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Millioneyes 97

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PORTUGAL • Nº 97 • FEVEREIRO 2021


DUPLA IMBATÍVEL

NO COMBATE AO EMBACIAMENTO

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PORTUGAL • Nº 97 • FEVEREIRO 2021

O desafio da década é ver! Se no pré-pandemia corríamos, agora sentamo-nos e olhamos. Ou seja, enquanto ainda confinados procuramos manter os ritmos dos nossos negócios, do nossos encontros e das nossas relações, dependemos da visão a 100 por cento e submetemo-la a horas “infindáveis” de exposição aos dispositivos digitais, sem descanso. É neste repto que a ótica encontra agora a sua missão. Os encontros digitais, pessoais ou profissionais, são ponto assente na “nova realidade” e se já havia sobrecarga nos olhos antes da pandemia, agora urge descobrir e estudar qual a salvação da nossa visão. Para já, os óculos estão na linha da frente. Ainda agora relembrámos entrevistas no início do século com especialistas que nos garantiam que as cirurgias tornariam este acessório obsoleto como apoio à acuidade visual. Tanto aconteceu entretanto, desde o atrevimento do design, a moda, o aquecimento global e, claro, a covid-19. Os óculos estão para ficar, como escudos do nosso olhar e como afirmação da nossa inquietude. E assim “fabricámos” mais uma Millioneyes. “Aproximámo-nos” de quem nos pode dar respostas fundamentadas sobre certezas incertas. E destacamos Bruno Batista, um comunicador em toda a sua atitude e discurso, que não esperou pelo desenrolar da situação sanitária mundial e “construiu” uma Virtual Arena para garantir que o mundo empresarial não parava. Acreditamos mesmo que estamos perante o novo “palco” dos negócios, que mesmo que volte a ter o toque humano, nunca se desenvolverá sem as preciosas ferramentas digitais entretanto evoluídas. Aqui está também o cerne da nossa capa de fevereiro. Foi a CECOP que tomou as rédeas dos “novos” encontros mundiais da ótica e empreendeu o Global Commnunity Summit, para todo o mundo da ótica em todas as línguas. Não quis deixar de marcar a celebração do pioneirismo desta iniciativa em lugar de destaque. Neste sentido também nos acercámos de Giovanni Vitaloni, presidente da MIDO, para nos nivelar o discurso e falar sobre a esperança no encontro…nunca igual ao passado, mas mais humano do que temos vivido. Claro que, não resistimos ao design eyewear e trazemos para a nossa rubrica mais internacional uma figura feminina, líder do estilo de luxo da Maybach. Temos dinamismo empresarial, arte, investimento e celebrações em mais uma edição, que apesar de produzida em confinamento, não deixa de voar para lhe trazer a ótica que acontece, afinal é aqui que ela se regista em contínuo. Estatuto Editorial / Sinopse A Millioneyes é uma revista profissional dedicada ao setor da ótica, contando com presença integral online através da plataforma isuu.com. A Millioneyes tem o objetivo de cobrir os acontecimentos específicos do seu setor e retratar a informação de forma rigorosa, com toda a dedicação e competência. A Millioneyes traz uma abordagem íntima, atualizada e assertiva sobre o setor da ótica em Portugal, esmiuça perspetivas de outros países sobre a situação do mercado, retrata tendências em óculos, expõe dados científicos essenciais aos técnicos da área com o apoio dos oftalmologistas e optometristas e aborda de forma inédita os empresários que gerem os estabelecimentos nacionais. A Millioneyes compromete-se a respeitar os princípios deontológicos e a ética profissional aplicada à atividade profissional dos jornalistas, assim como a boa fé dos leitores, através do trabalho dos seus colaboradores e diretor. A Millioneyes é independente do poder político e de grupos económicos, sociais e religiosos.

Vector: by macrovector - www.freepik.com

Editorial | 4 |

Ver…sem parar


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SHAMIR

CECOP GLOBAL COMMUNITY SUMMIT 2021

BRUNO BATISTA

BREVES

CAPA

Solução de alta tecnologia

O maior evento digital da ótica está aqui!

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GIOVANNI VITALONI

ZEISS

OLHAR O MUNDO

OUTROS OLHARES

Uma MIDO 2021 que se deseja

A vitória nos EyeVote Readers Choice Awards

Índice | 6 |

Tema de Capa: A Millioneyes está na fila da frente do primeiro grande evento digital da ótica, com caráter mundial. A CECOP assume a empreitada de ligar óticos, indústria e conhecimentos avançados.

Diretora: Editora: Redação: Design e Paginação: Fotografia: E-mail: Tel: Periodicidade: Tiragem: Impressão: Preço de capa em Portugal: A MillioneyesTM é propriedade da Parábolas e Estrelas – Edições Lda. com sede na Rua Manuel Faro Sarmento, 177, 4º esquerdo, 4470-464 Maia, Portugal NIF: 510195865 Gerente/Diretor - Cristóvão Jesus Detentor de 100 por cento do capital social Sede de Redação Rua Elísio de Melo, 28, S 38 4000-196 Porto Qualquer crítica ou sugestão deve remeter-se para: millioneyes@outlook.pt

Patrícia Vieites Carla Mendes Carla Mendes, Mariana Teixeira Santos Paula Craft Paula Bollinger, Miguel Silva, Hugo Macedo millioneyes@outlook.pt 96 232 78 90 Mensal 2000 exemplares Uniarte Gráfica, S.A 7,50 euros Depósito Legal n.º 419707/16 Interdita a reprodução, mesmo que parcial, de textos, fotografias ou ilustrações sob quaisquer meios e para quaisquer fins, inclusive comerciais. Os artigos de opinião e os seus conteúdos são da total responsabilidade dos seus autores. Registo na ERC n.º 126933

OLHAR EM PORTUGUÊS Comunicar no futuro com o mundo como alvo


MITA EYEWEAR

Breves | 7 |

Proteção em linhas azuis A marca que une moda à sustentabilidade adapta-se aos novos desafios da sociedade e acresce a sua linha de novas armações com lentes que protegem os olhos da luz azul nociva. Cada proposta tem brilho em cores e detalhes único e usa matérias recicladas e recicláveis, sempre sob o selo amigo do ambiente defendido por esta casa de Miami.

CHRISTIAN ROTH

EUA apostam na formação de novos óticos O famoso designer alemão decidiu contribuir para o futuro da ótica do país onde “cresceu” como artista. Christian Roth doou uma série de valiosas fotos para leiloar, mais precisamente do pintor Jean-Michel Basquiat, captadas por Edo Bertoglio. A iniciativa é da organização de comunicação da ótica norte-americana, Vision Council, em prol da formação de jovens óticos de zonas carenciadas. O objetivo focou-se na angariação de 830 mil euros que revertem em bolsas de estudo para formar a próxima geração de estudantes da ótica.

CAROLINE ABRAM

As musas parisienses A insígnia sediada em Paris abraçou o novo normal de reclusão e compilou uma campanha de inverno com as suas musas, na intimidade das suas casas parisienses Em destaque, a atriz e modelo Julie Dommanget usa com glamour as peças desenhadas em camadas de cor e de formatos voluptuosos. Acetato e metal sobrepõem-se com a missão de realçar a feminilidade natural e afirmar a superioridade do design.


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PADMA IMAGE

Foto: Gustavo Guimarães

A delicadeza por excelência Do Japão com toda a mestria e simplicidade, a Padma Image nasce dos sonhos do designer Meiji Hasui. Os óculos quebram barreiras pré-estabelecidas ao desenharem-se na contracorrente com as tendências, numa afirmação intensa de força e segurança. Entre as novas propostas está um modelo clássico desta casa asiática, celebrizado pela sua subtil assimetria inspirada num famoso corte de cabelo japonês.

Breves | 10 |

OPTOCENTRO

Loja da Invicta no concurso Building of The Year A famosa plataforma de comunicação dedicada à arquitetura, ArchDaily, lança pelo 12º ano consecutivo o concurso Building of The Year. Na edição de 2021, entre os mais de 4500 projetos de todo o mundo submetidos ao escrutínio dos leitores especializados da plataforma está a fabulosa loja Optocentro , no Porto, desenvolvida pelo designer portuense Gustavo Guimarães.

PlanetVA

aprimora experiência digital A empresa dedicada à experimentação digital de óculos anunciou a estreia de uma nova ferramenta poderosa para os óticos e empresas eyewear. vmLIVE permite aos consumidores experimentarem as suas armações ao vivo e em 3D, dando um realismo especial à seleção de óculos à distância. A inovação da PlanetVA baseada na web permite acelerar e facilitar a atual transformação digital do setor, apressada pela covid-19. “Estamos empolgados com o lançamento da nossa mais recente solução em virtual try on. Ao contrário das soluções concorrentes, o vmLIVE processa todos os streams da câmara, assim como as fotografias no browser e, por isso, a privacidade está totalmente garantida”, explicou Luwig Heymbeeck, fundador da PlanetVA. O vmLIVE pode usar-se em smartphones, tablets ou computadores. A ferramenta permite ainda a instalação tanto na área de exposição da loja física, como no site da empresa.


LINDBERG

Breves | 11 |

Fonte de juventude Atrevimento e cor são as propostas de uma Lindberg histórica, mas de expressão sempre atual e jovem. A marca não abdica da leveza e do minimalismo que a celebrizam e recorre a matérias avançadas que permitem uma experiência divinal no uso. Claro que, dando asas à imaginação, a marca dinamarquesa tem-se permitido alargar linhas, carregar nas cores e inundar o mercado com a melhor criatividade.

LANVIN

Uma história feita de luxo Os 130 anos de trabalho dão-lhe o estatuto da mais antiga maison de haute couture em atividade. Isso justifica a contínua criatividade temporada após temporada e que é reforçada na mais recente coleção eyewear. Desenvolvido em parceria com a Marchon, o conjunto exibe a melhor produção artesanal, unindo silhuetas características com detalhes complexos. São 21 modelos de sol e 20 de prescrição, que se dividem entre desenhos clássicos e arquitetónicos, aviadores e cat eye que renascem em peças modernas.


*Estudo quantitativo conduzido através de uma amostra representativa de 958 profissionais de saúde visual, conduzido pela CSA em Fev 2019 - França, Reino Unido, Alemanha, Itália, Espanha, EUA, Canadá, Brasil, China, Índia. ** Estudo da Netsonda, [07 de janeiro a 03 de fevereiro de 2021] - [produtodoano-pt.com]

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Breves | 14 |

BLACKFIN

Leveza etérea Depois de dois anos de pesquisas e investimentos, a transalpina Blackfin renasce sob a coleção Aero. O nome eloquente descreve as peças na perfeição: rimless, leve, ultra fina e com as hastes materializadas no melhor beta-titânio do mercado. Adicionalmente, os traços destes óculos inspiram-se no mundo da aeronáutica.

PORSCHE DESIGN

SHAMIR

Solução de alta tecnologia A Shamir reafirma a sua missão em prol da visão, propondo aos utilizadores de óculos a tecnologia Shamir Glacier Anti-fog. Originalmente projetada para atletas, evitando o embaciamento das lentes de prescrição nos momentos fulcrais da prática desportiva, esta solução inovadora surge sob a forma de tratamento. Inclui uma camada integral na superfície interna da lente, permanente e eficaz e sem necessidade de ativação, que evita o embaciamento, através da absorção da humidade que se acumula na lente. A nova situação social imposta pela covid-19 impeliu a Shamir a expandir a gama de materiais disponíveis com o Shamir Glacier Anti-fog. Ou seja, esta tecnologia está disponível para todas as gamas de lentes da marca.

Patrick Dempsey abrilhanta novos modelos A marca ligada ao mundo automóvel conquistou para a sua fileira de luxo de embaixadores o ator americano que dá vida ao Doctor Derek “McDreamy” Derek da série televisiva Grey’s Anatomy. Patrick Dempsey concede o seu charme e elegância às novidades da nova coleção e num ambiente que lhe é natural, visto ser um fã incondicional do automobilismo, alinhando-se na perfeição com o espírito da Porsche Design.


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O MAIOR EVENTO DIGITAL DA ÓTICA ESTÁ AQUI! O Global Community Summit representa um apelo à união de um setor, através da troca de experiências e conhecimentos atualizados e da realização de negócios. Tudo com a assinatura da equipa internacional da CECOP. De 10 a 16 de março e sob o “porta-estandarte” The Eye Connection, reunem-se em ambiente digital as melhores ideias para se reconquistar os consumidores, para revitalizar os mercados, dá-se espaço à conversa entre colegas da mesma nacionalidade, mas também com profissionais de realidades transfronteiriças, unidos pela mesmo mester, e abre-se o palco às empresas e aos seus produtos para que possam facilmente serem consultados pelos empresários de todo o mundo. Ou seja, a CECOP apresenta uma resposta assertiva aos novos moldes que reindentificam a nossa realidade. É uma afirmação de futuro, de compromisso e acima de tudo de empenho desta equipa que tem hoje voz nos mercados português, espanhol, italiano, norte-americano, brasileiro, colombiano e mexicano, com mais de 6700 óticos independentes, mas que quer extravasar o seu contributo a todos os profissionais.


nossa experiência é que um evento online é mais complexo e trabalhoso de organizar que um físico e que requer uma imensidade de esforço e investimento de tempo de todas as equipas internacionais da CECOP, das agências que nos ajudam na organização e também dos fornecedores do setor ótico, sem os quais este evento não seria possível”, explicou um orgulhoso David Carvalho, country manager para Portugal e global operations director. A vontade de dar um passo decisivo Em conversa com a Millioneyes, Jean de Contades, global managing director, falou da motivação para fazer crescer o Global Community Summit. “Este evento nasceu muito naturalmente. Estamos há quase um ano em contato digital contínuo, todos os dias, todas as semanas, com toda a comunidade da CECOP, tanto localmente com as equipas, os óticos e fornecedores do setor, como dentro da própria organização do grupo. Queríamos comemorar este ano de avanços e melhorias nos nossos processos transformadores e nas nossas relações e comunicações com um evento único, nunca realizado, global e local, para todos. Desde o início da pandemia tínhamos isso claro, queríamos dar um passo em frente e ajudar a nossa comunidade em tudo o que se relaciona com a inovação dos seus negócios e, acima de tudo, amenizar uma situação tão inusitada como a que nos encontramos . O Global Community Summit é mais uma ferramenta neste enorme esforço que temos feito desde o início.”

Tema Capa | 19 |

O grupo dos óticos independentes multinacional empenhou-se desde o início da declaração da pandemia por covid-19 a reinventar-se em prol da ótica. Ao demonstrar abertura para apoiar todos os profissionais independentes do setor, associados ou não, ganhou dimensão e deu sinal de dinamismo e força. O resultado foi o crescimento exponencial do grupo, tanto em Portugal como nas restantes regiões onde opera. Volvido um ano sobre o primeiro confinamento que mudou a vida de todos, a iniciativa sonhada, desenhada e edificada desde os primeiros dias sai agora à luz do dia. Nasce, assim, o Global Community Summit 2021, o primeiro grande evento internacional desde que se levantaram as restrições às feiras e que vem ditar uma nova dinâmica. É que a CECOP envolveu empresas especializadas em tecnologia e comunicação para aproximar este encontro a uma realidade que, para já, não existe. Ou seja, longe dos impessoais encontros online, o Global Community Summit apesar de ser digital tem um palco desenhado à medida das necessidades de uma conferência real, com espaços de luxo para cada valência e com características verdadeiramente imersivas. “O Global Community Summit quer dar resposta ao cancelamento das principais feiras internacionais, como é o caso da MIDO ou da SILMO. Levando esse princípio em consideração, desde o início projetámos um evento de grande envergadura, tanto em termos de conteúdos, imagem e de capacidade da própria plataforma. A


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E de facto, é um evento digital que está comprometido com a autenticidade e originalidade. Estão envolvidos todos os sete países onde a CECOP tem a marca, nomeadamente Portugal, Espanha, Itália, Brasil, EUA, México e Colômbia. Há lugar às experiências globais de todas estas nacionalidades, a forma como viveram os últimos meses de desafios económicos, como cada país assumiu a pandemia e de que forma a ótica foi retratada neste âmbito. A partir do segundo dia proliferam as experiências locais. “Imagine o impacto de estar online e em contato com toda a comunidade da CECOP e não só! Tudo numa multi-plataforma virtual que quase parece real. É uma experiência muito diferente daquela que estamos acostumados a viver”, realçou o líder global da CECOP. Entre os objetivos deste Global Community Summit está a vontade de manter a posição da CECOP como referência no setor e reforçar o compromisso com os óticos associados e os fornecedores preferenciais. “Queremos liderar o desenvolvimento do setor com base na inovação contínua”, reforçou Jean de Contades. Embora seja um evento assinado pela CECOP, o grande anúncio está no facto de ser aberto a todos os óticos do mundo e

gratuito. “É o nosso primeiro evento mundial. Porque devemos fechá-lo? Porquê limitar conteúdos de qualidade, quando a nossa máxima é dar valor aos óticos de todo o mundo? É um compromisso de marca!”, assegurou o global managing director. São sete dias em que a plataforma estará ativa em nome da ótica e de forma imersiva, global, informativa e aberta aos negócios. A referência para o “desenho” deste summit é a Cidade das Artes e Ciências, um maravilhoso complexo arquitetónico dedicado à cultura e ao entretenimento erigido em Valência, Espanha. O espaço virtual terá três elementos visuais, de onde se destaca a cúpula do Auditório principal. Aqui realizam-se as apresentações globais e regionais. Paralelamente impõe-se uma área temática para encontro com especialistas selecionados pela CECOP e finalmente o Marketplace que dá lugar aos stands dos fornecedores e está disponível para a interação entre indústria e óticas a nível regional, em muito semelhante ao um congresso tradicional. Quando questionado sobre o porquê de ser um evento igualmente global e local, Jean de Contades foi seguro: “todos os países vão participar ao mesmo tempo,

porque é assim que trabalhamos no dia a dia da CECOP. Toda a organização está conectada. Existem muitos processos globais integrados que facilitam a comunicação, agilizam processos e auxiliam na gestão de projetos. Por isso, para este evento, não é um grande esforço pensar globalmente.” O líder sublinha ainda o apoio imprescindível dos fornecedores que, perante a apresentação do conceito inovador de feira, manifestaram a vontade de fazer parte deste capítulo da história da ótica. “Assim como a nossa agência de comunicação MGC & Co e a agência digital Flash 2 Flash”, rematou o diretor. A Millioneyes perguntou ainda se este Global Community Summit é um investimento para alargar a marca CECOP. Jean de Contades explicou que as portas dos mercados internacionais sempre estiveram abertas para o grupo. “Exportamos conhecimento e soluções valiosas há mais de 20 anos. E faz parte do nosso ADN viajar para aprender e desenvolver. E Portugal foi o primeiro investimento internacional! Estamos efetivamente a trabalhar intensamente para continuar a fortalecer a comunidade atual com novos mercados que podem fornecer novas metodologias e melhores soluções. Inscreva-se e não perca! É o momento perfeito para passarmos tempo de qualidade juntos e cultivar o espírito empreendedor num ambiente social e internacional.” Vantagens em “escrever este capítulo” com a CECOP David Carvalho, a inquieta e dinâmica voz portuguesa da CECOP adiantou algumas especificidades deste grande acontecimento. Entre elas, que os participantes podem assistir a ambos conteúdos globais e locais, que decorrem em dias distintos. Logo na primeira jornada impõe-se as vozes dos óticos, CEO’s e palestrantes de vários países. Depois, e numa perspetiva local, cada país tem a própria agenda desenhada em torno da respetiva atualidade. E o que se obtém deste Global Community Summit? “Para as empresas participantes, ou seja, os nossos fornecedores, estar presente significa integrar a primeira plataforma digital de óticos independentes do mundo e apresentar as suas vantagens ao nível do serviço e dos produtos num evento global. Para o ótico representa, por um lado, ter uma visão privilegiada do que acontece no mundo, no âmbito do setor ótico independente, nos sete países em que a CECOP está inserida. Por outro lado, tem acesso aos principais fornecedores do setor, às novidades em termos de business e estratégia e de conhecer em primeira mão uma plataforma imersiva que dá a possibilidade de interagir com estes


As vozes da comunicação e da divulgação Julia Padilha, marketing project manager na CECOP explicou o planeamento que serviu para que o Global Community Summit chegasse longe, tanto online como offline e que começou com o teaser em que a concepção de uma personagem misteriosa e quase austera, neste caso o

comissário da Agência Internacional de Investigações Empresariais, Álvaro Buenavista, avisava nas redes sociais que o setor estava perante um acontecimento disruptivo. A partir daqui a reunião foi anunciada nas newsletter do grupo, em SMS, nas redes sociais, por WhatsApp e no site. “Como o nosso evento será aberto a todo o mercado ótico, ou seja, para associados CECOP e também não associados, focámo-nos ainda na parte digital dos meios de comunicação dos mercados em que temos presença. Sim, temos uma hashtag: #globalsummitcecop. Todas as informações sobre o evento, fotos e vídeos estão aqui compactados para todos consultarem. Destacamos, claro, o nosso parceiro português oficial de comunicação, com quem sempre contámos, a Millioneyes”, delineou Julia Padilha.

•• “É o momento perfe i t o par a passar m os tem p o de qualidade juntos e cultivar o espírito em preendedor num ambiente social e internacional” ••

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fornecedores”, esmiuçou o country manager para Portugal. E apesar das distâncias, a plataforma proporcionada pela CECOP para o Global Community Summit permite uma proximidade especial, porque os participantes podem interagir diretamente. Isto aliado a uma estratégia do conceito A Casa de Papel, ou seja, uma estratégia bem desenhada, uma equipa definida mediante as suas características e vocação para as tarefas, confiança nos intervenientes que lideram o evento, o conhecimento profundo do mercado e a antecipação de vários cenários garantem interesse acrescido e sucesso. “Cada vez mais, a CECOP é uma empresa “Glocal”, uma presença global com mais de 6.700 óticos associados, mas com uma estratégia e equipa locais. Com esta grandeza vem também responsabilidades para com o setor, ao qual temos que estar atentos e providenciar as respetivas respostas. É um evento disruptivo e demonstra a nossa atitude e a nossa forma de estar no mercado, em perfeita consonância com a nossa missão e valores”, rematou David Carvalho.


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O summit da CECOP, por ser digital, assume já o seu lugar de destaque no “novo normal” que invadiu os mercados, com a vantagem de poder apelar a mais óticos que podem participar de um grande evento na comodidade de sua casa. “Preparamos um plano de comunicação e marketing bastante forte. Queremos chegar a todos os óticos independentes em Portugal. Acreditamos que este evento pode trazer muita inspiração e motivação, através dos speakers que apresentaremos ao longo do evento. Considerando o momento de pandemia que atravessamos, em Portugal e no mundo, estou confiante que possa ser um grande evento para todos”, adiantou a responsável de marketing. Da agência de comunicação que dá apoio nesta aventura da CECOP, a espanhola MGC&Co, falou à Millioneyes a fundadora Marian Gómez-Campoy. A especialista explicou que o trabalho com o grupo multinacional baseou-se numa estratégia e calendário exaustivos, em que todas as semanas se lançaram informações sobre o congresso. “Este Global Summit tem um conteúdo de alta qualidade, por isso gera muito interesse por parte do ótico, para além da participação de marcas importantes do setor e das muitas novidades que temos para comunicar. É também um evento de interesse social, pelo que a comunicação é dirigida não só aos meios de comunicação mais profissionais, mas também aos generalistas. Sem dúvida que, na comunicação, quem não arrisca não vence e a parte do storytelling é cada vez mais importante. O Global Summit tem uma narrativa poderosa e inovadora, pouco usada até agora. Nisso, a CECOP também se destaca por arriscar fazer coisas novas e distintas para liderar e ser o farol do setor em tudo o que faz. É parte do seu ADN”, alinhou Marian Gómez-Campoy, assegurando que o Global Community Summit é um exemplo para outros setores profissionais.

A tecnicidade de um evento digital global Vittorio Gerosa, sócio director da agência Flash 2 Flash, conduziu-nos pela plataforma onde a magia acontece. Trata-se de uma ferramenta digital espanhola que já está no respetivo mercado e com o aval de grandes empresas como a Repsol e Dell. O foco essencial da plataforma é o universo das feiras profissionais, precisamente, porque é a grande lacuna dos mercados hoje, visto que são espaços essenciais aos negócios. A Flash 2 Flash garante aqui um ambiente virtual onde expositores apresentem o seu conteúdo de forma dinâmica e para que passam reunir com os empresários da ótica. “Outra parte da plataforma proporciona um ambiente para a transmissão de um evento híbrido, ou seja, um evento gravado num set e transmitido em direto para usuários conectados à mesma plataforma, como um programa de televisão”, transmitiu o especialista. O evento global tem uma programação compatível com todos os fusos horários

dos diferentes países, bem pensada e muito trabalhada pela diferentes equipas envolvidas no Global Community Summit, para que possa simultaneamente ser visto por um público amplo e internacional. Os eventos locais mais facilmente se adaptam às características do país em questão. “O Marketplace é criado antes do evento. Cada expositor carrega o seu conteúdo no respetivo stand, como se fosse uma feira normal. No que diz respeito às intervenções dos palestrantes, são organizadas por uma equipa de profissionais, que cobrem tanto os aspetos técnicos, como o streaming, até ao desenrolar do evento, como se fosse um programa de televisão. Todas as plataformas principais são projetadas para serem escaláveis e permitirem aumentar o número de participantes. É verdade que dependendo do tipo de reunião, existem limitações técnicas e outras de utilização: ninguém quer 200 pessoas a conversar em plena reunião”, definiu Vittorio Gerosa. O Global Community Summits quer ser o evento digital dos óticos independentes, por excelência. Tem um equilíbrio positivo entre a parte empresarial e lúdica que promete exercer um forte apelo, graças também a personagens já consagrados do mundo do entretenimento e do desporto, como é o caso de Helena Diez Fuentes, empresária e jornalista, e que será a cara das cerimónias globais, e Francisco Montero, um dos palestrantes motivacionais e também jogador de futebol excepcional que usa sempre óculos em campo. Os formatos serão adaptados para todos os canais, aumentando o poder de apelo pré-evento e também o conhecimento da CECOP no pós-evento. O desafio está lançado, num dispositivo digital perto de si, de 10 a 16 de março, com o mundo da ótica à distância de um botão, no Global Community Summit.


OITO ANOS DE “VIDA” E RECONHECIMENTO LANÇAM POSITIVISMO O grupo de ótica soma as conquistas e os desafios de 2020 num balanço positivo. Perante circunstâncias inesperadas, a Opticalia quis responder assertivamente às condições causadas pela pandemia e cresceu em serviços. O empenho valeu-lhe, mais uma vez, o Prémio Cinco Estrelas, em Serviços Óticos. A Opticalia completou oito anos de trabalho em Portugal, no mês de novembro de um ano verdadeiramente atípico. Mesmo perante as adversidades impostas pela pandemia por covid-19, a marca quis manter o espírito jovem, irreverente e resiliente. Isso demonstrou-se no contínuo foco nos objetivos de expansão da rede de lojas e na consolidação dos projetos desenhados em prol dos óticos. O Campus Opticalia cresceu, assim, para garantir a proximidade dos mais recentes conhecimentos e informações dos profissionais de todo o país. Também a Loja Online, deu um apoio essencial num período em que os consumidores estiveram confinados e limitados nas suas compras presenciais. E apesar do seu caráter digital, esta plataforma assinada pela Opticalia beneficiou sempre os óticos mais próximos dos respetivos compradores. Ambas as iniciativas do grupo ajudaram, direta ou indiretamente, na contribuição para o aumen-

to da notoriedade e o reconhecimento da qualidade de serviço da marca. Outra prova dos frutos deste dinamismo foi a atribuição pela empresa U-Scoot do Prémio Cinco Estrelas, na categoria Serviços Óticos. Este selo de qualidade avalia o grau de satisfação de produtos, serviços e as marcas nos seus utilizadores, através de uma metodologia bem delineada e isenta. Actualmente com 260 lojas, a Opticalia mantém a vontade de reafirmar a sua posição no mercado da ótica português. Segundo António Alves, director geral da Opticalia em Portugal, “depois de um ano tão desafiante como 2020, temos que acreditar que em 2021, mesmo com iguais desafios e com a continuação da pandemia, vamos alcançar ainda melhores resultados: abrir lojas, obter mais vendas offline e online, promover campanhas distintivas e garantir formação contínua para as nossas equipas.”

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OPTICALIA


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BRUNO BATISTA

COMUNICAR NO FUTURO COM O MUNDO COMO ALVO O presidente do Grupo GCI, que inclui a consultora de comunicação com o mesmo nome, concedeu-nos uma visão avançada sobre a abordagem das marcas nesta nova realidade que nos apanhou repentinamente. Jornalista, comunicador de excelência e com uma visão tão pragmática quanto positiva e delineada numa prosa bem construída, Bruno Batista e a sua equipa começaram a desenhar o novo panorama de comunicação e negócios entre empresas e compradores mal confinaram em março de 2020. Para além do conceito de sucesso Virtual Arena, o Grupo GCI tem ainda projetos que encurtam distâncias e valorizam as relações, mesmo que através da web. O futuro, esse, tem a luz dos ecrãs como pano de fundo, inevitavelmente, mas de forma renovada e apelativa. Aqui ficam as valiosas palavras de Bruno Batista, na primeira pessoa.


E consegue fazer-nos um tour pelo que conquistaram com este modelo de eventos? Fazer uma breve ronda por aquilo que ajudámos as empresas a concretizar é falar, por exemplo, nos quatro dias de Comic Con Portugal que decorreram no Virtual Arena e por onde passaram dezenas de milhares de visitantes. É recordar que pela primeira vez a Fundação da Juventude realizou a Mostra Nacional de Ciência e a Mostra Nacional de Empreendedorismo em formato online e escolheu a nossa plataforma para oferecer debates, mostras de projetos e entrega de prémios. Com o Chef Chakall realizámos workshops, showcookings e entregámos cabazes personalizados a cada atividade. Com uma empresa tecnológica, uma multinacional, efetuámos o lançamento de um produto recorrendo a realidade virtual para entrarmos em pormenor e com maior realismo nas

O setor da ótica hoje tem que “correr” para acompanhar as novas tendências impostas pela pandemia. Que recomendações disponibilizaria para que abram caminho neste florescente mundo digital? Nenhum setor estava preparado para a situação que estamos a viver, e o setor da ótica ou da comunicação não são exceções. Contudo, sabemos que, de acordo com o Observatório de Tendências, a pandemia impulsionou em 57 por cento o e-commerce em Portugal. Ainda de acordo com este Observatório é possível antecipar-se a manutenção da tendência de crescimento do comércio online – 66 por cento dos inquiridos consideram realizar compras de forma mista no futuro, alternando entre os canais digitais e os espaços físicos. Com a predisposição para a compra online a ser uma realidade (apenas 16 por cento dos inquiridos considera voltar às lojas físicas como fonte principal de compra) haverá forçosamente a necessidade de o setor da ótica também marcar presença. Ou melhor reforçar a sua presença, pois hoje já é possível comprar lentes de contacto ou óculos de sol online. O setor da ótica a retalho terá sempre uma abordagem mista, sendo que a diferenciação estará na forma como se

•• “Sabem os que, de acor do com o Obser vatório de Tendências, a pandem ia impulsionou em 5 7 por cento o e- com m erce em Por tuga l” ••

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Como um homem ligado à comunicação e ao marketing já ultrapassou a ideia de que os mercados vão regressar ao “normal”. Fale-nos do percurso criativo, desde que se instalou a pandemia até alinharem estratégias novas para as marcas que vos procuram, nomeadamente sob a forma da Virtual Arena. Acredito que vamos regressar muito em breve a um novo normal. Esta pandemia que nos assola desde há cerca de um ano ensinou-nos, por um lado, a ser resilientes e, por outro, que temos de nos reinventar. E, no Grupo GCI foi exatamente o que fizemos, nomeadamente quando concretizamos o Virtual Arena, espaço interativo para todo o tipo de eventos, que pode ser desenhado à medida de cada marca ou projeto. Seria muito estratégico dizer que o Virtual Arena era uma visão e uma ideia que tínhamos há muito, e que apenas a colocámos em prática em março do ano passado, mas não. Na verdade, com os cancelamentos gerados pela pandemia, a nossa área de eventos ficou parada e a realizar apenas webinars, conceito que nos parecia muito pobre uma vez que faltava experiência de marca, faltava branding, não conseguíamos gerar o efeito dos eventos ao vivo, a expectativa, a emoção não era a mesma. Focámo-nos então em melhorar e em criar eventos digitais, que cumprissem com os requisitos que tão bem conhecemos dos eventos tradicionais. E chegámos ao Virtual Arena, que na prática é uma sala para eventos em 3D, que permite realizar, decorar, customizar e criar toda a experiência de um evento, mas de forma virtual. Modelamos e desenhamos um palco e uma decoração exclusiva para cada organização, temos ferramentas para tornar a interação – chat, sala de entretenimento, fotografias do evento… - o mais próximo possível da realidade física. Desde feiras, com os stands em 3D, a congressos, passando pelas entregas de prémios ou apresentações de produto já concretizámos um pouco de tudo. Contudo, no início as empresas demonstraram muita curiosidade em conhecer, mas faltava confiança para investir numa solução tão diferente e à frente. Havia dúvidas sobre o resultado, o impacto nos convidados, as questões técnicas… Mas, realizado o primeiro evento, não parámos mais. Posso adiantar que tivemos semanas com sete eventos, por vezes dois por dia, e que evoluímos com a exigência de cada “encontro”.

novidades. Também foi no Virtual Arena que se materializou o apoio que a Zeiss deu à cultura, mais propriamente aos Commedia a La Carte e que contribuiu para que a realização de “2020 Futuro a La Carte”, uma celebração da cultura através do humor e da tecnologia, pudesse ser uma realidade. Neste espetáculo a marca partilhou o risco financeiro dos espetáculos planeados, suportando 1/3 dos bilhetes que não foi possível vender dado o estado de pandemia, e associou-se a um espetáculo tecnológico, em que a projeção e videomapping elevaram a Commedia a outra dimensão. Algo que fez paralelismo com a missão da Zeiss, uma marca com mais de 170 anos, que se foca em ter sempre uma visão mais ampla do mundo. Neste espetáculo, que reuniu “o melhor de dois mundos”, o espetador participou, como sempre, no desenrolar do espetáculo dos “Commedia a La Carte” – ainda que por intermédio de uma app através da qual, de forma segura, pôde intervir, ainda mais intensamente, nas atuações de César Mourão, Carlos M. Cunha e Gustavo Miranda.


tal como em 2019, mas poderá haver interação online com convidados que estão no outro lado do mundo. Uma interação onde o convidado terá/partilhará o mesmo palco, a interação com convidados poderá ser efetuada em simultâneo. Vamos imaginar um caso prático: um lançamento de produto. Antes a marca investia num evento físico, fazia convites, e recebia os seus convidados ao vivo. Nunca se conseguia uma eficácia total, havia sempre convidados que não vinham. Agora, com um pouco mais de investimento, ou até menos, damos hipótese ao convidado, que não se pode deslocar, de assistir a tudo, em direto, na versão digital do evento. Pode ainda ver mais tarde se não conseguiu agenda. E até mesmo os convidados que estiveram no evento presencial podem assistir à versão digital, que permanece gravada e mostrar/trabalhar com as suas equipas nesse conteúdo.

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cativa o cliente no online e se recebe depois na loja física, no contacto, no acarinhar do cliente ao longo do tempo. E a confiança dos consumidores, na sua opinião, como podem as marcas reconquistá-la? De acordo com o INE, no mês de janeiro, os indicadores de confiança do consumidor diminuíram na indústria transformadora e no comércio, tendo aumentado na construção e obras públicas e nos serviços. Os dados disponíveis revelam ainda que o indicador de confiança diminuiu no comércio a retalho e, de forma mais significativa, no comércio por grosso. Como poderão as marcas inverter esta tendência e reconquistar os seus públicos? Através dum trabalho de aproximação e sobretudo de aumento da reputação da própria marca. É certo que estamos a viver uma crise económica e social, que muitas marcas tiveram de emagrecer estrutura, mas há que falar, vender o sonho, com ética e clareza. No setor da ótica em concreto não creio que os consumidores tenham perdido a confiança nas suas marcas de eleição. Eu diria até o oposto, há um reforço da chamada compra inteligente. Os portugueses estão mais racionais com os gastos, mas percebem que, no campo da visão, comprar “barato” pode significar não estar satisfeito a médio prazo, e ter que voltar a comprar outro produto. É mais seguro apostar pela qualidade, garantir uma satisfação maior e a longo prazo. Falou noutras entrevistas de um futuro híbrido no que diz respeito a eventos, que incluem digital e presencial. Como se poderia processar este novo modelo? Sem dúvida que o futuro dos eventos será híbrido até por uma questão de sustentabilidade e eficácia dos investimentos. Na prática poderemos ter uma parte do evento física, onde as pessoas se reúnem

Agora sobre o peculiar mercado do luxo. A pandemia retirou-lhe parte do charme com as restrições sociais? Acha que se pode operar através do digital com charme? A pandemia teve um grande impacto sobre o mercado, em todos os sentidos. Inicialmente o isolamento social fez com que mais consumidores passassem a realizar compras de forma digital e de forma mais imediatista – a chamada compra num “clique”. Particularizando ao mercado do luxo, os números apontam para um crescimento superior a 90 por cento e de acordo com o Euromonitor International prevê-se que continue a crescer através do online. Ou seja, a pandemia mesmo com as restrições sociais, não lhe retirou o charme. Diria mesmo que trouxeram outro tipo de charme que é o poder receber no conforto da casa aquele bem que tanto almejamos. A diferenciação entre marcas que se posicionam no luxo estava no produto, no atendimento, na loja. Eu diria que a experiência de marca agora tem de se focar na acessibilidade digital, no detalhe em todo o processo de navegabilidade e compra, no acompanhamento da entrega da encomenda e no packaging. Tudo isto a somar ao produto. Que futuro antecipa para a comunicação das marcas? Para chegarmos a essa resposta temos de fazer antes outra pergunta: Que futuro antecipamos para as marcas? Sempre que o mercado está em crise entramos num desafio que coloca todos à prova. Nas atuais condições e organograma da sociedade de informação global, o mercado é cada vez mais uma soma de nichos, de tribos, que deixaram de estar divididas por estratos sociais, etários ou de localização. Não existem, e ainda bem, diferenças entre consumidor do litoral ou do interior. Uma marca consegue ser global, com pouco esforço, e satisfazer o seu consumidor em Évora ou Brooklyn, fazer chegar o produto com a mesma experiência, e os dois sentirem o mesmo magnetismo por ela. O que define hoje uma marca, e o que a torna única, é o seu propósito. Mais do que a proposta de valor dos seus produtos, ou a promessa ao consumidor, é a essência da sua existência que a caracteriza. O ADN de cada marca e a mutação necessária ao longo do tempo para acompanhar a evolução é o que alimenta estratégias de gestores e consultores. Ou seja, cada marca tem de viver no mundo do seu consumidor, e encontrar os mesmos propósitos. Quanto maior esta afinidade, maior a proximidade e fidelidade recebida em todos os momentos. Hoje, não basta partilhar os valores da marca, o desafio é fazer parte da realidade, trazer pessoas e sentimentos que encontramos na rua para as marcas. O tempo do mundo encantado na publicidade acabou, o consumidor quer sonhos reais, quer sentir que faz parte daquele universo. Hoje, os consumidores é que fazem a comunicação das suas marcas, todos os dias, nas redes sociais, no caminho de casa, nos jantares com amigos. Somos todos influencers, cada vez mais.


•• “Apenas sete por cento dos utiliz adores de progr essivos sabe que ex istem lentes pr ogr essivas per sonaliz adas” ••

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HOYA: ATUAL E EM MOVIMENTO A fabricante de lentes oftálmicas assegura o seu lugar entre as escolhas dos consumidores do futuro com o destaque das suas progressivas personalizadas MySelf. O facto de envolverem a mais avançada tecnologia e garantirem conforto valeu-lhes a conquista do prémio prestigiado do Reino Unido, Opticians Awards, organizado pela revista especializada Optician. As lentes progressivas personalizáveis MySelf são a solução da Hoya para um mundo que se move a alta velocidade. O desenho progressivo e personalizado mais avançado da marca assegura aos utilizadores uma enorme facilidade de foco ao longe e ao perto e ainda uma adaptação fluída. A Hoya apurou, aliás, que “nove em cada dez utilizadores consideram que uma fácil adaptação é um benefício muito importante nas suas lentes.” Desta forma, as MySelf elevam o rendimento visual a um outro nível e tudo se deve à aplicação de tecnologias especiais. A Adapt Ease é uma delas e está otimizada para o dia a dia, direcionada em particular à atual dependência dos dispositivos digitais e dos telemóveis em particular. Com esta tecnologia há uma melhoria significativa do campo de visão de perto e intermédio e o favorecimento do campo de visão de média distância. Outra ferramenta essencial é a 3D Binocular Vision que vem complementar a Tecnologia de Harmonização Binocular da Hoya e compensa as anisometropias, permitindo uma melhor perceção da profundidade. Este desenvolvimento reduz os sintomas astenópicos e controla o efeito prismático não desejado na periferia da lente. Traz ainda claridade excecional da visão, redução do efeito de

desequilíbrio provocado pela mudança de foco nas diferentes distâncias e uma visão estável com menos distorção e melhor adaptação às tarefas digitais. A Hoya alerta ainda que “os profissionais dos cuidados da visão têm consciência que, quando aconselham um cliente na compra dos seus primeiros óculos progressivos, podem surgir algumas dúvidas, especialmente se será capaz de continuar a viver da mesma forma. Grande parte deste medo infundado provém da falta de informação sobre as lentes progressivas e os distintos desenhos existentes. Apenas sete por cento dos utilizadores de progressivos sabe que existem lentes progressivas personalizadas (estudo independente realizado entre profissionais da visão e consumidores). Depois de uma breve introdução sobre os benefícios das lentes progressivas personalizadas, 90 por cento dos utilizadores mostraram interesse. E mais interessante ainda é que 66 por cento estariam dispostos a investir mais 22 por cento nas suas novas lentes.”


GIOVANNI VITALONI

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UMA MIDO 2021 QUE SE DESEJA O presidente da feira mundial MIDO partilhou com a Millioneyes a intensidade do ano 2020 para si e para a sua equipa. A pandemia forçou ao constante adiamento do certame que acontece na maravilhosa cidade de Milão, em Itália, e a solução passou pela ligação constante a quem dá vida à MIDO. Passou também pela esperança de voltarmos aos negócios presenciais já em junho, de 5 a 7. Um facto é evidente, não há um regresso às feiras de outrora, mas há vontade de revitalizar o setor da ótica em direção a um futuro único.

Nestes tempos estranhos que vivemos, as circunstâncias que em março de 2020 pareciam provisórias, tornaram-se duradouras. Têm um plano B se, por causa da pandemia, a MIDO 2021 não puder abrir portas? A MIDO está a trabalhar para realizar o evento em segurança e com caráter presencial. Todas as nossas forças estão focadas neste propósito, incluindo um trabalho próximo com o governo para facilitar os corredores verdes entre países. Na infeliz hipótese da não realização devido a imposições governamentais, a nova plataforma digital que será apresentada em breve procurará de remediar esta perda enorme. Estamos a estudar instrumentos eficazes, mas simples, que permitam

aos expositores e compradores da MIDO interagiram ao mais alto nível e regressarem aos negócios presenciais. Se tudo correr bem e a MIDO 2021 se realizar, quais as novas linhas que definem a feira milanesa? Será uma MIDO diferente, muito atenta à segurança sanitária, com inevitáveis mudanças na estrutura dos pavilhões que todos estamos habituados a viver. O espírito, porém, não muda: a MIDO permanece a manifestação líder do setor e tem como foco principal garantir o seu caráter internacional e as trocas comerciais. Por outro lado, são imensas as empresas que nos pedem este momento de encontro, depois de 18 meses de paragem. E a MIDO


•• “Ser á um a M IDO difer ente, m uito atenta à segur ança sanitária, com inevitáveis m udanças na estr utur a dos pavilhões que todos estam os habituados a viver . O espír ito, poré m , não muda” ••

A ótica mundial também tem que fazer ajustes ao seu calendário habitual, porque é um período inédito para a realização de uma feira . Inevitavelmente, embora a nova data de junho 2021 tenha sido comunicada com mais de oito meses de antecipação e o setor eyewear, como tantos outros, já teve que se adaptar e remodelar a forma como propõe as coleções, apresenta os novos produtos e as respetivas inovações, manter o contacto com os clientes e os fornecedores. Por tudo isto, o serviço aos clientes tornou-se um fator de elevada relevância. E claro, sabendo-se que a adaptação num momento como este significa sobrevivência e resiliência, não acredito que haverá qualquer problema em abraçar a nova MIDO. Claro que, não se pode esperar uma edição de recordes, como aquela que prevíamos em 2020.Será necessário tempo antes que a manifestação se possa desenvolver no modo e com o sucesso obtido até 2019. Resta-nos, no entanto, a fundamental importância de uma iniciativa presencial: o digital pode funcionar para algumas aspetos, mas nada poderá substituir aquilo que se consegue atingir quando nos encontramos, quando tocamos no produto com as mãos, trocando-se ideias e opiniões.

O facto da feira de Florença, a DaTE, se ter realizado em setembro é um sinal de esperança. Sim, foi muito positivo e estamos muito orgulhosos por todo o setor. Foi uma prova de quanto os eventos presenciais na ótica têm um papel e um valor fundamental, com evidências na feira DaTE, a única do setor em 2020. Quisemo-lo com muita força e a reação dos expositores e visitantes foi o reconhecimento da nossa coragem. Adicionalmente, os resultados em termos económicos, considerando o período conturbado, foram interessantes. Apesar de tudo, o que mais contou foi encontrarmo-nos, o que injetou confiança e otimismos em todos. Hoje, mais do que nunca, temos necessidade de reencontrar esta confiança e somente a MIDO pode ajudar o setor a reconquistá-la. O setor está, de facto, perante um enorme desafio. Como se supera algo desta magnitude e como poderá a MIDO contribuir para a indústria e os óticos agora e no futuro? O primeiro passo foi completado já em março de 2020, quando a MIDO apresentou a plataforma MIDO4U, um instrumento digital que permitiu aos expositores mostrar as suas coleções e aos visitantes consultá-las facilmente e depois contactar as respetivas empresas. Nos meses seguintes, toda a equipa continuou a trabalhar vivamente para apoiar a indústria

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está ao seu serviço e devemos fazer tudo para assegurar que a feira aconteça. Por isso mesmo, há muitos meses que estamos a trabalhar em coordenação contínua com o Ministério dos Negócios Estrangeiros italiano e a ICE, (agência para a promoção fora de Itália das empresas italianas), para estudar e colocar em prática soluções que garantam a máxima segurança do evento. Entre essas, a possibilidade de testes rápidos, a higienização ambiental continuada, controlo da temperatura e os denominados “corredores verdes” internacionais, extremamente importantes para obter a bilateralidade dos empresários, na entrada e saída dos países fora da União Europeia, como os EUA. A MIDO é um certame global e queremos manter este espírito vivo da forma mais ampla possível.


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e os óticos com atividades alternativas e de apoio (sondagens, revelação de dados importantes, campanhas emocionais, entre outros), para encorajar e sustentar um setor que, felizmente, manteve-se sempre ativo, embora registando perdas significativas, sobretudo no segmento de sol. Para o futuro, imaginamos um retorno gradual. Adicionalmente, como associação assumimos e continuaremos a fazer no futuro iniciativas que recarregam o setor.

Isto porque assume ainda um papel importante na associação representativa do setor em Itália. Dê-nos exemplos das medidas aplicados no setor para promover a sua recuperação. Como presidente da ANFAO, a associação italiana dos fabricantes de artigos de ótica, posso confirmar que interpusemos numerosas iniciativas de apoio ao setor. Conscientes da gravidade da situação sanitária global e da prioridade absoluta à defesa e salvaguarda da saúde de todos, convocámos algumas discussões para avaliar quais pudessem ser as soluções para salvar o setor, que não pode ser esquecido. Em Itália tem um valor acima dos quatro biliões de euros. Os pedidos às instituições desenvolveram-se em três direções principais: apoio à empresas do setor penalizadas em termos de liquidez, apoio às exposições e apoio ao mercado interno. Existe ainda um aspeto a ser considerado: a emergência sanitária ligada à covid-19, e a consequente crise económica arrisca incidir também sobre o bem-estar visual das pessoas, sobretudo as que têm rendimentos mais baixos, que adiam as eventuais exigências da sua visão, falhando a correção dos defeitos de acuidade ou, ainda pior, recorrendo a auxílios visuais não adequados aos seus problemas (mais de 60 por cento da população italiana tem um defeito visual). A ANFAO, sob égide da Comissão da Defesa da Visão, propôs e conseguiu em dezembro uma medida de emergência para introdução do Bonus Vista, destinado a fornecer um contributo em forma de voucher para a compra de óculos de prescrição e lentes de contacto corretivas e dedicados a faixas com rendimentos mais baixos. Além disso, ainda no mês de dezembro, a ANFAO e as organizações sindicais italianas da categoria conseguiram o acordo para renovação do contrato nacional de trabalho do setor da ótica, aplicado a cerca de 18 mil associados em todo o território nacional. Voltando aos eventos, o digital parece ter-se tornado central neste panorama. É também esse o futuro que a MIDO equaciona? É ponto assente que o digital entrou nas nossas vidas de maneira preponderante. É, portanto, inevitável que faça parte também do futuro da MIDO. O chamado “phygital” é um facto e todos devemos tê-lo em conta para acompanhar o ritmo dos novos tempos. Na MIDO, por outro lado, nunca faltou atenção sobre o aspeto

virtual, Fizemos imensas atividades nesta direção nos anos passados: em 2000, a MIDO lançou o Eyesway, o primeiro portal dedicado à ótica e foi ainda a primeira feira do setor a providenciar uma aplicação. Adicionalmente, dedicámos sempre muita atenção às campanhas digitais e aos perfis sociais. Em breve será apresentada a nova plataforma MIDO 2021, como já referi. Um fator importante, mas que não substitui, como já afirmei, a experiência em pessoa. Que mensagem deixa à indústria mundial neste momento crucial? De ter coragem e de caminhar em frente mantendo bem presente, não aquilo que perdemos, mas o que não perdemos e, sobretudo, o que conseguimos encontrar. A MIDO sente profundamente a responsabilidade de desenvolver um papel fundamental para revitalizar o setor da ótica. é um momento de encontro importante para todos os operadores da fileira: para o produtor das matérias primas e do produto acabado, bem como para os designers e os criativos, passando pelos representantes do mundo da moda aos fornecedores de maquinaria. A feira representa uma vitrine essencial e uma ocasião de negócios e de trocas necessária, principalmente num momento de dificuldade como este que estamos a viver. A estrada é, infelizmente, ainda a subir mas existem sinais de crescimento seja nos mercados, com um crescimento inicial, mesmo que tímido, dos consumos, seja nos eventos. Ainda mais que antes, este momento serve para unir os operadores do setor, para formar ideias e olharmos o futuro juntos. Espero, protanto, poder encontrar-vos a todos, em segurança, de 5 a 7 de junho, em Milão.


O inquérito anual desenvolvido pelas publicações especializadas em ótica, Vision Monday e 20/20 Magazine, apontou os equipamentos da Zeiss como os melhores do ano. Esta é uma iniciativa das duas revistas norte-americanas do grupo Jobson Medical Information destinada a identificar os produtos e empresas preferidos dos leitores profissionais. As plataformas de comunicação especializadas anunciaram no final de 2020 as prioridades dos seus seguidores, na 12ª edição anual dos EyeVote Readers Choice Awards. Para chegar aos resultados, pediu-se aos óticos e optometristas e, em geral, aos leitores de ambas as publicações que manifestassem as suas preferências entre 19 categorias distintas. Na categoria de instrumentos de diagnóstico, o melhor fabricante, segundo os profissionais que responderam ao concurso, foi a Zeiss. A marca de origem alemã conquistou ainda a categoria de equipamentos, com os inquiridos a considerá-la a melhor entre todas. A Zeiss justifica a sua predominância com a prioridade à melhor visão possível de cada cliente, que deve forçosamente começar por uma análise excelente. Por isso mesmo, a marca tecnológica trabalha inten-

samente para proporcionar equipamentos especializados que se integrem na dinâmica de trabalho dos profissionais de maneira fácil. As medições precisas destas ferramentas seguem os passos das grandes conquistas de fabrico que a marca consegue desde a sua fundação, em diversas áreas. E desde o apuramento das necessidades do cliente até aos seus óculos definitivos, os instrumentos da Zeiss garantem que todo o processo seja exaustivo e transparente, resultando numa experiência agradável para o consumidor. Além de todas estas vantagens, os equipamentos da Zeiss asseguram ainda que o profissional de saúde explique de forma simples e visual cada momento do processo e a razão para a recomendação de determinado produto para posterior correção da visão.

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ZEISS ARREBATA EYEVOTE READERS CHOICE AWARDS


JUTTA KAHLBETZER

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O CORAÇÃO CRIATIVO DA MAYBACH EYEWEAR A designer de origem alemã tem em si a capacidade de ler os desejos dos usuários de óculos. Começou pelo olhar dos mais pequenos com peças eyewear frescas e apelativas, para assumir voos mais luxuosos. Com quase três décadas de desenho na ótica sob égide da sua empresa familiar IVKO, que desenvolve com o marido Wolfgang Thelen, o projeto da Maybach Eyewear surgiu em 2010. Jutta Kahlbetzer assumiu-o com a leveza de quem sabe as premências de um consumidor exigente. Aliás, esta criadora adora acabamentos perfeitos, o toque suave das matérias mais nobres, o alinhamento estético que leva a que a simplicidade seja complexa em cada aresta pensada e cada detalhe sublime. À Millioneyes entreabriu o seu percurso, os seus trabalhos, os anseios e um “novo” futuro que se desenha ao ritmo do contexto sanitário mundial. A Maybach, neste sentido, demonstra a preparação para trazer felicidade nas memórias de modelos intemporais.


Adorávamos saber como se envolveu no design de eyewear. Quando visitei a minha primeira feira de óculos, em paris, em 1993, para apoiar na tradução de e para francês, inglês e alemão, não tinha qualquer relação com o universo da ótica. Bom, até tinha, na altura o meu namorado, que agora é meu marido, Wolfgang Thelen, trabalhava como diretor de vendas da empresa Hoffmann Natural Eyewear, a qual comprámos em 1999. Sempre tive uma ligação forte com a estética artística, já que a minha mãe era uma verdadeira artista em desenho e pintura. E apesar da minha formação ser na área de gestão e economia, desenhar tudo e qualquer coisa sempre foi a minha verdadeira paixão. Durante aquela SILMO de 1993, fiquei desapontada quando constatei a oferta de estilos, especialmente para crianças. Não havia muita escolha para este segmento e não vi nada, honestamente, que atraísse uma criança. Neste período estava a trabalhar na indústria do alumínio. Por isso, em 1994, eu e o Wolfgang começámos a nossa própria empresa, com as nossas marcas próprias de eyewear, em alumínio e madeira. Depois em 1996, lançámos a primeira coleção infantil, Janosch, que teve um sucesso fenomenal. Tem desenhado para várias marcas diferentes. Enquanto designer, como se ajusta a cada estilo e conceito? Na minha opinião, um designer deve ter a capacidade para criar um produto estético para todos os grupos alvo. Henry Ford dizia que “para se ser bem-sucedido, é crucial compreender o ponto de vista do outro”. Eu acredito que é nesta ideia que reside a diferença entre um artista que só produz

as suas peças de arte no seu estilo individual e o designer que necessita ter um sentindo estético mais amplo. Eu adoro criar uma armação absolutamente luxuosa e high end para a Maybach, com materiais lindos, mas também sou apaixonada pelo mergulho encantado num mundo de uma criança com elfos e unicórnios e muito brilho…não há limite, a não ser o que impomos sobre nós próprios. De um ponto de vista criativo, o que é preciso para desenhar para uma marca como a Maybach? Deve ouvir os proprietários da marca e os profissionais do segmento automóvel, por exemplo? Para a marca Maybach, eu só preciso de observar as linhas perfeitas, as formas e as superfícies dos carros de luxo. É claro que, os óculos também devem aparentar e ser exímios nos acabamentos. Apesar de todos querermos sentir as superfícies suaves e harmoniosas, o aspeto visual das peças eyewear tem de ser irrepreensível.

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•• “Na minha opinião, um designer deve te r a capacidade par a cr iar um produto estético para todos os grupos alvo” ••


E planeia as matérias antes do design? Quais as que privilegia e porquê? Não posso dizer qual é o passo que vem antes do outro - é sempre um processo uno - claro que, o meu material preferido é o chifre natural e, sempre que possível, está envolvido na criação. Também sei que os clientes esperam que apliquemos uma gama variada de materiais preciosos. A vantagem do chifre natural assenta na sua raridade, por um lado, e na sua sustentatibilidade, por outro. E a sensação no toque é incomparável.

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Qual é a principal inspiração neste processo de design com a Maybach? Excetuando os maravilhosos detalhes nos carros, eu sempre tenho presente que a pessoa que um dia irá experimentar estas peças, tem que se sentir de alguma forma nobre, intocável e pleno de estilo enquanto usa a armação ou óculos de sol. Prevê algum tipo de ajuste no trabalho criativo da Maybach Eyewear face à pandemia por covid-19? Bem, não propriamente, mas muitos dos nossos seguidores demonstraram uma clara tendência do “regresso ao clássico” com o aumento das encomendas dos nossos estilos perenes como The Artist III, que inclui a coleção desde o início da faceta eyewear da marca, há dez anos. Obviamente que se trata de beleza intemporal e representa estabilidade, uma condição que todos precisamos nestes tempos incertos. Há ainda algum desenho que sonha fazer sob a marca Maybach que ainda não concretizou? Sim, mas ainda estou à procura de métodos para ultrapassar os obstáculos técnicos…

Quem são os seguidores da Maybach e de que forma se sente ligada a eles? É um grupo gigante de muitas individualidades: vai desde homens e mulheres de negócios relativamente conservadores até ao mais irreverente rapper. De tempos a tempos, temos a sorte de os ver durante eventos ou nas nossas boutiques Maybach, onde está também toda a gama de acessórios construída sob o desígnio a marca. Porém, os nossos clientes, os óticos, mantêm-nos atualizados sobre este grupo e o respetivo feedback. Uma tendência que temos constatado em definitivo é que a Maybach atrai cada vez um número maior de jovens compradores. E o que podem os fãs da Maybach esperar dos modelos do futuro? Penso que, em cada criação conseguimos a combinação perfeita de materiais e portanto não há muito mais espaço para ideias ainda mais criativas, no entanto posso garantir que a próxima coleção de primavera vai incluir imensos detalhes surpreendentes, mais uma vez. Do seu ponto de vista muito experiente, como vê o mercado do design eyewear hoje em dia? Acho que em alguns aspetos demonstra a mesma tendência da indústria da moda: a gama do que é dedicado para estar en vogue está a tornar-se sempre mais ampla. Não se pode estabelecer que existe apenas uma tendência, pois o panorama muda de região para região e de grupo alvo para grupo alvo. O luxo é o “próximo futuro” da ótica? É muito claro que a ótica finalmente atingiu a sua posição como o primeiro acessório que se vê quando conhecemos alguém. Nunca houve tantas discussões sobre quão dispendiosos ou luxuosos podem ser um par de sapatos, um relógio ou um casaco… e sinto satisfação em perceber que tantas pessoas chegaram ao ponto em que os óculos são provavelmente o item mais luxuoso que usam.


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