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Ecomuseu Informação N.º 27 – Abril | Maio | Junho 2003

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Tendo por missão investigar, conservar, documentar, interpretar, valorizar e difundir testemunhos do Homem e do meio, reportados ao território e à população do concelho do Seixal, com vista a contribuir para a construção e a transmissão das memórias colectivas e para um desenvolvimento local sustentável, o Ecomuseu Municipal do Seixal completa neste trimestre 21 anos de existência. Projecto dinamicamente construído pela Câmara Municipal do Seixal, o seu percurso tem sido e será certamente potenciador de relações de solidariedade e de participação da comunidade e dos amigos gerados pelo próprio museu. Ainda que enfrentando as dificuldades conhecidas pela generalidade das instituições culturais e pelos museus em particular, tais relações conferem boa parte da pertinência que este projecto tem, no Município e fora dele. A informação prestada com regularidade aos leitores do Ecomuseu Informação pretende manter actualizado o conhecimento sobre as iniciativas que, sob diferentes perspectivas temáticas, podem proporcionar espaços de comunicação, de reflexão, de educação e de lazer aos diversos públicos-alvo a que nos dirigimos. O Programa de Iniciativas do Serviço Educativo surge fortemente associado ao rio e à nossa cultura flúvio-marítima, dado que atravessamos o período de maior rentabilização do património náutico flutuante junto dos públicos que anseiam pelas horas de

Índice

Nº

27

. 2003

14.15.

3.4.5.

8.9.10.11.

Programa de Iniciativas do Serviço Educativo

Conhecer Património Cultural Acervo documental – as do Concelho colecções de cartazes do EMS Os 50 anos da Casa de Infância da Mundet & Cª, Lda. (1943-2003) 12.13.. Memórias e Quotidianos A construção naval em madeira

6.7.

Tema de Reflexão Política de incorporação – o acervo a conservar, interpretar e difundir

JUN.

e os 21 anos do museu com os seus amigos

.

o Dia Internacional dos Museus

MAI.

Comemorar

ABR.

Boletim trimestral do Ecomuseu Municipal do Seixal

I S S N : 0 8 7 3 - 6 1 9 7 • Depósito Legal: 106175/96 • Tiragem: 6000 exemplares

Ecomuseu Informação


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navegação no Tejo, seja de descoberta lúdica, seja com objectivos didácticos e educativos que as duas embarcações tradicionais – Baía do Seixal e Amoroso – proporcionam, com as respectivas tripulações. Fruto de um investimento tão persistente quanto o tempo de vida do museu municipal, estas embarcações e a terceira, Gaivotas, presentemente a ser objecto de uma recuperação profunda, serão provavelmente uma das marcas de distinção de um projecto cultural de longo prazo, fortemente sustentado pelo seu enquadramento museológico e continuadamente conciliado com outros vectores do desenvolvimento local. No que toca aos passeios de barco, destacamos simbolicamente o do dia 18 de Maio, dedicado aos Amigos e Doadores do Ecomuseu. Sendo inquestionável, para o Ecomuseu do Seixal, o lugar e a importância da cons“Sem a activação transversal trução naval e do Tejo, da navegação e dos das várias funções museológisaberes do rio, também esse tema mereceu cas não conseguiríamos fazer o nosso destaque nas páginas de Memórias e Quotidianos desta edição ligada ao Dia perdurar os objectos que priInternacional dos Museus e ao nosso 21º mordialmente são transmisaniversário, constituindo ocasião para sores de memórias colectivas, homenagear todas as famílias e pessoas do Seixal e da região, ligadas ao mar e aos barnem se produziriam os concos, que tão significativamente têm conteúdos que tornam o Ecomutribuído para a salvaguarda e valorização seu um instrumento singular de um património comum amplamente representado nos nossos projectos. de enraizamento e de pertenAs iniciativas de comunicação relacionadas ça de uma população a um com a Arqueologia ganham também espaço território.” na nossa programação, proporcionando divulgação de projectos de longa duração, cientificamente bastante exigentes, mas que procuramos regularmente partilhar com um alargado espectro de visitantes e utilizadores, dos vários níveis etários e de interesses variados, através dum trabalho de interpretação levado a cabo transversalmente pela equipa do Ecomuseu – Serviço de Arqueologia, Serviço de Conservação e Serviço Educativo. Sem a activação transversal das várias funções museológicas não conseguiríamos fazer perdurar os objectos que primordialmente são transmissores de memórias colectivas, nem se produziriam os conteúdos que tornam o Ecomuseu um instrumento singular de enraizamento e de pertença de uma população a um território. Aliás, o nosso Tema de Reflexão propõe-lhe que aborde sinteticamente esta questão e a rubrica Conhecer recorda-lhe um tipo de acervo e de recursos que talvez não esperasse encontrar no Ecomuseu Municipal do Seixal. O calendário do trimestre dá ainda lugar a que assinalemos os 50 anos do edifício da Casa da Infância da Mundet (veja o texto sobre o Património Cultural do Concelho). Referimos, finalmente, que o período em notícia dá ainda espaço e recursos municipais para a formação profissional, quer para professores e para a comunidade educativa, quer cooperando com a formação museológica universitária, através das nossas experiências de profissionalidade, reforçando a importância da valorização dos perfis profissionais que a Câmara Municipal do Seixal há muito reconhece, activamente, investindo e desenvolvendo uma equipa de museu hoje significativamente consolidada.

Ficha Técnica Ecomuseu Informação nº27

Foto Capa Velame do bote-de-fragata Gaivotas © EMS/CDI – Luis Azevedo, 1993

P. Dinis

Edição

Direcção

Câmara Municipal do Seixal

Graça Filipe

Santos; Ana Apolinário; Graça Filipe

Impressão

Textos/Investigação

Grafismo e Revisão

Fotolitaria

Graça Filipe; Pedro Estácio; Fátima Afonso; Elisabete Curtinhal

Sector de Apoio Gráfico e Edições

Tiragem

Créditos Fotográficos

ISSN

Informação/Agenda e Notícias

EMS/CDI; Rosa Reis; António Silva; Cézer Santos; João Martins; Luís Azevedo e Júlio

0873-6197

www.cm-seixal.pt

Carla Costa; Luís Filipe

6000 exemplares

Depósito Legal

106175/96


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De Abril a Junho, num trimestre em que a Primavera e o Verão se cruzam, convidando ao contacto com a Natureza e à realização de actividades ao ar livre, o Serviço Educativo do Ecomuseu apresenta um conjunto de iniciativas centrado no património náutico e no património arqueológico, com ateliês e passeios temáticos a bordo das embarcações tradicionais e com visitas às escavações arqueológicas em curso no Concelho. Embarcações do Ecomuseu a navegar na Baía do Seixal © CMS/António Silva, 2001

Para obter mais informações ou para participar nestas iniciativas, pode telefonar para o Serviço Educativo, aceder ao site do Ecomuseu e inscrever-se por correio electrónico, na respectiva secção (Serviço Educativo – Iniciativas) ou preencher e enviar-nos a ficha de inscrição distribuída com a edição impressa deste boletim.

Ateliês

Passeios no Tejo em embarcação tradicional à vela, onde os jovens participantes, com o apoio directo da tripulação, aprendem a fazer diversos nós de marinheiro – nó direito, nó de trempe, nó de pescador, entre outros. local: bote-de-fragata Baía do Seixal (embarque no cais do Seixal) destinatários: turmas do ensino básico e do ensino secundário; ATL’s datas e horários: 12 de Maio, das 10h às 12h; 15 e 30 de Maio, das 14h às 16h; 2 e 16 de Junho, das 15h às 17h; 13 de Junho, das 14h às 16h; 23 de Junho, das 10h às 12h

Passeios temáticos Dia Internacional dos Museus 21º aniversário do Ecomuseu – Públicos e Amigos

Bote-de-fragata Baía do Seixal a navegar © EMS/CDI – João Martins, 2000

Tripular uma embarcação tradicional Passeios no Tejo em embarcação tradicional à vela, podendo os participantes experimentar diversas manobras a bordo, com o apoio da tripulação. local: varino Amoroso e bote-de-fragata Baía do Seixal (embarque no cais do Seixal) destinatários: público juvenil e adulto datas e horários: 25 de Maio, das 10h30 às 13h30; 15 de Junho, das 15h às 18h

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Sublinhando o tema escolhido este ano pelo ICOM para as celebrações do Dia Internacional dos Museus – Os Museus e os seus Amigos - convidamos todos os Amigos e Doadores do Ecomuseu a realizar um passeio no rio Tejo, numa das nossas embarcações tradicionais - o bote-de-fragata Baía do Seixal. local: bote-de-fragata Baía do Seixal (embarque no cais do Seixal) data e horário: 18 de Maio, das 15h às 16.30h

Programa de Iniciativas do Serviço Educativo

Nós e o Rio


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Festas Populares do Seixal Passeios no rio Tejo, inseridos no programa das Festas Populares do Seixal. local: Varino Amoroso destinatários: público juvenil e adulto datas e horários: 22 de Junho, das 9h às 11h30; 27 de Junho, das 13h às 16h; 28 de Junho, das 13h30 às 16h30 inscrições: na Junta de Freguesia do Seixal

Bote-de-fragata Baía do Seixal a navegar © EMS/CDI – João Martins, 2000

Do Seixal a Alhandra Passeio no Tejo no bote-de-fragata Baía do Seixal, com um percurso fora do habitual – desde o Seixal até Alhandra. Este passeio realiza-se no âmbito da participação da nossa embarcação tradicional no XXXIV Cruzeiro do Tejo, promovido pelo Alhandra Sporting Clube. O regresso de Alhandra até ao Seixal será assegurado por autocarro municipal. destinatários: público juvenil e adulto data: 28 de Junho (horário a indicar)

Sessões práticas de navegação à vela Sessões práticas de navegação, a bordo de embarcações tradicionais à vela, nas quais os participantes têm a oportunidade de participar nas várias tarefas a bordo e de conhecer e aplicar vocabulário náutico tradicional. local: varino Amoroso (embarque no cais do Seixal) e bote-de-fragata Baía do Seixal destinatários: público juvenil e adulto datas: de 16 a 30 de Junho (horário a indicar)

Bote-de-fragata a navegar © EMS/CDI – João Martins, 2000

Visitas temáticas Vestígios da presença romana na Quinta de São João Visita à intervenção arqueológica de emergência, levada a cabo entre Abril e Maio pelo Serviço de Arqueologia do Ecomuseu, na Quinta de S. João, em Arrentela local: Quinta de São João, Arrentela destinatários: público juvenil e adulto datas e horários: 17 de Maio, às 15h

Intervenção arqueológica de emergência na Quinta de S. João © EMS/CDI – Cézer Santos, 2002


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Investigações arqueológicas na Quinta de São Pedro Percurso pelo sítio arqueológico, para observação e interpretação dos trabalhos de campo em curso e breve sessão audiovisual, para caracterização da antiga necrópole e do espólio já recolhido em anteriores campanhas. local: Extensão do Ecomuseu na Quinta de S. Pedro destinatários: público juvenil e adulto data e horário: 28 de Junho, às 15h

Sessão de divulgação na Quinta de S. Pedro © EMS/CDI – Jorge Raposo, 2001

Lançamento de edições Metamorfoses, Ordem e Erudição – a Iconografia das Pinturas do Tecto de Madeira Policromada da Quinta da Trindade, de Celso Mangucci. Colecção Património e História 2 local: Núcleo da Quinta da Trindade data e horário: 18 de Maio, às 17h

A Pesca e as Secas de Bacalhau do Seixal. Projecto de Educação Patrimonial, de Paula Catarino e Paulo Rodrigues. Colecção Dossiês Didácticos 1 local: Mundet, Seixal data e horário: 19 de Maio, às 9h30

Actas da Conferência Internacional sobre Cortiça, Património Industrial e Museologia, edição em CD-ROM local: Núcleo da Mundet do Ecomuseu – Edifício das Caldeiras Babcock data e horário: 24 de Maio, às 15h

A Cerâmica no Postal Ilustrado - Catálogo da colecção de Eugénio Lapa Carneiro local: Núcleo da Mundet data e horário: 29 de Junho, às 17h

Postal da colecção de Eugénio Lapa Carneiro Nº Inv. EMS 1999.330.224 © EMS/CDI, Ciba Photochemie/Foto Hermínios/Guarda

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Política

de

incorporação

–

o

acervo

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Tema de Reflexão

a conservar, interpretar e difundir Sob a designação de "Tema de Reflexão", o Ecomuseu Informação tem vindo a divulgar textos em que aborda assuntos considerados de actualidade não só para o funcionamento do Ecomuseu do Seixal, mas também para o debate comparativo de experiências e a partilha de ideias entre a equipa técnica local e os leitores deste boletim, sejam eles cidadãos motivados pela valorização do património ou mesmo envolvidos na vida de um museu, sejam eles profissionais e intervenientes directos nas práticas museológicas. O tema de reflexão deste trimestre é o da incorporação, isto é, o processo a partir do qual um bem cultural ganha pleno estatuto de objecto museológico (começando pelo momento em que ingressa no museu) em função da investigação, conservação, documentação e comunicação de que é alvo. Os objectos ou testemunhos por que os museus se responsabilizam a partir do seu ingresso podem ser adquiridos por meios diversos, como no caso do Ecomuseu Municipal do Seixal, em que se destacam as aquisições por recolha conduzida pela sua própria equipa técnica e científica, por compra e por oferta de munícipes, de entidades diversas e de coleccionadores privados. Como antevimos nas páginas de apresentação (à guisa de editorial) do Ecomuseu Informação nº 26 (primeiro trimestre de 2003), ao fazermos o balanço das actividades do ano transacto emergiram alguns dados essenciais de avaliação do museu, particularmente no que respeita à incorporação de bens culturais, com repercussão transversal no funcionamento do museu. Ao cabo de vinte e um anos de existência, aquela que foi a primeira entidade museológica instituída pela Câmara Municipal do Seixal (em 1982, como Museu Municipal, denominado de Ecomuseu a partir de 1983) constituiu um importante e numeroso acervo. Este é amplamente representativo do ponto de vista da vocação e da missão do Ecomuseu - investigar, conservar, documentar, interpretar, valorizar e difundir testemunhos do Homem e do meio, reportados ao território e à população do Concelho, com vista a contribuir para a construção Tina de parafinar, de tanoaria e a transmissão das memórias colectivas e para um © EMS/CDI desenvolvimento local sustentável. Para além dos bens móveis, o acervo do Ecomuseu engloba os imóveis a quem correspondem alguns dos seus núcleos e três embarcações a navegar no Tejo. As colecções e os bens móveis, ascendendo a mais de cem mil objectos, repartem-se sobretudo, por categorias principais, em: arqueológicos; técnicos, científicos e industriais; artísticos e históricos; etnográficos e documentais. Visitando o sítio do Ecomuseu na Internet, o leitor poderá ter uma visão de síntese sobre o seu Acervo – apresentado precisamente sob aquela caracterização tipológica. Com efeito, tanto a gestão do referido acervo móvel, como a gestão do acervo imóvel e flutuante compete, na prática quotidiana dos serviços municipais, ao Ecomuseu, no plano cultural e patrimonial, através da aplicação das funções museológicas da investigação, da documentação, da conservação, da interpretação, da exposição/comunicação e da educação/difusão. Em 2002, procedemos ao registo de entrada de mais 50975 objectos , 95% dos quais associados ao inventário e estudo de património industrial do concelho do Seixal. Todos aqueles objectos foram sumariamente identificados e acondicionados, destinando-se a próxima selecção, no quadro de diversos projectos de investigação em curso (no âmbito dos quais o museu adquiriu ou recolheu os ditos objectos/documentos) ou de projectos a desenvolver, com vista à sua inventariação e, naturalmente, à sua adequada conservação. Tendo em conta o quadro de situação do acervo museológico municipal, no que se reporta ao Ecomuseu, face ao estado actual de instalações e de equipamentos de


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reserva, às exigências técnicas e logísticas dos materiais e aos objectivos da incorporação de tais bens, estamos perante um processo complexo a resolver ao longo dos próximos anos, constituindo um verdadeiro desafio às capacidades, responsabilidades e competências não só da Autarquia, como tutela local de um museu de média dimensão, como também dos órgãos de tutela nacional, visto que grande parte das colecções em causa se revestem de um inegável interesse para além do âmbito local e na perspectiva duma rede museológica à escala do país. No âmbito da actual preparação da lei-quadro de museus – na dupla perspectiva de um futuro regime comum aos museus portugueses e da Rede Portuguesa de Museus – conta-se que tal documento venha a indicar que os museus, enquanto instituições ou organizações a que se reconhece e exige um importante papel social, devem dar a conhecer e dispor de uma política de incorporação de bens. Tal política será Relógio de sol portátil com bússola, necessariamente definida de acordo com a missão do em caixa de madeira © EMS/CDI museu, os seus objectivos e a sua vocação, fundamentada em programas e projectos de investigação e estudo. Indicado com clareza o domínio das aquisições e de formação do respectivo acervo museológico, respeitando simultaneamente as normas e as convenções internacionais aplicáveis e em vigor, o museu deve proceder a uma regular ponderação e avaliação dos pressupostos e dos resultados da sua política de incorporação e revê-la ou actualizá-la sempre que necessário, tendo em vista a sustentabilidade e o cumprimento das razões específicas da sua existência, dos seus objectivos e dos propósitos que o identificam e singularizam como instituição cultural permanente, ao serviço da sociedade e do seu desenvolvimento. A não ser em casos excepcionais, que cada tutela terá de fundamentar, os bens incorporados num museu não deverão ser alienados. A nossa reflexão assenta hoje num percurso em que foi assumida a aplicação de uma política de incorporação condicionada, é certo, pela dimensão local dos investimentos, mas definida de acordo com a orientação programática evolutiva do museu e com a sua pluralidade de campos temáticos, decorrente das diversidades identitárias e da interpretação multifacetada e multidisciplinar do território de referência do Ecomuseu (o concelho do Seixal). A política de incorporação do Ecomuseu conjuga-se explicitamente com a sua política de investigação, mas não pode ignorar uma das particularidades da missão do museu, o seu paradigma de participação da comunidade urbana, que nos torna atentos à iniciativa e à vontade de alguns dos seus membros contribuírem para a selecção e incorporação de determinados bens, que considerem representativos da sua identidade e do território em que vivem e em cujo desenvolvimento cultural querem intervir e participar. Apesar do seu estatuto de museu local (pela tutela municipal), a actividade de investigação do Ecomuseu do Seixal tem procurado basear-se numa reflexão geral sobre a situação da disciplina de base - ou disciplinas - que a sustentam, bem como na avaliação das lacunas de conhecimento nos domínios a que se reportam, na perspectiva e com a preocupação da recolha de objectos e da constituição de colecções pertinentes face a tais princípios e preocupações.Assim se vem perspectivando, como já foi dito, o âmbito de constituição do acervo museológico, num quadro temático e geográfico mais lato, potenciado por um sistemático tratamento científico e museológico. O património material que hoje é incorporado no museu – ou o património imaterial hoje documentado e cujos registos o museu também integra – devem simultaneamente interagir com as respectivas políticas de conservação e de exposições, exigindo complexos projectos de médio e de longo prazo, em estreita articulação tanto com a envolvente social, como com o meio científico, aproveitando e procurando rentabilizar todas as vertentes técnicas da equipa e dos recursos museais da própria instituição de tutela.

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Os 60 anos da Casa da Infância da Mundet & C.ª, Lda. (1943-2003)

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Património Cultural do Concelho

Casa da Infância da Mundet (Seixal) © EMS/CDI

Seixal • Casa da Infância/Mundet

Inserindo-se numa vasta acção de política sociocultural, a Mundet & Cª, Lda. inaugurou a 4 de Abril de 1943, na presença das mais altas individualidades do país, a Casa da Infância destinada aos filhos dos trabalhadores da empresa, com idades compreendidas entre os três e os seis anos, idade necessária para transitarem para o ensino oficial.

A partir da última década do séc. XIX, alguns diplomas legais então promulgados – o decreto de 10 de Fevereiro de 1890 e os regulamentos de 14 de Abril de 1891 e de 16 de Março de 1893, entre outros – reflectiam algumas das preocupações do Estado, no que se refere à protecção legal de menores e mulheres empregados na indústria. Para além de regulamentarem os horários de trabalho praticados, os preceitos de higiene e saúde a seguir (nomeadamente, a obrigatoriedade de vacinação antivariólica como condição para a admissão nos estabelecimentos fabris), estes diplomas determinavam ainda a instalação de creches nos estabelecimentos fabris onde se empregassem cinquenta ou mais mulheres e, em relação ao regime de instrução, ordenava a criação de escolas primárias. Contudo, o preâmbulo do decreto n.º 14.498, de 29 de Outubro de 1927, mencionava a falta de cumprimento das disposições legais anteriormente referidas, sendo ainda reconhecido que apesar da legislação em vigor, os menores não frequentavam a escola oficial, dado que as famílias com escassos recursos económicos procuravam introduzir precocemente os seus filhos em oficinas e fábricas, onde se tornavam faxinas ou operadores de máquinas simples, contribuindo assim com o seu parco salário para a subsistência familiar.


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Apesar da existência de legislação específica que estipulava a instalação de creches e escolas nas fábricas onde laborava um número elevado de mulheres e das sanções legais que, dependendo da importância do estabelecimento e da gravidade da infracção, podia ir desde o pagamento de multa ao encerramento do estabelecimento fabril em caso de repetida reincidência, estas obrigações legais nem sempre foram respeitadas.

Sala da Casa da Infância da Mundet (Seixal) © EMS/CDI

Mulheres Operárias na fábrica Mundet (Seixal)

1931

1938

1955

1956

1959

1960

1968

No caso da Mundet & C.ª, Lda. (em cujo acervo documental apenas dispomos, até ao momento, de dados específicos sobre mulheres e menores a partir do início dos anos 30 do século XX) encontra-se bem patente o elevado número de operariado feminino nas fábricas Mundet instaladas no concelho. Em 1931, na fábrica Mundet (Seixal), encontravam-se a laborar 557 mulheres, 62 das quais menores, enquanto, nesse mesmo ano, a fábrica Mundet (Amora) empregava 278 mulheres, das quais 102 eram operárias menores, com idades a partir dos doze anos, laborando nas diversas oficinas. O número de mulheres operárias na fábrica do Seixal elevar-se-ía extraordinariamente, como se constata no gráfico, ao ponto de chegar, em 1938, às 1320 trabalhadoras, num universo de 1938 trabalhadores.

Hermínio Lopes Castilho © EMS/CDI

Através da intervenção de funcionários da 3ª Circunscrição Industrial com competência para vistoriar e fiscalizar as unidades fabris, e face ao elevado número de trabalhadores empregados nas fábricas Mundet instaladas no concelho do Seixal, a circunscrição actuou no sentido de obrigar a empresa não só à realização de obras de beneficiação no que respeita à higiene e segurança dos trabalhadores, mas também à instalação de algum equipamento social. Neste âmbito, em 1935 foram criados os refeitórios para o pessoal da firma Mundet (Seixal), seguindo-se a inauguração das creches da empresa Mundet, em Amora (1937), no Seixal (1939) e a Casa da Infância, no Seixal (1943).

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Perspectiva geral do edifício da Casa da Infância da Mundet (Seixal) © EMS/CDI

Este último equipamento sociocultural foi um projecto da autoria de Hermínio Lopes Castilho (1907-1969). Construtor técnico e desenhador, com o Curso de Construtor, tendo frequentado o Curso de Belas Artes e com experiência profissional anterior em diversos serviços técnicos no âmbito do desenho e da construção – em empresas como as Obras Públicas de Angola, a Companhia Grüner e a firma Amadeu Gaudêncio – foi admitido na Mundet no início de 1938, tornando-se mais tarde Chefe da Divisão Técnica da empresa. Pérgula e edifício da Casa da Infância da Mundet (Seixal) © EMS/CDI

Fonte, na envolvente da Casa da Infância da Mundet (Seixal) © EMS/CDI

A fachada principal do edifício, virada a Oeste, apresenta uma arquitectura de linhas horizontais e marcadamente simétrica, ostentando um certo modernismo e monumentalidade, possivelmente de inspiração marcada por outras obras arquitectónicas realizadas durante o Estado Novo. Porém, a sequência dos seus grandes janelões, proporcionando uma boa iluminação pela luz natural dos espaços interiores, aparenta semelhanças a uma fachada fabril.

Os espaços interiores do edifício são marcados por um corredor axial, que não só atribui ao espaço uma configuração uniforme, como permite obter uma organização funcional racional e equilibrada dos espaços. Com capacidade para cem crianças, a Casa da Infância dispunha de quatro salas de aula, vestiários, casa de jantar, balneários e um amplo ginásio, apresentando um certo antagonismo entre as funções sóciopedagógicas aí desempenhadas utilizando um mobiliário de escala adequada às actividades infantis, e o alto pé direito do imóvel (com cerca de 4,50 metros), criando um espaço a uma escala pouco "natural" para ser vivido e usufruído por crianças, mas adquirindo assim uma dimensão arquitectónica que dignifica o edifício e lhe atribui uma certa monumentalidade, evidenciando-o dos demais.


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A implantação da Casa de Infância, um pouco recuada em relação à via de circulação interna que separava a actividade fabril corticeira dos edifícios destinados às crianças favoreceu o enquadramento destes na paisagem, propósito que evidentemente foi reforçado com a construção de uma pérgula e de uma fonte em forma de concha, decorada com um painel da fábrica Sant’ana, em azulejos figurativos e policromados, elemento central num conjunto de embelezamento dos espaços verdes ajardinados que envolvem os edifícios.

"Fábrica do Seixal – perspectiva de alteração" – projecto de meados da década de 40 do século XX, não efectuado © EMS/CDI

Num período de grande prosperidade económica da empresa, em meados dos anos 40 do século XX, projectou-se uma profunda transformação da fábrica da Mundet (Seixal), que passava não só pela demolição de grande número dos imóveis existentes na área fabril e pela construção de edifícios de raiz onde seriam instaladas novas oficinas e armazéns, mas também pela criação de uma área, no perímetro fabril, destinada à instalação de novos edifícios com funções socioculturais, recreativas e desportivas. Inseriam-se neste projecto, para além da Casa de Infância, Creche e parque de recreio infantil já existentes, a construção de uma escola primária, escola industrial, edifício para instalação da direcção dos serviços sociais, e parque de jogos. Este projecto de reorganização dos espaços fabris, documentado no espólio da empresa em estudo pelo Ecomuseu, nunca foi concretizado. Em 1965, decorridos alguns anos após o encerramento da Casa da Infância (que ocorreu em 1952, por dificuldades de ordem financeira da empresa), os escritórios que a firma até então detinha em Lisboa foram transferidos para a fábrica no Seixal, tendo por essa altura a antiga Casa da Infância sofrido as remodelações necessárias à refuncionalização e adaptação do edifício a sede dos serviços comerciais, administrativos e de gerência da empresa.

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A construção naval em madeira A localização geográfica da Margem Sul do Estuário do Tejo contribuiu decisivamente para o desenvolvimento de importantes actividades económicas, por parte das comunidades ribeirinhas, que aproveitaram das condições naturais da região. Foram disso exemplo os moinhos de maré, as marinhas de sal, os cais, portos e portinhos e os estaleiros de construção naval.

Trabalhadores do estaleiro do mestre Álvaro Lopes Venâncio e os seus filhos Sidónio Valente Venâncio e Joaquim Valente Venâncio junto a uma traineira em construção (1957/1958) © EMS/CDI

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Memórias e Quotidianos

Em função da localização geográfica da Margem Sul do Estuário do Tejo, as suas comunidades ribeirinhas protagonizaram, ao longo de séculos, para além da pesca, o aproveitamento económico das condições e dos recursos naturais, desenvolvendo quer as actividades da construção naval, da produção de sal e da moagem, quer uma intensa cabotagem e a navegação fluvial e marítima. De todas essas actividades da região permanecem importantes testemunhos, nomeadamente moinhos de maré, antigos cais e estruturas de portos ou portinhos e estaleiros de construção naval artesanal. No território do actual concelho do Seixal, os esteiros do Judeu e de Corroios apresentaram desde sempre condições especiais de ancoradouro para inúmeras embarcações: as suas praias, de águas calmas e pouco profundas, eram abrigos naturais das tempestades de Inverno. Estes factores naturais e ainda a proximidade em relação a Lisboa poderão explicar a instalação, no concelho, da Ribeira das Naus, estaleiro onde se construíram as embarcações utilizadas nas viagens dos Descobrimentos Portugueses. Do Dicionário Geográfico do século XVIII, constam as seguintes informações da autoria do pároco da freguesia do Seixal que dão conta da existência daquele estaleiro no concelho antes de ter sido transferido para a Telha, no Barreiro: [O Seixal] tem duas Ermidas huma dentro do lugar, e de Nossa Senhora da Conceição que he tradição ter sido erecta pelo Rey e Senhor Dom Manoel, para nella ouvirem Missa os oficiais, e Mestrança de primeyra Ribera das Naos que foi neste lugar, e delle passou a dita Fabrica para Última grande reparação da fragata Giribita, realizada no Estaleiro de Álvaro o lugar da Telha, no Rio de Lopes Venâncio entre 1959 e 1960 Coyna distante deste lugar © EMS/CDI menos de meya legoa (...). Para além das condições naturais da Baía do Seixal, outros factores contribuíram para o desenvolvimento da construção naval em madeira: a existência de vastas manchas de pinhal localizadas no interior do concelho, o aproveitamento das praias para espalmadouro, ou seja, locais de conservação da madeira e a abundância de seixos, utilizados para lastro das embarcações.


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As embarcações construídas nos estaleiros ribeirinhos destinavam-se não só às frotas de pesca mas também às actividades de cabotagem, ou seja, ao transporte de mercadorias e de passageiros, que se fazia preferencialmente através do rio dada a precariedade das vias terrestres. O tráfego fluvial conheceu uma franca expansão até ao desenvolvimento das redes rodoviária e ferroviária, onde se incluiu a construção das várias pontes sobre o rio Tejo. Nesta altura, assistiu-se, por um lado, à perda de importância dos transportes fluviais e, por outro lado, à substituição das embarcações de madeira pelas de ferro e de aço. Esta mudança levou ao encerramento de vários estaleiros, nomeadamente aqueles que não foram capazes de reconverter a sua actividade e de se adaptarem às mudanças produzidas, quer no tipo de embarcações, quer na utilização dos materiais: desde a madeira ao alumínio passando pelo ferro e pelo aço. Não foi esse o caso dos Estaleiros Venamar, na Amora, que com os seus setenta anos de actividade assistiram e resistiram às várias mudanças do sector. A história deste estaleiro teve início com a vinda de Álvaro Lopes Venâncio, natural de Pardilhó (concelho de Estarreja e distrito de Aveiro) para a Amora.Antes de se estabelecer por conta próÁlvaro Lopes Venâncio (à direita) e Sidónio Valente Venâncio (à esquerda), pria, trabalhou no estaleiro entre 1957 e 1958 do mestre Joaquim da Fonse© EMS/CDI ca na Barroca, Talaminho. Durante este período, construiu, aos domingos, no quintal da sua casa situada junto à igreja da Amora, um barco de recreio chamado Espadarte, para o qual rapidamente encontrou comprador. Foi este o ponto de partida para Álvaro Venâncio se instalar numa pequena parcela de terreno na praia. Decorria o ano de 1932 e o mestre construiu ali o iate Maria Beleza que assinalou o arranque do estaleiro. Embora Álvaro Venâncio tivesse ganho reputação enquanto construtor de embarcações de recreio, pelo seu estaleiro passaram também embarcações de pesca e de cabotagem. Na década de 80 do século passado, o seu estaleiro esteve associado à iniciativa da Câmara Municipal do Seixal de recuperar embarcações tradicionais do Tejo, ao oferecer o bote de fragata Gaivotas que hoje faz parte do acervo do Ecomuseu Municipal do Seixal. A história da construção naval em madeira praticada nos estaleiros de praia espalhados um pouco por toda a zona da Margem Sul do Tejo encontra-se ainda hoje praticamente por fazer. A somar à falta de vestígios materiais destas antigas estruturas, deparamos também com a ausência de documentação que nos permita fazer a história Batelão fluvial "Furadouro" em reparação no Estaleiro de Álvaro Lopes dos estaleiros, dos seus trabaVenâncio no ano de 1956 © EMS/CDI lhadores e das embarcações ali construídas. Neste contexto, surgem como grande contributo os testemunhos de antigos trabalhadores da construção naval, oportunamente registados ou ainda passíveis de registo. O Ecomuseu Municipal do Seixal possui no seu espólio numerosas gravações de entrevistas a carpinteiros de machado e a calafates que se encontram actualmente em fase de transcrição e tratamento, no âmbito dos projectos de estudo da cultura flúvio-marítima reportada à Margem Sul do Estuário do Tejo.

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Acervo documental - as colecções de cartazes do EMS A colecção de cartazes actualmente incorporada no Centro de Documentação e Informação (CDI) do Ecomuseu Municipal do Seixal teve a sua génese num núcleo inicial de cerca de centena e meia de documentos, constituído essencialmente por cartazes publicitários de grande dimensão (semelhantes em dimensão e função aos actuais mupi), datados das décadas de 60 e 70 do século XX, maioritariamente orientados para a promoção de marcas e produtos nos domínios alimentar, da higiene e limpeza e do ramo automóvel, a que se juntou uma colecção de cerca de uma centena de documentos de pequeno formato (oscilando entre os formatos A3, A4 e A5), datados maioritariamente das décadas de 50, 60 e 70 do século XX, cujo interesse e relevância para o aprofundamento da história local se torna evidente, por se tratarem de cartazes de divulgação de actividades de lazer, cultura, recreio e desporto promovidas por associações ou colectividades locais.

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Conhecer

© EMS/CDI e António Silva, 2003

© EMS/CDI e António Silva, 2003

Ultrapassando actualmente os 5000 documentos, a colecção de cartazes do Ecomuseu é constituída por três núcleos principais: o núcleo inicial, anteriormente caracterizado, que integra o Fundo Antigo da Câmara Municipal do Seixal, do qual já foi dada notícia breve no Ecomuseu Informação nº 23 (Abril, Maio, Junho 2002), que se caracteriza por ser uma colecção fechada; um segundo núcleo, constituído pela doação efectuada à Câmara Municipal do Seixal/Ecomuseu por Francisco Madeira Luís (ver notícia publicada no Ecomuseu Informação nº 19 de Abril, Maio, Junho 2001), da qual foram já integrados no CDI cerca de três mil documentos de um total que se aproxima dos dez mil e que se constitui igualmente como uma colecção fechada (apenas cartazes editados entre 1974 e 2000); e, por fim, um terceiro núcleo, que começou a ser constituído com a implementação do Centro de Documentação do Ecomuseu Municipal do Seixal, na década de 80 do século XX, que se caracteriza por ser uma colecção aberta, ou seja, uma colecção em permanente actualização e crescimento, que integra nomeadamente muitos exemplares editados pela Câmara Municipal do Seixal após o 25 de Abril de 1974. Os dois últimos núcleos referidos integram o © EMS/CDI e António Silva, 2003 Fundo Geral do CDI e têm entre si seme-


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lhanças no que se refere à temática, período cronológico e características físicas dos documentos. Ambas as colecções têm um carácter generalista, abrangendo temáticas muito diversificadas, predominando no entanto as temáticas e conteúdos reportados às áreas política, social e cultural nos mais diferenciados domínios de intervenção nomeadamente partidos e campanhas políticas, organizações e actividades sindicais, organizações não governamentais, organizações e actividades de defesa do ambiente, desporto, recursos naturais, educação, justiça, defesa, direitos e intervenção cívica, transportes, ensino, emprego, teatro, cinema, audiovisuais, artes plásticas e decorativas, música, património cultural, museus, artes e tradições populares, história, efemérides, turismo, gastronomia, actividades de cultura e recreio, actividades económicas e comerciais, entre outras.

© EMS/CDI e António Silva, 2003

© EMS/CDI e António Silva, 2003

© EMS/CDI e António Silva, 2003

As duas colecções em referência são constituídas por cartazes de diferentes dimensões, predominantemente portugueses, editados na sua quase totalidade no último quartel do século XX, constituindo-se ambas como um repositório representativo da produção nacional desse período, a partir do qual é possível observar a evolução das técnicas e das linguagens gráfica, estética e textual que lhes estão associadas e, consequentemente, da história do próprio cartaz nomeadamente enquanto objecto de carácter artístico. O acesso à colecção de cartazes do Ecomuseu Municipal do Seixal está actualmente condicionado pelo facto de não existirem para a totalidade da mesma instrumentos de descrição, excepção feita para a colecção constituída a partir da década de 80 pelo Centro de Documentação, para a totalidade da qual existe já disponível um inventário sumário. Recentemente deu-se início à catalogação exaustiva e sistemática de toda a colecção, prevendo-se que a mesma possa, a médio prazo, estar pesquisável no catálo go informatizado do CDI (OPAC), facilitando-se desta forma o acesso e o conhecimento completo desta importante colecção a todos os utilizadores interessados.

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Ecomuseu Informação N.º 27 – Abril | Maio | Junho 2003 by Município do Seixal - Issuu