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Direto da fonte Veja o que aconteceu no Congresso da ADJ Diabetes Brasil, realizado no fim de março, o único exclusivo para o paciente

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uando se fala em um congresso, imagina-se vários médicos falando sobre descobertas com uma linguagem que parece grego. Mas o evento organizado pela ADJ Diabetes Brasil, é completamente diferente. As palestras são realizadas por profissionais de saúde e tratam de temas do dia a dia de quem recebeu o diagnóstico e precisa fazer adaptações em seu estilo de vida. 10

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A ADJ Diabetes Brasil foi criada há 32 anos, por um grupo de pais de crianças diabéticas que decidiram apoiar uns aos outros. Com o tempo, ela foi crescendo, ganhando novos membros e colaboradores, e hoje abrange mais do que o diabetes juvenil, trazendo programas e grupos de apoio para pessoas de todas as idades que precisam de ajuda e orientação. A ideia principal


O evento organizado pela ADJ Diabetes Brasil, é completamente diferente. As palestras tratam de temas do dia a dia

do congresso é que o cuidado com a disfunção e suas complicações não seja prejudicado pela ausência de informações por parte do diabético. E a 15ª edição, realizada nos dias 24 e 25 de março, seguiu à risca este princípio. No Auditório de Nutrição, por exemplo, as aulas sobre contagem de carboidratos, técnica que permite a regulagem do consumo deste nutriente, se repetiram por três vezes, em horários e datas diferentes. “É um método relativamente novo e quem está no serviço público não tem muito acesso a ele, por isso é importante aprendê-lo aqui”, pondera Nicole Lagonegro, voluntária da ADJ e mãe de Maria Vittória, de nove anos, diabética tipo 1 desde os cinco. Outras duas salas foram reservadas para palestras sobre saúde e estilo de vida, que tratavam, por exemplo, de testes de glicemia, bomba de infusão (um dos métodos de aplicação da insulina) ou a função dos remédios orais. Tudo com uma linguagem simples, dirigida ao público que não tem conhecimento médico. “O Congresso cumpre a ação social de aproximar a comunidade médica, os pesquisadores e as empresas ao paciente diabético”, ressalta Daniel Polato, vice-presidente da Associação e um de seus criadores. Uma das características é levar em conta que muitos dos participantes do evento podem ter entrado em contato com o diabetes há pouco tempo. É o caso Ana Clara Alves de 12 anos, e seu pai, Luiz. A menina foi diagnosticada há um mês, e eles vieram da Bahia especialmente para o encontro. O farmacêutico José Vanilton de Almeida, coordenador do Departamento de Farmácia da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), aponta a importância de fazer uma revisão sobre os conceitos da disfunção, para atender

a este público que acaba de conhecer o diabetes. Ele iniciou sua palestra sobre medicamentos explicando os tipos da patologia, suas características e diferenças. Outra preocupação do especialista está em não entrar em detalhes muito específicos sobre tratamentos, pois a escolha dos remédios pode variar de acordo com a resposta do organismo de cada paciente e deve ser feita pelo médico. O conhecimento adquirido pelos visitantes pode ser passado adiante. É o caso de Osmar Souza, aposentado de 66 anos e diabético tipo 2, que coleta todo material necessário para depois transmitir seu aprendizado aos colegas e amigos do bairro que não puderam participar. Mais do que informação, o Congresso possibilita o diálogo. “Eu tive a oportunidade de conhecer outras pessoas e trocar ideias e experiências”, relata Volnei Tomazini, funcionário público de 50 anos, que tem diabetes tipo 2 há dez anos.

Cuidados e prevenção

Além das palestras, o evento contou com diversos estandes, onde visitantes podiam medir a glicemia e avaliar alguns fatores de risco para o aparecimento de complicações, como a pressão arterial e colesterol. As equipes não só informavam os dados computados, como orientavam sobre quais os valores desejáveis de cada taxa e o que fazer caso elas estejam mais altas do que o indicado. A organização do evento inovou com o Espaço de Avaliação de Risco, em que se verificava a circunferência abdominal, a relação entre altura e peso e se aplicava o questionário “Find Risk” (em português, “localize o risco”), criado pela Associação Americana de Diabetes, que chegou ao Brasil no ano passado. Ele analisa qual a probabilidade de você ter diabetes tipo 2 nos próximos dez anos.  sabor&vida

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Fotos: Milton Nespatti e Shutterstock, Terekhov Igor

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À esquerda, a equipe de voluntários para o evento da ADJ Brasil Diabetes e à direita, estande de controle do colesterol

O resultado é obtido através de perguntas pré-determinadas sobre estilo de vida, histórico familiar entre outros. Durante o Congresso, um médico ficava no estande para estudar as respostas na hora e dava dicas para que o perigo fosse reduzido. Já o Espaço Bem Viver dessa edição contava com orientação de cuidados com os pés, exames e hidratação do membro. Em uma parceria da ADJ com o Senac Santana, foi oferecido o serviço de especialistas em podologia. Os profissionais não só tratavam das unhas e pele, mas também davam dicas das precauções para evitar ferimentos, que podem causar grandes complicações nos diabéticos. “E se houvesse algum problema mais sério, buscava agendar o atendimento do paciente na ADJ, ou encaminhava para um médico”, explica Aparecida Oliveira, responsável pelo estande. A avaliação da saúde bucal foi outra prioridade, pois a correlação entre inflamações na boca e o diabetes é muito comum, e muitas pessoas não tem consciência plena disso, como explica Giuseppe Umberto

Pastore, um dos cirurgiões dentistas responsáveis pelo atendimento. Outro serviço era uma filial do bazar da ADJ. Ele fica originalmente na sede da Associação, e realiza parcerias para vender produtos destinados ao diabético por preços melhores. A exposição era composta pelos estandes das empresas especializadas em diabetes. Lá, elas divulgavam seus produtos, orientando os pacientes sobre a forma de uso. “Já vi pessoas que chegaram aqui comentando que usavam insulinas bem antigas, ou aparelhos com um funcionamento mais complicado”, relata Márcio Feitor, representante do Novo Nordisk. A vantagem é conhecer de perto os produtos. “Aqui o paciente pode pegar na mão, ver como funciona”, analisa Letícia de Oliveira Fabri, representante da Roche. Muitos visitantes vão ao congresso justamente para ver as novidades. “Dá para conhecer as técnicas mais recentes, que podem nos ajudar a cuidar melhor da saúde”, evidencia Enzo Castilho, analista de crédito de 42 anos, que tem um filho de 16 anos diabético tipo 1.

Entre os destaques, estavam as bombas de insulina da Roche, que ministrou um curso sobre como usar a tecnologia. Já as empresas farmacêuticas Eli Lilly e Boehringer Ingelheim divulgaram seu programa “Bem me quero”, para ajudar quem foi diagnosticado com diabetes tipo 2. A ideia é divulgar o tratamento com a criação de um portal, que traz informações e um guia nutricional, com dicas de como montar seu cardápio, contar calorias, entre outras. Novas marcas foram apresentadas, caso da Nipro, que traz para o mercado um novo medidor de glicemia de ponta de dedo, com visor maior e tiras feitas para identificar o resultado em até 10 segundos. Já a importadora Medlevensohn traz um aparelho semelhante, com tiras embaladas uma a uma, além de uma linha de cremes de cuidados com os pés, que estava em parceria com o estande de podologia. O próximo Congresso acontecerá no primeiro semestre de 2014. Enquanto isso, há tempo para que novas tecnologias e avanços sejam descobertos e realizados. 

O Congresso em Números No total, foram 1.605 visitantes no evento, que assistiram as palestras e controlaram suas taxas. Os centros de medições e monitoração de risco atenderam várias dessas pessoas. Veja os números:

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Glicemia

874 pessoas

Avaliação dos Pés

349 pessoas

Colesterol

834 pessoas

Questionário “Find Risk”

487 pessoas

Pressão Arterial

738 pessoas

Avaliação Bucal

51 pessoas

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