PORTUGAL • Nº 95 • DEZEMBRO 2020
Distribuição exclusiva a profissionais • Preço de Capa: €7,50
A ÓTICA DESENHADA A 2020 E UM FUTURO QUE SE ANSEIA
TOON SOMERS Confissões de cor
DAVID PIÑERO
Correção da presbiopia com novas lentes de contacto córneo-esclerais multifocais customizadas
TENDÊNCIAS 2021
A viagem aos desenhos de um passado espantoso
MAUI BLUE LIGHT PROTECT™ LENS
Oferecendo uma melhor proteção ocular
16
18
26
PANTONE
2021 sob cinza e amarelo
A ÓTICA DESENHADA A 2020 E UM FUTURO QUE SE ANSEIA
MULTIOPTICAS
28
32
35
TOON SOMERS
DAVID P PIÑERO
UMA VIAGEM PELOS DESENHOS DO FUTURO
BREVES
CAPA
OLHAR O MUNDO
Correção da presbiopia com novas lentes de contacto córneo-esclerais multifocais costumizadas
De “coração aberto”
TENDÊNCIAS
Índice | 3 |
Confissões de cor
OPTOMETRIA
OLHAR EM PORTUGUÊS
Tema de Capa: A “voz” dos empresários que mantêm vivo o dinamismo do setor da ótica ganham dimensão num artigo de fundo que revisita o ano “covid” e perspetiva 2021.
Diretora: Editora: Redação: Design e Paginação: Fotografia: E-mail: Tel: Periodicidade: Tiragem: Impressão: Preço de capa em Portugal: A MillioneyesTM é propriedade da Parábolas e Estrelas – Edições Lda. com sede na Rua Manuel Faro Sarmento, 177, 4º esquerdo, 4470-464 Maia, Portugal NIF: 510195865 Gerente/Diretor - Cristóvão Jesus Detentor de 100 por cento do capital social Sede de Redação Rua Elísio de Melo, 28, S 38 4000-196 Porto Qualquer crítica ou sugestão deve remeter-se para: millioneyes@outlook.pt
Patrícia Vieites Carla Mendes Carla Mendes, Mariana Teixeira Santos, Célia Esteves Paula Craft Paula Bollinger, Miguel Silva, Hugo Macedo millioneyes@outlook.pt 96 232 78 90 Mensal 2000 exemplares Uniarte Gráfica, S.A 7,50 euros Depósito Legal n.º 419707/16 Interdita a reprodução, mesmo que parcial, de textos, fotografias ou ilustrações sob quaisquer meios e para quaisquer fins, inclusive comerciais. Os artigos de opinião e os seus conteúdos são da total responsabilidade dos seus autores. Registo na ERC n.º 126933
PORTUGAL • Nº 95 • DEZEMBRO 2020
Distribuição exclusiva a profissionais • Preço de Capa: €7,50
A ÓTICA DESENHADA A 2020 E UM FUTURO QUE SE ANSEIA
TOON SOMERS Confissões de cor
DAVID PIÑERO
Correção da presbiopia com novas lentes de contacto córneo-esclerais multifocais customizadas
TENDÊNCIAS 2021
A viagem aos desenhos de um passado espantoso
Editorial | 4 |
A esperança ao virar do ano A terminar um louco 2020 e ainda de pé admite-se um sentimento natural de super-herói! Enquanto analisámos os negócios e a vida durante aquele que será sempre o ano covid, agradecemos à saúde que mantivemos, aos nossos parceiros que sofreram connosco os desvarios da economia e, como tudo o que é partilhado, aligeiraram medos e inseguranças e agradecemos à capacidade intrínseca da massa humana do setor da ótica. Somos inquietos e bravos! Por falar em partilha, estivemos digitalmente no terreno em busca destes novos sentimentos que a pandemia trouxe durante 2020 e ainda o que esperar de 2021. Num artigo privilegiado, por incluir as vozes de alguns dos melhores empresários do mundo, damos uma visão geral em jeito de balanço. É verdade que o desafio que foi lançado à nossa existência “ainda vai alto”, mas é neste conluio de ideias, novas estratégias e opiniões que sentimos que não estamos sós e que partilhamos a esperança de ultrapassarmos este repto e os próximos com sucesso. Também explorámos com alegria as tendências em design na ótica. Que sentimento de alento perscrutar a criatividade de quem respira e vive óculos! Vale mesmo a pena entrar no novo ano com estes devaneios, com a certeza de que a vida corre “nas veias” do mercado mundial. Não resistimos, claro, às mentes mais criativas do eyewear e, desta feita, revelamos os ideais de Toon Somers, um dos elementos da família que desenvolve a irreverente theo eyewear. Perdemo-nos nas cores desta casa belga e nas paixões de um jovem designer que acredita na individualidade na criação e na forma como se torna transversal “na rua”. Claro que demos espaço essencial à ciência, sob os conhecimentos avançados do investigador David Piñero, e ao dinamismo dos nossos empresários e marcas. Estamos assim prontos para iniciar um 2021 com muita vontade de reinventar a captação da ótica, sob a nossa objetiva exigente em prol de todos os lutadores do mercado. Um excelente ano para a ótica portuguesa na companhia da Millioneyes! Estatuto Editorial / Sinopse A Millioneyes é uma revista profissional dedicada ao setor da ótica, contando com presença integral online através da plataforma isuu.com. A Millioneyes tem o objetivo de cobrir os acontecimentos específicos do seu setor e retratar a informação de forma rigorosa, com toda a dedicação e competência. A Millioneyes traz uma abordagem íntima, atualizada e assertiva sobre o setor da ótica em Portugal, esmiuça perspetivas de outros países sobre a situação do mercado, retrata tendências em óculos, expõe dados científicos essenciais aos técnicos da área com o apoio dos oftalmologistas e optometristas e aborda de forma inédita os empresários que gerem os estabelecimentos nacionais. A Millioneyes compromete-se a respeitar os princípios deontológicos e a ética profissional aplicada à atividade profissional dos jornalistas, assim como a boa fé dos leitores, através do trabalho dos seus colaboradores e diretor. A Millioneyes é independente do poder político e de grupos económicos, sociais e religiosos.
VAVA
Breves | 8 |
A girl like me A dimensão da marca sonhada e desenhada pelo português Pedro Silva continua a crescer. Desta vez sob o ritmo do artista will.i.am que escolheu um fabuloso modelo da VAVA para o vídeo da nova música dos Black Eye Peas ao lado da talentosa Shakira. Os frontais redondos, o vermelho em consonância com o cenário e as icónicas charneiras da insígnia de coração luso dão destaque e luz ao trabalho criativo desta casa dedicada ao eyewear.
MAUI JIM
Flores que inspiram óculos A casa de coração havaiano dá nova luz ao seu design com o modelo Puakenikeni. O metal alinha-se com um sentido muito feminino e elegante graças ao arrojado e reinventado cat eye. O nome que distingue esta peça luminosa é literalmente flor com dez fragâncias e promete seduzir os amantes do sol.
PEOPLE FROM BARBADOS
Beleza barbadiana A marca nascida em Barbados lança um novo conjunto de imagens com base na beleza endémica da conterrânea Jalicia Nightengale. Captada pelo fotógrafo local Jaryd Niles Morris, a modelo emana a filosofia que a fundadora Alicia Hartman da People from Barbados quer capturar nas suas criações. “A beleza de olhos azuis Jalicia representa a ambição dos jovens bardadianos, com grandes sonhos para o futuro. É a embaixadora perfeita para a marca”, explicou a líder. Em destaque na nova campanha está um modelo em acetato, esculpido num cat eye atrevido, como homenagem a essa intensidade da juventude daquele país das Antilhas.
GRANDOPTICAL
A crescer em influência O grupo de óticas premium aumentou a cobertura da sua marca com a abertura de uma nova loja no El Corte Inglés de Gaia. São assim nove os estabelecimentos em Portugal, sob a insígnia dedicada às grandes marcas da GrandVision. Esta inauguração surgiu na sequência da aquisição da Optica Gallery, com espaços nos El Corte Inglés de Lisboa e Gaia, sendo agora esta última alvo de obras de melhoria e “renaming” para GrandOptical.
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Breves | 10 |
HEMP
Óculos esculpidos na natureza O estúdio de design sediado em Edimburgo, no Reino Unido, lançou uma novidade com base nos materiais sustentáveis e naturais que sempre defendeu. Hemp Eyewear é pioneira no uso da primeira fibra de cânhamo na produção de óculos e como celebração da criatividade a insígnia propõe uma peça de prescrição única. Feita de cânhamo orgânico acresce-se de açafrão, uma especiaria ousada e vibrante usada desde os tempos antigos como corante natural. E a coleção prevê ainda crescer com colorações deliciosas obtidas a partir de mirtilos ou beterraba e embelecidas pelo cat eye primoroso.
OPTIVISÃO
INVU
Design que se usa A equipa de criadores da marca suíça estudou os desenhos mais vendidos e “usáveis” para propor ao ótico um modelo que fica bem tanto na vitrine como no rosto do consumidor. Um acetato quente e confortável, um formato feminino e de grande aceitação e detalhes que valorizam e fazem brilhar compõem a nova peça INVU.
Cristina Eyewear em modo de festa A marca da famosa comunicadora portuguesa, em colaboração com a Optivisão, “desenha” propostas em óculos com um sentido festivo. A Edição Limitada de Natal Cristina Eyewear “veste-se” de um estilo vintage com muita elegância. Em destaque está uma peça em acetato, que ganha expressão num recortado cat eye, na ponte em metal dourado e na assinatura CF. Esta edição vem acompanhada de várias ofertas exclusivas para os colecionadores da marca. Entre elas estão uma bolsa de cosmética em veludo, postais autografados e amostras do perfume MEU de Cristina Ferreira.
Diálogo entre cor e design A marca suíça atreve-se num jogo sofisticado entre duas cores translúcidas, criando um efeito duplo de poder e suavidade. O resultado é ainda mais destacado pelas bordas harmoniosamente arredondadas através do polimento manual. É o equilíbrio perfeito entre volume e transparência que resulta em óculos admiráveis.
HOYA ENROUTE
FACE À FACE
Sobreposições de amor A arte, as transparências e os efeitos néon são os propulsores da nova coleção Face à Face. A marca francesa levou mais longe os recortes das suas criações ao renovar conceitos bestseller das suas linhas, de forma surpreendente e sempre nova. Destaca-se o fabuloso modelo Hollow construído num conceito de camadas sobrepostas de pura cor e energia.
Para uma condução segura e suave Com o aumento de deslocações rodoviárias para os tão esperados encontros familiares desta época, a fabricante de lentes oftálmicas propõe a versão EnRoute. Equipadas com um filtro especialmente desenvolvido para reduzir os reflexos e o deslumbramento, as lentes EnRoute melhoram o contraste e a perceção do brilho. Como resultado, as EnRoute minimizam o stress visual e proporcionam uma experiência de condução confortável. Este produto da Hoya é desenhado para os condutores atuais, combinando um desenho de lente unifocal ou progressiva premium com um tratamento que diminui os reflexos típicos das estradas e ainda um filtro opcional para melhorar o contraste. EnRoute garante uma redução significativa dos reflexos e do deslumbramento do tráfego que vem de frente, a melhoria do contraste e da perceção de brilho em condições de pouca luz, nevoeiro e chuva, uma incrível melhoria na visão de longe, do painel de instrumentos e dos espelhos e ainda na transição suave e rápida entre a visão de longe e perto. A Hoya inclui ainda a versão EnRoute Pro desenvolvida com foco nos condutores profissionais. Esta faceta das lentes disponibiliza os benefícios EnRoute, acrescendo-se de um filtro que realça o contraste e a perceção das cores, reduzindo ainda mais os reflexos.
Breves | 11 |
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EMPRESAS DA ÓTICA
Breves | 14 |
CCVO
Absorve Minima nas suas fileiras A Central Compra e Venda a Ópticos (CCVO) anunciou em dezembro a conquista da marca francesa Minima, para o seu portefólio eyewear. A partir de janeiro de 2021, a representação e distribuição desta insígnia famosa passará pelas “mãos” da CCVO. É mais um passo na estratégia de crescimento e consagração desta empresa no mercado da ótica nacional, desta feita, suportado por uma casa que produz óculos minimalistas, com qualidade exímia, desde 1990. A Minima proporciona um design atual e original em três linhas essenciais: Rim – Contour e Hybrid, Rimless e Kids Collection.
Dão exemplo de diversidade A publicação internacional Financial Times incluiu no seu segundo concurso europeu anual em matéria de inclusão, o Diversity Leader, seis empresas diretamente relacionada com o setor da ótica. Ou seja, entra as 850 organizações estudadas na Europa, então entre as mais inclusivas a Novartis na 90º posição, a EssilorLuxottica em 135º, em 621º a GrandVision, em 714º a Kering, em 719º a dinamarquesa Synoptik, do grupo GrandVision e a irlandesa Abbott, em 738º. Diversidade de género, de idade, de etnia, de portadores de deficiências e de orientação sexual são os fatores que encabeçam esta classificação e que, segundo o meio de comunicação, ganharam mais destaque com a pandemia e o consequente teletrabalho. OS três vencedores foram a francesa Biocoop, revendedora de alimentos biológicos, a Infineon, produtora alemã de chips e a Booking.com, companhia de viagens com sede nos Países Baixos. A sondagem foi conduzida pela Statista, empresa germânica especializada em estudos de mercado. “O interesse demonstrado na primeira edição da iniciativa impeliu-nos a estender o âmbito do inquérito a mais seis países. Os líderes da diversidade de 2020 foram identificados entre abril e agosto através de uma sondagem independente em 16 países europeus”, lia-se no site do Financial Times a propósito do concurso.
LUNOR
Clássicos que nunca prescrevem A marca germânica aumentou a sua linha A5 com dois desenhos de luxo que fazem crescer o seu sentido intemporal . O A5 605 é extrovertido e mais quadrado e o A5 604 eleva o dinamismo deste segmento com linhas redondas incontornáveis. Ambos servem personalidades distintas, mas com o objetivo comum da qualidade máxima, da sensação suprema no toque e da leveza subtil.
A todos os parceiros que nos apoiaram no registo do melhor da รณtica ao longo de um desafiante 2020, a Millioneyes deseja um 2021 pleno de sucesso!
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revistamillioneyes
PANTONE
Breves | 16 |
KOMONO
Amar o sol no inverno A Snow Collection da Komono é o convite perfeito para usufruir dos dias cristalinos de inverno. Desenhados para otimizar a visão nos dias frios e claros, os óculos exibem lentes com filtro polarizado com um tratamento em ice blue revo elétrico. Estas camadas protegem os olhos dos raios solares e protegem contra reflexos incómodos provenientes, por exemplo, de superfícies geladas. A armação transparente faz contraste intenso com o azul das lentes e garante um look invernal de luxo.
INSPECS
2021 sob cinza e amarelo A empresa dedicada às cores por excelência anunciou que os tons que prevalecerão em 2021 serão o Pantone 17-5104 Ultimate Gray + Pantone 13-0647 Illuminating, ou melhor, o cinza e o amarelo. Ao destacarem duas tonalidades independentes, valoriza-se a forma como dois elementos unidos podem apoiar-se perfeitamente e melhor delinear o espírito do próximo ano. A união transmite solidez, ao mesmo tempo que passa conforto e otimismo. É uma história de cor que encapsula sentimentos profundos de compaixão com a promessa de algo soalheiro e amigável. Este cinza com amarelo quer garantir uma mensagem de felicidade suportada pela força moral, iluminando a sociedade com esperança. As pessoas precisam de sentir que tudo vai ser mais claro. É essencial à natureza humana. Por um lado, o amarelo Illuminanting é aberto, alegre e pontilhado por vivacidade, quente e imerso em poder solar. Por outro, o cinza Ultimate Gray representa a estabilidade e os elementos confiáveis que são eternos e fornecem uma base sólida e que encorajam sentimentos de constância e resiliência. “A união de um duradouro cinzento com um vibrante amarelo expressa uma mensagem positiva.Precisamos de nos sentir estimulados para que funcionemos em pleno”, explicou Leatrice Eiseman. diretora executiva do Instituto da Cor Pantone.
Absorve Eschenbach A empresa independente de investimentos Equistone Partners Europe cedeu a sua quota da Eschenbach ao grupo britânico Inspecs. A Eschenbach, fundada em 1913, está no topo do mercado mundial no apoio à baixa visão e tem ainda óculos de sol e prescrição. Foi comprada à família fundadora pela Equistone em 2007 e desde então até 2019 aumentou a sua faturação de 100 milhões de euros para 143. A Inspecs arrancou em 1988 e desenvolve, produz e distribuiu eyewear para mais de 80 países e tem inclusive uma filial em Portugal. A união de ambas as marcas permite à Inspecs a penetração em mercados chave e a diversificação do seu portefólio de produtos.
Óculos que veem tudo! A parceria entre a arrojada marca eyewear e o artista multidisciplinar espanhol resultou num modelo que exala poder, ao ter um “olhar em tudo”. Materializado em acetato natural Mazzucchelli com lentes minerais Barberini, a obra de arte tem três versões com cores distintas e é um fator de atração em qualquer lugar. Ignasi Monreal, o enfant terrible de Espanha, celebrizou-se pelos seus trabalhos originais que unem um sentido clássico às mais recentes tecnologias digitais. Por isso mesmo, tem estado em voga com marcas e artistas como a Gucci, Bulgari, Vogue, Dua Lipa ou Rosália. No seu recente trabalho com óculos, o artista embarcou na jornada inspirando-se na série televisiva Ways of Seeing, do escritor inglês John Berger e resultando em peças que dão a possibilidade de usufruir de uma enorme “visão periférica”. Os olhos extra nas hastes jogam com as nossas fantasias de nunca deixar escapar fontes de inspiração. Ignasi desenhou ainda duas máscaras em forma de olhos para viajarem por Roma e inspirarem todos os que se atreveram a ser captados com elas. A campanha foi fotografada pelo italiano Paolo Zerbini, com Roma como “pano de fundo” e muito humor e romantismo, encontrados tipicamente nos seus trabalhos.
GIVENCHY
Atrevimento à flor da pele As criações mais recentes em óculos da famosa casa de moda têm um toque de rebeldia inata. A peça GV Piercing desenha-se a acetato na armação e metal nas charneiras. O toque principal está na argola decorada com cristais Swarovski que ilumina este modelo inédito. A máscara GVisible é o sinónimo de envolvimento, com as suas linhas curvas, preenchidas por uma lente única que proporciona uma visão periférica intensa. As cores terrenas são brilhantemente interrompidas pelas confortáveis plaquetas metálicas e acentuadas na assinatura da marca nas hastes.
Breves | 17 |
ETNIA BARCELONA X IGNASI MONREAL
Tema de Capa | 18 |
A ÓTICA DESENHADA A 2020 E UM FUTURO QUE SE ANSEIA
O melhor barómetro que temos para as consequências desta fase conturbada na história do ser humano é a voz da nossa razão de ser, leitores e parceiros. Explorámos, por isso, as ideias da amostra dos nossos profissionais que nos falaram sobre este louco 2020 de todos os segmentos do setor. Foi assim que sentimos na pele o que foi ter medo, mas mesmo assim abrir portas, mesmo assim assumir o posto na produção dos produtos que dão sentido à ótica, de se colocar atrás de um aparelho de exames visuais em prol do cliente, resumindo, de mesmo assim trabalhar. Muitas das vezes perante ruas vazias e bens que teimaram em não escoar. Ou seja, a palavra planeamento ganhou um significado distinto, com uma velocidade que não lhe é característica. Porém, nem nós, nem os demais players do mercado da ótica pararam. Fomos postos à prova e comprovámos o porquê da enorme estabilidade e bom funcionamento do setor da ótica português. Dissemos sim ao desafio! Entre todos os entrevistados há unanimidade na perspetiva do longínquo janeiro de 2020, em que se acreditava no crescimento para este ano, que foi talhada logo em março com a paragem quase total dos mercados. A quebra foi brutal! Quando a economia retomou, o mercado da ótica destacou-se dos restantes ao conseguir apelar ao seu consumidor primordial. Claro que, as mais recentes restrições voltaram a abater o cenário geral. Perante o anúncio da vacina, a maioria respira devagar agarrados à esperança do fim da pandemia, mas com a razão a avisar que o caminho ainda é longo e obriga a muita motivação, criatividade, ajustes frios e muito trabalho. Visão económica geral Para 2020, o Banco de Portugal estima uma contração de 8,1 por cento, um cenário mais otimista que o do Governo que adianta uma recessão em torno dos
8,5 por cento. Os dados revelados periodicamente pelo banco central sobre a saúde do tecido empresarial indicam que, de facto, mais de metade das empresas que expressaram a sua atividade reportam um impacto negativo na evolução atual do volume de negócios. As causas são a redução de encomendas/ clientes e as novas medidas de contenção. As empresas que recorreram aos apoios anunciados pelo executivo estão entre os 19 e 30 por cento do total, considerando as medidas como importantes para a liquidez. Quanto aos postos de trabalho e a forma como isso vai desenhar o desemprego em Portugal, 85 por cento das empresas preveem mantê-los até ao final de 2020, descendo para 74 quando se fala em 2021. Numa antecipação da distribuição massiva da vacina e resolução da pandemia no próximo ano, 34 por cento das empresas acreditam já ter voltado ao normal entretanto ou num prazo de 8/9 meses, mas quatro por cento acreditam que não regressam à situação anterior à covid-19. Em termos mais emocionais, 90 por cento dos empresários confessa um enorme grau de preocupação perante um agravamento ou prolongamento das medidas de contenção. Sete por cento, aliás, admitiu que perante esta hipótese sobrevive apenas sete meses. Há, portanto, quase um consenso na manutenção e alargamento das medidas de apoio. Quando questionados sobre a possibilidade de recorrerem aos fundos anunciados pelo executivo do Plano de Recuperação e Resiliência (Next Generation EU), apenas oito por cento admite que sim, enquanto os restantes consideram não haver informação suficiente. Já para 2021, o Banco de Portugal antecipa que o país possa crescer 3,9 por cento, enquanto o Governo do Primeiro-Ministro António Costa aponta para uns mais generosos 5,4 por cento.
Tema de Capa | 19 |
As palavras mais ditas em 2020 ainda estão em votação enquanto este artigo ganha forma, mas nós votámos em várias e até acrescentámos novas. Covid-19, saudade, digitalização são as institucionais talvez e esperança, saúde visual, serviço, criatividade e inquietude as nossas pessoais. Mas cuidado! Ao resumirmos este 2020 à covid-19, deixamos de lado todo um mundo que também desenhou este período da humanidade: a Austrália a arder, as trágicas mortes de um cidadão ucraniano em Portugal e de George Floyd nos EUA, sob alçada das respetivas forças de segurança, a explosão no porto de Beirute, o incêndio do campo de refugiados de Moria, em Lesbos, na Grécia, o aumento da tensão entre a Arménia e o Azerbaijão, a decapitação do professor Samuel Paty, em Paris, França e a eleição de Joe Biden como novo presidente dos EUA…e ainda não acabou! Ou seja, o molde que nos tomou a forma tem doença, sim, mas tem medo, preconceito e violência e é desta forma que os consumidores tendem a transformar-se e ao respetivo mundo económico.
Tema de Capa | 20 |
OS ROSTOS E AS PALAVRAS DA PRIMEIRA LINHA DA ÓTICA Afinamos as nossas antenas para aprender com a experiência de quem dá a cara pelo mercado da ótica. São estes profissionais que registam, em primeira mão, a realidade “do terreno”. Perguntámos sobre os últimos 12 meses de atividade, sobre as estratégias implementadas e como apoiaram a atividade neste período, sobre o balanço mais atípico de sempre do ano e claro sobre 2021 e a esperança de um “quase normal”. “A definição mais “visual” que encontro para este ano é “montanha-russa”. Um verdadeiro desfile de altos e baixos. O ano iniciou com verdadeiros indicadores de que este seria o ano em que iríamos superar todos os nossos recordes. A integração no grupo Optivisão, a nossa coleção própria, A1962, a montagem de novos gabinetes com uma tecnologia acima de tudo aquilo que conhecemos....Acreditámos realmente, que este seria o ano das nossas vidas. E foi mesmo, mas pelos motivos errados e que nunca havíamos sonhado”, descreveu na perfeição, como sempre, a ótica do Porto, Paula Pinho do Adão Oculista. E embora a história ainda “vá alta”, Paula descreveu-nos uma espécie de final feliz que nos emocionou: “Ligamos aos clientes, enviamos SMS, fizemos publicações nas redes sociais. Não para vender, não para oferecer descontos mirabolantes mas, unicamente para saber se estavam bem e que nós iríamos precisar, desesperadamente, deles pois sonhávamos conseguir ser “sobreviventes de toda esta miséria”. Na realidade aconteceu. Aquando do desconfinamento, em Junho, os nossos clientes voltaram. Voltaram para nós.” Marco Bilimória da MB Óptica de Alcácer do Sal também relembrou connosco os dias nunca vistos de 2020. “No dia 9 de março, quatro dias antes do início do pânico em Portugal, abrimos uma loja. Imagine o que senti. Rapidamente ajustei e fiz o que era funda-
mental nesse momento, falei com todos os parceiros envolvidos e reajustamos naturalmente, sem prejuízo de ambas as partes. Em relação à equipa da nossa empresa, pedimos o lay off simplificado o que foi um apoio importante. Felizmente superamos juntos porque remamos para o mesmo lado.” Como balanço, o profissional da MB Óptica não tem dúvidas que foi “um ano “bipolar”, ou esteve muito bem ou muito mal. Um ano que senti a empresa a escorregar-me pelos dedos, mas no momento seguinte a dar sinais de recuperação.” De Torres Vedras, o nosso ótico/músico Vladimiro Hipólito fez uma leitura assertiva exultando os seus colegas de profissão. “Diria que foi um ano de aprendizagens. Até ao início de Março, as nossas vidas decorriam normalmente, com desafios diários prontamente resolvidos. Com a chegada antevista da pandemia ao nosso país, as empresas públicas, privadas e a generalidade dos organismos, adotaram uma atitude protecionista, resolvendo gradualmente suspender as suas atividades. Acredito na capacidade de liderança dos empresários de óptica, na competência e responsabilidade de todos os seus profissionais nas comunidades onde estão inseridos e, devidamente apoiados pelas associações, irão continuar a perspetivar o setor da ótica como um lugar seguro!” As palavras de Rui Motty, líder da Optocentro com lojas em Lisboa e Porto foram de profunda clareza e esclarecimento. “A nossa organização sofreu uma quebra de cerca 30 por cento no volume das vendas. Este resultado deveu-se em grande parte aos meses de abril e maio. A convicção da responsabilidade social que representa a atividade, levou a que não encerrássemos nenhuma das lojas, com exceção das que, por força da sua localização assim o obrigaram. No mês de junho, enquanto
a sociedade se debatia com o efeito do encerramento compulsivo, do número de infetados, das mortes e do medo, a ótica na sua generalidade, reiniciou a atividade comercial com uma pujança incomparavelmente superior à maioria de outro retalho. Isso veio afastar o assombramento de falências e do desemprego (…) Nenhuma medida que venha a ser tomada poderá restabelecer na íntegra o património perdido. Ainda que a vida venha a retomar a normalidade, recalibrar o azimute numa orientação mais humanista dos negócios, deveria ser o próximo processo de aprendizagem. Não deveríamos continuar a caminhar indiferentes às assimetrias grosseiras que nos rodeiam.” Claro que as palavras de esperança, sucesso e edificação também proliferaram nestas últimas entrevistas do ano. Andreia Marques da Ótica Palácio de Braga admitiu que, “acredito que sem o esforço de todos será difícil alcançar a tal normalidade. Provavelmente teremos de recuar para analisar o panorama geral e decidir como proceder para melhorar o setor.” E Hugo Cortez Marques, da Cortez Marques Oculista, de Penafiel sublinhou mesmo esta ideia. “O consumidor ficou refém de um discurso de campanhas low cost, ou 2 por 1, que é qualquer coisa de assustador. Não falando do verdadeiro assalto das entidades intermediárias ao trabalho dos óticos. Por isso exige-se união, coragem e determinação em aceitar alguns rompimentos com este passado recente. É possível gerir com sofisticação e imaginação sem comprometer a competitividade e a qualidade. Gostaria de ver a minha geração a por o setor da ótica nacional ao melhor nível. Temos ainda muitos e bons óticos resistentes. Venha esse 2021!” Claro que, temos ainda registo de quem, mesmo perante este cenário, tenha conseguido superar expectativas. De Vila
Nova de Poiares, a ótica e viajante Ana Carvalho explicou que a sua Maxivisão conquistou a “fidelização de clientes que por norma se deslocavam para fora dos nossos concelhos de atuação na busca de mais oferta. E vivemos o crescimento das nossas vendas online. Foi efetivamente um ano atípico, embora no nosso caso se tenha traduzido na consolidação do negócio, uma vez que mudámos a nossa loja, em plena pandemia, para uma zona central e beneficiámos do facto de grande parte das pessoas não se sentir segura para se deslocar para fora do seu meio.” Também Francisco Parente, um dos proprietários da mítica Óptica Parente de Vila Real, admitiu que “até esta data “podia ter sido pior”. Com as estratégias que implementámos, conseguimos salvar economicamente o ano e, também, a saúde da toda a nossa equipa, pelo menos até aqui. (…) Acredito no regresso ao normal, até porque a ótica é um setor indispensável ao bem-estar das pessoas. Eventualmente, poderão haver aspetos diferentes da “normalidade” anterior a março de 2020. Quanto à recuperação do setor estou bastante otimista. A perspetiva do início da vacinação para breve tenderá a minimizar a situação que temos vindo a viver e o vírus, penso eu, não evitará as dificuldades visuais das pessoas.”
ESTRATÉGIA DE GRUPO EM ALTA! Os grupos de ótica a operar em Portugal aderiram à nossa curiosidade de forma espetacular, conduzindo-nos pelos passos empreendidos por estas organizações cada vez mais desejadas pelos óticos em geral. Sofia Figueiredo falou-nos das dificuldades da Ergovisão que representa, mas também de como transformaram isso em vitórias. “O ano de 2020 vai ficar na história, num período em que eu já achava que tínhamos passado por todas as crises que uma empresa pode passar. Muito difícil, mas por outro lado acelerou a transformação digital e aumentou o comprometimento das equipas. No ano em que o nosso tema era a aviação, estávamos longe de imaginar uma aterragem de emergência!” David Carvalho, o country manager para Portugal da CECOP, também sentiu esse fôlego acrescido. “Os ajustes mais importantes estão relacionados com as dinâmicas de trabalho. A CECOP desde 2018 que tinha um projeto interno para teste do modelo de home office, assim sendo, em 2020 por causa
Tema de Capa | 21 |
•• “ No mês d e junho, en q ua n t o a s o ciedade s e d eb a t ia c o m o efeito d o en c erram ento c o mp ul s iv o , d o número d e in fet a d o s , d a s mor tes e d o med o , a ó t ic a na sua g en era l id a d e, reiniciou a a t iv id a d e c o mercial c o m uma pujança in c o mp a ra v elmente s up erio r à ma ioria de o ut ro retalho” ••
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da pandemia, implementamos esse modelo com enorme sucesso que permitiu não só, aumentar a eficiência e produtividade das equipas como também, o seu nível de satisfação. Resultados? Maior dinamismo e criatividade, maior lealdade dos nossos associados e aumento do número de associados em torno de 20 por cento!”. O diretor geral da Opticalia, António Alves, deu-nos a sua visão do ajuste do seu grupo à pandemia e como isso se tornou objetivo de consolidação para 2021. “A primeira preocupação foi garantir que estávamos junto dos nossos associados neste momento mais difícil. Daí que tenhamos criado um conjunto de medidas internas para os ajudar a superarem as quebras que estavam a sentir nos seus negócios. Falámos de fatores como planos de pagamento especiais, isenção de quotas, apoio jurídico, assessoria na negociação das rendas dos espaços comerciais, entre outros. Depois, aproveitou-se este período para desenvolver alguns projetos que ainda não tinha sido possível tirar do papel, como o Campus online, uma plataforma de formação para associados e funcionários, assim como uma loja online.” Também a CCVO declarou, pela voz da responsável Cláudia Passarinho, que “houve uma maior concentração de esforços no bem-estar dos nossos clientes. Não podemos nunca desconsiderar a necessidade de “calçarmos os mesmos sapatos” para podermos ajustar as respostas e acima de tudo tornar a mostrar a transparência e esforço para sermos os seus parceiros.” O Institutoptico falou já de um futuro que se desenha com novas premissas. João Cerveira, diretor geral do grupo, adiantou “ acreditamos que o negócio se venha a profissionalizar e a sofisticar no sentido mais amplo dos termos, o que não deixando de ser uma oportunidade para quem der os passos necessários nessa direção, será seguramente uma ameaça para aqueles que, por falta de dimensão, por incapacidade de investimento ou até por inércia não implementem as medidas para responder à nova realidade que seguramente surgirá pós covid. Nessa nova realidade, enfrentaremos alguns contextos já conhecidos, como aumento da concentração de operadores e de óticas, a crescente pressão e agressividade promocional, a sucessiva redução da rentabilidade do negócio, a urgência na concretização de investimento de adequação de modernização dos espaços comerciais ou a premência de desenvolvimento das equipas. Teremos ainda assim de dar uma resposta cabal a novos desafios decorrentes das alterações do comportamen-
to e dos hábitos de consumo, como por exemplo a crescente valorização da relação em detrimento da transação, a preferência e proteção do que é nacional face ao que vem de fora, o boom de consumo de digital, nomeadamente das plataformas de e-commerce e de delivery, entre outros.” Positiva e concentrada, a equipa da Optivisão focou o melhor de 2021, pelas palavras do seu líder André Brodheim. “Estamos confiantes com 2021 pois todos os dados indicam que teremos um ano mais estável. O grau de previsibilidade que precisamos para gerir as nossas empresas, foi colocada de parte em 2020, e isso foi de facto o mais difícil de gerir. Em 2021, contamos que a capacidade de previsão seja mais facilitada e com isso conseguirmos navegar neste “mar” que continuará certamente desafiante. Temos quase uma certeza: iremos crescer face a 2020! A sociedade teve uma evolução em 2020 que muitos hábitos se tornarão “normais”. Contudo, o ser humano está ávido de alguns hábitos de que foi privado em 2020 e, por isso, iremos assistir a uma melhor convivência com o vírus por parte da sociedade, e isso poderemos chamar de voltar à “normalidade”.”
A RETAGUARDA DA ÓTICA IMPRESSA NA INDÚSTRIA A experiência do tecido industrial neste 2020 é muito semelhante à dos retalhistas. Perdas consideráveis no período de reclusão forçada e uma recuperação veloz no período posterior e ainda muitas interrogações sobre o futuro próximo, com um toque de alegria e esperança. “Do ponto de vista de segurança de colaboradores, de mercadorias e clientes, não só adoptámos todas as medidas recomendadas pelas entidades competentes, como implementámos todas as medidas adicionais que nos pareceram necessárias para podermos garantir a total segurança das nossas equipas e dos
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nossos clientes. Um pequeno, mas visível exemplo disto, foi a redução, estrategicamente decidida, da atividade comercial presencial. Esperamos ter dado mais uma demonstração da nossa capacidade de aplicar e implementar as estratégias naturais necessárias para garantir o bem comum, mesmo sacrificando vendas e margens. Queremos preservar a saúde de todos”, garantiu Vasco Cândido, diretor comercial da marca de lentes oftálmicas Prats. Este porta-voz de excelência alvitrou ainda que “do ponto de vista interno, com todas as condições criadas para fazermos um grande ano, em que o invisível inimigo covid-19 poderá condicionar, vamos continuar a crescer no nosso mercado, tudo faremos para isso, com profissionalismo, qualidade e orientação para o nosso cliente, o ótico português.” E falando de clientes e da importância que houve na união perante estas circunstâncias inéditas, Rui Pinto, CEO da Artefacto, empresa dedicada à construção, reabilitação e decoração, assinala: “Poderei concluir, afirmando que, tratando-se de um ano invulgar, com repercussões negativas ao nível do volume de negócios, findará de forma que classificamos como positiva ao nível dos resultados, fruto de um reposicionamento interno a vários níveis, e porque não dizê-lo, também fruto da lealdade comercial que os nossos principais parceiros mantiveram para com a Artefacto face à relação existente de há já longos anos. Estamos por isso orgulhosos e reconhecidos! Foi um ano elucidativo das novas realidades com que se deparam os gestores atuais: com todo o pragmatismo do mundo, algo invisível, veio demonstrar que a gestão e todos os seus ensinamentos vertidos num qualquer anfiteatro de faculdade, vale de muito pouco se não for capaz de ser mutável, adaptável e rapidamente reajustável a um mundo/economia que muda à velocidade dos segundos do relógio sem pré-aviso. Diria que: “Sem dó, nem piedade!”” Paralelamente a estas vozes “calejadas” do nosso setor, gostamos sempre de “ouvir” Gonçalo Barral, atual diretor executivo da Essilor Portugal, gigante das lentes oftálmicas, vindo da experiência de outra indústria e sobre o “próximo normal”. “O normal será que não há normal. Ou seja, a nossa “zona de conforto” desapareceu e temos de enfrentar e ultrapassar novos desafios. Faz lembrar o livro do Spencer Johnson “Quem mexeu no meu queijo?”. O que, em si mesmo, é uma boa notícia, pois obriga-nos a ser mais fortes e a encarar os desafios com otimismo, desenvolvendo novas competências técnicas e humanas para enfrentarmos o futuro com as melhores condições. Temos vivido até aqui num setor relativamente estável e sem grandes oscilações ao nível da “normalidade” do mercado que orienta os comportamentos do consumidor. Será, no entanto, importante, que não nos esqueçamos do que está a acontecer em sectores como a Banca com o aparecimento das Fintech, nos transportes com o aparecimento da TVDE, ou mesmo no audiovisual com as plataformas de streaming e as próprias redes sociais. Estes também eram setores muito estáveis, com uma grande “normalidade”, que tiveram de sair das suas “zonas de conforto” para enfrentar grandes desafios e construir uma “normalidade” mais dinâmica e em evolução contínua, No nosso setor temos que, todos juntos, retalhistas e fornecedores, criar e implementar novas soluções que permitam continuarmos a ser uma garantia de confiança para o consumidor, focando a atuação conjunta numa lógica de prevenção e proteção da saúde visual. Devemos ter sempre presente as novas oportunidades que a digitalização e o teletrabalho podem trazer ao setor (pela necessidade de proteção crescente em relação às radiações nocivas emitidas pelas tecnologias utilizadas em permanência no novo quotidiano), propondo, por exemplo, soluções para minimizar o efeito da radiação azul violeta nociva e gerando tráfego nos
•• “Temos vivido até aqui num setor relativame n t e estável e sem grande s oscilações ao nível da “nor m alidade” do mercado que orienta os compor tam entos d o consumidor. Será, no entanto, impor tante, q ue não nos esqueçam os d o que está a acontecer e m sector es como a B anca com o apar ecimento d a s Fintech, nos transport e s com o apar ecimento da TVDE, ou m esm o no audiovisual com as plataform as de streaming e as própr i a s r edes sociais” ••
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•• “Nun c a s e fa z p l a n o s para s i t ua ç õ es d e d up l ic a ç ã o das v e n das ou q ued a s d e 50 p o r cento das m e s ma s ! Nã o s e es p era isto. A g o ra t emo s q ue eq ua c i onar n o v o s c en á rio s e n ã o é só a q u e s t ã o d o c o v id , t a mb ém a ec o n o mia , o d es emp rego” •• pontos de venda ao alertar os consumidores para a importância primordial dos cuidados com a visão, quando se usam as ferramentas digitais.” Também eloquente e muito criativo Martijn van Eerde, diretor sénior de marketing para os mercados EMEA & APAC da Maui Jim, nos deu uma visão privilegiado do que deve ser empreendido a partir de agora. “Em 2021 o que contamos ter é mais trabalho, porque teremos que redesenhar a estratégia a novos cenários, nomeadamente no marketing. Nunca se faz planos para situações de duplicação das vendas ou quedas de 50 por cento das mesmas! Não se espera isto. Agora temos que equacionar novos cenários e não é só a questão do covid, também a economia, o desemprego. Ainda ontem analisámos o impacto da aplicação das medidas que empreendemos e mal se instalou a pandemia estudámos o impacto psicológico no consumidor em confinamento e isso resultou na campanha: You Deserve This, que envolveu a equipa de futebol do Manchester United e a European Tour de golfe. Quando vimos os resultados dos nossos vendedores que levaram isso em consideração, em confronto com os que não o fizeram, a diferença é brutal. Os que aderiram cresceram cinco por cento nas vendas e os que não aderiram desceram 16 por cento, em média. Temos que ser proativos, a não ser que o governo nos abrigue a fechar e mesmo assim há o online. Temos como empresa estar preparados para vender a alguém de alguma forma.” A Hoya falou pelo seu country manager de Portugal, Carlos Matos, numa perspetiva de um 2021 de sucesso para a fabricante de lentes oftálmicas. “Não só acredito, como tenho a certeza que voltaremos ao normal, temos em Portugal dos melhores serviços óticos prestados aos consumidores comparados com o que existe no mundo. Só temos que estar orgulhosos e sermos resilientes tudo vai passar, seremos mais fortes no futuro e mais preparados para as adversidades, o
setor da ótica é pujante e vibrante. A Hoya Portugal estará a cumprir o seu desígnio com uma equipa dedicada e comprometida em servir o ótico.” A recém-chegada ao mercado, optoVision, com as suas lentes oftálmicas feitas na Alemanha, teve na representação do seu líder em Portugal, Mário Pereira, uma palavra de sucesso perante uma pandemia devastadora. “A optoVision arrancou em Portugal em plena pandemia, e tivemos que planear bem a estratégia por esse fator, iniciar um negócio nesta altura nunca seria fácil se não fossemos metódicos em tudo o que fazemos, como grande empresa alemã que somos.” Para 2021, a optoVision contempla “na planificação inicial, a abertura já em janeiro de um escritório em Portugal, escritório esse com call center e um armazém para os nossos produtos de lentes e equipamentos de forma a que possamos dar um serviço ainda mais rápido e melhor aos nossos clientes e a contratação de mais delegados comerciais, sendo que uma já foi efetuada no mês de dezembro. Aumentando a força de vendas, aumentamos a nossa presença junto do ótico português.”
OS DEFENSORES DA ÓTICA! As nossas associações foram postas à prova! Mais do que nunca, falou-se de ótica e de saúde visual, porque as “turbinas” dos dirigentes estiveram ligadas no máximo. Da parte da Associação Nacional dos Ópticos (ANO)conseguimos as declarações de primeira linha do presidente, Fernando Tomaz, que acima de tudo constatou o reforço do sentimento associativo tão necessário ao setor, em qualquer circunstância. “A atividade diária da ANO foi, como em muitas outras empresas, alterada, pois, exigiu de nós mais e melhor e, sobretudo, uma rápida adaptação às novas necessidades. Com a equipa em teletrabalho, reforçámos a comunicação interna e aumentámos o número de reuniões online, necessárias, não só para o planeamento de tarefas, mas também para reforçarmos a ligação entre todos. A formação à distância também foi reforçada e com sessões à medida das necessidades dos empresários. Promovemos formação em temas como lay off, medidas de apoio, cibersegurança, entre outros, que reforçaram as comunicações da ANO através de formações com especialistas em cada uma destas áreas. De facto, a ANO nunca enviou tantas circulares aos seus associados como em 2020, o que também
CONCLUSÃO! Como conclusão para este desenrolar de ideias, cenários, “dores”, vitórias e de esperança, aplaudimos a enorme adesão às nossas questões, à partilha sem receios de estratégias incríveis e muito inovadoras. Louvamos também a permeabilidade de um setor que não está assente nos anos de ouro de décadas passadas, mas é pujante e adaptável, até perante uma economia que se apaga sem aviso. E a melhor frase que podemos aplicar para fechar com chave de ouro é da nossa Paula Pinho, ótica de coração, ser humano incrível e escritora na vocação. “Dias bons, dias menos bons. Mas afinal, não foi sempre assim?!”
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aumentou o desafio diário, sem dúvida, bem como a ligação com quem representamos. Foi também um ano que nos “obrigou” a agir como nunca junto das entidades oficiais, de forma a conseguirmos mais apoios para os nossos empresários, a criar, de raiz, um manual de procedimentos para as nossas lojas, a realizar um estudo de impacto económico inédito neste setor e a criar, em semanas, uma campanha publicitária e de sensibilização nacional com presença, pela primeira vez, na televisão, para a promoção da segurança e higiene dos pontos associados ANO - Óptica Segura. Em suma, a atividade “normal” da ANO pautou-se por mais desafios, melhor capacidade de resposta e, sobretudo, numa célere adaptação aos desafios.” Numa perspetiva ligada à optometria, atividade central no setor da ótica, Henrique Nascimento, presciente da União Profissional dos Ópticos e dos Optometristas Portugueses (UPOOP) desenvolveu os passos que o levam a ter um bom sentimento sobre as conquistas da atividade que representa. “Felizmente conseguimos realizar o nosso congresso antes do confinamento que, por sinal, teve um êxito tremendo, por ter incluído o 1º Congresso Internacional de Visão Desportiva e por ter sido realizado num espaço icónico como é a Cidade do Futebol, em Oeiras. Este 2020 tão atípico, acabou por ser um ano bom, não só pelas razões que já enumerei, mas porque acabou por criar sinergias muito positivas entre as pessoas do setor, fez-nos ver que não somos nada sozinhos e que precisamos muito uns dos outros, isso refletiu-se, por exemplo, no relacionamento e na aproximação entre as duas associações mais representativas do setor, UPOOP e ANO. O exercício da optometria, foi das pouquíssimas exceções no contacto com as pessoas. Muitas vezes correndo riscos, estes profissionais nunca viraram a cara à luta, continuando, mesmo em fase crítica de pandemia, a exercer a sua profissão, tendo sido, inclusivamente, reconhecido pelos nossos governantes a forma como a UPOOP e a ANO responderam, criando, numa fase de grande desconhecimento geral sobre a transmissibilidade deste vírus, um manual de procedimentos perante a covid-19, tanto no que diz respeito ao exercício do ato optométrico como no atendimento em loja de ótica, que deve orgulhar todo o setor. Obviamente espero que no segundo semestre do ano que vem tudo esteja ultrapassado e possamos dar um abraço a quem nos aparecer primeiro pela frente.”
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MULTIOPTICAS
DE “CORAÇÃO ABERTO” O grupo de óticas lançou uma campanha solidária com o objetivo de tornar mais próspero o Natal de cerca de 40 famílias e crianças apoiadas pela organização não governamental HELPO. A ação natalícia contou com a entrega de cabazes, nos dias 3 e 4 de dezembro, à porta das famílias carenciadas identificadas pela Helpo e completou-se com um lanche para crianças apoiadas pela instituição e entrega de prendas a 16 dezembro. Participaram também da iniciativa as marcas Cigala, Delta Cafés e Queijos Santiago. Para Ana Portugal, a responsável pela corporate social responsability da MultiOpticas, “neste Natal, mais do que nunca, é importante apoiar quem realmente necessita. Os pedidos de ajuda são muitos e se todos nós contribuirmos para uma causa será mais fácil ajudar a preencher as necessidades mais prementes, sobretudo as que se prendem com a falta de bens alimentares essenciais. Neste sentido agradecemos o fantástico contributo das empresas nossas parceiras, nomeadamente da Cigala, Delta Cafés e Queijos Santiago que nos apoiaram nesta ação. Não podemos deixar que nenhuma família fique sem ceia de Natal. É este o nosso compromisso!” E esta missão foi completada também pelos colaborado-
res voluntários da MultiOpticas, com toda a segurança sanitária. A Associação Helpo é uma instituição sem fins lucrativos, que desempenha a sua atividade desde 2008 em Portugal, Moçambique e São Tomé e Príncipe, para a promoção do desenvolvimento através do investimento na educação, como meio de melhorar a qualidade de vida das crianças, assim como das sociedades onde estas se inserem. Este é mais uma avanço na estratégia estratégia de responsabilidade social, da MultiOpticas que apoia causas e instituições como a HELPO, Associação Jorge Pina, Fundação Ronald McDonald, Cáritas Portuguesa, Comunidade Vida e Paz entre outras.
PRESENÇA ONLINE GLOBAL E REFORÇADA O grupo multinacional renova a sua presença na web com um novo site corporativo, onde apresenta o seu conceito global e “abre caminho” às suas delegações nacionais. É mais uma demonstração da grande adaptabilidade da CECOP em tempos excecionais dos mercados. Com uma imagem sofisticada, uma mensagem de força e universalidade e com uma exploração intuitiva e agradável, o novíssimo www.cecop.com apresenta um grupo virado para um futuro que se quer bem sucedido. Esta renovação do site da CECOP reforça a comunicação que tem sido divulgada sobre a identidade corporativa conjunta desta casa que “fala” vários idiomas. A partir deste endereço qualquer pessoa pode entrar no universo CECOP e saber os seus valores, a sua missão e a sua visão. A página apresenta ainda os rostos de quem compõe a vida e decisões do grupo, tanto ao nível global, como em cada um dos nove países onde estão os associados CECOP. E cada nacionalidade tem uma “porta de acesso” privilegiada a partir do site, nomeadamente a CECOP Portugal que tem conquistado um patamar diferenciado
de confiança no grupo internacional pelos bons resultados, sob o comando do country manager, David Carvalho. O grupo liderado por Jean de Contades, o diretor geral global da CECOP, quer desta forma lançar uma imagem de uma CECOP com forte presença local e capacidade de sinergias globais, além de demonstrar a sua capacidade de se adaptar à mudança e à evolução. “O trabalho de melhoria e transformação contínua da empresa responde ao desejo de alinhar sempre a sua proposta de valor com as necessidades detetadas do mercado e com vista a um ambicioso plano de expansão”, reforça a comunicação da CECOP. O novo site também lança as bases para a comunicação online de novos projetos internacionais que a empresa criada por Jorge Rubio vai enfrentar e que já se encontram em planos de desenvolvimento.
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CECOP
TOON SOMERS
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Foto: ©SiX2020_theo
CONFISSÕES DE COR A theo é um verdadeiro affair familiar. Nasceu em 1987 pelas mãos de dois óticos belgas, Wim Somers e Patrick Hoet, que se cansaram da corrente banal no design de óculos. Ao fugirem desta tendência encontraram um caminho desalinhado, assimétrico, transgressivo e muito colorido que os elevou no setor eyewear, chama-se theo! Hoje Hoet e Somers produzem o seu design em separado, mas continuam sob o mesmo denominador e a theo passou a ser a identidade dos Somers. Três filhos, uma companheira de vida e um fundador inquieto. Jamme e Jan, mãe e filho, defendem a marca na loja própria em Antuérpia. Toon e Mik assumem o design e o marketing e Wim está no leme. Nesta entrevista intimista foi Toon que falou da vertente mais assinalada desta theo. A cor está em cada aresta e linha das criações da casa belga. E não só! A singularidade, a irreverência de se seguir sonhos e ideais, a organização e muito amor dirigem uma theo com presença em mais de 1400 retalhistas de cerca de 50 países. Quando pensamos na palavra cor, o nome theo emerge imediatamente. Para aprofundar o tema está o irmão mais novo da theo, o transportador e entusiasta da cor, o zelador da fé, da motivação e da criatividade. Toon Summers na primeira pessoa, com confissões sobre como a cor provoca efeitos na marca, no utilizador e em si próprio. Texto: Maarten Weidema e Carla Mendes
Como um “filho” da theo, o Toon cresceu com a cor. O que significa esta palavra? A cor é tudo para a theo, por isso damos-lhe imensa atenção. Se colocarmos alguma cor no rosto, tudo muda! É essa a razão pela qual estamos sempre em busca de cores novas e suaves, paralelamente às combinações divertidas. E a cor é importante para os designers em geral? Os nossos designers na theo estão menos preocupados com a cor. Estão mais focados na forma do design, fator que consideram mais importante. Desde o momento em que a forma está finalizada, podemos então pensar nas cores. Claro que, a cor está sempre em foco nas nossas sessões de brainstorm, por
exemplo, agora estamos a trabalhar num projeto intitulado pop art e a cor aparece forte aqui. Depende de nós encontrar e emparelhar as tonalidades perfeitas e o design certo. É um trabalho incrível! Então a cor tem o mesmo peso que o design, mas imagino que existam cores específicas da theo. Acho que esta é uma questão mais pessoal. Para mim, a theo está muito ligada aos tons fluorescentes. Adoro os laranjas fluorescentes e uso-os sempre! Aliás, quando olho para os óculos que usei nos últimos anos, 95 por cento deles são laranja fluorescente, mas parece-me que a theo é usualmente reconhecida no seu design divertido e as combinações de cor alegres. O nosso electric blue foi um bestseller durante
Naturalmente, a theo é reconhecida pelo poder das cores e, portanto, não podia ser só uma (risos). Quais as que vendem melhor? Notamos que, dependendo do modelo, algumas cores vendem melhor que outras. Se pegarmos nas peças femininas, vemos que o vermelho batom, o burgundy quente, o champanhe rose, o dourado ou o branco pálido vendem melhor que o preto. No entanto, no geral as cores mate suaves vendem muito bem, combinadas com tonalidades mais brilhantes, como destaque no interior da armação ou como acabamento discreto. E como podemos constatar as suas escolhas de cor nas lojas e corners da theo? Todos os anos no SILMO lançamos um novo tema. Em 2020 é o Upstream. Estive em Paris há um ano e meio e nessa altura, em 2019, estávamos sob a temática theo opens eyes, com o amarelo em destaque, tudo já estudado.No entanto, as lojas “pintaram-se” de um azul mate elétrico, que era uma cor fabulosa. O nosso tom 7601 é incrível no universo theo e temos vendido muito bem ao longo dos anos. Por isso mesmo, disse ao meu irmão e ao nosso designer gráfico “é isto que eu quero, aquele azul, mas em todas as lojas do mundo”. Combinámos este azul com um desenho de um peixe de um artista belga.
Materializámos depois os peixes em balões, com um pano azul como fundo. Era mesmo aquilo que queríamos! O tema Upstream representa a nossa essência e uma corrente que os nossos óticos podem assumir. Fazemos o que sonhamos e queremos com a theo. Se todos forem em direção ao mar, nós abalamos para as montanhas. Quando o mercado diz “óculos pequenos”, nós começamos a congeminar modelos grandes. Claro que isto não significa que estamos contra o mercado, pelo contrário. Seguimos o nosso caminho, sem olhar para o que o resto do mundo faz.
•• “Quando o m ercado d i z “óculos pequenos”, n ós começamos a conge m i n a r m odelos grandes. C la ro que isto não signifi ca que estamos contr a o m ercado, pelo contrá ri o. Seguim os o nosso caminho, sem olhar p a ra o que o r esto do mun d o faz ” ••
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imenso tempo. Agora também o vendemos muito bem em combinação com preto ou azul escuro suave. Isto para dizer que não há uma cor específica para nos descrever. Existem, sim, múltiplas cores específicas.
O que faz a cor pela pessoa que usa óculos? Faz muito! É como maquilhagem. Põe-se os óculos no nariz e sentimo-nos nós próprios. Imagine alguém com tez pálida a comprar óculos fluorescentes. Normalmente, é uma combinação dissonante. Este tipo de pele devia associar-se a cores quentes. Por isso, é sempre da responsabilidade do ótico encontrar o modelo perfeito e a respetiva cor para o cliente. E só se pode apurar este conluio fazendo ao consumidor muitas perguntas e sentir, de facto, o que querem e, principalmente, quem são. Já constatou mudanças numa pessoa por causa dos óculos e da cor? Eu acredito que a peça certa na pessoa certa destaca a personalidade. E o trabalho de cada ótico é mesmo de explorar a história da theo com os seus seguidores em cada venda, imiscuindo-se nas emoções dos óculos, das cores e das formas. É um conto e exige investimento de tempo em cada venda, mas se conquistar o modelo perfeito para o cliente através dessa conversa e desse inquérito, o ótico será um profissional realizado. Aliás, os óticos são a melhor mostra do mercado. E isto não tem a ver com a theo, mas sim com todo um setor. 95 por cento dos consumidores que usam theo compram os óculos na “sua” ótica e isto tem a ver com relação que têm com quem os atende e que torna tudo isto possível. E agora num plano pessoal, o que significa a cor para si e qual a sua preferida? A cor é tudo para mim! Mas isso percebe-se logo à primeira vista (risos). A minha cor preferida é o laranja fluorescente 305. Claro que, no verão eu rapidamente atrevo-me a usar outro tom fluorescente, como rosa ou amarelo. São tonalidades espetaculares se se viaja para um país do sul!
Foto: ©SiX2020_theo
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E que efeito tem o uso de cor sobre o consumidor? É um efeito brutal! Os clientes já esperam isso de nós…colorimos as suas vidas! Nós sempre acreditámos que os consumidores deveriam comprar com a cor no centro das decisões. E é por isso que começámos sempre com, pelo menos, oito cores para cada modelo. Se está numa loja e encontra o seu par de óculos perfeito, mas em 3,4 ou até cinco cores, então só experimenta esse mesmo modelo eyewear com efeitos totalmente distintos no rosto, mediante a cor. Os clientes adoram este conceito que torna a escolha da cor para si e para a sua personalidade mais fácil.
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TENDÊNCIAS 2021
UMA VIAGEM PELOS DESENHOS DO FUTURO
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As novas propensões em moda para o ano que vai iniciar-se envolvem-se do estigma do novo corona vírus. Ou seja, foram-se formando num período de grande comoção da humanidade, mas também de grande criatividade. Finalmente houve tempo para pensar sem correr! E de que forma a situação pandémica mundial influenciou esta lançamento de tendências? Bem, podemos dizer que regressaram os estilos oversized e se relembrarmos que os óculos são um fator protetor contra a covid-19, pode ser um forte argumento. Os formatos românticos também cresceram no imaginário dos artistas enclausurados. Redondos eternos e cat eye que seduzem e apaixonam gerações após gerações. Claro que num enorme volutear de ideias, a rebeldia natural dos criadores expressa-se nas linhas sublevadas de óculos que dizem mais do que acessório, saúde e proteção. Gritam ideias, paixões e criatividade. É a arte a extrapolar-se no eyewear com resultados que alcançam as nuvens! Entretanto a pandemia pelo novo corona vírus acentuou uma outra tendência que tem crescido no mercado da ótica. A preocupação com o ambiente e a sustentabilidade está patente em matérias sempre mais “verdes” e inovadoras. Ainda sobre os novos hábitos, e os olhos? O confinamento forçou-nos a valorizar mais a nossa saúde, perante um overload dos olhos com o uso de aparelhos digitais. As lentes feitas à medida são tendência para 2021. Viaje connosco por este percurso de futuro, inspirado no nosso melhor passado!
OVERSIZE ME BABY!
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A tendência dos óculos “generosos” ressurge em 2021 reavivada. As cores são plenas de impacto e algumas marcas não resistem ao jogo entre a escuridão das linhas com as cores elétricas. Acima de tudo, há mais óculos para amar!
THE MASK WITHIN Entre máscaras com uma lente ou simplesmente envolventes, a tendência está nas transparências e cores suaves. Ao mesmo tempo que tapam o rosto, revelam-no numa nova e inspiradora dimensão. As peça para 2021 neste segmento prometem arrojo e ainda o conforto de atenuar a incidência de infeção pelo desarmante novo coronavírus
ROUN AND ROUND WE GO...
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Óculos redondos são um clássico, seja para sol ou prescrição, e longe vão os dias em que eram associados aos intelectuais. Hoje são a afirmação de singularidade máxima e “dançam” ao ritmo dos melhores designers do mundo de forma apaixonante. Não há um redondo igual ao outro e as tonalidades mais díspares fazem o desenho ainda mais apetecível.
MIAUUU! Símbolo da feminilidade em eyewear, o cat eye nunca deixa o pódio das tendências, porque tem a capacidade de se transmutar em infinitas combinações de linhas e amores. As melhores casas de design de óculos conseguem conduzir este desenho através de uma passarela de cor e luz, utilizando tecnologia avançada para atingir resultados incríveis. Somos fãs deste desenho pela sedução inerente, pelo apelo feminino e porque tem sido a maior prova de inquitude no design da indústria da ótica.
Os óculos são também uma mensagem da “alma” e não há como escapar à sedução de um desenho que nos desarma, porque nunca se viu anda igual. Há sempre arte aplicada em todos os designs, mesmo os reinventados, mas fazer um de raiz é uma concretização de sonho. E em 2021 haverá necessidade de nos libertarmos, de dizermos quem somos na pós-pandemia, de falarmos e nada como uma armação atrevida e única para promover esta ligação humana que nos foi privada. Sem medos, nem restrições!
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STATEMENT OF FREEDOM AND CREATIVITY
Foto: Aleksey Kuprikov from Pexels
CORREÇÃO DA PRESBIOPIA COM NOVAS LENTES DE CONTACTO CÓRNEO-ESCLERAIS MULTIFOCAIS CUSTOMIZADAS Optometria | 36 |
Texto: David P. Piñero, PhD – Departamento de Ótica, Farmacologia e Anatomia da Universidade de Alicante, Espanha Departamento de Oftalmologia, Hospital Vithas Medimar International, Alicante, Espanha.
Introdução O uso de lentes esclerais cresceu significativamente no último ano, com um aumento exponencial no número de estudos feitos sobre este assunto.1 Este tipo de lentes pode ser classificado como córneo-escleral ou totalmente escleral dependendo da presença de influência corneal ou não.2 Uma das principais vantagens desta opção de correção refrativa é o facto do reservatório de lágrima entre a superfície posterior da lente de contacto e a superfície anterior da córnea permitir uma neutralização significativa das aberrações da córnea anterior, que são as mais relevantes considerando a contribuição desta superfície ótica para o poder total do olho.2 Da mesma forma, se estas lentes forem adaptadas com o mínimo ou até nenhum suporte na córnea, a adaptação pode ser simplificada nos casos em que há presença de perfis corneais anteriores altamente irregulares.3 Por esta razão, o uso destas lentes de contacto foi intensamente investigado para a correção de astigmatismos irregulares no pós-cirurgia refrativa da córnea 4,5 e nas córneas no pós-querotoplastia,6 assim como, nos distúrbios ectáticos da córnea. 7,8 Apesar de haver consenso sobre a maioria dos aspetos relacionados com a gestão das lentes de contacto entre os profissionais com mais de cinco anos de experiência em lentes esclerais,9 há aspetos que requerem mais estudo, tais como a ges-
tão da multifocalidade da correção da presbiopia. Até à data, só se realizaram as pesquisas que avaliam os resultados das lentes de contacto corneais moles e rígidas gás-permeáveis convencionais,10,11 apesar de alguns designs de lentes esclerais multifocais estarem já disponíveis. Porém, nenhum relatório científico está disponível até hoje sobre o desempenho com as lentes de contacto córneo-esclerais ou totalmente esclerais. Recentemente, um novo modelo de lentes de contacto córneo-esclerais multifocais foi lançado comercialmente pelos Laboratórios Lenticon S.A. (Madrid, Espanha), Presbycustom, proporcionando a opção de customizar os parâmetros de adaptação de modo a ajustar as lentes sobre a córnea e a esclera, mas também o tipo de multifocalidade induzida. Conceito Presbycustom As lentes de contacto Presbycustom são o resultado de um projeto de pesquisa de prova-de-conceito desenvolvido pelos Laboratórios Lenticon SA em colaboração com o Grupo de Ótica e Perceção Visual da Universidade de Alicante.12 Trata-se de lentes de contacto corneo-esclerais feitas com material altamente gás-permeável (Paflufocon D, Dk 100 Fatt units). As lentes têm um design customizado e acordo com a geometria corneal anterior, o nível de aberrações oculares de alto grau e as peculiaridades da dinâmica da pupila. Este novo produto compreende três áreas distintas: corneal, limbal e escleral (Figura 1). A área da córnea tem um diâmetro variável com uma asfericidade de superfície posterior e uma asfericidade da superfície central anterior fixas que são alteráveis de acordo com a indução aberrométrica requerida. Especificamente, o aumento de profundidade de foco alcançado com as lentes de contacto é gerado pela customização da indução das aberrações esféricas primárias e secundárias. Foi demonstrado que a combinação das aberrações esféricas primárias e secundárias de sinal oposto é significativamente mais eficaz para expandir a profundidade de foco que outras opções aberrométricas.13,14
CORNEA
CONJUNCTIVA LIMBUS
anterior surface
posterior surface 1. SCLERAL ZONE
3. CORNEAL ZONE
•• “O uso de lentes de contacto customiz adas per m ite ao profissional otim iz ar a correção da pr esbiopia em qualquer tipo de paciente pr esbiótico” ••
2. LIMBAR ZONE Figura 1 – Diagrama que demonstra as três partes diferenciadas das lentes esclerais multifocais avaliadas.
Relato de caso Um homem de 45 anos procurou a Unidade de Lentes de Contacto do Departamento de Oftalmologia do Hospital Internacional Vithas Medimar (Alicante, Espanha), pedindo uma solução em lentes de contacto para a sua presbiopia. Usava lentes de contacto desde os 16 anos. Notou algumas dificuldades na visão de perto devido ao desenvolvimento da presbiopia e tentou encontrar uma resposta nas lentes de contacto para compensar a sua condição. No entanto, os resultados obtidos com diferentes modelos de lentes de contacto moles multifocais (cinco modelos em lentes foram experimentados anteriormente) foram pouco satisfatórios pois a qualidade visual não era boa, com flutuação de visão com a maioria. No primeiro exame obtiveram-se os seguintes dados clínicos. (Tabela 1) : Olho direito
Olho esquerdo
+1.75 -0.50 x 70
+1.00
0.00 logMAR
0.00 logMAR
+1.00
+1.00
0.00 logMAR
0.00 logMAR
Sem alterações
Sem alterações
Tamanho da pupila escotópica (mm)
6.0 mm
6.0 mm
Queratometria média
41.17 D
41.2 D
Aberração esférica ocular (6-mm pupila)
0.26 µm
0.21 µm
Refração subjetiva Acuidade Visual corrigida para longe (CDVA na sigla em inglês) Adição de perto Acuidade Visual corrigida para perto (CNVA na sigla em inglês) Biomicroscopia
Tabela 1 – Sumário dos dados clínicos no exame de pré-adaptação.
Não foram encontradas alterações significativas à forma da córnea na topografia corneal, com valores de asfericidade corneal e aberrações de alto grau dentro dos parâmetros normais (Figura 2). Considerando a particularidade do caso, adaptou-se lentes de contacto esclerais multifocais customizadas.
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A área da esclera das lentes de contacto permite um contacto suave sobre a superfície esclero-conjuntival, facilitando um uso confortável. A distribuição do filme lacrimal abaixo das áreas distintas das lentes de contacto geram um característico fluorograma que consiste numa acumulação central de lágrima, com um alinhamento paracentral e uma significativa limpeza das extremidades.
Figura 2 – Análise da topografia corneal com o sistema Sirius (CSO, Firenze) em ambos os olhos do relato de caso descrito.
Diferentes lentes de contacto foram experimentadas até se obter a melhor adaptação com as seguintes lentes nos olhos esquerdo e direito, respetivamente: • Olho Direito (OD): diâmetro: 13.5 mm, raio corneal/escleral: 7.65/7.55 mm, poder ótico: -1.00 D, anterior/posterior excentricidade: 0.63/0.63 • Olho Esquerdo (OE): diâmetro: 13.5 mm, raio corneal/escleral: 7.45/7.40 mm, poder ótico: -3.00 D, anterior/posterior excentricidade: 0.55/0.63
•• “ O s e s t u d o s c l ín ic o s f u t u r os em a mo s t ra s g r an de s d ev ia m s er c on d uzid o s p a ra c on f i r ma r o g ra n d e p ot e n c i al d es t e n o v o c on c e i t o de l en t es d e c on t at o m ul t ifo c a is , i n c l u i n do a a n á l is e d o s r e s u l t ados d a s l en t es a l o n g o p ra zo ” ••
Com estas lentes, o fluorograma estava correto, mostrando uma acumulação central de lágrima com um alinhamento paracentral e as bordas significativamente claras (Figura 3).
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Figura 3 – Fluorograma obtido no olho direito do caso adaptado.
Ao primeiro mês de uso das lentes de contacto, a acuidade visual com as lentes de contacto eram 0.00 logMAR and 0.10 logMAR ao longe e ao perto (40 cm), respetivamente, am ambos os olhos (super-refração: plano nos dois olhos). A Figura 4 mostra a medição da curva de desfocagem binocular, confirmando a significativa profundidade de foco atingida. O paciente usa com sucesso as lentes de contacto há dois anos, com manutenção dos resultados e bons níveis de tolerância.
Figura 4 – Medição da curva de desfocagemdo paciente reportado.
Conclusões O uso de lentes de contacto customizadas permite ao profissional otimizar a correção da presbiopia em qualquer tipo de paciente presbiótico. A seleção da combinação apropriada de aberrações esféricas primárias e secundárias de sinal oposto de acordo com o estatuto aberrométrico do olho é uma ferramenta efetiva para otimizar a profundidade de foco, requerida para a correção da presbiopia em cada caso individual. Os estudos clínicos futuros em amostras grandes deviam ser conduzidos para confirmar o grande potencial deste novo conceito de lentes de contato multifocais, incluindo a análise dos resultados das lentes a longo prazo.
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Divulgação Os autores não têm qualquer propriedade ou interesse comercial nos dispositivos envolvidos neste manuscrito. Esta pesquisa foi co-financiada pelos Laboratórios Lenticon S.A. e a Universidade de Alicante dentro do âmbito do projeto PC15-02 “Desenho de lente de contacto escleral multifocal personalizada (Presbycustom).” O autor David P Piñero também foi apoiado pelo Ministério da Economia, Indústria e Competitividade de Espanha, dentro do programa Ramón y Cajal, RYC-2016-20471.