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Balanço preliminar 2020

Afetada pelos desdobramentos da Covid-19, produção de carne de frango fica aquém do potencial instalado

A

ntes mesmo da chegada do novo ano as perspectivas eram as melhores possíveis. Afinal, em 2019, depois de quatro anos consecutivos de semiestagnação, o setor aumentou o alojamento de matrizes de corte. Com isso, entrou em 2020 registrando um potencial de produção pelo menos 4% superior ao do ano anterior – rapidamente ampliável se o mercado exigisse. Efetivamente, o ano foi iniciado em ritmo intenso, atingindo-se já em março a maior produção mensal de carne de frango de todos os tempos. Ou, considerando-se apenas o produto inspecionado (dados trimestrais do IBGE), mais de 530 milhões de cabeças, volume 13% superior ao alcançado um ano antes, em março de 2019. Mas, a essa altura, os efeitos da Covid-19 já impunham retração da produção. E o recorde de março só foi atingido porque os frangos abatidos no mês vinham sendo criados desde meados de janeiro. Restava voltar atrás, algo que na indústria do frango demanda tempo, pois o processo de produção se inicia mais de 60 dias antes. Daí o recuo no segundo trimestre ter sido gradativo até atingir-se, em junho, um dos menores volumes do último quinquênio. Considerado o volume produzido em março e levando em conta que na ocasião o potencial de produção do setor vinha aumentando, pode-se afirmar que entre abril e junho o setor

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deixou de produzir em torno de 500 mil toneladas de carne de frango. Mas não só. Devido ao verdadeiro estado de pânico que se abateu sobre toda a economia a partir do instante em que foi iniciado o isolamento social, o setor – sem uma visão mais clara do futuro – passou a descartar, antecipadamente, significativo volume de reprodutoras. Daí, posteriormente, mesmo com a retomada da demanda, não se ter atingido o volume alcançado em março. Em outras palavras, se o potencial originalmente instalado possibilitava ampliar a produção em 4%-5%, sob os efeitos da pandemia ele foi reduzido a menos da metade. Neste final de ano, com certeza, esse potencial se encontra parcial ou totalmente recuperado. Mesmo assim, persiste grande indefinição quanto ao que está sendo produzido neste quarto trimestre. Na projeção efetuada para o período (vide tabela), a Revista do AviSite tomou como referência o volume produzido no primeiro trimestre do ano (o maior de 2020), apenas considerando que o atual trimestre tem 92 dias, ou seja, um dia a mais que o primeiro trimestre. Porém, deve se esperar produção maior que a projetada, pois, em, geral, é no quarto trimestre de cada exercício que se concentra a maior produção de carne de frango do ano. Ainda assim, o incremento em relação a 2019 não deve ir muito além de 1%.

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Revista do AviSite - Edição 133  

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