarefas, naquele caso transporte, mas, de uma forma mais genérica, podemos pensar em robôs que cooperam em muitas outras tarefas e domínios de aplicação. Quando vim para cá, como havia uma certa dificuldade em ter a atividade de cá e a investigação na FEUP onde tinha o meu orientador, em acordo com ele e também por sugestão de colegas aqui do departamento, passei a ser coorientado por um colega de cá, o professor Jorge Dias. Devido à proximidade geográfica, os recursos de investigação e os robôs móveis, desenvolvi a parte experimental da minha tese de doutoramento no ISR Coimbra, com foco muito grande em sistemas de múltiplos robôs, que sempre foi o tópico principal nas minhas publicações e nos meus projetos de investigação. Mais recentemente, tenho alargado um pouco mais o leque de investigação. Tenho trabalhado em sistemas de múltiplos robôs para vigilância. Tenho neste momento um projeto em copromoção com uma empresa e estou também a trabalhar em robótica social para apoiar as pessoas idosas, no fundo tentar obter uma resposta tecnológica a um flagelo da nossa sociedade, o envelhecimento da população. Dar aulas, para mim, não é um sacrifício. Pelo contrário, sinto-me muito estimulado pela interação e convivência com os estudantes que me ajudam a perceber diferentes perspetivas e a aprender continuamente. Tive a perfeita noção disto quando tive a primeira sabática, senti um vazio por não dar aulas

Zener: Porque se interessou pelo ramo de automação? Rui Rocha: Sistemas que realizam tarefas de forma automática sempre me fascinaram. Por outro lado, na altura, os sistemas de energia elétrica não eram algo que me estimulava por aí além: ainda não se falava muito dos paradigmas atuais centrados na sustentabilidade energética e na diversificação muito grande das fontes de produção de energia elétrica. As telecomunicações também nunca foram algo que me atraiu muito, portanto excluí. Computadores, sempre gostei, mas tento ser mais eletrotécnico que informático, apesar de atualmente trabalhar muito na franja das duas coisas. Portanto, este desinteresse daquelas 3 áreas, aliado a um certo fascínio pela automação, levou a ter a certeza que queria ir para automação, na altura. Pelo caminho, não vou dizer que não olhei para trás e pensei que podia ter escolhido um bocadinho diferente, mas pronto, foi assim que aconteceu e isso marcou completamente o meu percurso, como podem perceber. Zener: Como foi a sua vida de estudante? Rui Rocha: Foi uma vida só para estudar. Eu era aquele estereótipo de aluno nerd, ou seja, aquele aluno com óculos garrafais. Faltava sistematicamente às festas académicas, era relativamente fechado, não me relacionava muito com os meus colegas e isso foi decerto uma falha minha importante. Fui tão apaixonado pelos estudos na faculdade que aquilo era quase uma missão que eu tinha de cumprir e nada me podia desviar. Fui um verdadeiro estudante, no sentido de que só estudava. Só havia uma coisa que nunca abdiquei: os festivais de tunas, ia a todos. Não vão às aulas porque tem de ser, vão porque vale a pena e porque podem realmente aprender. Se não forem exigentes com o professor na aula e convosco próprios, estando atentos e colocando perguntas sempre que surgirem dúvidas, as aulas não serão verdadeiramente estimulantes, por muito que seja o brio e o empenho colocados pelo professor na sua lecionação.

1990-1996

Foi aluno da Licenciatura em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores na FEUP

1996

Inscreveu-se no mestrado que defendeu em 1999

1996-2000

Trabalhou na EFACEC, em sistemas de AGVs

1999

Inscreveu-se no doutoramento, financiado por uma bolsa de doutoramento da FCT

1999-2000

Foi monitor no Departamento de Informática da Universidade do Minho

2000

Tornou-se assistente da Universidade de Coimbra

2005

Entregou a tese de doutoramento que defendeu em 2006, tornando-se professor auxiliar Orientou 2 teses de doutoramento e cerca de 30 dissertações de mestrado já concluídas Por Margarida Amaro e Ricardo Matias 19


Pitch Bootcamp X Realizou-se no dia 10 de abril a 139ª edição do Pitch Bootcamp, pela primeira vez no DEEC/UC, no qual participaram 85 alunos de engenharia da FCTUC. O dia foi dividido em dois momentos: durante a parte da manhã tiveram a oportunidade de analisar o seu perfil, listar as suas competências e as experiências passadas, aprender como abordar as empresas e selecionar aquelas que melhor se adequam às suas expectativas. No período da tarde, os participantes colocaram em prática tudo o que aprenderam durante o período da manhã e fizeram um pitch perante um painel de 66 profissionais de diferentes empresas recolhendo assim feedback e explorando a possibilidade de estabelecer um contacto para um futuro estágio, mentoria, inserção num programa profissional ou simplesmente troca de contacto com o mundo empresarial. Os participantes também tiveram a oportunidade de estarem presentes num ambiente de networking mais informal com os profissionais, re-escrever o seu currículo académico, repensar a sua presença no Linkedin e aprender a comunicar de forma eficaz. No final da tarde, acolhemos num painel de discussão o CEO da Critical Software, Gonçalo Quadros, e o CEO da Active Space Technologies, Bruno Carvalho. 20


Em parceria com o Instituto de Telecomunicações, a segunda edição do Zener apresenta o projeto LetsRead, orientado pelo Professor Fernando Perdigão. Esta investigação pretende avaliar o desempenho na destreza da leitura de alunos Nas páginas seguintes, é do 1º Ciclo do Ensino Básico. Assim, foram realizadas gravações de crianças a ler, em voz alta, aprofundado este projeto de várias frases e pseudo-palavras, isto é, palavras que investigação do IT Coimbra. não existem no léxico, mas que são pronunciáveis, a fim de treinar o sistema. Deste modo, é feita a medição do tempo de realização das tarefas de leitura, frase a frase, e também é verificado se as palavras estão ou não bem pronunciadas. O módulo tecnológico mais importante consiste num reconhecedor de fonemas, a partir do qual são descodificadas as palavras proferidas, bem como repetições de palavras e hesitações. As medidas do tempo também são efetuadas após esta segmentação do sinal acústico, numa sequência de palavras.

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Investigando com

Fernando Perdigão LetsRead Zener: Como surgiu a ideia do projeto? Fernando Perdigão: Bem, em tempos tivemos aqui um pós-doutoramento cuja especialidade era linguística e graças a isso, as nossas atividades que estavam direcionadas para essa área acabaram por se ligar um pouco à fonologia e fonética do português. Fizemos estudos linguísticos, de hesitações, do discurso falado e acabámos por pensar que podiam ser uma mais valia, uma coisa necessária, cuja tecnologia estava praticamente pronta para fazer um sistema como o que fizemos, que teria muitas aplicações. Na altura em que as metas curriculares se tornaram lei, em que era suposto os alunos do 1º ciclo terem um desempenho de x palavras lidas por minuto, pensámos logo em fazer esta ferramenta tecnológica. Os professores no ensino básico teriam muitas dificuldades em fazer as medições. Entretanto tivemos um estudante de doutoramento que também ficou afeto a este assunto e levou-o até as últimas consequências.

Zener: O objetivo principal dele é, então, avaliar as crianças? Fernando Perdigão: Sim, avaliar o desempenho das crianças no ato da leitura, isto é, ser uma ferramenta automática para cumprir o que está especificado nas metas curriculares, saber quantas palavras leem por minuto e outras medidas que possam indicar ou dar um índice de desempenho. Era suposto que, com umas locuções de leitura por parte das crianças, fossemos capazes de atribuir um índice de leitura e com isso dar uma indicação ao professor, se a criança está associada ao ano escolar em que está ou se está mais ou menos avançada. As avaliações que tirámos não foram muito diferentes das indicadas nas metas curriculares. Os nossos textos eram um pouco mais difíceis que o suposto e nos últimos anos, o número de palavras corretamente lidas era ligeiramente inferior às indicadas nas metas curriculares. Isto é, os nossos textos eram difíceis e as crianças demoravam mais tempo a pronunciar aquelas palavras, de maneira que a medida de desempenho era um pouco inferior ao que era suposto ser. Zener: Já foi implementado nalgum método de ensino? Ferdigão Perdigão: A nossa vontade é que sim, que isso fosse adotado, mas, para já, está como uma medida facultativa para os professores. O que fizemos foi enviar uma mensagem para todos os agrupamentos de escolas que tinham 1º ciclo de ensino básico para que os diretores enviassem para os respetivos professores. Ainda se registaram bastantes pessoas. Está aberto ao público e os professores que quiserem podem usar esta plataforma para avaliar os seus alunos. Atualmente, pensa-se que este mesmo sistema pode ter aplicações noutros domínios.

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Por exemplo, para avaliar a acuidade visual um procedimento utilizado é dar um texto para as pessoas lerem, medir o desempenho na leitura e assumir que, se o desempenho está abaixo do suposto, eles têm uma acuidade visual abaixo do suposto. Mas está tudo numa fase de proposta ainda. A tecnologia que está por baixo de um sistema destes tem aplicações em vários domínios, apesar de que os modelos que criámos estão adaptados à fala de crianças, que é diferente da fala dos adultos. As crianças têm um tom muito mais elevado, com muito menos distinção de género e locutor. Para a fala de um adulto é preciso retreinar todo o nosso sistema.

corresponde a um conjunto de fonemas. O sistema torna-se um pouco mais complicado, porque as crianças podem fazer hesitações, param, enganam-se, param numa determinada sílaba de uma palavra e depois começam a dizer desde o início, de maneira que saber a sequência de palavras que a criança disse, anotando todas as repetições e todas as interrupções que não são consideradas concorrentes, ainda é complicado. Isso levanta problemas tecnológicos, o reconhecedor de fonemas nunca é perfeito e, além disso, no fim das palavras o tom e a intensidade diminuem bastante e muitas vezes é difícil perceber quais são os fonemas. O sistema pode indicar que uma palavra final de uma frase está incorretamente pronunciada porque a energia do sinal é muito baixa em vez de ser porque a palavra não está realmente bem pronunciada. Para corrigir esta situação, o professor pode ouvir as locuções das crianças e reatribuir as classificações das palavras, ou fazer o contrário, uma palavra indicada como bem pronunciada pode ser alterada para mal pronunciada. Em termos tecnológicos é isso. A tecnologia básica é o reconhecimento automático de voz, principalmente nas suas componentes mais básicas, parametrizar o sinal acústico e depois classificá-lo em termos de fonemas e dar uma sequência de fonemas para palavras. Zener: Para uma criança estrangeira que venha para Portugal estudar, vai ter sotaque, o programa vai conseguir distinguir?

Zener: Como é que o sistema sabe se as crianças estão a dizer a palavra certa? Fernando Perdigão: Aí entramos no âmago do sistema, o que é preciso tecnologicamente para saber isso? Temos o sinal acústico, que pode ser várias coisas, pode ser um objeto a cair no chão, pode ser o vento a passar em árvores, pessoas a falar, animais a emitir sons. A ideia é que de todos esses sons, não vamos ter canto, não vamos ter outras emissões que o aparelho fonador humano pode ter, temos apenas fala. Neste caso um tipo particular de fala, fala de leitura, mesmo assim é preciso pegar num sinal acústico e perceber os elementos básicos da comunicação linguística, que são os fones, ou classes de fonemas. De facto, pode-se dizer que a fala é uma sequência de fonemas alinhados no tempo. Se tivermos um sistema que, a partir do sinal acústico, identifica os fonemas, temos o problema resolvido, porque depois sabemos que cada palavra

Fernando Perdigão: Não, não temos capacidade de chegar a esse pormenor, tudo o que assumimos é que são crianças do chamado L1, a língua mãe, o que me está a perguntar é L2, a segunda língua. Crianças de segunda língua teriam mais dificuldade. Todo o sistema foi pensado para crianças L1, porque já existem sistemas destes exatamente para dominar a pronunciação de palavras, para falantes L2. A pessoa que esteve a fazer o doutoramento connosco no âmbito do projeto LetsRead está agora a trabalhar num sistema para ensinar inglês a falantes de segunda língua. Está a ter bastante sucesso, principalmente na Ásia, onde há uma grande aptidão para as pessoas falarem bem inglês, é um sistema parecido com o que fizemos, mas adaptado para falantes de, neste caso, inglês como língua L2. Zener: Mesmo falantes portugueses, mas por exemplo da Madeira, podem ter dificuldades a usar o sistema? Fernando Perdigão: Eventualmente sim, apesar de que o sistema tem alguma flexibilidade para não indicar como palavras mal pronunciadas tudo o que as crianças dizem. Diria que o sistema foi treinado com crianças da zona centro, portanto seria pior na zona da Madeira, ou nos Açores. Por exemplo, São Miguel, que tem uma fala bastante diferente.

Por Margarida Amaro e Ricardo Matias 23


A colaboração do INESC Coimbra com o NEEEC/AAC trouxe, para esta nova edição, a exposição do projeto Conseguinte, expõe-se mais Tools for supporting the selection of energy detalhadamente a conceção efficient technologies, também conhecido por desta investigação, pelo T4ENERTEC. O objetivo é criar uma ferramenta Professor Álvaro Gomes que permita servir de apoio a entidades públicas e com a participação da no planeamento de investimentos para programas de eficiência energética, tendo em consideração Professora Carla Henriques. tanto o carbono como a energia incorporados em cada tecnologia energeticamente eficiente. Deste modo, é proposto o desenvolvimento de uma abordagem que permite apoiar os investidores em duas etapas. Primeiramente, utilizar-se-á uma metodologia input-output combinada com a abordagem de ciclo de vida de cada produto, para a avaliação do tempo de retorno energético/ carbónico de cada tecnologia. E, posteriormente, será formulado um modelo de otimização multiobjetivo, para apoiar as entidades na seleção de portfólios de tecnologia eficientes, fundamentando explicitamente o tratamento da incerteza inerente a este tipo de problemas. Assim, será possível explorar três tipos de estratégias de investimento, de acordo com as preferências do investidor. 24


Investigando com

Álvaro Gomes Tools for supporting the selection of energy efficient technologies Álvaro Gomes/Carla Henriques: O principal objetivo deste projeto é o desenvolvimento de uma ferramenta computacional que permita servir de apoio a entidades que devam tomar decisões sobre o financiamento de programas de eficiência energética. Consideramos que existem neste projeto de I&D duas novidades: a forma de avaliação das medidas, que é baseada em análise input-output combinada com uma abordagem ciclo de vida e o processo de tomada de decisão, que será baseado num modelo de otimização que tem em conta diferentes objetivos e/ou diferentes parâmetros ou critérios. Normalmente, as entidades responsáveis pela seleção e financiamento de medidas de eficiência energética, centram-se em duas questões chave: custos dos equipamentos e poupanças obtidas durante o seu período de funcionamento. Todavia, uma avaliação mais rigorosa requer que se tenha em conta também as fases de produção, transporte, instalação e abate dos equipamentos, ou seja, deve considerar-se o ciclo de vida do produto e não apenas o período operativo. Até porque, sendo os equipamentos cada vez mais eficientes, a incorporação de energia nas fases não habitualmente consideradas na avaliação das medidas de eficiência energética vê a sua importância aumentada. Um exemplo simples é uma medida de estímulo à substituição de uma tecnologia de iluminação por outra mais eficiente. Habitualmente, esta medida é avaliada em termos de poupança, tendo em consideração a potência da tecnologia atual, a potência da tecnologia mais eficiente e o seu tempo de funcionamento. Com esta informação, estima-se a energia utilizada pelas duas tecnologias e a diferença entre os dois resultados dá-nos a poupança durante o ciclo operativo dos equipamentos. A energia incorporada nas fases antes da entrada em funcionamento (fabrico, transporte, instalação, etc.) e nas fases posteriores (desmantelamento e abate / reciclagem) não é tida em consideração, um pouco ao contrário do que acontece com as tecnologias das energias renováveis, por exemplo. Para além desta vertente de avaliação, é também proposto que a seleção do conjunto de medidas a financiar seja efetuada considerando os múltiplos

objetivos que as entidades decisoras desejem avaliar. Nesta perspetiva, pretende-se desenvolver um modelo que permita efetuar o tratamento intrínseco da incerteza inerente à instanciação deste tipo de modelos baseado na teoria dos portfólios. A abordagem proposta permite-nos realizar uma avaliação holística e integradora das diferentes medidas em análise, sendo este o principal valor acrescentado deste trabalho.

Carla Henriques

Zener: Qual é o principal objetivo do projeto T4ENERTEC?

Zener: Como surgiu este projeto? Álvaro Gomes/Carla Henriques: A ideia deste projeto surgiu porque existe no INESC Coimbra muito trabalho desenvolvido na área da energia e da utilização eficiente de recursos. Inclusive, existe já trabalho realizado na utilização deste tipo de abordagem para avaliação de medidas na parte das energias renováveis e achámos que isto também fazia sentido no domínio da eficiência energética. Este, é um projeto financiado

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no âmbito do sistema científico tecnológico nacional, cujos proponentes são o INESC Coimbra e ADAI. Para a realização do projeto teremos que ter em consideração questões energéticas, ambientais, políticas e sociais, sendo, por isso, um projeto multidisciplinar. Da equipa do projeto fazem parte investigadores da Universidade de Coimbra (do nosso departamento, do departamento de Engenharia Mecânica e da Faculdade de Economia) e do Instituto Politécnico de Coimbra (do ISCAC e do ISEC). Desde há muitos anos que no INESC Coimbra se têm vindo a desenvolver trabalhos relacionados com a eficiência energética, seguindo agora novas abordagens e com apoio em novas metodologias. Zener: Quais serão os benefícios, a longo prazo, caso essa ferramenta venha a ser implementada? Álvaro Gomes/Carla Henriques: Sendo a ideia servir de apoio à tomada de decisão na avaliação e seleção de portfólios de medidas de eficiência energética, é de esperar que a sua utilização, neste processo, tenha impactos em termos de utilização de dinheiros públicos. Pode ainda dar origem a um sistema como o das etiquetas energéticas, que nos informa a classe de um dado equipamento relativamente ao seu desempenho energético, impulsionando um conceito inovador que é a pegada socio-ecológica do equipamento. Tal conceito seria indicativo da contribuição desse equipamento para poupar energia, potenciar o crescimento económico, a criação de emprego, entre outros, indo para além daquilo que é estritamente tradicional, isto é, a poupança energética e financeira. Ao pouparmos energia, estamos a potenciar o crescimento económico e a criação de emprego, a ser mais competitivos, conseguindo ir além da eficiência energética num sentido estrito. Zener: Quais são os conhecimentos base para o desenvolvimento do projeto? Álvaro Gomes/Carla Henriques: O projeto tem uma abordagem interdisciplinar a toda esta temática, sendo a equipa composta por pessoas da área da Economia e Gestão e da Engenharia. Para além disso, há a necessidade de envolver as diversas entidades que participam na temática da promoção da eficiência energética. Para isso, organizámos um workshop onde estiveram presentes vários atores envolvidos neste tipo de problemas, assim como representantes de vários setores, para podermos selecionar o tipo de tecnologias a serem alvo de avaliação. Posteriormente, serão avaliados os impactos da adoção de cada medida e será feito um levantamento dos principais tipos de indicadores a serem utilizados nessa avaliação. A evolução das políticas de promoção da eficiência en-

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ergética em Portugal e na Europa serão alvo de análise, bem como o enquadramento regulatório e legislativo existente a nível nacional, em particular no setor residencial. Particularizando um pouco mais, será efetuada a caracterização do parque edificado residencial, para verificar quais são as medidas mais prementes e, de entre as várias possibilidades, avaliar os portfólios de medidas de eficiência energética, para que sejam tidas em consideração as medidas mais adequadas a adotar no contexto nacional. Será também feita uma análise do ciclo de vida (Life Cycle Assessment), que irá permitir avaliar o impacto de cada uma das etapas inerentes ao ciclo de vida dos equipamentos a contemplar nessa avaliação. Esta é uma análise de tipo bottom-up, mais técnica, que permitirá analisar cada um dos materiais integrantes dos equipamentos e será incluída num modelo top-down, que permitirá avaliar os impactos macroeconómicos, sociais, não só locais, mas também globais. Zener: Qual é o benefício de avaliar o impacto da tecnologia desde o fabrico até ao desmantelamento? Álvaro Gomes: Quando se avalia apenas o período de operação do equipamento, todas as etapas antes e depois dessa utilização são ignoradas. No entanto, como já referido, a construção do equipamento tem energia incorporada; por exemplo, construir um tubo de LEDs obrigou a uma dada utilização de energia, material e emissões. Depois, o desmantelamento / abate / reciclagem dos equipamentos, no final da vida útil, também tem custos associados. Verifica-se que, com o aumento da eficiência dos equipamentos, o peso destas etapas antes e depois da utilização do equipamento é cada vez maior nesta perspetiva de análise de ciclo de vida. Por isso, faz cada vez mais sentido que na avaliação das medidas se efetue uma avaliação o mais abrangente possível. Zener: Há mais alguma coisa que gostariam de acrescentar? Álvaro Gomes: Um dos resultados deste trabalho será um Website, no qual as pessoas podem simular o impacto de programas de eficiência energética. Por exemplo, se tiver uma casa e quiser substituir uma janela com caixilharia que não tem corte térmico ou se quiser substituir um sistema de aquecimento antigo por uma bomba de calor, pode ver-se o impacto que essas mudanças terão. A ideia é chegar ao público e contribuir para alterar comportamentos das pessoas, mostrando que estas podem ter comportamentos mais eficientes e ganharem efetivamente com isso.

Por Catarina Martins e Nelson Pinto


Para descobrir mais sobre este tema, apresenta-se a entrevista nas páginas seguintes.

O Instituto de Sistemas e Robótica também cooperou com o Zener, desta vez não na exibição de um projeto de investigação, mas na partilha de um tema bem popular nos dias de hoje: a realidade aumentada. Esta área de investigação desenvolvida pelo Professor Paulo Menezes, permite a alteração do mundo do utilizador através da integração de elementos ou informações virtuais sobre o mundo real. Com a utilização de câmaras e sensores de movimento é possível criar uma experiência interativa onde informação percetiva criada por computadores prevalece sobre o mundo real. Atualmente, encontra-se este tipo de tecnologia em filtros para fotografias, jogos (exemplo: Pokémon GO), hologramas, entre outros. Tem também já abrangência ao nível do ensino, design de produtos, ações de marketing e saúde. De notar que realidade aumentada é diferente de realidade virtual, uma vez que esta última substitui por completo a realidade por uma imagem virtual.

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Investigando com

Paulo Menezes Realidade Aumentada Zener: Como é que a realidade aumentada é integrada nas áreas onde trabalha? Paulo Menezes: Em primeiro lugar, é importante perceber o que é a realidade aumentada. Já houve marcas que começaram a explorar esse conceito, mas o Pokémon GO foi aquilo que lhe deu mais projeção, apesar de ter muito pouco de realidade aumentada. Na verdade, tinha um conjunto de coisas que apareciam num espaço, mas nem sequer criava uma realidade, o personagem não estava propriamente integrado com o espaço circundante ou nem com a morfologia do mesmo. Se houvesse um banco, o Pokémon não estaria necessariamente ao lado ou em cima, podendo mesmo surgir no meio deste, não havendo uma relação espacial coerente. O que é importante na realidade aumentada é que, se um objeto for virtual, tem de parecer verdadeiro. A noção de realidade está muito ligada aos sentidos, isto é, passou a ser realidade porque eu senti, vi ou ouvi. Tipicamente, a forma mais fácil de percebermos é ver ou tocar. Querer colocar uma representação dum objeto em cima de uma mesa (física), ou noutro sítio, levanta um conjunto de problemas, com soluções umas mais e outras menos complicadas. Quando comecei a trabalhar com realidade aumentada surgiu, uma situação bastante interessante num dos testes. Nós criámos um poço, que aparecia no meio da sala, com estacas afiadas no fundo, a pessoa punha um capacete equipado com uma camara e sentia que o poço estava lá. Esta demonstração era mostrada frequentemente a visitantes, até que um dia houve uma pessoa que teve uma reação de fuga e a encostarse às paredes. Isto foi um pouco inesperado para nós, pois a pessoa sabia que não havia poço nenhum, mas não conseguia evitar aquela reação. Para mim foi uma descoberta. Fui falar com colegas da Faculdade de Psicologia que acharam bastante interessante poder criar situações de que as pessoas têm pavor sem ter de 28

as levar aos sítios. A partir daí, surgiu uma colaboração, que ainda existe, com a Faculdade de Psicologia e, neste momento, tenho um aluno a fazer doutoramento precisamente sobre esse assunto: o desenvolvimento de ferramentas de realidade aumentada que possam ser usadas para terapias. À parte disso, a nível da indústria, o que estamos a explorar neste momento é no fabrico de moldes, uma indústria muito forte em Portugal. O molde pode ter milhares de peças e cada molde é uma peça única, o que leva a que se sejam necessários planos e funcionários especializados para os interpretar e montar as peças. A ideia é ver diretamente a indicação de como montar uma peça sobre o molde, ou saber com quanta força tem de apertar determinado parafuso. Como ainda não há óculos utilizáveis para realidade aumentada de tamanho adequado, os que existem são mais do tipo “capacete”, dados o calor, o peso, fios ou as limitações da bateria, a solução escolhida foi a de os evitar e projetar diretamente a informação sobre os objetos. Outro caso a ser explorado, inclusive num projeto com o professor João Barreto, é o uso de realidade aumentada na medicina como auxiliar de cirurgia. O cirurgião está a fazer a cirurgia e está a ver diretamente a informação e, por exemplo, sem ter de olhar para o lado para ver o mostrador ou ecrã de qualquer dispositivo de imagiologia, saber onde tem de fazer a incisão. A dificuldade que existe hoje ainda em trazer a realidade aumentada para o dia a dia, é a inexistência de dispositivos vestíveis que permitam ter autonomia e poder de cálculo suficientes. Posso fazer realidade aumentada com um computador e vários sensores externos, mas não é uma coisa que leve para casa ou use na indústria. A tecnologia que tem vindo a ser desenvolvida para os telemóveis é a que mais promete, mas ainda apresenta grandes limitações na autonomia devido sobretudo ao consumo dos sensores, “displays” e do suporte computacional necessário.


Zener: Como é que acha que a realidade aumentada se vai integrar no futuro? Paulo Menezes: Há tanta coisa que podemos fazer com a realidade aumentada: em primeiro lugar, a nível dos sistemas de terapias é obvio e está explorado; A nível dos jogos, por exemplo, acho que a realidade aumentada se vai integrar muito bem daqui a uns tempos. Neste momento, ainda não é suficientemente apelativa, porque ainda não é convincente o suficiente. Depois também estamos a apelar demasiado às pessoas para estarem imersas de corpo inteiro, quando a maior parte das vezes, quando vão jogar, o objetivo é passar um pouco de tempo e relaxar. Acredito que daqui a uns tempos se quiser estar numa realidade aumentada (ou virtual) vai ser possível controlá-la sem ser necessário deslocar-me - abano os ombros para a esquerda e para a direita ou simplesmente penso que quero ir para a esquerda ou para a direita e aquilo vai e eventualmente “transporta-me”. Portanto, a evolução vai ser muito a nível da interface com a realidade aumentada. A fronteira entre realidade aumentada e realidade virtual vai chegar a um ponto onde fazemos o que nos apetecer, há alturas que queremos que os objetos à volta estejam no ambiente imersivo, então chamo realidade aumentada, mas se quiser que eles desapareçam então passo a chamar realidade virtual. Há, claramente, uma coisa muito difícil de levar para a realidade virtual, e aí a realidade aumentada encaixa-se melhor, que é o tato. Com a realidade virtual não consigo tocar nos objetos virtuais, mas se eu conseguir mudar a aparência dos objetos reais, uma mesa deixou de ser uma mesa e passou a ser um quadro onde eu posso escrever. Há efeitos a explorar que usam sobreposição de estímulos para alterar a perceção. Por exemplo, no caso do efeito McGurk, o estímulo visual vai alterar a forma como o nosso cérebro interpreta o estímulo auditivo. Portanto, essa mistura, essa manipulação de estímulos vai ser certamente o ponto forte a ser explorado no futuro. Estou convencido de que provavelmente vamos ter coisas que fazem parte da ficção científica, como ter uns óculos que me permitem ver um ecrã interativo, onde posso ver os

meus e-mails. Estes elementos provavelmente vão fazer parte de uma biblioteca de aplicações que vão estar no meu suporte de realidade aumentada e sem dúvida nenhuma que abrem um conjunto de possibilidades muito interessantes. Voltando à questão do tato, este sentido é uma parte muito importante para nós humanos e tem mais valor do que aquele que frequentemente lhe atribuímos. Atribuímos todo o valor à visão e esquecemos que sem o tato provavelmente não sobreviríamos. Este sentido está tão presente na nossa existência que estarmos a ver coisas, mas não lhe podermos tocar é e será sempre estranho. Eu acredito que uma das evoluções que a realidade aumentada vai ter, vai ser a de mudar a aparência de coisas tocáveis. No aspeto da presença, os objetos virtuais vão ser mais reais, mais credíveis. Provavelmente, no futuro, vamos descobrir novas formas de comunicação. Neste momento, usamos muito a comunicação oral, no entanto, há um conjunto de pessoas que têm muita dificuldade em comunicar oralmente, mas por texto comunicam bem. Pode ser que no futuro tenhamos sistemas mais virtuais de comunicação, onde em vez de escrever, bastará pensar e outra pessoa receberá da mesma maneira, através de uma imagem que se forma. No entanto, não vejo isso acontecer a curto prazo. Também acho que irão surgir sistemas emocionais artificiais que irão ser capazes de reconhecer e expressar emoções de forma credível, sejam eles personagens virtuais ou robôs, e dado o foco atual da investigação, talvez estes sistemas não estejam tão longe como se pode pensar. As emoções são o resultado de muitos anos de evolução e foi uma forma de sermos atraídos para o que protege a vida da espécie humana e afastar-nos daquilo que é nocivo. Se conseguirmos criar este “virtual human”, podemos ter agentes virtuais ou um conjunto de personagens a motivar uma pessoa a, por exemplo, fazer exercício físico e acompanhá-la nos treinos, dando a sensação de integração num grupo. O problema que se antevê e que levanta algumas questões éticas, embora para muitas pessoas não seja problema algum desde que se sintam bem, é que podemos afastar as pessoas da sociedade real. No entanto, o contrário também pode acontecer. Poder fazer exercício físico e conversar com outras pessoas pode aumentar as possibilidades de socialização sem sair de casa, em particular para pessoas com certos tipos de limitações físicas, pode representar uma melhoria enorme na qualidade de vida. Em particular para pessoas idosas, que têm o seu grupo de amigos mais ou menos distante, mas que começam a ter alguma dificuldade em sair de casa, estou convencido de que estes sistemas vão permitir-lhes manter o contacto com ele e assim poder reduzir bastante a solidão que hoje tanto se observa nestas classes etárias.

Por Margarida Amaro e Ricardo Matias 29


Tradição A Queima das Fitas é um dos festejos académicos mais conhecidos em Portugal, com origem em Coimbra e que foi adotado por quase todas as academias do resto do país. Este ano, irá realizar-se entre os dias 3 e 10 de maio e é neste festejo que o caloiro adquire o estatuto de Pastrano. A Serenata Monumental, que tem início à meia-noite do dia 3 de maio, abre a semana da Queima, chamando ao Largo da Sé Velha milhares de estudantes que vestem o traje. O ponto alto é o dia do Cortejo dos Fitados, no domingo dia 5, onde os Putos colocam o Grelo na lapela, enquanto que os Candeeiros o queimam e desfilam em carros enfeitados com flores de papel das cores dos cursos. À noite, o Parque da cidade enche-se de estudantes, música e muita animação. Durante a semana da Queima das Fitas decorrem também outros eventos tradicionais:

Venda da Pastinha

Os estudantes universitários, bem como antigos estudantes juntamente com as crianças da Casa de Infância Doutor Elysio de Moura, passeiam pela cidade com o intuito de angariar verbas para a mesma através da venda de pastinhas. Ao longo do ano, as crianças vão preparando réplicas das pastas usadas pelos estudantes universitários com as várias cores que representam as distintas Faculdades da Universidade de Coimbra e cada pastinha vem acompanhada de pequenos poemas. No final da Venda da Pasta segue-se a Verbena, uma atividade que consiste numa tarde em convívio com as crianças da Casa de Infância Doutor Elysio de Moura e da Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra que, juntamente com o seu Projeto “Coimbra a Brincar”, realizará atividades de modo a proporcionar uma tarde inesquecível para as mesmas. Terão ainda a companhia de uma atuação dos 5ª Punkada e muitas mais surpresas.

Baile de Gala das Faculdades

Um baile formal que era organizado pelos Finalistas, onde por norma, eram convidados o Reitor e outras entidades importantes para Coimbra. Começa com um Jantar de Gala onde os Estudantes masculinos devem vir com o seu Traje de gala: Laçarote, cinta, e sem colete. Era habitual os Estudantes também cozerem as abas de trás da sua batina para ficar parecido a um fato de rabo de grilo. Após o Jantar, inicia-se o Baile propriamente dito, com a primeira dança, uma valsa, sempre dançada pelo Reitor. Os Estudantes só podem juntar-se ao Baile após a primeira dança e, somente a partir de aqui, andarem sem Capa.

Invasão às Escolas

O Sarau Académico é uma mostra da arte e apresentações dos Estudantes para a cidade. Se a Récita das Faculdades adotava contornos de sátira, crítica e humor, o Sarau era um evento mais sério e solene onde o objetivo era convidar os Futricas de Coimbra para verem o que de melhor se fez, nesse ano, para a cultura de Coimbra.

Nas alturas em que o Cortejo era à terça-feira, durante essa manhã os Estudantes invadiam as várias Escolas Secundárias de Coimbra onde retiravam, muitas vezes contra a vontade dos Professores, mas a favor de todos, os Bichos das aulas e os levavam para o Cortejo. Os Estudantes vinham muitas vezes acompanhados também de Grupos de Gaiteiros que ajudavam à confusão e para que os “protestos” dos Professores não se fizessem ouvir. A Invasão às Escolas ainda acontece, na terça de manhã, estando aberta a todos os Estudantes que queiram ir e onde, muitas vezes, as próprias escolas oferecem o pequeno-almoço.

Chá das Cinco

Chá Dançante

Sarau Académico

O Chá das Cinco é, atualmente, o único Baile onde efetivamente há chá. Tratava-se de mais uma oportunidade para os Estudantes conviverem com a cidade. Eram feitos convites a vários lares de idosos para passar uma tarde junto da companhia dos Briosos. Os Estudantes ofereciam o chá e o lanche e convidavam também Ranchos e grupos de Gaiteiros para animar a festa. Atualmente decorre na tarde de quartafeira de Queima das Fitas, no mesmo pavilhão onde acontece o Baile de Gala das Faculdades e o Chá Dançante.

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Assim como queimar as fitas ao final do curso é um símbolo de que a vida académica acabou, o Chá Dançante acaba sendo a representação de que a festa da Queima das Fitas chegou ao fim. Isso, porque o Chá Dançante consiste em destruir toda a decoração do salão onde o Baile de Gala ocorreu e levar um pedacinho como recordação. A festa tem direito até a contagem regressiva para iniciar a “destruição”.

Por Joana Dourado


Caloiros vs Finalistas O evento da Queima das Fitas é o mais esperado por todos os estudantes durante todo o ano letivo. Por este motivo, o Zener decidiu recolher relatos tanto de caloiros, afim de expor as adaptações deste que foi o seu primeiro ano na Universidade e as expectativas para esta festividade, como de finalistas, que chegando ao fim de um longo percurso académico levam consigo muitas histórias e recordações.

Débora Seiça

A caloira Débora Seiça conta-nos que como é natural de Coimbra não teve muita dificuldade de se adaptar à cidade, uma vez que é residente da mesma. A adaptação foi feita à nova vida na Universidade, pois não conhecia grande parte das tradições académicas, que a surpreenderam pela positiva e que a ajudaram a conhecer ainda melhor esta cidade dos estudantes. Esperou muitos anos para ter a experiência da primeira queima e agora que se aproxima, diz-nos que está cada vez mais ansiosa, tanto pelo cortejo, como pela serenata, onde vai traçar a capa pela primeira vez, mas também pela terça-feira onde vai visitar a escola secundária como aluna universitária. O que mais a marcou neste primeiro ano foi a entrada na Quantunna – tuna mista da FCTUC, apercebeu-se que participar noutras atividades é ótimo e que a universidade é muito mais que simplesmente tirar um curso.

Nuno Sénica

Nuno Sénica, caloiro, descreve-nos que inicialmente a sua adaptação foi um pouco complicada. Sendo estudante-atleta refere que viver sozinho e conciliar o estudo com o desporto foi bastante difícil, porém habituou-se. Sente-se ansioso para a sua primeira queima, pois é um evento muito falado a nível nacional e que nunca experienciou. As expetativas são de sentir uma grande felicidade e algum espírito de aventura. O convívio que se faz nesta cidade entre colegas dentro ou fora do mesmo departamento e a extrema simpatia foi aquilo que mais marcou o seu primeiro ano de caloiro.

Dora Lourenço

Dora Lourenço, finalista do MiEEC/UC, relembra a sua chegada a Coimbra e diz-nos que a primeira coisa que sentiu foi liberdade de viver sozinha pela primeira vez, mas também ansiedade por ser uma experiência nova. Quanto às memórias que leva destes cinco anos, refere que leva o grupo de amigos que fez no curso, as tardes que tinha com eles após cada frequência, a primeira latada e a primeira queima. Conta-nos ainda que uma das melhores decisões que tomou foi entrar para a Quantunna, uma vez que ganhou uma família. O ano do carro também foi dos melhores, apesar dos dramas e das discussões, o cortejo em que foi no carro, afirma que foi o melhor dos cinco anos.

Por Nelson Pinto 31

Bruno Ferreira

O finalista Bruno Ferreira descreve-nos que quando chegou a Coimbra tinha acabado de fazer os 18 anos e que quando visitou o departamento pela primeira vez sentiu que o passo a dar seria bem maior do que aqueles que vinha habituado a fazer. No entanto, com as diversas atividades que realizou ao longo do dia, apercebeu-se de que facilmente se iria integrar no curso. Após estes cinco anos, leva memórias de bastante trabalho, de momentos de ficar no departamento até tarde com os colegas para “fazer aqueles trabalhos que apenas o DEEC sabe exigir”. Por outro lado, e bem mais importante, guarda recordações das grandes amizades que criou e que lhe proporcionaram muitas aventuras e histórias para contar no futuro. Acerca do que lhe marcou durante este percurso, refere que foi o espírito académico existente em Coimbra e em todos os seus estudantes.


29 abr4 mai

Semana Cultural e Desportiva

5 mai

maio

Serenata Monumental

3 mai

Workshop de ROS

15 mai

Cortejo da Queima das Fitas

Eleições do NEEEC/AAC

Tomada de Posse do NEEEC/AAC

junho

O NEEEC/AAC reformulou, este ano, o seu site, que conta agora com um design melhorado, menus mais elegantes e mais intuitivos, por forma a encontrares tudo aquilo que procuras muito mais facilmente. Podes usufruir de um vasto banco de materiais, bem como de uma plataforma de ofertas profissionais. Se tencionas fazer Erasmus, visita o nosso site e lê testemunhos de outros colegas. Descontente com alguma coisa? Basta aceder às queixas logísticas. A par do referido, podes ainda desfrutar de informações pedagógicas, da agenda de atividades, realizar não só inscrições em eventos, mas também pedidos de empréstimos, entre muitas outras coisas. Acede já a neeec.pt.

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