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Auxílio aos Diabéticos

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Auxílio aos Diabéticos Pesquisas indicam que a vitamina D pode ser uma nova aliada para o tratamento do diabetes. Mas, por enquanto, há muito para se estudar sobre sua atuação no corpo

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odos sabem como as vitaminas são importantes para o funcionamento do organismo. Sempre ouvimos e aprendemos como o tipo A ajuda na visão; que as do complexo B atuam na saúde dos nervos, pele, olhos e cabelo; a C fortalece o sistema imunológico; a E tem ação antioxidante; a K colabora com a coagulação do sangue... Mas o assunto não é tão simples assim. É o caso da vitamina D, que faz bem mais do que apenas ajudar na absorção do cálcio e fortalecimento dos ossos, apesar de esta ser sua principal função. Novos estudos mostram que diabéticos normalmente tem uma carência deste composto. E também demonstram que essa descoberta não é apenas uma mera coincidência...

Ação multiuso

A atuação da vitamina é bem mais abrangente do que imaginamos inicialmente. “Pesquisadores começaram a investigar a estrutura de algumas células do corpo, e perceberam que a maioria delas tem receptores deste nutriente”, explica Paulo Gustavo Lacativa, endocrinologista. Basicamente, chegou-se à conclusão de que a substância interfere na ação de diversos órgãos, inclusive do pâncreas e de suas células beta, aquelas que realizam a síntese e secreção da insulina. É possível que a carência da vitamina cause uma menor produção do hormônio, responsável pela absorção da glicose, e isso pode levar ao desenvolvimento do diabetes tipo 2. A obesidade é outro quadro que influencia de forma decisiva na ausência do nutriente no corpo. “A vitamina D é lipossolúvel, ou seja, se mistura facilmente à gordura corporal. Portanto é como se ela fosse captada pelo tecido adiposo, e acaba sendo retirada de sua circulação na corrente sanguínea”, descreve o endocrinologista. Desta forma o que é produzido pelo organismo não cumpre sua função, por estar fora de circulação. Além disso, o sistema imunológico também precisa dela para funcionar bem, e sua deficiência pode acarretar na

aparição de doenças autoimunes, que acontecem quando nossas defesas confundem estruturas do organismo com corpos estranhos, atacando-as. Este mesmo processo ocorre com os portadores do tipo 1, pois sua principal causa é quando o organismo destrói as células produtoras de insulina no pâncreas. Ainda não se sabe exatamente o que causa esse ataque. “A impressão trazida por esses estudiosos é de que, quem apresenta menos vitamina D tem menores chances de desenvolver alguns tipos de doenças, logo esta poderia ser usada em um tratamento preventivo”, frisa o médico. E a ação da substância não acaba por aí. “Alguns estudos mostram que quando os indivíduos recebem o suplemento, apresentam melhor resposta glicêmica”, explica Natielen Jacques Schuch, nutricionista. Isso porque o composto melhora a ação das células beta. O sistema cardiovascular também têm receptores sensíveis à substância. “A vitamina D parece controlar o acúmulo de gordura nas paredes dos vazos sanguíneos, ou seja, atua no processo de aterosclerose, principal causa de infartos”, esclarece o endocrinologista Lacativa. Uma boa notícia para os diabéticos, que são mais propensos a problemas cardíacos, tais quais hipertensão, acidente vascular cerebral (AVC) e infarto. Uma pesquisa publicada na revista cientifica britânica BMC Medicine analisou por doze semanas duas equipes de diabéticos, uma tomando iogurte comum e outra com a bebida enriquecida com vitamina D. O resultado foi a melhora dos níveis de colesterol e de glicose naqueles que faziam parte do segundo grupo. Porém, o curto período da amostra não permitiu a avaliação dos efeitos a longo prazo, o que impede a recomendação imediata desta suplementação. Não se pode esquecer que o estudo não significa que se deva usar o nutriente como única forma de se regularizar estas taxas. “A vitamina D seria um coadjuvante no tratamento, nada substitui o medicamento prescrito e uma dieta saudável”, alerta Natielen. 

É possível que a carência da vitamina cause uma menor produção da insulina, hormônio responsável pela absorção da glicose

Ideias incertas

Depois de tantas descobertas, por que não começam logo o tratamento do diabetes com a vitamina D? Seria preciso realizar estudos por até dez anos, observando dois grupos, um com a suplementação e outro sem, para saber os reais benefícios da substância a longo prazo, e os possíveis efeitos colaterais. O que ainda não pôde ser feito, pois essas pesquisas são recentes. sabor&vida

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Fotos: shutterstock

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Faltas e excessos

Não custa garantir um bom suprimento natural da vitamina. Ela pode ser conseguida a partir da alimentação ou com banho de sol. O nutriente é encontrado no leite e derivados, mesmo que desnatados; ovos, principalmente na gema; peixes, como atum, sardinha, salmão, bacalhau e outros de água fria; e a carne de fígado de boi. O problema é que a quantidade da substância presente nestes itens é considerada pequena, e muitos deles não devem ser ingeridos em grandes porções, como a gema, rica em colesterol, ou os queijos e manteiga, que apresentam gordura. “Os peixes, uma das fontes principais, não fazem parte do cardápio da população brasileira”, lamenta a nutricionista. Há também o óleo de fígado de bacalhau, que tem um alto teor da vitamina, e várias vezes pode ser usado como reposição do composto. O sol é responsável pela maior parte do nutriente que sintetizamos no organismo. Após os 70 anos de idade, porém, a produção da substância através dos raios ultravioleta B diminui consideravelmente, e o pouco que é criado tem atuação ineficaz, o que torna essa faixa etária mais suscetível a doenças

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como a osteoporose, por exemplo. Apenas nesses casos a suplementação via oral é necessária, pois eles precisam também de uma maior quantidade da vitamina no corpo. Mas, antes de tomar qualquer vitamina, discuta o assunto com seu médico. O corpo raramente produz o nutriente em excesso. “É difícil atingir o limite máximo de vitamina D pela dieta, e a intoxicação através da exposição solar não acontece”, aponta a Natielen. Ainda assim, não se sabe se poderia ocorrer uma reação adversa do organismo em casos de enriquecimento de alimentos ou ingestão de cápsulas. É importante sempre procurar seu médico para ter certeza de que a suplementação é mesmo necessária. De qualquer forma, essas descobertas começam a apontar um novo passo para o tratamento e até mesmo prevenção do diabetes.  Fontes: Paulo Gustavo Lacativa, endocrinologista. professor de Medicina Interna da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e diretor clínico do centro de pesquisas CCBR-Brasil; Natielen Jacques Schuch, nutricionista e doutora do Departamento de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo.

O nutriente é encontrado no leite e derivados, mesmo que desnatados; ovos, principalmente na gema; peixes, como atum, sardinha, salmão, bacalhau e outros de água fria; e a carne de fígado de boi


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Auxílio aos Diabéticos by Nathalie Ayres de Franco - Issuu