Skip to main content

Edição 125 - Revista do Avisite

Page 1

A Revista do AviSite

1


Editorial

2

A Revista do AviSite


Sumário

40 A destruição criativa e a transformação do agro

26 Insensibilização de

A medicina veterinária de animais de produção e a zootecnia de precisão estão passando pela mesma transformação, movendo diversas iniciativas disruptivas para o campo

frango de corte em cuba de imersão

Os requerimentos de bem-estar animal determinam que os animais sejam abatidos apenas após um processo de insensibilização

05 Eventos 06 Painel do leitor lança edição revisada de “Produção de 08 FACTA matrizes de frangos de corte” 09 Principais critérios de seleção e seu 32 Probióticos: papel na saúde intestinal Notícias Curtas

60 Ano se inicia com

cotações e poder de compra em queda

Em janeiro, as vendas da proteína seguiram em ritmo lento, e as cotações do milho e do farelo de soja registram alta, enquanto as do animal recuaram

Pharm Awards anuncia o Grupo Vaxxinova entre 59 Animal os vencedores de xilanase para melhoria da funcionalidade de 59 Uso fibras nos monogástricos é defendida pela AB Vista

70 Ponto Final

Em busca de novos acordos por: José Zeferino Pedrozo Presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de SC (Faesc) e do Conselho de Administração do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC)

da Doença de Gumboro: o inteligente 38 Prevenção mecanismo de ação das vacinas de imuno-complexo Resistência Bacteriana e Oferecendo 42 Esclarecendo Soluções Saúde Animal anuncia Thiago Tejkowski como 46 MSD novo gerente de marketing em avicultura de aves livres de antibióticos e segurança 48 Produção alimentar saúde intestinal de frangos de corte tratados com 52 AUNIWALL® MOS 25 e FLORAMAX B11® e desafiados com Salmonella Heidelberg o ano em que a avicultura vai brilhar na 54 2019: América do Sul Eletrônico de Nutrição Rhodimet® agora 56 Guia também está disponível para uso em smartphones Pelicioni é o novo Gerente de Produto da 58 Felipe Unidade de Aves da Ceva Saúde Animal

Estatísticas e preços 62 63 64 65 66 67 68 69

Produção e mercado em resumo Pintos de corte Produção de carne de frango Exportação de carne de frango Oferta Interna Desempenho do frango vivo Desempenho do ovo Matérias-primas A Revista do AviSite

3


Editorial

Edição de abertura do calendário editorial de 2019 da Revista do AviSite traz novidades A edição que abre o calendário editorial da Revista do AviSite traz como destaque, primeiramente, a inauguração da coluna “Tecnologia”, que assinada por Leonardo Thielo de La Veja, médico veterinário e empresário, fundador da F&S Consulting, cofundador da brstart, professor no Programa de Pós-graduação em Ciência Animal da PUCPR, membro da Comissão Nacional de Bem-Estar Animal do Conselho Federal de Medicina Veterinária, membro do Corpo Técnico da Facta. Ao longo de sua carreira, recebeu diversos prêmios importantes, destacando-se pela indicação ao Prêmio Global da World Veterinary Association em 2018. Nesta primeira coluna ele aborda o tema “A destruição criativa e a transformação do agro”. Segundo ele, “a destruição criativa ou destruição criadora, maneira como alguns economistas gostam de descrever a constante mudança da economia, explica como produtos e serviços deixam de existir para que algo melhor tome o seu lugar. Em 1992, na revista Econometrica, os economistas Phillippe Aghion e Peter Howitt publicaram um importante artigo sobre o modelo da destruição criativa, “A Model of Growth Through Creative Destruction”, disponível gratuitamente no portal de papers da Harvard (DASH). Neste trabalho, os autores afirmam que a quantidade de pesquisa em qualquer período depende da quantidade de pesquisa esperada no período seguinte. Isto é, as inovações criativas em desenvolvimento hoje estão intrinsicamente ligadas a um conjunto de tendências já conhecidas ou esperadas. Além dos destaques técnicos e empresariais do setor avícola, esta edição traz seus últimos números e estatísticas. Segundo nossos analistas, houve uma queda de 2,38% no potencial de produção de carne de frango em 2018. “As projeções da APINCO baseadas no alojamento interno de pintos de corte e levando em conta os índices de produtividade apontados pelo mercado indicam que em 2018 o setor dispôs de potencial suficiente para produzir perto de 13,289 milhões de toneladas de carne de frango, volume que, comparado aos 13,612 milhões estimados para 2017, representa redução anual de 2,38%. E sobre as exportações, o setor também registra queda no volume exportado de 5,2% em 2018. “Os dados consolidados da SECEX/MDIC englobando os quatro itens de carne de frango exportados pelo Brasil – inteiros, cortes, industrializados e carne salgada – apontam volume anual da ordem de 4,013 milhões de toneladas, e uma geração de receita próxima de US$6,480 bilhões, valores que representam queda de, respectivamente, 5,22% e 9,24% sobre os resultados de 2017. Responsáveis por pouco mais de dois terços do volume (67,5%) e da receita cambial do setor (68%), os cortes impediram que as exportações de carne de frango de 2018 apresentassem resultados negativos mais incisivos, pois mantiveram o mesmo volume de 2017 (incremento de 0,32%). Mas não só isso, pois, a despeito do pequeno adicional registrado – perto de 9 mil toneladas a mais – alcançaram o maior volume da história do setor.” Acompanhe estes e outros destaques na sua Revista do AviSite. Boa leitura!

4

A Revista do AviSite

Mundo Agro Editora Ltda. Rua Erasmo Braga, 1153 13070-147 - Campinas, SP

ISSN 1983-0017 nº 125 | Ano XI | Março/2019

EXPEDIENTE Publisher Paulo Godoy paulogodoy@avisite.com.br Redação Giovana de Paula (MTB 39.817) imprensa@avisite.com.br Comercial Karla Bordin (19) 3241 9292 comercial@avisite.com.br Diagramação e arte Mundo Agro e Innovativa Publicidade luciano.senise@innovativapp.com.br Internet Gustavo Cotrim webmaster@avisite.com.br Administrativo e circulação financeiro@avisite.com.br

Os informes técnicoempresariais publicados nas páginas da Revista do AviSite são de responsabilidade das empresas e dos autores que os assinam. Este conteúdo não reflete a opinião da Mundo Agro Editora.


Eventos Notícias Curtas

2019

SIAVS ao vivo e a cores

Março

Ação promovida entre parceiros segue proposta de levar informação de qualidade através da internet, em tempo real

26 a 28

XVII Congresso de Ovos Organizado pela APA (Associação Paulista de Avicultura) Local: Centro de Convenções de Ribeirão Preto (SP). Informações: www.congressodeovos.com.br E-mail: congresso@apa.com.br.

Abril 02 a 04

20º Simpósio Brasil Sul de Avicultura Local: Chapecó, SC Promoção: Nucleovet informações: www.nucleovet.com.br Contato: nucleovet@nucleovet.com.br

Maio 14 a 16

Conferência FACTA WPSA-Brasil 2019 Frango: A responsabilidade de alimentar o mundo” Expo Dom Pedro, Campinas (SP) Informações: www.facta.org.br

Junho 05 e 06

FAVESU - Espírito Santo Feira de Avicultura e Suinocultura Capixaba Local: Espírito Santo Telefone: (27) 3288-2748 Site: www.associacoes.org.br 16 a 19

CONBRASUL 2019

OVUM 2019

Em 2019 teremos mais uma edição do Simpósio Internacional de Avicultura e Suinocultura (SIVS), tradicional evento que reuni empresas, produtores e grandes autoridades dos setores avícolas e suinícolas, para realização de grandes negócios e discussão sobre o mercado. Esse ano, o SIAVS acontece de 27 a 29 de agosto no Anhembi Parque em São Paulo, reservando uma ação diferenciada para o dia 28: o AveLive. Com a proposta de utilizar a comunicação a favor do público que busca informações atualizadas sobre todos os aspectos que envolvem a avicultura, o AveLive chega à sua segunda edição trazendo um panorama geral do evento e entrevistas exclusivas com grandes nomes do setor, ao vivo. A transmissão do AveLive será realizada nos portais do AviSite e OvoSite, no site e página do Facebook da Agroceres Multimix, a partir das 09h30. Para aqueles que não tiverem a oportunidade de estarem presentes, será a maneira ideal de acompanhar os acontecimentos do simpósio e manter-se atualizados sobre as tendências do mercado.

XXVI Congresso Latino-Americano de Avicultura Local: Lima, Peru Site: www.elovum.com

Save the date: 28 de agosto. AveLive, aqui você e o conhecimento se encontram.

Local: Gramado/RS Telefone: (51)3228-8844 E-mail: conbrasul@ovosrs.com.br Site: www.conbrasul.ovosrs.com.br

Agosto 27 a 29

Salão Internacional de Avicultura e Suinocultura (SIAVS) Local: Anhembi Parque, em São Paulo (SP). Promoção: Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) Informações: www.siavs.com.br

Setembro 03 e 04

Congresso Europeu de Microbioma Animal Local: Londres, Inglaterra Site: animalmicrobiomecongressusa.com/events/ animal-microbiome-uk-2019

Outubro 08 a 11

A Revista do AviSite

5


Painel do Leitor Fale com a redação, peça números antigos, faça sua assinatura e anuncie na Revista do AviSite. Entre em contato pelo telefone 19-3241-9292, de 2ª a 6ª feira, das 8h às 17h00.

Última Edição

CLICK DA AVICULTURA Nossa leitora Thalita Blankenhein nos enviou essa foto através de nossa parceira, a Dra. Sarah Sgavioli. É ou não é um lindo “click da avicultura”? Se você tiver uma foto bem legal de nosso setor, encaminhe para imprensa@avisite.com.br. Ela pode aparecer em nossas Redes Sociais e também na próxima edição! Participe!

As 4 notícias mais lidas no AviSite em Fevereiro

1

2

3

4

Forte revés nas exportações de carne de frango de janeiro

Carne de frango: panorama mundial de 2000 para 2019

Desempenho do frango vivo no primeiro mês de 2019

Desempenho do ovo no primeiro mês de 2019

As exportações de carne de frango iniciaram 2019 registrando forte revés: comparativamente ao mesmo mês do ano passado, os embarques de janeiro de 2019 recuaram 15%, enquanto a receita foi 13% menor.

Nas previsões do USDA, em 2019 serão produzidas, mundialmente, 97,892 milhões de toneladas de carne de frango, volume que, significará expansão de quase dois terços (64%) em relação ao que foi produzido em 2000.

Cotado a R$2,90/kg no início do ano, o frango vivo negociado no interior paulista sofreu duas baixas logo na segunda semana do ano. Como totalizaram 15 centavos, passou a ser referenciado por R$2,75/kg.

Nos primeiros dias do ano, enquanto o consumidor paulistano gastava mais de R$5,00 para adquirir uma dúzia de ovos brancos, nas granjas do interior paulista o produtor recebia cerca de um quinto desse valor – o que significou retroceder a preços de 2015.

Há 10 anos no AviSite www.avisite.com.br

Apesar dos esforços, desafios para exportadores de frango vêm aumentando Campinas, 6 de Fevereiro de 2009 - A exemplo do que ocorreu com a carne de frango in natura, o volume global de carne de frango exportado em janeiro passado deve superar não só o embarcado em dezembro de 2008, mas também o total alcançado no início do ano passado (274.897 toneladas em janeiro de 2008). “Mas isso não deve servir de ânimo para ninguém, pois, a despeito de todos os esforços que vêm sendo desenvolvidos para superar as dificuldades enfrentadas no mercado internacional, os desafios vêm aumentando”, dizem representantes do setor. Algumas dessas dificuldades são as mesmas observadas no mercado interno – por exemplo, a carência absoluta de crédito. Outras ainda não foram observadas por aqui – caso, especialmente, de uma prevista e forte queda no consumo em consequência do quadro econômico recessivo. Mas há também dificuldades novas – algumas disfarçadas de barreiras sanitárias – envolvendo, entre outros, países como a África do Sul e a Rússia. Exemplificando, já há países importadores exigindo controles sanitários jamais realizados ou jamais cogitados no mercado internacional. E isso, dizem os exportadores, atravanca ainda mais o fluxo (já reduzido) do produto e eleva sobremaneira os custos de exportação. Um levantamento rápido feito pela ABEF demonstra que enquanto o câmbio sofreu valorização de 22% (os valores foram arredondados), o preço médio sofreu redução de 14%, fazendo com que o preço em real subisse 5%. Mas como o volume embarcado recuou 4,5%, os eventuais ganhos do mês (janeiro/09 em relação à média 2007/2008) praticamente zeraram. Frente à atual crise, não seria de todo ruim se os custos não tivessem aumentado mais de 10%. E devem continuar aumentando frente às novas exigências que surgem. Ainda assim, o setor mantém como meta repetir o volume embarcado em 2008.

6

A Revista do AviSite


Confira a programação Garanta sua inscrição Reserve seu hotel I NSC RI ÇÕE S E IN F OR MA Ç ÕES :

Patrocinadores:

Apoio: A Revista do AviSite

7


Publicações

FACTA lança edição ampliada e revisada do livro "Produção de matrizes de frangos de corte" A obra envolveu mais de 35 profissionais, sendo alguns colaboradores de empresas fortemente comprometidas com o setor avícola

A

Fundação APINCO de Ciência e Tecnologia Avícolas (FACTA) lança a 3ª edição do livro “Produção de matrizes de frango de corte”, ampliada e com conteúdo revisado. A obra envolveu mais de 35 profissionais, sendo alguns colaboradores de empresas fortemente comprometidas com o setor avícola, bem como pesquisadores do mundo acadêmico. O exemplar traz 15 capítulos com diversos elementos sobre o desenvolvimento das aves, como o entendimento dos aspectos fisiológicos dos machos e das fêmeas, o manejo alimentar, as principais doenças e formas de tratamento, a relevância da casca dos ovos, ambiência, biosseguridade, o dimensionamento e gerenciamento das granjas de produção, dentre outros assuntos, que são abordados com profundidade, mas de forma didática, com ilustrações, tabelas e figuras, que facilitam o entendimento do texto. O livro foi editado pelos membros da FACTA: Marcos Macari, Elisabeth Gonzales, Inaldo Sales Patrocínio e Neyre Norie Shiroma, com apoio da FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e das empresas Alltech do Brasil, Biocamp, Cargill Alimentos, Cobb-Vantress Brasil, Nutriquest Technofeed Nutrição Animal, Ceva Saúde Animal e Zoetis Indústria de Produtos Veterinários. O livro pode ser adquirido no site da FACTA http://facta.org.br/produto/produc ao - de -matrize s- de -frangos-de-corte/.

8

A Revista do AviSite

O exemplar traz 15 capítulos com diversos elementos sobre o desenvolvimento das aves.


Notícias Curtas Matérias-primas

Milho: poder de compra do frango em 2018 recuou 16% Em 2018, a capacidade do frango vivo para a compra de milho sofreu variações significativas. Exemplificando, na virada do primeiro para o segundo semestre - ocasião em que a cotação do frango vivo retrocedia aos mais baixos níveis do ano e o milho permanecia em alta (o pico de preços de 2018 – R$45,29/saca – foi registrado em maio), uma tonelada de frango vivo adquiria não mais que três toneladas de milho. Já no início do quarto trimestre (outubro) adquiria-se quase duas toneladas a mais (quase 60% de acréscimo). E não apenas porque os preços do milho retrocederam (queda próxima de 15% em apenas cinco meses), mas sobretudo porque o frango vivo experimentou forte valorização (mais de 45% no espaço de seis meses). Porém, considerada a média anual, o poder de compra de uma tonelada de frango vivo situou-se pouco acima das quatro toneladas, volume que significou queda de 16% em relação às 4,9 toneladas registradas na média de 2017. Alguém poderia argumentar que essa diferença é devida aos baixos preços alcançados pelo milho em 2017. Notar, porém (gráfico abaixo, à direita), que o poder de compra do frango vivo naquele exercício esteve pouca coisa abaixo do que foi registrado no triênio 2013/2015. Em suma, o poder de compra de 2018 só não foi pior que o registrado no malfadado ano de 2016. Mesmo assim, a diferença foi muito pequena: melhora, no ano passado, de apenas 7,5%.E segunda menor capacidade de compra dos últimos seis anos.

56 ESTUDOS EM DIVERSAS ESPÉCIES DEMONSTRAM SUA EFICIÊNCIA. +200 ESTUDOS IN VITRO. EFICAZ CONTRA AS MICOTOXINAS. A MELHOR RAZÃO DE

β-GLUCANAS: MOS, MAIOR ESTABILIDADE E RESISTÊNCIA NO TRATO DIGESTIVO.

EFICAZ EM BAIXAS DOSAGENS.

Para mais informações: www.iccbrazil.com +55 11 3093-0799 | icc@iccbrazil.com.br

A Revista do AviSite

9


Notícias Curtas Produção

Ração animal: mundo produziu 1,1 bi de toneladas em 2018 A produção mundial de rações destinadas à alimentação animal aumentou 3% em 2018 e chegou à marca do 1,103 bilhão de toneladas. A informação consta da Pesquisa Global de Rações da Alltech, levantamento que em 2019 alcança sua oitava edição. De acordo com a pesquisa, a maior parte da produção – cerca de 305 milhões de toneladas, quase 28% do total – foi destinada à alimentação de frangos. Com expansão anual de 3%, a produção de rações destinada à avicultura de corte cresceu em quase todas as regiões, o que, conforme a Alltech, demonstra “o interesse crescente nessa versátil fonte de proteína”. A exceção à regra em termos de crescimento foi registrada na América Latina, onde ocorreu ligeiro declínio na produção. Neste caso é observado que o maior custo do milho e da soja no Brasil reduziu a produção de rações para frangos em cerca de 2%, desempenho que afetou toda a região. Mas também houve queda de

produção em países como Venezuela, El Salvador e Chile. A maior expansão, por sua vez, ocorreu na África, onde o volume produzido aumentou 9% no ano. A propósito, a Altech observa que, do ponto de vista do volume produzido, o aumento de 9% entre os países africanos não chega a ser representativo. Mas mostra uma ten-

Mercado

dência que tende a se acentuar à medida que aumente o poder aquisitivo do consumidor. Acesse https://www.alltech. com/sites/default/files/2019-01/ GFS_Brochure_2019_English%20 FINAL.pdf e veja a íntegra da Pesquisa Global Altech sobre a produção global de rações animais em 2018.

McDonald’s cunha verbete para seus consumidores: “frangano” Tendo como denominação corruptela do termo vegetarianismo, o movimento denominado veganismo vem sendo assimilado mundialmente por indivíduos que, além de serem vegetarianos, defendem os direitos dos animais. Daí os chamados “veganos” não só eliminarem totalmente de sua alimentação todo e qualquer produto de origem animal, mas também desenvolverem intensas campanhas contra a produção comercial de tais alimentos. Fazem ruído. E geram preocupações. Mas, igualmente, respostas criativas. Como a do McDonald’s da Espanha, que cunhou para um de seus consumidores o termo “pollogano”. Traduzível para o português, com muito mais eficiência, como “frangano”. Assista, no youtube, o comercial do McDonald’s e seu “pollogano”: https://www. youtube.com/watch?v=qOkEMWhQhkI

10

A Revista do AviSite


Mercado

Frango e ovo: as margens do varejo em relação ao atacado Contrapostos os preços do atacado aos do varejo na cidade de São Paulo (fontes: Jox e Procon-SP), observa-se, em relação ao ovo – que a margem registrada no final de 2018 foi muito similar à da primeira semana do ano passado, da ordem de 250%. Mas, na média das 52 semanas do ano, essa média ficou em 181,04%. Já no tocante ao frango abatido a margem foi bem mais modesta: alcançou média de 65,94% no ano, registrando variações menores que as do ovo. Assim, frente a uma amplitude entre mínimo e máximo de 84,2 pontos percentuais do frango abatido, a do ovo atingiu 147,5 pontos percentuais. Registre-se de toda forma, que essa amplitude em 2018 deve ter sido maior que a de anos anteriores.

FRANGO E OVO

Margens de preço no varejo em relação ao atacado - 52 SEMANAS DE 2018

Fontes dos dados básicos: PROCON-SP (varejo) e JOX (atacado). Varejo: frango abatido resfriado e ovo branco na cidade de São Paulo; Atacado: frango abatido resfriado no Grande Atacado da cidade de São Paulo e ovo branco extra no atacado da cidade de São Paulo.

E para ambos os produtos, em função dos problemas de abastecimento enfrentados entre maio e junho em decorrência da greve dos caminhoneiros. Pois foi nessa ocasião que se

observaram as menores margens do ano, o que significa que não foram totalmente repassadas ao varejo as elevações de preços então registradas no atacado.

A Revista do AviSite

11


Notícias Curtas Mercado

Avicultura paranaense fecha 2018 com recorde semestral das exportações A avicultura paranaense embarcou 115,1 mil toneladas de carne de frango no mês de dezembro, número 6,5% superior ao registrado no décimo segundo mês de 2017, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Com isso, o setor conseguiu fechar o segundo semestre com recorde histórico no estado, exportando no período 811,9 mil toneladas, um acréscimo de 1,2% ao maior índice anterior, registrado nos últimos seis meses do ano passado. Ainda de acordo com a Secex, as receitas obtidas com os embarques também mostraram crescimento, subindo

de US$ 1 bilhão em 2017 para US$ 1,2 bilhão em 2018, uma elevação de 16,6% no segundo semestre. No acumulado anual, houve queda de 6,9% em capital (de US$ 2,5 bilhão para US$ 2,3 bilhão) e de 4,1% nas exportações (de 1,57 milhão de toneladas para 1,51 milhão de toneladas). Outro decréscimo registrado foi nos abates. No total, 1,76 bilhão de cabeças de frango foram abatidas no estado, índice 1,6% menor do que o do ano passado (1,79 bilhões de cabeças). Segundo o presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar), a redução anual foi causada por fatores externos à avicultura paranaense como a

greve dos caminhoneiros. “Mesmo após um ano atípico, conseguimos retomar nosso crescimento e terminamos o ano exportando 37% de todo o frango brasileiro. Para 2019, iremos buscar manter esse ritmo, tendo previsão de crescimento entre 4 e 5%”, avalia Martins. Maiores exportadores: a África do Sul assumiu o posto de maior importador do frango paranaense em 2018. Com 212,3 mil toneladas recebidas, o país africano ficou a frente da China, que registrou o maior crescimento de importação no ano (14,1% de alta e 168,7 mil toneladas recebidas). Fechando o pódio está a Arábia Saudita com 162,4 mil toneladas no total.

Mercado

Frango: evolução de preços frente ao custo e à inflação Comparando os preços obtidos pelo frango (vivo e abatido) com o custo e a inflação dos primeiros oito anos da presente década, é possível constatar que o fator custo é o de maior evolução, pois dobrou em relação a 2010 sem que os demais fatores apresentassem a mesma evolução. Com uma única exceção, o custo sempre esteve à frente dos outros três indicadores. Ou seja: apenas em 2013 apresentou evolução inferior à do frango vivo. Em contrapartida, três anos depois (2016) mais do que dobrou em relação a 2010, registrando incremento de 102%. Refluiu de forma significativa em 2017, mas fechou 2018 com um retrocesso de apenas 1,75% (3,5 pontos percentuais a menos) em relação ao recorde de dois anos antes. Se perdem de forma significativa frente ao custo, comparativamente à inflação frango vivo e abatido apresentaram desempenho melhor. Isto

12

A Revista do AviSite

FRANGO

Evolução relativa de preços na presente década em relação ao custo de produção e à inflação - 2010 = 100

Fontes dos dados básicos: IBGE, Embrapa Suínos e Aves e JOX – Elaboração e análises: AVISITE. Custo de produção: levantamento mensal da Embrapa Suínos e Aves; Inflação: IPCA do IBGE; Frango vivo: preço pago ao produtor no interior paulista (JOX); Frango abatido: preço do resfriado no Grande Atacado da cidade de São Paulo (JOX).

é: até 2016. Pois nos dois últimos anos a ave viva registrou evolução de preços muito próxima da infla-

ção, enquanto a abatida completou um biênio com evolução de preços negativa.


A Revista do AviSite

13


Notícias Curtas Exportação

Cresce participação do Sul na exportação de carne de frango A despeito de enfrentar queda no volume embarcado e sofrer concomitante redução na receita cambial, a Região Sul brasileira – absolutamente hegemônica nas vendas externas do setor – fechou 2018 aumentando ainda mais sua participação nas exportações brasileiras de carne de frango. A variação de um ano para outro não tem grande expressão. Mas analisado um espaço de tempo mais amplo, se torna significativa. Assim, por exemplo, cinco anos antes, em 2013, os três estados do Sul responderam por menos de 72% do volume exportado naquele ano (perto 3,892 milhões de toneladas no total). Como agora respondem por, praticamente, 80% do total, o ganho de mercado supera os 11%. Considerado apenas o Centro-Sul do País, quem mais perdeu nesse processo foi a Região Centro-Oeste, pois sua participação sofreu redução superior a um terço. Ou seja: detinha 16,8% do total em 2013, índice que agora se encontra em menos de 11%. No Sudeste a perda foi de 18%, tendo recuado de 11,11% para 9,08%. Como, nos EUA, os serviços públicos não-essenciais se encontram paralisados em decorrência dos desentendimentos entre Donald Trump e o Partido Democrata, ainda não se tem notícia de quanto o país exportou de carne de frango em 2018. É provável, no entanto, que o total exportado pelos três estados sulinos brasileiros tenha se igualado ou até superado o norte-americano (nos 12 meses encerrados em outubro/18 os EUA haviam exportado 3,180 mil toneladas do produto). Ou seja: juntos, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul podem ser o segundo maior exportador de carne de frango do mundo. A registrar, no tocante aos dados da SECEX/MDIC, que, comparativamente a 2017, cinco novas UFs se integraram ao rol de exportadores – Acre, Alagoas, Amazonas, Maranhão e Rondônia - elevando de 18 para 23 o nú-

14

A Revista do AviSite

CARNE DE FRANGO

Distribuição das exportações brasileiras por Unidade Federativa e Região (ordenadas segundo o volume exportado) JANEIRO A DEZEMBRO DE 2018 VOLUME UF

MIL/T

VAR. ANO

% DO TOTAL

RECEITA CAMBIAL VAR.NA PARTIC.

US$ MILHÕES

VAR. ANO

% DO TOTAL

VAR. NA PARTIC.

PR

1.516,883

-3,70%

37,80%

1,61%

2.377,372

-5,40%

36,69%

4,23%

SC

1.188,638

22,41%

29,62%

29,16%

2.012,917

10,98%

31,07%

22,27%

RS

496,431

-33,28%

12,37%

-29,60%

786,785

-34,48%

12,14%

-27,81%

SP

240,701

-6,40%

6,00%

-1,25%

337,499

-13,29%

5,21%

-4,47%

GO

174,694

-4,98%

4,35%

0,25%

311,546

-11,10%

4,81%

-2,05%

MS

148,080

-18,30%

3,69%

-13,80%

261,268

-22,77%

4,03%

-14,91%

MG

112,476

-34,14%

2,80%

-30,51%

176,289

-35,75%

2,72%

-29,21%

MT

71,826

-19,98%

1,79%

-15,57%

118,054

-24,11%

1,82%

-16,38%

DF

44,264

-10,40%

1,10%

-5,46%

74,872

-11,75%

1,16%

-2,76%

ES

10,981

299,50%

0,27%

321,50%

12,973

179,69%

0,20%

208,16%

PE

1,790

-10,39%

0,04%

-5,45%

2,140

-21,80%

0,03%

-13,84%

BA

1,415

-25,59%

0,04%

-21,49%

1,959

-39,64%

0,02%

-33,49%

TO

1,269

-67,04%

0,03%

-65,22%

1,375

-70,32%

0,03%

-67,30%

PB

1,201

20,53%

0,03%

27,17%

1,164

11,89%

0,02%

23,28%

AC

0,474

-----------

0,01%

-----------

0,674

-----------

0,01%

-----------

PA

0,377

-----------

0,01%

-----------

0,478

-----------

0,01%

-----------

RR

0,171

90,60%

0,00%

101,10%

0,289

111,55%

0,00%

133,08%

RO

0,028

-----------

0,00%

-----------

0,029

-----------

0,00%

-----------

RJ

0,012

-60,46%

0,00%

-58,28%

0,029

-41,70%

0,00%

-35,76%

MA

0,010

-----------

0,00%

-----------

0,025

-----------

0,00%

-----------

AM

0,005

-----------

0,00%

-----------

0,013

-----------

0,00%

-----------

CE

0,001

-98,83%

0,00%

-98,77%

0,004

-96,51%

0,00%

-96,15%

AL

0,001

-----------

0,00%

-----------

0,003

-----------

0,00%

-----------

*

1,335

-----------

0,03%

-----------

1,321

-----------

0,02%

-----------

S

3.201,951

-2,68%

79,79%

2,68%

5.177,074

-6,35%

79,90%

3,19%

CO

438,864

-12,97%

10,94%

-8,18%

765,741

-17,59%

11,82%

-9,20%

SE

364,171

-15,45%

9,07%

-10,79%

526,789

-21,18%

8,13%

-13,15%

NE

4,419

-11,77%

0,11%

-6,91%

4,532

-23,48%

0,07%

-15,69%

N

2,323

-41,04%

0,06%

-37,79%

3,620

-50,73%

0,06%

-45,71%

BR

4.013,063

-5,22%

100,0%

-----------

6.479,1

-9,24%

100,00%

-----------

Fonte dos dados básicos: SECEX/MDIC – Elaboração e análises: AVISITE * UF de origem não identificada

mero de Unidades Federativas brasileiras que remeteram carne de frango para o exterior. O curioso, neste caso, é que pelo menos duas dessas UFs (Maranhão e Alagoas) não possuíam abatedouros

com SIF (não, pelo menos, até o terceiro trimestre de 2018, conforme dados do IBGE). Como só produtos “sifados” podem ser exportados, fica a indagação: de onde saiu a carne de frango exportada por essas duas UFs?


A ÚNICA RESPOSTA

PARA O DESAFIO BRASILEIRO

CONTRA A BRONQUITE INFECCIOSA BR

GANHE

DE PONTA A PONTA

Juntos, além da saúde animal A Revista do AviSite

15


Notícias Curtas Exportação

30 países absorveram 93% das exportações de frango em 2018 Os dados consolidados da SECEX/MDIC relativos aos quatro principais itens de carne de frango exportados pelo Brasil – frango inteiro, cortes, industrializados e carne salgada – indicam que em 2018 o produto alcançou 163 países, número 15% superior aos 141 países de 2016 e 2017. No entanto, 93% do volume e da receita ficaram restritos a 30 países, menos de um quinto do mercado atingido. Entre os 10 principais importadores e comparativamente a 2017, apenas dois países passaram a integrar o rol: Coreia do Sul e México, nono e décimo lugares, respectivamente. Deram espaço a ambos o Iraque (antes nono lugar, agora 11º) e o Egito, que recuou da sétima para a vigésima posição. E que, também, foi responsável por quase metade do volume exportado a menos pelo Brasil em 2018. Sob esse aspecto, aliás, 94% das 221,1 mil toneladas a menos que o Brasil exportou no ano que passou foram causadas por apenas dois países: o já citado Egito e a Arábia Saudita. E o retrocesso egípcio (104,4 mil/t a menos) foi maior que o saudita (103,5 mil/t). Considerado o total de países atendidos (163), conclui-se que a média por importador foi de, aproximadamente, 25 mil toneladas. Mas essa média muda de forma significativa ao se avaliar os 30 principais compradores (cerca de 124,4 mil toneladas por país) e os restantes 133 (média pouco superior a 2 mil toneladas por país). Detalhe que quase passa despercebido no levantamento da SECEX/MDIC é que, na penúltima posição, como segundo menor importador da carne de frango brasileira em 2018 e volume de apenas 130 kg (isso mesmo, cento e trinta quilogramas) está relacionado um país chamado... Brasil. Alguém explica?

16

A Revista do AviSite

CARNE DE FRANGO

Principais países importadores - Janeiro a dezembro de 2018 VOLUME POSIÇÃO

PAÍS IMPORTADOR

1

Arábia Saudita (1)

RECEITA

VARIAÇÃO ANUAL MIL/T

ABSOLUTA

RELATIVA

PARTICI-PAÇÃO

US$ MILHÕES

VAR. ANUAL

PARTICIPAÇÃO

486,4

-103,5

-17,54%

12,12%

811,2

-19,48%

12,52%

2

China (3)

438,1

46,7

11,92%

10,92%

804,2

5,66%

12,41%

3

Japão (2)

398,0

-47,5

-10,66%

9,92%

740,2

-19,82%

11,42%

4

África do Sul (4)

331,0

-14,5

-4,19%

8,25%

255,5

-0,82%

3,94%

5

Emirados Ára-bes Unidos (5)

309,7

9,3

3,10%

7,72%

501,6

-3,07%

7,74%

6

Hong Kong (6)

211,8

-38,4

-15,34%

5,28%

338,7

-13,92%

5,23%

7

Holanda (8)

126,6

-18,9

-12,98%

3,16%

342,1

-2,69%

5,28%

8

Kuwait (10)

123,2

7,0

6,03%

3,07%

190,3

0,14%

2,94%

9

Coreia do Sul (12)

113,2

24,2

27,23%

2,82%

200,8

19,82%

3,10%

10

México (11)

111,3

16,6

17,51%

2,77%

180,7

-2,19%

2,79%

11

Iraque (9)

104,1

-16,7

-13,84%

2,59%

159,6

-17,02%

2,46%

12

Cingapura (14)

96,6

14,6

17,81%

2,41%

176,9

5,10%

2,73%

13

Iêmen (19)

85,5

17,5

25,76%

2,13%

111,4

17,64%

1,72% 1,77%

14

Omã (15)

74,6

-5,0

-6,29%

1,86%

114,5

-11,43%

15

Cuba (21)

73,3

11,6

18,77%

1,83%

84,6

28,52%

1,31%

16

Angola (18)

64,7

-3,7

-5,47%

1,61%

70,5

-18,14%

1,09%

17

Rússia (13)

64,7

-18,5

-22,21%

1,61%

106,1

-16,39%

1,64%

18

Catar (16)

63,3

-14,5

-18,66%

1,58%

95,0

-24,09%

1,47%

19

Reino Unido (17)

61,5

-11,7

-16,04%

1,53%

179,5

-11,57%

2,77%

20

Egito (7)

58,5

-104,4

-64,10%

1,46%

77,7

-65,38%

1,20%

21

Filipinas (24)

52,5

16,9

47,63%

1,31%

27,1

40,28%

0,42%

22

Chile (22)

50,7

5,2

11,52%

1,26%

85,5

11,65%

1,32%

23

Jordânia (23)

49,0

6,0

13,98%

1,22%

67,9

-0,30%

1,05%

24

Líbia (25)

43,5

10,5

31,74%

1,09%

62,9

22,03%

0,97%

25

Alemanha (20)

41,9

-22,2

-34,64%

1,04%

122,4

-11,43%

1,89%

26

Bahrein (26)

24,5

2,4

10,86%

0,61%

37,4

9,72%

0,58%

27

Peru (28)

21,6

4,8

28,83%

0,54%

28,3

43,18%

0,44%

28

Espanha (33)

18,4

4,4

31,76%

0,46%

41,9

44,00%

0,65%

29

Vietnã (32)

18,3

3,4

22,46%

0,46%

21,1

21,28%

0,33%

30

Gana (35)

16,2

3,9

31,27%

0,40%

16,9

18,96%

0,26%

SUBTOTAL 30 PAÍSES

3.732,8

-214,5

-5,43%

93,02%

6.052,2

-8,83%

93,41%

Demais 133 países (111)

280,3

-6,6

-2,31%

6,98%

426,9

-14,71%

6,59%

TOTAL 163 PAÍSES (141)

4.013,1

-221,1

-5,22%

100,0%

6.479,1

-9,24%

100,0%

Fonte dos dados básicos: SECEX/MDIC – Elaboração e análises: AviSite Números entre parênteses indicam posição do país importador em 2017.


Mercado

Produzir frango ficou quase 18% mais caro no ano passado De acordo com os levantamentos mensais da Embrapa Suínos e Aves, o custo de produção do frango em 2018 ficou em torno dos R$2,80/kg, valor que representou aumento de 17,65% em relação a 2017, ano em que o custo médio foi calculado em R$2,38/kg. Pelo levantamento, o custo do último bimestre de 2018 ficou estável em R$2,82/kg, ou seja, retrocedeu ao quarto menor nível do ano, ficando aquém do valor registrado entre os meses de abril e outubro. Porém, em relação à média do mesmo período do ano anterior, o custo de novembro-dezembro/18 aumentou 16,5% . A despeito do retrocesso anual, o custo médio de 2018 correspondeu ao segundo maior dispêndio enfrentado pelo produtor em todos os tempos. Ou seja: ficou menos de 2 % aquém do custo registrado em 2016.

FRANGO VIVO

Evolução do custo de produção* 2017 e 2018 R$/KG

Fonte dos dados básicos: Embrapa Suínos e Aves – Elaboração e análises: AVISITE * Base: aviário com climatização positiva no estado do Paraná.

... RESULTADOS CONSISTENTES

FORMULAÇÃO CONSISTENTE ...

... AÇÃO CONSISTENTE

A Revista do AviSite

www.adisseo.com I feedsolutions.adisseo.com

17


Notícias Curtas Mercado

Valor da Produção fecha 2018 em R$ 569,8 bilhões O Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) encerrou o ano de 2018 em R$ 569,8 bilhões, menor do que o valor recorde obtido em 2017, de R$ 582,3 bilhões. Os valores da produção de algodão e de soja foram os maiores registrados na série iniciada em 1989. Esses resultados trouxeram importantes benefícios, especialmente àqueles estados onde predominam as lavouras desses produtos, como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Bahia. Os produtos que deram maior sustentação ao VBP foram algodão, café e soja, embora cana-de-açúcar e milho também são destacados por expressiva participação no valor gerado. O ano não foi favorável para a pecuária, que teve redução de valor em suas principais atividades, como carne bovina, frango, carne suína, leite e ovos. Preços internacionais e retração do consumo interno estão associados a esse desempenho, analisa José Garcia Gasques, coordenador-geral de Estudos e Análises da

Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Um balanço dos resultados dos estados mostra que nove tiveram aumento real do valor da produção. São eles Bahia, Piauí, Rio Grande do Norte, Maranhão, Minas Gerais, Espírito Santo e os estados Centro-Oeste (exceto o DF). As quedas de valor foram observadas em estados do Nordeste,

em toda a região Sul, parte do Sudeste e alguns estados do Norte. VBP 2019: as perspectivas para 2019 mostram aumento do faturamento devido, principalmente, à melhoria da pecuária, que mostra crescimento em quase todas suas atividades. As primeiras estimativas mostram crescimento de 2,1% do VBP em relação ao último ano, o que representa faturamento de R$ 581,6 bilhões.

Apoio

Brasil fomenta o maior projeto agropecuário da África Segundo informações do jornal Valor, Brasil e Nigéria lançaram em Abuja, a capital do país africano, no início do mês de janeiro, o maior projeto agropecuário daquele continente. A partir de um financiamento inicial de US$ 1,1 bilhão, divididos entre o BNDES e o Deutsche Bank, a estratégia permitirá, em um primeiro momento, a exportação de 10 mil tratores e cerca de 50 mil máquinas e equipamentos brasileiros para montagem em território nigeriano. O projeto envolve todos os elos da cadeia produtiva daquele país. Além do financiamento e da exportação de maquinário, que já exigirão melho-

18

A Revista do AviSite

rias no acesso ao crédito e na manutenção dos equipamentos, tem por objetivo maximizar produção, distribuição, armazenagem, vendas e uso de insumos por parte de produtores e agroindústrias. Ricardo Guerra de Araújo, embaixador brasileiro na Nigéria, lembra que, como informou o Valor em agosto do ano passado, esse pacote tecnológico 100% brasileiro inclui um plano de negócios amplo elaborado pela Fundação Getulio Vargas (FGV). A ideia é impulsionar a agropecuária nigeriana em geral, de forma a reduzir a dependência do país em relação aos instáveis recursos provenientes

A estratégia permitirá, em um primeiro momento, a exportação de 10 mil tratores e cerca de 50 mil máquinas e equipamentos brasileiros para montagem em território nigeriano


do petróleo e aumentar sua segurança alimentar. A estrutura financeira une forças privada e estatal. A primeira tranche de € 116 milhões, que será desembolsada em fevereiro, virá do Deustche Bank, com seguro de crédito do Banco Islâmico de Desenvolvimento. A segunda e a terceira tranches, de € 360 milhões no total, serão aportadas no próximo mês de julho pelo BNDES e por um banco multilateral. Nesse caso, o seguro de crédito será dividido entre a Agência Brasileira Gestora de Fundos Garantidores e Garantias (ABGF) e o Banco Islâmico de Desenvolvimento. A quarta e quinta tranches, que somarão € 462 milhões deverão ser desembolsadas em julho de 2020, por essas mesmas instituições. O projeto tem garantia soberana do governo da Nigéria e, de acordo com a estrutura acertada, o risco é compartilhado por mais de uma seguradora. Com a liberalização dos re-

biovet.com.br

cursos já a partir do mês que vem, as compras de peças de tratores, máquinas e equipamentos do Brasil deverão começar logo. Eles serão montados em fábricas em diferentes regiões da Nigéria nos próximos anos. O pacote abrange programas de treinamento e assistência técnica para as máquinas ao longo de dez anos. O plano prevê que mais de 700 centros de serviços sejam criados na Nigéria para ajudar pequenos agricultores a prepararem o solo, cultivarem seus produtos e realizarem a colheita. Os centros de serviços serão especializados em cadeias de valor, a depender da aptidão de cada região. Entre essas cadeiras estão as de carnes de frango, bovina, caprina e ovina, peixes, laticínios, hortifrútis, tubérculos, óleo de palma, grãos - soja, arroz e milho - e algodão. Brasil e Nigéria têm solos parecidos (Savana e Cerrado) e clima tropical. A expectativa é que o projeto envolva 100 mil jovens nigerianos e que 5 milhões de

pessoas sejam impactadas. Mas o governo nigeriano tem ambições maiores. Seu objetivo é que o projeto se desenvolva e cresça nos próximos anos, com a aceleração do desenvolvimento agropecuário do país e a ampliação das vendas de maquinário. "O Brasil, com seu agronegócio eficiente e dinâmico, está mais do que disposto a ajudar a Nigéria a realizar esse desafio", disse o embaixador Araújo. As negociações demoraram anos, e o projeto será o primeiro de vulto na área agrícola da gestão Bolsonaro. Sempre foi visto como um projeto-piloto para enfrentar a concorrência chinesa na África, ainda que os chineses sejam mais fortes em infraestrutura do que na agropecuária. O lançamento foi feito pelo vice-presidente nigeriano e uma delegação brasileira esteve presente.

Bio-CoCCivet QuAndo o uso é Contínuo, A CoCCidiose pArA.

A vacina Bio-Coccivet, multivalente atenuada do Biovet Vaxxinova, totaliza mais de 30 milhões de aves vacinadas com resultados comprovadamente efetivos, desde o seu lançamento. Controle a Coccidiose em frangos de corte com vacinação contínua com Bio-Coccivet.

A Revista do AviSite

Tradição movida pela inovação.

19


Notícias Curtas Ciência

Frango moderno marca início de uma nova era geológica! Nosso planeta já passou por diversas eras geológicas. As mais recentes (embora iniciadas 542 milhões de anos atrás) foram a paleozóica, a mesozóica e a cenozóica. Agora, um grupo de cientistas defende a teoria de que uma nova era começou nos últimos 50 anos. E quem a desencadeou – acredite se quiser! – foi o frango moderno. Pelo menos uma dezena de cientistas defende essa tese. O grupo está distribuído por quatro diferentes instituições: Leicester University, Nottinghan Trent University, University of Nottinghan (todas da Inglaterra) e Nort West University (da África do Sul). Na defesa de sua tese, esse grupo de cientistas observa que a biosfera terrestre é profundamente impactada por mudanças nos padrões de uso dos recursos humanos e de consumo ali-

mentar, ocorrências que dão origem a uma nova era. Mas, pelo menos recentemente, nada do que tem surgido representou uma nova e específica morfoespécie capaz de determinar o início de uma nova era. Nada – ressalvam – exceto o frango de corte moderno, possuidor de todos esses potenciais marcadores. Mudanças na criação, no arraçoamento e nas práticas de manejo pelo homem demonstram, para começar, que as aves domesticadas tiveram o seu corpo duplicado desde a Idade Média até o presente, enquanto sua massa corporal aumentou pelo menos cinco vezes desde meados do século XX. Não só isso: a morfologia esquelética, a patologia, a geoquímica óssea e a genética dos frangos modernos são, comprovadamente, diferentes das de seus ancestrais.

Exportação

Mudanças físicas e numéricas do frango de corte ocorridas a partir da segunda metade do século passado – isto é, durante uma presumível Era Antropocênica – têm sido no mínimo dramáticas, com excepcional incremento no peso individual das aves e no tamanho dos planteis em criação. O lado ruim dessa história é que o frango moderno tornou-se incapaz de sobreviver sem a intervenção do homem. Por outro lado, ganhou uma massa corporal extra que, comparativamente, excede a de todas as demais aves existentes na Terra. “Esse novo morfotipo simboliza uma reconfiguração humana sem precedentes na biosfera terrestre”, afirmam os cientistas envolvidos nesse estudo. Daí concluírem que o frango moderno marca o início de novo tempo geológico.

Vendas externas de ovos férteis superam recorde de 2010 O acréscimo em relação ao primeiro semestre foi mínimo, inferior a 1%. Mas o suficiente para fazer com que as exportações brasileiras de ovos férteis para a produção de pintos de corte alcançassem em 2018 volume inédito, superando marca que desde 2010 permanecia como recorde. No ano foram exportados pouco mais de 215 milhões de ovos férteis volume correspondente a, aproximadamente, 600 mil caixas de 30 dúzias cada. Suficiente, também (considerada uma eclosão média de 83% dos ovos incubados), para a produção mensal de cerca de 15 milhões de pintos de corte. Comparativamente ao ano anterior, as exportações de ovos férteis de 2018 aumentaram perto de 26,5%, registrando expansão maior, de quase 40%, no primeiro semestre. Mas, neste caso, porque a base de compa-

20

A Revista do AviSite

ração (1º semestre de 2017) foi baixa. No mais, a estabilidade entre os dois semestres foi quase absoluta, girando em torno dos 18 milhões de unidades mensais num e noutro período ( em 2017 a média exportada no semestre inicial do ano ficou em 12,9 milhões de ovos/mês; e a do segundo semestre em 15,5 milhões de ovos/mês – diferença de 20% de um semestre para outro). De per si significativos, os resultados de 2018 se tornam ainda mais expressivos quando comparados às exportações de 10 anos antes, pois em 2008 o volume exportado ficou próximo das 300 mil caixas. Feitas as contas, a constatação é a de que em uma década as exportações do produto dobraram. Mas, verdade seja dita, demorou para que isso acontecesse, porquanto em 2010 já registravam aumento de quase 90% sobre 2008.


O maior evento, político, técnico e comercial brasileiro dos setores! 2013

+50%

100

Expositores

2013

2017

150

+63%

70

2013

2017

114

Palestrantes

+80%

2017

10.000 m2 18.000 m2

Palestrantes

Expositores

+70%

2017

1.000 1.700 Conferencistas

2013

2013

+46%

2017

2013

+133%

3

Conferencistas

7 Governadores

35 Países

2017

Governadores e Vice-governadores

51

Países

POR DENTRO DO SALÃO: • O Simpósio Ovosite é fundamental para a definição de estratégias empresariais e setoriais. • Os principais nomes nacionais e internacionais palestram sobre suas perspectivas de mercado. • A parceria sólida entre a ABPA e a Mundo Agro constrói rumos importantes no desenvolvimento do setor.

27 a 29 de agosto de 2019 Anhembi - São Paulo/SP – Brasil FEIRA & CONGRESSO Visite nosso site para saber mais www.siavs.com.br siavs@abpa-br.org +55 11 3095-3120 /SiavsBR

A Revista do AviSite

21


Notícias Curtas Pesquisa

Estudo sugere 'dieta universal' para salvar o planeta

Um estudo conduzido pela organização EAT-Lancet comprovou que maus hábitos à mesa provocam mais riscos para a saúde do que tabaco, sexo sem proteção e álcool juntos. O relatório aponta que, para salvar as pessoas e o planeta, deve-se dobrar o consumo de frutas, verduras, legumes e nozes, além de reduzir pela metade a ingestão de açúcares e carne vermelha até 2050. O estudo foi apresentado em janeiro, em Oslo, na Noruega, e publicado na revista científica Lancet. A comissão de estudiosos, financiada pela Fundação EAT, do casal norueguês Petter e Gunhild Stordalen, reúne autores considerados dentre os mais renomados da nutrição e da sustentabilidade, desde o professor de Harvard Walter Willett ao inventor do "km zero" Tim Lang, provenientes de

22

A Revista do AviSite

universidades de todo o mundo e de organizações como FAO e OMS. O objetivo da publicação é propor uma dieta saudável universal de referência, baseada em critérios científicos, para nutrir uma população mundial de 10 bilhões de pessoas em 2050 de modo sustentável, evitando a morte de mais de 11 milhões de indivíduos por ano por doenças ligadas a maus hábitos alimentares. A proposta da comissão tem como referência a dieta mediterrânea, em sua versão usada na Grécia da metade do século passado, em um regime que prevê a ingestão de 2,5 mil quilocalorias por dia. Além de mudar o consumo, a comissão sugere ainda limites no uso de terra, água e nutrientes, para a produção de uma agricultura sustentável.

Para atingir esses resultados, a pesquisa indica uma variedade de áreas de intervenção, envolvendo governos, indústrias e sociedade. Entretanto, segundo a Associação Europeia dos Transformadores de Carne (Clitravi), o estudo da Lancet propõe velhos argumentos antizootecnia e distorce dados para fins ideológicos. "Um voo de ida e volta de Roma a Bruxelas gera emissões mais elevadas que o consumo anual de carne de uma pessoa", diz a Clitravi. Segundo a associação, a EAT ignora o impacto ambiental de outros setores. "Uma dieta equilibrada e exercícios físicos regulares podem fazer a diferença. Esperamos que a comissão perceba isso e veja todas as inovações em que o setor investe para reduzir o impacto ambiental", conclui a associação.


Exportação

Porto de Itajaí fecha o ano com melhor resultado desde 2011 Com três berços em operação, o Porto de Itajaí fechou o ano com o melhor resultado desde 2011. A movimentação em toneladas em 2018 quase dobrou com expressivo crescimento das importações e fortalecimento das exportações. O ano passado foi marcado pela volta das atividades nos berços 1 e 3, conclusão da dragagem no canal de acesso, início da importação de automóveis e conquista de nova escala com a Ásia. Em 2018 foram movimentadas 4,4 milhões de toneladas no terminal, o melhor resultado em sete anos e 96% a mais que em 2017. As exportações representam 61% do total movimentado (2,7 milhões) e um aumento de 70% em relação ao ano anterior. Este também é o maior número desde 2008, ano em que foram

movimentadas 2,8 milhões de toneladas. Em representação econômica, o frango continuou sendo o carro-chefe das exportações no ano passado (33%), seguido de madeiras e derivados (22,2%), mecânicos eletrônicos (15,4%) e carnes em geral (13,6%). O grande salto em 2018 foi das importações. Com aumento de 162%, o ano fechou com 1,6 milhão de toneladas movimentadas. Houve o início das operações de automóveis, quando mais de 16 mil unidades desembarcaram em Itajaí, e incremento de 27% na importação de mecânicos e eletrônicos, sendo estas as principais mercadorias trazidas do exterior. “O Porto de Itajaí é o motor da nossa economia. Temos um mercado competitivo, eficiência nas opera-

ções portuárias e satisfação por parte dos clientes exportadores e importadores. Esse crescimento é reflexo dos investimentos que temos feito no setor e continuaremos tratando o porto como uma prioridade”, destaca o prefeito Volnei Morastoni. O aumento da movimentação está diretamente relacionado aos investimentos no setor. Se no início de 2017 o porto tinha apenas o berço 2 em operação, pela primeira vez desde a enchente de 2008, o ano passado fechou com três pontos de atracação. Com a conclusão das obras de reforço e realinhamento do berço 3 e a reforma no berço 1, agora Itajaí aguarda apenas a inauguração das obras no berço 4 para operar com sua capacidade total. A conclusão dos trabalhos está prevista para o primeiro trimestre deste ano.

A Revista do AviSite

23


Notícias Curtas Produção

Para USDA, produção brasileira de frango aumenta 1,8% em 2019 Depois de prever (outubro de 2018) que em a produção brasileira de carne de frango de 2019 poderia chegar aos 13,860 milhões de toneladas, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) refez seus cálculos e, na projeção de fevereiro corrente, sugere volume da ordem de 13,595, cerca de 2% menos que o originalmente previsto. A nova projeção – explica o USDA – reflete melhor a expectativa do setor produtivo de garantir suas margens de ganho, meta assegurada através de um estratégico equilíbrio entre oferta e demanda. Mas também evidencia as dificuldades que poderão continuar ocorrendo nas exportações, já que, mesmo com o aumento

24

A Revista do AviSite

previsto para o corrente exercício (+1,3%), o volume de exportações apontado continuará inferior ao de dois anos atrás. Por sinal, apenas a disponibilidade interna aumenta, tanto em um ano (+1,99%), como em dois anos (+0,97%). Neste caso reflete – explica o USDA – a previsão de crescimento econômico estimado em 2,5%, a perspectiva de uma inflação inferior à meta estabelecida pelo governo (4%) e a melhora de renda do consumidor. Mesmo assim, o crescimento previsto para o biênio, inferior a 1%, significa expansão negativa em relação ao crescimento vegetativo da população. Portanto, uma disponibilidade per capita ainda inferior à de 2017.

A nova projeção reflete melhor a expectativa do setor produtivo de garantir suas margens de ganho


A Revista do AviSite

25


Produção

Insensibilização de frango de corte em cuba de imersão Os requerimentos de bem-estar animal determinam que os animais sejam abatidos apenas após um processo de insensibilização Autor: Leonardo Thielo de La Vega, Diretor executivo na F&S; Chief Technology Officer na brstart; membro da Comissão Nacional de Bem-Estar Animal do Conselho Federal de Medicina Veterinária e membro do Corpo Técnico da Facta/WPSA-BR

A

ciência do bem-estar animal evolui constantemente com o desenvolvimento de novas tecnologias para melhorar as condições de abate dos animais sem diminuir os índices produtivos. Os requerimentos de bem-estar animal determinam que os animais sejam abatidos apenas após um processo de insensibilização, devendo este promover um estado de inconsciência, insensibilidade ou morte previamente à sangria. Este procedimento, além de evitar o sofrimento das aves, facilita a captura do pescoço na sangria, seja ela automática ou manual. É importante que a inconsciência e a insensibilidade dos animais sejam induzidas o mais rápido possível e sem um efeito negativo sobre o bem-estar dos animais e a qualidade da carne. Os métodos que visam promover a insensibilização dos animais sem provocar morte previamente à sangria são considerados métodos de insensibilização simples, e têm por princípio a garantia da duração do estado de inconsciência da ave des-

26

A Revista do AviSite

de o término do processo de insensibilização em si até a ocorrência da morte do animal pela sangria. Métodos de insensibilização que provocam parada cardíaca ou fibrilação ventricular, conhecidos como stun-to- kill, também são aceitos, sendo recomendados em alguns países, já que preconizam a perda da consciência sem recuperação e, consequentemente, se evita a dependência da eficácia do procedimento de sangria para promover a morte do animal, oferecendo maior segurança para o bem-estar dos animais. Na indústria avícola, a escolha do método de insensibilização deve passar por uma avaliação desde o aspecto humanitário ao econômico e prático, devendo considerar, além das preocupações com o bem-estar animal, questões envolvidas com a sustentabilidade da produção, qualidade do produto final e aspectos do mercado a que se destina o produto, como por exemplo, os mercados religiosos. Os métodos preconizados para a insensibilização dos animais são geralmente definidos por legislações e

organizações internacionais, como a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) ou ainda por códigos e práticas recomendados por especialistas.

Insensibilização por métodos elétricos em cuba de imersão O método elétrico mais comumente empregado para insensibilização de aves nas indústrias é a cuba de imersão, cuja aplicação da corrente se dá em todo corpo da ave. O princípio básico do atordoamento elétrico é a indução de uma epilepsia generalizada por meio da estimulação elétrica do cérebro. Neste sistema, a corrente elétrica flui pelo corpo das aves, e se aplicada na intensidade apropriada, as tornará insensíveis e inconscientes. Um módulo eletrônico é o responsável por gerar e controlar os sinais elétricos de diversos tipos para serem aplicados na cuba de imersão. Em equipamentos convencionais, pode-se escolher a frequência desejada, a forma de controle da corrente, a forma da onda, que pode ser


corrente contínua pulsante (CC) ou corrente alternada (CA) ajustadas para diversas formas que se desejar, e ainda definir o duty-cycle. Entretanto, em decorrência dos diversos avanços recentes no desenvolvimento de novas tecnologias, já é possível adotar sistemas mais sofisticados de modulação elétrica, com a possibilidade de geração de ondas híbridas que permitem melhorar a insensibilização e reduzir os danos à qualidade dos cortes. Outro avanço

recente foi a incorporação de programações digitais capazes de gerar modelos elétricos que previnem paradas cardíacas na cuba. Com esse conjunto de avanços, tem-se conseguido atender os mais diversos mercados religiosos sem abrir mão da rentabilidade e do bem-estar dos animais. Ainda, é sabido que a frequência e a quantidade de corrente são parâmetros fundamentais para a eficiência da insensibilização. Contudo, a

definição de parâmetros elétricos necessários para promover uma insensibilização adequada nas aves envolve vários outros fatores que devem ser considerados. Além da amplitude e da frequência do sinal de uma corrente elétrica, é importante considerar a forma de onda empregada, o tempo de exposição à corrente e as características dos próprios animais. Como a impedância de cada indivíduo é variável em decorrência do sexo, ida-

A Revista do AviSite

27


Produção

Figura 1. Diagrama de fluxo sistemático para avaliação da insensibilização de aves em banho eletrificado. Adaptado de: EFSA. Scientific Opinion on monitoring procedures at slaughterhouses for poultry. EFSA Journal, v. 11, n. 12, 2013. p. 46. de, peso vivo, etc, o comprimento da cuba e, consequentemente, o número de animais expostos à mesma corrente podem também influenciar na corrente total que é recebida por cada indivíduo ao longo do mergulho. A tensão deve então ser ajustada para que a corrente total seja a corrente requerida por ave, multiplicada pelo número de aves na cuba ao mesmo tempo. A corrente recebida pelo animal deve ser de tal magnitude que assegure que a inconsciência ocorra imediatamente e que dure até a morte do animal. Em linhas gerais, sabe-se que correntes elétricas em faixas abaixo de 100 mA/ave, não são suficientes para insensibilizar os animais, en-

28

A Revista do AviSite

quanto correntes muito altas tendem a gerar fraturas, principalmente na fúrcula, hematomas e, portanto, prejudicar a qualidade das carcaças. De toda forma, o efeito da corrente será sempre dependente da frequência, já que esta tem papel fundamental na duração do estado de inconsciência e até mesmo na ocorrência de hematomas e na parada cardíaca. Historicamente, as empresas investem muito pouco na etapa de insensibilização e, provavelmente, uma mudança de cultura no sentido contrário ainda demore. Entretanto, sem maiores investimentos, é possível adotar parâmetros elétricos já validados e reconhecidos interna-

cionalmente e pelo Mapa. Alguns desses parâmetros podem ser encontrados no Código Sanitário para os Animais Terrestres da OIE e no Regulamento Europeu nº 1099/2009, conforme a tabela apresentada abaixo (Tabela 1). Os efeitos da insensibilização elétrica podem ser avaliados tanto por meio da análise dos sinais clínicos quanto por meio da leitura dos sinais eletroencefalográficos (EEG) medidos nos cérebros das aves, que confere maior acurácia às avaliações. Atualmente, dispositivos portáteis de EEG foram aprimorados e têm sido utilizados para caracterizar o estado de inconsciência dos frangos após eletronarcose em plantas de abate (SCHEUERMANN; LA VEGA; COSTA; et al., 2017). Além disso, outros problemas alheios ao ajuste do insensibilizador podem ocorrer no sistema de cuba, dadas as possíveis falhas nos contatos elétricos, tanto pelo movimento das aves na tentativa de escapar quanto pelo encaixe inadequado das pernas das aves nas nóreas não adequadas para seu tamanho, o que faz com que a superfície de contato seja insuficiente, prejudicando a passagem da corrente elétrica. Adicionalmente, todo esforço deverá ser feito para evitar que aves conscientes ou vivas entrem no tanque de escalda. No caso de falha dos sistemas automáticos, um sistema manual deve ser empregado para assegurar que as aves não insensibilizadas ou não sangradas sejam imediatamente submetidas a estes procedimentos e que estejam mortas antes de entrar no tanque de escaldagem.

Avaliação do estado de inconsciência e insensibilidade por meio de sinais clínicos De acordo com Raj (2004), a alteração cerebral que ocorre durante a insensibilização é acompanhada de certos padrões comportamentais e reflexos físicos que podem ser utilizados para monitorar a eficácia do


A Revista do AviSite

29


Produção procedimento de insensibilização nos abatedouros. No entanto, esses eventos são de curta duração, e precisam ser avaliados em pontos específicos e no momento apropriado. O estado epilético provocado após a insensibilização pode ser reconhecido pelo imediato início do espasmo tônico a partir da saída das aves da cuba, podendo durar alguns poucos segundos. Durante os espasmos tônicos, todos os músculos estão em estado tetânico (enrijecimento) e, como consequência, as aves irão exibir pescoço arqueado para trás, pernas rígidas totalmente estendidas, peito rígido e asas mantidas firmemente em torno do peito. Em sequência, pode-se observar espasmos clônicos, onde há gradativo relaxamento muscular juntamente com o surgimento de movimentos incoordenados de asas e pernas. Em ambas as fases, observam-se olhos fixos sem nenhum reflexo (palpebral ou corneal), ausência de respiração (apneia) e nenhuma resposta a estímulo. Por outro lado, a presença de respiração rítmica, piscar espontâneo e/ou bater coordenado de asas na saída da cuba ou durante a sangria indicam um atordoamento ineficaz. A recuperação do estado de inconsciência pode ser acompanhada por meio da avaliação clínica dos reflexos e das respostas a estímulos externos ou também por meio do eletroencefalograma, que permite medir o retorno da atividade elétrica cerebral após a insensibilização. Como observado na Figura 1, muitos sinais clínicos de inconsciência e insensibilidade possuem questões de confiabilidade ou são difíceis de avaliar, principalmente em linhas de alta velocidade de abate.

Cuidados importantes - As cubas devem ser adequadas em tamanho e profundidade para o tipo de ave que está sendo insensibilizada e sua altura deverá ser rapidamente ajustável para que seja realizada a correção da altura a cada troca de lote. Esse cuidado influencia no bem-estar das aves, mas, sobretu-

30 A Revista do AviSite

do, garante resultados de qualidade exponenciais. Cubas com escotilhas de inspeção facilitam muito o ajuste fino da altura. - A cuba deve ser concebida de tal forma que os ganchos, ao passarem pela água, estejam em contato firme e contínuo com a barra ligada ao terra. É importante que os ganchos e a barra terra estejam limpos para que a passagem da corrente não seja prejudicada. - O eletrodo submerso deverá se estender por todo o comprimento da cuba, preferencialmente se estendendo até a saída dos animais. - A entrada da cuba deve possuir uma rampa eletricamente isolada, além de contar com ajustes que possibilitem regular o ângulo de entrada dos animais, reduzindo os níveis de pré-choque. - O dispositivo de controle do equipamento deve incorporar medidores que exibam a corrente total e a corrente por ave, além de mostrar a frequência e os demais elementos elétricos relevantes para o controle da insensibilização e aproveitamento/qualidade de carne. - O equipamento deve gerar registros contínuos, onde todo evento possa ser rastreado segundo a segundo. - É importante que haja um sistema reserva que possa ser utilizado rapidamente em caso de falha do sistema principal de insensibilização. - É fundamental que a planta de abate tenha uma Galinha Eletrônica para monitorar e verificar constantemente o sistema de insensibilização, já que a leitura simples dos parâmetros elétricos disponíveis no visor do insensibilizador não permite entender o que de fato ocorre dento da cuba (local onde os animais realmente estão). Artigo publicado no portal CarneTec, no Blog de Leonardo Vega, gentilmente cedido pelo autor à Revista do AviSite.

Sobre o Autor Leonardo Thielo de La Vega é médico-veterinário e empresário brasileiro. Com mais de 18 anos de experiência no agronegócio, teve

atuação relevante nas áreas de bem-estar animal e segurança de alimentos na Eleva Alimentos, Perdigão, Sadia e BRF. Atualmente, é diretor executivo na F&S; Chief Technology Officer na brstart; membro da Comissão Nacional de Bem-Estar Animal do Conselho Federal de Medicina Veterinária e membro do Corpo Técnico da Facta/WPSA-BR. Ao longo de sua carreira, recebeu diversos prêmios importantes, sendo indicado para o prêmio global da World Veterinary Association em 2018.

Fonte ALVES, S; CIOCCA, J.P; LA VEGA, L.T. Manejo Pré-Abate e Bem-Estar Animal. In: MACARI, M.; MENDES, A. A.; MENTEN, J.F.M.; NÄÄS, I.A. PRODUÇÃO DE FRANGOS DE CORTE; 2 ed. São Paulo: FACTA; FAPESP, 2014. cap. 11, p. 193-223. EFSA. Scientific Opinion on monitoring procedures at slaughterhouses for poultry. EFSA Journal, v. 11, n. 12, 2013. EUROPEAN UNION COUNCIL. Regulamento (CE) N. o 1099/2009 do Conselho da União Europeia de 24 de Setembro de 2009 relativo à proteção dos animais no momento da occisão. Jornal Oficial da União Europeia, 2009. OIE - WOLRD ORGANIZATION OF ANIMAL HEATH. Terrestrial Animal Health Code. 2013. Disponível em: <http://www.oie.int/en/ international-standard-setting/terrestrial-code/access-online/>. Acesso em: 09 maio 2014. RAJ, A. B. M.. Stunning and slaughter of poultry. In: MEAD, G. C. (Ed.). Poultry Meat. Processing and Quality. Cambridge: Woodhead Publishing Ltd., 2004. Cap. 4. p. 6589. SCHEUERMANN, G. N.; LA VEGA, L.T.; COSTA, E. X.; et al. Caracterização do estado de inconsciência dos frangos após a eletronarcose com baixa corrente e alta frequência. Conferência FACTA - Prêmio LAMAS. Anais...Campinas: FACTA, 2017. Disponível em: <http://www. facta.org.br/conferencia2017/>


A Revista do AviSite

31


Informativo Técnico-Comercial

s o c i t ó i b ro critérios de PPrincipais seleção e seu papel na saúde intestinal

Em âmbito global, a indústria avícola está cada vez mais confiante nos probióticos pelas suas funções benéficas no ecossistema intestinal Autores: Sumit Saxena, Adisseo Asia Pacífico e Wanderley Quinteiro, Adisseo América do Sul

N

os últimos anos, a demanda dos consumidores por uma produção animal sustentável e alimentos seguros colocaram mais pressão na forma clássica de aplicação dos antibióticos promotores de crescimento (APC). Seguindo a tendência geral dos países Europeus, da América do Norte e de grande parte do Sudeste Asiático, os países da América do Sul como o Brasil, Argentina, Chile e Colômbia começaram a discutir de forma mais incisiva a produção de animais livres de APC. Hoje, a indústria animal vem buscando alternativas viáveis para a substituição de APC, sempre trabalhando na tríade manejo, biosseguridade e uso de produtos alternativos. Em âmbito global, a indústria avícola está cada vez mais confiante nos probióticos pelas suas funções benéficas no ecossistema intestinal e ca-

32

A Revista do AviSite

da vez mais produtos probióticos estão entrando na indústria de rações com diversas alegações benéficas. No entanto, certas percepções equivocadas sobre o uso de probióticos têm prevalecido. Assim, este artigo pretende abordar questões técnicas em torno dos probióticos na avicultura. Os probióticos à base de Bacillus subtilis mostraram ser uma alternativa eficiente ao uso de antibióticos na alimentação de aves, a fim de garantir um desempenho sustentável. No entanto, escolher cepas de desempenho consistente é muitas vezes um desafio. Por meio de uma metodologia de análise completa, uma nova cepa Bacillus subtilis foi desenvolvida com dupla ação: estimulando o desempenho zootécnico em condições normais, bem como sob o desafio de enterite necrótica por Clostritium perfringens.

Os critérios de seleção são numerosos, incluindo principalmente: 1) segurança para o hospedeiro, o que significa não causar citotoxicidade ou hemólise; 2) estabilidade no processamento de rações e condições gastrointestinais; 3) benefício a saúde intestinal pela melhoria da função de barreira e de imunidade intestinal; 4) capacidade de melhorar o desempenho das aves, especialmente sob condições desafiadoras; 5) ausência de genes de resistência a antibióticos; e 6) não ser muito difícil para os usuários finais realizarem avaliações de qualidade. De acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e Organização Mundial da Saúde (WHO), probióticos são definidos como “microrganismos vivos que, quando administrados em


Figura 1 Árvore filogenética mostrando a relação de Bacillus subtilis 29784 para cepas de referência da espécie Bacillus e produto do mercado

quantidade correta, conferem um benefício à saúde do hospedeiro” (FAO, WHO 2001; FAO 2016). Entre uma grande variedade de probióticos, algumas cepas são mais prevalentes, como aquelas dos gêneros Lactobacillus, Enterococcus, Bifidobacterium, Lactococcus, Streptococcus, Pediococcus e Bacillus; bem como espécies de leveduras. Podem ser classificados como bacterianos ou não bacterianos (leveduras); formadores de esporos (Bacillus) ou não formadores de esporos (Lactobacillus, Bifidobacterium); multiespécies ou espécies únicas; alóctones (não presentes no TGI como leveduras) ou autóctones (como Lactobacillus). O probiótico ideal deve ser não patogênico, hospedeiro específico, capaz de sobreviver a condições gastrintestinais como acidez, sais biliares e enzimas digestivas, capaz de modular a microbiota gastrintestinal e/ou parâmetros de saúde intestinal como a integridade da barreira intestinal, a resposta imune, o status inflamatório e a prevenção ao desenvolvimento de bactérias patogênicas, além de sobreviver ao processamento e armazenamento. Dentre as características de um probiótico ideal, podemos destacar ainda a capacidade de resistir às condições industriais de produção de ração. Por exemplo, espécies de Bacillus são capazes de formar endósporos, proporcionando caraterísticas de termoestabili-

dade, estabilidade gástrica, resistência a sais biliares, ao estresse químico e físico. Assim, tornando-os muito atrativos para a indústria de produção animal.

Seleção dos probióticos Para selecionar a cepa ideal para um probiótico, mais de 800 cepas da extensa coleção de bactérias e fungos da Novozymes (empresa de biotecnologia) foram testadas. Cepas de Bacillus subtilis, Bacillus licheniformis, Bacillus amyloliquefaciens e Bacillus pumilus listadas como seguras de acordo com a Generally Recognized as Safe (GRAS) e pela Association of American Feed Control Officials (AAFCO) foram independentemente isoladas e incluídas no processo de seleção. Os critérios para a seleção foram: • Ausência de beta-hemólise avaliada conforme recomendado pela European Safety Food Authority (EFSA) em meio TSA (tryptic soy agar) + 5% de sangue de ovelha (EFSA, 2011). • Ensaio de difusão radial para atividade relevante ao desempenho em diferentes patógenos. • Conformidade com a diretriz da EFSA para resistência a antibióticos (EFSA, 2012). • Ainda, testes de termoestabilidade, estabilidade gástrica e germinação precisa foram realizados para aprimorar essa etapa da triagem.

Os probióticos à base de Bacillus subtilis mostraram ser uma alternativa eficiente ao uso de antibióticos na alimentação de aves, a fim de garantir um desempenho sustentável. Os probióticos à base de Bacillus subtilis mostraram ser uma alternativa eficiente ao uso de antibióticos na alimentação de aves, a fim de garantir um desempenho sustentável A Revista do AviSite

33


Informativo Técnico-Comercial Das 800 cepas inicialmente incluídas na seleção, 32% eram não-hemolíticas e cerca de 10% das cepas foram positivas no ensaio de difusão radial. No geral, apenas 26 isolados preenchiam os critérios listados acima. Depois de testar a suscetibilidade aos antibióticos de acordo com a diretriz da EFSA e ação não inflamatória em células Caco, apenas seis cepas preencheram os critérios propostos. Essas cepas, foram então testadas in vivo em condições normais e desafiadas e, no final, apenas uma cepa, Bacillus subtilis 29784, foi selecionada para testes adicionais. Para estudar a filogenia das cepas testadas, foi realizada uma análise comparativa das sequências do gene gyrB. Isto foi feito essencialmente para os Bacillus subtilis e cepas de Bacillus relacionadas, utilizando sequências parciais do gene gyrB de cerca de 1200 nucleotídeos (Wang et al., 2007). A análise mostrou que o Bacillus subtilis 29784 é diferente de todos os tipos de cepas de Bacillus subtilis já conhecidos; apresentando diferenças consideráveis com relação as subespécies Bacillus subtilis subsp. Spizizenii e Bacillus subtilis subsp. Inaquosorum (próximas na escala filogenética). O Bacillus subtilis 29784 foi então classificado como uma nova subespécie de Bacillus subtilis (Figura 1). O produto X do mercado mostrou estreita relação com uma cepa tradicional de Bacillus subtilis subs subtilis, porém com diferença de 10% na

estrutura gênica comparado com o Bacillus subtilis 29784. Três estudos de desempenho foram conduzidos em três instalações de pesquisa diferentes, a fim de testar diferentes condições experimentais e diferentes cepas probióticos em frangos de corte. O delineamento experimental foi semelhante para todos os estudos, com três tratamentos (1- Controle, 2 Produto X e 3 - B. subtilis 29784). As dietas foram similares entre os estudos, com formulação a base de farelo de soja e de milho, se diferenciando pela presença ou ausência de proteína animal e fitase. Os níveis de nutrientes da dieta foram calculados para atender às exigências dos animais, de acordo com as recomendações da linhagem. O desempenho animal foi analisado no dia 35 de vida das aves. Os resultados dos três estudos (Tabela 1) foram analisados de forma independente. O Bacillus subtilis 29784 melhorou significativamente o desempenho em todos os 3 estudos, com melhora média de 3,8% no ganho de peso (GDP) e 3,2% na conversão alimentar (CA). O produto do mercado (Probiótico X) melhorou significativamente o GDP e/ou a CA em apenas um estudo (melhoria média nos 3 estudos: 1,7% para o GDP e -2,2% para a CA). Além disso, a cepa 29784 também foi testada em condições desafiadoras, usando um modelo de desafio de enterite necrótica bem estabelecido. O desafio foi prejudicial, aumentando a

Tabela 1. Desempenho dos frangos de corte aos 35 dias

ENSAIO 1

ENSAIO 2

ENSAIO 3

CR, g

GDP, g

CA

CR, g

GDP, g

CA

CR, g

GDP, g

CA

Controle

3573

2361b

1,513a

3217

2019b

1,598a

3242

1984ab

1,635a

Probiótico X

3541

2398ab

1,477ab

3246

2103ab

1,544b

3203

1973b

1,624ab

B. subtilis 29784

3542

2416a

1,467b

3288

2162a

1,521b

3256

2026a

1,607b

34 A Revista do AviSite


mortalidade e reduzindo o desempenho. Os resultados mostraram que a adição de Bacillus subtilis 29784 recuperou o desempenho animal (ganho de peso e conversão alimentar), com resultados estatisticamente similares aos dos animais não desafiados e dos animais suplementados com APC (Rhayat et al., 2017). Uma série de testes experimentais e a campo vem mostrando a consistência do Bacillus subtillis 29784 em diferentes situações. Dentre estas avaliações, observamos de maneira eficaz e consistente a possibilidade da cepa de Bacillus subtilis 29784 em substituir o uso de enramicina em dietas de frangos de corte alimentados com dietas contendo diferentes níveis de energia metabolizável aparente (EMA). Resumidamente, o Bacillus subtilis 29784 melhorou o peso final, a conversão alimentar e o índice de eficiência produtiva (IEP) dos frangos de corte quando comparado com uso de enramicina 10 ppm (Quinteiro-Filho et al., 2018)

Discussão O Bacillus subtilis pertence a uma espécie bacteriana que abrange uma diversidade gênica bastante extensa, que é percebida quando realizada análises comparativas de sequenciamento do genoma (Earl et al., 2012). A especificidade das cepas é crucial quando se trata da eficácia do probiótico, e o processo de seleção deve ser extremamente rigoroso para obter um probiótico seguro e funcional. Nossos estudos aprofundados sobre a interação hospedeiro-microrganismo demonstraram melhorias na saúde geral do intestino, tais como na integridade da barreira intestinal, na função imunológica e na redução da inflamação no intestino delgado de aves. A consistência observada a partir de ensaios in vivo com Bacillus subtilis 29784 sugerem que esta cepa se comporta mais naturalmente no sistema intestinal de frangos de corte, sendo mais eficiente do que cepas já conhecidas e utilizadas na avicultura.

Referências Earl, AM; Eppingerb, M; Fricke, W; Rosovitzc, MJ; Raskob, DA; Daugherty, S; Losick, R; Koltera, R; Ravel,

J. 2012. Whole-genome sequences of Bacillus subtilis and close relatives. Journal of Bacteriology. 194: 23782379. EFSA Panel on Additives and Products or Substances used in Animal Feed (FEEDAP); Technical Guidance on the assessment of the toxigenic potential of Bacillus species used in animal nutrition. EFSA Journal 2011;9(11):2445. [13 pp.]. doi:10.2903/j.efsa.2011.2445. Available online: www.efsa.europa.eu/efsajournal EFSA Panel on Additives and Products or Substances used in Animal Feed (FEEDAP); Guidance on the assessment of bacterial susceptibility to antimicrobials of human and veterinary importance. EFSA Journal 2012;10(6):2740. [10 pp.] doi:10.2903/ j.efsa.2012.2740. Available online: www.efsa.europa.eu/efsajournal FAO. 2016. Probiotics in animal nutrition – Production, impact and regulation by Yadav S. Bajagai, Athol V. Klieve, Peter J. Dart and Wayne L. Bryden. Editor Harinder P.S. Makkar. FAO Animal Production and Health Paper No. 179. Rome. Mountzouris, K.C.; Balaskas, C.; Xanthakos, I.; Tzivinikou, A.; Fegeros, K. 2009. Effects of a multi-species probiotic on biomarkers of competitive exclusion efficacy in broilers challenged with Salmonella enteritidis. British Poultry Science. 50(4): 467-478. Quinteiro Filho, W.M.; Plata, J; Gonçalves, J.G.; Toscan, A; Barbi, J.H.; Castro, E. Bacillus Subtilis 29784 melhorou os índices zootécnicos quando comparado com enramicina em diferentes situações nutricionais em frangos de corte. In: VIII Congresso Latino Americano de Nutrição Animal (CLANA), 2018, Campinas. Anais... Campinas, CBNA. Disponível online. http://www.cbna.com.br/site/Eventos/MaterialDownload/VIII- CONGRESSO-LATINO-AMERICANO-DE-NUTRICAO-ANIMAL Rhayat, L.; Jacquier, V.; Brinch, K.S.; Nielsen, P.; Nelson, A.; Geraert, P.A.; Devillard, E. Bacillus subtilis strain specificity affects performance improvement in broilers. Poultry Science. 2017. 96(7):2274-2280.

O Bacillus subtilis pertence a uma espécie bacteriana que abrange uma diversidade gênica bastante extensa, que é percebida quando realizada análises comparativas de sequenciamento do genoma

Shim, Y.; Ingale, S.; Kim, J.; Kim, K.; Seo, D.; Lee, S.; Chae, B.; Kwon, I. 2012. A multi-microbe probiotic formulation processed at low and high drying temperatures: effects on growth performance, nutrient retention and caecal microbiology of broilers. British Poultry Science. 53(4): 482490. Wang, L.T.; Lee F.L.; Tai C.J.; Kasai,H. 2007. Comparison of gyrB gene sequences, 16S rRNA gene sequences and DNA-DNA hybridization in the Bacillus subtilis group. International journal of systematic and evolutionary microbiology.57: 1846-50. A Revista do AviSite

35


Informativo Técnico-Comercial

A PROTEÇÃO DAS MATRIZES ESTÁ NOS DETALHES

36

A Revista do AviSite


A AviPro™ SALMONELLA DUO É A ÚNICA VACINA VIVA BIVALENTE APROVADA NO BRASIL E CAPAZ DE CONFERIR PROTEÇÃO HOMÓLOGA CONTRA SALMONELLA ENTERITIDIS E SALMONELLA TYPHIMURIUM.

Para mais informações, contate um representante Elanco e mantenha sua produção segura e saudável.

AviPro™ Salmonella Duo, Elanco e o logo da barra diagonal são marcas da Elanco ou suas afiliadas. Todos os direitos reservados. PM-BR-19-0128

A Revista do AviSite

37


Informativo Técnico-Comercial

Prevenção da Doença de Gumboro: o inteligente mecanismo de ação das vacinas de imuno-complexo As aves afetadas com o vírus de Gumboro sofrem imunossupressão, respondem deficientemente às vacinações, e ficam mais suscetíveis a todo tipo de doença infecciosa

Autores: Eduardo Muniz (a), Gerente de serviços técnicos, Zoetis e Gleidson Salles (b), Assistente Técnico para Santa Catarina e Rio Grande do Sul, na área de aves, Zoetis (a)

(b)

38

A Revista do AviSite

A

ocorrência das doenças imunossupressoras exerce efeito devastador nos resultados zootécnicos dos lotes de aves comerciais pois, no moderno sistema de produção, em que os animais são criados em alta densidade populacional, as aves dependem constantemente da integridade do sistema imune para defender-se dos diversos agentes infecciosos presentes no ambiente. Dentre as doenças infecciosas imunossupressoras das aves, como Marek, Reticuloendoteliose, Leucose Linfoide, Anemia Infecciosa das Galinhas, Reovirose e Criptosporidiose, talvez a Doença Infecciosa da Bursa (DIB), ou mais conhecida como Doença de Gumboro, seja a enfermidade que mais tenha recrutado recursos técnicos e econômicos da indústria avícola para seu controle e prevenção. Isso decorre do fato da DIB atingir diretamente um importante órgão linfoide primário – a bursa de Fabrícius – e, portanto, comprometer significativamente a importante resposta imune mediada pelos linfócitos B, por meio da produção de anticorpos. As aves afetadas com o vírus de Gumboro sofrem imunossupressão,

respondem deficientemente às vacinações, e ficam mais suscetíveis a todo tipo de doença infecciosa. Isso repercute em prejuízos econômicos significativos para a indústria avícola, como perda em desempenho zootécnico, elevação da mortalidade e aumento de condenações no frigorífico. Portanto, medidas preventivas como a vacinação são essenciais.

Mas qual é a melhor estratégia de controle? Há bastante tempo sabe-se que os anticorpos maternais exercem efeito neutralizante sobre a cepa vacinal, limitando a eficácia das vacinas convencionais. Além disso, o nível de imunidade passiva varia consideravelmente de uma ave a outra em um mesmo lote, dificultando a escolha do produto e do momento ideal para a imunização das aves. Por um lado, essa imunidade materna desempenha importante papel de proteção às aves nas primeiras semanas de vida, e por outro, dificulta a imunização ativa pelas vacinas convencionais. Em função das tecnologias disponíveis atualmente em equipamentos de vacinação in ovo e mesmo em vacinas (complexo antíge-


Figura 1 – Ilustração da vacina de imunocomplexo com a estirpe vacinal arranjada em antígeno anticorpo. Fonte: Zoetis

no-anticorpo ou recombinantes) para o controle do Gumboro, cada vez mais as indústrias produtoras têm buscado concentrar a vacinação das aves no incubatório, deixando as vacinações de campo apenas para casos eventuais, em que é necessária dose de reforço. A tecnologia da vacina do tipo imuno-complexo (Figura 1), produzida pela mixagem, em proporções bem definidas, da estirpe vacinal com anticorpos específicos contra a doença de Gumboro produzidos em aves livres de patógenos específicos (SPF), representou um grande avanço no controle dessa doença, pois permitiu a vacinação no incubatório tanto por via in ovo quanto subcutânea.

Mas qual é o mecanismo de ação das vacinas do tipo imuno-complexo? O funcionamento das vacinas de imuno-complexo foi descrito por pesquisadores da Zoetis em associação com professores do Departamento de Imunologia de Lelystad, na Holanda. Após a injeção dos ovos, o embrião inala e ingere o líquido amniótico contendo a cepa vacinal com com plexo antígeno-anticorpo, que atinge pulmões e intestino. Posteriormente, a vacina é transportada pelos macrófagos por meio dos sistemas circulatório e linfático até os órgãos linfoides. Neste momento, importantes mecanismos imunológicos começam a trabalhar envolvendo dois tipos celulares distin-

Figura 4 – Ilustração representando o “esfriamento do galpão’ após sucessivas vacinações com vacinas baseadas em vírus vivo. Fonte: adaptado de Muniz & Diniz (2014)

tos do sistema imune inato – os macrófagos e as células dendríticas foliculares. Ao encontrar estas células, o complexo antígeno-anticorpo adere aos receptores presentes em sua superfície. Nos macrófagos, o complexo antígeno-anticorpo é internalizado, onde inicia um ciclo de replicação contínua, permitindo que o vírus vacinal possa evadir-se da imediata neutralização por anticorpos maternais. Já nas células dendríticas foliculares, o complexo antígeno-anticorpo permanece protegido e ligado na superfície por meio de uma ligação iônica (Figura 2 e 3). A imunidade ativa irá se desenvolver no momento em que ocorrer a queda natural dos anticorpos maternais. Então, o vírus vacinal emerge dos macrófagos e escapa dos receptores das células dendríticas, e não pode mais ser impedido de infectar a bursa de Fabricius, onde inicia rápida replicação nos folículos linfoides. Dessa forma, essa tecnologia pode ser considerada uma ferramenta inteligente que trabalha no momento certo e sinergicamente à proteção materna. Outro aspecto importante dentro das vantagens das vacinas de imuno-complexo é o fato da imunidade ser induzida por um vírus vivo. Dessa forma, além da vacina imunizar a ave, ela também “imuniza o ambiente” e produz um efeito conhecido como “esfriamento do galpão”, após a vacinação de sucessivos lotes (Figura 4). Este efeito somente é possível em vacinas com vírus vivo, pois o vírus de campo vai sendo substituído pela cepa vacinal. O controle efetivo das doenças imunossupressoras, como a doença de Gumboro, envolve o uso inteligente da imunidade materna nas primeiras semanas de vida da ave e a eficaz e adequada imunização ativa para uma proteção completa do lote. A prevenção da doença de Gumboro é passo importante para a preservação da integridade imune, com o objetivo de evitar imunossupressão, mortalidade e prejuízos econômicos em aves comerciais. As vacinas de imuno-complexo representam um grande avanço na prevenção da doença de Gumboro, já que aliam praticidade, segurança e eficácia. A Revista do AviSite

39


Tecnologia

A destruição criativa e a transformação do agro A medicina veterinária de animais de produção e a zootecnia de precisão estão passando pela mesma transformação, movendo diversas iniciativas disruptivas para o campo

A

Leonardo Thielo de La Vega é médico veterinário e empresário, fundador da F&S Consulting, cofundador da brstart, professor no Programa de Pós-graduação em Ciência Animal da PUCPR, membro da Comissão Nacional de Bem-Estar Animal do Conselho Federal de Medicina Veterinária, membro do Corpo Técnico da Facta. Ao longo de sua carreira, recebeu diversos prêmios importantes, destacando-se pela indicação ao Prêmio Global da World Veterinary Association em 2018.

40 A Revista do AviSite

destruição criativa ou destruição criadora, maneira como alguns economistas gostam de descrever a constante mudança da economia, explica como produtos e serviços deixam de existir para que algo melhor tome o seu lugar. Em 1992, na revista Econometrica, os economistas Phillippe Aghion e Peter Howitt publicaram um importante artigo sobre o modelo da destruição criativa, “A Model of Growth Through Creative Destruction”, disponível gratuitamente no portal de papers da Harvard (DASH). Neste trabalho, os autores afirmam que a quantidade de pesquisa em qualquer período depende da quantidade de pesquisa esperada no período seguinte. Isto é, as inovações criativas em desenvolvimento hoje estão intrinsicamente ligadas a um conjunto de tendências já conhecidas ou esperadas. Uma forma interessante de aprender sobre esse conceito e como ele transforma o ambiente econômico ao nosso redor, é olhando os exemplos históricos de empresas que vieram e foram embora. É exatamente isso que


O gráfico ao lado mostra as dez maiores empresas norte-americanas de acordo com a Forbes em uma sequência histórica para 1917, 1967 e 2017. O tamanho do círculo corresponde à avaliação do valor da empresa corrigido para 2017.

mostra o gráfico da howmuch, uma empresa voltada a informações do mercado. O ranking das 10 maiores empresas americanas nos últimos 100 anos mudou completamente. As dez maiores empresas costumavam ser conglomerados de petróleo e gás a varejistas e fabricantes de automóveis. Hoje em dia, os gigantes da tecnologia dominam os cinco primeiros lugares com folga. Mas o que a tendência do próximo período tem indicado para as iniciativas e pesquisas de hoje? Andrew Ng, conhecido por ter um papel importante na formulação das estratégias do Baidu e do Google, afirma que a inteligência artificial será a nova eletricidade do mundo. E ele sabe o que está dizendo. A startup israelense Saillog é um exemplo interessante desta tendência

no agro. A empresa desenvolveu um App de smartphone interativo e gratuito baseado em inteligência artificial que permite aos agricultores identificar e tratar doenças e pragas de plantas. Os usuários carregam imagens das plantas doentes e estas são analisadas através de um algoritmo de inteligência artificial para identificação automática do problema. Os usuários podem receber respostas da solução em segundos, enquanto outros usuários podem compartilhar suas imagens com uma equipe de especialistas que fornecem opiniões sobre os melhores métodos de tratamento. A medicina veterinária de animais de produção e a zootecnia de precisão estão passando pela mesma transformação, movendo diversas iniciativas disruptivas para o campo. A Proatics, uma premiada startup Argentina que desenvolve softwares pa-

ra a avicultura, está revolucionando a forma de fazer gestão no setor avícola. A empresa desenvolveu uma plataforma inteligente que, com um só click, disponibiliza no smartphone do usuário todos os indicadores do negócio, independentemente do número de granjas ou aviários. Com uma interface totalmente amigável, fica fácil para os gestores buscarem em tempo real os almejados resultados exponenciais, sejam eles nutricionais, sanitários, produtivos ou relacionados às oportunidades de compra e venda. Inteligência artificial, deep learning, CRISPR, maquinários e drones autônomos, e outras tantas inovações serão as novas formas de gerar valor no campo. O fato é que o próximo período irá destruir de maneira brilhante e criativa boa parte daquilo com o qual nos acostumamos, em especial na rotina profissional do agronegócio. A Revista do AviSite

41


Informe Técnico-Comercial

Esclarecendo Resistência Bacteriana e Oferecendo Soluções As bactérias surgiram na terra há bilhões de anos e, para sobreviver, desenvolveram mecanismos de resistência aos antimicrobianos que são encontrados livres na natureza

Autora: Deyse Fernanda Woerner Galle, Gerente Técnica – Elanco Saúde Animal

42

A Revista do AviSite


A

presente revisão tem como finalidade abordar questões relacionadas ao uso de antimicrobianos e à ocorrência de resistência bacteriana em antimicrobianos empregados na produção animal. Não abordará questões relacionadas ao desenvolvimento de bactérias multirresistentes que preocupam a medicina humana. Isto porque, segundo Palermo (2014), as principais alegações que têm sido feitas em relação ao tema são questionáveis. Dentre elas, (1) não há evidências científicas robustas que demonstrem a correlação entre cepas bacterianas resistentes causadoras de doenças infecciosas com o local de produção dos animais cujo destino é a alimentação humana; (2) ausência de dados epidemiológicos nacionais que demonstrem a existência de casos frequentes ou graves de toxinfecções alimentares por bactérias resistentes ou, (3) dados comprobatórios que indiquem o aumento de morbidade e/ou mortalidade decorrentes de infecções por bactérias resistentes. A seleção de um agente antimicrobiano depende de múltiplos fatores: local da infecção, variáveis relativas ao hospedeiro, características de absorção do agente antimicrobiano, assim como sua via de excreção, propriedades farmacocinéticas e frequência de dosagem do agente antimicrobiano, suscetibilidade local do microrganismo ao agente antimicrobiano2.

As bactérias surgiram na terra há bilhões de anos e, para sobreviver, desenvolveram mecanismos de resistência aos antimicrobianos que são encontrados livres na natureza2. Portanto, não é surpreendente o fato de muitos antibióticos lançados nas últimas décadas, que são em sua ampla maioria de origem natural ou semissintética, terem utilidade limitada na época de sua descoberta e em pouco tempo se tornarem obsoletos3. O uso incorreto do antimicrobiano, fora das indicações de bula (off label), em tempo e em dose, contribui para a redução da eficiência destas moléculas. Quer na medicina veterinária, quer na humana, o uso contínuo dos antimicrobianos favorece a emergência de linhagens bacterianas multirresistentes4. A ação daqueles favorece a seleção bacteriana, os agentes mutam e tornam-se capazes de crescer mesmo na presença do antimicrobiano, exercendo pressão seletiva5. Bax et al (1998) apontam que algumas bactérias resistentes possuem genes que determinam resistência a múltiplas classes de antimicrobianos e são capazes de se multiplicarem rapidamente, além da transferência desta característica a outras bactérias6. A maior parte das moléculas antimicrobianas foi desenvolvida há muito tempo e hoje praticamente nenhum novo princípio ativo está em fase de pesquisa ou desenvolvimento. Produtos à base de antimicrobianos

O custo-benefício do uso de antimicrobianos para o controle de doenças em animais de produção baseia-se na maximização do efeito terapêutico, na minimização da toxicidade relacionada à molécula e ao baixo risco de desenvolvimento e persistência de genes de resistência

A Revista do AviSite

43


Informe Técnico-Comercial

Em infecções nas quais houver agentes com genes de resistência a exposição ao antimicrobiano trará vantagem seletiva a esta população, favorecendo o desenvolvimento e perpetuação da resistência bacteriana

44 A Revista do AviSite

são desenvolvidos utilizando moléculas antigas. Surgiu então, dentro da comunidade científica, o consenso de que alguns cuidados deveriam ser adotados para preservar a eficácia dos antimicrobianos, tanto na medicina veterinária quanto na humana1. Os equívocos, que ganharam força a partir do banimento de moléculas com finalidade de melhoradores de desempenho pela União Europeia, decorrem da interpretação de que o uso em medicina veterinária e humana é o mesmo. Antimicrobianos administrados em doses menores, utilizados com finalidade de melhoradores de desempenho, não visam ao tratamento de infecções, mas sim ao impedimento da instalação da doença, através do controle da microbiota gastrointestinal, de modo a prevenir enterites1. Em termos gerais existem dois tipos de resistência aos antimicrobianos: a natural e a adquirida. A primeira é uma característica intrínseca e inerente, em que a bactéria é previamente resistente à molécula em questão, por impermeabilidade de membrana celular, por formação de biofilmes ou por expressão de genes que mediam a inativação enzimática. A resistência natural é um caráter hereditário, transmitido verticalmente às células-filhas. No segundo caso, a adquirida, a resistência surge por aquisição de DNA extracelular, que pode ser disseminado através de plasmídeos,

transposons e sequências de inserção entre bactérias anteriormente sensíveis à molécula em questão; ou por meio de mutação7, 8. A alteração do sítio-alvo e a destruição enzimática do agente são provavelmente os mecanismos mais comuns pelos quais a resistência pode ocorrer9. Ambas, natural ou adquirida, são estratégias que a célula adota para tentar sobreviver. É algo absolutamente natural, que sempre existiu mas que pode ser exacerbado com o uso imprudente de antimicrobianos. O foco da questão é saber lidar com esta situação1. A frequência de mutações espontâneas para determinado gene em populações bacterianas é extremamente baixa, sendo de aproximadamente uma em 106-108 células por divisão, ou seja, uma célula a cada 10 milhões irá, ao se dividir, produzir uma célula-filha contendo uma mutação em determinado gene. Todavia, quanto maior o número de células, situação presente em infecções, a probabilidade de uma mutação reverter a sensibilidade e determinar resistência é maior. Sendo assim, em infecções, nas quais houver agentes com genes de resistência, a exposição ao antimicrobiano trará vantagem seletiva a esta população, favorecendo o desenvolvimento e perpetuação da resistência bacteriana. Baseado nesta premissa, moléculas novas ou que estejam preservadas, por uso prudente, apresen-


tam menor tendência à presença de genes de resistência e à pressão de seleção10. É senso comum, na produção e em âmbito acadêmico, que animais que recebem dietas contendo níveis subterapêuticos de antibióticos (melhoradores de desempenho) são mais saudáveis do que aqueles que recebem dietas não suplementadas. O nível sanitário melhora, reduzindo a mortalidade e a morbidade, especialmente em animais jovens. Cromwell (1999) enfatiza que animais com menor incidência de doença subclínica chegarão aos abatedouros em melhor estado sanitário. Além disto, a utilização de antibióticos melhoradores de desempenho melhora o bem estar dos animais, a qualidade da carne produzida e a utilização de nutrientes. Consequência desta, é reduzida a excreção de nitrogênio, fósforo e outros nutrientes para o meio ambiente11, 12. Na maioria dos casos, a drástica redução da população bacteriana obtida pelo agente antimicrobiano permite que as defesas naturais do hospedeiro possam lidar efetivamente contra os patógenos invasores13. Considerando as moléculas aprovadas no Brasil para uso em suinocultura, destas selecionadas aquelas que acessam sem restrição todos os mercados importadores e aquelas que ao longo dos anos têm sido preservadas (menor uso, menor dose empregada, atendimento à dose preconizada em bula) chega-se à AVILAMICINA. Antibiótico oligossacarídeo do grupo das ortosomicinas, que atua na fração 50S do RNA das bactérias, com ação predominante em microrganismos gram + e sem emprego na terapêutica humana14. Relativamente à AVILAMICINA, Delsol et al (2005) demonstram que não há persistência de Enterococcus resistentes ao princípio ativo após a suspensão de seu uso em rações de suínos15. Em relatório da Autoridade Europeia para Segurança Alimentar (EFSA) constam as seguintes informações: avilamicina possui alta atividade antimicrobiana em condições de aerobiose e anaerobiose; após tentativas em testes, não se observou re-

sistência cruzada com sete antibióticos para os quais cepas de Staphylococcus aureus apresentavam mono ou múltipla resistência; o padrão de resistência de coliformes permaneceu estável após o uso de avilamicina na alimentação dos animais16. Dados fornecidos pela Comissão Japonesa de Segurança Alimentar, em 2004, também indicam que a administração de avilamicina a suínos e aves não afeta a seleção de cepas de Escherichia coli resistentes a outros antimicrobianos, bem como que muito poucas cepas de Enterococcus resistentes à avilamicina possuíam gene de resistência, o que inviabiliza a perpetuação da resistência à molécula17. O parecer do EMEA (European Medicines Agency) de 2007 para uso de avilamicina como medicamento veterinário relata que não há evidências da transferência in vivo de genes de resistência à avilamicina18. O custo-benefício do uso de antimicrobianos para o controle de doenças em animais de produção baseia-se na maximização do efeito terapêutico, na minimização da toxicidade relacionada à molécula e ao baixo risco de desenvolvimento e persistência de genes de resistência. O uso responsável de antimicrobianos pode preservar a disponibilidade de moléculas para humanos e animais, permitindo altos níveis de produção e produtividade, garantindo bem-estar animal, disponibilizando e facilitando alimento aos seres humanos19.

REFERÊNCIAS 1. NETO, J.P. Fatos e mitos sobre resistência bacteriana a antimicrobianos usados em produção animal. FACTA, 2014. 2. HENRY, J. B. MD. Diagnósticos clínicos e tratamento por meios laboratoriais. 19ed, São Paulo: Manole, 1999. 3. DEMAIN, A. L.; Sanchez, S. J. Antibiot. 2009, 62, 5. 4. MARSHALL, S. H; ARENAS, G. Antimicrobial peptides: A natural alternative to chemical antibiotics and a potential for applied biotechnology. Electronic Journal of Biotechnology. Valparaiso v.6, n.2, p.271-284, Aug 2003.

5. OVERBYE, K. M; BARRETT, J. F. Antibiotics: where did we go wrong? Drugs Discovery Today, Kidlington, Oxford, v.10, n.1, p45-52, Jan 2005. 6. BAX, R.P. et al. Antibiotic resistance – what can we do? Nature medicine, Nova York, v.4, n.9, p.545-546, Sep 1998. 7. TAVARES; W. Manual de Antibióticos e Quimioterápicos Infecciosos. São Paulo: Atheneu, 1996. 8. SHELDON, A.T. Jr. Antibiotic resistance: a survival strategy. Clinical Laboratory Science. Washington, v.18, n.3,p170-180, 2005 9. QUINN, P. J.; MARKEY, B. K.; CARTER, M. E.; DONNELLY, W.J.; LEONARD, W.J. Agentes antimicrobianos. Microbiologia veterinária e doenças infecciosas. Cap.6, p. 42-49, 2005. 10. RANG, H. P.; DALE, M. M.; RITTER, J. M. Farmacologia. 4ª ed., Guanabara Koogan S.A.: Rio de Janeiro, 2001. 11. CROMWELL, G. L. Feedstuffs 71 (23): 18. (1999). 12. HANNON, M. Feedstuffs 72 (17): 8. (2000). 13. WALSH, C.; Nature 2000, 406, 775. 14. BUTAYE, P.; DEVRIESE, L. A.; HAESEBROUCK, F. Antimicrobial growth promoters used in animal feed: effects or less well known antibiotics on gram-positive bacterias. Clinical Microbial Reviews, v.16, n.2, p.175188, 2003. 15. DELSOL, A. A et al, 2005. Effect of growth promoter avilamycin on emergence and persistence of antimicrobial resistance in enteric bacteria in the pig. I Appl. Microbial 98:564. 16. Report of the Scientific Committee for Animal Nutrition on Question 61 by the Commission on the use of Avilamycin in feedingstuffs for chicken for fattening. EFSA, 1995. 17. Risk Assessment Report. Food Safety Commission of Japan, jan 2004. 18. EMEA/CVMP/102152/2007-Final. March, 2007 19. SANTANA, E. S. et al. Uso de antibióticos e quimioterápicos em avicultura. Enciclopédia Biosfera. Maio 2011. A Revista do AviSite

45


Empresas

MSD Saúde Animal anuncia Thiago Tejkowski como novo gerente de marketing em avicultura Empresa destaca reformulações

T

hiago Tejkowski é o novo gerente de marketing da unidade de negócios de avicultura da MSD Saúde Animal. O profissional está há três anos na empresa, onde acumulou vasta experiência no segmento de aves. Formado em medicina veterinária em 2009, com especialização em produção, tecnologia e higiene de alimentos de origem animal e com mestrado em Sanidade Avícola pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Thiago atuou anteriormente na coordenação nacional de produtos no setor de nutrição e aditivos. “Trabalhar com uma equipe rica em conhecimento e experiência é sempre uma grande oportunidade de crescimento”, afirma Thiago”.

Tejkowski é o novo gerente de marketing da unidade de negócios de avicultura da MSD Saúde Animal

46 A Revista do AviSite

Quais são as principais mudanças estruturais da empresa para 2019? Neste ano de 2019, eu assumo como o novo gerente de marketing da unidade de negócios de avicultura da MSD Saúde Animal. Já estou há três anos na empresa, onde acumulo experiência no segmento de aves. Formado em medicina veterinária em 2009, com especialização em produção, tecnologia e higiene de alimentos de origem animal e mestrado em Sanidade Avícola pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), atuei anteriormente na coordenação nacional de produtos no setor de nutrição e aditivos. A MSD Saúde Animal também trouxe outros nomes para a equipe de avicultura, que sob a direção de Laura Villarreal, foi ampliada a fim de melhor atender ao crescimento da unidade de negócio da empresa. Entre as mudanças, está a composição da gerência técnica, promoção de Lucas Colvero atuando como gerente técnico da Região Sul e a promoção de Jorge Werlich a gerente técnico da Região Norte. Além disso, a unidade recebeu três quatro novos colaboradores: Joyci Torres de Paula, coordenadora técnica das Regiões Norte e Nordeste, Gustavo Carvalho da Costa, coordenador técnico de Minas Gerais, Espirito Santo e Goiás, Ana Paula Fernandes, coordenadora técnica do Estado de São Paulo e Simone Martins, coordenadora técnica norte do Estado do Paraná. Quais são os principais projetos em termos de avanço de mercado da MSD? Atualmente, a avicultura é o quarto mercado da MSD Saúde Animal, tendo 11% do faturamento da companhia. Sem dúvidas, trata-se de um segmento promissor e que, por meio da inovação,

vem se destacando no mercado. A MSD Saúde Animal tem trazido uma série de produtos diferenciados ao mercado, o que tem estimulado a nossa atuação na avicultura. A unidade de negócios de avicultura da MSD Saúde Animal apresenta crescimento sólido, principalmente, ao longo dos últimos anos, com estratégias bem definidas e lançamento de novos produtos, crescendo na ordem superior a “dois dígitos” ao ano. Em 2018, dois novos produtos foram lançados ao mercado brasileiro, a nova vacina recombinante Innovax-ND-IBD®, um produto único, com tripla proteção para controle das doenças de Marek, Newcastle e Gumboro em uma só vacina e o Exzolt, um produto revolucionário para o controle de ácaros. Isso é resultado de anos de investimentos e desenvolvimento dedicados à avicultura. Em 2019 temos a incorporação de maior suporte técnico especializado e dedicado, assim projetamos ainda mais crescimento dos negócios na avicultura e da própria MSD. Como a empresa pretende avançar no setor avícola em 2019? A MSD Saúde Animal segue apostando em desenvolvimento e inovações de produtos, pessoas e serviços para oferecer aos clientes as melhores ferramentas para o seu crescimento e consequentemente do mercado avícola brasileiro. Projeções da empresa para este ano. 2018 foi um grande ano para a Unidade de Avicultura da MSD Saúde Animal, tivemos um crescimento superior ao mercado e conquistamos a posição número 1 no mercado de biológicos. Para 2019, incrementamos o suporte técnico e com um leque de produtor impares, projetamos continuar com o sólido crescimento dos negócios.


A Revista do AviSite

47


Informativo Técnico-Comercial

Produção de aves livres de antibióticos e segurança alimentar Considerando a pressão por parte dos consumidores em todo mundo a comunidade científica e as agências reguladoras internacionais buscam manter a produção versus segurança alimentar, o que tem sido um grande desafio Autoras: Melina Bonato e Liliana Borges (P&D, ICC Brazil)

R

ecentemente, um surto de peste suína na África afetou a produção de suínos, uma vez que o vírus é fatal e não há vacina para controlá-lo. Milhares de animais foram sacrificados para evitar a transmissão da doença, mas o mercado sofreu forte impacto. Assim, consequentemente, o consumo de carne de aves aumentou para atender a demanda. Para suprir parte do mercado de suínos, a produção de aves deve alcançar maior produção, juntamente com a qualidade da carne e a segurança alimentar. Considerando a pressão por parte dos consumidores em todo mundo, a comunidade científica e as agências reguladoras internacionais, para remover ou diminuir o uso de melhoradores de desempenho de antibióticos e o uso racional da forma terapêutica na produção animal, buscam manter a produção versus segurança alimentar, o que tem sido um grande desafio. De acordo com a OMS, cerca de 600 milhões, ou quase 1 em cada 10 pessoas no mundo, adoecem depois de consumir alimentos contaminados. Destas, 420 mil pessoas morrem, incluindo 125 mil crianças com idade inferior a 5 anos. No Brasil, de 2007 a ju-

48 A Revista do AviSite

nho de 2016, 90,5% dos casos de doenças transmitidas por alimentos foram provocados por bactérias, sendo que os sorotipos mais encontrados foram a Salmonella spp (7,5%), seguida por Escherichia coli (7,2%) e Staphylococcus aureus (5,8%). O impacto dos antibióticos na microbiota do intestino tem sido mais recentemente investigado e pesquisadores mostraram que, além de alterar a composição da microbiota, os antibióticos também afetam a expressão gênica, a atividade proteica e o metabolismo geral da microbiota intestinal. As alterações microbianas causadas por antibióticos, além de aumentar o risco imediato de infecção, também podem afetar a homeostase imunológica básica em longo prazo. Com esta nova realidade, é imprescindível que a cadeia produtiva se adapte e aplique um rigoroso plano de manejo, saúde e nutrição, pois a transmissão pode se dar pela ração, ambiente ou ainda vertical (da matriz para o frango/poedeira), por isso o manejo adequado é essencial neste controle. Existem no mercado algumas alternativas para o controle de bactérias patogênicas, como as vacinas vivas

atenuadas (que no geral atuam sobre a Salmonella Gallinuram e Salmonella Typhimurium, tendo atuação também sobre a Salmonella Enteritidis), produtos que atuam sobre a ração como antimicrobianos bactericidas (normalmente compostos de ácidos orgânicos) ou que agem no organismo animal, como probióticos, ácidos orgânicos, extratos vegetais, prebióticos, etc. Cada produto possui diferentes formas de ação direta ou indiretamente modulando a microbiota e a resposta do sistema imune. A parede celular de levedura Saccharomyces cerevisiae é uma das soluções que podem ajudar no programa de controle de patógenos, uma vez que é uma solução natural que reduz a contaminação e previne o problema. Com base nesse conceito, o ImmunoWall® se destaca dentre outros produtos por ser composto por uma densa parede celular de levedura de Saccharomyces cerevisiae com altas concentrações de β-Glucanas e MOS, resultando em um aditivo com resultados comprovados e ótimo custo/benefício. As β-glucanas presentes modularão a resposta imune dos animais, pois são estimulantes naturais do sistema imune inato. Quando as células


fagocíticas entram em contato com as β-glucanas, essas células são estimuladas e as citocinas são produzidas. A produção de citocinas desencadeará uma “reação em cadeia”, induzindo um maior status imunológico nos animais, tornando-os com uma melhor capacidade de resistir às infecções oportunistas. Assim, a suplementação com ImmunoWall® garante que as aves mantenham o equilíbrio da microbiota intestinal e melhorem as respostas do sistema imunológico, resultando na redução da contaminação e transmissão de bactérias patogênicas para outros órgãos do corpo. Um recente estudo de Beirão et al. (2018) onde frangos de corte foram suplementados com ImmunoWall® (0,5 kg/ton) e infectados aos dois dias de idade com Salmonella Enteritidis [SE] (via oral na dosagem de 108 UFC/ ave), mostrou que aos quatro e oito dias (dois e seis dias pós-infecção, respectivamente) ImmunoWall® reduziu a passagem do marcador (Dextran-FITC, 3-5 kD) para o sangue nas aves desafiadas. Estes resultados indicam uma melhora significativa na integridade e permeabilidade intestinal, já que a SE é uma bactéria capaz de aderir à mucosa por meio de suas fímbrias, produzir toxinas e causar danos às tight juctions (junções de oclusão) e aos enterócitos, invadindo-os e translocando-se para a corrente sanguínea e demais órgãos e tecidos internos. Estes resultados podem ser explicados pela quantificação de células

circulantes que foram analisadas no sangue coletado destas aves. É importante notar que durante a dinâmica normal de uma infecção, ocorre uma mobilização dos leucócitos do sangue para o intestino, porém se animal apresentar outro tipo de infecção, a redução de leucócitos totais circulantes, pode prejudicar a resposta ao ataque à este segundo antígeno/local. Isto principalmente pode ser perigoso quando a taxa de leucócitos totais no sangue está muito baixa (leucopenia). Na análise do referido estudo, o grupo infectado e suplementado com Immunowall® proporcionou uma menor mobilização dos leucócitos do sangue para o intestino aos 14 dias; no entanto, quando esse sistema imune é subdividido e as diferentes células são analisadas, os animais deste grupo apresentaram mais APC’s, monócitos supressores (impedem uma resposta imune desenfreada), e linfócitos T auxiliares (CD4 – secretam interleucinas e estimulam a multiplicação de células que irão atacar o antígeno), que o grupo de animais desafiados e não tratados. Já o grupo suplementado com ImmunoWall® e não desafiado, apresentou respostas intermediárias (entre o controle desafiado e o não desafiado) às células analisadas citadas acima, e também Linfócitos T citotóxicos (CD8), que são importantes para prevenir ou controlar a invasão da Salmonella, já que estas tem a capacidade de invadir monócitos e assim translocar-se para o fígado e demais órgãos.

O impacto dos antibióticos na microbiota do intestino tem sido mais recentemente investigado e pesquisadores mostraram que, além de alterar a composição da microbiota, os antibióticos também afetam a expressão gênica, a atividade proteica e o metabolismo geral da microbiota intestinal

A Revista do AviSite

49


Informativo Técnico-Comercial No gráfico 1 ao lado, é possível observar que suplementação com ImmunoWall® resultou na maior produção IgA anti Salmonella aos 14 dias de idade. Isto mostra que a resposta específica do sistema imunológico foi mais rápida e mais forte, consumindo menos energia e nutrientes, já que a resposta inflamatória pareceu ser mais curta. A SE pode ser um problema para a ave que ainda não completou a maturação do sistema imune, pois ainda não consegue controlar a infecção totalmente, por isso grande parte da melhoria das respostas encontradas neste estudo foram até os 14 dias. Assim, a suplementação de β-glucanas pode ajudar a ave a ter uma ativação e resposta do sistema imune inato precoce e mais rápida, reduzindo/minimizando os danos causados pelo patógeno e consequentemente, as perdas em desempenho. Este tipo de resposta é especialmente importante em animais em fases iniciais de desenvolvimento, reprodutivas, períodos de estresse e desafios ambientais; agindo como um profilático e aumentando a resistência animal, minimizando maiores prejuízos.

Existem no mercado algumas alternativas para o controle de bactérias patogênicas, como as vacinas vivas atenuadas, produtos que atuam sobre a ração ou que agem no organismo animal 50

A Revista do AviSite

Diversos outros estudos provaram a eficácia de ImmunoWall® em reduzir a contaminação de patógenos nas aves e ovos (Hofacre et al., 2017; Ferreira et al., 2014), mortalidade e melhorar o desempenho produtivo (Bonato et al., 2016; Rivera et al., 2018; Koiyama, et al. 2018), principalmente sob desafio. Não existem aditivos alimentares que possam suprir problemas com manejo, plano sanitário, vacinação, nutrição, qualidade de água, entre outros. Os aditivos são ferramentas que podem ajudar no controle e prevenção. A produção animal intensiva é um ambiente altamente desafiador, assim o fortalecimento do sistema imunológico pode ser uma das chaves para maior produtividade. A ligação entre qualidade, valor nutricional e segurança alimentar é uma tarefa que tem exigido muita pesquisa pelas indústrias para garantir a saúde pública. A produção de aves é um ambiente desafiador onde a segurança alimentar começa na fazenda e é possível controlar patógenos sem o uso de antibióticos como promotores de crescimento. No entanto, é de suma importância que os produtores, que são o primeiro elo na cadeia de produção, se comprometam, pois está comprovado que a redução de patógenos no campo contribui significativamente para reduzir o risco de doenças transmitidas por alimentos devido à contaminação bacteriana.

Referências Beirão B. C. B. et al. Yeast cell wall immunomodulatory and intestinal integrity effects on broilers challenged with Salmonella Enteritidis. In: 2018 PSA Annual Meeting. San Antonio-Texas, USA. Proceedings…. 2018.

Bonato et al. Desempenho de frangos de corte alimentados com mananoligossacarídeos, parede celular de levedura e nucleotídeos de diferentes fontes. In: Conferência FACTA 2016 de Ciência e Tecnologia Avícolas, Atibaia. Proceedings….2016. Ferreira, A.J.P. et al. Uso da associação de levedura e fonte de nucleotídeos na redução da colonização entérica por Salmonella Hiedelberg em frangos. In: Conferência FACTA 2014 de Ciência e Tecnologia Avícolas, Atibaia. Proceedings…. 2014. Hofacre, C., et al. Use of a yeast cell wall product in commercial layer feed to reduce S.E. colonization. Proceedings of 66th Western Poultry Disease Conference, March 2017, Sacramento, CA, p. 76-78, 2017. Koiyama, et al. Effect of yeast cell wall supplementation in laying hen feed on economic viability, egg production, and egg quality. The Journal of Applied Poultry Research, v. 27 (1), p. 116–123, 2018. Rivera et al. Yeast cell wall and hydrolyzed yeast as a source of nucleotides effects on immunity, gut integrity, and performance of broilers. In: 2018 International Poultry Scientific Forum. Atlanta-GA, USA. Proceedings…. p. 49, 2018. World Health Organization – WHO. Media Centre, News release. WHO’s first ever global estimates of foodborne diseases find children under five account for almost one-third of deaths. 2015. Available in: http://w w w.who.int/mediacentre/ news/releases/2015/foodborne-disease-estimates/en/


A Revista do AviSite

51


Informativo Técnico-Comercial

A saúde intestinal de frangos de corte tratados com UNIWALL® MOS 25 e FLORAMAX B11® e desafiados com Salmonella Heidelberg Frangos de corte machos (144 animais) com um dia de idade, foram alojados em gaiolas experimentais no infectório do Laboratório de Medicina Aviária da Universidade Estadual de Londrina – UEL Autor: Fabrizio Matté, Consultor Técnico da Vetanco Brasil

A

s doenças entéricas assumem considerável importância para o setor avícola, devido aos seus efeitos negativos, os quais se repercutem na redução da produtividade, no aumento de mortalidade e nos riscos para segurança alimentar (PATTERSON e BURKHOLDER, 2003). A Salmonella spp., especialmente os sorovares não tifoides, são patógenos bem conhecidos, mas que podem infectar as aves silenciosamente, como membros transitórios da população microbiana intestinal, sem causar doenças ou efeitos sobre o desempenho zootécnico das aves. Esta infecção assintomática pode aumentar a probabilidade de transmissão para humanos por meio de alimentos contaminados. Dentre os sorovares de Salmonella, o sorovar Heidelberg é um dos mais prevalentes em pacientes com salmonelose na América do Norte, provocando infecções mais invasivas que outras Salmonelas não tifoides. Para prevenção da colonização de Salmonella spp. em animais e transmissão por meio da cadeia alimentar, ácidos orgânicos e probióticos estão sendo fornecidos para as aves no alimento e na água de bebida (HOFFMANN et al., 2014; SANTIN et al., 2017).

Objetivo geral do estudo Avaliar a ação do Uniwall® MOS 25, e do Uniwall® MOS 25 associado ao FloraMax B11®, em aves desfiadas com Salmonella Heidelberg.

52

A Revista do AviSite

Tabela 1

Frangos de corte machos (144 animais) com um dia de idade, foram alojados em gaiolas experimentais no infectório do Laboratório de Medicina Aviária

Tabela 2

da Universidade Estadual de Londrina – UEL. Os animais receberam água e alimento ad libitum e aquecimento conforme a exigência fisiológica.


Figura 1 Esses foram divididos em quatro grupos e receberam o delineamento de acordo com o tratamento (Tabela 1). A inclusão do Uniwall® MOS 25 foi no grupo T3 [1,5 kg/ton.] e no grupo T4 [1,0 kg/ton.], desde o alojamento das aves. Para o grupo T4 foi administrada, via gavagem, uma dose/dia (1ml/ave) de FloraMax B11® (6g/1000 aves), do quinto ao décimo dia de vida.

A Salmonella spp são patógenos bem conhecidos, mas que podem infectar as aves silenciosamente, como membros transitórios da população microbiana intestinal

As aves foram desafiadas no 10° dia de vida com Salmonella Heidelberg (105 UFC/mL), este isolado oriundo de aves. No 12° dia, nove aves foram sacrificadas por grupo, para a colheita dos cecos, recuperação e quantificação bacteriana para a determinação da UFC/mL. Na Tabela 2, estão apresentados os dados referentes a recuperação bacteriana. Pode-se observar que 1 dia após o desafio, as médias de recuperação bacteriana não diferiram significativamente (p<0,05) do controle positivo (T2). Todavia, dois dias após o desafio, os grupos T3 e T4 apresentaram redução no Log de UFC/mL diferindo significativamente do controle positivo (T2). Indicando que a utilização de Uniwall® MOS 25 - 1,5 kg/ton (T3) e Uniwall® MOS 25 - 1,0 kg/ton associado ao FloraMax B11® (T4) permitiram uma redução no Log de UFC/mL de Salmonella Heidelberg no ceco das aves desafiadas, assim como está resumido no Gráfico 1. A utilização de Uniwall® MOS 25 [1,5 kg/ton] e Uniwall MOS 25 [1,0 kg/ton] associado ao FloraMax B11® (6g/1000 aves) permitiram uma redução na recuperação de Salmonella Heidelberg (Log de UFC/ mL) no ceco das aves desafiadas, dois dias após desafio.

O Uniwall® MOS 25 é constituído por ácidos orgânicos e parede celular de levedura, porém, apresenta um carrier mineral, que além de atuar como uma proteção dos seus constituintes da fórmula dentro do sistema gastrointestinal, atua como uma plataforma de multiplicação e transporte de bactérias acidófilas, entre as principais bactérias estão os Lactobacillus sp. (Figura 1.)

Referências Santin E, Hayashi RM, Wammes JCS, Gonzalez-Esquerra R, Carazzolle MF, Freire CCM, Monzani PS and Cunha AF (2017) Phenotypic and Genotypic Features of a Salmonella Heidelberg Strain Isolated in Broilers in Brazil and Their Possible Association to Antibiotics and Short-Chain Organic Acids Resistance and Susceptibility. Front. Vet. Sci. 4:184. doi: 10.3389/ fvets.2017.00184 Hoffmann M, Zhao S, Pettengill J, Luo Y, Monday SR, Abbott J, et al. Comparative genomic analysis and virulence differences in closely related Salmonella enterica serotype Heidelberg isolates from humans, retail meats, and animals. Genome Biol Evol (2014) 6:1046 – 68. doi:10.1093/gbe/evu079 A Revista do AviSite

53


Opinião

2019: o ano em que a avicultura vai brilhar na América do Sul A avicultura precisa olhar atentamente para a região sul-americana, que oferece inúmeras oportunidades para o crescimento de nosso setor

O

Jairo Arenazio Diretor-geral da Cobb-Vantress para a América do Sul

“O Brasil tem se consolidado como plataforma de exportação de material genético de qualidade, agregando valor à produção de países de todo o mundo, e por isso é fundamental que também estejamos atentos a esta rica parte de nosso continente”

54 A Revista do AviSite

ano de 2018 foi marcado como um dos mais difíceis de nosso setor. As empresas avícolas em atuação no Brasil enfrentaram dificuldades como escândalos de corrupção, greves no setor de transportes e embargos de grandes compradores de carne de frango do Brasil, como Europa e China. Mesmo assim, temos muito a comemorar. O setor da avicultura provou, mais uma vez, aos olhos do mundo, o quanto é forte e profissionalizado. Muito mais se espera desse novo ano, em que especialistas acreditam que a América do Sul entrará definitivamente no rol de países em franca expansão para os próximos cinco anos. O Brasil, em primeiro lugar, por ter um setor produtivo bem preparado e automatizado, com grande população e agronegócio consolidado. Em segundo lugar, está em destaque também a Argentina, por estar passando por um momento de transformação política e por ter um presidente desenvolvimentista e com visão empreendedora. A Colômbia será também um grande “player” por já estar mais adiantada nesse processo de liberalização da economia, por ter as instituições bem funcionais e por ser a segunda maior população da região, depois do Brasil. E, por fim, o Peru vem nesta esteira de crescimento, com grandes perspectivas de consolidação de sua economia.

A avicultura precisa olhar atentamente para a região sul-americana, que oferece inúmeras oportunidades para o crescimento de nosso setor. O Brasil tem se consolidado como plataforma de exportação de material genético de qualidade, agregando valor à produção de países de todo o mundo, e por isso é fundamental que também estejamos atentos a esta rica parte de nosso continente. Temos potencial para seguir exportando, também de nosso País, capacitação para profissionais que atuam na área avícola, estendendo para os países vizinhos os sofisticados conhecimentos e o excelente nível técnico com que trabalhamos por aqui. Também, há ainda uma enorme oportunidade de compartilhar nossas políticas de biosseguridade, marca que diferencia o Brasil da grande maioria dos exportadores de carne de frango, e que nos levaria a contribuir ainda mais com a profissionalização de nosso setor. Para 2019 temos apenas ótimas expectativas. Seremos mais positivos, com mais energia e ainda mais otimistas, tanto em nosso setor quanto em nosso governo e instituições. O Brasil é referência no agronegócio mundial e tem a chance de voltar a trilhar o caminho do franco desenvolvimento, para se tornar a quinta potência econômica mundial. E seguimos juntos, acreditando em nossa missão máxima de levar proteína saudável, sustentável e acessível para toda a população mundial!


A Revista do AviSite

55


Empresas

Guia Eletrônico de Nutrição Rhodimet® agora também está disponível para uso em smartphones Ferramenta da Adisseo calcula a necessidades de aminoácidos de diversas espécies animais

O

Guia Eletrônico de Nutrição Rhodimet®(e-RNG) é uma ferramenta desenvolvida pela Adisseo para calcular as necessidades de aminoácidos de diversas espécies animais. O aplicativo reúne requerimentos de aminoácidos para espécies avícolas, suínos e para aquicultura. O e-RNG é uma ferramenta interativa, que permite que nutricionistas e formuladores calculem os requerimentos de aminoácidos de várias espécies animais sob diferentes condições de criação. Levando em conta os desempenhos de seus animais (ingestão de alimentos, ganho de peso e conversão ali-

José Henrique Barbi

“O Brasil está entre os países com mais tecnologia e produtividade na produção de proteína animal do mundo, não deixando nada a desejar a outras regiões”.

56

A Revista do AviSite

mentar), o software recalcula precisamente os requerimentos de aminoácidos digestíveis para uso na formulação de dietas. A composição de aminoácidos digestíveis fornecida refere-se às principais matérias-primas utilizadas nas formulações de rações. O aplicativo, disponível em diversas línguas, agora pode ser acessado nos smartphones e tablets de maneira fácil e conveniente. Basta buscar por e-RNG na loja de aplicativos dos dispositivos Android ou Apple e fazer o download. O software também poderá ser baixado para uso nos computadores através do site Feedsolutions, da Adisseo: https:// feedsolutions.adisseo.com/pt-br/servicos/rhodimet-nutrition-guide/. Veja na sequência a entrevista com o José Henrique Barbi, Diretor de Desenvolvimento Técnico América do Sul. Qual é o diferencial gerado na granja ao se calcular as necessidades de aminoácidos para frangos de corte e poedeiras? O Guia Eletrônico de Nutrição Rhodimet (e-RNG) é uma ferramenta interativa que permite que nutricionistas calculem as necessidades de aminoácidos de aves e outras espécies animais sob diferentes condições de produção. Tal software leva em conta o desempenho real de aves em produção (consumo de ração, ganho de peso e conversão alimentar), e recalcula com precisão os requisitos de aminoácidos digestíveis para uso na formulação de rações. Fornecer ração usando aminoácidos sintéticos com devida precisão para atender o requerimento das aves reduz o custo da ração, melhora a produtividade das aves e melhora a ‘metabolizabilidade’ dos nutrientes ingeridos por esses ani-

mais. No caso dos aminoácidos sulfurados (metionina e cistina), o fornecimento adequado também é fator de melhora das condições de saúde das aves. Importante lembrar que o alimento fornecido para aves é o principal fator de custo na produção de frangos de corte ou de ovos. Como a tecnologia tem impactado nos resultados na granja? O e-RNG gera a possibilidade de maior flexibilização na formulação de rações e redução de proteína nas dietas. A redução de proteína nas dietas é importante por diminuir o estresse por calor das aves, e também por reduzir a quantidade de proteína chegando ao intestino. Menos proteína em nível intestinal limita a população de bactérias proteolíticas, que muitas vezes são indesejáveis. Como está a relação envolvendo a tecnologia digital com a sua aplicação no campo? Entre as tecnologias digitais que fazem parte do dia a dia da nutrição avícola temos ferramentas como o e-RNG e os equipamentos NIRs (Near-Infrared spectroscopy). Na produção avícola temos os ‘equipamentos móveis’ para coleta de dados produtivos no campo ou nas indústrias, e galpões computadorizados com adequado controle do ‘ambiente’ das instalações. Estas tecnologias podem estar integradas às análises estatísticas dos dados de produção, que visam melhor entender os efeitos que afetam a produtividade das aves, assim como gerar modelos de simplificação da realidade, como por exemplo modelos matemáticos de simulação de crescimento de frangos, ou de simulação de produção de ovos.


A Revista do AviSite

57


Empresas

Felipe Pelicioni é o novo Gerente de Produto da Unidade de Aves da Ceva Saúde Animal Profissional atuará com foco no fortalecimento da marca e na consolidação da liderança da companhia no mercado de vacinas aviárias

A

Ceva Saúde Animal anunciou no final do último ano a contratação do médico veterinário Felipe Pelicioni como novo integrante de sua equipe. Ele assume o cargo de Gerente de Produto da Unidade de Aves com o objetivo de consolidar a liderança da companhia em vacinas aviárias. Para Felipe, integrar o time da Ceva era um objetivo profissional, devido aos diferenciais técnicos e de inovação da companhia. “Quero colaborar para a consolidação da nossa posição de destaque no mercado nacional, e contribuir para um significativo crescimento da nossa presença. Dessa forma, estaremos contribuindo com nossos clientes, levando a conveniência como ferramenta para a busca da excelência. E isso só é possível com um portfólio inovador e eficiente como o da Ceva”, afirmou. Abaixo, acompanhe uma entrevista exclusiva com Felipe Pelicioni Quais os seus projetos à frente da Ceva? Vou atuar na gestão do marketing das vacinas usadas para as aves de postura e matrizes.

58

A Revista do AviSite

Felipe Pelicioni, Graduado em Medicina Veterinária pela UNESP de Botucatu e com MBAs em Avicultura Indústria e Marketing, Felipe Pelicioni atua há mais de 12 nos no setor de saúde animal passando por empresas como Zoetis, Biovet e Yes Sinergy Nesse contexto, tenho como meta colaborar na elaboração de estratégias e ferramentas que auxiliam nossa equipe na diferenciação dos nossos produtos através da valorização de toda tecnologia e inovação presente dentre de cada frasco de vacina Ceva. Com isso, auxiliar o produtor oferecendo trazendo dois pilares básicos para uma produção rentável e saudável: segurança e conveniência! Como você vê o atual momento da avicultura? A avicultura é um dos grandes destaques do agronegócio brasileiro, sendo referência mundial de qualidade e produtividade. Os últimos anos trouxeram desafios complexos que geraram para as empresas a necessidade de atuar de forma mais eficiente. Atualmente, devido aos crescentes custos de produção, transporte e mão de obra, as empresas precisaram se adaptar à uma nova realidade onde os recursos (humanos e produtivos) são mais caros e escassos, e quem não trabalhar com elevada eficiência terá muitas dificuldades de se manter nesse mercado tão competitivo e tão

cheio de oportunidades. E a Ceva se mostra totalmente alinhada com essa realidade desenvolvendo vacinas exclusivas para a realidade do Brasil, e oferecendo as mais modernas tecnologias, que são traduzidas em praticidade e redução de mão de obra. Como estão as pesquisas para novos produtos? A pesquisa e desenvolvimento são o alicerce da Ceva, desde o início de sua história. É por isso que hoje temos a linha mais moderna de vacinas disponíveis no mercado mundial. E todo desenvolvimento deve ser contínuo! Por isso, a Ceva já se prepara para o lançamento de vacinas exclusivas nos próximos anos, reforçando nosso compromisso com a saúde, segurança e praticidade. Qual será o foco da empresa para 2019? Vamos trabalhar duro para manter nossa posição de liderança no mercado nacional, reforçando nossa atuação nos segmentos de postura e matrizes, suportando nossos clientes na busca pela eficiência, segurança e lucratividade.


Empresas

Animal Pharm Awards anuncia o Grupo Vaxxinova entre os vencedores Entre os principais destaques da premiação estão os produtores de vacinas como o Grupo Vaxxinova, do qual faz parte a empresa Biovet Vaxxinova

O

Animal Pharm Awards elegeu o Grupo Vaxxinova a melhor companhia europeia. A escolha leva em conta a recente expansão dos horizontes internacionais da marca ocorrida por meio de uma série de aquisições inteligentes, com destaque para o Biovet Vaxxinova, na América Latina, e Epitopix, nos Estados Unidos. “Além de seus novos sites nos EUA e no Brasil, a Vaxxinova também possui instalações de P&D, produção e diagnóstico na Alemanha, Itália, Noruega, Japão, Jordânia e Holanda. A empresa está construindo uma plataforma significativa para o crescimento futuro, e deve se tornar um participante ainda mais proeminente no segmen-

to das vacinas veterinárias”, afirma a Animal Pharm. O prêmio Animal Pharm é concedido a cada início de ano e tem como objetivo destacar a inovação e o crescimento de empresas de todos os tamanhos e de diferentes setores. Neste início de 2019, e considerando os dados do ano anterior analisados para escolha dos vencedores, houve um recorde para as indicações desta nova edição do prêmio, à medida que a competição se intensifica. Principal serviço de notícias e análises de inteligência do agronegócio

para a indústria global de saúde animal, a Animal Pharm também premiou os produtores de vacinas Zoetis, Merck Animal Health, Biogénesis Bagó – além da Vaxxinova.

Uso de xilanase para melhoria da funcionalidade de fibras nos monogástricos é defendida pela AB Vista Empresa é uma das três maiores do player de enzima

A

AB Vista, uma das três maiores empresas do player mundial de enzimas defende o uso de xilanase para a melhoria da funcionalidade das fibras nos monogástricos. As fibras estão presentes na alimentação, sendo que normalmente não são bem aproveitadas pelos animais. Com a adição de uma enzima xilanase (enzima do grupo das carboidrases que é especializada na degradação de polissacarídeos não amiláceos), há um maior aproveitamento da energia presente nos alimentos, o que normalmente é descartada. Com a xilanase, as fi-

bras passam a atuar de maneira diferente, havendo uma fermentação e fazendo com que elas atuem mais especificamente na alimentação. A xilanase degrada os arabinoxilanos de cadeia longa, que gera uma redução da viscosidade da digesta. Além disso, o uso de xilanase garante a produção de xiloligossacarídeos com ação prebiótica, sendo fermentados pela microflora no intestino grosso, com aumento a produção dos AGV's (ácidos graxos voláteis), tornando-se fonte de energia, controle de bactérias e produção de butirato.

" O uso de xilanase é o mais indicado como promotor de crescimento. Por ser natural, não causa danos ao meio ambiente e aos animais. A adição de enzimas na alimentação dos animais apresenta muitos benefícios, que podem ir desde aumento de peso, melhoria do índice de conversão alimentar e performance, passando por uma modulação de flora intestinal,", revela Dr. Alexandre Barbosa de Brito, Gerente Técnico LAM da AB Vista. "A xilanase da AB Vista garante ainda uma redução no custo para o produtor, pois os resultados zootécnicos são melhores", conclui. A Revista do AviSite

59


Análise

Ano se inicia com cotações e poder de compra em queda Em janeiro, as vendas da proteína seguiram em ritmo lento, e as cotações do milho e do farelo de soja registram alta, enquanto as do animal recuaram Juliana Ferraz, Maristela de Mello Martins e Sergio De Zen Equipe de Ovos, Aves e Suínos do Cepea/Esalq/USP

D

entre os desafios enfrentados pelo setor de avicultura de corte no correr de 2018 estiveram a retração nas vendas da carne e a alta nos preços dos principais insumos da atividade (milho e farelo de soja), que resultaram na diminuição no poder de compra do produtor de frango vivo, uma vez que os valores do animal registraram queda. Neste início de 2019, o cenário não é diferente. Em janeiro, as vendas da proteína seguiram em ritmo lento, e as cotações do milho e do farelo de soja registram alta, enquanto as do animal recuaram. Os valores da carne de frango estiveram em queda no mercado brasileiro, influenciados pelo típico desaquecimento na demanda em início de ano, período em que o poder de com-

Fonte: CEPEA

60 A Revista do AviSite

pra da população é menor – vale lembrar que esta época é marcada por gastos extras. Com isso, os preços médios da proteína congelada e resfriada negociada no atacado da Grande São Paulo foram de R$ 4,29/kg e R$ 4,32/kg em janeiro, respectivamente, 2,3% e 2,9% abaixo do verificado no último mês de 2018. No mercado de cortes, o movimento também foi de baixa para a maior parte dos produtos. No atacado da Grande São Paulo, as cotações da coxa/antecoxa congelada recuaram 3,7% frente a dezembro, indo para R$ 4,41/kg em janeiro, enquanto os preços de asa e do drumet caíram 0,7%, indo para R$ 7,60/kg e 7,46/kg, respectivamente. Além do baixo desempenho no mercado doméstico, a queda nas ven-

das externas somada ao impasse político entre o Brasil e os países árabes – principal demandante da carne de frango brasileira – trouxe preocupação aos agentes exportadores. De acordo com dados da Secex, em janeiro, o Brasil embarcou 260,7 mil toneladas de carne de frango in natura, 20% menos do que o comercializado em dezembro/18, com receita de aproximadamente US$ 407,5 milhões, 22% abaixo da obtida no último mês de 2018. Os principais parceiros comerciais que reduziram significativamente as aquisições da proteína neste início de 2019 foram: Japão (28%), Arábia Saudita (27%) e China (9%). Apesar da retração das vendas ao mercado internacional neste início de ano, e das incertezas quanto às futuras remessas de carne enviadas à Arábia Saudita, a expectativa do setor é de melhora ao longo do ano. O mercado global de carnes deve se intensificar com o crescimento econômico esperado para países em desenvolvimento. Essas nações demandantes devem registrar aumento na produção doméstica, mas de forma insuficiente para atender ao consumo interno. Nesse contexto, o Brasil deve ampliar as suas vendas também para países que, por enquanto, não figuram entre os principais importadores nacionais. Quanto ao mercado de insumos, segundo a Equipe de Grãos/Cepea, as incertezas quanto ao clima e, consequentemente, ao volume de milho que será produzido na safra de verão


elevaram os valores do cereal neste início de ano. Para o farelo de soja, a sustentação dos preços decorreu da baixa disponibilidade do derivado, uma vez que muitas agroindústrias ainda estavam retomando as atividades. O preço do milho negociado em Campinas (SP) avançou 2,8%, com negócios a R$ 37,94/saca de 60 kg. Em relação ao preço do derivado de soja, se manteve praticamente estável, a R$ 1.246,31/tonelada. Diante desse cenário de queda nos preços da proteína e de alta nos valores dos insumos, o produtor de frango pôde comprar 4,42 quilos de milho ou 2,24 quilos do derivado da soja com a venda de um quilo do animal em janeiro. Essas quantidades são 7% e 4,2%, respectivamente, menores que as verificadas em dezembro. Na parcial de fevereiro (até o dia 18), apesar de os preços do farelo de soja terem cedido frente ao mês anterior, os valores do milho continuam em alta. Com esse cenário e os preços do animal

Fonte: CEPEA

vivo ainda em queda, o poder de compra do produtor tem registrado movimentos distintos neste mês. É possível ao avicultor a aquisição de apenas 4,28 quilos do cereal com a venda de um quilo de animal vivo, quantidade 3,1%

menor do que a observada em janeiro. Já quanto ao farelo de soja, houve melhora no poder de compra de 2,5% frente ao mês passado, tornando possível a compra de 2,3 quilos de farelo com a venda de um quilo de animal vivo.

A Revista do AviSite

61


Estatísticas e Preços

Produção e mercado em resumo Produção de pintos de corte Janeiro a Dezembro 6.072,069 Milhões | -2,25%

Produção de carne de frango Janeiro a Dezembro 13.288,638 Mil toneladas | -2,38%

Exportação de carne de frango Janeiro a Dezembro 4.013,063 mil toneladas | -5,22%

Disponibilidade interna Janeiro a Dezembro 9.275,574 Mil toneladas | -1,09%

Farelo de Soja Janeiro e Fevereiro R$1.220,00 | +11,82%

Milho Janeiro e Fevereiro R$42,39 | +18,94%

Desempenho do frango vivo Janeiro e Fevereiro R$2,86 | +13,28%

Desempenho do ovo Janeiro e Fevereiro R$59,44 | -4,28%

62

A Revista do AviSite

N

Postura comercial tem início de ano lastimoso

o cenário internacional, depois de prever (outubro de 2018) que a produção brasileira de carne de frango de 2019 poderia chegar aos 13,860 milhões de toneladas, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) refez seus cálculos e, na projeção de fevereiro último, sugere volume da ordem de 13,595 milhões. No comércio internacional, as vendas de carne de frango do Brasil para a África do Sul vêm sendo questionadas pela indústria avícola local que defende a aplicação de uma tarifa especial sobre o produto importado pelo país alegando que o produto barato prejudica a competitividade dos produtores africanos. Cita, no caso, o produto proveniente do Brasil. Ao mesmo tempo, porém, reconhece que o clima semiárido local pressiona a competitividade dos avicultores sul-africanos e que as secas elevam o custo da ração, exigindo a importação de grãos, que são caros”... A destacar, também, a campanha desenvolvida pelo McDonald’s na Espanha onde cunhou para um de seus consumidores o termo “pollogano”, traduzido para o português, como “frangano”. Uma campanha criativa diante de outros movimentos existentes.

N

o cenário nacional, dados preliminares divulgados pelo IBGE (relativos aos abates registrados em estabelecimentos sob inspeção federal, estadual ou municipal), indicam que em 2018 foram abatidas no Brasil cerca de 5,698 bilhões de cabeças de frango, volume 2,5% menor que o de 2017. Já o volume preliminar de carne de frango atingiu quase 13,511 milhões de toneladas, recuando apenas 0,71% em relação ao ano anterior, significando aumento de produtividade de quase 2%. A avicultura de postura comercial teve um início de ano lastimoso em relação ao mesmo período do ano passado com prejuízo em janeiro e leve recuperação em fevereiro. Nesse sentido, os preços recebidos pelos produtores no primeiro bimestre foram quase 5% inferiores aos do mesmo período do ano passado. Na avicultura de corte o andamento foi bem melhor no bimestre: o frango vivo comercializado no interior paulista obteve aumento na casa dos 13% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto o frango abatido no grande atacado alcançou quase 33% de evolução.


Produção de pintos de corte

Volume produzido caiu mais de 2% em 2018

O

EVOLUÇÃO MENSAL MILHÕES DE CABEÇAS

MÊS

2017

2018

VAR. %

Janeiro

535,647

556,669

3,92%

Fevereiro

494,423

484,996

-1,91%

Março

517,196

514,578

-0,51%

Abril

508,875

469,768

-7,68%

Maio

522,835

462,848

-11,47%

Junho

526,325

486,324

-7,60%

Julho

515,254

503,995

-2,19%

Agosto

531,982

528,934

-0,57%

Setembro

497,107

488,926

-1,65%

Outubro

521,308

533,029

2,25%

Novembro

506,821

495,274

-2,28%

Dezembro

534,215

546,727

2,34%

3.105,301

2.975,184

-4,19%

2º Semestre

3.106,687

3.096,885

-0,32%

No ano

6.211,988

6.072,069

-2,25%

1º Semestre

Fonte dos dados básicos: APINCO – Elaboração e análises: AVISITE

Produção Anual

6,072

2018

6,212

6,450

2016

2017

6,506

2015

6,232

2014

6,147

2013

6,007

2012

2011

5,560

2009

2010

5,469

5,998

6,245

Bilhões de cabeças

2008

s dados finais da APINCO relativos a 2018 apontam que a produção de pintos de corte do exercício passado atingiu a marca dos 6,072 bilhões de cabeça, retrocedendo 2,25% frente aos (quase) 6,212 bilhões de cabeças de 2017. O maior recuo foi registrado no primeiro semestre, ocasião em que o total produzido ficou 4,19% aquém do registrado em idêntico período do ano anterior. Pesou, nessa redução, o baixo número de pintos de corte produzidos em maio - cerca de 462,8 milhões de cabeças, pela média diária o menor volume mensal em, praticamente, 10 anos. Tal redução deveu-se a um esforço do setor por readequar a produção após enfrentar problemas com a exportação de carne de frango e se deparar com um baixo consumo interno. Mas o resultado do mês foi influenciado também, embora parcialmente, pela greve dos caminhoneiros. De toda forma, os efeitos da greve não cessaram em maio, estenderam-se aos meses seguintes. Assim, mesmo tendo se recuperado em relação ao primeiro semestre (aumento de pouco mais de 4%), o volume da segunda metade do ano permaneceu aquém do registrado em idêntico período de 2017, apresentando redução de 0,32%. A registrar que, em pelo menos um aspecto, a evolução dos volumes mensais produzidos teve a mesma composição do ano anterior. Ou seja: os máximos ocorridos nos dois exercícios foram registrados em janeiro e em dezembro, respectivamente. Aparentemente, a praxe de produzir-se em outubro o maior número de pintos de corte de cada exercício ficou para trás. Além disso, a produção anual correspondeu ao menor volume do quadriênio 2015/2018, ficando mais de 6,5% aquém do recorde registrado três anos antes - 6,5 bilhões de cabeças em 2015. Mas não só isso: considerados os volumes anuais da presente década (2011/2018), a do ano que passou somente superou – mesmo assim por pequena margem, apenas 1% - os 6 bilhões de cabeças de 2012. Correspondeu, assim, ao segundo menor volume da presente década.

A Revista do AviSite

63


Estatísticas e Preços Produção de carne de frango

Queda de 2,38% no potencial de carne em 2018

A

EVOLUÇÃO MENSAL MIL TONELADAS

MÊS

2017

2018

VAR. %

Janeiro

1.211,185

1.166,765

-3,67%

Fevereiro

1.067,817

1.083,073

1,43%

Março

1.173,662

1.199,919

2,24%

Abril

1.131,198

1.132,066

0,08%

Maio

1.138,828

1.094,139

-3,92%

Junho

1.098,920

1.026,523

-6,59%

Julho

1.156,782

1.028,138

-11,12%

Agosto

1.143,201

1.090,765

-4,59%

Setembro

1.096,787

1.093,399

-0,31%

Outubro

1.149,016

1.124,692

-2,12%

Novembro

1.094,134

1.113,298

1,75%

Dezembro

1.150,632

1.135,861

-1,28%

1º Semestre

6.821,610

6.702,484

-1,75%

2º Semestre

6.790,552

6.586,154

-3,01%

No Ano

13.612,162

13.288,638

-2,38%

Fonte dos dados básicos: APINCO - Projeções e análises: AVISITE

PRODUÇÃO ANUAL

64 A Revista do AviSite

13,289

13,524

2016

13,612

13,547

2015

12,946

12,663

12,662

12,863

2018

2017

2014

2013

2012

2011

2010

11,021

2009

2008

11,033

12,312

Milhões de toneladas

quanto o setor chegou, efetivamente, é outra história. Mas as projeções da APINCO baseadas no alojamento interno de pintos de corte e levando em conta os índices de produtividade apontados pelo mercado indicam que em 2018 o setor dispôs de potencial suficiente para produzir perto de 13,289 milhões de toneladas de carne de frango, volume que, comparado aos 13,612 milhões estimados para 2017, representa redução anual de 2,38%. Mais condizente com os momentos difíceis enfrentados pela avicultura em 2018, o índice de redução registrado quase não chega a tanto. Pois, no primeiro semestre do ano, a queda de produção observada foi mínima, pouco superior a 1,5%, fator que combinado aos problemas enfrentados no período – custos iniciais de produção elevados, embargos a empresas exportadoras, greve dos caminhoneiros, entre outros – agravou ainda mais a difícil situação econômico-financeira do setor. Não por menos, a queda de produção do segundo semestre foi mais incisiva, superando os 3%. E - com certeza, não por coincidência - os resultados do semestre foram mais favoráveis ao setor produtivo. A ponto de estimular a reativação da produção e fazer com que, no espaço de seis meses (de junho para dezembro) o volume estimado aumentasse quase 11%. O que, diga-se de passagem, ainda não corresponde a um recorde. Pois embora a maior produção mensal do setor no exercício passado tenha ocorrido em março, o recorde absoluto, aparentemente, foi registrado um ano antes, em janeiro de 2017, ocasião em que o volume de pintos alojados anteriormente estabeleceu um potencial de produção superior a 1,2 milhão de toneladas. Notar, pelo gráfico, que além de permanecer na faixa dos 13 milhões de toneladas pelo quarto ano consecutivo, o potencial apontado também conduz ao menor volume do último quadriênio.


Exportação de carne de frango

Volume exportado caiu 5,2% em 2018

O

EVOLUÇÃO MENSAL MIL TONELADAS

MÊS

2017

2018

VAR. %

Janeiro

354,971

323,209

-8,95%

Fevereiro

325,372

304,376

-6,45%

Março

374,623

367,677

-1,85%

Abril

317,708

247,296

-22,16%

Maio

344,662

327,975

-4,84%

Junho

362,965

230,425

-36,52%

Julho

375,633

454,482

20,99%

Agosto

407,568

387,768

-4,86%

Setembro

380,030

355,617

-6,42%

Outubro

358,809

356,439

-0,66%

Novembro

318,132

314,244

-1,22%

Dezembro

313,664

343,556

9,53%

2.080,302

1.800,959

-13,43%

2.153,836

2.212,105

1º Semestre

2º Semestre No ano

2,71%

4.234,139 4.013,063 Fonte dos dados básicos: SECEX/MDIC

-5,22%

Exportação Anual

4,013

4,234

4,309

3,995

3,892

3,918

2018

2017

2016

2015

2014

2013

2012

2011

2010

3,635

2009

3,646

3,820

3,943

4,225

Milhões de Toneladas

2008

s dados consolidados da SECEX/MDIC englobando os quatro itens de carne de frango exportados pelo Brasil – inteiros, cortes, industrializados e carne salgada – apontam volume anual da ordem de 4,013 milhões de toneladas, e uma geração de receita próxima de US$6,480 bilhões, valores que representam queda de, respectivamente, 5,22% e 9,24% sobre os resultados de 2017. Responsáveis por pouco mais de dois terços do volume (67,5%) e da receita cambial do setor (68%), os cortes impediram que as exportações de carne de frango de 2018 apresentassem resultados negativos mais incisivos, pois mantiveram o mesmo volume de 2017 (incremento de 0,32%). Mas não só isso, pois, a despeito do pequeno adicional registrado – perto de 9 mil toneladas a mais – alcançaram o maior volume da história do setor. Em termos de volume os cortes foram exceção à regra, pois os outros três itens exportados fecharam 2018 com queda no volume embarcado. Os industrializados e a carne salgada sofreram reduções superiores a 30%. A do frango inteiro foi menor, de 11%, mas com significado bem mais amplo, pois o volume a menos (137 mil toneladas) representou mais de 60% da queda total registrada (comparativamente ao total exportado em 2017, 221 mil toneladas a menos). No decorrer do ano o produto foi direcionado para 163 países, número 15% superior aos 141 países de 2016 e 2017. No entanto, 93% do volume e da receita ficaram restritos a 30 países. Notar que os índices de redução anual registrados no volume e na receita teriam sido maiores não fosse a recuperação observada no segundo semestre. Na primeira metade do ano o volume exportado foi 13% menor, enquanto a receita sofreu queda de 17%. Já no semestre seguinte o volume aumentou quase 3% em relação ao mesmo período de 2017, enquanto a receita, embora ainda negativa, apresentou redução inferior a 1,5%. A recuperação, no entanto, foi tardia. Pois o ano acabou sendo fechado com o menor volume dos últimos quatro anos.

A Revista do AviSite

65


Estatísticas e Preços Disponibilidade Interna de Carne de Frango

Oferta interna disponibilizada foi 1% menor em 2018

S

Evolução Mensal MIL TONELADAS

MÊS

2017

2018

VAR. %

Janeiro

856,213

843,556

-1,48%

Fevereiro

742,445

778,697

4,88%

Março

799,039

832,242

4,16%

Abril

813,490

884,769

8,76%

Maio

794,165

766,164

-3,53%

Junho

735,955

796,098

8,17%

Julho

781,149

573,657

-26,56%

Agosto

735,633

702,997

-4,44%

Setembro

716,757

737,782

2,93%

Outubro

790,206

768,253

-2,78%

Novembro

776,002

799,055

2,97%

Dezembro

836,969

792,305

-5,34%

4.741,307

4.901,525

3,38%

2º Semestre

4.636,716

4.374,049

-5,66%

No ano

9.378,023

9.275,574

-1,09%

1º Semestre

Fonte dos dados básicos: APINCO - Projeções e análises: AVISITE

OFERTA ANUAL

9,276

2018

9,378

9,215

2016

2017

9,321

2015

8,951

2014

8,771

2013

8,744

2012

8,921

2011

7,387

2009

66 A Revista do AviSite

2010

7,387

2008

8,493

Milhões de toneladas

e foi mais ou se foi menos nunca se saberá com certeza. Mas aceitos os parâmetros adotados pela APINCO para calcular o potencial de produção de carne de frango e, dele, extraídas as exportações apontadas pela SECEX/ MDIC, conclui-se que a oferta interna de carne de frango no ano que passou diminuiu 1% em relação ao ano anterior e totalizou 9,275 milhões de toneladas. Essa redução esteve totalmente concentrada no segundo semestre. Pois no semestre inicial do ano, embora a produção total tivesse caído 1,75%, a redução significativamente maior das exportações (queda de volume próxima de 13,5%) redundou em uma oferta interna mais de 3% superior à de idêntico período de 2017. O que, considerado o consumo restrito do período e os custos de produção mais elevados do semestre, ocasionou pesadas perdas ao setor. Embora também difícil, o segundo semestre foi menos traumático. Porque, afetada pelas perdas da primeira metade do ano, a atividade reduziu a produção em 3%, enquanto, concomitantemente, as exportações se recuperavam e fechavam o semestre com aumento próximo de 3%. Resultado: a disponibilidade interna recuou quase 6% em relação ao segundo semestre de 2017 e proporcionou ao setor um período de maior equilíbrio de mercado. Com esses resultados, a oferta interna - que, embora por pequena diferença (pouco mais de meio por cento em relação a 2015), havia registrado novo recorde em 2017 – retrocedeu, em 2018, a volume próximo do registrado dois anos antes, em 2016, o menor do quadriênio. Além disso, o que se constata (gráfico) é que há quatro anos a oferta interna permanece em relativa estagnação – claro, não por vontade da avicultura. O setor conta que essa fase seja superada em 2019.


Mercado

Desempenho do frango vivo em fevereiro e no 1º bimestre de 2019

Fevereiro de 2019 surpreendeu positivamente

E

ntrar em fevereiro com o mercado fraco e enfrentando queda na demanda – por decorrência, baixa de preços – não tem sido novidade para o frango vivo. Na maioria dos anos passados tem sido assim e neste ano não deveria ser diferente. Mas fevereiro de 2019 surpreendeu. E no bom sentido. Porque, após um início de mês extremamente débil, o mercado passou a apresentar rápida reversão e, decorridos quase 150 dias do último reajuste positivo de preços, voltou a propiciar novas altas (abrindo parêntese, a última alta anterior ocorreu em 13 de setembro de 2018, ocasião em que o frango vivo comercializado no interior paulista chegou ao valor pico de R$3,25/ kg, mantido por pouco mais de um mês; a partir daí, só retrocessos que, somados, fizeram o frango vivo perder mais de 15% em cerca de 5 meses – isto, sem considerar que boa parte dos negócios foi realizada com grandes descontos em relação à cotação de referência).

Após um início de mês extremamente débil, o mercado passou a apresentar rápida reversão

Mas, voltando a fevereiro, o mês propiciou não apenas um, mas cinco ajustes de cinco centavos cada, praticamente sucessivos. Assim, enquanto no início do período o mercado, fraco, operou com a cotação de R$2,75/kg (ainda sujeita a descontos), já na abertura do segundo decêndio (11) chegava aos R$3,00/kg, mas agora operando em mercado firme. Como esse valor permaneceu inalterado nos 18 demais dias de fevereiro – mesmo o mercado permanecendo firme – o preço médio alcançado no mês ficou em R$2,94/kg, resultado que significou valorização de 5,27% em relação ao mês anterior, janeiro de 2019, e ganho de 18,63% sobre fevereiro de 2018. À primeira vista foi um ganho excepcional. Mas, para que não hajam conclusões precipitadas, é fundamental lembrar que não só em fevereiro, mas em todo o primeiro quadrimestre do ano passado os preços alcançados pelo frango foram os mais baixos em mais de três anos. Assim, o incremento atual não tem maior significado. Tanto que, por exemplo, comparada à média alcançada em fevereiro de 2016, a média corrente é apenas 10% superior, ou seja, está aquém da inflação acumulada desde então. A mesma situação se aplica aos resultados do primeiro bimestre de 2019. Como o valor médio registrado foi de R$2,86/kg(consideradas apenas as cotações de referência, isto é, sem levar em conta os descontos que prevaleceram em janeiro e no início de fevereiro), conclui-se haver valorização de 13,28% sobre o mesmo período de 2018. Mas no ano passado os preços do período foram os mais baixos em um triênio e a valorização atual não tem maior significação. O frango vivo entra em março mantendo os fundamentos observados em fevereiro: com oferta ajustada e mercado firme. Tem pela frente, logo depois do Carnaval, o período de Quaresma, sempre um desafio para o produto.

FRANGO VIVO

Evolução de preços na granja, interior paulista – R$/KG Média mensal e variação anual e mensal em treze meses MÊS.

MÉDIA R$/KG

VARIAÇÃO % ANUAL MENSAL

Média anual em 10 anos R$/KG

2010

R$ 1,65

FEV/18

2,48

-6,02%

-3,63%

MAR

2,36

-12,57%

-4,86%

ABR

2,20

-12,00%

-6,61%

2012

MAI

2,37

-5,04%

7,91%

2013

R$ 2,47

2014

R$ 2,42

2011

JUN

3,07

22,77%

29,29%

JUL

3,00

20,00%

- 2,13%

AGO

3,00

20,00%

0,00%

2015 2016

SET

3,19

27,65%

6,46%

OUT

3,19

21,12%

-0,11%

NOV

3,02

11,73%

-5,45%

DEZ

2,94

8,89%

-2,54%

2018

JAN/19

2,79

8,67%

-5,03%

2019

FEV

2,94

18,63%

5,27%

2017

R$ 1,92 R$ 2,08

R$ 2,62 R$ 2,89 R$ 2,58 R$ 2,79 R$ 2,86

A Revista do AviSite

67


Estatísticas e Preços Mercado

Desempenho do ovo em fevereiro e no 1º bimestre de 2019

Forte recuperação em fevereiro não altera resultado negativo do bimestre

A

inda bem que fevereiro tem apenas 28 dias deve ter dito muito produtor de ovos. Porque, fosse mês mais longo, corria-se o risco de ver os preços do produto retrocederem aos mesmos níveis do início do período. E o início de fevereiro, neste ano, não foi dos melhores para o setor. É verdade que o mês foi iniciado em condições superiores às de janeiro, ocasião em que o setor conviveu com as piores cotações da presente década. Mesmo assim, os preços de abertura continuavam sendo os menores dos últimos cinco anos. Mas a atuação incisiva do setor produtivo (descartando poedeiras mais velhas e/ou com baixa produtividade) combinada com a retomada do consumo (fim parcial das férias e volta da merenda escolar) propiciou rápida e significativa reversão da situação. Tanto que, em apenas nove dias de negociações, o preço registrado nas granjas do interior paulista chegou a apresentar valorização de mais de 35% em relação aos valores recebidos na abertura do mês. Era, porém, o máximo a que se podia chegar. Assim, após pouco mais de uma semana de preços estáveis, o consumo voltou a refluir (situação típica de toda segunda quinzena do mês) e, com ele, também os preços obtidos pelo produtor. Resultado: embora cerca de 50% superior à de janeiro passado, a média alcançada em fevereiro ficou apenas 1% acima da registrada em fevereiro de 2018. Mas não só, porque continuou no mais baixo nível dos últimos cinco anos. A forte valorização experimentada de um mês para outro não altera os resultados do primeiro bimestre do ano, que continuam fraquíssimos, pois, a cotação média de R$59,44/caixa (valor aplicável a cargas fechadas comercializadas no Grande Atacado da cidade de São Paulo) se encontra mais de 4% abaixo da que foi registrada no mesmo período de 2018.

OVO BRANCO EXTRA

Evolução de preços no atacado paulistano R$/CAIXA DE 30 DÚZIAS Média mensal e variações anual e mensal em treze meses MÊS.

MÉDIA R$/CXA

Média anual em 10 anos R$/CAIXA

VARIAÇÃO % NO ANO

NO MÊS

2010

FEV/18

71,35

-15,54%

32,31%

MAR

79,08

-10,59%

10,83%

ABR

67,75

-25,66%

-14,32%

2012

MAI

62,84

-24,57%

-7,25%

2013

JUN

80,23

-7,40%

28,26%

JUL

63,12

-24,52%

-21,33%

AGO

60,70

-24,35%

-3,72%

2015

SET

58,21

-21,85%

-4,11%

2016

OUT

50,12

-27,41%

-13,90%

NOV

56,71

-14,08%

13,61%

DEZ

55,00

-14,54%

-3,01%

JAN/19

47,65

-11,63%

-13,36%

FEV

72,21

1,21%

51,53%

68 A Revista do AviSite

2011

2014

2017 2018 2019

R$ 37,93 R$ 44,61 R$ 49,11 R$ 57,86 R$ 52,70 R$ 59,47 R$ 75,43 R$ 77,78 R$ 63,24 R$ 59,44

Sob esse aspecto, aliás, é oportuno retroceder àquele que foi um dos melhores momentos do ovo nesse período (primeiro bimestre do ano), ou seja, à média de janeiro-fevereiro de 2017, dois anos atrás. E a constatação é a de que a média atual corresponde a pouco mais de 80% do valor então registrado – R$72,24/caixa. Ao contrário de momentos idênticos anteriores, o ovo encerrou fevereiro em mercado ainda fraco, sem dar sinais claros de alguma reversão. Com a passagem do Carnaval, começa o período de Quaresma, o melhor período do ano para a comercialização do produto. As esperanças são de maior recuperação no decorrer de março corrente.

Em apenas nove dias de negociações, o preço registrado nas granjas do interior paulista chegou a apresentar valorização de mais de 35% em relação aos valores recebidos na abertura do mês


Milho e Soja Milho registra alta de preço em fevereiro

FFarelo de soja registra nova queda em fevereiro

O preço do milho registrou aumento de preço em fevereiro. O preço médio do insumo, saca de 60 kg, interior de SP, fechou o mês cotado a R$43,68, valor quase 6% acima da média alcançada pelo produto em janeiro último, quando ficou em R$41,23. Na comparação anual o índice de crescimento é três vezes superior, atingindo 18,5%. Isso porque em fevereiro do ano passado o preço praticado foi de R$36,86 a saca.

O farelo de soja (FOB, interior de SP) registrou queda em fevereiro de 2019 pelo quinto mês consecutivo. O produto foi comercializado pelo preço médio de R$1.191/t, valor 4,4% inferior ao praticado no mês de janeiro quando atingiu R$1.246/t. Em comparação com fevereiro de 2018 – quando o preço médio era de R$1,146/t – a cotação atual registra alta de 3,9%.

Valores de troca – Milho/Frango vivo No frango vivo (interior de SP) o preço médio de fevereiro, alcançou R$2,94 kg, atingindo índice de valorização mensal de 5,3%. Assim, com a valorização do frango vivo levemente inferior à alcançada na cotação do milho, houve piora ínfima no poder de compra do avicultor. Nesse mês, foram necessários 247,6 kg de frango vivo para se obter uma tonelada de milho, considerando-se a média mensal de ambos os produtos. Este volume representa 0,5% de perda no poder de compra em relação ao mês anterior, pois, em janeiro, a tonelada do milho “custou” 246,3 kg de frango vivo. Já em relação a fevereiro do ano passado, o índice de crescimento do milho e frango foi praticamente igual e não houve alteração no poder de compra.

A valorização alcançada pela cotação do frango vivo e a queda verificada no preço do farelo de soja em fevereiro fez com que fossem necessários 405,1 kg de frango vivo para adquirir uma tonelada do insumo, significando melhora de 10,2% no poder de compra do avicultor em relação a janeiro quando 446,6 kg de frango vivo foram necessários para obter uma tonelada do produto. Na comparação em doze meses houve melhora de 14,1%, pois, lá, foram necessários 462,1 kg para adquirir o cereal.

Valores de troca – Milho/Ovo

Valores de troca – Farelo/Ovo

O preço do ovo, na granja (interior paulista, caixa com 30 dúzias), obteve forte valorização em fevereiro e fechou à média de R$66,21, valor 59% superior ao alcançado no mês anterior, quando o produto foi negociado por R$41,65. Com essa excelente valorização no preço médio dos ovos em comparação com o aumento no preço do milho, houve considerável melhora no poder de compra mensal do avicultor. Em fevereiro foram necessárias 11 caixas de ovos para adquirir uma tonelada do cereal. Em janeiro, foram necessárias 16,5 caixas/t, um ganho de 50% na capacidade de compra do produtor. Entretanto, em doze meses, o poder de compra ainda é negativo em quase 15%.

De acordo com os preços médios dos produtos, em fevereiro foram necessárias aproximadamente 18 caixas de ovos (valor na granja, interior paulista) para adquirir uma tonelada de farelo de soja. O poder de compra do avicultor de postura em relação ao farelo registrou forte ganho mensal de 66,3%, já que, em janeiro, foram necessárias 29,9 caixas de ovos para adquirir uma tonelada do cereal. Em relação a fevereiro de 2018 o poder de compra ainda foi 2,5% negativo, pois naquele período a tonelada de farelo de soja custou, em média, 17,5 caixas de ovos.

fevereiro fevereiro março março abril abril maio maio junho junho julho julho agosto agosto setembro setembro outubro outubro novembro novembro dezembro dezembro janeiro janeiro fevereiro fevereiro

53,00 53,00 51,00 51,00 49,00 49,00 47,00 47,00 45,00 45,00 43,00 43,00 41,00 41,00 39,00 39,00 37,00 37,00 35,00 35,00 33,00 33,00 31,00 31,00 29,00 29,00 27,00 27,00

2018 2018

2019 2019

MédiaFevereiro Fevereiro Máximo Mínimo Média Mínimo Máximo 40,50 46,50 R$R$40,50 R$R$46,50

43,68 43,68

Fonte das informações: www.jox.com.br

Preçomédio médioFarelo Farelode desoja soja Preço R$/toneladaFOB, FOB,interior interiordedeSPSP R$/tonelada

1600 1600 1500 1500 1400 1400 1300 1300 1200 1200 1100 1100 1000 1000 950 950 900 900 850 850 800 800 750 750

fevereiro fevereiro março março abril abril maio maio junho junho julho julho agosto agosto setembro setembro outubro outubro novembro novembro dezembro dezembro janeiro janeiro fevereiro fevereiro

Preçomédio médioMilho Milho Preço

R$/sacadede60kg, 60kg,interior interiordedeSPSP R$/saca

Valores de troca – Farelo/Frango vivo

2018 2018

2019 2019

MédiaFevereiro Fevereiro Média Mínimo Máximo Mínimo Máximo 1.160,00 R$ 1.240,00 R$ R$ R$ 1.160,00 R$ R$ 1.240,00

1.191,00 1.191,00

A Revista do AviSite

69


Ponto Final

Em busca de novos acordos O episódio da suspensão de importação da carne de aves de algumas indústrias brasileiras anunciada pela Arábia Saudita traz à tona essa reflexão nesse momento em que nos preparamos para a superação da crise

José Zeferino Pedrozo, Presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de SC (Faesc) e do Conselho de Administração do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC)

N

ão basta ter bons produtos e preços competitivos. Para ter sucesso e crescimento sustentado no mercado internacional é preciso estratégias consistentes e alianças sólidas. O episódio da suspensão de importação da carne de aves de algumas indústrias brasileiras anunciada pela Arábia Saudita traz à tona essa reflexão nesse momento em que nos preparamos para a superação da crise. Os tempos são de esperança, mas não ainda de conquistas. Leitura atual, no curto prazo, aponta para um cenário de lenta retomada da atividade econômica, acúmulo de 13 milhões de desempregados e, ainda, alguma incerteza no quadro político. No longo prazo é evidente que haverá transformações na estrutura de demanda, aumento da concorrência externa e desenvolvimento tecnológico em países emergentes. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), de cuja diretoria faço parte, produziu denso documento sobre esse e outros temas relacionados à economia e ao agronegócio, cujo teor foi entregue, na campanha eleitoral, a todos os candidatos à Presidência da República. O setor primário da economia nacional transformou-se de forma significativa nas últimas décadas, impulsionado pelas exportações. As grandes cadeias produtivas e os organismos de apoio à exportação levaram décadas para obter esses resultados. Apesar da vocação exportadora, o agronegócio

70

A Revista do AviSite

brasileiro enfrenta, de tempos em tempos, novos desafios e novas ameaças. É preciso reconhecer que o Brasil não é um país totalmente aberto ao mercado externo. Por outro lado, porém, o protecionismo e o nacionalismo ganham força e o mercado mundial está longe de estar plenamente aberto aos produtos brasileiros. O Brasil responde há décadas por pouco mais de 1% do comércio planetário e nunca superou essa barreira. Nessa complexa contextura, para enfrentar esses desafios, e com o objetivo de aumentar a integração e a competitividade do Agro brasileiro no mundo, a CNA definiu as ações prioritárias para o setor no âmbito do comércio internacional. É preciso estabelecer parcerias estratégicas e posicionar o Agro como um ativo do Brasil nas suas relações com o mundo. O Brasil precisa de visão estratégica para diversificar exportações para a China, protagonista do mercado mundial. Sugere-se estabelecer acordo de facilitação de comércio para eliminar entraves burocráticos entre os dois países. É necessário ampliar a cooperação também com os Estados Unidos, incluindo maior coerência e convergência regulatória. É imperioso promover uma nova dinâmica para o Mercosul, com ênfase a uma maior integração do bloco com parceiros externos, principalmente com a Aliança do Pacífico (AP) formada por Chile, Peru, Colômbia e México. Existe um grande potencial de ganhos ao se desenvolver uma estratégia que combine integração global e regional, explorando as complementaridades entre os blocos, e que aumente a capacidade de alcançar mercados extrarregionais. Os investidores e empreendedores pedem maior integração dos mercados de capitais, infraestrutura e logística com a Aliança do Pacífico, e a redução dos altos custos de comércio por meio da harmonização dos processos de importação, exportação e trânsito aduaneiro. A ideia central é desenvolver uma estratégia coerente de inserção internacional com estudos de impacto que avaliem perdas e ganhos para os setores. O posicionamento brasileiro deve ser elaborado também com a contribuição do setor privado. O Ministério das Relações Exteriores, a indústria e o agronegócio buscam acelerar a integração do Brasil com o mercado mundial, via ampliação e celebração de novos acordos de livre comércio.


biocamp.com.br

No final das contas, o que vale é deixar uma nova marca no mundo.

Para comemorar os seus vinte anos, a Biocamp acaba de adotar uma nova marca. Graficamente, é o resumo de duas décadas de uma visão de mundo cada vez mais Pró. Um símbolo de uma empresa que enxerga na pesquisa, no desenvolvimento e na inovação a consolidação do mercado avícola. A Biocamp acredita num mundo que zela pelo direito dos consumidores, fornecedores e colaboradores. Um lugar com mais saúde para os seres humanos e mais respeito aos animais e ao meio ambiente. Biocamp, 20 anos. A marca de um mundo mais Pró.

A Revista do AviSite

71


Ponto Final

abcd 72

A Revista do AviSite


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Edição 125 - Revista do Avisite by Mundo Agro Editora - Issuu