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morgana onirica

o menino que amou na loucura


há um sorriso no rosto da mulher. É uma coisa superficial e sem sentido, um rasgar de lábios, um movimento desacelerado que enruga o rosto dela. É um sorriso que reflete exatamente o que há em seus olhos: vazio. mas, mesmo assim, é um sorriso, e está em seu rosto toda vez que ele aparece para visitá-la.


hoje ele não se pergunta mais como seria. Todos os dias ele vai seguindo sem imaginar mais estar ao lado deles. Parece um tanto estranho quando ele pensa a respeito – e ele bem que gostaria de poder dizer que não sente mais absolutamente nada; que eles são dois estranhos que ele vai visitar com freqüência. Só que ele não consegue. ele olha aqueles rostos parecidos com o seu e se pergunta se há uma forma de apagar a sua memória para que não precise mais olhar para eles dois sem sofrimento. Gostaria de falar sobre isso, mas apenas fica observando a mulher se aproximar com passos incertos.

e desta vez, ela lhe dá mais figurinhas pra guardar.


ele poderia fazer um monte de escolhas – e nenhuma delas poderia ter as conseqüências que ele realmente gostaria que tivessem. Só que, às vezes, ele acertava simplesmente por ser ele mesmo.

naquele primeiro ano fora de Hogwarts, ele chegou para aquela mulher dos cabelos desgrenhados e do sorriso vazio e falou. Falou absolutamente tudo o que tinha deixado de falar durante tantos e tantos anos. pela primeira vez, ele contou tudo sobre a sua vida para alguém que ficava tirando fios de lã do seu suéter.

e ele realmente não se importou de ser quem era e de estar com quem estava.


um dia, uma mão enrugada segurava a sua quando eles se encaminhavam para o Saint Mungus. Era sempre a mesma coisa: acordar cedo, colocar a melhor roupa, arrumar o cabelo e colocar no rosto seu melhor sorriso. E era aquela mão que o levava até lá enquanto sua mente simplesmente abstraia os fatos. desta vez, é a sua mão que segura aquela enrugada que agora se tornou pequena entre seus dedos. Ele não vê mais as manhãs de domingo como um martírio – mesmo quando parecem exatamente iguais as últimas 30 manhãs.

ele tem no Saint Mungus duas pessoas que nem chegou a conhecer para amar; a dona das mãos enrugadas tem lá toda a sua vida.


ele espera. Tem a paciência dos que amam e daqueles que sabem que não adianta buscar nenhum argumento fora para resolver o que acontece por dentro.

coisas que vem com a maturidade, e que agora ele sabe compreender um pouco melhor.

então, ele senta no jardim e fica em silêncio, apenas observando o sol por trás das nuvens enquanto ela fica ao seu lado resmungando uma canção há muito esquecida.


ela pode nunca responder suas palavras, pode nunca contar suas lembranças ou seus sonhos, pode nunca desejar pra ele feliz aniversário ou dizer pra que ele feche bem o casaco quando sair na neve. Mas toda a vez que ele a chama de mãe, os olhos dela brilham e ele sabe que, se ela pudesse, gostaria de dizer que o ama também.

Lucid Dreams  

"O garoto que amou na loucura." - Neville Longbottom grafic fanfiction

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