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Millioneyes 98

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Distribuição exclusiva a profissionais • Preço de Capa: €7,50

PORTUGAL • Nº 98 • MARÇO 2021

QUAL É O VALOR DA OPTOMETRIA? CONTACTUM 2021

Contactologia sofre com pandemia

MARCO BARP

Tree Spectacles: um sonho em forma de óculos


Distribuição exclusiva a profissionais • Preço de Capa: €7,50

PORTUGAL • Nº 98 • MARÇO 2021

QUAL É O VALOR DA OPTOMETRIA? CONTACTUM 2021

Contactologia sofre com pandemia

MARCO BARP

Tree Spectacles: um sonho em forma de óculos

A construir o futuro

Vector: by macrovector - www.freepik.com

Editorial | 4 |

Passou um ano sobre a declaração da pandemia por covid-19 e, de uma forma ou de outra, já nos habituámos a lidar com uma realidade que veio para ficar. Mas não nos acomodámos! Temos a prova disso nas próximas páginas. As figuras fortes da optometria portuguesa estão a levar em frente a edificação e valorização da atividade ligada aos cuidados primários de saúde visual. Henrique Nascimento, presidente da União de Profissionais de Óptica e Optometria (UPOOP) encetou uma cruzada contra a publicidade de consultas gratuitas e nós demos-lhe espaço para auscultar os optometristas portugueses. São um grupo lutador que tem conquistado “sangue novo” com vontade de um dia ver escrita a história sobre os seus tempos de exercício da atividade em que ressaltam valores inabaláveis e as melhores práticas. Entre todos os que ouvimos e entrevistámos há consenso nesta ideia de que publicitar um serviço qualificado como gratuito não é positivo. Deixamos nesta edição o registo essencial do que dizem os profissionais do terreno. E de facto, a optometria está em destaque na revista 98. A Jornada Científico-Técnica de Contactologia – CONTACTUM, organizada pelos investigadores e docentes ligados ao curso de optometria da Universidade do Minho, trouxeram a atualidade em adaptações de lentes de contacto e em materiais. É um guia essencial para “escrever” o futuro deste segmento importante da ótica. Também em março ouvimos com muito orgulho o primeiro grande evento digital dedicado à ótica: CECOP Global Community Summit 2021. Fomos, aliás, parceiros oficiais na comunicação deste acontecimento em Portugal. Absorvemos cada minuto com muito interesse e sem dúvida que foi uma enorme mais valia em tempos de mudança. Estamos a preparar um artigo aprofundado sobre a conferência, mas deixamos já aqui um resumo sobre dois dias de partilhas nacionais e globais. Para trazer beleza e ideias além fronteiras, convidámos para a nossa rubrica mais artística o designer italiano Marco Barp. Fundador da marca Tree Spectacles, este sonhador mostrou-nos como transformar uma paixão em sucesso internacional. Venha também confirmar todo o dinamismo da ótica, aqui, na sua Millioneyes.

Estatuto Editorial / Sinopse A Millioneyes é uma revista profissional dedicada ao setor da ótica, contando com presença integral online através da plataforma isuu.com. A Millioneyes tem o objetivo de cobrir os acontecimentos específicos do seu setor e retratar a informação de forma rigorosa, com toda a dedicação e competência. A Millioneyes traz uma abordagem íntima, atualizada e assertiva sobre o setor da ótica em Portugal, esmiuça perspetivas de outros países sobre a situação do mercado, retrata tendências em óculos, expõe dados científicos essenciais aos técnicos da área com o apoio dos oftalmologistas e optometristas e aborda de forma inédita os empresários que gerem os estabelecimentos nacionais. A Millioneyes compromete-se a respeitar os princípios deontológicos e a ética profissional aplicada à atividade profissional dos jornalistas, assim como a boa fé dos leitores, através do trabalho dos seus colaboradores e diretor. A Millioneyes é independente do poder político e de grupos económicos, sociais e religiosos.


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CCVO

Roy Robson e a qualidade germânica

QUAL É O VALOR DA OPTOMETRIA?

CECOP

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CONTACTUM 2021

ESSILOR

BREVES

CAPA

OPTOMETRIA Contactologia sofre com pandemia

OLHAR EM PORTUGUÊS Dinamismo e experiências marcam o 1º Eye Connection

OUTROS OLHARES Consumidores elegem AVA como Produto do Ano 2021

Diretora: Editora: Redação: Design e Paginação: Fotografia: Fotografia de capa: E-mail: Tel: Periodicidade: Tiragem: Impressão: Preço de capa em Portugal: A MillioneyesTM é propriedade da Parábolas e Estrelas – Edições Lda. com sede na Rua Manuel Faro Sarmento, 177, 4º esquerdo, 4470-464 Maia, Portugal NIF: 510195865 Gerente/Diretor - Cristóvão Jesus Detentor de 100 por cento do capital social Sede de Redação Rua Elísio de Melo, 28, S 38 4000-196 Porto Qualquer crítica ou sugestão deve remeter-se para: millioneyes@outlook.pt

Patrícia Vieites Carla Mendes Carla Mendes, Mariana Teixeira Santos Paula Craft Paula Bollinger, Miguel Silva, Hugo Macedo Pavel Danilyuk from Pexels millioneyes@outlook.pt 96 232 78 90 Mensal 2000 exemplares Uniarte Gráfica, S.A 7,50 euros Depósito Legal n.º 419707/16 Interdita a reprodução, mesmo que parcial, de textos, fotografias ou ilustrações sob quaisquer meios e para quaisquer fins, inclusive comerciais. Os artigos de opinião e os seus conteúdos são da total responsabilidade dos seus autores. Registo na ERC n.º 126933

Foto: Ksenia Chernaya from Pexels

Índice | 6 |

Tema de Capa: Os optometristas querem acelerar a valorização da sua atividade através da propagação de uma imagem profissional e exímia. Nesse sentido, a UPOOP decidiu avançar com uma campanha contra a publicidade de consultas gratuitas que, segundo os profissionais, fragiliza a optometria portuguesa.


À descoberta de novas perspetivas A marca independente de óculos lança uma nova campanha para 2021 sob o título Rediscover, debruçando-se sobre os desafios impostos à humanidade nos últimos meses e a forma como se adquiriu um novo olhar sobre o mundo. É também a celebração do 15º aniversário da Andy Wolf com uma imagem de esperança, inovação e compromisso. Como disse o diretor criativo da campanha, o consultor e estilista suíço, Tim Tobias Zimmermann, “em tempos de incerteza, precisamos de descobrir o poder das nossas fundações. É tempo de refletir sobre os valores que nos ajudaram a singrar.” No centro das imagens estão Femi, uma bailarina de teatro que redescobriu a arte de atuar quando tudo parou, a nova-iorquina Lili que encontrou uma nova maneira de se expressar através de uma inesperada autoestima e a dupla Vanessa e Ari que conquistaram a própria marca de cerâmica neste período.

KYME

Quer crescer para Portugal A italiana Kyme nasceu da obsessão pelo design e pela beleza das formas. Com coração e qualidade transalpinos, a Kyme conquista o mundo desde 2013 e agora quer partilhar o seu sentido apaixonado pelos óculos com o mercado português e está à procura de agentes lusos. A marca tem potencial na originalidade, no atrevimento dos desenhos e na qualidade irrepreensível.

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ANDY WOLF


Somos os distribuidores exclusivos a nível mundial da

Em tempos difíceis chega o momento de reinventar-se, de procurar apoio, de estarmos juntos. A Opticalia ajuda-o com publicidade, com as suas marcas exclusivas, com financiamento, com formação, com assessoria e com todas as novidades que o mundo digital oferece. 2021 VAI SER O ANO PARA ESTARMOS JUNTOS CONTAMOS CONSIGO?

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CCVO

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Roy Robson e a qualidade germânica A empresa parceira das óticas alargou o seu portefólio de marcas exclusivas com a aquisição da Roy Robson. Esta marca fabricada na Alemanha tem o core no público masculino, numa linha intemporal, moldada no acetato, no aço inox e no titânio. A Roy Robson faz-se ainda valer do seu ADN de tailoring já com quase um século de experiência, para dar luz a extras de luxo, como clips magnéticos e detalhes de design subtis e originais.

GIMM EYEWEAR

HOET

Alta tecnologia que se usa A marca belga atreve-se a usar a tecnologia de impressão a 3D com audácia, aplicando desenhos irregulares e padrões que se sentem na ponta dos dedos. Com o titânio como base, a Hoet consegue moldar as linhas à medida de um design artístico que apela aos amantes da perfeição e da originalidade. Adicionalmente, este produto fabricado na Bélgica é ambientalmente responsável, pois durante o fabrico não há desperdício de matérias e não se acumulam stocks do produto.

Óculos individuais Esta surpreendente marca tailandesa nasceu do inquieto designer Chaiwat Wattananukit. Com formação base em arquitetura, deixou-se encantar pelo design e produção de joias, seguindo a formação no Instituto de Artes e Design de Birmingham, no Reino Unido. Montou o seu estúdio no país natal, na cidade de Banguecoque, e foi também aqui que se desviou para os óculos, uma paixão que sempre o acompanhou. Quando atingiu a perfeição fez nascer a Gimm Eyewear. Quem entra no seu estúdio pode escolher um desenho que é depois adaptado ao milímetro às caraterísticas físicas individuais de cada cliente... e até espirituais! São precisos 30 a 45 dias para fazer nascer uma armação única, com a identidade do portador, sem maquinaria massiva e com o melhor acetato.


#1

MARCA DE LENTES PROGRESSIVAS NO MUNDO*


VAVA

Um futuro que se desenha em português A marca do designer luso Pedro Silva prepara os dias quentes com uma coleção para prescrição que reinventa, por um lado, e acentua, por outro, a sua personalidade futurista e conceptual. Geometrias surpreendentes e os detalhes que denunciam a assinatura desta casa de coração português, traçam novos modelos incontornáveis.

COVRT PROJECT Breves | 12 |

Reflexos de atitude A casa transalpina concede ao mercado todo o seu potencial em design e criatividade agora em modelos de prescrição. Numa campanha fotográfica primorosa de nome Reflect your Attitude realçam-se “as construções em camadas intensas, com as mesmas micro-inovações e detalhes técnicos dos óculos de sol Mission One, verdadeiros ao estilo street fashion e ao made in Italy”, especifica Marcello Martino, diretor criativo da marca.

PROOPTICA

Amália Eyewear renova-se ao ritmo do fado A marca inspirada na famosa artista portuguesa ganha novo fôlego com propostas criativas que buscam na música a sua essência. Sempre de linhas amplas, exatamente como Amália gostava, os óculos apresentam novas cores, a interseção de matérias e os detalhes românticos que destacam a insígnia inspirada no fado.


Só na CECOP é possível receber um cash back dos seus consumos. Quer saber quanto poderá ganhar ganhar no final do ano? Faça uma simulação no nosso site. Ligue a câmera do seu telemóvel e posicione em cima deste Qr Code.

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Breves | 14 |

NIRVAN JAVAN

Liberdade de expressão! A Nirvan Javan alarga a sua manifestação livre da sociedade moderna com a expansão da coleção London . A versatilidade cosmopolita da cidade inglesa está em cada detalhe e em cada linha intensa. Aos cinco modelos anteriores desta linha, Nirvan Javan acresce mais quatro de prescrição, para homens e mulheres, sob a premissa de acetato da mais alta qualidade manufaturado no Japão e com ênfase na assinatura purista e distintiva do designer.

FERNANDO OCULISTA

Fusão entre saúde e boas causas Jantar com Arte by Márcia Dias foi a iniciativa que demarcou os 20 anos de carreira da artista e à qual o Fernando Oculista se associou, como parceiro institucional. A artista plástica angolana expôs as suas obras durante o evento, que decorreu no Casino do Estoril em setembro o ano passado, nomeadamente a tela premiada com medalha de ouro numa exposição internacional no Dubai.

VISIONPLUS EXPO 2021

Próximo destino: Dubai! Está a desenhar-se com ambição a primeira edição da feira internacional de ótica, VisionPlus Expo 2021, que acontece de 26 a 28 de outubro, no Dubai. Jasbin Bolar, diretor de marketing da FourPlus Media e Zahra Amir, diretora do certame, declararam em comunicado que a resposta da comunidade global à feira tem sido muito positivo. “Tradicionalmente, estes eventos são criados para mercados locais, atraindo a participação dos expositores e visitantes da região. E enquanto uns crescem e conseguem uma base de dados mais ampla, as empresas presentes são sempre primordialmente locais. A VisionPlus EXPO, por sua vez, é uma plataforma internacional por excelência, desde a primeira edição. O nosso primeiro objetivo passa pela participação internacional, trazendo marcas desde a Europa até à América, passando pelo Japão, China e Índia, em uníssono com as empresas locais, claro. Queremos abranger um mercado de mais de 50 países, fazendo do Dubai um hub de compras genuíno, para a indústria do eyewear”, explicou Jasbir Bolar. “O glamour do Dubai não tem precedentes. Quase 90 por cento da população é de fora do país e o Dubai representa um destino chave de compras para o Médio Oriente, África e o Sul da Ásia. Os turistas da Europa também parecem preferir comprar moda eyewear no Dubai que nos seus países de origem”, acrescentou a diretora da nova feira.


Milano Eyewear Show

JUNHO 5-6-7 2021


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CUTLER AND GROSS

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Celebrações de primavera A agitação natural dos primeiros dias mais amenos da temporada inspirou a marca britânica a celebrar a arte, a natureza e o design com criações intrincadas. Os novos óculos de prescrição e de sol da coleção primavera/verão 2021 desenham-se ao ritmo do movimento pós-modernista e ganham dinâmica na mestria dos detalhes e do fabrico manual.

MOVITRA MILANO

KOMONO

Amor pela vida e pela beleza A casa belga assume a responsabilidade de proporcionar produtos sustentáveis e amigos do ambiente com as novas propostas em acetato ecológico e acetato reciclado. Desta forma e em prol do futuro, duas linhas de design distintas demarcam as novas matérias: minimalista e terreno, por um lado, e intenso e sedutora, por outro.

Óculos em movimento De Milão para o mundo, a Movitra impõe-se entre os amantes de óculos com novidades dinâmicas e avançadas. São oito propostas, entre as quais as primeiras armações de prescrição de sempre da marca. Como porta-estandarte da nova coleção destaca-se a construção minimalista, geométrica e tecnológica, graças à integração do sistema inovador de rotação das hastes, que facilita o acondicionamento dos modelos.


GÖTTI

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A fuga perfeita Milla e Molin são o escape ideal dos dias cinzentos de inverno, com os seus formatos sedutores e transparências suaves. As novidades assinadas pela suíça Götti possuem um estilo muito feminino, com o toque de ouro dos anos ‘50, que transforma o seu minimalismo numa afirmação de extravagância. A conjugação perfeita entre o acetato cristalino e as hastes em metal acentua o conceito de leveza destas criações eyewear.

WAYLIFE

A leveza em forma de aviador A marca portuguesa liderada por Hugo Oliveira continua a alargar a sua gama de armações e, desta vez, desenhou-se ao compasso de um modelo aviador unissexo. O betatitânio foi o material escolhido para dar vida à peça, pelo seu brilho, resistência e, acima de tudo, leveza.

PEOPLE FROM BARBADOS

Espírito livre O mítico desenho cat eye está destinado a conquistar corações desde sempre. Por isso mesmo, a People from Barbados recupera este amor platónico e intemporal no modelo Bajan Girl PFB-08, trabalhado e esculpido com maravilhosas camadas de acetato e destacado nos acabamentos manuais. A novidade da marca caribenha inspira-se nas amigas mais próximas da fundadora Alicia Hartman, na sua comunidade dos Barbados, como complemento do espírito relaxado e colorido que cultivam.


QUAL É O VALOR DA OPTOMETRIA?

Foto: Ksenia Chernaya from Pexels

Tema Capa | 20 |

Não à Publicidade de Consultas Grátis de Optometria é a campanha lançada recentemente pela União Profissional dos Ópticos e Optometristas Portugueses e que levanta a premissa do valor desta atividade. A optometria favorece a qualidade de vida das pessoas que a ela recorrem? Claro! Tem ligação íntima à saúde? Sim e é, por vezes, o primeiro passo para identificar patologias. É importante para a sociedade? Sem dúvida, e isso está comprovado no facto de milhões de portugueses acederem a estes cuidados primários e aliviarem as longas listas de espera na especialidade de oftalmologia do Serviço Nacional de Saúde. Os optometristas são profissionais qualificados? Sim, e embora haja uma divisão entre quem fez a formação superior e quem não a fez, há cada vez mais a consciência de que é necessário haver preparação sempre mais especializada. A prova disso está no crescimento exponencial da investigação na área da optometria, exigindo mais a quem se “aventura” no terreno em termos de conhecimentos e atualizações. Ou seja, posto tudo isto, quanto vale a optometria?


têm feito um percurso incrível para fazerem crescer a optometria em Portugal. Se há pouco tempo ainda não se distinguia a função do profissional que nos via os olhos num gabinete da ótica, hoje esse gabinete “cresceu” e, em tantos casos, toma a dianteira do sucesso das empresas de retalho. A optometria vai impor-se naturalmente, numa sociedade sempre mais dependente da visão, mais informada e atenta à saúde. É preciso dar-lhe voz! A luta pela mudança em tempos de mudança Henrique Nascimento é o nome por trás da campanha contra a publicidade de consultas de optometria gratuitas. Este nome, aliás, vem sendo associado a frontalidade e inquietude na optometria portuguesa. É o atual presidente da União Profissional dos Ópticos e Optometristas Portugueses (UPOOP), leciona no ISEC – Lisboa, assume a direção da Clínica Universitária de Optometria Essilor – UPOOP e é optometrista, claro! Viveu na

primeira pessoa grandes momentos do crescimento da sua atividade em Portugal e espera, mais uma vez, dar um passo para a valorizar. Elevou a questão da gratuitidade dos serviços de optometria à opinião pública e fez levantar as vozes que concordam com ele...as que discordam manifestaram-se discretamente ou remeteram-se ao silêncio, nomeadamente “os gestores, que manifestam pouco interesse na atividade profissional e que usam a optometria para alavancar as suas vendas” como delineou Vladimiro Hipólito da Pax Óptica, de Torres Vedras, acrescentando porém que esta devia ser uma discussão levada a cabo entre profissionais e não comunicada para o público. “Os consumidores não querem (nem têm) de saber dos constrangimentos profissionais, devem apenas ser informados de que as consultas são realizadas por profissionais competentes e críticos que irão promover a sua saúde visual. Por outro lado, reconheço que esta divulgação é premente e deve estar na ordem do dia da classe profissional.”

Tema Capa | 21 |

Expusemos a nossa curiosidade aos profissionais no terreno e associações. Pesquisámos nas redes sociais as opiniões de quem tem interesse nesta questão tão importante e atual. E apesar de haver ainda muitos anúncios de consultas gratuitas no nosso mercado, todas as respostas são unânimes. A optometria tem o valor da competência dos seus profissionais, da sua história de luta e conquistas, da melhor visão que proporciona à população e da prevenção de doenças oculares graves. Todas as respostas vão neste sentido: valorizar a optometria. E como nos alertou, e bem, Eduardo Teixeira, optometrista, investigador, docente e anterior líder da Associação de Profissionais Licenciados de Optometria e da Academia Europeia de Optometria e Ótica, a questão dos serviços gratuitos “é transversal a áreas como a farmácia, os dentistas, odontologistas, nutricionistas, a própria medicina, entre tantos outros, que também têm a venda de produtos cruzados.” Deixamos aqui o registo e a voz de profissionais e dirigentes associativos que


Foto: Karolina Grabowska from Pexels

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Foto: Karolina Grabowska from Pexels

Quisemos perceber que regras existem em torno desta ação. “Faz parte dos regulamentos internos da UPOOP, aprovado em assembleia geral em 1982, que os optometristas têm a obrigação de cobrar pelas consultas de optometria e, desde então, temos tentado implementar de diversas formas essa diretriz. Neste momento, entendemos que seria uma boa altura para lançarmos esta campanha que tem por objetivo principal a não publicidade de consultas gratuitas e, simultaneamente, quer fomentar a realização de uma reflexão sobre se os benefícios económicos são suficientemente importantes para se continuar a descredibilizar uma ciência, a optometria, uma profissão e os seus profissionais, os optometristas”, explicou Henrique Nascimento. Neste sentido, Eduardo Teixeira aprofunda mais a legislação que existe sobre a publicidade e a saúde: “desde 2015 existe

uma legislação que enquadra esta situação e que ela advém de um regulamento da Entidade Reguladora da Saúde (ERS), na altura lembro-me de ter participado dessa regulamentação enquanto membro do Conselho Consultivo da Entidade. Basicamente proíbe qualquer confusão entre saúde e venda de bens cruzados, que é o que se passa no nosso setor (...) A publicidade de consultas grátis em saúde é proibida por lei e está regulada e é claro que, o importante seria a ERS, que tem competências para a regulação, fazer o seu trabalho de vigiar.” O primeiro passo da campanha da UPOOP é o cartaz que já dá cor a várias montras dos associados e também a discussão inerente. “Depois de estar enraizada, partir para outras que deem a conhecer o trabalho importantíssimo que o optometrista desempenha no nosso país. Em relação ao movimento, devo dizer que ele está a aumentar de dia para dia, atendendo a que é algo que se vai estender durante alguns meses, esperamos alcançar uns largos milhares de pessoas De facto, nos primeiros três dias depois do lançamento do primeiro cartaz alcançámos cerca de dez mil visualizações e no final da semana recebemos o apoio dos colegas espanhóis, que nos congratularam quer pela importância da ação, quer pela grande coragem”, acrescentou Henrique Nascimento. A Associação Nacional dos Ópticos, na voz do presidente Fernando Tomaz, também considera fulcral todas as ações que elevam os serviços associados ao setor. “(...)Os serviços prestados nas empresas associadas deverão ser sempre valorizados, tal como os produtos essenciais à saúde visual que comercializamos ou os equipamentos tecnológicos com os quais equipamos as nossas lojas e gabinetes. Logo, todas estas vertentes acrescentam valor à ótica, aos profissionais altamente habilitados que representamos e, em última análise, à economia do País.”. Tudo isto no momento fulcral que atravessamos, em que a ótica conseguiu ser reconhecida pelo governo como prestadores de serviços essenciais, em plena pandemia. Também nos acercamos da Associação de Profissionais Licenciados de Optometria, que não quis participar da interlocução. As grandes empresas e a visão da optometria No centro do debate surge, inevitavelmente, a culpa às grandes empresas do mercado. “(...) acho que estas têm uma responsabilidade tremenda na situação, uma vez que a sua capacidade de recursos para publicidade é muito grande e são elas as principais responsáveis pela profusão dessa mensagem nos órgãos de comunicação social. Por isso mesmo, entendemos ser tão importante chamar-lhes a atenção para o quão desprestigiante é


•• “Sabendo o quão difícil é a nossa missão, não nos podem os esquece r q ue para r eivindicar m os o que quer q ue seja, temos de dar o ex emplo. Po rt a n t o, não podem os fingir que a publici d a d e a “consulta de optom etr ia gratuitas ” n ã o é um problema, por que, é! ” ••

cio desenfreado de consultas gratuitas, alguma vez contribuiu para o aumento da carteira de clientes com reflexo no crescimento das vendas. Hoje os consumidores estão mais conscientes e informados.” A “promiscuidade” que atrasa a regulamentação da atividade Os intervenientes deste artigo passaram-nos a ideia de que a valorização está acima da regulamentação e não o oposto, como questionámos. Aliás, ao tornar a atividade mais isenta e ligada à figura profissional do optometrista, a luta pela regulação pode ser mais fácil. “Esta campanha tem como um dos principais destinatários, precisamente, o poder político.

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Avançar pela valorização da optometria! Ao questionarmos os nossos entrevistados sobre o quanto não publicitar as consultas pode favorecer a imagem da atividade que defendem, também são unânimes que há, de facto, um contributo. Porém, “a valorização em frente à opinião pública é feita ao longo dos últimos 40 anos, que é mais ou menos o tempo em que a optometria existe formal ou informalmente em Portugal. Conquista-se com a boa qualidade dos serviços, pelos bons profissionais, pelo destaque da profissão na sociedade pela investigação. E há colegas nossos que fazem bem e o divulgam e têm destaque na comunicação social.” Carlos Ribeiro das Óticas Minho concorda que todos os movimentos em prol de uma optometria mais forte perante a opinião pública: “cada dia que passa as margens de comercialização dos produtos vendidos nas óticas é menor, muitos clientes fazem consultas para lentes de contacto e depois adquirem online e por esse motivo a venda deste produto passou a ser uma atividade deficitária, como já acontecia com os óculos de sol. Por uma questão de rentabilidade e credibilidade é urgente mudar esta mentalidade.” Luís Góis das Óticas OCT aprofunda a questão num sentido mais empresarial, visto crer que se trata de uma questão de posicionamento. “Existem duas questões importantes: primeiro aqueles que afirmam posicionar-se pelo serviço, mas depois promovem a gratuidade do que lhes aporta mais valor; segundo aqueles cujo posicionamento é preço e procuram as melhores opções promocionais para divulgarem os seus produtos. Apesar de serem duas ameaças a quem defende corretamente o serviço, a primeira acaba por ter um impacto mais negativo, porque confunde mais o cliente – como se pode defender serviço e depois promover a sua oferta?” Do mesmo ponto de vista dos valores, colocar a optometria acima de estratégias financeiras puras e duras é o maior investimento que se pode empreender, segundo Rui Motty do Optocentro. “No presente e no futuro estas revoluções representarão a essência da mudança. Se acrescentarmos ao desespero causado por esta crise de saúde pública, a ausência de ética dos comportamentos na recente história da ótica, poderemos vir a ter uma imagem do setor um pouco mais empobrecida (...) Não me consta que anún-

Foto: Nataliya Vaitkevich from Pexels

anunciar que os seus profissionais, altamente qualificados, (não nos esqueçamos que os optometristas membros da UPOOP, para além do curso da Escola Portuguesa De Óptica Ocular ou da licenciatura em optometria, são obrigados a realizarem 20 horas de formação contínua) trabalham gratuitamente. Estamos convictos que as conseguiremos sensibilizar e envolver nesta causa tão nobre, até porque acreditamos que se as grandes empresas do setor deixassem de publicitar “consultas gratuitas de optometria”, as pequenas empresas seguir-lhe-iam o exemplo”, explicou o presidente da UPOOP. Eduardo Teixeira acrescenta, neste assunto, que “é feito às claras, porque até vemos na televisão as grandes companhias a anunciar consultas e serviços de optometria grátis.” Pedro Sepúlveda, da Opticalia Suil Park, acredita mesmo que para estes grandes grupos económicos pouco interessa a situação da classe da optometria. “Interessa-lhes que os optometristas licenciados continuem a fazer bom trabalho, atualmente com baixos vencimentos, sem legislação, para manterem preços finais de produto baixíssimos ao público em geral, com o carimbo de consultas gratuitas e anunciados na televisão.”


Foto: Pavel Danilyuk from Pexels

Como é sabido temos tido várias reuniões com deputados, várias comissões da saúde, do trabalho, entre outras, na Assembleia da República, Ministério da Saúde e junto do Presidente da República, ao longo dos mais de 40 anos de existência da UPOOP, na tentativa de regulamentação, tanto da optometria como do setor da ótica em geral. Ultimamente os nossos esforços, para além de outras questões, têm esbarrado nas “relações promíscuas” que a profissão demonstra ter com a parte comercial. Sabendo o quão difícil é a nossa missão, não nos podemos esquecer que para reivindicarmos o que quer que seja, temos de dar o exemplo. Portanto, não podemos fingir que a publicidade a “consulta de optometria gratuitas” não é um problema, porque, é!” No terreno, há quem não abdique deste princípio de separação de funções. Vladimiro Hipólito admite que o prescritor não pode ser vendedor. “Com a construção de uma regulamentação séria, definindo incompatibilidades e impedimentos, sigilo profissional e regras deontológicas, não vejo nenhum inconveniente nas consultas dentro das óticas.” Claro que no trabalho por conta de outrem a história contada é bem distinta, como nos confirma Pedro Sepúlveda. “Desde 2002, ano em

Uma optometria que se “atrasa” nas desvantagens do sistema Eduardo Teixeira chamou-nos a atenção para os enormes entraves à atividade que defende enquanto figura política, associativa e profissional. Ou seja, de facto não há regulamentação para a optometria, mas ela está enquadrada legalmente no setor geral do comércio com algumas particularidades, pois é considerada um serviço essencial e há um enquadramento. “Era sim importante uma legislação em concreto, e isto é algo que já fiz chegar às autoridades, sobre a desigualdade em que a optometria está em relação a outras profissões do setor, nomeadamente a questão da concorrência direta da oftalmologia e outros profissionais da área. Por exemplo, a questão do IVA onera os nossos pacientes em 23 por cento, enquanto nas outras especialidades não têm essa operação e isso cria uma barreira de desigualdade

Foto: Danish Ahmad from Pexels

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que me formei pela Universidade do Minho e comecei a carreira profissional como optometrista, lutei pela cobrança do serviço. Só o consegui mais tarde, em 2005, trabalhando por conta própria...peca por ser tarde. (...) Muitos colegas, alguns pressionados, depois de fazerem consultas, prescrevem e logo a seguir vendem o produto à mesma pessoa (paciente/cliente), isto é misturar a parte comercial da ótica com a parte de optometria. Confunde o público.” E Rui Motty acrescenta ainda que “o princípio desta campanha é a moralização e credibilização da atividade profissional do optometrista que, como muito sabemos deveria estar completamente dissociada da estratégia comercial de cada organização (...)Se falarmos em saúde visual como os valores do serviço público e sendo estes os princípios fundamentais da nossa atividade, uma regulamentação para optometria ou para ótica deveria ser dispensável. Em tempos alguém disse: mais vale a ausência de regulamentação do que uma regulamentação demasiado restritiva. Este é um risco a considerar que poderá resultar de uma futura regulamentação da nossa profissão. Infelizmente a realidade ensinou que maioria das pessoas precisa de estar numa espécie de colete de forças.” São precisamente os dois pontos deste setor em particular, como já foi referido, que conjuga benefícios económicos com os interesses pela saúde visual das pessoas. “Julgo que não se deve confundir os legítimos interesses de uma classe profissional, com os quais, enquanto optometrista, me identifico, com a liberdade de gestão dos empresários, que defendo enquanto também empresário. A interseção destas duas realidades está na defesa e valorização dos produtos e serviços oferecidos por uma ótica. Para mim este é o posicionamento correto no mercado da ótica, que é o mercado da saúde ocular, mas aceito que existam outros com outra posição”, justificou Luís Góis.


Neuton Meneses Já perdi a esperança ao fim de tantos anos a debater este tema. Mais! Foi reconhecido ao optometrista a qualidade de fazer exame de avaliação da visão,para renovação da carta de condução, e algumas óticas não cobram este serviço. Desprestígio total. Pedro Pacheco A optometria merece todo o nosso respeito, consideração e empenho, todos juntos iremos conseguir fazer a diferença nesta causa. É tempo de enaltecer e honrar o trabalho que todos os dias fazemos ao longo de tantos anos. Vitor da Cruz Oliveira E fiscalização e sanções, quem é responsável? Há anos que andamos nisto. João Gonçalves - Centro Óptico do Sul Não seria bom aproveitar esta campanha para promover um novo diálogo entre as duas associações UPOOP/APLO? Claro que sou um pouco suspeito pois tenho uma ligação de décadas com a UPOOP e muita desconfiança com alguns comportamentos da APLO ao longo da sua existência. No entanto, como defensor da optometria e da importância da profissão para toda a população, penso que é chegada a hora de dialogar . Temos todos a ganhar com o diálogo, temos muito para ensinar uns aos outros, acreditem ou não! Temos como exemplo os nossos colegas de Espanha. É só uma opinião! Hernani Lopes Pereira Henrique Nascimento boa oportunidade para as associações se juntarem e fazer uma campanha conjunta, quer para os associados quer para colocar nas redes como LinkedIn e Facebook. Damião Santos - Óptica Aires Optivisão O normal já deveria ser assim há muito tempo. Infelizmente os colegas freelancers que andam de ótica em ótica a fazer consultas não podem alterar as diretivas

de quem lhes paga. Vejam a publicidade constante nas televisões das multinacionais, “fábricas” e afins….. Pedro Miguel Santos - Optometrista Tudo muito certo, concordo a 100 por cento, vamos todos continuar a lutar, mas mais uma vez digo, que os optometrista não são todos donos de óticas , logo apesar de toda a influência que possamos fazer , alguns profissionais dependem de uma entidade patronal e e/ou principalmente de grandes grupos que tem políticas internas diferentes e que tornam esta “batalha” bastante difícil . Viva a optometria! Joaquim Oliveira Henrique Nascimento, sem ganharmos esta batalha, o optometrista dificilmente será considerado e respeitado pelo seu trabalho e continuará a haver dúvidas éticas sobre o seu desempenho. Claro que, o optometrista deve continuar a trabalhar dentro das óticas, mas é de relevante importância a separação entre a prescrição do tipo de ajuda visual e que vem depois na venda. Haverá, no meu entender, a necessidade da UPOOP defender a independência dos optometristas relativamente às entidades patronais salvaguardando os altos padrões éticos e deontológicos que regem a nossa atividade. Obrigado pelo bom trabalho que tem desenvolvido em prol da optometria em Portugal e não só.

Tema Capa | 25 |

Este passo apoia à aproximação à medicina? Expusemos muito frontalmente esta dúvida aos nossos comentadores e todos sentem que a sua “relação” com os oftalmologistas, em particular, beneficia de uma posição sempre mais profissional por parte dos optometristas. Aliás, a maioria já a vive de forma saudável no âmbito profissional, como confirmou Rui Motty. “Temos vindo a assistir a uma realidade diferente no terreno. Não é invulgar encontrarmos médicos e óticos-optometristas a complementarem-se em benefício da comunidade. O mundo está a mudar, hoje as gerações nato-digitais, para além de mais abertas, são mais pragmáticas e percebem a lógica das funções médicas e das que, sendo essencialmente físicas, estão próximas da área da saúde, a optometria.” Luís Góis adiantou ainda que “apesar das questões políticas, no terreno acredito existir um clima positivo e de interajuda entre as diferentes classes ligadas à saúde visual. A principal diferença está entre o discurso político e a prática do dia a dia. Se todos os dirigentes tiverem os pés assentes na realidade as diferenças políticas rapidamente se resolverão.” Ou seja, a UPOOP conseguiu o mais importante: trazer um assunto que paira sobre a optometria para primeiro plano. Acima de tudo, fê-lo sem envolver terceiros, sem atirar culpas, nem envolver outras atividades de saúde e de uma forma positiva. Os optometristas portugueses sentiram necessidade de trazer para a frente das discussões um tópico que lhes mexe com a atividade diária, sob a mesma voz e com vontade de evoluir. A optometria vai sair mais forte deste diálogo! Para dar cor ao nosso artigo deixamos ainda as “conversas” de bastidor que apurámos do Facebook, para uma construção mais ampla e informal e sempre em prol de um setor que está mais pujante.

Comentários de bastidor (retirados do Facebook)

Luís Pereira Desde 1986 que cobro pelo serviço de optometria, pois é um serviço diferenciado e é uma profissão como outra qualquer, para o qual investi muito de mim e com dedicação total. Temos que dignificar a nossa profissão e não é com borlas que vamos lá. Apoio e respeito a tua posição. Paulino Pavão Há mais de 30 a anos que cobro pela consulta de optometria. Estou na ótica de forma séria, não dou borlas de consulta para depois cobrar a mais nas lentes, como muitos fazem...isto é que é preciso denunciar ao consumidor.

Foto: Nataliya Vaitkevich from Pexels

(...) Outra grande desvantagem e que precisava de ação do legislador é a questão da concorrência desleal dos seguros e das entidades que comparticipam os serviços e dos quais estamos completamente fora. Isso cria processos altamente prejudiciais para os profissionais liberais.”


CECOP

DINAMISMO E EXPERIÊNCIAS MARCAM O 1º EYE CONNECTION Na altura do fecho desta edição, a primeira feira digital da ótica, assinada pela CECOP, ainda “ía alta” mas as palestras que lhe deram vida já tinham marcado a atualidade. Num ritmo dinâmico, com vozes especializadas e de enorme interesse e com informações cruciais para enfrentar o atual contexto, o Global Community Summit marcou uma posição de apoio ao setor da ótica global independente. Quando tiver esta revista na mão estaremos já a preparar um artigo aprofundado sobre esta iniciativa de luxo. Aqui ficam os momentos mais importantes que estiveram na plataforma da CECOP entre 10 e 11 de março.

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tempo”. Francisco Javier Montero, ex-jogador do Atlético de Madrid, que após sofrer uma ruptura na retina reconheceu durante a sua apresentação a importância vital dos óticos e de todo o setor. O atleta teve que usar óculos especialmente concebidos para poder continuar a exercer a sua profissão em campo. O toque final deste primeiro dia foi dado por Jean de Contades, diretor geral global da CECOP & Latam, onde nos apresentou a equipa por trás de cada um dos países onde a CECOP está representada internacionalmente. A primeira jornada deste Eye Connection teve a língua espanhola como base, mas com o apoio de traduções para mais de seis países. O evento foi apresentado pela enérgica comunicadora espanhola Helena Diez e contou momentos descontraídos protagonizados pelo ator Juan Fernandez, mais conhecido pelo papel de inspetor Buenavista na série La Casa del Papel. Sob as luzes da ribalta estiveram os convidados do setor ótico. Jorge Rubio, CEO e fundador da CECOP, foi o anfitrião da primeira sessão, guiando os participantes pela origem e a história da empresa desde a fundação, em 1996, até os dias atuais “Neste 2021 comemoramos 25 anos, e posso dizer que estamos no momento mais brilhante da trajetória e da história da CECOP. (…) O nosso principal objetivo neste Global Summit é a colaboração, participação e conhecimento das experiências de todos os participantes dentro da área da ótica.”

A transição do trabalho presencial para o digital no setor ótico é um dos grandes desafios que aprendemos durante a pandemia e foi isso que focou a primeira mesa redonda. Desafios para 2021: a inovação no ponto de venda e o futuro, contou com a participação de José María Folache, CEO da Parfois, Nacho Martin, diretor de design da Fjord e Jorge Rubio. Na segunda ronda de debates o eixo principal da apresentação foi sobre Qual será o futuro do mercado ótico pós Covid, com José Fraile, atual gerente geral da Hoya Lens Iberia, o empresário e optometrista Oscar Perez e novamente Jorge Rubio. Durante o primeiro dia do Eye Connection estiveram presentes dois convidados excepcionais. María Belón, a protagonista na vida real da história do filme O Impossível, que nos deu dicas para superar qualquer dificuldade e seguir em frente. “Resiliência e união mais do que nunca são os principais pontos para ultrapassar qualquer contra-

2º dia em português David Carvalho, global operations director e country manager para Portugal da CECOP, abriu a segunda jornada e deixou o palco destacado para rostos da ótica portuguesa bem conhecidos. João Oliveira, diretor de negócios empresariais da F3M, João Mendes, sócio-gerente da Global Visão, Arlindo Teixeira, sócio-gerente da Adão Oculista e Sérgio Silva, diretor financeiro das Óticas Lince abordaram os projetos delineados e adaptações implementadas, plenos de resiliência em plena pandemia. Seguiram-se as palavras seguras e bem estruturadas de António Paraíso, consultor de marketing, rumo a um novo contexto de mercado que precisa que os empresários tirem partido das oportunidades digitais. A fechar este evento em português, David Carvalho fez uma ritmada entrevista a Jean de Contades para que também o mercado nacional conheça melhor este líder executivo da CECOP e o que o move.


OPTIVISÃO

LOJA PHYGITAL EM PROL DA EXPERIÊNCIA DO CONSUMIDOR

Tecnologia de ponta ao serviço da experiência dos clientes da Optivisão é o lema central desta Optivisão+. Com forte componente digital e equipamentos de alta tecnologia, este conceito desenha-se em torno de áreas chave das lojas de ótica. Desde a zona de espera, que inclui o espaço para crianças com equipamento de rastreio individual adequado para o entretenimento dos mais pequenos e respetivas famílias, até a uma área de experimentação e seleção de armações com espelho virtual. Todos os cuidados e exames visuais suportam-se na tecnologia Essilor, através da qual a customização se faz à centésima e a prevenção da saúde ocular estão no centro da sua qualidade. O ArrábidaShopping foi o local escolhido pela Optivisão para a abertura deste espaço piloto que fica agora disponível a todos os associados da rede. “A Optivisão+ representa um passo em frente no futuro da cadeia Optivisão, bem como no crescimento de todos os nossos sócios e parceiros, permitindo dar mais saúde à nossa visão, sempre de mão dada com a tecnologia que potencia a longevidade na performance visual. Neste sentido, queremos garantir a experimentação de um exame visual com

um processo de 360 graus que proporciona a máxima precisão. Além do negócio em ótica, pretendemos melhorar o acesso dos pacientes a serviços de qualidade superior em saúde visual, seja através dos produtos como dos serviços inovadores que permitem melhorar a atual experiência aquando da visita em ótica. Aliando a nossa experiência, e a dos nossos profissionais, de mais de 30 anos no mercado, com a tecnologia de ponta Essilor, criamos a Optivisão+ que torna real o conceito de um espaço phygital no nosso setor”, explicou André Brodheim, administrador da rede Optivisão. A Optivisão+ compõe-se, assim, de espaços que fomentam a transparência, com uma área totalmente visível do exterior, semi-aberta com grande visibilidade de equipamentos high tech, área de exposição de lentes oftálmicas, medição e parametrização de distâncias naso-pupilares, área de experimentação e seleção de armações com espelhos virtuais para seleção de armações ou ecrã e que “proporcionam um serviço de saúde visual inovador, desde o diagnóstico à oficina, o que permite otimizar o atendimento e melhorar a experiência da visita do cliente à loja”, acrescentou o administrador.

Em paralelo, está disponível toda uma “tecnologia de exames visuais altamente evoluída que possibilita customizar as lentes, como o exame VISION – R 800 da Essilor, que permite identificar a prescrição à centésima, ao invés de ser feita em quartos de dioptria como até então, bem como a profunda análise ao fundo do olho que pode detetar grandes patologias em crescimento atual, como a retinopatia, degeneração macular relacionada com a idade, glaucoma ou catarata”, detalhou André Brodheim. Ricardo Cadete, diretor comercial da Essilor Portugal, também aplaude o novo projeto da Optivisão direcionado ao futuro:”ficamos extremamente orgulhosos por ver os nossos produtos e serviços continuarem a ajudar a criar o futuro da saúde visual em Portugal, como consequência da nossa missão: melhorar vidas, melhorando a visão. Neste caso, ficamos muito satisfeitos por a Optivisão ter decidido utilizar algumas das soluções mais inovadoras da nossa marca, para ajudar a criar este novo conceito de loja, de forma a fornecer serviços de ótica tecnologicamente avançados, que visam cuidar e melhorar a saúde visual dos portugueses.”

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Optivisão+ é o novo conceito de loja desenvolvido pelo grupo, de cariz tecnológico, e que está disponível a todos os associados da rede. O espaço do Arrábida Shopping, em Vila Nova de Gaia é o primeiro a assumir esta proposta inovadora que proporciona uma maior experiência digital aos consumidores das lojas físicas.


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OPTICALIA

NOVAS LOJAS, MAIS AMBIÇÃO Na direção contrária da atual conjuntura do mercado mundial, o grupo de óticas multinacional arrecada mais associados para a sua dinâmica de equipa. Proença-a-Nova e Abrantes são as mais recentes conquistas da Opticalia em Portugal e auspiciam um 2021 positivo. Ainda assim a equipa portuguesa da Opticalia admite que o ritmo é distinto dos anos anteriores devido às restrições impostas pelos consecutivos estados de emergência e pela pandemia em geral. No entanto, a inclusão de novas lojas é sempre sinal de que o argumento do grupo está sempre atual. António Alves, diretor geral da Opticalia declarou que “Ainda que em contraciclo e num ritmo diferente, continuamos a apostar na abertura de lojas e a apoiar os nossos associados no seu plano de crescimento e na melhoria do serviço e da experiência oferecida em loja aos clientes. A abertura de um estabelecimento em tempo de pandemia ou confinamento, pode não ter a inauguração desejada, mas é sempre um motivo para

comemorar e felicitar. São bons exemplos de resiliência, de confiança no serviço prestado e um sinal da vontade de retomar e continuar a actividade a 100 por cento... Temos que semear o positivismo, trabalhar e acreditar em dias melhores para o setor.” Ou seja, Proneça-a-Nova e o centro histórico de Abrantes têm agora a luz e brilho azul do grupo Opticalia, com todas as vantagens que a marca proporciona em serviços, tanto de saúde como de apoio à compra, em termos de marcas distintivas e ainda da dimensão. A Opticalia tem presença em cinco países, nomeadamente Portugal, Espanha, Colômbia, México e Marrocos, e conta mais de 1000 óticas associadas.


MULTIOPTICAS

SEMPRE MAIS PRÓXIMA DO CONSUMIDOR ATUAL

As máscaras e os óculos! A MultiOpticas retrata a realidade de hoje, focando um ponto com que os seus clientes se identificam: embaciamento de lentes com o uso de óculos e de máscara de proteção e mostra que é possível continuar a ver com segurança com soluções anti-embaciamento. A campanha Veja tudo, menos lentes embaciadas circula na internet para aproximar a marca de ótica aos portugueses, solidarizando-se com todos os que se debatem com este estranho mundo desfocado e aproveitando o momento para lançar também um filme com uma mensagem muito ligada ao momento que atravessamos. Para Sandra Silva, diretora de marketing da MultiOpticas, “com este filme queremos aproximar-nos dos nossos clientes com uma mensagem séria com um tom de humor, sobre uma realidade com que muito se irão identificar. Esta produção da Havas Life, com voz de Miguel Guilherme, foi feita a pensar em todos os nossos clientes que diariamente lidam com esta realidade de ver o mundo embaciado, mas metaforicamente é isso que vemos também, um estranho mundo embaciado.”

MultiOpticas de Paredes “renasce” A loja situada no distrito do Porto reabriu no final de fevereiro ao público com imagem renovada e com todas as regras de segurança. A marca de ótica reforça, desta forma, a sua relação com o cliente através do atendimento personalizado, de consultas de saúde visual e laboratório de montagem de óculos, com espaço maior, oferecendo mais facilidade de navegação dentro da loja e na exposição dos seus artigos. Catarina Aguiar e Elsa Ramalho, franqueadas das lojas de Paredes, Vizela, Valongo, Lousada e Marco de Canavezes apresentam esta renovação com o objetivo de prestar aos seus clientes ainda melhor serviço em cuidados de saúde visual, contando com o apoio nas áreas de optometria e na aposta na variedade de armações e óculos de sol, lentes oftálmicas e de contacto. “A Multiopticas Paredes está ainda mais bonita, mais moderna, mais confortável e com mais variedade de armações e óculos de sol, mais tecnologia e com a mesma simpatia de sempre”, reforçaram as responsáveis. A loja conta com a mais recente imagem da marca MultiOpticas, possibilitando ao consumidor uma melhor experiência de compra.

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O contexto atual imposto pela pandemia impele a MultiOpticas em projetos apelativos e rejuvenescedores. Destacam-se a campanha online Veja tudo, menos lentes embaciadas, perfeitamente alinhada com os desafios dos utilizadores de óculos hoje em dia, e a reabertura da loja de Paredes com nova imagem.


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CONTACTUM 2021

CONTACTOLOGIA SOFRE COM PANDEMIA A 16ª edição do Encontro Científico-Técnica de Contactologia aconteceu por meio digital a 27 e 28 de fevereiro, para atualizar profissionais da saúde visual no terreno, investigadores e estudantes. Os docentes e cientistas ligados ao curso de Optometria e Ciências da Visão e ao Laboratório de Pesquisa Clínica e Experimental de Optometria da Universidade do Minho organizaram uma edição dinâmica e enriquecedora em termos de evolução da adaptação das lentes de contacto em Portugal e no mundo e novidades em produtos e materiais, a partir dos fabricantes. A diminuição de novas adaptações de lentes de contacto global, no ano 2020, foi a mensagem mais importante da iniciativa, apurada no inquérito internacional que é atualizado todos os anos neste CONTACTUM. Destacou-se ainda a palestra proferida pelo docente e estudioso destacado na dinamização do evento, José Méijome, sobre os conceitos e preconceitos da contactologia “que são muitos hoje em dia e têm que ser travados, porque podem criar impedimentos à veiculação de informação.” “Não sendo possível fazê-lo de outra forma, vamos avançar nesta vertente online onde espero que possamos responder às vossas expectativas mais uma vez desafiando-nos, desafinando a tecnologia e desafiando sobretudo o coletivo de adaptadores de lentes de contacto (…) a quem tentaremos transmitir as novidades neste campo que nos apaixona, aqui na Universidade do Minho, e que trabalhamos com tanto afinco. Queremos estar atualizados

e ser veículo para vos atualizar”, arrancou assim o CONTACTUM 2021, sob a voz do catedrático e investigador, José Méijome. Para além dos conhecimentos transmitidos, a organização das jornadas introduziu desafios em formato de questões e reflexões durante as sessões, apelando à participação e envolvimento das várias centenas de participantes. A primeira palestrante, pela investigadora Rute Macedo de Araújo, trouxe os resul-

tados do sempre aguardado inquérito internacional, um trabalho de coordenação entre a Universidade do Minho com a Universidade de Manchester. Este é um update essencial do projeto que estuda a evolução da adaptação das lentes de contacto, que nesta edição expôs a evolução de 2007 a 2020. Todos os anos os resultados são publicados na revista Contact Lens Spectrum e estão acessíveis a quem quiser consultar. O objetivo é fornecer


Resultados 2020 Foram recebidos resultados de 24 mercados, o que significa 13311 adaptações, colocando o ano transato como o de menor retorno de respostas devido à pandemia por covid-19. Portugal é dos que apresenta menor participação e o Japão o que ocupa o primeiro lugar em número de inquiridos. Quanto a novas adaptações em 2020, houve um decréscimo quer em Portugal, quer a nível global, mais uma vez devido à pandemia, embora o nosso país continue sempre acima da média. A adaptação em mulheres é superior à adaptação dos homens, com mais de 50 por cento total das adaptações. A idade de adaptações em Portugal tem sido superior à média global, que pode justificar-se com a adaptação das lentes de contacto multifocais. Ressalvou-se, porém que se espera o aumento de adaptações para controlo da miopia em crianças e adolescentes e que pode fazer baixar a idade média. “Em 2020 isto já se denotou com ligeiro decréscimo da idade dos pacientes adaptados, tanto a nível global como em Portugal”, disse Rute Macedo de Araújo. No segmento lentes de contacto hidrófilas registou-se uma tendência crescente na adaptação das lentes de contacto de silicone hidrogel. As descartáveis diárias conheceram um aumento tanto em Portugal como a nível global e deve-se ao alargamento de parâmetros do produto que permite adaptar a mais usuários. Por outro lado, as mensais hidrófilas sofrem um reverso, embora se mantenham acima da média em Portugal relativamente aos restantes países. Nas tóricas, Portugal continua acima da média, destacando-se como um dos países que lidera este segmento. No que diz respeito às multifocais há um aumento da adaptação global e em Portugal. Ainda neste segmento, destaca-se o facto de que 87 por cento das adaptações em pacientes com mais de 45 anos permitirem ao usuário ter alguma multi-

focalidade e maior conforto em Portugal. Apenas 13 por cento com mais de 45 anos não foram adaptadas com estas soluções. Rute Macedo de Araújo ressalvou o baixo número de respostas em Portugal que fragiliza o inquérito e apelou à participação, com o envio do formulário até 30 julho “que também pode ser preenchido no computador ou no tablet. Está já disponível a versão online, embora ainda esteja a ser trabalhada.”, terminou a investigadora convidando a abrir a comunicação ativa desde já através dos endereços de email rjfmaraujo@gmail.com e jgmeijome@ outlook.com.

Mitos da contactologia desmistificados José Méijome abordou a importância da evidência científica sólida na prática clínica. “Os conceitos e preconceitos da contactologia são muitos hoje em dia e têm que ser travados, porque podem criar impedimentos à veiculação de informação entre os profissionais de saúde da visão e do público em geral. Até dentro da nossa própria área profissional, porque temos percepções, e às vezes queremos aplicar o senso comum a tudo, nem sempre o que nos parece do senso comum se enquadra nos factos reais.” Foi uma apresentação interativa em que o professor apelou à participação através de questões ou reflexões genéricas em que se apresentou os conceitos ou preconceitos que foram discutidos à luz da evidência científica. Aqui ficam os mitos: - Deve aconselhar-se o uso de lentes de contacto oito a dez horas por - MITO. Dos participantes no CONTACTUM, 56 por cento dos votos indicam que há concordância desta opção. De um estudo de 2019 com 56 pessoas, com e sem intolerância às lentes de contacto de vários centros e de caraterísticas semelhantes, importa referir que de facto, quem usava sem problemas, tinha mais duas horas e 2 minutos de uso que os intolerantes. Outro estudo realizado pela Centre for Ocular Research & Education (CORE), da Universidade de Waterloo, observou mais de 4200 pessoas que depois duma triagem para confirmar se tinham abandonado as lentes ou tinham sido readaptados demonstrou que quem usava menos horas

foi quem desistiu. Ou seja esta ideia é um mito. - A intolerância ao uso de lentes de contacto deve-se ao uso nos anos. Deve-se adiar o início do uso de lentes de - MITO. Dos participante no CONTACTUM, 74 por cento responderam que não há razão para atrasar o início do uso. Neste âmbito houve uma adaptação a novas diretrizes e em apenas um ano verificou-se a mudança de perspetiva sobre o tema em muitos profissionais. Tem a ver com o uso das lentes de contacto no controlo de miopia em crianças, que subiu nos últimos cinco anos. Um estudo do Canadá aponta que a idade média do início do uso daqueles que abandonaram o produto em algum momento - aqui o requisito era ter abandonado pelo menos uma vez nos últimos três anos - era maior. Em média começaram aos 23 anos face aos outros que iniciaram aos 19. Ou seja começar mais tarde não garante maior tolerância. Aliás um outro estudo indica que é nos primeiros 0 e 2 anos que o abandono ocorre. “Há portanto um período crítico de análise e devemos ser resilientes no acompanhamento dos utilizadores, pode não ser a lente adequada.”, alertou José Méijome. Mito desmistificado. - As lentes RPG esclerais garantem melhor visão em córnea irregular que lentes RPG corneais- MITO. 71 por cento dos inquiridos responderam que concordam. Está instalada a perceção de que as esclerais trazem mais benefício de conforto em termos de proteção visual e qualidade de visão e que as corneais que induzem algum stress adicional na adaptação do paciente por causa do desconforto inicial, sendo relegadas. Ainda falta um trabalho que compare umas lentes contra as outras nos mesmos pacientes ou em pacientes com caraterísticas iguais. Na apresentação apresentou-se uma revisão que mostra estudos realizados com umas lentes ou com outras e vê-se que em pacientes com queratocone, com acuidades visuais entre 0.05 até 0.5 decimal é que as acuidades visuais melhoraram com as lentes RPG corneais. Há menos estudos, mas nas lentes esclerais, começando com valores melhores que os anteriores a vantagem não é tão significativa como com as corneais. Ainda assim falta evidência forte, mas reconhecemos que as esclerais são uma mais valia nas irregularidades, mas não se pode afirmar que dão rendimento visual superior. - O covid é capaz de manter-se com vida até cinco dias no caucho de silicone, um material frequentemente utilizado nas lentes de - MITO . Na conferência a maioria discorda. “Isto é mais que um mito, é fake news basea-

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informação sintetizada acerca dos comportamentos de prescrição de lentes de contacto em diferentes países. Anualmente os dados reportados referem-se aos mercados que participam com os resultados de 100 adaptações ou mais e tem vindo a descer nos últimos anos. O questionário é simples e rápido de se preencher e inclui a informação sobre o profissional, seja optometrista ou oftalmologista, paciente e pode reportar até ao máximo de dez adaptações. Portugal tem vindo a descer nas respostas dos adaptadores e está em risco de ficar de fora deste inquérito importante. Ficou, por isso, o apelo a todos os envolvidos à participação massiva, neste 2021.


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da numa evidência que afinal não existia. Em primeiro lugar há a confusão entre o SARS-Cov 2, que é o vírus, com a doença covid-19 e, além disso, as lentes de contacto não têm caucho na sua composição. Têm siloxano que é um outro componente da família do silicone. O Sars-Cov 2 não tinha sido alvo de ensaios clínicos, mas sim o human corona virus e, nos ensaios, não era ao quinto dia que se identificava viabilidade, mas sim ao terceiro”, detalhou o investigador da Universidade do Minho que terminou a palestra com a importante mensagem: “Nunca se exigiu de nós profissionais da visão e de todos os profissionais relacionados com a saúde tanto critério e tanto sentido crítico. Nem tudo é o que parece e nem todos vemos o mesmo.”

A palavra à indústria O CONTACTUM 2021 abriu espaço às empresas e aos seus estudos e novidades. Assinalou-se a apresentação de José Pinho, do departamento técnico e de marketing da CooperVision, com o novo perfil do usuário de lentes de contacto. Os inquéritos levados a cabo pela empresa sobre o que procuram os consumidores apuraram que 52 por cento refere conforto, 43 por cento a acessibilidade, 41 por cento a facilidade na utilização e 35 por cento saúde ocular. “Em Portugal, os dados mostram que, mesmo num ano difícil, as lentes de contacto diárias foi um segmento que se mostrou resiliente. Representam mais de 41 por cento de mercado de lentes de contacto e, dentro destas, as de silicone hidrogel ganham mais peso. Em 2017 representava apena 27 por cento e em 2020 aumentou para 44,3 por cento e que pode ser a resposta para aumentar o interesse de mais utilizadores. (…) Ao olharmos o futuro e os dados que foram recolhidos pela consultoria Verve, a pedido da CooperVision, constata-se que os inquiridos admitiam regressar ao uso e efetivamente isso aconteceu no fim do primeiro confinamento (…) não há desinteresse, houve uma alteração na forma de utilização. Neste caso as lentes diárias são uma boa resposta aos novos hábitos e permitem alternar a utilização com os óculos.” referiu o representante da CooperVision.

mostrou que o abandono das lentes de contacto acontece entre os 45 e 55 anos e coincide com o surgimento da presbiopia. Tem várias causas, como a qualidade da lágrima, a deterioração da visão, entre outras, mas essencialmente a presença de astigmatismos.

Helena Neves, professional costumer developer, da Alcon abordou a questão sempre mais premente do olho seco. “A maioria das pessoas sofre de olho seco mas não sabe. Reconhece, sim, os sintomas. Em Portugal, segundo dados da Vision Needs Monitor de 2019, cerca de 25 por cento da população refere sintomas de secura e irritação. O impacto do olho seco pode ser forte e afetar nomeadamente o trabalho, as atividades em casa, a saúde em geral e a vida social, até em tarefas simples. (…) É um problema muito atual e afeta os utilizadores de lentes de contacto que muitas vezes não fazem uma seguimento adequado e revisões periódicas em que haja uma intervenção precoce na saúde ocular. Também se sabe hoje, através de um estudo apresentado pelo CORE da Universidade de Waterloo, no Canadá que as máscaras também potenciam o olho seco, dando sugestões como o ajuste ótimo da máscara, evitar, se possível, longos períodos de exposição ao ar condicionado e o uso de lágrima artificial. Depende muito do profissional da visão avaliar e questionar sobre este sintomas que algumas pessoas pensam que são normais”, esclareceu a especialista.

Ainda Elisa Pissarra, territory manager na Bausch + Lomb Iberia falou da presbiopia na Europa e que se estima que acima de 50 por cento da população tenha mais de 45 anos. “Há um potencial grande de pessoas para aumentar os nossos negócios, pois precisam de algum tipo de compensação visual e nós temos capacidade de os ajudar, graças aos novos materiais e ao alargamento das soluções a cada vez mais presbitas.” Num gráfico, Elisa Pissarra

A questão do momento Numa das “mesas redondas” entre os palestrantes levantou-se a questão que paira sobre os negócios dos óticos portugueses: como combater a venda online de lentes de contacto e voltar a atrair os consumidores juntos dos profissionais da visão? O mediador desta discussão, José Méijome, admitiu que é uma pergunta que vem sendo discutida ao longo das edições do CONATCTUM. Rute Macedo de Araújo admitiu: “penso que depende muito do profissional de saúde ocular. Não se deve banalizar a adaptação de lentes de contacto. É preciso fazer com os consumidores entendam que as lentes de contacto são um dispositivo médico e que portanto estamos a falar de um cuidado de saúde e é necessária uma consulta o mais personalizada possível. E não devem só ser feitas durante a adaptação mas também durante o uso, com consultas regulares.” José Pinho da CooperVision concordou com a investigadora. “É uma questão densa, mas acima de tudo todas as medidas que possam ser tomadas devem ser no sentido de valorizar o serviço que é prestado pelo profissional da visão. O mercado depende muito das novas adaptações e sabemos que não são feitas online, mas sim em centros óticos.” Outro dos convidados a falar de contactologia, Cesar Villa, estudioso em representação do laboratório Interlenco, corroborou esta linha de atuação. “É de facto uma pergunta muito difícil e que surge há já anos e acho que devemos pensar que os consumidores gostam de comprar online. A pandemia não ajudou em nada e a resolução pode passar pela exigência de uma prescrição ao consumidor e também a sensibilização do público.” No encerramento da edição de 2021 ficou o convite para a edição de 2022 e, claro, ao envolvimento de todos os profissionais nas investigações que se desenvolvem no Minho, em prol de mais e melhor contactologia.


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dores entre os 18 e os 65 anos – Singapura – 2016. ão parâmetros gerados a partir de dados de refração reais 1 Estudo realizado por Essilor® - 146 utilizadores entre os 18 e os 65 anos – Singapura – 2016. m robot 2 que simula respostas subjetivas. Os parâmetros de visão analisados são parâmetros gerados a partir de dados de refração reais e processados através da utilização de um robot que simula respostas subjetivas.

A Essilor conquistou o Prémio Produto do Ano Portugal 2021 com o inovador conceito AVA, na categoria de lentes A ESSILOR oftálmicas. AVA assenta em doisESTABELECE pilares tecnológicos: o O NOVO PADRÃO foróptero Vision-RTM 800 que garante DE um VISÃO valor final de refração subjetiva em DE passos de 0,01 dioptrias, ALTA PRECISÃO e a integração da graduação precisa e rigorosa do utilizador no processo de Empenhados em proporcionar as melhores soluções de visão, fabrico das lentes premium Essilor. os laboratórios de Investigação & Desenvolvimento da Essilor ,

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ESSILOR CONSUMIDORES ELEGEM AVA COMO PRODUTO DO ANO 2021 A REVOLUÇÃO COMEÇA AQUI

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enquanto pioneiros, colaboraram para elevar os padrões de correção de visão a um patamar ímpar de precisão – refração inovadora e rigorosa, centésima de dioptria, integrada de na inovações doresà portugueses, na categoria conceção das lentes.

Esta é uma das mais recentes Lendesenvolvidas pelos laboratórios de I&D tes Oftálmicas. A distinção de AVA como da Essilor. Após cinco anos de investi- Produto do Ano 2021 é mais um grande gação científica e mais de 100 mil parâ- motivo de orgulho para todos nós, que metros de visão analisados, provou-se nos enche de motivação para fazermos, Descubra todo o potencial da visão com o novo Vision-R 800: Redefinição do novo patamar de refração que 95 por cento das pessoas é sensível sempre juntos, mais e melhor”, declarou a - Um foróptero mais preciso para uma refração mais apurada; •• A investigação recente Essilorem mostra que 95% das a variações de potências inferiores a 0.25 mais equipa dada Essilor comunicado. - Um procedimento mais fácil para o especialista com uma pessoas é sensível a variações de potências inferiores a 0.25 dioptrias. E assim nasceu a tecnologia prescrição extremamente rigorosa; “A distinção de AVA dioptrias. Após vários anos de investigação científica e mais de AVA – Acuidade Visual Avançada -, parâmetros um Produto Ano conduz consumidores- Umacom experiência mais confortável para o utilizador, com total 100,000 de visão do analisados, a Essilor estabeleceu o Pr oduto do A n o confiança. um de novo e inovador patamar em visão de alta precisão: revolucionário patamar em visão alta pela inovação 2 0 2 1 é mais um gra n d e tecnologia AVA™ – ACUIDADE VISUAL AVANÇADA. precisão, que permite ao utilizador bene- O Prémio Produto do Ano é um conceito motivo de orgulho Visão de alta precisão com AVA™ p a ra ficiar de uma refração inovadora e rigoro- internacional de prestígio e em Portugal Os nossos olhos têm mais potencial todos nós, que nos sa, à centésima de dioptria, integrada na envolve a votação de 2000 consumidores. Com AVA™, a nova graduação rigorosa é integrada nos sistemas do que pensamos conceção das lentes. Para isso, a Essilor Representa uma poderosa ferramenta de de cálculo Essilor para a conceção de lentes premium, enche de motivação p a racomo Varilux ou Eyezen™, realçando os seus benefícios. AVA™ baseia-se 2 pilares tecnológicos: dinamizou o foróptero Vision-RTM 800. em marketing, com resultados comprovados fazerm os, sem pre j un t os , - Novo forópterono queaumento inclui um módulo óptico revolucionário A tecnologia AVA™ é ainda mais diferenciadora quando combiMais preciso, este aparelho facilita ainda de vendas, da distribuição e mais e dempersonalização elhor ” Eyecode e Visioffice X e vários programas de refração inteligente que oferecem nada com as opções o procedimento ao especialista daumvisão e da notoriedade da marca. Este galardão é valor final de refração subjetiva em passos de 0,01 e com•• os instrumentos de última geração de centragem e corte garante uma experiência mais confortável o único por prémio atribuído incomparável por consumidodioptrias, caracterizado uma experiência de lentes Mr. Blue . para o utilizador; para o utilizador, com total confiança. res, a produtos com inovação e proporcio- Integração precisaaos e rigorosa do utilizador para no “O foco, a determinação e as metas que da graduação na um atalho consumidores que Coloque o seu gabinete na vanguarda processo de fabrico das lentes premium Essilor . traçámos para AVA, permitiram-nos al- estejam cientes dos melhores produtos da tecnologia e diferenciação do serviço cançar o Prémio Produto do Ano 2021, recentemente lançados no mercado. TM Com o Vision-R 800, a Essilor® reinventa Apoie o utilizador ao longo desta nova experiência de visão uma distinção atribuída pelos consumiTM

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a refração subjetiva

mais precisa e garanta a sua máxima satisfação.

A Essilor ® reinventa a refração subjetiva graças a duas tecnologias inovadoras para obter uma refração rigorosa em passos de 0,01 dioptrias.

Veja as diferenças No final do exame de refração, os utilizadores poderão comprovar


CARLOS MATOS

HOYA SOB A MIRA DE UM FUTURO BRILHANTE

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A faceta portuguesa da Hoya assume os novos desafios que tem pela frente através da liderança de Carlos Matos. O mais recente country manager para Portugal está empenhado em colocar a marca japonesa de volta ao seu lugar fronteiriço no mercado, através da continuação do investimento nas relações com os profissionais da linha da frente. Uma equipa bem delineada e produtos assentes em investigação e desenvolvimento intensivo dão ao fabricantes de lentes a segurança de que o seu objetivo é alcançado. A pandemia e as novas premências dos utilizadores de óculos são também fatores estudados pelos representantes da Hoya. “A indústria oftálmica vai continuar a crescer de forma exponencial. Os novos hábitos de vida da população colocam à indústria contínuos desafios, que nos permitem perspetivar um futuro promissor. A Hoya vai continuar a introduzir produtos inovadores no mercado sempre com a garantia de extrema qualidade.” Num mercado tão feroz como o das lentes oftálmicas, a Hoya conseguiu impor-se ao longo das últimas décadas. Qual foi o segredo? A Hoya Corporation é uma empresa japonesa que comemora este ano 80 anos desde a sua fundação em 1941 na cidade de Tokyo, com investimentos diversificados em várias áreas industriais. Uma das grandes áreas de investimento da Hoya na divisão Life Care está nas lentes oftálmicas. Somos a segunda maior empresa da indústria oftálmica do mundo, com um grande reconhecimento por parte do mercado, pela sua excelência em qualidade, proveniente da tecnologia japonesa, e pela sua constante inovação, sempre com avultados investimentos em investigação e desenvolvimento. Isto permite-nos, não só lançar novos produtos para o mercado com regularidade, mas igualmente receber recompensas como a atribuição de vários prémios para as, consideradas por muitos, “melhores lentes do mundo”. A comunicação da Hoya sempre foi mais direcionada ao ótico e não tanto ao consumidor final. É uma estratégia a manter? A Hoya Corporation sempre definiu o especialista da visão como o seu foco principal em termos de comunicação, tendo em conta que é ele o grande visionário nesta indústria e o único que tem a capacidade direta de melhorar a vida das populações. Além de tudo isto, o ótico detém o conhecimento e as qualificações técnicas para aconselhar o melhor produto para cada paciente. Mesmo assim, a Hoya Corporation tem no seu portefólio marcas que possuem um reconhecimento de marca por parte do consumidor

no mundo, como a Seiko Vision e a Pentax Lens, que complementam a gama de lentes oftálmicas Hoya a nível global. Acha que, mesmo antes da pandemia, a Hoya perdeu terreno perante a concorrência, em Portugal? A indústria das lentes oftálmicas é um mercado muito competitivo e é necessário desenvolver uma estratégia integrada de longo prazo que garanta uma parceria de confiança e de proximidade com os óticos. A excelência das lentes de qualidade japonesa e os serviços associados à venda e pós-venda, são um eixo fundamental e diferenciador no mercado. O Carlos assumiu a Hoya numa altura de profundas mudanças na empresa. Qual o desafio que lhe propuseram para esta Hoya Portugal? Recuperar a nossa posição natural na indústria mundial, significa reaver a segunda posição no mercado em Portugal. Foi aprovado um plano estratégico para a Hoya Portugal para os próximos três anos, tendo como objetivo principal sermos reconhecidos como os melhores no mercado. Ao sermos os melhores estaremos seguramente mais perto de sermos os maiores, mas com a garantia de termos um trajeto exigente, com muito trabalho árduo e bem feito. E que estratégias já impôs desde que assumiu o cargo e de que forma a atual crise sanitária moldou esses planos? A Hoya Portugal tem uma equipa de grandes profissionais que trabalham de forma dedicada. No entanto, tínhamos que ser mais organizados e focados nas


Como um verdadeiro profissional das lentes oftálmicas e com muita experiência neste segmento, de que forma viveu o desenvolvimento veloz do produto nos últimos anos? O mercado ótico tem sofrido profundas alterações ao longo dos últimos anos a duas dimensões. Na dimensão do retalho, com o aparecimento de grandes grupos internacionais que pressionam, e muito, o mercado ótico tradicional, originando um impacto em baixa de preços numa maior degradação das suas margens. A outra dimensão surge ao nível da indústria oftálmica, com a alteração do modelo de negócio de um grande player multinacional da indústria, que desenvolve uma perspetiva de verticalização da sua operação e que passa de fornecedor e parceiro do ótico para, e em simultâneo, concorrente. Estes paradigmas colocam o mercado em grande agitação, obrigando a tomada de decisões estratégicas de parcerias, de modo a antecipar um futuro que se aproxima rapidamente. Acha que os confinamentos forçados e o aumento do uso de dispositivos digitais são uma oportunidade para esta face da indústria? A industria oftálmica tem que se adaptar às exigências do mercado e com isso desenvolver dinâmicas de modo a responder às necessidades dos consumidores. De facto, a pandemia levou a que, de uma forma acelerada, os consumidores necessitassem de proteger os seus olhos devido à nova vida que todos foram sujeitos por efeitos da nova realidade que vivemos.

Como está a Hoya a responder a este desafio? Tivemos que reagir de forma rápida e consciente daquilo que os óticos precisavam perante as diferentes necessidades dos consumidores, nesta fase de vida que atravessamos. A disponibilização de lentes oftálmicas específicas para esta nova realidade de utilização dos dispositivos digitais, complementadas por tratamentos antirreflexo específicos permite-nos apoiar os nossos clientes no seu esforço diário para irem ao encontro das novas possibilidades originadas pelo “novo normal”. E que futuro esperar para as lentes e as respectivas marcas? A indústria oftálmica vai continuar a crescer de forma exponencial. Os novos hábitos de vida da população colocam à indústria contínuos desafios, que nos permitem perspetivar um futuro promissor. A Hoya vai continuar a introduzir produtos inovadores no mercado sempre com a garantia de extrema qualidade e, exemplo disso, é o caso da lente MiyoSmart que vem assumir-se como uma verdadeira arma no controlo da pandemia dos novos tempos – a miopia. Um verdadeiro game changer nesta área, que representa um desafio para os óticos combaterem. Que sonhos tem para a Hoya em Portugal? Respondo-lhe em duas dimensões, a primeira relativamente aos colaboradores da Hoya Portugal. Que sintam um enorme orgulho em representar a empresa e que eu tenha a capacidade de contribuir de forma decisiva para que tenham uma vida melhor e que se sintam mais felizes. A segunda dimensão é que a Hoya Portugal seja reconhecida pelo mercado como a melhor empresa da indústria!

•• “A disponibiliz ação de lentes oftálmicas específicas par a esta nova realidade de utiliz ação dos dispositivos digitai s , com plem entadas po r tratamentos antir re f le x o específicos perm ite -n os apoiar os nossos cl i e n t e s no seu esforço diár i o” ••

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nossas prioridades que são as necessidades dos nossos óticos. Elevamos os nossos níveis de exigência interna, adoptando critérios de avaliação da performance mensal o que nos permite monitorizar e avaliar o nosso desempenho e eficiência, para tomarmos as medidas necessárias de forma rápida e ágil. Definimos um plano baseado na confiança e na proximidade ao proporcionarmos um serviço de excelência, baseado no apoio à venda de um produto de valor acrescentado. Os óticos têm que repensar o seu modelo de negócio, em resposta aos desafios que diariamente lhes são colocados. Ou seja, o objetivo passa por dinamizar o negócio, ganhando mais. O modelo de negócio deve ser baseado num plano comercial de criação de valor, assente num conceito de venda de valor acrescentado, com formação comercial e técnica. A experiência dos consumidores no ponto de venda tem que ser positiva e geradora de confiança de modo a que o consumidor regresse e recomende a outros. Só conseguimos ganhar se trabalharmos muito e bem.


MARCO BARP

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TREE SPECTACLES: UM SONHO EM FORMA DE ÓCULOS Os óculos são um assunto íntimo para Marco Barp. Faz parte do seu ADN e é a identidade da sua família. Assim nasce a marca transalpina Tree Spectacles, de um sonho, da determinação de fazer algo único e também com uma mentalidade sustentável, acompanhando as necessidades de um planeta com recursos finitos. Ao lado do pai Fiorenzo Barp e de um caro colega de profissão, Damiano Da Rold, partilha a responsabilidade de fazer crescer a marca independente e já conquistou várias fronteiras. Fieis a si próprios e a um trabalho de design peculiar e especial, os fundadores da Tree investem em novas aventuras em matérias e desenhos, indo ao encontro de verdadeiros amantes de óculos. À Millioneyes Marco Barp expôs esperanças, sonhos, ideias e uma história que enriquece o imenso mercado eyewear. Antes de mais, adoraríamos saber a origem do nome Tree Spectacles. Quando lançámos a marca em 2011, idealizámos o nome Tree e sentimos que era perfeito: a palavra é de fácil compreensão, internacional e explicava desde logo qual era a nossa filosofia desde o arranque. Ou seja, o nosso centro estava na natureza, na produção com matérias naturais e na manufatura artesanal. A nossa primeira coleção nasceu a partir da madeira natural. Quando nos apercebemos que na palavra Tree estava a palavra italiana tre ou três, adicionou significado pelo facto de

sermos três fundadores, Fiorenzo Barp, Damiano Da Rold e eu. Portanto, a Tree Spectacles nasceu em plena crise financeira. Porque se atreveram num negócio próprio naquele período? Tínhamos o desejo de criar algo que fosse além daquilo que era o status quo daquela época. Percebemos que tínhamos o potencial para criar óculos totalmente distintos no mercado da ótica, com um posicionamento médio/alto em termos de design e público alvo.


A motivação e inspiração que tinham em 2011 ainda está viva hoje ou transformou-se e evoluiu entretanto? Quando nos lançámos em 2011, estávamos mesmo motivados e obcecados com o projeto. Lembro-me perfeitamente dos primeiros meses. Trabalhávamos longas horas desde muito cedo de manhã e só saíamos do escritório quando já estava escuro. Nem sei se de facto tínhamos noção da quantidade de trabalho que fazíamos na altura! Depois de todos estes anos, acredito que ainda estamos completamente envolvidos, tal como nos primeiros tempos ou até mais, e orgulhosos do que estamos a fazer. E claro que hoje estamos mais apaixonados, em parte porque quando se tem um negócio com estas características e que está em franco crescimento, os desafios continuam a despontar.

Nestes últimas 10 anos de atividade consegue recordar os momentos que o fizeram acreditar que estavam no percurso do sucesso e aqueles que o fizeram ter medo pela Tree Spectacles. Recordo-me de imensos momentos! Se tenho de escolher entre todos, então destaco dois. A primeira vez que expusemos na MIDO representou um ponto de viragem importante para nós. Reservámos um stand. Tínhamos conseguido reunir a tempo algumas amostras para expor na feira e regressámos de Milão com um número louco de reservas, mesmo sem aperfeiçoarmos as amostras. Foi o momento em que nos apercebemos que estávamos a apostar na estratégia

•• “Querem os ser uma das m ar cas italiana s independentes de r eferência e ago ra sabem os que estam os nesse per cur so e qu e continuam os com a mesm a determ inaçã o e am bição” ••

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Se bem entendemos, a Tree Spectacles começou como uma marca dedicada à madeira, mas hoje desenvolve óculos em vários materiais. Sim, é isso mesmo. Em 2011 começámos com uma coleção em madeira. Nesta altura havia poucas armações de madeira de alta qualidade no mercado e nós estávamos fascinados com esta matéria. Mas já nesse período tínhamos planos bem estruturados para expandir as coleções e trabalhar outros materiais avançados. O nosso trabalho inovador com os óculos em madeira foi apenas o primeiro passo para a Tree Spectacles. Hoje estamos orgulhosos por termos evoluído e desenvolvido até um ponto em que podemos proporcionar um mix de impressionantes materiais de alta qualidade, incluindo o titânio japonês, acetato ecológico e aço inox hipoalergénico cirúrgico - sempre, claro, no contexto da nossa filosofia de design moderno e estilo minimalista.


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correta e que a nossa visão era apreciada e admirada por outros! Os últimos anos também foram cruciais para nós enquanto empresa. Iniciámos o trabalho numa distribuição profissional muito forte com parceiros altamente qualificados no setor da ótica e isto parece-me uma excelente confirmação de que estamos no caminho certo e onde queremos estar. Também me pergunta por um momento difícil? Esse aconteceu depois de cerca de cinco a seis anos de atividade quando começamos a desenvolver e a introduzir novos materiais, depois da primeira coleção em madeira. Precisávamos de convencer os clientes e o mercado de que éramos capazes de trabalhos de design mais inovadores numa gama de materiais ampla e não só madeira. E claro, num ponto de mudança como este questionamo-nos se é a atitude certa. Quando se supera um desafio destes e se olha em restrospetiva para o percurso, o sentimento é incrível! Como já nos disse, o Marco é co-fundador juntamente com outros dois sonhadores. Quem são os intervenientes desta aventura denominada Tree Spectacles? Somos uma equipa de três: eu, o meu pai, Fiorenzo Barp e o colega Damiano Da Rold. O projeto e ideia para a Tree nasceu a partir do negócio de família e da respetiva herança. No entanto, criámos uma empresa totalmente independente e moderna, com foco no design contemporâneo.

Fale-nos da mais recente coleção e de que forma ela transmite o desenvolvimento da marca, desde as primeiras criações. A nossa última coleção e anterior a esta representam para nós uma conquista pela qual ansiávamos atingir enquanto marca. Sentimos que agora somos capazes de demonstrar todo o nosso potencial como uma casa independente através das nossas ideias e mantendo o objetivo nos nossos princípios especiais de design, tecnologia específica, pesquisa de materiais e minimalismo. O design de eyewear mudou abruptamente desde 2011. Como se encara este desafio e se mantém a Tree Spectacles desejável? A nossa coleção tem o design na alma e não se baseia nas tendências sazonais ou de moda. Claro que, consideramos sempre a forma como o panorama muda e se desenvolve em termos das tendências em si, mas interpretamos estes elementos de uma perspetiva muito própria, de acordo com o nosso estilo e a nossa personalidade. Posicionámo-nos como uma marca que pesquisa materiais avançados e soluções técnicas e ao fazê-lo acabamos por não ser afetados pelos desafios que vivemos hoje na indústria da moda. Os nossos produtos representam qualidade, longevidade e um design com foco numa orientação mais intemporal. A pandemia mundial mudou o “jogo” para o setor da ótica. Como se adaptaram à nova realidade? Precisámos de desenvolver as práticas no nosso trabalho com muito maior atenção do que no passado. Claro que, desta feita, sem viajar nem participar nas feiras de ótica internacionais. Aliás, a maior mudança que vivemos está mesmo na quantidade de horas de videochamadas e videoconferência. A ausência de certames impeliu-nos a explorar a nossa própria iniciativa e descobrir novas formas de trabalhar e mantermo-nos ligados aos mundo. E que sonhos tem para a Tree Spectacles? Como marca, temos uma visão clara do caminho que queremos percorrer. Sempre fomos muito precisos sobre o posicionamento das coleções Tree. Queremos ser uma das marcas italianas independentes de referência e agora sabemos que estamos nesse percurso e que continuamos com a mesma determinação e ambição para continuarmos a conquistar esse objetivo.


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