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Millioneyes91

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PORTUGAL • Nº 91 • JULHO/Agosto 2020

Daniela Fonseca

Distribuição exclusiva a profissionais • Preço de Capa: €7,50

Ao serviço do futuro da ótica

ANO

Mensagem direta ao consumidor

Orlando Alves da Silva

Postura em tempos de covid

Gili Shani

KreuzbergKinder e a busca da liberdade


13

16

20

Masunaga by Kenzo Takada

Daniela Fonseca

ANO

28

32

35

Maui Jim

Gili Shani

EAOO

BREVES

CAPA

Ao serviço do futuro da ótica

OLHAR EM PORTUGUÊS Mensagem direta ao consumidor

Colaborações que resultam em arte

OUTROS OLHARES

OLHAR O MUNDO

Cooperante com os óticos

KreuzbergKinder: Em busca da liberdade

38

PONTO DE VISTA Previsões 2020 Índice | 4 |

Ótica italiana: o mercado mais fustigado pela covid-19

Tema de Capa: Intensa, segura e associativista foi assim que Daniela Fonseca conquistou, por direito, a nossa capa e a nossa admiração.

Diretora: Editora: Redação: Design e Paginação: Fotografia: E-mail: Tel: Periodicidade: Tiragem: Impressão: Preço de capa em Portugal: A MillioneyesTM é propriedade da Parábolas e Estrelas – Edições Lda. com sede na Rua Manuel Faro Sarmento, 177, 4º esquerdo, 4470-464 Maia, Portugal NIF: 510195865 Qualquer crítica ou sugestão deve remeter-se para: millioneyes@outlook.pt

Patrícia Vieites Carla Mendes Carla Mendes, Mariana Teixeira Santos Paula Craft Paula Bollinger, Miguel Silva, Hugo Macedo millioneyes@outlook.pt 96 232 78 90 Mensal 2000 exemplares Uniarte Gráfica, S.A 7,50 euros Depósito Legal n.º 419707/16 Interdita a reprodução, mesmo que parcial, de textos, fotografias ou ilustrações sob quaisquer meios e para quaisquer fins, inclusive comerciais. Os artigos de opinião e os seus conteúdos são da total responsabilidade dos seus autores. Registo na ERC n.º 126933

OPTOMETRIA A optometria europeia na pós-pandemia


ACTIVE O SEU FUTURO Em tempos difíceis chega o momento de reinventar-se, de procurar apoio, de estarmos juntos. A Opticalia ajuda-o com publicidade, com as suas marcas exclusivas, com financiamento, com formação, com assessoria e com todas as novidades que o mundo digital oferece. É O MELHOR MOMENTO PARA JUNTAR-SE A NÓS

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A luta impiedosa pela retoma

PORTUGAL • Nº 91 • JULHO/AGOSTO 2020

DANIELA FONSECA

Editorial | 8 |

Distribuição exclusiva a profissionais • Preço de Capa: €7,50

Ao serviço do futuro da ótica

ANO

Mensagem direta ao consumidor

ORLANDO ALVES DA SILVA Postura em tempos de covid

GILI SHANI

KreuzbergKinder e a busca da liberdade

A crise ainda não se instalou, mas ninguém no setor da ótica mundial está à espera. As associações nacionais agilizam dados e negociações com o poder político, as empresas apostam no que de melhor sabem fazer e há esperança na luta. Nós sentimos isso em casa expressão de medo que ouvimos. Ninguém se resigna! Nós também não. A nossa primeira saída em definitivo do confinamento foi para ir em direção à capa que tanto esperávamos realizar, pela história da empresa, pela dimensão, mas acima de tudo pelo olhar poderoso de duas irmãs que dignificam a segunda geração de óticos. Daniela Fonseca abriu-nos as portas da sua ótica segura e certificada, em Famalicão, para falarmos do Jorge Oculista, das suas conquistas e da sua tomada de posição associativista. Porque Daniela é daquelas personalidades inquietas que quis ir mais longe do que a gestão do negócio familiar. É um dos rostos da Associação Nacional dos Ópticos (ANO), de opiniões fortes e muito caráter e que tem assegurado a credibilidade, junto da restante direção, do futuro da instituição. E foi pelo cargo assumido que aceitou falar connosco, porque quer mais e melhor ótica portuguesa...e nós também! Não resistimos, claro a perder-nos entre os meandros de uma história de 54 anos, alavancada pelo pai, o mítico Alberto Jorge Fonseca. Para além deste “triunfo”, registámos ainda a primeira campanha ao consumidor final da ANO, num movimento enérgico por parte da jovem direção e num registo assertivo e muito bem estruturado. O embaixador? O locutor mais famoso das manhãs, Pedro Ribeiro da Rádio Comercial. Em muitas páginas tivemos ainda o atrevimento das empresas que, em tempos de crise, investem no setor em prol de um consumo com qualidade, em prol dos profissionais da ótica. E claro, impõe-se sempre a criatividade e as marcas que, vindas além fronteiras, nos trazem frescura e ideias para deslumbrar os amantes de óculos. Desta feita, damos voz ao designer israelita Gili Shani e a sua transgressiva KreuzbergKinder. De Itália também nos chegaram os cenários do que é o futuro próximo de uma das maiores indústrias eyewear do mundo. Nunca nos desviamos da ciência e da sua procura incessante pelas melhores ferramentas para o nosso bem estar. Os nossos especialistas habituais guiam-nos pelos avanços mais atualizados nas áreas da ergotalmologia e do olho seco. Convidamo-lo a virar a página e a constatar que a ótica e a história que a eterniza está aqui, na sua Millioneyes!

Estatuto Editorial / Sinopse A Millioneyes é uma revista profissional dedicada ao setor da ótica, contando com presença integral online através da plataforma isuu.com. A Millioneyes tem o objetivo de cobrir os acontecimentos específicos do seu setor e retratar a informação de forma rigorosa, com toda a dedicação e competência. A Millioneyes traz uma abordagem íntima, atualizada e assertiva sobre o setor da ótica em Portugal, esmiuça perspetivas de outros países sobre a situação do mercado, retrata tendências em óculos, expõe dados científicos essenciais aos técnicos da área com o apoio dos oftalmologistas e optometristas e aborda de forma inédita os empresários que gerem os estabelecimentos nacionais. A Millioneyes compromete-se a respeitar os princípios deontológicos e a ética profissional aplicada à atividade profissional dos jornalistas, assim como a boa fé dos leitores, através do trabalho dos seus colaboradores e diretor. A Millioneyes é independente do poder político e de grupos económicos, sociais e religiosos.


Making Off | 10 |

Uma geração desafiada mas triunfante Fotos: Miguel SIlva

O que esperar quando se fotografa quem respira ótica? Não nos afastarmos muito do centro de tudo, que neste caso foi no Jorge Oculista. De olhar pungente e sorriso desarmante, Daniela Fonseca deu-nos a felicidade de constatar que a segunda geração de óticos tem a capacidade de construir um negócio forte e com bases de futuro. Entre a família e as lojas que lhe preenchem a vida, Daniela sente-se realizada, mas nunca satisfeita. É por isso a bandeira de esperança do associativismo e do empreendedorismo.


Ørgreen

Breves | 12 |

Komono x Royal Academy of Fine Arts Antwerp

Olhar no futuro A marca fundada pelos designers belgas Anton Janssens e Raf Maes reforça a aposta certeira feita com alunos de arte da Royal Academy of Fine Arts Antwerp, na Bélgica, e lança uma nova linha de designs imaginados pelos futuros artistas. A Komono trabalhou com três estudantes de mestrado na criação de óculos de sol que tivessem ligação ao trabalho pessoal de cada um. O resultado é provocador, elegante, disruptivo e irresistível!

Caleidoscópio de cor Com raízes na simplicidade do design escandinavo, a mais receita coleção-mini de acetato combina estilos intemporais com o toque de vanguarda e cores únicas. Tal como um caleidoscópio, em constante mutação de padrões, a Ørgreen conseguiu a manipulação perfeita de cor e profundidade do acetato numa coleção que evolui nos estilos modernos e as combinações fascinantes de tons.

ANO

Ennio Morricone

O maestro dos 50 anos da MIDO O mundo despediu-se a 6 de julho de 2020 de Ennio Morricone, com 91 anos, o compositor, produtor e maestro italiano que “coloriu” grandes filmes do grande ecrã com a sua música inesquecível. Era este artista que iria protagonizar o aniversário de 50 anos da grande feira de ótica MIDO, no cenário deslumbrante do Duomo de Milão, no mês de fevereiro, se não fosse a pandemia global. Aos profissionais de todo o mundo, Ennio Morricone ía “soltar” alguns dos melhores sons da sua história e ainda uma produção exclusiva para o certame: Infinite Visioni. “Penso que quando, daqui 100, 200 anos, queiram perceber como éramos, é mesmo graças à música dos filmes que o irão descobrir.”

Defende regime especial de rendas A Associação Nacional dos Ópticos (ANO), no seguimento da aprovação do regime especial de rendas para lojistas de centros comerciais pela Assembleia da República, defende que são necessários mais apoios para outros estabelecimentos, que estiveram encerrados ou limitados na sua atividade. A ANO associa-se, por isso, à proposta apresentada pela Confederação do Comércio e Serviços de Portugal para a implementação de um regime especial nos estabelecimentos comerciais, nomeadamente a redução de 40 por cento do montante das rendas, entre 1 de Abril e 31 de Dezembro de 2020. Este regime contempla ainda a suspensão, pelo mesmo período, da taxa liberatória a que estão sujeitos os senhorios em sede de IRS. Para a ANO, estas medidas representariam uma pequena ajuda às micro, pequenas e médias empresas que constituem o grosso do setor do comércio e são, como se sabe, o maior empregador do país. Só a ótica garante oito mil postos de trabalho. Os líderes da associação defendem apoios concretos o quanto antes, sob pena de se sucederem falências com as consequências sociais daí decorrentes.


Givenchy

Breves | 13 |

Ao encontro de um verão inesquecível A marca nascida em Paris desenhou dois modelos incontornáveis para o verão de 2020. O modelo GV Anima homenageia a morada histórica da Givenchy na cidade das luzes, com as suas linhas profundas, carregadas pelo acetato de cor intensa e pelo parte superior do frontal astuciosamente “aplanada”. Já o metálico GV Ray impõe-se pelo minimalismo de toque contemporâneo, refletido nos frontais planos e na ponte elevada.

Rimowa

Acessório que vai além da viagem A famosa marca de malas de viagem embarca numa “Jornada através de uma lente diferente” ao lançar a sua primeira coleção de óculos. A Rimowa descreve a novidade como uma ferramenta de viagem fresca e que vai além da chegada ao destino. Produzidas a partir de matérias primorosas, as peças foram idealizadas com as viagens em mente e, por isso, coordenam de forma “deliciosa” com as malas da marca. Os desenhos modernos que partilham o legado de inovação da Rimowa completam-se na leveza dos modelos e na garantia de durabilidade.

Masunaga

by Kenzo Takada Um dos mais celebrados designers de moda japoneses, Kenzo Takada colaborou com a Masunaga, empresa conterrânea de fabrico de eyewear, no desenvolvimento de uma coleção que combina elementos vintage com um design vanguardista. Gravações delicadas na ponte, na charneiras e nas hastes são reminiscências de detalhes de joalharia da década de 1920. Os frontais são desenhados com o star motif da Masunaga e o emblema de família de Kenzo Takada, em formato de uma flor de campânula, surge em locais recônditos das peças.


SILMO

Abecedário das tendências A feira parisiense continua o caminho em direção à abertura de portas, de 2 a 5 de outubro, com a dinamização das marcas que irão colorir o Pavilhão de Exposições de Paris Nord Villepinte. O lançamento da revista online Trend by Silmo tem 198 páginas onde, de A a Z, expõe as insígnias que expõem na edição de 2020. A publicação especial antecipa, desta forma, o contacto dos profissionais de todo o mundo com os produtos a serem lançados em outubro.

Breves | 14 |

MultiOpticas

Ajuda a quem precisa O grupo de óticas quer manter um papel interventivo junto das populações mais carenciadas, que viram a sua condição socioeconómica agravada com esta crise pandémica. Entre as instituições sob mira do apoio da MultiOpticas estão a Cáritas Portuguesa, a Remar, a Associação Novo Futuro, a Associação Jorge Pina, a Helpo Ong, a Ajuda de Mãe, a Obra do Frei Gil, o CREE – Funchal, entre muitas outras. A oferta de exames de optometria e óculos graduados, donativos em espécie e em géneros (bens alimentares, roupa, material de puericultura, equipamento lúdico pedagógico, computadores, entre outros) e ainda outro tipo de equipamentos solicitados para as referidas instituições. “Obrigado por nesta altura difícil darem um sinal de que continuam connosco, pois é isso que nos dá a todos ainda mais força para continuarmos o nosso trabalho. São doadores como a MultiOpticas, que estão sempre ao nosso lado, que nos motivam para fazer mais e melhor a cada dia que passa e que nos ajudam a tornar possível a nossa missão” – Cáritas Portuguesa. Para tentar dar resposta ao máximo de pedidos, a MultiOpticas também conta com uma rede de parceiros e patrocinadores que ajudam na resposta a estas necessidades.

Essilor

Shamir

Nova identidade, novas oportunidades A fabricante de lentes oftálmicas empreendeu a renovação da sua marca. Com o otimismo como norte, mesmo em tempos de incerteza, a equipa da Shamir adotou a mudança, atualizando a estratégia e os valores internos, para que, mais que nunca, reflitam o objetivo primordial: Visão Perfeita – Toque Personalizado. “A nossa estratégia de marca coloca o nosso cliente, no centro, ajudando-o a expandir os seus negócios e a cumprir a sua visão, através de quatro princípios que nos guiam: paixão pela inovação, temos o prazer de desafiar o normal e ser os primeiros no mercado, com produtos e serviços revolucionários; o serviço é o ponto-chave, esforçamo-nos por ouvi-lo atentamente e entender as aspirações para que possamos atender melhor as necessidades do seu negócio e crescermos juntos; seja o melhor, mas nunca descanse, produtos de qualidade superior significam menos erros, menos reclamações e menos “não adaptações”. Nunca paramos de aprender e melhorar, para que possamos fazer o nosso melhor, ainda melhor, para si; agilidade, para responder rapidamente às mudanças do mercado, sendo flexíveis para nos adaptarmos à medida que elas evoluem.”, explicaram os responsáveis da Shamir em comunicado.

Proteção em tempos de necessidade A multinacional das lentes oftálmicas, através do seu fundo de impacto social Vision for Life, juntou esforços com a Federação Internacional do Automóvel (FIA na sigla francesa) para garantir equipamento de proteção aos trabalhadores ligados à saúde, na sequência da crise pandémica por covid-19. Como parte da ação da FIA Corrida contra a Covid, dez mil óculos de proteção foram distribuídos por 38 hospitais e centros médicos de quatro continentes. Esta iniciativa acresce o rol de apoios que o grupo Essilor tem empreendido, através do poder coletivo das suas subsidiárias locais, através do qual já entregou um milhão de equipamentos de proteção, no âmbito do combate à covid-19.


Institutoptico

CooperVision

Dados promissores sobre lentes de contacto e crianças A marca de lentes de contacto financiou os estudos dos cientistas Robin Chalmers, sobre a segurança do usos das lentes de contacto em crianças, e Ian Filtcroft, com a investigação do desenvolvimento natural da miopia em contraste com os dados dos estudos clínicos sobre a lente de contacto MiSight 1 Day. Os resultados animadores foram apresentados na conferência virtual ARVO 2020 (sigla em inglês para Associação para a Investigação na Visão e na Oftalmologia). Chalmers e o seu Estudo de Coorte Retrospetivo sobre a Segurança de lentes de contacto pediátricas (ReCSS) envolveu quase 1000 crianças, entre fichas clínicas e ensaios clínicos aleatórios e longitudinais, que utilizaram o produto na versão hidrófila e revelou uma baixíssima taxa de eventos adversos. O médico oftalmologista, Flitcroft, por sua vez, organizou uma análise de percentil do desenvolvimento da graduação com base numa amostra de 113 crianças de Portugal, Reino Unido e Canadá, para avaliar os resultados do estudo clínico de três anos com a lente de contacto MiSight 1 day. Os autores constataram uma progressão menor da miopia em comparação com o que seria normalmente observado por um profissional da visão numa criança europeia.

Uniótica

Uma visão portuguesa que nos une A Ergovisão lança a marca nacional Unióticas com o objetivo de se aproximar dos profissionais independentes portugueses. O novo grupo garante todas as vantagens do grupo Ergovisão, atendendo às necessidades destes empresários e dando continuidade à condição independente e à liberdade dos aderentes. Ou seja, os óticos gerem os seus negócios ao seu ritmo, mas têm à disposição novas ferramentas e serviços para a sua atividade. A missão da Unióticas é que o “ótico independente deve sentir-se sempre independente com uma identidade 100 por cento portuguesa.”

Breves | 15 |

renova confianças na administração Unidos para ficar é o lema que lança o terceiro mandato de Vera Velosa, Luís Góis e Paulo Arromba na liderança dos destinos do Institutoptico para o próximo triénio. A administração assenta a estratégia no propósito de união e de perseverança, para encarar os desafios. “Não foi por acaso que escolhemos esta frase que tão bem traduz a história do Institutoptico. O nosso percurso sempre foi feito pelo conjunto das ideias e necessidades de todos e a grande maioria dos fundadores mantém-se no grupo com um espírito lutador e voltado para o futuro. Quisemos, por isso, ir buscar as nossas mais profundas raízes para expressar a vontade de perseguir um projeto de referência no mercado da ótica nacional. Agradecemos a confiança que os sócios depositaram em nós, uma vez mais, e reforçamos a nossa mensagem de compromisso e empenho para encontrar novos caminhos e oportunidades que tragam um negócio sustentável para o Institutoptico”, declararam os três dirigentes. A estratégia futura do Institutoptico está vincada nos conceitos de modernidade, crescimento em aderentes e número de lojas e em processos de otimização do negócio.


Daniela Fonseca

Entrevista de Capa | 16 |

Ao serviço do futuro da ótica

Já esperávamos há muito tempo para registar esta conversa e, depois de uma breve viagem até Vila Nova de Famalicão, só podemos dizer que valeu a pena a espera. O Jorge Oculista é uma referência no mercado da ótica, sem dúvida, mas a nossa curiosidade estava apontada às duas mulheres que lhe decidem hoje o destino. Andreia e Daniela Fonseca sucederam o fundador Alberto Jorge Fonseca com exatidão, humildade e sucesso. Fotos: Miguel SIlva


No tempo do Alberto Jorge era tudo mesmo muito diferente. Sim, por vezes o meu pai pergunta-me “porque trabalhas tanto. No meu tempo não trabalhava assim”. A sério? (risos)

Lembro-me também de entrar na ótica e o atendimento personalizado ser visto pela equipa como algo das grandes cadeias. Foi interessante ver como tudo se alterou. Ou, por exemplo, até mesmo a exposição enorme, cheia de óculos, que mudou para o atual minimalismo. Ainda me lembro de um colaborador que tínhamos no escritório e que já se reformou, recordar sempre, que antigamente só se faziam pagamentos em dinheiro e havia muito dinheiro. Também éramos líderes e o mercado entretanto partiu-se. E eu já entrei noutro período. Pesa muito a nossa educação na forma como assumimos a empresa. Sempre esteve muito presente a responsabilidade da estrutura, o sabermos que somos 65 famílias, com quem temos muita proximidade. Nesta fase muito complicada tivemos essa confirmação, sempre que fazíamos as nossas reuniões (que passaram a ser online), a união e a força de vencer eram evidentes, estávamos todos igualmente comprometidos, e isso dá-nos alento. Como se dividem a Daniela e a Andreia em termos de áreas de atuação na empresa? A Andreia é da área da optometria e portanto lidera toda a parte técnica, não só da optometria em si, mas também dos técnicos de ótica ocular. A Andreia também assume uma componente grande na área de formação para optometria. Eu nos últimos anos tenho estado mais ligada ao departamento comercial e às compras, muito envolvida em todas as negociações com fornecedores, algo que tem uma preponderância vital na rentabilidade da empresa. Os restantes departamentos foram crescendo de forma orgânica, todos iam ajudando na medida dos seus talentos e aptidões. Há cinco anos, percebemos que precisávamos de ajuda “no terreno” para o acompanhamento diário das lojas e a coordenação das equipas, por isso, admitimos uma pessoa para a função de Area Manager, com o intuito de uma maior uniformização de procedimentos, um acompanhamento comercial diário às equipas, no fundo alguém que nos garantisse a coesão em todos aqueles que definimos ser os nossos “procedimentos de excelência”

Entrevista de Capa | 17 |

Foi Daniela que nos abriu as portas desta casa com 56 anos, “mas bem conservada” como brincou. É que para além de ser a gestora da ótica familiar, também dá energia à direção da Associação Nacional do Ópticos, com o seu toque seguro e frontal. Ou seja, esteve na linha de fogo aquando o “estalar” da pandemia global por covid-19, a fazer o que nenhuma direção teve que fazer. Com os restantes colegas da instituição, adequaram estratégias, aproximaram-se dos associados, ainda que em segurança, com o apoio que se impunha e viveram um período inédito de grande união. A par de todo esta agitação, Daniela teve que respirar fundo, enquanto salvaguardava a sua família e as restantes 65 que compõem a vida do Jorge Oculista. Tudo sob o olhar atento do pai. Aliás, foi ele que a preparou, na perfeição, para desafios magnânimos como este. Primeiro conseguiu conquistá-la para o negócio que fez crescer com astúcia e que, na altura certa, admitiu precisar de um novo fôlego. Depois deixou-lhe um autêntico império de óticas na mão, acabada de sair do curso de Gestão...porque sabia que, se havia alguém capaz de o gerir, era ela mesma, a menina que lhe entregava a relação precisa dos seus recebimentos e gastos sempre que ia para fora nos cursos de verão ou se lançava em algum “projecto” ambicioso. E de facto entendemos este fascínio de Alberto Jorge. Daniela tem o poder de nos absorver nos seus ideais, porque são honestos e precisos. Herdou do pai a criatividade e o empreendedorismo, mas foi mais longe ao viver as paredes de cada uma das 19 Jorge Oculista com fidelidade e cercania. Juntas recordámos o que a levou de não querer envolver-se no negócio familiar, em absoluto, até assumir hoje que lhe faz parte do ADN. Se sofreram por serem filhas de Alberto Jorge? Claro que sim! Mas isso é indiferente, porque foi ele que garantiu que Andreia e Daniela estivessem à altura do desafio. Não falhou! E, na ponta final do nosso encontro e enquanto o fotógrafo se preparava para eternizar esta figura poderosa da ótica, Daniela admitiu que é uma mulher de família, uma mulher da ótica e que não se resigna em nada. Daniela Fonseca é uma segunda geração de óticos “estado de arte” que pela sua visão acutilante dá valor a todo um círculo profissional e que contribui na linha da frente para a realização da história da ótica.


e que estão presentes em todas as lojas Jorge Oculista. Curiosamente, no pré-covid (finais de 2019) sentimos novamente a necessidade de organizar e profissionalizar alguns departamentos (recursos humanos, operações, compras, marketing & comunicação) e estamos desde então a “reorganizar a casa”. Tomamos a decisão de promover internamente alguns colaboradores que já estavam ligados a estas tarefas e que estão agora a assumir cargos de maior responsabilidade naquilo que é o apoio à administração. Como sempre, apostamos no reconhecimento dos nossos colaboradores que conhecem como ninguém o negócio, a estrutura, e são por isso uma mais-valia para a consolidação e competitividade do grupo.

Entrevista de Capa | 18 |

Tem formação na área da gestão. Nunca sentiu o “apelo pelos olhos”? Não, mas lembro-me do meu pai me tentar incutir isso, não propriamente na área da optometria, mas na saúde em geral. E admito que, até acabar a universidade, nem equacionava integrar o Jorge Oculista. O que a fez mudar de ideias? Fazia-me confusão e até refutava a ideia de trabalhar no negócio de família, mas as circunstâncias obrigaram a que integrasse a empresa mal terminei o curso. Confesso que sempre senti falta de trabalhar noutras empresas, de adquirir conhecimentos e experiências provenientes de realidades diferentes, mas na altura foi necessário que avançasse, e assim fiz. Lembro-me de uma conversa que tive com um professor da universidade, sobre o “ultimato” do meu pai, quando me disse que, ou me entregava a empresa ou então teria que optar por outra solução “mais radical”. Na altura o professor respondeu-me: “Daniela, qual é a dúvida? Tem uma empresa para desenvolver!”. Penso que também era um pouco o estigma de ser a filha do meu pai, tinha apenas 22 anos, e teria sido mais fácil com o meu pai por perto, mas teve que ser assim. O perfil do meu pai é muito mais o de um empreendedor do que o de alguém que gere o dia a dia do negócio. Gosta de procurar novos projectos, novos desafios, desenvolvê-los e depois partir para novos horizontes. Chegou a ter o projeto de uma fábrica e palmilhou Portugal e Itália de norte a sul em busca das mais avançadas soluções. Adorava a parte técnica da ótica, aliás, começou mesmo como técnico de ótica ocular e ainda antes de abrir a própria loja desenhou e construiu o próprio stock! Então já nem participa das vossas decisões? Nem quando começámos! Isso foi uma das grandes vantagens que senti, mesmo em

é interessante que como sempre foi um pouco pessimista (apesar de empreendedor) se espanta quando lhe digo que estamos a crescer, ele ouve e pergunta: “a sério?” (risos). Sempre foi assim.

comparação com outros colegas da minha área. Fomos obrigadas a tomar as decisões e a assumir as responsabilidades que daí advinham. Curiosamente, fruto desta pandemia que nos assolou, acabamos por estar juntos em isolamento mais de dois meses e, ai sim, captou mais sobre a situação e quis mesmo envolver-se, porque ficou preocupado. Ele sente necessidade de estar presente em alguns momentos-chave, como o fecho de contas, por exemplo. No dia a dia só precisa que estejamos as duas de acordo. Aprendemos com os nossos erros e com aquilo que efetivamente fizemos bem, nunca interferiu nas decisões. É assim o perfil dele, reconhece os nossos sucessos com orgulho, mas com um silêncio, revelador (risos). E como é a dinâmica familiar neste contexto profissional? É um desafio e fomos mudando a dinâmica ao longo dos anos. Temos perfis muito diferentes, o que acaba por ser uma mais valia, pois cada uma dedica-se mais à área em que é naturalmente mais forte . Eu sou muito de inovar, de arriscar, a Andreia precisa de analisar e racionalizar. Nisso sou fotocópia do meu pai e um travão mais “racional” é importante (risos). Claro que, pelo menos até sermos mães, não se separava a vida profissional da familiar, era impossível, mas desde que vieram os nossos filhos melhorámos muito. Uma série de outras prioridades se foram acrescentando e quando estamos em família já conseguimos (por vezes) não falar do negócio. Os avós também foram ajudando, porque falam mais com os netos, querem saber mais sobre os netos e um pouco menos de ótica. Embora o meu pai ainda queira, claro, saber o que se passa. E

Fale-nos do arranque do Jorge Oculista. O meu pai começou no Porto, no Rocha Oculista, como moço de recados, mas sempre foi muito curioso. Como havia muita desconfiança, ninguém explicava o ofício, e ele é que investigava sozinho, até alguém o descobrir e ensinar. Depois estabeleceu-se novo, porque sempre foi muito poupado e abriu a primeira ótica em Santo Tirso, e fazia tudo, desde a consulta até à venda. Quando assumimos a empresa, sabíamos que se impunha uma reestruturação profunda, o que originou a saída de uma parte da equipa, essa decisão causou bastante instabilidade… Não foram tempos fáceis, mas a vontade de dar continuidade a uma empresa em que o fundador era o nosso pai foi mais forte e não houve contrariedade que nos travasse. Claro que na altura, logo surgiram comentários no mercado de que a sociedade estava agora a cargo de duas miúdas e que o projeto muito provavelmente não sobreviveria. E como venceram isso? Tratava-se do legado da família, não queríamos desapontar, lutámos como sabíamos, inicialmente com mais garra que conhecimento, mas fomos crescendo, no terreno. Lembro-me que nessa altura até me mudei do Porto para Famalicão, onde temos a nossa sede, para estar sempre próxima do negócio, numa entrega total. Nunca houve deslumbramento, o crescimento foi fruto de muita proximidade e de muito trabalho. Sobre o setor em geral, acha que a pandemia fragilizou o mercado ou veio revelar as respetivas fragilidades? Um pouco das duas. De facto, a ótica é um setor estável, ou pelo menos até à chegada da pandemia, mas tem algumas fragilidades, claro. O estudo da Universidade Católica, no âmbito da Visão Partilhada, revelou que grande parte das óticas da amostra têm um grande peso em inventário e o comércio tradicional é demasiado permissivo com o crédito ao cliente. Temos que ser mais exigentes nesta negociação, porque pagamos aos nossos fornecedores a tempo mas não recebemos na mesma medida. Claro que, no confinamento estivemos com algumas portas abertas para garantir a resposta em situações de extrema necessidades ou urgências. Quase sempre serviços que prestamos gratuitamente, que não nos trazem qualquer faturação, mas que


fazemos questão que façam parte do nosso serviço, e apesar de termos um bom nível de tesouraria, se não houverem resultados no dia a dia, a situação torna-se insustentável. Também acho que, e isso é uma experiência que adquirimos de outras crises, as empresas têm que procurar novos instrumentos de gestão, formas de se reinventarem e de se tornarem mais flexíveis. E a corrida ao digital? Nós já estamos nesse segmento há 12 anos e para nós foi uma salvaguarda durante este período. Claro que, o mercado online significa ter clientes nos quatro cantos do mundo, com todos os desafios que isso acarreta. Todos sabemos, enquanto consumidores que, cada vez mais para escolher um serviço, uma consulta da especialidade ou até mesmo um restaurante visita-se primeiro o site. Este tipo de decisão, tem muito a ver com a geração que está na frente do negócio. O nosso sucesso foi “poder fazer”, o que nos permitiu arriscar com alguma liberdade.

Agora sobre a ANO, houve uma série de desafios e sonhos a que se propuseram quando se lançaram à direção da ANO. Caíram por terra? Claro que não! E nem se coloca tanto a questão de sonhos, nós temos projetos e objetivos bem definidos. Alguns deles aceleraram, fruto da situação atual, como foi o caso da comunicação, onde tivemos que reajustar o conteúdo da mensagem. Inicialmente íamos focar-nos na saúde visual, na proximidade da associação e em como trazer destaque e reconhecimento ao setor da ótica. Mas, neste momento, impõe-se reforçar uma mensagem de segurança. Há alguns projetos que nos custa imenso adiar. Queríamos ter ido para o terreno, estar próximos dos associados e do setor em geral, mas não foi possível, por razões óbvias. Resta-nos agora reavaliar os projetos que tínhamos em curso e perceber a quais teremos que dar prioridade. Eles estão lá e bem traçados! Vão ser a direção covid. (risos) É um desafio. O covid abalou a questão da segurança, influenciou na solidariedade e na união e até se formou uma corrente

Entrevista de Capa | 19 |

E o que vai acontecer à ótica neste pós-pandemia? Acho que vamos sentir a real dimensão do problema um pouco mais tarde, nos próximos meses/anos, mas já se vêem os níveis de desemprego a registarem subidas e a aproximarem-se dos valores de outras crises, que foram muito penosas em termos financeiros e sociais.

mais positiva no setor. Continuo a sentir que é preciso incentivar a participar, porque somos exímios na crítica negativa, mas silenciosos na positiva. Hoje temos elementos na ANO disponíveis para dar apoio aos óticos em áreas que consideramos muito importantes. Temos na ANO, pessoas que já lá estão há imenso tempo, que vivem a ótica e que são elementos preciosos. Mas não houve logo uma mudança depois de assumirem a direção? Houve mais reações com esta situação do covid, porque estivemos a trabalhar intensamente para estarmos atualizados e passar as informações importantes aos óticos.

Tivemos equipas a trabalhar fora de horas e também houve muito dinamismo no contacto com o Governo. Agora temos que aproveitar a recetividade dos associados e não associados e crescer em dimensão para representarmos o setor na totalidade. Aliás, a determinada altura estava mais tempo dedicada a ANO do que ao Grupo Jorge Oculista (risos). Claro que houve um momento em que tive que me ausentar, mas o Fernando Tomaz assumiu os desafios na totalidade e é um impulsionador fantástico. Às vezes pergunto-lhe, “tu dormes”? (risos) Só uma pequena parte da população sabe da existência da ANO e é preciso que o setor e a sociedade em geral conheçam o trabalho associativo que se faz.


ANO

Olhar em Português | 20 |

Mensagem direta ao consumidor A Associação Nacional dos Ópticos reuniu online com os fornecedores do mercado, a imprensa e as figuras de proa do movimento Visão Partilhada para transmitir as investidas que tem empreendido em prol da recuperação do setor. A organização levou a ótica ao centro das decisões políticas, à comunicação social e ao consumidor final. Pela primeira atreveu-se a dar uma passo gigante na sua história com uma campanha nos meios de comunicação generalistas. Pode Confiar, até de Olhos Fechados foi a mensagem que passou na televisão, rádio e meios digitais e garantiu a confiança no regresso dos consumidores às óticas portuguesas.

“Esta direção achou que era o momento para a associação, pela primeira vez na sua existência, comunicar ao consumidor final de uma maneira forte, com credibilidade e com segurança”, assegurou à “plateia” presente no dia 26 de junho, o presidente da Associação Nacional dos Ópticos (ANO) Fernando Tomaz. Esta estratégia estava contemplada no programa da nova direção, num outro contexto e numa outra direção. A pandemia global por covid-19 fez adiantar a disseminação da ótica em Portugal, numa adaptação exemplar por parte do grupo de trabalho da ANO. Para a frente da campanha, a ANO conseguiu conquistar um diligente Pedro Ribeiro, celebrizado nas ondas da Rádio Comercial. Levado pela missão de apoiar a melhoria a saúde visual da população, o locutor assumiu a voz da ótica portuguesa ao assegurar que é seguro entrar nas lojas associadas da ANO. “Sentimos que era necessário, após o estado de emergência, aumentar o número de consumidores nos estabelecimentos dos nossos associados. Colocámos mão à obra e desenvolvemos uma campanha com o nome Pode Confiar, até de Olhos Fechados. Encontramos o embaixador Pedro Ribeiro que vestiu a camisola, dando um grande contributo para a campanha”, explicou Fernando Tomaz. Esta promoção massiva tem a finalidade primordial de identificar as óticas associadas como locais seguros na comercialização de bens e serviços de ótica e prestação de cuidados de saúde visual. O selo Óptica Segura, desenvolvido sob um estudo primoroso, tem essa missão de dizer ao consumidor quem são as óticas que seguem as regras de segurança e higiene

estipuladas pelas entidades competentes. A mensagem Pode Confiar, até de Olhos Fechados esteve disponível na TVI, na TVI 24 e na Rádio Comercial de 29 de junho a 12 de julho e de forma mais alargada nos meios online e nas próprias lojas. “Optámos por horários nobres, próximo de programas com maior audiência” asseverou o presidente da ANO aos parceiros do setor. Do “outro lado do ecrã”, os players congratularam a energia e diligência da associação mais representativa do setor. Houve questões que se levantaram quanto às óticas não associadas, nomeadamente da parte do administrador da Optivisão, André Brodheim, e do diretor comercial português da Luneau Technology Iberia, Luís Filipe Duarte. “Faz parte do plano estratégico da direção conseguir que todas as óticas façam parte da ANO, claro que, a pandemia nos trouxe algumas dificuldades. Ou seja, começamos tudo ao contrário. Queríamos estar na rua com um roadshow a passar a mensagem do quanto é importante fazer parte da associação. Tivemos que ajustar os planos e tivemos que comunicar com o consumidor final e trazê-los para dentro das óticas para conseguirmos vendas. Esta direção assume que vamos fazer mais, porque só isto não chega”, garantiu Fernando Tomaz. Paula Silva, membro da direção ANO, reforçou a declaração do presidente, explicando que “o selo de Óptica Segura também serve de identificação para as empresas associadas. Claro que, poderá haver quem não o veja, mas é um primeiro passo.” Paula Gonçalves, do departamento de comunicação e imagem da ANO e envolvida na campanha nacional desde o início resumiu esta iniciativa. “De facto, os 20


Uma ANO dinâmica e atenta! Desde que a pandemia assolou o horizonte económico dos diferentes setores, a ANO iniciou contactos com o poder político. As conversações com os Secretários de Estados para a Transição Digital, André Azevedo, e do Comércio, João Torres, serviram para garantir a presença na plataforma ON e defender as empresas de ótica na integração da lista positiva e no diploma legal para os bens essenciais ao consumidor e para a saúde. Os argumentos para continuar a negociar benefícios fiscais, acesso às linhas de investimento, entre outros apoios junto de diversas figuras governamentais foram fundamentados com a ajuda do estudo da Universidade Católica e da Sociedade Rebelo de Sousa (SRS), já no âmbito do projeto Visão Partilhada. Na reunião online, a ANO também fundamentou a sua política de transparência ao declarar o gasto de 75 mil euros divididos entre o estudo e o pagamento às empresas de consultoria, e sobre os quais já conseguiu juntar ao seu contributo o apoio no valor equivalente a 64,4 por cento, até à data da reunião. “Foram 567 óticas inseridas no mapa da plataforma Estamos On criada pelo Governo. Depois dos primeiros contactos por telefone e com a ajuda da SRS começamos a desenvolver contactos com toda a tutela: Secretários de Estados dos Assuntos Fiscais, do Comércio e da Saúde e

com os grupos parlamentares do PSD, PS, CDS-PP. Entretanto fomos sempre defendendo a posição da Visão Partilhada e da ANO com ajudas ao setor, com o cheque óculos, mediatização do cheque óculos e na, nossa opinião, acabamos sempre por ser bem recebidos, assim como a as informações que levávamos. Quem nos ouviu entendeu bem os objetivos e comprometeram-se a desenvolver ajudas ao setor da ótica.” afiançou Fernando Tomaz. Uma das conquistas destas investidas está no manual de procedimentos e boas práticas com o apoio da UPOOP, na área dos gabinetes. Outras foi o facto da ótica vigorar como um dos primeiros setores a ter um manual aprovado pela DGS e com o protocolo com a Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP). Para os óticos... “Criámos material de comunicação para os pontos de venda e tentámos dar uma ajuda enorme aos associados com informações atualizadas, para colocarem no ponto de venda. Com todos os parceiros do grupo Visão Partilhada e mesmo os que não estiveram na primeira reunião fizemos sempre força para partilhar as atas para que estivessem a par dos desenvolvimentos e também circulares frequentes. Aliás nestes quatro meses julgo que colocámos “na rua” mais de 50 circulares”, declarou o presidente da ANO. As diversas ações de formação sobre os temas que dominavam a atualidade, nomeadamente o lay off, a ciber-segurança entre outras também garantiram a proximidade entre a instituição e os associados, fortalecendo a capacidade dos mesmos em reagir à problemática instalada. De realçar a conferência online aberta a todos os associados onde se expôs os resultados do estudo integrado no projeto

Visão Partilhada. Para além das informações apuradas, a ligação à Universidade Católica inclui um apoio de assessoria, sem custos aos óticos, pelos especialistas da instituição, “que tem tido grande procura. É importante e vantajoso ter uma Universidade como a Católica dentro das nossas empresas a ajudar a resolver problemas, a melhorar-nos e a ajudar-nos a estarmos preparado para uma próxima pandemia ou algo semelhante”, realçou Fernando Tomaz. Na área do apoio jurídico, a ANO esteve na linha da frente a desenvolver diariamente, o apoio aos associados, seguindo o lançamento dos muitos diplomas do Governo. Houve ainda a promoção de um inquérito, inserido no trabalho que temos desenvolvido com a CCP, para perceber qual o número de associados que pediu apoio ao Estado nas linhas Covid e o que estava a acontecer no setor, como está expresso no gráfico. Inquérito referente ao acesso a linhas de financiamento com comunicação imediata à Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP).

49,5%

pediu financiamento 50,5%

42,1% obteve aprovação por parte da instituição bancária 57,9%

Desde o arranque de todas estes empreendimentos, garantiu-se a comunicação ao consumidor final, mediatizando-se a importância das óticas durante o estado de emergência. O próprio estudo alavancado pelo grupo Visão Partilhada, assim como o autor, o professor Ricardo Reis, chegou a estar mais que uma vez em destaque nos vários canais de televisão. Fernando Tomaz fechou a reunião, apelando ao apoio dos parceiros para passar a mensagem, porque “o Pedro Ribeiro é um excelente embaixador, mas vocês são tão bons embaixadores quanto o Pedro. Se calhar alguns óticos poderão não dar a dar importância devida ao selo Óptica Segura, porque obviamente têm muitas preocupações, mas é importante potenciar isto no balcão, no gabinete e passar a mensagem de segurança ao consumidor. Só assim conseguiremos vencer esta batalha.” António Amorim, outro membro desta direção ANO, reforçou a mensagem do presidente e o apelo. “Temos que encarar a ANO para além da organização que consegue acordos com entidades, mas sim como um braço forte que apoia os óticas em várias áreas e em situações de crise como esta.”

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segundos que se veem como resultado final, duraram cerca de sete horas a serem filmados. Foi trabalhoso, mas muito compensador, porque precisávamos de comunicar aquilo que a direção da ANO e todos nós aqui presentes temos focado nas reuniões: é seguro vir a uma ótica da associação fazer um check up à visão.”


Optivisão dá asas ao crescimento

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A Optivisão reforça a posição de liderança em número de pontos de venda em Portugal. No total são 17 novas lojas de norte a sul sob a bandeira do grupo nacional desde o início do ano, sendo que as mais recentes são a A Minha Óptica com duas lojas, Primeiras Opticas e Centro Oculista Vale de Cambra.

A acompanhar a dinâmica de crescimento da Optivisão em 2020, destaca-se também a abertura de óticas de sócios já existentes no grupo, nomeadamente o Oculista Central da Graça com um novo espaço na Avenida da Igreja, Optiface em Odivelas. De recordar as 13 integrações anteriores, com nomes sonantes como Modelo Visual, em Castro Verde, Óptica do Bolhão com duas lojas no Porto, Ópticas Minho em Amares, Guimarães e duas lojas em Braga e Adão Oculista em Ermesinde, Foz do Douro, Gondomar, Passos Manuel, Porto e Vila Nova de Gaia.

A maior rede de óticas nacional chega agora a cerca de 270 pontos de venda de norte a sul do país. Segundo André Brodheim, administrador da Optivisão, estas novas entradas permitem que continuemos a assegurar a cobertura em todo o território nacional com a vantagem de criar maior proximidade com os clientes, disponibilizando-lhes um conjunto de serviços de qualidade que lhes permitirá o cuidado e prevenção da sua saúde visual junto de optometristas credenciados e óticos altamente qualificados e experientes.”


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CECOP

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Apoio incondicional aos óticos independentes O grupo de óticas declarou querer continuar a ser “o farol que ilumina o ótico em tempos de incerteza.” A CECOP demonstrou dinamismo e compromisso com os profissionais durante a crise provocada pela covid-19, apoionado-os em tomadas de decisão coerentes, com base em informações atualizadas sobre o contexto económico envolvente. O grupo criou ainda serviços adaptados às suas necessiades nestes tempos desafiantes. A pandemia pelo novo corona vírus transformou todos os setores. O da ótica foi um deles, ao assistir-se à migração do modelo de negócios e à respetiva adaptação para um contexto mais digital, na tentativa de se encontrar novas oportunidades de vendas. A CECOP procurou reagir com rapidez e eficácia perante uma situação sem precedentes e manteve-se próximo dos óticos independentes desde o início da crise e continua a fazê-lo neste regresso ao “novo normal”. Sob a liderança de Jean de Contades, diretor geral da CECOP, a empresa demonstrou o compromisso incondicional com as óticas independentes de todos os países em que está presente, nomeadamente Portugal, Espanha, Itália, Inglaterra, Irlanda, México, Colômbia , Brasil e EUA. Os óticos constataram a proximidade e o empenho da equipa do grupo através de uma comunicação eficaz desde o serviço prestado ao associado até à criação de seu próprio meio comunicativo, a CECOP Consigo, Nesta plataforma, publicaram-se todos os assuntos de interesse aos profissionais de forma direta e resumida, para que se soubesse, em primeira mão, o que poderia afetar o mercado. Além disso, a empresa criou uma série de serviços cujo objetivo centrou-se no apoio ao ótico na tomada de decisões sólidas e lucrativas para os negócios, em momentos tão sensíveis. O propósito final da equipa CECOP passava por melhorar o setor como

um todo e fazer ultrapassar o contexto atual. O grupo multinacional investiu ainda na criação de programas especiais de formação e de reforço de qualificações para se encontrarem novas fórmulas de vendas, novos serviços para reforçar a visibilidade online, entre outras estratégias. Para que todo este esforço fosse concretizado, a CECOP guiou-se pela missão, visão e valores da empresa, um “roteiro” que expressa o caráter da companhia e que é compartilhado por todos os colaboradores. O grupo declara-se como pioneiro no estabelecimento de um modelo real e revolucionário que se adequa às necessidades dos profissionais do setor ótico. É ainda composto por especialistas em fornecer soluções estratégicas em gestão operacional, desenvolvimento, formação e transformação de óticas. A filosofia desenvolvida pela CECOP tem a ver com o desafio auto-imposto desde sempre: ser a maior comunidade global que lidera a transformação do setor, com soluções de valor. Claro que, todas estas premissas assentam em valores comerciais firmes com os quais todos os países e as respetivas equipas podem identificar-se. Valores comuns que permitem à empresa combinar forças, tornado-a melhor, mais forte, mais inovadora e mais bem-sucedida. Os valores na base do trabalho da CECOP refletem-se na colaboração, excelência, flexibilidade, compromisso, inovação e ética.


Benetton

A icónica marca de moda reafirma o seu poder e originalidade na coleção primavera/verão 2020. Com as cores na frente da criatividade e da inspiração, a Benetton reflete-se e à sua história num conjunto de armações inclusivas que apela a consumidores versáteis, dinâmicos e que querem impressionar.

Como celebração dos desenhos confiantes e completadas com plaquetas que se ajustam ao nariz num gesto de conforto, as novidades garantem um estilo universal que complementa todos os rostos. A coleção tem ritmo nos acetatos plenos de tonalidades ricas, incluindo o rosa-cristal no feminino e o bege areia no masculino. A assinatura da intemporalidade é uma máxima, com retoques de modernidade espelhada em frontais que, por exemplo, combinam camadas duplas em tons distintos e que percorrem as hastes com primor. O logótipo da Benetton surge em pontos chave dos óculos, num registo que não deixa dúvidas sobre a essência das armações. Depois, é só uma questão de encontrar o desenho que liga com o estado de alma de quem adora óculos. Linhas suaves e redondas definidas pelo acetato, formas generosas que preenchem a face com ousadia e cor e um quadrado oversize sob o brilho do metal e a criatividade assertiva da marca. Unidos na diversidade e disponíveis numa variedade de tons em todas armações, a coleção reafirma a identidade que lançou a Benetton para o estrelato. As peças para os dias quentes de 2020 expressam-se com brilho e têm uma vasta oferta baseada na visão única de um design autêntico. O entrelaçar de desenhos e arestas que se desdobram em cada formato são icónicas, assim como quem as escolhe. Com a sustentabilidade no topo da filosofia da insígnia, a coleção é embalada em estojos em tubo recicláveis, destacando a consciência global que envolve todo o processo criativo.

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Um ADN de cor


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Vimax

Um luxo que apetece A Prats Portugal lançou uma campanha sumptuosa, com as lentes Vimax e a fadista internacional Mariza como estrelas. É a resposta da marca ao pós-confinamento e às necessidades acrescidas que a clausura provocou na saúde visual dos presbitas. Escolho o Meu Destino é também o apelo à aposta no consumo de qualidade, uma chamada para entrar nas óticas sob o olhar glamoroso da artista e a garantia de uma visão perfeita. Vasco Cândido, diretor comercial da Prats Portugal, conduziu a Millioneyes por este novo percurso comunicativo.


“Nunca, como agora, sentimos tanta necessidade de ajudar o setor: elevar o ticket médio de venda das óticas nossas clientes, puxar pela venda de óculos de sol, sejam eles graduados ou não, e oferecer elementos decorativos diferenciadores para o ponto de venda, beneficiando da fortíssima notoriedade da nossa embaixadora Mariza, pareceu-nos a medida mais acertada”, declarou o representante da Prats. De facto, o aparecimento da doença covid-19 causou constrangimentos profundos ao setor da ótica.

no mercado das lentes progressivas, agora passará a ser também no mercado das lentes progressivas solares, e continuará a crescer e a fazer crescer os seus agentes autorizados, os nossos óticos. Os tempos são desafiantes, mas em conjunto vamos superá-los.” Vimax ao ritmo de uma incrível Mariza A fadista internacional integrou a Vimax no final de 2019, alicerçando a imagem cuidada que a Vimax estabeleceu no mercado e apontando a um consumidor que não quer menos que o melhor em lentes progressivas. A mensagem que se impôs na primeira campanha desenvolveu-se através de diferentes disclamings. Escolho o Calor ou Escolho Desfrutar quiseram despertar no público a certeza de que também podem escolher ver, que é aliás a opção mais simples e lógica na sociedade moderna. A assunção de Mariza nas fileiras da Prats marcou os 50 anos da fabricante de lentes oftálmicas de origem espanhola...em português! A Prats empreendeu uma aventura ao celebrar o meio século da sua história sob o fado e a figura encantadora da artista Mariza, tudo em português! A cantora de reconhecimento mundial entrecruzou na perfeição os valores que ambas as insígnias cultivam no mercado. Ou seja, as lentes progressivas Vimax decoraram o país com uma campanha plena de requinte e bom gosto e com uma mensagem de perfeição e qualidade. Quando questionado sobre os resultados de ter a Mariza como embaixadora, Vasco Cândido não tem dúvidas, “Melhor é impossível, a Mariza é uma personalidade de grande notoriedade que nos tem ajudado a projectar as marcas Vimax e Vimax Sun, junto do público.” Esta foi também a prova da pujança da Prats Portugal no grupo. Em 25 anos de operações no nosso país, a faceta lusa da Prats chegou ao meio século da casa mãe com uma posição exemplar pelas conquistas que tem acumulado. A inauguração de uma fábrica estado de arte em Carnaxide é uma das principais estrelas do desempenho português.

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O funcionamento das lojas tem hoje limitações causadas pela necessidade de contínuas higienizações. Para além de restringir o número de clientes nos estabelecimentos e, por consequência a quantidade de consultas de optometria por dia, implica gastos extraordinários em materiais de proteção e desinfeção. Vasco Cândido não tem dúvidas “com menos vendas e mais custos, a única hipótese de continuar a prosperar é comprar e vender melhor, dando reais vantagens ao utilizador. Para isto, criámos para os nossos clientes a campanha de comunicação, que acompanhamos com uma fortíssima campanha de preço nos nossos produtos premium, utilizando exclusivamente os melhores materiais e os melhores tratamentos disponíveis em lentes oftálmicas atualmente.” E em época de crise a mensagem da Prats é de diferenciação. Não é a primeira vez que conhecem estes obstáculos globais e a reação e adequação da oferta é algo alinhado, tanto pela Prats como do tecido empresarial português. Porém, o diretor comercial luso da fabricante de lentes oftálmicas admite que estamos perante um novo desafio: o online. Trata-se de um “novo” concorrente para todos os negócios. Acreditamos que a compra online, estará a começar a ser um problema para a ótica.” Ou seja, urge tornar a experiência em loja compensadora, “pela atenção, pelo serviço e, claro, pela proposta de produtos adequados e modernos que garantam eficácia correctiva e também preventiva. Por isso, queremos embelezar as óticas com a imagem da nossa campanha e proporcionar a oferta de melhores produtos. Gostaríamos de ajudar a fidelizar e a atrair novos clientes.” Deixamos aqui espaço à mensagem de Vasco Cândido e da Prats Portugal para os óticos portugueses. “Que confiem na sua diferenciação, na sua capacidade técnica, no seu know how. Que confiem em nós, Prats, que estamos dotados de toda a capacidade técnica, estratégica, comercial e comunicacional para os ajudar. A marca Vimax, que já é uma referência


Maui Jim

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Cooperante com os óticos A empresa de coração havaiano comprovou a proximidade inata que constrói com todos os seus parceiros numa reunião online com a imprensa especializada mundial. Em cima da mesa? A certeza de estarem todos bem! E porque o confinamento imposto em todo o mundo foi propício à criatividade na equipa global da Maui Jim, asseverou-se o apoio aos parceiros que vendem a marca. O aumento nos prazos de pagamento e outros incentivos mediante as necessidades individuais de cada empresa foram anunciadas e postas no terreno através dos representantes de cada país. E já que se fala de criatividade não podia faltar um lançamento quente. A nova coloração Hawaii Lava compromete-se com um estilo incontornável e a visão primorosa a que a Maui Jim habituou os seus seguidores.

Os anfitriões do encontro promovido pela Maui Jim foram Martijn van Eerde, diretor de marketing sénior, Hans-Jürgen Penzek, vice-presidente para a Europa e a mais recente promoção dentro da marca, Diego de Castro, diretor sénior do marketing global e da gestão da marca. Martijn lançou as boas vindas e, de país em país, pediu ao grupo global uma atualização sobre a situação atual. Do lado da Maui Jim, quem expressou a realidade mais recente foi o homem forte para a Europa. “Esta foi uma crise bizarra, sem dúvida, e embora tenham passado já três meses ainda me parece surreal, mas temos que a enfrentar. Uma vantagem é podermos explorar estas novas formas de reunir, embora nada substitua o contacto pessoal.” A empresa de eyewear registou meses desafiantes, facto que é transversal a todos os setores de negócios.


Hawaii Lava: um vermelho que conquista... também graduada

Diego de Castro, o experiente marketeer que integra a Maui Jim desde 2017 e está sedeado na localização de Peoria, assumiu a “voz” da novidade da marca à imprensa. A coloração vermelha de reflexos muito especiais, Hawaii Lava, tem a predileção dos seguidores do sol. Por isso mesmo, a Maui Jim alarga o mais recente estilo ao extenso portefólio de lentes graduadas. A coloração espelhada está disponível em lentes monofocais e progressivas e garantidas pelo mais avançado material em lentes, o MauiBrilliant, que permite uma clareza tão perfeita quanto a proporcionada pelo vidro, mas com apenas um terço do peso. A cor Hawaii Lava aplica-se na face frontal das lentes em HCL Bronze como tom base, um exclusivo da Maui Jim. A novidade favorece ainda da tecnologia patenteada Polarized2, que potencia as cores e são ligeiramente mais escuras e com resistência extra ao impacto. As erupções de lava das ilhas do Havai inspiraram a interseção entre vermelho, laranja e amarelo inseridos nos reflexos primorosos da nova cor. A Hawaii Lava eleva o estilo da proteção solar ao máximo e garante uma experiência visual primorosa, garantida pela tecnologia avançada em lentes da marca de origem havaiana.

•• “Tivemos uma quebra s éria de receitas no período de confinamento, mas os res ultados de maio e junho, depois do reinício foram animadores . Por is s o, es tamos motivados ” •• “As exigências do mercado apontam na direção deste estilo de forma muito expressiva, desde 2019, altura em que o lançamos em lentes plano na coleção exclusiva do Manchester United. Fazia todo o sentido ampliar a oferta a modelos populares da nossa coleção e incluir as opções de prescrição neste acabamento original”, reforçou Diego de Castro. Está disponível em 150 modelos de óculos de sol e 90 de prescrição. Como incentivo para os amantes do sol neste período, a Maui Jim lança uma promoção de 50 por cento de desconto na primeira encomenda de Hawaii Lava graduada, a favor do ótico.

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Desde o encerramento de alguns dos espaços de produção, manter parte da equipa a trabalhar em casa e recorrer a apoios governamentais para garantir a continuidade dos postos de trabalho nos diferentes países, Hans-Jürgen Penzek disse que mesmo assim o serviço foi mantido ao mais alto nível “por telefone e email.” A situação causada pelo confinamento das pessoas, entretanto, foi ultrapassada e a Maui Jim começou a regressar ao ativo em maio com a abertura das instalações, sob o desafio das novas medidas de higiene. “Conseguimos neste período de confinamento pensar e trocar ideias entre os elementos do grupo europeu, a equipa de marketing e restantes equipas sobre o que fazer quando as óticas voltassem ao funcionamento “normal” e relançar a marca. Entre novas embalagens, incentivos, tais como prolongar prazos de pagamento, queremos, acima de tudo, ajudar os nossos representantes e o setor.”, adicionou o responsável europeu à imprensa. De facto, os vendedores da marca foram incentivados a contactar os seus parceiros, para garantir que estavam bem e perceber como a Maui Jim podia ajudar. “Tivemos uma quebra séria de receitas no período de confinamento, mas os resultados de maio e junho, depois do reinício foram animadores. Por isso, estamos motivados”, concluiu o vice presidente europeu.


Essilor

A gigante das lentes oftálmicas voltou a atrair os profissionais do setor para um webinar construtivo, no final da jornada de 18 de junho. As vozes de alguns óticos de referência fizeram-se ouvir sobre como vivem hoje a luta pelo regresso à nova normalidade, neste pós-estado de emergência provocado pela pandemia global. Em destaque, estiveram ainda as soluções e algumas ideias criativas para um futuro que se adivinha positivo, mas de muita resiliência.

Gonçalo Barral, diretor geral da Essilor Portugal, foi o apresentador e moderador do encontro virtual que congregou a equipa da empresa e os óticos destacados. Foi este líder que lançou o tema A Retoma e os Desafios do Futuro como base das apresentações, da mesa redonda e da interação com os participantes. Como premissa, Gonçalo Barral alvitrou que “ (...) faz todo o sentido passar confiança aos clientes e é através da demonstração de amor e carinho (...)”. Trocas de perspetivas A Essilor Portugal abriu a antena do seu webinar a alguns óticos destacados da sua base de dados de clientes, os Vision Leaders. Desta vez compôs, uma “mesa” só com vozes femininas, representantes de empresas de peso nas respetivas regiões. Manuela Vieira da Arte Óptica Manuela, de

Foto: Cottonbro from Pexels

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“A retoma e os desafios do futuro”

Portimão, Susana Santos da Ótica Galilei, de Bragança e Daniela Fonseca do Jorge Oculista, com sede em Famalicão, deram uma visão intimista de como sentiram na “pele” as consequências do confinamento forçado da população portuguesa. Todas foram, porém, positivas, mesmo perante jornadas de trabalho que são hoje mais complexas e “rarefeitas”. A primeira questão levantada por Gonçalo Barral relacionou-se com a diminuição de turistas em circulação e como isso pode ser negativo ou positivo. Diretamente do Algarve, Manuela Vieira explicou que, “afeta o negócio da ótica na medida em que há menos turistas nos centros urbanos e acabam por não consumir o que consumiriam, claro. Sentimos mais ao nível dos óculos de sol e menos no graduado que é um produto de necessidade.”

E se em Portimão, o turismo tem um peso tremendo nas fundações das óticas, em Bragança a questão centra-se na emigração. “Temos mais emigrantes que nesta altura regressam para visitar os familiares e aproveitam para fazer os seus exames e óculos em Portugal. Este ano estamos renitentes se de facto virão.” Da voz de Daniela Fonseca chegou a experiência privilegiada de quem está presente em diferentes mercados. “Os grandes centros, motivados também pela dimensão das empresas, têm uma retoma mais lenta. Na loja do Porto temos atendimento por marcação e não se sente muito movimento na zona comercial. Noutras cidades mais pequenas, nomeadamente Barcelos, Famalicão e mesmo Guimarães, pelo grande peso que o comércio tradicional tem, sente-se um retomar mais rápido, embora


ainda longe do que era. Há coisas benéficas, claro. Por exemplo, o que noto no Porto, onde se privilegia o atendimento por marcação, notámos que esta dedicação exclusiva e o contacto familiar a cada pessoa agrada a muitos e até reforçamos a nossa política de proximidade.”

•• “Um dos aspetos positivos desta pand e m i a centr a- se na quest ã o d e se associar m uito m a i s a saúde à ótica” ••

até às lentes com tratamentos protetores da luz azul emitida pelos dispositivos digitais até às soluções anti-embaciamento tão importantes para o atual uso intensivo de máscaras. Para encerrar o ciclo de conversas Manuela Vieira, Susana Santos e Daniela Fonseca deixaram as palavras que marcam o atual mundo da ótica: adaptação, reinvenção, confiança, segurança, profissionalismo e solidariedade. Uma Essilor que se reinventa em função dos óticos e do consumidor Para além do moderador deste encontro digital, Gonçalo Barral, da Essilor houve mais dois representantes que aproveitaram a “antena aberta” para exporem novos modos de operar da equipa. Ricardo Cadete, da área comercial, abordou as estratégias adotadas pelos profissionais no “terreno”, assegurando uma limitação de visitas às óticas, para segurança de todos, e mais contactos por meios digitais e telefone. Esta estratégia foi apurada num inquérito junto dos óticos. E não é só a questão do contacto aos profissionais que foi levantada, mas também a forma de melhor falar ao consumidor. “É uma tarefa atualmente mais complexa, mas tem que ser mantida através dos meios que estão hoje em alta, para passar novidades, campanhas e ainda inovações que surjam para manter a saúde visual dos portugueses num bom nível”, asseverou Ricardo Cadete. E claro, a Essilor reforçou o compromisso de criar valor para o setor com os seus desenvolvimentos, e o diretor comercial apresentou como bandeiras

as lentes AVA, as Varilux X e ainda a tecnologia Transitions. Ricardo Cadete não deixou de fora o essencial OptiFog, para desembaciamento das lentes. Ao palco subiu depois o diretor de marketing, Luís Leite Rio, com as “vozes” que se ouvem nos diferentes meios em nome da Essilor. Em destaque a campanha Sempre Juntos, que “é um manifesto que vem do fundo da alma da Essilor, mas tenta espelhar a imagem de marca deste setor que tem a ver com a proximidade e com a confiança.” Sempre Juntos está agora na base de todas as próximas comunicações da Essilor, tanto na imprensa especializada como na direcionada ao grande público, nomeadamente a Marketeer e a revista Sábado. As redes sociais estão, claro, em destaque para a estratégia da Essilor e os óticos integram este plano com kits digitais que podem usar nas suas próprias redes. Já se tinha falada da influencer Helena Coelho, personalidade portuguesa com mais de meio milhão de seguidores nas redes sociais e eleita, em 2019, como a melhor blogger de moda, como parte integrante das fileiras de embaixadores da marca de lentes oftálmicas. A pandemia adiou esta concretização, que vai seguir agora, com o calor, o plano inicial, associada à tecnologia Transitions e vocacionada a um público jovem. De resto, a garantia de Luís Leite Rio é a de que a Essilor está atenta ao consumidor e a estudar continuamente formas de comunicar num nível íntimo e incisivo, sobre as novas necessidades e sobre uma saúde visual que não se pode descurar.

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Consumidor pós-confinamento Gonçalo Barral lançou a dúvida às empresárias representativas do setor neste webinar. Quem são os novos compradores? Atendimento mais rápido, afeto, confiança e fadiga ocular são os princípios que marcam o compasso dos tempos atuais. “O consumidor do “pós-covid-19” procura uma solução concreta. (...) Marca e quer ser atendido com maior rapidez. Notámos que a pessoa não quer estar muito tempo dentro do gabinete, apesar de a tranquilizarmos. Não quer passear nem mexer”, realçou Manuela Vieira, acrescentado ainda que, “antes quando recebíamos o cliente era com um sorriso, agora temos que sorrir com os olhos.” Em Bragança, no que diz respeito às movimentações da Ótica Galilei, Susana Santos garantiu que “os consumidores vêm com muita necessidade de afeto, de falar, porque a nossa população é mais envelhecida e estão sozinhos e neste período de confinamento estiveram sem contacto. Isso tornou-os mais dependentes dos afetos.” “(...) Um dos aspetos positivos desta pandemia centra-se na questão de se associar muito mais a saúde à ótica, também pelo facto de termos o manual aprovado pela Direção Geral de Saúde e de termos estado abertos a população. Dá-se também mais importância à consulta e respetiva marcação. Antes sentíamos uma falta de compromisso, porque muitos desmarcavam ou nem isso. É importante que o consumidor tenha noção sobre o setor e sobre a Associação Nacional dos Ópticos (ANO), que só eleva a atividade, desenvolveu a representante do Jorge Oculista, Daniela Fonseca. Sobre o rumo da ótica, as profissionais foram unânimes na convicção de que sobre toda esta situação estarão os exemplos de profissionalismo no setor. As óticas que foram fieis ao seu estatuto de promotores de saúde e investiram em consultórios avançados e modernos estarão mais salvaguardadas da crise, porque cultivaram a confiança dos respetivos clientes. E claro, novos caminhos devem ser empreendidos, como a aposta nos meios digitais para promover e até transacionar os produtos e a marca da ótica. Há estratégias que não implicam grandes novidades, mas sim uma maior visibilidade, como é o caso da promoção de produtos e tecnologias já instalados e que agora fazem todo o sentido. Desde a tecnologia Transitions,


Gili Shani

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KreuzbergKinder: Em busca da liberdade

O mentor da marca baseada em Berlim tem no seu íntimo a busca pela verdade, num registo de design honesto, rude e transgressivo. Gili Shani ininiou-se nas artes através da fotografia de moda e com a sua objetiva captou ideias e inspirações que o levaram à certeza de que queria palmilhar um caminho só seu. Nascido em Telavive, mas cidadão do mundo, foi em Berlim, mais especificamente no bairro artístico de Kreuzberg, que se descobriu e afirmou. KreuzbergKinder é um grito intemporal de inconformismo, de linhas que se atrevem contra o estabelecido e é também um conjunto de óculos dos quais não conseguimos tirar os olhos. Texto: Paola Ferrario e Carla Mendes

A cultura multiétnica do Gili Shani é a alma criativa da marca KrezbergKinder. Ideias e sonhos de artistas, ativistas, proprietários de negócios, DJ’s e até bancários de Kreuzber, o bairro jovem de Berlim, são canalizados graças ao design de Gili Shani nas coleções de KreuzbergKinder. E quando decidiu enveredar pela criação de óculos? Na qualidade de fotógrafo de moda profissional sempre fui fascinado pelos acessórios em geral e em particular pelos óculos e em como estes últimos podem refletir a própria personalidade, acentuar ou amenizar certos traços físicos e conferir expressões diferentes ao mesmo rosto. No passado, também colaborei na criação da imagem de várias marcas de óculos, sobretudo em Berlim. Esta experiência fez crescer em mim o pensamento e a fantasia de conceber a minha marca eyewear, que seria extravagante e intensa, mas mais vocacionada a pessoas como os meus amigos e colegas com quem convivo em Berlim. Achei extremamente frustrante que as outras insígnias, com as quais colaborei e que sorveram inspiração da cultura radical underground de Berlim, acabassem por posicionar-se fora do alcance das mesmas pessoas que eram os rostos e imagem da marca...tudo isto deu-me ainda mais motivação para experimentar e lançar o meu próprio projeto.


Falava de Berlim, a cultura desta cidade icónica foi um fermento autêntico para a sua criatividade. O meu encontro com a cultura enérgica de Berlim há 17 anos atrás, revolucionou-me por completo o pensamento. Ainda a trabalhar como fotógrafo de moda, pude finalmente exprimir a minha verdadeira arte e as minhas visões mais íntimas. Com o tempo encontrei pessoas que criam em muitos setores variados da arte, da música, das tatuagens e do espetáculo e que me enriqueceram e permitiram construir uma ideia mais clara daquilo que faço e que, de facto, gosto de fazer e que sonho cumprir. Tenho muito orgulho e alegria em constatar que muitos destes amigos artistas de Kreuzberg, que nós como grupo denominamos Kreuzberg Kinder ou as crianças de Kreuzberg, estão na retaguarda da minha marca, sentem-se parte da mesma e participam ativamente na sua divulgação a troco de nada. Um outro exemplo desta simbiose e osmose é a nossa coleção cápsula Icon-ICS. Foi criada em colaboração com alguns artistas jovens locais, estudantes e docentes, combinando as suas inspirações em design e a projeção de modelos que defino quase como vintage-futurísticos.

Para além de Berlim, que outros fatores fazem o Gili Shani inspirar-se? Telavive ainda respira em mim, com a sua cidade branca do Bauhsus ao longo da praia e a vida noturna envolvente. Também Nova Iorque , onde vivi durante algum tempo, deixou-me a sua marca, e não é assim tão diferente do look all black de Berlim e do ambiente multiétnico, no entanto um pouco mais sofisticada. As imagens icónicas do vintage são uma forte fonte de inspiração e abrem o diálogo com o passado em busca de formas, olhares e sensações sem tempo, que se revelam para o presente e para o futuro, sobretudo na cor negra ou em outros tons que encontro para lá da linha temporal, tendências estanques ou modas.

Olhar o Mundo | 33 |

Que formação académica de base tem na área artística e como se deixou encantar pelo design? Estudei fotografia em Telavive e depois integrei a moda como fotógrafo de uma das principais revistas israelitas, onde fui envolvido na moda global e em muitas das principais correntes de design e tendências. Porém, sempre tive uma atração por criadores e designers de culturas mais radicais e fora do sistema. Atraía-me a imagem mais dura e rude da vida real, com um pouco de nostalgia vintage em branco e preto. Sonhava desenhar uma coleção de óculos deste tipo. Para realizar este sonho, reuni forças com Ioana Serbanescu, que possui uma longa experiência no setor da ótica e com quem partilho uma visão comum.


Olhar o Mundo | 34 |

•• “ Q u an do rea l iza mo s u m a p e ç a co m c a rá t er e i n t e r e s s e , c o n s eg ue s e n t i r - s e i m e d ia t a men t e, as s e n t a be m n o ro s t o , t am bé m e m t ermo s d e c on f or t o, e t em uma q u al i dade p rimo ro s a a rt es a n a l ” ••

O que significa para si óculos vanguardistas atualmente? Para mim, qualquer forma de arte, inclusive o design fashion, é vanguardista quando está em contacto com o seu património e a sua história e próxima da vida e dos sentimentos reais. Também deve estar passo a passo com as exigências e percepções da sua geração, em tempo real, e pode utilizar tecnologia e os materiais disponíveis para ligar todos estes elementos e transformá-los em algo relevante para o futuro, também através da sua “declaração” e aquilo que transmite. É vanguardista o que ousa colocar de parte ou em discussão as convenções e está disposto a assumir riscos estéticos, não necessariamente extremos, em termos de design ou dos materiais para atingir este objetivo. Que elementos irão destacar os óculos KreuzbergKinder daqui a dez anos? Ao desenhar as nossas coleções e ao escolher o design final procuramos peças intemporais, procuramos evitar o mais possível, e nem sempre é fácil, as tendências passageiras e os must have do momento. Investimos numa qualidade que perdura no tempo e damos especial atenção à missão de tornar os nossos óculos o mais cómodos possível e fáceis

de usar, mesmo quando o desenho parece mais extremo e não convencional. No fundo, os óculos servem para ser utilizados e devem ter um bom aspeto na cara. Quando realizamos uma peça com caráter e interesse, consegue sentir-se imediatamente, assenta bem no rosto, também em termos de conforto, e tem uma qualidade primorosa artesanal. Distinguir-se-á em qualquer momento, até daqui a dez anos.


EAOO A optometria europeia no pós-pandemia

No ecrã soaram as vozes de Nicholas Rumney, presidente recentemente eleito da Associação Europeia de Optometria e Ótica (EAOO), Karin Lund integrada no grupo GrandVision, baseada na Noruega, Massimo Revelli, presidente da Academia Europeia de Optometria e Ótica (ECOO) e delegado para os assuntos internacionais da Federottica, organização italiana representativa dos optometristas e óticos, Martin O’Brien, da Associação dos Optometristas da Irlanda e Rafael Péres Cambrodi, vice presidente do Colégio de Óticos-Optometristas da Comunidade de Valência. A liderar a reunião esteve David Parkins, presidente da rede regional de Londres de saúde ocular integrada no sistema nacional de saúde do país. A moderar, o nosso português Eduardo Teixeira, a comprovar o dinamismo em prol da atividade a nível internacional. “Devíamos estar a encontrar-nos em Helsínquia (no encontro anual da EAOO), mas foi uma grande reviravolta a que vivemos nos tempos recentes em muitas coisas e a EAOO teve algumas mudanças. Costumávamos encontrar-nos pessoalmente pelo menos uma vez por ano, durante três dias e sem grandes ações pelo meio. Porém, fizemos mais nas últimas seis semanas do que nos últimos cinco anos!”, congratulou no arranque da conversa, Nicholas Rumney. David Parkins lançou o tema basilar, sublinhando o impacto profundo da pandemia na prática clínica da optometria, nomeadamente na gestão do tempo de consulta e do risco para ambos especialistas e pacientes. “O choque na oftalmologia foi também impressionante e, portanto, temos aqui um caso forte a favor dos cuidados de saúde visuais primários. Temos que trabalhar no limite das nossas competências.” Antes de se passar a palavra às diferentes realidades de cada país, Eduardo Teixeira revelou os resultados de um inquérito feito a 62 profissionais de 25 países sobre a situação excecional vivida. A maioria admitiu ter estado ao serviço da população no tempo de confinamento, estar em situação económica complexa e que para o futuro existirão mudanças como o estabelecimento das consultas à distância, melhor marketing, trabalhar mais horas, mas acima de tudo mais segurança. E depois de se ouvir os intervenientes e as vivências dos especialistas dos respetivos países, as conclusões foram que, por ter sido posta em causa a saúde da população e o consequente

confinamento, houve um reforço do papel da optometria na sociedade. Urge também a cooperação e colaboração com oftalmologistas e todos os profissionais envolvidos na saúde visual, como é exemplo a Noruega. Há também a oportunidade de envolver a atividade nos cuidados primários de saúde dos sistemas nacionais de saúde, naqueles em que isso ainda não acontece. Por outro lado a comunicação ganhou novos contornos entre colegas de profissão em grupos de interesse abrangentes, para realçar a base científica baseada em evidência da profissão, conceito que está na base da EAOO, e para fomentar a aceitação do público e mantê-los informados para quando precisam de ajuda. Impõe-se ainda a formação e adaptação aos novos métodos de abordagem ao paciente e a triagem bem feita. Por fim, o reconhecimento governamental da centralidade da optometria está no bom caminho, precisamente pelo papel que assumiu perante um estado de emergência sem precedentes e pelos danos que o confinamento tem causado à saúde visual. A EAOO continua a dinamizar estes encontros digitais de atualização para os optometristas europeus, mas o encontro presencial está garantido para Helsínquia, de 23 a 25 de abril de 2021, sob o lema Visão para o Futuro.

Optometria | 35 |

A Associação Europeia de Optometria e Ótica manteve-se ativa durante o período de confinamento global e apelou a reuniões online através de grupos de interesse especial. Registámos o encontro virtual de 6 de junho, dinamizado por Eduardo Teixeira, o optometrista português que se assume como ex-presidente, mas ainda com funções centrais, em cooperação com a equipa da associação. Na frente das conversas esteve o tema da Transformação dos Cuidados Primários de Saúde Visual como Resposta à Covid-19, abordada de forma transversal por profissionais de vários países. A realidade individual de cada nação trouxe lições e experiências essenciais.


Foto: Polina Zimmerman from Pexels

Oftalmologia | 36 |

POSTURA EM TEMPOS DE COVID Texto: Orlando Alves da Silva – Médico oftalmologista com o grau de chefe de serviço hospitalar; professor convidado do master de propriocepção da Universidade de Bolonha, Itália; presidente fundador da Associação Postuguesa de Posturologia Clinica e Dislexia. o.alvesdasilva@gmail.com

A pandemia que temos vindo a atravessar tem modificado os nossos hábitos posturais. Muitos de nós passamos a recorrer mais à posição de sentado e a fazer maior uso do computador. As cadeiras que a maioria das pessoas utiliza são de altura standard com altura de habitualmente 44 centímetros e assento inclinado para trás cerca de três a quatro graus. Tudo se passa como se a posição ideal para estar sentado fosse descarregar uma parte do nosso peso para as costas da cadeira, fazer apoio na metade anterior dos pés e rodar os membros inferiores para fora. Em relação à cabeça, tudo se passa como se achássemos normal fazer incidir, por tempo prolongado sobre os músculos do pescoço uma cabeça que pode pesar de cinco a sete quilos que com o efeito de alavanca pode significar um esforço de

cerca de 18 quilos sobre os tendões inferiores dos músculos cervicais. Depois queixamo-nos de fadiga e dores musculares como se isso não tivesse nada a ver com os erros posturais que adoptamos, muitas vezes de forma inconsciente no nosso dia a dia. Em relação ao adulto, a cadeira ideal para cerca de 90 por cento da população normal deve ter entre 30 e 40 centímetros, dependendo essa medida exacta do comprimento da perna de cada um. Para uma posição correta, os joelhos devem estar cerca de três a quatro centímetros mais altos do que a coxa e os pés colocados em posição de paralelismo. Os pés têm a função de equilibrar o corpo e não os podemos eliminar, quer total quer parcialmente, sem pagarmos uma factura no nosso bem estar.


Quando temos os pés bem apoiados eles enviam informação proprioceptiva ao cérebro que equilibra o tónus dos restantes músculos do corpo, incluindo os músculos que fazem movimentar os nossos olhos. É evidente que não resulta prático fabricar uma cadeira para a altura de cada utilizador, mas é perfeitamente possível que cada pessoa que tenha de estar muito tempo sentada, utilize um apoio para os pés com a altura indicada para cumprir as regras que em cima enunciamos. Henrique Martins da Cunha, o médico fisiatra que primeiro descreveu a nível mundial a Sindrome de Deficiência Postural, aconselhava, a titulo provisório, a colocar como apoio para os pés revistas e livros que já não tivessem utilidade. Os erros sistemáticos de postura podem produzir sintomas sérios que variam de indivíduo para indivíduo como dores musculares em qualquer parte do corpo e mesmo desencadear uma dor ciática por contractura do músculo piriforme e dores na zona da coluna , braços, pernas, peito e mesmo pés. Pode dar desequilíbrios como sensação de se estar em cima de um barco ou até mesmo vertigens insuportáveis que não permitem boa qualidade de vida. Algumas vezes, as mãos apresentam-se frias mas transpiradas, existe fadiga e certos movimentos articulares limitados ou pesados como a rotação da cabeça e a elevação dos braços. Muitas pessoas têm dificuldade em chegar ao cimo dos armários ou olhar para o tecto , convencidas que é da idade ou do reumatismo. Outras pessoas tropeçam em mesas e em ombreiras de porta ou caem e fazem entorses com frequência e convencem-se que são distraídas ou desajeitadas. Outras ainda ficam furiosas porque mordem a língua ou a bochecha e não percebem como isso é possível… As cadeiras de altura regulável parece ser o ideal, mas é pura ilusão. Seria boa solução se a cadeira fosse utilizada isoladamente. Mas a cadeira está associada no seu uso a uma mesa e ao acertarmos a cadeira estamos a desregular a mesa e alterar a postura da cabeça. Se descermos a cadeira para uma pessoa de baixa estatura e a colocarmos ao computador os seus olhos ficam abaixo da primeira linha do computador e isso obriga a uma contractura permanente dos músculos posteriores do pescoço. O movimento dos nossos olhos é mais limitado no olhar para cima pelo que vamos ter de mobilizar os músculos do pescoço. O problema não reside em usar essa posição alguns minutos, o problema está em utilizar essa posição por muito tempo. Esta situação afecta não só os músculos cervicais como todo o sistema proprioceptivo com as consequências que acima foram referidas. Nas crianças a má postura pode induzir dislexia e dificuldades de

aprendizagem. Há crianças que são inteligentes , que se esforçam por aprender, que têm bons professores e cometem erros escolares inaceitáveis. Muitas dessas crianças sofrem de Sindroma de Deficiência Postural e uma das prescrições consiste em explicar como devem estar sentadas. Vejamos agora o trabalho em frente a um ecrã de computador que foi intensificado por causa desta pandemia. Quando aproximamos um objecto dos dois olhos eles executam naturalmente um movimento para dentro em sentidos opostos. Chama -se a isto reflexo de convergência, esta é uma excepção à dinâmica dos movimentos oculares, pois a regra consiste nos dois olhos moverem-se no mesmo sentido. Porém, se em vez de um objecto aproximarmos uma luz, essa convergência faz se com mais dificuldade e fadiga visual. O contraste do ecrã de computador é um misto entre luz e objecto ou seja , corresponde a um estímulo fraco de convergência, se associarmos a isso a má postura que também vai agravar a convergência ocular por via proprioceptiva, as pessoas podem queixar-se de fadiga visual e pensar erradamente que são as lentes de visão que já não estão bem. Por tudo isto, é de prever que neste período de sedentarismo forçado em que vivemos haja um maior número de Sindromas de Deficiência Postural com o seu cortejo de sintomas específicos como dores musculares, desequilíbrios e fadiga inexplicável. Quanto às crianças é provável o aumento de deficits de concentração e dificuldades escolares que serão mais facilmente detectados quando voltarem as aulas presenciais. Nota: Este texto foi escrito com a grafia anterior ao Acordo Ortográfico por opção do autor.

Oftalmologia | 37 |

•• “É de pr ever que ne s t e per íodo de sedenta ri s m o forçado em que vive m os haja um m aior núme ro de Sindromas de Deficiência postura l com o seu cor tejo de sintom as específic os com o dores m uscula re s , desequilíbrios e fadi g a inex plicável” ••


Foto: Snapwire

Ponto de Vista | 38 |

Previsões 2020 Ótica italiana: o mercado mais fustigado pela covid-19 A ANFAO, a associação italiana representativa dos fabricantes de artigos óticos, investiu no apuramento do futuro próximo dos seus associados e restante setor no país. 2019 foi animador em termos de exportações, lucros e emprego, no entanto, o surgimento da pandemia reverteu os bons resultados. Espera-se uma queda de 25 por cento nas exportações e de 15 por cento na produção. Deixamos aqui um olhar sobre um dos mais poderosos mercados eyewear do mundo. A economia global teve uma queda generalizada em 2019. As tensões comerciais com a China, um desempenho sem brilho dos EUA e da Alemanha e as preocupações desgastantes com o Brexit levaram a uma tendência descendente no desenvolvimento dos mercados financeiros, o mais fraco das décadas recentes. Em Itália, o ano transato desenrolou-se num contexto de um mercado doméstico em dificuldades e de uma economia lenta. Mesmo assim, 2019 foi decente para o eyewear italiano. A produção totalizou 3,991 milhões de euros, mais 3.3 por cento que em 2018. O número de empresas manteve-se constante com 879 negócios por todo o país, mais 1.4 por cento que no ano anterior. Em termos de empregos, fechou-se 2019 de

forma positiva e embora os primeiros sinais de problemas de alguns dos grande grupos pareciam ameaçadores, no fim do ano o número de postos de trabalho eram 18,082, mais 2.3 por cento que em 2018.

Detalhes estruturais 2019 empregados

Valor de negócios

exportações

empresas


Dez anos de eyewear italiano (Milhões de euros) 2010

2011

2012

2013

2014

Euro

Dif.%

Euro

Dif.%

Euro

Dif.%

Euro

Dif.%

Euro

Dif.%

Produção

2.448,45

8,7%

2.658,87

8,6%

2.799,21

5,3 %

2.897,58

3,5 %

3.170,93

9,4 %

Exportação

2.210,46

18,0 %

2.459,46

11,3%

2.621,73

6,6 %

2.781,68

6,1 %

3.064,38

10,2 %

Importação

763,99

19,8 %

808,29

5,8 %

843,95

4,4 %

885,27

4,9 %

987,99

11,6 %

1.001,98

-1,4 %

1.007,71

0,6 %

962,53

-4,5 %

941,18

-2,2 %

931,94

-1,0 %

Euro

Dif.%

Euro

Dif.%

Euro

Dif.%

Euro

Dif.%

Euro

Dif.%

3.564,60

12,4 %

3.697,48

3,7 %

3.804,71

2,9 %

3.865,14

1,6 %

3.991,16

3,3 %

Mercado Doméstico

2015 Produção

2016

2017

2018

2019

Exportação

3.453,42

12,7 %

3.579,16

3,6 %

3.698,12

2,3 %

3.732,36

0,9 %

3.876,48

3,9 %

Importação

1.146,26

16,0 %

1.183,83

3,3 %

1.224,11

2,4 %

1.261,90

3,1 %

1.346,93

6,7 %

985,43

5,7 %

1.007,15

2,2 %

994,70

-1,2 %

984,68

-1,0 %

982,61

-0,2 %

Mercado Doméstico

Confindustria Moda processing for ANFAO on Coeweb ISTAT and Global Trade Atlas data

Estrutura da Indústria do Eyewear Italiano Números Nacionais Ano

Produção

Mão de obra*

Variações Empresas com Escala Industrial

Empresas

Ano

Produção

Mão de obra*

Empresas

Empresas com Escala Industrial

3.991

18.082

879

154

2019

3,3%

2,3%

1,4%

-3,1%

2018

3.865

17.673

867

159

2018

1,6%

2,3%

0,5%

-0,6%

2017

3.805

17.284

863

160

2017

2,9%

0,2%

0,1%

0,0%

2016

3.697

17.250

862

160

2016

3,7%

0,0%

-0,9%

1,3%

2015

3.565

17.245

870

158

2015

12,4%

6,5%

0,2%

-4,2%

2014

3.171

16.195

868

165

2014

9,4%

2,3%

-0,1%

-0,6%

2013

2.898

15.830

869

166

2013

3,5%

-2,4%

-1,3%

-1,8%

2012

2.799

16.220

880

169

2012

5,3%

0,6%

-2,5%

-1,7%

2011

2.659

16.120

903

172

2011

8,6%

0,2%

-2,6%

-1,7%

2010

2.448

16.150

927

175

2010

8,8%

-2,7%

-2,4%

-1,7%

Ponto de Vista | 39 |

2019

ANFAO figures based on ISTAT, INPS and CCIAA data * this figure does not include temporary employment contracts

Eyewear Italiano: Importações/Exportações Janeiro-Dezembro 2019 2017 Importações Lentes oftálmicas de vidro

2018 Revisto Exportações

32.902.815

23.041.365

Importações 37.074.719

2019

Exportações 26.402.602

Importações 44.259.055

Exportações 30.109.345

Lentes oftálmicas noutros materiais

184.224.105

55.275.395

168.709.375

59.804.730

183.385.372

61.553.623

Total Lentes

217.126.920

78.316.760

205.784.094

86.207.332

227.644.427

91.662.968

Armações

519.052.309

1.123.252.525

555.738.683

1.133.176.319

575.337.996

1.201.356.660

Óculos de Sol

487.940.490

2.496.556.105

500.373.397

2.512.974.030

543.946.556

2.583.455.791

Armações + Óculos de Sol

1.006.992.799

3.619.808.630

1.056.112.080

3.646.150.349

1.119.284.552

3.784.812.451

Total

1.224.119.719

3.698.125.390

1.261.896.174

3.732.357.681

1.346.928.979

3.876.475.419

Confindustria Moda processing for ANFAO on Coeweb ISTAT and Global Trade Atlas data

Diferença Percentagens 2018 vs 2016 Importações

2018 vs 2017

Exportações

Importações

2019 vs 2018

Exportações

Importações

Exportações

Lentes oftálmicas de vidro

12,7%

14,6%

34,5%

30,7%

19,4%

14,0%

Lentes oftálmicas noutros materiais

-8,4%

8,2%

-0,5%

11,4%

8,7%

2,9%

Total Lentes

-5,2%

10,1%

4,8%

17,0%

10,6%

6,3%

Armações

7,1%

0,9%

10,8%

7,0%

3,5%

6,0%

Óculos de Sol

2,5%

0,7%

11,5%

3,5%

8,7%

2,8%

Armações + Óculos de Sol

4,9%

0,7%

11,2%

4,6%

6,0%

3,8%

Total

3,1%

0,9%

10,0%

4,8%

6,7%

3,9%

Confindustria Moda processing for ANFAO on Coeweb ISTAT and Global Trade Atlas data


Exportações Eyewear Italiano 2019: Mercados Líderes Exportação e Quota de Mercado Armações

Óculos de Sol

Nº. 28,5%

Países

1 EUA

23,2%

1 EUA

2 França

15,3%

2 França

9,5%

2 França

1 EUA

Óculos de Sol + Armações

Óculos de Sol

Armações

6,7%

4,6%

12,8%

-3,0%

-2,0%

-4,4%

8,0%

10,1%

4,9%

-9,8%

-3,1%

3 Alemanha

7,9%

3 Reino Unido

6,0%

3 Alemanha

4 Reino Unido

5,5%

4 Espanha

6,0%

4 Reino Unido

-7,9%

5 Espanha

5,3%

5 Alemanha

5,8%

5 Espanha

-0,3%

1,6%

-4,7%

6 China

4,1%

6 China

5,4%

6 China

2,4%

-1,2%

13,9%

11,3%

18,6%

-28,3%

6,2%

6,4%

6,0%

-3,3%

-7,2%

6,8%

6,5%

6,8%

6,0%

7 Países Baixos

3,2%

7 Suíça

3,8%

7 Suíça

8 México

2,5%

8 Hong Kong

2,4%

8 Países Baixos

9 Hong Kong

2,3%

9 Coreia do Sul

2,3%

9 Hong Kong

2,2%

10 Países Baixos

2,3%

10 Brasil

Confindustria Moda processing for ANFAO on Coeweb ISTAT and Global Trade Atlas data

Ponto de Vista | 40 |

Exportações Eyewear Italiano 2019: Mudança de valor em percentagem VS 2018

10 México

Confindustria Moda processing for ANFAO on Coeweb ISTAT and Global Trade Atlas data

Exportações 2019 As exportações de armações, óculos de sol e lentes representam 90 por cento da produção e cresceram em 3.9 por cento em comparação com 2018, num valor de 3,876 milhões de euros. Mais especificamente, os óculos de sol subiram em exportações 2.8 por cento, totalizando 2,584 milhões de euros e as armações, um resultado espetacular, com seis por cento acima do ano anterior, com o valor de 1.201 milhões de euros. As importações também aumentaram com mais 6.7 por cento ou 1,347 milhões de euros, substanciando a vitalidade do setor. Aliás, a balança comercial da indústria italiana de ótica demonstra saúde - colocando na balança de exportação e importação de 2019 em 2.530 milhões de euros positivos. A geografia das exportações italianas Observando especificamente os macro-segmentos de óculos de sol e armações observa-se: • O mercado primordial em 2019 é a Europa (reclamando pouco menos de 50 por cento da totalidade)e com crescimento em relação a 2018 de 2.2 por cento. • A América reclama 33 por cento das exportações italianas e no ano transato cresceu 6.7 por cento, graças ao aumento incrível de 12.3 por cento de encomendas de armações e ainda um saudável salto de 4.6 por cento nos óculos de sol. • A Ásia reclama mais de 16 por cento das exportações de produtos óticos italianos e, em 2019, cresceu 3.4 por cento, embora sentisse uma queda nas exportações de óculos de sol de 0.7 por cento, compensada pelas armações que aumentou 17.4 por cento. • A África é um mercado potencial embora só represente dois por cento do bolo das exportações. Em 2019 teve um crescimento de 12.8 por cento nas compras de armações.

• A Oceânia foi a única região com queda acentuada e representa 0.5 por cento da quota total de exportações italianas. Países chave Os EUA são o representante mais forte das exportações, com quase 27 por cento da quota total e em 2019 cresceu 6.7 por cento, em ambos óculos de sol e armações. Na Europa, o desempenho das exportações transalpinas foram influenciadas pelas várias ocorrências que provocaram alterações económicas nos diferentes países: as preocupações com Brexit, a reorganização dos reembolsos na saúde em França e o abrandamento geral do consumo doméstico. Posto isto, as exportações de Itália encontraram terreno negativo na França e no Reino Unido e ainda em Espanha. Já a Alemanha teve um panorama positivo para a Itália. O mercado emergente, composto por Brasil, Rússia, Índia e China demonstraram poder e cresceram consideravelmente em 2019. O mercado doméstico A performance excelente nos mercados internacionais colide com a debilidade do segmento doméstico. O consumo de eyewear, monitorizado pela empresa de estudos de mercado GFK, desceu ligeiramente e manteve-se estável em comparação com os dois anos anteriores: menos 0.2 por cento no valor total de aproximadamente 2.9 biliões de euros. Entre óculos de sol, armações e lentes só mesmo estas últimas para contribuir para o resultado estável e representam mais de 46 por cento das vendas totais das óticas muito devido aos segmentos de alto valor, como as lentes progressivas que conseguem sustentar uma tendência positiva. Como em 2018, 2019 teve os focos virados para armações e óculos de sol de luxo ou marca branca. Os segmentos intermédios ficam para trás assim como a venda de óculos pelos canais tradicionais, que perdem para o online.


2020: Primeiro Trimestre Importações-Exportações Importações

Exportações

Total

Total

Armações

Óculos de Sol

-13% 239 ml€

-17,6% 805 ml€

-15,4% 271 ml€

-18,6% 534 ml€

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2020: first quarter imports-exports by months Importações

Previsões 2020

janeiro 2020

Exportações

Total

Total

Armações

Óculos de Sol

1 Semestre 2020

2 Semestre 2020

Total 2020

-1,6%

+2,9

+0,8%

+4,1%

-41%

-7%

-25%

Importações

fevereiro 2020

Total

Total

Armações

Óculos de Sol

-12,7%

-3,8%

+2,5%

-6%

Importações

Mercado doméstico

março 2020

Total

Total

Armações

Óculos de Sol

-6,6%

-43,6%

-42,2%

-44,3%

Valor de negócios

2020

2020

-10%

-15%

ANFAO processing on Coeweb ISTAT, Global Trade Atlas data, members panel data

2020 O arranque deste ano sui generis aconteceu sob sinais de incerteza global. Os acontecimentos do Médio Oriente e o conflito entre os EUA e o Irão lançaram insegurança. Para o eyewear italiano, houve sinais de abrandamento nas exportações globais e na situação do emprego, que sugeria uma possível redução de mão-de-obra ligada ao desempenho de várias empresas em específico. E depois, a ameaça de um vírus semelhante ao SARS apareceu que antecipou, desde logo, cenários tremendos de problemas financeiros nas relações com a Ásia, mas nada comparado com aquilo que trouxe a pandemia global. Em janeiro, a crise por covid-19 espalhou-se da China para toda a Ásia. Esta fase inicial lançou de imediato dificuldades em toda a indústria, que exporta 90 por cento dos respetivos produtos do país. As exportações para a China, Hong Kong, Macau e Tailândia (os primeiros países a serem submetidos a restrições) representavam 7.7 por cento das exportações de todas as indústrias (quase 300 milhões de euro por ano). A China, Hong Kong e Tailândia são também os fornecedores líderes de matérias primas e semiacabados do eyewear italiano. No que diz respeito às importações, os países referidos significavam 64 por cento da totalidade do setor (700 milhões de euros por ano). Adicionalmente, à impossibilidade de exportar para a Ásia, as empresas tiveram que lidar com a falta de matérias-primas e semiacabados. Para colmatar este problema, tiveram que recorrer a mercados fornecedores alternativos, incorrendo em custos acrescidos no processo. Ainda por cima, alumas grandes companhias com

grandes locais de produção na China (que servem primariamente o mercado chinês e vizinhos), tiveram que parar os trabalhos. A 22 de fevereiro, o dia em que o primeiro paciente foi identificado em Codogno, (norte de Itália), o impensável tornou-se realidade. A Itália entrou num dos períodos mais negros e trágicos desde a era do pós-guerra e a pandemia global foi declarada. O setor da ótica perdeu o seu encontro internacional MIDO, adiado para 2021, e o país entrou em confinamento durante 60 dias. As empresas de eyewear que produziam dispositivos médicos (óculos) e de proteção individual (óculos de sol) foram consideradas essenciais. E pela mesma razão, os óticos foram autorizados a manter as portas abertas. “Apesar desta opinião, e mesmo com as empresas a cumpriram com as medidas de segurança obrigatórias, muitas tiveram que recorrer a programas de compensações por desemprego, porque as encomendas internacionais de repente caíram para zero. No terreno nacional (Itália), os óticos que decidiram manter-se abertos, fizeram-no exclusivamente para responder a casos urgentes”, declarou Giovanni Vitaloni, presidente da ANFAO e da MIDO. Um primeiro trimestre de 2020... Nas exportações, o eyewear italiano fechou o primeiro terço de 2020 com uma queda de 17.7 por cento, ou menos 200 milhões de euros que o período homólogo. A perda concentrou-se essencialmente no mês de março (-43.6 por cento), enquanto janeiro fechou em linha com 2019 (+2.9 por cento) e fevereiro já refletiu as dificuldades na Ásia (-3.8 por cento).

•• Em janeir o, a cr ise p or covid- 1 9 espalhou-s e d a China par a toda a Á s i a . Esta fase inicial lançou de im ediato dificul d a d e s em toda a indústr ia, q ue ex porta 9 0 por cent o d os r espetivos produtos d o país ••

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Foto: Bongkarn Thanyakij from Pexels

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•• “ “ E s t amo s muit o ca ut e l os os n o “ d es en h o ” d es t as p r e v i s õ es . Afin a l , o s e n timen t o q ue c ap t ám os d a s n o s s a s e m p r e s as a s s o c ia d a s n ão dá m ar g em a ma is ot i m i s mo q ue es t e” ••

De um ponto de vista geográfico, a indústria da ótica sofreu perdas significativas no primeiro terço do ano na exportações para a América (-20.3 por cento), Europa (-16.5 por cento) e Ásia (-16.3 por cento). No mercado doméstico, os meses de janeiro e fevereiro estiveram em linha com 2019, mas março (por causa do confinamento que se iniciou na segunda semana) trouxe perdas na ordem dos 30 por cento em volume e receitas. Abril foi dramático com um decréscimo de 80 por cento. Maio já foi o início da retoma, mas mesmo assim fechou com menos 33 por cento em vendas. O futuro de 2020 A primeira parte de 2020 foi certamente desafiante para a indústria do eyewear, em muitas maneiras. “Sem dúvida que, o cancelamento das feiras da especialidade provocou enormes estragos às nossas empresas, focadas de forma consistente na exportação e que veem nestes encontros um meio para a internacionalização. Adicionalmente, encontros e contratos cancelados, planos de viagem abortados, a impossibilidade de cumprir com encomendas e o cancelamento de acordos de compra já estabelecidos estiveram na ordem do dia neste arranque de 2020. Independentemente destes efeitos diretos, não podemos ignorar os custos acrescidos ligados à gestão do aceleramento da pandemia: a incapacidade dos agentes em telefonar aos clientes, a adaptação ao trabalho remoto para o pessoal de escritório, a implementação de procedimentos e medidas de proteção para os colaboradores, adaptação do local de trabalho, assim como, a introdução de novas formas de apresentar os produtos – indo das exposições digitais até à produção de amostras para envio com custos acrescidos”, acrescentou o líder da ANFAO.

A ANFAO lança então uma previsão para as exportações, baseada nos dados apurados, estimando resultados negativos mensais (com picos desde abril até julho de 2020) até ao final do ano. Acrescenta-se ainda que, considerando que os níveis de exportação em 2019 foram moderados, é pouco provável que se repitam sob as atuais circunstâncias. A primeira metade de 2020 pode fechar com menos 40 por cento de exportações (em termos de valor, ou seja, menos 850 milhões de euros que em 2019). Baseado numa recuperação da segunda metade do ano, comparada à primeira, sem prever novas vagas da crise, pode estar-se perante a perda e menos sete por cento de valor (cerca de 130 milhões). No geral, as previsões para as exportações do mercado transalpino em 2020 indicam que pode sofrer uma queda de 25 por cento, equivalente a um bilião de euros. Quanto ao mercado doméstico, considerando as dificuldades anteriores e atuais que agravaram significativamente a situação, a conjetura para o final do ano é de pelo menos uma perda de dez por cento em valor. Da mesma forma, a produção pode descrescer em 15 pontos percentuais. “Estamos muito cautelosos no “desenho” destas previsões. Afinal, o sentimento que captámos das nossas empresas associadas não dá margem a mais otimismo que este. Sabemos que a situação é terrível para todo o país e por isso unimo-nos no movimento que exige medidas eficazes para suportar a economia e o consumo. Entre elas, tenho o orgulho de anunciar o nosso pedido, feito sob égide da Comissão da Saúde Visual, de um voucher para compra de óculos de prescrição, para pelo menos promover minimamente o consumo e, ao mesmo tempo, chamar a atenção para a visão, que pode ser prejudicada em tempos como estes. Outro aspeto chave é para a máquina de exportações que tem que regressar às operações o mais rápido possível e que os acordos de exportação altamente divulgados se concretizem. A reabertura das feiras de ótica são vitais para as nossas companhias e eu estou otimista quanto a isto e continuamos a trabalhar com toda a nossa motivação para garantir que, primeiro a DaTE e depois finalmente a MIDO, possam marcar o verdadeiro relançamento do setor”, concluiu Giovanni Vitaloni. Dados sumários dos gráficos e tabelas Computações por ANFAO e Confindustria Moda para a ANFAO baseadas em dados da ISTAT, Coeweb, Global Trade Atlas, INPS e CCIAA


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