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Ecomuseu Informação N.º 48 – Julho | Agosto | Setembro 2008

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2008

˙n.º 48˙JULHO.AGOSTO.SETEMBRO Boletim trimestral do Ecomuseu Municipal do Seixal

ecomuseu informação Património industrial corticeiro no Seixal Visite o Núcleo da Mundet do Ecomuseu Municipal

Oficina de Rebaixar da Mundet (Seixal) © EMS/CDI, fundo documental Mundet

26.ª época de passeios de barco do Ecomuseu

XIV Fórum da Associação de Museus Marítimos do Mediterrâneo

INVENTÁRIOS E DIVULGAÇÃO DE PATRIMÓNIO MARÍTIMO E FLUVIAL – O PAPEL DOS MUSEUS E A PARTICIPAÇÃO DAS COMUNIDADES Bote-de-fragata Baía do Seixal a navegar no estuário do Tejo © EMS/CDI, Carla Costa, 2004

Consulte o Programa de Iniciativas de Serviço Educativo

Seixal, 24 e 25 de Outubro de 2008 Consulte o programa em Notícias dO SITE do Ecomuseu


˙ECOMUSEU INFORMAÇÃO˙n.º 48˙JUL.AGO.SET

2008

ÍNDICE 2

9˙10

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EDITORIAL

CENTRO DE DOCUMENTAÇÃO E INFORMAÇÃO

EM FOCO

Encontros, diálogos e aprendizagens no Ecomuseu

. Fernanda Ferreira

. Graça Filipe 11˙12˙13 3˙4

exposições 5˙6˙7˙8

Programa de Iniciativas dE Serviço Educativo

Conhecer A Oficina de Rebaixar, Lixar e Especialidades da Mundet (Seixal)

Associações náuticas e museus como agentes de desenvolvimento, através das culturas e dos patrimónios flúvio-marítimos - recomendações da sessão Pública de 17 de Maio de 2008 19

agenda

. Fátima Sabino 20 14˙15˙16˙17

CARTA DO PATRIMÓNIO DO CONCELHO DO SEIXAL

Núcleos e serviços do EMS

Arquitectura religiosa . João Paulo Santos

EDITORIAL Encontros, diálogos e aprendizagens no Ecomuseu Neste trimestre, direccionamos as iniciativas de Serviço Educativo, quer para grupos organizados para o turismo cultural ou participantes de programas de ocupação de tempos livres, quer para famílias, abarcando assim uma grande diversidade de públicos interessados no património concelhio, tanto na vertente industrial e urbana, como na vertente marítima. As possibilidades oferecidas passam pelos núcleos museológicos da Mundet e Naval, pela navegação no Tejo numa embarcação tradicional, pelo circuito da pólvora em Vale de Milhaços ou pelos Núcleos Urbanos Antigos de Arrentela e do Seixal. A programação das iniciativas, dinamizadas principalmente pelo Serviço Educativo e pelo Serviço de Património Marítimo do Ecomuseu, centra-se na interpretação do património marítimo do estuário do Tejo e do património industrial (séculos XIX-XX), através dos quais se conhece a história local, se apreendem, numa perspectiva holística, aspectos marcantes da paisagem e do ambiente e se valorizam os recursos naturais da região. Sublinhamos não só a gratuitidade das iniciativas, como a disponibilidade de adequação parcial de datas e de horários ao interesse dos públicos, à excepção das que dependem das condicionantes naturais de navegação à vela em bote-de-fragata no estuário do Tejo. Em período de férias lectivas, são assim privilegiados os públicos em lazer, querendo aproveitar as aprendizagens informais que o Ecomuseu lhes pode proporcionar. Mas também pretendemos acolher os nossos Amigos e Doadores e os utilizadores que queiram aprofundar memórias e laços já criados com espaços e acervos patrimoniais, materiais e imateriais, enquanto referência identitária individual ou colectiva. Para além da informação disponibilizada nas páginas seguintes, sobre Exposições, Programa de Iniciativas de Serviço Educativo, Agenda e Núcleos e Serviços, recomendamos aos nossos leitores – e particularmente aos que lêem este boletim na

edição impressa – que acedam ao nosso site (recentemente actualizado), onde se divulgam muitos recursos complementares sobre as temáticas e patrimónios anteriormente referidos. No âmbito da sua missão, outro aspecto a sublinhar nas actividades do trimestre é a cooperação institucional e o desenvolvimento de acções em parceria, através das quais o Ecomuseu cumpre um papel importante de interacção com diferentes comunidades. Inserindo-se em linhas de trabalho, valorizando a cooperação, destacam-se e são noticiados neste boletim: os resultados do 2.º Encontro de Embarcações Tradicionais na Baía do Seixal, nomeadamente as recomendações saídas da sessão pública de 17 de Maio; a itinerância europeia da exposição Moinhos de Maré do Ocidente Europeu e a próxima realização, a 24 e 25 de Outubro de 2008, no Seixal, do XIV Fórum dos Museus Marítimos do Mediterrâneo, cujo programa se anunciará no site do Ecomuseu Municipal. Prossegue também o projecto de cooperação na área da arqueologia e comunicação expositiva sobre a Olaria Romana da Quinta do Rouxinol (com o Museu Nacional de Arqueologia, que acolherá a referida exposição, em 2009, no âmbito e com o apoio do programa Pro-museus do Instituto dos Museus e da Conservação/Rede Portuguesa de Museus), assim como a integração do Ecomuseu na participação municipal na RETECORK, rede europeia actualmente sedeada em Palafrugell (Catalunha) e que dinamiza a cooperação de territórios corticeiros de Portugal, Espanha, França e Itália. Simultaneamente, a equipa do Ecomuseu Municipal planifica e prepara nas suas múltiplas vertentes a programação no que concerne a comunicação expositiva em vários núcleos e a educação patrimonial para o novo ciclo de iniciativas 2008-2009, em que continuará a evidenciar-se uma atenção específica aos projectos em parceria e à oferta de Serviço Educativo para os públicos em contexto escolar. [Graça Filipe]


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CDI

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Centro de Documentação e Informação

de casos e relato de experiências, algumas apresentadas no Curso de Verão, reportados a diferentes contextos, a cidade, o centro de interpretação e o seu território e o museu.

¬ Culture & musées. Dir. Hana Gottesdiener, Jean Davallon . N.º1(2003) - .Arles : Actes Sud, 2003 Revista científica, de origem francesa, dedicada à museologia e, em particular à apresentação de estudos e experiências relacionados com os públicos dos Divulgação de recursos do CDI através de iniciativa

museus e das instituições culturais em geral. Esta

de Serviço Educativo © EMS/CDI, Ana Machado, 2008

revista é continuação da revista Publics & musées.

Neste trimestre, coincidindo uma vertente de

seu, possibilitando aos diferentes públicos diver-

¬ FALK, John H. ; DIERKING, Lynn - Learning from museums : visitor experiences and the making of meaning. Walnut Creek [Estados Unidos] : Altamira, cop. 2000. 272 pp. . (American Association For State and Local History). ISBN 0-7425-0294-5.

sos níveis e oportunidades de aprendizagem. Os

A obra aborda diversas questões relacionadas com a

programas e políticas educativas devem permitir

aprendizagem e educação informal, através de uma

a rentabilização dos acervos museológicos e de

perspectiva evolutiva, aplicadas depois ao contex-

todas as actividades com eles relacionadas – in-

to museal. Com a contribuição de especialistas de

vestigação, conservação, documentação e difu-

diversas áreas disciplinares, neurociência, biologia,

são, particularmente através de exposições, edi-

psicologia, antropologia, etologia, educação, comu-

ções ou outras iniciativas de carácter educativo.

nicação, empresarial e museologia, os autores apre-

Aos nossos utilizadores disponibilizamos para

sentam uma contextualização das experiências de

leitura e consulta publicações de carácter espe-

aprendizagem nos museus como parte de um pro-

cializado reportadas aos Museus e Educação, de

jecto contínuo de aprendizagem de cada indivíduo.

que destacamos algumas nas próximas páginas,

No final, são referidas algumas recomendações e

bem como materiais de acção educativa editados

propostas para o sucesso dos museus na entrada

por museus portugueses e estrangeiros, com um

daquela que os autores denominam Learning So-

especial destaque para aqueles editados pelo

ciety.

programação do EMS com a preparação do novo ano escolar 2008-2009, dedicamos a rubrica do CDI à temática da Educação e Museus. A educação é uma das funções essenciais do mu-

Ecomuseu Municipal do Seixal.

Edições em destaque ¬ CALAF MASACHS, Roser, coord. ; FONTAL MERILLAS, Olaia, coord. - Comunicación educativa del patrimonio : referentes, modelos y ejemplos . Gijón : TREA, cop. 2004. 263 pp. . (Biblioteconomía y administración cultural ; 102 ). ISBN 84-9704-129-1. Recupera contribuições de diversos autores do Cur-

¬ FONTAL MERILLAS, Olaia - La educación patrimonial : teoría y práctica para el aula, el museo e internet . Gijón : TREA, cop. 2003. 303 pp. . ISBN 84-9704-099-6. Trabalho que surge da reelaboração de uma tese de doutoramento, que combina teoria e prática, conciliando dois campos de investigação: educação e património. Os primeiros capítulos têm uma função contextualizadora dos conceitos de património e cultura com uma interpretação pessoal da auto-

so de Verão Formación y diseño de programas para

ra. Posteriormente, é feita uma revisão da literatura

la comunicación educativa del patrimonio cultural y

existente na área temática abordada possibilitando a

natural, organizado em 2003, pela Universidade de

construção de um modelo que serve de marco teóri-

Oviedo. A primeira parte do livro é constituída por

co para a proposta prática e experimental de traba-

textos de referência, a segunda parte articula-se a

lhar educativamente o património na sala de aula, no

partir de 3 trabalhos que permitem interpretações

museu e na Internet.

diversas sobre o conceito de modelo de educação patrimonial. A terceira parte é dedicada ao estudo


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¬ MACDONALD, Sharon, ed. - A companion to museum studies. Malden : Blackwell Publishing, 2006. 570 pp. . (Blackwell companions in cultural studies ; 12 ). ISBN 978-1-4051-0839-3. A partir de textos de especialistas das áreas disciplinares de antropologia, história, história de arte, literatura, sociologia, cultura e museologia, a obra apresenta a complexidade do museu através de diferentes perspectivas, cultural, política, histórica, entre outras. Organizada em seis partes Perspectives, disciplines, concepts, Histories, heritage, identities, Architecture, space, media, Visitors, learning, interacting, Globalization, profession, practice e Culture wars, transformation, futures, os textos abordam desde os temas mais tradicionais aos novos desafios e preocupações, tais

¬ FRANÇA. Museu do Louvre - Le regard instruit: action éducative et action culturelle dans les musées : actes du colloque organisé au musée du Louvre par le service culturel le 16 avril 1999 . Paris

como a comunidade, o marketing ou novos conceitos

: La Documentation française ; Musée du Louvre, 2000. 204 pp. (Conférences et colloques / Louvre). ISBN 2-11-004516-7.

de aprendizagem dos públicos nos museus e a forma

expositivos. A temática do público e da sua relação com o museu é abordada em toda a obra, destacando-se a quarta parte dedicada à educação e às experiências como as mesmas podem ser avaliadas.

As comunicações apresentadas nestas actas abordam diferentes pontos de vista. Ricas em informação histórica, relatam experiências, invocam diferentes doutrinas e tradições nacionais, com um carácter prospectivo de orientações e comparações entre as mesmas, na procura de uma resposta às questões da relação dos museus com os seus públicos. As contribuições dos especialistas participantes neste colóquio reflectem sobre a acção educativa dos museus, os diferentes públicos e as novas estratégias de comunicação, entre as quais a televisão e a Internet. Todas as comunicações são complementadas com os debates entre os intervenientes.

¬ HEIN, George E. ; ALEXANDER, Mary - Museums : places of learning . Washington : American Association of Museums, cop. 1998. 56 pp. . (Professional Practice Series). ISBN 0-931201-56-X.

¬ PARIS, Scott G., ed. - Perspectives on object-centered learning in museums. Mahwah ; Londres : Lawrence Erlbaum Associates, cop. 2002. 383 pp. . ISBN 0-8058-3927-5. Com contribuições de diversos especialistas, organizadas em 3 secções Studying Learning with Objects

Com base em três diferentes categorias de literatura:

in Contexts, Discipline-Based Explorations of Objects

teoria da educação, educação em museus e estudos

e Conversations about Objects, esta edição aborda a

de públicos, os autores contextualizam a aprendi-

questão da aprendizagem centrada nos objectos, de

zagem em museus, quer aquela direccionada para

como as pessoas, independentemente da sua idade,

adultos, quer aquela direccionada para crianças,

interagem com os objectos, de como estes comuni-

estruturada ou não. Através de estudos de públicos

cam com as pessoas e que leitura as pessoas fazem

realizados nos EUA, durante o século XX, os autores

deles. É a interacção entre o objecto e a pessoa que

evidenciam alguns aspectos sobre a aprendizagem

permite a construção do conhecimento, baseada no

em museus enquadrados pelas teorias educacionais,

contacto visual e físico com os objectos. Os locais in-

com ênfase nas actuais teorias sobre ensino e apren-

formais de aprendizagem é outro aspecto privilegado

dizagem. Por último, os autores apresentam algumas

nesta publicação, entre os quais se destacam os mu-

sugestões de como a educação em museus se pode

seus e a forma como estes podem projectar o público

evidenciar como uma oportunidade única de apren-

para diferentes experiências de aprendizagem, em

dizagem.

contextos que podem ser reais ou imaginários.

[Fernanda Ferreira]


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Aspecto interior da Oficina de Rebaixar da Mundet (Seixal) © EMS/CDI, Fundo documental Mundet.

CONHECER

Integrada no sítio industrial da Mundet (Seixal), a Oficina de Rebaixar é um importante conjunto do património industrial que se pretende preservar e valorizar, no âmbito do Ecomuseu Municipal do Seixal. Entre vários aspectos a destacar, inclui-se o modelo de funcionamento em três níveis, também utilizado noutras oficinas ou secções, como da broca, da escolha de rolhas, da marcação e de fabrico e escolha de discos, rentabilizando nalgumas operações a energia proporcionada pela força da gravidade. A instalação da Oficina de Rebaixar, associada à de outras secções da mesma época – tais como as novas caldeiras de cozer, as oficinas de serralharia, carpintaria e funilaria e uma central eléctrica – revela um esforço de renovação e expansão empreendido pela firma em relação à unidade industrial do Seixal, no início da década de1940.

Oficina de Rebaixar, Lixar e Especialidades da Mundet (Seixal) O edifício foi construído num espaço em que precedentemente se instalaram caldeiras de cozer cortiça. O espaço da anterior secção de rebaixar deu lugar, por sua vez, a novas oficinas da fábrica, sendo ocupado, à data do seu encerramento, pelas chamadas Novas Linhas de Corkskin. A construção do edifício, em 1943/1944, coube ao construtor civil José Rodrigues Correia, o qual foi também o responsável pelo seu projecto inicial. Este terá sido alterado após a intervenção de Telmo Trill, técnico mecânico da empresa, de modo a que fosse adaptado ao rebaixamento de rolhas, enquanto fase intermédia da sua produção, destinada a conferir-lhes um formato tronco-cónico. Na oficina foram instaladas sessenta e três máquinas de rebaixar. Nas décadas de 1960 e de 1970, a administração da Mundet & C.ª Lda. levou a cabo uma reestruturação e a secção de rebaixar passou a incorporar máquinas de lixar rolhas para vinho

Aspecto exterior da Oficina de Rebaixar da Mundet (Seixal) © EMS/CDI, Rosa Reis, 2000


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CONHECER corrente e rolhas para champanhe e máquinas para fabricar as denominadas especialidades: bolinhas para apitos e matraquilhos, peças para volantes de badmington, bóias, punhos para canas de pesca, discos para cápsulas e rolhas de chapéu. Das transferências efectuadas, resultou um acréscimo global de máquinas instaladas, concomitante com a alienação de vinte e sete máquinas de rebaixar. A Oficina ganhou então a designação de Oficina de Rebaixar, Lixar e Especialidades, expressando a diversificação das operações produtivas e dos produtos corticeiros que aí se obtinham. A totalidade da maquinaria que veio a constituir a oficina acomodou-se no edifício original, de três níveis. No terceiro deles, designado por galeria, foram construídas sessenta e três tulhas ou tegões, em que se depositavam as ro-

a data de construção) e de pó (introduzidas na década de 1960), canalizando esses produtos para edifícios vizinhos da oficina de rebaixar. Por sua vez, as máquinas de lixar rolhas para champanhe, as de moldar punhos de pesca e as máquinas de bolear exigiam um abastecimento manual, feito, no primeiro e segundo casos, a partir das sacas pousadas no chão e, no último caso, através de açafates que as mulheres seguravam no colo. Quando as máquinas de bolear produziam bolinhas para apitos, de dimensões reduzidíssimas, recorria-se a uma canalização de aspiração do pó de diâmetro muito pequeno, que, além de aspirar o pó, também fixava a semiesfera entre as gazuas, facilitando a acção do molde de esmeril na transformação daquela. Umas e outras máquinas dispensavam a utilização das tulhas, que ficaram desactivadas,

lhas que alimentavam as máquinas de rebaixar e de lixar do piso inferior (2.º nível). No 2.º nível (em que se procedia ao rebaixar propriamente dito), poliam-se as rolhas, modificava-se o seu formato e produzia-se outros artigos. Naquele nível foram montadas noventa máquinas, em filas, mais ou menos paralelas entre si. As máquinas de rebaixar (36) e as de bolear (12), organizadas em quatro fiadas a todo o comprimento da oficina, beneficiavam da energia produzida por um motor central, transmitida pelos veios de transmissão instalados num fosso sob o pavimento. Duas das máquinas de rebaixar também executavam a operação de chanfrar. As máquinas de lixar (31), as de rolha de champanhe de origem italiana da marca Supermiate (3) e as de produzir punhos de pesca (7), assim como uma máquina de chanfrar à lixa, dispostas ao longo das paredes, eram alimentadas individualmente por motores eléctricos. As máquinas de rebaixar e de lixar eram abastecidas de rolhas através das tulhas dispostas superiormente, no 3.º nível do edifício: as rolhas caíam pela força da gravidade para os alimentadores, entrando depois em tubos que as faziam chegar até às facas de rebaixar ou aos pratos da lixa. Quando esta alimentação não era automática, mas manual, a máquina tinha associado a si um açafate onde se acumulavam as rolhas antes de a operária as colocar no acesso à faca ou ao prato de lixagem, seguindo-se o rebaixamento da rolha ou a sua lixagem. Ambas as operações geravam resíduos: aparas no primeiro caso e pó no segundo. Para superar os inconvenientes que provocavam (à higiene do espaço e à saúde dos trabalhadores), assim como para possibilitar o seu aproveitamento industrial, tais resíduos eram recolhidos. Para tal, existiam, ao longo da oficina, condutas independentes para o transporte de aparas (desde

embora nunca tivessem sido retiradas. Alguns produtos da Mundet (Seixal) ligados à Oficina de Rebaixar © EMS/CDI, Fundo documental Mundet

O escoamento de todos os produtos transformados na oficina – rolhas rebaixadas ou lixadas, rolhas de champanhe ou as já mencionadas especialidades – para o nível inferior (o rés-do-chão, 1.º nível) fazia-se mediante tubos de queda, aproveitando a força da gravidade. Aqueles tubos atravessavam o pavimento e prolongavam-se até cerca de 1,70m do pavimento. Eram rodeados por ganchos, onde se suspendiam as sacas que recolhiam os produtos. Como os tubos de queda ocupavam o centro do piso ou se dispunham à volta das paredes, ficava livre um espaço suficientemente amplo e adequado à circulação de carrinhos de mão, indispensáveis ao transporte das sacas com os produtos. Assim se deslocavam as sacas de rolhas até à balança, onde os pesadores efectuavam e registavam a pesagem, antes da sua expedição para outra secção da fábrica, quase sempre a da lavagem.


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Oficina de Rebaixar, Lixar e Especialidades da Mundet (Seixal)

No 1.º piso também se encontra o motor eléctrico central, outrora destinado ao accionamento dos veios de transmissão de energia mecânica às máquinas de rebaixar e de bolear. A articulação entre os trabalhos dos três pisos e a grande diversidade de máquinas requeria um método de organização que apoiasse a gestão da oficina para o que contribuíam a numeração de todos os equipamentos e a etiquetagem das sacas à chegada e à saída da oficina, assim como as “notas de encomenda” afixadas no painel de distribuição das máquinas da secção, no gabinete do encarregado, situado no 2.º piso. Uma escada em betão liga o rés-do-chão e o 2.º piso e uma outra, tipo quebra-costas, faz a ligação deste à galeria ou sótão (3.º nível). O elevado número de máquinas da Oficina de Rebaixar, Lixar e Especialidades, a par da variedade de produtos, originava uma diversidade de tarefas e de postos de trabalho afectos a funções específicas: faxinas, que no sótão e no rés-do-chão movimentavam as sacas de rolhas; pesadores, trabalhadoras que abasteciam as máquinas de alimentação manual ou que vigiavam as máquinas de alimentação automática; afinadores, apontadora e encarregado de secção, que superintendia todos os trabalhos. Os afinadores eram elementos determinantes para o funcionamento da oficina e, por isso, nos tempos de laboração plena da fábrica, atingiram um número elevado. Na secção de rebaixar e lixa: «Chegámos a ter aqui, pelo menos, diariamente, dez afinadores. Depois foram diminuindo (…)... Às vezes, queria eu afinadores para afinar as máquinas e não os tinha.» – Arsénio Silva, 1998 (79 anos, antigo afinador da Mundet). Aos afinadores cabia efectuar a manutenção e afinação das máquinas de acordo com a diversidade de produtos, por exemplo «alterar a afinação conforme o diâmetro e o comprimento [das rolhas]». Entre outros, faziam-se «bolas de dez milímetros para apitos (...), rolha chanfrada nos dois topos» para engarrafamento automático, rolhas pequeninas de «dois milímetros e meio de ponta e três milímetros de cabeça» para frascos de medicamentos. Por isso, «as máquinas [de rebaixar, espanholas], em si, eram muito grandes. Davam um trabalhão maluco para as afinar para estes tamanhos tão pequenos.» – Arsénio Silva, 1998. O mesmo afinador, cujas memórias registámos em 1998, cerca de dez anos após o encerramento e desactivação da fábrica, recordou como uma inovação importante a forma como havia resolvido um desafio em dada ocasião colocado aos afinadores, consistindo na modificação de uma máquina de rebaixar» a fim de

que executasse em simultâneo três operações: o rebaixamento da rolha e a execução do chanfre nas duas cabeças: «Perdi horas que nem calculam, a ponto de eu dizer ao encarregado: “Vou largar isto. Não consigo. Já não me interessa”. Andava à procura de coisas que não conhecia e por isso era difícil. Mas, enfim, a máquina ficou pronta e fizeramse milhares e milhares de rolhas dessa maneira». O aperfeiçoamento mencionado terá tido o reconhecimento do encarregado da secção que «mandou chamar cá os patrões e o gerente para verem a máquina a trabalhar e a perfeição dos chanfres, que eram exactamente iguais um ao outro». – Arsénio Silva, 1998. Alguns produtos da Mundet (Seixal) ligados à Oficina de Rebaixar © EMS/CDI, Fundo documental Mundet

A par da afinação, as máquinas de rebaixar exigiam uma constante manutenção das facas que as integravam: «A faca da máquina estava em afiação constante. Tinha aquelas pedras de esmeril, uma em baixo e outra em cima (…). Estavam sempre em contacto com a lâmina». – José Meias, 2007 (49 anos, antigo afinador da Mundet). As competências dos afinadores, que nos foram recordadas pelos antigos trabalhadores entrevistados no âmbito do inventário e descrição desta oficina, exigiam não só uma grande perícia, como também persistência e paciência: «Havia rolha mais pequena que um dedo mendinho.[…) Chegava-se a estar um dia a afinar uma máquina dessas e tudo a correr bem. Quando era isso, era uma trabalheira, uma paciência de todo o tamanho». – Paulo Renato, 2005 (45 anos, antigo afinador da Mundet). [Fátima Sabino]


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Interior da Igreja Paroquial de Arrentela © EMS/CDI, Rosa Reis, 2004

CARTA DO PATRIMÓNIO

Locais de Fé, mas também demonstrativos da riqueza e generosidade dos seus mecenas, os edifícios religiosos são, principalmente, reflexo das tendências artísticas das épocas que atravessaram. A edificação de uma igreja demorava, regra geral, várias décadas, por motivos que variavam da complexidade da construção à escassez de verbas, sem esquecer as vicissitudes políticas e sociais. Assim, não é de estranhar que a obra final acabasse por divergir significativamente do projecto inicial, particularmente no que concerne à componente artística. Ao interesse do repositório artístico acresce a componente arqueológica, uma vez que apenas em 1835 passou a ser interdita a inumação de cadáveres no interior dos templos, tradição que, contudo, perdurou à revelia das autoridades estatais até bastante mais tarde.

Arquitectura religiosa Igreja Paroquial de Nossa Senhora de Monte Sião, Amora (vista aérea) © EMS/CDI, António Silva, 2005

A morfologia dos edifícios religiosos existentes no concelho denota uma origem posterior à Contra-Reforma ou Reforma Católica (que atingiu o seu auge no Concílio de Trento, decorrido entre 1545 e 1563), período em que a reacção da Igreja Católica Apostólica Romana, nomeadamente através da Companhia de Jesus (vulgo Ordem dos Jesuítas), ao Movimento Reformista

(que irrompe a partir de 1517) de Martinho Lutero e João Calvino, privilegiou a prédica durante a celebração da missa. Para tal, era necessário que a organização do edifício favorecesse a propagação do som, tendo a opção recaído sobre o modelo de nave única, a igreja-salão. O grande Terramoto de 1 de Novembro de 1755, que assolou a região de Lisboa, provocou grandes estragos nos templos do concelho do Seixal, obrigando a subsequentes obras de reconstrução. As Memórias Paroquiais de 1756, elaboradas no âmbito do inquérito ordenado pelo primeiro-ministro do Reino, Sebastião José de Carvalho e Melo, Marquês de Pombal, sobre os estragos causados pelo sismo, constituem uma importante memória desse período dramático. É importante salientar que a reconstrução não seguiu exactamente a traça ostentada pelos edifícios antes do terramoto. Por um lado, a legislação sobre edificações publicada após o sismo continha recomendações técnicas que visavam minimizar a destruição e


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Arquitectura religiosa

a ocorrência de vítimas em situações similares. Um bom exemplo é a torre da Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Conceição do Seixal, que está encostada ao corpo do templo, em lugar de emergir do mesmo. Esta imposição técnica permite reduzir o risco de derrocada da torre sobre a nave, em caso de abalo sísmico. Mas as tendências artísticas haviam também conhecido alterações. Não é pois de admirar que os elementos decorativos aplicados durante a reconstrução reflectissem o gosto do período barroco. Atento o diferencial de meios financeiros, também não causa estranheza que a traça e decoração das igrejas do concelho do Seixal se enquadre no que José Fernandes Pereira (Arquitectura Barroca em Portugal) designa como Barroco Provincial, ou seja, apresentando traços característicos daquele período artístico, mas distante da exuberância de Lisboa ou (do Convento) de Mafra, por exemplo. Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Anunciação, na Aldeia de Paio Pires. © EMS/CDI, Fernando Falcão

De entre as igrejas e capela anteriormente citadas, a que terá origens mais remotas será a Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Consolação de Arrentela. A presença de azulejaria hispano-árabe sugere origens manuelinas (século XVI), embora a traça e decoração gerais já denotem clara influência barroca (século XVIII). Pelas já citadas Memórias Paroquiais de 1756, sabemos que a Igreja, como aliás toda a povoação, sofreu graves danos com o Terramoto do ano anterior. A inscrição existente no tímpano do portal Sul refere mesmo que o edifício caiu. No entanto, o facto de a torre sineira não ter sido (re)edificada em conformidade com as imposições técnicas posteriores, mas antes emergindo do corpo da nave, indicia que as paredes e, consequentemente, a parte inferior da referida torre não tenham ruído. Além da reconstrução do edifício, a integração de novos elementos decorativos viria valorizar de sobremaneira o repositório artístico da Igreja. Os tectos em falsa abóbada de arco rebaixado, em estuque relevado e policromo, constituem elementos raros, de elevado valor artístico e material. Merece especial destaque o tecto da nave, com cenas alusivas a salvamentos milagrosos atribuídos ao orago, Nossa Senhora da Soledade. Os altares foram decorados com talha dourada, particularmente rica no altar-mor, de trono, com colunas salomónicas (ou torsas). Não poderá ser esquecido o coro-alto, construído em finais do século XVIII, nem o magnífico, e recentemente restaurado, órgão de tubos setecentista. Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Consolação, Arrentela (vista aérea) © EMS/CDI, António Silva, 2005

No elenco de imóveis que integram a Carta do Património do Concelho do Seixal (CPS), constam seis edifícios religiosos – Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Consolação de Arrentela (CPS.00015), Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Conceição do Seixal (CPS.00034), Igreja Paroquial de Nossa Senhora do Monte Sião de Amora (CPS.00048), Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Anunciação de Aldeia de Paio Pires (CPS.00104), Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Graça de Corroios (CPS.00103) e Capela de Nossa Senhora da Piedade, sita na Quinta da Medideira, Amora (CPS.00033). Constam ainda os subsolos da Ermida de Santa Marta de Corroios (CPS.00052) e da Capela de Nossa Senhora da Boa Hora, em Arrentela (CPS.00076), como sítios de potencial arqueológico.

A face interior das paredes da nave exibe notáveis painéis azulejares, também datáveis do século XVIII, representando episódios da vida da Virgem Maria.


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CARTA DO PATRIMÓNIO Arquitectura religiosa

Pormenor do órgão setecentista da Igreja Paroquial de Arrentela © EMS/CDI, Rosa Reis, 2004

O acervo móvel é deveras assinalável, com destaque para a imaginária. Avultam a antiga imagem do orago, Nossa Senhora da Consolação (que não está habitualmente exposta na nave, por motivos de conservação, tendo sido substituída por uma outra, executada no final da década de 90 do século XX), uma veneran-

INVENTÁRIO DE PATRIMÓNIO CULTURAL IMÓVEL REFERÊNCIA DE SÍTIO: CPS.00015 DESIGNAÇÃO: Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Consolação da Arrentela Localização administrativa: Arrentela Toponímia: Praça Miguel Bombarda Localização geográfica: Folha CMP N.º 442 Carta DGSU/CMS N.º 442-4 / 1-3 SIG – Ortofotomapa 442413. Coordenadas: X = -84508,842 ; Y = -115267,353. Categoria de sítio: Arquitectura Civil Tipo de sítio: Igreja Cronologia: Idade Média (?) (referências a uma Ermida de Santa Maria, neste local, no séc. XV); Idade Moderna (a capela-mor, que poderá remontar ao Período Manuelino – séc. XVI); Idade Contemporânea / Séc. XVIII (reconstrução em 1757, segundo a inscrição existente no tímpano do portal, na sequência do Terramoto de 1755; acrescentos em 1792); no séc. XX foram construídas algumas dependências. Medidas de protecção: Classificado como Imóvel de Interesse Público, através do Decreto nº. 129/77, de 29 de Setembro. Em 1995, a Câmara Municipal do Seixal (11 de Janeiro) e a Assembleia Municipal (23 de Fevereiro) reconheceram a importância concelhia a este

da imagem de S. Pedro, duas belas imagens de Sant’Ana (ou Santa Ana) e, sobrepondo-se a todas na devoção dos Arrentelenses, Nossa Senhora da Soledade, a quem foi atribuído o milagre de acalmia das águas do rio que, pelo efeito do tsunami subsequente ao Terramoto de 1 de Novembro de 1755, ameaçavam destruir a povoação. A gratidão e fé da população de Arrentela anualmente perpetuadas na procissão que percorre as ruas da povoação, no dia 1 de Novembro. Refira-se, no entanto, que a actual imagem foi executada em 1951, para substituir a que se pensa ser a original, muito provavelmente setecentista, vitimada por um incêndio em 1949. O busto da antiga imagem, que exibe os danos causados pelas chamas, faz parte do espólio do templo e foi exposto ao público, pela primeira vez desde o incêndio, numa exposição local alusiva ao 250.º aniversário do Terramoto de 1755. Existe ainda no templo um interessantíssimo espólio documental e de objectos pertencentes às Irmandades, sendo alguns destes usados na citada procissão. No exterior, destaca-se a figura alto-relevada que encima o portal Poente. Não estando perfeitamente identificada, esta imagem de um homem idoso, calvo e barbudo, poderá representar S. Pedro ou S. José. [João Paulo Santos]

imóvel, tendo sido proposta a reclassificação como Monumento Nacional. Estado de conservação: Bom, apesar ser de necessária uma intervenção para consolidação da torre sineira e reabilitação das fachadas, a breve prazo. Descrição sumária: igreja-salão, de planta longitudinal e nave única, composta pelos rectângulos justapostos da nave e da capela-mor, sendo este último volume de menores dimensões. Adossados a estes dois volumes, encontram-se salas de arrumos, sacristia (uma parte antiga, outra bastante recente) e uma casa mortuária. Integradas no corpo da nave, existem duas torres sineiras, sendo que a do lado Nascente se apresenta sem a parte terminal. Os volumes são escalonados, com coberturas diferenciadas, em telhado de duas águas na nave e capela-mor e de uma água nos corpos adossados. A torre sineira completa, sita do lado Poente, exibe uma cúpula bolbosa. A fachada principal, orientada a Sul, é rematada por um frontão triangular e marcada por cunhais em cantaria; de cada um dos topos (Nascente e Poente) sobressai uma torre sineira; o portal, centralizado, e dois janelões rectangulares, encimados por frontões contracurvados, rasgam a fachada, enquanto o tímpano contêm um óculo polilobado. A fachada Poente é rasgada por um portal e dois janelões rectangulares, com ornatos, provavelmente em esgrafito, de cor ocre. Na fachada Nascente abrem-se dois janelões rectangulares. No interior, a nave única é envolvida por cimalha e coberta por falsa abóbada em madeira e decoração figurativa em estuque policromo; de cada lado da nave existem dois altares, com retábulos em talha; a parte inferior das paredes está revestida com painéis azu-


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CARTA DO PATRIMÓNIO DO CONCELHO DO SEIXAL Arquitectura religiosa

lejares figurativos, em azul e branco, representando cenas da vida da Virgem Maria. Embebidas no pavimento, encontram-se lápides tumulares. Entre a capela-mor e a nave, observa-se um arco triunfal rebaixado, descarregando em pilastras; o arco é encimado por um nicho e ladeado por dois altares com retábulos em talha. O coro-alto, onde se localiza o órgão, é de madeira, recortado, com balaustrada assente sobre estípides apoiadas em pias de água, benta, em cantaria. Sob o coro-alto, encontra-se um guarda-vento em madeira. Nos lados da nave, existem púlpitos em madeira, com base de cantaria. Sob a torre sineira, localiza-se a capela baptismal, sendo de destacar o painel azulejar alusivo ao “Baptismo de Cristo” e um nicho com azulejos hispano-árabes. A capela-mor tem uma cobertura em abóbada de berço rebaixado, sendo a decoração do tecto figurativa, em estuque policromo. O altar-mor exibe um retábulo em talha dourada, com colunas salomónicas. Síntese de intervenções: 1757 – reconstrução do templo, de acordo com inscrição existente no tímpano do portal Sul, na sequência dos estragos provocados pelo terramoto de 1 de Novembro de 1755. Os danos terão sido, essencialmente, ao nível da cobertura e das torres sineiras. 1792 – construção do coro-alto, conforme inscrição existente no mesmo. 1975 – consolidação dos tectos da nave e capela-mor; rebocos; recuperação do pavimento em tijoleira; recuperação da sanca de madeira fasquiada, rebocada e estucada (DGEMN). 1986 – 1.ª fase do restauro do órgão (Paróquia). 2001/2002 – recuperação da cobertura da capela-mor e consolidação do respectivo tecto (DGEMN e CMSeixal). 2003/2004 – recuperação da cobertura da nave (DGEMN e CMSeixal); restauro do órgão (Paróquia, CMSeixal e IPPAR). Tipo de uso: Culto religioso (rito católico apostólico romano) Bibliografia principal: “IGREJA de Arrentela: arte, memória e tradição em Arrentela” (1998). Ecomuseu Informação. Seixal: Câmara Municipal, Ecomuseu Municipal. [9]: 6. “IGREJA de Arrentela: arte, memória e tradição em Arrentela” (1998). Ecomuseu Informação. Seixal: Câmara Municipal, Ecomuseu Municipal. [9]: 6. FERREIRA, Maria José (1989) - Inventário do património do Seixal. [S.l: s.n.]. Acessível no Centro de Documentação e Informação do Ecomuseu Municipal do Seixal. FLORES, Alexandre M. (2004) – “Vila e termo de Almada nas Memórias Paroquiais de 1758”. Anais de Almada: revista cultural. Almada: Câmara Municipal. 5/6. NABAIS, António J. (1981) – História do Concelho do Seixal: I – cronologia. Seixal: Câmara Municipal. “PATRIMÓNIO a proteger” (2002). Ecomuseu Informação. Seixal: Câmara Municipal, Ecomuseu Municipal. 25: 6-10. PATRIMÓNIO metropolitano: inventário geo-referen-

ciado do património da Área Metropolitana de Lisboa (2002). Lisboa: Junta Metropolitana de Lisboa. 1 CD-ROM. “… PELAS FREGUESIAS” (2003). Ecomuseu Informação. Seixal: Câmara Municipal, Ecomuseu Municipal. 28: 9-14. PINHO, David (1986) – “Igreja de Arrentela: notável repositório de arte”. Movimento Cultural. [S.l.: s.n.]. 3. PORTUGAL. Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (2001) – Inventário do Património Arquitectónico [em linha]. Lisboa: Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais. [Consult. 16 Dez. 2003]. Disponível na WWW: URL:http://monumentos. pt/webipa/FichaIPA.asp?NIPA=15100300062. REBELO, Manuel d’Oliveira (1959) – Retalhos da Minha Terra: Monografia do Concelho do Seixal. Seixal: [s.n.]. SANTOS, João Paulo (2004) – “Obras de recuperação da cobertura da Igreja Paroquial de Arrentela”. Ecomuseu Informação. Seixal: Câmara Municipal, Ecomuseu Municipal. 33: 18. SANTOS, João Paulo (2004) – “O Núcleo Urbano Antigo de Arrentela”. Ecomuseu Informação. Seixal: Câmara Municipal, Ecomuseu Municipal. 32: 13-16. SANTOS, João Paulo (2004) – “Festas em honra de Nossa Senhora da Soledade”. Ecomuseu Informação. Seixal: Câmara Municipal, Ecomuseu Municipal. 33: 18. SARMENTO, Joaquim e BERNARDO, Luísa de Sousa (2004) – “Viagem no tecto da Igreja Paroquial de Arrentela”. Anais de Almada: revista cultural. Almada: Câmara Municipal. 5/6 SEIXAL. Câmara Municipal. Ecomuseu (2002) - Listagem do Património Cultural do Seixal. [S.l. : s.n.]. Acessível no Centro de Documentação e Informação do Ecomuseu Municipal do Seixal. SEIXAL. Câmara Municipal. Ecomuseu (2002) – Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Consolação de Arrentela: obras de conservação: primeira fase: recuperação da cobertura da capela-mor. [S.l: s.n.]. Acessível no Centro de Documentação e Informação do Ecomuseu Municipal do Seixal. 1 volume. SEIXAL. Câmara Municipal. Ecomuseu (2004) – Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Consolação de Arrentela: obras de conservação: segunda fase: recuperação da cobertura da nave. [S.l: s.n.]. Acessível no Centro de Documentação e Informação do Ecomuseu Municipal do Seixal. 1 volume. Observações: Existe a seguinte inscrição no tímpano do portal: Em o primeiro de Novembro de 1755 cahio esta igreja de hum teremoto e se levantou no anno de 1757. O imóvel é propriedade particular, da Fábrica da Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Consolação de Arrentela. Inventariante: João Paulo Santos Data de inventariação: Janeiro de 2004 Data de actualização: Abril de 2008

INFOrMAR

Informação de museus sobre temática e culturas marítimas Edição do EMS, disponível no site do Ecomuseu, em Centro de Documentação e Informação – edições on-line. O n.º 1 foi distribuído a 16 de Maio de 2007, concretizando um propósito acordado na sequência da Jornada técnica de museus sobre temática marítima de 28 de Fevereiro de 2008, de aprofundamento da comunicação entre museus e entidades que manifestem o seu interesse em cooperar

e participar numa estrutura reticular de temática marítima. A INFOrMAR abarca os itens «Calendário»; «Encontros Científicos»; «Acontecimentos marítimos» e «Notícias». Se pretender colaborar e enviar contributos para as próximas edições ou recebê-las por correio electrónico, contacte-nos através do endereço: ecomuseu.culturamaritima@cm-seixal.pt


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EM FOCO Associações náuticas e museus como agentes de desenvolvimento, através das culturas e dos patrimónios flúvio-marítimos - recomendações da Sessão Pública de 17 de Maio de 2008

Os participantes da Sessão Pública de 17 de Maio de

das medidas práticas necessárias à instalação e manutenção de acessos suficientes e adequados do rio para terra e de estruturas de acostagem e apoio para as embarcações tradicionais e de recreio. 2. A necessidade de análise, por parte das entidades responsáveis, e de promoção de um debate alargado sobre as condições e requisitos de construção de uma nova ponte sobre o rio Tejo, tendo em vista associar todas as instituições interessadas em assegurar a manutenção da navegabilidade do estuário, incluindo as embarcações tradicionais, como componente cultural integrante da sua paisagem. 3. A pertinência e urgência de um diagnóstico e da elaboração de um conjunto de medidas integradas para a resolução dos problemas e dos factores de assoreamento, erosão e poluição do estuário, passando por programas de monitorização e de preservação dos recursos marinhos. 4. A cooperação entre proprietários de embarcações e instituições de formação profissional, desenvolvendo programas de acção que contemplem a transmissão de saberes, a democratização do ensino e da prática da navegação à vela, a criação e manutenção de empregos e a viabilidade e sustentabilidade económica de empresas que continuem a assegurar a construção e a reparação naval em madeira, abarcando as embarcações tradicionais existentes no estuário do Tejo. 5. A necessidade de promover o conhecimento e a divulgação de boas práticas de utilização sustentada de recursos naturais marinhos e fluviais, nomeadamente com incidência no estuário do Tejo. 6. A consolidação de iniciativas e de projectos de cooperação entre entidades locais, nacionais e internacionais, centrados no património e na cultura flúvio-marítimos, potenciando sempre que possível a sua associação ao desenvolvimento turístico das regiões, com respeito pela valorização das suas marcas identitárias e pela diversidade cultural. 7. A necessidade de reconhecimento público e de enquadramento legal adequado ao património marítimo e fluvial, material e imaterial, entendido na

2008 não só confirmaram as Recomendações de 2007, para a Protecção e Valorização do Património Marítimo do Estuário do Tejo – Museus e Comunidades, como relevaram as questões que se sintetizam nos seguintes pontos: 1. A necessidade de uma efectiva sensibilização das instituições implicadas nos projectos de reabilitação das frentes ribeirinhas para que sejam toma-

sua apropriação dinâmica pelas comunidades e na sua integração em práticas culturais profundamente associadas ao meio. 8. A activação e o estímulo de ligação das comunidades/populações com o rio e o meio flúvio-marítimo, favorecendo práticas de cidadania responsável e a transmissão de uma consciência ecológica e ambiental.

O 2.º Encontro de Embarcações Tradicionais organizado pelo Ecomuseu Municipal do Seixal reuniu na Baía do Seixal embarcações tradicionais do estuário do Tejo – Cascais, Amora, Seixal, Barreiro, Moita, Sarilhos Pequenos, Montijo e Vila Franca de Xira – assim como de Lanhelas (rio Minho), Vila do Conde, Esposende e Aveiro, num total de 31 barcos, e 126 tripulantes. A sua realização contou com 9 embarcações de apoio e 22 tripulantes. Embarcaram e participaram nas várias actividades das embarcações tradicionais – desfile, regata e passeios – 276 pessoas. 2º Encontro de embarcações tradicionais na baía do Seixal © EMS/CDI, António Silva, 2008

Para além das iniciativas no rio, destaca-se a realização da Sessão pública sobre associações náuticas e museus como agentes de desenvolvimento, através das culturas e dos patrimónios flúvio-marítimos no dia 17 de Maio, entre as 16.30h e as 19.30h, no Auditório Municipal do Fórum Cultural do Seixal, com 140 participantes. As intervenções e o debate que tiveram lugar na Sessão Pública evidenciaram a vitalidade e as potencialidades das culturas e dos patrimónios marítimos, nomeadamente no estuário do Tejo, como recursos de desenvolvimento, identificando o papel das associações náuticas, dos museus e das comunidades, assim como a necessidade de um efectivo envolvimento e assunção das responsabilidades que competem aos organismos do Estado e às autoridades marítimas.


museu da rede portuguesa de museus NÚCLEOS E SERVIÇOS

Núcleo da Mundet Largo 1.º de Maio, 1 2840-485 Seixal SERVIÇOS CENTRAIS – Edifício dos Escritórios Telefone: 210976112 – Fax: 210976113 E-mail: ecomuseu@cm-seixal.pt Horário de atendimento geral: De 2.ª a 6.ª feira, das 9h às 12.30h e das 14h às 17.30h

Embarcações Tradicionais do Tejo Cais principal de apoio: Seixal Varino Amoroso e bote-de-fragata Baía do Seixal Realização de passeios no Tejo, entre Abril e Outubro Informações sobre programação de actividades: Serviço Educativo Bote-de-fragata Gaivotas em estaleiro

CENTRO DE DOCUMENTAÇÃO E INFORMAÇÃO Horário de consulta de Verão (Junho-Setembro): 3.as, 4.as e 5.as feiras, 10h às 12.30h e das 14h às 17h Horário de consulta de Inverno (Outubro-Maio): 3.as, 4.as e 5.as feiras, das 10h às 17.00 h E-mail: ecomuseu.cdi@cm-seixal.pt

NÚCLEO DA QUINTA DA TRINDADE Azinheira, Seixal Imóvel Classificado de Interesse Público Acesso condicionado

SERVIÇO EDUCATIVO Horários de atendimento telefónico: 2.as feiras, das 9h às 12.30h e das 14h às 17h E-mail: ecomuseu.se@cm-seixal.pt ¬ EXPOSIÇÕES – Edifícios das Caldeiras Babcock & Wilcox e das Caldeiras de Cozer Horários de Verão (Junho - Setembro): De 3.ª a 6.ª feira, das 9h às 12h e das 14h às 17h Sábados e domingos, das 14.30h às 18.30h Horário de Inverno (Outubro - Maio): De 3.ª a 6.ª feira, das 9h às 12h e das 14h às 17h Sábados e domingos, das 14h às 17h Encerramento: 2.as feiras e feriados nacionais e Fins-de-semana em Agosto

NÚCLEO NAVAL Av. da República - Arrentela

Núcleo dA Olaria Romana da Quinta do Rouxinol Quinta do Rouxinol, Corroios Sítio Classificado Monumento Nacional Fornos de Cerâmica Romanos (sécs. II-IV) Acesso condicionado

Núcleo do Moinho de Maré de Corroios Devido a obras de conservação e de requalificação do imóvel e da envolvente, este núcleo encontra-se encerrado ao público

Extensão do Ecomuseu na Fábrica de Pólvora de Vale de Milhaços Vale de Milhaços, Corroios

¬ EXPOSIÇÕES ¬ Oficina de construção artesanal de modelos de barcos do Tejo Horário de Verão (Junho - Setembro): De 3.ª a 6.ª feira, das 9h às 12h e das 14 às 17h Sábados e domingos, das 14.30h às 18.30h Horário de Inverno (Outubro - Maio): De 3.ª a 6.ª feira, das 9h às 12h e das 14 às 17h Sábados e domingos, das 14h às 17h Encerramento: 2.as feiras e feriados nacionais e Fins-de-semana em Agosto

Sítio Classificado Imóvel de Interesse Público Acesso condicionado Informação sobre visitas: Serviço Educativo

Extensão do Ecomuseu na Quinta de S. Pedro Quinta de S. Pedro, Corroios Campo arqueológico necrópole medieval-moderna (séculos XIII-XVII) Acesso condicionado

Ficha Técnica _ Ecomuseu Informação n.º 48 _ www.cm-seixal.pt/ecomuseu Edição Câmara Municipal do Seixal/Ecomuseu Municipal do Seixal

Distribuição gratuita Assinaturas a pedido junto do EMS

Direcção E EDITORIAL

Créditos fotográficos

Graça Filipe

Indicados nas legendas respectivas

Participaram nesta edição

Grafismo e Revisão

Exposições: Graça Filipe Itinerância «Moinhos de Maré do Ocidente Europeu»: Cláudia Silveira Programa de Iniciativas de Serviço Educativo e Agenda: Carla Costa e Graça Filipe Centro de Documentação e Informação: Fernanda Ferreira Conhecer: Fátima Sabino Carta do Património do Concelho do Seixal: João Paulo Santos Em Foco: Graça Filipe Apoio nos recursos fotográficos e ilustrações

Fernanda Machado

Sector de Apoio Gráfico e de Edições da CMS Impressão

Corlito, Centro Técnico de Artes Gráficas, Lda. Tiragem

6000 exemplares ISSN

0873-6197 DEPÓSITO LEGAL

106175/96


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Ecomuseu Informação N.º 48 – Julho | Agosto | Setembro 2008 by Município do Seixal - Issuu