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Millioneyes 99

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Distribuição exclusiva a profissionais • Preço de Capa: €7,50

PORTUGAL • Nº 99 • ABRIL 2021

Optivisão estreia conceito inovador no Arrábida Shopping


Distribuição exclusiva a profissionais • Preço de Capa: €7,50

PORTUGAL • Nº 99 • ABRIL 2021

OPTIVISÃO ESTREIA CONCEITO INOVADOR NO ARRÁBIDA SHOPPING

Editorial | 4 |

Abril: mês da liberdade A edição 99 fez-se sob os mesmos moldes de clausura que as anteriores, mas já sentimos a liberdade no ar. As restrições foram atenuadas e as pessoas procuram o exterior. É altura de óculos de sol, de sermos criativos, de convencer os consumidores que o usufruto da luz solar é pleno de prazer se for feito com as lentes certas e, se for preciso, graduadas. Há oportunidades para a ótica que nunca antes se elevaram tanto. A visão é tudo, confinada e livre! A prova disso está no dinamismo da Optivisão, que arrebatou a capa da nossa Millioneyes para apresentar o seu mais recente projeto, assente no futuro e na tecnologia. Acima de tudo, apontado ao consumidor que está a “nascer” motivado pela pandemia por covid-19. O grupo nacional previu durante os últimos anos um modelo que hoje, perante a situação dos mercados, faz mais sentido que nunca. Fala aos nativos digitais na primeira pessoa, apela às capacidades inatas das crianças para estes dispositivos avançados, enquanto transmite conceitos de saúde visual de forma ligeira e privilegia a máxima precisão na execução de lentes graduadas, com selo tecnológico da Essilor. Em abril damos ainda destaque especial ao primeiro grande evento digital da ótica de 2021. A CECOP foi veemente corajosa ao organizar o primeiro Global Community Summit - Eye Connection, para os óticos independentes de todo o mundo. Na próximas páginas tem um registo essencial, pela voz e conhecimentos de pessoas idóneas do mundo dos negócios, do desporto, do marketing, do luxo, da tecnologia e muito mais alinhado pela cuidadosa equipa deste grupo multinacional. A optometria também ocupa lugar alto nesta revista. Ouvimos com grande consideração e vontade os convidados da Associação de Profissionais Licenciados de Optometria, no dia mundial da atividade, a 23 de março, num encontro virtual. Há um problema de saúde pública relacionado com a visão, em Portugal e no mundo. No ecrã ouvimos estatísticas, estratégias e ideias que fazem toda a diferença na forma de encararmos esta problemática. A optometria dá um contributo elevadíssimo, ainda que “nos bastidores”, no que diz respeito à assistência da população. E porque vivemos para o design, para a beleza e para a arte, damos páginas a Giuseppe La Boria, o sonhador por trás da nova marca Danshari. São óculos de qualidade, mas mais que isso são um mote para a vida simples e tranquila da paz interior. Absorvemos conceitos centrais deste fundador e do seu fiel apoiante em Portugal, o reconhecido António Barros, a partir de experiências de quem esteve no topo da ótica mundial…mas fugiu da ribalta por opção. Temos ainda o contributo da investigação dos estudiosos ligados ao ensino da optometria da Universidade do Minho. As lentes de contacto e a sua dinâmica nos mercados português e além fronteiras estão expressos num estudo com história desde 2007. Portugal tem que contribuir, a partir dos profissionais que adaptam lentes de contacto “no terreno”, para manter o país neste registo importante. Apelamos por isso ao contributo de todos! Em www.millioneyes.pt tem todos os detalhes. Vire a página e entre na ótica, ela está aqui! Estatuto Editorial / Sinopse A Millioneyes é uma revista profissional dedicada ao setor da ótica, contando com presença integral online através da plataforma isuu.com. A Millioneyes tem o objetivo de cobrir os acontecimentos específicos do seu setor e retratar a informação de forma rigorosa, com toda a dedicação e competência. A Millioneyes traz uma abordagem íntima, atualizada e assertiva sobre o setor da ótica em Portugal, esmiuça perspetivas de outros países sobre a situação do mercado, retrata tendências em óculos, expõe dados científicos essenciais aos técnicos da área com o apoio dos oftalmologistas e optometristas e aborda de forma inédita os empresários que gerem os estabelecimentos nacionais. A Millioneyes compromete-se a respeitar os princípios deontológicos e a ética profissional aplicada à atividade profissional dos jornalistas, assim como a boa fé dos leitores, através do trabalho dos seus colaboradores e diretor. A Millioneyes é independente do poder político e de grupos económicos, sociais e religiosos.


Em breve, uma nova camada de

confiança para os seus clientes... e para o seu negócio Em Maio, na sua óptica.


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MIDO

André Brodheim

Hoya

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CECOP Global Community Summit

Giuseppe La Boria

BREVES

CAPA

Um abraço que se espera em 2022

Optivisão estreia conceito inovador no Arrábida Shopping

OLHAR EM PORTUGUÊS

OLHAR O MUNDO Danshari: a vontade de ser livre

Eye Connection ou a homenagem à ótica independente

Índice | 6 |

Tema de Capa: A Optivisão lança-se no futuro com um conceito avançado de ótica. Denominado como Optivisão+ delineia uma nova forma de abordar o retalho na ótica, com funcionamento já em pleno no Arrábida Shopping no Porto. Diretora: Editora: Redação: Design e Paginação: Fotografia: E-mail: Tel: Periodicidade: Tiragem: Impressão: Preço de capa em Portugal: A MillioneyesTM é propriedade da Parábolas e Estrelas – Edições Lda. com sede na Rua Manuel Faro Sarmento, 177, 4º esquerdo, 4470-464 Maia, Portugal NIF: 510195865 Gerente/Diretor - Cristóvão Jesus Detentor de 100 por cento do capital social Sede de Redação Rua Elísio de Melo, 28, S 38 4000-196 Porto Qualquer crítica ou sugestão deve remeter-se para: millioneyes@outlook.pt

Patrícia Vieites Carla Mendes Carla Mendes, Mariana Teixeira Santos Paula Craft Paula Bollinger, Miguel Silva, Hugo Macedo millioneyes@outlook.pt 96 232 78 90 Mensal 2000 exemplares Uniarte Gráfica, S.A 7,50 euros Depósito Legal n.º 419707/16 Interdita a reprodução, mesmo que parcial, de textos, fotografias ou ilustrações sob quaisquer meios e para quaisquer fins, inclusive comerciais. Os artigos de opinião e os seus conteúdos são da total responsabilidade dos seus autores. Registo na ERC n.º 126933

OUTROS OLHARES Dupla perfeita de visão e cor


Anne et Valentin X Pierre-Louis Mascia As duas marcas encontraram-se no amor por Toulouse, a sua terra natal, em França. Nas diferenças de cada uma fizerem nascer um maravilhoso conceito Paroles. Os criadores eyewear e o estilista fizeram do seu centro o desenho redondo e a partir dali soltaram a imaginação, em linhas suspensas, em duplicidades e muita cor.

Moschino

Novidades de sempre A marca italiana reinventa desenhos e sensações a cada temporada. Os icónicos pinos metálicos, os cat eye dramáticos e os pormenores que refletem a criatividade ousada do líder criativo da Moschino, Jeremy Scott, asseguram glamour e originalidade. Entre as criações de prescrição ou solares captam-se os detalhes que dão essência a esta casa de moda: Destacamos, claro, o cat eye com formato de coração, num visual muito pin up de toque contemporâneo, com os frontais a cintilarem ao ritmo de 70 cristais de diferentes tamanhos.

Frank and Lucie

Brisas de verão A Frank and Lucie congeminou uma Summer Bliss para os dias quentes, em forma de óculos de leitura elegantes e práticos. A nova coleção inclui filtro para a luz azul e ainda “deliciosos” modelos solares. As cores suaves e veraneantes das peças ligam na perfeição com as correntes glamourosas, também pensadas pela dupla da vida e dos negócios Frank e Lucie, e o estojo decorado com elementos que remetem para o mar e para a praia.

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Anne et Valentin X Pierre-Louis Mascia


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Em tempos difíceis chega o momento de reinventar-se, de procurar apoio, de estarmos juntos. A Opticalia ajuda-o com publicidade, com as suas marcas exclusivas, com financiamento, com formação, com assessoria e com todas as novidades que o mundo digital oferece.

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Breves | 10 |

Vue DC

Arte made in France Esta casa francesa tem a liberdade impressa em cada modelo. Longe das tendências que limitam a moda, as criações Vue DC têm a imortalidade no desenho, são únicas e “respiram” através das paixões dos artistas fundadores Christian and Yolande. São surpreendentes os relevos trabalhados com afinco nos acetatos e os volumes impressos sem medo.

Materika

Combi vanguardista A insígnia produzida pela Look-made in Italia apresenta a nova série Combi, composta por armações de prescrição de alta qualidade que associam design moderno e matérias inovadoras. Este conjunto da Materika compreende três modelos - um panto feminino, um geométrico unissexo e uma dupla ponte masculina – que se destacam na mistura de dois materiais ultramodernos resultantes da pesquisa contínua da empresa. O Xinox preenche a estrutura base dos óculos, que é um metal hipoalergénico, enquanto a parte superior é em Alumix uma liga de magnésio e alumínio de última geração, exclusiva e reciclável. As opções de cores sublinham o contraste entre os materiais, num registo único de design.

Tol Eyewear

Em busca de uma nova emoção A holandesa Tol Eyewear tem uma abordagem internacional aos óculos e à moda, tudo espelho das vivências dos fundadores e criativos Linda Tol e Marieke Meulendijks. A nova coleção FRAME-02 nasce deste conluio entre a atenção ao design, aos detalhes únicos, à qualidade exímia e, acima de tudo, de emoções que se expressam nas linhas dos modelos. Destacam-se formatos distintivos, em que cada peça reflete desenhos icónicos, astuciosamente transmutados em óculos modernos de expressão intensa.


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André Ópticas

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Micromega

40 anos celebrados com novo espaço A família Leal estabeleceu-se há quatro décadas no mercado da ótica português, sob o sonho do luxo. A 5 de abril confirmou a sua estratégia de sucesso, brindando o percurso da André Ópticas com uma incrível nova loja em plena Avenida da Liberdade, no Tivoli Forum, em Lisboa. Perfaz assim um sólido grupo de sete óticas, que tem o objetivo supremo de trazer os óculos mais originais de todo o mundo aos portugueses. O novo espaço tem “inspiração híbrida entre o deco e o escandinavo” e em cada aresta se revê o trabalho minucioso produzido em Portugal e à medida dos anseios da família que lidera esta casa. Caracterizada pela busca constante de inovação, ao longo dos últimos 40 anos a André Opticas levou a sua paixão por óculos mais além. São exemplos a exposição no MUDE, em 2014, em que foram expostas mais de 400 peças do acervo da marca, ou, mais recentemente, em 2019, a abertura do seu atelier no coração do Chiado. Esta inauguração trouxe consigo a criação da sua própria insígnia, a Family Affair, que passou a permitir aos clientes da marca criarem os seus próprios óculos à medida e de forma personalizada, produzidos artesanalmente com materiais da mais alta qualidade.

E a história do minimalismo Esta marca transalpina nasce em Veneza por mãos apaixonadas pela perfeição e pela técnica. A Micromega produz poucas armações para manter os desejos dos amantes de óculos no topo dos seus objetivos e tudo começa nas lentes. O seu formato é esculpido sob medida e é-lhes aplicado uma ponte em arame que as mantém unidas e que tem patente internacional. As hastes juntam-se a este conluio artístico no fim, também elas numa liga de titânio. No resultado transparece a liberdade de expressão, a leveza máxima e a força de resistir ao mais ativo seguidor.

Delirious

O desejo dos óculos A marca italiana fundada em 2012 pelo jovem Marco Lanero nasce da impaciência pela perfeição e unicidade. O criador passou a desenhar a um ritmo próprio os seus desejos e entretanto conquistou uma série de seguidores que acompanham a sua vontade de ser original e ter nas mãos um produto de qualidade exímia. Acetatos italianos, titânio japonês e muita imaginação estão na base desta Delirious.


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Pergunte ao seu delegado Alcon per a campanha! As lentes de contacto DAILIES TOTAL1 são dispositivos médicos para correção de miopia, hipermetropia e presbiopia. Para uso e substituição como determinado por um profissional da visão. Podem surgir efeitos secundários como desconforto, ardor ligeiro ou picadas. Para mais informações sobre indicações, advertências, precauções e contraindicações, leia cuidadosamente a rotulagem e as instruções de utilização disponíveis junto do seu profissional da visão. ALCON e DAILIES TOTAL1 são marcas comerciais da Alcon. ©2021 Alcon Inc. Revisto em 03/2021. Alcon Portugal-Produtos e Equipamentos Oftalmológicos, Lda. NIPC.501 251 685. PT-DT1-2100047.


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Isabel Marant

MIDO

Um abraço que se espera em 2022 A feira internacional que se realiza anualmente em Milão anunciou, a 22 de março, por videoconferência, o cancelamento da edição de 2021, devido à escalada de covid-19 em Itália. Giovanni Vitaloni fez questão de se ligar da maneira mais próxima possível aos empresários e meios de comunicação para anunciar esta decisão difícil, mas corajosa, da sua equipa. Entretanto marcou encontro já para 5 a 7 de junho numa iniciativa digital que reúne as melhores mentes da indústria de ótica para um troca de conhecimentos e ideias. O encontro mais desejado ficou para 2022, de 12 a 14 de fevereiro, no mítico Parque de Exposições de Rho Pero, em Milão.“ A MIDO 2022 será, finalmente, a ocasião de partilhar a reconstrução, o entusiasmo e a energia que todos ansiamos por em ação, para reviver um dos mais importantes segmentos da economia do nosso país. Estamos atentos à evolução pandémica, a monitorizar constantemente as necessidades dos expositores e visitantes. Obviamente, assim que seja possível realizar eventos em pessoa, não hesitaremos em avançar”, sublinhou Vitaloni com esperança.

A aventura eyewear Com a colaboração da Safilo, nasce a faceta ótica da elegante marca parisiense Isabel Marant , com um toque de frescura nas silhuetas clássicas reinterpretadas e muitos pormenores inesperados. O sentido cosmopolita e a máxima feminilidade apoiam a afirmação de ousadia através de, por exemplo, o acabamento em metal silver leaf nos frontais, nas plaquetas em forma de folha e no brilho do metal subtil que preenche as hastes. A campanha da primeira coleção lançada em fevereiro de 2021 exala glamour com a imagem da modelo Rebecca Leigh, captada pela objetiva de Juergen Teller.

MultiOpticas

Expansão em ação A MultiOpticas expande a sua rede de lojas a Oeiras, com mais uma ótica sob alçada das suas cores. Orquídea e Rui Silva são os franqueados responsáveis pelo novo espaço que aproxima as vantagens do grupo à população local. “É com enorme entusiasmo que passamos a integrar a rede Multiopticas. Estamos convencidos que será um projeto abraçado por todos os oeirenses. Tudo faremos para elevar cada vez mais esta grande família à qual orgulhosamente já pertencemos. Juntos somos mais fortes.”


Receba aos pares. Este verão a sua ótica enche-se de cor: De 25 de Março a 30 de Setembro ajude os seus clientes a descobrir qual é o DUO mais adequado ao seu estilo de vida.

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Breves | 16 |

Snob Milano

Be smart when it’s sun Em destaque no título, o mote da nova coleção da italiana Snob Milano, que destaca as características avançadas das mais recentes propostas da marca, “decoradas” pela elegância dos desenhos. A cor é a verdadeira protagonista destas propostas, lado a lado, com as lentes solares de qualidade Zeiss, em degradês elegantes ou em espelhados marcantes. Destacam-se ainda sete novos designs em clips magnéticos que acompanham o atrevimento das peças de prescrição.

RVS Eyewear X One All Every

Parceria em prol do planeta O fundador e designer da EVS Eyewear, Vidal Erkohen, foi convidado a partilhar a sua visão sustentável na produção de óculos com a iniciativa ambiental e artística One All Every. Ao serviço da causa criou modelos com base nos mais icónicos formatos da ótica, desde o wayfarer até ao aviador, dando-lhe a transparência inerente ao espírito da iniciativa e adicionando cor através de lentes que não escondem o olhar.

Linda Farrow X Magda Butrym

A subtil arte de criar de musas A colaboração entre estas duas casas de moda audazes resulta numa tentação aos sentidos. Linda Farrow e a designer polaca Magda Butrym congeminaram uma abordagem poderosa aos óculos, com as raízes artísticas da Polónia. A ode à feminilidade é moldada por cuidadosos artesãos e transformada em peças de toque delicado e brilhante, mas de traços intensos e incontornáveis.


Lafont

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Cores de uma quarentena criativa A histórica casa francesa lança as propostas para os dias quentes de 2021 sob o espectro das cores. A acompanhar o conluio primaveril de frontais e hastes estão os desenhos delicados e a qualidade exímia dos acetatos. A casa Lafont vai, desta forma, ao encontro da sua essência artística e do estilo único com que sempre “pintou” as suas criações.

Haffmans & Neumeister X Marcus Paul

O futuro através dos óculos Uma coleção exclusiva e que captura a visão dos dias que se avizinham na ótica é o resultado da colaboração de luxo entre o designer alemão Philipp Haffmans e o estilista Marcus Paul. A centro da criatividade está a união entre aço inox ultrafino com um acetato robusto e quente que se materializam em desenhos eternos e numa narrativa de conforto. Marcus Paul afirmou que “criámos algo altamente estético e com significado profundo. A forma como misturámos os materiais, inspirações pessoais e a nossa criatividade nesta colaboração diz-me muito!” Haffmans reafirma este estado de espírito, dizendo que “quisemos proporcionar óculos que não fossem apenas amplos em personalidade, mas também, como usual, fossem intemporais no seu core.”


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Tema Capa | 20 |

André Brodheim

Optivisão estreia conceito inovador no Arrábida Shopping Optivisão+ dá nome ao futuro. É um projeto em formato de ótica que assume a tecnologia no seu âmago, mas sem preterir o contacto e a proximidade com o cliente. O conceito delineado durante os últimos anos nasce agora na Optivisão do Arrábida Shopping, pleno de luz e grandes expectativas.


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O administrador executivo do grupo demonstrou orgulho no resultado de um trabalho intenso da sua equipa e que contou com a tecnologia de ponta Essilor. Num período em que a era digital vive uma crescente implementação no setor do retalho, a Optivisão+ é a solução assertiva e revolucionária para a promoção daquilo que mais se destaca hoje no setor: saúde visual. A interação com as tecnologias disponíveis na ótica com o conceito são opcionais, por um lado, mas irresistíveis, por outro. E falam de forma privilegiada a quem tem a saúde como prioridade, a quem quer sentir em primeira mão os efeitos e vantagens de um produto antes de o comprar, aos amantes da moda e às crianças. Este olhar avançado que o grupo Optivisão teve sobre a forma de “fazer

ótica” tem traços de futuro, mas será disseminado ao ritmo da liberdade e características de cada associado. Para já, os resultados na ótica pioneira são promissores e levantam ideias e ideais para o desenho de uma nova era.

clientes. É a melhor forma de concretizar a missão do grupo Optivisão e vem responder à necessidade que o consumidor tem de cuidar da saúde visual. Na verdade, esta Optivisão+ desenvolveu-se colocando o consumidor no centro da nossa atenção.

Explique-nos qual a diferença entre este novo conceito de ótica e o tradicional. Este novo conceito de ótica quer trazer uma nova experiência ao cliente através de uma interação tecnológica e humana mais envolvente. Na ótica tradicional estamos habituados a ver as armações e os óculos de sol como veículo principal de posicionamento e, neste caso, colocámos mais enfoque nas lentes, no consultório e na tecnologia de rastreio visual para potenciar mais a saúde visual e melhor servir os

De que forma passa o cliente a interagir com o espaço, desde o momento que entra, passando pela consulta e compra, até à saída? Na Optivisão+ preparámos a equipa para um atendimento personalizado que se inicia assim que o cliente entra no espaço. O atendimento poderá ser feito em pé ao longo da ótica como também no balcão central ou na mesa de atendimento mais tradicional, conforme o cliente preferir. A tecnologia de interação disponível serve,


acima de tudo, para auxiliar a compra por parte do cliente ou para a nossa equipa apresentar as características dos produtos, bem como o sortido existente. Na visita à ótica, o cliente está no centro e a equipa de atendimento e de optometria só está focada em prestar um serviço de excelência, daí dizermos que se trata da “tecnologia ao serviço do cliente” e não “o cliente ao serviço da tecnologia”. Quero com isto dizer que, não obrigamos os clientes a interagir com a tecnologia, só se o mesmo entender que tem vantagens nessa interação.

Tema Capa | 22 |

Pode dar alguns exemplos da tecnologia de interação a que se refere? Por exemplo, na escolha das lentes oftálmicas o cliente tem uma parede dedicada ao segmento onde poderá ver e perceber as características dos vários tipos de lentes existentes e os benefícios nos tratamentos possíveis. Poderá passar também pela nossa sala experiencial onde terá acesso a uma experiência sensorial através de vento, vapor e/ou luz UV, para assim perceber in loco as vantagens de determinados tratamentos de lentes no caso do vapor e luz UV, ou testar formatos de armações para a prática

•• “E s t e co n c eit o d e O p t i v i s ão+ é um p ro jet o q u e p r e t e n d e in s p ira r a r e de p ar a a imp o rt â n c ia da c r i a ç ã o d e uma e x p e r i ê n c i a d e c o mp ra di f e r e n c ia d o ra , c o m bas e n a i no v a ç ã o e n a t ec n o l o g ia ” ••


Tema Capa | 23 |

desportiva, que se pode fazer com o uso do vento. Além disso, no espelho virtual o cliente poderá experimentar online os óculos de sol ou as suas armações, enquanto aguarda atendimento. Se preferir aguardar junto de um dos ecrãs digitais, consegue aceder a vários conteúdos informativos acerca das boas práticas em saúde visual, assim como à informação sobre a melhor compra em termos de qualidade.No caso das crianças, em parceria com a Essilor, fomos pioneiros em criar um espaço dedicado para interação didática além de informativa. Neste local, dispomos de dois equipamentos onde a criança joga e ao mesmo tempo é avaliada a sua visão binocular antes de entrar no gabinete de exame visual. Assim, rastreamos, enquanto brinca, a sua acuidade visual, possíveis estrabismos, insuficiência de convergência, sensibilidade ao contraste e mais cinco ou seis disfunções binoculares, tão importantes de despistar prematuramente em crianças. A tecnologia disponível é assinada pela Essilor. A Optivisão pensou em tudo e depois envolveu a fabricante de lentes oftálmicas? Exato, este projeto foi pensado e criado pela Optivisão e toda a tecnologia de interação foi alvo de pesquisa de mercado pela nossa equipa. Contudo, em toda a área técnica de optometria/ consultório/oficina trabalhámos em parceria com a Essilor, por forma a apresentar na Optivisão+ a mais avançada tecnologia de

exame visual e diagnóstico de saúde ocular, bem como a integração de toda a informação de cada um dos clientes na base de dados. Esta integração vai permitir construir uma base de dados muito importante para conseguimos interagir em âmbito de saúde visual preventiva com os clientes após a visita à ótica. A loja do Arrábida Shopping é a pioneira nesta aventura. Porque escolheram este espaço a norte? Este foi um projeto pensado ao longo de três anos e passou por muitos cenários. Em 2019, definimos objetivos concretos para este novo conceito e a Optivisão Arrábida respondia a todos eles. E que objetivos são esses? Teríamos de garantir que seria numa localização com muito tráfego, com clientes preocupados com a sua saúde (estamos próximos de um hospital), de classe social média e média alta e, preferencialmente, que tivéssemos um histórico de relação e fidelização para conseguirmos medir o sucesso com indicadores comparativos face ao conceito standard. Assim, a ótica Optivisão no Arrábida Shopping revelou-se uma escolha adequada. Qual o plano para a expansão da Optivisão+? Antes da expansão, este projeto precisa de tração no mercado e sucesso nos principais indicadores de vendas. Para isso, temos


Tema Capa | 24 |

•• “ A O p t iv is ã o + el ev a a marca Optivisão em t odo o p a ís , d emo n s t ra n d o bem o foco que a red e t e m na saúde visual” ••

ainda muito que estudar e com certeza de afinar para melhor se ajustar ao quotidiano de quem lá trabalha e de quem nos visita. Este conceito de Optivisão+ é um projeto que pretende inspirar a rede para a importância da criação de uma experiência de compra diferenciadora, com base na inovação e na tecnologia pois sabemos que é isso que o consumidor procura cada vez mais. O conceito Optivisão+ terá certamente no futuro uma exigência totalmente diferente da restante imagem Optivisão. Já apresentaram o projeto aos associados? Qual a recetividade? Os nossos associados foram os primeiros a ver este projeto e acreditamos que tenha sido positivo, pois mais do que uma ótica inovadora, a Optivisão+ eleva a marca Optivisão em todo o país, demonstrando bem o foco que a rede tem na saúde visual e a importância que damos à qualidade de serviço de optometria e à excelência de atendimento. A nossa missão, enquanto maior rede de óticas nacional, está bem patente em todo este conceito pois eleva a saúde da visão através do destaque que damos às lentes oftálmicas e ao peso da área de consultório que é evidente em toda a cadeia. Estas são para nós as estrelas do nosso setor. Este conceito Optivisão+ será o futuro do grupo de forma transversal? Não, deste novo conceito Optivisão+ surgirá a nova imagem de ótica Optivisão, contudo todas as lojas que queiram colocar o + terão de cumprir um nível de exigência superior em termos de metros quadrados, características e investimento, para que consigamos garantir ao consumidor que este + responde a uma determinada promessa de serviço que se concretiza de facto. O nosso conceito de rede não irá alterar, o Optivisão+ não obriga os nossos associados a adotarem um determinado estilo de ótica e queremos continuar a dar-lhes essa liberdade. Contudo, deste conceito Optivisão+ lançamos também uma imagem própria para as óticas Optivisão que gostaríamos de ver adotada no futuro, em toda a rede. Por isso, os óticos que queiram renovar a sua

loja, a partir de agora terão de seguir este conceito de imagem que será apresentado com todo o detalhe muito em breve a toda a rede. Pensam ainda dar-lhe um formato evolutivo? Por ser a primeira ótica com este novo conceito, sabemos que ainda teremos muito para estudar de forma a afinarmos o projeto. Assim, é natural que haja evolução, mas sabemos que a base é esta, pois desde o primeiro dia que já estamos surpreendidos com os resultados, mesmo nestes tempos desafiantes. E como tem lidado a Optivisão com todos os constrangimentos impostos pela atual situação sanitária, junto dos seus óticos? Desde março 2020 que, o pior que temos sentido, em termos de grupo, é a impossibilidade de estarmos todos juntos. Adotámos as novas tecnologias para podermos reunir e continuar a partilhar as nossas estratégias, mas de facto o contacto pessoal é incomparável. Ao longo deste período fizemos o nosso melhor para informar os óticos da forma mais eficaz, para inspirar, para procurar constantemente soluções alternativas e criar oportunidades, garantindo que o negócio possa continuar com menos atrito possível. Este “abanão” do último confinamento foi duro psicologicamente, pois a expectativa que tínhamos no final do ano passado era outra, mas como já dizia o meu avô “em tempos de guerra existem dois tipos de pessoas, os que choram, e os que vendem lenços” e nós continuámos a vender os lenços. Os óticos da nossa rede estão de facto de parabéns, pois têm demonstrado uma enorme capacidade de resiliência e foco na solução e isso fez com que a nossa marca esteja mais forte a nível nacional. O que esperam de 2021 para o grupo? Ajustaram objetivos? Para um gestor ou empresário, esta é a tarefa mais complicada nos dias de hoje. Fazer previsões neste ambiente é muito complicado e a gestão é quase semana a semana ou até dia a dia, porque tudo ainda se pode alterar. Estamos focados em implementar o nosso plano de ação para este ano com o dinamismo necessário, para que consigamos cativar os clientes a visitarem as nossas óticas. As pessoas vão continuar a precisar dos nossos serviços, com ou sem pandemia e, por isso temos de estar ainda mais preparados para fazer sempre o melhor possível de tudo o que estiver ao nosso alcance. Com esta atitude, acreditamos que chegaremos ao final de 2021 ainda mais fortes no mercado da ótica e cada vez mais próximos da liderança no setor.


Hoya

Dupla perfeita de cor e visão A marca multinacional desafia os usuários de lentes oftálmicas a enfrentarem a época de sol com um estilo e visão exímios. A campanha de verão Duo K Cor 2021 garante um par de lentes coloridas adicional na compra das lentes de prescrição.

•• A aç ão r e s po n d e à n e c e s s i dade c res c en t e dos c on s u mid o res d e u m m e l h or r en d imen t o v i s u al , p r ot eç ã o s u p e r i or e n qua n t o ap r ov e i t am o a r l iv re e e s t ar e m a pa r c o m a s te n dê n c i as d e mo d a ••

O Duo Activo dirige-se a pessoas dinâmicas, com o segundo par composto pelas lentes fotocromáticas Sensity. Já o Duo Digital aponta a quem vive para o trabalho, sendo o segundo par de lentes coloridas perfeitas para interiores. Os amantes de dispositivos digitais podem contar com o Duo Profissional e com as lentes com o tratamento BlueControl. Para quem procura a melhor proteção solar, a Hoya propõe o Duo Cor, com o segundo par com opção solar. O Duo Drive : é para quem vive intensamente a estrada, e, claro, com o segundo par em lentes EnRoute.

Outros Olhares | 25 |

A Hoya quer apoiar os óticos e promover as vendas nas lojas com a iniciativa Duo K Cor 2021. De 22 março até 30 de setembro, os clientes que comprem lentes graduadas, podem obter um par adicional de lentes com cor. A ação responde à necessidade crescente dos consumidores de um melhor rendimento visual, proteção superior enquanto aproveitam o ar livre e estarem a par com as tendências de moda. A fabricante de lentes oftálmicas adverte ainda que a maioria das pessoas que precisam de óculos de sol graduados não os têm, nem sabem o quanto a sua qualidade de vida melhoraria com uns. Desta forma, a Hoya propõe duplas de lentes direcionadas aos vários estilos de vida dos consumidores.


Olhar em Português | 26 |

CECOP Global Community Summit

Eye Connection ou a homenagem à ótica independente O grupo multinacional deu um contributo real e importante aos profissionais de todo o mundo com uma iniciativa que reuniu informações e experiências adaptadas ao contexto atual dos mercados. O Global Community Summit assinado pela CECOP aconteceu entre 10 e 16 de março, ao vivo para participantes de Portugal, Espanha, Itália, Brasil, México e Colômbia. O primeiro grande evento da ótica em 2021 teve formato digital, o mais aproximado possível ao presencial. Desenvolveu-se entre palestras dinâmicas, proferidas por convidados apelativos, e um marketplace pleno de marcas de destaque, com “convite” aos negócios diretos e em segurança. A Millioneyes foi o meio de comunicação primordial em Portugal e assistimos com expectativa aos dois dias de apresentações. O balanço final é de sucesso, com conversas em direto sob a voz de profissionais do “terreno” e das empresas e consultores e especialistas em várias áreas, numa troca de conceitos edificantes e com o digital ao centro. A jornada mais internacional contou com o CEO e fundador da CECOP, Jorge Rubio, como anfitrião e moderador, deixando impresso um percurso de conquistas e um empreendedor dedicado e esperançoso. As personalidades escolhidas deram dimensão à resiliência e, principalmente à ótica e à diferença que esta pode fazer na sociedade. As palestras em português aconteceram no mesmo registo de inquietude com alguns profissionais

destacados do nosso setor a dar voz às suas estratégias e dificuldades perante a pandemia e ainda o excecional consultor de marketing, António Paraíso. Houve ainda uma conversa informal em formato de entrevista entre David Carvalho, o homem forte da CECOP em Portugal e diretor das operações globais, e Jean de Contades, o diretor global do grupo. Foi a melhor forma de colocar em perspetiva a pessoa que toma as decisões na CECOP e que assume o dinamismo acrescido do grupo, assente numa equipa escolhida a dedo. A CECOP de todo o mundo O arranque das conferências deste Eye Connection fez-se pela enérgica comunicadora espanhola Helena Diez e Jorge Rubio. Como o Global Community Summit


Maria Belón, a protagonista na vida real da história do filme O Impossível, sobrevivente ao sismo e tsunami do oceano Índico em 2004, médica e advogada, tomou a palavra sob o desígnio do que a tornou famosa. “Digo sempre que sou protagonista deste filme, tal como todos nós, que também já fomos atingidos e sobrevivemos a tsunamis e o filme veio dar uma homenagem a todas estas pessoas unidas pela dor e a resiliência”. A oradora realçou o facto de que é importante estar-se preparado para os obstáculos da vida, mas que pode ser impossível. “Há tsunamis, que invadem a nossa vida e podem ter a forma de uma onda de 14 metros, como no meu caso, de um acidente de carro ou de um pequeno vírus que molda a cultura, a nossa forma de viver e tudo.” Maria Belón sublinhou ainda a importância do trabalho em equipa e do riso “Quase morri três vezes. E por tudo aquilo que perdemos, a vida, que é generosa, dá-nos algo, dá-nos novos caminhos, desperta-nos, concede-nos uma nova comunidade e mudança.” Desafios para 2021: Inovação no Ponto de Venda e no Futuro A primeira mesa redonda do Eye Connection incluiu José María Folache, CEO da Parfois, Nacho Martín, diretor de design da consultora de design e inovação Fjord e Jorge Rubio. Nacho Martín começou por chamar a atenção para que nos novos projetos de design digital se incluam as pessoas. Ou seja, se por um lado a tecnologia

está sempre mais avançada e traz vantagens, há que manter presente a importância de ambientes “híbridos” em que as pessoas possam interagir em espaços fisicos com valências digitais. “Estou de acordo com a importância do espaço fisico, mas hoje temos um smartphone que nos abre novas possibilidades. A mudança é certa! O importante agora é entender os nossos clientes e respetivas necessidades e atender às preferências, tanto de tecnologia como de presença física. Na sua intervenção, o CEO da Parfois falou da experiência da sua empresa em que “as pessoas querem ser atendidas 24 horas por dia, sete dias por semana. Todos têm importância e temos que ter capacidade de resposta e, claro, os espaços físicos são importantes mas é preciso melhorar o conhecimento da internet. O retalho tem que estar em todas as plataformas.” Jorge Rubio entrou na linha de ideias dos dois intervenientes. “Temos que aproveitar as tecnologias disponíveis para enfrentar os novos tempos e, mesmo dentro das lojas, temos que nos atualizar e ter a inteligência artificial a funcionar e a interagir com os clientes.” O CEO da CECOP adiantou que têm já em andamento a aplicação de câmara nas vitrines das óticas que, ao ver quem passa em frente à loja, identfica o género e apresenta promoções mediante a opção. Para intercalar as apresentações com momentos ligeiros, houve suspense provocado pela figura bem conhecida da série La Casa del Papel, o inspetor Buenavista. Em vários momentos do Global Community Summit, o ator Juan Fernandez, descontraiu os participantes com inquéritos simples e provocações divertidas. Fórum Ótico: qual será o futuro do mercado ótico pós-covid? Para responder à pergunta mais em voga do momento estiveram José Fraile, diretor global da Hoya Lens Iberia, Oscar Perez

ótico-optometrista e empresário e ainda Jorge Rubio. O representante da Hoya admitiu que o mercado da ótica se manteve estável neste processo disruptivo causado pela pandemia. “Formula mágica? Ninguém tem essa capacidade, mas tivemos que fazer um grande esforço e utilizar todos os nossos recursos para chegar aos clientes e aos nossos óticos e ajudá-los. O exemplo está na colaboração com a Universidade Politécnica de Hong Kong e que resultou numa lente que corrige e atenua a miopia das crianças. (…) Damos à ótica um argumento de saúde essencial nesta área.” Diretamente do retalho, o ótico convidado falou da forma como enfrentou os dias difíceis do confinamento generalizado em Espanha. “Mesmo assim melhorarmos o lucro. Porquê? Dependeu da forma como tratámos os clientes e equipa. Damos carinho, coisa que a internet não faz e reconhecemos os clientes que nos procuram. Damos diversão, porque para além de sermos profissionais temos que ir além. Mandámos postais com mensagens, o optometrista e as pessoas fugiram dos shoppings e descobriu-se novos negócios mais próximos…os negócios locais ganharam. Jorge Rubio terminou esta sessão com um louvor aos óticos, que se mantiveram ativos nos piores dias da pandemia. Quando a ótica faz a diferença de uma vida! Francisco Javier Montero foi o segundo convidado famoso da primeira jornada do Eye Connection. O ex-jogador de futebol do Atlético de Madrid trouxe consigo a sua história pessoal com a ótica, setor que lhe salvou a vida profissional. Depois de um acidente em campo, em que sofreu uma ruptura na retina, para continuar a jogar passou a usar óculos de proteção. “Os óculos salvaram-me. Pensei que não podia voltar a jogar e tive muito medo. Não fui pioneiro, mas não é coisa que se veja todos os dias, alguém jogar futebol de óculos e pode motivar outros que precisam a fazer o mesmo.” A terminar o dia mais internacional das palestras, a equipa da CECOP falou das suas lutas e vitórias, relacionadas com o mercado dos respetivos países. Eye Connection em português O segundo dia do Global Community Summit teve foco no mercado português. David Carvalho abriu o palco destacado para as vozes da ótica nacional. João Oliveira, diretor de negócios empresariais da F3M, João Mendes, sócio-gerente da Global Visão, Arlindo Teixeira, sócio-gerente da Adão Oculista e Sérgio Silva, diretor financeiro das Óticas Lince conversaram sobre o tema Digitalização da Ótica em Tempos de

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foi um evento aberto a todos os óticos independentes, associados ou não da CECOP, o fundador fez questão de falar da história que desenhou atual CECOP. “Iniciámos a nossa ótica, eu e a minha mulher, com sucesso, porque ela tinha o conhecimento do setor e eu da gestão (…) Senti que outros precisavam deste apoio essencial e assim nasceu a CECOP. A prova de que estávamos no percurso de um conceito vencedor foi que crescemos imenso até aos dias de hoje, somando mais de 6000 óticas em diferentes países. E convidamos os óticos a aproveitar este conhecimento a seu favor para colmatar as suas necessidades ao nível dos negócios. Nos últimos anos temos feito um investimento nos nossos recursos humanos e posso dizer que temos uma equipa fantástica.”


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custos na disseminação da informação. O back office está integrado na plataforma e temos acesso a tudo mais rapidamente e assim desenvolvemos o negócio. Estar no mercado não é só estar de porta aberta, mas também no mercado digital com segurança.” A João Mendes coube partilhar se a experiência da loja pode transitar para o online. “No recente século passado parecia impossível, mas hoje não e isso é transversal até mesmo às consultas. No entanto, o lado humano do nosso setor é sempre uma necessidade.”

Covid. O country manager da CECOP lançou a questão sobre qual seria a posição da ótica independente na questão do online. Sérgio Silva adiantou desde logo que “há dois aspetos neste contexto: o do negócio e o organizacional. Ao nível do negócio aproximamo-nos de um potencial público, os nativo-digitais que são os nossos clientes do futuro. Estaremos preparados se soubermos comunicar com eles. Também permite conhecer o melhor posicionamento da ótica perante os seus clientes. Em termos organizacionais, podemos dar respostas que doutra forma não conseguíamos. Permite trabalhar remotamente, há maior segurança, otimiza-se o trabalho com dados concretos e impõe-se o just in time. Nesta transformação também há aspetos negativos: os custos inerentes e a preparação para a transformação, há uma mudança radical na estrutura da empresa com a tecnologia a estar na dianteira e à qual os colaboradores têm que se adaptar e receber formação, para não se desperdiçarem recursos. O representante da Adão Oculista falou da adaptação da sua empresa a este contexto de aceleração digital no comércio. “Nós desenvolvemos uma aplicação virtual associada a um cartão que ajuda à filiação do cliente, com dimensão mobile para compras fáceis. A recolha dos dados é feita automaticamente, sob a lei, e as campanhas passam a ser automáticas, reduzindo

Oportunidades no Digital O reputado consultor da área do luxo, do marketing e da inovação, António Paraíso, deu um contributo essencial ao primeiro Eye Connection. O especialista abordou os novos paradigmas do marketing ligado ao florescente mundo digital. “O mundo muda por fatores políticos, sociais, catástrofes naturais, avanços tecnológicos, mas desta vez também por causa de um vírus, instalando-se uma crise mundial de saúde pública. Obrigou-nos a adaptar-nos. (…) Há incertezas, mas deve procurar-se ajuda nos especialistas. Em tempos de mudança deve agir-se de forma diferente.” À semelhança do que os outros oradores destas conferências já vinham defendendo, António Paraíso reforçou a necessidade de se estabelecer um equilíbrio entre o mundo digital e o real, onde se posicionam as óticas. E para que o setor se lance mais facilmente, a mensagem deve assentar na mestria técnica dos profissionais. “Tem que se passar a mensagem de que a ótica tem a preocupação com a saúde, tem um laboratório e técnicos competentes. É a diferença de uma simples loja de óculos e a vossa ótica! Vendem um bem tangível,

mas também as informações, o serviço, a prevenção e a competência, que são intangíveis e não se encontram em todo o lado.” O consultor e orador lançou, desta forma, quatro conceitos centrais para maior probabilidade de sucesso: deve interagir-se de forma otimizada com os clientes para gerar confiança e notoriedade da marca. “O vosso serviço não se vê e ninguém compra o que não se vê a quem não se conhece.”; a “embalagem” do produto/serviço é essencial ao êxito e isto inclui os colaboradores, o aspeto da ótica e a respetiva organização, que é visível e gera confiança no serviço; os relacionamentos são importantes. Para vender serviços e ganhar empatia confiança é importante investir neste fator e, embora haja distância física entre as pessoas que dificulta o processo, há ferramentas digitais que encurtam quilómetros; finalmente, o quarto fator assenta no preço “na hora de o comunicar, deve estar recheado de benefícios e vantagens, com a garantia de resolução de problemas e promoção da vontade de comprar. Só é caro o que não tem valor.”

As conferências principais encerraram assim, sob o desígnio de esperança e muito trabalho. As palavras de David Carvalho e Jean de Contades foram o “baixar do pano” sobre o primeiro Global Community Summit - Eye Connection. Como mensagem aos óticos, o diretor global da CECOP declarou que “a reputação vem depois do êxito e, como conselho aos gestores, apelo que sonhem sempre e se apoiem no talento para singrarem. É fulcral focar a qualidade de serviço e do produto que dura mais tempo que o preço. Estamos já a pensar no próximo Global Community Summit mas entretanto juntem-se a nós neste processo de crescimento. Podemos ajudar!”


Danshari: a vontade de ser livre

Fale-nos desta Danshari e dos valores que motivam o seu nascimento. Devemos rodear-nos de objetos bonitos. Danshari promove isso mesmo. É a consciência de viver com o que se precisa, abandonar hábitos compulsivos e desapegar-nos de coisas que não fazem sentido na vida. Composta por três kanjis, Dan (recusa) Sha (eliminação) e Ri (separação), significa utilizar estritamente o necessário e deitar fora todo o excesso. Descobri a palavra através de uma capa de um livro que um homem estava a ler num restaurante e estudei-a. Partindo desta ideia decidi criar esta marca e tive muita sorte, porque a consegui registar em quase todo o mundo, exceto no Japão, onde já existia noutro âmbito. Amei esta filosofia e decidi espelhá-la em óculos. A questão que se impunha na altura era, como devia ser esta marca? Tinha a ideia, mas urgia

O CEO da novíssima marca Danshari partilhou com a Millioneyes um sonho de uma vida. Giuseppe La Boria tem um daqueles percursos de luxo no setor da ótica, com mais de 30 anos ao serviço do crescimento de marcas famosas desde a Luxottica, passando pela Safilo e a Allison até à fraturante Alain Mikli. Tornou-se também ele famoso e recordou com orgulho alguns dos momentos que o colocaram na ribalta. No entanto, o ritmo apressado das grandes multinacionais definiu em si uma nova vontade: regressar ao prazer dos óculos. A Danshari nasce com calma, com amor, ligada ao sentido mais simples da vida e com o superior know-how de quem percebe de vendas eyewear. “Voltar às raízes do único desejo autêntico: a necessidade de beleza e essencialidade” define a insígnia que se inspira no movimento homónimo nascido no Japão, focado na eliminação do que é supérfluo na nossa vida. Durante esta conversa de redescoberta e esperança, juntou-se também a nós o rosto português da Danshari. Um famoso António Barros, também ele afastado há anos do corrupio do “novo mundo da ótica” contribuiu com a sua vasta experiência e uma filosofia de trabalho assente nos valores e na fidelidade. criar tudo em torno do conceito. O cerne do projeto é simples e passa por criar algo muito elegante, muito minimal, clássico, sem formatos estranhos ou um design fora do comum, vendável, mas com muita qualidade. Aliás a sua “vendabilidade” é um dos nossos argumentos. Lançou a Danshari neste “tornado” que nos assolou em forma de pandemia. Isto limitou os planos de lançamento? A verdadeira resposta é que tinha mesmo que nascer em pleno 2020. Tínhamos o nosso stand maravilhoso da MIDO desenhado, inspirado na beleza japonesa e investimos muito mas, como todos sabemos, a feira não se realizou. Naquele momento, decidimos prosseguir e foi uma boa decisão, isto depois do confinamento de três meses em Itália e, claro, dos restantes países europeus. Em setembro, outubro e novembro de 2020

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Giuseppe La Boria


conseguimos disseminar a Danshari com sucesso. Abrandámos, em dezembro porque a situação sanitária agravou-se novamente. Janeiro, fevereiro e março voltámos à carga, mesmo com a situação complexa que assolava vários países e que agora sofre uma escalada com o aumento de casos de covid-19 e com perspetivas de abrandar o trabalho.

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E sobre Giuseppe La Boria antes da Danshari? São mais de 30 anos no terreno! Lembro-me de começar com a marca Napoleoni, em Itália, enquanto representante, para depois me tornar diretor comercial da United Optical, a companhia célebre na altura pela Benetton, quando a multinacional se lançou no eyewear. Posteriormente, estive na Safilo onde lancei a Diesel em todo o mundo. Era o líder da marca e também ali me tornei diretor comercial para o país. Nos anos 2000, Leonardo del Vecchio, o líder da Luxottica, telefonou-me e ofereceu-me a possibilidade de ser o diretor comercial global da empresa. Foi um desafio que desempenhei até 2009. Ainda passei pela Allison durante dois anos, depois mais dois anos na Alain Mikli, onde me senti muito realizado a trabalhar diretamente com o génio parisiense do design. Finalmente, parei e passei a fazer consultoria, mas só para não estar totalmente parado, porque perdi a minha paixão pelo trabalho que fazia. Agora, ganhei motivação neste projeto, pelo qual me apaixonei, e me deu ânimo para recomeçar. Danshari é um sonho concretizado.

•• “ S ou fiel a o s meus c l ientes, a o s ó t ic o s , s em l h es fazer c on c o rrên c ia . I s t o p a ra mim é f u l c r a l , p o rq ue es p el h a a nossa fil o s o fia e v a l or es” ••

Ou seja, acabou por se render à “liberdade” das marcas independentes. Sim, e digo-lhe que este projeto é muito importante e vai para lá do dinheiro e de tudo. Lembro-me que, quando telefonei ao António Barros, o nosso homem forte do mercado português, não falámos nem de comissões nem crescimentos. Perguntei-lhe se me queria seguir num sonho. António é mais novo que eu, mas tem a sorte de ser independente ...vou pedir-lhe que diga na primeira pessoa a sua experiência, em português, que percebo tudo (risos), que é muito diferente da que vivemos no passado. Antes, trabalhávamos para vender armações. Hoje, trabalhamos para espalhar um sonho, criar uma marca. E até podemos escolher as lojas que melhor se ajustam aos nossos ideais, sem pedidos de desconto, nem atrasos no pagamento. 80 por cento dos clientes em todos os países onde temos presença decidiram conceder-nos espaço na vitrina, gratuitamente. E isto é importantíssimo e podem-se consultar estes trabalhos nas nossas redes sociais. Sublinho ainda, antes de passar a palavra ao António, que somos a única empresa no mundo, e pode escrever isto, que decidimos não vender na internet em contraciclo com todas as marcas que, quando se instituem, vendem diretamente ao consumidor final. Sou fiel aos meus clientes, aos óticos, sem lhes fazer concorrên-


António Barros fale-nos, então, do trabalho em território nacional com a Danshari. Os óticos receberam bem a marca? Os óticos recebem bem o António! (risos) Também o conceito, atenção. Em 2016, decidi abandonar a Luxottica por opção pessoal, exclusivamente por cansaço e não tanto de acordo com a política praticada a partir de Espanha. Claro que, sou amigo do Giuseppe e agradecido pela oportunidade que me deu na Luxottica, com o convite para a direção comercial e, posteriormente, para country manager. Depois de sair da multinacional, é verdade que o Giuseppe me contactou para um ou outro projeto, mas não me sentia cómodo em trabalhar para um empresa que concorresse diretamente com a Luxottica. Quando o Giuseppe me apresentou o seu empreendimento pessoal, a minha forma de o analisar, pela amizade e respeito que lhe tenho, mudou um pouco a minha lógica de abordagem e, portanto, assumo-o com total disponibilidade e por ele, por um lado. Por outro lado, porque a filosofia, a marca, o conceito Danshari me parece muito interessante. Ou seja, o trabalho sob a Danshari em Portugal tem a vantagem da sua marca no setor da ótica. Quando digo que os clientes em Portugal recebem o António é porque, obviamente, não podem receber algo que não conhecem, então desde logo é compreensível que tenham de interagir comigo. E a minha lógica é exatamente igual. Eu não contacto nem vou à procura de óticas. Para mim não é importante o nome da ótica, se é grande ou pequena, interessa-me o meu interlocutor. Como sempre diz o Giuseppe, o sell in é fácil, difícil é o sell out e, para isto acontecer, precisamos de ter contacto privilegiado com o ótico. Posto isto, os 25 clientes que existem até ao momento, e não existem mais por força da pandemia, foram cuidadosamente selecionados. O objetivo para Portugal passará por 50/60 clientes sempre na mesma lógica de abordagem: interessa-me que quem fique com a Danshari, cuide da Danshari, faça uma vitrina e a divulgue. Tenho o cuidado de, em todos os contactos, fazer uma apresentação da marca e uma explicação técnica. Nunca apresento uma coleção sem abordar estes temas. O que pretendo é encontrar um bom leque de clientes que estejam disponíveis para abraçar o projeto Danshari, porque não me parece lógico iniciar e não ter continuidade.

Quer, portanto, profissionais especiais. A experiência que tive em 27 anos, anos como vendedor (fui eu que lancei a Armani, Prada, Emporio Armani, Biblos em Portugal), dá-me noção exata do que é lançar um novo produto. A Danshari pela sua filosofia enquadra-se muito bem na minha forma de trabalhar. Gosto de vender óculos, fazer uma distribuição seletiva que depois me garanta a continuidade. Ou seja, prefiro ter 50 clientes que me trabalhem a coleção no dia a dia do que ter 100 a olhar para a Danshari como outra marca qualquer. Lamentavelmente, o meu trabalho tem estado limitado a uma área periférica do Porto, com algumas exceções, consegui chegar a Tomar, Abrantes, Cascais e Parede em dezembro, mas ainda não cheguei a Lisboa ou Algarve devido à pandemia. O objetivo para Portugal vai ser atingido, não tenho dúvidas. O Giuseppe disse que Portugal é, para já, o segundo país, mas vou fazer tudo para que seja o primeiro. Vou ser cuidadoso e não me quero desviar um milímetro da minha filosofia para o mercado luso.

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cia. Isto para mim é fulcral, porque espelha a nossa filosofia e valores.


Foto: by Format from Pexels

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APLO

Deficiência visual evitável em Portugal. Até quando? A Associação de Profissionais Licenciados de Optometria marcou o dia mundial da sua atividade, com um evento online, disponível nas redes sociais e por inscrição no Zoom, a 23 de março. Sob o tema Deficiência visual evitável em Portugal. Até quando?, a iniciativa teve ao centro o presidente da organização, Raúl Sousa, que moderou uma série de apresentações e conversas entre várias personalidades da saúde nacional e internacional. O objetivo deste encontro foi sensibilizar para as causas da deficiência visual e cegueira evitáveis no país e ainda o debate sobre o que fazer em prol do futuro da visão saudável, em Portugal. “Estima-se que 60 por cento das causas de deficiência visual e cegueira, como é caso dos erros refrativos e cataratas, seriam evitáveis se tratadas ou referenciadas atempadamente. A Organização Mundial de Saúde (OMS) refere que muitas destas causas podem ser resolvidas com eficientes cuidados primários para a saúde da visão, com ganhos significativos de saúde e poupança para o Serviço Nacional de Saúde (SNS). A deficiência visual é responsável pelo maior grupo de pessoas com deficiência em Portugal sendo que mais de metade das pessoas com 65 anos descreve dificuldade em ver. Constata-se ainda a maior incidência e crescente registo de miopia associada à maior utilização de dispositivos digitais e menor exposição a atividades ao ar livre por crianças e adolescentes. É urgente seguir as recomendações da OMS e integrar os optometristas no SNS.” Arrancou assim a jornada desenvolvida pela Associação

de Profissionais Licenciados de Optometria (APLO). Com um painel de luxo no “palco”, Raúl Sousa deu as boas vindas aos primeiros convidados que trouxeram dados centrais sobre o estado da saúde da visão no mundo. O primeiro assunto, Vision 2020 Global Plan Action, Universal Eye Health (UEH), OMS: Conquistas, Recuos e Desafios envolveu Srinivas Marmamula, optometrista e especialista em saúde pública no LV Prasad Eye Institute, na Índia. No ecrã surgiram questões atuais como o facto da OMS estimar que um bilião de pessoas têm deficiência visual evitável ou ainda esperam intervenção, sendo que os erros refrativos lideram os problemas. De realçar ainda que se estimam também 2,6 biliões de pessoas com miopia e 1,8 biliões com presbiopia. São números preocupantes que indicam que este é de facto um desafio global. Em 2020 os números apontam para 1,1 biliões que vivem com deficiência visual, sendo


métodos adequados, mas contam-se, a 4 de março através do site de tempo médio de respostas de primeira consulta que 116 mil utentes em lista de espera para a consulta hospitalar de oftalmologia e perfaz mais que a segunda e terceira especialidade combinadas e esperam em média 341 dias, com máximo de 1035 dias. Rui Nogueira foi o primeiro a intervir, dizendo que “temos um problema crónico de acesso de cuidados de saúde da visão. Há soluções fáceis neste âmbito mas as pessoas não têm acesso, como os simples óculos até às doenças mais prevalentes. (…) Há males que vêm por bem, porque chegamos ao momento em que não é mais possível adiar soluções que até agora pareciam exequíveis.” Henrique Martins foi “chamado” a falar sobre a contabilização destes doentes e com que ferramentas, para se ter um quadro verdadeiro sobre a saúde visual dos portugueses. “Se juntarmos os dados da ADSE e os dados que os portugueses carregam no e-fatura já temos uma fotografia interessante, embora incompleta. Os médicos de família reportam bem esta situação, mas há muitos portugueses que não vão ao SNS. (…) Há já uma amostra interessante já e pode adicionar-se dados finos, só que isso acresce ao trabalho dos médicos claro. Vou dar-lhe um exemplo, temos 2,4 milhões de portugueses inscritos no portal do SNS e porque não lhes perguntamos online? Há um problema de visão, mas de outra natureza (risos). E depois os outros analisam-se através de outros sistemas. Mais fácil do que implementar um mecanismo semelhante para todos.” No término da reunião, Raúl Sousa desafiou os convidados a apresentarem soluções para hoje e para o futuro, no contexto da saúde visual. “A minha seria que os processos de definição de política em saúde fossem transparentes e participativos e tivessem como prioridade a análise do que é a melhor evidência e melhores práticas dessa matéria”, explicou o líder da associação de optometristas. Henrique Mesquita opinou que “há que partir os serviços pelos níveis de complexidade e há serviços que se calhar não precisam de consulta de oftalmologia e que deve fazer a tarefa a pessoa que está mais disponível entre os quadros existentes e em prol dos cidadãos. É mais acessível, por exemplo, ir a uma loja, ou uma clínica de optometria em Seia do que fazer quilómetros para ir a Coimbra.” Já Alexandre Lourenço desenhou um futuro em que, “devemos prestar os serviços de saúde da visão no local onde for mais conveniente para o doente e, quando vejo no Plano Nacional da Visão em que diz que a solução passa pelos oftalmologistas irem

•• “Temos um problema cr ónico de acesso de cuidados de saúde d a visão. Há soluções fáceis n e s t e âm bito mas as pess oa s não têm acesso, co m o os simples óculos e até às doenças m ais pr evalentes” •• fazer consultas para os cuidados de saude primários, a mim custa-me a acreditar que alguém ache piada a isto. O SNS não tem conseguido sequer manter os oftalmologistas, temos hoje menos que há dez atrás apesar de formamos mais. (…) Temos que considerar uma rede alargada de serviços com os profissionais disponíveis e mediante os seus limites.” Luís Lapão imprimiu o máximo de realismo na sua análise. “O Plano de Recuperação e Resiliência é uma oportunidade, mas é só possível se tivermos recursos humanos. A partir deste pressuposto, que mecanismos são precisos? Já há experiências e aprendizagens que têm vindo a ser implementadas e o que propunha é fazer um conjunto de pilotos ligados à saúde da visão permitindo testar as ideias, trabalhando em equipa e com tecnologias.” A terminar este conluio intelectual, Rui Nogueira propôs uma estratégia de equipa na saúde da visão. “Falava-se aqui de fazer os diagnósticos, mas eles já estão feitos, não temos é a capacidade de fazer o tratamento. Temos doentes com catarata e sabemos o que fazer e ninguém o faz ou doentes que precisam de óculos e não têm. A equipa da saúde de visão tem que ser de resolução concertada de problemas. (…) E não pode haver uma equipa da visão sem oftalmologistas e optometristas nem médicos de família. Estamos em permanente ligação digital. Há paralelismo entre a saude oral e saúde da visão com pontos semelhantes na prevalência e temos capacidade instalada na comunidade que é invejável. Está na comunidade e não usamos e o SNS não tem capacidade de ter estes serviços no centro de saúde, mas devem ser ser reguladas e convencionadas.” A jornada de celebração da atividade prosseguiu num tom mais político, com a participação de deputados de vários grupo parlamentares e na sua defesa sobre a plural regulamentação da optometria em Portugal. A voz é unânime neste grupo, mas resta “vontade política” como sublinhou Raúl Sousa, numa garantia que continuará a defender esta posição no futuro da APLO.

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que os erros refrativos e a catarata lideram as causas e que podem ser resolvidas de forma simples, caso haja acesso facilitado aos meios. As previsões do grupo Vision Loss estimam que em 2050 este número suba para 1,7 biliões. A resolução? Haver um abrangente acesso aos cuidados de saúde visual e que faça parte da base de serviço de saúde e nos planos nacionais de saúde proporcionados à população. Deu ainda conceitos centrais para se tornar possível abranger mais pessoas incluindo, claro, a optometria no plano de aumento de pessoal e contributos ligado aos cuidados de saúde visual. Atingir os objetivos da UEH depende da vontade política e da alocação de recursos. Ainda sob o primeiro tema, no ecrã apareceu o Silvio Paolo Mariotti, senior medical officer na OMS do qual ficou a declaração mais marcante: “é preciso liderança e recursos”. Mariotti falou dos objetivos para alcançar os objetivos propostos pela OMS para se a melhor saúde visual global e que incluía Centros Integrados de Cuidados Visuais para a População, com serviços de saúde que ultrapassam a simples sensibilização das populações ou educação. Desta forma, urge encontrar uma solução que integre os serviços já existentes, sem criar novas infraestruturas. Ou seja, a OMS procura novas formas de conseguir o apoio dos diferentes intervenientes políticos com respostas pragmáticas. Neste seguimento, Raúl Sousa falou de Portugal como um mau exemplo no contexto da celeridade política para acelerar o processo de travar deficiências visuais evitáveis, ao incluir a optometria no SNS, embora haja esforço por parte dos profissionais em negociar esta possibilidade. “É essa uma das razões da reunião destas pessoas neste dia para expor ideias e como fazer as forças políticas mais conscientes destas necessidades.” O outro debate foi mais descontraído, sem apresentações mas sim troca construtiva de ideias e experiências, com nomes interessantes, desde Luís Lapão do Instituto de Higiene e Saúde Tropical, passando por Henrique Martins do ISCTE Health – Instituto Universitário de Lisboa e Alexandre Lourenço, da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares até Rui Nogueira, médico de medicina geral e familiar. Raúl Sousa partiu da situação pré-pandémica, em que disse registarem-se nos Censos de 2001, 636 mil deficientes em Portugal dos quais 166 mil sofriam de deficiência visual. “É uma realidade muito dura e o que mais impressiona é saber que são causas evitáveis.”O presidente da APLO sublinhou ainda que quanto aos dados já depois de instalada a pandemia, tem havido alguma opacidade, talvez porque ainda não foram implementados os


Adaptação de lentes de contacto em 2020 Como em cada ano desde 2007, Portugal participou também em 2020 no inquérito global de adaptação de lentes de contacto. Este projeto é coordenado pela Universidade de Manchester e tem na Universidade do Minho o seu ponto de ligação com o nosso país. Esta é uma excelente oportunidade para analisar a evolução na adaptação de lentes de contacto a nível global. Este artigo resume alguns dos principais resultados dos últimos 14 anos consecutivos (20072020) em 11 países (europeus e de outros continentes), permitindo fazer uma comparação e mostrar possíveis diferenças na prescrição de lentes de contacto para correção visual em diferentes países. À semelhança de anos anteriores, em 2020 também se confirmou que em Portugal a prescrição de lentes de contacto acompanha ou até excede aquilo que se faz de melhor a nível global no que diz respeito aos materiais (silicone hidrogel), geometrias das lentes (lentes multifocais e lentes tóricas) e regimes de substituição (crescente aposta nas lentes descartáveis diárias).

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Rute J. Macedo-de-Araújo1, Phil B. Morgan2, Eduardo Ínsua Pereira3, Isilda Sousa4, Liliana Ferreira5, Eliana Silva6, António C. Mateus7, Cláudia Viera8, Rui Couto8, Filipe A. Magalhães9, José M. González-Méijome1 1 Laboratório de Investigação em Optometria Clínica e Experimental (CEORLab) – Departamento de Centro de Física, Universidade do Minho, Braga 2 Eurolens Research, University of Manchester, Reino Unido; 3 Visionlab S.A., Porto; 4 Visionlab, Lisboa; 5 Grupótico, Maia; 6 Adão Oculista, Porto; 7 Nacional Optica, Odivelas; 8 Óptica Queirós, Póvoa de Lanhoso; 9 Jaime Oculista, Vila Nova de Famalicão; * Lista de colaboradores indica apenas aqueles que autorizaram a divulgação da respetiva informação

Foram publicados em janeiro de 2020 na revista Contact Lens Spectrum (1) os resultados do inquérito internacional de adaptação de lentes de contacto. Este inquérito é aplicado anualmente desde o ano 2000, e consiste em compilar as primeiras dez adaptações consecutivas que cada profissional autonomamente reporta e envia para uma base de dados centralizada pela Universidade de Manchester. Esta base de dados conta atualmente com mais de 414 000 adaptações em 71 países a nível global. Em 2020 foram incluídos resultados referentes a 24 países que reportaram dados de mais de 100 adaptações, incluindo Portugal. Apesar de todas as limitações impostas durante o ano de 2020 nos diferentes países, derivadas da doença conhecida como COVID-19, a indústria de lentes de contacto não foi tão afetada como seria de esperar. Mesmo com as várias restrições e encerramentos temporários de consultórios de optometria e oftalmologia a nível mundial, em 2020 foram reportados dados relativos a 13 311 adaptações de lentes de contacto (em 2019 foram reportadas 20 746 adaptações). Portugal participa neste inquérito desde 2007 (2-14), sendo a Universidade do Minho a parceira fundamental que obtém os dados regulares sobre o padrão de prescrição e uso de lentes de contacto desde 2006. (15) Como em anos anteriores, foi feita recentemente uma atualização

destes dados na 16ª Jornada Técnico-científica de Contactologia (CONTACTUM2021) promovida pela Universidade do Minho nos passados dias 27 e 28 de fevereiro. Excecionalmente e devido ao panorama internacional atual, neste ano de 2021 as Jornadas de Contactologia funcionaram em formato on-line através da plataforma Zoom e em live-streaming no Facebook, contando com a inscrição e presença de centenas de profissionais e estudantes. No relatório anual publicado na revista Contact Lens Spectrum são apresentados apenas os resultados dos países que tenham reportado pelo menos 100 adaptações, sendo que a análise detalhada às lentes rígidas permeáveis aos gases (RPG) requer que tenham sido reportadas pelo menos 35 adaptações por esse país. É por este motivo que Portugal, com apenas 119 adaptações reportadas, consegue ainda entrar na análise anual, no entanto o número de adaptações de lentes de contacto RPG é normalmente < 35 o que faz com que os nossos dados não entrem para a análise individualizada desta categoria de lentes. Deste modo, o presente relatório focar-se-á (à semelhança de anos anteriores) nos dados longitudinais da prescrição de lentes de contacto hidrófilas. Para os mais entusiastas das lentes RPG e adaptações especiais, a última parte deste relatório está destinada a uma pequena apreciação global da evolução da adaptação deste tipo de lentes. Países envolvidos no relatório (2007-2020) Embora anualmente sejam analisados mais de 20 países, neste relatório apresentamos os resultados de 11 países (incluindo Portugal). Na Figura 1 pode-se observar a distribuição geográfica dos países analisados neste artigo. A seleção destes países obedeceu a alguns critérios, entre eles o seguimento ao longo do tempo, em que seria requerido haver dados de seguimento do país num mínimo de dez anos consecutivos, e a sua distribuição geográfica que deveria ser o mais diversificada possível na Europa e no Mundo. O objetivo passa por entender as mudanças


no comportamento de prescrição de lentes de contacto a nível global e compará-lo com o que se passa no nosso país. Foram selecionados os seguintes países: Austrália (AUS); Bulgária (BG); Canadá (CA); Espanha (ES); Japão (JP); Holanda (NL); Noruega (NO); Portugal (PT); Taiwan (TW); Reino Unido (UK); Estados Unidos da América (USA).

Figura 1 – Para além de Portugal, foram selecionados mais dez países para comparar as tendências na adaptação de diferentes tipos de lentes de contacto. AUS: Austrália; BG: Bulgária; CA: Canadá; ES: Espanha; JP: Japão; NL: Holanda; NO: Noruega; PT: Portugal; TW: Taiwan; UK: Reino Unido; USA: Estados Unidos da América

Adaptação de lentes de contacto hidrófilas em 2020 Ao longo deste relatório são realizadas comparações entre países e entre tipos de lentes de contacto. Os mesmos são sempre apresentados em termos percentuais, não devendo extrapolar-se a partir daí conclusões sobre o grau de penetração desta modalidade de compensação visual em valores absolutos nos diferentes países. A Tabela 1 apresenta os resultados da prescrição de lentes de contacto hidrofílicas para os 11 países supracitados e a média dos 24 países incluídos no relatório de 2020.(1) No total dos 24 países analisados, foram reportadas 13 311 adaptações de lentes de contacto (incluindo lentes RPG), número bastante inferior ao reportado em anos anteriores, usualmente a rondar as 20 000 adaptações (em 2019 foram reportados dados de 20 746 adaptações e em 2018 de 24 131 adaptações). De um modo geral, a grande maioria das novas adaptações ou readaptações de lentes de contacto pertencem às lentes hidrófilas (percentagem superior a 85 por cento nos dois casos em 2020), com o número de novas adaptações ou readaptações de lentes RPG a rondar os 15 por cento nas duas situações.

DADOS 2020

AU

BG

CA

ES

JP

NL

NO

PT

TW

UK

US

Média

192

440

1938

510

3402

439

190

119

423

761

627

Total: 13 311

91%

83%

87%

79%

96%

64%

88%

92%

96%

98%

88%

87%

Readaptações de LCH

87%

88%

89%

66%

81%

55%

93%

91%

93%

96%

89%

86%

Baixo teor de água (<40%)

12%

0%

3%

2%

7%

4%

0%

0%

51%

4%

2%

5%

Médio teor de água (40-60%)

0%

11%

8%

5%

9%

8%

13%

2%

1%

4%

7%

6%

Alto teor de água (>60%)

2%

7%

11%

20%

29%

22%

15%

24%

27%

13%

7%

17%

Silicone hidrogel

86%

83%

78%

73%

55%

66%

72%

73%

21%

79%

84%

72%

Esférico

37%

63%

38%

48%

74%

30%

34%

28%

83%

34%

42%

51%

Tórico

37%

15%

32%

25%

17%

29%

43%

39%

16%

38%

33%

27%

Substituição

Desenho

Materiais

NÚMERO TOTAL DE ADAPTAÇÕES REPORTADAS Novas adaptações LCH

Tinte cosmético

0%

0%

1%

0%

2%

0%

0%

0%

1%

1%

2%

2%

Multifocal

16%

19%

23%

13%

5%

24%

19%

26%

0%

22%

16%

14%

Monovisão

5%

1%

5%

1%

1%

6%

4%

4%

0%

5%

6%

3%

Controlo miopia

5%

0%

1%

13%

0%

10%

1%

3%

0%

1%

1%

2%

Outros

0%

2%

0%

0%

0%

1%

1%

0%

0%

0%

1%

0%

Diária

67%

13%

54%

22%

58%

50%

59%

38%

64%

64%

38%

46%

1-2 semanas

12%

10%

6%

2%

40%

6%

7%

8%

3%

3%

16%

16%

Mensal

12%

73%

40%

66%

1%

42%

28%

53%

33%

33%

46%

35%

3-6 meses

1%

4%

0%

8%

0%

1%

2%

0%

0%

0%

0%

1%

Anual

7%

0%

0%

1%

0%

0%

4%

0%

0%

0%

0%

1%

Não programada

1%

0%

0%

0%

1%

0%

0%

0%

0%

0%

0%

0%

Uso prolongado (UP)

5%

9%

6%

2%

0%

5%

6%

0%

0%

2%

3%

5%

UP com silicone hidrogel

100%

81%

99%

92%

71%

99%

96%

100%

-

100%

51%

93%

92%

97%

80%

95%

82%

88%

85%

97%

99%

96%

90%

88%

Soluções multipropósito Presbíopes: multifocal / monovisão

49%/13% 65%/2% 54%/12% 58%/4%

28%/2% 58%/14% 49%/14% 70%/17%

6%/0%

56%/10% 52%/17% 52%/10%

Optometria | 35 |

Tabela 1 – Distribuição da adaptação de lentes de contacto hidrofílicas em 11 países e média global dos 24 países analisados no relatório do ano 2020.


Têm ocorrido algumas mudanças nos hábitos de prescrição de lentes de contacto ao longo dos anos e 2020 veio consolidar mais as tendências dos últimos cinco/dez anos. Analisando os materiais de lentes hidrófilas, pode-se observar na Tabela 1 e Figura 2 que o silicone hidrogel continua a sua tendência ascendente a nível global, com propensão para a estabilização entre os 60 e 90 por cento do total de lentes hidrófilas adaptadas. Entre os países com maior percentagem de adaptações de lentes de silicone hidrogel em 2020 pode-se destacar a Austrália (86 por cento), a Bulgária (83 por cento), e os Estados Unidos (84 por cento). Portugal ficou-se pelos 73 por cento, valor acima da média a nível global em 2020 (72 por cento, percentagem igual a 2019). Globalmente, tem-se assistido a um aumento significativo de adaptações deste material de lentes de contacto especialmente nos últimos quatro anos, resultado da adoção de países que ainda representavam uma quota de adaptação baixa em anos anteriores.

este decréscimo, o regime de substituição predominante em Portugal continua a ser o regime de substituição mensal (53 por cento), mas com um valor bastante inferior a 2019 (66 por cento). Não descurar que embora Portugal esteja abaixo da média global de adaptação de lentes descartáveis diárias e acima da média global no que diz respeito às lentes descartáveis mensais, o nosso país apresenta as mesmas tendências de aumento e decréscimo, respetivamente, que os restantes países a nível europeu e mundial. Na Figura 4 torna-se visível o decréscimo da popularidade das lentes descartáveis mensais que lentamente tem vindo progressivamente a perder terreno para as lentes de substrução diária nos últimos anos. Esta inversão é resultado da ampla gama de parâmetros de adaptação, diversidade de materiais e de desenhos óticos das lentes descartáveis diárias.

Optometria | 36 |

Figura 3 – Percentagem de lentes de contacto hidrofílicas descartáveis diárias adaptadas em Portugal e em outros dez países entre 2007 e 2020. A linha tracejada vermelha representa a média global dos mais de 20 países considerados em cada ano. A linha reta verde representa a tendência de regressão linear para Portugal entre 2007 e 2020.

Figura 2 – Percentagem de lentes de contacto de silicone hidrogel adaptadas em Portugal e em outros dez países entre 2007 e 2020. A linha tracejada vermelha representa a média global dos mais de 20 países considerados em cada ano. A linha reta verde representa a tendência de regressão linear para Portugal entre 2007 e 2020.

As lentes descartáveis diárias (Figura 3) seguem uma tendência similar. Em 2020, a percentagem média a nível global de adaptação de lentes descartáveis diárias foi de 46 por cento. Portugal, embora com uma tendência claramente ascendente, teve uma percentagem de 38 por cento. Os países com maior número de adaptações de lentes descartáveis diárias em 2020 foram a Austrália (67 por cento), Canadá (54 por cento), Japão (58 por cento), Noruega (59 por cento), Taiwan (62 por cento) e Reino Unido (64 por cento), todos eles com uma tendência ascendente ao longo dos últimos anos. Este aumento nos últimos anos tem sido naturalmente acompanhado de uma diminuição progressiva e generalizada da adaptação de lentes de contacto descartáveis mensais (média global de 35 por cento em 2020). Mesmo considerando

Figura 4 – Percentagem de lentes de contacto hidrofílicas de substituição mensal adaptadas em Portugal e em outros dez países entre 2007 e 2020. A linha tracejada vermelha representa a média global dos mais de 20 países considerados em cada ano. A linha reta verde representa a tendência de regressão linear para Portugal entre 2007 e 2020.

Outro aspeto a destacar, tal como em anos anteriores, é a adaptação de lentes de contacto hidrofílicas tóricas (Figura 5). Os colegas mais atentos e entusiastas da área já estarão ao corrente da percentagem elevada e honrosa de adaptação de lentes tóricas em Portugal (39 por cento) face a outros países a nível Europeu e Mundial (média global em 2020 de 27 por cento). Esta posição de destaque e referência a nível internacional consolida Portugal entre os países que proporcionalmente mais adaptam lentes tóricas. A percentagem média de adaptação de lentes tóricas em Portugal continua em consonância com o que seria


expectável. Isto é, considerando que numa população de usuários de lentes de contacto se espera que cerca de 40% dos usuários apresente um astigmatismo igual ou superior a 0,75 D, em Portugal podemos considerar que a grande maioria dos usuários de lentes de contacto que apresentam astigmatismo igual ou superior a 0.75D estão com o seu erro refrativo totalmente compensado por este método de correção.

da Tabela 1 que quase a totalidade dos pacientes presbitas adaptados (casos reportados com 45 anos ou mais) têm a sua visão compensada através de lentes de contacto multifocais ou bifocais (70%) e ainda monovisão numa percentagem baixa (17%), significando que apenas 13% dos pacientes com idade superior a 45 anos foram adaptados com lentes monofocais. Estes valores são francamente positivos considerando a média global dos mais de 20 países analisados, onde 52% dos sujeitos com idade igual ou superior a 45 anos foram adaptados com lentes multifocais ou bifocais e 10% com sistemas de monovisão, o que significa que quase 40% dos sujeitos desta faixa etária foram adaptados com lentes monofocais.

Figura 7 – Idade média dos usuários de lentes de contacto em Portugal e em outros dez países entre 2007 e 2020. A linha tracejada representa a média global dos mais de 20 países considerados em cada ano. A linha reta verde representa a tendência de regressão linear para Portugal entre 2007 e 2020.

Figura 6 – Percentagem de lentes de contacto hidrofílicas utilizadas para a compensação da presbiopia adaptadas em Portugal e em outros dez países entre 2007 e 2020. A linha tracejada representa a média global dos mais de 20 países considerados em cada ano. A linha reta verde representa a tendência de regressão linear para Portugal entre 2007 e 2020.

O segmento das lentes de contacto multifocais é um outro que tem tido uma evolução muito positiva nos últimos anos a nível global. Portugal não foge à regra, tendo-se consolidado como o país com maior número de adaptações deste tipo de lentes em 2019 (29 por cento) e 2020 (26 por cento) considerando os 11 países em análise neste relatório. Como se pode analisar na Figura 6, Portugal tem vindo a aumentar significativamente a percentagem de adaptações de lentes de contacto multifocais. Até 2010, Portugal acompanhava os valores médios a nível global (linha tracejada vermelha), tendo a partir desse ano consolidado o seu destaque a nível internacional, com uma percentagem de adaptações muito superior à media global em 2020 (14 por cento). Para além desta tendência de destaque francamente encorajadora, também se pode observar pela última linha

Relativamente à idade média dos usuários adaptados com lentes de contacto (Figura 7), tem-se observado um ligeiro incremento ao longo dos últimos anos, sendo que Portugal tem acompanhado a média global. Em 2020, a idade média foi de 31.3 anos em Portugal e 32.4 a nível global. O aumento poderá estar certamente relacionado com o aumento do uso de lentes de contacto na população presbita (tipicamente 40-45 anos). Um aumento de adaptações em usuários mais jovens, nomeadamente considerando um incremento de adaptações de lentes de contacto com o propósito de controlar a progressão da miopia em crianças e adolescentes, estará a fazer com que esta tendência de aumento da idade médida não seja ainda maior. Este parâmetro também é importante porque um aumento da idade média dos usuários poderá significar que os níveis de abandono sejam menores, à medida que aqueles que iniciam o uso numa idade mais jovem, continuam a usar as suas lentes ao longo dos anos.

Optometria | 37 |

Figura 5 – Percentagem de lentes de contacto hidrofílicas tóricas adaptadas em Portugal e em outros dez países entre 2007 e 2020. A linha tracejada vermelha representa a média global dos mais de 20 países considerados em cada ano. A linha reta verde representa a tendência de regressão linear para Portugal entre 2007 e 2020.


Optometria | 38 |

Adaptação de lentes de contacto RPG e em casos especiais Embora tipicamente Portugal não entre na descrição de resultados referente a lentes de contacto rígidas permeáveis aos gases (por não enviar anualmente as 35 adaptações de lentes RPG necessárias para análise), torna-se importante perceber a dinâmica deste tipo específico de lentes de contacto. Em 2010, Nathan Efron previu que estávamos a chegar perto do final da era das lentes RPG. A verdade é que esa previsão nunca se confirmou, e até se observam dinâmicas muitos interessantes em sentido contrário neste segmento específico. A nível global, não se tem apreciado grandes oscilações no que corresponde à percentagem de adaptação de lentes de contacto rígidas permeáveis aos gases, tendo variado entre 7 por cento e 12 por cento, consolidando-se ao redor dos 10 por cento em 2020. Destes 10 por cento de adaptação de lentes RPG em 2020, 49 por cento foram de materiais com alta permeabilidade ao oxigénio e 23 por cento foram adaptações de lentes esclerais. Esta categoria específica das lentes esclerais sofreu um aumento muito expressivo nos últimos 3 anos: em 2018, apenas 1.4 por cento das lentes RPG adaptadas foram lentes esclerais, tendo este valor aumentado para 14 por cento em 2019, estando agora nos 23 por cento. Estas lentes têm suscitado especial interesse em países como Espanha (30 por cento), Canada (25 por cento), Holanda (34 por cento) e, especialmente, nos Estados Unidos, onde 50 por cento das lentes RPG adaptadas em 2020 foram lentes esclerais. A ortoqueratologia para fins de correção refrativa também tem ganho cada vez mais adeptos a nível internacional. Enquanto em 2007 apenas 7 por cento das adaptações de lentes RPG tinham essa finalidade, em 2020 vemos essa percentagem aumentar para 22 por cento. Esta modalidade de correção tem suscitado especial interesse em países como Espanha (46 por cento) e Canadá (31 por cento). Também se tem observado um crescente interesse na prescrição de ortoqueratologia com o propósito específico de controlo da progressão da miopia, embora a percentagem a nível global se tenha consolidado, para já, entre os 5 e 6 por cento desde 2015. Em 2020, os países com maior percentagem deste tipo de adaptações foram Canada (29 por cento), Reino Unido (13%) e Austrália (11 por cento). Ainda no campo do controlo da progressão da miopia, desta feita com lentes hidrófilas de desenho especial, observou-se que 2 por cento do total de lentes hidrófilas adaptadas em 2020 foram adaptadas com este propósito – re-

presentando um aumento de 1 por cento relativamente a anos anteriores. Neste campo, os países com maior percentagem de adaptações foram Austrália (5 por cento), Espanha (13 por cento) e Holanda (10 por cento), sendo que Portugal também se encontra acima da média (3 por cento). Considerações finais É com grande satisfação que apresentamos este relatório da adaptação de lentes de contacto em 2020, especialmente por este ter sido um ano amplamente abalado por uma pandemia global. Não há dúvidas que os dados reportados anualmente neste relatório são de grande importância para perceber as oscilações e tendências das diferentes regiões a nível global e perceber como nós, Portugal, nos enquadramos face aos outros países. No entanto, é importante entender também que este tipo de estudos tem limitações importantes no seu desenho, uma vez que existem assimetrias no que diz respeito ao número de adaptações reportadas por cada país – alguns países enviaram em 2020 nada mais que 3 402 adaptações (Japão) enquanto outros países, incluindo Portugal, ficam-se por pouco mais de 100 adaptações reportadas. Ou seja, estes números reduzidos podem não ser considerados representativos daquilo que de melhor se faz em cada país. No entanto, uma vez que esta metodologia é replicada anualmente sempre de igual modo, a série de dados obtidos ao longo do tempo (14 anos consecutivos no caso de Portugal), permite observar as tendências cronológicas e delas tirar as observações e conclusões aqui apresentadas. Contudo, Portugal tem vindo a reduzir o número de adaptações reportadas ao longo dos últimos anos (passamos de cerca de 500 adaptações reportadas em 2010 para pouco mais de 100 desde 2017). Deste modo, apela-se a todos os profissionais de saúde ocular a participar neste tão importante projeto. Para isso, basta que submetam as suas próximas dez adaptações consecutivas de lentes de contacto – podem descarregar o formulário através da página web http:// ceorlab.wixsite.com/ceorlab/services (17) ou preencher diretamente através do formulário online disponível em http:// pt.contactlensprescribing.com/. Apenas com a ajuda de todos se conseguirá aumentar a expressividade dos dados recolhidos em Portugal e que estes representem mais fielmente a realidade clínica da prescrição de lentes de contacto no nosso país. Contamos com a participação de todos colegas neste projeto!

Referências: (1) Morgan P, Woods CA, Tranoudis I, et al. International contact lens prescribing in 2020. Contact Lens Spectrum 2021. January 32-38 (2) Morgan P, Woods CA, Jones L, et al. International contact lens prescribing in 2007. Contact Lens Spectrum. 2008; January: 36-41. (3) Morgan P, Woods CA, Jones D, et al. International contact lens prescribing in 2008. Contact Lens Spectrum. 2009; February: 28-32. (4) Morgan P, Woods CA, Tranoudis I, et al. International contact lens prescribing in 2009. Contact Lens Spectrum. 2010; February: 30-36 (5) Morgan P, Woods CA, Tranoudis I, et al. International contact lens prescribing in 2010. Contact Lens Spectrum. 2011; January: 30-35. (6) Morgan P, Woods CA, Tranoudis I, et al. International contact lens prescribing in 2011. Contact Lens Spectrum. 2012; January: 26-31. (7) Morgan P, Woods CA, Tranoudis I, et al. International contact lens prescribing in 2012. Contact Lens Spectrum. 2013; January: 26-31. (8) Morgan P, Woods CA, Tranoudis I, et al. International contact lens prescribing in 2013. Contact Lens Spectrum. 2014; January: 30-35. (9) Morgan P, Woods CA, Tranoudis I, et al. International contact lens prescribing in 2014. Contact Lens Spectrum. 2015; January: 30-35. (10) Morgan P, Woods CA, Tranoudis I, et al. International contact lens prescribing in 2015. Contact Lens Spectrum. 2016; January: 28-33. (11) Morgan P, Woods CA, Tranoudis I, et al. International contact lens prescribing in 2016. Contact Lens Spectrum. 2017; January: 28-32. (12) Morgan P, Woods CA, Tranoudis I, et al. International contact lens prescribing in 2017. Contact Lens Spectrum. 2018; January: 28-32. (13) Morgan P, Woods CA, Tranoudis I, et al. International contact lens prescribing in 2018. Contact Lens Spectrum. 2019; January: 27-31. (14) Morgan P, Woods CA, Tranoudis I, et al. International contact lens prescribing in 2019. Contact Lens Spectrum. 2020; January: 26-31. (15) González-Méijome JM, Jorge J, Almeida JB, Parafita MA. Contact lens fitting profile in Portugal 2005: strategies for first fits and refits. Eye & Contact Lens Science & Clinical Practice. 2007;33:81-88. (16) 15ª Jornada Científico-técnica de Contactologia CONTACTUM2021 – Sessões Online. Universidade do Minho. Disponível em: http://ceorlab.wixsite.com/ ceorlab/formulrio Acesso em 18 de março 2021. (17) Inquérito à prescrição de lentes de contacto. Disponível em: http://ceorlab.wixsite.com/ceorlab/services Acesso em 18 de março de 2021.

Pode descarregar a versão Word ou PDF bem como os relatórios de anos anteriores em: http://ceorlab.wixsite.com/ceorlab/ services:


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