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Millioneyes 96

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Distribuição exclusiva a profissionais • Preço de Capa: €7,50

PORTUGAL • Nº 96 • Janeiro 2021

Mudança de valores

Estratégias para “fintar” a recessão no mundo pós-pandemia Estudo nacional

Saúde visual dos portugueses agrava-se

João Pinto

CCVO: a abordagem transversal ao mercado da ótica


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Jean-François Rey

Mudança de valores

CECOP

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Luís Feijó

Estudo Internacional

BREVES

CAPA

Expressões de cor

Os propulsores do consumidor e as estratégias para “fintar” a recessão no mundo pós-pandemia

OUTROS OLHARES

OLHAR EM PORTUGUÊS Programa de Gestão de Óticas avança

OPTOMETRIA

Uma Shamir portuguesa que não para

Má visão ligada à depressão

Diretora: Editora: Redação: Design e Paginação: Fotografia de Capa: Fotografia: E-mail: Tel: Periodicidade: Tiragem: Impressão: Preço de capa em Portugal: A MillioneyesTM é propriedade da Parábolas e Estrelas – Edições Lda. com sede na Rua Manuel Faro Sarmento, 177, 4º esquerdo, 4470-464 Maia, Portugal NIF: 510195865 Gerente/Diretor - Cristóvão Jesus Detentor de 100 por cento do capital social Sede de Redação Rua Elísio de Melo, 28, S 38 4000-196 Porto Qualquer crítica ou sugestão deve remeter-se para: millioneyes@outlook.pt

Patrícia Vieites Carla Mendes Carla Mendes, Mariana Teixeira Santos Paula Craft Anna Shvets from Pexels Paula Bollinger, Miguel Silva, Hugo Macedo millioneyes@outlook.pt 96 232 78 90 Mensal 2000 exemplares Uniarte Gráfica, S.A 7,50 euros Depósito Legal n.º 419707/16 Interdita a reprodução, mesmo que parcial, de textos, fotografias ou ilustrações sob quaisquer meios e para quaisquer fins, inclusive comerciais. Os artigos de opinião e os seus conteúdos são da total responsabilidade dos seus autores. Registo na ERC n.º 126933

Foto: Anna Shvets from Pexels

Índice | 6 |

Tema de Capa: Estamos todos em busca de novas respostas para trazer os consumidores de volta às lojas, sejam físicas, sem digitais. O artigo destacado dá algumas sugestões baseadas em pesquisas validadas e profissionais avançados em como encarar a “nova realidade”.


Distribuição exclusiva a profissionais • Preço de Capa: €7,50

PORTUGAL • Nº 96 • JANEIRO 2021

MUDANÇA DE VALORES

Estratégias para “fintar” a recessão no mundo pós-pandemia ESTUDO NACIONAL

Saúde visual dos portugueses agrava-se

JOÃO PINTO

CCVO: a abordagem transversal ao mercado da ótica

Estamos a terminar a primeira edição do ano com esperança neste 2021, mas perante a ameaça de uma nova primavera 2020. A covid-19 força o endurecimento das medidas de contenção da doença por parte dos decisores do nosso país e faz sofrer a economia de forma agonizante. Temos esperança, claro! A vacina já circula entre a população mundial e os empresários do setor da ótica demonstram enorme preparação perante uma conjuntura que provou o poder de alguns e as fragilidades de outros. Da nossa parte, juntámos esforços criativos para contribuir com a mais preciosa informação que um empresário pode ter: análises de mercado. Damos dimensão, por isso, ao estudo mundial da especialista WGSN, que não parou nem um momento nas suas investidas inquisidoras para dotar o mercado de ferramentas. É crucial que a economia seja revitalizada e os meios de comunicação têm a obrigação de fazer fluir soluções certificadas. E chegamos assim ao nosso artigo destacado que fala de um novo consumidor, de novos valores, novos caminhos até às preferências de quem compra e ainda novas formas de vender o mesmo produto de sempre. Claro que, num momento em que o ser humano se vê confrontado com um desafio sanitário é preciso focar esforços em aumentar a confiança na nossa empresa, nas pessoas que a fazem viva e num produto que tem que ser sempre mais irrepreensível, seja em que segmento for. E porque somos feitos de ótica, damos espaço às conquistas das nossas empresas, à criatividade do gestores e artistas e a dados centrais sobre a saúde visual, que é o âmago da nossa vida. Esperamos contribuir para que as ideias e as soluções circulem entre o setor que escolhemos tornar nosso, por ser, precisamente, um dos mais dinâmicos no tecido empresarial português. Os testemunhos que recolhemos durante os últimos meses provam isso, sem tirar nem por! Com eles aprendemos mais sobre a resiliência, sobre a auto-reinvenção, sobre a ponderação mesmo em tempos que exigem imediatismo e sobre solidariedade. Estamos consigo em todos os momentos. A ótica está na sua Millioneyes! Estatuto Editorial / Sinopse A Millioneyes é uma revista profissional dedicada ao setor da ótica, contando com presença integral online através da plataforma isuu.com. A Millioneyes tem o objetivo de cobrir os acontecimentos específicos do seu setor e retratar a informação de forma rigorosa, com toda a dedicação e competência. A Millioneyes traz uma abordagem íntima, atualizada e assertiva sobre o setor da ótica em Portugal, esmiuça perspetivas de outros países sobre a situação do mercado, retrata tendências em óculos, expõe dados científicos essenciais aos técnicos da área com o apoio dos oftalmologistas e optometristas e aborda de forma inédita os empresários que gerem os estabelecimentos nacionais. A Millioneyes compromete-se a respeitar os princípios deontológicos e a ética profissional aplicada à atividade profissional dos jornalistas, assim como a boa fé dos leitores, através do trabalho dos seus colaboradores e diretor. A Millioneyes é independente do poder político e de grupos económicos, sociais e religiosos.

Editorial | 7 |

Confinados mas preparados


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Breves | 10 |

DITA

Fleye

Elementos de arte A casa dinamarquesa anima a época fria com novas adições à sua coleção Elements of Art. Cores , padrões e texturas intensos destacam 13 estilos de prescrição, que reúnem astuciosamente design, arquitetura e arte. O conjunto inspira-se no museu Thorvaldsen, que exibe a extensa obra da vida do escultor Bertel Thorvaldsen. Em 2020 celebrou-se o 250º aniversário do artista dinamarquês e a Fleye fez o seu tributo com óculos singulares e incontornáveis. “O museu Thorvaldsen está cheio de detalhes com cores fortes e padrões maravilhosos. Um passeio pelo edifício presenteia-nos com uma verdadeira orgia de tons - paredes coloridas, tetos ricamente decorados e o mosaico do chão, todos têm a mármore e esculturas de gesso encapsuladas de Bertel Thorvaldsen”, disse Annette Estø, chefe de design da Fleye.

Res/Rei

Essências em forma de eyewear A insígnia italiana lançou a coleção Essences inspirada no mundo mágico dos odores mais sedutores. Tal como as fragrâncias, os óculos foram criados através de uma mescla de ingredientes e conhecimentos ancestrais. As peças fazem, por isso, brilhar transparências e tonalidades em encadeamentos sublimes e irrepetíveis.

Vakatope ou uma nova perspetiva sobre o bifocal A casa de luxo eyewear atreveu-se a reinventar o conceito dos óculos bifocais com um modelo de sol irresistível. A edição limitada Varkatope inspirou-se na necessidade de um novo olhar sobre este segmento, libertando os usuários da construção tradicional das lentes. Pela primeira vez, as lentes bifocais removíveis integram graciosamente os frontais em titânio e permitem ao utilizador usufruir de graduação de leitura. Cada peça foi calibrada de forma cuidada sob o desígnio do luxo e durabilidade, com destaque nas hastes, esculpidas para revelar um interior intrincado e único. A Varkatope é extremamente exclusiva e limitada a 290 peças em preto e dourado e 210 em padrão tartaruga e gunmetal.


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Conselheiros da Visão

Breves | 12 |

Pela prevenção da diabetes O grupo de óticas nacional associou-se pelo terceiro ano consecutivo à Associação Pata D’Açucar e à apresentadora e médica veterinária, Andressa Pedry, numa campanha de consciencialização para a regularidade de exames visuais como prevenção da cegueira causada pela diabetes. A acção é apoiada através de donativos e pela venda de brindes aos clientes das óticas Conselheiros da Visão, ajudando assim a associação a resgatar vários cães abandonados por ano.Estes animais são depois treinados para a detecção precoce das baixas de glicemia nos seus tutores, que no limite podem ajudar a salvar vidas.

Jean-François Rey

Expressões de cor A casa francesa lança-se numa sobreposição e dualidade de tons sedutoras. As armações dão novo ênfase ao rosto através da delicadeza das linhas que se expandem com criatividade e atrevimento. Todos os desenhos têm uma expressão original de cor, que dinamiza o conjunto e torna esta coleção numa afirmação de poder por parte do criador Jean-François Rey.

Foto: Nataliya Vaitkevich from Pexels

Johnson & Johnson Vision

Mais lentes de contacto no pós-confinamento A empresa multinacional desenvolveu uma sondagem sobre o impacto da pandemia no comportamento dos utilizadores de lentes de contacto. Entre os mais de 2000 inquiridos da Alemanha, Itália, França, Espanha e Países Baixos, 71 por cento dos consumidores que tinham desistido das lentes de contacto admitiu ter regressado ao uso com o mesmo ritmo. Já 22 por cento das respostas indicaram a desistência ou redução do uso do produto. Quanto ao comportamento de compra, foi interessante constatar que 20 por cento dos participantes da sondagem respondeu que comprava mais lentes de contacto agora em comparação com o período pré-pandemia.


Lunettes Alf

Os fabulosos anos ’20 Desenhados em Paris e produzidos na Normandia com toda a qualidade, as novas propostas Alf inspiraram-se na época em que os óculos se tornaram um acessório de estilo e de excelência em design. A coleção a20 desdobra-se numa beleza simplista e em desenhos eternos que acentuam o rosto sem reclamar protagonismo. O acetato japonês e as lentes minerais fotocromáticas põem um ponto de luxo num conjunto incontornável.

Breves | 14 |

Seraphin Shimmer

O brilho à flor da pele A marca desenvolvida pela Ogi Eyewear veste-se de festa na nova coleção Shimmer. “Acreditamos que os cristais, símbolos icónicos de luxo e requinte, podem assumir uma faceta vanguardista”, acreditam os criativos dedicados à Seraphin. Sob esta premissa, nascem formatos plenos de glamour, linhas arquiteturais e texturas destacadas com cristais Swarovski. E na base das fantasias que levaram a este resultados estiveram os fraturantes anos ’20, com as suas descobertas em moda e uma inquietude florescente.

Ørgreen

Imaginação em linhas Da Dinamarca chegam novas criações sob uma campanha fotográfica sublime. A coleção Imaginary Lines surge em contraste com luzes, tons terrenos e rostos delineados num trabalho executado pela fotógrafa Petra Kleis. Compõe-se por sete estilos em titânio ultra fino e é um tributo à motivação criativa por trás do trabalho dos designers da Ørgreen e à expressão do seu sentido ético, na contínua exploração e superação dos limites.


Lapima

Breves | 15 |

O Brasil em formato eyewear Lapima é sinónimo de calor, de natureza, de design e de paixões. Nascida em Campinas, nos arredores da grande cidade de São Paulo, a marca teve nas mãos dos brasileiros Gisela e Gustavo Assis, o meio para encontrar a originalidade em linhas arrojadas, mas alinhadas e harmoniosas. Inspirados pelos movimentos artísticos mais atuais e nas linhas orgânicas do Brasil, Lapima tem essência na justaposição do luxo com uma atitude destemida. Destacamos a fabulosa coleção Mamanguá, estimulada pela voluptuosa natureza sul-americana e pela sedução da cor.

Roveri

Performance de luxo A nova campanha da italiana Roveri exibe a elegância de um original modelo panto para homem, com o fundador da marca, Michele Claseri, como ator principal. O palco dos óculos CLM-7 é uma sedutora Los Angeles num cenário de luxo desportivo intemporal.


Safilens

Breves | 16 |

CooperVision

Brilliant Futures O Programa de Controlo da Miopia Brilliant Futures da CooperVision vai ser lançado em Portugal, com as lentes MiSight 1 Day. “A prevalência da miopia infantil em Portugal tem vindo a crescer nos últimos anos.i Além disso, em 2020 juntaram-se as especiais circunstâncias do confinamento, onde muitas crianças passaram menos tempo ao ar livre e mais tempo a aprender através de plataformas que usam ecrãs, o que pode influenciar o desenvolvimento da miopia . ii,iii,iv É vital controlar esta progressão o quanto antes e com urgência, para ajudar a proteger a saúde ocular no futuro. Como pioneiros mundiais neste campo, desenvolvemos Brilliant Future para ajudar os profissionais da visão e os pais a controlar a progressão da miopia nas crianças”, explicou Manuel Gomez, director técnico da CooperVision. O programa Brilliant Futures procura introduzir um novo standard de atenção para as crianças com miopia. Estimula a prática profissional do controlo da miopia, dá apoio às crianças e aos pais para cumprir o tratamento, garantindo a satisfação, mostra os resultados clínicos e aumenta a probabilidade de fidelidade a longo prazo. Brilliant Futures baseia-se nas lentes de contacto MiSight 1 day com a tecnologia ActivControl, que demostrou clinicamente que atrasam a progressão da miopia em crianças.v* *Comparada com uma lente de contacto monofocal durante um período de 3 anos Referências: i

Cristina C. Alvarez-Peregrina, Miguel Angel M. A. Sanchez-Tena, Clara C. Martinez-Perez, and Cesar C. Villa-Collar, “Prevalence and Risk Factors of Myopia in Spain,” Journal of Ophthalmology, vol. 2019, Article ID 3419576, 7 pages, 2019. https://doi.org/10.1155/2019/3419576 [doi.org]. ii Wolffsohn J, et al. Cont Lens Anterior Eye. 2016;39:106–116 iii WHO. The impact of increasing prevalence of myopia and high myopia. A Report of the Joint World Health Organisation (2015). Available at: www.who.int/blindness/causes/MyopiaReportforWeb.pdf. Accessed August 2020 iv Gifford P & Gifford, K. Optom Vis Sci. 2016;93:336–343 v Chamberlain P, et al. Optom Vis Sci. 2019;96:556–567

Lança inovação Delivery A fabricante de lentes de contacto celebra os seus 20 anos com a introdução no mercado de uma nova família de produtos. A linha Delivery é pioneira e inovadora no segmento das lentes de contacto e este primeiro produto designado Tyro foi desenvolvido em parceria com a Fundação Banco dos Olhos do Veneto ONLUS, líder europeu há mais de 30 ano na pesquisa, transplante e tratamento de doenças oculares. A singularidade das novíssimas lentes diárias da Safilens está na adição às lentes, durante o processo de fabrico, de substâncias funcionais que gradualmente se libertam no olho. Entre elas estão o ácido hialurónico, TSP - um polímero natural extraído de sementes de tamarindo com extensas propriedades mucoadesivas, sem aumentar excessivamente a viscosidade da solução - e tirosina. A libertação das matérias ocorrem devido à temperatura corporal, já que são sensíveis ao calor que as torna menos viscosas, ao pestanejo, que ocorre 13 a 14 vezes por dia, e à pressão palpebral. Por serem diárias, as Delivery Tyro são seguras até para crianças e adolescentes e a abordagem bioquímica ajuda a mitigar os fatores de risco no desenvolvimento visual adequado, resultantes do estilo de vida atual, nomeadamente o esforço excessivo de acomodação ou exposição inadequada aos comprimentos de onda benéficos da luz natural. “Como fabricantes de lentes de contacto estamos cientes da importância destes dispositivos médicos na vida de quem os usa várias horas por dia, muitos dias por semana e muitos anos na sua vida. Sob esta premissa, redesenhamos as lentes de contacto segundo uma abordagem totalmente diferente, não só como uma forma de corrigir a visão mas também como um autêntico apoio ao bem-estar e à fisiologia do olho. O trabalho valioso do nosso departamento de I&D, assim como a visão extraordinária d nossa empresa irmã, Bruno Farmaceutici Group, permitiu introduzir este novo produto”, assinalou Daniele Bazzocchi, diretor geral da Safilens.

Cione

Chegada aos 50 anos a crescer A marca espanhola anuncia a consolidação da sua posição no mercado, apresentando os resultados positivos e superiores a 2019 da satisfação dos seus sócios. A Cione aponta as melhores condições comerciais do setor na relação qualidade/preço e a faturação centralizada como os argumentos principais que os óticos destacam na sua perceção da cooperativa. O grupo aponta ainda um resultado acima dos do setor em geral em 2020, perante a crise sanitária devido ao novo coronavírus. “Melhoramos e os nossos sócios sentem-no”, finalizou Miguel Ángel García, diretor geral da Cione.


Mudança de valores

Tema de Capa | 17 |

Os propulsores do consumidor e as estratégias para “fintar” a recessão no mundo pós-pandemia

2020 foi inesquecível e deu-nos uma perspetiva sobre o mundo e a humanidade única. Os negócios e respetivos empresários tiveram que lidar com um panorama incerto...que ainda não terminou. Perante esta dificuldade real e comum a todos os setores de atividade, a empresa de estudos de mercado WGSN lançou-se num artigo, fruto do contributo de todas as suas equipas globais de especialistas, para servir de “luz” nestes tempos “sombrios”. A boa notícia para a ótica é que, segundo este estudo, os bens direcionados à saúde têm futuro promissor acima da crise. “Não poderíamos ter previsto a pandemia global do coronavírus, mas podemos prever as mudanças e o que fazer para nos adaptarmos.” A Millioneyes disponibiliza aqui estratégias valiosas.


Tema de Capa | 18 |

Há muitas tendências atuais que a WGSN previu ainda no pré-pandemia, como o crescimento dos adaptogénicos, as oportunidades no mundo virtual e no segmento de gaming e o foco no bem-estar, novidades que aceleraram durante a pandemia e chegaram ao mainstream. As equipas globais da analista de mercados debatem esses e muitos outros temas do “novo normal”, e embora existam desafios diferentes em cada região, a mesma pergunta surge naturalmente: o que nos espera? Apesar dos diversos níveis de retoma da economia em cada região, sabe-se que o estado emocional das pessoas é parecido. Todos querem certeza, estabilidade, segurança e um sentido de otimismo em tempos de incerteza. Esses sentimentos vão redefinir as economias, indústrias e rotinas diárias, resultando em novas prioridades de produto, necessidades de serviço e estratégias comerciais. Os próximos 18 a 24 meses serão críticos, e a resiliência será fundamental para “fintar” a recessão. Neste white paper, destacamos os cinco principais propulsores do consumidor, que influenciarão o desenvolvimento de novos produtos e serviços. Compreender este cenário ajudará na preparação do futuro dos negócios.

Uma pesquisa recente da Time/NextAdvisor apontou que 51 por cento da população dos EUA sofre de ansiedade financeira. Em abril, um estudo da consultoria Nanos para a Comissão de Saúde Mental do Canadá descobriu que 40 por cento dos canadianos consideram que ‘manter a economia saudável’ é o fator mais importante para a saúde mental do próximo ano. Outro estudo recente, divulgado pela Kantar, mostrou que 60 por cento da população da Ásia se preocupa com a segurança financeira, já 46 por cento se preocupa com o bem-estar físico. Um dos desafios é que, mesmo em regiões que reabrem a economia e dando sinais positivos de consumo, as pessoas ainda não gastam. Os consumidores economizam mais e gastam menos porque têm receio do futuro, da perda de empregos e dos cortes salariais.

Os cinco propulsores e as respetivas estratégias de resiliência

1.

Ansiedade financeira Não é preciso acompanhar a montanha-russa dos índices da bolsa para entender os altos e baixos da economia global. Para muitos, os sinais da incerteza financeira estão à porta de casa (lojas fechadas e ruas de comércio desertas), com o desemprego em alta. Mesmo com alguns países a implementar pacotes de estímulo, a reduzir os juros e a oferecer incentivos para fomentar o consumo, a ansiedade financeira continua a ser um sentimento-chave. Está claro que a recessão económica está a caminho, que irá afetar os mercados e os consumidores em diferentes níveis – mesmo em países com previsões mais otimistas.

Mudança de sentimento Longevidade A WGSN tem analisado a mudança de valores ligada à forma como nos relacionamos com os produtos. Em 2016, previu-se que as pessoas comprariam pensando no propósito e não na aquisição de um item novo. A ansiedade financeira atual acelera esta tendência, à medida que os consumidores estão mais focados no valor monetário e na longevidade do que compram. Embora o conceito de valor esteja tradicionalmente centrado no custo de um produto, o significado a partir de agora passa a ser “se vale a pena”. Os produtos capazes de manter as pessoas saudáveis e seguras terão um valor maior e atrairão mais o público, mesmo quem foi financeiramente prejudicado. Os consumidores vão interessar-se por versões mais acessíveis de itens essenciais do dia a dia ou por prazeres luxuosos ocasionais. Para os


produtos que não trazem benefícios de saúde ou segurança, será importante diversificar através de linhas acessíveis, capazes de atrair um público de olho no orçamento, mas que não pretende abrir mão do seu estilo de vida anterior.

Estratégia de resiliência Agregar valor

Valorização da venda de alimentos Os consumidores estão a avaliar o tipo de alimento que compram e como compram, pensando no custo/benefício em vários níveis. O preço dos alimentos subiu durante a pandemia e isso pode-se manter com a disrupção das cadeias de fornecimento e do mercado de trabalho. A América Latina, o Médio Oriente e a África são as regiões que mais sofrem com isso, em grande parte, devido aos novos custos logísticos. Os compradores mais cautelosos vivem ‘um dia de cada vez’, e muitos deles, de baixos rendimentos, optam por feiras de rua para economizar.

Na Coreia do Sul, o supermercado No Brand (pertencente ao Shinsegae Group e uma divisão do E-Mart, que segue o modelo da rede alemã Aldi) registou o seu primeiro superávite de 2,5 biliões de wons (moeda coreana) no primeiro trimestre de 2020 desde a abertura, em 2015. Essa é a prova de que os consumidores estão cada vez mais interessados em comprar itens para a casa e alimentos de preço baixo/sem marca/de marca própria. O No Brand abriu mais 30 lojas este ano e agora

já soma 270. A sua rede de fast-food, No Brand Burger, inaugurada no ano passado, abriu recentemente a sua 30ª filial e tem tido bons resultados.

Multifuncionalidade e embalagens económicas À medida que o consumidor se adapta a orçamentos mais baixos e a novos hábitos de compra (prioridade ao e-commerce e menos idas a mercados), as marcas precisam de responder a estas demandas. Veja-se o exemplo do segmento de beleza: com medo de ficar sem os seus produtos caso ocorram outras quarentenas, o público que quer evitar a interrupção dos rituais de beleza irá valorizar embalagens maiores ou produtos de longa duração (como aqueles sem água na composição), principalmente em itens para a pele e para os cabelos. Com menos viagens, também haverá menos procura por produtos portáteis e mais por embalagens elaboradas e que possam ser reabastecidas. Obrigatórias, as máscaras deverão inspirar o público a comprar produtos multifuncionais e que permitam rituais de beleza mais simples, evitando cremes e similares que obstruam os poros sob a máscara. Fixadores e produtos resistentes ao suor trazem benefícios dentro e fora do ginásio. Produtos multifuncionais também serão fundamentais para a decoração de interiores. Durante a quarentena, muitos consumidores decidiram reformar as suas casas (em maio, no Reino Unido, a venda de móveis, tintas e itens para a casa cresceu 42 por cento). No entanto, com a recessão a aproximar-se, o público dará prioridade a compras mais estratégicas e conscientes, e os produtos versáteis e multifuncionais terão um apelo maior. Diversas marcas de beleza oferecem agora produtos 2 em 1. Multifuncionais, estes itens tornam os rituais diários de beleza mais acessíveis e eficientes, e evitam a acumulação de diversos produtos sob a máscara, algo que pode causar problemas na pele, como a ‘mascne’.

Reparar e reutilizar A escassez de recursos afeta tanto as práticas quanto os produtos, e a tradição de reparar e reutilizar passa a fazer parte do estilo de vida dos consumidores. Em casa, será cada vez mais comum consertar os itens estragados em vez de comprar outros.

Os consertos ganham uma aura estética, não apenas na decoração de interiores, mas também na roupa. As pessoas estão cada vez mais conscientes do impacto ambiental da indústria da moda, e diversas marcas já investem em peças que podem ser facilmente reparadas e em modelos de negócio alinhados com essa tendência. Essa mudança de valores, em que o público não está apenas a comprar menos, mas opta por peças usadas, exige que se avalie de que modo a sua marca é vista pelo seu cliente. Será preciso também que procure otimizar o pós-venda, para criar uma nova fonte de receita que explore serviços, reparações e reciclagem. No caso da ótica, seria interessante ver um segmento forte de reparações mas com feedback financeiro, trazendo mais pessoas às lojas e criando oportunidades de interação.

Oportunidades 1. As lojas populares devem ganhar espaço, já que o público está preocupado com as finanças. Diversifique a sua linha e ofereça produtos mais acessíveis. 2. Os consumidores têm receio de ficar sem os seus produtos preferidos. Invista em produtos multifuncionais e em embalagens grandes, algo que também trará benefícios do ponto de vista ambiental.

Tema de Capa | 19 |

Valor não significa, necessariamente, preço. Pense no aspeto multifuncional e, em relação ao tamanho, pense em grande.


3. Crie linhas mais acessíveis e disponibilize os produtos por meio de parcerias de e-commerce ou no seu próprio site. 4. Faça com que a reparação e a revenda façam parte de um modelo de negócio a longo prazo. Faça parcerias com especialistas do setor para que entenda o dinamismo deste mercado em rápido crescimento. 5. Crie kits para reparação e customização. Ofereça tutoriais e mostre ao seu cliente como montar, personalizar e consertar os produtos.

e familiares, não surpreende que o bem-estar seja um sentimento de consumo crucial. Aqui a correção visual tem enquadramento perfeito, num momento em que os olhos são o centro da socialização, através dos meios digitais. As pessoas precisam e querem ver bem e a ótica está no centro desta importante premência.

Mudança de sentimento Autocuidado

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Preocupações com a saúde

Pesquisas recentes mostram que o stress causado pela pandemia está a afetar a saúde mental de consumidores de todo o mundo. De acordo com um estudo divulgado em março de 2020 pela ABC News e pelo The Washington Post, 70 por cento da população dos EUA sente-se tensa como consequência da crise do coronavírus. Os resultados indicam uma tendência mundial. O Centro de Informações Regionais da ONU para a Europa Ocidental detectou que “os níveis de stress e ansiedade subiram exponencialmente”. Na América Latina, a pandemia “representa uma crise sanitária, social e económica do ponto de vista humano”, enquanto uma pesquisa da empresa de recrutamento Profile diz que 45 por cento dos entrevistados na Ásia admitem impactos emocionais por causa da pandemia. Embora o bem-estar seja uma das prioridades do consumidor há algum tempo, a interseção atual de preocupações com a saúde mental e física é novidade. Se juntarmos isto às preocupações com amigos

Nos últimos anos, o autocuidado está em alta e é uma indústria que movimenta cerca de nove biliões de euros, de acordo com o Harvard Business Review. Já o mercado de produtos e serviços voltados para as emoções também está em ascensão, assim como o setor de bem-estar. A próxima tendência é a da autocompaixão – olhar para dentro de si próprio para encontrar alento, o que irá estimular as pessoas a lidarem com os problemas, reforçando a necessidade de cuidar do bem-estar mental para manter o bem-estar físico. Para muitas pessoas, o bem-estar físico e mental começa com a dieta. A nível global, os consumidores querem aprimorar o sistema imunológico através de suplementos e alimentos.

Embora a chamada comfort-food (comida de conforto) nos dê sustento emocional, três quartos dos consumidores no mundo planeiam alimentar-se de modo mais saudável como resultado da pandemia, de acordo com a marca alemã de alimentos Beneo. Naturalmente, isso irá abrir espaço para produtos nutritivos no dia a dia. Com isso em mente, as marcas precisam de reformular os seus alimentos clássicos, revendo também as informações nutricionais exibidas nas embalagens.


Autocuidado hi-tech Já que o público não pode ou não quer ir a dermatologistas– além do medo de cabeleireiros e utensílios partilhados – muitas pessoas cuidam do próprio bem-estar ou da beleza em casa. De acordo com o Pinterest, a pesquisa pelo termo ‘autocuidado em casa’ disparou 332 por cento em abril, e muitas marcas estão a investir em novas tecnologias para responder a esta premência.

Além disso, as fórmulas personalizadas ganham cada vez mais importância, à medida que o foco da beleza deixa de ser a perfeição e passa a ser a proteção. Durante a pandemia, as pessoas perderam a sensação de controlo sobre diversos aspetos da própria vida, o que abriu espaço para ferramentas que acompanham o desempenho dos produtos. É também uma oportunidade para que consumidores interessados em itens comprovados cientificamente comprem com mais convicção. Essa confiança na tecnologia como provedora de saúde também se reflete na casa, onde há um interesse renovado pelo aperfeiçoamento do bem-estar. Os desafios à saúde mental impostos pela quarentena inspiraram o público a criar espaços e momentos de relaxamento em casa, para se protegerem emocionalmente das incertezas do futuro. Uma pesquisa feita em maio pela Statista apontou um número significativo de consumidores nos EUA, Reino Unido e Alemanha que gastam mais do que o normal em produtos de saúde e higiene, como remédios e álcool-gel. Outras categorias que também podem beneficiar desta tendência são as de limpeza do ar (que cresce anualmente 32,4 por cento) e a de produtos de limpeza para a casa – os antibactericidas foram responsáveis por 34,8 por cento dos novos lançamentos do setor em 2020, segundo a Mintel. Os eletrodomésticos que contam com luz UV para limpar e esterilizar ainda estão na fase de protótipo.

Investimentos ativos Outra categoria que irá beneficiar da tendência de autocuidado e bem-estar é a de atividades físicas em casa. No Reino Unido, 60 por cento dos jovens afirmam que fazer exercícios ajuda a saúde mental (dados da Statista, 2020), enquanto na Índia, a Decathlon teve um aumento de 141 por cento nas vendas de equipamentos de ginástica nos três meses posteriores à pandemia. Na Austrália, 41 por cento dos

entrevistados de uma pesquisa da RunRepeat disseram que cancelaram ou estavam a pensar cancelar a mensalidade do ginásio; no Brasil, o hábito de treinar em casa aumentou 94 por cento, de acordo com a empresa de dispositivos vestíveis Polar – alguns ginásios até têm alugado equipamentos aos sócios. Em junho, a Lululemon adquiriu a start-up americana Mirror (uma plataforma para treinar em casa que liga instrutores e alunos virtualmente) por 411 milhões de euros, comprovando o potencial do segmento de treinos remotos. À medida que mais pessoas se focam na saúde, haverá mais oportunidades para atrair uma nova vaga de consumidores dos segmentos desportivos, principalmente nos canais de e-commerce. As bicicletas ganharão espaço, seja para exercitar ou como meio de transporte (ou ambos). Em Nova York, a Peloton espera ter uma receita e mais 89 por cento do que no ano anterior, enquanto a Secretaria de Mobilidade de Bogotá, na Colômbia, informa que 70 por cento das pessoas que pedalam atualmente nos corredores de bicicleta da cidade usavam outros meios de transporte antes da pandemia.

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Iogurtes ricos em probióticos são um tipo de produto que se adequa a esta nova realidade. Produzido pela Danone, o Actimel foi responsável por um crescimento de 3,7 por cento das vendas da empresa na Europa e na América do Norte durante o primeiro trimestre de 2020, só pela adição de vitaminas B6 e D, o que se enquadra na norma sanitária da União Europeia (EFSA) para receber o selo de ‘alimento que ajuda o sistema imunológico’. Nessa mesma linha, a indústria de beleza também aposta em adaptógenos e ingredientes saudáveis, à medida que os consumidores querem proteger-se através de produtos que purifiquem e que sejam benéficos para corpo. E no caso do setor da ótica temos o recente lançamento da empresa de lentes de contacto, Safilens, que decidiu acrescentar fórmulas bioquímicas que se libertam no olho, às suas mais recentes Delivery Tyro, para apoiar um uso mais saudável das lentes.


Esses novos valores do público fitness vão em contramão dos hábitos dos millennials, responsáveis por moldarem o setor na década passada. Além de fragmentado, este segmento é muito baseado no valor, e será essencial atrair pessoas de todas as faixas etárias e classes sociais que começam a interessar-se pelas atividades físicas. Esses consumidores também sabem que é crucial preparar-se e, por isso, os kits de proteção para evitar lesões devem fazer sucesso junto a este público. Nesse novo cenário, produtos simples, e acessíveis, capazes de se adaptar a diferentes situações, terão uma ampla viabilidade comercial. Para o setor da ótica, a venda de óculos especializados para atividades desportivas devem ganhar relevância, assim como o uso exponencial de lentes de contacto e, claro, os indispensáveis óculos de sol.

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Síndrome da solidão

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•• “O v í r u s p o d e ma t a r. M a s a s o l id ã o t a mb ém.” M a ggi e D e Blo c k, M inis tra d a Saúd e da B élgica

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Mesmo antes da pandemia, a solidão já preocupava as pessoas, despertada por fatores como o burnout, o aumento das interações digitais e a dessincronização das rotinas. Em plena quarentena, no entanto, as mesmas ferramentas que causavam desequilíbrio emocional passaram a atuar como faróis num mar de isolamento. Apesar de fisicamente afastados dos entes queridos, nunca estivemos tão conectados digitalmente. O distanciamento social não se traduziu em distanciamento emocional, graças à ascensão de aplicações de reuniões para negócios (62 milhões de downloads em apenas uma semana, em março) e plataformas

para celebrações e happy hours virtuais (na Europa, os downloads diários da app de videochamada Houseparty saltaram de 24000 para 651000 de 15 de fevereiro a 25 de março de 2020). As ligações pessoais também passaram por um ressurgimento durante a pandemia, já que diversas iniciativas de cidadãos comuns geraram uma onda de coletivismo. Grupos de voluntários organizaram-se para ajudar os vizinhos, enquanto muitas pessoas entregaram remédios, compras e itens de higiene para indivíduos com problemas financeiros ou de saúde. Em todo o mundo, o lema Estamos Juntos foi entoado, e houve um foco intenso na manutenção ou na criação de um espírito comunitário. O interesse renovado pela preservação das comunidades reforçou o foco no comércio local, já que as pessoas sentiram-se mais ligadas às comunidades onde vivem.

Mudança de sentimento Entretenimento na quarentena A convergência entre os mundos físico e digital ganhou terreno durante a pandemia. No pós-confinameno, o entretenimento deverá fazer parte do novo normal de diversos grupos etários. Pessoas de todas as idades estão a jogar videojogos online (estima-se que os 2,7 biliões de gamers do mundo todo gastaram cerca de 130 biliões de euros em 2020) e a usar serviços de livestreaming para ter acesso a músicas, programas de televisão e filmes. Embora a economia do streaming não seja novidade, está hoje a tornar-se uma opção cada vez mais social e interativa para estimular as vendas.

Estratégia de resiliência Promover o sentido coletivo Fomente o espírito comunitário – tanto online quanto no mundo real – para se aproximar do seu cliente.

Conexões virtuais Usar bebidas e alimentos para socializar é um ritual humano fundamental – é como nos aproximamos de outras pessoas e culturas. Porém, a quarentena colocou um travão nisso, e apesar de alguns bares e restaurantes oferecerem descontos e tentarem criar espaços seguros, muitos consumidores continuaram receosos.


Criar um espírito comunitário através da comida, está no ADN da indústria de alimentos e hotelaria. No lugar das experiências presenciais, uma onda de iniciativas virtuais ganhou corpo, apoiadas por ferramentas online e sistemas de entrega ao domicílio. Entre os exemplos contam-se “encontros” online para cozinhar ou degustar diretamente com chefs. Este tipo de estratégia, focada na proximidade ao consumidor, também pode ser aplicada noutras áreas. Ferramentas e produtos fáceis de usar, que oferecem resultados profissionais e contam com assistência online de especialistas serão o novo normal, um modo perfeito de estimular um sentimento comunitário. Durante a quarentena influencers e equipas da Sephora Brasil e da Milk Makeup participaram em tutoriais e sessões ao vivo, enquanto a marca Quem Disse, Berenice? convidou a jornalista e professora de direito Gabriela Prioli – comentarista política da CNN – para conversas informais com outras celebridades, transmitidas ao vivo. A comunidade interessada pelo mercado de beleza uniu-se durante a crise. O desejo destas pessoas por dicas, apoio e informações reforçou os relacionamentos, ampliou a fidelidade às marcas e estimulou as vendas. Mesmo que de modo inusitado, os resultados foram positivos, e muitas marcas pretendem continuar com estas atividades.

Marcas e retalhistas estão cada mais cientes de que, para desenvolver produtos e serviços bem-sucedidos no futuro, é preciso tratar os clientes não como grupos de foco, mas como co-designers. Exemplo perfeito foi a iniciativa da empresa espanhola Nina Mûr, que decidiu dar um twist positivo a toda a complexa situação sanitária e realizou uma experiência criativa durante o primeiro confinamento. The Good Quarantine foi a ação colaborativa entre os criativos e líderes da Nina Mûr, Lorena Serrano and Davide Fichera, e óticos de todo o mundo, cientes do valor do desenho e da qualidade e que resultou numa coleção de óculos de co-autoria.

Oportunidades 1. As marcas precisam envolver-se e entreter os consumidores através de novas experiências online que elevem o espírito, informem e construam laços comunitários. 2. Explore maneiras de unir os seus consumidores à distância. 3. Marcas globais e de e-commerce devem encontrar meios para apoiar comércios pequenos e locais. 4. Desenvolva produtos e ferramentas que ofereçam resultados de nível profissional, mas que sejam fáceis de operar e contem com assistência online de especialistas. 5. Implemente o design em conjunto como uma estratégia criativa. Use isso para aproximar-se do seu cliente e resolver problemas de modo mais equitativo.

4.

Busca pela verdade

Antes da pandemia, a sociedade vivia uma crise epistémica, na qual a desinformação se transformou numa arma. A crise do coronavírus, no entanto, reforçou a importância da verdade. No dia a dia das pessoas, estar informado nunca foi tão fundamental, num momento em que todos procuraram orientação, conforto e dados fiáveis nos média. Uma pesquisa da GlobalWebIndex apontou que 68 por cento dos consumidores de meios de comunicação de todas as gerações, no Reino Unido e nos EUA, procuraram atualizações sobre o coronavírus em março. Na Tailândia, dados da consultora Nielsen mostraram que a audiência da televisão ganhou mais um milhão de telespetadores, atingindo os 21 milhões nas três primeiras semanas de fevereiro. Canais e programas de notícias foram os principais beneficiados, seguidos pela programação infantil. À medida que o mundo procurava respostas e novidades, no entanto, a desinformação também aumentou, levando algumas redes sociais a implementar regulamentações restritas para combater a “infodemia” de fake news. O Pinterest, por exemplo, removeu todos os infográficos e memes relacionados ao coronavírus não aprovados por instituições reconhecidas internacionalmente, como a OMS. Já o WhatsApp diminuiu o

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Design em comunidade


alcance da funcionalidade de reencaminhar mensagens, fazendo com que aquelas que já haviam sido enviadas através de cinco ou mais correntes fossem marcadas e só pudessem ser encaminhadas a uma única pessoa. A medida resultou numa queda de 70 por cento no número de reencaminhamentos.

Mudança de sentimento Transparência O défice de confiança em fontes de informações, governos e sistemas de saúde abriu uma oportunidade para as marcas. Da transparência dos ingredientes ao combate à desinformação, as empresas tentam construir e manter uma relação de confiança com o público, ampliando o sentimento de fidelidade.

As ferramentas de comunicação aberta também ajudam os pequenos retalhistas com iniciativas online, num momento em que o comércio físico passa por enormes dificuldades. A plataforma Instacart faz entregas de mais de 25000 supermercados na América do Norte, de nomes como Costco, Kroger e Aldi. Diversos retalhistas cederam à aplicação num volume valioso de dados comportamentais dos consumidores, e isso resultou na criação de uma nova ferramenta de inteligência que fornece, em tempo real, dados de inventário para os seus parceiros de bens de consumo. A novidade visa facilitar as operações das cadeias de produção, afetadas pela pandemia. A marca de desporto de aventura Vaude uniu-se ao eBay para lançar uma nova loja online no mercado alemão, onde disponibiliza tecidos da sua própria cadeia de produção para serem reciclados. Toda a receita das vendas é revertida para a ONG Save the Children. Ambos Vaude e eBay querem despertar o interesse de outras marcas para a iniciativa, com o objetivo de fazer o bem e promover a reciclagem de resíduos de tecido produzidos em pequena escala.

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Responsabilidade social corporativa

Estratégia de resiliência Como gerar confiança Conversas abertas e honestas sobre a cadeia de produção, sustentabilidade e responsabilidade social corporativa são fundamentais.

Saúde open-source A importância de dados precisos e fiáveis tem feito com que diversas marcas implementem estratégias de comunicação aberta, em que informações sobre novos produtos, tecnologias e pesquisas possam ser partilhadas. Nos EUA, a empresa Dimensional Innovations lançou um escudo facial simples e barato de se produzir, feito de um único material. Porém, em vez de lucrar com a venda, ela decidiu divulgar as informações de design do produto e disponibilizou tudo no Facebook para quem quisesse aceder. Só no primeiro fim de semana, registaram-se 3500 downloads.

No início da quarentena, alguns dos dados mais interessantes apontados pelo WGSN Barometer foi o crescimento estável, mês a mês, da importância dada pelas pessoas à comunidade e ao trabalho ético, quando estimuladas a classificar as principais prioridades na hora de comprar roupas, calçados e acessórios. A covid-19 foi um catalisador de mudanças para a moda, e a confiança deixou de ser um conceito de marketing para se transformar num foco necessário e genuíno. Acionistas e investidores esmiuçam os aspetos sociais da responsabilidade social corporativa e as questões ambientais quando avaliam o valor de uma marca. Procurar parcerias em todos os aspetos da cadeia de produção – dos materiais às práticas laborais – será a melhor maneira de construir resiliência, melhorar a imagem da marca e gerar valor aos acionistas, atraindo financiamentos que podem ajudar a empresa a atingir novos objetivos.

Raciocínio sistémico Nos segmentos de lifestyle e de decoração de interiores, a transparência transforma-se numa prioridade em diversas categorias, à medida que o consumidor vê a sustentabilidade, a conveniência e o custo por meio de uma única lente: a da eficiência. As pessoas habituaram-se ao raciocínio sistémico, em parte, devido à pandemia, que expôs em primeira mão


Oportunidades 1. Implemente estratégias de comunicação aberta sempre que houver benefícios de segurança a serem partilhados. 2. Ofereça transparência de ponta a ponta em toda a cadeia de produção. 3. Investigue o seu impacto ambiental – do design, à produção até o fim da vida útil do produto – e comunique isso ao seu cliente por meio de etiquetas e informações. 4. Crie um canal de comunicação direta com o consumidor e produza sob encomenda, reduzindo o desperdício. 5. Ligue os consumidores a fundadores e produtores – os rostos por trás da marca.

5.

limpar a casa dispararam), já que, além de proteger o indivíduo e os seus entes queridos, as pessoas querem ter um sentido de controlo em um período de turbulência. Mesmo depois de períodos de relaxamento das medidas de quarentena em diversas regiões, um facto é incontornável: a economia não recupera até que as pessoas se sintam seguras. Enquanto se espera a generalização da vacina, as inovações para garantir o distanciamento social e a higiene são sinónimos de segurança.. Embora as nossas experiências tenham mudado drasticamente no pós-confinamento, o caminho para a recuperação dá sinais positivos de que as pessoas estão a retomar prazeres simples, como sair para jantar, fazer compras e socializar – sem partilhas ou proximidade.

Medos e inseguranças Mudança de sentimento Santuário

Em plena volatilidade política e social e no meio da pandemia, a segurança é o principal unificador demográfico e socioeconómico. Desde março, a economia da segurança está em alta (as vendas de equipamentos de proteção individual, higienizadores de mãos e produtos para

A segurança física não está ligada apenas à pandemia. A volatilidade política e social em regiões como Brasil, Hong Kong, Bélgica e EUA adiciona camadas extra de medo. Nestas zonas, começa a ganhar corpo um trauma coletivo entre a população, o que torna o santuário da casa mais importante do que nunca. As pessoas protestam – nas ruas ou pelo computador – e a economia do lar, assim como os produtos que nos protegem e nos mantêm seguros, devem continuar em alta.

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como os sistemas globais se interligam, exigindo que as marcas façam o mesmo. À medida que os consumidores definem as próprias hierarquias de valores, a indústria de decoração de interiores é pressionada a ter transparência em relação aos produtos e a desmistificar os sistemas por trás da produção deles, como já acontece na moda. O designer britânico Tom Dixon produz os seus candeeiros sob encomenda, argumentando que uma produção mais adaptável e menos dependente de stock será cada vez mais comum no setor de design. A moda segue pelo mesmo caminho. No Brasil, as marcas de moda sustentável ALUF e Alle Röcke já começaram a adotar o modelo de produtos sob demanda. A Alle Röcke, inclusive, inclui orientações ao lado das imagens das peças (usadas pela própria criadora da marca), explicando como tirar as medidas e exibindo fotos de tecidos e cores. Não importa a categoria, é essencial ter uma comunicação direta. Assuma que o seu cliente conhece uma parte dos sistemas de design e retalho e não o substime. Um dos exemplos de clareza e de “dar um rosto ao produto” é da parte da portuguesa Fora Sunglasses. A marca fundada por Miguel Barral e João Veiga nunca perdem a oportunidade de mostrar as mãos e mestria do produtor José Maria, da derradeira fábrica portuguesa de óculos, a Sociel de Gondomar.


Estratégia de resiliência Ofereça conforto e refúgio Pense na casa como um ponto central de trabalho, lazer e descanso, e adicione elementos de proteção para as atividades externas.

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Um porto seguro para quem quer ficar em casa A pandemia reforçou a importância da casa como experiência compartilhada (com todos confinados) e individual. O público percebeu que muitas das atividades que anteriormente eram feitas fora de casa, agora podiam ser feitas dentro dela, como assar pão, fazer exercício, encontrar os amigos ou dançar com eles pelo Zoom. A casa transformou-se num lugar de refúgio e entretenimento, um verdadeiro santuário de segurança. Após o choque inicial da quarentena, muitas pessoas criaram um casulo para viver do modo mais confortável possível. De acordo com a plataforma de e-commerce Oberlo, os segmentos de melhor desempenho no retalho em abril deste ano (em comparação com abril do ano passado) estavam relacionados com o lar – segurança e proteção, eletrodomésticos, reformas, desportos, entretenimento, iluminação e ferramentas. No pós-quarentena, os consumidores planeiam continuar a investir no local onde moram. À medida que as pessoas se preocupam com temas como saúde, economia, meio ambiente e política, o desejo por conforto e refúgio deve pautar as decisões de compra, tanto em termos de funcionalidade como de estilo. O sono será mais valorizado do que nunca – na pesquisa anual Global Sleep Survey, da Philips, 60 por cento dos entrevistados afirmaram que se interessam por informações ou estratégias para os ajudar a dormir melhor, enquanto que um estudo feito pela agência de marketing Cotton Incorporated em março indicou que 79 por cento das pessoas disseram que “tudo o que queriam era dormir numa cama confortável”. Uma onda de novos produtos está a surgir, entre luzes que regulam o ritmo circadiano a cobertores pesados, ajudando os consumidores que querem uma noite perfeita de sono. Esse tipo de comportamento colaborou para o crescimento da categoria loungewear.

Camadas de proteção Na era do distanciamento social, as roupas transformaram-se em armaduras, garantindo conforto e proteção para quem se

quer aventurar fora de casa. O surgimento de peças que oferecem proteção e performance, em diversos segmentos de vestuário, mostra que há espaço para a inovação. Propriedades antimicrobianas e antivirais chegarão ao mainstream, enquanto a preocupação geral com a segurança irá gerar roupas com tecidos que se aproximam aos usados em indumentárias militares. Para os segmentos de casacos e acessórios, itens utilitários e que protegem do clima deverão chegar ao mercado de massa. À medida que o uso de máscaras em público já faz parte do novo normal, filtros antipoluição também terão o seu espaço no mercado. E com os moradores das metrópoles a preferirem caminhar e pedalar em vez de usar o transporte público, roupas que protegem do clima e que filtram micropartículas deverão atraí-los. A beleza também terá um papel-chave, com novas propostas além da estética. Produtos que limpam, higienizam e protegem serão valorizados como a primeira linha de defesa do corpo. Segundo o Google, as pesquisas por cremes que protegem as mãos e a pele aumentaram 250 e 50 por cento, respectivamente, no mundo todo, de março a maio deste ano. Produtos antissépticos que oferecem benefícios adicionais de skincare serão altamente valorizados. As rotinas de higiene e o uso diário de máscaras causam impacto significativo na pele, ampliando a demanda por produtos que curam e protegem. Com a popularização das aplicações de videoconferência e dos videogames, as nossas necessidades de beleza irão refletir esse novo estilo de vida. A descoberta de que a exposição à luz azul das telas eletrónicas pode causar envelhecimento prematuro da pele e inflamações estimula o público a buscar produtos que protejam desses efeitos. Neste campo, as lentes oftálmicas com tratamento para a proteção da luz azul também impeliu os consumidores numa procura por produtos para os seus óculos mais especializados. Ver tornou-se essencial e as marcas investiram astuciosamente em lentes customizadas de acordo com as novas regras do “atual normal”.


Conclusão Adapte, inove e evolua

•• “As pessoas têm uma ilusão hollywoodiana , de que haver á logo um a vacina e os cientist a s ir ão resolver tudo. N um filme de duas hor as, t ud o acontece r apidame n t e , m as os cientistas nã o são o B rad Pitt: não é possível inventar uma vacina e salvar o m undo de um dia p a ra o outro’. ”– Dra. Marg aret H ar r i s , Org anizaç ão Mu ndial da Saú de

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A incerteza em relação aos próximos anos exige que as empresas estejam prontas a adaptar seus produtos e serviços para atender a novas necessidades do público, num cenário volátil. A recessão é uma certeza para a maioria dos países, mas há uma luz no fim do túnel. No meio da crise e do stress causados pela pandemia, percebemos as possibilidades da tecnologia digital e recuperámos o interesse por coisas simples – amigos, família, saúde e natureza – além de desenvolvermos uma visão otimista sobre o que é precisa mudar para que tenhamos uma sociedade mais justa no futuro. Os valores do consumidor estão a mudar. As estratégias que analisámos neste artigo são um roteiro para que se possa navegar neste novo cenário, seja para fomentar o bem-estar, construir uma comunidade, promover a transparência ou tranquilizar o seu cliente. Vivemos um momento desafiador, mas há oportunidades para construir pontes que nos ajudarão a atravessar tudo isto – juntos.

Finalizamos o texto com a Curva da Mudança – um conceito otimista que reforça a resiliência humana frente aos desafios, baseado no modelo da psiquiatra Elisabeth Kübler-Ross sobre o ciclo do luto, desenvolvido nos anos ’60. Ele mostra como reagimos a mudanças profundas e de que modo procuramos criar um amanhã melhor.

Matriz de pesquisa Encarando as incertezas IMF: Reopening from the great lockdown – uneven and uncertain recovery Forbes: Jerome Powell’s tone is grim but he forecasts the economy recovers in 20 months European Commission: Educational inequalities in Europe and physical school closures during Covid-19 European Commission: Spring 2020 economic forecast – a deep and uneven recession, an uncertain recovery Propulsor um Ansiedade financeira Time/NextAdvisor survey: Most Americans are feeling anxious about their money Nanos/Mental Health Commission of Canada poll: Stress in the era of Covid-19 Kantar: Financial health beats wellbeing as top fear in Asia CNBC: US savings rate hits record 33% Ipsos: Majority say cost of food, goods and services have increased since Covid-19 began Nielsen: In Latin America, Covid-19 will hit low-income consumers the most Food Navigator: China’s online Covid-19 purchasing patterns reveal huge shift towards home cooking BBC News: DIY spending splurge helps May sales recover Statista: Secondhand apparel market value worldwide, 2012 to 2024 Propulsor dois Preocupações com a saúde ABC News/Washington Post poll: Seven in 10 Americans say they are experiencing stress as a result of the pandemic

United Nations: Concerns are raised over the threat of Covid-19 to mental health in Europe Harvard Business Review: How self-care became so much work Food Ingredients First: Shifts in consumption patterns amid pandemic are “hard to ignore,” says Beneo Food Navigator: Danone aims to increase plant-based growth in Europe Propulsor três Síndrome da solidão App Annie: Video conferencing apps surge from coronavirus impact Newzoo: The world’s 2.7 billion gamers will spend $159.3 billion on games in 2020 Fast Company: Interior design is a human right, not a luxury House Beautiful: Target’s first documentary explores the cultural Impact of an inclusive approach to design World Economic Forum: Five ways global travel will change before we find a Covid-19 vaccine Wunderman Thompson: The rise of restored community spirit in the Covid-19 age The Economic Times: Covid-19 Impact – e-commerce gives a big boost to home fitness accessories as gyms remain shuttered ABC News: Women less likely to return to the gym after coronavirus lockdown as popularity of online workouts surge Negocios: How the pandemic changed physical exercise habits in Brazil Reuters: 62% rise in game downloads in China Fashion Network: Marti shoots up its online sales amid the contingency

Propulsor quatro Busca pela verdade Nielsen: The impact of Covid-19 on media consumption across North Asia UN Environment Programme: Coronaviruses – are they here to stay? Glossy: Lush develops open-source software for its point-of-sale system to boost growth Propulsor cinco Medos e inseguranças Green Queen: Pandemic meat crisis pushes consumers towards plant-based alternatives from HK To US Civil Eats: As Covid-19 disrupts the industrial meat system, independent processors have a moment to shine Statista: In-home media consumption due to the coronavirus outbreak among internet users worldwide as of March 2020, by country Philips: Sleep survey shows only half of people worldwide are satisfied with their sleep, but are less likely than before to take action to improve it Los Angeles Times: A happy little miracle in dark times – the plant nursery business is booming Adapte, inove e evolua Change Management: Prepare for change – knowing the Change Curve Australian National University: Values – Schwartz theory of basic values


Foto: Fauxels from Pexels

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CECOP Programa de Gestão de Óticas avança O projeto de formação desenvolvido em parceria entre a CECOP e o ISCTE foi apresentado aos associados portugueses do grupo multinacional a 5 de janeiro. No “palco de lançamento” estiveram José Crespo de Carvalho, presidente do ISCTE Executive Education e David Carvalho, country manager da CECOP Portugal. A CECOP quer estar na vanguarda do setor, oferecendo aos ópticos independentes os melhores serviços e ferramentas para apoiar a expansão dos respetivos negócios. Po isso mesmo, ao longo de 2020 foi desenvolvido com o ISCTE um programa valioso e revolucionário, direcionado para a gestão de negócios de ótica. Esta formação permite aos profissionais elevar a sua empresa a um novo patamar. Trata-se de um conceito de administração baseado em vários módulos de caráter 100 por cento online, que aborda as óticas em específico de uma nova perspectiva. A abordagem deste Programa de Gestão de Óticas visa trazer ao profissional da ótica, de forma total-

mente personalizada, as ferramentas que o ajudem a aperfeiçoar competências ou a melhorar determinados domínios da gerência da sua ótica. Os participantes têm acesso a informações no âmbito de gestão financeira, gestão de operações, marketing digital, gestão de vendas e gestão de pessoas. Tem uma duração total de cinco meses, tempo este que pode ser gerido mediante a agenda e conveniência do formando. Com esta iniciativa, a CECOP reafirma o objetivo de fazer com que os seus associados atinjam os seus objetivos, apoiando-os na edificação dos seus negócios.


O grupo de óticas foi eleito pelo oitavo e sétimo ano consecutivos Escolha do Consumidor e Escolha Sénior, respetivamente. A insígnia tem vindo a conquistar os referidos prémios desde que a categoria Óticas é avaliada pelo estudo Consumer Choice – Centro de Avaliação da Satisfação do Consumidor, reforçando desta forma a liderança no setor. A entidade que assume esta pesquisa e a atribuição dos galardões apurou que a MultiOpticas obteve uma nota global de 87,35 por cento na Escolha do Consumidor e de 82,42 por cento na Escola Sénior. No processo de avaliação deste ano foram realizadas 218.641 avaliações junto de 724 marcas de setores diferentes. A MultiOpticas surge no top 20 global desta edição de Escolha do Consumidor e no primeiro lugar como Escolha Sénior.

As marcas são premiadas com base na sua performance em 2020, através de um processo que envolve a identificação dos atributos mais importantes para os consumidores e uma avaliação efetiva das marcas de cada categoria. Desta maneira, afere-se quais as insígnias que apresentam maiores níveis de satisfação e intenção de compra ou recomendação.

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MultiOpticas arrebata prémios


Foto: Karolina Grabowska from Pexels

Estudo | 30 |

Saúde visual dos portugueses agrava-se A pandemia e o consequente confinamento teve impacto na visão da população. A conclusão resulta do inquérito Ver-se Bem, conduzido pela direção de Saúde Visual da Essilor Portugal, que concluiu que quase metade da população portuguesa, mais especificamente 44,2 por cento, refere perda na acuidade visual no último ano e que o aumento do número de horas de exposição a equipamentos digitais agrava o desenvolvimento da miopia. Esta investigação quer identificar o atual estado da saúde visual dos portugueses, incidindo em diferentes campos, dos impactos do confinamento e da pandemia, à miopia e ao conhecimento sobre os sintomas e correção da presbiopia, ou “vista cansada”. O inquérito Ver-se Bem foi conduzido entre setembro e novembro de 2020, envolvendo 833 voluntários que responderam a um questionário sobre a sua saúde visual. O médico oftalmologista e docente José Salgado Borges, uns dos responsáveis do inquérito, colaborou na conceptualização, implementação e análise crítica dos dados recolhidos. Os resultados foram claros. Registou-se queixas generalizadas sobre pioras na visão ao perto no último ano, período que engloba os meses de pandemia e de confinamento. Foi nesta altura em que o recurso ao teletrabalho foi generalizado assim como uso intensivo de dispositivos digitais, fatores que aumentam o risco de deterioração da saúde visual.

Teletrabalho, ecrãs e miopia No que respeita aos impactos do confinamento na saúde visual dos portugueses, 29 por cento dos inquiridos refere que a sua visão no geral piorou desde o início do período de confinamento, um período marcado pelo incremento do teletrabalho e pelo uso crescente e até intensivo de dispositivos digitais, entre os quais computadores, telemóveis e todo o tipo de ecrãs. Com o recurso generalizado do teletrabalho, metade dos inquiridos declarou estar a utilizar equipamentos digitais, como o smartphone, computador e televisão mais de cinco horas por dia. De sublinhar que, um terço dos participantes diz ter estado em frente a ecrãs mais de oito horas por dia, e nove em cada dez um mínimo de três horas diárias. Este aumento do número de horas de exposição tem efeitos diretos na saúde visual, nomeadamente no desenvolvimento e agravamento de miopia e de outros problemas oculares.


Foto: Andrea Piacquadio from Pexels

•• “O cr escente aumento de cr ianças com miopia cada vez m ais pr ecoce pr eocupa os pr ofissionais do setor da saúde visual e não podem os fechar os olhos a esta possível pandem ia num futur o pr óx im o” ••

Boa visão dos filhos é a principal preocupação de saúde dos pais O inquérito revela ainda que ter uma boa visão é a principal preocupação dos pais portugueses (79,5 por cento), à frente de uma alimentação saudável (77,2 por cento) e da boa higiene oral (78,2 por cento). No entanto, apesar desta preocupação, e de 90 por cento dos pais declarar saber que os ecrãs são um fator de risco para o desenvolvimento da miopia nas crianças, apenas pouco mais de metade dos encarregados de educação (55 por cento) admite a possibilidade de limitar o uso destes dispositivos. Frequência na avaliação da saúde visual Quase dois terços dos inquiridos (65 por cento) avaliam a sua saúde visual pelo menos de dois em dois anos e apenas 16 por cento só o faz quando deteta algum problema. As figuras princi-

pais deste trabalho apresentaram as suas conclusões. “A pandemia veio sublinhar a importância da saúde nas nossas vidas e a saúde visual não é exceção. No novo confinamento é importante que as pessoas se informem com um profissional sobre como melhor proteger a sua saúde visual. O crescente aumento de crianças com miopia cada vez mais precoce preocupa os profissionais do setor da saúde visual e não podemos fechar os olhos a esta possível pandemia num futuro próximo”, reagiu Alberto Silva, diretor de Saúde Visual da Essilor Portugal. Já o médico e professor José Salgado Borges declarou que “com o confinamento, o maior uso de dispositivos digitais e o uso de máscara, os problemas oftalmológicos agravaram-se. É fundamental ter mais atenção e fazer o exame oftalmológico que identifique precocemente possíveis doenças oculares, de modo a evitar que estas evoluam para estados irreversíveis. Os seus olhos são a sua melhor ferramenta, cuide deles.” A investigação sob alçada da Essilor é também uma ferramenta fulcral ao fomento e reforço da consciencialização quanto à importância de todos os profissionais ligados à saúde da visão na qualidade de vida das populações globais.

Estudo | 31 |

Metade dos inquiridos não sabe se tem presbiopia ou “vista cansada” O inquérito da direção de Saúde Visual da Essilor Portugal permitiu também saber se os portugueses estão atentos aos sinais da chamada “vista cansada” ao perto, ou presbiopia. Adicionalmente, procurou apurar-se se há conhecimentos sobre como corrigir esta perturbação visual que afeta sobretudo a população acima dos 45 anos de idade. De salientar que nove em cada dez pessoas inquiridas revelaram que sentiram os primeiros sinais de presbiopia aos 40 anos. Neste campo, as respostas revelam que quase metade, precisamente 47 por cento dos inquiridos, desconhece o que é a presbiopia. No entanto, as descrições dos sintomas demonstram que metade (50 por cento) dos que têm mais de 35-40 anos já revela dificuldade em ler as letras mais pequenas, enquanto 35 por cento sente dificuldade em focar ao perto e 27 por cento afirma a necessidade de recorrer a óculos de ver ao perto para conseguir ler. Apesar destas dificuldades, entre os inquiridos que revelam não usar óculos para corrigir a presbiopia, um terço não usa correção porque receia a capacidade de adaptação, enquanto que 12,4 por cento não o faz porque o preço dos óculos progressivos é elevado e 11,3 por cento, porque isso implica uma consulta de avaliação.

Foto: Marek Levak from Pexels

Ainda sobre os efeitos do confinamento, 44,8 por cento dos inquiridos refere a visão mais desfocada. Neste período 59 por cento afirma que se sentiu afetado pela claridade do dia ao sair à rua, pelo menos uma vez, e 40 por cento relata irritação ocular. O inquérito revela também que 76 por cento das pessoas que usam óculos sentiu o incómodo gerado com o embaciamento das lentes associado ao uso de máscara.


Essilor Academy Portugal

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A habilidade de reinventar a formação O diretor de Saúde Visual da Essilor Portugal, Alberto Silva, fez um balanço dos desafios e conquistas na área de formação da empresa. A imposição de distanciamento devido à pandemia por covid-19 impeliu a equipa da marca multinacional a reinventar-se e assumirse no online de forma consistente e avançada. Desenharam-se, assim, com muita precisão, os Webinars Essilor Academy Portugal materializados em dois programas inovadores, o goOnline e o oftalmoonline. “Esta mudança, também na área da formação, foi mais do que apenas uma necessidade contextual, uma vontade. Não parámos encostados à janela, à espera que o tempo lá fora mudasse. Mudámos o chip, reinventámos conteúdos, reformulámos planos, construímos e fizemos acontecer o futuro”, assinalou Alberto Silva. Repensar a proximidade e a passagem de conhecimentos foi o grande desafio de 2020. A equipa dedicada à saúde visual da Essilor considera que ultrapassou o repto com distinção. A prova está nos números conseguidos com os novos programas de aprendizagem. Mais de oito mil participantes, uma taxa de participação versus de inscrição acima dos 70 por cento, a elevada diversidade de conteúdos com mais de 70 módulos únicos e um feedback positivo dos envolvidos. Além de tudo isto, a Essilor Academy Portugal conseguiu providenciar um corpo de oradores de qualidade que garantiram, juntamente com a equipa da casa, o “brilho” desta estratégia. “Resumidamente, passaram pelo nosso palco virtual 14 professores universitários, 12 doutorados, um pós-doc, três speakers internacionais, um ex-candidato presidencial, um presidente de uma instituição não-governamental de relevân-

cia, entre outros…”, detalhou o diretor de Saúde Visual. A passagem do formato de formação presencial para o digital foi para os membros da Essilor um marco histórico. O desenvolvimento do novo programa de formação confluiu em duas vertentes distintas, sob o formato de dois webinars. Por um lado, o goOnline, mais vocacionado a óticos, optometristas, ortoptistas e balconistas e, por outro, o oftalmoonline com foco nos oftalmologistas. Já com olhos em 2021, a Essilor Academy Portugal está preparada para os novos desafios que se impõem, mas com sentido também na consolidação do trabalho empreendido, sob “comando” de uma das frases ouvidas nos webinars “tudo se perde quando nada se transforma”. “Juntos construímos uma mensagem sólida de saúde visual que não seria possível sem uma clara aposta, de parceria conjun-

ta, num serviço de excelência e criação de valor para o negócio e para o mercado, com uma ponte clara entre os skills desenvolvidos, no âmbito profissional e pessoal, e as ferramentas fundamentais para o dia a dia. Em jeito de resumo, torna-se evidente que o futuro terá necessariamente de passar pela aposta clara na formação e no desenvolvimento de competências pessoais e profissionais, sendo determinante para o sucesso de qualquer organização nos tempos de mudança que se avizinham; pela diferenciação, no conteúdo e na forma, como fator impulsionador da mudança e de criação de futuro, é, seguramente, um dos pontos decisivos num mercado dinâmico e de elevado valor e pela proximidade, como fator aglutinador, é, sem sombra de dúvida, uma mais-valia junto de todos os stakeholders: óticos, prescritores e consumidores”, concluiu Alberto Silva.


“Diferente por fora, igual por dentro” A fabricante de lentes oftálmicas inicia 2021 com mudança. A identidade corporativa da Essilor é reforçada com um novo logótipo, num marco histórico para a casa multinacional. É uma imagem que reforça uma nova arquitetura de marca, que quer transmitir mais solidez e contemporaneidade. O objetivo central é alicerçar a preferência do cliente e facilitar a recomendação. Trata-se de uma evolução bem estudada e que quer demarcar a posição da Essilor como marca principal ou “mãe”, que envolve as suas submarcas de lentes. Ou seja, rapidamente e de forma clara, os consumidores reconhecem a relação entre a Essilor e todos os seus produtos divididos em submarcas específicas, tornando-se inseparáveis. O novo logótipo quer ainda salientar a capacidade, experiência e perícia da marca através do formato de olho que surge agora mais destacado. A tonalidade apresenta-se também transformada, transmitindo modernidade e proximidade. Uma marca especialista A mudança estratégica estabelecida pela Essilor demarca uma comunicação que passa a ser mais homogénea. O foco inci-

de numa marca, em vez de se dividir pelas diferentes submarcas de forma distinta. Com este novo rumo, a Essilor estabelece um “diálogo” simples e consistente com os consumidores. É também a forma mais eficaz de transmitir o legado de inovação e tecnologias das lentes Essilor, promovendo o reconhecimento de uma casa que fornece soluções de visão exclusivas para cada utilizador. Estes são elementos essenciais no processo de compra que o apoiarão no seu dia a dia e simplificarão a sua recomendação. O novo sistema de branding será implantado a partir do início de 2021, com o objetivo de ser concluído até ao final do ano. “Esta é mais uma etapa na história da Essilor, que atravessamos juntos, para continuarmos a Melhorar Vidas, Melhorando a Visão… sempre.”

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Essilor


João Pinto

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CCVO: a abordagem transversal ao mercado da ótica O dinamismo do mercado da ótica português está impresso na vontade e juventude do projeto CCVO. Em tempos de grandes mudanças, empresas maleáveis e capazes de responder às premências do mercado com prontidão estão a ganhar espaço e é esse o “segredo do sucesso” desta casa nacional. Isso e o facto de se compor de uma equipa em que entende “o terreno”. João Pinto, diretor de operações, falou à Millioneyes sobre a filosofia que assenta a CCVO, sobre um 2020 de grandes desafios e de um futuro que se prevê feliz para a empresa que representa. A CCVO tem “pé assente” no mercado português há já alguns anos. Fale-nos deste percurso desde o arranque e de como surgiu a motivação para fundar a empresa. A CCVO foi criada num panorama de profunda crise económica que, claramente, afetou todos os players do mercado. Como profissionais da área fizemos uma introspeção e, no decorrer dessa análise, motivamo-nos a fundar a CCVO com o intuito de apoiar os óticos, criando soluções contra a conjuntura. Uma dessas soluções foi possibilitar-lhes o acesso a produtos e serviços, promovendo a competitividade e que de outro modo não estariam alcançáveis. O nosso percurso tem sido bastante positivo e desafiante, fruto também de muito trabalho e dedicação. Tivemos que evoluir e, internamente, desenvolver uma estrutura mais exigente e adequada. Sentiram desde o início motivação por parte dos óticos lusos em abraçar o vosso conceito ou foi uma luta paulatina? Sim, sentimos desde o início essa motivação. Aliás, foi precisamente a aceitação do nosso conceito que nos moveu e continua a mover para seguir em frente com empenho.

A CCVO começou por apresentar como mais-valia uma equipa multidisciplinar, com vocação técnica para o setor. Ainda mantêm esta caraterística? Sim, essa característica é parte integrante do nosso ADN. É fundamental trabalhar com pessoas que possam acrescentar mais-valia à função que desempenham. O que nos distingue das outras empresas é o facto dos elementos da nossa equipa já terem exercido funções nas várias áreas do negócio, desde atendimento ao balcão, trabalho de oficina, passando pelo consultório até à gestão de equipas multidisciplinares, tanto em multinacionais como em lojas de rua. Por isso, o conhecimento é transversal e faz-nos compreender melhor as vicissitudes do negócio. Na base estrutural da equipa de backoffice continuam os mesmos elementos e a maior modificação que ocorreu foi no corpo de comerciais.


Agora sobre o João, quando se lançou na CCVO e quem era antes de assumir o desafio de dinamizar o grupo? Integrei a CCVO em 2013, ano que marcou o seu nascimento. Venho de uma família de óticos, por isso cresci no meio do setor. O meu percurso profissional começou pela observação. Ainda era muito novo e já vivia o dia a dia de uma ótica. Depois concluí o Curso de Técnico de Ótica no Instituto de Educação Técnica (INETE) e mais tarde ingressei no curso da União Profissional dos Ópticos e Optometristas Portugueses, UPOOP, onde me diplomei em Optometria. 2020 foi o ano de “todos os desafios”. Como apoiaram os óticos neste período histórico? Sempre nos pautámos pela flexibilidade, tanto nos procedimentos como em conferir uma resposta rápida às solicitações que nos colocam, apresentando, deste

•• “ O q ue nos diferencia dos outros fo rn e cedores é ter m os um por tefólio t ra n sver sal de pr odutos necessár ios à a t ividade e manutenção de um a ó t ic a, vendendo à unidade, sem o b rigatoriedades” ••

modo, soluções ao invés de problemas. Por exemplo, dado as restrições de circulação, enviámos os produtos encomendados pelos óticos diretamente para o cliente final. Procurámos também apoiar os nossos clientes financeiramente, adiando os prazos de pagamento. Foi importante nunca termos deixado de trabalhar durante o confinamento obrigatório. Como resultado final conseguimos estar bastante presentes, o que de certa forma estreitou a relação de familiaridade que já tínhamos. Sentem que a queda abrupta de consumo nos meses de reclusão obrigatória foram recuperados? Ou melhor, há esperança? Claro que sim, há sempre esperança. Nos meses que sucederam o confinamento, a retoma foi, claramente, positiva, facto esse que nos permitiu um crescimento nos resultados comparativamente ao ano anterior. Perante estas alterações basilares nos mercados, como é que a CCVO também mudou? Fizemos as adaptações necessárias, crescemos e tornámo-nos mais resilientes e ajustados. Isto permitiu-nos, igualmente, canalizar esforços para outros projetos para que, deste modo, pudéssemos retornar rapidamente ao plano que tínhamos traçado.

Que planos têm agora para este futuro que nos desafia? Iniciámos já em dezembro com o lançamento do novo catálogo de equipamentos de oficina e consultório, DAO – Deutsche AugenOptik, de origem Alemã. Para este ano, preparámos o incremento do nosso portefólio de coleções com a adição da marca Mínima e da marca Roy Robson na zona centro/sul e contamos ainda expandir para o mercado norte no decorrer do primeiro trimestre. Temos previsto impulsionar a marca EYE ON, em todo o território nacional, apostando na difusão de novas ferramentas tecnológicas para os óticos. Existem, ainda, novos planos e novidades a revelar na hora certa. Como palavra direta aos óticos, que vantagens há em aderir a um conceito como o da CCVO? Devo esclarecer que não somos um grupo. A CCVO é uma empresa com valências heterogéneas, que garante capacidade de oferta e representa garantia de mais-valia. O que nos diferencia dos outros fornecedores é termos um portefólio transversal de produtos necessários à atividade e manutenção de uma ótica, vendendo à unidade, sem obrigatoriedades. A nossa experiência laboral faz com que tenhamos adquirido o know how e sensibilidade que torna da CCVO o parceiro 360º do ótico.

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Quem são os elementos que dão hoje vida à empresa na suas diversas facetas? A nossa equipa é composta, no atendimento ao cliente, por Cláudia Passarinho, Rui Passarinho e por mim próprio. No departamento técnico/oficina contamos com o Nuno Rodrigues e no departamento de marketing, com a Vera Passos Teixeira. As nossas equipas comerciais têm Jorge Lourenço, com as lentes oftálmicas EYE ON e a Elsa Morgado, com as marcas John Lennon, Gianfranco Ferré e Vistan Germany, na zona norte e na zona sul, Carlos Maio, a desenvolver John Lennon, Gianfranco Ferré e Vistan Germany, Mariana Campos, com Cinque + Funky Buddha e Vistan Germany e João Pedro Feijó, com Minima e Roy Robson.


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Luís Feijó Uma Shamir portuguesa que não para O líder luso da fabricante de lentes falou à Millioneyes sobre a inquietude natural da “sua” Shamir e como a pandemia a agravou. Perante enormes desafios causados pelo congelamento da economia em 2020, a estratégia desta fábrica é mesmo continuar a criar novos patamares de produtos e serviços. Na calha do novo ano há formação especializada, há armações made in Portugal, há lentes com novas características e, claro, à imagem de Luís Feijó, mais tecnologia inovadora. A Shamir lançou-se no ano 2020 com boas perspetivas, no entanto a pandemia trouxe alterações profundas. De facto, tivemos um início de ano 2020 bastante promissor, era de todo inesperado os meses de final de Março a meio de Maio. Com uma queda acima dos 90 por cento, entrámos em lay off, ficando apenas um dos turnos da nossa equipa de produção em pleno funcionamento. Aproveitámos esta fase para nos focarmos na I&D e ainda na construção da ampliação das nossas instalações, que cresceram mais 1500 metros quadrados. Ou seja, não pararam. Na última semana de Maio já tínhamos a produção a trabalhar em full time, mesmo com o Reino Unido ainda em confinamento total. Somos efetivamente um país com os melhores trabalhadores da União Europeia, adaptamo-nos rapidamente a novas situações, somos portugueses! Consegue fazer-nos um balanço deste 2020 singular? Ainda é cedo para fazer um balanço de um ano, especialmente este. Não será seguramente um ano positivo pelo ponto de vista humano, mas aprendemos muito ao longo destes últimos oito meses. “prognósticos só no fim do jogo” (risos).

Perante o arranque de 2021, que perspetiva para a Shamir? 2021 é a continuação de 2020 - incerteza!-, mas mantemo-nos sempre positivos, procurando soluções. Tem planos para implementar no novo ciclo? Conforme mencionei, durante a fase “calma” do ano fomos desenvolvendo novos projetos. Um deles foi a montagem de uma unidade de produção de armações em acetato na Shamir Portugal e ainda o desenvolvimento de personalização de armações, também de acetato, feitas em prototipagem. Demorou mais do dobro do tempo normal, dadas as proibições de circulação dos técnicos para fazerem a instalação e formação. Tivemos que ser autodidatas e persistentes. Mas estamos na reta final e contamos entregar as primeiras encomendas já este ano: handmade in Portugal! Ou seja, há grandes movimentos em marcha com a assinatura da Shamir Portugal. Nunca pararam as movimentações! A Shamir teve, graças à sua organização, a capacidade de se adaptar ao contexto pandémico de 2020 e, apenas uma semana após o confinamento do país, começámos uma ronda de webinars sobre os temas quentes do momento, para poder apoiar os nossos clientes. Abordámos aspetos legais e laborais ligados ao novo contexto (em


evolução diária) como apoio aos empresários que se encontravam perante desafios enormes, mas também aspetos macro económicos, transformação digital, marketing digital, entre outros. Contámos com convidados de relevo, num formato que teve sempre mais de 80 participantes. O importante foi manter a conetividade entre a classe da ótica. Queremos continuar a demonstrar e a aplicar essa proatividade junto dos nossos clientes, é intenção das nossas equipas continuar este caminho de proximidade e de utilidade. A transformação digital terá um papel importante no apoio aos nossos parceiros.

Em 2020 também iniciaram a mudança da imagem da marca. É um projeto que vai continuar? Sem dúvida, o rebranding da marca Shamir, operação que tivemos que interromper no ano passado, é importante para a marca. Queremos comunicar a nossa evolução, o nosso crescimento, o empenho que temos vindo a demonstrar junto do mercado e dos nossos clientes, comprometendo-nos com o mais alto nível de qualidade de produto e serviço possível na indústria. E que outras novidades se podem esperar da Shamir em 2021? Para além da Shamir ser reconhecida mundialmente pela qualidade das suas geometrias para lentes progressivas e unificais personalizadas, vamos reforçar a nossa presença, mais uma vez por diferenciação e inovação, na área de Sun Rx - óculos de

•• “ L embro- m e, por exemplo, de quando a q ue stão do uso o b rigatór io das máscaras a p a receu, tivem os a c a p a cidade de lançar o ún ico tratamento a n t i-em baciamento p erm anente, aplicado na p ró p r ia lente” •• sol graduados. Também novidade, como já referi, é a criação de uma startup ligada à micro produção de armações e apoiada pela Shamir. Trata-se de uma área que cada vez depende mais de importações da China e, desta forma, queremos recuperar ofícios esquecidos e em extinção, a tradição de manufatura de armações, podendo mencionar com orgulho o made in Portugal. Neste processo garante-se a personalização e customização dos produtos, utilizando materiais nobres como o acetato da Mazzucchelli, entre outros. Com todas as adversidades criadas pelas restrições de circulação causadas pela covid-19, conseguimos arrancar e já temos clientes a aguardar as primeiras entregas que serão concretizadas já no início de 2021. Contamos arrancar também, juntamente com este projeto, a academia de formação no âmbito de promoção de profissões em extinção, já aprovada pelo IEFP, que foi suspensa no início de 2020.

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E em termos de produtos, também houve dinamismo como resposta à pandemia? Lembro-me, por exemplo, de quando a questão do uso obrigatório das máscaras apareceu, tivemos a capacidade de lançar o único tratamento anti-embaciamento permanente, aplicado na própria lente. Esse lançamento foi um desafio, porque a procura excedeu imenso a nossa capacidade inicial e tivemos que operar com muita agilidade para poder manter os níveis de satisfação e prazos a que habituámos o mercado. Não foi um processo fácil e indolor, mas tiramos grandes aprendizagens deste período e sobretudo fomos capazes de adequar rapidamente o nosso produto ao contexto atípico em que vivemos. A nossa intenção para 2021 é robustecer o novo tratamento e melhorar a sua performance. Este é um desafio muito interessante porque envolve fatores externos que estão fora do nosso controlo, como por exemplo a humidade do ar, que varia em função do país e mesmo do local onde estamos. Neste momento estamos com uma equipa de I&D dedicada a 100 por cento em melhorar ainda o que for possível melhorar.

Acredita no regresso ao “normal” e que perante a vacinação para a covid-19 se possa recuperar o setor? Depende do que se possa entender por normal. Mesmo com a vacina, o país não vai resistir à devastação económica causada pela covid-19. Muitas empresas de outros setores estão a fechar portas e o desemprego é uma consequência que vai afetar negativamente o consumo no país. Vamos ter que saber conviver com este tipo de situações. Seguramente a seguir à covid-19 outros desafios virão, por isso, a adaptação a um novo normal será inevitável. Acima de tudo, a Shamir agradece a todos os seus parceiros a sua dedicação.

Nota: Esta entrevista foi feita antes do novo confinamento de janeiro de 2021.


Foto: Andrea Piacquadio from Pexels

Optometria | 38 |

Má visão ligada à depressão A Associação de Profissionais Licenciados de Optometria divulgou os resultados de um estudo que demonstra a ligação entre dificuldades visuais e uma maior probabilidade de sofrer de depressão. A pesquisa incluiu os testemunhos de indivíduos de 30 países europeus, incluindo Portugal, e foi publicado na Acta Ophthalmologica, com a autoria de vários cientistas de optometria e oftalmologia. Adicionalmente, realizou-se com o apoio do programa de investigação Eurovisão da União Europeia Horizonte 2020. No artigo pode constatar-se que a má visão contribui para impedir o desenvolvimento de todo o potencial das crianças, para a limitação de produtividade nos adultos e perda de autonomia na terceira idade. Além disso, as dificuldades visuais conduzem ao isolamento, à sensação de insegurança e impotência e à degradação da autoconfiança. Como tal, contribui para os comportamentos depressivos de uma forma muito marcada. A investigação destaca também o problema da auto-perceção da má acuidade visual e da falta de correção. Esta tendência agrava-se mais nos países do sul europeu e da Europa Ocidental. Estes resultados enfatizam, segundo a Associação de Profissionais Licenciados de Optometria (APLO) a necessidade de uma abordagem abrangente, de resposta eficaz integrada, na comunidade e de proximidade. Os cuidados para a saúde da visão são os

cuidados de especialidade mais frequentes nos seres humanos e devem ser assegurados desde o nascimento e ao longo de toda a extensão da vida. A APLO realça ainda que “cerca de cinco milhões de portugueses sofrem de erro refrativo, e ainda assim, o Estado português ainda não implementou as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre a integração e planeamento da força de trabalho dos cuidados para a saúde da visão desde os cuidados primários aos cuidados hospitalares e de reabilitação. Estas recomendações foram recentemente reforçadas pela OMS para o rastreio da retinopatia diabética no dia 14 de Novembro, onde mais uma vez se reforça o papel fundamental que os optometristas devem desempenhar na prestação de cuidados primários para a saúde da visão. Até lá, cada vez mais portuguesas e portugueses irão ver pior o seu presente e futuro.”


#1

MARCA DE LENTES PROGRESSIVAS NO MUNDO*


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