02
Escolha e Compreensão de um Problema de Projeto
Ana Júlia Quesada Ana Laura de Paulo Mendes Franco Isabelle Martins Nathália Peres da Silva
Entrega 02 - Ateliê Integrado I
2026-2
SUMÁRIO
01 02
03 04
Problemática
Sutura Urbana
Viaduto das Artes
Terminal intermodal Gentileza
01
Realengo, Rio de Janeiro
PROBLEMÁTICA A problemática parte do baixo uso da estação, provocado pelo seu isolamento em relação ao entorno, consequência da presença e configuração dos viadutos, que criam barreiras físicas e dificultam sua integração aos percursos cotidianos dos pedestres.
01
Infraestrutura que conecta
02
Entre fluxos e barreiras 01
03
Estação de trem
Estação de trem
02
Embora o viaduto garanta a continuidade do fluxo viário, sua configuração desfavorece o pedestre, impondo desvios e percursos pouco convidativos. A estação, inserida nessa estrutura, torna-se pouco integrada aos caminhos cotidianos do entorno, reforçando sua fragmentação na escala local.
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Conectar ou separar?
Sutura Urbana Reparação de espacialidade e sociabilidades na região de viaduto.
Os viadutos são construídos sob o argumento de conectar diferentes partes da cidades, ou vencer linhas férreas como no nosso caso, entretanto, sua implantação é clara ao separar veículos e pedestres, produzindo assim barreiras físicas e socais, alterando profundamente a relação existente no entorno.
Objeto de projeto : viaduto Júlio de Mesquita Filho
Como estruturas criadas para conectar diferentes partes da cidade podem, paradoxalmente, produzir novas barreiras e rupturas no tecido urbano?
Trabalho de final de Graduação - Cythia Diniz USP Orientador : PROF. DR. JEFERSON CRISTIANO TAVARES
A via expressa elevada não representa apenas uma solução para a mobilidade, mas uma escolha sobre como a cidade deveria crescer e se organizar. Sua implantação está ligada aos interesses do poder público e à especulação imobiliária. O viaduto passa, então, a materializar essa ideia de progresso e de poder sobre o território, impondo uma nova forma de circulação e transformando a paisagem e as relações existentes na cidade.
teoria TERRAIN VAGUE
Espaços Residuais
A infraestrutura como geradora de fragmentações urbanas.
Ignasi de Solà-Morales — um outro olhar sobre os vazios urbanos.
A implantação de grandes infraestruturas, como viadutos e vias elevadas, altera as relações existentes no tecido urbano. Ao priorizar determinados fluxos, essas estruturas podem criar barreiras, descontinuidades e áreas de difícil apropriação, produzindo espaços que permanecem à margem das dinâmicas cotidianas da cidade. Esses espaços residuais não surgem necessariamente como espaços planejados, mas como consequência da relação entre a infraestrutura implantada e o território preexistente
Infraestrutura
Ruptura
Espaços Residuais
O espaço residual é, portanto, resultado de uma ruptura entre a infraestrutura e as relações existentes no lugar.
O conceito de terrain vague, desenvolvido por Ignasi de Solà-Morales, propõe uma leitura dos espaços urbanos vazios, abandonados ou indefinidos que permanecem à margem das dinâmicas consolidadas da cidade. Para o autor, sua condição de indefinição não representa somente ausência. Justamente por não estarem completamente determinados por usos e funções, esses lugares carregam uma condição de abertura, expectativa e possibilidade, permitindo outras formas de relação e apropriação da cidade.
Barreiras físicas Descontinuidade Qualidade ambiental precária
Estudos e Referências
No estudo de casos, ela categoriza em 3 modos as possiveis intervenções :
Ausência
Ajuste
Nesta categoria, a autora reúne intervenções que adotam a demolição parcial ou total de vias elevadas, buscando recuperar e renovar suas áreas de influência. Um exemplo é a restauração do Rio Cheonggyecheon, em Seul, que removeu uma rodovia de 10 pistas e uma via elevada de 4 pistas, responsáveis pelo transporte de mais de 170 mil veículos por dia. A intervenção buscou reconectar partes da cidade, priorizando o pedestre, o uso compartilhado do espaço e a criação de áreas públicas ambientalmente mais sustentáveis. O impacto no trânsito foi de :
Neste caso, a estrutura viária é mantida, enquanto os espaços sob ela são requalificados, buscando restabelecer a relação entre a infraestrutura e a comunidade. A intervenção parte da permanência do viaduto e procura atribuir novos usos ao espaço residual, transformando-o em um lugar de convivência e apropriação. O Centro Koganecho, no Japão, é um exemplo dessa abordagem: um trecho sob uma linha férrea elevada foi reorganizado e dividido em sete diferentes tipos de espaços comunitários, incorporando novos usos ao espaço existente.
76%
3,3%
15,1%
45%
Fluxo de Pedestre
Uso do metro
passageiros de transporte público
Uso veiculos individuais
Adaptação
Nesta categoria, a intervenção combina estratégias de ajuste e ausência, ressignificando estruturas existentes a partir de novos usos. O High Line, em Nova York, é apresentado como exemplo dessa abordagem: a antiga linha férrea, que seria demolida, foi preservada e transformada em espaço público, incorporando jardins, intervenções artísticas, áreas de lazer, descanso e contemplação. A intervenção evidencia como uma estrutura existente pode ser mantida e reinterpretada, reforçando sua relação com o entorno e com a dimensão cultural do luga
Processo de Análise Urbana
Possibilidades de aproveitamento ou ocupação
Em 2016, a SP Urbanismo e a Prefeitura de São Paulo avaliaram espaços sob pontes e viadutos para transformá-los em áreas públicas ativas. A análise seguiu três etapas consecutivas: Viabilidade Física
Acessibilidade Pedestre
Projetos Existentes e Caracterização
Imagem de autoria de SP Urbanismo.
Imagem de autoria de SP Urbanismo.
Imagem de autoria de SP Urbanismo.
A análise resultou na seleção de cinco conjuntos notáveis de pontes e viadutos com potencial para ancorar requalificações urbanas no município, dentre eles o Viaduto Júlio Mesquita Filho.
Por que o Viaduto Júlio de Mesquita Filho? Localização
Risco de Privatização
Mobilização Comunitária
Imagem de autoria de CYNTHIA DAIANE DINIZ.
Artigo da LabCidade, 2016.
Artigo da Revista Veja, 2020. Imagem de artigo do G1, 2018.
Levantamento e Diagnóstico
Imagem de autoria de CYNTHIA DAIANE DINIZ com edições do grupo.
Praças Sacolão Ecoponto Veículos
Corte de autoria do grupo.
Ocupação Irregular Arena Bela Vista
Situação Atual dos Baixios do Viaduto
Imagem de autoria de CYNTHIA DAIANE DINIZ.
Imagem de autoria de CYNTHIA DAIANE DINIZ.
Imagem de autoria de CYNTHIA DAIANE DINIZ.
Imagem de autoria de CYNTHIA DAIANE DINIZ.
Imagem de autoria de CYNTHIA DAIANE DINIZ.
Imagem de autoria de CYNTHIA DAIANE DINIZ.
Os baixios do viaduto configuram hoje um território heterogêneo e desarticulado. Entre trechos degradados e estruturas lacradas, coexistem ocupações da população Área fechada (caixão perdido) em situação de rua e praças tomadas pelo grafite, ao lado de polos de convivência comunitária e abastecimento, como a Arena Bela Vista e o Sacolão Bela Vista.
Conceptualização da Proposta
O resgate de conexões existentes
Áreas de Permanência
Circulação Superior
Circulação Inferior
Esportivo
Circulação Vertical
Diagrama de autoria do grupo.
Eixos Conectores
O projeto organiza-se a partir de quatro áreas centrais de permanência conectadas por eixos de transição que vão além da simples circulação oferecendo variadas ambiências, iluminações e estímulos sensoriais que valorizam a escala humana e enriquecem a experiência do percurso. . Ao aproveitar as variações de nível do viaduto e de seus baixios, a proposta permite que o caminhante transite livremente entre as cotas superiores e inferiores (de cima para baixo e de baixo para cima) ou cruze transversalmente o bairro.
Aplicação do Programa
Os momentos e as conexões em planta
Em planta, o projeto desenvolve-se ao longo dos 840 metros de extensão do viaduto e de seus baixios, estruturando-se em 9 espacialidades e momentos contínuos que acompanham a malha do entorno e resgatam as antigas conexões do bairro
I
Circulação Esportivo II
Áreas de Permanência
III
IV V VI VII VIII IX
Planta de autoria de CYNTHIA DAIANE DINIZ com edições do grupo. Feito com auxílio de inteligência artificial (ChatGPT).
Eixos Conectores I - Praça Ítalo Bagnon II - Pomar III - Pátio de Convívio IV - Horta Comunitária V - Pátio-palco VI - Praça Pérola Byington VII - Praça do Mercado VIII - Arena Bela Vista IX - Clareira Bela Vista
Aplicação do Programa
Os momentos e as conexões em corte
A demolição estratégica das alças laterais obsoletas aumenta a luz e a ventilação do baixio, liberando espaço no solo para alargar calçadas e criar vias pedonais mais amplas e integradas. Corte de autoria do grupo.
A requalificação dos trechos mais degradados do baixio substitui os espaços residuais por equipamentos de esporte, lazer e abastecimento, articulados por uma manipulação de níveis (rampas, escadas e taludes) que integra o solo ao parque elevado. Corte de autoria do grupo.
Corte de autoria do grupo.
A Sutura dos Encontros
Imagens de autoria de CYNTHIA DAIANE DINIZ com edições do grupo. Feito com auxílio de inteligência artificial (ChatGPT).
Elementos de sutura no tecido
Referencias : https://bdta.abcd.usp.br/item/003144516 https://www.landscapeperformance.org/case-study-briefs/cheonggyecheon-stream-restoration-project https://www.archdaily.com/873005/cut-in-koganecho-persimmon-hills-architects https://www.archdaily.com/pt/627644/um-passeio-pelo-high-line-com-iwan-baan
03
Barreiro, Belo Horizonte
VIADUTO DAS ARTES
CONCURSO PÚBLICO NACIONAL DE PROJETOS DE ARQUITEURA PARA REQUALIFICAÇÃO URBANA DE BAIXIOS DE VIADUTOS EM BELO HORIZONTE
Natalia Loureiro Parahyba
VIADUTO DAS ARTES
A área de intervenção específica desta proposta incide sobre o Viaduto Engenheiro Andrade Pinto, amplamente conhecido como "Viaduto das Artes", situado no Centro do Barreiro, em Belo Horizonte. Inserido numa zona de intensa atividade comercial, educativa e de transportes, dada a proximidade com o terminal da Estação BHBUS e o ViaShopping, o espaço já era marcado pela vocação artística devido à presença do atelier do artista Leandro Gabriel e das suas esculturas em sucata metálica. O projeto visa, assim, requalificar este pólo estratégico e a sua herança industrial, potencializando as atividades de arte, cultura e lazer para criar um espaço público seguro, permeável e atrativo para a comunidade.
0 1
Corte AA antes da Intervenção (Noite)
5
10
corte de autoria do grupo
Imagem de autoria do grupo
O projeto em análise constitui uma proposta desenvolvida no âmbito do "Concurso Público Nacional de Projetos de Arquitetura para Requalificação Urbana de Baixios de Viadutos em Belo Horizonte". Esta iniciativa teve como principal objetivo procurar soluções arquitetónicas e urbanísticas para transformar os espaços residuais e subutilizados localizados sob as infraestruturas viárias da cidade. A intenção do concurso passou por promover a integração destes "baixios" no tecido urbano, devolvendo-os ao usufruto da população através de novos usos flexíveis voltados para as dinâmicas sociais e culturais.
0 1
Corte AA antes da Intervenção (Dia)
5
10
corte de autoria do grupo
0 1
Corte AA pós Intervenção (Noite)
5
10
corte de autoria do grupo
A
0 1
Corte AA pós da Intervenção (Dia)
5
A
10
corte de autoria do grupo
A intervenção no baixio do viaduto prioriza transformar o espaço em ambiente que acolha a comunidade através da arte, cultura e lazer. Assim, a criação de atêlies, espaços de permanência e apoio aos programas são criados no ambiente.
Imagem de autoria do grupo
Área Cultural Serviços e Apoio Lazer e Convivência Quiosques multiuso Imagem de autoria do grupo
A setorização do projeto organiza o programa em quatro eixos integrados para requalificar o espaço público sob a infraestrutura do viaduto. A Área Cultural atua como o núcleo dinâmico, agrupando espaços de exposição, atelier e salas multiuso para fomentar a produção artística e a flexibilidade de eventos. Integrado a ela, o setor de Lazer e Convivência engloba o pátio, o jardim interno e a grande praça, formando zonas permeáveis e abertas dedicadas à permanência, práticas esportivas e contemplação paisagística.
Imagem de autoria do grupo, com edição realizada com auxílio de inteligência artificial (ChatGPT)
Para viabilizar essas atividades, o eixo de Serviços e Apoio concentra a infraestrutura operacional e sanitária, acomodando depósitos, toaletes e a sede da varrição para garantir a manutenção do local. Complementando a intervenção, o Setor Comercial dispõe de quiosques multiuso flexíveis que ativam os percursos de pedestres, trazendo dinamicidade econômica e atraindo o fluxo contínuo de pessoas ao longo da área.
EQUIPAMENTOS intertravado retângular
cacos de tijolo de barro/pedra portuguesa
via de tráfego e calçada
praça de convivência
cimento queimado
Cobertura
pisos internos
telhas translúcidas de policarbonato; treliças de tubos retangulares de aço, cor grafite.
Esquema dos módulos de fechamentos laterais - 2,0 x 2,55 x 0,40m (L.A.P) com venezianas verticais e portas camarão.
Esquema fechamento da entrada principal 'dupla pele' de vergalhões 1/2" a cada 40cm com ripas intercaladas de madeira de 60 x 2 x 10cm (L.A.P).
Quiosques multiuso (~12m²) – flexíveis às diversas possibilidades de uso comercial ao longo da área de intervenção, como: café, floricultura, jornaleiro, etc.
Referencias : https://prefeitura.pbh.gov.br/sites/default/files/estrutura-de-governo/politica-urbana/2018/planejamento-urbano/concursoviaduto4.pdf? utm_source=chatgpt.com https://www.archdaily.com/pt/01-177720/vencedor-do-concurso-para-requalificacao-de-baixios-de-viadutos-em-belo-horizonte-nil-viaduto-number3-viaduto-cinquenta-e-dois-slash-entre-arquitetos?utm_source=chatgpt.com
04
Imperial de São Cristóvão, Rio de Janeiro
TERMINAL INTERMODAL GENTILEZA
TERMINAL INTERMODAL GENTILEZA
TERMINAL INTERMODAL GENTILEZA
Do ponto de vista do desenho urbano, o terminal destaca-se pela sua infraestrutura focada na acessibilidade e na transição fluida entre os diferentes modais. A ampla cobertura metálica, a setorização clara das plataformas e a organização dos fluxos tornam o complexo uma excelente referência técnica conceitual para o desenvolvimento de outras intervenções em estações de trem e viadutos. Mais do que um mero ponto de embarque, o projeto funciona como um elemento de costura urbana, demonstrando como grandes infraestruturas de transporte podem requalificar o entorno imediato e ser integradas de forma inteligente à malha da cidade.
Imagem de autoria do grupo
O Terminal Intermodal Gentileza é um dos principais e mais recentes polos de mobilidade urbana da cidade do Rio de Janeiro, localizado na região da Zona Portuária, na área do antigo Gasômetro. Desenvolvido para reestruturar a rede de transporte público da capital, o complexo atua como um ponto crucial de integração entre o corredor BRT Transbrasil, as linhas do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) e os ônibus municipais. A sua implementação teve como objetivo principal otimizar o fluxo logístico diário de milhares de passageiros, conectando diferentes regiões da cidade ao centro de forma contínua. Imagem gerada por inteligência artificial (Google Gemini)
TERMINAL INTERMODAL GENTILEZA
0
5
15
30 corte de autoria do grupo
↔
O Gentileza também concentra várias linhas que levam diretamente para diferentes regiões da cidade através dos ônibus urbanos/municipais.
Linha 1 — Terminal Gentileza Santos Dumont Terminal Gentileza, Rodoviária, Região portuária, Praça Mauá, Avenida Rio Branco, Centro e Santos Dumont.
Zona Sul: Copacabana, Ipanema, Leblon, São Conrado, Urca, Cosme Velho Centro: Largo do Machado, Centro/Cinelândia Zona Norte: Méier, Engenho de Dentro, Marechal Hermes Zona Oeste/ Sudoeste: Barra da Tijuca, Gardênia Azul, Praça Seca Ilha/entorno: Fundão Aeroporto: Galeão
Linha 4 — Terminal Gentileza Praça XV Terminal Gentileza, Região portuária, Centro, Praça XV E Integração com as barcas. . O sistema do VLT também abrenge Praia Formosa, Central e outras áreas do Centro, através das linhas 2 e 3. A baldeação é necessária.
↔
Abrange diversos bairros com 18 estações distribuídas em seu corredor com cerca de 26km. Terminal Gentileza
→ Terminal Deodoro.
INTO, Vasco da Gama, Caju, Benfica, Fiocruz, Hospital de, Bonsucesso (CPOR), Baixa do Sapateiro, Rubens Vaz (Parque União), Piscinão de Ramos, Marinha Mercante, Lobo Júnior, Mercado São Sebastião, Cidade Alta, Vigário Geral (Praça Dois), CEASA (Irajá), Fazenda Botafogo, Jardim Guadalupe e Guadalupe
TERMINAL INTERMODAL GENTILEZA
ENTRADA/SAÍDA RODOVIÁRIA
BRT TRANSBRASIL VLT
ENTRADA/SAÍDA RUA SÃO CRISTOVÃO
ÔNIBUS MUNICIPAIS
ENTRADA/SAÍDA AV. FRANCISCO BICALHO ENTRADA/SAÍDA AV BRASIL - RUA PEDRO II
Obrigada.