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E agora, doutor? Descubra por que muitas vezes os medicamentos e insumos podem faltar nas farmácias particulares ou públicas
O paciente não deve se desesperar nem começar a economizar seu remédio
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sabor&vida
A
cena muitas vezes é clássica em postos de saúde: alguém, após uma longa espera na fila, chega ao balcão e não encontra seu medicamento. O problema é que quem está em tratamento de diabetes e depende de remédios nunca deve interromper o uso. Isto causa uma série de complicações, justamente por não regularizar mais o açúcar no sangue. “A curto prazo, haverá um aumento da urina, a sensação de boca seca e emagrecimento. Mais tarde, doenças relacionadas, como a hipertensão, podem ser agravadas”, explica o
endocrinologista João Eduardo Salles. É possível que se acelere o aparecimento de neuropatias, um problema causado pela alta da glicose, que interfere no funcionamento dos nervos e causa uma sensação de formigamento. Basicamente, a função do medicamento para diabetes é o controle glicêmico. Não só regulá-lo, mas principalmente evitar flutuações, como o excesso ou a diminuição do açúcar no sangue, as já conhecidas hiper e hipoglicemias. Dada essa importância, de que forma proceder se ele estiver em falta?
No meio do caminho...
Um remédio pode sumir das gôndolas por inúmeros motivos. “São processos que envolvem não só os fabricantes, mas também fornecedores de matérias primas, empresas de transporte, autoridades alfandegárias e sanitárias, distribuidoras e drogarias, entre outros”, lista Marcelo Freire, diretor médico do laboratório Novo Nordisk Farmacêutica do Brasil. Isso porque há toda uma logística para que o remédio vá dos laboratórios até as prateleiras e um problema em qualquer uma dessas etapas descritas prejudicará a disponibilidade. Portanto, se você perceber que seu medicamento está em falta nas farmácias comuns perto de sua casa, consulte o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) da empresa, que irá verificar onde ocorreu a falha. O mesmo vale para a ausência de insumos como as lancetas dos glicosímetros e agulhas de aplicação de insulina. Se o fármaco não for encontrado de forma alguma, a orientação de Salles é conversar com seu médico. “O tratamento não deve ser interrompido, mas sempre é possível realizar uma substituição dos produtos, principalmente no caso dos medicamentos”, garante o médico endocrinologista. O mesmo vale para remédios disponibilizado na rede pública. “Às vezes faltam alguns itens do programa, mas podem ser substituídos por outros”, descreve Jorrildo Farias Porto, funcionário da Diretoria de Assistência Farmacêutica (DIASF) do Distrito Federal. Para ele, uma das razões que pode ocasionar a ausência dos medicamentos nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) é a programação inadequada do recebimento. A maioria de seus usuários não tem condições de arcar com o valor dos itens: “mas grande parte acaba comprando devido à necessidade, ou seja, mais um ônus para a família do diabético”, diz Fadlo Fraige Filho, endocrinologista. A recomendação da Associação Nacional de Apoio ao Diabético (ANAD) é a reclamação com as Secretarias Municipais de Saúde. É possível
ligar diretamente nas prefeituras ou utilizar a ANAD como intermédio. Grande parte das Secretarias tenta resolver a questão, como em Niterói (RJ). “Aqui nós registramos a demanda individual do paciente e realizamos o encaminhamento assim que recebemos o insumo”, afirma Daniel Costa, coordenador do Programa de Hipertensão e Diabetes da cidade fluminense. Outra alternativa para quem não pode comprar os fármacos é a inscrição na Farmácia Popular, com o projeto nacional Saúde não tem Preço, do Ministério da Saúde. “A maioria das pessoas procura apenas nas Unidades Básicas de Saúde, mas, ao se cadastrar em ambas as iniciativas, há mais chances de encontrar a medicação desejada”, indica Fraige Filho. O acesso aos itens deste serviço só é feito com a apresentação da receita médica e na primeira compra é preciso levar documentos de identificação, como CPF e RG, para ser adicionado ao sistema. É importante, também, que o paciente não se desespere nem comece a economizar seu remédio, seja reduzindo a quantidade ou tomando um dia sim e outro não. “O medicamento tem uma ação diária, não existe fármaco para diabetes com um efeito que vá além de 24 horas”, esclarece Salles. Infelizmente, não é possível conseguir mais remédio do que o prescrito no posto para tentar se prevenir, já que ele é fornecido de acordo com a posologia da receita. Portanto, a única indicação é que o paciente mantenha a calma nessas situações e procure orientação de seu médico. Adaptações são sempre possíveis, o principal cuidado é evitar ao máximo ficar sem o tratamento. Fontes: Dr. João Eduardo Nunes Salles, endocrinologista e professor instrutor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo; Dr. Fadlo Fraige Filho, endocrinologista e presidente da Associação Nacional de Apoio ao Diabético (ANAD); Dr. Daniel Costa, médico e coordenador do Programa de Hipertensão e Diabetes da cidade de Niterói (RJ)
Quem está em tratamento de diabetes e depende de remédios nunca deve interromper o uso. Isto causa uma série de complicações, justamente por não regularizar mais o açúcar no sangue
Remédio ideal
“Quando você trata um paciente com um remédio inadequado, ele tem maior chance de apresentar uma hipoglicemia, que pode elevar o risco de doenças cardiovasculares e também levar a uma hiperglicemia rebote”, explica Salles. Como cada organismo funciona de um jeito, um medicamento pode ter efeitos diversos dependendo da pessoa. Atualmente, a melhor forma de se descobrir é fazendo testes. Mas, no futuro, a tecnologia poderá ajudar a realizar esse diagnóstico mais rapidamente, através da análise o código de DNA, com a chamada farmacogenética. Por isso é importante que o paciente utilize sempre o fármaco certo. Mas, em caso de emergências, a substituição sempre é possível e indicada, desde que orientada. sabor&vida
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