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Bacia do Jaguaré: Plano de Diretrizes

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2018

caderno de diretrizes para regiĂŁo

aup 652 planejamento da paisagem

Prof. Euler Sandeville

Ana FlĂĄvia Lima 9811202 Ana Paula Borges 9811366 Mariana Lensoni 9810855 Mariana Pamplona 9866872 Mariana Vitti 9850648 Mirella Marques 9810813

bacia jaguarĂŠ


expansão urbana região metropolitana de são paulo

1950 - 1962

1975 - 1980

1986 - 1992

A região da Bacia do Jaguaré começou a crescer em meados da década de 1960 , acompanhando o crescimento dos municípios a oeste, como Carapicuíba e Barueri. Esse fator se deu, em parte, devido à abertura das rodovias Raposo Tavares e Régis BIttencourt, onde havia disponibilidade de terrenos a baixo custo.

Porém, o crescimento da população ocorreu de forma lenta, dando-se a 6%, enquanto a população de São Paulo crescia a 36%. Assim, pode-se dizer que a região da Bacia do Jaguaré teve uma ocupação tardia, em comparação ao restante da Região Metropolitana de São Paulo.

1998 - 2002

Talvez por esse motivo a região ainda contenha grande glebas com remanescentes de áreas verdes. Algumas áreas da bacia permaneceram por muito tempo desocupadas, principalmente devido ao seu difícil acesso e falta e infraestrutura urbana .

Nos últimos 15 anos, no entanto, a parte sul da bacia passou a receber novos contingentes populacionais. Essa população passou a se fixar na região por meio de ocupações irregulares, em áreas com grande vulnerabilidade social, sem infraestrutura urbana, e com alto risco ambiental, por estar próxima a glebas com grandes áreas verdes ainda protegidas.

expansão urbana bacia do jaguaré

1950 - 1962

1975 - 1980

1882 - 1914

1915 - 1929

1930 - 1949

1986 - 1992

1950 - 1962

1963 - 1974

1975 - 1980

1998 - 2002

1981 - 1985

1986 - 1992

1993 - 1997

1998 - 2002


bacia do jaguaré aspectos físicos, humanos e regionais arborização

relevo A Bacia do Jaguaré localiza-se no distrito Raposos Tavares, que contém cerca de 96 mil habitantes. A região, segundo o Plano Diretor Estratégico de São Paulo, contém 3 tipos de macroáreas: Macroárea de Redução da Vulnerabilidade Urbana e Recuperação Ambiental, Macroáarea de Controle e Qualificação Urbana e Ambiental e Macroárea de Preservação dos Ecossistemas Nacionais. A bacia do Jaguaré é de importante de ser estudada, visto a grande quantidade de nascentes e de massas verdes ainda preservasda, mas que estão sofrendo com o avanço da mancha urbana.

densidade demográfica

volumetria construída e espaços lives

Feito o levantamento das potencialidades para a região na etapa anterior do trabalho, optamos por manter grande parte da área como ela se apresenta hoje. Dessa forma, não propomos grandes obras, mas sim intervenções pontuais, as quais do nosso ponto de vista devem ser desenvolvidas conjutamente com a população local, com as instâncias públicas competentes (subprefeitura, polícias ambiental e guarda civil, etc) e com a esfera privada que possua atividades na região. Dessa maneira, visamos uma maior sustentabilidade social das intervenções propostas.


grandes áreas verdes vetor de urbanização

Dentro da bacia foram definidas três grandes áreas verdes de vegetação densa. Elas atuam na proteção de corpos d’agua, atenuação de desequilibrios climáticos urbanos, prevenção de inundações, refúgio para a fauna e dentre outras funções que as tormam muito importantes para a bacia. Portanto, definimos que a proteção e conservação dessas áreas era parte fundamental do partido para as diretrizes propostas para a região. Sendo assim, procuramos em cada uma das áreas os fatores que poderiam atuar tanto para a sua proteção quanto para a sua degradação, para dessa forma propormos sugestões que se adequassem a realidade de cada local.

A área verde mais ao norte da bacia é a menor. Tem ao seu lado o cemitério israelita, uma barreira da expansão urbana, e em suas proximidades zonas de uso comercial e industrial, residências verticais e horizontais. Nela também passa a Av. Eiras Garcia, que foi identificada como um eixo para a urbanização. Através dessa análise, decidimos pela proteção dessa área de vegetação através da regulamentação para a expansão urbana e a criação de um parque de proteção da fauna e flora locais.

desmatamento A área verde localizada na parte oeste da bacia, possui a maior concentração de vegetação e a maior quantidade de fatores de risco para a sua preservação integral. Em suas bordas existem assentamentos irregulares, como a Vila Nova Esperança; locais de exploração de recursos naturais, e o Rodoanel, que passa em sua margem. Considerando tudo e visando a preservação desse espaço, decidimos propor a fiscalização do crescimento dos assentamentos, e o desenvolvimeto de políticas conjuntas com a população (item será descrito no item áreas precárias); e fiscalização dos pontos de exploração, exigindo uma compensação ambiental por parte das empresas responsáveis, além da manutenção dessa área como reserva natural.

Divisa entre o cemitério e a zona densamente arborizada.

jardim das esmeraldas

Marcas de desmatamento e avanço da manha urbana sobre a vegetação.

A área ao sudeste da bacia, chamada de Jardim das Esmeraldas, tem pelo seu perímetro principalmente residências unifamiliares e conjuntos habitacionais, ambos já bem consolidados e sem zonas de ocupações irregulares. Com base nisso, concluimos que ali não existe uma grande pressão de ocupação na área de vegetação e, por isso, ela pode ser protegida em sua integridade. No entanto, como ela se localiza em meio a essa área residencial consolidada e tem grandes dimensões, propõem-se a crição de um parque ecológico para uso dos habitantes da região, visto seu grande potencial para ser um equipamento de lazer.

Setores residenciais consolidados no limite da área protegida.


ocupação dispersa de grande porte clube e nascente Tem o potencial de ser um corredor ecológico. Serve como barreira de contenção do crescimento horizontal urbano, principalmente nas fronteiras leste e sul, mas também na norte que ameaça expandir com a Raposo Tavares. Também separa a região residencial (fronteiras leste e sul) da região industrial em torno da Raposo Tavares (região proposta nesse trabalho de ser consolidada, mas com controle de expansão). Seguindo essa análise, propomos manter as edificações existentes (um clube) mas garantir a trasição da área urbana para a extensa área verde através de um percentual minimo de permeabilidade do solo, arborização da região nas áreas permeáveis e nas calçadas e diferenciação de espécies na região, pensando na proteção da área verde na fronteira oeste. Também estabelecemos a proteção da região da nascente, e a conservação do solo permeavel, em que a fiscalização é função do proprietário do terreno. Além disso, a fiscalização e arborização da região também fica a par dos proprietários, caso queiram permanecer em seus lotes.

Entrada clube

expansão urbana Vimos, na região bem arborizada com lotes de uso institucional dispersos pelo extenso território, a potencialidade de abrigar parte do crescimento populacional do Jaguaré. Também, ela é o ambiente entre conjuntos habitacionais já em processo de expansão pela fronteira oeste e com equipamentos educacionais (escolas e EMEFs) dispersas pela área. Sendo assim, para essa área uma proposta é permitir o crescimento horizontal e vertical, com taxa de permeabilidade mínima, gabarito maior igual aos conjuntos habitacionais adjacentes, projeto de calçada, áreas destinadas à praças ou parques e ruas pavimentadas. Além disso, propomos que a área da nascente eja reservada para a locação de um parque, e que novas edificações estejam há 50 m de distância do perimetro do córrego.

T industrial Essa área é composta por construções de diferentes usos, escolas, igrejas, galpões, indústrias, que estão sobre uma nascente. A região tem a possibilidade de se juntar com as áreas de mesmo uso (industrial) ao longo da Raposo Tavares. Por isso, pensamos em aumentar as áreas verdes em pequena escala, já que essa região é menos adensada que as zonas residênciais que a envolvem. Dessa maneira, propomos que o lugar faça a ligação com áreas ao longo da Raposo Tavares e crie um polo T industrial e de serviços. Ela também deve manter os lotes mas exigir que as áreas permeáveis sejam usadas pensando na arborização da região e exigir um tratamento

da calçada pensando nos pedestres. Al´´em disso, cabe aos proprietários das terras em cima da nascente a protegerem e garantir que na sua proximidade o solo seja permeável.

Indústria instalada na região

Área para possível expansão urbana controlada.


infraestrutura consolidada espaços isolados

A área em rosa possui infraestrutura consolidada, e portanto mudanças significativas nessa malha são inviáveis financeiramente. Por se tratar de uma área onde ainda existe grandes porções verdes na cidade e também importantes nascentes, o bairro deveria potencializar esse caráter ecológico visto que a parte em rosa ainda é muito impermeável e sem arborização viária satisfatória. Propomos que em toda a região do Jaguaré exista uma política de incentivo ao verde, tais como: incentivos fiscais (desconto no IPTU por exemplo) para que exista maior permeabilidade dentro dos lotes, pontos de reciclagem e coleta seletiva.

No mapa abaixo, a área demarcada em verde (Jardim Paulo VI) é a parte mais distante da rodovia, portanto mais isolada do resto da cidade. A área também se encontra entre duas grandes massas verdes. A proposta para promover maior integração desta com o restante do município é incentivar a fomentação de equipamentos públicos sociais e de lazer, tais como bibliotecas e praças.

nascentes As nascentes que formam a bacia do Jaguaré estão em sua maioria localizadas na região pintada em rosa. Majoritariamente, as mesmas foram canalisadas e hoje não é possível identificar onde elas estão em baixo do tecido urbano. Desta maneira, as nascentes que estão aterradas permanecerão assim porém, a região ao redor (em vermelho) num raio de 200m terá uma política de incentivo a permeabilidade do solo. Isso significa aumentar a infiltração de água no solo de modo a alimentar essas nascentes. Além disso, onde possível, propõe-se trocar o tipo de calçamento do solo para algo mais permeável. Juntamente, a criação de

canteiros e áreas verdes também terão incentivos fiscais para acontecerem onde possível.

Em vermelho: áreas ao redor das nascentes.

espaços residuais Dentro dessa unidade de paisagem existem alguns espaços residuais que estão sendo subutilizados e poderiam contar com um projeto paisagístico que melhoraria a qualidade de vida no local. Um desses locais, marcado em amarelo no mapa à direita, faz parte de um terreno público onde existe um parque linear. Porém no meio da área marcada existe o CEU Uirapuru que acaba por desarticular todo o projeto paisagístico. Por se tratar de terreno público, a proposta seria uma melhor articulação deste espaço, criando realmente um local de lazer ao uso atual.

Em amarelo: terrenos públicos subutilizados. Em verde: Jardim Paulo VI.

Zoom Parque linear e CEU Uirapuru. Fonte: GoogleMaps


ocupação de grande porte na beira da rodovia raposo tavares A Rodovia Raposo Tavares constitui uma ligação importante entre a cidade de São Paulo e outros municípios a oeste da metrópole. A partir da década de 1980, a rodovia vem se constituindo como um atrativo para atividades industriais e de logística. Assim, essa dinâmica contribuiu para a formação de terrenos extensos, praticamente intransponíveis por pedestres e com pequena taxa de permeabilidade do solo. O estabelecimento dessas atividades ao longo da via acarreta em problemas ambientais e paisagísticos. Como na região existem várias nascentes do Rio Jaguaré, existe a possibilidade de intoxicação dos cursos d’água por resíduos industriais. Além disso, essas indústrias estão localizadas próximas a grandes glebas remanescentes de áreas verdes, muitas vezes fazendo fronteira com elas. No entanto, assumimos que, uma vez que essa tipologia já está instalada ao longo desse trecho da rodovia com atividade econômica já estabelecida, o ideal seria que houvesse um controle dessa atvidade para garantir a sua expansão e o seu funcionamento harmonioso com os meios naturais da região.

permeabilidade mínima Os lotes industriais são extensos e não totalmente construídos, o que permitiria uma taxa de permeabilidade alta, de modo a garantir que houvesse sempre um escoamento mínimo de água na região para abastacer as nascentes. As poucas partes dos terrenos que são permeáveis estão sujeitas ao intemperismo e ao desgaste, somente com grama, sem qualquer cobertura vegetal. Assim, o grupo sugere alguma forma de incentivo fiscal em troca da proteção de partes do terrenos com uma área permeável e vegetada.

compensação ambiental As atividades industriais que se instalarem na região da Bacia do Jaguaré devem compensar sua ocupação no local com a transferência de fundos para a arborização dos bairros residenciais vizinhos, conservação dos parques lineares previstos, e da vegetação de várzea das nascentes ainda passíveis de recuperação. fiscalização Alguns terrenos industriais na região fazem fronteira com grandes áreas verdes, de modo que a fiscalização dessas áreas deve ser recorrente, garantindo a proteção da vegetação contra possíveis avanços do extrativismo (mineral ou vegetal) que vem ocorrendo na região. recuperação de nascente Uma nascente do rio Jaguaré se encontra no limite de um dos lotes industriais. O curso d’água poderia ser recuperado, pois não se encontra abaixo de nenhuma construção, e está apenas enterrado. Assim, poderiam ser oferecidos incentivos fiscais ao proprietário do terreno em troca da possibilidade de recuperação do curso d’água e da manutenção da várzea do rio.

Terreno industrial do outro lado da Raposo Tavares que tem alguma atividade extrativista

Dois terrenos industriais no Jardim Cambara, hoje pertencentes às empresas Reckitt Benckiser (à esquerda) e Pullman (à direita). No limite entre eles, uma das nascentes do Rio Jaguaré está enterrada, sendo passível de recuperação e conservação.

Carrefour (à esquerda) e condomínio residencial (à direita). Ambos os terrenos possuem baixa taxa de permeabilidade.


conjuntos habitacionais espaços residuais

entorno

No entorno de alguns conjuntos, percebemos a presença de espaços residuais com grande potencial para a criação de lugares de encontro, de lazer ou de esportes para os habitantes da região. Já existe um campo de futebol em frente ao conjunto, o que exemplifica a demanda de um equipamento na área.

Muitos dos conjuntos construídos na região apesar de muito próximos, não se conectam entre si, e se separam muitas vezes com altos muros, o que bloqueia a permeabilidade visual do pedestre e deixa os espaços livres mais “secos”. Dessa maneira, propomos o densenvolvimento de projetos que busquem conectar esses conjuntos e que visem a criação de espaços mais acolhedores e que passem menos sensação de insegurança. Sabemos ser necessário a discussão com os corpos condominiais desses conjuntos, por se tratar de áreas privadas. No entanto, acreditamos que apesar de dificil implantação, essa diretriz poderia trazer muitos benefícios do ponto de vista do pedestre e da construção de uma cidade mais democrática, e não uma que se fecha em seus muros.

Jardim João XXIII, R. Frei Claude Albeville

construções associadas

Jardim Arpoador, R. José Lavechia

Jardim Esmeralda, Av. Eng. H. A. E. Garcia

Percebeu-se que ao longo dos anos foram construídas ao lado de alguns conjuntos habitacionais pequenas habitações/ comércios feitos de alvenaria ou tapume. Essas construções explicitam não só a questão da falta de moradia, mas também a deficiência dos projetos habitacionais onstruídos na cidade, os quais quase nunca levam em consideração o crescimento das famílias e a necessidade de um local para atividades comerciais de pequeno porte, como mercearias, salão de cabeleireiros, etc, que são importante fontes de renda para as populações de baixa renda. Dessa maneira, propõem-se a adequação dessas construções para esses usos, e a realocação de famílias que

estejam em habitações sem condições de habitabilidade. Seria necessário, dessa maneira, o levantamento dessas construções e o cadastramento das famílias. Conjuntamente a isso, or meio de um projeto participativo com a população, devem ser elaborados projetos de requalificação dessas áreas para que possam se tornar pontos comerciais e de convivência do bairro.

Jardim Arpoador, R. Giusepe de Filippi

Jardim Esmeralda, Av. Eng Ant. Heiras Garcia

Jardim Arpoador, Av. Gen. Asdrúbal da Cunha


áreas precárias evolução da ocupação urbana

Pudemos observar nas áreas demarcadas como precárias, ao sul do Jardim Paulo VI e do Jardim Amaralina) a falta de infraestrutura urbana como saneamento básico, pavimentação das ruas, presença de calçadas, iluminação viária, arborização, etc, além de constatarmos algumas residências edificadas em encostas, que podem apresentar risco de deslizamento. Essas manchas urbanas fazem fronteira e avançam sobre uma enorme massa verde, composta pelo Parque das Cigarreiras e o Parque Laguna, colocando em risco a segurança das edificações e a preservação dessas áreas.

Março de 2011

Julho de 2017

Avanço da mancha urbana sobre os parques ambientais. Ausência de infraestrutura urbana

Como propostas de solução aos problemas citados, propomos, inicialmente, a remoção (apenas em casos emergenciais) de pessoas alocadas em pontos que oferecem risco à sua segurança, bem como o fornecimento dos mecanismos básicos de infraestrutura urbana para o bem estar social dos habitantes dessa região, como criação de uma rede de esgoto, captação de águas pluviais, iluminação e pavimentação pública, inclusão da área em itinerários de modais de transporte público, etc. Como política de controle da expansão dessas ocupações pensamos na criação de um projeto educativo da população local, articulado entre as lideranças do bairro e a prefeitura regional, que conscientize os

moradores sobre a importância da preservação da vegetação da região, criando entre os habitantes uma relação de perte cimento com o lugar, de forma que eles também atuem em conjunto do Estado na fiscalização da ocupação das áreas verdes.

Áreas do Jardim Paulo VI e do Jardim Amaralina já consolidadas, e que no entanto preservam problemas de infraestrutura urbana.


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