MATERIAL DIGITAL DO
PROFESSOR Esses livros dentro da gente: Uma conversa com a pessoa que escreve
Elaborado por Nathália Xavier Thomaz
Texto 2021 © Nathália Xavier Thomaz Ilustrações 2021 © Patricia Melo Edição 2021 © Imperial Novo Milênio Editor Responsável: José Prado Produção Editorial: Susi Sertã Preparação e Revisão de Texto: Magda Frediani Martins e Maria Filomena Jardim Diniz Projeto Gráfico e Editoração Eletrônica: Vanderlei Sadrack Grafia atualizada segundo o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990, em vigor no Brasil desde 1º de janeiro de 2009. Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Fabio Osmar de Oliveira Maciel – CRB-7 6284 T465m Thomaz, Nathália Xavier Material digital do professor: Esses livros dentro da gente: uma conversa com a pessoa que escreve [recurso eletrônico] / Elaborado por Nathália Xavier Thomaz. – [1. ed.] – Rio de Janeiro : Imperial Novo Milênio, 2021. 1570 Kb ; PDF. ISBN 978-65-88785-07-2 1. Literatura brasileira - Estudo e ensino. 2. Material didático. I. Rezende, Stella Maris. II. Melo, Patricia. III. Título. 034-002-21
CDD : 869.98
Índice para catálogo sistemático: 1. Literatura brasileira: Estudo e ensino 869.98 2. Material didático 371.32
Rua Sá Freire, 36 parte – São Cristóvão – CEP 20930-430 Rio de Janeiro / RJ – Brasil Tel. (21) 2580-1168 www.imperiallivros.com.br
SUMÁRIO
Carta ao professor........................................................................ 4 PROPOSTAS DE ATIVIDADES I............................................ 6 I. Pré-Leitura............................................................................... 6 1. Uma conversa sobre gênero literário......................................... 7 2. Elementos pré-textuais............................................................. 8 II. Leitura..................................................................................... 9 1. A função social da literatura................................................... 10 III. Pós-leitura........................................................................... 11 1. Lendo e relendo..................................................................... 13 2. Escrevendo e reescrevendo.................................................... 14 PROPOSTAS DE ATIVIDADES II......................................... 16 I. Pré-leitura.............................................................................. 16 1. A produção de um livro.......................................................... 17 II. Leitura ................................................................................... 20 1. A metalinguagem................................................................... 20 III. Pós-leitura............................................................................ 22 1. Uma obra de arte..................................................................... 23 APROFUNDAMENTO............................................................ 25 1. Intertextualidade..................................................................... 25 2. Metalinguagem...................................................................... 27 SUGESTÕES DE REFERÊNCIAS COMPLEMENTARES.. 30 BIBLIOGRAFIA COMENTADA............................................ 34
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Carta ao professor
Cara professora, caro professor, A obra que você tem em mãos é um livro sobre escrever livros. Escrito pela autora mineira Stella Maris Rezende, sua primeira edição aconteceu em 2002, e chegou a receber o selo Altamente Recomendável para Jovens da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ). Também foi selecionado pela FNLIJ para o catálogo da Feira do Livro de Bolonha (2003) e para a Brazilian Book Magazine (2003). A edição atual conta com novo projeto gráfico e ilustrações inéditas, feitas pela ilustradora e designer Patrícia Mello. Na conversa com “a pessoa que escreve”, como prometido no subtítulo, a autora discorre sobre o ofício do escritor de forma poética e leve. Com duplas de páginas bem arejadas, a leitura transcorre de forma suave, dando tempo ao leitor para pensar sobre o que está lendo e divagar com as imagens espalhadas pela página. Este livro pode ser trabalhado em sala de aula de formas variadas, como abordar a presença constante da intertextualidade e da metalinguagem em suas páginas, investigando referências e técnicas propostas no decorrer da obra. No entanto, o livro é, antes de tudo, um convite para que o leitor escreva seus próprios textos, e para que adote uma postura curiosa em relação à vida, esteja disposto a ouvir e observar, seja insatisfeito e sonhador e, ainda, para que leia, mostre os próprios textos para os outros e escute feedbacks. Esses livros dentro da gente: Uma conversa com a pessoa que escreve é uma proposta para se olhar o mundo pelas lentes da literatura que, certamente, encantará muitos leitores.
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Este Manual tem a intenção de contribuir para a exploração com os estudantes da poesia contida no livro e seus temas – ficção, mistério e fantasia e protagonismo juvenil. O Manual está estruturado em três eixos principais: Propostas de Atividades I, que traz atividades voltadas para a área de Linguagens e suas Tecnologias; Propostas de Atividades II, com ações multidisciplinares, envolvendo outras áreas do conhecimento; e Aprofundamento, cujo foco é subsidiar professores no aprofundamento de conceitos linguísticos e discursivos para que estejam fundamentados, podendo, assim, elaborar um bom trabalho com o idioma. Dentro dessa estrutura, os eixos dividem-se em: Pré-leitura, um momento para introduzir o tema do livro na sala de aula, propiciando ao estudante mais interesse sobre ele; Leitura, em que se sugerem ações com o ato de ler o livro, possibilitando o máximo de aproveitamento e contextualização da obra; e Pós-leitura, um momento de ir além da obra, buscando trazê-la para o mundo do estudante, ampliando sua visão critica e sugerindo possibilidades de transformação. Esperamos que, com este material, você e os estudantes apreciem ainda mais a escrita de Stella Maris Rezende e possam, a partir dela, despertar novos olhares e escrever novos textos. Boa leitura!
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PROPOSTAS DE ATIVIDADES I Neste eixo do Manual, sugerimos atividades voltadas para a área de Linguagens e suas Tecnologias, basicamente para Língua Portuguesa, sempre listando habilidades da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) relacionadas. Na Pré-leitura, estarão atividades que visam introduzir o estudante ao tema; na Leitura, aquelas que possam gerar o máximo de aproveitamento e interpretação do conteúdo; e na Pós-leitura, as de reflexão e contextualização da obra na vida do estudante como ser social e transformador.
I. PRÉ-LEITURA De olho na BNCC As atividades sugeridas nesta subseção contemplam as seguintes habilidades propostas pela BNCC: (EM13LGG102) Analisar visões de mundo, conflitos de interesse, preconceitos e ideologias presentes nos discursos veiculados nas diferentes mídias, como forma de ampliar as suas possibilidades de explicação, interpretação e intervenção crítica da/na realidade. (EM13LGG103) Analisar, de maneira cada vez mais aprofundada, o funcionamento das linguagens, para interpretar e produzir criticamente discursos em textos de diversas semioses.
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(EM13LGG302) Compreender e posicionar-se criticamente diante de diversas visões de mundo presentes nos discursos em diferentes linguagens, levando em conta seus contextos de produção e de circulação. (EM13LGG601) Apropriar-se do patrimônio artístico de diferentes tempos e lugares, compreendendo a sua diversidade, bem como os processos de legitimação das manifestações artísticas na sociedade, desenvolvendo visão crítica e histórica. (EM13LGG602) Fruir e apreciar esteticamente diversas manifestações artísticas e culturais, das locais às mundiais, assim como delas participar, de modo a aguçar continuamente a sensibilidade, a imaginação e a criatividade. (EM13LGG704) Apropriar-se criticamente de processos de pesquisa e busca de informação, por meio de ferramentas e dos novos formatos de produção e distribuição do conhecimento na cultura de rede. 1. UMA CONVERSA SOBRE GÊNERO LITERÁRIO Esses livros dentro da gente: Uma conversa com a pessoa que escreve relaciona-se aos gêneros ensaio, diário e relato. Stella Maris Rezende revela um pouco de si, ao mesmo tempo que expressa sua opinião sobre um assunto. Textos desse tipo podem ser classificados como pertencentes ao gênero ensaístico. Esse gênero surgiu na França, durante o século XVI, com a publicação da obra Ensaios, de Michel de Montaigne. São textos curtos, não ficcionais, nos quais o autor emite a própria opinião sobre um assunto específico. Muitas vezes, é considerado uma mistura de gêneros textuais, pois soma o discurso argumentativo ao expositivo, o poético ao instrutivo. Trata-se de uma tentativa de reflexão subjetiva, de acordo com o ponto de vista do ensaísta, que expõe suas ideias, faz críticas e declara suas MATERIAL DIGITAL DO PROFESSOR
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impressões pessoais acerca de um tema. É também um texto que tem a intenção de provocar alguma reflexão ou ação no leitor – no caso desse livro de Stella Maris, é um convite à atividade da escrita e à poetização do cotidiano. Textos como cartas, discursos, sermões, relatos, biografias e autobiografias pertencem aos gêneros ensaio, diário e relato. Não há uma forma fixa para esse tipo de texto, pois sua estrutura é completamente flexível. De modo geral, podem ser classificados como formais (científicos ou acadêmicos) ou informais (literários). O ensaio formal tem caráter conclusivo, apresenta premissas embasadas em teorias e adota uma linguagem culta. O ensaio informal é uma proposta reflexiva e pode ser escrito utilizando a linguagem que o autor achar mais apropriada. Ele dá um parecer pessoal sobre uma realidade, embasado em sua experiência individual.
2. ELEMENTOS PRÉ-TEXTUAIS 1. Esses livros dentro da gente: Uma conversa com a pessoa que escreve é uma obra sobre o amor pela leitura e pela escrita. Antes de iniciar o trabalho com o livro, convide os estudantes a analisarem a capa e o título. Para disparar a discussão, explorem os elementos pré-textuais do livro. Faça perguntas como: O que vocês acham que essas janelas na capa representam? E o que o título e o subtítulo do livro indicam? para convidá-los a levantarem hipóteses. Em seguida, peça que leiam a sinopse na contracapa e comentem sobre quais as expectativas que ela cria. 2. O livro fala, entre muitas coisas, sobre amor à literatura. Aproveite a oportunidade para propor aos estudantes um debate sobre a relação deles com os livros. Pergunte o que a literatura representa para eles e de que forma eles conseguem perceber os impactos dela em suas vidas.
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II. LEITURA De olho na BNCC As atividades sugeridas nesta subseção contemplam as seguintes habilidades propostas pela BNCC: (EM13LGG102) Analisar visões de mundo, conflitos de interesse, preconceitos e ideologias presentes nos discursos veiculados nas diferentes mídias como forma de ampliar as suas possibilidades de explicação e interpretação crítica da realidade. (EM13LGG103) Analisar, de maneira cada vez mais aprofundada, o funcionamento das linguagens, para interpretar e produzir criticamente discursos em textos de diversas semioses. (EM13LGG202) Analisar interesses, relações de poder e perspectivas de mundo nos discursos das diversas práticas de linguagem (artísticas, corporais e verbais), para compreender o modo como circulam, constituem-se e (re)produzem significação e ideologias. (EM13LGG303) Debater questões polêmicas de relevância social, analisando diferentes argumentos e opiniões, para formular, negociar e sustentar posições, frente à análise de perspectivas distintas. (EM13LGG602) Fruir e apreciar esteticamente diversas manifestações artísticas e culturais, das locais às mundiais, assim como delas participar, de modo a aguçar continuamente a sensibilidade, a imaginação e a criatividade. (EM13LGG704) Apropriar-se criticamente de processos de pesquisa e busca de informação, por meio de ferramentas e dos novos formatos de produção e distribuição do conhecimento na cultura de rede.
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(EM13LP48) Perceber as peculiaridades estruturais e estilísticas de diferentes gêneros literários (a apreensão pessoal do cotidiano nas crônicas, a manifestação livre e subjetiva do eu lírico diante do mundo nos poemas, a múltipla perspectiva da vida humana e social dos romances, a dimensão política e social de textos da literatura marginal e da periferia etc.) para experimentar os diferentes ângulos de apreensão do indivíduo e do mundo pela literatura.
1. A FUNÇÃO SOCIAL DA LITERATURA 1. Convide os estudantes a sentarem-se em círculo para uma leitura coletiva. Esses livros dentro da gente: Uma conversa com a pessoa que escreve não tem divisão em capítulos, mas a leitura pode ser dividida por duplas de páginas. A quantidade de texto varia de uma dupla para outra, mas a mudança frequente de leitor pode ajudar a manter os estudantes atentos e fazer com que eles percebam, por conta própria, que as escolhas de diagramação interferem diretamente no ritmo da leitura. 2. Se possível, faça uma pausa após a leitura de cada dupla, para que observem as ilustrações e debatam sobre seus significados. Incentive os estudantes a investigar como as ilustrações complementam e expandem os sentidos do texto verbal. Conversem sobre a técnica escolhida pela artista e reflitam sobre como essa escolha ajuda a construir a atmosfera do livro. Se achar conveniente, peça que leiam o livro mais de uma vez, alterando os leitores de cada dupla. Deixe que percebam que mudar o leitor também altera a experiência de leitura, pois proporciona diferentes ênfases e entonações para o texto. 3. Chame a atenção para a forma como a autora constrói o texto, utilizando a repetição “Tem que...” para conferir ritmo. Quais palavras ela usa com frequência e como divide os parágrafos. Peça que observem também a diagramação, que coloca algumas frases
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em fonte maior para conferir destaque e, dessa forma, conduz o olhar do leitor pela página. 4. Para completar a leitura, proponha uma reflexão sobre a função social da literatura. Para isso, solicite que pesquisem sobre os benefícios da leitura e elaborem uma lista coletiva, unindo todos os itens discutidos. Não se esqueça de destacar a importância da fruição artística, do exercício da criatividade e da empatia que a literatura proporciona. Em seguida, peça aos estudantes que pesquisem sobre como é a leitura no Brasil. Eles devem levantar dados sobre o número de leitores, os gêneros mais vendidos e as políticas públicas de incentivo à leitura. O objetivo dessa discussão é que os estudantes tomem consciência de como se configura a leitura em nosso país e busquem, juntos, pensar em formas de incentivá-la.
III. PÓS-LEITURA De olho na BNCC As atividades sugeridas nesta subseção contemplam as seguintes habilidades propostas pela BNCC: (EM13LGG101) Compreender e analisar processos de produção e circulação de discursos, nas diferentes linguagens, para fazer escolhas fundamentadas em função de interesses pessoais e coletivos. (EM13LGG104) Utilizar as diferentes linguagens, levando em conta seus funcionamentos, para a compreensão e produção de textos e discursos em diversos campos de atuação social. (EM13LGG105) Analisar e experimentar diversos processos de remidiação de produções multissemióticas, multimídia e transmídia,
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como forma de fomentar diferentes modos de participação e intervenção social. (EM13LGG602) Fruir e apreciar esteticamente diversas manifestações artísticas e culturais, das locais às mundiais, assim como delas participar, de modo a aguçar continuamente a sensibilidade, a imaginação e a criatividade. (EM13LGG703) Utilizar diferentes linguagens, mídias e ferramentas digitais em processos de produção coletiva, colaborativa e projetos autorais em ambientes digitais. (EM13LGG301) Participar de processos de produção individual e colaborativa em diferentes linguagens (artísticas, corporais e verbais), levando em conta suas formas e seus funcionamentos, para produzir sentidos em diferentes contextos. (EM13LP47) Participar de eventos (saraus, competições orais, audições, mostras, festivais, feiras culturais e literárias, rodas e clubes de leitura, cooperativas culturais, jograis, repentes, slams etc.), inclusive para socializar obras da própria autoria (poemas, contos e suas variedades, roteiros e microrroteiros, videominutos, playlists comentadas de música etc.) e/ou interpretar obras de outros, inserindo-se nas diferentes práticas culturais de seu tempo. (EM13LP48) Perceber as peculiaridades estruturais e estilísticas de diferentes gêneros literários (a apreensão pessoal do cotidiano nas crônicas, a manifestação livre e subjetiva do eu lírico diante do mundo nos poemas, a múltipla perspectiva da vida humana e social dos romances, a dimensão política e social de textos da literatura marginal e da periferia etc.) para experimentar os diferentes ângulos de apreensão do indivíduo e do mundo pela literatura.
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1. LENDO E RELENDO A partir da reflexão sobre a função social da literatura, proponha uma pesquisa individual. 1. Cada estudante deve eleger um livro que utilize recursos semelhantes aos usados em Esses livros dentro da gente: Uma conversa com a pessoa que escreve, incluindo a forma da escrita e das ilustrações que completam o texto. Pode ser um livro de que gostem muito, um livro de um autor que apreciem ou um livro que estejam curiosos para ler. Façam a escolha em conjunto para evitar repetições. Eles devem preparar uma breve apresentação da obra para os colegas. 2. Deixe claro quais os recursos disponíveis para a apresentação: se poderão utilizar recursos multimídia, se podem levar o livro para que os colegas vejam, quanto tempo terão para cada apresentação etc. Determine o tempo para as apresentações de acordo com o seu cronograma, mas, se possível, separe alguns minutos ao final de cada bloco de apresentações para que os estudantes possam comentar a pesquisa dos colegas. 3. Explique aos estudantes que, em suas resenhas, devem contemplar o contexto de publicação, a biografia dos autores, o enredo e os temas trabalhados ao longo da obra. É interessante, também, que observem as escolhas gráficas do livro: projeto gráfico e diagramação, ilustrações, capa e cores aplicadas no miolo. O objetivo de cada grupo que se apresenta é convencer os colegas a lerem o livro e, portanto, devem capturar a atenção dos espectadores. Podem apresentar trechos de filmes inspirados na obra, efetuar leitura de passagens que queiram destacar, compartilhar algumas das ilustrações (se houver), conhecer vídeos e entrevistas dos autores, desde que não ultrapassem o tempo determinado por vocês para a apresentação. Esteja disponível para ajudá-los esclarecendo dúvidas ou indicando referências para as pesquisas. MATERIAL DIGITAL DO PROFESSOR
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4. O momento das apresentações pode ser mais informal, para que os estudantes se sintam à vontade para compartilhar os livros escolhidos da forma que quiserem. Incentive para que façam perguntas aos colegas, façam um intercâmbio de informações e recomendem livros e outros produtos culturais que combinam com a proposta de cada apresentação. Após todas as apresentações, faça uma avaliação geral junto com a turma. Observe qual o gênero literário mais citado, quais os autores selecionados com mais frequência e proponha um levantamento de quais características mais agradam os jovens leitores, de maneira geral, em uma obra. 2. ESCREVENDO E REESCREVENDO 1. Explique aos estudantes que agora eles deixarão de ser leitores para se tornarem autores e editores de um livro que será construído coletivamente. Para eleger o tema sobre o qual irão escrever, peça que façam sugestões. À medida que eles falarem, liste-as na lousa e faça uma votação. A sugestão mais votada será eleita o tema do livro. 2. Definido o tema, eles devem criar um mapa do livro, também conhecido por profissionais do mercado editorial como “espelho”. Ele é um gráfico ou uma tabela que demonstra o esquema de distribuição das páginas de uma publicação. Serve para prever a paginação do livro e planejar a distribuição de conteúdo no espaço disponível. 3. A ideia é que cada estudante crie uma dupla de páginas para constar no livro e, portanto, devem planejar muito bem para que a criação de cada um se inicie e se encerre em uma dupla de páginas. É importante que prestem atenção na ordem em que estão apresentando as informações, para que o conjunto fique coeso. Escrevam as informações no espelho, para que possam consultar estes planos a qualquer momento durante o desenvolvimento do projeto.
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4. Cada dupla de páginas deve conter um texto e uma imagem, produzida da forma que o estudante responsável se sinta mais à vontade para se expressar. O texto deve, como no livro de Stella Maris, adotar uma linguagem poética para abordar o tema escolhido, portanto, oriente os estudantes a usarem a criatividade e evitarem textos expositivos. Se julgarem necessário, busquem referências. 5. Definam juntos a quantidade de texto mínima e máxima para cada dupla, de forma que ainda haja espaço para acomodar as ilustrações. Cada estudante pode definir a diagramação que achar que valorizará melhor o seu texto e a sua ilustração.
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PROPOSTAS DE ATIVIDADES II A obra Esses livros dentro da gente: Uma conversa com a pessoa que escreve possibilita trabalhos interdisciplinares e integradores de diferentes campos do saber e áreas de conhecimento. A seguir, veremos algumas atividades que podem ser desenvolvidas conjuntamente com professores de outras áreas. Além das habilidades de Linguagens e suas Tecnologias, em especial Língua Portuguesa, focamos também na área de Artes Visuais, numa abordagem interdisciplinar.
I. PRÉ-LEITURA De olho na BNCC As atividades sugeridas nesta subseção contemplam as seguintes habilidades propostas pela BNCC: (EM13LGG103) Analisar, de maneira cada vez mais aprofundada, o funcionamento das linguagens, para interpretar e produzir criticamente discursos em textos de diversas semioses. (EM13LGG301) Participar de processos de produção individual e colaborativa em diferentes linguagens (artísticas, corporais e verbais), levando em conta seus funcionamentos, para produzir sentidos em diferentes contextos.
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(EM13LGG602) Fruir e apreciar esteticamente diversas manifestações artísticas e culturais, das locais às mundiais, assim como delas participar, de modo a aguçar continuamente a sensibilidade, a imaginação e a criatividade. (EM13LGG603) Expressar-se e atuar em processos criativos que integrem diferentes linguagens artísticas e referências estéticas e culturais, recorrendo a conhecimentos de naturezas diversas (artísticos, históricos, sociais e políticos) e experiências individuais e coletivas. (EM13LP19) Compartilhar gostos, interesses, práticas culturais, temas/problemas/questões que despertam maior interesse ou preocupação, respeitando e valorizando diferenças, como forma de identificar afinidades e interesses comuns, como também de organizar e/ ou participar de grupos, clubes, oficinas e afins. (EM13LP20) Produzir, de forma colaborativa, e socializar playlists comentadas de preferências culturais e de entretenimento, revistas culturais, fanzines, e-zines ou publicações afins que divulguem, comentem e avaliem músicas, games, séries, filmes, quadrinhos, livros, peças, exposições, espetáculos de dança etc., de forma a compartilhar gostos, identificar afinidades, fomentar comunidades etc. (EM13LP50) Selecionar obras do repertório artístico-literário contemporâneo à disposição segundo suas predileções, de modo a constituir um acervo pessoal e dele se apropriar para se inserir e intervir com autonomia e criticidade no meio cultural.
1. A PRODUÇÃO DE UM LIVRO Terminada a etapa de escrita, proponha aos estudantes que reúnam suas produções para confeccionar um livro em formato digital ou impresso.
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1. Vamos para a etapa da diagramação. Para tanto, convide o professor de Arte, para ajudar na construção do livro, integrando várias linguagens; caso o livro seja digital, solicite a colaboração do professor de Computação, que poderá contar com o auxílio de um designer instrucional para a elaboração do PDF final. 2. Proponha aos estudantes que reúnam suas produções na ordem que determinaram e avaliem se as páginas estão funcionando bem, juntas. Se necessário, redefinam a ordem de algumas páginas ou façam pequenas modificações para garantir a continuidade. 3. Para o processo de edição, sigam as etapas abaixo. • Escolham um nome para o livro, que seja convidativo para o leitor, relacionado ao tema em comum e que seja capaz de criar expectativas sobre o conteúdo. • Decidam como será o design da capa do livro. Ela pode contar com ilustração, uma fotografia ou apenas lettering do título, analisem de acordo com o tema eleito. Para ajudar a tomar essa decisão, vocês podem procurar referências de outras obras do mesmo tema e criar uma capa que combine com as inspirações que encontraram. • Decidam quais serão os textos que podem ser incluídos, além do texto principal. Deve ser acrescentada uma sinopse? Haverá uma folha de rosto? Existirá um texto para ser colocado nas orelhas do livro? Será necessário um sumário? Alguém escreverá uma apresentação explicando a proposta do livro? Se a obra for impressa, que tipo de encadernação será utilizada? • Solicite que os alunos trabalhem nas etapas de edição e revisão. Lembre-se de que, no próprio livro, Stella Maris Rezende aconselha que o escritor peça que uma pessoa leia seus originais e esteja aberto para ouvir os comentários que
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virão desse interlocutor. Para isso, oriente os estudantes a formarem duplas e trocarem suas produções entre si. Na leitura, devem cuidar para que os textos dos colegas estejam dentro das normas da Língua Portuguesa e que consigam passar com eficácia as ideias que foram planejadas. Eles devem observar, também, a imagem presente na dupla de páginas e verificar se está complementando o sentido do texto verbal de forma satisfatória. Explique que, além da revisão, eles devem inserir comentários se considerarem que algum trecho precisa ser reescrito ou acrescentado. Enfatize que as críticas devem ser sempre construtivas, com o objetivo de deixar a dupla de páginas em sua melhor forma para a publicação. • Efetuem as correções e entreguem a versão final dos textos para constar na edição coletiva. • Produzam, além do texto principal, os textos paralelos e juntem todo o material. Se o livro for digital, ele precisará ser diagramado e unido em um único arquivo. Se for um exemplar impresso, ele precisará ser encadernado. Existem diversas técnicas de encadernação manual que podem ser utilizadas. • Compartilhem o livro feito pela turma com a comunidade escolar. Se for um livro digital, o PDF pode ser disponibilizado on-line. Se o livro for impresso, disponibilizem pelo menos um exemplar para a biblioteca da escola. • Se for possível, preparem um lançamento para o livro. Divulguem o evento na escola e organizem o tempo para que cada estudante tenha alguns minutos para falar sobre a dupla de páginas que produziu. Vocês também podem aproveitar para contar como foi a concepção do livro, quais etapas foram necessárias para a produção e quais foram as inspirações para a obra.
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II. LEITURA De olho na BNCC As atividades sugeridas nesta subseção contemplam as seguintes habilidades propostas pela BNCC: (EM13LGG101) Compreender e analisar processos de produção e circulação de discursos, nas diferentes linguagens, para fazer escolhas fundamentadas em função de interesses pessoais e coletivos. (EM13LGG302) Compreender e posicionar-se criticamente diante de diversas visões de mundo presentes nos discursos em diferentes linguagens, levando em conta seus contextos de produção e de circulação. (EM13LGG303) Debater questões polêmicas de relevância social, analisando diferentes argumentos e opiniões, para formular, negociar e sustentar posições, frente à análise de perspectivas distintas. (EM13LGG102) Analisar visões de mundo, conflitos de interesse, preconceitos e ideologias presentes nos discursos veiculados nas diferentes mídias como forma de ampliar as suas possibilidades de explicação e interpretação crítica da realidade. (EM13LP01) Relacionar o texto, tanto na produção como na recepção, com suas condições de produção e seu contexto sócio-histórico de circulação (leitor previsto, objetivos, pontos de vista e perspectivas, papel social do autor, época, gênero do discurso etc.). 1. A METALINGUAGEM 1. Esses livros dentro da gente: Uma conversa com a pessoa que escreve é uma obra metalinguística, ou seja, utiliza uma linguagem
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(no caso, a literatura) para refletir sobre ela mesma. Retome com os estudantes a definição de metalinguagem disponibilizada no “Aprofundamento”. A partir dela, proponha que a turma se divida em grupos para realizar uma pesquisa. 2. Cada grupo, com o auxílio do professor de Arte, deve pesquisar e escolher pelo menos duas obras artísticas metalinguísticas para apresentar aos colegas. Os estudantes podem escolher exemplos da literatura, do cinema, do teatro, da música, da pintura ou de qualquer outra linguagem artística, desde que a metalinguagem esteja presente. Se achar necessário, peça aos grupos que dividam as escolhas com você previamente, no intuito de evitar que as obras se repitam e garantir que compreenderam com clareza o que é metalinguagem. Caso os estudantes tenham dificuldades em selecionar obras de arte metalinguísticas, você encontrará algumas indicações em “Sugestões de Referências Complementares”. 3. Determine o tempo disponível para cada apresentação de acordo com a disponibilidade em seu cronograma e informe aos estudantes quais os recursos disponíveis para utilizarem em suas exposições. Haverá possibilidade de projetar trechos de filmes selecionados? E de encenar trechos, se a obra selecionada for uma peça de teatro? Os estudantes poderão projetar trechos das obras em sala de aula? Oriente-os a usarem a criatividade para que a comunicação com os colegas seja efetiva e divertida. 4. Para as apresentações, eles devem, além de apresentar a obra de arte, analisar o contexto de sua produção e o artista que a criou, e contar aos colegas como a metalinguagem se manifesta no objeto. Eles devem analisar trechos, indicar os recursos utilizados para construí-la e refletir sobre que tipo de reflexão ela possibilita. 5. Reserve um tempo depois das apresentações para que possam conversar sobre os objetos artísticos apresentados, comparar recursos e encontrar pontos em comum e divergências da representação do suporte entre as obras de arte.
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III. PÓS-LEITURA De olho na BNCC As atividades sugeridas nesta subseção contemplam as seguintes habilidades propostas pela BNCC: (EM13LGG201) Utilizar as diversas linguagens (artísticas, corporais e verbais) em diferentes contextos, valorizando-as como fenômeno social, cultural, histórico, variável, heterogêneo e sensível aos contextos de uso. (EM13LGG301) Participar de processos de produção individual e colaborativa em diferentes linguagens (artísticas, corporais e verbais), levando em conta suas formas e seus funcionamentos, para produzir sentidos em diferentes contextos. (EM13LP14) Produzir e analisar textos orais, considerando sua adequação aos contextos de produção, à forma composicional e ao estilo do gênero em questão, à clareza, à progressão temática e à variedade linguística empregada, como também aos elementos relacionados à fala (modulação de voz, entonação, ritmo, altura e intensidade, respiração etc.) e à cinestesia (postura corporal, movimentos e gestualidade significativa, expressão facial, contato de olho com plateia etc.). (EM13LP47) Participar de eventos (saraus, competições orais, audições, mostras, festivais, feiras culturais e literárias, rodas e clubes de leitura, cooperativas culturais, jograis, repentes, slams etc.), inclusive para socializar obras da própria autoria (poemas, contos e suas variedades, roteiros e microrroteiros, videominutos, playlists comentadas de música etc.) e/ou interpretar obras de outros, inserindo-se nas diferentes práticas culturais de seu tempo.
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(EM13LP53) Criar obras autorais, em diferentes gêneros e mídias – mediante seleção e apropriação de recursos textuais e expressivos do repertório artístico –, e/ou produções derivadas (paródias, estilizações, fanfics, fanclipes etc.), como forma de dialogar crítica e/ou subjetivamente com o texto literário. 1. UMA OBRA DE ARTE 1. Agora, auxiliados pelo professor de Arte, os estudantes poderão criar suas próprias obras de arte. A partir das discussões que realizaram antes e durante a leitura do livro de Stella Maris Rezende, deverão desenvolver um projeto metalinguístico na linguagem que escolherem. Separe a turma em grupos e definam juntos que linguagem artística cada grupo trabalhará. Selecionar previamente a forma artística que os estudantes pretendem utilizar é interessante para que você saiba que recursos deve disponibilizar para as apresentações, mas não há problemas se as linguagens escolhidas pelos grupos se repetirem. A coincidência pode ser produtiva, pois eles poderão se ajudar, trocar experiências e até emprestar materiais e compartilhar recursos, se for necessário. 2. Cada grupo deve estruturar o próprio cronograma de trabalho, de acordo com as necessidades da produção que escolheram criar. Eles devem incluir etapas de planejamento, de desenvolvimento e finalização, além de dividir tarefas entre os membros. É importante que você acompanhe essa etapa de perto, pois os prazos desse cronograma dependerão do tempo disponível para o trabalho em sala de aula. 3. Para o desenvolvimento da obra de arte, aconselhe que sigam estes passos: • Passo 1: Pesquisar a linguagem escolhida. Como a obra falará sobre ela, é importante que os estudantes saibam quais são os recursos e limites da arte com que escolheram trabalhar. • Passo 2: Buscar inspirações. Procurar obras metalinguísti-
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cas da forma de arte selecionada e observar que recursos cada uma utilizou. Sugira que anotem os elementos de que gostaram para utilizá-los como modelo durante o desenvolvimento de suas criações. • Passo 3: Definir como pretendem construir a metalinguagem. Será por meio de uma narrativa de ficção? Ou não ficção? A linguagem será poética ou informativa? Qual reflexão pretendem construir sobre a linguagem? • Passo 4: Esboçar uma estrutura para orientar a produção, um roteiro ou guia que reúna os pontos principais que serão abordados ou roteirize a narrativa, caso seja uma obra de ficção. • Passo 5: Produzir a obra de arte, considerando o cronograma criado e possíveis imprevistos que venham a interferir no resultado. • Passo 6: Revisar a obra depois de pronta, para garantir que todos os elementos que o grupo definiu como importantes estejam presentes e que a metalinguagem seja perceptível.
4. Finalizadas as obras, chegou o momento de apresentá-las para os colegas. Cada grupo deve exibir o objeto artístico que criou e, em seguida, conversar com a turma sobre o trabalho. Os estudantes devem analisar com atenção o fruto do trabalho dos colegas e fazer anotações para dar um feedback aos artistas. É importante que anotem se acham que alguma correção precisa ser feita, se tiveram dificuldades para compreender algo ou se acreditam que alguma melhora é necessária. Ressalte que a conversa deve ser sempre respeitosa, com o objetivo de enriquecer a obra. 5. Após as correções e ajustes em cada produto cultural, proponha que organizem uma mostra metalinguística para compartilhar as artes com a comunidade escolar. Convide outras turmas, funcionários da escola e a família dos estudantes para visitarem a mostra. Se possível, realize a atividade em um espaço grande e aberto para que os visitantes consigam circular entre as obras e interagir.
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APROFUNDAMENTO
1. INTERTEXTUALIDADE Esses livros dentro da gente: Uma conversa com a pessoa que escreve é uma obra permeada pela intertextualidade. Afinal, ao nomear o livro fazendo referência aos livros que estão dentro de nós, Stella Maris já assume que a escrita nasce em diálogo com as outras obras que o autor leu e acomodou dentro de si. Para definir intertextualidade, Julia Kristeva (2012) parte do conceito de dialogismo de Bakhtin (2002) e considera que um texto é composto por um conjunto de citações de outros textos, absorvidos e transformados, de forma consciente ou não, pelo autor. Como Stella Maris (2021, p. 39) diz em seu livro: “Escrever é conversar com tudo aquilo que já foi escrito”. A intertextualidade, portanto, reconhece que, no interior de cada texto, há sempre uma interseção de diversos diálogos, um cruzamento de vozes de origens variadas que se encontram naquela obra. Muitos autores se aproveitam dessa pluralidade de vozes para inserir intertextualidades de forma consciente em seus textos. Para que o leitor as reconheça, no entanto, é preciso que a obra com que o texto está estabelecendo diálogo já esteja em seu repertório, para que possa fazer as inferências necessárias e explorar a conexão entre esses dois produtos culturais com eficácia. Se a obra estiver fazendo referência a um texto conhecido, ainda que não possa ser identificada pelo leitor, a intertextualidade pode funcionar como um convite para procurar pela referência feita e adicionar novas camadas de significados à sua própria leitura. Durante seu trabalho com o livro, não deixe de apreciar as intertextualidades feitas por Stella Maris Rezende. A intertextualidade se faz presente em muitas das obras da escritora. Neste livro, ao mesmo tempo que escreve sobre a vida de escritor (metalinguagem), ela também estabelece diálogos com outros MATERIAL DIGITAL DO PROFESSOR
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textos (intertextualidade). Aproveite para explorar o conceito de intertextualidade com os estudantes e propor que tentem identificar o uso que Stella Maris faz na obra.
Caixa de curiosidades: A intertextualidade acontece quando um texto estabelece diálogo com um ou mais textos. Consideramos como “texto” qualquer obra cultural que precise ser “lida”, no sentido de absorvida e interpretada, como na literatura, mas também no cinema, na poesia, na publicidade, nas histórias em quadrinhos, na música etc. A intertextualidade pode acontecer de duas formas: Intertextualidade explícita: de fácil identificação, estabelece uma relação direta com o texto citado, pois seus elementos são facilmente reconhecíveis. O leitor não precisa de muito conhecimento prévio sobre o objeto referenciado para entender. Intertextualidade implícita: difícil de ser identificada, estabelece uma relação indireta com o texto citado, pois os elementos dele não aparecem de forma óbvia. O leitor deve conhecer previamente o objeto referenciado e deduzir a relação com o texto. A intertextualidade pode ser utilizada de diversas formas. A seguir, alguns tipos mais comuns: Citação: menção ou transcrição literal de um texto, deixando claro que ele se origina de outro texto. Tradução: passar o texto de uma língua para outra exige que o tradutor interprete o texto original antes de transcrever para o idioma desejado. Alusão: quando um texto cita uma determinada obra, situação ou personagem que já foram retratados em outros textos. Paráfrase: ocorre quando o texto referenciado aparece na
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obra contada pelas palavras daquele que está reproduzindo. As ideias principais são mantidas, mas apresentadas de outra forma, para reafirmar as ideias do texto referenciado. Paródia: tem o objetivo de produzir uma crítica ou ironia a respeito do texto referenciado. A estrutura se repete, mas o conteúdo muda para se tornar cômico ou crítico. Pastiche: Assim como a paródia, imita abertamente o estilo de outra obra de arte, mas com a intenção de homenagear e não satirizar ou criticar. Epígrafe: usada quando um trecho de um determinado texto (geralmente uma frase) é utilizado para introduzir o tema que será discutido em outro, ou seja, a epígrafe apoia um tema a ser desenvolvido. Crossover: muito utilizado em produções cinematográficas e séries, acontece quando um personagem pertencente a um universo fictício aparece em outro. Quanto maior for o repertório do leitor, mais fácil será para ele reconhecer o uso de intertextualidade. Ela também pode funcionar como uma forma de convidá-lo a conhecer novas obras e aumentar sua bagagem cultural.
2. METALINGUAGEM Esses livros dentro da gente: Uma conversa com a pessoa que escreve é, em essência, uma obra metalinguística. Uma das mais complexas formas de manifestação da linguagem, a metalinguagem acontece quando a arte reflete sobre si mesma. É uma autoanálise de um sistema de signos, construída a partir dos mesmos signos. A obra de arte, nesse caso, é feita para pensar sobre seu próprio processo de criação, seus recursos e seus limites. Alguns exemplos são filmes que falam sobre a rotina de um set de filmagens, canais de vídeos MATERIAL DIGITAL DO PROFESSOR
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que ensinam a montar canais de vídeo, pinturas nas quais o pintor é retratado no exercício da atividade, livros que versam sobre o ato da escrita. Ela pode aparecer em qualquer forma de arte. A metalinguagem literária é uma reflexão crítica sobre a própria criação literária, ou seja, ao refletir sobre a linguagem, o escritor compartilha com o leitor o nascimento de seu texto e o aproxima do ato criativo. Em Esses livros dentro da gente: Uma conversa com a pessoa que escreve, Stella Maris oferece dicas ao jovem escritor e o convida a conhecer seu próprio processo de escrita, suas inspirações e referências, em uma viagem poética pelos caminhos da literatura. Esses livros dentro da gente: Uma conversa com a pessoa que escreve é uma ótima obra para leitura coletiva, pois a presença da metalinguagem estimula a reflexão e o debate. Explique aos estudantes sobre essa possibilidade e incentive que façam comentários sempre que sentirem vontade. Apesar de falar especialmente sobre o escritor, o livro de Stella Maris Rezende passa por diversos assuntos e formas de viver, e é interessante que vocês discutam e aprofundem esses temas sempre que acharem necessário. Na seção “Sugestões de Referências Complementares”, você encontrará indicações de obras que podem ser trabalhadas em conjunto com Esses livros dentro da gente: Uma conversa com a pessoa que escreve para explorar a metalinguagem. São obras de diversos suportes narrativos que, de alguma forma, refletem sobre as potencialidades da linguagem em que estão. No filme Adaptação, por exemplo, o protagonista da história chama-se Charlie Kaufman – mesmo nome do roteirista do longa – e consegue, ao mesmo tempo que tece uma narrativa, refletir sobre as dificuldades da escrita de um roteiro. Observar obras como essa em conjunto com o livro de Stella Maris Rezende propiciará aos estudantes uma compreensão aprofundada do que é metalinguagem e poderá inspirá-los a produzir suas próprias obras. Outra possibilidade para aprofundar a discussão com os estudantes é propor a leitura de textos teóricos sobre a criação literária,
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como “A criação do texto literário”, capítulo do livro Flores da escrivaninha, de Leyla Perrone-Moisés. Observar a forma como cada uma dessas autoras explica o fazer literário pode oferecer novas perspectivas aos estudantes e resultar em boas reflexões ao longo do estudo.
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SUGESTÕES DE REFERÊNCIAS COMPLEMENTARES 1. Para ler ENDE, Michael. A história sem fim. 9ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 2010. Bastian, o protagonista dessa história, é um leitor voraz que mergulha na narrativa de um livro. Descobre, ao longo da leitura, que sua imaginação tem poder sobre os acontecimentos no mundo dos personagens da narrativa, em uma bela metáfora sobre o papel ativo do leitor na construção de uma história. PERRONE-MOISÉS, Leyla. Flores da escrivaninha. Ensaios. São Paulo: Companhia das Letras, 1990. Este livro reúne ensaios que tratam de escritores variados para analisar, por meio dos estudos comparados, o processo de criação literária. REZENDE, Stella Maris. A mocinha do Mercado Central. Ilustrações: Laurent Cardon. São Paulo: Globo, 2011. Vencedor de dois prêmios Jabuti, esse livro pode ser uma ótima recomendação para quem quer continuar explorando o universo literário de Stella Maris Rezende. O livro fala sobre o desejo de liberdade da protagonista Maria Campos, que se reinventa a cada cidade que visita. SOUSANIS, Nick. Desaplanar. São Paulo: Ed. Veneta, 2017. Este quadrinho é a tese de doutorado do autor. Obra metalinguística, fala sobre as possibilidades oferecidas pela união entre texto e imagem e explora dados biográficos do próprio Sousanis. Pode ser uma ótima recomendação de referência metalinguística tanto para os estudantes quanto para você. SPIEGELMAN, Art. Maus – A história de um sobrevivente. São Paulo: Companhia das Letras, 2005. Nesse clássico dos quadrinhos,
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Art Spiegelman conta a história de seu pai, sobrevivente de um campo de concentração. A forma como ele constrói a narrativa é extremamente metalinguística, ao se incluir na história e mostrar como foram as entrevistas com o pai para criar aquela biografia. 2. Para assistir O que é metalinguagem? Disponível em <https://www.youtube.com/watch?v=fBqgHrWZNF4>. Acesso em 16 mar. 2021. Vídeo do canal Universo Expandido que explica o que é metalinguagem e apresenta exemplos em produções culturais, com uma linguagem informal e divertida. O que é metalinguagem? – Dicionário Cinematográfico. Disponível em <https://www.youtube.com/watch?v=xA4Vy-hpvYI>. Este vídeo do canal Arte Cines explica o que é metalinguagem, com foco em cinema. Entrevista da UBE: Stella Maris Rezende. Disponível em <https://www.youtube.com/watch?v=KamxrMtxdr8>. Acesso em 16 mar. 2021. Entrevista concedida por Stella Maris Rezende para a União Brasileira de Escritores (UBE) em 21 de julho de 2020. Ela fala sobre sua carreira, suas obras e sobre a importância da mediação de leitura. Adaptação. Direção de Spike Jonze. Estados Unidos, 2002. 114 min. Em uma mistura entre realidade e ficção, esse filme metalinguístico conta a história do roteirista Charlie Kaufman e seu irmão gêmeo Donald. Charlie sofre para escrever um roteiro, e o filme retrata, de forma divertida, as crises da criação artística. Essa indicação contribuirá para o enriquecimento do seu repertório sobre metalinguagem, mas, como a classificação indicativa do filme é 16 anos, recomendamos que avalie previamente se a apresentação dessa obra é pertinente para a turma.
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Cinema Paradiso. Direção de Giuseppe Tornatore. Itália, 1990. 124 min. Um clássico exemplo do uso de metalinguagem no cinema, Cinema Paradiso narra as lembranças de Totó, um menino que se encanta pela linguagem fílmica e estabelece uma bela amizade com um projetista. Mais estranho que a ficção. Direção de Marc Forster. Estados Unidos, 2006. 113 min. Harold Crick é um metódico fiscal da Receita Federal que descobre ser o personagem de um livro. Ao longo da história tenta, desesperadamente, tomar o controle da narrativa para impedir a própria morte. Rebobine, por favor. Direção de Michel Gondry. Estados Unidos, 2008. 94 min. Essa comédia conta a história de dois amigos que tentam reconstruir o inventário destruído de uma videolocadora criando versões caseiras de filmes famosos. A metalinguagem se faz presente ao retratar os jovens tentando recriar os filmes e há também uma presença forte de intertextualidade, pois muitas das obras podem ser facilmente reconhecidas pelo espectador. 3. Para ouvir CALCANHOTTO, Adriana. “Minha música”. Álbum: A fábrica do poema, 1994. Adriana compôs esta música para o próprio pai, tentando explicar o estilo de música que optou por fazer. Para complementar, há um vídeo da compositora, contando sobre o processo criativo dessa música. Disponível em <https://www.youtube.com/ watch?v=OVxRFn2XPnQ>. Acesso em 16 mar. 2021. CRIOLO. “Rap é forte”. Álbum: Ainda há tempo, 2006. Em um rap, Criolo fala sobre a importância desse estilo musical como manifestação da periferia. PATO FU. “Canção pra você viver mais”. Álbum: Televisão de Ca-
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chorro, 1998. A canção de Fernanda Takai homenageia o pai e traz, em seu refrão, o desejo de escrever uma música para ele. Pode ser uma sugestão interessante de exemplo de metalinguagem aos estudantes. JOBIM, Tom; MENDONÇA, Newton. “Samba de uma nota só”. Álbum: Jazz Samba, 1962. Em sua letra, essa música analisa a própria forma, cuja linha principal da melodia consiste em uma série de notas tocadas em um mesmo tom. 4. Para navegar Site oficial de Stella Maris Rezende. Disponível em <https://www.stellamarisrezende.com.br>. Acesso em 16 mar. 2021. Fonte de informações sobre a autora e suas obras. Canal do YouTube de Stella Maris Rezende. Disponível em <https://www.youtube.com/user/AFadadasPalavras/ videos>. Acesso em 16 mar. 2021. Nesse canal é possível assistir a diversas entrevistas de Stella Maris Rezende, além de leituras interpretativas feitas pela autora. 5. Para contemplar ESCHER, M. C. Drawing Hands, 1948. Litografia, 28,2 cm × 33,2 cm. Essa imagem retrata uma folha de papel com uma mão desenhando a outra. VAN GOGH, V. Autorretrato diante do cavalete, 1888. Óleo sobre tela. Autor de diversos autorretratos, Van Gogh se pinta em frente ao cavalete onde está fazendo a própria pintura. VELÁZQUEZ, Diego. As meninas, 1656. Óleo sobre tela, 3,18 m x 2,76 m. Neste quadro, o pintor retrata uma cena no grande aposento no Real Alcázar de Madrid, com personagens da realeza espanhola. Está inserido na cena, trabalhando em uma grande tela, olhando na direção do observador.
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BIBLIOGRAFIA COMENTADA CAMERON, Julia. O caminho do artista. Rio de Janeiro: Editora Sextante, 2017. Este livro parte do pressuposto de que todos nós nascemos artistas e, portanto, somos capazes de produzir arte. Para a autora, a criatividade é algo que precisa ser treinado e, para isso, propõe uma série de exercícios e reflexões que podem ajudar na concretização de uma obra. CANDIDO, Antonio. “Direitos Humanos e literatura”, in: FESTER, A. C. R. (org.). Direitos humanos e… São Paulo: Brasiliense, 1989. Neste artigo, feito para um ciclo de palestra sobre Direitos Humanos que a Comissão Justiça e Paz organizou na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, em 1988, Antonio Candido fala sobre o direito de fabular, imaginar e fruir comum a todas as pessoas. FRANCISCO, Daniela Aparecida. “A literatura juvenil de Stella Maris Rezende: muito além do gênero”. Assis: Faculdade de Ciências e Letras, Universidade Estadual Paulista, 2019. Tese de doutorado. Disponível em <https://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/181075/francisco_da_dr_assis_int.pdf?sequence=3&isAllowed=y>. Acesso em 14 mar. 2021. Tese de doutorado que analisa a obra de Stella Maris Rezende e a presença do feminismo em muitas de suas obras. Além de oferecer muitas informações e análises sobre as obras, o trabalho conta com uma entrevista com a autora no final. KRISTEVA, Julia. Introdução à semanálise. São Paulo: Debates, 2012. Obra em que Julia Kristeva propõe o uso da palavra “intertextualidade” e define seu significado a partir do conceito de dialogismo, de Bakhtin.
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KLEON, Austin. Roube como um artista – 10 dicas sobre criatividade. Rio de Janeiro: Rocco, 2013. O designer e escritor Austin Kleon mostra com bom humor a importância de inspirações e referências para o trabalho de um artista. PERRONE-MOISÉS, Leyla. Flores da escrivaninha. Ensaios. São Paulo: Companhia das Letras, 1990. Livro de ensaios fundamentais sobre criação literária, analisando a produção de diversos autores. SALLES, Cecilia Almeida. Gesto inacabado: processo de criação artística. São Paulo: Editora Intermeios, 2012. Estudo sobre o processo de criação artística que busca compreender o gesto criador e a inspiração artística, refazendo a construção de algumas obras a partir de documentos de artistas.
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