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Ecomuseu Informação N.º 36 – Julho | Agosto | Setembro 2005

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ecomuseu informação BOLETIM TRIMESTRAL DO ECOMUSEU MUNICIPAL DO SEIXAL

JULHO . AGOSTO . SETEMBRO

n.º 36 . 2005

Núcleo Naval do Ecomuseu: difundir e valorizar o património flúvio-marítimo do estuário do Tejo Ao converter o sítio de um antigo estaleiro naval em equipamento cultural e conseguindo participar na reconfiguração da paisagem e do espaço urbano, acompanhando as profundas mudanças socioeconómicas da segunda metade do século XX, o projecto municipal do Ecomuseu recuperou, até hoje, através do seu Núcleo Naval, em Arrentela, referências identitárias importantes para a construção e a transmissão das memórias colectivas, entre a população e as comunidades locais, associadas à cultura flúvio-marítima. Lembramos que a requalificação deste núcleo do Ecomuseu abrangeu a instalação e funcionamento da oficina de construção de modelos de barcos do Tejo, a reformulação da envolvente ribeirinha urbana e, finalmente, com a inauguração da exposição Barcos, memórias do Tejo, a implementação de um novo ciclo de interpretação do património no campo temático flúvio-marítimo. ÍNDICE 3.

8.9.10.

14.15.16.17.

EXPOSIÇÕES

TEMA DE REFLEXÃO

MEMÓRIAS E QUOTIDIANOS

4.5.

Do inventário museológico

Trabalho na secção do papel

PROGRAMA DE INICIATIVAS

ao sistema de documentação

de cortiça da Mundet

DO SERVIÇO EDUCATIVO

11.12.13.

18.19.

6.

CONHECER

PATRIMÓNIO CULTURAL

AGENDA

Uma colecção de instrumentos

DO CONCELHO

7.

metrológicos do Aferidor

Da Caixa de Previdência do Pes-

NOTÍCIA

Municipal

soal da Firma Mundet & C.ª Lda. ao Centro de Saúde do Seixal


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TEMA DE REFLEXÃO «o sistema de documentação do EMS propõe-se abranger (...) metodologias e normas inerentes à aplicação de funções museológicas aos bens geridos (...)»

Do inventário museológico ao sistema de documentação Contemplada nos recursos próprios do museu ou desempenhada através de meios exteriores, a função investigação é a base estruturante de todas as actividades museológicas, desde a conservação à difusão e à acção cultural. Dela decorrem orientações fundamentais, não só para a política de incorporação do museu e para a definição do estatuto de objecto museal (objecto-documento), como também para o sistema de documentação. Este abarcará quer os bens tornados museais, quer a diversidade de dados resultantes do seu registo – utilizando os instrumentos documentais mais adequados – e uma ampla documentação relacionada com o estudo e interpretação de tais bens e contextos, assim como com a sua comunicação. A necessidade do inventário museológico é pois inerente à natureza da instituição museal, constituindo uma das suas funções básicas, presentemente inscritas no quadro legal de actuação dos museus em Portugal. Sem deixar de perspectivar os meios técnicos e humanos requeridos para esse propósito, que a nosso ver se ligarão estreitamente aos recursos de investigação, salientamos a importância da função inventário e documentação na Lei Quadro dos Museus Portugueses: - «Os bens culturais incorporados são obrigatoriamente objecto de elaboração do correspondente inventário museológico.» (Artigo 15.º, n.º1); - «O inventário museológico é a relação exaustiva dos bens culturais que constituem o acervo próprio de cada museu, independentemente da modalidade de incorporação» (Artigo 16.º, n.º1); - «O inventário museológico deve ser complementado por registos subsequentes que possibilitem aprofundar e disponibilizar informação sobre os bens culturais, bem como acompanhar e historiar o respectivo processamento e a actividade do museu.» (Artigo 25.º). Alguns aspectos do trabalho em curso no Ecomuseu Municipal do Seixal (EMS) poderão ser evidenciados e servir de partilha de experiências. O primeiro desses aspectos é o da diversidade do seu acervo e documentação associada, com uma multiplicidade de campos temáticos que procuramos abordar interdisciplinarmente. Do ponto de vista funcional, releva-se a indissociabilidade dessas questões com a organização territorial descentralizada, correspondendo a um conjunto de sítios e bens sujeitos a aproveitamento museológico, para o cumprimento da missão de investigar, conservar, documentar, interpretar, valorizar e difundir testemunhos do Homem e do meio, reportados ao território e à população do concelho do Seixal, com vista a contribuir para a construção e a transmissão das memórias colectivas e para um desenvolvimento local sustentável. Outro aspecto a merecer reflexão é o carácter sistémico e a gestão integrada de recursos e serviços, cujas interacções e funcionamento têm por base a circulação e partilha de informação.

Pesos de rede recolhidos na Quinta do Rouxinol, acervo do EMS (Inv. R.1993.27.30 e 32) © EMS/CDI - António Silva, 2003

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Finalmente, realçamos, não obstante o princípio de destino unitário, as diferenças dos bens – móveis, imóveis e flutuantes – e testemunhos – materiais e imateriais – abrangidos em processos de estudo e investigação, de incorporação e de inventário e documentação. Trata-se de um caso exemplificativo da extensão do conceito de património aplicada ao objecto museal, como testemunho material – ou registo material de testemunho imaterial ou lacunar – do homem e/ou do meio, incorporado (gerido) ou reportado a um contexto em estudo (mas não gerido, num sentido museológico estrito). Esses aspectos, reflectindo-se nas diferentes funções museológicas, implicam a diversidade, transversalidade e polivalência da documentação, em cujo sistema de tratamento e gestão assumem um papel essencial os instrumentos, meios e normas de inventário. De forma sucinta, identificam-se três principais fases no percurso do trabalho de inventário geral do acervo do EMS, ao longo de mais de duas décadas. Consideramos marcante o facto de, logo na década de 1980, se ter optado por alguns princípios e por um tipo de instrumento documental implementados pelo Departamento da Cultura da Generalitat da Catalunha [v. PORTA, MONSERRAT e MORAL (1982) - Sistema de Documentación para Museos], seguindo os procedimentos recomendados pelo ICOM. Mas o primeiro avanço, qualitativo e não só, foi dado a partir de 1994, com o início do inventário em suporte digital, através da aplicação sobre software Filemaker, actualmente com 10 386 registos, a serem proximamente transferidos para novo suporte digital, mais potente e ágil. Não obstante as potencialidades da aplicação Filemaker no inventário de acervo móvel, vários factores levaram a que se equacionasse a pertinência de novos meios e a selecção de software específico adequado aos inventários e sistema de documentação do EMS. Tendo em conta a diversificação acentuada de acervo, as crescentes exigências dos projectos de estudo e investigação Screen Base de dados Mobytext – nomeadamente inerentes à Arqueologia e ao Património Industrial – com o consequente volume de informação gerada e, ainda, a reorganização e qualificação do Centro de Documentação e Informação, tornou-se indispensável uma gestão integrada, simultaneamente capaz de corresponder ao modelo de gestão desenvolvido internamente e às crescentes solicitações exteriores e/ou parcerias. Assim, a partir de 2002 foram adoptadas novas bases de dados – Micromusée e Mobytext, da Mobydoc – dando lugar a um novo ciclo de inventário e documentação do EMS, procurando contemplar: a capacidade de integração de colecções diversificadas; a capacidade de interrelacionamento de bases adaptadas a fundos diferentes; a facilidade de intercomunicabilidade (importação e exportação de dados); os níveis de segurança adequados e de ambiente amigável para o utilizador; a progressiva digitalização do acervo; a documentação de bens/património não gerido. Apesar dos constrangimentos decorrentes da instalação de equipamentos (hardware) e redes de comunicação (ligadas às exigências de recursos devidas à descentralização territorial e à extensão de competências e da aplicação das funções museológicas, reflectidas no aumento de postos de trabalho necessários), cremos que muito do trabalho feito até ao presente potencia, desde que sejam prosseguidas as linhas de qualificação em curso, um significativo progresso no inventário museológico e a pretendida documentação/gestão integrada de património cultural no âmbito da missão e objectivos do EMS.


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TEMA DE REFLEXÃO

Quantitativamente, contam-se até à data 1929 registos no inventário geral de acervo móvel, 7521 registos no inventário do fundo fotográfico e 3538 do fundo bibliográfico. Para além destes, outros resultados foram obtidos, através do funcionamento de um grupo de trabalho (para o Sistema de Documentação e Inventário), a quem foram atribuídas, entre outras tarefas, o estudo da adaptação às estruturas das bases existentes, a criação de tabelas e listas hierarquizadas, a criação e/ou a adopção de thesauri específicos, a conversão de dados e testes de funcionalidade e a definição de normas e procedimentos de utilização das bases de dados, através da adaptação e elaboração de um Manual de Ajuda ao Utilizador do Inventário do EMS (com base no Manual Micromusée – versão 5, 1999). Este grupo de trabalho, fazendo parte do modelo de gestão do EMS, concilia uma vertente técnico-científica de reflexão com práticas de definição metodológica e de planificação das funções de inventário e documentação, desde a selecção à aplicação de recursos e à formação interna. De acordo com os recursos e estrutura funcional do EMS, foram definidos os

Reprodução de estereoscopia de Jorge Almeida Lima, acervo do EMS

seguintes sectores responsáveis pela validação de informação das bases de dados: Arqueologia; Património Industrial; Património Náutico; Conservação e Inventário Geral e Centro de Documentação e Informação. Quanto à classificação dos bens/testemunhos, o acervo móvel do EMS reparte-se pelas seguintes categorias principais: bens arqueológicos; bens artísticos e históricos; bens técnicos e/ou científicos; bens etnográficos; bens bibliográficos e/ou arquivísticos; espécimes botânicos; espécimes zoológicos; amostras geológicas; restos humanos; fósseis e outros bens. Como processo integrado, o sistema de documentação do EMS propõe-se abranger, quer metodologias e normas inerentes à aplicação de funções museológicas aos bens geridos e acervo incorporado, quer um tratamento alargado aos outros tipos de documentos incorporados ou produzidos em contexto museal, tendo por referência e unidade de propósito o cumprimento da missão e objectivos programáticos do Ecomuseu e as respectivas funções museológicas. Convergindo e contribuindo de forma cada vez mais integrada para o sistema, através de rotinas complementares geradoras de informação de referência de grande utilidade na alimentação das bases de dados do sistema, sublinhamos o papel do serviço administrativo – incluindo o arquivo geral e o arquivo temático do EMS – cujo trabalho é articulado com o Centro de Documentação e de Informação. Este é a instância charneira, quer para o tratamento documental, com fins de acesso interno e externo, segundo níveis de acesso determinados consoante as características e objectivos de consulta, quer para o acesso externo às bases de dados informatizadas e ao acervo digitalizado. [Graça Filipe]


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CONHECER «Esta colecção (...) mostra-nos alguns exemplares de medidas de comprimento, balanças de massa ou peso, medidas de capacidade de líquidos e secos, medidas de volume (...)»

Uma colecção de instrumentos metrológicos do Aferidor Municipal A Metrologia é a “ciência que trata principalmente da medição precisa de três quantidades fundamentais, comprimento, massa e tempo...” in Dicionário de Língua Portuguesa, Porto Editora, 1982. Faz parte do acervo do Ecomuseu Municipal do Seixal uma colecção de instrumentos metrológicos provenientes do Aferidor Municipal, datando, na sua maioria, da segunda metade do século XX. São instrumentos de medição que caíram em desuso na sua função de origem, sendo substituídos por outros mais modernos. A evolução tecnológica trouxe uma mudança efectiva no método e forma como se desenvolvem as actividades metrológicas. Esta colecção, enquanto testemunho de um passado recente, mostra-nos alguns exemplares de medidas de comprimento, balanças, medidas de massa ou peso, medidas de capacidade de líquidos e secos, medidas de volume e outros objectos ligados à aferição. São instrumentos metrológicos de diferentes características e formas, que permitem reconstituir o trabalho do aferidor e compreender a evolução da metrologia ao longo dos tempos. Desde o século XV que se conhecem reformas dos Pesos e Medidas. Estas reformas aplicam-se ao nível das unidades de medida e dos seus valores, dos próprios instrumentos e das instituições oficiais de controlo da actividade Metrológica. Das leis e decretos publicados até hoje, salientam-se a adopção do sistema métrico décimal decretado em 1852, com entrada em vigor em 1961 e o decreto do Serviço de Aferição nos concelhos do País de 1861 com o seu regulamento confirmado pelo decreto de 1911. Para se conhecerem melhor os instrumentos metrológicos desta colecção, devemos antes de mais conhecer a função do Aferidor, que consistia em garantir a legalidade e moralidade no comércio e transações de produtos. Para isso ele aferia todos os instrumentos destinados a medição, como garantia de um bom funcionamento do comércio e evitava assim que ocorressem quaisquer irregularidades que prejudicassem o consumidor. Toda a sua actividade estava legislada e era uma função do Estado que teve como designação Afilamento e Aferição de Pesos e Medidas. O Estado delegava esta competência a todos os Municípios. Para se exercer a função de Aferidor de Pesos e Medidas era necessária a obtenção da aprovação num exame técnico e o respectivo diploma. A aferição era feita em estabelecimentos comerciais, industriais e em actividades profissionais que utilizavam instrumentos de medição, aos quais a lei impunha que fosse efectuado o controlo metrológico.

Conjunto de medidas para aferição de líquidos © EMS/CDI – Cézer Santos, 2005

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CONHECER

Ao visitar os estabelecimentos que tinham pesos e medidas, o Aferidor aferia, fiscalizava e autuava quando deparava com alguma irregularidade. O seu trabalho podia realizar-se na sua oficina (trabalho interno) ou fora da oficina (trabalho externo). Havia dois tipos de operações anuais: a aferição que consistia em aferir os instrumentos de medição, nomeadamente massas, instrumentos de pesagem, balanças de braços iguais, automáticas e semiautomáticas, electrónicas, medidas de capacidade de secos e de líquidos e medidas de comprimento; a conferição, que consistia em conferir apenas as medidas de capacidade, bombas medidoras, rasouras, funis e outros instrumentos a ela sujeitos. Havia prazos legais estabelecidos para se proceder a estas operações, comunicados através de editais afixados em locais públicos e que informavam o local e o período em que se realizaria o serviço. Os instrumentos aferidos eram marcados através de uma letra, que era publicada anualmente numa portaria oficial, como comprovativo da aferição ou da conferição. Esta letra foi substituída por um símbolo em 1983. Junto da marcação ficava o símbolo das quinas que substituiu o símbolo da coroa em 1910. Nas balanças a marcação era efectuada com um selo. Para além do trabalho referido, os Aferidores tinham de organizar toda a documentação referente à sua actividade. Faziam o preenchimento de registos mensais e anuais, tinham os cadastros dos estabelecimentos e emitiam recibos e cobranças de taxas estabelecidas. Da colecção do EMS, actualmente em reserva, fazem parte instrumentos de medição na sua maioria utilizados em estabelecimentos comerciais. São equipamento das oficinas de aferição, incluindo o equipamento utilizado em serviço externo pelos aferidores municipais. Muitos destes instrumentos encontram-se em estojos próprios, o que facilitava o transporte para o trabalho externo.

Balança de precisão © EMS/CDI – Cézer Santos, 2005

Balança portátil de braços iguais © EMS/CDI – Cézer Santos, 2005

Dentro das balanças que fazem parte deste espólio destaca-se uma balança de precisão ou de braços iguais de suspensão, acondicionada em caixa própria em vidro e madeira, numa espécie de vitrine. Este tipo de balanças pesavam com rapidez e rigor. Podiam pesar décimas e centésimas do miligrama. Destinavam-se em especial a trabalhos de física, de química, de farmácia e de ourives. Encontramos também uma balança portátil de braços iguais em estojo de madeira, a chamada balança ordinária. Esta, depois de montada, tinha os pratos suspensos e recebia num dos pratos os corpos a pesar e no outro os pesos. Na colecção temos alguns exemplares de metros, onde se salientam um metro padrão ou metro de topos e um metro craveira. O metro padrão era uma régua dividida em centímetros de uso comercial. O metro craveira era utilizado para determinar com rigor o erro do metro.


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Entre o antigo espólio do Aferidor encontram-se medidas para líquidos, com asas, sem asas ou em forma de cântaro. Na sua maioria, são séries de medidas de tamanhos diferentes, que se encaixam umas nas outras. Têm várias capacidades, desde 1cl a 20 litros. São feitas em cobre, folha de Flandres, latão e estanho. Dentro das medidas para líquidos temos um exemplar de uma medida em forma de cântaro com asa, com capacidade de 5 litros. Existem também medidas em madeira para secos, de vários tamanhos, mas com a mesma espessura, regulamentada por uma tabela própria. Outros instrumentos auxiliares da aferição que integram esta colecção são medidas de massa ou peso, de tamanhos e de formatos diferentes, algumas em estojos próprios. Podemos observar também duas medidas especiais de 5 litros para aferição de bombas automedidoras de gasolina. Embora não tenhamos nenhum exemplar anterior, estas mediMedida especial para aferição de bombas automedidoras das substituíram uma medida de de gasolina © EMS/CDI – Cézer Santos, 2005 5 litros cilíndrica, que provocava a evaporação do produto e falseava o resultado, já que a operação de aferição em bombas de gasolina se fazia ao ar livre. Um dos objectos mais interessantes da colecção é porventura uma caixa de madeira com divisórias, que contém um conjunto de instrumentos metrológicos. É a mala contentora dos padrões de 3.ª classe municiMedida em forma de cântaro para aferição de líquidos pais. No interior dessa mala © EMS/CDI – Cézer Santos, 2005 padrão encontram-se tripés de nivelar, onde se colocavam as medidas de capacidades de líquidos para serem aferidas, tampas de vidro para a rasoura, que permitiam observar pequenas diferenças nas medidas de capacidade de líquidos aferidas pela prova de água, um conjunto de medidas para líquidos, um metro padrão, pesos de massa, rolo de fio de cobre, chumbos para marcação, punções e também um estojo em madeira com uma colecção de pesos mínimos para aferição de pesos de farmácia e ourivesaria. Esta série de pesos mínimos vai de 5 dg a 1mg. Embora anteriormente alguns objectos tivessem sido recolhidos à medida da sua desfuncionalização, foi sobretudo após a Aferição de Pesos e Medidas ter deixado de ser uma competência dos Municípios que a maior parte da colecção foi incorporado no EMS, por transferência da Divisão de Fiscalização Municipal. Actualmente a aferição continua a ser obrigatória em todos os instrumentos de medição cujo uso seja regulamentado por portaria ou despacho do Instituto Português de Qualidade (IPQ). Este pode delegar competências aos Municípios ou a outras entidades. É o IPQ que detém os padrões nacionais das grandezas fundamentais de comprimento, massa, metrologia em química, temperatura e tempo/frequência, fazendo o controlo dos instrumentos de medição que são legalmente necessários à indústria e à sociedade portuguesa em geral, nomeadamente nas transacções comerciais, segurança, saúde, protecção do consumidor e do ambiente. [Sónia Robles Henriques]


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« O papel de cortiça era considerado “como um dos produtos mais prestigiosos e elaborados extraídos da cortiça».

Trabalho na secção do papel de cortiça da Mundet Já no longínquo ano de 1915, uma década após o seu estabelecimento no Seixal, a Mundet procedeu à instalação das primeiras duas máquinas de fazer papel de cortiça, registando o Livro Diário da Mundet, a 15 de Abril, a primeira parte do seu pagamento, respectiva montagem e gastos de viagens a Emílio Durán, de Palafrugell (Catalunha). O papel de cortiça corresponde a folhas de cortiça laminada de espessura inferior a 0,1 mm e pode ter várias aplicações. Segundo os depoimentos recolhidos, esta produção, já conhecida nas duas últimas décadas do século XIX, foi aqui introduzida por iniciativa de D. Luís Gubert, um dos gerentes. «O D. Luís Gubert é que montou a secção do papel cá em Portugal.» Eduardo Roque, encarregado da secção de escolha de papel (2000)

Quanto às duas máquinas, somos levados a supor que se tratava de máquinas de laminar, embora não possamos afirmar com certeza absoluta que se trataria já das máquinas dos Talleres Trill, SA. (Palafrugell), pertencentes ao conjunto das que laboraram até ao encerramento da Mundet (1988), e que chegaram a ser 25 no total. «Estas máquinas não têm grande manutenção. Não sei se estas máquinas têm cinquenta, sessenta, oitenta ou cem anos. Sempre ouvi falar delas. (...) Estas máquinas têm muitos anos. A minha mãe falava-me nisto. Ainda eu não era nascido e já se falava nisto.» José Brandão, encarregado da secção de laminagem do papel de cortiça (1998)

«As primeiras máquinas eram catalãs, eram da casa Trill, que foi depois mais tarde engenheiro aqui na Mundet, o Trill. E depois fez-se máquinas copiadas por aquelas cá, ainda melhores do que aquelas espanholas. Melhores. Mais perfeitas.» Eduardo Roque (2000)

Era nessas máquinas que se laminava a cortiça seleccionada pelos mais experientes escolhedores de prancha da Mundet. «(...) escolher [cortiça para] papel era muito custoso. (...) a cortiça tinha de ser branca, clarinha, o poro muito miudinho, se for poro largo já não prestava para papel, era buraco. Não pode ter prego, não servia para papel, não podia ser manchada, (...) se a barriga estivesse manchada punham logo para fora que não servia. A gente tinha que ter olhinhos para ver a cortiça (...)» João Fominha, escolhedor de prancha de cortiça (1997)

Só uma ínfima parte da cortiça servia para a produção do papel. Nas décadas de 1950 e 1960 chegou-se a comprar cortiça no estrangeiro destinada a esta produção: «a gente comprava cortiça aos italianos, iam lá à Itália ver, na Sardenha, (...) a cortiça era boa para o papel, para rolhas já não (...)» João Fominha (1997)

(1954) © EMS/CDI

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Vista parcial de uma das oficinas da secção do papel de cortiça da Mundet (Seixal)

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«A cortiça de Itália já vinha escolhida, porque ia para lá um encarregado, (...) fazer a escolha e já vinha 1.ª e 2.ª à parte [referência às melhores qualidades de cortiça] (...) Vinha em prancha. Cá tinha de se cortar em tiras e quadrá-la. (...) Mas o homem que ia lá escolher era um homem que sabia bem como é que a cortiça já vinha.» Eduardo Roque (2000)

A produção do papel teve vários fins, conforme as épocas e os mercados, sobretudo os estrangeiros, onde a procura era maior. «Aqui o trabalho era muito feito em termos de fabricações específicas que os grandes importadores estrangeiros conheciam.» Eng. José Correia Neves, director comercial na área do papel decorativo (1997)

No princípio seria, fundamentalmente, para as boquilhas dos cigarros. No início do século XX já se empregava o papel de cortiça no filtro dos cigarros, e da parte de tabaqueiras americanas havia uma procura enorme, o que ditara o desenvolvimento desta produção na Catalunha e ajuda a explicar a procedência das máquinas. As primeiras vendas da Mundet Operário junto a uma máquina de laminar cortiça foram exactamente para os Esta© EMS/CDI – Rosa Reis, 1998 dos Unidos, tendo a primeira factura, no valor de 2785$29, sido registada em 30 de Junho de 1915. As vendas de papel de cortiça iriam tornar-se regulares com o decorrer do tempo, surgindo novos clientes e diversificando-se os países de destino. Em Fevereiro de 1918, a Companhia de Tabacos de Portugal já aparecia como cliente da Mundet.

Operário junto a uma máquina de laminar cortiça © EMS/CDI – Rosa Reis, 1998


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Também em 1918 são referidas vendas de folhas de papel para material de imprensa: tarjetas-postais, cartões-de-visita e de boas-festas. Qualquer que fosse o seu destino, o papel de cortiça era resultado de um laborioso processo de transformação. As folhas eram milimetricamente laminadas: a máquina de laminar, ajustada por um conjunto de carretos, permitia fazê-lo à espessura desejada, até 16 ou 17 folhas por cada milímetro de altura de um quadro de cortiça. «(...) para as bobines dos filtros dos cigarros era precisa uma folha milimétrica, para outros trabalhos poderiam ser mais grossas.» Eng. José Correia Neves (1997)

Máquina de laminar cortiça em funcionamento © EMS/CDI – Rosa Reis, 1998

«O segredo das máquinas de papel de cortiça está nos carretos. Eles é que tiram a medida do papel (...)» Joaquim Oliveira, encarregado da secção de laminagem de papel de cortiça (1998)

Depois de laminadas, as folhas de papel de cortiça eram criteriosamente escolhidas em função do aspecto, cor e dimensão, e separadas por qualidades, identificadas pelas cores das caixas por onde eram distribuídas. «As máquinas de laminar eram 25 máquinas. Nem sempre trabalhavam todas, porque algumas estavam a amolar para poderem trabalhar. Mas cada máquina tinha um homem a laminar papel e tinha 5 mulheres a fazer os montes, a endireitar aquilo por montinhos. (...) A gente olhava para o papel, quem não percebesse de papel dizia que aquilo era papel da mesma cor, mas não era. Aquilo era escolhido pela qualidade do poro da cortiça. As mulheres tinham uma facilidade em fazer aquilo! olhar para a cortiça e ver logo o poro da cortiça, se tinha muito, se tinha pouco. E depois era uma coisa: às vezes havia folhas boas que não podiam ir para o encarnado porque tinham uma pequena mancha que tirava o valor (...)» Eduardo Roque (2000)

«O papel encarnado para colar era o papel muito bom. Esse era muito bom. A gente quando apanhava um montinho desse papel aí é que se trabalhava bem. Agora quando vinha aquele assim... o amarelo... o branco também era bom. O amarelo era o mais fraco.» Gertrudes Brandão, trabalhadora nas secção de colagem de papel e do corkskin (2001)

As folhas de papel eram posteriormente coladas sobre um suporte de papel, de acordo com a qualidade e as encomendas. No caso do papel para os filtros dos cigarros, das fabricações mais delicadas, as folhas eram coladas sobre rolos de papel de seda muito fino por operárias bem treinadas. «(...) aquilo era um trabalho que não podia levar rachas, não podia levar montadas, não podíamos deixar a auréola à mostra, porque se a auréola levasse


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cola pegava ao rolo e aquilo era um estragar sem destino, era tudo assim.» Gertrudes Brandão (2001)

Assim se formavam os rolos que depois iam às estufas para secagem, eram lixados, rebobinados (para ficarem bem apertados) e eram cortados com a largura desejada, ficando as bobines finalmente prontas para serem cuidadosamente embaladas. A fragilidade da matéria-prima fazia com que se estragasse muito trabalho. «E quando aquilo saía mal? Ainda lá escangalhei alguns rolos. Se o chefe visse, era o fim do mundo. Cada rolo valia não sei quantos contos de réis. Cada bobine era um conto e tal. Um rolo dava sete bobines, já está a ver o prejuízo.» Joaquim Chanoca, encarregado das novas linhas de papel de corkskin (1998)

O papel de cortiça era considerado “como um dos produtos mais prestigiosos e elaborados extraídos da cortiça”. «Aquela secção, geralmente as pessoas diziam que nós éramos as meninas da elite. Da elite porque era para a colagem, só iam para ali pessoas que eles viam que realmente se aplicavam ao trabalho e as mãos muito cuidadas, as unhas limpas, tudo assim. (...) Isto aqui era bonito, era um trabalho asseado. Tinha de ser mesmo asseado.» Gertrudes Brandão (2001)

A secção do papel empregava, em 1959, 428 trabalhadores (16% do total). «No 1º andar havia muita gente, isso não sei dizer quantos eram mas era muita, eram bancadas umas ao pé das outras. Havia muitas mulheres a trabalhar, e na colagem do papel também havia muitas mulheres (...)» Carmelinda Miranda, trabalhadora da secção de escolha de papel (2001)

Houve anos em que a Mundet exportou cerca de 20 milhões de quilómetros de papel de cortiça em bobines, pelo que se chegaram a fazer turnos pela noite dentro para cumprir encomendas. O papel de cortiça era, portanto, uma produção emblemática da Mundet, que seria, à época, a única fábrica em Portugal a produzi-lo, ocupando um lugar importante na rentabilidade económica da empresa. «Houve alturas, no apogeu desta secção (...), podia a fábrica parar que esta secção dava rendimento para as outras estarem sem fazer nada.» José Brandão (1998)

Mas o avanço dos produtos de imitação, com preços muito mais baixos, levou o Canadá (o maior importador das bobines de melhor qualidade) a abandonar o consumo do papel de cortiça em Agosto de 1958, e o avanço da concorrência, sobretudo na Alemanha (o principal comprador), fez diminuir esta produção e o pessoal que trabalhava na secção. No início da década de 1960 ainda se iniciou uma nova produção com base no papel de cortiça, neste caso aplicado sobre papel couché e com a finalidade de decorar paredes – o corkskin – para cuja produção se começou por fazer o aproveitamento do papel de pior qualidade e que encontrava no mercado italiano o seu principal cliente. «Fez-se muita encomenda daquela [corkskin]. Fez-se aos milhares de rolos. Quem me dera a mim, ter dez tostões de cada um, que ainda tinha algum.» Joaquim Chanoca (1998)

Mas também esta produção teria um acentuado decréscimo. Ainda houve experiências, também, de aplicação do papel de cortiça sobre tecidos. No final da vida da Mundet, a outrora buliçosa secção do papel, nomeadamente o piso em que se fazia a colagem para as bobines, era um espaço quase abandonado em que as largas dezenas de máquinas – mais de cem – só serviam de memória. «Aquilo deixou... Só ficou 3 máquinas a trabalhar, para colar, para cartões e para as bobines do Carreras, era o suficiente. (...) Eram três raparigas, muito perfeitas no trabalho. E quando não tinham iam fazer outro trabalho, iam para o corkskin. Quando era preciso vinham colar. Era assim.» Eduardo Roque (2000)

Em relação ao papel de cortiça, há mesmo quem diga que «O que deu cabo da Mundet foi acabar aquilo.» Joaquim Oliveira (1998)

[Carlos Carrasco]


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PATRIMÓNIO CULTURAL DO CONCELHO

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« Em 1943, a Caixa de Previdência do Pessoal da Firma Mundet & C.ª, Lda.

contava já com dois Postos

Médicos, um situado no Seixal e outro na Amora.»

Da Caixa de Previdência do Pessoal da Firma Mundet & C.ª Lda. ao Centro de Saúde do Seixal No âmbito da sua política social, a Mundet pôs à disposição dos seus trabalhadores e familiares, no Seixal, a Creche e Jardim de Infância (1939) e a Casa de Infância (1943) e, em meados da década de 50 do século XX, erigiu as instalações desportivas e recreativas do Grupo Desportivo Mundet e o edifício da Caixa de Previdência do Pessoal da Firma Mundet & C.ª, Lda., esta última constituída por alvará de 24 de Setembro de 1942 (a criação de Caixas de Previdência encontrava-se regulamentada desde 1935, com a publicação da Lei n.º 1884, de 16 de Março, sobre o Regime Geral de Previdência). A Caixa de Previdência do Pessoal da Firma Mundet & C.ª, Lda. exerceu a sua acção sobre os empregados e operários assalariados, dependentes ao serviço da firma que reunissem as condições de inscrição previstas no seu regulamento, ou seja, os trabalhadores “com carácter permanente ao serviço da firma Mundet & C.ª Lda. que não [tivessem] menos de doze anos de idade, na data do primeiro desconto.” Os beneficiários e a empresa contribuíam para os fundos da Caixa de Previdência “com 5% dos ordenados e salários respectivamente recebidos e pagos” (valor estabelecido no Regulamento), comprometendo-se a Mundet a contribuir regularmente com donativos para os fundos da Caixa de Previdência. Os benefícios de que gozavam os operários e empregados da Mundet – abrangendo os trabalhadores das fábricas corticeiras de Seixal, Amora (Seixal), Nascentes (Montijo), Mora e Ponte de Sor, e ainda das sucursais de Lisboa e Porto, atingindo um total de 4246 beneficiários no primeiro ano de funcionamento – estavam enquadrados nas seguintes categorias: assistência médica (cujo corpo clínico contava, em 1943, com treze médicos de clínica geral, um médico especialista em otorrinolaringologia e dois enfermeiros), subsídio na doença, reforma ordinária aos 65 anos e extraordinária por invalidez adquirida antes de atingida aquela idade, e subsídio por morte. Contudo, a gerência da firma apenas reconhecia o direito à reforma aos trabalhadores que à data da criação daquela entidade – 30 de Junho de 1942 – tivessem atingido os 50 anos de idade e contassem com 25 anos ou mais de serviço ininterrupto. Para além destes benefícios, a Caixa de Previdência promovia outras iniciativas de apoio social como, por exemplo, a assistência a parturientes, a distribuição de medicamentos e, ainda, de roupas e calçado, na quadra natalícia, aos filhos dos beneficiários (segundo a Tribuna do Povo, em 1951, foram beneficiadas 1900 crianças). O mesmo jornal, noticia em 1952 que “a Caixa da Firma Mundet é uma organização modelar de previdência que os operários se habituaram já a estimar porque é um precioso auxiliar na doença e na invalidez e demonstra a boa vontade duma próspera organização. A empresa Mundet & Cª Lda tem sido precursora, nomeadamente na parte social, de muitas medidas decretadas pelo Governo.

© EMS/CDI - António Silva, 2004

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Recepção da Caixa de Previdência (Inv. EMS. 2004.65.34)

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Compreendendo a função social da riqueza, a Mundet tem sabido elevar por todas as formas o nível de vida e a segurança dos seus operários”. Em 1943, a Caixa de Previdência do Pessoal da Firma Mundet & C.ª, Lda. contava já com dois Postos Médicos, um situado no Seixal e outro na Amora. No entanto, a aquisição de novos equipamentos médicos e, designadamente, de um aparelho para radiodiagnóstico, em 1946, entre outros instrumentos, associada à insuficiência dos espaços físicos, fizeram sentir a necessidade de transferência do Posto Médico para novas instalações. Assim, em 1950, surge o anteprojecto do Posto Médico da Caixa de Previdência do Pessoal da Firma Mundet & C.ª, Lda., de autoria do arquitecto Conceição Silva. Após algumas alterações ao projecto em 1953, o conjunto foi finalmente inaugurado em 1955. O edifício principal, de volumetria paralelepipédica e de planta longitudinal, desenvolve-se em três pisos. De configuração uniforme, os panos de fachada lisos convivem com os vãos de janela marcadamente geométricos e horizontalizantes, envolvidos por elementos que lhes conferem uma decoração relevada. Foi pontualmente utilizada cerâmica de revestimento como elemento decorativo.

Desenho do Edifício da Caixa de Previdência, da autoria do arquitecto Conceição Silva. © EMS/CDI - Rosa Reis, 2002

As instalações da Caixa de Previdência eram constituídas por três corpos, de modo a acolher duas funções distintas: o Posto Clínico – composto por clínica médica, tisiologia (serviço antituberculose) e cirurgia – e a sede da Caixa de Previdência que ocupava o segundo piso do edifício. No terceiro piso, aproveitando o vão da cobertura foi projectado o arquivo intermédio da documentação produzida no centro. A clínica médica era constituída por gabinetes para consulta de estomatologia, otorrinolaringologia, oftalmologia e pediatria, com salas de observação, de tratamentos e de radioscopia. Para além do quadro clínico permanente, o serviço contou com a colaboração de médicos especialistas e professores da Faculdade de Medicina de Lisboa, chegando a desenvolver-se estudos e investigação no âmbito das doenças pulmonares, nomeadamente da suberose. A área da tisiologia era composta por um gabinete de consulta, sala para pneumotórax e quartos de repouso com instalação sanitária privativa, sala para Raio X, serviço de revelação e lavagem de chapas, um pequeno laboratório e salas de apoio. Sempre que considerado necessário recorria-se à sanatorização em clima de altitude, nas Penhas da Saúde. Finalmente, a cirurgia albergava um gabinete de consulta e observação, uma sala de anestesia, bloco operatório com salas para grande e pequena cirurgia com esterilização anexa, desinfecção, sala para pós-operatório, gabinete de médicos e arsenal cirúrgico, para além de uma pequena enfermaria. As diversas actividades desenvolvidas por esta entidade, no contexto da assistência social e de saúde aos trabalhadores, assumem especial relevância no panorama local e até nacional, dado que foi a primeira organização deste tipo no âmbito da indústria corticeira. Mais tarde, devido a dificuldades internas de gestão da empresa a Caixa de Previdência do Pessoal da Firma Mundet & C.ª, Lda. foi integrada, em 1970, na Caixa de Previdência e Abono de Família do Distrito de Lisboa. Após a realização de obras de adaptação e ampliação, o edifício acolhe actualmente o Centro de Saúde que serve a população do Seixal. [Fátima Afonso e Fernanda Ferreira]


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Ecomuseu Informação N.º 36 – Julho | Agosto | Setembro 2005 by Município do Seixal - Issuu