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Ecomuseu Informação N.º 50 – Janeiro | Fevereiro | Março 2009

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2009

˙n.º 50˙JANEIRO.FEVEREIRO.MARÇO Boletim trimestral do Ecomuseu Municipal do Seixal

ecomuseu informação EXPOSIÇÃO TEMPORÁRIA EM 2009 QUINTA DO ROUXINOL: UMA OLARIA ROMANA NO ESTUÁRIO DO TEJO (Corroios, Seixal) A partir de 19 de Março, no Museu Nacional de Arqueologia, em Lisboa

Um aspecto da olaria romana da Quinta do Rouxinol, núcleo do EMS (Corroios) © EMS/CDI, 1989

Informação: página 4

CURSO DE INICIAÇÃO E DESENVOLVIMENTO EM MODELISMO NAVAL

Todos os meses, aos fins-de-semana, no Núcleo da Mundet do Ecomuseu

NO NÚCLEO NAVAL DO ECOMUSEU A PARTIR DE MARÇO DE 2009

Informações: página 8

VISITAS TEMÁTICAS NA EXPOSIÇÃO CORTIÇA AO MILÍMETRO

© EMS/CDI

Informações: páginas 5 a 8

Capa de agenda Mundet (1982), acervo do EMS, oferecida por Emílio de Oliveira Rebelo © EMS/CDI

Sobre programa e inscrições, consulte www.cm-seixal.pt/ecomuseu


˙ECOMUSEU INFORMAÇÃO˙n.º 50˙JAN.FEV.MAR

2009

ÍNDICE 2

9˙10

12˙13˙14˙15

EDITORIAL Descobertas através do património: exposições, sítios e iniciativas para explorar, em função do presente . Graça Filipe

CENTRO DE DOCUMENTAÇÃO E INFORMAÇÃO

CONHECER

3˙4

exposições 5˙6˙7˙8

Programa de Iniciativas dE Serviço Educativo

. Fernanda Ferreira

O papel de cortiça da Mundet a pele do sobreiro . Fátima Afonso

11

16˙17˙18

EM FOCO

carta do património do concelho do seixal

Inventários e divulgação de património marítimo e fluvial. O papel dos museus e a participação das comunidades: tema do XIV Fórum sobre património marítimo do Mediterrâneo [Seixal, Outubro 2008] . Graça Filipe

A Ponta dos Corvos e as secas de bacalhau . Fátima Veríssima 19

Agenda 20

Núcleos e serviços do EMS

EDITORIAL descobertas através do património: exposições, sítios e iniciativas para explorar, em função do presente Para o primeiro trimestre de 2009, divulgam-se actividades do Ecomuseu Municipal do Seixal que perspectivam, por formas distintas, o alargamento da sua interacção com novos públicos e utilizadores. Destacam-se neste âmbito a exposição temporária intitulada Quinta do Rouxinol: uma olaria romana no estuário do Tejo (Corroios, Seixal) e o Curso de iniciação e desenvolvimento em modelismo naval. A primeira actividade constitui uma nova etapa do trabalho de investigação e de comunicação de resultados sobre o único sítio classificado de Monumento Nacional no concelho do Seixal e resulta de uma importante parceria, entre o Ecomuseu e o Museu Nacional de Arqueologia, apoiada pelo Instituto dos Museus e da Conservação, ao abrigo do programa Promuseus de 2007. A segunda actividade destacada marca o início do processo de reformulação da Oficina do Núcleo Naval, que corresponde a um interesse continuamente expresso por muitos utilizadores e em que pretendemos ancorar uma das vertentes da programação expositiva de temática marítima do Ecomuseu, potenciada por aquele núcleo museológico. A apresentação temporária, em Lisboa, de numerosas peças provenientes da Quinta do Rouxinol e a interpretação do sítio arqueológico de Corroios, não só conciliam a preservação de um abundante espólio, levado a cabo graças ao trabalho museológico, com o saber-fazer dos oleiros actuais e as técnicas por eles praticadas, como pretendem dar uma nova pertinência à questão da valorização das estruturas existentes in situ, se possível dando lugar a decisões consistentes sobre a futura execução de projectos adequados, de arquitectura e museografia. O respectivo programa base foi já elaborado e reflecte o propósito de integrar aquele sítio no sistema e na estrutura de funcionamento do Ecomuseu, a fim de proporcionar uma dinâmica de fruição à comunidade, particularmente junto da população da sua envolvente, e uma relação comum com diversificados públicos do Ecomuseu, principalmente do Núcleo do Moinho de Maré de Corroios. A partir da próxima reabertura deste

ao público, em 2009, e das iniciativas de divulgação preparadas em complemento da exposição temporária no Museu Nacional de Arqueologia, cremos possível aprofundar o interesse de todos no desenvolvimento deste projecto. Em 2009, procuraremos também continuar a conciliar as propostas de preservação de património do concelho do Seixal e de participação do Ecomuseu nas estratégias de qualificação ambiental e do espaço urbano, através de outros projectos estruturantes como nos casos de antigas fábricas – a corticeira Mundet e o circuito da pólvora negra de Vale de Milhaços – com as exposições e as iniciativas de Serviço Educativo, que constituem um importante eixo de comunicação com os públicos. Visando a educação patrimonial e museal em contexto não formal, através da interpretação de sítios e de bens culturais e da exploração das exposições, recursos e conteúdos, para que convergem diferenciadas funções museológicas, o Programa de Iniciativas de Serviço Educativo apresentado neste primeiro trimestre propõe-vos algumas novidades, a par de actividades por que foi demonstrado interesse em períodos de oferta anteriores. Finalmente, assinalamos esta quinquagésima edição do Ecomuseu Informação com uma saudação a todos os nossos leitores, que ao longo de doze anos justificaram um esforço de regularidade e de evolução, para divulgar e valorizar o património cultural e, de forma associada a este, promover a cidadania. Dirigindo-nos particularmente aos que nos acompanham na presente edição, desejamos que em 2009 alcancem uma compreensão cada vez melhor do mundo em que vivemos, a fim de nele construírem relações solidárias e felizes, valorizando o património cultural e natural como bem comum da humanidade, para cuja descoberta os museus contribuem decisivamente.

Graça Filipe


˙

2009

EXPOSIÇÕES

JAN.FEV.MAR n.º 50

˙ECOMUSEU INFORMAÇÃO˙

Para mais informações sobre Exposições e Notícias, consulte o site www.cm-seixal.pt/ecomuseu

Núcleo da MUNDET do EMS Exposição temporária

Cortiça ao milímetro .Edifício das Caldeiras Babcock & Wilcox O papel de cortiça – folhas de cortiça natural laminada, de espessura inferior a 1/10 de milímetro - foi uma das principais especialidades da Mundet (Seixal) entre 1915 e 1988. Embora nos dias de hoje seja comercializado como uma nova aplicação da cortiça, em produtos decorativos, acessórios utilitários e vestuário, o papel de cortiça já se produzia no início do século XX na Mundet. Na exposição temporária Cortiça ao milímetro os visitantes ficam a conhecer as particularidades das múltiplas operações necessárias ao seu fabrico, as principais máquinas e os equipamentos ligados à sua produção.

Um aspecto da Cortiça ao milímetro © EMS/CDI, António Silva, 2008

Exposição de longa duração

Quem diz cortiça diz Mundet, quem diz Mundet diz cortiça .Edifício das Caldeiras Babcock & Wilcox A produção de vapor para a fábrica .Edifício das Caldeiras Cozer Cortiça A cortiça na fábrica: a preparação Duas caldeiras Babcock & Wilcox produziam o vapor que servia toda a unidade industrial do Seixal. Essa fonte de energia térmica era não só fundamental para o cozimento da cortiça – uma das principais operações de preparação da cortiça para a sua transformação industrial – como para operações subsequentes, em diversas oficinas. A oficina conhecida como as Caldeiras dos Moços, onde se procedia ao cozimento de pranchas de cortiça, fez parte da importante secção de prancha da Mundet. Para a interpretação dos dois edifícios, recorreu-se quer ao fundo documental

Um aspecto da exposição A cortiça na fábrica: a preparação © EMS/CDI, António Silva, 2008

da Mundet incorporado e estudado pelo Ecomuseu, quer aos testemunhos de antigos trabalhadores corticeiros. Aos visitantes também se dá a conhecer os principais procedimentos de preparação industrial da cortiça, enquanto matéria-prima.

Núcleo naval do EMS Exposição temporária

Oficina do Núcleo Naval A Ponta dos Corvos e a seca de bacalhau A exposição recorda a actividade das secas de bacalhau da Ponta dos Corvos e o trabalho sazonal que ocupava centenas de homens e mulheres, parte dos quais contratados localmente.

Seca de bacalhau na Ponta dos Corvos © EMS/CDI, Armindo Cardoso, 1998


˙ECOMUSEU INFORMAÇÃO˙n.º 50˙JAN.FEV.MAR

2009

Núcleo NAVAL do EMS Exposição de longa duração

A memória do antigo estaleiro naval artesanal é

Barcos, memórias do Tejo

evocada através de uma maqueta que reconstitui as instalações e equipamentos necessários à

Uma exposição, complementada pelo catálogo

construção e reparação de embarcações em

editado com o mesmo título, que procura dar

madeira, assim como ao fabrico de velas. As

a conhecer o património cultural do estuário

principais tipologias daquelas embarcações -

do Tejo e sensibilizar para a sua salvaguarda,

de pesca e de cabotagem, para transporte de

convidando os visitantes a percorrerem os

pessoas e de mercadorias – apresentam-se

vários lugares de referência, nas margens do

recriadas sob a forma de modelos à escala,

rio e a contactar directamente com eventos e

executados ao longo de vários anos pelo EMS,

testemunhos que fazem parte da cultura fluvial

através dos seus artífices e de marítimos, cujo

e marítima desta região.

saber-fazer se incorpora nesta colecção.

do século II às primeiras décadas do século V, produziram loiça de cozinha e de mesa e ânforas destinadas ao envase e transporte de preparados de peixe e, provavelmente, de vinho. Há ainda vestígios de um terceiro forno e de outra pequena estrutura de combustão. A produção pontual de lucernas é também indiciada pela recolha de moldes em argila. Duas grandes fossas estavam repletas de peças partidas ou rejeitadas durante o processo de fabrico. Este abundante e diversificado espólio ilustra bem o papel que a olaria desempenhou no abastecimento das populações locais e de Olisipo © EMS/CDI

Exposição temporária no Museu Nacional de Arqueologia, em Lisboa A partir de 19 de Março

(Lisboa), satisfazendo ao mesmo tempo as necessidades de vasilhame dos centros conserveiros da região. A exposição que se apresenta entre Março

Quinta do Rouxinol: uma olaria romana no estuário do Tejo [Corroios, Seixal]

e Novembro de 2009 no Museu Nacional de

Na Quinta do Rouxinol (Corroios, Seixal) locali-

e da Conservação, no âmbito do Programa

za-se uma olaria de Época Romana, identificada

Promuseus e da Rede Portuguesa de Museus.

em 1986.

Visa divulgar o sítio arqueológico classificado

Por iniciativa da Câmara Municipal do Seixal,

de Monumento Nacional e contextualizá-lo nos

através do Ecomuseu, foi possível preservar

mecanismos da economia regional e imperial

e estudar parte de dois fornos que, dos finais

da Época Romana.

Arqueologia, em Lisboa, resulta de uma parceria do Ecomuseu Municipal do Seixal com aquele Museu, apoiada pelo Instituto de Museus

em circulação pela europa Exposição itinerante

A primeira apresentação do ano encontra-se

Moinhos de Maré do Ocidente Europeu

agendada para o Centro de Monitorização e Interpretação Ambiental de Vila do Conde, onde a exposição estará patente entre os dias

A exposição itinerante Moinhos de Maré do

15 de Janeiro e 17 de Abril próximos.

Ocidente Europeu, produzida pelo Ecomuseu

Prevê-se ainda, no decurso do corrente ano,

Municipal do Seixal no âmbito de um pro-

a sua apresentação em Viana do Castelo, em

jecto de parceria internacional apoiado

Leiria, no Seixal e em Arnuero, na Cantábria.

pelo Programa Cultura 2000 da Comissão

Mais informações sobre a exposição e o

Europeia, encontra-se em itinerância desde

projecto que a enquadra encontram-se dispo-

Outubro de 2005, assinalando-se em 2009 o

níveis no site www.moinhosdemare-europa.

seu regresso a Portugal.

org.


˙

2009

CDI

JAN.FEV.MAR n.º 50

˙ECOMUSEU INFORMAÇÃO˙

Centro de Documentação e Informação

Neste espaço dedicado à divulgação das colecções

do Editorial, Património Cultural do Concelho e

e recursos do Centro de Documentação e Informa-

Conhecer. Acrescentam-se o Programa de Inicia-

ção, propomos aos nossos utilizadores, para este

tivas do Serviço Educativo, Exposições, Núcleos e

trimestre, uma leitura pelos conteúdos publicados

Serviços e Em curso…ou Notícias. Em 2000, sur-

ao longo das anteriores 49 ediações do boletim

gem as rubricas Tema de Reflexão e Memórias e

Ecomuseu Informação.

Quotidianos.

Desde a sua criação, em 1996, que o boletim Ecomuseu

No final de 2006, a permanente qualificação deste

Informação

meio de comunicação conduziu a uma imagem re-

possibilita a difusão

novada em design gráfico e na organização de con-

regular das activida-

teúdos com as rubricas Centro de Documentação

des e dos conteúdos

e Informação, Em Foco e Carta do Património do

produzidos no con-

Concelho do Seixal, permitindo valorizar, através

texto da acção mu-

da informação, o património cultural do concelho

seal e de gestão do

do Seixal através da abordagem dos mais variados

património

temas.

cultural

promovidas pela Câ-

Na rubrica Património Cultural do Concelho tem

mara Municipal do

sido dado especial interesse ao património cultu-

Seixal e desenvolvidas

ral imóvel. Destacam-se os conteúdos produzidos

pela equipa técnica do

sobre sítios industriais como a Companhia de La-

EMS.

nifícios de Arrentela no número 39 do boletim, a

Os primeiros núme-

Mundet & C.ª Lda. abordada nos números 36, 27,

ros do boletim assu-

21, 17, 12, a Fábrica de Pólvora de Vale de Milha-

miam-se

essencial-

ços, no Ecomuseu Informação, número 19, a Fá-

mente com um cariz

brica de Cortiça das

de divulgação do programa de iniciativas de Servi-

Lobatas, apresen-

ço Educativo e de difusão de informação e notícias

tada no número 20,

em pequeno formato. São exemplo as rubricas da

os lagares de azeite

Agenda, Destaques, Informações Úteis e Sabia

divulgados no Eco-

Que? que desperta-

museu Informação

ram a curiosidade

número 26, ou os

dos nossos utiliza-

moinhos de maré

dores

nos números 14 e

promovendo

a participação dos

31.

públicos nas acti-

Os núcleos urba-

vidades do EMS e a

nos

procura de mais in-

também um tema

formação através de

abordado nesta ru-

visitas aos diversos

brica. De carácter

antigos

são

núcleos e exposi-

geral, salientam-se

ções e de consultas

os conteúdos publicados nos números 28, 30, 32,

no Centro de Docu-

33 do Ecomuseu Informação. Especificamente

mentação e Infor-

evidenciam-se temas como as escolas primárias

mação.

do concelho do Seixal (Ecomuseu Informação, nú-

O

boletim

incluía

meros 34 e 40), os espaços de espectáculos (Eco-

informação

museu Informação, número 35) ou os chafarizes e

sobre as publicações e outros materiais de divul-

fontanários do concelho do Seixal (Ecomuseu In-

ainda

gação da CMS/Ecomuseu Municipal do Seixal que

formação, números 22 e 41).

actualmente é disponibilizada no site em http://

Para a Carta do Património do Concelho do Sei-

www.cm-seixal.pt/ecomuseu, em Publicações.

xal, que tem como objectivo criar um instrumento

Ao longo dos anos, com a evolução deste instru-

municipal para inventário e gestão do património

mento de divulgação, o EMS tem proporcionado

cultural e actualmente integrada no Sistema de In-

uma comunicação aprofundada dos projectos em

formação Geográfica da CMS, disponível em linha,

desenvolvimento, possibilitando a actualização de

através do endereço http://www.cm-seixal.pt, de-

informação junto dos utilizadores e promovendo o

terminou-se um âmbito abrangente que integrasse

contacto e a sensibilização junto de novos públi-

desde sítios arqueológicos até imóveis representa-

cos. Os conteúdos concentram-se nas rubricas

tivos da arquitectura civil, religiosa e industrial.


10 ˙ECOMUSEU INFORMAÇÃO˙n.º 50˙JAN.FEV.MAR

2009

Desta forma, através do boletim Ecomuseu Infor-

dades fabris. Destacam-se os artigos publicados

mação, são divulgados os sítios integrados nesta

sobre associações no concelho do Seixal, o Seixal

Carta. Evidenciam-se os bairros operários, as

Futebol Clube, o Grupo Desportivo Mundet, o Clu-

igrejas, ou coretos ou sítios de interesse patrimo-

be do Pessoal da Siderurgia Nacional nos boletins

nial que integram a

14, 15, 17, 22, sobre o trabalho e os operários da

estrutura museoló-

Mundet & C.ª Lda. nos números 23, 32, 36, 37, da

gica do EMS, como

Siderurgia Nacional nos boletins 18 e 31, e da Fá-

sejam a Olaria Ro-

brica de Pólvora de Vale de Milhaços no boletim

mana da Quinta do

26. Salientam-se ainda os artigos que destacam

Rouxinol (Ecomuseu

as memórias da construção naval e das profissões

Informação, número

ligadas ao rio, na zona do Estuário do Tejo no Eco-

43), a Necrópole Me-

museu Informação, números 27, 30 e 40.

dieval-Moderna

da

Ainda uma referência aos conteúdos sobre festi-

Quinta de São Pedro

vidades, no Ecomuseu Informação, números 24 e

(Ecomuseu

Infor-

35, sobre comércio local, no número 33 e sobre o

mação, número 45),

trabalho nos la-

a Mundet & Cª Lda.

gares de vinho no

(Ecomuseu Informa-

concelho do Seixal,

ção, número 46), ou

abordado no nú-

a Quinta da Trindade

mero 38.

(Ecomuseu Informa-

Por último, referir

ção, número 47).

a rubrica Tema de

Na rubrica Conhecer têm sido divulgados, ao lon-

Reflexão que, com-

go dos anos, conteúdos relacionados em particular

plementada com o

com as colecções de bens móveis do EMS, colec-

Editorial,

ções arqueológicas, técnicas e industriais, artísti-

lita aos leitores o

cas, etnográficas e documentais, provenientes do

acompanhamento

território concelhio, procurando assim disponibi-

de temas actuais

lizar aos leitores o acesso a informação sobre o

que se repercutem

acervo museológico do EMS nas suas mais diver-

na gestão museoló-

sas vertentes. Destaca-se o acervo fotográfico de

gica e nas práticas

Jorge Almeida Lima

do EMS. Eviden-

possibi-

no boletim número

ciam-se os artigos

25, as colecções de

sobre o Programa de Qualificação e Desenvolvi-

arqueologia abor-

mento do EMS abordado no Ecomuseu Informa-

dadas nos números

ção, nos números 19, 37, 39 e 40, os inventários

26, 28, 38, 40, 44 do

e sistemas de documentação no número 36, a

Ecomuseu

Infor-

gestão de museus, no número 35, a investigação

mação, a colecção

e a missão do museu referenciada no boletim 33, a

de

da

temática da conservação nos museus em reflexão

Quinta da Trindade,

no Ecomuseu Informação, número 32, a política

no Ecomuseu Infor-

de exposições abordada nos números 29 e 30 e a

mação, números 29

política de incorporação abordada no número 27,

e 37, a colecção de

o turismo e as rotas culturais e sua relação com

modelos e minia-

os museus no Ecomuseu Informação, número 28,

turas de embarca-

os centros de documentação no boletim 26, a ar-

ções no Ecomuseu

queologia e os museus no número 23, a educação

Informação, núme-

patrimonial no boletim 22, salvaguarda e gestão

ro 33 ou outras relacionadas com o património flu-

do património industrial e do património marítimo

vio-marítimo nos números 43 e 46, a colecção de

respectivamente nos números 18 e 43 do Ecomu-

desenhos Jointite pertencente ao Fundo Mundet &

seu Informação e os museus como agentes de de-

C.ª Lda. e outras bens pertencentes e este Fundo

senvolvimento, tema abordado nos números 25 e

nos números 35, 41, 42, 47 e 49 e a colecção de

47 deste boletim.

azulejaria

instrumentos metrológicos do Aferidor Municipal, no boletim número 36. Na rubrica Memórias e Quotidianos os artigos estão relacionados com a divulgação de memórias sobre o trabalho e lazer da população do concelho do Seixal, e salientam-se, em particular, alguns artigos sobre memórias de trabalhadores de uni-

Fernanda Ferreira


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JAN.FEV.MAR n.º 50

˙ECOMUSEU INFORMAÇÃO˙ 11

EM FOCO Inventários e divulgação de património marítimo e fluvial — o papel dos museus e a participação das comunidades: tema do XIV Fórum sobre património marítimo do Mediterrâneo

O XIV Fórum sobre Património Marítimo do Mediter-

tradicionais, considerando o potencial da sua reutilização,

râneo realizou-se no Seixal em 24 e 25 de Outubro

indissociável da preservação de técnicas tradicionais de

de 2008, ano em que se assinalou o 10º aniversário

construção e de navegação. O desaparecimento de esta-

da Associação dos Museus Marítimos do Mediterrâ-

leiros navais aplicando e transmitindo técnicas e saberes

neo (AMMM). À realização do Fórum associou-se um

tradicionais é identificado como um dos principais proble-

programa diversificado, que abarcou: a estadia em

mas no que concerne os recursos para a recuperação e a

Lisboa (entre 20 e 25 de Outubro) do Palhabote Santa

manutenção de embarcações tradicionais.

Eulália, do Museu Marítimo de Barcelona, e da sua

■ Confirmando a pertinência do tema escolhido como foco

tripulação; uma viagem no bote de fragata Baía do

deste XIV Fórum, os intervenientes salientarem a impor-

Seixal, do EMS, pelo estuário do Tejo, uma visita ao

tância e a necessidade de levar a cabo inventários de pa-

estaleiro naval dirigido por Jaime Costa, em Sarilhos

trimónio marítimo e fluvial, quer material, quer imaterial,

Pequenos, uma visita ao Núcleo Naval do EMS e a As-

atendendo à diversidade de domínios a que está ligado,

sembleia Geral da AMMM (23 de Outubro).

através de metodologias e projectos multidisciplinares e do envolvimento das comunidades. Entre as experiências

Este Fórum, centrado na temática de Inventários e divulga-

divulgadas, aponta-se, no caso da França, o notável papel,

ção de património marítimo e fluvial – o papel dos museus

complementar à acção do Estado, da Fundação para o pa-

e a participação das comunidades, contou com 135 partici-

trimónio marítimo e fluvial, cujo ficheiro nacional, informa-

pantes, reportados a 61 entidades, principalmente museus,

tizado, de barcos de interesse patrimonial (BIP) – consul-

autarquias, escolas, associações e organismos nacionais e

tável em www.patrimoine-maritime-fluvial.org. – constitui,

internacionais ligados ao património e à cultura marítima.

na prática, uma lista de vigilância junto dos proprietários,

No conjunto das sessões de trabalho, foram apresentadas

das associações de salvaguarda e das autoridades marí-

vinte e uma comunicações (de Portugal, Itália, Catalunha,

timas.

França, Croácia, Eslovénia, Argélia e da organização euro-

■ No que toca a Portugal e face às situações analisadas,

peia EMH - European Maritime Heritage), proporcionando

foi reafirmada a necessidade de maior sensibilização por

uma alargada visão sobre actuais projectos de investiga-

parte dos organismos de tutela do património do litoral,

ção, inventários e programas de salvaguarda e valorização

particularmente no sentido de rentabilizar meios e de pro-

de património marítimo e sobre o papel crescente dos

porcionar redes de informação sobre o trabalho em curso

museus neste contexto, desenvolvendo importantes laços

– envolvendo museus, associações e outras entidades –

com as comunidades do litoral europeu e mediterrânico.

assim como de articulação e concertação de acções entre

Pelas intervenções dos comunicantes e ao longo dos pe-

entidades que actuam pela preservação de embarcações

ríodos de debate foi possível identificar problemas e pre-

tradicionais e/ou de valor patrimonial.

ocupações comuns em várias experiências apresentadas ou transversais às diferentes linhas de actuação das enti-

O XIV Fórum sobre Património Marítimo do Mediterrâneo

dades participantes no Fórum, que procuramos sintetizar

contribuiu para promover a troca de experiências e con-

nos tópicos seguintes:

firmou perspectivas de desenvolvimento da cooperação

■ Independentemente de factores específicos de pro-

entre museus marítimos e outras entidades envolvidas no

gramação, actualmente reflecte-se sobre o conceito de

conhecimento, na salvaguarda e na valorização do patri-

museu marítimo, quer do ponto de vista da selecção e

mónio marítimo, tendo por referência o Mediterrâneo. Em

incorporação de património a conservar, em relação ao

2009, o XV Fórum sobre Património Marítimo do Mediter-

significado das identidades marítimas que projectam, quer

râneo será organizado pelo Eco museum Kuca o batani/

quanto aos tipos de comunicação a estabelecer com os pú-

Casa della batana em Rovinj, na Croácia.

blicos e actividades que lhes propõem.

Mais informação e textos encontram-se disponíveis em -

■ Museus e associações envolvidos na preservação de

www.cm-seixal.pt/ecomuseu - CDI - Edições on-line.

património marítimo e fluvial conferem relevância a projectos de salvaguarda e de recuperação de embarcações

Graça Filipe


12 ˙ECOMUSEU INFORMAÇÃO˙n.º 50˙JAN.FEV.MAR

2009

CONHECER Calendário da Mundet (1964), com suporte estrutural em aglomerado de cortiça e folhas bimensais de papel de

cortiça. Decorado com motivo pintado sobre aglomerado, reproduzindo a composição de Henrique Medina (1901-

-1988) – O rapazinho do gato. Proveniência: Mundet (Seixal) N.º de inventário: EMS.2007.00241.00000 © EMS/CDI

O Ecomuseu Municipal conserva no seu acervo e exibe em exposição temporária, no seu Núcleo da Mundet, um dos produtos menos conhecidos da indústria corticeira: o papel de cortiça, que se destacou entre a grande diversidade de artigos produzidos na fábrica do Seixal, como um dos produtos de referência, de qualidade e de prestígio da empresa. Para a sua produção, a cortiça era laminada em folhas de espessura inferior a 0,1 mm, particularidade que o título da exposição visa sublinhar: Cortiça ao milímetro.

O PAPEL DE CORTIÇA DA MUNDET, A PELE DO SOBREIRO Os leitores deste boletim recordarão, eventualmente, algum dos conteúdos publicados anteriormente no Ecomuseu Informação sobre esta especialidade da Mundet: o texto sobre o Trabalho na secção do papel de cortiça da Mundet, que pode ser lido no n.º 36, de Julho/ Agosto/Setembro de 2005, e o artigo Corkskin: papel decorativo da Mundet de “esmerada confecção artesanal”, divulgado no n.º 47, de Abril/Maio/Junho de 2008, no qual foram evidenciados alguns produtos que materializam as memórias sociais e saberes-fazer ligados à produção de papel de cortiça e ao mundo do trabalho. Este último texto, debruçava-se especificamente sobre um tipo de produto – o papel de cortiça decorativo utilizado quer no revestimento de paredes, quer no fabrico

Mundet (Seixal) e que, simultaneamente, irá destacar alguns dos objectos da variada gama de produtos em papel de cortiça produzido pela empresa, entre 1915 e 1988, testemunhos provenientes do espólio da antiga Mundet, relevantes quer no âmbito da história e da actividade da firma, quer no contexto da indústria corticeira nacional ao longo do século XX, objectos que integram o acervo do Ecomuseu Municipal e que podem ser observados ao longo do percurso expositivo da supracitada iniciativa, patente, até finais de Outubro de 2009, no Núcleo da Mundet (Edifício das Caldeiras Babcock & Wilcox). Iniciado na Alemanha, nos anos 80 do séc. XIX, o fabrico do papel de cortiça foi introduzido em Espanha na década seguinte. A

de artigos de marroquinaria através da sua aplicação em suporte têxtil – produzido e desenvolvido pela Mundet a partir dos anos 60 do século passado. Assim, parece-nos justificada a divulgação da presente síntese que procura abordar o início da produção do papel de cortiça na

grande procura de papel de cortiça pelas empresas tabaqueiras levou a empresa Miquel, Vincke i Meyer, de Palafrugell – Catalunha (Espanha) – a obter, em 1906, a patente do sistema de fabrico de papel de cortiça por processo mecânico, criado pelo engenheiro inglês John Lowman (1900-1902).


2009

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JAN.FEV.MAR n.º 50

˙ECOMUSEU INFORMAÇÃO˙ 13

O papel de cortiça da Mundet, a pele do sobreiro

Brochura com o poema Rendas do meu berço (pequena história do Seixal) da autoria de João Calixto Grilo, cidadão do concelho, antigo trabalhador da Mundet, jornalista e poeta. Editado pela Mundet & C.ª, Lda., impresso em papel de cortiça, em 1943, por ocasião da inauguração da Casa da Infância da empresa. No poema são destacadas as origens históricas do Seixal, ao mesmo tempo que se procura retratar os modos de vida, os costumes, os ambientes e os quotidianos locais. Proveniência: Mundet (Seixal). N.º de inventário: EMS.2000.00334.00000 © EMS/CDI

A expansão da produção do papel de cortiça deu-se após a I Guerra Mundial (1914 -1918), em grande medida pela adopção do hábito de fumar por parte da população feminina, impondo os cigarros com filtro, sobretudo na GrãBretanha e nos EUA. A aplicação do papel de cortiça no revestimento dos filtros dos cigarros emprestava uma extraordinária consistência à ponta do cigarro e impedia que este se pegasse aos lábios, não estragando a maquilhagem das senhoras. As qualidades da cortiça aplicadas

Catálogo de produtos Corkskin fabricados pela Mundet. N.º de inventário: EMS.2007.00168.00000 © EMS/CDI

aos cigarros eram muito apreciadas, dado que, sendo impermeável, a cortiça impedia que a ponta do cigarro se humedecesse e, sendo um isolante natural, ajudava a reduzir a quantidade de calor que chegava aos lábios. O papel de cortiça para filtros de cigarros justificou a instalação da oficina de produção da especialidade na fábrica corticeira Mundet (Seixal), em 1915. Para a sua produção, a empresa chegou a adquirir a melhor cortiça para papel produzida na Sardenha (Itália), mercado abastecedor da empresa em 1948 e onde, no final da década de 50 do séc. XX, técnicos altamente especializados da Mundet se deslocavam para fazer uma cuidada selecção da matéria-prima. A cortiça proveniente da Sardenha tinha uma cor clara, apresentando-se sem mancha e com o poro muito miudinho, lisa de costa, sem defeitos na barriga e leve, permitia a extracção de maior número de folhas do que a cortiça nacional. Contudo, a partir de 1965, devido ao elevado preço da matéria-prima e ao declínio da sua qualidade, a Mundet passou a recorrer às melhores cortiças nacionais provenientes, sobretudo, dos concelhos de Mora, Coruche e Ponte de Sôr – e com mais baixo custo. Ultrapassadas as etapas de preparação e selecção da matéria-prima, as pranchas de cortiça eram transformadas em quadros do tamanho desejado para, posteriormente, se poder proceder à laminagem, operação es-


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CONHECER

Bobine em papel de cortiça para revestimento de filtros de cigarros. Inscrição na cinta exterior: Mundet & C.ª Lda./Cork Bobbins for cigarette tips/Seixal (Portugal) e Quality/Extra Selected. Proveniência: Mundet (Seixal). N.º de inventário: EMS.2000.00493.00000 © EMS/CDI

sencial ao fabrico de todos os produtos com aplicações de papel de cortiça. Na Mundet, máquinas de laminar de grande precisão de corte – a partir da década de 1930, dos construtores Talleres Trill, SA. (Palafrugell - Catalunha) – permitiam cortar até 16 folhas por milímetro de cortiça. Após aquela operação, as escolhedoras faziam a selecção das folhas de papel, distribuindo-as por pequenas caixas de madeira com diferentes cores – vermelhas, brancas e amarelas – de acordo com as qualidades do papel. Para a produção das bobines de papel para os filtros dos cigarros, as folhas de cortiça eram coladas sobre rolos contínuos de papel de seda, que a empresa chegou a importar para o efeito da Grã-Bretanha e da Alemanha. A colagem era uma operação delicada, feita por operárias a quem se exigia grande destreza e perícia manual, bem como uma boa acuidade visual. De seguida, os rolos iam secar às estufas e eram lixados, para eliminar excessos e imperfeições. Na fase final da fabricação, os rolos de papel de cortiça passavam pela máquina de bobinar para que fossem cortados em bobines com a largura desejada, chegando o comprimento a atingir os 1200 metros. Cada bobine era depois cuidadosamente embalada em papel especial parafinado e resistente, pronta para ser expedida. As bobines para os filtros destinavam-se, so-

bretudo, à exportação. Estados Unidos, Egipto, Holanda, Canadá, Alemanha e Grã-Bretanha foram, em diferentes momentos, importantes mercados para essa produção. O número de clientes foi aumentando, a sua localização geográfica foi-se diversificando, tendo sido vendidas quantidades apreciáveis de bobines:

A Mundet chegou a exportar anualmente cerca de 20 milhões de quilómetros de papel de cortiça em bobines para os filtros dos cigarros, o suficiente para dar 500 voltas ao Mundo! Frase promocional da Mundet & C.ª, Lda. As mesmas máquinas e equipamento industrial, com pequenas adaptações, e o mesmo processo de fabrico permitiram à Mundet desenvolver e produzir um conjunto de produtos que tiveram o papel de cortiça como suporte. Cartões de visita, calendários, agendas, cartões de Boas Festas, envelopes e papel de carta, folhetos de promoção e preçários, entre outros e variados materiais de representação, produzidos até aos anos 80 do


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O papel de cortiça da Mundet, a pele do sobreiro

Calendário da Mundet (1963), com suporte estrutural em aglomerado de cortiça e folhas bimensais em papel de cortiça. Decorado com uma ilustração colada, na qual se reproduz a composição de Henrique Medina (1901-1988) – O merlague verde. Proveniência: Mundet (Seixal). N.º de inventário: EMS.2007.00240.00000 © EMS/CDI

séc. XX, ajudaram a divulgar e a promover mundialmente a empresa e o grau de aperfeiçoamento industrial e técnico dos produtos Mundet. No final da década de 50 do séc. XX, o incremento das imitações de papel de cortiça para pontas de cigarros levou à perda de mercados e clientes. A Mundet procurou, então, reabilitar os processos de fabrico daquela especialidade, aperfeiçoados ao longo de cerca de 50 anos, criando novas gamas de produtos com a aplicação de folhas de cortiça em suportes de papel ou têxtil, entre as quais destacamos o Corkskin — papel decorativo para parede — e a Mundetex, para confecções, malas, estofos, carteiras, calçado,

entre outros, antecipando muitas das actuais utilizações do papel de cortiça. Em 2007, numa emissão evocativa do sector corticeiro e da sua contribuição para a economia nacional, os Correios de Portugal, juntamente com a Assembleia da República, lançaram o primeiro selo em cortiça do mundo. O selo, desenhado pelo designer João Machado, ostenta a imagem de um sobreiro e foi fabricado em papel de cortiça auto adesivo, através da utilização de equipamento tecnológico e de processos de fabrico semelhantes àqueles que eram utilizados na Mundet há mais de meio século.

Fátima Afonso


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CARTA DO PATRIMÓNIO Do seixal Vista aérea sobre a Ponta dos Corvos, Baía do Seixal, destacando-se a seca de baca-

António Silva, 2005.

lhau da Companhia de Pesca Atlântica e o Moinho de maré do Capitão © EMS/CDI,

A PONTA DOS CORVOS E AS SECAS DE BACALHAU Quase todos os trabalhos ligados ao mar e ao rio im-

propícios a uma boa secagem ao ar livre do que no ter-

põem ciclos sazonais aos homens e às mulheres que os

ritório açoriano era proporcionado pelas suas condi-

executam, em função das condições naturais, no espa-

ções climatéricas. Embora continuando a recrutar

ço e no tempo.

a mão-de-obra nos Açores, a firma registou-se em

É o caso da pesca e das actividades transformadoras de

Lisboa como Parceria Geral das Pescarias e adqui-

pescado, sobretudo quando associadas a tecnologias e

riu terrenos na Azinheira (Barreiro) para uma par-

a meios de trabalho tradicionais.

te das suas instalações, enquanto edificou os armazéns

O litoral português, assim como o estuário do Tejo, ain-

na Ponta dos Corvos (1914).

da nos oferece paisagens culturais marcadas por algu-

Também formada nos primeiros anos do século XX

mas daquelas actividades. A memória de muitas pes-

(a partir da compra dos bens dos Armadores Marian-

soas recorda antigos ritmos nas suas vidas e o trabalho

no e Irmão, da Figueira da Foz), a Companhia de Pesca

de natureza sazonal, que até há algumas décadas, teve

Atlântica, com sede em Lisboa, instalou armazéns e

um papel importante da vida económica do concelho do

promoveu igualmente a indústria de seca de bacalhau

Seixal. As ruínas das antigas secas de bacalhau da Pon-

na zona da restinga do Alfeite, na Ponta dos Corvos.

ta dos Corvos (Amora, Seixal) evocam esse trabalho e

Em pouco tempo, mesmo as embarcações que saíam

uma das actividades marítimas do Estuário.

dos Açores regressavam à Baía do Seixal para descar-

De acordo com João Carlos de Oliveira Leone (in Inqué-

regarem os navios. Abrangendo os períodos de descar-

rito à Pesca do Bacalhau, Lisboa, Liga Naval Portugue-

regamento e de reparações feitas nos estaleiros locais,

sa, 1903) a utilização da Ponta dos Corvos para a insta-

a permanência dos navios que demandavam a Terra

lação de armazéns e secas de empresas de pesca de

Nova tornou-se marcante na paisagem marítima do

bacalhau data do início do século XX. Aquela zona reunia

Seixal - desde a escuna Hortense até ao lugres Gazella,

as condições ideais para a seca do pescado: uma boa

Argos, Gamo e Terra Nova.

exposição solar, ventos dominantes de noroeste e este/ nordeste e abundância de água captada das nascentes

“Quando o António Coutinho chegava carregado não ti-

ou de poços artesianos.

nha água no Seixal. A água do Seixal não tinha força para

Em 1910 a Companhia Lisbonense instalou na Ponta dos

o peso do barco. Ficava no Mar da Palha, do Alfeite para

Corvos uma unidade industrial de preparação e seca-

cima, um bocadinho. Depois nós íamos...não sei como a

gem do bacalhau designada por Sociedade Lisbonense

gente não morreu. As lanchas cheias, quando vinham

de Pesca do Bacalhau.

aqueles barcos do Barreiro, o barco fazia assim [balou-

Paralelamente, a Companhia Bensaúde, que desde o

çava muito] e a gente lá dentro íamos descarregar meta-

último quartel do século XIX armava embarcações para

de do navio lá em Cacilhas”.

a Terra Nova, procurou na mesma zona terrenos mais

Celeste Cristão, ex-trabalhadora da Sociedade Lisbo-


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CARTA DO PATRIMÓNIO DO CONCELHO DO SEIXAL A Ponta dos Corvos e as secas de bacalhau

Do porão, o peixe era retirado à medida das necessidades, ou seja, quando as mesas de secagem estavam disponíveis. Em terra, o bacalhau, designado verde, era pesado, sendo a paga e os prémios da companha (tripulação) definidos a partir do peso total carregado pelo navio. As principais etapas do trabalho em terra sucediam-se com a lavagem do bacalhau em tanques que podiam ter (ou não) água corrente, esfregados com uma escova para se retirar impurezas e sal a mais, a que se seguia uma ressalga antes de se voltar a empilhar o peixe, para uns dias de repouso em estrados ou paletes, empilhados de forma a ajudar a libertação da água do peixe, antes deste ser exposto ao ar nas mesas ou estendais. Reprodução de aguarela «Garfeiro-Gronelândia», de Jorge

«O bacalhau que saía para a rua em primeiro era o mo-

Brandeiro, 1956, do acervo do EMS © EMS/CDI

lhado, porque às vezes era de manhã muito cedo e o tempo estava húmido e, só quando estava o tempo com

nense de Pesca de Bacalhau (secção de lavagem e es-

mais sol, mais seco, é que vinha o bacalhau mais seco

colha de bacalhau), 76 anos, 2002.

para não humedecer. Se fosse posto de manhã muito cedo, humedecia. O verde, o molhado é que era o primei-

O processo tinha início com a saída do bacalhoeiro para

ro a sair, depois é que se ia pondo do outro.(…)

os bancos da Terra Nova, onde o bacalhau era pescado

Havia umas mesas de arame e punha-se o bacalhau.

de forma artesanal, e artesanalmente preparado (lim-

Cabeça para aqui e rabo para ali [alternado]. Enchia-se

po/escalado e salgado) a bordo, pelos mesmos pesca-

a seca de bacalhau.»

dores que, durante o dia, o tinham pescado. A chegada

Celeste Cristão, 2002.

a terra, cerca de seis meses volvidos, dava início a uma segunda fase de processamento do peixe até à fase fi-

Quando chovia, também estávamos a lavar bacalhau.

nal, correspondendo ao início do circuito de comerciali-

Quando o Inverno era aí 15 dias ou mais seguidos só

zação do produto.

trabalhávamos 3 dias por semana. Dizia ele (o Capitão

Os bacalhoeiros partiam em meados de Maio, de forma

Picado): “ Isto é só para vocês não mexerem nalgum que

a chegarem ao Atlântico Norte no início do Verão, altura

têm junto”. Porque aquela gentinha do Norte iam para ali

de desova dos bacalhaus nos bancos e, igualmente, de

para juntar algum dinheirito, porque no Norte também

forma a aproveitar as condições meteorológicas favorá-

eram muito pobres e para levar... E ele dizia: “Estes 3

veis à navegação dos navios e à pesca feita nos pequenos

dias é só para vocês comerem e não gastarem o que têm

doris. Regressavam quando os porões estavam cheios

junto”. Então, dava 3 dias por semana e os outros 3 dias a

ou tinham início as grandes tempestades de Inverno.

gente estava lá sem fazer nada. Umas brincavam, outras faziam croché, outras cosiam roupa. A gente do Norte

“Quando [os navios] tinham má pesca vinham aí por

tinha cá a roupa toda e as pessoas de Alfarim, as mães,

Outubro dentro, porque eles não iam para o mar para

os pais ou alguém iam todos os domingos lá levar pão,

trazer metade da carga. Tentavam sempre trazer o navio

hortaliça, batatas, coisas que tínhamos cá em casa.

carregado.

Celeste Cristão, 2002.

Depois nós íamos daqui para lá. Iam daqui [Alfarim] muitas raparigas e vinha muita gente do Norte. De Viseu, de

As edificações onde estes trabalhos tinham lugar eram

São Pedro do Sul, de Oliveira de Frades, de Ílhavo e da

geralmente desprovidas de pormenores ornamentais,

Gafanha. Vinha de lá aquela gente que o Sr. Capitão trazia

mas os requisitos funcionais não eram descurados: a

da terra dele. As de Ílhavo é que ensinaram a gente de cá

casa de rancho ficava perto de uma captação de água

a escolher o bacalhau seco do verde e a seleccioná-lo,

potável, as tinas de lavagem ficavam perto de pontos

porque o bacalhau era seleccionado assim à mão mais

de água, as janelas e a estrutura do tecto permitiam

ou menos, o crescido, o corrente, o miúdo, o sortido”.

a entrada de luz e o arejamento dos armazéns, o chão

Celeste Cristão, 2002

era abaulado de forma a que, bordejando as paredes, umas caleiras pudessem escoar a água resultante da

Quando regressavam, as condições climatéricas eram

lavagem e da prensagem do peixe.

as ideais para se proceder à seca ao ar livre. Como a seca não podia ser feita com temperaturas elevadas, terminava geralmente em meados de Março ou em Abril.

Fátima Veríssimo


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CARTA DO PATRIMÓNIO do concelho do seixal A Ponta dos Corvos e as secas de bacalhau

INVENTÁRIO DO PATRIMÓNIO CULTURAL IMÓVEL

REFERÊNCIA DO SÍTIO: CPS.00028.

REFERÊNCIA DO SÍTIO: CPS.00027.

DESIGNAÇÃO: Instalações da seca de bacalhau da Sociedade Lisbonense de Pesca do Bacalhau.

DESIGNAÇÃO: Instalações da seca de bacalhau da Atlântica – Companhia Portuguesa de Pescas.

Localização administrativa: Amora.

Localização administrativa: Amora.

Toponímia: Ponta dos Corvos.

Toponímia: Ponta dos Corvos.

Localização geográfica: SIG – ortofotomapa n.º 442.233.

Localização geográfica: SIG – ortofotomapa n.º 442.242.

Coordenadas: X = -84472,700; Y = -112713,300.

Coordenadas: X = -85310,300; Y = -113031,300.

Categoria de sítio: Arquitectura industrial.

Categoria de sítio: Arquitectura industrial.

Tipo de sítio: Seca de bacalhau.

Tipo de sítio: Seca de bacalhau.

Cronologia: Idade Contemporânea; séc. XX.

Cronologia: Idade Contemporânea; séc. XX.

Estado de conservação: Mau estado dos edifícios e degradação da área envolvente.

Estado de conservação: Mau estado de coberturas e fachadas de alguns edifícios e degradação da área envolvente. Descrição sumária: Estrutura funcional organizada em armazéns de peixe “verde” e seco, parques de lavagem, área de secagem natural do bacalhau e cais de descarga do pescado. Amplas áreas de seca natural de bacalhau, constituídas por cabeceiras de betão armado, sobre as quais assentavam as travessas de ferro e arame galvanizado para suporte do peixe. Tecnologicamente, esta empresa de seca de bacalhau era das mais modernizadas no concelho, possuindo frigoríficos e lavagem mecanizada. Síntese de intervenções: 2000-2003 – Estudo do sítio que incluiu a pesquisa de bibliografia específica e geral, os levantamentos funcional, oral e fotográfico. Tipo de uso: desactivada. Bibliografia principal: MOUTINHO, Mário (1985) – História da Pesca do Bacalhau – por uma antropologia do «Fiel Amigo». Lisboa: Editorial Estampa/Imprensa Universitária, 224 p. REBELO, Manuel de Oliveira (1992) – Retalhos da minha terra: monografia do concelho do Seixal, 2ª ed., Seixal: Câmara Municipal do Seixal. SEIXAL. Câmara Municipal. Ecomuseu (2001) – “Secas de bacalhau na Ponta dos Corvos: indústria entre mar e terra”. Ecomuseu Informação. Seixal: Câmara Municipal. Nº 19 (Abr/Mai/Jun), p. 8-9. SEIXAL. Câmara Municipal. Ecomuseu (2002) – “Património a proteger”. Ecomuseu Informação. Seixal: Câmara Municipal. Nº 25 (Out/Nov/Dez), p. 6-10. Observações: As coordenadas de localização geográfica correspondem ao ponto central do edifício de maior volumetria do conjunto dos imóveis. Inventariante: Maria de Fátima Afonso. Data de inventariação: Dezembro de 2003. Data de actualização: Dezembro de 2008.

Descrição sumária: A Sociedade Lisbonense de Pesca de Pesca de Bacalhau instala-se na Ponta dos Corvos em 1910 com um conjunto edificado destinado ao processamento do bacalhau, desde a lavagem e secagem ao acondicionamento. Os edifícios originais foram sucessivamente alterados e ampliados, entre os anos 40 e 60 do século XX, resultando uma estrutura funcional organizada em armazéns de peixe em verde e em seco, seis tanques de lavagem, cobertos por um telheiro, e um cais para descarga do pescado. A sazonalidade do trabalho associado à migração de dezenas de trabalhadores recrutados nas Beiras impunha a existência de um edifício de dois pisos com funções de dormitório e de cantina, distinguindo-se as duas chaminés conventuais dispostas nas faces laterais do edifício. Marcam ainda a paisagem, a ampla área de seca natural do bacalhau, constituída por cabeceiras de betão armado, sobre as quais assentavam as travessas de ferro e arame galvanizado para suporte do peixe aí colocado durante o dia. Síntese de intervenções: 2000-2003 – Estudo do sítio que incluiu a pesquisa de bibliografia específica e geral, os levantamentos funcional, oral e fotográfico. 2001 – Projecto de requalificação. O armazém, juntamente com o cais foi inscrito no programa-base do Circuito Museológico Industrial do Seixal, como eixo estruturante do Programa de Qualificação e Desenvolvimento do Ecomuseu, aprovado pela C.M.S. Tipo de uso: desactivada. Bibliografia principal: LEONE, João Carlos de Oliveira (1903) – Inquérito à Pesca do Bacalhau. Lisboa: Liga Naval Portuguesa, 43 p. MOUTINHO, Mário (1985) – História da Pesca do Bacalhau: por uma antropologia do «Fiel Amigo». Lisboa: Editorial Estampa/Imprensa Universitária, 224 p. REBELO, Manuel de Oliveira (1992) – Retalhos da minha terra: monografia do concelho do Seixal, 2ª ed., Seixal: Câmara Municipal do Seixal, 131 p. SEIXAL. Câmara Municipal. Ecomuseu (2001) – “Secas de bacalhau na Ponta dos Corvos: indústria entre mar e terra”. Ecomuseu Informação. Seixal: Câmara Municipal. Nº 19 (Abr/Mai/Jun), p. 8-9. SEIXAL. Câmara Municipal. Ecomuseu (2002) – “Património a proteger”. Ecomuseu Informação. Seixal: Câmara Municipal. Nº 25 (Out/Nov/Dez), p. 6-10. Observações: Propriedade municipal. As coordenadas de localização geográfica correspondem ao ponto central do edifício dos refeitórios. Inventariante: Maria de Fátima Afonso. Data de inventariação: Dezembro de 2003. Data de actualização: Dezembro de 2008.


museu da rede portuguesa de museus NÚCLEOS E SERVIÇOS

Núcleo da Mundet Largo 1.º de Maio, 1 2840-485 Seixal SERVIÇOS CENTRAIS – Edifício dos Escritórios Telefone: 210976112 – Fax: 210976113 E-mail: ecomuseu@cm-seixal.pt Horário de atendimento geral: De 2.ª a 6.ª feira, das 9h às 12.30h e das 14h às 17.30h

Embarcações Tradicionais do Tejo Cais principal de apoio: Seixal Varino Amoroso e bote-de-fragata Baía do Seixal Realização de passeios no Tejo, entre Abril e Outubro Informações sobre programação de actividades: Serviço Educativo do Ecomuseu Bote-de-fragata Gaivotas em estaleiro

CENTRO DE DOCUMENTAÇÃO E INFORMAÇÃO Horário de consulta de Inverno (Outubro-Maio): 3.as, 4.as e 5.as feiras, 10.00h às 17.00h Horário de consulta de Verão (Junho-Setembro): 3.as, 4.as e 5.as feiras, das 9h às 12.30h e das 14h às 17h E-mail: ecomuseu.cdi@cm-seixal.pt

NÚCLEO DA QUINTA DA TRINDADE Azinheira, Seixal Imóvel Classificado de Interesse Público Acesso condicionado

SERVIÇO EDUCATIVO Horários de atendimento telefónico: 2.as feiras, das 9h às 12.30h e das 14h às 17h E-mail: ecomuseu.se@cm-seixal.pt ¬ EXPOSIÇÕES – Edifícios das Caldeiras Babcock & Wilcox e das Caldeiras de Cozer Horários de Inverno (Outubro - Maio): De 3.ª a 6.ª feira, das 9h às 12h e das 14h às 17h Sábados e domingos, das 14h às 17h Horário de Verão (Junho - Setembro): De 3.ª a 6.ª feira, das 9h às 12h e das 14h às 17h Sábados e domingos, das 14.30h às 18.30h Encerramento: 2.as feiras e feriados nacionais

NÚCLEO NAVAL Av. da República - Arrentela

Núcleo dA Olaria Romana da Quinta do Rouxinol Quinta do Rouxinol, Corroios Sítio Classificado Monumento Nacional Fornos de Cerâmica Romanos (sécs. II-IV) Acesso condicionado

Núcleo do Moinho de Maré de Corroios Devido a obras de conservação e de requalificação do imóvel e da envolvente, este núcleo encontra-se encerrado ao público

Extensão do Ecomuseu na ANTIGA Fábrica de Pólvora de Vale de Milhaços Vale de Milhaços, Corroios

¬ EXPOSIÇÕES ¬ Oficina de construção de modelos de barcos do Tejo Horário de Inverno (Outubro - Maio): De 3.ª a 6.ª feira, das 9h às 12h e das 14 às 17h Sábados e domingos, das 14h às 17h Horário de Verão (Junho - Setembro): De 3.ª a 6.ª feira, das 9h às 12h e das 14 às 17h Sábados e domingos, das 14h às 18.30h Encerramento: 2.as feiras e feriados nacionais

Sítio Classificado Imóvel de Interesse Público Acesso condicionado Informação sobre visitas, além da programação divulgada: Serviço Educativo

Extensão do Ecomuseu na Quinta de S. Pedro Quinta de S. Pedro, Corroios Campo arqueológico necrópole medieval-moderna (séculos XIII-XVII) Acesso condicionado

Ficha Técnica _ Ecomuseu Informação n.º 50 _ www.cm-seixal.pt/ecomuseu Edição Câmara Municipal do Seixal/Ecomuseu Municipal do Seixal

Distribuição gratuita Assinaturas a pedido junto do EMS

Direcção E EDITORIAL

Créditos fotográficos

Graça Filipe

Indicados nas legendas respectivas

Participaram nesta edição

Grafismo e Revisão

Exposições: Graça Filipe e Jorge Raposo Itinerância «Moinhos de Maré do Ocidente Europeu»: Cláudia Silveira Programa de Iniciativas de Serviço Educativo: Carla Costa, Graça Filipe, Fátima Afonso, Carlos Carrasco e Adelina Domingues Centro de Documentação e Informação: Fernanda Ferreira Em Foco: Graça Filipe Conhecer: Fátima Afonso Carta do Património do Concelho do Seixal: Fátima Veríssimo e Fátima Afonso Agenda: Carla Costa Apoio nos recursos fotográficos e ilustrações

Fernanda Machado/CDI

Sector de Apoio Gráfico e de Edições da CMS Impressão

Corlito, Centro Técnico de Artes Gráficas, Lda. Tiragem

6000 exemplares ISSN

0873-6197 DEPÓSITO LEGAL

106175/96


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Ecomuseu Informação N.º 50 – Janeiro | Fevereiro | Março 2009 by Município do Seixal - Issuu